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Materiais Odontológicos para Adequação do Meio

O que focar na prova:


 CIV
 Hidróxido de Cálcio

Cimentos de Ionômero de Vidro


Podem ser classificados em quatro grupos: cimentos convencionais ou tradicionais, cimentos reforçados
por metais (“cermet”), cimentos de alta viscosidade e cimentos modificados por resina.
Os CIV têm propriedades importantes que o tornam um material ideal para o selamento cavitário e
prevenção de cáries secundárias. O CIV tem facilidade de manipulação, melhores e excelente estética inicial
sendo uma boa alternativa para vários procedimentos em clinica. Além disso, foi comprovado como elemento
eficaz nas restaurações se tornando de grande importância na odontologia.
Quando o pó e liquido são misturados inicia uma reação ácido-base formando um sal e ao longo do
desenvolvimento da reação são formados sais de policarboxilato de cálcio (reação de endurecimento inicial) e
sais de policarboxilato de alumínio (reação de endurecimento tardio). O processo de endurecimento do CIV
dura em media 24 horas. Wasson e Nicholson (1993) acreditam que a formação de uma cadeia amorfa de
silicato seja também responsável pela presa e manutenção das propriedades mecânicas dos CIV em períodos
mais tardios (1 a 2 meses).
Duas das principais propriedades dos CIV estão ligadas com a reação de endurecimento: adesão a
estrutura dentaria e liberação de flúor. Caso ocorra uma reação com os grupamentos amina da matriz orgânica
da dentina também poderia contribuir com a adesão, já em se tratando do flúor a sua liberação é sempre maior
durante a fase inicial de presa. É importante que o clinico conheça os mecanismos de endurecimento para que
possa obter o máximo das restaurações com CIV.
As manobras clínicas são de grande importância para o sucesso ou fracasso do procedimento clinico.
Devem ser limitados ao mínimo o uso de materiais cortantes para remoção dos excessos indesejáveis. Os CIV
são de fácil contaminação com fluidos orais, principalmente durante os períodos iniciais de endurecimento.

Propiedades do CIV:
2.1 Resistência coesiva
Incluem-se resistência à compressão, tração, tração diametral, flexural etc. A resistência dos CIV
(reforçados ou não) é menor que as das resinas compostas. Em relação as indicações clínicas do CIV, o que tem
mais se destacado é o seu uso como material de proteção ou base de restauração e isso possivelmente pelas
limitações mecânicas que o CIV possui. Em áreas que sofreram diretamente esforços mastigatórios não se deve
indicar restaurações desse material.

2.2 Liberação de flúor


Praticamente todos os CIV, convencionais, reforçados ou modificados, são capazes de liberar uma
quantidade significante de flúor para o meio onde se encontram por um período prolongado. O flúor liberado
pode ser incorporado em tecidos mineralizados do dente, tornando destes mais resistentes aos processos de
desmineralização.
Recentes estudos demonstram que o CIV possui a capacidade de absorver flúor do meio, funcionando
como um reservatório permanente para posterior liberação, estendendo o prazo de tempo no qual o flúor ficará
disponível no meio bucal .
Além disso, o CIV tem sido associado a um potencial antibacteriano, devido principalmente a presença
de flúor e zinco. Esses fatores associados a liberação de flúor faz com que o CIV seja o material de escolha para
o tratamento, mesmo que temporário, de pacientes com alto risco de cárie. Sempre que possível, os CIV devem
ser preferidos, mas sempre levando em conta as suas limitações mecânicas e estéticas.

2.3 A adesão à estrutura dentária


A adesão dos CIV aos tecidos mineralizados do dente se faz basicamente através da ligação com os íons
de cálcio. Sendo assim, a adesão na dentina é inferior à do esmalte. A adesão dos CIV à estrutura dental é
considerada baixa quando comparada com resinas compostas. Entretanto, quando comparados os índices de
infiltração marginal é comum os CIV terem índices similar ou ainda menor do que os sistemas resinosos.
2.4 Compatibilidade Biológica
Os CIV são materiais considerados biocompatíveis. Estudos laboratoriais indicam reações histológicas
leves a moderadas do órgão pulpar frente a aplicação desses matérias diretamente em dentina.
Recomenda-se a aplicação de um cimento à base de hidróxido de cálcio somente nas áreas de maior
proximidade com a polpa em cavidades profundas, isso devido a acidez gerada após a mistura. Os CIV
promovem um adequado selamento da interface, associado ao potencial antibacteriano, representando assim
uma ótima opção para proteger o complexo dentino-pulpar.

Desvantagens do CIV

Os cimentos de ionômero de vidro modificados por resinas apresenta algumas desvantagens como maior
contração de polimerização de (3,24% a 3,26%) em comparação com resinas P50 e silux que apresentam
respectivamente (2,19% a 1,72%),menor translucidez e mudança de cor após 1 e 2 anos de inserção das
restaurações.

