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_____Psicologia &m foco

Vol. 1 (1). Jul./Dez 2008

Avaliação Neuropsicológica da Aritmética em Crianças


___________________________________________________________________________

Alexandre José Raad1


Universidade Tiradentes – Sergipe/Brasil
Carlos Eduardo Pimentel2
Universidade de Brasília – Distrito Federal/Brasil
Thiago Oliveira de Almeida3
Universidade Tiradentes – Sergipe/Brasil

Resumo: O presente trabalho teve como objetivo efetuar uma avaliação neuropsicológica da
aritmética, ramo da matemática, em alunos de segunda série do nordeste brasileiro. A importância disto
reside no fato de que esta disciplina é reiteradamente considerada como “uma matéria difícil”, apesar de
fundamental para a formação do indivíduo. A partir de uma amostra de conveniência constituída por 61
alunos de segunda série de escolas públicas do estado de Sergipe, pode-se concluir que os mesmos
apresentaram uma pontuação que indica dificuldades nas questões da Prova de Aritmética (CAPOVILLA,
MONTIEL, CAPOVILLA, 2006). De acordo com as comparações entre meninos e meninas não se
verificaram diferenças estatisticamente significativas na aritmética. Estes resultados são discutidos a luz
de pesquisas empíricas na área.

Palavras-chave: avaliação neuropsicológica, aritmética, alunos de escolas públicas.

Neuropsychological evaluation of arithmetic in children

Abstract: The current research had as the objective to effect a neuropsychology assessment
of the arithmetic, section of the mathematics, among students of the second grade from the brazilian’s
northeast. The significance of this is on the fact that this subject is considerated “a difficult subject”,
despite being fundamental to the formation of the person. From a sample of suitability constituted by 61
second grade’s students of the publics school on the state of Sergipe, can be concluded that the same
presented a score that indicates difficulties on the questions of the Arithmetic’s Test (CAPOVILLA,
MONTIEL, CAPOVILLA, 2006). In accordance with the comparisons between boys and girls have not
checked differences statistically significants on the arithmeric. This results are discussed to the light of
empirical researches.

Keywords: neuropsychology assessment, arithmeric, students of the publics school.

1
Professor do Curso de Psicologia da Universidade Tiradentes.
2
Aluno da Pós-Graduação em Psicologia Social, das Organizações e do Trabalho da Universidade de Brasília. Endereço
eletrônico: kdu1976@gmail.com
3
Aluno do 4º período do Curso de Psicologia da Universidade Tiradentes.

Psicologia &m foco, Aracaju, Faculdade Pio Décimo, v. 1, n. 1, jul./dez. 2008


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Introdução outros acham que sim. Destarte, Coltheart sugere


