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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

INSTITUTO DE CIÊNCIAS EXATAS E NATURAIS


FACULDADE DE QUÍMICA
QUÍMICA GERAL EXPERIMENTAL

GASES - LEI DE BOYLE - MARIOTTE E DA DIFUSÃO GASOSA

JANAINA CRISTINE NUNES JUCA


LARISSA CRISTINE PEREIRA SOARES
PEDRO HENRIQUE PINHEIRO OLIVEIRA

Belém
2021
Janaina Cristine Nunes Juca
Larissa Cristine Pereira Soares
Pedro Henrique Pinheiro Oliveira

GASES - LEI DE BOYLE - MARIOTTE E DA DIFUSÃO GASOSA

Relatório de Gases apresentado à


disciplina de Química Geral
Experimental I da Universidade Federal
do Pará – UFPA, como um dos
requisitos para a obtenção de avaliação,
ministrada pela Prof.ª Dr.ª Elizabeth
Maria Soares Rodrigues.

Belém
2021
RESUMO

Os gases são compostos moleculares que possuem propriedades com


grande complexidade e capacidade de expansão, esses compostos possuem
volume, pressão e temperatura variáveis, são miscíveis, ou seja, formam uma
única fase (mistura homogênea). Logo os gases são substâncias cujas
moléculas perdem totalmente a atração entre si e acabam dispersando umas
das outras, além disso, estas moléculas estão sempre em movimento
desordenado. Por conta dessa volatilidade que o gás tem surgiu o estudo dos
gases. Portanto, neste trabalho propõem-se uma análise alternativa para a
verificação da Lei de Boyle-Mariotte, por meio de um arranjo experimental
constituído por uma seringa ligada a um manômetro, que se baseia apenas nas
grandezas que as escalas do arranjo permitem medir que é a pressão
manométrica e a variação do volume de gás dentro do equipamento. Mostrar-se
que é possível obter uma relação linear entre o inverso das grandezas medidas,
cujo ajuste aos dados experimentais permite inferir a pressão absoluta local e o
volume total de gás contido inicialmente no equipamento, quantidades que não
podem ser medidas diretamente neste caso. Tradicionalmente, os valores iniciais
da pressão absoluta e do volume total do gás são introduzidos nos cálculos por
meio de medições em experimentos complementares. Assim, defende-se a ideia
de que é mais sensato verificar diretamente a compatibilidade dos dados
experimentais com as relações estudadas na teoria que representam a lei de
Boyle-Mariotte.

Palavras-chave: ensino de física, lei de Boyle, experimentação.


SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .....................................................................................................4
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .............................................................................5
3. OBJETIVOS ..........................................................................................................7

3.1 Objetivos gerais ...............................................................................................7

3.2 Objetivos Específicos .......................................................................................7

4. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL ..............................................................8


5. RESULTADOS E DISCUSSÕES ........................................................................10
6. CONCLUSÃO .......................................................................................................14

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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1. INTRODUÇÃO

Dos três estados da matéria, o estado gasoso é o que exibe as propriedades


mais simples e é o mais fácil de ser entendido. Diferente dos sólidos e líquidos, muitos
gases são surpreendentemente semelhantes em suas propriedades físicas, e por
essa razão é útil definir e descrever um gás hipotético, chamado gás ideal, que pode
então ser usado como um padrão de referência com o qual os gases reais podem ser
comparados (RUSSEL).

Um gás é definido como uma substância que se expande espontaneamente para


preencher completamente seu recipiente de maneira uniforme. Três variáveis são
especialmente usadas para descrever o comportamento dos gases: volume (V),
pressão (P) e temperatura (T).

Os físicos Robert Boyle e Edme Mariotte, através de vários experimentos,


utilizando temperatura constante e variação de volume, eles observaram uma certa
constância que se repetia por todos os gases, e assim foi criada a Lei de Boyle-
Mariotte “À temperatura constante, o volume ocupado por uma determinada
quantidade de um gás é inversamente proporcional à sua pressão”.

Quando um gás se difunde em outro meio gasoso, a sua velocidade é interferida


pela densidade, foi o observado pelo químico Thomas Graham, daí veio a sua lei, Lei
de Graham, “A velocidade de difusão de um gás é inversamente proporcional a raiz
quadrada da densidade do gás”.
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2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Robert Boyle, um químico irlandês do século XVII, é atualmente conhecido


devido à Lei de Boyle. Boyle e Edme Mariotte, um físico francês, estudaram
independentemente o modo como o volume ocupado por um gás a uma determinada
temperatura varia quando a pressão sob o gás varia. Cada um usou um aparelho
semelhante ao ilustrado na Figura, no qual uma amostra do gás foi introduzida na
extremidade fechada de um manômetro calibrado. A pressão do gás pode ser
alterada adicionando mercúrio na extremidade aberta do manômetro, e o volume
ocupado pelo gás é medido a cada pressão. (RUSSEL)

A pressão do gás introduzido na extremidade fechada do tubo pode ser variada


pela adição de mais mercúrio através da extremidade aberta. Quando a pressão no
gás aumenta, seu volume diminui.

