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O PROFESSOR DE APOIO COMO MEDIADOR FRENTE ÀS


DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM DO ALUNO

Cristiane Freitas de Souza1

RESUMO: O professor de apoio, como colaborador do processo pedagógico, necessita trabalhar de forma
integrada, buscando desenvolver suas funções junto aos professores regentes de turmas e alunos em prol
do desenvolvimento de aprendizagens significativas. Nesse sentido, este tem por objetivo abordar a
importância do professor de apoio para o desenvolvimento de habilidades e capacidades inerentes ao dia a
dia da criança com necessidades especiais. Este surgiu através da problemática de como ajudar o aluno
com necessidade especial a desenvolver a partir do trabalho na sala de recurso? Este estudo teve como
princípio uma pesquisa qualitativa voltada para uma revisão bibliográfica a partir dos seguintes autores:
Gadotti (2010), Libâneo (2001), (2005), Saviani (1992), Paín (1985), Penteado (2000) e Scoz (2002),
dentre outros. A principal tarefa do professor de apoio, neste contexto, consiste em propiciar momentos
de reflexão sobre a prática docente e discente, através da compreensão do processo de ensinar e aprender.
Assim, este estudo se torna relevante por proporcionar aos profissionais da educação reflexão quanto à
necessidade de estudo permanente para maior eficácia do processo de ensino e aprendizagem.

Palavras-Chave: Escola. Professor de apoio. Dificuldade de aprendizagem.

1 INTRODUÇÃO

A escola é uma das instituições mais importantes de nossa sociedade por


favorecer, entre outros aspectos, o crescimento intelectual, profissional e social do ser
humano. É através dela que adquirimos mais conhecimentos para serem aplicados no
dia a dia. E, nesse viés, ser educador é, antes de tudo, ter o privilégio de ensinar. E
ensinar bem, a partir de conceitos, normas e valores.
Tem papel significativo nesse contexto o professor de apoio que trabalha de
forma interdisciplinar ajudando professor regente de turma e aluno; mais diretamente
com o aluno, de forma dinâmica e sistematizada para o bom andamento da
aprendizagem.
Para que o desenvolvimento da aprendizagem da criança aconteça de forma
linear, estes profissionais trabalham de maneira mútua com a finalidade de detectar as
dificuldades apresentadas e intervir nestas com eficácia, pois ao incorporar, em um
mesmo espaço, crianças das mais variadas etnias e classes, com os mais variados tipos
1
Graduada em Licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Presidente Antônio Carlos –
UNIPAC - 2008. Estudante do curso de especializando em Educação Especial com habilitação para
professor de apoio pelo Instituto Pedagógico Brasileiro – 2017.
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de valores e déficit de aprendizagem, é que a educação inclusiva ganha destaque.


Assim, entendemos que esta associação multidisciplinar transmite o que é uma
educação de qualidade e um direito de toda criança.
Neste sentido, este estudo tem como objetivo geral abordar a importância do
professor de apoio para o desenvolvimento de habilidades e capacidades inerentes ao
dia a dia da criança com necessidades especiais. A temática surgiu a partir da pergunta:
como ajudar o aluno com necessidade especial a desenvolver a aprendizagem a partir do
trabalho na sala de recurso?
Para subsidiar o estudo será realizada uma pesquisa qualitativa por meio de uma
revisão bibliográfica, fazendo levantamento de fontes relativas às questões e discussões
teóricas levantadas pelo tema que serão consultadas como recurso constante na
elaboração e conclusão do estudo.
A revisão bibliográfica

[...] é o estudo sistematizado desenvolvido com base em material publicado


em livros, revistas, jornais, redes eletrônicas, isto é, material acessível ao
público em geral. Fornece instrumental analítico para qualquer outro tipo de
pesquisa, mas também pode esgotar-se em si mesma. O material pode ser
fonte primária ou secundária. (GIL, 1999, p. 48)

Fazer uma reflexão sobre a temática é buscar compreender como se processa o


trabalho do professor de apoio na resolução das dificuldades de aprendizagens dos
alunos de forma a promover o desenvolvimento educacional dos mesmos.

