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FATORES DETERMINANTES NA ORGANIZAÇÃO

CURRICULAR

CARLA MARIA PINTO GONÇALVES DOS SANTOS


Universidade Estácio de Sá (EAD)
carlarico1m@hotmail.com

Resumo

Este estudo tem por objetivo investigar o fator cultural e sua influencia
organizacional curricular escolar e os processos democráticos construídos,
instituídos e vivenciados nessa organização. Analisar os processos democráticos
na gestão escolar, numa perspectiva cultural, possibilita uma ação-reflexão-ação
sobre fatores que ajudam a determinar organização curricular escolar, sobretudo
acerca da resistência ou adesão à mudança vivenciada nas unidades educativas.
O trabalho busca compreender os fenômenos culturais provocados pela
modernidade e suas influências curriculares no âmbito escolar, suas reais
colaborações para o ensino formador e informador de saberes dialogado por quem
faz a escola. Mas é um grande abismo difícil de transpor entre as experiências que
se deve ter, em virtude da velocidade ao qual o conhecimento se propaga pelo
tempo-espaço que percorre a própria modernidade.
Não se pode continuar em um modelo educacional que se omita face à diversidade
sócio–cultural da sociedade e aos preconceitos e estereótipos a ela relacionados.          
A cultura organizacional escolar, não como fator determinante, mas como uma
ferramenta, pode viabilizar os processos democráticos na gestão escolar, na
medida em que os símbolos, mitos, valores, crenças, pressupostos, narrativas,
normas e regras forem reconstituídos, reelaborados e ressignificados, promovendo
uma práxis educativa – verdadeiramente – participativa e democrática. “A cultura
constitui a base e o fundamento de qualquer mudança no interior da organização”
(TEIXEIRA, 2002, p. 29).

Palavras-chave: Escola. Currículo. Organização escolar. Cultura.

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Os entendimentos culturais aceitam os saberes para a aplicação dos conteúdos
formalizados pela escola, respeitando o senso comum, a escola precisa ir além e
buscar refletir e compreendendo sobre o senso comum e sobre o próprio saber
acadêmico, sua legitimidade e suas fronteiras.

Os saberes que os alunos trazem de suas experiências são mediados por esferas
como tradição, o senso comum, o mercado e a mídia. Eles são interpretações
possíveis da realidade, leituras localizadas e não sem interesse. É importante
considerar os saberes do aluno, frutos das tradições e do senso comum, não deve
ser negado nas aulas, mas que com eles começa o processo de mediação dos
significados. (DAÓLIO, 2010).
O currículo reflete intenções (objetivos) e ações (conhecimentos, procedimentos,
valores, formas de gestão, de avaliação etc.), tornadas realidade pelo trabalho dos
professores e sob determinadas condições providas pela organização escolar,
tendo em vista a melhor qualidade do processo de ensino aprendizagem.
( Libâneo,2008)
O currículo, a cultura e a sociedade fora da escola, lidam entre os saberes e a
cultura herdada, também com seus aprendizados para com os alunos e o
crescimento da modernidade, suas influencias no âmbito escolar e social. Entre a
hipótese  e a práxis, logo a responsabilidade ao currículo, vem dada pelo
atrelamento desses conhecimentos formais e informais para contemplar as
necessidades dos componentes sociais personificando a escola, a palavra
curriculum vem do latim e significa curso, percurso, carreira, o que ocorre no curso
e no percurso. Tradicionalmente currículo vem sendo associado ao conjunto de
matérias, disciplinas, atividades de um determinado curso.
O valor do Currículo está na possibilidade "de mostrar ao mestre os caminhos
abertos à criança para o verdadeiro, o belo e o bom", permitindo, a esse mesmo
mestre, determinar o ambiente, o meio necessário para o desenvolvimento do
educando e, assim "dirigir indiretamente a sua atividade mental", porquanto,
segundo ele, "tudo afinal se resume na atividade em que entra a inteligência
reagindo ao que lhe é externamente apresentado" (Traldi, 1984).

A identificação tradicional do currículo, é que o mesmo constitui-se de uma


quantidade de disciplinas aplicada na escola, aos seus aprendizes, para  que  no 

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final  de  cada  trimestre, semestre ou ano, diante das avaliações determinada pelo 
calendário administrativo escolar o estudante, venha alcançar as determinações
feitas para a  retenção, avanço ou conclusão do curso onde esta inserido. ( Alves,
2004, p, 24).

A escola necessita seguir padrões de disciplinas e diferenciadores, para executar


sua função, a forma mais sutil é a organização e aplicação curricular na escola.
Tradicionalmente, é assim que é entendido a criação curricular: como um Processo
de elaboração de um documento formal  que posteriormente será implementado
nas escolas. Normalmente, a vivência curricular das unidades de ensino em todo o
País, através Ministério da Educação, e estabelecida  pela  legislação  vigente, são
os  elementos  curriculares   a serem vivenciados nas unidades de ensino da
nação. Conhecida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, L.D.B.E.N.
A  vigente  no  Brasil  é  a L.D.B.E. N, nº9.394 de 20 de dezembro de 1996, onde
no artigo 26, determina.
Nos Parâmetros Curriculares Nacionais que falam sobre os temas transversais,
dando destaque à pluralidade cultural, na qual enfatiza que:
[...] a educação escolar deve considerar a diversidade dos alunos como elemento
essencial a ser tratado para a melhoria da qualidade de ensino aprendizagem. A
escola ao considerar a diversidade, tem como valor máximo o respeito às
diferenças - não o elogio a desigualdade. As diferenças não são obstáculos para o
cumprimento da ação educativa, podem e devem, portanto, ser fator de
enriquecimento. (p.96-97). No Brasil, essas diferentes culturas são vistas a todo o
momento, por isso é importante aprendermos conviver e entender os valores do
outro, mas para que isso aconteça, a transformação do currículo é fundamental,
tem que valorizar as culturas de cada um e adaptá-lo a sociedade local,
respeitando as diversidades políticas, linguísticas e culturais.

