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AÇÃO POPULAR – LEI 4717/65.

MATERIAL COM QUESTÕES DE CONCURSO e ALGUMAS REFERÊNCIAS À SÚMULAS E


JULGADOS DOS TRIBUNAIS SUPERIORES

Material confeccionado por Eduardo B. S. Teixeira.

Última atualização legislativa e jurisprudencial: nenhuma.

Última atualização questões de concurso: 05/06/2020.

Observações quanto à compreensão do material:


1) Cores utilizadas:
 EM VERDE: destaque aos títulos, capítulos, bem como outras informações relevantes, etc.
 EM ROXO: artigos que já foram cobrados em provas de concurso.
 EM AZUL: Parte importante do dispositivo (ex.: questão cobrou exatamente a informação,
especialmente quando a afirmação da questão dizia respeito à situação contrária ao que dispõe
na Lei 4717/65).
 EM AMARELO: destaques importantes (ex.: critério pessoal)

2) Siglas utilizadas:
 MP (concursos do Ministério Público); M ou TJPR (concursos da Magistratura); BL (base
legal, etc).

LEI Nº 4.717, DE 29 DE JUNHO DE 1965.

Regula a ação popular.

        O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono
a seguinte Lei:

        Art. 1º QUALQUER CIDADÃO SERÁ PARTE LEGÍTIMA [obs.: é o único legitimado] para
pleitear a anulação ou a declaração de nulidade de atos lesivos ao patrimônio da União, do Distrito
Federal, dos Estados, dos Municípios, de entidades autárquicas, de sociedades de economia mista
(Constituição, art. 141, § 38), de sociedades mútuas de seguro nas quais a União represente os
segurados ausentes, de empresas públicas, de serviços sociais autônomos, de instituições ou
fundações para cuja criação ou custeio o tesouro público haja concorrido ou concorra com mais de
cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita ânua, de empresas incorporadas ao patrimônio da
União, do Distrito Federal, dos Estados e dos Municípios, e de quaisquer pessoas jurídicas ou
entidades subvencionadas pelos cofres públicos. (PGESE-2005) (TJPI-2007) (TJMG-2005/2008)
(PGECE-2008) (MPF-2011) (TJBA-2012) (TJCE-2012) (MPTO-2012) (MPPR-2011/2013) (TJMA-2013)
(MPMS-2013) (TRF5-2013) (TCEAM-2013) (Cartórios/TJRR-2013) (TJDFT-2011/2014) (MPSC-
2012/2014) (DPEMS-2014) (DPERN-2015) (Anal. Judic./TRT11-2017) (Anal. Judic./TJPE-2017)
(MPMG-2010/2018) (Cartórios/TJDFT-2019)

##Atenção: A ação popular pode ser proposta por qualquer cidadão (nacional no gozo dos
direitos políticos) com o objetivo de anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que
o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e
cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus de
sucumbência.

##Atenção: Como requisito para a propositura é ser cidadão (art. 5º, LXXIII da CF), e formalmente
isso significa ter título de eleitor, aquele que, a partir dos 16 anos estiver munido deste
documento, poderá ajuizar ação popular.

##Atenção: ##TRF5-2013: ##CESPE: Seguindo o modelo das ações civis públicas, pode-se afirmar
que na ação popular a lei outorgou a possibilidade de um legitimado atuar isoladamente em
defesa de interesses de uma coletividade, como adequado portador de suas aspirações. Trata-se de
“representatividade adequada” definida ope legis: a lei e a CF/88 outorgaram a qualquer cidadão
a condição de portador adequado dos interesses metaindividuais da integridade do patrimônio
público, da moralidade administrativa e do meio ambiente ecologicamente hígido,
legitimando-o a defendê-los judicialmente quando atacados por atos de alguma das entidades
previstas no art. 1.º da LAP. Portanto, tal como ocorre nas ACP’s, não se admite o controle da
representatividade adequada em cada caso concreto, segundo o modelo ope judicis. Uma vez
provada a condição de eleitor ou cidadão português equiparado, sua legitimidade não poderá
ser recusada pelo Judiciário. (Fonte: Landolfo Andrade, Interesses Difusos e Coletivos, 2014, 4ª
Ed. p. 287).

##Atenção: ##DPERN-2015: ##CESPE: Segundo o STJ, “a Ação Popular não é servil à defesa dos
consumidores, porquanto instrumento flagrantemente inadequado mercê de evidente ilegitimatio
ad causam (art. 1º, da Lei 4717/65 c/c art. 5º, LXXIII, da CF/88) do autor popular, o qual não pode atuar
em prol da coletividade nessas hipóteses. A ilegitimidade do autor popular, in casu, coadjuvada pela
inadequação da via eleita ab origine, porquanto a ação popular é instrumento de defesa dos interesses
da coletividade, utilizável por qualquer de seus membros, revela-se inequívoca, por isso que não é servil
ao amparo de direitos individuais próprios, como sóem ser os direitos dos consumidores, que, consoante
cediço, dispõem de meio processual adequado à sua defesa, mediante a propositura de ação civil pública, com
supedâneo nos arts. 81 e 82 do CDC. (....)” (REsp 818725/SP, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, j.
13/05/2008).

##Atenção: ##TJDFT-2014: ##DPERN-2015: ##CESPE: Nos casos de ação popular movida contra
o Presidente da República, a competência originária para o seu julgamento não é do STF, pois não
há previsão no art. 102 da CF/88, que conta com rol taxativo (regime de direito estrito). Nesse
sentido, a jurisprudência do STF: “A competência para julgar ação popular contra ato de
qualquer autoridade, até mesmo do Presidente da República, é, via de regra, do juízo competente
de primeiro grau. Precedentes. Julgado o feito na 1ª instância, se ficar configurado o impedimento de mais
da metade dos desembargadores para apreciar o recurso voluntário ou a remessa obrigatória, ocorrerá a
competência do STF, com base na letra “n” do inciso I, segunda parte, do art. 102 da CF” (AO 859-QO, j.
2001 e relatado pelo Min. Maurício Corrêa). Quanto à ação popular, Pedro Lenza explica que “as
regras de competência dependerão da origem do ato ou omissão a serem impugnados. Para exemplificar, se o
patrimônio lesado for da União, competente será a Justiça Federal e assim por diante. Cabe alertar que a
competência para julgar ação popular contra ato de qualquer autoridade, até mesmo do Presidente da
República é, em regra, do juízo competente de primeiro grau [...] pode ocorrer que, fugindo à regra geral da
competência do juízo de primeiro grau, caracterize-se a competência originária do STF para o julgamento da
ação popular, como nas hipóteses das alíneas f e n do art. 102, I, da CF/88.” (LENZA, 2013, p. 1136).

##Atenção: O MP NÃO possui legitimidade para intentar ação popular. Todavia, se o autor
desistir da ação ou der motivo à absolvição da instância, serão publicados editais nos prazos e
condições do art. 7º, II, ficando assegurado a qualquer cidadão bem como ao representante do
MP, dentro de 90 dias da última publicação, promover o prosseguimento da ação. De forma
simples, o MP atuará de quatro formas:

a) Como parte pública autônoma, velando pela regularidade do processo e pela correta aplicação
da lei, podendo opinar pela procedência ou improcedência da ação. Nesse caso, exerce o papel de
fiscal da lei, ou “custos legis”.
  
b) Como órgão ativador da produção de prova e auxiliar do autor popular. Todavia, a função de
auxiliar do autor da ação popular não implica em uma atividade secundária do Parquet. Ele não
é um mero ajudante do autor da ação; ao contrário, possui uma atividade autônoma.
  
c) Como substituto do autor. Aqui, tem-se a palavra substituto empregada em sentido vulgar,
como algum que age no caso da omissão de outrem. Ocorre quando o autor da ação popular
(cidadão) ainda é parte no processo, mas é uma parte omissa. O Ministério Público, então, age
em seu lugar, cumprindo ônus processuais imputados ao autor, que não os realizou.
 
d) Como sucessor do autor. Ocorre, em regra, quando o autor da ação desiste desta, quando,
então, o Ministério Público tem a faculdade de prosseguir com a ação popular, quando houver
interesse público. Nesse caso, é vedado ao Ministério Público desistir da ação popular. Seu
poder de escolha refere-se ao impulso inicial (suceder ou não o autor). Depois disso, não pode
mais voltar atrás.

##Atenção: ##CESPE: O STJ entende pacificamente que cabe julgamento antecipado da lide em
ação popular. Consoante jurisprudência do STJ, não há cerceamento do direito de defesa quando
o juiz tem o poder-dever de julgar a lide antecipadamente, dispensando a realização de audiência
para a produção de provas ao constatar que o acervo documental é suficiente para nortear e
instruir seu entendimento (AgRg no AREsp 431.164/RJ, Rel. Min. Humberto Martins, 2ª Turma, j.
11/3/14).
       