A caracterização e a reflexão sobre as funções deste professor parecem


necessárias, pois mesmo tendo sido delimitadas suas funções em 2003 na
Deliberação nº. 02/03, e posteriormente assegurado pela Política Nacional de
Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva (2008), ainda há
pouca literatura a respeito do papel e da importância deste profissional, o que
pode vir a prejudicar o seu desempenho. (SOUZA; VALENTE; PANNUTI,
2015, p. 10876)

Com isso, espera-se que esta pesquisa sirva como base para consulta de estudos
posteriores, no intuito de promover debates na integração entre o sujeito e o objeto de
conhecimento e por subsidiar novas ideias a respeito do trabalho do professor de apoio
na escola.

2 DESENVOLVIMENTO
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2.1 A função social da escola

A instituição familiar é o ambiente onde a criança passa por momentos de


compreensão e apreensão dos acontecimentos vivenciados no cotidiano. No entanto, é
notório o conhecimento de que é na escola em que esta compreensão se faz de maneira
planejada e intencionada com apoio de profissionais que se preocupam com o
desenvolvimento da aprendizagem do aluno.
Barbosa (2001, p. 37) afirma que "a escola caracteriza-se como um espaço
concebido para realização do processo de ensino/aprendizagem do conhecimento
historicamente construído; lugar no qual, muitas vezes, os desequilíbrios não são
compreendidos".
A escola é uma instituição educacional que precisa favorecer um aprendizado de
maneira dinâmica com visão holística. Esse aprendizado tem que acontecer com
quantidade e, principalmente com qualidade, para que o aluno obtenha oportunidades
variadas em sua vida; essas oportunidades é que desencadearão as capacidades e
habilidades imprescindíveis para o seu convívio em sociedade de maneira a produzir no
seu dia a dia a vontade da busca pelo novo.

Devemos inferir, portanto, que a educação de qualidade é aquela mediante a


qual a escola promove para todos os domínios dos conhecimentos e o
desenvolvimento de capacidades cognitivas e afetivas indispensáveis ao
atendimento de necessidades individuais e sociais dos alunos. (LIBÂNEO,
2005, p. 117)

No espaço da escola é onde ocorrem as relações que envolvem os atos de ensinar


e aprender, assim como as relações culturais, sociais, materiais, e também os métodos e
técnicas de ensino com suas crenças, reflexões teóricas e práticas. Em Fontana e Cruz
(1997, p.2) temos que “O cotidiano da escola é permeado por toda esta complexidade,
logo não é nada simples procurar aprendê-lo e compreendê-lo”.
Nesse sentido, pode-se levantar um questionamento sobre: qual a real função da
escola? O que ela pode fazer para atender as necessidades individuais e sociais dos
alunos?
Para Saviani (1992), a função da escola é antes de tudo, estender a todos os
alunos o conhecimento elaborado e sistematizado, fundamental para que as pessoas
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tenham maior liberdade de ação pela assimilação e internalização do conhecimento, a


partir do processo de ensino e de aprendizagem e para a boa convivência em sociedade.
Pensando assim, a função da educação que ocorre na escola é feita tomada em
sentido amplo, possibilitado o levantamento de consciência das potencialidades do
indivíduo para que ele escolha e assuma a direção de seu próprio destino, isto é, “[...]
orienta-se o indivíduo para que ele mesmo tenha condições de escolher seu futuro ou se
conduz o indivíduo a um rumo já determinado.” (CARVALHO, 1979, p.35)
No entanto, as escolas encontram-se emaranhadas em problemas presentes há
muito tempo na educação, com muitas dificuldades para cumprir seu papel.

A escola tem o papel de possibilitar o acesso das novas gerações ao mundo


do saber sistematizado, do saber metódico, científico. Ela necessita organizar
processos, descobrir formas adequadas a essa finalidade. Esta é a questão
central da pedagogia escolar. Os conteúdos não representam a questão central
da pedagogia, por que se produzem a partir das relações sociais e se
sistematizam com autonomia em relação à escola. A sistematização dos
conteúdos pressupõe determinadas habilidades que a escola normalmente
garante, mas não ocorre no interior das escolas. (SAVIANI, 1992, p. 80)

