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Unidade 6 – Capítulo 1 – Mercado das artes

Reportagem
Ao longo de seus estudos em Língua Portuguesa, você teve contato com diversos gêneros textuais
e aprendeu as principais características deles. Contudo, um texto pode ser construído com base em
vários elementos que aparecem simultaneamente, assim, podemos perceber, por exemplo, que em
um texto essencialmente informativo podem aparecer trechos em que o autor exprime opinião, assim
como um texto de opinião pode se valer de trechos narrativos e descritivos para auxiliar na construção
da argumentação.
Em reportagens, podem coexistir trechos de textos com diferentes funções, como a função de
opinar e a de informar. Contudo, você pôde verificar que a reportagem, essencialmente, tem o objeti-
vo de informar. Sua natureza é apresentar ao leitor os fatos desenvolvidos de forma narrativa, com o
objetivo de levantar opiniões.
Reportagens são textos da esfera jornalística, portanto seu suporte original são jornais, revistas e
sites de internet. São textos que apresentam o resultado de um trabalho de pesquisa elaborado por um
jornalista, apresentando a informação de maneira ampla. Isso significa que a reportagem responde às
clássicas perguntas do lide: Quem?, O quê?, Como?, Quando? Onde? e Por quê? De maneira mais livre
e ampliada que em uma notícia, pois podem aparecer recursos como trechos de entrevista, gráficos,
infográficos ou fotografias para complementar a informação. Reportagens tratam dos mais diversos
assuntos, geralmente esses assuntos são de interesse público e discutem algo que pode ser polêmico.
Quanto ao posicionamento do jornalista, ele pode ou não estar evidente na reportagem.
Ao escrever uma reportagem, deve-se buscar a clareza na linguagem, deve-se utilizar a língua
padrão, a informação deve ser apresentada de maneira objetiva, os fatos devem ser comprováveis.
Para dar credibilidade ao texto, a reportagem apresenta a fonte das informações expostas e as falas
de especialistas nas áreas de que ela trata, além de depoimentos de pessoas que vivenciaram os fatos
narrados. Elas podem apresentar uma estrutura semelhante à notícia: título, linha fina e lide, sendo que
as informações do lide serão desenvolvidas ao longo do texto.
Leia agora o trecho de uma reportagem sobre as transformações que acometem o cérebro ado-
lescente e depois responda às questões propostas.

As revelações sobre o cérebro adolescente


Novas pesquisas decifram as transformações cerebrais que acontecem na
adolescência, explicam comportamentos típicos e sugerem como lidar com eles
Mônica Tarantino, Monique Oliveira e Luciani Gomes
21/10/11 – 21h00
O que faz uma garota de 14 anos passar o dia inteiro emudecida, trancada no quarto? Ou
ir do riso à fúria em menos de um segundo? Pode ser realmente difícil entender a cabeça de
um adolescente. Para ajudar nesta tarefa, a ciência está empreendendo um esforço fantástico.
Nos Estados Unidos, ele está sendo capitaneado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental dos
Estados Unidos (NIMH). O órgão – um dos mais respeitados do mundo – está patrocinando uma
linha de estudos focada na busca de informações para compreender o que está por trás das
oscilações de humor e comportamentos de risco que marcam a adolescência. E as informações
trazidas pelos estudos realizados até agora estão construindo uma nova visão da metamorfose
sofrida pelos jovens. “O cérebro do adolescente não é um rascunho de um cérebro adulto. Ele
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foi primorosamente forjado por nossa história evolutiva para ter características diferenciadas
do cérebro de crianças e de adultos”, disse à ISTOÉ o neurocientista americano Jay Giedd, pes-
quisador do NIMH e um pioneiro na investigação do cérebro adolescente.

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Giedd e seus colegas estão redefinindo os conceitos da medicina sobre essa fase da
vida. Para eles, os tropeços da adolescência são sinais de que o cérebro jovem está procurando
se adaptar ao ambiente. Nos primeiros 13 anos de pesquisa, os cientistas estudaram mudan-
ças cerebrais ocorridas do nascimento até a velhice, na saúde e na doença. Descobriram que a
adolescência é marcada por um aumento das conexões entre diferentes partes do cérebro. É
um processo de integração que continuará por toda a vida, melhorando o trabalho conjunto
entre as partes.
As pesquisas revelaram ainda que, nessa etapa, dá-se o fortalecimento e amadurecimen-
to de algumas redes de neurônios (as células nervosas que trocam informações entre si) e o
abandono de outras, menos usadas. Os estudos mostraram também que a onda de maturidade
se inicia nas partes mais profundas e antigas, próximas do tronco cerebral, como os centros
da linguagem, e naquelas ligadas ao processamento de emoções como o medo. Depois, essa
onda vai subindo rumo às áreas mais recentes do cérebro, ligadas ao pensamento complexo e
à tomada de decisões. Entre elas estão o córtex pré-frontal, o sulco temporal superior e o córtex
parietal superior, envolvidos na integração de informações enviadas por outras estruturas do
órgão. Essa evolução explica, em parte, por que nesse período da vida a impulsividade e os sen-
timentos mais viscerais são manifestados com tanta facilidade, sem passar pelo filtro da razão.
[...]

