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UNIVERSIDADE METROPOLITANA DE SANTOS

NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

FACULDADE DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS HUMANAS

CURSO DE LICENCIATURA EM FILOSOFIA

CRISTIANE BUENO

MARIA LUZIA FERREIRA

JAQUELINE MARTINS MARQUES

PAULO SÉRGIO DA SILVA

WAGNER BREGANHOLI

A ÉTICA NA EDUCAÇÃO NO ENSINO MÉDIO

SANTOS
2014
A ÉTICA NA EDUCAÇÃO DO ENSINO MÉDIO

Cristiane Bueno 

Maria Luzia Ferreira

Jaqueline Martins Marques

Paulo Sérgio da Silva


Wagner Breganholi
Universidade Metropolitana de Santos
crisdiagi@yahoo.com
ev.paulosilva@hotmail.com
luzia13ferreira@bol.com.br
marquesjaque@hotmail.com
wagnnner@hotmail.com

Resumo: O presente trabalho visa tratar do tema, “A Ética na Educação no Ensino Médio”, de uma
forma objetiva e direta, analisando as mudanças de comportamento da sociedade nos últimos anos,
causando transformações no comportamento ético do jovem cidadão. A partir do século XX, esta falta
de ética nos corredores e bancos escolares tem sido aparente e precisa ser tratada ou retratada de uma
forma veemente por parte da escola, como fonte  de trabalho educacional e também pelos docentes
como agentes formadores e possíveis transformadores de opiniões desta gama de cidadãos que estão
sendo formados e ocuparão o mercado de trabalho num futuro próximo, bem como, serão os
administradores públicos, ocupando cargos de relevante importância no contexto nacional.
Nosso objetivo será analisar a crise ética da pós modernidade e de que forma a escola poderá
intervir neste processo através da Filosofia da Educação. O ensino médio é a porta de entrada do jovem
estudante para a vida, seja profissional, universitária, ou “a vida escolhida por ele para vivê-la”, e desta
forma a Filosofia pode atuar em sua formação ética  e moral na condução de sua vida.

Palavras-chave: Ética, Moral, Filosofia, Ensino Médio, Pós- Modernidade.


INTRODUÇÃO

A palavra crise, é uma palavra que está sempre à tona na linguagem mundial. Fala-se em crise
nos diversos setores da sociedade: crise econômica, crise política, crise familiar, e não deixou de ter a
crise ética, moral, surgida com maior força no cenário da pós-modernidade. A crise ética tem sido
atribuída por muitos críticos à educação do cidadão, mal formado nos bancos escolares. Se esta má
formação existe de fato, algo precisa ser feito, e a Filosofia da Educação, cabe perfeitamente como a
viga mestra deste processo de formação e transformação cidadã.
O período chamado de pós-modernidade, que surgiu logicamente após o período da
modernidade, vem como uma fonte de novas introduções culturais e mudanças radicais em torno de
hábitos e tradições que ajudavam na formação ética e moral do cidadão que absorvia tanto da cultura e
tradição familiar, formas de condução da vida social, como adquiriam também da cultura e tradições
locais, que transmitiam de forma consistente padrões de conduta que ajudavam na formação deste
cidadão.
A perda dos valores tradicionais e culturais ao longo dos anos têm feito com que a ética e moral
sejam abaladas e assim as escolas tem recebido em suas salas de aulas e corredores jovens cidadãos
desprovidos de comprometimento com  o desenvolvimento social, causando uma deficiência
preocupante quanto ao futuro que os espera.
Sendo assim entendemos que existe uma forte crise ética – moral em nossa sociedade pós-
moderna e somente uma intervenção Educacional Filosófica aliada a outras fontes formadoras de
opinião, poderão auxiliar na mudança comportamental desta jovem sociedade que ocupa os lugares de
destaque de nossa nação gradativamente e somente uma educação de qualidade e comprometida com a
ética poderão mudar algumas realidades preocupantes em realidades animadoras, que nos dê expectativa
de uma sociedade melhor.
Foram utilizados os seguintes recursos: pesquisa bibliográfica, pesquisa em rede,
leitura e fichamentos de obras clássicas. Este trabalho será divido em duas partes: 1- A crise ética que
toma conta da pós-modernidade e dificulta o processo educacional devido ao comportamento sem ética
de nossas crianças, adolescentes, jovens e adultos, com fundamentação teórica de Immanuel Kant,
Demerval Saviani e Paulo Freire que analisam a importância pedagógica na formação do indivíduo. 2- A
importância da educação ética na formação dos estudantes do Ensino Médio e que esta educação deve
partir do princípio da filosofia da educação como agente formador de cidadãos conscientes e reflexivos
da necessidade de uma vida dedicada à ética e a moral para seu crescimento social.

