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EDUCAÇÃO INFANTIL: A INFLUÊNCIA DA METODOLOGIA NA


APRENDIZAGEM DA LINGUAGEM ORAL E ESCRITA

Bartolomeu Guedes Silveira Júnior1


Orientadora: Ms. Maria de Fátima Machado Guerra 2

RESUMO

Este artigo analisa a influencia da metodologia na aprendizagem da criança tendo como objetivo analisar se a
metodologia utilizada pelo professor da Educação Infantil da Escola X, no município de Pintópolis-MG, no
primeiro semestre de 2013, promove o ensino e a aprendizagem da linguagem oral e escrita dos alunos. Os
procedimentos metodológicos da pesquisa foram realizados por meio de uma revisão de literatura que teve por
base os autores Áries (1979), Rousseau (1975), Andrade (2007), Vygotsky (1991/ 1993), Cagliari (2002),
Oliveira (2008) e o Referencial Curricular para Educação Infantil (1998) e por meio de uma pesquisa de campo
através de entrevista semiestruturada e observação. A aprendizagem da linguagem oral e escrita é um dos
elementos importantes para as crianças ampliarem suas possibilidades de inserção e de participação nas diversas
práticas sociais. Dessa forma, este estudo poderá servir de apoio para professoras da educação infantil, pois a
partir das discussões apresentadas poderão refletir sua prática pedagógica, bem como, questionar as ações e
estratégias utilizadas no ensino da linguagem oral e escrita.

Palavras-chave: Educação Infantil, metodologia, linguagem.

ABSTRACT

This article analyses the influence of the methodology of children’s learning and objectives
to analyse if the methodology used by the teacher of children education of the school X, in
Pintópolis – MG, in the first semester of 2013, promotes de learning of oral and written
language of the students. The research is based on the following authors Áries (1979),
Rousseau (1975), Andrade (2007), Vygotsky (1991/ 1993), Cagliari (2002), Oliveira (2008)
and the Referencial Curricular para Educação Infantil (1998). And in a field research using
interviews and observation of the students. The learning of the oral and written language, it is
one of the most important elements for the children to open their possibilities of interaction
ans participation in their social enviroment. This way, this study must help teachers of
children’s education because, from the discussions presented here they could think about their
pedagogical practice, and question the actions and strategies used in the teaching ou oral and
written language.

Key words: children’s education, methodology, language.

1
Acadêmico do curso de Pedagogia ministrado pelo programa Universidade Aberta do Brasil –UAB/Unimontes,
2013, Urucuia-MG.
2
Professora pesquisadora, orientadora de TCC-UAB, UNIMONTES/MG.
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1. INTRODUÇÃO

Ao realizar o estágio supervisionado, do curso de pedagogia na Escola “X” de Educação


Infantil da Rede Municipal de Pintópolis/MG , foi possível perceber a dificuldade de alguns
alunos em assimilarem o conteúdo trabalhado pelo professor em relação a linguagem oral e
escrita e partindo desta realidade, o tema desenvolvido no trabalho é “Educação Infantil:
A influência da metodologia na aprendizagem da linguagem oral e escrita”.

A aprendizagem da linguagem se constitui um dos elementos essenciais na educação infantil,


pois o comunicar amplia as possibilidades de inserção e de participação das crianças nas
diversas práticas sociais. Vygotsky (1991, 1993) considera a linguagem como o sistema
simbólico básico de todos os grupos humanos, responsável pela mediação entre o sujeito e o
mundo, que exerce um papel fundamental na comunicação entre as pessoas, no pensamento e
no estabelecimento de significados compartilhados que permitem interpretações dos objetos,
eventos e situações.

Cagliari (2002, p.78) salienta que, por meio da linguagem, pode-se convencer o outro, fazer
promessa, ameaçar, mentir, pode confortar as pessoas e aliviar suas dores. Portanto, é pelo uso
da linguagem verbal e não verbal que se estabelecem direitos e deveres e influências sobre o
outro e tudo mais. Enfim, a linguagem é um instrumento humano de grande valor, para tanto,
é preciso saber usá-lo.

