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Porque, em pleno século XXI, falar de

algo tão antigo como a Alquimia?

Vejam, a Alquimia, embora remonte desde o século I, teve seu período de


maior florescimento na Europa, por volta do século VII, na Alta Idade Mé-
dia. Um dos períodos mais escuros da História, foi justamente quando a
Alquimia mais ganhou força.

Porquê? Porque é um antigo equilíbrio em ação. Quanto mais escuridão há


na estrutura mental dominante, mais a luz corre em correntes marginais
do saber. E mais forte se torna o espírito independente.

Nós estamos vivendo esse ciclo, mais uma vez. Este é um período crítico.
Nós vemos e sentimos a mudança, a necessidade da transição da consci-
ência. Precisamos alcançar novos patamares.

Uma vez mais, quando estamos imersos em sombra e conflito, emergem


esses saberes antigos. Nos oferecendo respostas e caminhos. Surge nova-
mente, das poeiras da biblioteca, a Alquimia.
Mas exatamente o que é a Alquimia?
Essa resposta não é tão simples quanto parece.

Você já teve ter ouvido falar nos antigos alquimistas, seres um tanto malu-
cos que se dedicavam a tentar transformar o chumbo em ouro.

Ah, mas a Alquimia era um sistema de conhecimento envolto em segredos.


Quem interpretasse que o ouro dos alquimistas se referia ao ouro material,
concreto, perdia a essência da Alquimia. O ouro concreto, para eles, nada
mais era do que o ouro vulgar, de tolo.

O verdadeiro ouro, a pedra filosofal, era a transformação da consciência. E


toda a Alquimia pode ser vista como um manual sobre os movimentos pro-
fundos do nosso inconsciente.

O melhor de tudo: os antigos alquimistas documentaram tudo isso, des-


creveram. Etapa por etapa, processo por processo. Todo o movimento do
inconsciente esta lá, escrito, nos menores detalhes. Quem trouxe esse ma-
terial para nós, com esse olhar, foi o psiquiatra suíço, Carl G. Jung.

Jung percebeu que as descrições das experiências alquímicas encaixavam


com exatidão nos sonhos dos seus pacientes. Os sonhos, gente, são a lin-
guagem profunda do inconsciente.

Todos os sonhos carregam símbolos alquímicos, porque a Alquimia é a cha-


ve. Quando você olha um sonho sob uma ótica alquímica, ele faz sentido. É
um outro nível de interpretação, muito profundo e poderoso.

Mas não só os sonhos. Os momentos de vida também são alquímicos. As


fases da vida. As fases coletivas do mundo. A nossa vida inteira é regida por
operações alquímicas. Enquanto não temos consciência disso, somos ape-
nas parte do experimento. Mas a evolução é lenta, desorganizada. Agora,
quando passamos a ter essa consciência, passamos a ter a chave. Podemos
conduzir, podemos transformar.
O material é incrivelmente poderoso, por isso sempre esteve tão cercado
de segredos. Mas isso nem é o mais curioso. Por mais que o material seja
intrincado e complexo, intuitivamente, nós o compreendemos.

Nós não aprendemos Alquimia.


Nós nos lembramos.

Ah, mas existe um ingrediente essencial para a Alquimia funcionar.


Sem ele, nada acontece:

O desejo pela transformação.


Se você sente essa chama, então está na hora.

E agora, vamos para um pequeno resumo, um tira-gosto de alguns princí-


pios da Alquimia. Minha torcida é que ela toque o coração de vocês como
tocou o meu. E vamos juntos, nessa jornada.
As fases alquímicas
(as fases de vida)
Vamos começar falando das fases alquímicas. As fases alquímicas são re-
presentadas por cores. São principalmente três. São a nigredo, a albedo e a
rubedo. A nigredo é preta, a albedo é prateada, e a rubedo é dourada.

O que exatamente são essas fases alquímicas? São as nossas fases de vida.
Nós passamos por essas três muitas vezes. E podemos estar passando por
mais de uma ao mesmo tempo. Posso estar na minha fase dourada na pro-
fissão, na rubedo. Só que no departamento amoroso minha vida está um
cocô, tá na nigredo.

