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JOÃO MATTAR

Facebook em Educação
Publicado em 17 de janeiro de 2012 por João Mattar

Enquanto o uso de email tem caído entre os alunos, a comunicação por redes sociais tem
aumentado. Nesse sentido, como plataforma para comunicação, o Facebook já ocupa um
espaço importante na educação.

A pesquisa de Mazer, Murphy e Simonds, por exemplo, conclui que perfis de professores
no Facebook ricos em informações pessoais geraram motivação prévia dos alunos,
aprendizado afetivo e maior credibilidade para o professor. Outra pesquisa, de Sturgeon e
Walker, concluiu que os alunos têm mais vontade de se comunicar com seus professores se
eles já os conhecem no Facebook. Para os autores, haveria evidências suficientes de que as
relações entre alunos e professores construídas no Facebook podem gerar um canal de
comunicação mais aberto, resultando em ambientes de aprendizagem mais ricos e maior
envolvimento dos alunos.
Eu tenho brincado há bastante tempo com o Facebook como ambiente virtual de
aprendizagem. No semestre passado, por exemplo, em uma disciplina na Universidade
Anhembi Morumbi, usei-o paralelamente ao Blackboard, nosso LMS oficial. Hoje lancei
uma pergunta para os meus alunos no grupo privado que criamos no Face:

Qual plataforma você acha que foi mais útil para o seu aprendizado na disciplina
Informática Aplicada?

Resultado parcial: 10 x 2 – adivinhe para quem?

Neste semestre pretendo fazer uma experiência ainda mais radical. O Facebook tem se
tornado uma ferramenta cada vez mais fantástica, muito mais leve, flexível e prática que os
AVAs tradicionais.

Mas não somos apenas eu e meus alunos que achamos isso. Chu e Meulemans, em The
problems and potential of MySpace and Facebook usage in academic libraries (2008),
concluem que os alunos preferem se comunicar pelo Facebook do que por LMSs. Salaway,
Caruso e Kark, por sua vez, concluem que o uso do Facebook é maior do que o dos LMSs
(isso também em 2008!). Schroeder e Greenbowe, em The Chemistry of Facebook: Using
Social Networking to Create an Online Community for the Organic Chemistry
Laboratory (2009), tiram conclusões ainda mais marcantes: o Facebook foi um método
mais efetivo e eficiente para discussão dos temas da aula, em comparação ao fórum de
discussão do WebCT; o número de posts dos alunos foi quase 400% superior no Facebook
do que no WebCT; a qualidade dos posts também foi superior; e as discussões continuaram
durante todo o semestre. Sem colher (ainda) estatísticas precisas, tenho percebido o
mesmo em minhas experiências com o Facebook e outros LMSs.
De lá para cá, foram surgindo muitas outras publicações sobre o uso do Face em educação.
O recente Back to the “wall”: How to use Facebook in the college classroom (12/2011), por
exemplo, cobre as referências anteriores e várias outras. Lego e Towner notam que parece
haver relutância, tanto por parte de professores quanto de alunos, em usar o Facebook
para objetivos educacionais, embora exista uma porcentagem significativa de alunos
usando ou querendo usá-lo em suas experiências educacionais. Como o artigo foi escrito há
quase 1 ano, as coisas podem ter mudado de lá para cá. Mas os autores concluem:
Em nosso ponto de vista, softwares de redes sociais, como o Facebook, oferecem
oportunidades únicas para a educação: facilitando a comunicação, facilitating
communication, promovendo uma comunidade de aprendizagem e promovendo
competências do século XXI.

Vejamos então alguns dos recursos do Facebook que podem ser usados em educação.

Só com um perfil e os recursos básicos, já dá para fazer muita coisa. O mural do Facebook
no mural foi sendo aperfeiçoado, influenciado pelos microblogs, e hoje oferece um stream
de textos, notas, imagens, vídeos, avaliações, comentários, eventos etc. dos seus amigos.
Mostra também as atualizações de páginas que você curte e dos grupos a que você
pertence. O mural pode servir, portanto, de espaço de comunicação e de discussão, e
alunos e professores podem ser marcados, para incentivar sua participação. Mensagens
internas (síncronas ou assíncronas) servem também como um importante canal de
comunicação, e eventos podem ser utilizados para lembrar de prazos, encontros, palestras
etc.