TARANTINO, Mônica; OLIVEIRA, Monique; GOMES, Luciani. As revelações sobre o cérebro adolescente. Revista Istoé. Disponível
em: https://istoe.com.br/170256_AS+REVELACOES+SOBRE+O+CEREBRO+ADOLESCENTE/. Acesso em: 30 maio 2019. Fragmento.

ATIVIDADES

1. Qual o objetivo dessa reportagem?

2. Qual a relevância do assunto tratado no texto? Que tipo de contribuição ele traz para o leitor?

3. Qual o foco dos estudos realizados pelo NIMH?

4. Já no primeiro parágrafo, que recurso foi utilizado para ampliar a informação e dar credibili-
dade ao texto?
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5. Para o neurocientista Jay Giedd, os “tropeços” da adolescência seriam sinais do quê? O que
seriam esses “tropeços”?

6. Que informações são apresentadas nos parágrafos 2 e 3?

7. Abaixo do título da reportagem, há uma linha fina. Qual o objetivo dela?

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C Proposta de produção
Que tal pesquisar um pouco mais sobre a adolescência?
Sua tarefa é escrever uma reportagem expositiva sobre a adolescência. Investigue o que a ciência
já sabe sobre essa etapa da vida, as transformações físicas e psicológicas.
Para produzir o texto, siga o roteiro apresentado a seguir.
• Organize um grupo de trabalho conforme orientações de seu professor.
• Pesquise o tema em revistas, jornais, sites e livros, procure também entrevistar algum profissional
que possa contribuir com o trabalho: um médico, um psicólogo, um pedagogo.
• Selecione os elementos que irão compor o texto para ampliar a informação: fotos, gráficos,
trechos de entrevistas.
• Escreva a reportagem prestando atenção à linguagem, que deve ser simples e objetiva.
• Crie um título bem chamativo para a reportagem, além de um título auxiliar, que deverá vir logo
abaixo do título principal.
• Realize a revisão gramatical do texto, com auxílio do professor e dos outros colegas da turma.
• Finalizem a produção com muito capricho, depois exponham as reportagens em um local bem
visível da escola para que alunos de outras turmas possam fazer a leitura.
Boa produção!
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CRITÉRIOS DE CORREÇÃO – 9.o ANO – Reportagem
Observações: as divisões da grade de correção correspondem a parâmetros básicos, mas são possí-
veis valores intermediários até o valor máximo do item. A condução do processo de correção e reescrita
fica a critério do professor. Se preferir, poderá fazer uma primeira correção entre os próprios alunos,
trocando os textos entre os colegas, solicitando, se necessário, que elaborem uma segunda versão. É
possível, também, solicitar aos alunos que entreguem os textos para correção e posterior reescrita, a
qual deve ser feita por eles. Leve a planilha de correção ao conhecimento do aluno.

ADEQUAÇÃO À PROPOSTA (2,0) 0,5 0,25 zero


1. O grupo produziu uma reportagem sobre o tema adolescência?
2. A reportagem apresenta as partes que compõem o gênero (título, sub-
título, corpo do texto, elementos extras)?
3. A linguagem é clara e objetiva?
4. Na construção da reportagem há textos citados que são resultados de
pesquisa ou de entrevistas com pessoas importantes?
TOTAL

CONTEÚDO (4,0) 3,0 2,0 1,0 0,8 0,5 0,2 zero


5. Há progressão e coerência?
6. Há riqueza e relevância de informações (partes que
compõem a reportagem; exploração de recursos
como fotografias, depoimentos, entrevistas, entre
outros; linguagem clara e objetiva; informatividade)?
TOTAL

COESÃO (2,0) 0,5 0,3 zero


7. Há paragrafação (continuidade de ideias)?

8. Há pontuação?

9. Há vocabulário (adequação, riqueza, variação)?

10. Há construção de frases?


TOTAL

NORMA-PADRÃO (2,0) 1,0 0,8 0,5 0,2 zero


11. Há ortografia e acentuação?

12. São contemplados aspectos gramaticais pertinentes ao


ano?
TOTAL
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TOTAL GERAL

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Unidade 6 – Capítulo 2 – Valores intangíveis
Cartaz
Um dos gêneros textuais com que nos deparamos todos os dias e que tem por função transmitir
uma informação e persuadir o leitor é o cartaz. O cartaz informa o leitor sobre algo: um evento, uma
campanha de vacinação, ou busca convencer o leitor a fazer algo: aderir a uma ideia ou comprar algum
produto. A presença das duas funções, ou apenas de uma, vai depender do objetivo do cartaz.
Para estabelecer contato com o leitor o cartaz faz uso das linguagens verbal e não verbal, na maioria
das vezes mesclando as duas. A preocupação com a estética é elemento importante em cartazes, então
recursos como cores, fontes, disposição das imagens, são muito explorados e garantem que o cartaz
chame a atenção do leitor, por isso existem pessoas especializadas para criar cartazes, os designers e
publicitários. Contudo, qualquer pessoa pode criar um cartaz em situações corriqueiras do dia a dia,
para atender a uma necessidade do momento, como um cartaz que informa sobre uma reunião que
acontecerá numa empresa, por exemplo.
Quanto à linguagem verbal utilizada em cartazes, ela deve ser caracterizada por frases curtas e
sugestivas, com o emprego de verbos no imperativo quando se busca o convencimento.
Cartazes podem ser encontrados nos mais variados lugares: escolas, hospitais, lojas, ônibus, entre
outros. Sendo assim, ele atinge um grande público.
Leia o cartaz a seguir que divulga os 8 jeitos de mudar o mundo, segundo a ONU.

