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A estruturação da

personalidade
Cultura
Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas)
15 pag.

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INTRODUÇÃO

Neste trabalho mostra-se um pouco da teoria de Freud em relação a


personalidade, suas características, evolução, estruturas.

Pode-se ver que nem sempre a personalidade é normal, tendo assim as vezes
algumas anomalias, precisando de tratamentos específicos.

Tem –se uma idéia melhor, do que seria a personalidade de cada ser-humano,
como ela se desenvolve, em que período isso ocorre.

Notando que não somente Freud fez estudos da personalidade, mas assim
também como Carl Rogers e Lacan, os quais tinham diferentes teorias e idéias do que
seria a personalidade.

2. SIGMUND FREUD

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Nascido em 06 de maio de 1856, em Freiberg, na Morávia. Estudou em Viena.
Aluno de Brücke, o fisiologista. Formatura grau de médico, 1881. Aluno de Charcot em
Paris, 1885-6. Habilitação nomeação como Privatdozent, 1885. Trabalhou como médico
e Dozent na Universidade de Viena a partir de 1886. Indicado como Professor
Extraordinarius, 1897. Antes disso, Freud produziu textos sobre histologia e anatomia
cerebral e, subseqüentemente, trabalhos clínicos sobre neuropatologia; traduziu obras de
Charcot e Bernheim. Em 1884, “Über Coca” “Sobre a Coca”, artigo que apresentou a
cocaína à medicina. Em 1891, bar Auffassung der Aphasien Sobre a Interpretação das
Afasias. Em 1891 e 1893, monografias sobre as paralisias cerebrais infantis, que
culminaram em 1897 no volume sobre esse assunto no Handbuch de Nothnagel. Em
1895, Studien über Hysterie – Estudos sobre a Histeria (com o Dr. J. Breuer). Desde
então Freud voltou-se para o estudo das psiconeuroses, especialmente da histeria, e
numa série de trabalhos mais curtos enfatizou a importância etiológica da vida sexual
para as neuroses. Desenvolveu também uma nova psicoterapia da histeria, sobre a qual
muito pouca coisa tem sido publicada. Um livro, Die Traumdeutung – A Interpretação
dos Sonhos, está no prelo.

3. PERSONALIDADE

3.1. O QUE É PERSONALIDADE

Termo utilizado para designar a organização dinâmica do conjunto de sistemas


psicofísicos que determinam os ajustamentos do indivíduo ao meio em que vive. Possui
várias características:

É única, própria a um só indivíduo, ainda que este tenha traços comuns a outros
indivíduos.

É uma integração das diversas funções, e mesmo que esta integração não esteja
concretizada, existe uma tendência à integração que confere à personalidade o caráter
de centro organizador.

É temporal, pois é sempre a de um indivíduo que vive historicamente.

Não é estímulo nem resposta, mas uma variável intermediária que se afirma,
portanto, como um estilo pela conduta.

3.2. ESTRUTURA DA PERSONALIDADE

As observações de Freud revelaram uma série interminável de conflitos e


acordos psíquicos. A um instinto opunha-se outro. Eram proibições sociais que
bloqueavam pulsões biológicas e os modos de enfrentar situações freqüentemente
chocavam-se uns com os outros.

Ele tentou ordenar este caos aparente propondo três componentes básicos
estruturais da psique: o Id, o Ego e o Superego.

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3.2.1. O id

O Id contém tudo o que é herdado, que se acha presente no nascimento e está


presente na constituição, acima de tudo os instintos que se originam da organização
somática e encontram expressão psíquica sob formas que nos são desconhecidas. O Id é
a estrutura da personalidade original, básica e central do ser humano, exposta tanto às
exigências somáticas do corpo às exigências do ego e do superego.

As leis lógicas do pensamento não se aplicam ao Id, havendo assim, impulsos


contrários lado a lado, sem que um anule o outro, ou sem que um diminua o outro
(1933, livro 28, p. 94 na ed. bras.). O Id seria o reservatório de energia de toda O Id
pode ser associado a um cavalo cuja força é total, mas que depende do cavaleiro para
usar de modo adequado essa força. Os conteúdos do Id são quase todos inconscientes,
eles incluem configurações mentais que nunca se tornaram conscientes, assim como o
material que foi considerado inaceitável pela consciência. Um pensamento ou uma
lembrança, excluído da consciência mas localizado na área do Id, será capaz de
influenciar toda vida mental de uma pessoa a personalidade.

