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LITERATURA

Exercícios
01

Sobre as personagens femininas de O homem que sabia javanês e outros contos, pode-se afirmar que

A) Zilda, de “O Número da Sepultura”, ao jogar no bicho e ganhar um bom prêmio, conquista a confiança do marido Augusto,
que passa a elogiar-lhe a inteligência e atribuir-lhe a responsabilidade de gerir as despesas da casa.
B) A viúva D. Ermelinda, de “Quase ela deu o sim mas”, mulher ativa e esperta, reverte o jogo do malandro João Cazu e,
diante do pedido de casamento deste, dá-lhe uma lista de mantimentos para comprar, frustrando as expectativas do
rapaz, que estava em busca de uma mulher tola que o sustentasse.
C) Alice, de “Um Especialista”, ilustra a condição social de miséria e de sofrimento da mulher mestiça. Vinda do Norte, acu-
mula histórias de abusos e de violências domésticas, até encontrar a redenção no Rio de Janeiro, ao conhecer o português
Comendador Mota, que a emprega em sua loja e descobre ser seu verdadeiro pai.
D) Dona Laura, de “O filho da Gabriela”, apesar do casamento feliz com o Conselheiro Calaça, compensa as frustrações da
maternidade irrealizada, adotando Horácio, o filho da empregada. O conto faz apologia do bom “apadrinhamento” como
caminho de inclusão social do mais pobre.

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Leia o trecho do conto “O especialista”, do livro O homem que sabia javanês e outros contos, de Lima Barreto:

“Os espectadores, com batidos das bengalas nas mesas, no assoalho, e com a voz mais ou menos comprometida,
estribilhavam-na doidamente. O espetáculo ia no auge. Da sala aos camarotes subia um estranho cheiro - um odor
azedo de orgia. Centenas de charutos e cigarros a fumegar enevoavam todo ambiente. Desprendimentos do tabaco,
emanações alcoólicas, e, a mais, uma fortíssima exalação de sensualidade e lubricidade, davam à sala o aspecto
repugnante de uma vasta bodega. Mais ou menos embriagado, cada um dos espectadores tinha para com a mulher
com quem bebia, gestos livres de alcova. Francesas, italianas, húngaras, espanholas, essas mulheres, de dentro das
rendas, surgiam espectrais, apagadas, lívidas como moribundas. Entretanto, ou fosse o álcool ou o prestígio de pe-
regrinas, tinham sobre aqueles homens um misterioso ascendente. A esquerda, na platéia, o majestoso deputado da
entrada coçava despudoradamente a nuca da Dermalet, uma francesa; em frente o doutor Castrioto, lente de uma
escola superior, babava-se todo a olhar as pernas da cantora em cena, enquanto em um camarote defronte, o Juiz
Siqueira apertava-se à Mercedes, uma bailarina espanhola, com o fogo de um recém-casado à noiva. Um sopro de
deboche percorria homem a homem...”

Considerando o trecho e a leitura integral do conto, podemos estabelecer diversas semelhanças temáticas deste com O Cortiço,
de Aluísio Azevedo, EXCETO:

A) a presença de portugueses ricos como protagonistas do conto e do romance.


B) a descrição pormenorizada do tema sexual e a zoomorfização de personagens no conto e no romance.
C) a trajetória de ascensão social da mulata no contexto da prostituição de luxo, como ilustram os destinos de Rita Baiana,
no romance, e de Alice, no conto.
D) a presença da mulher negra ou mestiça como objeto de exploração, como ilustra a relação de João Romão e Bertoleza
no romance e a do Comendador Mota e Alice no conto.

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Diversos contos alegóricos ou filosóficos aparecem em “O homem que sabia javanês e outros contos”. Neles, o autor Lima
Barreto situa suas histórias em países distantes, reais ou fictícios, ou mesmo em cenários imaginários, para expor ideias ou
fazer sátira social ou política. Nesse sentido, no conto “O falso Dom Henrique V”, a situação alegórica ali descrita remete ao tema

A) da crítica à discriminação racial.


B) do desmascaramento das aparências sociais por um narrador defunto.
C) da crítica à violência do regime escravocrata.
D) da passagem da Monarquia à República.