uma divisão entre neuropsicologia cognitiva e
Na área da matemática concentram-se neurociência cognitiva. Incumbindo a
um grande número de dificuldades e fracassos neuropsicologia cognitiva de estudar o encéfalo e
escolares (GONZÁLEZ-PIENDA, ALVAREZ, os processos neurológicos por conta de
1998). No entanto, estes conhecimentos são de neurociência cognitiva. Portanto, sabe-se que o
importância capital para o desenvolvimento e conhecimento dos dados neurológicos é essencial
formação do indivíduo. O objetivo principal desta para a formação de teorias sobre os processos
pesquisa é avaliar o desempenho na aritmética, a mentais. Desse modo, a neuropsicologia parte de
partir de uma avaliação neuropsicológica, de três pressupostos básicos, que são: a modularidade
crianças do ensino fundamental. Esta avaliação que se refere à independência funcional entre
levará em consideração a compreensão e contagem diferentes processamentos, as dissociações que são
dos números, a habilidade de calcular, e a as situações em que o paciente que desenvolve
habilidade de resolver problemas aritméticos alterações no desempenho mental e o isomorfismo
apresentados verbalmente. que se refere aos módulos cognitivos como
A importância deste trabalho se dá no universais e todos os pacientes respondem aos
sentido de que permite a análise das dificuldades estímulos neurológicos de forma particularmente
de matemática e auxilia a compreender os similar. Todos os pressupostos criados a fim de
processos envolvidos nessas habilidades, além de contribuir para o desenvolvimento teórico e
permitir esclarecer se há ou não discrepâncias procedimentos de reabilitação (op.cit.).
importantes entre habilidade de matemática em Capovilla (2004) em seu artigo
crianças de acordo com o sexo. E ao utilizarmos recapitula a relação entre psicologia e neurologia,
procedimentos de avaliação e de intervenção destacando o processo histórico de organização
cientificamente validados, os profissionais poderão científica e necessidade de inovações no processo
acompanhar o desenvolvimento das crianças na de tratamento dos indivíduos que sofreram
matemática, bem como detectar e intervir de forma disfunção com alguma parte do cérebro. Já
mais eficaz nestes problemas. Kristensen et al (2001) mostra que a história da
psicologia pode ser traçada a partir de quatro
Neuropsicologia diferentes vias: da gnosiologia, da psicopatologia,
do romantismo e da neurologia. A via gnosiológica
O termo neuropsicologia foi utilizado está associada à história clássica e mais conhecida
pela primeira vez em 1913 em uma conferência da psicologia. O termo epistemologia é muitas
proferida por Sir William Osler, nos Estados vezes usado no sentido gnosiológico – gênese
Unidos. A neuropsicologia investiga a expressão psicológica do conhecimento individual - pela
comportamental das disfunções cerebrais, isto é, a influência anglo-saxônica, mas também é usado no
interação entre estruturas cerebrais preservadas e sentido francês de filosofia da ciência (lógica do
prejudicadas e as funções cognitivas, tais como conhecimento). De acordo com a autora, a união
linguagem, memória, atenção e outras de dois ramos da ciência (neuropsicologia e a
(KRISTENSEN, 20001). psicologia cognitiva) ajudou na explicação dos
Segundo Capovilla (2004) a problemas relacionados ao cérebro. Se a psicologia
neuropsicologia cognitiva visa à compreensão do cognitiva é capaz de prover modelos sobre o
processo de informação, utilizando modelos funcionamento mental, e a neuropsicologia
computacionais, descrevendo os padrões de cognitiva possui a capacidade de testar a
funcionamento de pacientes individuais, assim, é aplicabilidade desses modelos. Historicamente,
possível compreender exatamente o que se passa essa verificação ocorreu primariamente em
nos processos cerebrais dos indivíduos nas pacientes com lesões cerebrais. Por outro lado, as
diversas tarefas do dia-a-dia. No entanto, há informações obtidas através do estudo de pacientes
divergências em relação ao interesse do estudo, (ou grupo de pacientes) oferecem a oportunidade
pois para os fundadores da neuropsicologia a para que novos modelos teóricos sobre a cognição
localização das funções não era importante, já possam ser esboçados. Também é possível afirmar
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que as técnicas e os modelos neuropsicológicos mas também para o desenvolvimento de programas