3.2.2. O ego

O Ego é a parte do aparelho psíquico que está em contato com a realidade


externa. O Ego se desenvolve a partir do Id, à medida que a pessoa vai tomando
consciência de sua própria identidade, vai aprendendo a aplacar as constantes
exigências do Id. Como a casca de uma árvore, o Ego protege o Id, mas extrai dele a
energia suficiente para suas realizações. Ele tem a tarefa de garantir a saúde, segurança
e sanidade da personalidade.

Uma das características principais do Ego é estabelecer a conexão entre a


percepção sensorial e a ação muscular, ou seja, comandar o movimento voluntário. Ele
tem a tarefa de auto-preservação. Com referência aos acontecimentos externos, o Ego
desempenha sua função dando conta dos estímulos externos, armazenando experiências
sobre eles na memória, evitando o excesso de estímulos internos (mediante a fuga),
lidando com estímulos moderados (através da adaptação) e aprendendo, através da
atividade, a produzir modificações com referência aos acontecimentos internos, ou seja,
em relação ao Id, o Ego desempenha a missão de obter controle sobre as exigências dos
instintos, decidindo se elas devem ou não ser satisfeitas, adiando essa satisfação para
ocasiões e circunstâncias mais favoráveis ou suprimindo inteiramente essas excitações.
O Ego considera as tensões produzidas pelos estímulos, coordena e conduz estas
tensões adequadamente. A elevação dessas tensões é, em geral, sentida como desprazer
e a sua redução como prazer. O ego se esforça pelo prazer e busca evitar o desprazer.

Assim sendo, o ego é originalmente criado pelo Id na tentativa de melhor


enfrentar as necessidades de reduzir a tensão e aumentar o prazer. Contudo, para fazer
isto, o Ego tem de controlar ou regular os impulsos do Id, de modo que a pessoa possa
buscar soluções mais adequadas, ainda que menos imediatas e mais realistas.

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3.2.3. O superego

Esta última estrutura da personalidade se desenvolve a partir do Ego. O


Superego atua como um juiz ou censor sobre as atividades e pensamentos do Ego, é o
depósito dos códigos morais, modelos de conduta e dos parâmetros que constituem as
inibições da personalidade. Freud descreve três funções do Superego: consciência, auto-
observação e formação de ideais.

Enquanto consciência pessoal, o Superego age tanto para restringir, proibir ou


julgar a atividade consciente, porém, ele também pode agir inconscientemente. As
restrições inconscientes são indiretas e podem aparecer sob a forma de compulsões ou
proibições.

O Superego tem a capacidade de avaliar as atividades da pessoa, ou seja, da


auto-observação, independentemente das pulsões do Id para tensão-redução e
independentemente do Ego, que também está envolvido na satisfação das necessidades.
A formação de ideais do Superego está ligada a seu próprio desenvolvimento. O
Superego de uma criança é, com efeito, construído segundo o modelo não de seus pais,
mas do Superego de seus pais; os conteúdos que ele encerra são os mesmos e torna-se
veículo da tradição e de todos os duradouros julgamentos de valores que dessa forma se
transmitiram de geração em geração.

3.3. RELAÇÕES ENTRE OS TRÊS SUBSISTEMAS

A meta fundamental da psique é manter e recuperar, quando perdido, um nível


aceitável de equilíbrio dinâmico que maximiza o prazer e minimiza o desprazer. A
energia que é usada para acionar o sistema nasce no Id, que é de natureza primitiva,
instintiva. 0 ego, emergindo do id, existe para lidar realisticamente com as pulsões
básicas do id e também age como mediador entre as forças que operam no Id e no
Superego e as exigências da realidade externa. O superego, emergindo do ego, atua
como um freio moral ou força contrária aos interesses práticos do ego. Ele fixa uma
série de normas que definem e limitam a flexibilidade deste último.

O id é inteiramente inconsciente, o ego e o superego o são em parte. Grande


parte do ego e do superego pode permanecer inconsciente e é normalmente
inconsciente. Isto é, a pessoa nada sabe dos conteúdos dos mesmos e é necessário
despender esforços para torná-los conscientes.

