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Título executivo europeu para créditos não contestados

O regulamento cria um título executivo europeu para créditos * não contestados *.


Graças ao estabelecimento de normas mínimas, este instrumento garante a livre
circulação de decisões *, transacções judiciais e instrumentos autênticos *
relativamente aos créditos não contestados em todos os Estados-Membros. Deixou de
ser necessário recorrer a procedimentos intermédios no Estado-Membro de execução *
previamente ao reconhecimento e à execução.

ACTO

Regulamento (CE) n.º 805/2004 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 21


de Abril de 2004, que cria o título executivo europeu para créditos não
contestados [Ver Actos Modificativos].

SÍNTESE

O regulamento tem como objecto a criação de um título executivo europeu para


créditos não contestados. Estabelece normas mínimas para assegurar que as decisões,
transacções judiciais e instrumentos autênticos relativos a créditos não contestados
possam circular livremente. Isto significa a supressão do exequatur, ou seja, o
reconhecimento e a execução automática, sem qualquer procedimento intermédio nem
motivo de recusa de execução das decisões proferidas noutro Estado-Membro.

Âmbito de aplicação

O regulamento aplica-se em matéria civil e comercial. O presente regulamento não


abrange, nomeadamente, as matérias fiscais, aduaneiras e administrativas. O
regulamento é aplicável em todos os Estados-Membros, com excepção da Dinamarca.

Título executivo europeu

A decisão relativa a um crédito não contestado é certificada enquanto título executivo


europeu pelo Estado-Membro de origem *, mediante o preenchimento de certas
condições bem precisas. A certificação será efectuada através da entrega de um
formulário-tipo. Pode suceder que a certificação apenas diga respeito a uma parte da
decisão, falando-se nesse caso de "título executivo parcial".

Sempre que uma decisão inclua uma decisão com força executória sobre o montante
dos custos judiciais, essa decisão pode também ser certificada no que respeita aos
custos, a não ser que o devedor tenha especificamente contestado a sua obrigação de
suportar esses custos Além disso, a certidão pode ser rectificada, se existir uma
discrepância entre a decisão e a certidão, ou revogada, nos casos em que tenha sido
emitida de forma claramente errada. Além disso, não está previsto qualquer recurso
contra a decisão relativa à certificação. A certidão de título executivo europeu só produz
efeitos dentro dos limites da força executória da decisão.

Normas mínimas

O processo judicial no Estado-Membro de origem deve obedecer a certos requisitos


processuais para que uma decisão relativa a um crédito não contestado possa ser
certificada como título executivo europeu.

O regulamento fixa disposições mínimas no que diz respeito às modalidades de citação


e de notificação dos actos (petição inicial e, se for caso disso, notificação para
comparência numa audiência), a fim de garantir o respeito dos direitos da defesa.
Apenas os meios de citação ou notificação enumerados no regulamento são autorizados
para que a decisão possa ser certificada como título executivo europeu.

Além disso, a petição inicial deve indicar com precisão as informações relativas:

• Ao crédito (dados pessoais das partes, montante do crédito, existência de juros


e respectivo período, etc.).
• Às modalidades processuais necessárias para a contestação do crédito (prazo
fixado para contestar, consequências da falta de objecção, etc.).

O regulamento prevê a possibilidade de suprir a inobservância destas exigências,


nomeadamente mediante o respeito de certas condições. Para que a decisão possa ser
certificada como título executivo europeu, o Estado-Membro de origem deve,
obrigatoriamente, prever o reexame da decisão em casos excepcionais.

Execução

O direito nacional do Estado-Membro de execução rege os procedimentos de execução.


O credor deve apresentar à autoridade competente para a execução no Estado-Membro
de execução:

• Uma certidão autêntica da decisão.


• Uma certidão autêntica de título executivo europeu.
• Se necessário, uma transcrição da certidão de título executivo europeu ou uma
tradução desta na língua oficial do Estado-Membro de execução ou em qualquer
outra língua que o Estado-Membro de execução tenha declarado aceitar.

Não pode ser exigida qualquer caução, garantia ou depósito suplementar ao credor pelo
facto de ser nacional de um país terceiro, ou de não estar domiciliado ou não ser
residente no Estado-Membro de execução.

O tribunal competente do Estado-Membro de execução pode, em certas condições,


recusar a execução se a decisão for inconciliável com uma decisão anteriormente
proferida num Estado-Membro ou num país terceiro. Em certos casos, também pode
suspender ou limitar a execução

Disposições gerais e finais

Todas as informações necessárias para a aplicação do regulamento serão comunicadas


pelos Estados-Membros à Comissão, que procederá à respectiva publicação. Além disso,
para facilitar o acesso ao procedimento de execução, bem como a qualquer informação
relativa ao mesmo, os Estados-Membros comprometem-se a fornecer ao grande público
e aos meios profissionais interessados todas as informações pertinentes,
nomeadamente no âmbito da Rede Judiciária Europeia em matéria civil e comercial.

O credor é livre de solicitar o reconhecimento e a execução de uma decisão em


conformidade com as disposições do Regulamento (CE) nº 44/2001. Além disso, o
presente regulamento não prejudica a aplicação do Regulamento (CE) n° 1348/2000.

O presente regulamento é aplicável a partir de 21 de Outubro de 2005. Na sequência da


adesão dos novos Estados-Membros em 1 de Maio de 2004, os anexos do presente
regulamento foram substituídos pelo Regulamento (CE) n.° 1869/2005 a fim de adaptar
os formulários-tipo de forma a poderem ser utilizados nestes Estados-Membros.

Palavras-chave do acto

• Decisão: qualquer decisão proferida por um tribunal de um Estado-Membro,


independentemente da denominação que lhe seja dada.
• Crédito: a reclamação do pagamento de um montante específico de dinheiro que
se tenha tornado exigível ou para o qual a data em que é exigível seja indicada na
decisão.
• Não contestado: o devedor não se opôs ao crédito durante um processo judicial,
ou nunca compareceu, ou admitiu expressamente a existência e justificação do
crédito durante um processo judicial, nomeadamente mediante transacção judicial
ou num instrumento autêntico.
• Instrumento autêntico: um documento que tenha sido formalmente redigido ou
Palavras-chave do acto

registado como autêntico ou uma convenção em matéria de obrigações


alimentares.
• Estado-Membro de origem: o Estado-Membro no qual tiver sido proferida a
decisão a certificar enquanto título executivo europeu.
• Estado-Membro de execução: o Estado-Membro no qual for requerida a execução
da decisão certificada enquanto título executivo europeu.