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Ana Rita e Carolina Gomes - Turma 8 – 09/15

TEMA 11

SÍNDROMAS DIGESTIVOS FUNCIONAIS

Definição

Doenças funcionais digestivas:


Combinação variável de sintomatologias gastrointestinais crónicas e/ou recorrentes, não explicadas
por anormalidades estruturais ou bioquímicas

Podem estar presentes ao nível do esófago, estômago (dispepsia) e ano-rectal.

SÍNDROME INTESTINO IRRITÁVEL

Doença gastrointestinal crónica e recorrente caracterizada por dor abdominal, sensação de distenção
e alterações dos hábitos intestinais.

É um distúrbio biopsicossocial no qual se interrelacionam fatores biopsicossociais, de motilidade e


sensibilidade intestinal. Os doentes descrevem que sentem a distensão e contração do intestino.

Perturba a qualidade de vida, a função social e a utilização dos serviços de saúde.

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Apresenta custos elevados (2/3 são indiretos) por ex: com médias de 13 dias/ano perdidos no trabalho
ou escola para os doentes com SII vs 4 dias/ano para indivíduos «normais» nos EUA (Drossman et al.,
1993).

Um estudo mais recente (M. Delvaux 2003 - Perturbações funcionais do intestino e SCI na Europa)
relata que na Alemanha num estudo feito em 200 doentes chegou-se à conclusão de que em média
são gastos quase 1000 € em custos diretos e indiretos com o SCI.

O custo direto anual para o SCI ronda os $41 milhões nos 8 países mais industrializados (Camilleri et
al., 2000).

Estimativa de 2,4 a 3,5 milhões de consultas médicas por ano nos EUA, com 2,2 milhões de prescrições
de medicamentos e realização de exames complementares de diagnóstico não necessários
inclusivamente cirurgias.

É o principal motivo de consulta dos gastrenterologistas.

A patologia do SCI altera muito a qualidade de vida dos doentes, causando mais sofrimento do que se
poderia pensar!

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Epidemiologia

• Calcula-se que afete 3.6 a 21.8% da população, com uma média de 11%.

• Em todos os estudos, verificou-se que as mulheres sofrem duas ou mais vezes deste síndrome
que os homens.

• Sintomas surgem nos adultos jovens, 30-50 anos, com uma reduzida prevalência nos idosos.

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Manning elaborou as primeiras definições da patologia, de tal forma que os primeiros critérios de
diagnóstico se denominaram Critérios de Manning.

SII: Critérios de Manning

1. Dor aliviada com a defecação.

2. Início da dor com frequência > de defecação.

3. Início da dor associado com fezes mais moles.

4. Distensão abdominal visível.

5. Saída de muco pelo reto.

6. Sensação de evacuação incompleta.

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Ocorre excesso de reatividade do reflexo gastro-cólico desencadeando diarreia após a refeição, de tal
modo que pode nem ter tempo de acabar de comer. Deste modo, um componente do tratamento é a
prevenção da distensão gástrica através de refeições de pequeno volume e com ingestão lenta e
evicção de coca-cola.

Numa reunião internacional em Roma, estabeleceu-se um consenso para o diagnóstico de patologias


gastrointestinais entre as quais o SCI. Estes critérios ficaram conhecidos como Critérios de Roma II.
Foram lançados oficialmente e já disponíveis para compra via net os Critérios de Roma III.

SCI: Critérios de Roma III

Dor ou desconforto abdominal pelo menos 3 x mês durante últimos 3 meses (não é necessário que
sejam consecutivos no ano anterior) e com pelo menos 2 das 3 características seguintes:

1. Alívio com a defecação

2. Início associado com alteração nos hábitos intestinais

3. Início associado com alteração nas características das fezes

Sintomas

O SCI é uma alteração da motilidade do tubo digestivo caracterizada clinicamente por anormalidades
do hábito intestinal (obstipação e/ou diarreia) e dor abdominal, na ausência de patologia orgânica
demonstrável.

Esta é a sintomatologia chave do SCI, é através desta que a identificação do SCI se tem feito.