As partículas gasosas estão em movimento contínuo e muito rápido. Esse


movimento faz com que dois ou mais gases se misturem rapidamente, dando sempre
origem a uma mistura homogênea. Esse fato pode ser constatado dispondo-se de
dois balões de vidro, ligados entre si por uma comunicação provida de uma válvula;
colocando em um dos balões um gás ou vapor colorido (NO 2, vapor de bromo etc.) e
deixa-se no outro balão simplesmente o ar (mistura incolor de N2 e O2). Abrindo-se a
válvula, pode-se ver o gás colorido “caminhando” através do ar e se misturando com
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ele; esse movimento espontâneo de um gás através de outro é chamado de difusão


gasosa.

Em 1829, o cientista Thomas Graham, estudando o “vazamento” dos gases


através de pequenos orifícios (ou de paredes porosas) — fenômeno denominado
efusão de gases.

lembrando que d=DM/RT então,

Os gases que se difundem mais rapidamente são os de menor massa molar


(ou seja, os de menor densidade). (FELTRE)
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3. OBJETIVOS

3.1. Objetivos gerais.

 Verificar experimentalmente a Lei de Boyle-Mariotte para os gases.


 Verificar experimentalmente a Lei da Difusão Gasosa (Lei de Graham).

3.2. Objetivos específicos.

Ao término desta aula prática, após a execução das experiências e discussão


com o docente, o discente deverá ser capaz de:

 Citar pelo menos duas características do estado gasoso;


 Reconhecer todas as variáveis de estado;
 Enunciar a Lei de Boyle-Mariotte;
 Mostrar a partir da equação geral dos gases ideais, que se T = Cte, então.
P1 V1 = P2V2 = PnVn = Cte;
 Conceituar fisicamente o fenômeno da Difusão Gasosa;
 Citar oralmente e/ou por escrito:

a) Dois postulados básicos da teoria cinética da matéria;

b) Quatro hipóteses sobre as quais se baseia a teoria cinética dos gases;

 Enunciar a Lei de Graham;


 Mostrar, considerando as hipóteses acima, que dados dois gases distintos A
Velocidade A MB
e B tem-se o seguinte:  , onde... MA e MB são
Velocidade B MA

respectivamente, as massas moleculares dos gases A e B.


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4. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

Experimento 01: Princípio do Método: Lei de Boyle - Mariotte:

Procedimento:

- Colocar o mercúrio metálico no lado do “J” não obstruído até atingir a parte
ortogonal no lado obstruído;

- Ler os valores de B e C, em mm;

- Repita a adição de mercúrio, item 1, dez vezes, registrando os valores de B e


C em cada repetição.

Observações:

- A pressão do gás aprisionado é a soma da pressão atmosférica (em mmHg) e


a altura D(C - B);

- O volume do gás aprisionado é o comprimento (V) do tubo acima do mercúrio,


são proporcionais; portanto, o comprimento V pode ser utilizado no lugar do volume;

- Deve-se utilizar bastante mercúrio em cada experiência, de maneira que o


nível suba de 3 a 4 cm de cada vez;

- Os dados observados nas experiências devem ser colocados na tabela abaixo,


onde:

A: é uma medida fixa, que corresponde ao comprimento do tubo no lado


obstruído;

B: altura do Hg no lado obstruído;

C: altura do Hg no lado não obstruído;

V: A - B;

D: pressão exercida pelo Hg ( C - B );

P: pressão do gás; P = P (atm)+ PHg ; PHg = D


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Experimento 2: Princípio do método: Difusão Gasosa.

Procedimento:

Colocar HCl conc. e NH4OH conc. Nos terminais do tubo mostrado pela figura
2 (se preferir dar um pequeno aquecimento para aumentar a quantidade dos dois
gases). Abrir as torneiras que permite a entrada dos gases no tubo ao mesmo tempo.

Resultados:

Tempo de difusão em segundos...........................................................................

Distância percorrida pelo NH3................................................................................

Distância percorrida pelo HCl .............................................................................