Assim, a linguagem oral e escrita na educação infantil ganha papel de destaque, pois este
processo favorece a orientação das ações das crianças, na construção de muitos
conhecimentos e no desenvolvimento do pensamento. Logo, um dos maiores desafios da
educação é o de promover experiências significativas de aprendizagem da língua, que
permitam as crianças fazer uso produtivo da leitura e da escrita, que favoreçam a construção
de sua identidade enquanto ser humano.
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A partir daí, nos propomos a responder ao seguinte problema: a metodologia utilizada pelo
professor do 2° período da Educação Infantil da Escola X, no município de Pintópolis/MG, no
primeiro semestre de 2013, promove o ensino e a aprendizagem da linguagem oral e escrita
dos alunos?

Para auxiliar nesse aprofundamento este artigo tem como objetivo geral analisar se a
metodologia utilizada pelo professor do 2° período da Educação Infantil da Escola X, no
município de Pintópolis-MG, no primeiro semestre de 2013, promove o ensino e a
aprendizagem da linguagem oral e escrita dos alunos e objetivos específicos : refletir sobre os
conceitos de criança e infância e educação infantil; discutir o papel e a importância da prática
pedagógica para o ensino e a aprendizagem, na Educação Infantil e analisar as orientações
didáticas para o ensino da leitura e escrita de crianças de 4 a 6 anos, no Referencial Curricular
Nacional da Educação Infantil.

Os procedimentos metodológicos da pesquisa foram realizados por meio de uma revisão de


literatura que teve por base os autores Áries (1979), Rousseau (1975), Andrade (2007),
Vygotsky (1991/ 1993), Cagliari (2002), Oliveira (2008) e o Referencial Curricular para
Educação Infantil (1998), e uma pesquisa de campo de cunho qualitativo.Esta opção se
justifica porque o método escolhido tem como princípio buscar a essência do problema para
que se tenha uma resposta concreta do tema investigado, tendo como foco a subjetividade de
cada um, pois a atividade humana é concebida de forma interativa, realizada a partir do
contato entre as pessoas (OLIVEIRA, 2008). 

O estudo foi realizado em uma Escola do Município de Pintópolis – MG, que atende a
crianças do 1º e 2º período da Educação Infantil. Observação em uma turma multisseriada, ou
seja, as duas turmas ocupam o mesmo espaço da sala de aula, tendo o professor como
referência no desenvolvimento das atividades.

O método qualitativo é de cunho exploratório, isto é, incentiva os entrevistados a pensarem


livremente sobre algum tema, objeto ou conceito. Com isso desenvolve aspectos subjetivos e
atingem motivações não explícitas, ou mesmo conscientes, de maneira espontânea. São
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usadas quando se busca percepções e entendimento sobre a natureza geral de uma questão,
abrindo espaço para a interpretação.

A pesquisa de campo foi desenvolvida através uma entrevista semiestruturada, por meio da
qual foram colhidos dados a partir das respostas apresentadas por 1 professor da Educação
Infantil, sendo este 100% da amostra do universo e observação de aulas ministradas para 17
alunos do 1º e 2º períodos da Educação Infantil correspondendo a 100% da amostra do
universo.

Diante do contexto exposto é importante esclarecer que a realização da investigação é


extremamente relevante, porque poderá servir de apoio para professoras da educação infantil,
pois a partir das discussões apresentadas poderão refletir sua prática pedagógica, bem como,
questionar as ações e estratégias utilizadas no ensino da linguagem oral e escrita.

2. DESENVOLVIMENTO

2.1 Criança e Infância e Educação Infantil - Conceitos e concepções

A criança faz parte do universo familiar e também do universo escolar. Mas, a sua presença
como “ser” criança e o termo infância, só começou a ter sentido na modernidade. Demorou

muito tempo para que as pesquisas considerassem em suas análises as relações entre
sociedade, infância e escola, compreendendo a criança como sujeito histórico e de direitos.

Os estudos feitos por Ariès (1973) problematiza como o conceito de infância se deu nas
construções sociais de três períodos históricos.