(TCERN-2015-CESPE): A ação popular e a ação civil pública diferem no que se refere à
legitimidade ativa; quanto ao objeto, ambas tutelam interesses similares. BL: art. 1º, da LAP e art.
5º, inciso LXXIII, CF e art. 5º, LACP.

OBS: De forma bem simples, a ação popular tem como legitimado ativo  o CIDADÃO em pleno
gozo dos direitos políticos; Já a ação civil pública tem um rol mais amplo de legitimados ativos
como, por exemplo, o MP e a Defensoria Pública. Ambos tutelam direitos coletivos.

(MPMT-2012): A Ação Popular, como integrante do microssistema processual coletivo, é regida


não só pela Lei 4.717/1965, mas também pelo CDC e pela Lei da Ação Civil Pública, sempre de
forma complementar.

(MPMG-2011): A ação de improbidade administrativa poderá ser proposta mesmo já havendo


sentença de procedência transitada em julgado em ação popular que anulou ato lesivo e
determinou o ressarcimento do dano ao patrimônio público. Isso porque deve ser buscada a
aplicação de sanções, observado o prazo decadencial.

OBS: A ação popular e a ação de improbidade são consideradas ações concorrentes, isto é, ações
que embora variando quanto a causa de pedir ou aos seus legitimados ativos, prestam-se a atingir
o mesmo resultado. Enquanto a primeira anula e determina o ressarcimento do dano, a segunda
apura as irregularidades (dimensão do dano) e visa aplicar sanção quanto ao ato praticado. Assim,
uma não impede a propositura da outra, na verdade, se completam.

§ 1º CONSIDERAM-SE PATRIMÔNIO PÚBLICO para os fins referidos neste artigo, os bens


e direitos de valor econômico, artístico, estético, histórico ou turístico. (Redação dada pela Lei nº
6.513, de 1977) (MPMT-2012) (MPSC-2014)

(Consultor Proc. Legisl.-AL/MS-2016-FCC): No tocante à Ação Popular, os bens e direitos de


valor turístico consideram-se patrimônio público para os fins de tutela na referida ação. BL: art.
1º, §1º da LAP.

        § 2º Em se tratando de instituições ou fundações, para cuja criação ou custeio o tesouro público
concorra com menos de cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita ânua, bem como de
pessoas jurídicas ou entidades subvencionadas, as conseqüências patrimoniais da INVALIDEZ
DOS ATOS LESIVOS TERÃO por limite a repercussão deles sobre a contribuição dos cofres
públicos. (TJMG-2005)

(MPMG-2012): Em matéria de ação popular, é correto afirmar: A invalidez dos atos lesivos de
empresas privadas subvencionadas por verbas públicas será limitada a repercussão que eles
causarem sobre as contribuições dos cofres públicos. BL: art. 1º, §2º, LAP.

(MPSC-2012): No caso da Ação Popular, em se tratando de instituições ou fundações, para cuja


criação ou custeio o tesouro público concorra com menos de cinqüenta por cento do patrimônio
ou da receita ânua, bem como de pessoas jurídicas ou entidades subvencionadas, as consequências
patrimoniais da invalidez dos atos lesivos terão por limite a repercussão deles sobre a
contribuição dos cofres públicos. BL: art. 1º, §2º da LAP.

        § 3º A PROVA DA CIDADANIA, para ingresso em juízo, SERÁ FEITA com o título eleitoral,
ou com documento que a ele corresponda. (TJPI-2007) (PGECE-2008) (TJMG-2008/2009) (MPPR-
2011) (MPTO-2012) (DPESC-2012) (TRF5-2013) (TJDFT-2014) (TCEGO-2014) (DPERN-2015) (Cons.
Proc. Legisl.-AL/MS-2016) (MPSP-2006/2017) (PGM-Andralina/SP-2017) (Anal. Judic./TRETO-
2017)

##Atenção: ##MPSP-2017: Além da prova da cidadania como um dos requisitos para a


propositura de uma ação popular, que se dá através apresentação de título de eleitor ou
documento equivalente, deve-se ressaltar que tal remédio constitucional, não suprime a exigência
da presença de um advogado, que deverá assinar a petição inicial. Logo, o autor da ação popular
precisa estar representado por advogado.

(MPMG-2018): O sujeito ativo da ação popular é o cidadão, ou seja, o eleitor, que é a pessoa
natural no gozo de sua capacidade eleitoral ativa. A comprovação da condição de eleitor deve ser
feita por meio do título de eleitor. BL: art. 1º, §3º da LAP.

(MPMS-2013): Tratando-se de Ação Popular de que trata a Lei 4.717/65, assinale a alternativa
correta: Reconhece a Constituição Federal a legitimidade ativa do cidadão, sendo que a Lei
4.717/65 apenas define como prova da cidadania para esse fim ser eleitor, mostrando-se
desinfluente para os fins da ação popular o domicílio eleitoral do autor da ação. BL: art. 5º, inciso
LXXIII, CF e art. 1º, §3º da LAP e jurisprudência do STJ.

##Atenção: ##Caiu: ##DPERN-2015: ##CESPE: ##MPSP-2017: Vejamos o seguinte trecho do


julgado do STJ: “(...) A Constituição da República vigente, em seu art. 5º, inc. LXXIII, inserindo no
âmbito de uma democracia de cunho representativo eminentemente indireto um instituto próprio de
democracias representativas diretas, prevê que qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular
(...) Note-se que a legitimidade ativa é deferida a cidadão. A afirmativa é importante porque, ao
contrário do que pretende o recorrente, a legitimidade ativa não é do eleitor, mas do cidadão. (...) O
que ocorre é que a Lei n. 4717/65, por seu art. 1º, § 3º, define que a cidadania será provada por título de
eleitor. (...) Vê-se, portanto, que a condição de eleitor não é condição de legitimidade ativa, mas
apenas e tão-só meio de prova documental da cidadania, daí porque pouco importa qual o
domicílio eleitoral do autor da ação popular. (...) O art. 42, p. único, do Código Eleitoral estipula
um requisito para o exercício da cidadania ativa em determinada circunscrição eleitoral, nada tendo a ver
com prova da cidadania. Aliás, a redação é clara no sentido de que aquela disposição é apenas para efeitos
de inscrição eleitoral, de alistamento eleitoral, e nada mais. (...) Aquele que não é eleitor em certa
circunscrição eleitoral não necessariamente deixa de ser eleitor, podendo apenas exercer sua cidadania em
outra circunscrição. Se for eleitor, é cidadão para fins de ajuizamento de ação popular. (...) O
indivíduo não é cidadão de tal ou qual Município, é "apenas" cidadão, bastando, para tanto, ser
eleitor. (...) Não custa mesmo asseverar que o instituto do "domicílio eleitoral" não guarda tanta sintonia
com o exercício da cidadania, e sim com a necessidade de organização e fiscalização eleitorais .” (REsp
1242800/MS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, 2ª Turma, j. 7/6/11).

(TJMG-2014): Além da ação civil pública, também a ação popular constitui instrumento de tutela
do patrimônio ambiental. Todavia, a legitimidade ativa para a sua propositura é concedida apenas
àquele que ostente a condição de cidadão, ou seja, a pessoa física no gozo de seus direitos
políticos. BL: art. 1º, §3º da LAP e art. 5º, LXXIII, CF.

(TJSE-2008-CESPE): Estrangeiro residente definitivamente no território nacional não pode propor


ação popular. BL: art. 1º, §3º da LAP.

(TJMG-2008): Bola Sete Ltda. ajuizou ação popular contra o Município de Belo Horizonte para
pleitear a anulação de ato lesivo ao patrimônio municipal consistente em deferir à empresa “Dona
da Bola”, mediante decreto, a exploração de todos os bares e restaurantes existentes nos parques
municipais, sem, entretanto, promover a necessária licitação. O juiz indeferiu a inicial. Recorreu a
autora, alegando: 1) que o ato administrativo é claramente ilegal e praticado com desvio de
finalidade; 2) que o Município não observou a forma legal para a edição do decreto; e 3) que não
lhe pode ser tolhido o direito de disputar, em licitação regular, a prestação dos referidos serviços.
Segundo os fatos acima relatados, assinale a alternativa que representa o resultado a que chegou o
Tribunal: confirmou a decisão de origem. BL: art. 1º, §3º da LAP e Súmula 365 do STF.

##Atenção: No caso, a ação popular foi proposta por pessoa jurídica ("Bola Sete Ltda"). Portanto,
está correto o indeferimento da inicial, extinguindo o processo sem resolução do mérito. Segundo
a Súmula 365-STF, "Pessoa jurídica não tem legitimidade para propor ação popular."