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O conto “Foi buscar lã” tem como título o início de um ditado A situação da mulher confinada a casamentos arranjados ou
popular cujo final é “saiu tosquiado”, remetendo à situação de de conveniência são comuns nas narrativas de O homem que
um personagem que procura se dar bem e acaba se dando mal. sabia javanês e outros contos. Casos de violência física são
Assinale a alternativa que apresenta corretamente a situação também mostrados, revelando a crítica do autor à sociedade
narrada no referido conto: patriarcal e machista. Sobre o assunto, pode-se afirmar que

A) um malandro jogador de bola, cujo nome é Cazu, pre- A) Zilda, do conto “O número da sepultura”, leva uma surra
tende casar-se com uma viúva que o sustente. Ela, mais do marido Augusto, quando este descobre que ela havia
esperta, diz a ele, no final, que só aceitará o pedido de jogado parte do dinheiro das despesas no bicho e perdera.
casamento, se ele procurar emprego e sustentar a casa. B) Dona Laura, do conto “O filho da Gabriela”, sendo mais
B) Simões Feitais, descendente de uma antiga e rica família moça que o marido, o Conselheiro Calaça, sofre agressões
proprietária de escravos, cria cães de caça para atacar do marido por causa de seus ciúmes doentios.
galináceos dos quintais vizinhos do subúrbio onde mora. C) Dona Ermelinda, viúva que se casa em segundas núpcias,
No final do conto, o personagem é atacado pelos próprios sofre nas mãos do malandro e jogador de bola Cazu, o
cães numa noite em que estes não reconhecem o dono. qual, alcoolizado, a espanca para conseguir dinheiro para
C) com as promoções de Natal, o funcionário público Simplí- o jogo.
cio Fontes acaba sendo promovido no lugar de Fortunado D) A mulher de Anacleto, do conto homônimo, é espancada
Guaicurus. Este, até então o preferido da família para pelo marido, o qual se envolve com o jogo e a bebida. A
se casar com Mariazinha, vê seus planos de matrimônio mulher foge do lar e morre na miséria em praça pública,
fracassados. não tendo sequer o corpo reconhecido pelo ex-marido.
D) o advogado Praxedes Itapiru da Silva é desmascarado em
pleno júri durante a defesa do humilde Casaca. Praxedes 08
é verdadeiro autor do crime cuja culpa recai sobre o réu Sobre a obra de Lima Barreto, podemos afirmar:
que ele defende. Tudo não passara de uma armação do
advogado malandro e golpista.
A) Pode ser considerada precursora do romance regionalista
moderno, representando a sociedade rural do século XIX.
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B) Presa aos cânones estéticos e literários, é considerada
A intertextualidade histórica com o mito do sebastianismo, modernista, apesar de fazer uma retomada aos assuntos
recriado em um dos contos de O homem que sabia javanês e abordados pela escola parnasiana.
outros contos, remete ao monarquismo de Lima Barreto e à C) Não apresenta cunho social e está voltada para a experi-
sua aversão à República. Trata-se de uma narrativa alegórica mentação e aos estudos da própria linguagem, apresen-
ambientada no reino da Bruzundanga, país fictício que remete tando um novo tipo de relação narrador-leitor.
ao Brasil, cujo nome é D) Reflete forte sentimento nacional e grande preocupação
com questões históricas, culturais e sociais, denotada a
A) “Eficiência militar (historieta chinesa)”. partir de uma consciência crítica contumaz dos problemas
B) “Um que vendeu sua alma”. brasileiros.
C) “O falso Dom Henrique V”.
D) “O Pecado”. 09

Uma atitude comum caracteriza a postura literária de autores


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pré-modernistas, a exemplo de Lima Barreto, Graça Aranha,
No conto “O pecado”, conto alegórico que se ambienta no céu, Monteiro Lobato e Euclides da Cunha. Pode ela ser definida
o irônico título remete à falta que impede um personagem de como
entrar no reino divino. Seu pecado é
A) a necessidade de superar, em termos de um programa
A) a corrupção. definido, as estéticas românticas e realistas.
B) a ambição. B) pretensão de dar um caráter definitivamente brasileiro à
C) a cor da pele. nossa literatura, que julgavam por demais europeizada.
D) a luxúria. C) a necessidade de fazer crítica social, já que o realismo
havia sido ineficaz nessa matéria.
D) uma preocupação com o estudo e com a observação da
realidade brasileira.