De acordo com Santomé (1998, p.135):

Uma instituição escolar que não conseguir vincular essa cultura juvenil que os
jovens vivem tão apaixonadamente em seu ambiente, em suafamília, com seus
amigos e amigas, etc., com as disciplinas mais acadêmicas do currículo, está
deixando de cumprir um objetivo assumido por todo mundo, que é o de ligar as
instituições escolares ao ambiente, como única maneira de ajudar os estudantes a

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melhorar a compreensão de suas realidades e a comprometer-se com sua
transformação.

Conhecer novos hábitos e costumes, é de suma importância para a socialização do


indivíduo, é na escola que se inicia o trabalho da vida social, na qual o professor
tem um grande desafio de preparar o aluno para o mundo, educando-o para a
convivência em diferentes culturas, costumes, crenças, valores, raças, respeitando
a diversidade.

Desde a década de 1980, observa-se um movimento de renovação nas teorias que


fornecem base à análise das organizações, com crescente interesse de teóricos e
administradores pelo tema da cultura organizacional. A noção de cultura
organizacional, ao oferecer uma visão mais integrada das organizações, vem se
impondo rapidamente, ao evidenciar a abordagem simbólica como alternativa que
permite recolocar o fator humano nas organizações (TEIXEIRA, 2002).
A cultura tem se tornado uma mercadoria, cujo vinculo se caracteriza, ou melhor,
se dramatiza pelas conjunturas de classe. Respeitando a dinâmica social e sem
acreditar em uma autenticidade da mesma se presumindo um padrão que se
estabeleceu hegemonicamente pelo processo de colonização eurocêntrica, adotou
uma configuração "global".
A escola dentro de seu processo educativo tenta "digerir", as diversas variações
locais para significa-las e ressignifica-las para o organismo de um "eu"
mundializado. Tais redes simbólicas não devem ser absolutas obedecendo ao
movimento "igualitário".
A educação não pode se limitar em suas heranças culturais, para que também
compreenda os avanços aos quais se expõem e assim venha colaborar para a
superação de seus paradigmas de modo consciente, democrático e critico.

"A educação na sociedade moderna não pode consistir


apenas na transmissão da tradição para gerações
futuras. Precisa fazer uma leitura crítica dos elementos
da tradição e sua ressignificação como processo
educativo." (DAÓLIO, 2010).

A educação é um fator a ser construído pelo seu próprio povo, para que possa ter
sentido e significado, e talvez assim se faça valer um ensino com respeito a

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história, as tradições e que não se enraíze no passado, mais utilize – o para as
transformações voláteis ao qual o mundo se direciona, para entender o processo
de industrialização de condutas provocadas por atender ao mercado de consumo e
suas consequências para combater a alienação através da conscientização e
valoração da identidade local, observando as dinâmicas da "modernidade líquida",
para o construto de uma mente crítica a serviço do exercício da cidadania, para um
fazer social que condicione a melhor maneira de dialogar com a realidade seja ela
em suas micro ou macropoliticas para a flexibilização de um ensino para a
liberdade, autonomia... pois todas as formas solidas de edificação de
conhecimento, tendem a derreter para adquirir novas formas.
Perceber em vez de olhar apenas a cultura é mais uma das maneiras de estruturar
os saberes locais para a discussão global e mundial sobre os acontecimentos
educativos.

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REFERÊNCIAS:

ALVES,N.2002. Formação de Professores: pensar e faze.7ª ed. São Paulo. Cortez.

BRASILIA. Lei  de  Diretrizes   e   Bases   da   Educação   Nacional   Nª 9394   de 
20  de dezembro 1996.

BRASILIA.  2006. Ministério da Educação. Secretaria Especial de Direitos


Humanos. Plano Nacional de Direitos Humanos. Versão preliminar.

DAÓLIO, jocimar Educação Física Escolar: Olhares A Partir Da Cultura ·


AUTORES ASSOCIADOS Ano: 2010 / 1° Edição

LIBÂNEO, José Carlos. Organização e gestão da escola: teoria e prática. 5.ed.,


ver.amp. Goiânia: MF Livros, 2008.

SANTOMÉ, Jurgo Torres. Globalização e Interdisciplinaridade: O currículo


Integrado. Porto Alegre. Artmed, 1998, p.135.

TEIXEIRA, Lucia Helena G. Cultura Organizacional da escola: uma perspectiva de


análise e conhecimento da unidade escolar. Campinas, SP: Autores Associados,
2000.

TRALDI, Lady Lina. Currículo. São Paulo: Atlas, 1984.

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