        § 4º Para INSTRUIR A INICIAL, o cidadão PODERÁ REQUERER às entidades, a que se


refere este artigo, as certidões e informações que julgar necessárias, bastando para isso indicar a
finalidade das mesmas. (MPBA-2018)

        § 5º As certidões e informações, a que se refere o parágrafo anterior, deverão ser fornecidas
dentro de 15 (quinze) dias da entrega, sob recibo, dos respectivos requerimentos, e só poderão ser
utilizadas para a instrução de ação popular.

        § 6º SOMENTE nos casos em que o INTERESSE PÚBLICO, devidamente justificado,


IMPUSER SIGILO, PODERÁ SER NEGADA certidão ou informação. (MPBA-2018)

        § 7º OCORRENDO a hipótese do parágrafo anterior, a ação PODERÁ SER PROPOSTA


DESACOMPANHADA das certidões ou informações negadas, CABENDO ao juiz, após apreciar
os motivos do indeferimento, e salvo em se tratando de razão de segurança nacional, REQUISITAR
umas e outras; feita a requisição, o processo CORRERÁ em segredo de justiça, que CESSARÁ com
o trânsito em julgado de sentença condenatória. (MPBA-2018)

(MPMG-2012): Em matéria de ação popular, é correto afirmar: Poderá o processo correr em


segredo de justiça, que cessará com o trânsito em julgado de sentença condenatória. BL: art. 1º,
§7º, LAP.

        Art. 2º SÃO NULOS os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo
anterior, nos casos de: (MPSC-2010) (MPMG-2010)

        a) incompetência; (MPMG-2010)

        b) vício de forma; (MPMG-2010)

        c) ilegalidade do objeto; (MPMG-2010) (MPBA-2018)

        d) inexistência dos motivos; (MPMG-2010) (TCEAM-2013) (MPSC-2016)

        e) desvio de finalidade. (MPMG-2010) (MPSC-2013/2016)

        Parágrafo único. Para a conceituação DOS CASOS DE NULIDADE OBSERVAR-SE-ÃO as


seguintes normas:

        a) a INCOMPETÊNCIA FICA CARACTERIZADA quando o ato não se incluir nas atribuições
legais do agente que o praticou;

        b) o VÍCIO DE FORMA CONSISTE na omissão ou na observância incompleta ou irregular de


formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato; (Cons. Proc. Legisl.-AL/MS-2016)

        c) a ILEGALIDADE DO OBJETO OCORRE quando o resultado do ato IMPORTA em


violação de lei, regulamento ou outro ato normativo; (Cons. Proc. Legisl.-AL/MS-2016) (MPBA-
2018)

        d) a INEXISTÊNCIA DOS MOTIVOS SE VERIFICA quando a matéria de fato ou de direito,


em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao
resultado obtido; (TCEAM-2013) (MPSC-2016)

        e) o DESVIO DE FINALIDADE SE VERIFICA quando o agente pratica o ato visando a fim
diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência. (MPMG-2012)
(MPSC-2016) (Cons. Proc. Legisl.-AL/MS-2016)

(MPMG-2018): De acordo com a Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, são nulos os atos lesivos ao
patrimônio, nos casos de incompetência, vício de forma, ilegalidade do objeto, inexistência dos
motivos e desvio de finalidade. Segundo a referida Lei, a incompetência fica caracterizada quando
o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou; o vício de forma consiste na
omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência
ou seriedade do ato; a ilegalidade do objeto ocorre quando o resultado do ato importa em violação
de lei, regulamento ou outro ato normativo; a inexistência dos motivos se verifica quando a
matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou
juridicamente inadequada ao resultado obtido; e o desvio de finalidade se verifica quando o
agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra
de competência. BL: art. 1º e §2º da LAP.

        Art. 3º Os atos lesivos ao patrimônio das pessoas de direito público ou privado, ou das
entidades mencionadas no art. 1º, cujos vícios não se compreendam nas especificações do artigo
anterior, serão anuláveis, segundo as prescrições legais, enquanto compatíveis com a natureza deles.

        Art. 4º SÃO TAMBÉM NULOS os seguintes atos ou contratos, praticados ou celebrados por
quaisquer das pessoas ou entidades referidas no art. 1º.

        I - A admissão ao serviço público remunerado, com desobediência, quanto às condições de


habilitação, das normas legais, regulamentares ou constantes de instruções gerais.

        II - A operação bancária ou de crédito real, quando:

        a) for realizada com desobediência a normas legais, regulamentares, estatutárias, regimentais ou
internas;
        b) o valor real do bem dado em hipoteca ou penhor FOR inferior ao constante de escritura,
contrato ou avaliação.

(MPMG-2012): Em matéria de ação popular, é correto afirmar: É nulo o ato jurídico cujo valor real
do bem dado em hipoteca ou penhor for inferior ao constante de escritura, contrato ou avaliação.
BL: art. 4º, II, “b”, LAP.

(MPSC-2012): Segundo a lei 4717/65, podem ser declarado nulos, atos ou contratos, praticados ou
celebrados por quaisquer das pessoas ou entidades referidas na lei, que realizarem operação
bancária ou de crédito real, quando o valor real do bem dado em hipoteca ou penhor for inferior
ao constante de escritura, contrato ou avaliação. BL: art. 4º, II, “b”, LAP.

        III - A empreitada, a tarefa e a concessão do serviço público, quando:

        a) o respectivo contrato houver sido celebrado sem prévia concorrência pública ou
administrativa, sem que essa condição seja estabelecida em lei, regulamento ou norma geral;

        b) no edital de concorrência forem incluídas cláusulas ou condições, que comprometam o seu
caráter competitivo;

        c) a concorrência administrativa for processada em condições que impliquem na limitação das
possibilidades normais de competição.

        IV - As modificações ou vantagens, inclusive prorrogações que forem admitidas, em favor do


adjudicatário, durante a execução dos contratos de empreitada, tarefa e concessão de serviço público,
sem que estejam previstas em lei ou nos respectivos instrumentos.,

        V - A compra e venda de bens móveis ou imóveis, nos casos em que não cabível concorrência
pública ou administrativa, quando:

        a) for realizada com desobediência a normas legais, regulamentares, ou constantes de instruções
gerais;

        b) o preço de compra dos bens for superior ao corrente no mercado, na época da operação;

        c) o preço de venda dos bens for inferior ao corrente no mercado, na época da operação.

        VI - A concessão de licença de exportação ou importação, qualquer que seja a sua modalidade,
quando:

        a) houver sido praticada com violação das normas legais e regulamentares ou de instruções e
ordens de serviço;

        b) resultar em exceção ou privilégio, em favor de exportador ou importador.

        VII - A operação de redesconto quando sob qualquer aspecto, inclusive o limite de valor,
desobedecer a normas legais, regulamentares ou constantes de instruções gerais.

        VIII - O empréstimo concedido pelo Banco Central da República, quando:

        a) concedido com desobediência de quaisquer normas legais, regulamentares,, regimentais ou


constantes de instruções gerias:

        b) o valor dos bens dados em garantia, na época da operação, for inferior ao da avaliação.

        IX - A emissão, quando efetuada sem observância das normas constitucionais, legais e
regulamentadoras que regem a espécie.

(TCDF-2012-CESPE): De acordo com a jurisprudência do STJ, a ação popular será cabível para a
proteção da moralidade administrativa, mesmo quando não houver dano material ao patrimônio
público. BL: art. 4º, da LAP e art. 5º, inciso LXXIII, CF e jurisprudência do STJ. (Atenção: Caiu
também na prova MPPI-2012)

OBS: Em que pese a existência de divergência jurisprudencial a respeito no passado, entendendo


o STF pela possibilidade de ajuizamento de ação popular tão somente para a defesa da moralidade
administrativa, independentemente da demonstração, pelo autor, de o ato administrativo
contestado ter causado prejuízo ao erário, e entendendo o STJ pela necessidade de demonstração
de ambos, nos dias atuais, as Cortes Superiores se alinharam, prevalecendo o entendimento
emanado pelo STF, senão vejamos: “A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que é cabível a ação
civil pública na defesa da moralidade administrativa, ainda que inexista dano material ao patrimônio
público.” (AgRg no REsp 774.932/GO, Rel. Min Eliana Calmon, 2ª Turma, j. 13/3/07,). Mais
recentemente, a Corte, assim se pronunciou: “(...) a ação popular é cabível para a proteção da
moralidade administrativa, ainda que inexistente o dano material ao patrimônio público,
porquanto a lesão tanto pode ser efetiva quanto legalmente presumida, visto que a Lei 4.717/65 estabelece
casos de presunção de lesividade (art. 4º), para os quais basta a prova da prática do ato naquelas
circunstâncias para considerar-se lesivo e nulo de pleno direito”. (AgRg no REsp 1504797/SE, Rel.
Min. Benedito Gonçalves, 1ª, j. 24/05/2016).