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Sobre a presença feminina nas obras literárias, assinale a A retomada irônica de mitos históricos ou literários famosos
alternativa INCORRETA: aparecem em determinados contos filosóficos de O homem que
sabia javanês e outros contos, conforme revela a exploração
A) A sensualidade da mulata com objeto de desejo do branco anedótica do “mito fáustico” no conto:
português está representada pela atração que Rita Baiana
desperta em Jerônimo, em O Cortiço, e Alice desperta em A) “Eficiência militar (historieta chinesa)”.
Comendador Mota, em “O Especialista”, conto de Lima B) “O falso Dom Henrique V”.
Barreto. C) “Um que vendeu sua alma”.
B) A exploração do corpo ou da mão de obra da mulher negra D) “O pecado”.
ou mestiça está simbolizada nas trajetórias de João Romão
em O Cortiço e de comendador Mota em “O especialista”. 13
O primeiro escraviza Bertoleza em sua escalada de as-
Em um dos contos alegóricos de O homem que sabia javanês
censão; o segundo é um ricaço cuja especialidade é caçar
e outros contos, de Lima Barreto, o autor recorre a um expe-
mulatas para satisfazer seu apetite sexual desenfreado.
diente narrativo também utilizado por Machado de Assis em
C) A violência física contra a mulher está simbolizada pelas
Memórias póstumas de Brás Cubas, o qual remonta à sátira
agressões que Sofia sofre nas mãos do primeiro marido
antiga. Trata-se da utilização do ponto de vista da morte para
Harpo, em A Cor Púrpura, e a mulher do Anacleto sofre
desnudar as futilidades e as aparências da vida. O conto em
nas mãos do marido no conto, “A mulher do Anacleto”, de
questão é:
Lima Barreto. Ambas têm trajetórias semelhantes, pois
fogem de casa para livrar-se dos espancamentos, mas
A) “Eficiência militar (historieta chinesa)”.
terminam reatando com seus companheiros no final do
B) “O pecado”.
romance e do conto.
C) “Carta de um defunto rico”.
D) Rosa, de O noviço, de Martins Pena, apresenta alguma
D) “O caçador doméstico”.
semelhança com a mãe da personagem Alice, no conto “O
especialista”, de Lima Barreto. Ambas são do norte do país
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e são enganadas por homens (marido ou companheiro)
espertos que lhes roubam os bens. A diferença é que a São temas da obra de Lima Barreto presentes no conto “O

primeira é branca e consegue mais tarde se vingar do homem que sabia javanês”, EXCETO:

homem que a ludibriou; a mãe de Alice é negra e termina


abandonada sem chance de revide. A) a crítica ao preconceito racial.
B) a crítica à cultura bacharelesca e doutoral.
C) a crítica ao arrivismo.
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D) a crítica ao bovarismo.
A crítica ao casamento como mero arranjo familiar ou jogo
de interesses constitui importante crítica de Lima Barreto à
sociedade patriarcal e ao tipo de educação geralmente desti-
nada a moços e moças no Brasil. O tema aparece corretamente
descrito nos diversos contos, EXCETO:

A) no tédio e na monotonia da vida de casada, repassados


nos pensamentos da suburbana Zilda, os quais ocupam os
primeiros parágrafos do conto “O Número da Sepultura”.
B) no calvário da mulher do Anacleto, que termina perambu-
lando por ruas e praças até morrer anonimamente, depois
de fugir das agressões físicas do marido, funcionário
público até então exemplar que se mete com o jogo e a
bebida no conto “A mulher do Anacleto”.
C) nas frustações de Dona Laura, moça jovem casada com
viúvo mais velho em o “Filho da Gabriela”, a qual busca
fugir do casamento infeliz pelos vários adultérios.
D) no destino infeliz da viúva D. Ermelinha, que amarga seu
calvário conjugal nas garras do malandro jogador de bola
Cazu, que a espanca para o dinheiro do jogo e da bebida
no conto “Quase ela deu o sim; mas...”

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Muitos títulos dos contos de O homem que sabia javanês e outros contos, de Lima Barreto, remetem ironicamente ao desfecho
das histórias. Assinale a alternativa em que a correlação título/desfecho esteja INCORRETA:

A) O título “O pecado” remete à luxúria do protagonista Comendador Mota, que cata mulatas para satisfazer sua libido
selvagem e acaba descobrindo que sua última conquista é a sua própria filha.
B) o título “Milagre de Natal” remete às promoções do funcionalismo público, que saem sempre no fim do ano. O desfecho
faz com que Simplício Fontes torne-se o predileto para casar com Mariazinha.
C) o título “O único assassinato de Cazuza” remete ao crime do personagem na infância, matar um pintinho, pequeno crime
que, obviamente, não alavanca promoções ou carreira política.
D) o título “O filho da Gabriela” remete ao filho da empregada, Horácio, adotado e apadrinhado pela família rica do Conse-
lheiro Calaça e sua esposa, Dona Laura, remetendo à condição do pobre agregado, que, a certa altura, se revolta contra
sua posição subalterna.

