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TERAPIAS

ALTERNATIVAS EM
ESTÉTICA

Caroline de Araujo
Barroco
Teoria yin-yang
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:

„„ Caracterizar os tipos de energia na medicina tradicional chinesa.


„„ Reconhecer a teoria do yin e yang.
„„ Identificar os meridianos yin e yang.

Introdução
Entre as teorias básicas nas quais a medicina tradicional chinesa mergulha,
está a teoria yin-yang. Todos os fenômenos da natureza, assim como
a medicina oriental, podem ser observados por meio dessa teoria. Os
meridianos energéticos, nos quais a energia Qi é conduzida, também
estão associados aos órgãos e às suas polaridades yin e yang.
A relação entre esses polos é descrita por meio de alguns aspectos
fundamentais. Os aspectos são: oposição, consumo mútuo, intertransfor-
mação e interdependência. Entre eles, há um equilíbrio natural e fisioló-
gico estabelecido. Contudo, diversos fatores podem induzir desarmonias
ao quebrar o fluxo fisiológico entre yin e yang.
Neste capítulo, você vai conhecer os grandes polos energéticos exis-
tentes no universo. além disso, vai estudar a teoria yin-yang observando
as suas peculiaridades e as relações existentes entre o organismo e os
meridianos energéticos.

Energia na medicina tradicional chinesa


Para a medicina chinesa, a energia é o que compõe e move o universo. Ela
pode ter diferentes classificações e nomenclaturas. Isso depende do local em
que está, de sua atividade, do contexto no qual está inserida, de seu nível de
densidade ou sutileza, entre outros parâmetros. Na China, a energia é conhecida
de forma global e abrangente como Qi. Um conceito amplo e que segrega os
diferentes tipos de energia em dois grandes grupos é yin-yang.
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O conceito yin-yang é o pensamento distintivo principal na medicina tra-


dicional chinesa. Esse conceito permite reduzir ou associar desde os sistemas
mais simples até os mais complexos, como anatomia, fisiologia, patologia,
tratamento e prognóstico. Por meio dele, é possível perceber energias de
características opostas e complementares simultaneamente. A interpretação
dessas qualidades contrárias é difícil para o mundo ocidental, em que a diver-
gência entre conceitos opostos geralmente significa que, na presença de um,
há ausência do outro. No Ocidente, segue-se a lógica aristotélica.
Considere, por exemplo, estas afirmativas: “a porta é retangular” e “a
porta não é retangular”. Ambas não podem ser afirmativas verdadeiras num
mesmo momento para o mesmo objeto no pensamento ocidental. Contudo, o
conceito yin-yang permite a coexistência de qualidades opostas, pois advém do
pensamento chinês, no qual energias contrárias são também complementares.
Cada uma delas pode existir por si só ou pelo seu oposto. A nomenclatura para
esses grandes componentes da dualidade das energias do universo é yin-yang.
Na energia yin, sempre há uma pequena e sutil semente do yang, assim como
no yang está a semente do yin.
Observe a Figura 1, a seguir. Ela é muito conhecida em todo o mundo
e chama-se tao. No tao, está representado o universo, que pode ser divido
em dois polos opostos. O yin é representado pela cor preta, enquanto o yang
é representado pela cor branca. Em cada um deles, há a semente do outro,
representada por um pequeno ponto da cor oposta.
Na filosofia tradicional chinesa, tao é um termo muito utilizado para fazer
referência ao “caminho”, às experiências de vida, englobando toda a natu-
reza. Ele é caracterizado por um caminho universal que pode ser segregado
em opostos complementares designados yin e yang. Dessa forma, é possível
encaixar quaisquer fenômenos do universo nesses polos energéticos, que são
reciprocamente contrários e incapazes de negação mútua.

Teoria yin-yang
Historicamente, a referência mais antiga à teoria yin-yang está no Livro das
Mutações, conhecido como I Ching. Nessa obra (ver link para versão online na
seção de Referências), yin e yang são representados por uma linha interrompida
e uma linha contínua, respectivamente. Essas linhas foram organizadas aos
pares. Assim, surgiram os representantes gráficos do yin mínimo, do yang
máximo e de dois estágios intermediários. Diferentes combinações entre essas
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linhas formaram trigramas e hexagramas, simbolizando as diversas possibilida-


des de fenômenos dos universos, nos seus vários estágios de desenvolvimento.
Observe a Figura 1. Ela é uma representação dos quatro pares de diagramas
compostos por yang máximo, yin dentro do yang, yin mínimo e yang dentro
do yin. Esses são os quatro estágios yin-yang evidenciados por suas fases
extremas e intermediárias nessa dinâmica cíclica entre os fenômenos da
natureza, incluindo o processo saúde-doença da medicina tradicional chinesa.