As ideias e os conceitos que aprendemos na escola trazem consigo organizações


lógicas e metodológicas que visão apreender os fatos sociais, históricos e culturais além
dos fenômenos da natureza que implicam na utilização de operações complexas de
transição de uma generalização para outras, devendo sempre considerar a criança como
o centro do processo de ensino e aprendizagem.
É no ambiente escolar que se fomenta as expressões culturais importante para a
continuidade do aprendizado, saber valorizar este conhecimento reflete o que se
denomina de eficácia na educação. E esta eficácia está associada à escola como um
todo, pois um segmento está interligado ao outro.
Gadotti (2010, p.2), ressalta que a qualidade da educação não se separa da
qualidade do professor, nem tão pouco do aluno ou da sua comunidade. Para ele, a
qualidade da educação precisa ser encarada de forma sistêmica, em todas as etapas do
ensino.
É notória a visualização do aluno que temos em nossas escolas, sendo preciso
lançar novas perspectivas sobre o sentido da formação da cidadania, “o que se faz
necessário educar para participação social, para o reconhecimento das diferenças
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entre vários grupos sociais, para a diversidade cultural, para os valores e direitos
humanos” (LIBÂNEO, 2001 p. 38).
Com isso vemos a necessidade de uma educação pautada na qualidade do ensino
com vertentes voltadas para a pesquisa teórica e prática do ato de aprender. Ensinar e
aprender demandam especificações próprias na formação integral do indivíduo para sua
autonomia pessoal, social de convivência em comunidade.

2.2 A atuação do professor de apoio no ambiente escolar

A escola possui vários profissionais que cuidam de setores diferenciados, desde


o administrativo, o pedagógico até a limpeza. No setor pedagógico, além do professor,
do orientador educacional; existe um profissional que trabalha diretamente na
assistência ao professor, ao aluno e à família, desempenhando a função de professor de
apoio.
Esse profissional é de suma importância para a promoção da qualidade do ensino
na escola, na parte pedagógica, dando suporte para o bom desenvolvimento no processo
ensino-aprendizagem da criança com necessidade especial.
Atuando diretamente com o aluno com necessidades especiais, o professor de
apoio ajuda no seu desenvolvimento pessoal da criança em parceria com o professor,
para compreender o comportamento dos estudantes e agir de maneira adequada em
relação a eles; colaborando para o andamento do desenvolvimento social e pessoal.
Neste sentido, a tarefa de um se insere na atuação do outro, num projeto
coletivo, em que os trabalhos, “[...] sem perda da especificidade das funções e serviços,
articulem-se em vista da mesma finalidade e dos mesmos objetivos educacionais.”
(RANGEL, 1999, p. 94).
A presença do professor de apoio no espaço escolar já é previsto desde a
promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394/96 nos
seguintes termos:

Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com deficiência,


transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação:
(Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013)
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I - currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização


específica, para atender às suas necessidades;
(...)
III - professores com especialização adequada em nível médio ou superior,
para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular
capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns;
(BRASIL, 2014, p. 34)

Mas foi somente no ano de 2001 a partir da Resolução nº. 2 do Conselho


Nacional de Educação, que institui as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na
Educação Básica, que trouxe um dos mais expressivos avanços com relação ao processo
de inclusão. Nesta resolução está descritos aspectos importantes que referem as
adaptações necessárias para o funcionamento do processo de inclusão de maneira
organizada e normativa.
Com este documento são tratados determinados aspectos práticos que viabilizam
o desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem da criança especial, tais como
o serviço de apoio especializado, a organização da escola para o recebimento dos
alunos, a adaptação curricular e a capacitação dos professores do ensino regular para a
inclusão desses alunos nas classes comuns.
Nesta perspectiva,

O atendimento aos alunos com necessidades especiais nas escolas do ensino


regular está previsto no Art. 7º da Resolução, com ênfase no serviço de apoio
pedagógico especializado nas classes comuns. As condições desse
atendimento estão dispostas no Art. 8º, o qual prevê também o serviço de
apoio pedagógico especializado em salas de recursos. (GARCIA, 2004, p.52)

As atividades desenvolvidas na sala de recursos pelo professor de apoio são


basicamente reconhecidas e entendidas como um método que contribui de forma
colaborativa e cooperativa para que a participação da criança no ensino regular seja
efetivada de maneira inclusiva e na solução de problemas que surgem no contexto
educativo, vindo estes, do ambiente familiar, escolar, do meio social, econômico,
cultural ou de outras origens.