Pensamento Verde/Reprodução
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METAS do milênio: confira as oito maneiras de mudar o mundo. Pensamento Verde. Disponível em: https://www.
pensamentoverde.com.br/atitude/metas-milenio-confira-oito-maneiras-mudar-mundo/ Acesso em: 30 maio 2019.

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ATIVIDADES

1. Qual o objetivo do cartaz?

2. Quais linguagens são empregadas na criação do cartaz?

3. Como as informações foram dispostas no cartaz?

4. Se você pudesse acrescentar uma ação a esse cartaz, qual seria ela?

T
C Proposta de produção
Pensando nas formas ou nos jeitos de mudar o mundo apresentados no Cartaz, você e uma equipe
de colegas irão elaborar um cartaz sobre: 8 jeitos de melhorar a convivência na escola.
Para produzir o cartaz, siga o roteiro apresentado a seguir.
• Reflita com os colegas de sua equipe sobre o que é necessário para que a convivência no espaço
escolar melhore, quais seriam as ações coletivas a serem praticadas para que os problemas de
convivência pudessem ser solucionados.
• Decida como as informações serão dispostas no cartaz, quais imagens, cores e estilos de letra
serão utilizados.
• Seja criativo e objetivo;
• Verifique as questões de linguagem com o professor antes de escrever a mensagem no cartaz.
• Produza o cartaz.
• Exponha o cartaz e discutam com a turma os itens apontados pelas equipes.
Boa produção!
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CRITÉRIOS DE CORREÇÃO – 9.o ANO – Cartaz
Observações: as divisões da grade de correção correspondem a parâmetros básicos, mas são possí-
veis valores intermediários até o valor máximo do item. A condução do processo de correção e reescrita
fica a critério do professor. Se preferir, poderá fazer uma primeira correção entre os próprios alunos,
trocando os textos entre os colegas, solicitando, se necessário, que elaborem uma segunda versão. É
possível, também, solicitar aos alunos que entreguem os textos para correção e posterior reescrita, a
qual deve ser feita por eles. Leve a planilha de correção ao conhecimento do aluno.

ADEQUAÇÃO À PROPOSTA (2,0) 0,5 0,25 zero


1. O grupo produziu um cartaz apresentando 8 jeitos de melhorar a con-
vivência na escola?
2. O cartaz faz uso de mensagem verbal e não verbal?
3. Há harmonia no cartaz (escolha da fonte, seleção de cores, espaçamen-
to)?
4. A linguagem é clara e objetiva?
TOTAL

CONTEÚDO (4,0) 3,0 2,0 1,0 0,8 0,5 0,2 zero


5. Há progressão e coerência?
6. Há riqueza e relevância de informações (criativi-
dade; uso de recursos não verbais, como cores, fon-
tes, imagens, linguagem clara e objetiva; relevância
das 8 formas de melhorar a convivência na escola
apresentadas pela equipe)?
TOTAL

COESÃO (2,0) 0,5 0,3 zero


7. Há paragrafação (continuidade de ideias)?

8. Há pontuação?

9. Há vocabulário (adequação, riqueza, variação)?

10. Há construção de frases?


TOTAL

NORMA-PADRÃO (2,0) 1,0 0,8 0,5 0,2 zero


11. Há ortografia e acentuação?

12. São contemplados aspectos gramaticais pertinentes ao


ano?
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TOTAL
TOTAL GERAL

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Unidade 7 – Capítulo 1 – Fábrica de ideias
Infográfico
Na unidade 6, capítulo 1, você relembrou algumas características do gênero reportagem e viu que
ele pode utilizar trechos de texto com diferentes funções para ampliar a informação sobre o fato que
trata. Os infográficos são um tipo de texto que comumente aparecem em reportagens como forma de
explicar o assunto de maneira objetiva e didática. Contudo, não são apenas as reportagens que utilizam
infográficos, pois eles podem aparecer também em notícias ou, ainda, em cartazes e outros materias
com função didática.
O gênero infográfico utiliza a linguagem verbal e não verbal para transmitir a mensagem. Nele, as
ilustrações contribuem para facilitar o entendimento do assunto abordado tornando a compreensão
mais rápida. Essas imagens podem ser mapas, fotografias, tabelas ou ícones e costumam ser dispostas
em quadros e esquemas, que podem ser seguidos de legendas explicativas. Construir um infográfico
requer capacidade de sintetizar e esquematizar um determinado assunto, além de criatividade para
selecionar a melhor forma de expor a mensagem. A linguagem deve ser clara e objetiva, e os textos
costumam ser curtos e concisos.
Leia com atenção o infográfico a seguir que apresenta os perigos da exposição exagerada à vida
digital. Depois, responda às questões que seguem.

O que a vida digital está fazendo [...]


Veja no infográfico abaixo alguns dos problemas de saúde que adolescentes e jovens podem
estar desenvolvendo por passar muito tempo online em jogos ou em redes sociais.