1. A CRISE ÉTICA QUE TOMA CONTA DA PÓS-MODERNIDADE

A humanidade vem passando por um grande problema que é a crise ética. Julga-se que os
maiores problemas enfrentados hoje no mundo em termos de crise, sejam elas econômicas, políticas,
existências, entre outras, derivam em sua grande maioria da chamada “crise ética”, a qual tem feito o
papel de porta de entrada das demais crises.
Dessa forma entendemos que todos os demais problemas, sociais, políticos e econômicos, que
enfrentamos são decorrentes da má formação de preceitos éticos nas relações humanas, fazendo com
que a violência, a exclusão dos desprivilegiados, o egoísmo, a ausência de amor ao próximo e a
indiferença aos portadores de necessidades especiais e aos idosos etc., expressam o desinteresse de um
comportamento ético dos indivíduos na sociedade e suas relações, dessa forma, evidenciam claramente a
inexistência do comportamento ético por parte do cidadão em suas relações intersubjetivas. Naline
(2004, p. 26) faz uma afirmação para explicitar as dificuldades atuais no plano da ética: “de nada vale
reconhecer a dignidade da pessoa, se a conduta pessoal não pautar por ela”.
De acordo com o autor não adianta discursar a respeito da proteção dos direitos humanos, se
existe uma massa de excluídos e desprivilegiados vagando pelas ruas; e a crise ética existente é
influenciada em grande parte pelo capitalismo que ficou marcante na vida das pessoas.
Por volta do século XIX na Idade Média, os principais modelos éticos estabelecidos ficaram
marcados pelo absolutismo, ou seja, a sociedade possuía sistemas éticos cuja fundamentação era a
existência de uma moral universal objetiva que aos poucos foram sendo substituídos por uma
pluralidade de éticas alterando esses paradigmas e as relações intersubjetivas, sociais, familiares,
econômicas e políticas.
Entende-se que o individuo que não tem em seu bojo de vida uma boa formação educacional e
uma formação ética de conceitos relevantes para sua existência, torna-se mais suscetível aos desvios
morais e éticos causando malefícios não somente a ele, bem como a toda a sociedade que o cerca.
Quando analisamos a crise familiar, que tem gerado em grande escala a violência doméstica,
observamos que este fato se dá pela total ausência de amor ao próximo, que quando existe gera o
respeito mútuo, que é o meio pelo qual a ética é possível.
Esta falta de ética, moral, respeito, entre os membros de uma família, são levados pelos
indivíduos para o ambiente escolar, e quando se perde o senso do respeito entre consanguíneos, muito
menos se respeita aos demais pares, que não apresentam nenhum grau de parentesco. Devido a
realidades como esta temos visto tão grandes afrontas recebidas pelos colegas de classe, a falta de
respeito entre os alunos e por conseguinte estendida aos professores e demais profissionais da educação
que são desrespeitados todos os dias no ambiente escolar, sem poderem se defender devido a
ambiguidade das leis vigentes.
No plano das relações econômicas, a relativização, da ética oriunda dos efeitos do capitalismo,
estabelece a mercantilização dos prazeres, assim como também as coisas e as pessoas passariam a ser
mensuradas pelo que elas valem materialmente.
Essa realidade evidencia o quanto será difícil para humanidade estabelecer um padrão ético bem
definido para as suas relações. Assim sendo a educação é um dos caminhos para superar essa crise
transformando e ampliando a capacidade reflexiva e a autonomia dos cidadãos.
Podemos dizer que os cursos de graduação de uma forma geral, os conteúdos ministrados, as
relações entre professor e aluno, devem ser obrigatoriamente por princípios éticos fundamentais. Além
disso, é necessário que a ética esteja presente na constituição de políticas sociais públicas educacionais,
pois nada adianta que ela seja trabalhada em sala de aula se o modelo educacional proposto descurar
dela na sua elaboração e execução.
2. A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO ÉTICA NA FORMAÇÃO DOS ESTUDANTES DO
ENSINO MÉDIO

