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PROFESSORES REFLEXIVOS EM UMA ESCOLA REFLEXIVA conceitos e princípios), mas capacidades (saber o que fazer e

como), experiência (capacidade de aprender com o sucesso e com


ALARCÃO, Isabel os erros), contatos (capacidades sociais, influência) e valores
(empenho, responsabilidade).
Professora-Doutora em educação pela universidade de
Liverpool e catedrática na Universidade de Aveiro, cuja obra Para a autora, concepções como esta apontam para uma
emergiu das reflexões e inquietações da autora quanto às tensões, formação que vai além da informação, ou mesmo do
num mundo globalizado, entre o particular e o geral, o local e o conhecimento, para atingir o que denomina de sabedoria, pois o
global. exercício da cidadania hoje, responsável e participante requer tal
sabedoria. "O empowerment pessoal, ou seja, a construção do
"Questiono-me se será necessário aniquilar o autêntico e poder pelo cidadão, não se resume na obtenção de mais poder ou
o local para se viver o conforto ditado pelos critérios globalizantes"; direitos, mas na capacidade real de exercer esse poder na
o que a levou a divagar por "outras esferas": " ... dei comigo a construção de uma cidadania participativa". Sem o saber que lhe
pensar nos alunos quando transitam de uma escola para outra e, permita aceder a informação ao tempo em que tenha um
sobretudo de um ciclo de estudos para outro subseqüente". Os pensamento independente e crítico, o cidadão poderá ser
capítulos aqui selecionados referem-se a palestras, em encontros manipulado e info-excluído.
sobre educação, relacionadas com passagens da autora pelo
Brasil, e por recomendação da autora, foi mantida a ortografia A fala sobre competências, recorrente nos nossos dias,
vigente em Portugal. para qualificar o currículo escolar, em muitas ocasiões,
erroneamente, opõe competências a conhecimentos. Para
Alunos Professores e Escola face à Sociedade da Informação Perrenoud, por exemplo, competência é a capacidade de mobilizar
saberes para resolver situações. Não está, portanto contra o
A chamada ERA DA INFORMAÇÃO e também da conhecimento, compõe-se com ele. Esta noção, contudo, não é
comunicação (ou Revolução da informática, inundou a sociedade utilitária, não se restringe as ações práticas de natureza simples,
com um volume virtualmente infinito de informações de tal forma outrossim, reconhece que, segundo Perrenoud: “... a cultura
que tornou-se imprescindível a democratização do acesso, sob a humana... está fundamentalmente ligada à ação, a uma presença
pena de desenvolvermos mais uma forma de exclusão social: a incerta e inquieta no mundo, ao desejo de antecipar e dominar os
info-exclusão (ou exclusão digital). acontecimentos" .

Supondo superada a questão do acesso, na sociedade da Ao fazer referência a subordinação da educação à


informação e comunicação é necessário o desenvolvimento de economia, a autora observa que, proposta pelas circunstâncias do
competências para selecionar, discernir e avaliar a informação atual contexto social, até as empresas reconhecem a necessidade
disponível. Nesse sentido a autora concorda com Morin: "só o destas competências, nos termos acima definidas, como perfil dos
pensamento pode organizar o conhecimento... o conhecimento seus funcionários e da sua organização, e que não se trata de
pertinente é aquele capaz de situar qualquer informação no seu importar para a educação esse modelo de competência
contexto". empresarial, mas da impossibilidade de negar o imperativo social,
pois como setor da sociedade, a escola não pode simplesmente
A percepção da crise educacional, sociedade da
dela isolar-se.
informação e do conhecimento, não pode ignorar que a escola não
mais detém o monopólio do saber, e, portanto o professor não é Compreender o mundo, os outros, a si mesmo e as
mais seu único transmissor; assim como o aluno não mais é um interações entre esses vários componentes é o alicerce da vivência
"receptáculo a deixar-se rechear de conteúdos". Cabe ao professor cidadã. Através da compreensão nos preparamos para o incerto, o
aceitar e situar-se nestas novas circunstâncias, pois impõem-se difícil, a mudança; e, nesse processo interativo, a capacidade
aos alunos exigências mais complexas, tais como, aprender a gerir continuada de aprendizagem é fundamental.
e a relacionar informações para poder transformá-las no seu
conhecimento. "A escola tem que ser outra escola", como "São hoje muitas as competências desejadas, que
organização, aberta a si mesma e a comunidade. assentam num conjunto de capacidades”.

