Você está na página 1de 10

1

O Canal Preto é uma iniciativa do Ministério Público do Trabalho /


Coordigualdade, em parceria com a Organização Internacional do Trabalho
(OIT), apoio da ONU Mulheres, Cáritas Brasileira e produção audiovisual de
A Visionária Lab.
As três principais linhas de atuação são raça, gênero e trabalho e o foco dos
vídeos são o combate ao racismo no mundo do trabalho e disseminar a
cultura afro-brasileira e valorização da população negra, afrodescendente e
quilombola: história, cultura e tradição.
Hoje, a plataforma contribui com a luta antirracista, produzindo pautas
que envolvem três pilares principais. Também busca estar presente em
eventos de relevância para a causa que veicula e defende, fomentando a
prevenção e enfrentamento ao preconceito racial.

Curso de Análise de Obras – PAS 3


Prof. Vinicius Elias www.pasunb.com

Licensed to REGINA MÁRCIA RAPOSO ROCHA - andreraposo999@gmail.com - 252.240.343-53


Questão racial no Brasil;
Sociedade.
Racismo Estrutural
Relações sociais no Brasil

O racismo no Brasil não é à toa. É estrutural. O Brasil foi o último país do


continente americano a abolir a escravidão. Até 130 anos, os negros traficados
eram mantidos em condições subumanas de trabalho, sem remuneração e debaixo
de açoite. Quando, no papel, a escravidão foi abolida, em 1888, nenhum direito
foi garantido aos negros. Sem acesso à terra e a qualquer tipo de indenização
ou reparo por tanto tempo de trabalho forçado, muitos permaneciam nas
fazendas em que trabalhavam ou tinham como destino o trabalho pesado e
informal. As condições subumanas não se extinguiram.
Maria Sylvia, presidente do portal Geledés, e Helena Teodoro, voluntária
Instituto de Filosofia e Ciência Sociais - IFCS, explicam como o racismo se
estruturou no Brasil, durante e após a escravidão, e como a imagem do negro
foi associada à vadiagem, ao subalterno, ao sujo. Não à toa, as tarefas mais
árduas, as piores remunerações e as formas mais cruéis de castigo ainda são
reservadas aos pretos.
Participantes: Maria Sylvia de Oliveira, Advogada e Presidente do Geledés; Helena
Teodoro, Primeira doutora negra do país e Voluntária do Instituto de Filosofia e
Ciências Sociais - IFCS.

A negação do racismo e a evolução do conceito de democracia racial1


se aperfeiçoaram com o conceito de meritocracia, segundo o qual os
negros que se esforçarem poderão usufruir de direitos iguais os dos
brancos. Tal conceito, na prática, apenas serviu para a manutenção

1 Ideia de democracia racial foi amplamente adotada pelo Brasil pós-escravidão e ajuda a explicar
racismo atual.

Curso de Análise de Obras – PAS 3


Prof. Vinicius Elias www.pasunb.com

Licensed to REGINA MÁRCIA RAPOSO ROCHA - andreraposo999@gmail.com - 252.240.343-53


da desigualdade entre brancos e negros. (Batista, 2018, apud
Almeida 2018)

Segue abaixo a transcrição do vídeo:

Até 1888 (Lei Áurea), éramos trabalhadores “escravizados”, mas


trabalhávamos. A partir daí, somos vistos como os preguiçosos,
que não gostamos de trabalhar, vadios.
3 O racismo institucional existe. E atua dessa forma na vida das
pessoas negras, porque existe o racismo que foi estruturado ao
longo do final do século XIX, até o que a gente presencia hoje.
Nós temos até 1888, um regime de escravidão, uma escravidão
que era justificada através de teorias científicas que dizia
né que os negros eram de raça inferior e por conta disso a
possibilidade de você escravizar pessoas e abaixo de tortura
né de muita violência porque a escravização é isso.

Eugenia - Fundada em 1883 pelo primo de


Darwin, Francis Galton, preconizava o
favorecimento, pelo Estado, da formação
de uma elite genética por meio do
controle científico da procriação
humana, onde os inferiores (os menos
aptos) seriam ou eliminados ou
desencorajados de procriar.

Quando o Brasil percebe, o Estado brasileiro percebe que não


vai ter jeito, que ele vai ter que acabar com a escravidão,
ele começa a tomar a série de medidas, inclusive legislativas,
para possibilitar a marginalização de homens e mulheres negros
e negras.