humanos tornaram-se progressivamente de reabilitação (ARDILA, OSTROSKI-SOLIS,
sofisticados com o surgimento da neuropsicologia 1996). Assim, a avaliação embasada na
cognitiva como uma disciplina científica. neuropsicologia cognitiva busca ultrapassar tanto a
Rocha et al (2001) trata da questão mera classificação do indivíduo em relação a um
matemática e sua relação com o cérebro, os autores grupo de referência, quanto a mera descrição dos
consideram que é uma tradição de nossa cultura distúrbios apresentados visando à “interpretação
considerar a matemática como um sistema de dos mecanismos a eles subjacentes”
processamento simbólico, que caracteriza e (CAPOVILLA,1998; p.38).
distingue, assim como a linguagem, o homem dos A avaliação neuropsicológica pode se
animais. Uma nova visão do problema apareceu utilizar ainda de entrevistas, questionários e testes
incentivada pelo desenvolvimento das normatizados que permitam obter desempenhos
neurociências, na qual o conhecimento e o uso dos relativamente precisos (LEZAK,1995 apud
números é um processo resultante da evolução da CAPOVILLA, 2005). O dano cerebral é
vida na terra e suportado por circuitos neurais considerado um “fenômeno multidimensional
específicos. mensurável e que requer uma abordagem de
Nessa nova visão, os circuitos neurais avaliação multidimensional” Diversas condições
para quantificação surgem precocemente na escala que podem afetar as conseqüências de um dano
evolutiva e são aprimorados gradativamente até cerebral devem ser consideradas, tais como a
atingir a complexidade dos processos de cálculo natureza, extensão, localização e duração da lesão;
humano. Dessa forma descobriu-se que tanto os as características físicas, de gênero e de idade do
bebês quanto os animais têm a capacidade de paciente, sua história psicossocial; e as
contar e que esta está dissociada da capacidade da individualidades neuroanatômicas e fisiológicas
fala. Rocha et al (2001) utiliza de uma pesquisa de (CAPOVILLA, 2005, p.19).
campo para demonstrar que sua análise estava A avaliação neuropsicológica consiste
correta demonstrando que a dissociação entre os num exame complementar importante para o
circuitos neurais para linguagem e matemática neurologista. Ela estabelece a existência e avalia a
impõe que os processos de cálculo aritmético magnitude das alterações cognitivas secundárias a
tenham que ser modelados sem o recurso de regras lesão cerebral, proporcionando análise quantitativa
codificadas lingüisticamente. e qualitativa que permite a comparação com
indivíduos da mesma idade, sexo e escolaridade. A
Avaliação neuropsicológica avaliação neuropsicológica da dificuldade da
matemática no Brasil pode ser realizada pela
Segundo Hynd e Willis (1988) a Prova de Aritmética, desenvolvida por Capovilla,
avaliação neuropsicológica deve servir para: a) Montiel e Capovilla (2006), este teste é detalhado
diferenciar distúrbios orgânicos de não orgânicos; na seção instrumento. Conforme a neuropsicologia
b) diferenciar entre diversos tipos de distúrbios cognitiva (GRÉGORIE, 2000; NOVICK &
neuropsicológicos; c) mapear as principais áreas da ARNOLD, 1988), a competência aritmética inclui
dificuldade; d) auxiliar o direcionamento da três principais habilidades, a compreensão e
reabilitação ou remediação; e) documentar o contagem dos números, a habilidade de calcular, e
estado neuropsicológico atual, permitindo analisar a habilidade de resolver problemas aritméticos
a melhora ou a deterioração em função da apresentados verbalmente (CAPOVILLA, 2005a).
passagem do tempo ou de intervenções
medicamentosas ou neuropsicológicas Aritmética
(CAPOVILLA, 2005).
A avaliação neuropsicológica é um A palavra “aritmética” deriva do grego
método para se examinar o encéfalo por meio do arithmós significando “quantidade” ou “número”.
estudo de seu produto comportamental (LEZAK, A finalidade da Aritmética é estudar as
1995 apud CAPOVILLA, 2005) e é essencial não propriedades dos números e as operações que com
somente para a tomada de decisões diagnósticas, eles se podem realizar (NOVICK, ARNOLD,
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1988). Ela faz parte da matemática, ciência que é que os registros mais antigos de distúrbios
mais geral e envolve, além da aritmética, outras aritméticos datam por volta do ano de 1800. Esses
áreas como álgebra, geometria e trigonometria. A registros envolveram pacientes adultos que
Aritmética, portanto, se define como um ramo da sofreram danos cerebrais que primeiramente
matemática que trata de determinadas operações afetaram funções de linguagem, mas que também
sobre numerais, como a adição, a subtração, a apresentaram sérias perdas ou deterioração da
multiplicação e a divisão. habilidade de cálculo.
De acordo com Raad (2005), a origem Conforme revisão feita por Pineda e
do número perece ter surgido da necessidade que o Ardila (1991), a primeira descrição de alterações
homem tem de contar, visto que os seres humanos específicas de cálculo observadas após dano
na idade antiga intuitivamente usavam técnicas de cerebral foi realizada em 1920, por Henschen.
contagem em que registravam a quantidade de Vinte anos mais tarde, Gerstmann (1940)
animais que tinham por meio de, por exemplo, descreveu a síndrome que levou seu nome, e que
empilhamento de pedras. Pode-se notar que, se caracteriza pela presença da agrafia, agnosia
usando das faculdades que lhes eram peculiares, digital, confusão direita-esquerda e acalculia. Em
faziam associações em que, a cada objeto, era 1926, Berger distinguiu pela primeira vez as
atribuído um outro diferente, até que um desses se desordens primárias em cálculo (chamadas de
esgotasse. acalculia primária) das acalculias derivadas de
Dominar o conceito de número implica outros distúrbios cognitivos (chamadas de
a posse de dois atributos. O primeiro é uma acalculias secundárias). Em 1961, Hécaen e
“familiaridade” com números e a habilidade de colaboradores (apud PINEDA, ARDILA, 1991)
fazer uso de habilidades aritméticas, capacitando o denominaram a acalculia primária como anarritmia
indivíduo a enfrentar as demandas aritméticas e reconheceram dois tipos de acalculia secundária;
práticas de sua vida cotidiana. O segundo é a uma delas associada com a incapacidade para ler e
habilidade de ter alguma apreciação e escrever números (acalculia afásica, aléxica e
compreensão das informações que são agráfica) e a outra relacionada com a perda da
apresentadas em termos matemáticos, por ordem e da posição dos números (acalculia
exemplo, em gráficos, mapas e tabelas ou por espacial).
referencia a aumento ou redução de porcentagem Distúrbios aritméticos específicos em
(COCHEROEFT, 1982, apud VASCONCELOS, crianças, de origem desenvolvimental em vez de
FALCÃO, 2005). Segundo Vasconcelos e Falcão adquirida, não têm recebido muita atenção
(2005), a expressão máxima da atividade investigadora, havendo uma descrição clínica
aritmética é a resolução de problemas, que exige antiga de um distúrbio aritmético na infância
procedimentos seqüenciais e simultâneos, como publicada nos anos de 1930. Desde aquela época,
por exemplo, compreensão do enunciado, estudos de caso e estudos retrospectivos têm
levantamento da hipótese, utilização de estratégias, dominado a escassa literatura nessa área
organização e ordenamento dos procedimentos, (NOVICK, ARNOLD, 1988). Segundo Wechsler
planejamento da ação, monitoramento da ação, (1981), deve ser considerado que problemas com
manutenção da atenção e da atitude cognitiva, e aritmética em crianças podem refletir uma
verificação e compreensão dos resultados obtidos. variedade de distúrbios, tais como um distúrbio
global (por exemplo, inteligência rebaixada), um
Distúrbios da aritmética distúrbio específico (por exemplo, distúrbio
visoespacial ou lingüístico), ou um verdadeiro
No contexto neuropsicológico, os distúrbio em aritmética. Na neuropsicologia, os
distúrbios aritméticos adquiridos são chamados de três quadros de acalculia também são aplicados às
acalculia (NOVICK, ARNOLD, 1988) que, crianças, sendo chamados de discalculia quando
segundo Pineda e Ardila (1991), refere-se a uma correspondem a distúrbios do desenvolvimento.
alteração tanto no manejo dos números como nas
realizações de operações aritméticas conseqüentes
a dano cerebral. Novick e Arnold (1988), afirmam
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Avaliação da aritmética preservados no papel. A análise de erros, mais do