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Finais trágicos ou inesperados são comuns em alguns contos de O homem que sabia javanês e outros contos, acentuando o
teor da crítica social ou política. Assinale a alternativa INCORRETA:

A) Em “Manel Capineiro”, o pobre carroceiro do subúrbio é vítima de um acidente que lhe trucida os bois, tirando-lhe seu
único meio de sobrevivência. O conto pode ser visto como um retrato pungente e doloroso da miséria dos subúrbios
cariocas.
B) Em “O Caçador Doméstico”, o feitiço se volta contra o feiticeiro, quando os cães de caça de Simões Feitiais o matam. O
sadismo do descendente de uma família de escravocratas encontra seu fim em uma vingança exemplar.
C) Em “O número da sepultura”, depois de fugir do lar por causa das agressões físicas do marido, a protagonista vaga pelas
ruas em estado de pobreza e vagabundagem até morrer em praça pública como indigente, sem ter o corpo reconhecido
pelo marido sem escrúpulos.
D) Em “Foi buscar Lã”, o advogado Praxedes Itapiru da Silva, falso sábio e criminoso, é desmascarado em pleno júri como
autor do crime cujo réu defende. O título é um conhecido ditado popular que termina com “saiu tosquiado”, aludindo ao
desfecho inesperado que desnuda, em público, o doutor farsante.

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Em um dos contos do livro O homem que sabia javanês e outros contos, um determinado governante age exclusivamente para
manter-se no poder, elevando impostos para equipar e melhorar seu exército, incluindo trocar o uniforme deste. De modo
alegórico, Lima Barreto critica a Primeira República, seus primeiros governos autoritários como também o jogo das alianças
e influências políticas. Trata-se do conto:

A) “Eficiência militar (historieta chinesa)”.


B) “O falso Dom Henrique V”.
C) “Foi buscar lã”.
D) “O único assassinato de Cazuza”.

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Intertextualidade com outros autores ou com a própria obra aparece em alguns contos de O homem que sabia javanês e outros
contos, de Lima Barreto. Em um deles, o narrador avisa que vai tratar de um assunto que deixara de fora de um outro livro
seu, Os Bruzundangas. Em outro conto, o narrador diz ter publicado um livro Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá a partir
das anotações que lhe deixou um amigo chamado Augusto Machado. Acrescenta ainda que o conto que irá escrever não tem
nada de seu, pois se baseia também nos escritos de Augusto Machado. A referência intertextual a Os Bruzundangas e à Vida
e morte de M. J. Gonzaga de Sá, ambas obras de Lima Barreto, aparece respectivamente em

A) “Eficiência militar (historieta chinesa)” e “O Falso Dom Henrique V”.


B) “Carta de um defunto rico” e “O Pecado”.
C) “O falso Dom Henrique V” e “Três gênios de secretaria”.
D) “Um que vendeu sua alma” e “O pecado”.

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Leia o fragmento abaixo:

“Mas, como dizia, todos nós nascemos para funcionário público. Aquela placidez do ofício, sem atritos, nem
desconjuntamentos violentos; aquele deslizar macio durante cinco horas por dia; aquela mediania de posição e for-
tuna, garantindo inabalavelmente uma vida medíocre - tudo isso vai muito bem com as nossas vistas e os nossos
temperamentos. Os dias no emprego do Estado nada têm de imprevisto, não pedem qualquer espécie de esforço a
mais, para viver o dia seguinte. Tudo corre calma e suavemente, sem colisões, nem sobressaltos, escrevendo-se os
mesmos papéis e avisos, os mesmos decretos e portarias, da mesma maneira, durante todo o ano, exceto os dias
feriados, santificados e os de ponto facultativo, invenção das melhores da nossa República”.

A crítica ao funcionalismo público, sua rotina burocrática e seus tipos característicos, é tema constante na obra de Lima
Barreto, aparecendo configurada nas memórias de um velho funcionário público, da irônica Secretaria dos Cultos, no conto

A) “Milagre de Natal”.
B) “Três Gênios de Secretaria”.
C) “Foi buscar lã”.
D) “O único assassinato de Cazuza”.