DA COMPETÊNCIA

        Art. 5º Conforme a origem do ato impugnado, É COMPETENTE para conhecer da ação,
processá-la e julgá-la o juiz que, de acordo com a organização judiciária de cada Estado, o for para
as causas que INTERESSEM à União, ao Distrito Federal, ao Estado ou ao Município. (MPPR-
2011) (MPMT-2012) (TJDFT-2014) (PGEPR-2015) (Proc. Câm. Sumaré/SP-2017)

        § 1º PARA FINS DE COMPETÊNCIA, EQUIPARAM-SE atos da União, do Distrito Federal, do


Estado ou dos Municípios os atos das pessoas criadas ou mantidas por essas pessoas jurídicas de
direito público, bem como os atos das sociedades de que elas sejam acionistas e os das pessoas ou
entidades por elas subvencionadas ou em relação às quais tenham interesse patrimonial. (Consultor
Proc. Legisl.-AL/MS-2016)

        § 2º Quando o pleito INTERESSAR SIMULTANEAMENTE à União e a qualquer outra


pessoas ou entidade, SERÁ COMPETENTE o juiz das causas da União, SE HOUVER; quando
INTERESSAR SIMULTANEAMENTE ao Estado e ao Município, SERÁ COMPETENTE o juiz das
causas do Estado, SE HOUVER. (MPMT-2012) (Proc. Câm. Sumaré/SP-2017)

        § 3º A propositura da ação PREVENIRÁ a jurisdição do juízo para todas as ações, que
FOREM posteriormente intentadas contra as mesmas partes e sob os mesmos fundamentos.
(TCEPR-2011) (TJPI-2012) (MPSC-2012)

(PGESE-2005-FCC): Sobre a ação popular, é CORRETO afirmar: a propositura da ação popular


previne a competência do juízo para todas as ações posteriores que tiverem os mesmos
fundamentos. BL: art. 5º, §3º, LAP.

        § 4º Na defesa do patrimônio público CABERÁ a SUSPENSÃO LIMINAR do ato lesivo


impugnado. (Incluído pela Lei nº 6.513, de 1977) (DPEPI-2009) (MPMS-2013) (MPPR-2013)
(TCEAM-2013) (Anal. Judic./TRT11-2017)

(TCEMG-2005-FCC): A ação popular, segundo a Lei n. 4.717/65, possibilita a suspensão liminar


do ato lesivo impugnado, na defesa do interesse público. BL: art. 5º, §4º, LAP.

OBS: Desde a Lei 6.513/77, é cabível liminar em ação popular, que acabou com a polêmica,
inserindo o §4º no art. 5º da Lei de Ação Popular.

DOS SUJEITOS PASSIVOS DA AÇÃO E DOS ASSISTENTES

        Art. 6º A ação SERÁ PROPOSTA contra as pessoas públicas ou privadas e as entidades
referidas no art. 1º, contra as autoridades, funcionários ou administradores que HOUVEREM
AUTORIZADO, APROVADO, RATIFICADO ou PRATICADO o ATO IMPUGNADO, ou que,
por omissas, TIVEREM DADO OPORTUNIDADE À LESÃO, e contra os beneficiários diretos do
mesmo. (TCEMG-2005) (PGECE-2008) (MPMG-2010) (MPPR-2011) (TJCE-2012) (TJMA-2013)
(MPMS-2013) (MPDFT-2015) (MPBA-2018)

(Anal. Judic./TRETO-2017-CESPE): Em razão da existência de ato lesivo ao patrimônio público,


determinado cidadão propôs ação popular e incluiu no polo passivo da ação o gestor público e a
pessoa jurídica de direito público responsáveis pelo ato, além dos particulares supostamente
beneficiados. Nessa situação hipotética, o litisconsórcio formado no polo passivo da ação popular
deve ser classificado como necessário e simples. BL: art. 6º, LAP.

(MPMG-2014): Sobre as normas processuais aplicáveis à Ação Popular, pode-se afirmar: A ação
será proposta contra as pessoas públicas ou privadas relacionadas ao ato lesivo, contra as
autoridades, funcionários ou administradores que houverem autorizado, aprovado, ratificado ou
praticado o ato impugnado, ou que, por omissas, tiverem dado oportunidade à lesão, e contra os
beneficiários diretos do mesmo. BL: art. 6º, LAP.

(MPMG-2011): O cidadão "A" propôs ação popular contra o prefeito, o vice-prefeito e os


vereadores do Município "B", visando a anular a resolução e os decretos da Câmara Municipal que
elevaram indevidamente os subsídios desses agentes políticos, bem como a condená-los a reparar
o prejuízo causado ao patrimônio público. Também figurou como réu o assessor jurídico da
Câmara Municipal que emitiu o parecer no qual se alicerçaram os referidos atos normativos. Esse
cúmulo subjetivo no polo passivo da ação configura litisconsórcio necessário simples. BL: art. 6º,
LAP.

##Atenção: Segundo o STJ, em se tratando de ação popular, que tem por objeto a desconstituição
de ato jurídico, por força da disposição legal (art. 6º da Lei 4.717/65), estabelece-se o litisconsórcio
necessário, mas não unitário, porquanto, visando a ação a desconstituição de ato administrativo,
poder-se-á mostrar prescindível a presença no polo passivo do agente que, embora tenha se
beneficiado do ato impugnado, não participou de sua elaboração.(...) (STJ, Resp 258122/PR, Rel.
Min. João Otávio de Noronha, DJ 05/06/2007).

##Atenção: “O litisconsórcio passivo decorrente do art. 6.º é facultativo ou necessário, unitário ou


simples? Para análise de tal questão, é imperioso perscrutar a natureza dos pedidos e dos respectivos
capítulos da sentença ligados a cada um deles pelo princípio da congruência. Também é mister examinar o
art. 11 da LAP, que proclama que “a sentença que, julgando procedente a ação popular, decretar a
invalidade do ato impugnado condenará ao pagamento de perdas e danos os responsáveis pela sua prática e
os beneficiários dele, ressalvada a ação regressiva contra os funcionários causadores de dano, quando
incorrerem em culpa” (destacamos). Em toda ação popular, sempre haverá um pedido de invalidação do ato,
visando a um provimento de natureza desconstitutiva ou declaratória negativa. E, nos casos em que houver
necessidade, seja para reparar o dano, seja para afastar o risco de dano, haverá também pedido visando a um
provimento de natureza condenatória. Para que a ação seja viável em relação ao pedido de invalidação, será
necessário incluir no polo passivo todos os que atuaram na formação do ato impugnado, até porque sua
invalidação produzirá como efeito a recondução ao statu quo ante de todas as partes que nele figuraram.
Assim, nesse ponto, haverá litisconsórcio necessário e unitário. No tocante ao capítulo condenatório, o
litisconsórcio não será necessário. Ora, como se trata de responsabilidade por ato ilícito, haverá solidariedade
entre os responsáveis, de modo que o autor poderá optar por incluir como réus apenas os responsáveis ou
beneficiários com melhores condições econômicas para arcar com os custos da reparação do dano, até para
limitar o número de réus, facilitando o andamento processual. De outro lado, o próprio art. 11 ressalva
àqueles que forem responsabilizados na ação popular o direito de se voltarem em ações de regresso contra
funcionários com culpa (aqui em sentido lato, incluindo o dolo). Logo, a própria lei acena com a
facultatividade da inclusão de todos os responsáveis no polo passivo da ação popular. Além de facultativo, o
litisconsórcio no capítulo condenatório será simples, uma vez que a sentença não necessariamente será
idêntica em relação a todos os réus, podendo vir a condenar alguns, e a outros não. Aliás, tratando-se de ato
lesivo ao erário, a entidade lesada, mesmo havendo figurado como ré, jamais poderá ser condenada à
reparação do dano: afinal, seria logicamente impossível que ela reparasse seu prejuízo econômico por meio de
seus próprios recursos financeiros. Nesse caso, os demais responsáveis e os beneficiários diretos, pessoas
físicas ou jurídicas, é que serão condenados a repará-lo. É importante ressaltar, porém, que o litisconsórcio
passivo (seja o necessário, seja o facultativo) inicialmente formado poderá, eventualmente, não perdurar. É
que a entidade de direito público ou privado, cujo ato seja objeto de impugnação, uma vez citada, poderá
preferir atuar ao lado do autor, desde que isso se afigure útil ao interesse público, a juízo do respectivo
representante legal ou dirigente (§ 3.º do art. 6.º da LAP). Feita essa opção, a entidade deixará o polo
passivo, e passará a ser assistente do autor.” (Fonte: Interesses difusos e coletivos esquematizado;
Adriano Andrade, Cleber Masson, Landolfo Andrade – 5. Ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo:
MÉTODO, 2014, p. 290/291).