4. OBSTÁCULOS AO CRESCIMENTO

4.1. ANSIEDADE

Para Freud, o principal problema da psique é encontrar maneiras de enfrentar a


ansiedade. Esta é provocada por um aumento, esperado ou previsto, da tensão ou
desprezar, podendo se desenvolver em qualquer situação (real ou imaginada), quando a

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ameaça a alguma parte do corpo ou da psique é muito grande para ser ignorada,
dominada ou descarregada.

As situações prototípicas que causam ansiedade incluem as seguintes:

Perda de um objeto desejado. Por exemplo, uma criança privada de um dos pais,
de um amigo íntimo ou de um animal de estimação.

Perda de amor. A rejeição ou o fracasso em reconquistar o amor, por exemplo,


ou a desaprovação de alguém que lhe importa.

Perda de identidade. É o caso, por exemplo, daquilo que Freud chama de medo
de castração, da perda de prestígio, de ser ridicularizado em público.

Perda de auto-estima. Por exemplo a desaprovação do superego por atos ou


trações que resultam em culpa ou ódio em relação a si mesmo.

A ameaça desses ou de outros eventos causa ansiedade e haveria, segundo Freud,


dois modos de diminuir a ansiedade. O primeiro modo seria lidando diretamente com a
situação. Resolvemos problemas, superamos obstáculos, enfrentamos ou fugimos de
ameaças, e chegamos a termo de um problema a fim de minimizar seu impacto. Desta
forma, lutamos para eliminar dificuldades e diminuir probabilidades de sua repetição,
reduzindo, assim, as perspectivas de ansiedade adicional no futuro.

A outra forma de defesa contra a ansiedade deforma ou nega a própria situação.


O Ego protege a personalidade contra a ameaça, falsificando a natureza desta. Os
modos pelos quais se dão as distorções são denominados Mecanismos de Defesa.

4.2. MECANISMOS DE DEFESA

Os principais Mecanismos de Defesa psicológicos descritos são: repressão,


negação, racionalização, formação reativa, isolamento, projeção, regressão e
sublimação (Anna Freud, 1936; Fenichel, 1945). Todos estes mecanismos podem ser
encontrados em indivíduos saudáveis, e sua presença excessiva é, via de regra,
indicação de possíveis sintomas neuróticos.

A presença dos mecanismos é freqüente em indivíduos saudáveis, mas, em


excesso é indicação de sintomas neuróticos ou, em alguns casos extremos, o excesso
indicaria até sintomas psicóticos, e principalmente, o excesso dos mecanismos de
projeção, negação da realidade e clivagem do ego.

4.2.1. Repressão

A repressão afasta da consciência um evento, idéia ou percepção potencialmente


provocadoras de ansiedade e impede, dessa forma, qualquer “manipulação” possível
desse material.

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Segundo Freud, a repressão nunca é realizada de uma vez por todas e
definitivamente, mas exige um continuado consumo de energia para se manter o
material reprimido. Para ele os sintomas histéricos com freqüência têm sua origem em
alguma antiga repressão. Algumas doenças psicossomáticas, tais como asma, artrite e
úlcera, também poderiam estar relacionadas com a repressão.

4.2.2. Negação

Negação é a tentativa de não aceitar na consciência algum fato que perturba o


Ego. Os adultos têm a tendência de fantasiar que certos acontecimentos não são, de fato,
do jeito que são, ou que na verdade nunca aconteceram. Este vôo de fantasia pode tomar
várias formas, algumas das quais parecem absurdas ao observador objetivo.

Para exemplificar a Negação, Freud citou Darwin, que em sua autobiografia


dizia obedecer a uma regra de ouro: sempre que eu deparava com um fato publicado,
uma nova observação ou pensamento, que se opunha aos meus resultados gerais, eu
imediatamente anotava isso sem errar, porque a experiência me ensinou que tais fatos e
pensamentos fogem da memória com muito maior facilidade que os fatos que nos são
totalmente favoráveis.

4.2.3. Racionalização

Racionalização é o processo de achar motivos lógicos e racionais aceitáveis para


pensamentos e ações inaceitáveis.

Racionalização é um modo de aceitar a pressão do Superego, de disfarçar


verdadeiros motivos, de tornar o inaceitável mais aceitável. Enquanto obstáculo ao
crescimento, a Racionalização impede a pessoa de aceitar e de trabalhar com as forças
motivadoras genuínas, apesar de menos recomendáveis.

4.2.4. Formação reativa

Esse mecanismo substitui comportamentos e sentimentos que são


diametralmente opostos ao desejo real. Trata-se de uma inversão clara e, em geral,
inconsciente do verdadeiro desejo. Como outros mecanismos de defesa, as formações
reativas são desenvolvidas, em primeiro lugar, na infância.