No primeiro período, segundo ele, a criança era considerada um adulto em


miniatura por não haver distinção entre o mundo adulto e o mundo infantil, ou seja,
a criança se “ingressava na sociedade dos adultos”. No segundo período, conforme
evidencia o teórico, ocorreu uma mudança na perspectiva de criança. Agora, a
sociedade passa a prezar pela inocência da mesma, portanto, a separa da vida dos
adultos ao enclausurá-la na instituição escolar sob vigia dos preceptores
(professores). Por fim, o terceiro período é caracterizado pela consolidação do
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conceito de infância. Ariès destaca que, neste período, a criança começa a ocupar o
lugar central da família devido à ligação da mesma com a figura dos anjos que são
tidos como eres puros e divinos.
(http://pedagogianacabeca.blogspot.com.br/2009/07/o-conceito-de-infancia-
segundo-philippe.html)
No primeiro período, percebe-se uma falta de sentimento para com a infância, a vida era igual
para todos, tanto criança como adulto viviam do mesmo modo. As crianças eram consideradas
adultos em miniatura (Áries, 1979), se comportavam como adultos, não existia escola,
brincadeira e nem brinquedos, com isso provavelmente existia a fragilidade na convivência
com os adultos.

Áries (1979, p. 156) ressalta que "na sociedade medieval a criança a partir do momento em
que passava a agir sem solicitude de sua mãe, ingressava na sociedade dos adultos e não se
distinguia mais destes". Já no segundo período a escola aparece, porém não como uma
instituição de interação de conhecimentos, mas como uma prisão e os professores como
guardas. Consequentemente se não existia interação, muito menos preocupação com a
aquisição do conhecimento pela criança. 

Somente no terceiro período, nos séculos XIX e XX, é que a relação criança e infância
começam a ter sentido. Os olhares dos pais e da escola voltam-se para uma pessoa frágil que
necessita de cuidados. Na contemporaneidade, a partir da institucionalização da escola é que o
conceito de infância começa lentamente a ser alterado, através da introdução das crianças no
ambiente escolar. 
Com o estabelecimento de uma nova ordem política, social e econômica,
impulsionada por diversos fatores, dentre os quais o capitalismo industrial, o
neoliberalismo e suas consequências (migrações, surgimento da família nuclear e
burguesa, adstrição da criança à família e idéia de escola), ocorreram
transformações que influenciaram a organização da estrutura familiar e,
consequentemente a vida das crianças. (PAULA, 2005, p.1)

Nessa perspectiva, observa-se que conforme ocorre transformações na estrutura social inicia
um processo de mudanças no conceito de infância, na organização familiar e na sociedade.
Rousseau (1995), considerado um dos primeiros pedagogos da História, a criança começou a
ser vista de maneira diferenciada do que até então existia. Rousseau (1995) propôs uma
educação infantil sem juízes, sem prisões e sem exércitos. A partir da Revolução Francesa, em
1789, modificou-se a função do Estado e, com isso, a responsabilidade para com a criança e o
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interesse por ela. Segundo Levin (1997, p. 254), “os governos começaram a se preocupar com
o bem-estar e com a educação das crianças”.

Segundo os Referenciais Curriculares para a Educação Infantil:

[...] a concepção de criança é uma noção historicamente construída e


consequentemente vem mudando ao longo dos tempos, não se apresentando de
forma homogênea nem mesmo no interior de uma mesma sociedade e época.
(BRASIL, 1998, p. 21)

A partir dessa observação é importante pensar sobre a concepção de infância nos dias atuais
onde é possível ver o reconhecimento da criança, da infância como "um vir a ser" no futuro, é
um olhar que por mais que se direciona a pensar nas crianças como sujeitos ativos e
produtores de culturas ainda se almejam o preparo destas para o futuro desconsiderando-se o
presente. 

Andrade (2007) discute a concepção do "ser criança" na sociedade atual trazendo, dados de
uma pesquisa feita por ela, indicações da criança estar sendo tida como um "ainda não", algo
que se tornará sujeito um dia (quando adulto), pois esta tem sido vista como uma extensão dos
pais, ou seja, não tem direitos próprios.