que a análise de escores, normalmente irá fornecer
Visto que a aritmética é fundamental uma compreensão do problema de cálculo do
tanto para a escolarização quanto para a vida paciente.
cotidiana de um indivíduo, é essencial proceder à Devido à escassez de instrumentos
sua avaliação, fornecendo normas sobre o disponíveis no Brasil para avaliar a competência
desempenho esperado em tais habilidades, aritmética, foi recentemente desenvolvida a Prova
permitindo verificar as estratégias preservadas e as de Aritmética (CAPOVILLA, MONTIEL,
prejudicadas em casos de problemas (RAAD, CAPOVILLA, 2006), usada no presente trabalho.
2005). Ela busca avaliar os aspectos citados por Novick e
É importante considerar que o Arnold (1988), Wechsler (1981), Luria (1973) e
desempenho em testes de aritmética pode estar Spiers (1987, apud Lezak, 1995). O instrumento
alterado em uma série de doenças que envolvem contém seis subtestes, leitura e escrita numérica,
diferentes problemas cognitivos. Tal desempenho contagem numérica, relação maior–menor,
tende a ser anormalmente baixo em pacientes com cálculos (com contas montadas, utilizando-se as
trauma cerebral agudo e tende a continuar baixo quatro operações básicas), cálculos que são
em tais pacientes de forma crônica. Assim, o apresentados oralmente para a criança montar e
desempenho rebaixado em aritmética, resolver, e finalmente problemas redigidos por
especialmente em casos de lesão cerebral, não é escrito que devem ser lidos e solucionados. A
suficiente para evidenciar um distúrbio de análise dos escores e dos tipos de erros cometidos
aritmética, mas pode refletir um problema geral e, pode fornecer indícios sobre as habilidades
portanto, deve ser analisado com cautela preservadas e prejudicadas em crianças.
(NOVICK, ARNOLD, 1988).
Alguns instrumentos têm sido usados Dificuldades com a matemática:
com o intuito de realizar a avaliação de aritmética. Diferenças por sexo
Um deles, conforme descrito por Wechsler (1981)
é o sub teste de Aritmética das escalas Wechsler. Um dos fatos mais fascinantes
Há uma tendência para os escores nesse sub teste referentes ao desenvolvimento atípico é que quase
diminuírem na presença de lesão cerebral. Porém, todas as formas de transtorno são mais comuns nos
por fazer uso do formato de aplicação oral, o meninos do que nas meninas. A exceção
examinador pode não perceber os freqüentes importante é a depressão, que é mais comum entre
efeitos da discalculia espacial, que se tornam as adolescentes e as mulheres adultas. Isso
aparente apenas quando o paciente precisa acontece nos estudos sobre divórcio e sobre outros
organizar conceitos aritméticos no papel, isto é, problemas relacionados aos pais, como discórdia
espacialmente. Em outros casos, o examinador entre os pais, doença mental, perda do emprego e
pode continuar ignorante sobre uma alexia de uma em muitos outros casos. Nessas situações, é mais
figura ou número que mostraria se o paciente provável que os meninos apresentem um
precisasse olhar para os símbolos aritméticos no comportamento perturbado, uma piora do
papel. desempenho escolar ou alguma outra indicação de
Luria (1973, apud LEZAK, 1995) usou problemas (ZASLOW, HAYES,1986 apud BEE,
problemas de aritmética de dificuldade crescente 2003).
para examinar habilidades de raciocínio. Esses No quadro ao fim do artigo, apresenta-
problemas não envolvem habilidades aritméticas se a proporção das psicopatologias com a
muito complexas, mas exigem implicitamente que proporção aproximada de homens para mulheres.
o sujeito faça comparações entre elementos do Nos últimos anos, constatou-se um
problema, e contêm operações intermediárias que aumento de investigações relacionando a dimensão
não são especificadas. afetiva do indivíduo (crenças, atitudes e emoções)
Segundo Wechsler (1981), um aspecto e o ensino/aprendizagem da matemática (LEDER,
importante de problemas de cálculo apresentados 1992; MCLEOD, 1992; UTSIMI, MENDES,
por escrito é que os erros são apresentados e 2000). O domínio afetivo está a adquirir muito
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protagonismo neste campo sustentado na hipótese SHERMAN, 1977, 1978). No entanto, as jovens
de que as atitudes, as crenças e as emoções participantes na pesquisa declararam que a
influenciam quer o sucesso, ou o baixo rendimento matemática era mais apropriada para os homens