Mais recentemente, a expressão sociedade da informação Valoriza-se a curiosidade intelectual, a capacidade de


e do conhecimento, acrescentou-se aprendizagem: sociedade da utilizar e recriar o conhecimento, de questionar e indagar, de ter
informação do conhecimento e da aprendizagem. Reconheceu-se pensamento próprio, de desenvolver mecanismos de auto-
que não há conhecimento sem aprendizagem. A informação, se aprendizagem. Mas também a capacidade de gerir a sua vida
não organizada, não constitui conhecimento, não é saber, não se individual e em grupo, de se adaptar sem deixar de ter sua própria
traduz em poder. "O conhecimento tornou-se um bem comum. A identidade, de se sentir responsável pelo seu desenvolvimento
aprendizagem ao longo da vida, um direito e uma necessidade". constante, de lidar com situações que fujam à rotina, de decidir e
assumir responsabilidades, de resolver problemas, de trabalhar em
As novas competências colaboração,de aceitar os outros. Deseja-se ainda dos cidadãos
que tenham horizontes temporais e geográficos alargados, não se
No inicio dos anos 90, reunidos reitores de
limitando a ver seu pequeno mundo, que tenham dos
universidades e conceituados empresários europeus, para
acontecimentos uma visão sistêmica, que sejam capazes de se
pensarem o papel da educação no mundo atual, produziram um
comunicar e interagir, e que desenvolvam a capacidade de auto-
relatório que chamou a atenção pela forma como abordava a
conhecimento e auto-estima".
noção de competência, incluída não só conhecimentos (fatos,

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A competência para lidar com a informação na sociedade da permanentemente na sua caminhada. Contextualiza-se e interage
aprendizagem com a comunidade. Acredita nos seus professores, cuja
capacidade de reflexão e de ação sempre fomenta. Envolve os
O desenvolvimento de fontes múltiplas de informação alunos na construção de uma escola cada vez melhor, mas não
exige re-estruturações na relação professor-aluno, o campo de esquece pais e comunidade. Considera-se uma instituição em
ação delineado pela tríade professor, aluno, saber, mantém-se desenvolvimento e em aprendizagem. Pensa-se e avalia-se.
porém, com o saber representando um "Iink" para uma variedade Constrói o conhecimento sobre si própria".
de fontes de informação. O professor mantém-se como mediador,
mas não mais de uma mediação linear. A Formação do Professor Reflexivo

Os alunos na sociedade da aprendizagem A capacidade reflexiva é inata no ser humano, mas