Certas questões e movimentos na vida só podem ser realizados numa fase,


e não em outra.

A nigredo representa a depressão, o fundo do poço. A gente vê tudo


escuro, tudo preto. É a noite. Os alquimistas chamam de “A Noite
Escura da Alma”. A albedo é a fase da lua e da prata. É o amanhecer.
O dia começa a ficar claro, mas ainda não apareceu aquele solzão.
Aqui temos a clareza da mente. Na albedo, começamos a sacar as
coisas. E por fim, vem a rubedo, a fase do sol e do ouro. Aqui, o nos-
so nível de energia é radiante. Aqui nós vibramos, há luz, brilho e
consciência.

São ciclos. Podemos sair da rubedo,


e mergulhar de novo na nigredo.

E o mais intrigante aqui gente, é que essa paleta de cores vai apa-
recer onde? Nos nossos sonhos. Vocês aprenderão a identificar a
fase alquímica de vocês só pela cor dos sonhos. Sonhos densos, es-
curos, são sonhos de nigredo. Sonhos mais claros, com neve, com
lua, com prata, são da albedo. A fase da clareza da mente. E aqueles
nossos sonhos dourados, em tons de ouro e vermelho, são da rube-
do. A fase do fogo do espírito.
Portanto, teremos:

NIGREDO (PRETO):
Densa, escura, depressiva. A Noite Escura da Alma.

NOS SONHOS: tons de preto, sombrios, sonhos borrados/ inde-


finidos. Com atmosfera pesada. Perigo, preocupações. Pesadelos.

NA VIDA: a transformação.

ALBEDO (PRATA):
A lua, a prata, o amanhecer. A clareza do pensamento.

NOS SONHOS: tons prateados. Céu estrelado, lua prateada, o iní-


cio do amanhecer. Reflexo na água, espelho, neve, superfícies pra-
teadas, lâminas.

NA VIDA: amplia as perspectivas, vê com clareza, toma decisões.

RUBEDO (DOURADO):
O sol, o ouro. Poder e consciência espiritual, energia e vigor.

NOS SONHOS: tons vermelho-dourados. Cores quentes e vivas,


amarelo, laranja, vermelho. Céu avermelhado (amanhecer ou en-
tardecer), ouro, roupas ou itens dourados.

NA VIDA: energiza, realiza, e faz acontecer.


As operações alquímicas
(os movimentos energéticos de vida):
Agora, iremos para as operações alquímicas.
Aqui, estudaremos sete operações.

As primeiras quatro se referem aos quatro elementos: A calcinatio


é a operação do fogo. A solutio é a operação da água. A coagulatio
é a operação da terra. E a sublimatio é a do ar.

E aí, teremos mais três operações. A separatio, que é a operação


da separação. A operação da espada. A mortificatio, a operação da
morte. E por fim, a coniuctio, a operação da conexão. Da ligação.

Cada operação tem seus próprios símbolos nos sonhos. E assim,


através desses sonhos, conseguimos descobrir qual é a operação
que está em ação na nossa vida nesse momento.

Entender qual é a operação em ação permite que a gente entenda o movi-


mento, a direção que a nossa energia está tomando. Isso nos ajuda a en-
tender qual o propósito por trás das coisas que estão nos acontecendo. E
assim, temos a chance de agir em harmonia com esse processo, não contra
ele. Essa é uma sacada fenomenal.

Reparem que cada operação é um movimento energético. São as operações


que fazem a gente mudar de uma fase alquímica para outra.

Ah, uma outra coisa importante: as operações podem emperrar.


Quando elas emperram, geralmente é por falta de compreensão
nossa do que precisa acontecer. Cada operação emperrada produz
bloqueios e sintomas específicos.
CALCINATIO (FOGO):
Essa operação trabalha o desejo. Ela faz a purificação dos desejos que não
são compatíveis com o nosso crescimento, naquele momento.

REPAREM UMA COISA: há desejos que são essenciais, que fazem a


vida fluir e prosperar. Despertam a força criativa, fazem as coisas acon-
tecerem. Esse tipo de desejo faz parte de uma outra operação alquímica.
A da terra, a coagulatio.