e fracasso na aprendizagem da matemática. que para as mulheres. Estes dados recolhidos na
McLeod (1992) e Koehler e Grouws (1992) população jovem, a sua influência e o seu impacto
defendem, com dados das suas investigações, o diferencial nas mulheres e nos homens, foram
papel prioritário da dimensão afetiva no ensino da confirmados posteriormente (LEDER, 1992;
matemática. São inquestionáveis os insucessos SILVA, 2005).
escolares nos mais variados níveis instrutivos Willis (1995) e Fullarton (1993), entre
alocados à matemática. Entre as diversas variáveis outros autores, afirmam que esta atitude negativa
que influenciam esse insucesso encontram-se as das mulheres perante a aprendizagem da
atitudes negativas dos alunos em face desta área de matemática contribui para o seu menor
estudo. Watt (2000), por exemplo, realizou um investimento e sucesso nas disciplinas que
estudo que tinha como principal objetivo conhecer impliquem a mestria de conteúdos matemáticos.
a relação entre as atitudes e o rendimento Mais recentemente, Schmader, Johns e Barquissau
acadêmico na área da matemática, investigando de (2004) analisaram a variabilidade individual na
que modo esta se encontra influenciada pelos anos representação dos estereótipos de gênero nas
de escolaridade dos indivíduos. Os seus resultados competências para a matemática, concluindo que
foram consistentes com estudos anteriores, uma percentagem significativa de mulheres
assinalando uma mudança de atitudes face à assume a idéia de que os homens são superiores na
matemática ao longo da escolaridade; isto é, à matemática. Não obstante, nem todos os dados da
medida que se avança na escolaridade observam-se literatura apontam a favor da hipótese da
atitudes mais negativas face à aprendizagem dos “matemática como um domínio masculino”. Por
conhecimentos matemáticos, assim como uma exemplo, Forgasz (2000) realizou uma revisão
tendência para a ascendência masculina neste extensa para tentar contrastar a hipótese das
domínio (PIENDA et al., 2006). supostas diferenças de gênero a favor dos homens
Visão esta que difere da deste autor na aprendizagem da matemática. Os seus dados,
que considera os dados mais consistentes com estudantes australianos, revelaram que os
encontrados na literatura refere à diferença na rapazes consideravam a matemática mais difícil do
atitude face à matemática em função do gênero que as mulheres, necessitando, inclusive, de ajuda
(PIENDA et al., 2006). Nos primeiros estudos adicional para superar os problemas propostos
realizados por Fennema e Sherman (1977; 1978) (PIENDA, 2006).
foram relatadas diferenças entre sexos relacionadas Além disso, as mulheres interessavam-
com o sucesso na matemática. Estas investigadoras se e apreciavam mais a matemática do que os
analisaram a relação entre variáveis afetivas ou rapazes. Estes resultados parecem, claramente,
atitudinais e as crenças em face deste domínio de desafiar a hipótese da matemática como um
aprendizagem, a percepção da utilidade dos domínio masculino. Neste mesmo sentido,
conhecimentos matemáticos e a confiança dos Kloosterman et al. (2001) realizaram uma pesquisa
alunos na sua competência para estas comparando as percepções de estudantes do
aprendizagens. Os seus dados sugerem que os Secundário e da Universidade sobre a relação entre
homens mostram mais confiança face às tarefas gênero, aprendizagem e rendimento na
escolares relacionadas com a matemática e matemática. Estes autores concluíram que os
acreditam que esta disciplina tem mais utilidade grupos de estudantes, de zonas rurais e urbanas,
para eles do que para elas. Outros dados referem acreditavam que, em geral, o desempenho na
que os rapazes não sugerem qualquer estereótipo matemática não se resumia a uma questão de
face à matemática como pertencendo a um gênero. As mulheres defendiam, inclusivamente,
“domínio masculino” (e.g., um pensamento do esta posição com mais firmeza do que os homens.
tipo: “matemática é coisa de homens”, “para ter Estes autores concluíram que os alunos e alunas
sucesso em matemática é preciso nascer homem” gostam identicamente da matemática, não se
etc.) (FENNEMA, 1993; FENNEMA, diferenciando relativamente à sua crença no que
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concerne ao grau de dificuldade percebida e à seqüências numéricas. Desta forma, o escore