Figura 1. Representação dos quatro pares de diagramas.


Fonte: Adaptado de Bildagentur Zoonar GmbH/Shutterstock.com.

As primeiras observações da manifestação yin e yang estavam associadas


à terra e ao céu, respectivamente. Outras manifestações básicas dessa teoria
são a noite (yin) e o dia (yang). Nessas manifestações da natureza, é possível
perceber com clareza a oposição entre os dois polos, noite e dia, e também
a sua complementaridade, tendo em vista que a noite não existe sem o dia e
vice-versa. Eles são fenômenos de constante alternância, caracterizando yin e
yang como estágios ou movimentos cíclicos, nos quais há estágios máximos,
meia-noite (yin) e meio-dia (yang), e fases intermediárias, nas quais um dos
polos fornece espaço para o outro crescer.
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À meia-noite, há a representação do yin completo. A partir desse horá-


rio, o yang começa a crescer dentro desse yin. Logo às 6h, há um estágio
intermediário, com maior quantidade de yang em relação à meia-noite. Esse
yang segue crescendo até atingir seu ápice, ao meio-dia. Em seguida, o yin
começa a crescer dentro do yang, e às 18h há outro estágio intermediário, com
maior quantidade de yin em relação ao meio-dia. Esse fluxo de crescimento
e alternância ocorre durante a noite e o dia. Dessa mesma forma cíclica, você
pode observar as estações do ano. O inverno é a maior representação do yin,
e o verão, do yang. Na primavera, há o crescimento do yang dentro do yin, e
no outono ocorre o oposto, o yin cresce dentro do yang.

O yin indica o lado escuro de uma colina. O yang representa o lado ensolarado, o lado
oposto de uma colina. Os ideogramas correspondentes são 陰 e 陽, respectivamente.

Outro olhar para os eventos da natureza, dentro dessa teoria, leva em


conta os diferentes estágios de densidade da matéria. Yin e yang representam
diferentes etapas de transformação, transições ou mudanças cíclicas de tudo o
que existe no universo. A matéria pode adquirir vários estados de agregação,
apresentando diferentes densidades. Na água, por exemplo, você pode observar
diferentes estados de densidade. Em temperaturas baixas, a água assume o
estado físico sólido, com moléculas muito agregadas, um estado de yin. Quando
yang cresce no yin, há o estado líquido, no qual a densidade de agregação
se reduz. Para representar o yang máximo, você pode considerar o vapor de
água. Os estados mais imateriais, menos densos, dispersos, rarefeitos e sutis
representam o yang. Já os estados materiais, densos e sólidos caracterizam
o yin. No Quadro 1, a seguir, você pode ver características associadas ao yin
e ao yang.
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Quadro 1. Principais características da natureza associadas à teoria yin-yang

Yin Yang

Escuridão Noite Luminosidade Dia

Lua Meia-noite Sol Meio-dia

Sombra Inverno Brilho Verão

Descanso Sólido Atividade Vapor

Terra Material Céu Imaterial

Espaço Produção Tempo Produção de


de forma energia

Oeste Substancial Leste Não substancial

Norte Matéria Sul Energia

Direita Contração Esquerda Expansão

Descida Água Subida Fogo

Existem quatro aspectos fundamentais acerca da teoria yin-yang que podem


ser observados. Eles representam as várias relações entre esses polos: oposição,
interdependência, consumo mútuo e intertransformação. A seguir, você vai
conhecer melhor cada um deles.

Oposição
Os polos yin e yang representam opostos relativos, não absolutos. Como
você já viu, nada é totalmente yin ou yang. Os fenômenos da natureza podem
ser classificados dentro dessa teoria, contudo sempre se deve apresentar um
parâmetro comparativo: tudo pertence ao yin ou ao yang em relação a algo. No
caso da água e de seus três estados físicos (sólido, líquido e gasoso, dispostos
aqui do mais yin para o mais yang), pode-se afirmar que o sólido é yin em
relação ao líquido e ao gasoso. Além disso, é possível dizer que o gasoso é
yang em relação aos demais, que o líquido é yin em relação ao gasoso e que,
ao mesmo tempo, ele é yang em relação ao sólido.
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Quanto às estações do ano, a primavera é yang em relação ao inverno e


ao outono. Contudo, é considerada yin em relação ao verão, pois nela o yang
está crescendo. Assim, no verão, o máximo yang se apresenta. Essa relação
entre yin e yang é caracterizada por seu equilíbrio dinâmico de forças opostas.