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Sub-grupos de doentes

SII com predomínio de diarreia

– > 3 dejecções / dia

– Fezes líquidas ou moles

– Urgência de defecação

• SII com predomínio de obstipação

– < 3 dejecções / semana

– Fezes duras ou cíbalos

– Dificuldade defecatória

• Existem diferenças nas alterações encontradas nos estudos de fisiopatologia entre doentes
com SII associado a diarreia e os doentes com SII associado a obstipação

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Apesar destas associações, não é um síndrome psicológico, é uma alteração motora.

Não é claro até que ponto os sintomas de SII representam uma perceção normal de função anormal
ou perceção anormal de função normal.

Ford MJ. The irritable bowel syndrome. J Psycosomat Med 1986;30:399-410

Time Line of Physiologic Research in IBS

The focus of research on the pathophysiology of IBS has evolved over the last 40 years. In the 1950’s, enhanced
gut motility was thought to be the basis for IBS, and research addressed the effects of experimental stress,
meals, peptides, pain and other stimuli on the motor response of the colon. In the mid 1970’s, interest focused
on possible abnormal myoelectric markers (3 cycle/min) as a basis for the enhanced motor reactivity of the
colon, but later work did not support this hypothesis. Beginning in the early 1970’s, but progressing rapidly in
the 1990’s were theories that visceral hyperalgesia independent of enhanced motility explain the painful

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symptoms of IBS. Most recently, a more integrated model of brain-gut interaction proposes that enhanced
motility, abnormal sensation, and autonomic reactivity are modulated by central nervous system-enteric
nervous system interaction: the brain-gut axis. The next few slides review key physiologic studies in IBS from
the early 1950’s until the present day.

Eixo intestino-cérebro

Alterações na resposta cerebral aos estímulos viscerais

Ansiedade e/ou stress aumentam a perceção da dor visceral

Modulação anormal das respostas centrais

Regional Cerebral Activation -PET Scan

Positron Emission Tomography (PET) is anew technique to measure regional activity in the brain as determined
by increased vascular perfusion. In this study, the authors studied whether there were regional differences in
brain activity between normal subjects and patients with IBS in response to rectal distension. The presumption
is that IBS patients may have lower pain thresholds based on the differential activation of areas of the brain
involved with the modulation of the pain experience. As shown on the top portion of the slide, a normal subject
shows activation of distention, while the IBS patients does not. Furthermore, the patient with IBS shows

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activation of the prefrontal cortex either in response to rectal distention, or the anticipation of rectal distension,
while this area of the brain is not activated in the normal subject.

These finds will require further study and elaboration. However, the finds implicate differences in the way the
brains of the IBS patients function in response to visceral pain. The ACG, part of the limbic system, is a site of
opiate binding, and when activated, may help reduce sensory input. Furthermore, activation of the frontal lobes
appears to activate a vigilance network within the brain, which increases alertness. These two areas of the brain
appear to have reciprocal inhibitory associations. It is therefore possible that in patients with IBS, the
preferential activation of the prefrontal lobe, without activation of the ACG may represent a form of cerebral
dysfunction leading to the increased perception of visceral pain.

Fatores psicopatológicos

Prevalência de sintomas e doenças psiquiátricas:

– Ansiedade
– Depressão
– Fobias
– Comportamentos obcessivos
– Perturbações do sono
– Sentimentos hostis
– Ataques de pânico

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SII PÓS INFECIOSO

SII pós infecioso foi a descoberta mais recente nesta área nos últimos anos e concluiu-se que tinha
uma fisiopatologia diferente dos outros tipos.