Através da Formação Reativa, alguns pais são incapazes de admitir um certo


ressentimento em relação aos filhos, acabam interferindo exageradamente em suas
vidas, sob o pretexto de estarem preocupados com seu bem-estar e segurança. Nesses
casos a superproteção é, na verdade, uma forma de punição. O esposo pleno de raiva
contra sua esposa pode manifestar sua Formação Reativa tratando-a com formalidade
exagerada: “não é querida…” A Formação Reativa oculta partes da personalidade e
restringe a capacidade de uma pessoa responder a eventos e, dessa forma, a
personalidade pode tornar-se relativamente inflexível.

4.2.5. Projeção

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É um mecanismo de defesa através do qual os aspectos da personalidade de um
indivíduo são deslocados de dentro deste para o meio externo.

A ameaça é tratada como se fosse uma força externa. A pessoa com projeção
pode, então, lidar com sentimentos reais, mas sem admitir ou estar consciente do fato de
que a idéia ou comportamento temido é dela mesma.

Sempre que caracterizamos algo de fora de nós como sendo mau, perigoso,
pervertido, imoral e assim por diante, sem reconhecermos que essas características
podem também ser verdadeiras para nós, é provável que estejamos projetando.

Pesquisas relativas à dinâmica do preconceito mostraram que as pessoas que


tendem a estereotipar outras também revelam pouca percepção de seus próprios
sentimentos.

4.2.6. Regressão

Regressão é um retorno a um nível de desenvolvimento anterior ou a um modo


de expressão mais simples ou mais infantil. É um modo de aliviar a ansiedade
escapando do pensamento realístico para comportamentos que, em anos anteriores,
reduziram a ansiedade. Linus, nas estórias em quadrinhos de Charley Brown, sempre
volta a um espaço psicológico seguro quando está sob tensão. Ele se sente seguro
quando agarra seu cobertor, tal como faria ou fazia quando bebê.

A regressão é um modo de defesa bastante primitivo e, embora reduza a tensão,


freqüentemente deixa sem solução a fonte de ansiedade original.

4.2.7. Sublimação

A energia associada a impulsos e instintos socialmente e pessoalmente


constrangedores é, na impossibilidade de realização destes, canalizada para atividades
socialmente reconhecidas. A frustração de um relacionamento afetivo e sexual mal
resolvido, por exemplo, é sublimado na paixão pela leitura ou pela arte.

4.2.8. Deslocamento

É o mecanismo psicológico de defesa onde a pessoa substitui a finalidade inicial


de uma pulsão por outra diferente e socialmente mais aceita. Durante uma discussão,
por exemplo, a pessoa tem um forte impulso em socar o outro, entretanto, acaba
deslocando tal impulso para um copo, o qual atira ao chão.

5. CONSCIENTE, PRÉ-CONSCIENTE E INCONSCIENTE

Freud inicia seu pensamento teórico assumindo que não há nenhuma


descontinuidade na vida mental. Ele afirmou que nada ocorre ao acaso e muito menos
os processos mentais. Há uma causa para cada pensamento, para cada memória
revivida, sentimento ou ação.

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Cada evento mental é causado pela intenção consciente ou inconsciente e é
determinado pelos fatos que o precederam. Uma vez que alguns eventos mentais
“parecem” ocorrer espontaneamente, Freud começou a procurar e descrever os elos
ocultos que ligavam um evento consciente a outro. O Consciente, Pré-Consciente e
Inconsciente.

5.1. CONSCIENTE

Segundo Freud, o consciente é somente uma pequena parte da mente, incluindo


tudo do que estamos cientes num dado momento. O interesse de Freud era muito maior
com relação às áreas da consciência menos expostas e exploradas, que ele denominava
Pré-Consciente e Inconsciente.

Inconsciente. A premissa inicial de Freud era de que há conexões entre todos os


eventos mentais e quando um pensamento ou sentimento parece não estar relacionado
aos pensamentos e sentimentos que o precedem, as conexões estariam no inconsciente.
Uma vez que estes elos inconscientes são descobertos, a aparente descontinuidade está
resolvida. Denominamos um processo psíquico inconsciente, cuja existência somos
obrigados a supor – devido a um motivo tal que inferimos a partir de seus efeitos – mas
do qual nada sabemos.