Interdependência
Yin e yang representam forças diferentes e de características distantes. Todavia,
uma delas não pode existir sem a outra. Há uma relação de dependência entre
elas, mesmo que possam apresentar-se mutuamente exclusivas. Para o dia
surgir, é necessária a noite. Para que haja momentos de descanso, a atividade
deve existir e vice-versa. Esses polos precisam coexistir; nenhum pode existir
isoladamente.

Consumo mútuo
Os polos descritos na teoria mantêm um constante estado de equilíbrio dinâ-
mico. Tal estado se sustenta com um mecanismo de autoajuste contínuo dos
níveis relativos. A deficiência ou o excesso de qualquer um dos dois provoca
a modificação das suas proporções naturais.
Existem quatro possibilidades descritas como desequilíbrio entre yin e
yang. São elas: preponderância de yin, preponderância de yang, debilidade de
yin, debilidade de yin. Quando há preponderância de yin, o yang se reduz, por
ser consumido pelo excesso de yin. Da mesma forma ocorre com o excesso
de yang, ou seja, o yin é consumido. No caso de debilidade de yin, o yang
pode assemelhar-se a uma situação de um excesso, mas não haverá uma
preponderância real de yang, apenas a aparência dela.
É importante avaliar a diferença entre preponderância e debilidade na
medicina tradicional chinesa. Esses são fatores que influenciam diretamente
a descrição da patologia e o tratamento. Observe a Figura 2, a seguir. A re-
presenta a preponderância de yin, B representa a preponderância de yang, C
representa a debilidade de yin e D representa a debilidade de yang.
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Linha de
equilíbrio

A Yin Yang B Yin Yang C Yin Yang D Yin Yang

Figura 2. Preponderância e debilidade de yin e yang representadas pelo diagrama de


consumo mútuo.
Fonte: Adaptado de Maciocia (2014).

Intertransformação
Yin e yang são intensamente dinâmicos. Um pode transformar-se no outro.
Assim, yin pode modificar-se para o perfil yang e vice-versa. Essas mudan-
ças ocorrem em estágios específicos do desenvolvimento de algo. A noite
transforma-se em dia em momentos específicos. Da mesma forma ocorre
com as estações do ano. Existem algumas condições internas e externas que
provocam essas alternâncias. O tempo é um dos fatores fundamentais.

Relação yin-yang e os meridianos energéticos


A teoria yin-yang é a base para o desenvolvimento da medicina tradicional
chinesa. A fisiologia, a patologia, o diagnóstico e o tratamento são observados
pela óptica yin-yang. Não há medicina oriental sem essa teoria. Algumas
estratégias de tratamento podem basear-se no consumo mútuo. Nesses ca-
sos, tonifica-se o yin ou o yang que estiver em debilidade, ou, nos casos de
preponderância de yin ou yang, elimina-se o excesso do polo em saliência.
As estruturas corpóreas podem ser identificadas como yin ou yang — sem-
pre em relação a algo, o que caracteriza essas classificações como relativas.
Em geral, a região inferior, a interior, a superfície anteromedial, a frente e
a estrutura do corpo são yin. Já as porções superiores, as externas, a região
posterolateral, as costas e as funções do organismo são de natureza yang. Para
compreender melhor, veja o Quadro 2, a seguir.
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Quadro 2. Partes do corpo e seus polos

