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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO


COMARCA DE SÃO PAULO
FORO REGIONAL VI - PENHA DE FRANÇA
4ª VARA CÍVEL
RUA DR. JOÃO RIBEIRO, 433, São Paulo - SP - CEP 03634-010
Horário de Atendimento ao Público: das 12h30min às19h00min

Para conferir o original, acesse o site https://esaj.tjsp.jus.br/pastadigital/pg/abrirConferenciaDocumento.do, informe o processo 1009820-18.2017.8.26.0006 e código DC7CFB5.
SENTENÇA

Processo Digital nº: 1009820-18.2017.8.26.0006


Classe - Assunto Monitória - Contratos Bancários
Requerente: BANCO DO BRASIL S/A
Requerido: Fine Cosmeticos Ltda Epp e outros

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por LUCIANA MENDES SIMOES BOTELHO, liberado nos autos em 03/05/2021 às 16:57 .
Juiz(a) de Direito: Dr(a). Luciana Mendes Simões Botelho

Vistos.

BANCO DO BRASIL S/A, devidamente qualificado nos autos, ajuizou a presente


ação monitória em face de FINE COSMETICOS LTDA, LAERCIO XAVIER DA SILVA e
ADRIANA TEIXEIRA DA ROCHA, devidamente qualificados, alegando, em síntese, ser
credora dos réus no valor de R$ 230.496,38, decorrente do inadimplemento do contrato de
Abertura de Crédito denominado “Giro Flex” nº 154.805.151, na qual figuraram os corréus como
fiadores. Afirma que a primeira corré inadimpliu com suas obrigações financeiras a partir de
14/09/2015. Requer a condenação solidária dos réus ao pagamento do valor supramencionado,
acrescido dos encargos legais, com a consequente constituição do débito em título executivo
judicial (fls. 01/05). A inicial veio instruída com os documentos de fls. 06/94.

Regularmente citados (fls. 102 e 103), os corréus “Laércio e Fine Cosméticos”


ofertaram embargos às fls. 105/116, arguindo, preliminarmente, a inépcia da inicial e ilegitimidade
passiva. No mérito, discorrem sobre a abusividade da cláusula de renovação automática do
contrato. Pugnam pela observância do Código de Defesa do Consumidor. Dizem que não há
documentos comprobatórios da dívida e que o título não se reveste de liquidez, certeza e
exigibilidade. Afirmam que houve a cobrança de comissão de permanência, a qual julgam ser
abusiva. Impugnam o cálculo apresentado pelo embargado. Pleiteiam pela concessão dos
benefícios da justiça gratuita. Requerem o acolhimento das preliminares suscitadas, extinguindo-
se a ação sem resolução do mérito ou, alternativamente, a improcedência dos pedidos inaugurais.
Juntaram documentos (fls. 117/147).

Citada pessoalmente (fl. 237), a corré “Adriana” deixou transcorrer “in albis” o
prazo para realizar o pagamento do débito ou embargar a ação monitória (conforme certidão de fl.
238).

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Réplica dada às fls. 242/250.

Instadas as partes a especificarem provas, os corréus “Laércio e Fine” pugnam


pela produção de prova pericial (fl. 254), sendo que o autor, por sua vez, requereu o julgamento
antecipado da lide (fl. 255), enquanto, a corré “Adriana” quedou-se inerte (fl. 256).

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O feito foi saneado às fls. 257/258, oportunidade em que foi afastada a preliminar
de inépcia da inicial, assim como foram fixados os pontos controvertidos. Deferida a realização da
perícia contábil pleiteada pelos embargantes.

Sobreveio o laudo pericial nas fls. 320/429, sobre os qual as partes se


manifestaram às fls. 432/437 e 442/443.

É O RELATÓRIO.
FUNDAMENTO E DECIDO.

Inicialmente, dou por prejudicado o pedido de justiça gratuita pleiteado pelos réus
"Laércio e Fine Cosméticos", ante o recolhimento das custas (fls. 156/158).

No mais, a preliminar de inépcia da inicial foi afastada pela decisão saneadora de


fls. 257/258.

No que toca à revelia da corré "Adriana", observo que os embargos opostos às fls.
105/116 lhe aproveitam.

Ao mérito, pois.

Inicialmente, anoto que o Código de Defesa do Consumidor não tem aplicação no


caso concreto, em que o crédito foi concedido a pessoa jurídica como capital de giro, para
incremento da atividade empresarial. Os embargantes não se enquadram no conceito de
consumidores, porque vinculados ao embargado por relação de insumo e não de consumo,
daí porque não lhe assistem as normas protetivas da legislação consumerista.