Post-infection Gut Dysfunction – Study Summary

Both psychological and physiological factors influence the symptoms of IBS. In this prospective study, 94
consecutive patients with no prior bowel symptom history were hospitalized for acute gastroenteritis. They
received a battery of psychological tests (for anxiety, neuroticism, somatization, hypchondriasis) and rectal
biopsy to assess quantitatively the number of inflammatory cells. These patients were re-evaluated 3
months later, when it was found that 22 (23%) retained symptoms of pain and diarrhea (IBS+), while the
remaining group (no GI symptoms) had recovered. Evaluation at 3 months included repeat colonic biopsy
for inflammatory cell count, and measures of colonic function including rectal sensitivity (desire to
defecate), number of rectal contractions, whole gut transit time and rectal compliance. These two groups
were also compared physiologically to a control group without GI symptoms. It was found that: 1) the
retention of IBS like symptoms (based on Rome I criteria) were predicted by the presence of psychosocial
disturbance, particularly stressful life events and hypochondriasis at the time of the initial hospitalization, 2)
rectal hypersensitivity, motor hyper-reactivity and rapid colonic transit was abnormal relative to controls
but similar between the post-infectious IBS + group and the post-infectious group with no GI symptoms, and
3) at the 3-month assessment there were increased rectal inflammatory cells in the IBS+ group relative to
the post-infectious group with no GI symptoms or the controls. It was concluded that psychological factors
and persistent mucosal inflammation were associated with retention of IBS symptoms post-infection and
that physiological disturbances persist 3 months after the acute infection regardless of whether symptoms
are present or not.

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Are Psychological Disturbances the Same?

Because the high frequency of psychological disturbances is found in this selective sample of referred
patients with IBS, the question is whether the findings are generalizable to the larger population with IBS. In
other words, is the high frequency of psychological disturbances the same in those with IBS who don’t seek
health care?

Na verdade, existe uma ampliação acentuada dos estímulos normais.

O quadro piora em situações de ansiedade, uma vez que esta causa uma redução do limiar da dor.

Fundamental: boa relação médico/doente.

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Abordagem terapêutica

Nos últimos anos não têm surgido novas terapêuticas, pelo que o tratamento continua a ser feito
com buscopam.
Se for um jovem adulto sem alterações analíticas, antes de iniciar terapêutica devemos excluir
intolerância à lactose.
O médico deve tranquilizar o doente acerca da não progressão da patologia para algo mais grave, pe:
neoplasia. Contudo deve ser realista e informar que é uma doença crónica e sem tratamento eficaz.

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Meta-análise nos espasmolíticos

• 23 estudos (1888 doentes) cumpriram os critérios de inclusão


• Foram estudados 6 fármacos:
brometo de cimetropim, hioscina, mebeverina, brometo de otilónio, brometo de pinaverium,
trimebutina.
• Todos os fármacos foram analisados em conjunto e cada um deles separadamente
Poynard T, Regimbeau C, Benhamou Y , "Review: Smooth-muscle relaxants improve symptoms and reduce pain in the irritable bowel syndrome.", Alim
Pharmacol Ther 15, 355, 2001 and ACP journal Club, 135, 53, (sept/oct 2001)

EFEITOS SOBRE A MELHORIA GLOBAL


Resultados principais:
* Melhoria Global vs placebo:
¨ Todos fármacos 56 % vs 38 %
(49 % aumento do benefício relativo)
¨ Otilónio 97 % vs 34 %
(60 % aumento do benefício relativo)

“Todos os fármacos analisados em conjunto e cada fármaco analisado


isoladamente, excepto o Brometo de pinaverio, mostraram melhorar as
classificações dos sintomas”

Este estudo mostrou que o Brometo de Otilónio representa uma alternativa segura e eficaz no tratamento do
Síndrome do Cólon Irritável, sendo capaz de reduzir o seu sintoma principal (dor/desconforto abdominal).

Outras medicações:
no SII com diarreia – LOPERAMIDA, PSYLLIUM, PROBIÓTICOS (UL 250, VSL#3)
BENEFIBRA

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Resumo - Brometo de Otilónio

 BROMETO DE OTILÓNIO apresenta um mecanismo de acção original

 BROMETO DE OTILÓNIO actua local e selectivamente no cólon

 BROMETO DE OTILÓNIO é sempre mais eficaz que os produtos semelhantes (mebeverina,


pinaverium) e placebo em estudos clínicos controlados

 BROMETO DE OTILÓNIO apresenta o melhor índice terapêutico entre os vários


antiespasmódicos como se mostrou em meta-análises recentes

 Todos os doentes com SCI podem ser tratados com BROMETO DE OTILÓNIO de forma segura
e eficaz

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