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A variação da temperatura:

A temperatura é um indicador (grandeza física) da quantidade de energia calorífica


armazenada no ar. Esta resulta principalmente da energia proveniente do sol e do calor
libertado pela superfície terrestre. Expressa-se em Portugal em graus Celsius (°C).A
figura seguinte ajuda-nos a perceber como o ar aquece (Figura 5):
- Uma parte da radiação solar (proveniente do sol) atravessa a atmosfera e penetra na
superfície da Terra ➊;
- Parte da radiação absorvida pela Terra é devolvida à atmosfera sob a forma de calor
(radiação infravermelha). Este fenómeno é denominado de irradiação terrestre e é a
principal fonte de aquecimento do ar ➋.
Quanto mais radiação solar a superfície terrestre receber, maior será a quantidade de
energia libertada, influenciado, deste modo, a variação da temperatura de um lugar
para outro.
 
Em qualquer lugar da superfície terrestre a temperatura varia, quer ao longo de um dia
de 24 horas, quer ao longo de um ano de 365 ou 366 dias:
Variação da temperatura ao longo do dia
 
Ao longo de um dia verifica-se que a temperatura do ar não é sempre a mesma. Esta
variação da temperatura ao longo de um dia deve-se ao movimento de rotação da Terra
que tem como consequências:
- A sucessão dos dias e das noites;
- A variação diurna da temperatura;
- O movimento diurno aparente do sol.
 
Sucessão dos dias e das noites: ao rodar em torno do seu eixo imaginário a Terra, ora
expõe parte da sua superfície ao sol (dia natural), ora a coloca na obscuridade
(noite) (Figura 6). Durante o dia, a Terra absorve radiação solar, pelo que a sua
superfície aquece, acabando por libertar radiação infravermelha (calor) – o ar aquece.
Porém, quando o sol se põe e inicia a noite, a Terra deixa de receber radiação solar pelo
que a libertação de calor vai diminuindo progressivamente – o ar arrefece.
Variação diurna da temperatura: de manhã, após o nascer do sol, a temperatura
mais baixa vai aumentando, atingindo o seu máximo após o meio dia solar
(sensivelmente entre as 14.00h / 16.00h). Depois começa a diminuir, atingindo o seu
valor mais baixo de madrugada, antes do sol nascer. Após este momento o ciclo
repete-se sucessivamente e a temperatura começa de novo a aumentar. Os registos
de temperatura verificados ao longo do dia podem ser representados num gráfico
denominado termograma (Figura 7).

Atendendo à figura anterior, ou a partir de registos de temperatura de qualquer


lugar do mundo, pode calcular-se a amplitude térmica diurna através da diferença
entre a temperatura máxima, ou seja mais elevada, e a temperatura mínima, ou
seja mais baixa (Figura 8). A partir dos mesmos registos pode também ser
importante calcular a temperatura média diária (Figura 9).

Movimento diurno aparente do sol:

o movimento de rotação da Terra dá origem ao movimento aparente do sol (Figura


10). À medida que o sol vai descrevendo esse movimento, a temperatura altera
devido ao ângulo de incidência dos raios solares com a superfície terrestre. O
ângulo de incidência reflete a quantidade e intensidade de radiação solar recebida
por um determinado lugar (por unidade de superfície) e consequentemente as
temperaturas que se fazem sentir ao longo do dia nesse mesmo lugar.

À medida que o sol vai descrevendo esse movimento, a temperatura altera devido ao
ângulo de incidência dos raios solares com a superfície terrestre. O ângulo de incidência
reflete a quantidade e intensidade de radiação solar recebida por um determinado
lugar (por unidade de superfície) e consequentemente as temperaturas que se fazem
sentir ao longo do dia nesse mesmo lugar.
Nas primeiras horas do dia (e também nas últimas), os raios solares incidem de forma
muito obliqua, ou seja inclinada, sobre a Terra. Assim, a energia dispersa-se por uma
superfície maior, pelo que é menor o aquecimento por unidade de superfície e,
consequentemente, o aquecimento é menor.
Quando o sol atinge o meio dia solar (ou imediatamente antes ou depois) os raios
incidem com menor inclinação, portanto sobre uma superfície menor e com maior
intensidade. Deste modo, a há um maior aquecimento por unidade de superfície e,
consequentemente, o aquecimento é maior.
A inclinação dos raios solares acaba por também influenciar a quantidade de massa
atmosférica que os mesmos têm de atravessar até chegarem à superfície
terrestre (Figura 11). Assim, quanto menor for o ângulo de incidência maior será a
espessura da atmosfera a atravessar ➊ e maiores serão as perdas de energia (por
absorção, reflexão e difusão) pelo que menor será a intensidade de radiação solar por
unidade de superfície e as temperaturas serão menores.
Quanto maior for o ângulo de incidência menor será a espessura atmosférica a
atravessar ➌ pelo que menores serão as perdas de energia e mais elevada será a
intensidade de radiação por unidade de superfície. As temperaturas serão maiores.
Figura 11: Representação do ângulo de incidência dos raios solares e espessura da
atmosfera atravessada em diferentes lugares da superfície terrestre.