Nesse sentido:

“(...)CONTRATO BANCÁRIO - RELAÇÃO DE CONSUMO - DESTINATÁRIO

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FINAL - ART. 2º DO CDC NÃO CARACTERIZAÇÃO - TEORIA MINIMALISTA OU
FINALISTA. Não caracterizada a condição de destinatário final, não há que se falar em aplicação
das regras contidas na Lei do Consumidor. Negócios jurídicos bancários que tinham por
finalidade fomentar as atividades empresariais desenvolvidas pela empresa coapelante.
Inexistência de relação de consumo. Negócios bancários que não foram celebrados por empresa
na qualidade de destinatária final. (...)” (TJSP, Apelação 0008514 82.2008.8.26.0576, Des. Rel.

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Roberto Mac Cracken, j. em 16/02/11).

"AÇÃO MONITÓRIA. Contratos de abertura de crédito em conta-corrente e


desconto de cheques. Ausência de relação de consumo entre as partes. Emprego do serviço como
incremento de atividade empresarial. Inaplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor
Recurso não provido". .... (TJSP, Apelação 0012798-48.2009.8.26.0302 , Des. Rel. Paulo Pastore
Filho, j. Em 19/6/13 – g.n.).

Sendo assim, inaplicável ao caso sob exame a regra do art. 6º, VIII, do Código de
Defesa do Consumidor, que permite “a inversão do ônus da prova”.

No caso em concreto, os elementos constantes dos autos patenteiam a existência


de relacionamento comercial entre as partes através do Contrato de Abertura de Crédito Crédito
"Giro Flex", datado de 11/09/2015, pelo qual os requeridos anuíram expressamente às condições
estabelecidas no contrato em apreço, responsabilizando-se solidariamente pelo cumprimento das
obrigações principais e acessórias decorrentes do contrato.

De se notar que, em nenhum momento, sustentam os requeridos que o débito não


existe, mas apenas debatem a respeito abusividade na cobrança de comissão de permanência e
juros de forma cumulada, além da suposta incorreção da planilha de evolução de débito.

É certo que as instituições financeiras não se sujeitam à limitação da taxa de juros


(Súmula nº 596 do E.STF), mesmo porque subordinadas unicamente aos limites fixados pelo
Conselho Monetário Nacional.

Nessa conformidade, portanto, o Banco Central do Brasil autorizou as instituições


financeiras a cobrar juros superiores a doze por cento ao ano, ao lado de correção monetária e

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multa contratual, diante mesmo da Súmula 596 do E. Supremo Tribunal Federal, até hoje não
revogada: “As disposições do decreto 22.626/1933 não se aplicam às taxas de juros e aos outros
encargos cobrados nas operações realizadas por instituições públicas ou privadas, que integram o
sistema financeiro nacional”.

No que concerne ao anatocismo, merece destaque a Medida Provisória

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1.963-17/2000, reeditada pela Medida Provisória 2170-36/2001, que admite a capitalização mensal
nos contratos firmados posteriormente à sua entrada em vigor, ou seja, a partir de 31/3/2000.

Neste sentido já decidiu o Egrégio Superior Tribunal Justiça:

“PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL.


DATA DE CELEBRAÇÃO DO CONTRATO. EMBARGOS ACOLHIDOS COM EFEITO
MODIFICATIVO. CAPITALIZAÇÃO MENSAL. POSSIBILIDADE. MP 2.170-36/2001. Com
relação à capitalização, a 2ª Seção, ao apreciar o Resp nº 602.068/RS, entendeu que somente nos
contratos firmados após 31.03.2000, data da publicação da Medida Provisória n. 1.963-17,
revigorada pela MP n. 2.170-36, em vigência graças aos art. 2º da Emenda Constitucional n.
32/2001, é admissível a capitalização de juros em período inferior a um ano. Embargos de
declaração acolhidos com efeito infringente, para, sanado erro material, alterar-se a decisão de
agravo regimental, que fica provido” (STJ, EDCL NO aGrG NO reSP Nº 745.185/rs, REL. Min.
Aldir Passarinho Junior).

De seu turno, a comissão de permanência constitui encargo moratório que pode ser
cobrado após o vencimento da dívida, mas apenas nos seguintes termos: (i) não pode ser cumulada
com correção monetária (Súmula nº 30 do STJ) ou com juros remuneratórios (Súmula nº 296 do
STJ); (ii) será cobrada pela taxa média de mercado apurada pela Banco Central do Brasil, mas
limitada à taxa de juros contratada (Súmula nº 294 do STJ); (iii) não pode ser cumulada com multa
(Resolução nº 1.129/86 do BACEN) ou com os juros moratórios (v. RESP nº 595.653/RS, rel.
Min. Carlos Alberto Menezes Direito, 3ª T. j. 28/10/2004; AgReg no RESP nº 671.861, 3ª T. rel.
Min. NANCY ANDRIGUI, j. 09/05/2005; AgReg no RESP nº 712.801, 2ª Seção, Rel. Min. Carlos
Alberto Menezes Direito, j. 04/05/05; Ag.Reg no AG. nº 360421/RS, 3ª T., Rel. Min. ANTONIO
DE PÁDUA RIBEIRO, j. 22/11/2004; AgReg no RESP nº 536.588/RS, rel. Min. Humberto Gomes
de Barros, 3ª T., j. 18/05/2004).