(PGERS-2010-Fundatec): João e outros ingressaram com ação popular, alegando nulidades em


concurso público realizado pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul. No polo
passivo, incluíram tão somente o Deputado Estadual Presidente da Assembleia Legislativa. Foi
proferida sentença de procedência, determinando a anulação do certame. Em sede de apelação,
mostra-se correto arguir que a sentença deve ser anulada por não ter havido a citação, como
litisconsorte necessária, da pessoa jurídica de direito público ao qual o Presidente da Assembleia
está vinculado, qual seja, o Estado do Rio Grande do Sul. BL: art. 6º, LAP.

##Atenção: Sabe-se que o litisconsórcio é considerado necessário quando a presença de mais de


uma parte no polo passivo da ação é essencial para que o processo se desenvolva validamente em
direção ao provimento final de mérito, podendo a essencialidade decorrer da própria natureza da
relação jurídica ou de exigência legal, como ocorre no caso em tela (art. 6º, Lei nº. 4.717/65).
Devendo ser citada para a ação tanto a autoridade responsável pela prática do ato quanto a pessoa
jurídica a que esteja vinculada, devem ser citados para compor o polo passivo da ação o
presidente da assembleia legislativa e o Estado cujo poder legislativo compõe, haja vista a
natureza de órgão público da própria assembleia, despido de personalidade jurídica. Não tendo
sido uma das partes citada, deve a sentença ser anulada pois, sendo matéria de ordem pública,
deve ser conhecida a qualquer tempo e em qualquer grau de jurisdição, não se sujeitando à
preclusão. Além disso, de acordo com o STJ (REsp 1095370 / SP) "doutrina e jurisprudência
consideram ser impositiva, em sede de ação popular, a formação de litisconsórcio necessário entre a
autoridade que tenha provocado a suposta lesão ao patrimônio público e a pessoa jurídica que pertence o
respectivo órgão".

        § 1º SE NÃO HOUVER benefício direto do ato lesivo, ou SE FOR ele indeterminado ou
desconhecido, a ação será proposta somente contra as outras pessoas indicadas neste artigo.
(MPMG-2010) (PGEPR-2011)

        § 2º No caso de que trata o inciso II, item "b", do art. 4º, quando o valor real do bem for inferior
ao da avaliação, citar-se-ão como réus, além das pessoas públicas ou privadas e entidades referidas
no art. 1º, apenas os responsáveis pela avaliação inexata e os beneficiários da mesma.

        § 3º A PESSOAS JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO ou DE DIREITO PRIVADO, cujo ato


seja objeto de impugnação, PODERÁ ABSTER-SE DE CONTESTAR o pedido, ou PODERÁ
ATUAR ao lado do autor, desde que isso SE AFIGURE útil ao interesse público, a juízo do
respectivo representante legal ou dirigente. (MPMG-2010/2011) (PGEPR-2011) (TCM/BA-2011)
(MPSC-2012) (MPDFT-2013) (TJPB-2015) (DPU-2015) (MPSP-2017) (MPRS-2017) (PGM-
Andralina/SP-2017) (Anal. Judic./TRETO-2017)

##Atenção: ##CESPE: ##DPU-2015: A teor do que dispõe o art. 6º, §3º da LAP, não há um prazo
certo para que a pessoa cujo ato foi impugnado requeira a sua migração para o polo ativo da
ação, mas, tão somente, abre oportunidade para que o faça.

##Atenção: ##CESPE: ##DPU-2015 ##TRF5-2013: O STJ admite a migração da pessoa jurídica


de direito público do polo passivo para o ativo, mesmo após o oferecimento de contestação: "O
deslocamento de pessoa jurídica de Direito Público do polo passivo para o ativo na Ação
Popular é possível, desde que útil ao interesse público, a juízo do representante legal ou do dirigente,
nos moldes do art. 6º, § 3º, da Lei 4.717/65. 3. Não há falar em preclusão do direito, pois, além de a
mencionada lei não trazer limitação quanto ao momento em que deve ser realizada a migração , o
seu art. 17 preceitua que a entidade pode, ainda que tenha contestado a ação, proceder à execução da
sentença na parte que lhe caiba, ficando evidente a viabilidade de composição do pólo ativo a
qualquer tempo. Precedentes do STJ." (REsp 945238/SP, 2ª T. Rel. Min. Herman Benjamin, unânime,
DJe 20/04/2009). Vejamos, agora, julgado do STJ mais recente sobre o tema: “ADMINISTRATIVO
E PROCESSUAL CIVIL. NÃO HÁ PRECLUSÃO NA MIGRAÇÃO DE POLO DA AÇÃO PELO
ENTE PÚBLICO QUE INICIALMENTE HAVIA APRESENTADO CONTESTAÇÃO. 2. No tocante
à migração de polo da ação do Ente Público, efetivamente, se trata de inovação recursal. Por outro lado, a
jurisprudência desta Corte é firme de que não se opera a preclusão, devendo se levar em conta,
todavia, o interesse público a fundamentar a postura prevista no art. 6º, § 3º da Lei 4.717/65 . (STJ,
AgRg no REsp 1162049/SP, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, 1ª T, j. 1/3/16).
(TRF5-2013-CESPE): Segundo o STJ, no âmbito da ação popular, é possível que a entidade
pública, mesmo após ter contestado ou ter se mantido inerte, se retrate do posicionamento
anteriormente tomado e passe a atuar como assistente do autor, ainda que já saneado o feito.

(Anal. Judic./TJSC-2018-FGV): A medida judicial em que, de acordo com a legislação de regência,


a pessoa jurídica de direito público, depois de integrada à lide, pode se abster de contestar, e até
aderir ao pleito autoral, é: ação popular. BL: art. 6º, §3º, LAP.
(MPSC-2010): A pessoa jurídica de direito público, cujo ato seja objeto da ação popular, citada,
pode atuar ao lado do autor, aderindo à inicial, caso se afigure útil ao interesse público. BL: art. 6º,
§3º, LAP.

        § 4º O Ministério Público ACOMPANHARÁ A AÇÃO, CABENDO-LHE apressar a produção


da prova e PROMOVER a responsabilidade, CIVIL ou CRIMINAL, dos que nela incidirem,
SENDO-LHE VEDADO, em qualquer hipótese, ASSUMIR a defesa do ato impugnado ou dos
seus autores. (TCEMG-2005) (MPSP-2005) (AGU-2009) (TCEGO-2009) (TJDFT-2011) (MPPR-2011)
(TJCE-2012) (MPPR-2012) (MPTO-2012) (DPEAC-2012) (Cartórios/TJPI-2013) (TCEAM-2013)
(MPDFT-2015) (MPMS-2015) (MPSC-2016) (PGM-Andralina/SP-2017) (Anal. Judic./TRETO-2017)
(MPMG-2010/2018) (Cartórios/TJDFT-2019)

(MPPR-2019): Nos termos da Lei da Ação Popular, assinale a alternativa correta: Ao MP é vedado,
em qualquer hipótese, assumir a defesa do ato impugnado. BL: art. 6º, §4º, LAP.

(MPBA-2018): De acordo com a Lei 4.717/65, é correto afirmar que o MP acompanhará a ação
popular, cabendo-lhe promover a responsabilidade civil ou criminal dos que nela incidirem,
sendo-lhe vedado assumir a defesa do ato impugnado ou dos seus autores. BL: art. 6º, §4º, LAP.

        § 5º É FACULTADO a qualquer cidadão HABILITAR-SE como LITISCONSORTE ou


ASSISTENTE do autor da ação popular. (PFN-2007) (PGEGO-2010) (TJDFT-2011) (TJPI-2012)
(MPRS-2012) (TCDF-2012) (DPEMS-2014) (PGEBA-2014) (TCEGO-2014)

##Atenção: O art. 6º, §5º da LAP não fixa marco temporal para a formação do litisconsórcio. Além
disso, não precisa de concordância do autor da ação.

##Atenção: É hipótese de litisconsórcio ativo facultativo unitário.

##Atenção: ##CESPE: ##STJ: Ausência de violação da garantia constitucional do Juiz Natural


com o ingresso de terceiros após o ajuizamento da ação popular: Segundo o STJ, a Lei 4.717/65
(que regulamenta a Ação Popular) faculta a qualquer cidadão habilitar-se como litisconsorte ou
assistente do autor da ação (art. 6º, § 5º), culminando em hipótese expressa de litisconsórcio ativo
facultativo ulterior. No caso concreto, os requerentes, após o julgamento, pela 1ª Turma, do
recurso especial interposto pela Municipalidade, formularam o pedido de habilitação, como
litisconsortes ativos, na ação popular, cuja sentença de procedência parcial foi confirmada pelo
Tribunal de origem, tendo sido declarada a nulidade do Decreto Municipal 62/03, que viabilizou
a cobrança de "Taxa de Iluminação Pública", ao fixar sua base de cálculo e alíquota.
Consequentemente, não se vislumbra óbice legal à habilitação de qualquer cidadão como
litisconsorte ativo na presente ação popular, por força do disposto no art. 6º, § 5º, da Lei 4.717/65,
cuja ulterioridade decorre de interpretação lógica. Outrossim, é certo que o ingresso dos
requerentes na ação popular não enseja desrespeito à garantia constitucional do Juiz Natural.
(AgRg no REsp 776.848/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, j. 22/06/2010)

(MPSP-2017): Com relação à ação popular em defesa do patrimônio público, é correto afirmar que
qualquer cidadão pode habilitar-se como litisconsorte ou assistente do autor da ação popular. BL:
art. 6º, §5º, LAP.