Aqui, estamos falando do desejo que ainda está muito misturado com ima-
turidade e egocentrismo. Tem mais a ver com vaidade nossa do que com
o fluxo da vida. São os famosos desejos que nos “consomem”. Esse tipo de
desejo vai para a calcinatio.

NA VIDA: Percebemos a calcinatio na vida quando a vida diz “não”. Deter-


minados projetos, objetivos, relacionamentos não fluem como o desejado.
A palavra é frustração. O fogo também pode surgir em pequenas situações
do dia-a-dia: a torrada que queima, etc.

NOS SONHOS: o fogo se alastra. Ou uma determinada pessoa ou situa-


ção é tomada pelas chamas. Ou um fogo pontual, uma fogueira, uma tocha,
mostrando que o processo de purificação está em ação.

QUANDO A OPERAÇÃO EMPERRA (E SURGEM OS PROBLEMAS


E SINTOMAS): é o fogo que arde. A pessoa é tomada por ressentimento e
inveja. Pode ter gastrite (o termo técnico para gastrite é pirose. Piro = fogo).
A pessoa se sente fragilizada e energeticamente consumida. Há a sensação
de estar sendo castigado, punido pela vida.

COMO CONCLUIR A CALCINATIO: é uma operação que exige sacrifí-


cio e desapego. Você abre mão de algo que deseja, ao menos naquele mo-
mento, para focar no seu processo interior. E assim, o fogo punitivo se torna
o fogo purificador.
SOLUTIO (ÁGUA):
essa operação trabalha a rigidez, os nossos limites. Na solutio, os limites rí-
gidos da nossa personalidade são dissolvidos, para que uma personalidade
maior e mais ampla possa ser formada. A experiência espiritual pertence
a solutio, é quando a pessoa vivencia a conexão com o “todo” maior. Ela
pode ser vivenciada inicialmente como uma regressão, um “não saber mais
quem se é”. Para depois, vir um renascimento.

NA VIDA: são as crises existenciais, do “quem sou eu?”, em que há gran-


de conteúdo emocional envolvido. Na solutio, fica-se muito conectado com
todo o material energético ao redor, dos outros, ambientes, família.

NOS SONHOS: ondas altas, maremotos, afogamento, quando é necessária


uma solutio completa. Banhos, piscinas, cachoeiras quando é uma solutio
pontual, uma limpeza e uma reconexão com a nossa natureza mais ampla
e espiritualizada.

QUANDO A OPERAÇÃO EMPERRA: a nossa energia regride. Temos


dificuldade em realizar e materializar coisas. Ficamos mais carentes, vul-
neráveis, dependentes. Podemos ser tomados por apatia e inércia.

COMO CONCLUIR A SOLUTIO: a solutio surge quando somos defron-


tados com um desafio para o qual não temos estrutura. Ou seja, precisamos
crescer, ampliar em tamanho. É necessário focar em romper as crenças li-
mitantes, que serão dissolvidas. O que dá rumo a solutio é a conexão espi-
ritual. É o você não se ver mais como um ser isolado, mas conectado a um
todo muito maior do que você.

EXEMPLO: o puerpério é um exemplo clássico de solutio. A personalidade


da mulher precisa ser dissolvida, para se formar uma nova, mais forte, que
comporte a maternidade.
COAGULATIO (TERRA):
Essa operação trabalha a capacidade de realizar, materializar, fazer aconte-
cer. Aqui, há a energia da criação.

Aqui, o desejo é força motriz, e se converte em novas realizações. Sejam


amorosas, profissionais, econômicas, materiais. O casal consegue engravi-
dar, o tão sonhado projeto finalmente saiu do papel. Os projetos de vida que
são realizados na coagulatio tendem a ter grande retorno financeiro.

NA VIDA: quando as possibilidades de realização surgem, estamos na co-


agulatio. Por ser a operação da terra, a coagulatio nos ensina a saber des-
frutar dos prazeres materiais, apreciar estar vivo, ter “tesão pela vida”. Nos
deixa mais realistas, “pé no chão”.