Relativamente à variação da temperatura durante o dia, podemos concluir o


seguinte.

PÔR DO SOL
DURANTE NOITE MEIO DIA SOLAR
NASCER DO SOL

Ausência de radiação Momento em que os


Os raios solares incidem Os raios solares
solar a incidir na raios solares estão
com grande inclinação incidem com grande
superfície terrestre mais perto da vertical
inclinação
Os raios atravessam uma
A Terra liberta a Os raios atravessam
grande extensão da
energia recebida uma menor extensão
atmosfera
durante o dia da atmosfera
Os raios atravessam
Regista-se uma uma grande extensão da
A temperatura vai A temperatura é mais
temperatura baixa que atmosfera
diminuindo até ao elevada na superfície
começa a aumentar
nascer do dia seguinte terrestre
A temperatura diminui
na superfície terrestre
Variação da temperatura ao longo do ano

Ao longo de um ano a temperatura varia por o planeta Terra se encontrar inclinado em


relação ao plano de órbita e devido ao movimento de translação terrestre, que têm como
consequências.
- A variação anual da temperatura;
- A sucessão das estações do ano;
- A desigualdade dos dias e das noites.
 

Variação anual da temperatura: como consequência de a Terra manter uma


inclinação constante ao plano da elíptica (23° 27’) no seu movimento de
translação , os raios solares vão incidindo, ao longo do ano e alternadamente, mais
verticalmente ora no Hemisfério Norte ora no Hemisfério Sul. Durante este
movimento o sol desloca-se aparentemente entre o Trópico de Câncer e o Trópico
de Capricórnio.

A análise do movimento de translação da Terra permite-nos verificar que, por exemplo,


no solstício de junho, os raios solares incidem com menor inclinação sobre os lugares
situados ao longo do Trópico de Câncer, contrariamente ao que acontece no solstício de
dezembro (Figura 13 e 14).
Sucessão das estações do ano: a incidência dos raios solares, ora com mais incidência
no Hemisfério Norte ➊ ora no Hemisfério Sul ➋ dão origem às estações do
ano (Figura 15).
Deste modo, quando os raios incidem com menor inclinação (mais na vertical) na
superfície terrestre corresponde ao verão, quando os raios incidem com maior
obliquidade (mais inclinados) corresponde ao inverno. Na região intertropical, como os
raios solares têm pouca oscilação, a variação de temperatura é pouco significativa pelo
que não ocorrem as quatro estações do ano comuns das zonas temperadas.

Desigualdade dos dias e das noites: a maior ou menor elevação do sol no horizonte ao
longo do ano, causada pela sua deslocação aparente entre o Trópico de Câncer e o
Trópico de Capricórnio provoca a desigual duração dos dias e das noites no mesmo
lugar e entre lugares. Assim, quando o sol se encontra sobre o Trópico de Câncer
corresponde ao dia mais longo do ano neste hemisfério e ao dia mais curto do ano no
hemisfério oposto. Quando o sol se encontra sobre o Trópico de Capricórnio
corresponde ao dia mais longo do ano neste hemisfério e ao dia mais curto do ano no
Hemisfério Norte (Figura 16).
Fatores climáticos que interferem na variação da temperatura:
 
Latitude
O desigual aquecimento da Terra em latitude deve-se à inclinação que os raios solares
efetuam quando incidem na superfície terrestre. Regra geral, se excluirmos outros
fatores climáticos, a temperatura diminui à medida que a latitude aumenta. Este
aquecimento, por sua vez, origina grandes zonas climáticas, que se dispõem,
sensivelmente em grandes faixas paralelas (Figura 18).
A Zona Quente (ou Zona Intertropical): regista temperaturas elevadas durante todo o
ano devido à pouca inclinação dos raios solares e devido à menor quantidade de massa
atmosférica atravessada;
As Zonas Temperadas do Norte e do Sul: registam temperaturas moderadas mas
variáveis ao longo do ano (mais quentes no verão e mais frias no inverno) devido à
maior inclinação dos raios solares e à maior quantidade de massa atmosférica
atravessada;
As Zonas Frias do Norte e do Sul: registam temperaturas baixas ao longo do ano devido
à grande inclinação dos raios solares (em parte do ano existe mesmo a obscuridade
total) e devido à grande quantidade de massa atmosférica a atravessar pelos mesmos.