Yin Yang

Inferior Interior Superior Exterior

Anteromedial Frente Posterolateral Trás

Estruturas Tórax/abdômen Funções Costas

Corpo Órgãos yin Cabeça Órgãos yang

Abaixo da cintura Sangue e fluidos Acima da cintura Qi

A teoria yin-yang abrange toda a medicina tradicional chinesa. Dessa


forma, os canais percorridos pela energia Qi também são classificados em
yin ou yang. A natureza dos meridianos energéticos principais acompanha o
sistema de órgãos e vísceras, conhecido como zang fu.
Órgãos zang possuem características yin. Logo, os seis meridianos energé-
ticos principais que recebem a nomenclatura zang têm a mesma natureza yin.
Os meridianos principais yin são: coração, pericárdio, baço/pâncreas, pulmão,
rim e fígado. Esses meridianos nascem mais próximos às regiões inferiores
do corpo e seguem para as regiões superiores, surgindo nos pés ou tronco e
terminando nas mãos ou tronco.
As vísceras fu apresentam qualidades yang. Portanto, os seis meridianos
principais que recebem a nomenclatura fu têm a mesma natureza yang. Os
principais meridianos yang são: intestino delgado, triplo aquecedor, estômago,
intestino grosso, bexiga e vesícula biliar. Esses meridianos nascem mais
próximos às regiões superiores do corpo e seguem para as regiões inferiores,
surgindo nas mãos ou cabeça e terminando nos pés ou cabeça.
Na posição anatômica da medicina tradicional chinesa, o indivíduo está
com os braços posicionados em direção ao céu (yang) e os pés no solo, na terra
(yin). Dessa forma, a teoria yin-yang se relaciona à orientação dos meridianos,
que segue esse fluxo dinâmico. A direção do fluxo energético dos meridianos
yin é de baixo para cima. Já a dos meridianos yang é de cima para baixo. Entre
os meridianos yin, há conexões que são realizadas no tórax. Por sua vez, a
comunicação entre os meridianos yang acontece na cabeça. Nas extremidades
dos membros (pés e mãos), ocorre a troca de polaridade entre os meridianos
yin e yang. Esse é o encontro entre os pares acoplados.
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O coração é um órgão zang e forma par acoplado com a víscera fu intestino


delgado. O meridiano do coração tem característica yin, se inicia no tórax e
termina nos dedos das mãos. Logo, encontra-se com o meridiano do intestino
delgado, de qualidades yang, que se inicia nas mãos e segue até a face. No
momento do encontro entre eles, há uma troca de polaridade energética. Isso
ocorre da mesma forma com todos os meridianos principais e seus pares
acoplados. Para compreender melhor, observe a Figura 3, a seguir.

Meridianos Meridianos
principais principais
yang yin

Figura 3. Yin e yang relacionados com a orientação dos


meridianos energéticos principais.
Fonte: Adaptado de Curso... (2012, documento on-line).

As patologias e suas manifestações também podem ser avaliadas pela


teoria yin-yang. Há indícios de desequilíbrio yin em sensação de frio, palidez,
quietude, umidade, secreções fluidas e claras, textura macia dos tecidos, etapa
fisiológica inibida e lentidão. As manifestações clínicas yin são: doença crô-
nica, doença de início gradual, doenças lentas, sonolência e apatia, membros
frios, preferência por líquidos e alimentos quentes, voz fraca, respiração
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lenta e superficial, urina clara, fezes amolecidas e língua pálida. Também é


possível observar os sintomas de tristeza, desânimo, olhos embaçados e estase
circulatória. O tratamento tem como objetivo reduzir o excesso de yin — no
caso de preponderância de yin — ou então estimular o yang — no caso de os
sintomas serem brandos, podendo ser um indicativo de uma deficiência de yang
em que a sintomatologia de yin fica mais aparente devido ao consumo mútuo.
As características yang que o paciente com desequilíbrio nesse polo pode
apresentar são: sensação de calor, rubor, agitação, secura na boca, secreções
densas e amareladas, textura firme dos tecidos, etapa fisiológica acelerada,
rapidez e mudanças repentinas. As manifestações clínicas yang são: doença
aguda, doença de início rápido, mudanças rápidas, presença de calor, agitação,
insônia, membros quentes, face vermelha, voz em tom alto, sensação de sede,
urina escassa e escura, fezes secas ou constipação e língua vermelha. Também
é possível observar os sintomas de irritação, olhos brilhantes e circulação
intensa. O tratamento tem como objetivo reduzir o excesso de yang — no
caso de preponderância de yang — ou então estimular o yin — no caso de os
sintomas serem brandos, podendo ser um indicativo de uma deficiência de yin
em que a sintomatologia de yang fica mais aparente devido ao consumo mútuo.

CURSO de puntos de presión para la salud y autodefensa. Teoria de los puntos de pre-
sión, [s.l.], 16 feb. 2012. Disponível em: <http://teoriadelospuntosdepresion.blogspot.
com/2012/02/en-breve.html>. Acesso em: 26 out. 2018.
MACIOCIA, G. Os fundamentos da medicina chinesa. 2. ed. São Paulo: Roca, 2014. 967 p.

Leituras recomendadas
CARVALHO, G. E. F. Acupuntura e fitoterapia chinesa clássica. Rio de Janeiro: Taba Cultural,
2003. 368 p.
LIMA, P. R. Manual de acupuntura: direto ao ponto. 4. ed. Rio de Janeiro: Zen, 2018. 338 p.
WILHELM, R. (Org.). I-Ching: o livro das mutações. São Paulo: Pensamento, 1984. 530 p.
Disponível em: <http://www1.uol.com.br/iching/>. Acesso em: 26 out. 2018.
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