• "A Constituição de 1824 ditava que a


escola era um direito de todos os
cidadãos, o que não incluía os
escravos. "A cidadania se estendia
aos portugueses, filhos de
portugueses e libertos. Os direitos
dos "livres", contudo, estavam
condicionados a ter rendimentos,
posses e "a soma de oitocentos mil
réis.
• "Entre a Constituição de 1824 e a de
1891 perdurou um sistema escolar que
reservava aulas domiciliares aos
ricos; escolas públicas aos pobres e

Curso de Análise de Obras – PAS 3


Prof. Vinicius Elias www.pasunb.com

Licensed to REGINA MÁRCIA RAPOSO ROCHA - andreraposo999@gmail.com - 252.240.343-53


livres nascidos no Brasil, ou cursos
em seminários católicos, para poucos.
Nascidos na África não tinham direito
a frequentar esses espaços."

Leia mais em:

https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/por-que-negros-
foram-excluidos-do-ensino-nos-periodos-imperial-e-
4 republicano-96aaka56heq7qxjdcyml7v7m6/

http://correionago.ning.com/profiles/blogs/dez-fatos-sobre-a-
escravid-o-que-voce-vai-continuar-a-ignorar

Veja uma análise completa da legislação no período imperial


em:
https://www.sinprofaz.org.br/artigos/a-escravidao-no-imperio-
do-brasil-perspectivas-juridicas/

A gente pode começar, por exemplo, com a lei que proíbe os


negros de estudarem, o ato de império de 1834, era um ato de
Império que impedia os negros, era proibido que os negros
estudassem.

• O 2º ATO OFICIAL: LEI COMPLEMENTAR À


CONSTITUIÇÃO DO IMPÉRIO DE 1824 – Esse texto
complementar proibia os negros (e os leprosos)
de frequentar escolas, pois eram considerados
“doentes e portadores de moléstias contagiosas.
”Os poderosos do Brasil sabiam que o acesso ao
saber sempre foi uma alavanca de ascensão
social, econômica e política de um povo. Com este
decreto, os racistas do Brasil encurralaram a
população negra nos porões da sociedade.
Juridicamente este decreto agiu até 1889, com a
proclamação da República. Na prática a intenção
do decreto funciona até hoje. Por exemplo: por
que as escolas das periferias não têm, por parte
do governo, o mesmo tratamento qualitativo igual
ao das escolas das cidades? Como é que uma pessoa
afrodescendente favelada terá motivação para
estudar numa escola de péssima qualidade? O
desejo de manter a opressão econômica sobre as
populações afrodescendente é a realidade crua da
sociedade brasileira.

Curso de Análise de Obras – PAS 3


Prof. Vinicius Elias www.pasunb.com

Licensed to REGINA MÁRCIA RAPOSO ROCHA - andreraposo999@gmail.com - 252.240.343-53


Em 1850, você tem a edição do ato de Império que se chamam de
lei de terras, as pessoas são proibidas de comprar as terras
principalmente os negros e indígenas.

• A lei n. 581, de 4 de setembro de 1850,


conhecida como Lei Eusébio de Queirós,
estabeleceu medidas para a repressão do tráfico
de africanos no Império. Sua promulgação é
relacionada, sobretudo, às pressões britânicas
sobre o governo brasileiro para a extinção da
escravidão no país.
5
O 3º ATO OFICIAL: LEI DE TERRAS DE 1850, N.º 60 –
Quase todo o litoral brasileiro estava povoado por
QUILOMBOS. O sistema, percebendo o crescimento do
poder econômico do negro e que os brancos do
interior estavam perdendo a valiosa mão -de- obra
para sua produção, decreta a LEI DA TERRA. A partir
desta nova lei as terras só poderiam ser obtidas
através de compra. Assim, com a dificuldade de
obtenção de terras que seriam vendidas por preço
muito alto, o trabalhador livre teria que
permanecer nas fazendas, substituindo os escravos.
A partir daí o exército brasileiro passa ter como
tarefa, destruir os quilombos, as plantações e
levar os negros de volta as fazendas dos brancos.
O exército exerceu esta tarefa até 25 de outubro
de 1887 quando um setor solidário ao povo negro
cria uma crise interna no exército e comunica ao
Império que não mais admitirá que o exército seja
usado para perseguir os negros que derramaram seu
sangue defendendo o Brasil na guerra do Paraguai.
No detalhe: A lei de terras não foi usada contra
os imigrantes europeus.