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No caso, o Sr. Perito nomeado, em minucioso laudo, concluiu: "Após recálculo
observou-se que as taxas de juros efetivamente cobradas foram menores do que a taxa de juros
contratada, conforme item 6 e demais subitens deste relatório. Mediante recálculo apresentados
nos itens 6.2, 6.3 e 6.4 deste relatório, verifica-se que o cliente não pagou todos os valores
devidos no contrato em discussão e que houve cobrança indevida de comissão de permanência"

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(grifamos – fl. 328).

Assim sendo, resultou apurada uma diferença cobrada a maior, a título de


comissão de permanência cumulada indevidamente com juros remuneratórios, da importância de
R$ 3.853,21, em relação ao período de inadimplimento que, corrigida, alcança a importância de
R$ 10.215,71, até a data do laudo (fl. 388).

Nessa senda, a dívida apurada pelo Sr. Perito é de R$ 351.614,81, em 21/10/2020,


data da emissão do laudo pericial (fl. 329).

No que tange ao percentual de juros remuneratórios, esclareceu o Sr. Perito que


"as taxas de juros efetivamente cobradas foram menores do que a taxa de juros contratada" (fl.
328), portanto, a impugnação genérica acerca da abusividade da cobrança de juros remuneratórios
não merece ser acolhida.

Nesse sentido:

"APELAÇÃO - AÇÃO MONITÓRIA - CONTRATO DE ABERTURA DE


CRÉDITO - BB GIRO FLEX EMPRESARIAL - EMBARGOS MONITÓRIOS REJEITADOS -
SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA - RECURSO - GRATUIDADE E DIFERIMENTO
INDEFERIDOS - CONCESSÃO DE PRAZO SUPLEMENTAR PARA COMPROVAÇÃO DO
RECOLHIMENTO DO PREPARO - CERCEAMENTO DE DEFESA INOCORRENTE -
INAPLICABILIDADE DO CDC - PESSOA JURÍDICA - MÚTUO DESTINADO À
ATIVIDADE MEIO DA EMPRESA - LEGITIMIDADE PASSIVA ASSENTE - DEVEDORES
SOLIDÁRIOS - MONITÓRIA QUE DEVE EMBASAR-SE EM PROVA ESCRITA COM OU
SEM EFICÁCIA DE TÍTULO EXECUTIVO - ARTIGOS 700 E SEGUINTES DO CPC -
INSTRUMENTOS TRAZIDOS PELO BANCO AUTOR SUFICIENTES PARA EMBASAR A
AÇÃO - CAPITALIZAÇÃO DE JUROS EM PERIODICIDADE INFERIOR À ANUAL -

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POSSIBILIDADE - PRÉVIA PACTUAÇÃO - TEORIA DO DUODÉCUPLO - SÚMULAS Nº
539 E 540 DO STJ - ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE VÍCIOS CONTRATUAIS
INSUFICIENTES PARA INFIRMAR A TESE AUTORAL - SÚMULA Nº 381 DO STJ - JUROS
EXTORSIVOS NÃO VERIFICADOS - CONSONÂNCIA COM A MÉDIA DE MERCADO
DIVULGADA PELO BACEN - SENTENÇA MANTIDA - RECURSO DESPROVIDO, COM
DETERMINAÇÃO. (TJSP; Apelação Cível 1000639-82.2019.8.26.0471; Relator (a): Carlos

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Abrão; Órgão Julgador: 14ª Câmara de Direito Privado; Foro de Porto Feliz - 2ª Vara; Data do
Julgamento: 10/02/2021; Data de Registro: 10/02/2021).

Por fim, de acordo com a cláusula trigésima segunda, os corréus assumiram a


posição de fiadores, obrigados solidários, nos seguintes termos: "...na qualidade de fiador(es),
renunciando, expressamente, aos benefícios dos artigos 827, 830, 834, 835, 837 e 838, todos do
Código Civil /brasileiro, solidariamente se responsabilizam (m) pelo cumprimento de todas as
obrigações assumidas pelo (a) FINANCIADO (A) neste instrumento, quer no primeiro período de
vigência, quer nas prorrogaçções que se realizarem, conforme previsto na Cláusula
"RENOVAÇÃO DO CONTRATO (fl. 77)."

Acerca da renovação automática do contrato, dispõe a cláusula décima sexta do


contrato de abertura de crédito firmado entre as partes: "Não havendo manifestação em contrário
de qualquer das partes, o prazo de vigência, do presente instrumento será automático e
sucessivamente renovado por períodos de 360 dias, desde que mantidas as demais cláusulas e
condições contratuais" (fl. 71).