A formação do indivíduo é sempre um processo educativo, podendo ser


direto ou indireto, intencional ou não-intencional, podendo ser realizado por
meio de atividades práticas ou de explanações orais, etc. No caso específico
da educação escolar, trata-se de um processo direto e intencional. (DUARTE,
2004, p. 51)
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Nesse sentido, entende-se que o professor de apoio é um profissional dentro da


escola que pode encontrar alternativas de ações que possibilitem ao professor rever sua
prática, rever a forma como se relaciona com os educandos e seus próprios colegas
educadores, e também ajudar a criança a se incluir no ambiente educacional de maneira
compreensiva e com postura crítica.
Ao professor de apoio cabe ser o elo entre escola e família, buscando sempre um
bom ajustamento do educando para alcançar o bom desenvolvimento de suas
competências. Deve assumir funções de assistência ao professor, aos pais, às pessoas da
escola com as quais os educandos mantêm contatos significativos, no sentido de que
estes se tornem mais preparados para entender as necessidades dos educandos tanto com
relação aos aspectos cognitivos e psicomotores, como aos afetivos.
A ação do deste profissional esta voltada para uma atividade educacional de
forma intencional e contextualizada, para o estudo da realidade do aluno, trazendo-a
para dentro da escola, no sentido da melhoria da promoção do seu desenvolvimento.
Pensar a ação do professor de apoio no espaço escolar é extrair ideias de forma
reflexiva e crítica norteando os pensamentos para ações que visem a sanar as barreiras
que aparecem na aprendizagem do aluno. Essas barreiras se referem às deficiências que
alguns alunos apresentam e que tende a bloquear o seu desenvolvimento cognitivo.
Sua prática não vem desvinculada da teoria. Precisamos da construção do
conhecimento, do pensamento e da linguagem do nosso aluno. Cabe a este profissional,
juntar aos demais profissionais da educação, e, dentro das suas especificidades,
favorecermos as relações entre o desenvolvimento e o aprendizado do aluno.
Uma das práticas pertinentes é o atendimento individual com as crianças com
dificuldades e nessa conversa pode-se solicitar a presença dos pais ou da professora,
onde ambos falarão da dificuldade dessa criança e o que precisa ser trabalhado com a
mesma.
Para isto, “é fundamental que o professor nutra uma elevada expectativa em
relação à capacidade de progredir dos alunos e que não desista nunca de buscar meios
para ajudá-los a vencer os obstáculos escolares.” (MANTOAN, 2006, p.48).
Neste contexto, é necessária a observação em sala de aula a fim de constatar o
comportamento grupal e individual dos alunos e, junto com os docentes, fazer a
observação da criança dentro da sala ou fora da sala de aula na hora do recreio, jogos,
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teatro e apresentações diversas na escola. Que em sala de aula os demais se mostram


interesse ou participam de um modo mais tranqüilo. Trabalhos em pequenos grupos
onde a criança possa participar das atividades.
Muitas das vezes o desenvolvimento da aprendizagem não acontece de maneira
encadeada, sequenciada; é aí que se descobre que as rupturas estão acontecendo por
causa de deficiências de aprendizagem. A descoberta dessas deficiências de
aprendizagem é crucial para ajudar no andamento do planejamento do professor, pois
este profissional precisa ter uma visão do todo e com isso

[...] precisa-se conhecer o que acontece dentro e fora da escola, avaliação


currículo, os métodos de ensino e também o como se aprende o trabalho
com os grupos e a comunidade, a alfabetização as questões relativas à
aquisição da linguagem e à produção do conhecimento e a pesquisa.  
(PENTEADO, 2000 p.16).

Dessa forma, mesmo que existam conflitos de ideias nas escolas, só por
meio de uma orientação contextualizada e que possibilitará as alternativas disponíveis
para sanar tais conflitos. Sendo assim, a escola estará cumprindo com os seus objetivos
de formação de um verdadeiro cidadão.

2.2 Pensar as dificuldades de aprendizagem como fatores bloqueadores


do conhecimento

A educação no espaço escolar acontece de forma a produzir na criança o


desenvolvimento de capacidades e habilidades pertinentes à sua aprendizagem. No
entanto, existem crianças que, durante o percurso escolar, não conseguem alcançar as
capacidades e habilidades trabalhadas pelo professor.
Dizemos que um aluno está com dificuldades de aprendizagem, quando passa a
não conseguir ler, escrever, calcular ou desempenhar outras atividades escolares, com
sucesso, independentemente, deste, ter ou não potencial normal ou superior para
aprender. “Isto quer dizer que os problemas de aprendizagem são aqueles que se
superpõem ao baixo nível intelectual, não permitindo ao sujeito aproveitar as suas
possibilidades”. (PAÍN, 1985, p. 13)
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A partir do diagnóstico realizado com a criança, o que o professor poderá fazer


para ajudá-lo? Quais as ações podem ocorrer como auxílio na superação das
dificuldades de aprendizagem?
Essa reflexão se faz importante, por proporcionar levantamento de questões intra
e extraescolar que podem afetar a aprendizagem do aluno. É preciso pensar sobre o
papel de quem ensina e de como se aprende, pois na relação professor e aluno criam-se
vínculos fundamentais para a aprendizagem utilizando de uma didática
sóciointeracionista, em que ensinar e aprender envolve o professor, o aluno e o meio
onde se dá a aprendizagem.
Para a autora Sara Paín (1985),