necessita de contextos de liberdade e responsabilidade que
Num mundo globalizado, ser aluno é ser eternamente permitem o seu desenvolvimento, porém é preciso vencer inércias
"aprendente", aprendente ao longo da vida, em interação constante e realizar um grande esforço para sair do nível descritivo ou
com as oportunidades que o mundo oferece. Se cabe ao professor narrativo. A experiência mostra que o diálogo e a expressão
orientá-Io nessa trajetória, é a ele que cumpre perceber-se como assumem um papel fundamental, segundo a autora, num triplo
participante deste mundo. A aprendizagem é um modo de diálogo: consigo próprio, com os outros e com a situação, de tal
compreender melhor o mundo a medida em que conseguimos forma que alcance um nível explicativo e crítico.
melhor utilizar seus recursos. "Subjaz a este modelo uma
abordagem construtivista, sócio-cultural". A noção de professor reflexivo baseia-se na consciência
da capacidade de pensamento e reflexão que caracteriza o ser
Muitas das competências hoje desejadas são dificilmente humano como criativo e não como mero reprodutor de idéias e
ensináveis, mesmo assim devem ser desenvolvidas. A sala de aula práticas que lhe são exteriores.
tem que deixar de ser um espaço de transmissão de conhecimento
e passar a construção deste, isso implica na mudança de A autora defende a busca da aceitação que a aceitação
organização das aprendizagens que passam a centrar-se no desta proposta do professor reflexivo no Brasil deve-se
próprio aluno e provocam sua capacidade de auto e hetero- provavelmente a própria história da formação de professores,
aprendizagem. como também a temática que domina o atual panorama político-
social no país. Por outro lado, o combate a proposta talvez tenha
Não é fácil, tanto para os alunos, como para os se estabelecido pelo risco de tornar-se um rótulo, um "slogan"
professores, de repente, repensar toda sua prática de modo a vazio. Segundo a autora, possibilidade admitida e denunciada pela
pensar e agir desta maneira, mas as experiências recentes têm mesma nas ocasiões oportunas.
demonstrado que é possível.
A formação do professor hoje requer que todas as
"A capacidade de interagir com o conhecimento de forma atenções voltem-se para sua capacidade de pensar autônoma e
autônoma, flexível e criativa é a melhor preparação para a vivência sistematicamente e várias têm sido as abordagens nessa direção,
no nosso mundo super complexo, incerto, sempre pronto a exigir inclusive quanto à formação daqueles em atividade. A autora se
novos saberes, inspiradores de novas ações". atem à metodologia da PESQUISA-AÇÃO, constituída sobre valor
formativo advindo da reflexão sobre a experiência profissional.
Os professores na sociedade da aprendizagem Trata-se de um processo de intervenção social cientificamente
apoiada e desenvolve-se segundo ciclos de planificação, ação,
Segundo Alarcão, se o professor já não é a única fonte de
observação, reflexão, a partir de algumas estratégias, por exemplo:
informação, é certo que continua imprescindível, na era da
informação, é o "timoneiro" na viagem em direção ao - A análise dos casos: são as expressões do pensamento sobre
conhecimento, contanto tenha que repensar o seu papel neste uma situação concreta, revelam o que professores e alunos fazem,
processo. Por exemplo, o desenvolvimento do espírito critico não pensam, sentem, conhecem. Permitem desocultar situações
ocorre através de monólogos expositivos, por mais interessantes complexas e construir conhecimentos, ou tomar consciência do
que possam ser, mas através do diálogo, do confronto de idéias e que, de alguma forma já se sabia.
de práticas, na capacidade de ouvir o outro.
- As narrativas: "A escrita é um encontro conosco e com mundo
A escola na sociedade da aprendizagem que nos cerca", revela o modo como experienciamos o mundo.
Podem incidir sobre o próprio professor, os alunos, a escola etc.,
Numa reflexão generalizada a autora afirma que as
tudo o que permita melhor compreender as finalidades e os
escolas hoje encontram-se inertes em sua mesmice, sentido-se
contextos educativos.
ultrapassadas e até "inúteis", a espera de alguém que apareça
para ressuscitá-las, não percebendo que a transformação ocorre - Portfólios: embora tenha migrado para a área das artes, o
"por dentro", com as pessoas que a constituem: professores, conceito envolve um conjunto de documentos e informações,
alunos e funcionários, em interação com a comunidade. Algumas organizados e comentados sistematicamente, contextualizados no
escolas, que já perceberam o fenômeno, tornaram-se escolas tempo para revelar um determinado percurso profissional. Na
reflexivas. formação dos professores, apesar do valor formativo, o portfólio
pouco tem sido utilizado.
"A escola reflexiva não é telecomandada do exterior. É
autogerida, tem seu projeto próprio, construído com a colaboração
de seus membros. Sabe para onde deve ir e avalia-se