A autora complementa dizendo que as crianças têm sido consideradas como "menores" ou
"ainda não cidadãos” e

[...] a infância como realidade social, tem frequentemente permanecida afastada e


excluída das reflexões sobre problemas sociais e qualidade de vida, pois a
moratória infantil (o ainda não) faz com que a criança esteja sempre em lugar de
objeto em um processo macrossocial encaminhado a uma futura sociedade ideal.
(ANDRADE, 2007, p.3)

Assim, deixar de ser criança no presente porque tem que ser algo no futuro, e sobre isto
vemos duas realidades infantis uma em que a criança fica atribuída a ter muitas formações
escolares (cursos) para prepará-la para o futuro na sociedade; ou muitas atribuições (afazeres)
para adquirir o perfil social que é "ser ativo" atribuído de muitas tarefas o que acaba tirando o
prazer da infância, pois estas crianças passam a não ter tempo para o brincar.
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E este não deve ser o foco da educação infantil, a escolarização. A educação infantil, como
sendo a primeira etapa da educação básica prioriza o ato de cuidar e educar como eixos
norteadores para o desenvolvimento da criança.

Nesse sentido, é importante frisar que há muitas décadas vem crescendo um debate sobre a
educação infantil e estes,

[...] apontam para a necessidade de que as instituições de educação infantil


incorporem de maneira integrada as funções de educar e cuidar, não mais
diferenciando nem hierarquizando os profissionais e instituições que atuam com as
crianças pequenas e/ou aqueles que trabalham com as maiores. As novas funções
para a educação infantil devem estar associadas a padrões de qualidade. (BRASIL,
1998, p. 23)

Qualidades estas que devem estar relacionadas primordialmente com o convívio social da
criança, respeitando o seu nível cultural, social e econômico. A Educação Infantil é uma fase
que visa a interação entre as crianças e com os adultos oportunizando a construção de
identidade e autonomia.

Dessa forma, conceber a educação infantil como sendo uma etapa de crescimento social da
criança é primordial para o desenvolvimento da prática pedagógica do professor, pois o
oportuniza tanto para a criança como para o professor momentos de apreensão de novos
conhecimentos.

2. 2 Papel e importância da prática pedagógica na Educação Infantil

Por ser a primeira etapa da Educação Básica, a Educação Infantil merece atenção especial. A
educação infantil até 05 anos é a etapa em que se inicia o processo de desenvolvimento social
e formação educacional da criança, onde a mesma começa a interagir com o mundo das letras
e dos símbolos interpretando os seus significados., cujo objetivo é que elas se tornem aptas
para viver numa sociedade democrática, multidiversificada e em constante mudança.

Nesse sentido, cabe salientar que o papel da escola é viabilizar situações para que os alunos se
apropriem dos conhecimentos acumulados e através de um ensino interdisciplinar que mostre
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a utilidade dos conteúdos apreendidos e a aplicabilidade do mesmo no dia a dia, além de


reforçar os valores sociais, morais e éticos e buscar mediatizar alguns aspectos sociais
considerados negativos.

A partir de então cabe refletir sobre o papel da prática pedagógica do professor e como este
está sendo desenvolvido na educação infantil.

Trabalhar na Educação Infantil requer práticas significativas, que promovam uma


aprendizagem efetiva, propiciando resultados satisfatórios na vida das crianças,
desse modo, exige-se uma postura dinâmica no processo de ensino aprendizagem,
procurando ter sempre como princípio conhecer os interesses e necessidades de
cada criança, para que dessa forma possa ser desenvolvida uma prática educativa
adequada [...] (http://www.pedagogiaaopedaletra.com.br/posts/monografia-as-
praticas-pedagogicas-dos-professores-de-educacao-infantil/)

Nesse viés, pensar o interesse e a necessidade de cada criança, o professor está direcionando
seu trabalho para uma prática que tenha como princípio a qualidade do ensino e como foco o
desenvolvimento integral da criança.

“(...) o aprendizado das crianças começa muito antes de elas freqüentarem a escola.
Qualquer situação de aprendizagem com a qual a criança se defronta na escola tem
sempre uma história prévia. (...) De fato, aprendizagem e desenvolvimento estão
inter-relacionados desde o primeiro dia de vida da criança”.(Vygotsky, 1991. p.110)

Para Vygotsky (1991) a interação é extremamente importante tanto no nível social, como no
nível individual , entendendo que o conhecimento a ser adquirido pela criança se concebe a
partir da interação desta com o meio, neste sentido percebe-se que a partir de trocas
estabelecidas e com a orientação do professor a criança começa a desenvolver e a interpretar
os símbolos no seu espaço de convivência.

