Você está na página 1de 4

Pontifícia Universidade Católica de Goiás

Curso de Arquitetura e Urbanismo


Estética e História da Arte

FICHAMENTO

TEXTO 2

GOROVITZ, Matheus. Da educação do juízo de gosto e a formação do arquiteto.


1998.

1. CITAÇÕES:

p. 1 §1
Arbitrar sobre o belo identificando as condições que o qualificam (seja propondo ou
reconhecendo o belo na obra de arte) requer, na prática didática, educar o juízo de
gosto.

p. 1 §2
[...] O objeto não é aferido pelo valor prático-utilitário a capacidade de satisfazer uma
necessidade particular predeterminada, nem se alicerça em valores estabelecidos a
priori, conceituais, éticos, ou os que, sedimentados pela tradição, passam a ser
consensuais. [...]

p. 2 §1
O juízo de gosto é uma práxis – ação autônoma – engendrada exclusivamente pela
interação das capacitações racionais, intelectivas, volitivas e sensíveis do ser
humano; interação objetivada pela obra de arte, cuja leitura, ao demandar a
interação das dimensões subjetivas e objetivas e exercitar tais prerrogativas, faculta
ao indivíduo exercer sua totalidade – a totalidade das capacitações individuais.
p. 2 §2
A totalidade subentende o conjunto de necessidades e possibilidades humanas
exercidas de modo integrado, quando o lado sensível e o racional da consciência
não comparecem fragmentados o sujeito é autoconsciente, seja na plenitude ou na
adversidade da condição existencial.

p. 2 §4
A mediação entre o universo subjetivo e o objetivo se faz pelo conceito de belo ; ao
afirmar, mediante o juízo de gosto que algo é belo, quero que meu sentimento
(particular e subjetivo) possa ser compartilhado coletivamente; por isto, associo um
conceito (objetivo e universal) à singularidade subjetiva. Atribuo um valor universal a
um sentimento afetivo particular. No conceito de belo, é sublinhada a consciência do
ser como ser social, pois ao valer-se de um conceito (universal) que se manifesta
como fenômeno, pode, então, se comunicar.

p. 3 §1
A idéia de ser “autônomo” é homóloga à de “belo” como expressão autônoma:
“Proporção que uma parte mantém com outras partes e com o todo” (Tatarkiewicz,
1995, 122).

p. 3 §3
[...] Compete ao artista, valendo-se da obra de arte como fator promotor da
autoconsciência e autodeterminação (consciência de si), da consciência da
cidadania (consciência dos outros), contribuir para a construção da cidade
democrática.

p. 4 §3
A questão pode ser equacionada ao se considerar as duas principais vertentes que
se confrontam em busca de uma definição de obra de arte: a que se distingue por
considerar os fatores que qualificam o belo como intrínsecos, inerentes ao objeto (à
obra de arte), ou extrínsecos, inerentes às condições de percepção do sujeito.

p. 4 §4
Na primeira os atributos do belo serão identificados nas peculiaridades internas à
obra; na segunda, o belo é tributário de fatores extraartísticos, de dois modos: na
esteira da tradição platônica, como essência ideal: um belo-em-si, independente das
obras individuais, comparecendo como termo de referência e padrão universal[...]

p. 5 §3
[...] Tal confronto, monitorado por um roteiro de apreciação e descrição de obras de
arte, visa engendrar uma consciência ampliada: 1º) enquanto obra em si:
consciência da existência física da obra (passível de ser mensurada com precisão
objetiva); 2º) enquanto imagem criada pelo sujeito: consciência de si, das faculdades
e prerrogativas racionais, sensíveis, volitivas e intelectivas, despertadas pela obra no
sujeito (incomensuráveis); 3º) enquanto modalidade de linguagem: consciência de si
como ser social, consciência engendrada pela existência de um meio de comunicar-
se. [...]

2. BREVES COMENTÁRIOS

Com o intuito de entender e projetar todos os gostos, fato este necessário


para a profissão de arquitetura, este estudo demonstra a relação de julgar a beleza –
juízo de gosto. O texto enfatiza que para se conhecer a fundo a arte, devemos
primeiramente ser “artisticamente educados”, pois desta forma poderemos
aproveitar a arte ou o belo, deixando de lado o gosto pessoal.
No texto é evidenciado a importância de se ensinar artes e de conhecer a
sua história, para que desta maneira possamos identificar a verdadeira beleza como
autonomia humana, que pode ser expressada como julgamento do gosto pessoal. O
entendimento desta autonomia do que é belo, se torna importantíssimo para o
arquiteto pois este será questionado nas produções de seus projetos. Além disso o
texto é dividido em: julgamento de gosto; totalidade; belo; autonomia e estética. A
estética é subdividida do belo, sendo que o belo é descrito como estado da beleza e
estética como um tipo de estudo.
O juízo de gosto não tem parâmetro pré-estabelecido sendo o ideal para um
exercício de estética, o objeto não é aferido pelo valor prático-utilitário, a capacidade
de satisfazer uma necessidade particular. Nesta questão, a estética pouco vai
contribuir, porque a arte ou a estética, ou a beleza relacionada ao espaço
arquitetônico, pode vir de uma maneira que está intrínseca, e não é
necessariamente útil, ela atende a um aspecto totalmente humano e individual.
Entende-se que a arte tem que ser vista por conceitos não sedimentados, éticos ou
tradicionais, pois se ao contrário for, o entendimento será mal interpretado ou
direcionado. Sendo assim, o belo pode ser estabelecido através de um consenso, ou
até individualmente com o intuito de massagear o próprio juízo de gosto.
O juízo de gosto não tem um parâmetro de avaliação, e nenhum valor pré-
estabelecido, diferenciando do discernimento fundamentado, cognitiva ou
teoricamente, quando são pré-conceitos. Cognitiva é a relação que o conhecimento
é adquirido, e teoricamente é essa base teórica, como estudo escrito. O juízo de
gosto é uma ação, uma práxis. É a interação das capacitações racionais,
intelectivas, volitivas e sensoriais que engendra o juízo de gosto e constitui por isto,
como ação autônoma e autodeterminada.
A interação objetivada pela obra de arte, cuja leitura, ao demandar a interação
das dimensões subjetivas e objetivas e exercitar tais prerrogativas, faculta ao
indivíduo exercer sua totalidade. Essa capacitação individual, como um sujeito frente
a obra de arte, vai estabelecer o que ele está chamando de leitura da obra de arte.
Reconhecer e entender uma obra de arte pode ter o significado de reconstrução da
mesma, podendo ter os mais variados sentimentos geridos no espectador.

Você também pode gostar