NOS SONHOS: plantio e colheita, coisas surgindo da terra. Mas o símbolo


clássico da coagulatio é a comida.

QUANDO A OPERAÇÃO EMPERRA: há um bloqueio na materialização


e/ou no prazer. Surge a compulsão alimentar, sobrepeso, vícios (sexo, jogo,
substâncias). Ou o inverso: a anorexia, a incapacidade de comer e sentir
prazer. Em paralelo, também há a dificuldade em realizar os projetos (fica-
-se somente nas idéias, “no ar”).

COMO CONCLUIR A COAGULATIO: um dos processos mais difíceis,


por ir contra a forma como formos “doutrinados”. Concluir a coagulatio exi-
ge aceitar o prazer como algo sagrado. Se permitir sentir prazer, sem culpa.
Permitir as imperfeições, em nós e nos outros. Se permitir errar. E encon-
trar beleza e gratidão no mundo e na vida, mesmo com todas as falhas.
SUBLIMATIO (AR):
Essa operação trabalha a análise racional, a compreensão. Envolve sair de
uma determinada situação, analisá-la “friamente”, de fora, compreender o
que precisa ser feito. Também entra na sublimatio o trabalho de elevação
espiritual (diferente da solutio, que é a experiência espiritual, a sublimatio
envolve compreensão).

NA VIDA: o estudo, o desenvolvimento da inteligência, a aquisição de co-


nhecimento. A busca pela espiritualidade, de sair de uma vida muito “pão-
-pão-queijo-queijo” em busca de propósitos mais amplos.

NOS SONHOS: os movimentos de subida, a escada. O vôo. Avião, balão,


helicóptero. Pássaros: a espiritualidade verdadeira.

QUANDO A OPERAÇÃO EMPERRA: surge o racionalismo excessivo,


ficamos presos no mundo das idéias e dos ideais, sem capacidade de rea-
lização, de concretização. Quando a sublimatio é exagerada, acaba ficando
algo mental demais. O clássico “entendi meu o problema, mas não consigo
resolver”.

Podem surgir expectativas e cobranças irrealistas sobre a vida e sobre si


mesmo. Também surgem sintomas relativos à falta de ar, vertigem, pânico.

COMO CONCLUIR A SUBLIMATIO: essa é uma operação de compre-


ensão, de ampliar os horizontes, de sair de uma vida muito materialista e
concreta. De fazer questionamentos importantes. Mas não é uma operação
de transformação. Para isso, a mente racional deve abrir mão do controle
absoluto e dar lugar a outros processos e operações. Isso também envolve
fé, confiar, se entregar.
5. SEPARATIO (ESPADA):
Essa operação trabalha os cortes energéticos, o término das projeções. En-
cerra nossas dependências em relação a outras pessoas, situações, institui-
ções.

NA VIDA: é a saída da casa dos pais, o término de uma relação tóxica, a


saída de um emprego tóxico. O término do envolvimento com algum grupo/
mentalidade/instituição/ideologia que já não combinam mais conosco, que
não condizem com o nosso crescimento.

NOS SONHOS: espada, cortes, facas, adagas, giletes, lâminas. O corte


pode ser mais sutil, como o soltar a mão, afastar-se e atravessar uma rua,
ou sair e fechar uma porta. A viúva e o órfão (o produto final da operação).
Pesos, medidas, réguas, balanças.

QUANDO A OPERAÇÃO EMPERRA: pode haver comportamento de


automutilação, ou autopunitivo (autocrítica cortante). Isso também pode
surgir como autossabotagem.

COMO CONCLUIR A SEPARATIO: compreender a necessidade daquilo,


e não fugir da solidão (por isso o simbolismo do órfão). Determinadas par-
tes do caminho são solitárias, mas é nessas horas que percebemos que não
estamos (e nem nunca estivemos) realmente sós. A separação dos outros
permite que nos conectemos conosco mesmos.

Sentimentos como pena, culpa e remorso impedem a separatio (“o que os


outros vão pensar”? “Meus pais vão ficar decepcionados comigo”, etc). Aqui,
precisamos da compreensão que as regras interiores são muito diferentes
das regras e normas externas.
MORTIFICATIO (MORTE):
Essa operação trabalha o término dos ciclos. Partes nossas que já não têm
mais lugar no nosso desenvolvimento devem morrer. As projeções também
morrem. Para que a energia seja liberada, e se torne novamente disponível
para o novo.