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Em um de seus contos, Lima Barreto descreve diversos tipos do funcionalismo público, ironizando a vida burocrática e seu
jogo sujo de favores, de apadrinhamentos e de culto das aparências. No trecho abaixo, o narrador descreve o tipo “auxiliar
de gabinete”, ainda hoje comum nas repartições e secretarias espalhadas pelo Brasil:

“Deixo-a, dizia, para tratar do “auxiliar de gabinete”. É este a figura mais curiosa do funcionalismo moderno.
É sempre doutor em qualquer cousa; pode ser mesmo engenheiro hidráulico ou eletricista. Veio de qualquer parte
do Brasil, da Bahia ou de Santa Catarina, estudou no Rio qualquer cousa; mas não veio estudar, veio arranjar um
emprego seguro que o levasse maciamente para o fundo da terra, donde deveria ter saído em planta, em animal e,
se fosse possível, em mineral qualquer. É inútil, vadio, mau e pedante, ou antes, pernóstico. Instalado no Rio, com
fumaças de estudante, sonhou logo arranjar um casamento, não para conseguir uma mulher, mas, para arranjar um
sogro influente, que o empregasse em qualquer cousa, solidamente. Quem como ele faz de sua vida, tão-somente
caminho para o cemitério, não quer muito: um lugar em uma secretaria qualquer serve. Há os que vêem mais alto e
se servem do mesmo meio; mas são a quintessência da espécie”.

Essa descrição do tipo “auxiliar de gabinete” quadra bem a outros personagens dos contos do livro O homem que sabia javanês
e outros contos, sejam funcionários públicos ou figuras correlatas, EXCETO:

A) Fortunato Guaicurus, do conto “Milagre de Natal”.


B) Praxedes Itapiru da Silva, do conto “Foi buscar Lã”.
C) Castelo, do conto “O homem que sabia javanês”.
D) Hildegardo Brandão, do conto “O único assassinato de Cazuza”.

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Assinale a alternativa correta quanto a obra “O Noviço” de Martins Pena:

A) pertence ao gênero drama, pois não segue as convenções teatrais clássicas.


B) pertence ao gênero auto, por conta do teor cômico e clerical.
C) pertence ao gênero comédia, pois pretende divertir o público em geral.
D) pertence ao Romantismo por tratar do amor incondicional de Florença e Juca
E) pertence ao gênero tragédia, pois trata de personagens superiores.

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22 (UCS- 2015) 23 (UFG-GO)

A peça teatral O noviço (1987), de Martins Pena, a persona- Martins Pena foi o fundador da comédia de costumes do tea-
gem Carlos busca fugir à obrigação de tornar-se frade. Em sua tro brasileiro, da qual faz parte a peça O noviço. Nessa obra,
atuação, Carlos representa um tipo também explorado pelo pode-se encontrar:
compositor Chico Buarque.
( ) O predomínio da caricatura na concepção das persona-
Assinale a alternativa, dentre as composições abaixo, em que gens, baseada na exploração de tipos sociais facilmente
o excerto se associa ao tipo representado pela personagem identificados, o que leva ao efeito cômico desejado.
Carlos, na peça O noviço: ( ) O Brasil Colonial como pano de fundo histórico-social,
época em que a influência jesuítica foi decisiva na política,
A) “Eis o malandro na praça outra vez na economia e principalmente na educação dos jovens,
Caminhando na ponta dos pés direcionando-os para a vida religiosa.
[...] Entre deusas e bofetões ( ) A utilização de recursos dramáticos considerados primá-
Entre dados e coronéis rios, como o esconderijo, o disfarce e o erro de identifi-
Entre parangolés e patrões cação, demonstrando a ingenuidade e a simplicidade que
O malandro anda assim de viés” permeiam a edificação da trama.
( ) Uma vinculação nítida com o contexto romântico, uma vez
B) “Agora eu era o herói que a resolução dos conflitos se encaminha para o final
E o meu cavalo só falava inglês feliz e a consequente realização amorosa dos dois jovens
A noiva do cowboy e, ainda, a punição do vilão, recursos ostensivamente
Era você além das outras três” colhidos nos romances de folhetim da época.
Excluir alternativa
A) V-V-V-F.
C) “Estava à toa na vida B) V-F-V-V.
O meu amor me chamou C) F-V-V-F.
Pra ver a banda passar D) F-F-V-V.
cantando coisas de amor” E) V-V-F-F.
Excluir alternativa
EMILIA – Ah, quem é?
D) “Ele faz o noivo correto Carlos! CARLOS – Cala-te!
E ela faz que quase desmaia [...] Onde está minha tia, e o teu padrasto?
Vão viver sob o mesmo teto EMÍLIA – Lá em cima, mas o que tens?
Até que a casa caia CARLOS – Fugi do convento, e aí vem eles atrás
Até que a casa caia” de mim.
Excluir alternativa EMÍLIA – Fugiste, por que motivo?
CARLOS- Por que motivo?
E) “Amou daquela vez como se fosse a última Pois faltam motivos para se fugir do convento?
Beijou sua mulher como se fosse a última [...] EMÍLIA – Que fizeste, louco?
E cada filho seu como se fosse o único
(Trecho da peça O noviço, de Martins Pena).
E atravessou a rua com seu passo tímido”