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- Perguntas pedagógicas: o questionamento é o motor do - É atividade de natureza psicossocial, intra e interpessoal em
desenvolvimento da aprendizagem, a partir dele tudo passa ser interação nos contextos formativos.
suscetível de um melhor entendimento.
- Interação entre pensamento e ação, com objetivo de dar sentido
Contributos da supervisão pedagógica para a construção ao vivido e ao conhecido.
reflexiva do conhecimento profissional dos professores
- Desenvolvimento de capacidades, atitudes e conhecimento para
A autora analisa o papel do supervisor na relação com a competência profissional.
professor e com os saberes, tendo em vista o desenvolvimento do
conhecimento profissional dos professores. - Um gestor e animador de situações e recursos intra e
interpessoais, com vistas à formação.
O conhecimento profissional dos professores é objeto de
estudos de investigadores, que concentram a atenção sobre as - Gestor inclui capacidade humana, técnica-profissional.
ciências para este desenvolvimento.
- Pressupõe pré-requisitos e formação especializada.
O conhecimento científico-pedagógico como
compreensão do modo como se organiza o conteúdo das várias Pergunta: Como o supervisor pedagógico pode ajudar a construir o
disciplinas, precisa ser analisado sobre outras dimensões, além de conhecimento pedagógico?
estruturas, temas e conceitos que o tornam compreensível pelo
Resposta: Pela sua ação e atuação, diálogo, monitoramento de
aluno. As outras dimensões são alinhadas, a seguir:
situações de aprendizagem, pelo que é, pelo que faz, pelo que diz
- Conhecimento do conteúdo disciplinar: compreensão e domínio e pelo que sabe.
da matéria a ensinar.
A autora analisa uma interação discursiva em contexto de
- Conhecimento pedagógico em geral: domínio dos princípios supervisão pedagógica com intervenção de processos teóricos e
pedagógicos comuns às várias disciplinas que é manifestado na experiências, numa visão vertical e horizontal, onde os processos
maneira como o professor organiza e gere as atividades de sala de de construção do conhecimento passaram pela clarificação e
aula. compreensão do episódio. A estratégia usada foi de situação
formativa em contextos de supervisão.
- Conhecimento do currículo: compreensão do conjunto de
disciplinas e não-disciplinas que integram a organização das Desse trabalho, extraiu-se o conhecimento profissional do
atividades formativas de um nível de ensino. futuro professor, cuja função é gerir relações entre pessoas, entre
saberes e entre agir e conhecer.
- Conhecimento do aluno e das suas características: compreende o
passado e seu presente; sua história de aprendizagem, nível de Gerir uma Escola Reflexiva
desenvolvimento, sua atividade sócio-cultural.
Para Isabel Alarcão a escola é uma comunidade viva, da
- Conhecimento dos contextos: a atividade docente se desenvolve qual participam vários atores sociais, e cuja missão é educar.
em diferentes contextos espaciais, e é uma atividade psicossocial, Situada entre o macrocosmo da sociedade e o microcosmo da sala
temporal, com valor educativo. de aula, estabelecendo a interface entre a sociedade dos adultos e
as crianças e jovens em desenvolvimento. A escola é mais que um
- Conhecimento dos fins educativos: os contextos vão se ajuntamento de pessoas, é um todo coeso e dinâmico que para
desdobrando pela mediação cultural, com fundamentos históricos, exercer a função de educar precisa de uma organização.
psicossociais, culturais e políticos da educação que são
necessários para a contextualização da ação do professor. A Escola como eu gostaria que fosse

- Conhecimento de si mesmo: no que faz, pensa e diz: Abrange o "Quero uma escola comunidade, dotada de pensamento e
autoconhecimento, a dimensão metacoginitiva e é fundamental ao vida próprios, contextualizada na cultura local e integrada no
desenvolvimento pessoal e profissional. contexto nacional e mais abrangente. Não quero, pois, uma escola
burocratizada que seja uma mera delegação ministerial. Desejo
- Conhecimento da sua filiação profissional: baseia-se numa assim uma escola que conceba, projete, atue e reflita em vez de
comunidade profissional. uma escola que apenas executa o que os outros pensaram para
ela. Uma escola que tenha uma ambição estratégica por oposição
A supervisão pedagógica é vista como supervisão a uma escola que não tem visão e não sabe olhar-se no futuro.
curricular e assim sendo, uma vertente formativa em relação à Não quero uma escola que se lamente do insucesso como um
escola e ao desenvolvimento da aprendizagem. estado e frustrante fardo a carregar, mas uma escola que
questione o insucesso nas suas causas para relativamente a elas,
A autora salienta seu conceito de supervisão pedagógica traçar planos de ação.
dos professores como:
Uma escola que reflita sobre os seus próprios processos e
- Uma atividade que visa o desenvolvimento profissional dos as suas formas de atuar e funcionar, uma escola que analise,
professores, sua ação no exercício da profissão e inserção na vida desconstrua e refaça as suas opções e sua ação curricular. Uma
escolar. escola que saiba criar suas próprias regras. Mas que, ciente da
sua autonomia responsável, saiba prestar contas da sua atuação,
- Tem valor que transcende a vida da escola e da educação.