Em vista disso, ao analisar o texto das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação
Infantil (2010) este ressalta que na concepção da proposta pedagógica da escola deve priorizar
uma educação plena de forma social e política, tendo por base conceitos para a construção de :

[...] novas formas de sociabilidade e de subjetividade comprometidas com a


ludicidade, a democracia, a sustentabilidade do planeta e com o rompimento de
relações de dominação etária, socioeconômica, étnico-racial, de gênero, regional,
linguística e religiosa. (BRASIL, 2010, p. 17)
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Daí a importância de um ensino que priorize uma prática pedagógica consolidada por ações
de vivências e descobertas fazendo com que a criança construa e reconstrua o seu
conhecimento, para que cresça tendo como princípio a sua identidade autônoma e esteja apta
para viver numa sociedade democrática, multidiversificada e em constante mudança.
2.3 O ensino da leitura oral e escrita para crianças de 4 a 5 anos-orientações didáticas

A criança desde o seu processo de formação embrionário já inicia a apreensão de sentimentos


e emoções transmitidas pela mãe. Com o nascimento essa apreensão se torna visível tanto
para a criança quanto para os que estão à sua volta por meio da linguagem.

A partir da introdução da criança no espaço escolar essa linguagem começa a ser realizada de
forma direcionada e com objetivos formativos orientadas pelo professor para a ampliação de
interações sociais. Assim, é importante fazer estudo das orientações didáticas quanto ao
ensino da leitura oral e escrita para a criança de 4 a 5 anos disposta no Referencial Curricular
para a Educação Infantil (1998).

O trabalho com a linguagem se constitui um dos eixos básicos na educação infantil,


dada sua importância para a formação do sujeito, para a interação com as outras
pessoas, na orientação das ações das crianças, na construção de muitos
conhecimentos e no desenvolvimento do pensamento. (BRASIL, 1998, p. 117)

A criança neste período encontra-se em processo de construção da aprendizagem e


apropriação do sistema de leitura e escrita. Com o convívio com o adulto e com outras
crianças esta apropriação tende a realizar-se cada vez mais de forma efetiva e sólida.

O RCNEI (1998) orienta o trabalho da linguagem oral e escrita a partir dos seguintes
pressupostos:
 escutar a criança, dar atenção ao que ela fala, atribuir sentido,reconhecendo
que quer dizer algo;
 responder ou comentar de forma coerente aquilo que a criança disse, para que
ocorra uma interlocução real, não tomando a fala do ponto de vista normativo,
julgando-a se está certa ou errada. Se não se entende ou não se dá importância ao
que foi dito, a resposta oferecida pode ser incoerente com aquilo que a criança
disse, podendo confundi-la. A resposta coerente estabelece uma ponte entre a fala
do adulto e a da criança;
 reconhecer o esforço da criança em compreender o que ouve (palavras,
enunciados, textos) a partir do contexto comunicativo;
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 integrar a fala da criança na prática pedagógica, ressignificando-a. (idem,


1998, p. 137)

A fala é o ponto-chave para que o professor perceba a compreensão da criança. Saber ouvir a
criança, os seus anseios e respostas nos momentos de interlocução trarão para o professor o
conhecimento do que a criança está adquirindo ou do que ela precisa aprender. Quanto mais
as crianças puderem falar em variadas situações, mais poderão desenvolver suas capacidades
comunicativas de maneira significativa.