5.2. INCONSCIENTE

No inconsciente estão elementos instintivos não acessíveis à consciência. Além


disso, há também material que foi excluído da consciência, censurado e reprimido. Este
material não é esquecido nem perdido mas não é permitido ser lembrado. O pensamento
ou a memória ainda afetam a consciência, mas apenas indiretamente.

O inconsciente, por sua vez, não é apático e inerte, havendo uma vivacidade e
imediatismo em seu material. Memórias muito antigas quando liberadas à consciência,
podem mostrar que não perderam nada de sua força emocional. Aprendemos pela
experiência que os processos mentais inconscientes são em si mesmos intemporais. Isto
significa em primeiro lugar que não são ordenados temporalmente, que o tempo de
modo algum os altera, e que a idéia de tempo não lhes pode ser aplicada . Assim sendo,
para Freud a maior parte da consciência é inconsciente. Ali estão os principais
determinantes da personalidade, as fontes da energia psíquica, as pulsões e os instintos.

5.3. PRÉ-CONSCIENTE

Estritamente falando, o Pré-Consciente é uma parte do Inconsciente, uma parte


que pode tornar-se consciente com facilidade. As porções da memória que nos são
facilmente acessíveis fazem parte do Pré-Consciente. Estas podem incluir lembranças
de ontem, o segundo nome, as ruas onde moramos, certas datas comemorativas, nossos
alimentos prediletos, o cheiro de certos perfumes e uma grande quantidade de outras
experiências passadas. O Pré-Consciente é como uma vasta área de posse das
lembranças de que a consciência precisa para desempenhar suas funções.

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6. PULSÕES OU INSTINTOS

Instintos são pressões que dirigem um organismo para determinados fins


particulares. Quando Freud usa o termo, ele não se refere aos complexos padrões de
comportamento herdados dos animais inferiores, mas aos seus equivalentes humanos.
Freud reconhecia os aspectos físicos dos instintos como necessidades, enquanto
denominava seus aspectos mentais de desejos. Os instintos são as forças propulsoras
que incitam as pessoas à ação.

Todo instinto tem quatro componentes: uma fonte, uma finalidade, uma pressão
e um objeto. A fonte é quando emerge uma necessidade, podendo ser uma parte ou todo
corpo. A finalidade é reduzir essa necessidade até que nenhuma ação seja mais
necessária, é dar ao organismo a satisfação que ele deseja no momento. A pressão é a
quantidade de energia ou força que é usada para satisfazer o instinto e é determinada
pela intensidade ou urgência da necessidade subjacente. O objeto de um instinto é
qualquer coisa, ação ou expressão que permite a satisfação da finalidade original.

Enquanto as reações iniciais de busca podem ser instintivas, o ponto crítico a ser
lembrado é que há a possibilidade de satisfazer o instinto de várias maneiras. A
capacidade de satisfazer necessidades nos animais é via de regra limitada a um padrão
de comportamento estereotipado de cada espécie. Os instintos humanos servem apenas
para iniciar a ação. Mas esta, por sua vez, não é predeterminada pela biologia de nossa
espécie e nem se caracteriza sempre numa determinada ação particular.

O número de soluções possíveis para um ser humano satisfazer uma finalidade


instintiva é uma soma de sua necessidade biológica inicial, mais seu desejo mental (que
pode ou não ser consciente) e mais uma grande quantidade de idéias anteriores, hábitos
e opções disponíveis.

Freud assume que o modelo mental e comportamental normal e saudável tem a


finalidade de reduzir a tensão a níveis previamente aceitáveis. As tensões são resolvidas
pela volta do corpo ao nível de equilíbrio que existia antes da necessidade emergir.

Ao examinar analiticamente um determinado comportamento, Freud


considerava que a pessoa procurava satisfazer, por essa atividade, suas pulsões
psicofísicas subjacentes. Se observarmos pessoas comendo, supomos que elas estão
satisfazendo sua fome, da mesma forma como se estão chorando será provável que algo
as perturbou. O trabalho analítico envolve a procura das causas dos pensamentos e
comportamentos, de modo que se possa lidar de forma mais adequada com uma
necessidade que está sendo imperfeitamente satisfeita por um pensamento ou
comportamento particular.

Embora seja possível catalogar uma série ampla de instintos, Freud tentou
reduzir esta diversidade a alguns instintos que chamou de básicos.