Composição do CIV:
Os cimentos de ionômero de vidro, genericamente, representam uma combinação de pó do cimento de
silicato e do cimento de policarboxilato. Apresentam como principais constituintes do pó a sílica (SiO 2) a
alumina (Al2O3) o fluoreto de cálcio (CaF2) e o pentóxido de fósforo (P2O5) que promovem uma melhora nas
propriedades como resistência mecânica e adesão ao dente. O flúor, além de melhorar as características de
obtenção e de trabalho, confere um potencial efeito anti-cariogênico ao material por meio da liberação para a
parede dentária adjacente à restauração ou para o meio bucal. O líquido é essencialmente uma solução aquosa
do ácido poliacrílico ou polimaleico e ácido tartárico, incluído com o objetivo de acelerar a reação de presa. Os
cimentos de ionômero de vidro (CIV) são materiais que consistem de partículas inorgânicas de vidro dispersas
numa matriz insolúvel de hidrogel. As partículas de vidro têm função de material de preenchimento e são fonte
de cátions para formação de ligações cruzadas com as cadeias poliméricas.
Os cimentos de ionômero de vidro são apresentados comercialmente na forma de pó e de líquido. Com a
sua mistura inicia-se uma reação de presa do tipo ácido/base que forma um sal de hidrogel, o qual representa a
matriz de ligação.

Reação de Presa:
A reação de presa dos CIVs convencionais ocorre em 3 estágios: deslocamento de íons, formação da
matriz de hidrogel e a fase de gel de polissais. A fase de deslocamento de íons ocorre durante a aglutinação do
pó e líquido, onde a fase aquosa dos ácidos umedece e dissolve a camada externa das partículas de vidro do pó
inicialmente pelo ataque do íon hidrogênio às partículas de vidro (o vidro de silicato de alumínio e cálcio é
atacado pelo ácido poliacrílico do líquido e se decompõe com a liberação de íons metálicos e ácido sílico,
condensando-se em forma de gel de sílica) liberando os íons metálicos Al3+ e Ca2+ que migram para a fase
aquosa do cimento juntamente com os íons fluoreto. A concentração de íons cálcio e alumínio e o pH da fase
aquosa aumentam até um ponto, quando os sais insolúveis precipitam e a geleificação ocorre (BUSSADORE, et
al., 2003). A porção mais externa das partículas de vidro reage com o ácido e se transforma em gel, e as porções
não reagidas atuam como carga da matriz de gel de polissais. O cálcio reage preferencialmente com o alumínio.
Neste estágio, o cimento é vulnerável à umidade e também ao ressecamento, pois os conteúdos de cálcio e
alumínio estão ainda em forma solúvel e necessitam de proteção. Depois da geleificação ou presa inicial, o
cimento continua a endurecer e os íons de alumínio e cálcio são rapidamente convertidos em poliacrilatos
insolúveis. Quando o cimento está totalmente endurecido, a matriz é insolúvel, não precisando mais de proteção
contra umidade ou ressecamento.
A presa dos cimentos de ionômeros de vidro modificados por resina se dá por meio da reação ácido-
base, característica dos cimentos convencionais e pela polimerização do monômero resinoso que se inicia por
ativação pela luz. A reação de fotopolimerização determina a formação de uma matriz polimérica, a qual
protege a reação ácido-base de uma possível contaminação inicial pela umidade

Cimento de òxido de Zinco e Eugenol (OZE)


Utilizado para restaurações temporárias e intermediárias, forramentos cavitários, base para isolamento
térmico, cimentação temporária e permanente, endodontia e periodontia e como cimento cirúrgico (nesse caso,
sem eugenol), sendo melhor como restaurador provisório do que como forramento.
É classificado como:
 Tipo I: para cimentação provisória, não deve ser usado quando o material restaurador definitivo for a
resina, pois interfere na polimenrização da resina, e sua resistência deve ser suficientemente baixa para
permitir sua remoção sem traumatizar o dente.
 Tipo II: para cimentação permanente ou de longa duração, possui maior resistência à compressão,
embora ainda inferior a todos os outros demais cimentos. Sua manipulação é mais difícil.
 Tipo III (IRM): usado para restaurações temporárias e como base; estimula a formação de nova dentina.
 Tipo IV:para restaurações provisórias (pelo menos 1 ano) e forramento de cavidades.

Reação de Presa:
Sua reação de presa consiste na hidrólise do óxido de zinco e uma reação subseqüente entre o óxido de zinco e
o eugenol para formar um quelato. A água é necessária para iniciar a reação, além de ser um subproduto da
mesma. Por isso a reação de presa é acelerada com a umidade e altas temperaturas.

Propiedades do OZE
 Sedativo
 Antimicrobiano
 Higroscópico;
 Tem bom selamento marginal;
 Age como antiiflamatório por inibir a síntese de prostaglandinas;
 Biocompatível (seu pH é próximo do neutro)
 Bom isolante térmico (ideal para base de amálgama) e elétrico;
 Radiopaco
 Indicado para casos de dor exacerbada, cavidades retentivas, inflamações e edemas pulpares.

Desvantagens do OZE:
 Em altas concentrações tem efeitos danosos como inflamação crônica e necrose pulpar;
 Difícil manipulação;
 Contra-indicado para cavidades Classe III, IV e V
 Não possui adesão à dentina

Ler:
Revista Maxi-Odonto (scanner enviado)