[...] existem dois tipos de condições para a aprendizagem: as externas, que


definem o campo do estímulo, e as internas que definem o sujeito. Umas e
outras podem estudar-se em seu aspecto dinâmico, como processos, e em seu
aspecto estrutural como sistemas. A combinatória de tais condições nos leva
a uma definição operacional da aprendizagem, pois determina as variáveis de
sua ocorrência. (PAÍN, 1985, p. 25)

De acordo com a estudiosa os fatores externos e internos funcionam de forma


dialética num esquema de estímulo-resposta na qual o sujeito e o objeto se interagem à
medida que se desenvolvem surgindo assim, a aprendizagem.
Vários estudos apontam como causa de deficiência de aprendizagem fatores
como a falta de preparo de educadores, condições precárias de estrutura física da escola,
do funcionamento de gestão administrativa, pedagógica, questões econômicas/ sociais e
culturais das famílias.
Com isso, esses fatores e outros, têm servido de pauta para debates dentro e fora
das escolas, responsabilizando estes como causadores dos problemas de aprendizagem
escolar.

[...], no que se refere à prática docente suponho que o despreparo e a


insegurança estão na raiz da dissimulação, da estratégia de culpar a vítima e
ao mesmo tempo ama-la sem nada poder fazer de objetivo para evitar- lhe o
peso do fracasso. Uma melhor capacidade profissional do professor
permitiria, no mínimo, eliminar essa hipótese. [...], vejo na capacidade
profissional o ponto crítico a partir do qual imprimir um caráter político à
prática docente para esse professor. (SCOZ, 2002, p. 12).
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Observando a realidade educacional brasileira, percebe-se que o sistema escolar


não conseguiu implantar uma política clara e segura de intervenção para tornar a escola
capaz de ensinar as crianças e contribuir para a superação de problemas de
aprendizagem.
Nesse sentido, Scoz (2002, p.22) afirma que não há apenas uma única causa para
os problemas de aprendizagem “[...] é preciso compreendê-los a partir de um enfoque
multidimensional, que amalgame fatores orgânicos, cognitivos, afetivos/ sociais“.
Pensando sobre os problemas de aprendizagem, estes não têm origem apenas de
forma cognitiva e, atribuir ao próprio aluno indício da sua deficiência, sem considerar as
condições de aprendizagem, que a escola oferece para o aluno e outros fatores extras-
escolares, é reforçar fracasso tanto do aluno como da escola.
Assim, para a escola resolver problemas de aprendizagem é necessário levar em
conta todos os locais em que o indivíduo participa, ou seja, desde a escola, a família, e
os ambientes fora destes locais. É notório o esclarecimento que os primeiros
ensinamentos vêm da família, esta é a base para a construção da subjetividade e da
criança e sua interação com outras pessoas e espaços.
No entanto, nem sempre uma dificuldade de aprendizagem está relacionada com
deficiência mental ou algum tipo de distúrbio parecido. Na verdade existem fatores
fundamentais que precisam ser trabalhados para se obter melhor rendimento em todos
os níveis de aprendizagem.

De forma similar, os clássicos da literatura psicológica, tais como os


trabalhos de Binet e outros, admitem que o desenvolvimento é sempre um
pré-requisito para o aprendizado e que, se as funções mentais de uma criança
(operações intelectuais) não amadurecem a ponto de ela ser capaz de
aprender um assunto particular, então nenhuma instrução se mostrará útil.
(COLE et al, 2007, p. 88)

Portanto, quando no ambiente escolar se prioriza um ensino por uma


aprendizagem com qualidade, o conhecimento é aprendido e apreendido e passa a ter
significado para a vida do aluno.