Tenha acesso ao texto completo desta lei em:


http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l0601-1850.htm

A lei n. 2.040, de 28 de setembro de 1871,


conhecida como Lei do Ventre Livre ou Lei Rio
Branco, é considerada um marco no processo
abolicionista brasileiro, que libertava os
filhos de mulheres escravas no Brasil.

Texto completo em:


http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l m/lim2040.htm

A Lei dos Sexagenários (LEI Nº 3.270, DE 28


DE SETEMBRO DE 1885), também conhecida como
Lei Saraiva-Cotegipe, concedia liberdade aos
escravos com mais de 60 anos de idade.

Curso de Análise de Obras – PAS 3


Prof. Vinicius Elias www.pasunb.com

Licensed to REGINA MÁRCIA RAPOSO ROCHA - andreraposo999@gmail.com - 252.240.343-53


Texto completo em: http://wp.me/p1XJcQ-1kY

Aí, você caminha mais um pouco, você tem quem inventou a Lei
Áurea e 1889 a proclamação da república e, já, partir daí, o
estado brasileiro começa a pensar tá bom, e agora quem é que
vai trabalhar para gente?

A Lei Áurea, oficialmente Lei n.º 3.353 de


13 de maio de 1888, foi a lei que extinguiu
6 a escravidão no Brasil.

Os seres humanos é uma espécie só. Ele pode ter nascido na


Mongólia, ele pode ser do Polo Norte, do Japão, dos Estados
Unidos ou da América Latina. O coração é o mesmo, o fígado é
mesmo. A única diferença que existe é a diferença externa.

A partir daí, somos vistos como preguiçosos, que não gostamos


de trabalhar, vadios. As mulheres são vistas como um
prostitutas, como hipersexualizadas, não é, macumbeiras.
Então já pensando nisso eles já começam a trazer os europeus,
principalmente, alemães e italianos, para substituir a mão de
obra escrava.

Curso de Análise de Obras – PAS 3


Prof. Vinicius Elias www.pasunb.com

Licensed to REGINA MÁRCIA RAPOSO ROCHA - andreraposo999@gmail.com - 252.240.343-53


7 Atraídos por uma forte campanha publicitária e por
passagens subvencionadas pelo governo
brasileiro, milhares de europeus viam aqui uma
saída para sua difícil situação econômica,
deixando-se cair nas tentadoras promessas de uma
vida melhor ao sul do equador...

Disponível em:
https://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-
brasil/imigracao-italianos-alemaes-e-japoneses-
substituem-trabalho-escravo.htm

Muitos desses europeus vêm para o Brasil, já receberam um


pedaço de terra, algum dinheiro e animais. E o que acontece
com essa massa de homens e mulheres negros e negras após a
abolição da escravatura, sem-terra, sem educação e sem
trabalho?
Em 1890, República tem suas primeiras leis penais, dentre elas
a lei de vadiagem. Os negros que eram encontrados sem trabalho
na rua, poderiam ser presos.

O decreto-lei 3.688/41, que previa sanções


pelas contravenções,foi sancionado em 1941,
quando o Brasil estava imerso no período de
Estado Novo liderado por Getúlio Vargas. A
norma trata de condutas que, mesmo não
consideradas ofensivas, poderiam se tornar
algo lesivo.

Curso de Análise de Obras – PAS 3


Prof. Vinicius Elias www.pasunb.com

Licensed to REGINA MÁRCIA RAPOSO ROCHA - andreraposo999@gmail.com - 252.240.343-53


A criação de uma norma nesse sentido, no
entanto, aconteceu muito antes e tem raízes
no Código Criminal do Império, o primeiro a
tratar como contravenção a vadiagem (art. 295)
e a mendicância (art. 296), ambos previstos
em capítulo próprio, denominado "Vadios e
Mendigos". Com mesmo intuito, o Código Penal
de 1890, dedicava dois capítulos sobre o
assunto intitulados "Dos mendigos e ebrios" e
"Dos vadios e capoeiras".

Texto completo disponível em:


8 https://migalhas.uol.com.br/quentes/297910/m
endigar-deixou-de-ser-contravencao-penal-ha-
apenas-dez-anos

A contravenção de mendicância foi revogada em


2009, mas vadiagem ainda continua na
legislação penal brasileira.