importância desta disciplina para a sua vida futura máximo no segundo subt este é de 8 pontos.
(PIENDA, 2006). No terceiro sub-teste de relação maior
Com base na importância de verificar o – menor, são apresentados por escrito quatro pares
aprendizado em qualquer habilidade a partir do de dois números e o participante deve indicar qual
ponto de vista neurocientífico, definiu-se como é o maior, circulando-o. O escore máximo é de 4
objetivo principal desta pesquisa realizar uma pontos.
análise neuropsicológica da aritmética em crianças, No quarto sub-teste são apresentados
podendo beneficiar intervenções específicas e cálculos para o participante resolver, sendo os
contribuir com a melhoria da qualidade do ensino. cálculos já apresentados como “contas montadas”
Buscar-se-á ainda verificar se existe diferenças com as quatro operações básicas de adição,
estatisticamente significativa quanto ao sexo na subtração, multiplicação e divisão. Há quatro
pontuação total em aritmética. contas para cada uma das quatro operações
básicas, sendo o escore máximo de 16 pontos.
Método No quinto sub-teste são apresentados
cálculos para o participante resolver, mas os
Participantes cálculos são apresentados oralmente pelo aplicador
Trata-se de uma pesquisa avaliativa e a criança deve solucioná-los montando a conta
realizada na cidade de Aracaju (SE) com no papel. Também há quatro contas para cada uma
estudantes de escolas de ensino fundamental das quatro operações básicas, num total máximo de
pública da segunda série. Especificamente, pontos.
colaborou com este estudo uma amostra não- Finamente, no sexto sub-teste são
probabilística de 61 alunos de 7 a 10 anos de apresentados quatro problemas redigidos por
idade, da 2ª série do ensino fundamental, sendo 31 extenso que devem ser lidos e solucionados pelo
do sexo masculino e 30 do sexo feminino, de duas participante, também envolvendo cálculos simples
escolas públicas da cidade de Aracaju (SE). com as quatro operações básicas. O escore máximo
nesse sub-teste é de 4 pontos.
Procedimento O escore total máximo é de 58 pontos.
Inicialmente, no começo do primeiro Raad (2005) verificou relação entre o desempenho
semestre de 2007 o terceiro autor deste artigo em matemática com desempenhos em leitura e
buscou consentimento de escolas para “a escrita, fornecendo evidências de validade para o
realização de uma pesquisa com fins acadêmicos teste em consideração.
sobre a avaliação da aritmética”. Esta era a forma
de apresentação padrão da pesquisa na direção das Análise dos dados
escolas. Após obter consentimento da direção de A digitação e análise dos dados foi
alguns colégios e dos responsáveis das crianças efetuada no pacote estatístico SPSS (Statistical
através do termo livre esclarecido para fins de Package for Social Sciences) versão 11. Foram
cumprimentos e procedimentos técnicos, os testes realizadas estatísticas descritivas e teste T de
foram aplicados de forma coletiva, mas Student para verificar diferenças estatisticamente
respondidos individualmente em sala de aula. significativas quanto ao sexo no desempenho da
Todos os aspectos éticos da pesquisa com seres matemática.
humanos foram salvaguardados. Os procedimentos
de administração do teste são detalhados abaixo. Resultados4