Surdez temporária
ou definitiva
Síndrome do olho seco

Dores nos dedos e


nas articulações Uso prolongado
do Facebook pode
trazer infelicidade
Dores nas costas
Noite de sono
prejudicada

[...] g-stockstudio/Shutterstock

NABUCO, Cristiano. Viva bem. Disponível em: https://cristianonabuco.blogosfera.uol.com.br/2013/10/30/o-


que-a-vida-digital-esta-fazendo-com-nossos-filhos/. Acesso em: 30 maio 2019. Adaptado.

ATIVIDADES

1. Segundo informações do infográfico, que problemas de saúde podem surgir em jovens que
usam redes sociais e jogos em excesso?
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8 LÍNGUA PORTUGUESA
2. Dentre os problemas citados no infográfico, um fica evidente na imagem central. Qual é esse
problema?

3. Como o texto verbal se relaciona com o texto não verbal nesse infográfico?

4. Como é a sua rotina no meio virtual? Quanto tempo você costuma usar o computador em
jogos e redes sociais todos os dias?

T
C Proposta de produção
Conforme você aprendeu, o infográfico é um gênero textual que facilita a leitura e a compreensão,
pois ela acontece de forma mais rápida e didática. Agora é sua vez de produzir um infográfico. Contudo,
seu infográfico terá como base a reportagem que você mesmo escreveu. Para produzir o texto, retome,
com sua equipe, a reportagem sobre a adolescência produzida no primeiro capítulo da unidade 6. Sua
tarefa é extrair as ideias principais do texto e transformá-las em um infográfico utilizando os recursos
não verbais para transmitir a mensagem.
Seu infográfico deverá apresentar:
• uso de linguagem verbal e não verbal;
• síntese da informação escrita de maneira clara e objetiva;
• título.
Para facilitar sua compreensão, analise outros infográficos em meios digitais, capriche no uso de
imagens e cores e seja sucinto. Após terminar o infográfico, exponha-o em um lugar bem visível na escola.
Boa produção!
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CRITÉRIOS DE CORREÇÃO – 9.o ANO – Infográfico
Observações: as divisões da grade de correção correspondem a parâmetros básicos, mas são possí-
veis valores intermediários até o valor máximo do item. A condução do processo de correção e reescrita
fica a critério do professor. Se preferir, poderá fazer uma primeira correção entre os próprios alunos,
trocando os textos entre os colegas, solicitando, se necessário, que elaborem uma segunda versão.
Da mesma forma, poderá solicitar aos alunos que lhe entreguem os textos para correção e posterior
reescrita, feita por eles. Leve a planilha de correção ao conhecimento do aluno.

ADEQUAÇÃO À PROPOSTA (2,0) 0,5 0,25 zero


1. O grupo produziu um infográfico com base na reportagem produzida
na unidade 6?
2. O infográfico faz uso de texto verbal e não verbal?
3. A linguagem é clara e objetiva? As informações foram resumidas?
4. Há título?
TOTAL

CONTEÚDO (4,0) 3,0 2,0 1,0 0,8 0,5 0,2 zero


5. Há progressão e coerência?
6. Há riqueza e relevância de informações (criativi-
dade, uso de recursos não verbais, como cores, fon-
tes, imagens, linguagem clara e objetiva, aponta-
mento das informações essenciais da reportagem,
título criativo)?
TOTAL

COESÃO (2,0) 0,5 0,3 zero


7. Apresenta paragrafação (continuidade de ideias)?

8. Apresenta pontuação adequada?

9. Apresenta vocabulário adequado, rico e variado?

10. Apresenta construção adequada de frases?


TOTAL

NORMA-PADRÃO (2,0) 1,0 0,8 0,5 0,2 zero


11. Há uso correto de ortografia e acentuação?

12. São contemplados aspectos gramaticais pertinentes ao


ano?

TOTAL
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TOTAL GERAL

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Unidade 7 – Capítulo 2 – O que se vê por aí
Resenha
Ao longo de nossos estudos, você teve contato com alguns textos que circulam bastante no meio
jornalístico, que possuem como função principal a informação. Agora, vamos conhecer um pouco sobre
a resenha, um gênero que carrega características de texto informativo e opinativo.
Uma resenha nada mais é do que um texto que apresenta as informações principais sobre uma
obra - um livro, um filme, uma peça de teatro, uma apresentação musical, entre outros - acompanhada
das impressões pessoais do resenhista. É como se a resenha fosse uma sinopse com a opinião, pois nela
o autor pode tecer comentários, elogiosos ou não, sobre um produto cultural, pode ressaltar os pontos
fortes e fracos e até recomendar ou não ao leitor que consuma o produto.
Ler resenhas nos ajuda a construir previamente uma opinião sobre as diversas opções de produtos
culturais que nos são oferecidos.
Quanto à linguagem, a resenha deve ser escrita de maneira clara e de acordo com as regras da
língua. Deve-se deixar claro para o leitor as impressões que se criou sobre a obra e isso pode ser feito
por meio de adjetivos.
Ao escrever uma resenha, você poderá utilizar as características apresentadas a seguir para
estruturá-la.
Introdução: identificando a obra, a editora, o autor, revelando dados gerais sobre a publicação e
apresentando também uma breve explicação da estrutura da obra.
Desenvolvimento: fazendo uma pequena sinopse da obra descrevendo o conteúdo e elaborando
uma análise dela, apresentando sua opinião. Lembre-se da importância que a obra tem, dos debates
que ela gera. Esse é o momento que você precisa dar asas ao seu senso crítico.
Conclusão: reforçando a opinião, revelando os motivos que fazem da obra uma boa ou uma má escolha.
Leia agora um trecho de uma resenha e depois responda às questões que seguem.