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justificar os seus resultados e auto-avaliar-se para definir o seu aluno com os professores, com as fontes de informação e com o
desenvolvimento. saber".

Em vez de uma escola que apenas cumpre regras Postulados da Escola reflexiva:
emanadas de outrem sem que ninguém se avalie, nada, nem
ninguém. - ser capaz de liderar e mobilizar as pessoas;

Uma escola que se alimente do saber, da produção e da - saber agir em situação;


reflexão dos seus profissionais, os professores que, por isso
mesmo, não são meros assalariados. Uma escola à qual não é - nortear-se pelo projeto de escola;
necessário ditar a formação requerida, porque ela própria conhece
- assegurar uma atuação sistemática;
suas necessidades, cria seus contextos de formação no seu
desenvolvimento instrucional. Uma escola onde tudo gira à volta de - assegurar a patiicipação democrática;
sua missão: educar as novas gerações. Em suma, uma escola,
como diria Paulo Freire, e não apenas, como uma escola - pensar e escutar antes de decidir;
anônima... Gostava de acrescentar ainda mais um ponto para me
referir a uma escola que todos se orgulham: os alunos, os - saber avaliar e deixar-se avaliar;
professores, os funcionários, os pais, a comunidade envolvente.
- ser conseqüente;
“Isto quer dizer, uma escola onde os professores se
sintam felizes e úteis à sociedade e onde os alunos apreciem como - ser capaz de ultrapassar dicotomias
é bom crescer em saber.”
paralisantes;
Como cheguei ao conceito de Escola Reflexiva?
- decidir;
Definição da autora: "organização que continuamente se
pensa a si própria, na sua missão social e na sua organização e se - acreditar que todos e a própria escola se encontram num
confronta com o desenrolar da sua atividade num processo processo de desenvolvimento e de aprendizagem.
heurístico simultaneamente avaliativo e formativo"

A escola nunca está pronta, acabada, encontra-se sempre


em processo de construção. A escola enquanto construção social,
destacando-se as idéias de organização, missão, avaliação e
formação. Segundo a autora, é fácil reconhecer o professor Donald
Schbn por detrás destas idéias. A mesma idéia de um profissional
(professor reflexivo) que reage em situação, interagindo e com ela
refletindo é transferível para uma organização, a escola.

Escola Comunidade com Projeto

Torna-se então fundamental o movimento pela autonomia


da escola, em alguns países, como Brasil e Portugal, embasada no
seu próprio projeto de escola. Tal projeto deve centrar-se no modo
como a escola deve se organizar para criar as condições de
aprendizagem e desenvolvimento inerentes ao currículo proposto.

O Currículo no Centro do Projeto da Escola

Concebendo o currículo como o conjunto de


aprendizagens proporcionadas pela escola e consideradas
socialmente necessárias num dado tempo e contexto, a autora
considera que a organização escolar vem respeitando princípios
tais como "homogeneidade, segmentação, seqüencialidade e
conformalidade", que não mais se adéquam a uma realidade
heterogênea e multifacetada.

Sendo assim, convida-nos ao arrojo de um novo


paradigma curricular, substituindo aqueles princípios pelos de
"diversificação, finalização, reflexão e eficácia".

"Neste novo paradigma, a noção de grupo de


aprendizagem a reconstituir-se em função das necessidades ou
dos objetivos, deveria substituir a de uma turma fixa, o que
obviamente implica outras formas de organização da relação do

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