DO PROCESSO

        Art. 7º A ação obedecerá ao procedimento ordinário, previsto no Código de Processo Civil,
observadas as seguintes normas modificativas:

        I - Ao despachar a inicial, o juiz ORDENARÁ:

        a) além da citação dos réus, a intimação do representante do Ministério Público; (Proc.-AL/SP-
2010) (DPEAC-2012) (Anal. Judic./TRF1-2017)

(MPPR-2019): Nos termos da Lei da Ação Popular, assinale a alternativa correta: Ao despachar a
inicial, o juiz deverá ordenar a intimação do representante do MP. BL: art. 7º, I, “a”, LAP.
        b) a requisição, às entidades indicadas na petição inicial, dos documentos que tiverem sido
referidos pelo autor (art. 1º, § 6º), bem como a de outros que se lhe afigurem necessários ao
esclarecimento dos fatos, ficando prazos de 15 (quinze) a 30 (trinta) dias para o atendimento.

        § 1º O REPRESENTANTE DO MINISTÉRIO PÚBLICO PROVIDENCIARÁ para que as


requisições, a que se refere o inciso anterior, SEJAM ATENDIDAS dentro dos prazos fixados pelo
juiz. (MPMG-2018)

        § 2º Se os documentos e informações NÃO PUDEREM SER OFERECIDOS nos prazos


assinalados, o juiz PODERÁ AUTORIZAR PRORROGAÇÃO dos mesmos, por prazo razoável.

        II - Quando o autor o preferir, a citação dos beneficiários far-se-á por edital com o prazo de 30
(trinta) dias, afixado na sede do juízo e publicado três vezes no jornal oficial do Distrito Federal, ou
da Capital do Estado ou Território em que seja ajuizada a ação. A publicação será gratuita e deverá
iniciar-se no máximo 3 (três) dias após a entrega, na repartição competente, sob protocolo, de uma
via autenticada do mandado.

        III - Qualquer pessoa, beneficiada ou responsável pelo ato impugnado, CUJA existência ou
identidade SE TORNE CONHECIDA NO CURSO DO PROCESSO e ANTES DE PROFERIDA A
SENTENÇA FINAL de primeira instância, DEVERÁ SER CITADA para a integração do
contraditório, sendo-lhe restituído o prazo para contestação e produção de provas, Salvo, quanto a
beneficiário, se a citação se houver feito na forma do inciso anterior. (TJPI-2012) (MPSP-2017)

        IV - O prazo de contestação é de 20 (vinte) dias, PRORROGÁVEIS por mais 20 (vinte), a


requerimento do interessado, se particularmente difícil a produção de prova documental, e será
comum a todos os interessados, CORRENDO da entrega em cartório do mandado cumprido, ou,
quando for o caso, do decurso do prazo assinado em edital. (MPSC-2010) (Proc.-AL/SP-2010)
(TCEGO-2010/2014) (Anal. Judic./TJGO-2014) (PGM-Fortaleza/CE-2017)

(MPAL-2012-FCC): A respeito da ação popular, considere: O prazo para contestação é de vinte


dias, prorrogáveis por mais vinte, a requerimento do interessado, se particularmente difícil a
produção de prova documental. BL: art. 7º, IV, LAP.

(PGESE-2005-FCC): Sobre a ação popular, é correto afirmar: os integrantes do ato impugnado são
litisconsortes necessários e o prazo para contestar será comum de 20 dias, podendo ser
prorrogáveis por mais 20 dias. BL: art. 7º, IV, LAP.

OBS: Segundo Leonardo Carneiro da Cunha, o prazo para contestar na ação popular é de 20 dias,
prorrogáveis por mais 20 (vinte), sendo comum a todos os interessados. Sendo o prazo comum,
não se aplica o prazo em dobro para a Fazenda Pública. (Fonte: A Fazenda Pública em Juízo -
Leonardo Carneiro da Cunha - 2016, p. 47). (PGM-Fortaleza/CE-2017)

        V - Caso não requerida, até o despacho saneador, a produção de PROVA TESTEMUNHAL ou
PERICIAL, o juiz ordenará vista às partes por 10 (dez) dias, para alegações, sendo-lhe os autos
conclusos, para sentença, 48 (quarenta e oito) horas após a expiração desse prazo; havendo
requerimento de prova, o processo tomará o rito ordinário. (MPSC-2012) (Anal. Judic./TRF1-2017)

OBS: Na ação popular, em regra, a produção de prova testemunhal poderá ser requerida até o
despacho saneador (art. 7º, V, Lei 4.717/65), momento anterior ao início da instrução probatória. O
saneamento do processo, no regime do CPC revogado era feito por ato judicial que a doutrina
denominou despacho saneador; na verdade não era despacho, mas decisão interlocutória. O atual
CPC, no art. 357, caput, denominou este ato do juiz de decisão de saneamento e organização do
processo, que consiste num juízo positivo de admissibilidade relativamente à ação e a um juízo
positivo no que tange à validade do processo (Elpídio Donizetti, Curso Didático de Direito
Processual Civil, 20ª Ed., Atlas, 2017, p. 634).

OBS: PROVA TESTEMUNHAL E PERICIAL NA AÇÃO POPULAR:


- Caso não requerida até o SANEAMENTO  vistas às partes por 10 DIAS;
- Findo o prazo  concluso ao juiz para a SENTENÇA em 48 HORAS;
- Requerida a prova testemunhal ou pericial  processo segue o rito ORDINÁRIO;

        VI - A sentença, quando não prolatada em audiência de instrução e julgamento, deverá ser
proferida dentro de 15 (quinze) dias do recebimento dos autos pelo juiz.
        Parágrafo único. O proferimento da sentença além do prazo estabelecido privará o juiz da
inclusão em lista de merecimento para promoção, durante 2 (dois) anos, e acarretará a perda, para
efeito de promoção por antigüidade, de tantos dias quantos forem os do retardamento, salvo motivo
justo, declinado nos autos e comprovado perante o órgão disciplinar competente.

        Art. 8º Ficará sujeita à pena de desobediência, salvo motivo justo devidamente comprovado, a
autoridade, o administrador ou o dirigente, que deixar de fornecer, no prazo fixado no art. 1º, § 5º,
ou naquele que tiver sido estipulado pelo juiz (art. 7º, n. I, letra "b"), informações e certidão ou
fotocópia de documento necessários à instrução da causa.

        Parágrafo único. O prazo contar-se-á do dia em que entregue, sob recibo, o requerimento do
interessado ou o ofício de requisição (art. 1º, § 5º, e art. 7º, n. I, letra "b").

        Art. 9º Se o autor desistir da ação ou der motiva à absolvição da instância, SERÃO
PUBLICADOS editais nos prazos e condições previstos no art. 7º, inciso II, FICANDO
ASSEGURADO a QUALQUER CIDADÃO, bem como ao REPRESENTANTE DO MINISTÉRIO
PÚBLICO, dentro do prazo de 90 (noventa) dias da última publicação feita, PROMOVER o
prosseguimento da ação. (MPSP-2005) (TCEPR-2011) (TJBA-2012) (TJCE-2012) (MPSC-2012)
(MPPR-2013) (TCEAM-2013) (DPECE-2014) (TRF3-2016) (Anal. Judic./TRETO-2017) (Anal.
Judic./TJPE-2017) (PGEPE-2018) (MPMG-2018)

##Atenção: Princípio da Disponibilidade Motivada da Ação Coletiva ou Princípio da


Indisponibilidade Mitigada da Ação Coletiva (art. 5º, §3º da LACP e art. 9º da LAP): Segundo tal
princípio, a desistência infundada da ação coletiva ou o seu abandono são submetidos ao controle
por parte dos outros legitimados ativos e especialmente o Ministério Público, conforme
determinação legal do art. 5º, § 3º da LACP, que deverá, quando infundada a desistência, assumir
a titularidade da ação. Quando a desistência for levada a efeito pelo próprio órgão do Ministério
Público, o juiz, dela discordando, poderá aplicar analogicamente o disposto no artigo 28 do CPP,
submetendo a desistência ou o abandono ao conhecimento e apreciação do chefe da respectiva
Instituição do Ministério Púbico. (Fonte: DIDIER, Fredie. Curso de Direito Processual Civil.
Salvador/BA: Editora Juspodivm, vol. IV, 4ª ed., 2009).