NA VIDA: perda, luto, vazio. E também potencial de transformação, de


permitir que novos caminhos de vida e lados mais fortes da personalidade
possam surgir.

NOS SONHOS: morte (sua ou de outra pessoa), amputação, doença, abor-


to. Mortalha, caveira, cadáveres, cinzas, vermes.

QUANDO A OPERAÇÃO EMPERRA: depressão, luto constante. O medo


da morte, com paralisia de vida.

COMO CONCLUIR A MORTIFICATIO: como essa é de fato a operação


da transformação mais profunda (e que nos leva à nigredo), o segredo está
em não temê-la. O sentimento da perda e de vazio não precisam obriga-
toriamente ser associados ao sofrimento. O sofrimento surge quando não
aceitamos, quando insistimos que aquele acontecimento não deveria ocor-
rer. A mortificatio exige paciência e confiança. Um dia, ela se encerrará,
naturalmente, se não resistirmos a ela (e permitirmos que nos ensine).
CONIUCTIO (CONEXÃO):
A coniuctio é quando criamos uma conexão com algo ou alguém. Quando
é uma conexão com algum elemento do mundo externo (um ambiente de
trabalho, um romance, uma estrutura familiar), chamamos de conicutio in-
ferior. Quando essa conexão se dá com partes internas nossas, com forças
internas ocultas, o sagrado em nós, essa coniuctio é chamada de superior.

NA VIDA: a criação de um vínculo, que afete a nossa identidade. Pode


ser um relacionamento romântico, um vínculo de emprego. Uma profun-
da admiração por alguém de autoridade, um ídolo. Uma identificação com
uma ideologia ou um grupo social. Percebemos que criamos essa conexão
quando o que quer que aconteça com essa pessoa ou ambiente nos impacta
profundamente.

NOS SONHOS: sexo, casamento, atar as mãos, dar-se as mãos. Anéis/


alianças, laços, correntes. Observar o material envolvido: se inferior (chum-
bo) ou superior (ouro).

QUANDO A OPERAÇÃO EMPERRA: quando a identificação com esse


algo ou alguém (solutcomeça a monopolizar a energia da nossa vida, e es-
tagnar o nosso trabalho interno, o que acontece? Produz-se sombra. Isso
vem com sentimentos de raiva, ódio, indignação com as situações externas/
atitudes dos outros. Passamos a ver o outro como inimigo. A nossa energia
fica “presa” nessas associações – o que fará o ciclo reiniciar novamente.
Novamente seremos lançados na calcinatio, na solutio, etc.

COMO CONCLUIR A CONIUCTIO: essa é uma das partes mais avan-


çadas e complexas do processo. A coniuctio inferior (a conexão que cria
dependência) nos levará a uma série de operações, que envolverão apren-
dizado e ganho de consciência. Até que por fim, chegaremos na mortificatio
– e esse processo se encerrará. A energia que estava aprisionada se liberta,
e fica novamente disponível para uma conexão de outro nível: a coniuctio
superior. Nessa coniuctio, nos ligamos a estruturas do nosso inconsciente.
Nosso Pai e Mãe interior, nosso companheiro/a interiores, nosso guia.
Certo? Então, para encerrarmos, só falta um último conceito.

O conceito de Opus. De Obra.

A Obra alquímica.
O que é isso? É o conjunto de todo o processo. Desde o chumbo, até o
ouro. É o nosso processo, do nosso nível de consciência mais denso e
poluído, até o mais elevado e luminoso.

Quando você se torna um alquimista, como diz Jung, “sua vida é sua
Obra”. É muito forte isso. Quando você passa a ver que a sua vida toda
é acima de tudo, uma grande Obra. Isso nos dá uma visão da vida, e um
senso de responsabilidade muito diferente. O foco deixa de ser lá fora, e
passa a ser aqui dentro. A estrutura interna que construímos.

A sua vida é sua Obra.

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