A esse respeito, consoante precedentes do Colendo STJ, não há abusividade ou


ilegalidade na cláusula que estabelece a prorrogação automática do contrato de fiança
concomitantemente ao contrato principal, devendo os fiadores responderem solidariamente com o
afiançado no tocante à dívida inadimplida. Confira-se:

“A jurisprudência desta Corte firmou entendimento no sentido de ser válida a


cláusula que estabelece a prorrogação automática da fiança juntamente com a do contrato
principal, cabendo ao fiador, ao almejar a sua exoneração, realizar, no período de prorrogação
contratual,notificação prevista no art. 835 do Código Civil.” (REsp 1673383/SP, Rel. Ministro
PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 11/06/2019, DJe

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19/06/2019)

“A jurisprudência desta Corte é no sentido da validade da cláusula que estabelece


a prorrogação automática da fiança com a renovação do contrato principal, cabendo ao fiador,
acaso intente sua exoneração, efetuar, no período de prorrogação contratual, a notificação de que
reza o art. 835 do Código Civil. Precedentes.” (AgInt no REsp 1698392/SP, Rel. Ministro RAUL

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ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 08/11/2018, DJe 19/11/2018)

Nesse sentido, também já decidiu o E. Tribunal de Justiça:

"INEXIGIBILIDADE C.C. REPARAÇÃO DE DANOS. Contrato de abertura de


crédito em conta corrente (capital de giro). Fiança bancária. Prorrogação automática na
hipótese de renovação do contrato principal. Regularidade. Precedente do C. STJ. Exoneração
que depende de notificação do fiador. Inteligência do art. 835 do CC. Honorários advocatícios
fixados em 10% sobre o valor da causa. Razoabilidade e proporcionalidade. Sentença mantida.
Honorários advocatícios em grau recursal. Majoração. Inteligência do art. 85, § 11, do NCPC.
Recurso não provido". (TJSP; Apelação Cível 1004821-48.2016.8.26.0526; Relator (a): Tasso
Duarte de Melo; Órgão Julgador: 12ª Câmara de Direito Privado; Foro de Salto - 1ª Vara; Data do
Julgamento: 09/03/2018; Data de Registro: 09/03/2018)

"APELAÇÃO – Ação de cobrança – Contrato de abertura de crédito em conta


corrente – Capital de giro - Sentença de procedência - Recurso de apelação de corréu fiador que
atende satisfatoriamente o princípio da dialeticidade – Ilegitimidade passiva – Inocorrência –
Fiança - Prorrogação automática na hipótese de renovação do contrato principal -
Regularidade - Precedentes do C. STJ - Cerceamento de defesa não configurado - Taxa de juros
cobrada que não se mostra abusiva e nem se distancia da prática de mercado – Capitalização –
Inexistência - Comissão de permanência pela taxa média de mercado – Admissibilidade desde que
não cumulada com outros encargos de mora – Incidência do Fator Acumulado de Comissão de
Permanência (FACP) – Afastamento – Sentença reformada nesse ponto – Recurso provido em
parte". (TJSP; Apelação Cível 0011697-77.2005.8.26.0152; Relator (a): Irineu Fava; Órgão
Julgador: 17ª Câmara de Direito Privado; Foro de Cotia - 3ª Vara Cível; Data do Julgamento:
11/03/2020; Data de Registro: 11/03/2020, grifamos)

1009820-18.2017.8.26.0006 - lauda 7
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Ante o exposto, acolho parcialmente os Embargos Monitórios, para tão somente
reconhecer o excesso de cobrança no tocante à comissão de permanência indevidamente cumulada
apurada no laudo pericial e JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE a ação monitória
proposta por BANCO DO BRASIL S/A contra FINE COSMÉTICOS LTDA, LAERCIO XAVIER
DA SILVA e ADRIANA TEIXEIRA DA ROCHA, constituindo de pleno direito o título executivo
judicial condenatório dos réus no pagamento do valor de R$ 351.614,81 (trezentos e cinquenta e

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um mil seiscentos e quatorze reais e oitenta e um centavos), devidamente corrigido e acrescido de
juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, desde a data do laudo de fls. 320/429.

Tendo a autora decaído de parte mínima do pedido, arcarão os réus embargantes


com o pagamento das custas, despesas processuais e honorários advocatícios da parte adversa, que
arbitro em 10% sobre o valor da condenação.

P.I.C.

São Paulo, 3 de maio de 2021.

DOCUMENTO ASSINADO DIGITALMENTE NOS TERMOS DA LEI 11.419/2006,


CONFORME IMPRESSÃO À MARGEM DIREITA G

1009820-18.2017.8.26.0006 - lauda 8

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