Resenha: O Construtor de Pontes – Markus Zusak


Sinopse Intrínseca: Matthew, o filho mais velho da família Dunbar, sentado na cozinha de
casa diante de uma máquina de escrever antiga, precisa nos contar sobre um dos seus quatro
irmãos, Clay. Tudo aconteceu com ele. Todos mudaram por causa dele. Anos antes, os cinco
garotos haviam sido abandonados pelo pai sem qualquer explicação. No entanto, em uma
tarde ensolarada e abafada o patriarca retorna com um pedido inusitado: precisa de ajuda para
construir uma ponte. Escorraçado pelos jovens e por Aquiles, a mula de estimação da família, o
homem vai embora novamente, mas deixa seu endereço num pedaço de papel. Acontece que
havia um traidor entre eles: Clay. (Resenha: O Construtor de Pontes – Markus Zusak)
Opinião: Como seguir em frente após uma perda? Como trabalhar o luto de forma que
ele não se transforme em uma barreira a impedir que a vida continue seu curso? Construindo
pontes, talvez? Ao longo de treze anos Markus Zusak se debruçou sobre uma história que, no
fundo, versa sobre o luto e as diversas formas como as pessoas – adolescentes, no caso, lidam
com ele. O Construtor de Pontes é um livro ambicioso que acompanha o curto período de tempo
necessário para que seja feita uma passagem na vida de cada personagem e cada um possa
construir sua própria ponte.
Característica marcante da obra que lhe alçou à fama, a narrativa de Zusak é envolvente,
caprichosa e sabe conduzir o leitor assemelhando-se a uma fábula narrada pela voz de um
grande contador de histórias. Em O Construtor de Pontes, cabe a Matthew, o irmão mais velho,
a tarefa de martelar as teclas de uma velha máquina de escrever e registrar a história de sua
família. Abandonando qualquer cronologia ou linearidade, Matthew vai costurando uma colcha
de lembranças entre passado e presente e, devagar, situando o drama que marca a vida dos
Dunbar. Já na largada, o livro apresenta uma das melhores aberturas que li nos últimos tempos.
É o típico capítulo inicial que fisga a atenção e diz a que veio.
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Embora a família Dunbar seja a estrela do livro, é o quarto irmão, Clay, que vai protagonizar
a obra. Dos cinco órfãos, é ele quem vai presenciar o momento que marca a ruptura na rotina
familiar: a morte da mãe. A partir disso, o pai é o primeiro a ficar sem chão e num rompante
abandona os filhos à própria sorte. O amor entre irmãos é que vai sustentar esse grupo para

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sobreviver e, principalmente, crescer. Em meio a muito bom humor, tiradas engraçadas e ce-
nas cotidianas, Zusak vai mostrando um processo de crescimento “à força”. Do dia para a noite
cada um precisa aprender a ser adulto. É na imaturidade da idade que a maturidade vai sendo
alcançada.
Certo dia esse pai reaparece com um pedido inusitado aos filhos: quer ajuda para construir
uma ponte. E de todos eles é justamente Clay quem vai abraçar a ideia e se jogar de forma obs-
tinada na conclusão desse projeto. Personagem difícil que exige muito da nossa atenção para
desvendá-lo, Clay é quem melhor vai personificar as fases de crescimento em meio à dor. E ele
vai sofrer dois golpes, e na pouca idade com a nenhuma experiência vai encontrar os meios
necessários para continuar.
O Construtor de Pontes tem na tragédia de uma família desajustada, abalada por uma mor-
te inevitável e esperada, a sua poesia. Não há nada para incomodar o leitor. Não, nesse ponto
Zusak foi político e se ateve a cenas bonitinhas sem jamais pegar pesado ou expor o lado cru do
que estava narrando. Por mais triste que seja a história contada, o autor buscou dourar a pílula
de forma que ela não ficasse “depressiva demais”. Sobraram adjetivos e trechos desnecessários
sobre raças e premiações de cavalos.
Apaixonado por livros, foi em Homero que ele buscou inspiração para influenciar seus per-
sonagens. Referências à Odisseia e Ilíada brotam nas páginas aos montes, e nomeiam animais
de estimação e personagens. Em certo aspecto, O Construtor de Pontes também narra uma saga
cheia de altos e baixos, mas sem a interferência de deuses. As atitudes aqui são muito humanas
e os erros não são facilmente reparados.
O drama dos Dunbar nos envolve graças ao carisma com que cada adolescente foi criado.
São garotos palpáveis dentro do impensado da vida que levam. O mistério de Clay e a forma
como ele encarou as travessias que a vida lhe impôs vão influenciar todos os seus irmãos e aju-
dar a moldá-los para o futuro, mesmo que não saibam ou sintam isso. A ponte é uma passagem
entre a superação e a reconciliação. Com eles mesmos e com quem os rodeia. Na vida real não
há metade das flores que enfeitam o caminho dos Dunbar, mas talvez seja nisso que resida a
beleza e a poesia da ficção de Zusak.
O Autor: Markus Zusak nasceu em 1975, em Sydney, na Austrália. Mais novo de quatro
filhos de um austríaco e uma alemã, Markus cresceu ouvindo histórias a respeito da Alemanha
Nazista, sobre o bombardeio de Munique e sobre judeus marchando pela pequena cidade alemã
de sua mãe. Ele sempre soube que essa era uma história que ele queria contar. Seu best-seller A
menina que roubava livros lhe rendeu sucesso mundial, tendo sido traduzido para mais de qua-
renta idiomas e conquistado diversos prêmios. Markus Zusak vive em Sydney com sua esposa
e sua filha. Gosta de surfar e assistir a filmes em seu tempo livre.