Após a observação feita anteriormente vimos a necessidade de se aprofundar na compreensão


dessa crise ética que ficou marcante e as suas possíveis soluções. Para isso consideramos tratar de alguns
conceitos propostos por alguns pensadores do século XIX e XX. Tomamos como ponto de partida
analisar e compreender a concepção Kantiana de educação. Para Kant o desenvolvimento educacional é
compreendido de maneira positiva e composto por três elementos, sendo estes a cultura, a prudência e a
moralidade.
A cultura é formada por meio do ensino que consiste na habilidade de maneira que possa
alcançar os fins propostos. A prudência conduz o indivíduo a se adaptar e a se influenciar no meio
social. Tendo o indivíduo adquirido habilidades para atingir os fins que se propõe é necessário que ele
saiba escolher, ou seja, o que é bom ou que é ruim em benefício de todos. Essa compreensão benéfica
chama-se moral. Por essa razão a formação moral é fundamental na educação. O ser humano só adquire
uma educação ética completa quando tem liberdade, autonomia e age conforme a máxima moral
universal, encontrada no imperativo categórico, segundo a filosofia Kantiana. Essa liberdade e
autonomia é necessariamente praticada por dever, pois o indivíduo deve agir por puro respeito à lei
prática ainda que essa lei seja prejudicial no sentido particular.
Existem muitos questionamentos da educação para fins éticos para a formação do indivíduo, do
profissional e do cidadão, pois é impensável a ausência dessa como instrumento de construção e de
transformação do processo educativo para uma educação mais solidária e autônoma. Entende-se que o
indivíduo que não tem em seu bojo de vida uma boa formação educacional e uma formação ética de
conceitos relevantes para sua existência, torna-se mais suscetível aos desvios morais e éticos causando
malefícios não somente a ele, bem como a toda a sociedade que o cerca. Segundo Paulo Freire na
Pedagogia da autonomia (2011) o modelo vigente é inaceitável, pois transgride a ética universal do ser
humano substituindo por uma ética mercadológica. Sendo assim ele propõe a todos os educadores que
lutem por uma qualidade do que é ético e moral no processo educativo e nas relações humanas sem cair
no perigo de moralismos hipócritas.
Para Paulo Freire, (1996, p. 9) a ética universal do ser humano e seu significado se manifesta do
seguinte modo:

Quando porém falo da ética universal do ser humano estou falando da ética
mercadológica da natureza humana enquanto algo absoluto indispensável a convivência
humana. Ao fazê-lo estou advertindo de possuir críticas que infiéis a meu pensamento
não apontarão como ingênuo e idealista. Na verdade falo da ética universal do ser
humano da mesma forma como falo de sua vocação ontológica para o ser mais como
falo de sua natureza , constituindo–se social e historicamente, não com um a “priori” da
história. A natureza de que a ontologia ainda se gesta socialmente na historia, é uma
natureza em processo de estar sendo com algumas conotações fundamentais sem as
quais não teria sido possível reconhecer a própria presença humana no mundo como
algo original e singular. Isto quer dizer que mais de um ser no mundo, o ser humano se
tornou mais uma presença no mundo, com o mundo e com os outros, presença que
reconhecendo uma outra presença como um “não eu” se reconhece como “si próprio”.
Presença que age e pensa a si mesma, que se sabe, presença que intervém, que
transforma, que fala do que faz, mas também do que sonha, que constata, compara,
avalia, valora, que decide, que rompe. E é do domínio da decisão, da avaliação, da
liberdade, da ruptura, da opção que se instaura á necessidade da ética e se impõe a
responsabilidade A ética se torna inevitável e sua transgressão possível é um desvalor.
Jamais uma virtude.