Mas há outros recursos. Grupos são espaços online em que as pessoas podem interagir e
compartilhar recursos e comentários. É uma maneira de alunos e professores trabalharem
em projetos colaborativos. É possível criar grupos abertos, privados e fechados, o que
ajuda a preservar a privacidade de seus membros e dos temas discutidos. Quando um
membro posta algo no grupo, como um link para um artigo, uma questão ou uma
atividade, outros membros receberão uma mensagem do Facebook com a atualização. Veja
um exemplo de criação de um grupo para um curso no Facebook (como o vídeo é de 2009,
houve algumas mudanças):

Páginas permitem também interações entre membros do Facebook. Uma página é pública,
ou seja, qualquer um pode curti-la, passando a receber atualizações de seu conteúdo em
seu feed de notícias. Páginas são, portanto, uma maneira simples de professores e alunos
compartilharem links, artigos, vídeos ou feeds de RSS. Nas páginas no Facebook, é possível
também utilizar notas e comentários, além de vários outros recursos, como fóruns de
discussão. Você pode, por exemplo, criar uma página para sua disciplina e seus alunos
podem curtir páginas que outros criaram. Entretanto, ao contrário de grupos, as páginas
não podem ser fechadas ou secretas, ou seja, tudo o que for postado em uma página torna-
se automaticamente público.
Algumas páginas com conteúdo educacional interessantes de acompanhar: Discovery
Channel Global Education, Encyclopaedia Britannica, NASA e National Geographic
Education.
Veja dicas interessantes de como montar uma página para um curso (o vídeo é do final de
2010, então também pode haver algumas alterações no procedimento):

Além desses recursos básicos, há vários outros aplicativos que podem ser utilizados em
perfis, no mural, em grupos e em páginas no Facebook.

O SlideShare, por exemplo, permite que você faça upload e compartilhe apresentações.
Perguntas é um recurso muito interessante, que possibilita a rápida elaboração de questões
e pesquisas, como a que fiz sobre o Facebook e o Blackboard.
Outro recurso muito interessante é o Docs, que permite a criação colaborativa de
documentos de texto. Entretanto, o documento tem que ser criado, editado e salvo no
Facebook, ou seja, não são permitidos (no momento) nem upload nem download. Na
verdade, esse é um dos pontos negativos do Facebook, a impossibilidade de upload e
compartilhamento de documentos, como pdfs, documentos de texto e planilhas. No
máximo é possível criar links para esses arquivos, fora do Facebook, já que os aplicativos
existentes para compartilhamento de arquivos no Facebook, hoje, são ainda inadequados.
O Proyecto Facebook foi realizado na Universidad de Buenos Aires em 2009. Piscitelli,
Adaime e Binder apresentam uma descrição de sua metodologia, seu funcionamento e
alguns resultados, com inúmeras reflexões e sugestões não apenas do uso do Facebook em
educação, mas de redes sociais em geral. O projeto procurou construir um ambiente
colaborativo e aberto em educação. Na Introdução, Piscitelli e Adaime afirmam:
O Projeto Facebook demonstrou que o que importa não é tanto os conteúdos, nem os
meios ou suportes, mas uma reengenharia dramática do espaço áulico, no verdadeiro
sentido da palavra.

Eles afirmam ainda que o Facebook se transformou, durante o projeto, em um


alfabetizador 2.0. No texto que avalia o processo, há vários artigos interessantes, dentre os
quais merece destaque Compreender las Redes Sociales como Ambientes Mediaticos.
Na Jovaed 2011, usamos o Facebook intensamente, como por exemplo nas atividades do
FGV Online coordenadas por Ananda Calves, que criou uma página com fóruns de
discussão, dentre outros recursos.
No ano passado o Facebook lançou uma série de recursos e orientações para educadores,
com a página Facebook for Educators. Lá, é possível baixar por exemplo o guia Facebook
for Educators.
No ano passado, também, o grande Eri realizou uma experiência importante de uso do
Facebook no TRT:

FACEBOOK COMO SUPORTE TECNOLÓGICO PARA AMBIENTE VIRTUAL DE


APRENDIZAGEM: A EXPERIÊNCIA DA ESCOLA JUDICIAL DO TRT2
View more presentations from Jose Erigleidson
Mas nem tudo é maravilha! Já apontamos algumas limitações do Facebook para uso em
educação. Os comentários soltos no mural tornam difícil a visualização e o
acompanhamento da informação, mesmo porque não é fácil controlar o que foi lido e o que
não foi. Falta ao Face um sistema de tags, filtro, busca, organização e classificação da
informação, importantes para objetivos de aprendizagem definidos.

Essas limitações, entretanto, sejam talvez superadas com as atualizações constantes pelas
quais vem passando a plataforma. Mas, mesmo hoje, não devem ser encaradas como
limitações que nos afastem, como educadores e alunos, do Facebook. Ao contrário, dentre
todas as ferramentas web 2.0 e redes sociais disponíveis hoje, talvez só estejam no mesmo
nível do Facebook blogs, o Google Docs e o YouTube. Os LMSs não são mais páreo para o
Face.

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