3 CONCLUSÃO
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Educar, hoje, exige mais do que nunca olhar o sujeito/aluno de forma ampla, um
ser que é que constituído de história, crenças e valores, e por isso a escola deve ter um
projeto político-pedagógico, onde nele, implícito ou explicitamente, deve ser refletido a
questão da formação do sujeito.
Pensar em educação formal é voltar-se a ter uma preocupação com a formação
educacional do aluno. Nesse sentido, o trabalho executado pelo professor de apoio com
o aluno e com o professor é executado por meio de parceira com vistas a construção do
conhecimento, assumindo papeis de promotores, mediadores e motivadores da
aprendizagem, devendo ser fonte de motivação para o aluno.
Ao fazer um estudo sobre a atuação do professor de apoio no espaço escolar
como colaborador para detectar e ajudar a sanar as dificuldades de aprendizagem dos
alunos, abre-se espaço para um debate que tem por objetivo promover a reflexão acerca
da didática aplicada na escola.
O professor de apoio estimula o desenvolvimento de relações interpessoais, o
estabelecimento de vínculos, a utilização de métodos de ensino compatíveis com as
mais recentes concepções a respeito desse processo. Procura  envolver a equipe escolar,
ajudando-a a ampliar o olhar  em torno do aluno e das circunstâncias de produção do
conhecimento, ajudando o aluno a superar os obstáculos que se interpõem ao pleno
domínio das ferramentas necessárias à leitura do mundo.
Este profissional que tem por função auxiliar o professor e o aluno no
desenvolvimento de atividades que venham a proporcionar aprendizagem cognitiva,
afetiva, social e cultural e que estas sejam aplicadas com eficácia. A este profissional se
destina a assistir ao educando, individualmente ou em grupo, no âmbito das escolas e
sistemas escolares de nível médio e primário visando ao desenvolvimento integral e
harmonioso de sua personalidade, ordenando e integrando os elementos que exercem
influência em sua formação e preparando-o para o exercício das opções básicas.
Nesse sentido, é importante voltar o olhar pedagógico para os problemas de
aprendizagem, as deficiências apresentadas, pois estes constituem uma situação real
dentro das instituições escolares.
Portanto, a organização aberta para o diálogo, a troca, o respeito, o prazer pelo
conhecimento e a valorização do ser humano é a chave para uma boa atuação e a
valorização do professor de apoio para a formação de seres humanos capazes de vencer
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seus obstáculos e podendo atuar de forma autônoma numa sociedade cujo objetivo seja
uma convivência harmoniosa e dinâmica.
A partir de então, é necessário repensar o trabalho do deste profissional como
fomentador de aprendizagens no espaço escolar, de forma a garantir a sua eficácia na
execução das atividades, pois o seu trabalho está diretamente relacionado com os
professores e alunos, ajudando-os em seu aperfeiçoamento pessoal.
Assim, se faz necessário que todos os envolvidos no processo de ensino e
aprendizagem sejam leitores e pesquisadores de problemas de aprendizagem para que
possa possibilitá-los entender melhor como se dá a influência de fatores intra e
extraescolares e como estes podem ser trabalhados de forma a minimizar problemas de
aprendizagens no dia a dia da escola.

THE SUPPORT TEACHER AS A MEDIATOR IN THE


DIFFERENCE OF THE LEARNING DIFFICULTIES OF THE
STUDENT

Cristiane Freitas de Souza2

ABSTRACT: The support teacher, as a collaborator of the pedagogical process, needs to work in an
integrated way, seeking to develop his / her functions together with the regent teachers of classes and
students in favor of the development of meaningful learning. In this sense, this one aims to address the
importance of the support teacher for the development of skills and abilities inherent to the day to day of
the child with special needs. This emerged through the problematic of how to help the student with
special need to develop from the work in the resource room? This study was based on a qualitative
research aimed at a bibliographical review from the following authors: Gadotti (2010), Libâneo (2001),
(2005), Saviani (1992), Paín (1985), Penteado 2002), among others. The main task of the support teacher
in this context is to provide moments of reflection on the teaching and learning practice, through the
understanding of the process of teaching and learning. Thus, this study becomes relevant because it
provides education professionals with a reflection about the need for permanent study to increase the
effectiveness of the teaching and learning process.

Key words: School. Support teacher. Difficulty learning.

2
Graduada em Licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Presidente Antônio Carlos –
UNIPAC - 2008. Estudante do curso de especializando em Educação Especial com habilitação para
professor de apoio pelo Instituto Pedagógico Brasileiro – 2017.
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