A partir dessa concepção é evidente o papel da resistência que o processo educativo deve ter em
face da ideologia mercadológica neoliberal vigente. Assim sendo, se faz necessário e urgente uma
reflexão por parte de todos, para que possa ocorrer esperança de uma mudança significativa. É evidente
que uma análise concernente à formação ética do ser humano envolve obrigatoriamente elementos
vinculados à educação, pois a todo momento em que o educador se encontra com o educando no espaço
de sala de aula ou fora dele, há sempre trocas de experiências e conhecimentos. Como disse Paulo Freire
(1996, p.12), “quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”. O conteúdo
ministrado e o conteúdo oculto que será fornecido aos estudantes sempre terá uma carga fortemente
ética. (CUNHA, 2012)
É imprescindível a participação estatal na definição e na elaboração de estratégias educacionais
inovadoras para a sociedade afim de atingir uma dupla finalidade. Que é o de construir os jovens na sua
completude intelectual e moral, pois, o processo educativo forma o indivíduo intelectual e moralmente.
Um exemplo disso, podemos citar a preocupação do Estado brasileiro que consta no art. 35, inciso III
na Lei de diretrizes e bases da Educação, a exigência da educação ética do indivíduo: o aprimoramento
do educando como pessoa humana incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia
intelectual e do pensamento crítico. Essa exigência da formação ética do ser humano expressa, pelo
menos sob o ponto de vista legislativo, e já é um grande começo, a inquietude do Estado brasileiro em
relação a constituição da cidadania não é só direito de todos, mas uma conquista de uma sociedade que
pretende se emancipar, sendo mais justa, solidária e democrática. (CUNHA, Op.Cit.)
Concordamos plenamente com seu entendimento, pois a educação ética e cidadã assegura para
todos os indivíduos, mas também permite, a estabilidade do sistema democrático e a proteção dos
direitos humanos, mas também permite a sua independência cultural, social e econômica.
Sobre o processo educacional, KANT (2002, p. 1) assegura que atrás da educação que repousa o
segredo da perfeição humana. Ele descreve os estágios e divisões da educação. No primeiro estágio é o
cuidado, pois o ser humano “é a única criatura que precisa ser educada”. “O segundo estágio é a
disciplina, um fator preliminar para a educação como o cuidado. Pois, segundo KANT (Op. Cit., p. 2) “a
disciplina transforma a animalidade em humanidade”, a disciplina é como domar a selvageria em
sentido amplo, ou “libertar a vontade dos desejos”.
No terceiro estágio de Kant (2002), chamado também de cultura, estão presentes uma variedade
de processos específicos, como a instrução, ensino e a orientação. Kant fala de civilização, que
representa um estágio superior. Ela conduz para o último estágio da educação. A norma e a instrução
permanecem somente na razão, no processo educativo, a razão ensina aquilo que se deve fazer e
comanda esse fazer. KANT (op. Cit.)
Em Paulo Freire (2001) a educação deve englobar o aluno com emoções e sentimento, trazendo
significado para o estudo da ética e estética. No processo educativo existe uma ligação profunda com
outros processos da vida em sociedade, como a cultura, a economia e a política. Segundo Freire, a
educação deve promover a libertação, a melhoria da realidade para torná-la mais humana. Freire atesta
que “assumirmo-nos como sujeitos e objetos da história nos torna seres da decisão, da ruptura. Seres
éticos”. A educação move para o ser ético por sua natureza diretiva e política. Defender com rigor uma
posição ou preferência com estímulo e respeito a ideia contrária. FREIRE (2002)
A formação ética de Paulo Freire na educação acontece quando a escola, o professor, o aluno e a
sociedade lutam por uma educação transformadora, conscientizadora e dialógica. Um dos novos desafios
dos educadores na atualidade é uma ética para a diversidade, educar o ser humano para respeitar o