6.1. INSTINTOS BÁSICOS

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Num primeiro momento Freud descreveu duas forças instintivas opostas, a
sexual (erótica ou fisicamente gratificante) e a agressiva ou destrutiva. Suas últimas
descrições, mais globais, encararam essas forças ou como mantenedoras da vida ou
como incitadoras da morte. Essas formulações supõem dois conflitos instintivos
básicos, biológicos, contínuos e não-resolvidos. Tal antagonismo básico não costuma
ser visível ou consciente, e a maioria de nossos pensamentos e ações é evocada por
estas ambas forças instintivas em combinação.

Freud impressionou-se com a diversidade e complexidade do comportamento


que emerge da fusão das pulsões básicas.

7. FASES DE DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE

Freud concebia o processo de desenvolvimento da personalidade como contínuo.


Os estádios mais decisivos do desenvolvimento ocorrem durante os cinco primeiros
anos de vida, durante os quais se estabelece, em grande parte, a estrutura permanente.
Acreditava na existência de uma seqüência características de estádios psico-sexuais,
pelos quais passa a criança. Supunha que as diferenças individuais na personalidade
adulta são, fundamentalmente, decorrentes da maneira específica pela qual a pessoa
vive e lida com os conflitos despertados nesses estádios.

7.1. FASE ORAL

No primeiro ano de vida, a atenção da criança se centraliza, basicamente, nas


zonas erógenas da boca. Obtém o prazer através da sucção. Se existe uma satisfação
inadequada, ou se aparecem a angústia e a insegurança com relação à situação de
mamar, pode haver uma fixação permanente de alguma energia da libido nas atividades
orais. Isto pode provocar, na personalidade adulta, o chamado caráter oral, uma
síndrome de traços que inclui dependência, passividade, gula, tendências excessivas
para comportamento oral, como é o caso do hábito de fumar, ou da tagarelice.

7.2. FASE ANAL

Durante o segundo e terceiro anos de vida, interesse da criança se centraliza,


fundamentalmente, na atividade anal, acentuada pelas exigências dos pais quanto ao
controle das fezes e da urina, e pelos tabus ligados ao erotismo anal. Também aqui
podem aparecer fixações anais duradouras, resultantes de punições pelo fracasso no
controle da evacuação, de excessivas recompensas pelo controle eficiente, ou, de modo
geral, das angústias provocadas pelas atividades anais.

7.3. FASE FÁLICA

O interesse da criança se volta para os órgãos sexuais e para os prazeres ligados


ao seu manuseio. (Freud escandalizou a sociedade vitoriana com a afirmação de que a
sexualidade infantil, fantasia sexual e masturbação são universais, uma opinião que é,
atualmente, mais geralmente aceita). Nessa fase ocorre, de maneira característica, o que
Freud denominou o complexo de Édipo (de acordo com o mito clássico do rei Édipo,
que, involuntariamente, matou seu pai e casou com sua mãe). Este é o “romance

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infantil”, no qual o menino, normalmente, dirige os seus sentimentos eróticos para sua
mãe, e a menina os dirige para seu pai. E, ao se colocarem assim nos papéis imaginários
de pai e mãe, respectivamente, o menino e a menina chegam a estabelecer as
identificações primárias, das quais mais tarde se desenvolvem as complexas
identificações masculinas e femininas que constituem uma grande parte da
personalidade adulta. Entretanto, vicissitudes no desenvolvimento e a decomposição do
complexo de Édipo podem provocar aberrações no desenvolvimento posterior da
personalidade, tais como as que se manifestam na homossexualidade latente, nos
problemas de autoridade, na rejeição dos papéis masculinos e femininos adequados.

7.4. FASE DE LATÊNCIA

O período entre os cinco aos dez anos de idade. A sexualidade, que permanece
reprimida durante este período, aguarda a eclosão da puberdade para ressurgir.
Enquanto a sexualidade permanece adormecida, as grandes conquistas da etapa serão
situadas nas realizações intelectuais e na socialização.

7.5. FASE GENITAL

Durante a qual o adolescente sente uma mudança de interesse: deixa de


interessar-se por si mesmo como o objeto primário, e volta-se para as outras pessoas e
coisas como objetos importantes. Assim, surgem as ligações hetero-sexuais, e a pessoa
adquire, gradualmente, interesse pela vida madura. Alcançar a fase genital constitui,
para a psicanálise, atingir o pleno desenvolvimento do adulto normal.

8. TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE

Transtorno da Personalidade é um padrão persistente de vivência íntima ou


comportamento que se desvia acentuadamente das expectativas da cultura do indivíduo,
é invasivo e inflexível, tem seu início na adolescência ou começo da idade adulta, é
estável ao longo do tempo e provoca sofrimento ou prejuízo.

8.1. PARANÓIDE

É um padrão de desconfiança e suspeitas, de modo que os motivos dos outros


são interpretados como malévolos.

8.2. ESQUIZÓIDE

É um padrão de distanciamento dos relacionamentos sociais, com uma faixa


restrita de expressão emocional.

8.3. ESQUIZÓTÍPICA

É um padrão de desconforto agudo em relacionamentos íntimos, distorções


cognitivas ou da percepção de comportamento excêntrico.

8.4. ANTI-SOCIAL

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É um padrão de desconsideração e violação dos direitos dos outros.

8.5. BORDERLINE

É um padrão de instabilidade nos relacionamentos interpessoais, auto-imagem e


afetos, bem como de acentuada impulsividade.

8.6. HISTRIÔNICA

É um padrão de excessiva emotividade e busca de atenção

8.7. NARCISISTA

É um padrão de grandiosidade, necessidade por admiração e falta de empatia.

8.8. ESQUIVA

É um padrão de inibição social, sentimentos de inadequação e hiper-


sensibilidade a avaliações negativas.

8.9. DEPENDENTE

É um padrão de comportamento submisso e aderente, relacionado a uma


necessidade excessiva de proteção e cuidados.

8.10. OBSESSIVO-COMPULSIVA

É um padrão de preocupação com organização, perfeccionismo e controle.

9. FREUD X CARL ROGERS X LACAN

9.1. FREUD E A PSICANÁLISE

Freud baseou seus estudos na idéia de que o corpo é a fonte básica de toda
experiência psíquica, acreditava que os fenômenos mentais estavam intensamente
relacionados à fisiologia do cérebro.

Dizia que há uma causa para tudo cada sentimento e ação. Tudo e causado por
uma intenção consciente ou inconsciente e determinado por fatos antecedentes.

Para ele, a mente se divide em consciente, e inconsciente. O inconsciente


armazena os instintos e desejos aos quais a consciência não tem acesso e também o que
foi censurado, que por alguma razão o sujeito não aceita e então reprime no seu
inconsciente. São elementos vivos, que ao serem trazidos a consciência provoca grande
força emocional.

É no inconsciente que se encontram os principais determinantes da


personalidade, as pulsões e os instintos.

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O pré-consciente faz parte do inconsciente, porém é a parte que se permite ser
lembrada com facilidade, e a memória necessária para que o indivíduo realize suas
funções pois, é nela que se armazenam nomes, números, datas, experiências passadas,
conhecimentos.

9.2. CARL ROGERS E A ACP

Carl Rogers, com sua teoria da abordagem centrada no cliente rompeu com o
ortodoxismo da psicanálise da época.

Seu desenho teórico fundamentava-se no principio de que o homem tem uma


tendência inata para desenvolver todas as suas capacidades, o sujeito tem pleno poder
de se construir e evoluir totalmente corpo e mente.

Para Rogers, o psiquismo do individuo se divide em self (o eu) e suas


experiências, crenças, sentimentos e desejos.

O self nasce com a necessidade de ser amado, desejado, para isso, muitas vezes
ele reprime seus sentimentos (negando algumas experiências) em prol do desejo do
outro, assim, passa a forjar um falso self.

Com isso o sujeito se torna incongruente, distônico com suas experiências,


gerando desequilíbrio. A psicopatologia, para Rogers, pode ser originada desse
desequilíbrio.

Esse falso self surge inconscientemente com uma tentativa do sujeito de ser
aceito no seu meio.

A incongruência; que se assemelha ao que Freud chama de repressão, tem a ver


com a incapacidade de autoconsciência (o self é incapaz de ver o quanto atingiu uma
incongruência) e de comunicação (que é inautencidade, o sujeito sabe o que sente, mas
não consegue “colocar para fora”) que pode ser motivada pelo medo ou pela ambição de
se conseguir algo (ex: o cinismo, quando falamos algo que não sentimos para conseguir
algo em troca).

Quanto à atuação na clínica, Rogers achava que havia três princípios básicos que
facilitavam a relação do terapeuta com o paciente.