E você tem a lei do capoeira, que proíbe os negros de jogar


capoeira ou de manifestar as suas culturas na rua, porque, na
verdade, o intuito, além de proibir essa manifestação, era
proibir o agrupamento, o ajuntamento de negros nas ruas. E é
por isso que a gente fala hoje que a gente tem um racismo que
foi estruturando-se.

Disponível em: https://observatorio3setor.org.br/noticias/capoeira-ja-foi-crime-no-brasil-previsto-no-codigo-


penal/.

CÓDIGO PENAL DA REPÚBLICA DOS ESTADOS UNIDOS


DO BRASIL. DECRETO NÚMERO 847, DE 11 DE
OUTUBRO DE 1890. Capítulo XIII, Dos vadios e
capoeiras.

Art. 402. Fazer nas ruas e praças públicas


exercício de agilidade e destreza corporal
conhecida pela denominação Capoeiragem: andar
em correrias, com armas ou instrumentos
capazes de produzir lesão corporal, provocando

Curso de Análise de Obras – PAS 3


Prof. Vinicius Elias www.pasunb.com

Licensed to REGINA MÁRCIA RAPOSO ROCHA - andreraposo999@gmail.com - 252.240.343-53


tumulto ou desordem, ameaçando pessoa certa
ou incerta, ou incutindo temor de algum mal.
Pena: de prisão celular por dois a seis meses.
Parágrafo único. É considerada circunstância
agravante pertencer o capoeira a alguma banda
ou malta. Aos chefes ou cabeças, se imporá a
pena em dobro.

9 É preciso, inclusive, que se veja o trabalho que o ministério


público de Pernambuco sobre racismo institucional, mostrando
como o nosso poder de polícia sempre foi voltado para
manutenção do status quo de quem segue os mandamentos da
cartilha europeia: Branco, Cristão, macho.

Porque há uma justificativa, há um processo ideológico por


trás de ter as prisões brasileiras abarrotadas de negros, de
ter uma maioria de pobres no país, negros. Esse é um projeto
filosófico do próprio grupo que comanda o país.

Mais informações:

https://brasil.elpais.com/brasil/2014/06/21/politica/1403380855_900715.html

https://historiandohistoriando.blogspot.com/2012/03/aplicacao-do-castigo-do-acoite-de.html

http://correionago.ning.com/profiles/blogs/dez-fatos-sobre-a-escravid-o-que-voce-vai-continuar-a-
ignorar

https://mercadopopular.org/politica/como-lei-de-terras-perpetuou-opressao-dos-negros/

https://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/imigracao-italianos-alemaes-e-japoneses-
substituem-trabalho-escravo.htm

https://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/lei-de-1941-considera-ociosidade-crime-pune-
vadiagem-com-prisao-de-3-meses-14738298

Curso de Análise de Obras – PAS 3


Prof. Vinicius Elias www.pasunb.com

Licensed to REGINA MÁRCIA RAPOSO ROCHA - andreraposo999@gmail.com - 252.240.343-53


Questão racial no Brasil;
Sociedade.
Racismo Estrutural
Relações sociais no Brasil
Democracia Racial x Mito da democracia racial
10
Gilberto Freyre - Casa Grande e Senzala
Possível Conexão com a Guerra de Secessão
Teorias ou teses do branqueamento
Institucionalização do racismo.
Naturalização das desigualdades raciais
Misoginia e erotização do corpo negro

BATISTA, Waleska Miguel. A inferiorização dos negros a partir do racismo estrutural. Rev.
Direito Práx. , Rio de Janeiro, v. 9, n. 4, pág. 2581-2589, outubro de 2018. Disponível em
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2179
89662018000402581&lng=en&nrm=iso>. acesso em 22 de novembro de 2020.
“Canal Preto”. YouTube. Disponível em:
https://www.youtube.com/c/CanalPreto/about. Acesso em 24 de agosto de 2020.

“Entenda o que é RACISMO ESTRUTURAL! - Canal Preto”. YouTube. Disponível


em: https://www.youtube.com/watch?v=lryL8ZAMq-E. Acesso em 24 de agosto de
2020.

Santos, Myrian Sepúlveda dos. (2004). A prisão dos ébrios, capoeiras e


vagabundos no início da Era Republicana. Topoi (Rio de Janeiro), 5(8), 138-
169. https://doi.org/10.1590/2237-101X005008004

Curso de Análise de Obras – PAS 3


Prof. Vinicius Elias www.pasunb.com

Licensed to REGINA MÁRCIA RAPOSO ROCHA - andreraposo999@gmail.com - 252.240.343-53

Você também pode gostar