 Ao agir desta maneira, o professor estará valorizando a fala do aluno, oportunizando
momentos de enriquecimento e troca de experiências com os colegas. Nesse sentido, a
linguagem oral pode ser trabalhada de várias formas, como expressa no referencial:

Ao organizar situações de participação nas quais as crianças possam buscar


materiais, pedir informações ou fazer solicitações a outros professores ou crianças,
elaborar avisos, pedidos ou recados a outras classes ou setores da instituição etc., o
professor possibilita às crianças o uso contextualizado dos pedidos, perguntas,
expressões de cortesia e formas de iniciar conversação. (idem, 1998, p. 137)

Concomitante com o trabalho da linguagem oral ocorre o trabalho com a linguagem escrita.
Esta é a transformação do som em grafema. Assim, é importante que as atividades didáticas
sejam permeadas por ações que envolvam:
 Participação em situações cotidianas nas quais se faz necessário o uso da
escrita.
 Escrita do próprio nome em situações em que isso é necessário.
 Produção de textos individuais e/ou coletivos ditados oralmente ao professor
para diversos fins.
 Prática de escrita de próprio punho, utilizando o conhecimento de que dispõe,
no momento, sobre o sistema de escrita em língua materna.
 Respeito pela produção própria e alheia. (BRASIL, 1998, p. 145)

Por meio de um trabalho diversificado a criança começa a compreender o sentido da leitura e


da escrita. É importante garantir às crianças situações variadas com as diferentes linguagens,
entendendo que o mundo no qual estão inseridas, por força da própria cultura, é assinalado
por imagens, sons, falas e escritas.

É necessário considerar que expor as crianças às práticas de leitura e escrita está


relacionado com a oferta de oportunidades de participação em situações nas quais a
escrita e a leitura se façam necessárias, isto é, nas quais tenham uma função real de
expressão e comunicação. (BRASIL, 1998, p. 151).
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Vale ressalta que o trabalho com a linguagem escrita deve ocorrer de forma processual e
continuada focado na aprendizagem do aluno e não no erro por si só. Os momentos de
aprendizagem acontecem a partir da construção e reconstrução da fala e da escrita. Estes são
elementos essenciais para que a criança conceba o ensino como etapa importante na sua
formação.

2.4 Aprendizagem da Linguagem Oral e Escrita em uma Escola de Educação Infantil

2.4.1 Metodologia

2.4.1.1 Caracterização da pesquisa

A pesquisa é uma atividade voltada para a solução de problemas, através do emprego de


processos científicos. Dessa forma o estudo será realizado através de uma pesquisa
exploratória com objetivo de analisar se a metodologia utilizada pelo professor do 2° período
da Educação Infantil da Escola X , no município de Pintópolis-MG, no primeiro semestre de
2013, promove o ensino e a aprendizagem da linguagem oral e escrita dos alunos.
A abordagem metodológica que embasou a investigação e o estudo foi a pesquisa qualitativa
que para Oliveira (2008):

[...] o homem é diferente dos objetos, por isso o seu estudo necessita de uma
metodologia que considere essas diferenças. Nesse posicionamento teórico, a vida
humana é vista como uma atividade interativa e interpretativa, realizada pelo
contato das pessoas. (OLIVEIRA, 2008, p. 13)

Dessa forma, nota-se que o estudo aponta para a preocupação da interação entre os seres
humanos, e neste estudo, nos relacionamentos desenvolvidos na escola.

2.4.1.2 Local, sujeitos e instrumento de pesquisa

Esse trabalho constou de uma pesquisa bibliográfica tendo como referência os autores:
Andrade (2012), Áries (1979), Rousseau (1975), Andrade (2007), Vygotsky (1991/ 1993),
Cagliari (2002), Oliveira (2008) e o Referencial Curricular para Educação Infantil (1998),
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dentre outros, fazendo análise e detalhamento da proposta. A pesquisa realizada foi de


natureza qualitativa por meio de pesquisa de campo e observação, que segundo Moreira
(2002, p. 52), é conceituada como sendo “uma estratégia de campo que combina ao mesmo
tempo a participação ativa com os sujeitos, a observação intensiva em ambientes naturais,
entrevistas abertas informais e análise documental”.

Feito o estudo bibliográfico passou-se para a realização da pesquisa de campo utilizando o


instrumento de coleta de dados a entrevista semiestrutura e a observação. A entrevista foi
realizada com 01 professora que representa 100% do universo e a observação foi feita durante
o período de uma semana na sala do 1º e 2º períodos da Escola Municipal X do município de
Pintópolis/MG sendo 100% do universo total presente na escola, no primeiro semestre do ano
de 2013.