diferente e saber ouvir. Também é necessário que a sociedade respeite a coisa pública, aos professores e
aos alunos (FREIRE, 2000)
Saviani (2000-a) acredita que a educação institui o homem, e a mesma é a referência tanto para a
cidadania quanto para a ética. Ele diz que “o ato de produzir, direta ou intencionalmente, em cada
indivíduo singular, a humanidade que é produzida histórica e coletivamente pelo conjunto dos homens”.
A educação é uma atividade mediadora na práxis social, é um instrumento pelo qual o homem se
apropria da cultura historicamente acumulada. Nessa medicação, o homem tem a oportunidade de
assumir consciência ética de seus direitos e deveres sobre a sociedade e a compreensão dos limites no
exercício da cidadania.
O ser humano não surgiu de maneira isolada, ele surgiu de uma produção posterior, ou seja, a
relação com a natureza e com os próprios homens formando sua própria existência. Pois é através da
vida que o ser humano produz a si mesmo e se torna homem. Nesse processo está a origem da educação,
que esta extremamente ligada a origem do homem. Onde existe homem, existe a educação. (SAVIANI,
2000-b)
De acordo com Saviani (Op. Cit.), a ética e a moral estão conectadas a um elo de hábitus,
costumes e caráter adquiridos pelos homens na formação de sua existência. Nesse caso, a educação é
uma mediação pela qual os indivíduos se conscientizam de suas ações morais até elevá-las a ética.
Sendo assim, a ética pertence a um segundo plano de valores.
Na formação do jovem não há dúvida que a educação ética é uma exigência para a sua formação
intelectual. Atualmente vivemos numa crise ética que atinge todas as esferas das relações humanas,
políticas, sociais, econômicas e profissionais, se o comportamento ético é reclamado no exercício
profissional, portanto é necessário um conteúdo obrigatório (expresso ou implícito), interdisciplinar e
transversal, ou seja, docentes e discentes, dentro ou fora da sala de aula, precisam envolver sempre a
temática da ética com aquilo que está sendo estudado e entender que temas transversais com a ética são
essenciais para a formação plena dos cidadãos, sendo necessário ainda que se busque no cotidiano e nas
vivencias dos alunos os subsídios para o desenvolvimento dessa formação de cidadão ético, consciente
de seus direitos e deveres.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Atualmente nos deparamos com uma enxurrada de notícias sobre o desrespeito ao ser humano e
as regras da sociedade, podemos observar que existe uma crise de ética instalada na sociedade
contemporânea que tem minado os valores e a consciência do espaço e respeito pelo outro. Acredita-se
que o indivíduo que se encontra nessa condição de crise não teve uma formação educacional adequada e
ética dos conceitos mais relevantes da vida humana.
O processo educativo tem o papel fundamental para a mudança de compreensão e do
entendimento dos valores éticos, esse processo tem a capacidade de formar o indivíduo intelectual e
moral. A educação ética desenvolve a criticidade e autonomia, além disso fortalece a consciência de
cidadania, tão importante para a constituição de uma sociedade democrática, solidária e justa. Na escola,
o ser humano obtêm referências para suas ações da vida em comunidade, nesse ambiente que o
indivíduo se apropria dos conteúdos e da cultura historicamente acumulada e, através dessa mediação
ele tem a possibilidade de entender a consciência ética e seus deveres e limites da vida em sociedade.
A filosofia faz um elo de ligação entre o homem e sua existência e os valores éticos e morais
necessários para a formação intelectual. Nesse sentido, a educação deve proporcionar a mediação social
entre indivíduo e consciência ética. Essa consciência só será produzida na convivência com outros
indivíduos e na práxis educativa em sala de aula.
Sabemos também que a filosofia é de suma importância em proporcionar ao aluno a arte de