RODRIGUES, Jeff. Resenha: O Construtor de Pontes – Markus Zusak. Disponível em: http://leitorcompulsivo.
com.br/2019/04/23/resenha-o-construtor-de-pontes-markus-zusak/. Acesso em: 30 maio 2019. Fragmento.

ATIVIDADES

1. De que o livro trata? Que informações sobre o enredo do livro são expostas na resenha?

2. No segundo parágrafo, o autor da resenha tece um comentário elogioso sobre o livro.


Identifique-o e reescreva-o.
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12 LÍNGUA PORTUGUESA
3. No final do segundo parágrafo, o autor revela um ponto positivo do livro. Qual é ele?

4. O autor da resenha começa o texto com algumas perguntas. O que isso sugere sobre o livro?

5. O que você entende da frase: “Na vida real não há metade das flores que enfeitam o caminho
dos Dunbar, mas talvez seja nisso que resida a beleza e a poesia da ficção de Zusak.”?

T
C Proposta de produção
A resenha é um gênero que vem se popularizando muito no meio virtual. Com certeza você deve
conhecer algum blog ou canal do YouTube que apresenta resenhas dos mais variados produtos e obras.
Sua tarefa agora é escrever uma resenha, gravá-la e apresentá-la para sua turma. Para isso, escolha
um produto cultural de sua preferência, pode ser filme, livros ou série. Depois, escreva o texto, que
deverá ser entregue ao professor, segundo as orientações dadas anteriormente.
Para a sua produção, fique atento aos seguintes itens:
• escolha a obra e escreva a resenha. Depois, transforme-a em um roteiro para a gravação do vídeo;
• anote as suas impressões sobre a obra, seu juízo de valor;
• selecione argumentos que justifiquem sua opinião;
• grave o vídeo com a ajuda de um amigo;
• faça a edição do vídeo (insira imagens, sons de acordo com sua criatividade);
• apresente o vídeo para sua turma.
Boa produção!
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LÍNGUA PORTUGUESA 13
CRITÉRIOS DE CORREÇÃO – 9.o ANO – Resenha
Observações: as divisões da grade de correção correspondem a parâmetros básicos, mas são possí-
veis valores intermediários até o valor máximo do item. A condução do processo de correção e reescrita
fica a critério do professor. Se preferir, poderá fazer uma primeira correção entre os próprios alunos,
trocando os textos entre os colegas, solicitando, se necessário, que elaborem uma segunda versão.
Da mesma forma, poderá solicitar aos alunos que lhe entreguem os textos para correção e posterior
reescrita, feita por eles. Leve a planilha de correção ao conhecimento do aluno.

ADEQUAÇÃO À PROPOSTA (2,0) 0,5 0,25 zero


1. O aluno produziu uma resenha sobre um produto cultural?
2. A resenha apresenta uma apresentação técnica da obra?
3. A resenha apresenta a opinião do aluno sobre a obra?
4. A linguagem é clara e objetiva?
TOTAL

CONTEÚDO (4,0) 3,0 2,0 1,0 0,8 0,5 0,2 zero


5. Há progressão e coerência?
6. Há riqueza e relevância de informações (apresen-
tação da opinião e dos argumentos que a susten-
tam, apresentação de um breve resumo da obra)?
TOTAL

COESÃO (2,0) 0,5 0,3 zero


7. Apresenta paragrafação (continuidade de ideias)?

8. Apresenta pontuação adequada?

9. Apresenta vocabulário adequado, rico e variado?

10. Apresenta construção adequada de frases?


TOTAL

NORMA-PADRÃO (2,0) 1,0 0,8 0,5 0,2 zero


11. Há uso correto de ortografia e acentuação?

12. São contemplados aspectos gramaticais pertinentes ao


ano?