Instrumento Inicialmente, apresentam-se estatísticas


Prova de Aritmética (CAPOVILLA, descritivas para as questões do Teste de
MONTIEL, CAPOVILLA, 2006). Esta prova Aritmética, conforme a Tabela 1 ao fim do artigo.
contém seis sub-testes divididos em duas partes. o
escore máximo neste sub teste é de 10 pontos.
No segundo sub-teste, de escrita de 4
Quadros e Tabelas ao fim do artigo.
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A média do escore total no Teste de Limitações da pesquisa


Aritmética para todos os participantes foi de 25,40
(DP = 6,23), este resultado se situa abaixo do Como acontece com todo
percentil 50, indicando uma pontuação baixa no empreendimento científico, este também não está
teste, pois resultados acima de 33 se encontram no desprovido de limitações. Destaque-se como a
percentil 75. Vale lembrar que a pontuação total mais importante o fato de que não foram realizadas
neste teste é 58 pontos. Com esta média, pode-se comparações entre tipos de escola, como
concluir que o desempenho das crianças no teste inicialmente objetivou-se: comparar escolas
não foi bom, o que pode significar problemas no públicas com privadas, tendo como suposto que as
aprendizado da matemática nas escolas famílias mais desprovidas de recursos econômicos
consideradas. Verificou-se ainda que os alunos do matriculam seus filhos em escolas públicas, mas
sexo masculino apresentaram uma pontuação geral que a qualidade da educação nestas é muito
maior do que as meninas. No entanto, de acordo criticada. Este dado aportaria uma informação
com as análises de comparação de médias (Tabela substancial nas pesquisas sobre habilidades
2) não foram observadas diferenças específicas como é o caso da matemática (VERA-
estatisticamente significativas nas médias dos NORIEGA, BÚRQUEZ, 2001). Para o presente
alunos do sexo masculino e feminino no escore trabalho, porém, não se conseguiu colaboração das
total na Prova de Aritmética. escolas da rede privada de ensino. Este fato talvez
Ademais, decidiu-se verificar se se explique pela natureza da pesquisa, de tipo
existiam diferenças nas questões independentes do avaliativa, que certamente despertou desconfiança
teste entre meninos e menina, mas não foram por parte dos administrados das escolas.
verificadas diferenças estatisticamente
significativas por sexo em cada questão do teste. Contribuições do presente estudo
Por fim, apesar de não ter sido o
objetivo do trabalho foi realizado um Teste t para De acordo com os resultados
uma única amostra com o fim de verificar se encontrados no presente estudo, pode-se destacar
existem diferenças estatisticamente significativas dois contributos importantes: a) os escores dos
nas médias dos participantes no Teste de estudantes de segunda série na prova de
Aritmética (Tabela 3). matemática indicam que estes mostram
Como se verifica na Tabela 3 as dificuldades em matemática e b) não foram
médias dos participantes foram estatisticamente encontradas diferenças estatisticamente
significativas nas questões 1b, 2b, 3, 4, 5, 6a, 6b e significativas em função do sexo com relação às
6c. Estas questões certamente são mais habilidades em matemática, a despeito de se
importantes para diferenciar os participantes nas verificar médias mais altas por parte dos meninos
habilidades matemáticas. em comparação com as meninas.
Vê-se, pois, que a primeira
Discussão confirmação apresentada reforça a representação
desta disciplina como uma matéria difícil. O que
O objetivo principal deste trabalho foi deve motivar a uma ampla reflexão e discussão
realizar uma análise neuropsicológica da aritmética acerca da pedagogia da matemática. Neste sentido,
em crianças. Concretamente, objetivou-se detectar vários autores coincidem em afirmar que na área
em crianças a possibilidade de futuros problemas da matemática concentram-se um grande número
de aprendizagem da matemática, verificar de dificuldades e fracassos escolares (BISHOP,
dificuldades do aprendizado em matemática em 2000; GONZÁLEZ-PIENDA & ALVAREZ,
meninos e meninas e se existem diferenças 1998). Além disso, os erros e o baixo rendimento
significativas de cada questão do teste, a despeito nesta matéria não afetam somente os alunos menos
de se concluir que os objetivos deste trabalho capacitados, já que muitos estudantes que exibem
foram alcançados, podem-se destacar algumas competência e alto rendimento noutras matérias
limitações. escolares, obtêm resultados baixos ou negativos na

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matemática (GONZÁLEZ-PIENDA et al., 2002; desempenho escolar ou alguma outra indicação de