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Marco do teatro nacional do século XIX, Martins Pena trouxe Leia as afirmações abaixo, a propósito do texto:
para cena brasileira questões pertinentes à sociedade da época.
No trecho apresentado, há um diálogo entre Carlos e Emília, 1 - A forma de tratamento revela familiaridade entre Carlos
no qual o autor coloca em cena: e Emília.
2 - O diálogo retrata uma cena de ciúme.
A) A evolução da mocinha romântica para a mocinha realista 3 - A peça O noviço pertence ao teatro realista.
ao colocar Emília numa nova perspectiva de comporta- 4 - O tom da cena sugere tratar-se de uma comédia.
mento para o século XIX.
B) A transformação do heroi romântico para o heroi realista, Podemos dizer, a respeito das afirmações acima:
na figura de Carlos, que não mais apresenta o comporta-
mento ético do mocinho completo, e foge do convento. A) Estão corretas as afirmações 1, 3 e 4.
C) A mudança dos valores religiosos do século XIX eviden- B) Estão corretas as afirmações 1, 2 e 4.
ciados no diálogo. C) Estão corretas as afirmações 1 e 4
D) O questionamento do casamento por interesse, tão pre- D) Estão corretas as afirmações 2 e 4.
sente na sociedade da época.
E) O retrato da realidade nacional, com um casal tipicamente
27 (USC- 2015)
romântico.
A peça teatral O noviço (1987), de Martins Pena, foi produ-
zida durante o Romantismo Brasileiro. No entanto, o texto
25
aproxima-se do
As peças de Martins Pena, como O Noviço, destacaram-se no
cenário teatral nacional por: A) Modernismo, por assemelhar-se ao romance de 30, na
apresentação de temas regionais.
A) Retratar os valores clássicos do teatro europeu, impor- B) Simbolismo, pois explora a composição de personagens
tando-os para o Brasil. como tipos que representam determinada condição hu-
B) Trazer para a cena um flagrante vivo da sociedade da mana e social.
época, através de um estilo de teatro caracterizado pela C) Naturalismo, pois relaciona o personagem à paisagem
comédia de costumes. bucólica em que está inserido.
C) Importar a tradição já existente de um teatro grego D) Barroco, ao preocupar-se em demonstrar a dualidade da
clássico. relação humana e divina e as contrariedades humanas.
D) Usar do teatro como artifício de religiosidade, dando E) Realismo, por retratar cenas e problemáticas da sociedade
prosseguimento ao teatro de catequese. brasileira, revelando a hipocrisia humana e os jogos de
interesse e poder.
CENA VII (CARLOS, com hábito de noviço, entra assustado e
fecha a porta.)
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EMÍLIA (Assustando-se) – Ah, quem é? São exemplos de quiproquó, na comédia, uma situação ambí-
Carlos! gua, interpretada de formas distintas, ou um personagem que
CARLOS – Cala-te! toma o lugar de outro. Constitui um quiproquó em O Noviço,
EMÍLIA – Meu Deus, o que tens, por que estás tão de Martins Pena,
assustado? O que foi?
CARLOS – Onde está minha tia, e o teu padrasto? A) quando Rosa se disfarça de frade para entrar na casa de
EMÍLIA – Lá em cima. Mas o que tens? Florença e desmascarar o vilão Ambrósio.
CARLOS – Fugi do convento, e aí vêm eles atrás B) quando Ambrósio se disfarça de mulher para voltar à casa
de mim. de Florência e chantageá-la.
EMÍLIA – Fugiste? E por que motivo? CARLOS – Por C) quando Carlos troca de roupa com Rosa para escapar do
que motivo? Pois faltam motivos para se fugir de um padre-mestre e dos meirinhos.
convento? O último foi o jejum em que vivo há sete D) quando Ambrósio se disfarça de padre para enganar Rosa,
dias... Vê como tenho esta barriga, vai a sumir-se.
sua primeira esposa.
Desde sexta-feira passada que não mastigo pedaço
que valha a pena. EMÍLIA – Coitado!
CARLOS – Hoje, já não podendo, questionei com
o dom abade. Palavras puxam palavras; dize tu, direi
eu, e por fim de contas arrumei-lhe uma cabeçada,
que o atirei por esses ares.
EMÍLIA – O que fizeste, louco?
!Martins Pena. O noviço)