A aceitação incondicional (terapeuta deve se mostrar uma pessoa confiante


incapaz de julgar o paciente pelos seus atos. “Aceitar o outro como ele é”).

A empatia (o paciente deve sentir que o terapeuta entende o que se passa com
ele. “Ver a vida aos olhos do outro”.)

A congruência (o sujeito deve ser fiel aos seus desejos. É o elemento de sintonia
entre o self e suas experiências)

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Porém, a postura do terapeuta não depende de técnicas, apenas desses princípios
gerais que devem ser aplicados em quaisquer terapias, seja com velhos, crianças,
pobres, ricos…

Quando falava em sintoma, Rogers dizia que ele surge como uma alternativa do
individuo satisfazer sua experiência, ele surgiria para aliviar a pressão da incongruência.

Diferente de Freud; que diz na psicologia do desejo que o sujeito é fálico, busca
sempre algo que o preencha; Rogers dizia que como o sujeito já nasce com sua
experiência, crenças e sentimentos, ele deseja algo que a afirme, é uma teoria vitalícia
da ação.

9.3. LACAN

A obra de Lacan tem base bastante filosófica, usando a lingüística de Saussure,


a antropologia de Lévi-Strauss e a dialética de Hegel.

Ele utiliza a lingüística como elemento fundamental na psicanálise, a linguagem


determina o sentido e o desejo do individuo.

Para Lacan o inconsciente se estrutura como a linguagem, que é assimilada


arbitrariamente como metáfora (condenação) e metonímia (deslocamento).

O significante (que é a marca gráfica, apalavra em si) e o significado (que é a


idéia associada à palavra, seu significado) estruturam o inconsciente.

Ou seja, a metáfora leva o individuo a associar a imagem de um lobo ao homem.


A metáfora é a semelhança e a metonímia a continuidade.

Para Lacan, a linguagem é intermediaria entre o sujeito e o objeto.

Já nos primeiros meses de vida, o individuo se vê como um ser fragmentado que


se associa com o meio sendo parte de um todo, porém, aproximadamente aos seis meses
o bebê entra na fase do espelho, onde passa a se ver sob o olhar do outro e a se
estruturar a partir dele.

Numa fase a criança passa a ter sua idéia de unidade e assim alivia sua angústia
de ser fragmentada.

Porém, para Lacan o sujeito se vê como algo imaginário, algo que pode vir a ser
dependendo do desejo da mãe.

Essa fase do espelho é para Lacan a que determina a estruturação do individuo,


pois ela mostra que o ser deseja ser objeto de desejo do outro, sendo assim, o bebê tenta
suprir as necessidades e expectativas da mãe.

A criança é o falo da mãe e para tanto deve preencher seu desejo.

10 . CONCLUSÃO

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As pessoas, geralmente, reconhecem a personalidade uma das outras através dos
comportamentos que são exibidos, com grande freqüência, por elas. A sociedade, ao
observar o comportamento das pessoas, pode aprová-lo ou desaprová-lo, implicando em
um controle social (membros considerados desapropriados sofrem profundas
repressões).

Podemos perceber que a sociedade, portanto, é a maior influenciadora da


personalidade, pois ela força seus membros, que são considerados desapropriados, a
mudarem seus hábitos e comportamentos, a fim de enquadrá-los em seus padrões e
regras.

Ao desempenhar papéis aceitos pela sociedade, as pessoas podem estar anulando


sua verdadeira personalidade, que mostra por que, hoje em dia, os indivíduos sentem
tanta dificuldade de encontrar seu verdadeiro eu. Porém, vale lembrar que o homem
também é a sociedade e que ele também a mantém e determina.

Foi possível ver que Freud foi quem deu início a psicanálise, e que com estudos
comprovou que a personalidade desenvolve-se durante os cinco primeiros anos de vida,
e que o ambiente onde se vive, conflitos despertados nesta fase interferem bastante no
desenvolvimento da pessoa.

Assim sendo, a Psicanálise, (o estudo e a ciência do Inconsciente) não tinha


somente interesse médico, mas interessava agora a todas ciências do Homem, assim
como, todos os Homens.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

PEIXOTO, Paulo Matos. Enciclopédia Universal Paumape. Vol. 7 , Vol. 11.


Editora Paumape LTDA.

FADIMAN, J. Teorias da Personalidade. Editora Harbra

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