Calcular a razão entre os pesos moleculares dos dois gases, usando as


distâncias percorridas por eles no tubo.
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5. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Princípio do método: lei de Boyle-Mariotte:

O uso do tubo longo de vidro moldado em forma de J, com o lado menor lacrado,
no qual verteu-se mercúrio, prendendo ar no lado menor do tubo foi necessário para
visualizar que, quanto mais mercúrio era adicionado, mais o gás era comprimido.
Concluiu-se então que o volume de uma quantidade fixa de gás (o ar) diminuiu
quando a pressão sobre ele aumentava. A figura 1. Mostra o gráfico da dependência.
A curva da figura é uma isoterma, que é um termo geral para quando temos uma
temperatura constante. Uma variação isotérmica ocorre em temperatura constante.

Pressão x Volume
40
35 36

30

25
Pressão (atm)

20
18
15

10 9
5 4.5
2.25 1.125
0
0 10 20 30 40 50 60
Volume (mL)

Figura 1. Gráfico Pressão x Volume.


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Pressão (atm) Volume (mL) Produto (P.V)

1,5 36 54 Tabela 1: Valores de


pressão e volume.
3 18 54

6 9 54

12 4,5 54

24 2,25 54

48 1,125 54

Uma avaliação interessante é colocar os dados experimentais em gráficos de


modo a obter linhas retas, porque esses gráficos são mais fáceis de identificar,
analisar e interpretar. Os dados geraram uma linha reta quando a pressão foi
expressa em relação ao inverso do volume.

Pressão x Volume
1 0.89
0.9
0.8
Pressão (atm)

0.7
0.6
0.44
0.5
0.4
0.3 0.22
0.2 0.11
0.055
0.1 0.028
0
0 10 20 30 40 50 60
1/Volume (mL)

Figura 2. Pressão x Inverso do Volume.


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Podemos constatar através das medidas de pressão e volume do experimento


realizado, que a lei de Boyle funciona de acordo com o esperado nos cálculos
teóricos.

Princípio do método: difusão gasosa:

Podemos pensar na lei de Graham de modo a se comparar as razões entre


velocidades de difusão e pesos moleculares de dois gases distintos. A razão entre as
velocidades de difusão dos dois gases é igual a raiz do inverso entre os pesos
moleculares dos dois gases.

Foram estipulados dados para a confirmação da efusão gasosa. Os dados,


foram realizados em triplicata, para melhor aproximação.

Tabela 2: Dados.

EXPERIMENTO 1 EXPERIMENTO 2 EXPERIMENTO 3

HCl NH3 HCl NH3 HCl NH3

TEMPO (S) 68’ 66’ 76’

DISTÂNCIA 12,0 11,5 11,5 16,5 10,5 17,5


PERCORRIDA (CM)
VELOCIDADE 0,1764 0,2353 0,1742 0,2500 0,1382 0,2303
(CM/S)

Tabela 3: Velocidade média e peso molecular.

HCl NH3

Velocidade média 0,1629 0,2385

Peso Molecular 36,5 u.m.a. 17 u.m.a.

A partir desses valores, pôde ser calculado a razão entre as velocidades de


difusão no ar atmosférico e os pesos molecular respectivos dos gases.
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𝑉1 0,1629
V1 = Velocidade de difusão do HCl = = 0,6830
𝑉2 0,2385

V2 Velocidade de difusão do NH3

𝑀1 17
M1 = Massa molecular de HCL √ =√ = 0,6825
𝑀2 36,5

M2 = Massa molecular de NH3

Logo, foi obtido a razão experimental entre as velocidades de 0,6830,


enquanto que a teoria dá a razão entre o inverso das raízes das massas moleculares
de 0,6825.

Calculando o erro relativo:

0,6830 − 0,6825
𝑒𝑟𝑟𝑜 𝑟𝑒𝑙𝑎𝑡𝑖𝑣𝑜 = 𝑥 100% = 0,07%
0,6825
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6. CONCLUSÃO

Os experimentos realizados puderam confirmar os itens teóricos estudados nas


leis de Boyle-Mariotte e Lei de Graham. No experimento 1 sobre a Lei de Boyle-
Mariotte utilizando um tubo em “J” e adicionando mercúrio no lado não obstruído foi
possível comprovar experimentalmente a lei de Boyle. No experimento 2 sobre a lei
de difusão gasosa (Lei de Graham), utilizando um tubo de difusão e adicionando em
cada extremidade uma solução diferente, foi possível observar a formação de cloreto
de amônio (anel branco) e assim comprovando a lei de difusão gasosa. Dessa forma
pode-se perceber a importância de tal conteúdo para o ensino da química, pois dá ao
discente embasamento para reconhecer a variação do gás, além de conceituar o
fenômeno de difusão gasosa.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

RUSSEL, John. Química Geral. Volume 1. Edição; Darllen Guimarães; p 162 a


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FELTRE, Ricardo. Fundamentos da Química: Química, Tecnologia,


Sociedade. 4ª ed. – São Paulo, Moderna, 2005. p 316

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