A escola fica localizada na zona rural do referido município atendendo a alunos provenientes
de famílias de classe social baixa, que sobrevivem da agricultura de subsistência. Os 17
alunos encontram-se na faixa etária de 4 a 5 anos sendo 7 do 1º período e 10 do 2º período.

2.4.2 Análise e interpretação dos dados

A entrevista foi realizada com a professora Vitória (nome fictício), num total de sete questões
. A seguir estão descritos os questionamentos realizados e a apresentação dos mesmos bem
como, suas análises.

Pergunta 1 relaciona-se aos dados de identificação da professora. A professora possui


formação superior em Normal Superior e há 5 anos atua na educação infantil. Quanto a
pergunta 2: Qual o seu conceito de criança? A professora respondeu que “Criança é um ser
humano que se encontra em nível de aprendizagem que necessita do professor atenção e
cuidado”. Pela resposta da professora interpreta-se que esta possui referência quanto aos
conceitos de cuidado e atenção relacionados à criança, porém restringiu a sua resposta e não
especificou realmente o que seria o conceito de criança. Pois na concepção de Charlot (1986)
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a representação da criança é socialmente determinada, uma vez que exprime as aspirações da


sociedade e dos adultos que nela vivem.

Pergunta 3: Qual o conceito de infância? A professora respondeu que “A infância é a


primeira etapa de vida do ser humano. Etapa esta fundamental para o seu desenvolvimento
das habilidades e capacidades que nortearam a sua vida educacional, emocional, social”.
Pela resposta percebe-se que a professora tem conhecimento da importância do conceito de
infância, pois concebeoo período como sendo primordial para o desenvolvimento da criança,
sendo etapa importante na formação do ser humano. O Referencial para a Educação Infantil
volume 2 (1998) ressalta que esta etapa deve ocorrer de forma interativa com outros adultos e
demais crianças, pois é nesta fase que a criança desenvolve sua identidade e autonomia.

A infância é a fase em que a criança descobre por meio de investigações e inquietações


respostas para questionamentos por vezes guardados ou mal respondidos. E nos momentos de
interação a criança aprende a apreender.

Pergunta 4: Como você percebe a importância do papel da prática pedagógica na Educação


Infantil? A professora Vitória respondeu que “A prática pedagógica é fundamental para o
desenvolvimento da aprendizagem do aluno, pois representa os métodos e ações que o
professor transmite no dia a dia devendo esta acontecer de forma harmoniosa e prazerosa.
Ensinar exige dedicação e compromisso do professor”. A professora expressou o quanto é
importante a prática pedagógica para o desenvolvimento da criança, resaltando a importância
do compromisso do professor. Compromisso e dedicação são atitudes valorativas que
cada um deve ter nas ações diárias, trabalhar tendo estes princípios ressalta o quão é
importante o estudo e a reflexão no trabalho diário.

Pergunta 5: Como se dá a relação da criança com as atividades escolares? “A criança é


orientada a fazer as atividades, algumas conseguem assimilar a orientação com a ação a ser
desenvolvida, outras necessitam de assistência individual para conseguirem acompanhar o
trabalho diário”. Orientar a criança quanto à realização das atividades requer do professor
uma linguagem direta, objetiva e clara. São nesses momentos que a interação professor-aluno
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acontece, assim, o professor deve demonstrar afetividade e respeito, , mostrando ao aluno


que, apesar de ser o professor, existe entre eles algo que os torna iguais: a condição humana
de aprendizes.

Pergunta 6: Como você desenvolve o ensino da leitura e escrita? A professora respondeu “A


leitura e escrita são ações desenvolvidas de forma complementar. Trabalha-se na educação
infantil muito com a linguagem oral para que o aluno assimile o que se pede nas orientações
das atividades. Trabalhando a linguagem oral de forma correta a criança não terá
dificuldade da execução das tarefas”. A professora não precisou como realiza o trabalho,
mas compreendemos que tem a compreensão da importância em desenvolver ações de
ensino da leitura e da escrita de forma diferenciada, pois nesta etapa não se objetiva a
escolarização do aluno, mas sim a sua interação com o outro e com o mundo interpretando os
símbolos, as letras e as imagens à sua volta.

