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DADOS DO PARTICIPANTE

D.A.F.O., nascida em 21 de abril de 2004, 15 anos, 0 meses e 26 dias, gênero


feminino, atualmente frequentando o 1º ano do Ensino Médio e moradora de abrigo para
menores que estão sob proteção judicial. Para realização do teste, D.A.F.O. foi
acompanhada por M.B.M., seu irmão por parte de pai.
A aplicação aconteceu em 13 de maio de 2019, às 17:00 horas (horário de Brasília)
no Laboratório de Aplicação de Teste da Universidade São Judas Tadeu, campus Mooca,
sala 6. A anamnese foi divida em duas partes: inicialmente foram feitas perguntas com o
responsável pela adolescente presente. Após esse primeiro momento, o responsável foi
convidado a aguardar fora da sala e a entrevista seguiu somente com a avalianda.
Posteriormente foi realizada aplicação do teste com a adolescente, totalizando, então, uma
hora e dezenove minutos​ ​de duração do procedimento completo.

​II) ANAMNESE COMPLETA

Iniciais do Adolescente: D.A.F.O.


Gênero: Feminino
Data de nascimento: 21/04/2004
Idade no momento da entrevista: 15 anos, 0 meses e 26 dias

Iniciais do(s) responsável(is): M.B.M.


Gênero: Masculino
Idade no momento da entrevista: 21 anos
Grau de parentesco com a criança: Irmão

Data e horário da entrevista: 13/05/2019 às 17:00 horas


Duração: 1h19 minutos

ANAMNESE COM RESPONSÁVEL

ÁREA BIOLÓGICA

1. A criança ou o adolescente já fez algum tratamento médico? Onde foi feito?


Quando? Por qual motivo? Qual a especialidade do médico?
R: Passou uma semana internada no hospital Santa Cruz, na zona sul de São
Paulo. Nem a avalianda ou seu responsável quiseram especificar o motivo da
internação, que aconteceu pouco antes do natal de 2018.

2. Toma medicamentos? Quais? Qual a dosagem?


R: Não.

3. Já fez alguma cirurgia? Qual? Quando? Quais as reações diante da cirurgia?


R: Não.

4. Doenças na família (Mãe e Pai)


R: Não foram relatadas doenças na família.
5. Como são as funções básicas (sono, alimentação, hábitos de higiene)?
R: O sono pode variar, adolescente relata conseguir dormir mas acordar
durante a noite (interrupções no sono sem aparente motivo externo). Hábitos
de higiene normais e alimentação baseada nos horários impostos pelo abrigo
em que vive.

ÁREA PSICOLÓGICA

6. Como foi para o casal a notícia da gravidez do paciente? (A gravidez foi planejada?
O casal estava casado ou ainda eram namorados?)
R: A gravidez não foi planejada, pois pais não mantinham nenhum tipo de
relação amorosa.

7. Como foi a gestação? (apoio da família e do companheiro, alimentação, saúde,


intercorrências...)
R: Normal, sem nenhum tipo de problema físico.

8. Desenvolvimento: com quanto tempo a criança engatinhou, andou e adquiriu a fala


(ou seja, falar tudo e ser compreendido por terceiros). Na fala, apresenta ou
apresentou alguma dificuldade (gagueira, troca de letras, etc)?
R: D.A.F.O. começou a andar aos 11 meses, sendo essa a única informação
que souberam fornecer.

9. Vida escolar (trajetória escolar – a criança frequentou creche e desde que idade;
com qual idade a criança foi à escola; Como foi adaptação da criança na primeira
vez que foi a escola; como foi para a mãe o primeiro dia de escola; por quantas
escolas já passou, motivo das mudanças de escola; desempenho escolar)
R: Frequentou creche, entrando aos 3 anos de idade. Mãe costumava se
preocupar com o ingresso da filha na escola, mas tudo ocorreu normalmente.
A adolescente relata já ter estudado em aproximadamente dez escolas durante
sua vida acadêmica. Apesar disso, D.A.F.O. nunca repetiu nenhuma série,
obtendo desempenho escolar considerado bom até o 5º ano do ensino
fundamental. Devido à algumas questões pessoais e familiares, teve certa
dificuldade a partir dessa fase, mas ainda assim relata que gostava da escola
até o 9º ano do ensino fundamental.
10. Participação dos pais na vida escolar da criança (reuniões, auxilia nas lições)
R: Mãe teve boa participação na vida escolar da adolescente, demonstrando
interesse no que a filha fazia na escola e em suas interações diárias. Também
costumava tentar ajudar em algumas atividades enquanto a filha estava no
ensino fundamental.