TOTAL
TOTAL GERAL
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14 LÍNGUA PORTUGUESA
Unidade 7 – Capítulo 3 – Cultura popular
Texto teatral
O teatro é uma arte antiga que se caracteriza pela representação de cenas por atores. O teatro conta
uma história, que pode ser um drama, uma tragédia ou uma comédia, porém faz isso sem a necessidade
de um narrador, uma vez que a ação acontece no palco, onde é construído o cenário.
O texto que dá origem a uma peça teatral é o texto teatral. Esse texto serve para guiar toda a equipe
responsável pelo espetáculo. Nele há a descrição dos personagens, dos cenários e da forma como o
ator deverá agir, bem como informações referentes à quantidade de iluminação que deve haver, entre
outros detalhes. Essas informações são descritas em rubricas, pequenos textos que aparecem ao longo
do roteiro.
O texto teatral é construído basicamente por meio de discurso direto, ou seja, por meio das falas
dos personagens. Muitas peças de teatro alcançaram tanto sucesso que acabaram virando livros. Da
mesma forma, romances, contos e novelas foram adaptados para o teatro.
Ir ao teatro é uma atividade cultural que pode contribuir para a formação cultural de um povo.
Antigamente, quando não havia cinemas, o teatro era uma das formas de entretenimento mais co-
muns. Assim, muitos são os nomes de dramaturgos que criaram peças que ainda hoje são encenadas
no mundo todo, como William Shakespeare, o maior dramaturgo de todos os tempos. No Brasil, Dias
Gomes foi um dramaturgo que ficou bastante famoso por suas peças, especialmente a peça O pagador
de promessas, que o tornou internacionalmente conhecido. Leia agora o trecho inicial da obra e depois
responda às questões propostas.

O Pagador de Promessas
Dias Gomes
Personagens:
Zé-do-Burro
Rosa
[...]
Ação: - Salvador
Época: - Atual
Primeiro Ato
Primeiro Quadro
Ao subir o pano, a cena está quase às escuras. Apenas um jato de luz, da direita, lança al-
guma claridade sobre o cenário. Mesmo assim, após habituar a vista, o espectador identificará
facilmente uma pequena praça, onde desembocam duas ruas. Uma à direita, seguindo a linha
da ribalta, outra à esquerda, ao fundo, de frente para a plateia, subindo, enladeirada e sinuosa,
no perfil de velhos sobrados coloniais. Na esquina da rua da direita, vemos a fachada de uma
igreja relativamente modesta, com uma escadaria de quatro ou cinco degraus. [...]
Devem ser, aproximadamente, quatro e meia da manhã. Tanto a igreja como a vendola
estão com suas portas cerradas. Vem de longe o som dos atabaques dum candomblé distante,
no toque de Iansan. Decorrem alguns segundos até que Zé-do-Burro surja, pela rua da direita,
carregando nas costas uma enorme e pesada cruz de madeira. A passos lentos, cansado, entra
na praça, seguido de Rosa, sua mulher. Ele é um homem ainda moço, de 30 anos presumíveis,
magro, de estatura média. Seu olhar é morto, contemplativo. Suas feições transmitem bondade,
tolerância e há em seu rosto um “quê” de infantilidade. Seus gestos são lentos, preguiçosos,
bem como sua maneira de falar. Tem barba de dois ou três dias e traja-se decentemente, em-
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bora sua roupa seja mal talhada e esteja amarrotada e suja de poeira. Rosa parece pouco ter de
comum com ele. É uma bela mulher, embora seus traços sejam um tanto grosseiros, tal como
suas maneiras. [...]

LÍNGUA PORTUGUESA 15
Zé-do-Burro vai até o centro da praça e aí pousa a sua cruz, equilibrando-a na base e num
dos braços, como um cavalete. Está exausto. Enxuga o suor da testa.


(Olhando a igreja) É essa. Só pode ser essa.
(Rosa para também, junto aos degraus, cansada, enfastiada e deixando já entrever uma revolta
que se avoluma).
ROSA
E agora? Está fechada.

É cedo ainda. Vamos esperar que abra.
ROSA
Esperar? Aqui?

Não tem outro jeito.
ROSA
(Olha-o com raiva e vai sentar-se num dos degraus. Tira o sapato). Estou com cada bolha
d'água no pé que dá medo.

Eu também. (Contorce-se num ritus de dor. Despe uma das mangas do paletó). Acho que os
meus ombros estão em carne viva.
ROSA
Bem feito. Você não quis botar almofadinhas, como eu disse.

(Convicto) Não era direito. Quando eu fiz a promessa, não falei em almofadinhas.
ROSA
Então: se você não falou, podia ter botado; a santa não ia dizer nada.

Não era direito. Eu prometi trazer a cruz nas costas, como Jesus. E Jesus não usou
almofadinhas.
ROSA
Não usou porque não deixaram.

Não, nesse negócio de milagres, é preciso ser honesto. Se a gente embrulha o santo, perde
o crédito. [...]
ROSA
Será que você ainda pretende fazer outra promessa depois desta? Já não chega?...

Sei não... a gente nunca sabe se vai precisar. Por isso, é bom ter sempre as contas em dia.
(Ele sobe um ou dois degraus. Examina a fachada da igreja à procura de uma inscrição).
ROSA
Que é que você está procurando?

Qualquer coisa escrita... pra gente saber se essa é mesmo a igreja de Santa Bárbara.
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ROSA
E você já viu igreja com letreiro na porta, homem?

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É que pode não ser essa...
ROSA
Claro que é essa. Não lembra o que o vigário disse? Uma igreja pequena, numa praça,
perto duma ladeira...

(Corre os olhos em volta) Se a gente pudesse perguntar a alguém...
ROSA
Essa hora está todo o mundo dormindo. (Olha-o quase com raiva). Todo o mundo... menos
eu, que tive a infelicidade de me casar com um pagador de promessas. (Levanta-se e procura
convencê-lo). Escute, Zé... já que a igreja está fechada, a gente podia ir procurar um lugar pra
dormir. Você já pensou que beleza agora uma cama?...

E a cruz?
ROSA
Você deixava a cruz aí e amanhã, de dia...