refletir e questionar, pois isso se torna tão importante esse momento em sala de aula. A filosofia pode ser
compreendida como uma disciplina capaz de contribuir de forma essencial para o entendimento de
outras disciplinas, como para a compreensão do que é cidadania. Desta forma, a filosofia deve ir ser
inserida em sala de aula com o papel de instigar o aluno a pensar e descobrir novos conceitos.
Cabe ao educador, trabalhar o questionamento e a formação filosófica, afim de criar a
sensibilidade para o entendimento da visão de mundo que só a educação pode proporcionar ao aluno.
Sabe-se que não é uma tarefa fácil, pois as crianças e jovens dessa geração relutam a pensar e refletir,
mas esse é nosso grande desafio. O profissional da educação deve garantir com muita competência, o
domínio dos conteúdos e a habilidade de interação nas diferentes situações do ambiente escolar. Dessa
forma, a educação será um instrumento pedagógico importantíssimo para enfrentar as crises da
modernidade, favorecendo a formação crítica do aluno e a compreensão da responsabilidade cidadã.
Conforme se destacou ao longo do estudo empreendido, a crise ética na pós-modernidade precisa
ser retratada pelos profissionais da educação como intervenção do processo educativo, para uma
sociedade mais justa e solidária de forma a preparar os jovens para a vida. Essa crise ética instalada na
sociedade contemporânea tem minado os valores e a consciência do espaço e do respeito pelo outro.
Acredita-se que os indivíduos que se encontra nessa condição de crise não teve a formação educacional
adequada e ética dos conceitos mais relevantes da vida humana.
No entendimento dos autores trabalhados neste texto a formação ética acontece quando a
sociedade e o sistema educacional, ou seja, professores e alunos, em geral lutam juntos para uma
educação transformadora, conscientizadora e dialógica; desenvolvendo a criticidade e a autonomia, e
assumindo uma consciência ética de seus direitos e deveres; compreendendo assim seus limites para
exercer a cidadania de forma crítica e democrática.
Este é, enfim o trabalho que se apresenta nessa pesquisa de onde se pode inferir que os valores
éticos e as relações humanas no processo educativo se evidenciam em todos os momentos e em cada
atitude do relacionamento humano.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BITTAR, E. C. B. O direito na pós-modernidade: e reflexões frankfurtianas. 2. ed. rev., atual. e


ampl. São Paulo: Forense Universitária, 2009.
CUNHA, Helvécio Damis de Oliveira. A crise ética na pós-modernidade e seus reflexos sobre a
educação jurídica. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, XV, n. 100, maio 2012. Disponível em:
<http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php/?
n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11655&revista_caderno=13>. Acesso em nov 2014.
FREIRE, Paulo. A Educação na Cidade. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2000.
_______. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 43. ed., São Paulo: Paz
e Terra, 2011. 
______. Pedagogia da esperança: um reencontro com a Pedagogia do oprimido. 9. ed. Rio de Janeiro:
Paz e Terra, 2002.
______. Educação como prática da liberdade. 25ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2001c.
JAEGER, Werner (1986). Paideia. São Paulo: Forense Universitária, 2009.
KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. Tradução de Antônio Pinto de
Carvalho. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2008.
KANT, Immanuel. Sobre a Pedagogia. Tradução de Francisco Cock Fontanella. 3.ª Ed. Piracicaba:
Editora UNIMEP, 2002.
SAVIANI, D. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. 7. ed. Campinas: Autores
Associados, 2000-a.
SAVIANI, D. Educação: do senso comum à consciência filosófica. 13. ed. Campinas:, Autores
Associados, 2000-b.

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