ÁREA SOCIAL

11. Situação dos Pais (separados, casados ou nunca viveram juntos? Se casados, há
quanto tempo?; Se nunca viveram juntos, por que? Se separados, há quanto tempo,
por que?)
R: Pais nunca mantiveram um relacionamento amoroso, pois o pai era casado
com outra mulher. A mãe da adolescente posteriormente se casa com outro
homem, que lhe é apresentado como sendo seu pai biológico. Todos sabiam
da verdade, exceto pela adolescente, até alguns meses atrás. Mas a mesma
afirma que sempre desconfiou de que ele não era seu pai biológico devido a
falta de semelhanças entre eles

12. Situação dos Irmãos (idades; casados ou solteiros; quantos também são filhos do
mesmo pai da criança). Se houver filhos de outros pais: quantos pais, motivo da
separação dos outros pais de seus filhos, se esses pais mantêm contato com seus
filhos ou fornecem algum auxílio financeiro.
R: O pai possuía filhos provenientes de seu casamento quando houve
envolvimento com a mãe da voluntária, sendo M.B.M. (responsável que a
trouxe para a realização do teste) um deles. O pai sabia da existência de sua
filha, bem como toda sua família, mas nunca tiveram nenhum tipo de conexão
com ela pois a mãe da adolescente achava melhor dessa forma. A mãe se casa
com o homem que viria a ser o padrasto de D.A.F.O. e tem outros três filhos
com ele.

13. Onde o paciente dorme? (se já dormiu com os pais: por quanto tempo, com qual
idade saiu do quarto ou cama dos pais e como foi a passagem para seu próprio
quarto ou cama)
R: Passou a viver em abrigos há aproximadamente oito meses, morando em
dois deles neste período de tempo. Divide o quarto com outras três garotas
que também vivem no abrigo.

14. Refeição (Como se organizam para as refeições) O que acontece na hora do


almoço, jantar... / Para onde vão, se comem juntos, no sofá, se separados... / Se
estão juntos, sobre o que conversam?
R: No abrigo, as refeições acontecem em horários estabelecidos pelos
funcionários que lá trabalham. Quando tudo está pronto, todos os menores
que lá vivem são chamados para comer. Conjuntamente dirigem-se para o
local designado para alimentação, devendo comer em silêncio após todos se
acomodarem.

15. Situação econômica/financeira (Recebem ajuda de algum órgão?) Quantas pessoas


moram na casa? Quem são essas pessoas? Quem trabalha? O que faz? Renda
familiar em salários mínimos
R: A adolescente encontra-se vivendo em um abrigo para menores que estão
sob proteção judicial, desde a separação da mãe e de seu padrasto. No abrigo
em que vive atualmente, vivem também outras 15 crianças. D.A.F.O. diz que,
apesar de ocasionalmente acontecerem algumas desavenças e de não ser
particularmente próxima de ninguém, no geral mantém uma boa relação com
todos do abrigo, incluindo os funcionários que lá trabalham.

16. Segue alguma alguma religião em específico?


R: Não pratica nenhuma religião atualmente, mas conhece ou até mesmo já
frequentou algumas. Dentre elas, destaca a Umbanda como sendo a religião
com a qual mais se identifica.

17. Lazer da família: O que a família costuma fazer nos momentos de lazer? Quem
participa das atividades de lazer na família?
R: Não existem muitos momentos de lazer no abrigo, mas há permissão para
sair aos finais de semana. Ultimamente, tem visto sua mãe nessas ocasiões.
Além disso, com a recente aproximação do pai biológico, pai e filha têm saído
juntos e a adolescente às vezes é levada para conhecer algumas pessoas da
família do pai.
Relatou que no antigo abrigo havia mais atividades de lazer e que era mais
estruturado.