 Figura 18: Variação da inclinação dos raios solares nas diferentes zonas climáticas.
 
Continentalidade/proximidade do mar
Os lugares próximos do mar apresentam temperaturas mais moderadas do que o interior
dos continentes pois as massas líquidas levam mais tempo a aquecer e, também, a
arrefecer. Isto deve-se principalmente porque a radiação solar penetra em profundidade
(ou é arrastada pelas correntes marítimas), o que permite aos oceanos armazenar
grandes quantidades de calor. Contudo, como este se dispersa por um grande volume de
água, o aquecimento superficial é mais lento, o que também acontece com o seu
arrefecimento.
Assim, à medida que nos afastamos do litoral em direção ao interior, aumenta a
continentalidade, ou seja, a ação moderadora da temperatura vai deixando de se sentir.
Por isso, no interior dos continentes, existe uma maior diferença entre as temperaturas
de verão e as temperaturas de inverno, ou seja, maior Amplitude Térmica Anual. Na
figura 19 pode constatar-se que as diferenças de temperatura entre as cidades de Lisboa
e Madrid, ao longo do ano, não de devem ao fator latitude pois esta é muito semelhante
em ambas as cidades, mas sim ao fator continentalidade (Figura 19).

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 Figura 19: Influência da proximidade e do afastamento do mar sobre a temperatura.
 
Altitude
O relevo influencia a temperatura devido à variação da altitude, ou seja a distância
medida em metros, na vertical, desde o nível médio das águas do mar até ao lugar a
considerar. À medida que subimos em altitude, a temperatura diminui cerca de 6,5°
Celsius por cada 1000 metros (é o mesmo que 0,65° C por cada 100 m) – a este valor
dá-se o nome de Gradiente Térmico Vertical (Figura 20). A razão para a temperatura
diminuir com a altitude deve-se, principalmente, com o facto de o ar ficar cada vez
menos denso à medida que se sobe. Assim, os gases como o dióxido de carbono, o
oxigénio, o vapor de água e as partículas que retêm o calor existem cada vez em menor
quantidade e o ar perde capacidade para aquecer, mas também porque se vai perdendo
quantidade de radiação emitida pela superfície da Terra.

 Figura 20: Variação da temperatura e da densidade do ar com a altitude.


 
Orientação das vertentes
Em função do relevo a exposição geográfica das vertentes também interfere na
temperatura, especialmente nas zonas climáticas temperadas e frias. No Hemisfério
Norte as vertentes voltadas a sul recebem uma maior incidência de dos raios solares
(vertentes soalheiras) o que as torna quentes. Por outro lado, as vertentes direcionadas a
norte não ficam expostas aos raios solares, ou só os recebem com uma inclinação muito
acentuada e/ou durante pouco tempo, o que as torna mais frias (vertentes sombrias ou
umbrias) (Figura 21).

 Figura 21: Incidência dos raios solares no Vale Glaciar do Rio Zêzere, Manteigas –
Serra da Estrela.
 
Correntes marítimas
As correntes marítimas são deslocações de grandes massas de águas oceânicas e
também têm implicações na temperatura do ar pois, em função das suas caraterísticas ao
nível de temperatura, provocam um aquecimento ou arrefecimento do ar das áreas
continentais próximas. Dependendo do lugar onde têm origem estas podem ser:
Correntes quentes: se forem provenientes das zonas equatoriais e tropicais;
Correntes frias: se forem provenientes das zonas polares.
 
Assim, as regiões influenciadas por correntes quentes têm temperaturas mais elevadas,
as que recebem influência de correntes frias apresentam valores de temperatura
menores. Como se pode verificar no mapa da figura seguinte (no quadro anexo) (Figura
22), a costa oeste de Portugal é influenciada por uma ramificação da Corrente do Golfo,
daí que as temperaturas médias sejam mais amenas no inverno e mais quentes no verão
do que na costa leste dos EUA, apesar de as cidades representadas terem valores
idênticos de latitude, de altitude e o mesmo afastamento do mar.

 Figura 22: Principais correntes marítimas da superfície terrestre.

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