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CARLOS — O tempo acostumar! Eis aí porque vemos entre nós tantos absurdos e disparates. Este tem jeito para
sapateiro: pois vá estudar medicina... Excelente médico! Aquele tem inclinação para cômico: pois não senhor, será
político... Ora, ainda isso vá. Estoutro só tem jeito para caiador ou borrador: nada, é ofício que não presta... Seja
diplomata, que borra tudo quanto faz. Aqueloutro chama-lhe toda a propensão para a ladroeira; manda o bom senso
que se corrija o sujeitinho, mas isso não se faz; seja tesoureiro de repartição fiscal, e lá se vão os cofres da nação
à garra... Essoutro tem uma grande carga de preguiça e indolência e só serviria para leigo de convento, no entanto
vemos o bom do mandrião empregado público, comendo com as mãos encruzadas sobre a pança o pingue ordenado
da nação.

Esta fala de Carlos, no contexto de O Noviço, exemplifica uma crítica de costumes voltada sobretudo para

A) os vícios da vida no convento.


B) o conflito de gerações.
C) as vocações contrariadas.
D) o culto das aparências no funcionalismo.

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Embora situada no Romantismo, O Noviço, de Martins Pena, apresenta algumas características que, segundo os críticos,
aproximam a peça do Realismo. Pode ser considerada uma característica realista de O Noviço

A) a idealização amorosa do par Carlos/Emília, que simbolizam os jovens da comédia em luta contra os arbítrios dos mais
velhos.
B) o “happy-end” da comédia, que termina por unir em casamento os jovens que lutam contra os impedimentos familiares.
C) o maniqueísmo que separa heróis e vilões, bandidos e mocinhos, de forma nítida.
D) a transformação das mulheres, que passam de ingênuas a espertas e vingam-se do marido bígamo.

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O quiproquó, na comédia, constitui uma situação ambígua, na qual um personagem pode tomar o lugar de outro por alguma
razão. Leia a cena abaixo da obra O Noviço, de Martins Pena:

Carlos, Mestre de Noviços e três meirinhos


MESTRE — Deus esteja nesta casa
CARLOS — Humilde serva de Vossa Reverendíssima...
MESTRE — Minha senhora, terá a bondade de perdoar-me pelo incômodo que lhe damos, mas nosso dever...
CARLOS — Incômodos, Reverendíssimo Senhor?
MESTRE — Vossa Senhoria há-de permitir que lhe pergunte se o noviço Carlos, que fugiu do convento...
CARLOS — Psiu, caluda!
MESTRE — Hem?
CARLOS — Está ali...
MESTRE — Quem?
CARLOS
— O noviço.

Explique qual é o quiproquó desta cena e quais são as consequências dele no desenrolar da peça.

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Embora situada no Romantismo, a peça O Noviço, de Martins Pena, apresenta também características mais próximas do
Realismo. Pede-se:

A) uma característica romântica da peça.

B) uma característica realista da peça.

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“Comédia de costumes” é o termo que melhor designa o gênero de peças escritas por Martins Pena, considerado o pai do
teatro moderno brasileiro. Explique por que O Noviço pode ser considerada uma comédia de costumes.

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Assim se refere o historiador Nicolau Sevcenko a um dos temas da obra de Lima Barreto:

“O bovarismo, segundo a concepção do autor era outra dessas atitudes mistificatórias da nova elite... O bovarismo
é o poder partilhado no homem de se conceber outro que não é”.

Explique como o bovarismo é um dos pilares da sátira social presente no conto O homem que sabia javanês, de Lima Barreto.