ANAMNESE COM ADOLESCENTE

VIDA SOCIAL

1. O que gosta de fazer nos momentos de lazer? Com quem tem feito?
R: Gosta de ler, nadar e sair. Costuma sair com seu namorado e recentemente
com sua mãe e pai biológico.

2. Prefere estar sozinho ou com amigos? Por quê?


R: Depende. Às vezes sente que não tem importância para ninguém e prefere
ficar só. Em outros momentos fica carente e procura companhia.

3. Pratica esportes? Quais?


R: No momento presente não está praticando nenhum esporte, mas há alguns
meses fazia natação em um clube perto de seu abrigo.

4. Quais os programas de TV prediletos? Por quê?


R: Gosta de séries de ação e de investigação. É curiosa e quer sempre
descobrir o enigma apresentado em cada história, observando detalhes no
enredo do episódio.

5. Você tem ídolos ou alguma pessoa que admira muito? Quem? Por que?
R: Admira a mãe por ser forte e os padrinhos pela forma como entraram em
sua vida, considerando-os “boas pessoas” [SIC].

6. Costuma sair com amigos? Quais programas faz com amigos? De onde são seus
amigos (escola, vizinhança, primos, etc)?
R: Não, pois não possui muitos amigos com os quais sair. Costuma sair com o
namorado, visitando parques, shoppings, cinemas.

7. Como é seu relacionamento com seu namorado(a)?


R: Conheceu o namorado no abrigo para menores, em um momento em que
D.A.F.O. diz que sentia-se muito solitária. Devido a isso, revela ser fortemente
apegada a ele, falando até sobre ter criado uma dependência emocional
conforme o passar do tempo.

a) Está satisfeito neste relacionamento? Já tiveram algum período de separação?


Por quê? Como superaram a(s) crise(s)?
R: A adolescente diz que está satisfeita com seu namoro e que ama seu
parceiro. Estão juntos há um ano e nunca houveram rompimentos. Às vezes
brigam por ela sentir muito medo de não ser suficiente, mas ele a compreende,
conversam e resolvem o desentendimento.

b) Possui relacionamento sexual? (verificar o peso da vida sexual para o casal,


sente-se satisfeito e realizado sexualmente, sente prazer com o parceiro, o
parceiro o(a) satisfaz, acredita que o parceiro esteja satisfeito)
R: Adolescente não sentiu-se confortável para responder a essa questão.

c) Ele(a) gosta das mesmas coisas? Costumam compartilhar dos momentos de


lazer?
R: Ela os descreve como sendo pessoas bem diferentes, mas conta que
atualmente compartilham mais gostos e lugares em comum, em consequência
da convivência.

d) Compartilham dos mesmos amigos?


R: Não, mas ocasionalmente ela sai com os amigos dele.

8. Com qual frequência usa smartphone? Quanto tempo usa com redes sociais? Jogos
no celular ou Games? Desde que idade usa?
R: Usava bastante até que a bateria “viciou” [SIC]. Por conta disso, o aparelho
passa a maior parte do tempo conectado à tomada. Consequentemente, o uso
foi reduzido para uma média de duas horas por dia enquanto a adolescente
está no abrigo. Tem instalado um jogo de completar figuras, que joga para
passar o tempo quando não está falando com a mãe ou com o namorado.
Ganhou seu primeiro celular aos oito anos, mas só adquiriu seu primeiro
smartphone aos doze anos de idade.

VIDA ESCOLAR

9. De que mais gosta na escola e do que menos gosta. Por quê?


R: Paciente aponta que gosta da matéria de Sociologia “porque gosta de
entender comportamentos” [SIC]. Não gosta do professor de matemática, o
considera rude e impaciente para ensinar.

10. Possui amigos na escola?


R: Ainda não fez amigos pois entrou nessa escola em específico há
aproximadamente um mês. Relata que algumas pessoas demonstram
hostilidade para com ela pelo fato de viver em abrigo.