(MPPR-2019): Nos termos da Lei da Ação Popular, assinale a alternativa correta: Se o autor
desistir da ação, serão publicados editais nos prazos e condições legais, sendo assegurado ao
representante do MP, dentro do prazo de 90 dias da última publicação feita, promover o
prosseguimento da ação. BL: art. 9º, LAP.

(MPMG-2014): Sobre as normas processuais aplicáveis à Ação Popular, pode-se afirmar: Se o


autor desistir da ação, fica assegurado a qualquer cidadão, bem como ao representante do MP,
dentro do prazo de 90 dias da última publicação dos editais, promover o prosseguimento da ação.
BL: art. 9º, LAP.

(TRF2-2014): Em ação popular por ato lesivo ao patrimônio público federal, ocorrendo a situação
de abandono do processo (art. 9º da Lei 4.717/65), após intimação pessoal do cidadão autor, o juiz
deverá adotar a seguinte providência: Determinar a publicação de editais na forma prevista na
legislação da ação popular, a permitir que qualquer cidadão ou o MP assuma a ação no prazo
legal. Na eventualidade de não haver qualquer manifestação no sentido de assumir a ação, caberá
ao magistrado extinguir o processo sem resolução de mérito. BL: art. 9º, LAP.

(MPDFT-2011): Na ação popular, verificada a desistência do autor sem que nenhum eleitor
responda aos editais e habilite-se na causa, o MP poderá promover o prosseguimento da ação, não
se vinculando, contudo, ao pedido, podendo oficiar no sentido de sua improcedência. BL: art. 9º,
LAP e doutrina.

OBS: José Afonso da Silva explica que, por defender o interesse da sociedade de uma maneira
global, o MP pode voltar-se contra o autor popular, “nas hipóteses em que sob a capa de defensor
da comunidade, pratique atos danosos ao patrimônio jurídico-legal da comunidade” SILVA, José
Afonso da. O Ministério Público nos processos oriundos do exercício da ação popular. Revista dos
Tribunais. São Paulo, vol. 366, ano 55, 1966, p.13). Do mesmo modo, Ruy Armando Gessinger,
citado por Mancuso, refere que “o MP deve atuar na ação popular como o requer o interesse
público, não a versão do autor. Não lhe cabe a automática obrigação de defender interesse de quem o
processo demonstre, afinal, não ter direito. É ele órgão da lei por determinação constitucional”. (Apud.
MANCUSO, Rodolfo de Camargo. Ação Popular: proteção do erário público, do patrimônio
cultural e do meio ambiente. 5ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2003, p. 229).

(MPAM-2007-CESPE): Em ação popular iniciada por cidadão, além do dever legal de oficiar no
processo, cabe ao MP promover o prosseguimento do feito caso o autor desista da ação. Por isso, é
obrigatória a sua intimação pessoal em todas as fases do processo, inclusive quando a ação é
extinta sem resolução do mérito, por inépcia da inicial. BL: art. 9º, LAP.

        Art. 10. As partes SÓ PAGARÃO CUSTAS e PREPARO a final. (MPSC-2010/2016) (Proc. Câm.
Sumaré/SP-2017)

        Art. 11. A sentença que, julgando procedente a AÇÃO POPULAR, DECRETAR a invalidade do
ato impugnado, CONDENARÁ ao pagamento de perdas e danos os responsáveis pela sua prática
e os beneficiários dele, RESSALVADA a AÇÃO REGRESSIVA contra os funcionários causadores
de dano, quando INCORREREM em CULPA. (MPAM-2007) (PFN-2007) (MPSC-2012) (MPDFT-
2013) (DPECE-2014) (DPEMS-2014) (TJPB-2015) (TJAL-2015) (TCESC-2016)

(TJPI-2012-CESPE): Acerca de ação popular, assinale a opção correta: Comprovada a lesão, o juiz
poderá condenar o réu à reparação mesmo sem pedido expresso do autor. BL: art. 11, LAP.

        Art. 12. A SENTENÇA INCLUIRÁ SEMPRE, na condenação dos réus, o pagamento, ao autor,
das custas e demais despesas, judiciais e extrajudiciais, diretamente relacionadas com a ação e
comprovadas, bem como o dos honorários de advogado. (PFN-2007) (MPMG-2014) (DPECE-2014)
(MPSC-2016) (MPSP-2017) (PGM-Andralina/SP-2017)

        Art. 13. A sentença que, APRECIANDO o fundamento de direito do pedido, JULGAR a lide
MANIFESTAMENTE TEMERÁRIA, CONDENARÁ o autor ao pagamento do décuplo das custas.
(MPAL-2012) (MPSC-2016) (TRF3-2016) (Proc. Legisl.-Cotia/SP-2017) (Proc. Câm. Sumaré/SP-2017)

        Art. 14. Se o valor da lesão ficar provado no curso da causa, será indicado na sentença; se
depender de avaliação ou perícia, será apurado na execução.

        § 1º Quando a lesão resultar da falta ou isenção de qualquer pagamento, a condenação imporá o
pagamento devido, com acréscimo de juros de mora e multa legal ou contratual, se houver.

        § 2º Quando a lesão resultar da execução fraudulenta, simulada ou irreal de contratos, a


condenação versará sobre a reposição do débito, com juros de mora.

        § 3º Quando o réu condenado perceber dos cofres públicos, a execução far-se-á por desconto em
folha até o integral ressarcimento do dano causado, se assim mais convier ao interesse público.
(TJCE-2012)

        § 4º A parte condenada a restituir bens ou valores ficará sujeita a seqüestro e penhora, desde a
prolação da sentença condenatória.

        Art. 15. Se, no curso da ação, ficar provada a infringência da lei penal ou a prática de falta
disciplinar a que a lei comine a pena de demissão ou a de rescisão de contrato de trabalho, o juiz, "ex-
officio", DETERMINARÁ a remessa de cópia autenticada das peças necessárias às autoridades ou
aos administradores a quem COMPETIR APLICAR a SANÇÃO. (PGEPR-2011)

        Art. 16. CASO DECORRIDOS 60 (sessenta) dias da publicação da sentença condenatória de
segunda instância, SEM QUE o autor ou terceiro PROMOVA a respectiva EXECUÇÃO. o
representante do Ministério Público a PROMOVERÁ nos 30 (trinta) dias seguintes, SOB PENA de
FALTA GRAVE. (MPSP-2005) (TJPI-2012) (TJCE-2012) (MPPR-2013) (MPSC-2016) (Anal.
Judic./TRT8-2016) (MPMG-2018) (MPPR-2019)

(MPPB-2010): Não promovida pelo autor ou terceiro, no prazo legal, a execução da sentença
condenatória transitada em julgado em ação popular, o MP, revestido de legitimidade
extraordinária autônoma concorrente, promoverá a execução devida no prazo de trinta dias. BL:
art. 16, LAP.

(MPSC-2010): A Lei n. 4.717/65 prevê expressamente o dever do MP promover a execução da


sentença condenatória proferida na ação popular, em caso da inércia do autor, sob pena de falta
grave. BL: art. 16, LAP.

        Art. 17. É SEMPRE PERMITIDA às pessoas ou entidades referidas no art. 1º, ainda que
HAJAM CONTESTADO a ação, PROMOVER, EM QUALQUER TEMPO, e no que as beneficiar a
EXECUÇÃO DA SENTENÇA contra os demais réus. (PGEPR-2011) (TJCE-2012)

(DPEMS-2014-VUNESP): Sobre a ação popular, é correto afirmar que é permitido à União, ao


Distrito Federal, aos Estados e aos Municípios, ainda que hajam contestado a ação, promover, em
qualquer tempo, e no que as beneficiar a execução da sentença contra os demais réus. BL: art. 17,
LAP.

(TJSP-2012-VUNESP): No tocante aos remédios constitucionais, garantidores dos direitos


fundamentais, é correto afirmar que na ação popular, se o autor não o fizer, qualquer outro
cidadão ou entidade chamada na ação ainda que a tenha contestado, poderá executar a respectiva
sentença. BL: arts. 16 e 17, LAP.

(MPPI-2012-CESPE): Com base na sistemática processual da ação popular, assinale a opção


correta: No caso de decisão condenatória proferida em segundo grau de jurisdição, são partes
legítimas, para a execução ou cumprimento de sentença, o autor popular, outro cidadão, o MP,
após o transcurso do prazo legal para o vencedor da ação, bem como as pessoas jurídicas corrés na
ação, no que as beneficiar. BL: arts. 16 e 17, LAP.