Gabarito
01. B 16. C
02. C 17. A
03. D 18. C
04. D 19. B
05. C 20. D
06. C 21. C
07. D 22. A
08. D 23. B
09. D 24. B
10. C 25. B
11. D 26. C
12. C 27. E
13. C 28. C
14. A 29. C
15. A 30. D

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31. Nesta cena, Carlos, o noviço, que fugira do convento recentemente, conversa com Rosa, primeira esposa de Ambrósio,
que viera do Ceará para desmascarar o marido golpista e bígamo. O mestre de noviços e os meirinhos aparecem para
reconduzir o noviço fujão ao convento. Este, então, engana Rosa, trocando de roupas com ela. Rosa é levada ao con-
vento no lugar de Carlos. No decorrer do enredo, uma grande confusão ocorrerá no convento, quando descobrem que
uma mulher está disfarçada de homem (esta cena é apenas relatada pelo mestre de noviços). Rosa é liberada e, mais
tarde, volta para desmascarar Ambrósio. Carlos, por sua vez, será reconduzido ao convento, pois os padres, percebendo
o logro, mandam buscá-lo novamente.

32.
A) Como características românticas da peça, podemos citar a idealização da mulher, simbolizada na mocinha Emília, que
enfrenta obstáculos à realização amorosa (a ameaça do convento), mas termina ao lado do amado Carlos. O final feliz,
típico dos enredos românticos, aparece também na punição do vilão Ambrósio, que trama contra o casal jovem, impedindo
que eles fiquem juntos. A remoção dos obstáculos culmina na felicidade de Carlos e Emília. O maniqueísmo, presente
na luta do Bem contra o Mal, ou seja, dos heróis contra os vilões, é também um traço romântico típico dos romances de
folhetins ou dos melodramas da época.

B) Características realistas podem ser buscadas na representação dos tipos sociais da época e, em especial, nos temas
centrais de O Noviço: o jogo de interesses, a hipocrisia, a ambição, representados nas armações do vilão Ambrósio, que
pretende mandar o sobrinho e o filhos de Florência para o convento para ficar com a herança desta. Outra característica
realista pode ser buscada no retrato de algumas mulheres da peça, como Rosa e, mais tarde, Florência, que fogem da
ingenuidade e da pureza da mulher romântica típica e, vítimas do logro masculino, vingam-se do marido bígamo.

33. O Noviço focaliza um determinado grupo social de uma época, no caso, uma família fluminense típica da primeira meta-
de do século XIX, para representar, de forma satírica e caricata, seus tipos sociais, seus vícios e maus costumes. Nesse
sentido, emerge, em primeiro plano, a ambição desmedida de Ambrósio, vilão golpista e malandro, especializado em
enganar mulheres à cata de heranças. Outro aspecto da crítica de costumes aparece na representação da vida pouco
virtuosa do convento, como sugere a figura de Frei Maurício, que se disfarça com uma peruca para ir ao teatro. Há tam-
bém a representação do conflito de gerações, entre velhos e jovens, simbolizado na obsessão do pai ou equivalente (tio
ou padrasto) de decidir sobre a carreira dos filhos ou sobrinhos, o que remete ao tema da vocação contrariada, como
ocorre com Carlos, espécie de “noviço rebelde”, obrigado a ser frade, quando, na verdade, quer ser militar.

34. Um dos contos mais famosos de Lima Barreto, “O Homem que sabia javanês” narra a história de Castelo, baiano radi-
cado no Rio, que faz de tudo para se dar bem na vida e ascender socialmente. Arrivista típico, Castelo aproveita-se de
uma situação que lhe abre as portas da carreira diplomática, enganando a todos com o golpe do professor de javanês.
Na verdade, o personagem não sabia a língua, mas se ofereceu para ensiná-la a um velho barão que precisava traduzir
um livro de família, escrito no exótico idioma malaio. Castelo fez algumas pesquisas, decorou o alfabeto e se apresen-
tou ao barão. Este logo desistiu de aprender o idioma, mas, mesmo assim, queria que o suposto professor traduzisse
as histórias do livro de família que precisava ler. Malandro, Castelo inventou traduções para as histórias do livro, mas
impressionou muito o velho barão e o genro deste com o falso conhecimento de javanês. Ficou famoso, foi indicado pelo
barão à diplomacia, participou de um Congresso internacional de Linguistica e almoçou com o presidente da República.
O conto é uma crítica feroz ao falso sábio (tema de muitos outros contos), que exibe cultura sem ter, ilustrando assim o
bovarismo típico da sociedade brasileira do começo de século, bacharelesca e doutoral, que concebia para si uma imagem
mentirosa.

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