11. Como ele avalia seu próprio comportamento na escola (como ele se vê como aluno)
R: Considera que, em outras escolas, seu desempenho foi bom. No entanto,
sobre a escola atual diz que ainda está se adaptando, pois foi matriculada
somente recentemente. Pois mudou muito de escola e nessa constante
mudança não conseguia acompanhar as matérias que eram passadas, perdia
conteúdo.

12. Quais os planos para o futuro?


R: Terminar o ensino médio, fazer cursinho, entrar em alguma universidade.
Ainda não tem bem definido qual curso superior escolher, mas diz gostar da
ideia de defender pessoas e de investigar coisas.

13. Qual sonho gostaria de realizar?


R: Gostaria de ter família, um lar.

VIDA PROFISSIONAL
Adolescente ainda não ingressou no mercado de trabalho formal.

VIDA FAMILIAR

14. Como avalia relacionamento com sua mãe? Como foi o relacionamento na infância e
na adolescência?
R: Era boa até a mãe sair de casa. Se afastaram bastante depois disso. Durante
a infância a relação era tranquila, problemas começaram quando D.A.F.O. tinha
onze anos. Em razão de problemas financeiros, a mãe precisou arranjar um
emprego e o padrasto não aceitou isso bem. Subsequentemente, a mãe teve
depressão com surtos psicóticos e acabou por sair de casa. D.A.F.O. diz que se
culpava pela mãe ir embora e que se frustrava com promessas que ela fazia de
voltar. Como os filhos ficaram na casa, o padrasto começou a impedir que a
mãe mantivesse qualquer contato com eles. Atualmente, a adolescente e sua
mãe estão retomando o convívio, mas ainda de forma limitada devido às
restrições judiciais e do abrigo.

15. Como avalia seu relacionamento com seu pai? Verificar como foi o relacionamento na
infância e na adolescência. (se o pai for falecido, perguntar o que se lembra do
relacionamento com o pai).
R: A adolescente cresceu sendo criada pelo seu padrasto, o qual a mãe alegava
ser seu pai biológico. Ainda que a mãe se negasse a contar mais do que isso,
D.A.F.O. diz que sempre desconfiou de que não era filha desse homem, pois
tinha uma tia que costumava fazer comentários sobre ela ser perfilhada. Além
disso, quando mais velha, começou a notar algumas diferenças físicas quando
comparada com seus irmãos. Relata que a mãe nunca desejou apresentá-la a
seu pai biológico. Entretanto, após a mãe se separar de seu padrasto, em um
momento de necessidade, a mãe contatou o pai biológico para solicitar ajuda
acerca de uma situação envolvendo a adolescente. Inicialmente ela o apresenta
para a filha como sendo um amigo, mas D.A.F.O. desconfia e começa a
questionar. Após algum tempo a mãe conta a verdade. Esses acontecimentos
são relativamente recentes, mas desde então pai e filha estão se conhecendo e
tem desenvolvido uma boa relação.

16. Como você lidou com a revelação da identidade de seu pai biológico?
R: D.A.F.O. diz que não teve problemas quanto a isso, que pouco se afetou,
recebendo a informação de forma tranquila, pois já desconfiava da história da
mãe há muito tempo.

17. Como era a convivência com seu padrasto e como está a relação hoje em dia?
R: Descreve o padrasto como opressivo e conta que ele agredia a sua mãe. Com
a saída da mãe e a resultante separação, o padrasto começou a sobrecarregar a
adolescente, pressionando-a para ocupar o lugar da mãe na casa. Depois que
foi mandada para o abrigo, as primeiras vezes que viu o padrasto foram
“agoniantes” [SIC]. Hoje já não mantém nenhum contato com ele.

18. Se possuir irmãos, como avalia o seu relacionamento com eles.


R: Antigamente tinha um bom relacionamento com eles, até mesmo cuidando
deles na ausência da mãe. Hoje já não tem mais contato com nenhum dos
irmãos, visto que eles ainda moram com a tia, com a qual a adolescente não
mantém uma boa relação.
19. O que mais gosta de fazer? O que menos gosta?
R: Gosta de falar com a mãe, mas não gosta de falar com ninguém sobre as
experiências que teve quando morava com seu padrasto.

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