Pergunta7: Você acha importante trabalhar a leitura e a escrita com crianças de 4 e 5 anos? A
professora Vitória respondeu que sim, pois para ela “A escrita representa a apropriação da
linguagem oral, pois a criança começa a vivenciar esta etapa a partir do convívio na sua
comunidade, na sua família”. Antes de entrar na escola a criança já traz em seu conhecimento
de mundo uma gama de conceitos e aprendizagens adquiridas no espaço familiar e social e, ao
adentrar no espaço escolar a professora trabalha para a tradução desse conhecimento em
aprendizagem.

Após a realização da entrevista passaremos a descrição da observação realizada no espaço da


sala de aula com os 17 alunos. A observação teve a duração de uma semana onde se anotava
em um caderno a rotina diária do professor e pontos importantes da interação aluno/professor
e aluno/aluno.

Para observação foram levantados seis pontos para norteamento. Durante o período de
observação o professor apresentou haver relação harmoniosa com os alunos, pois os mesmos
a respeitam cumprindo as orientações de boas maneiras no dia a dia. Os alunos se relacionam
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bem. Nas atividades diárias a professora modifica a posição das carteiras e onde cada aluno
deve sentar para que todos os alunos possam interagir.

A mesma explora bastante a linguagem oral a partir de músicas para trabalhar a rotina diária:
chegada, números, alfabeto, hora do lanche, hora da saída. Vejo que o trabalho lúdico, o uso
da música é importante para a construção da linguagem oral pela criança e o respeito mútuo.
Além do trabalho com a musicalidade a professora organiza as atividades tendo como foco a
aprendizagem interativa dos alunos, ou seja, uma aprendizagem que busque a interação entre
alunos. Dessa forma, um aprende com o outro e ao mesmo tempo um ajuda o outro.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A criança está presente nos diversos espaços sociais e educacionais. No entanto, a importância
do ser criança só teve sentido na modernidade. A criança não era vista com um ser em
processo de formação pessoal, mas sim com um ser comparável a um adulto.

A partir das leituras dos pesquisadores nota-se um desenvolvimento no conceito de infância e


criança que vem sendo paulatinamente transformado a cada dia ganhando espaço no meio
social, político e educacional.

Pensar na criança é pensar em um ser em construção e formação contínua, com isso é


importante ressaltar a presença do que priorize uma prática pedagógica consolidada por ações
de vivências e descobertas fazendo com que a criança construa e reconstrua o seu
conhecimento, para que cresça tendo como princípio a sua identidade autônoma.

REFERÊNCIAS

ANDRADE, Ângela Nobre de. A criança na sociedade contemporânea: do "ainda não" ao


cidadão em exercício. Psicologia Reflexão Critica. Vol.1, Porto Alegre, 2007. Disponível em
www.scielo.br Acesso em 31 de maio de 2012.
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ARIÈS, Philippe. A História Social da Infância e da Família. Rio de Janeiro: Zahar, 1979.
p. 14-156.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretrizes curriculares


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CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização e Lingüística. São Paulo: Scipione, 2002.

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OLIVEIRA, Cristiano Lessa de. Um apanhado teórico-conceitual sobre a Pesquisa


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PASSOS, Laurizet Ferragut. A indisciplina e o cotidiano escolar: novas abordagens, novos


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17

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APÊNDICES
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APÊNDICE I
ROTEIRO DE ENTREVISTA

1. DADOS DE IDENTIFICAÇÃO

a. Formação acadêmica:
b. Quantos anos atua na educação infantil:

2. Qual o seu conceito de criança.

3. Qual o conceito de infância

4. Como você percebe a importância do papel da prática pedagógica na Educação


Infantil?

5. Como se dá a relação da criança com as atividades escolares?

6. Como você desenvolve o ensino da leitura e escrita.

7. Você acha importante trabalhar a leitura e a escrita com crianças de 4 e 5 anos.


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APÊNDICE II
ROTEIRO DE OBSERVAÇÃO

1. Quantidade de alunos.

2. Faixa etária dos alunos.

3. Relação aluno-professor.

4. Relação aluno-aluno.

5. Desenvolvimento das atividades de linguagem oral e escrita pelos alunos.

6. Desenvolvimento metodológico de atividades.

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