NÚÑEZ et al., 2005). problemas (ver BEE, 2003).
Nos primeiros estudos realizados por Desta forma, acredita-se que os
Fennema e Sherman (1977; 1978) foram relatadas resultados aqui apresentados contribuem com a
diferenças entre sexos relacionadas com o sucesso melhor interpretação daqueles achados registrados
na matemática. Estes pesquisadores analisaram a na literatura específica. Esta pesquisa pode,
relação entre variáveis afetivas ou atitudinais e as portanto, ser parte de um banco de dados sobre a
crenças quanto a este domínio de aprendizagem, a aritmética no nosso país. Colaborando na
percepção da utilidade dos conhecimentos verificação de dificuldades na aritmética entre
matemáticos e a confiança dos alunos na sua regiões e tipos de escolas. Neste sentido, seria
competência para estas aprendizagens. Os seus interessante considerar alunos de escolas públicas
dados sugerem que os homens mostram mais e privadas, considerando estudantes oriundos de
confiança face às tarefas escolares relacionadas famílias de diversos contextos. Comparando,
com a matemática e acreditam que esta disciplina igualmente, crianças pobres e aquelas mais
tem mais utilidade para eles do que para elas. abastadas. Ademais, poderia ser também
Outros dados, por outro lado, referem que os importante verificar diferenças por série (RAAD,
rapazes não sugerem qualquer estereótipo face à 2005) e incluir uma medida atitudinal da
matemática, como uma disciplina tipicamente matemática como aquela elaborada em contexto
masculina (FENNEMA, 1993; FENNEMA, espanhol (FENNEMA, SHERMAN, 1978),
SHERMAN, 1977, 1978). verificando o tipo de orientação motivacional
De acordo com BEE (2003), as associado à matemática, ansiedade, sentimentos-
meninas, por terem um cromossomo X a mais emoções, atribuição do sucesso à capacidade,
podem estar mais imunes a certas doenças do que atribuição do sucesso a causas externas (e.g., ser o
o menino. É o que revela a tabela de proporção de preferido do professor), atribuição do insucesso a
transtornos de aprendizagem entre homens e causas externas (e.g., falta de competência dos
mulheres, neste estudo não foi detectado professores), atitude percebida dos pais e atitude
transtornos, mas também não se pode descartar que percebida dos professores, pois nos últimos anos
eles estivessem presentes. Segundo a autora acima se constatou um aumento das pesquisas tendo em
citada, a proporção da dificuldade de conta a dimensão afetiva do indivíduo (crenças,
aprendizagem é de três para um, ou seja, para cada atitudes e emoções) e o ensino/aprendizagem da
três meninos existe uma menina que tem matemática (LEDER, 1992; MCLEOD, 1992).
dificuldade de aprendizagem, vale ressaltar que Estes e outros empreendimentos seguramente são
essa proporção foi encontrada em crianças dos verdadeiramente importantes para se jogar luz na
Estados Unidos. Na presente pesquisa pode-se teoria e prática da avaliação neuropsicológica da
concluir, todavia, que meninos e meninas têm aritmética em crianças do nosso país.
capacidade de aprendizagem semelhante com
relação à aritmética. Referências
Um dos fatos mais fascinantes
referentes ao desenvolvimento atípico é que quase ARDILA, A. & OSTROSKY-SOLÍS, F. (1996).
todas as formas de transtorno são mais comuns nos Diagnóstico del daño cerebral: enfoque
meninos do que nas meninas. A exceção neuropsicológico. Mexico: Editorial Trillas.
importante é a depressão, que é mais comum entre BEE, HELEN. A Criança em Desenvolvimento.
as adolescentes e as mulheres adultas. Isso Porto Alegre: Artmed, 2003.
acontece nos estudos sobre divórcio e sobre outros BISHOP, A. (2000). Enseñanza de las
problemas relacionados aos pais, como discórdia matemáticas: ¿como beneficiar a todos los
entre os pais, doença mental, perda do emprego e alumnos? In N. Gregório, A. Deulofeu, & A.
em muitos outros casos. Nessas situações, é mais Bishop (Orgs.), Matemática y Educación (pp.
provável que os meninos apresentem um 35-56). Barcelona: Graó.
comportamento perturbado, uma piora do

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Proporção de
Tipos de Problema homens para
mulheres
Transtorno de Conduta, incluindo delinqüência 5:1
Ansiedade e depressão na pré-adolescência 1:1
Ansiedade e depressão na adolescência 1:2
Transtorno de Défict de Atenção e Hiperatividade (TDAH) 3:1
Número estimado de crianças com todos os diagnósticos 2:1
atendidos em clínicas psiquiátricas
Retardo Mental 3:2
Incapacidade de Aprendizagem 3:1
Cegueira ou problemas visuais significativos 1:1
Prejuízo auditivo 5:4
Quadro I: Proporção de transtornos de aprendizagem em homens e mulheres (adaptado de BEE, 2003).

Tabela 1. Médias, desvios padrão, escores mínimo e máximo das respostas


dos participantes no Teste de Aritmética (N = 61).
Questões do
Teste de
Aritmética Média Desvio padrão Mínimo Máximo
1ª 5,00 0,00 5,00 5,00
1b 2,82 1,73 0,00 5,00
2ª 4,00 0,00 4,00 4,00
2b 2,08 1,42 0,00 4,00
3 3,98 0,13 3,00 4,00
4 6,35 4,44 0,00 16,00
5 5,31 4,08 0,00 16,00
6ª 0,44 0,49 0,00 1,00
6b 0,26 0,44 0,00 1,00
6c 0,09 0,30 0,00 1,00
6d 0,05 0,22 0,00 1,00

Tabela 2. Teste t com amostras independentes para comparação de médias entre os sexos.
Sexo N Média DP T df P
Masculino 32 26,30 6,74 1,015 58,940 0,314
Feminino 29 24,17 5,66

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Tabela 3. Teste t com uma única amostra para médias dos participantes no Teste de
Aritmética.
Questões Médias DP t P
1b 2,82 1,73 12,818 0,000
2b 2,08 1,42 11,564 0,000
3 3,98 0,13 247,000 0,000
4 6,35 4,44 11,271 0,000
5 5,31 4,08 10,232 0,000
6ª 0,44 0,49 7,017 0,000
6b 0,26 0,44 4,695 0,000
6c 0,09 0,30 2,601 0,012

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