Podem roubar...
ROSA
Quem é que vai roubar uma cruz, homem de Deus? Pra que serve uma cruz?

Tem tanta maldade no mundo. Era correr um risco muito grande, depois de ter quase
cumprido a promessa. E você já pensou; se me roubassem a cruz, eu ia ter que fazer outra e vir
de novo com ela nas costas da roça até aqui. Sete léguas.
ROSA
Pra quê? Você explicava à santa que tinha sido roubado, ela não ia fazer questão.

É o que você pensa. Quando você vai pagar uma conta no armarinho e perde o dinheiro
no caminho, o turco perdoa a dívida? Uma ova!
ROSA
Mas você já pagou a sua promessa, já trouxe uma cruz de madeira da roça até à igreja de
Santa Bárbara. Está aí a igreja de Santa Bárbara, está aí a cruz. Pronto. Agora, vamos embora.

Mas aqui não é a igreja de Santa Bárbara. A igreja é da porta pra dentro.
ROSA
Oxente! Mas a porta está fechada e a culpa não é sua. Santa Bárbara deve saber disso, que
diabo.

(Pensativo) Só se eu falasse com ela e explicasse a situação...
ROSA
Pois então... fale!

(Ergue os olhos para o céu, medrosamente, e chega a entreabrir os lábios, como se fosse diri-
gir-se à santa. Mas perde a coragem) Não, não posso...
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ROSA
Por que, homem?! Santa Bárbara é tão sua amiga... Você não está em dia com ela?

LÍNGUA PORTUGUESA 17

Estou, mas esse negócio de falar com santo é muito complicado. Santo nunca responde
em língua da gente... não se pode saber o que ele pensa. E além do mais, isso também não é
direito. Eu prometi levar a cruz até dentro da igreja, tenho que levar. Andei sete léguas. Não vou
me sujar com a santa por causa de meio metro.
ROSA
E pra você não se sujar com a santa, eu vou ter que dormir no chão, no “hotel do padre”.
(Olha-o com raiva e vai deitar-se num dos degraus da escada da igreja). E se tudo isso ainda fosse
por alguma coisa que valesse a pena...
[...]

GOMES, Dias. O pagador de promessas. Disponível em: https://oficinadeteatro.com/conteudotextos-pecas-etc/pecas-


de-teatro/viewdownload/5-pecas-diversas/170-o-pagador-de-promessas. Acesso em 30 maio 2019. Fragmento.

ATIVIDADES

1. Qual a função do texto inicial? Que informações ele traz?

2. Quem são os personagens que participam da cena que você leu?

3. Onde se passa a história?

4. Como Zé-do-Burro é descrito?

5. Por que ele carrega a cruz? A quem ele fez uma promessa?

6. Por que ele não quis deixar a cruz na escadaria da igreja, conforme sugeriu Rosa?
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18 LÍNGUA PORTUGUESA
T
C Proposta de produção
O trecho que você leu corresponde apenas ao início do texto teatral de Dias Gomes. Sua tarefa
agora é escrever um texto que continue a história de Zé-do-Burro e explique como se desenrola o
pagamento da promessa dele. Para isso, você deverá inserir novos personagens e um novo cenário
na história. Tenha atenção especial com as rubricas, que devem orientar o leitor. Utilize os elementos
próprios do gênero.
Depois que os textos estiverem prontos, a turma poderá escolher o mais criativo para produzir
uma encenação.
Boa produção!
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LÍNGUA PORTUGUESA 19
CRITÉRIOS DE CORREÇÃO – 9.o ANO – Texto teatral
Observações: as divisões da grade de correção correspondem a parâmetros básicos, mas são possí-
veis valores intermediários até o valor máximo do item. A condução do processo de correção e reescrita
fica a critério do professor. Se preferir, poderá fazer uma primeira correção entre os próprios alunos,
trocando os textos entre os colegas, solicitando, se necessário, que elaborem uma segunda versão. É
possível, também, solicitar aos alunos que entreguem os textos para correção e posterior reescrita, a
qual deve ser feita por eles. Leve a planilha de correção ao conhecimento do aluno.

ADEQUAÇÃO À PROPOSTA (2,0) 0,5 0,25 zero


1. O aluno produziu uma continuação que explique, de forma coerente,
o desenrolar da história?
2. O texto apresenta rubricas que orientam o leitor?
3. O texto apresenta novos personagens e um novo cenário?
4. O texto usa essencialmente o discurso direto?
TOTAL

CONTEÚDO (4,0) 3,0 2,0 1,0 0,8 0,5 0,2 zero


5. Há progressão e coerência?
6. Há riqueza e relevância de informações (desen-
rolar da história, criação de novos personagens e
cenário, falas dos personagens etc.)?
TOTAL

COESÃO (2,0) 0,5 0,3 zero


7. Apresenta paragrafação (continuidade de ideias)?

8. Apresenta pontuação adequada?

9. Apresenta vocabulário adequado, rico e variado?

10. Apresenta construção adequada de frases?


TOTAL

NORMA-PADRÃO (2,0) 1,0 0,8 0,5 0,2 zero


11. Há uso correto de ortografia e acentuação?

12. São contemplados aspectos gramaticais pertinentes ao


ano?

TOTAL
TOTAL GERAL
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