        Art. 18. A sentença TERÁ eficácia de coisa julgada OPONÍVEL "ERGA OMNES", EXCETO no
caso de haver sido a ação julgada improcedente por deficiência de prova; neste caso, qualquer
cidadão PODERÁ INTENTAR outra ação com idêntico fundamento, VALENDO-SE de nova
prova. (PGESE-2005) (PGECE-2008) (DPEAL-2009) (DPEMA-2011) (MPMT-2012) (TRT2-2012)
(Cartórios/TJAC-2012) (MPMS-2013) (DPEPE-2013) (MPT-2013) (Anal. Judic./TRT10-2013) (TJRJ-
2014) (MPMG-2014) (DPECE-2014) (Cartórios/TJDFT-2014) (Anal./PGERO-2015)

(PGM-Várzea Paulista/SP-2016-VUNESP): No que diz respeito à ação popular como mecanismo


para o cidadão pleitear a anulação ou a declaração de nulidade de atos lesivos ao patrimônio
público, no caso de haver sido a ação julgada improcedente por deficiência de prova, qualquer
cidadão poderá intentar outra ação com idêntico fundamento, valendo-se de nova prova. BL: art.
18 da LAP.

(TRT2-2012): A sentença que julga improcedente a ação popular por deficiência de provas não faz
coisa julgada. BL: art. 18, LAP.

(MPMS-2011): e os mesmos fatos investigados no inquérito civil foram objeto de ação popular
julgada improcedente pelo mérito e não por falta de provas, o caso é de arquivamento do
procedimento instaurado. BL: art. 18, LAP.

OBS: A ação popular tem por objeto o pedido de anulação de ato lesivo ao patrimônio público,
meio ambiente, moralidade, patrimônio histórico e cultural (art. 5º, LXXIII, CF). Assim, se a ação
popular for julgada improcedente ante o reconhecimento da validade do ato impugnado (e não
por mera falta de provas), é possível homologar o arquivamento de procedimento investigatório
que tenha por objeto justamente verificar a validade/legalidade desse ato (arts. 18 da Lei 4.717/65;
Pt. n.º 32.600/93). O enunciado da questão exigiu o conhecimento do teor da Súmula 01 do
Conselho Superior do MPSP: "Se os mesmos fatos investigados no inquérito civil foram objeto de ação
popular julgada improcedente pelo mérito e não por falta de provas, o caso é de arquivamento do
procedimento instaurado."

(MPSP-2005): Ante os termos da Lei n.º 4.717/65, se a ação popular for julgada improcedente por
falta de provas, qualquer cidadão poderá intentar outra ação, inclusive com o mesmo
fundamento, desde que se valha de prova nova. BL: art. 18, LAP.

        Art. 19. A sentença que concluir pela CARÊNCIA ou pela IMPROCEDÊNCIA DA AÇÃO
ESTÁ SUJEITA ao DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO, NÃO PRODUZINDO efeito senão depois
de confirmada pelo tribunal; da que julgar a ação procedente CABERÁ APELAÇÃO, com efeito
suspensivo.  (Redação dada pela Lei nº 6.014, de 1973) (PGESE-2005) (PGECE-2008) (PGESP-2009)
(MPDFT-2009) (MPPB-2010/2011) (TJPI-2012) (TJCE-2012) (TCEAP-2012) (MPPR-2013) (MPMT-
2012/2014) (TJDFT-2014) (MPMG-2014) (DPECE-2014) (Proc. Legisl.-Cotia/SP-2017) (Proc. Câm.
Sumaré/SP-2017) (Anal. Judic./TRETO-2017)

(Anal. Judic./TJGO-2014-FGV): Cidadão ajuizou ação popular para impugnar a validade de


contrato administrativo que reputou lesivo ao patrimônio público. Finda a fase instrutória, o juiz
da causa rejeitou o pedido, por entender que os fatos narrados pelo autor não restaram
suficientemente comprovados. Intimado da sentença no dia 14/09/14, o autor interpôs recurso de
apelação em 10/09/14. Nesse cenário, o presente apelo é intempestivo, porém se deve determinar
a remessa dos autos ao órgão ad quem, para fins de reexame necessário. BL: art. 19, LAP.

Dica:
 Da ação julgada improcedente = sujeita ao duplo grau de jurisdição (reexame
necessário)
 Da ação julgada procedente = cabe apelação com efeito suspensivo

(MPCE-2009-FCC): A sentença que concluir pela procedência de ação popular, em que o


Município figura, juntamente com o prefeito, como réus, não está sujeita ao duplo grau de
jurisdição obrigatório. BL: art. 19, LAP.

(TJAP-2009-FCC): No sistema de revisão da sentença, em ação popular para pleitear a anulação de


ato lesivo ao patrimônio municipal, promovida por determinado cidadão contra o Prefeito e o
Município, cabe reexame necessário, se a sentença for de improcedência. BL: art. 19, LAP.

        § 1º Das decisões interlocutórias CABE agravo de instrumento. (Redação dada pela Lei nº
6.014, de 1973) (MPCE-2009) (TJDFT-2014) (Proc. Câm. Sumaré/SP-2017)

        § 2º Das sentenças e decisões proferidas contra o autor da ação e suscetíveis de recurso,
PODERÁ RECORRER QUALQUER CIDADÃO e também o MINISTÉRIO PÚBLICO. (Redação
dada pela Lei nº 6.014, de 1973) (MPSP-2005) (MPCE-2009) (TCEGO-2009) (MPPB-2011) (TJCE-
2012) (Proc. Legisl. -Câm. Cotia/SP-2017) (PGM-Andralina/SP-2017) (MPMG-2018)

(MPPR-2019): Nos termos da Lei da Ação Popular, assinale a alternativa correta: O MP, bem como
qualquer cidadão, poderá recorrer das sentenças e decisões proferidas contra o autor da ação e
suscetíveis de recurso. BL: art. 19, §2º, LAP.

(MPSC-2016): Segundo a Lei n. 4.717/65 (Ação Popular), ao MP cabe, além de acompanhar a ação
popular, apressar a produção probatória do feito, podendo recorrer da sentença contra a
pretensão do autor da aludida ação, faculdade aberta, ainda, a qualquer outro cidadão. BL: art. 6º,
§4º c/c art. 19, §2º, LAP.

DISPOSIÇÕES GERAIS

        Art. 20. Para os fins desta lei, CONSIDERAM-SE ENTIDADES AUTÁRQUICAS:

        a) o serviço estatal descentralizado com personalidade jurídica, custeado mediante orçamento
próprio, independente do orçamento geral; (MPGO-2016)

        b) as pessoas jurídicas especialmente instituídas por lei, para a execução de serviços de interesse
público ou social, custeados por tributos de qualquer natureza ou por outros recursos oriundos do
Tesouro Público;

        c) as entidades de direito público ou privado a que a lei tiver atribuído competência para receber
e aplicar contribuições parafiscais.

        Art. 21. A ação prevista nesta lei PRESCREVE em 5 (cinco) anos. (MPSC-2010) (MPMG-2011)
(MPAL-2012) (TJRJ-2014) (TJDFT-2014) (TCEGO-2014) (TJMS-2015) (TRF3-2016) (Anal.
Judic./TRT11-2017)

        Art. 22. APLICAM-SE à ação popular as regras do Código de Processo Civil, naquilo em que
não contrariem os dispositivos desta lei, nem a natureza específica da ação. (PFN-2007) (MPDFT-
2015)

(DPERN-2015-CESPE): Assinale a opção correta no que diz respeito à ação popular: A execução
de multa diária por descumprimento de obrigação fixada em medida liminar concedida em ação
popular independe do trânsito em julgado desta ação, conforme posição do STJ. BL: art. 22, LAP.

##Atenção: ##STJ: Segundo o STJ, a execução de multa diária (astreintes) por descumprimento
de obrigação de fazer, fixada em liminar concedida em Ação Popular, pode ser realizada nos
próprios autos, por isso que não carece do trânsito em julgado da sentença final condenatória. É
que a decisão interlocutória, que fixa multa diária por descumprimento de obrigação de fazer, é
título executivo hábil para a execução definitiva. (STJ, REsp 1098028/SP, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª T. j.
09/02/10). Por outro lado, na Ação Civil Pública, segundo o Art. 12, § 2º, da Lei 7.347/85, a multa
cominada liminarmente só será exigível do réu após o trânsito em julgado da decisão favorável
ao autor, mas será devida desde o dia em que se houver configurado o descumprimento.
Portanto, conclui-se que, na Ação Popular, não há esta exigência de aguardar o trânsito em
julgado, segundo o entendimento do STJ acerca do tema.

        Brasília, 29 de junho de 1965; 144º da Independência e 77º da República.

H. Castello Branco
Milton Soares Campos

Este texto não substitui o publicado no DOU de 5.7.1965 e republicado no DOU de 8.4.1974

Súmulas Importantes:

STF:

SÚMULA Nº 365: PESSOA JURÍDICA NÃO TEM LEGITIMIDADE PARA PROPOR AÇÃO
POPULAR. (TJBA-2012)

SÚMULA Nº 101: O MANDADO DE SEGURANÇA NÃO SUBSTITUI A AÇÃO POPULAR.

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