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Volume 1 Volume 2

Capitulo O Breve História da Capitulo 8 Efeitos Ffslcos Aplicados em


Instrumentação Sensores
Capítulo 1 Conceitos de Instrumentação Capítulo 9 Introdução à Instrumentação
Óptica
Capítulo 2 Fundamentos de Estatística,
Incerteza de Medidas e Sua Capitulo 10 Medição de Força
Propagação
Capitulo 11 Medição de Deslocamento,
Capítulo 3 Conceitos de Eletrônica Posição, Velocidade, Aceleração
Analógica e Eletrônica Digital e Vibração
Capitulo 4 Sinais e Ruldo Capitulo 12 Medição de Pressão
Capitulo 5 Medidores de Grandezas Capitulo 13 Medição de Nfvel
Elétricas Capitulo 14 Medição de Fluxo
Capítulo 6 Medição de Temperatura
Capitulo 15 Fundamentos sobre Medição de
Capítulo 7 Procedimentos Experimentais Umidade, pH, Viscosidade e
Ruido Acústico
Capitulo 16 Procedimentos Experimentais
Capitulo O Breve História da 2.5 Correlação. Correlação Cruzada. Autocorrclação.
Instrumentação 1 Autocovari~1ncia c Covari!incia Cruzada 5 I
2.6 Conceitos sobre l nferê nc i~L Estatíst ica c Dcterminaç:lo
0. 1 Introdu ção ! doTamanhodaArnostra52
0.2 HistóricodaMediçilodo Tempo 2 2.7 Estimativadalnccrtct.adc Medida59
0.3 Histórico da Mcdiçilo dc Pcsose Mcdidas2 2.7.1 Avaliaçàodaincertet.ademedidadeestimativas
0.4 Histórico do Barômetro) de en trada 60
0.5 Histórico do Termômet ro 4 2.7.2 lnccnez~1 de medida expandida 68
2.7.3 Excmplospr.lticosdedetemtinaçãode
Capitulo 1 Conceitos de Instrumentação 6 inccrtezas-padrilo70
2.7.4 Aval iação da incerteza utili za rnio o método de
l.l lntrod ução6 MontcCarlo75
1.2 O Método Cicmílico 6 2.8 Uma hu roduçiloàRcgress3o Li ncar8l
1.3 Grandczas Fisicas7 2.8. 1 Regres~olinear81
1.4 Unidadesdc Mcdida8 2.8.2 Ajusteclccurvaspormfnimosquadrados
1.5 Definições c Conceitos 9 generali zado84
1.5. 1 Sensoresetransdutores9 2.9 Fund<~mentos sobre Análise de Variância &4
1.5.2 Instrumento ele medição li 2.9. 1 Análiscclcvariância:classificaç3osimples86
1.6 AlgarismosSign ificativos25 2.9.2 Análise de variância: classificaç3o dupla 90
1.7 Resposta Dinâm ica 25 Exercícios93
1.8 Tr.msfonnada de Laplace 26 Bibliografia95
1.9 Transformada ln \'crsadcLaplace28
1.1 O Análise de Sistemas de Ordens Zero. Primeir.a e
Segunda29 Capítulo 3 Conceitos de Eletr6nlca
Exercícios32 Analógica e Eletr6nlca Digital 96
Bibliognlfia34 3.1 lmroduçào96
3.2 Resistorcs,Üip~Lcüorcse lndutorcs96

Capitulo 2 Fundamentos de Estatistlca, 3.2.1 Re sistores96


Incerteza de Medidas e Sua 3.2.2 Capacitorcs97
Propagação 36 3.2.3 lndutores98
3.3 Rc visàodeAnáliscdeCircuitos98
2.1 lntroduçào36 3.3. 1 Análise de circuitos pelo m~todo das malhas 99
2.2 Mcdidasdc TcndênciaCentral 36 3.3.2 Análise de ci rcuitos pelo m~todo dos nós 99
2.2. 1 Média36 3.3.3 Teorema da superposição 100
2.2.2 Mcdiaua37 3.3.4 Tooremadclllé\'cnin 100
2.2.3 Moda 37 3.3.5 Blocos de circuitos 101
2.2.4 Média ge()lnétrica e média harmôn ica 37 3.3.6 Amplificadores e realimentação ~gati\·a 101
2.2.5 Rai z média quadrática (rool metm squt1re) 39 3.4 Diodos 102
2.3 Medidas de Dispet"Sao40 3.5 Transistores Bipolares 105
2.4 Conceitos sobre Probabilidade e Estatística 40 3.6 Transistor de Efeito de Campo (FET) 109
2.4.1 Fundamcmossobreprobabilidades41 3.7 Amplificadores Operacionais -OPAMPs I li
2.4.2 Distribuiçõesestatlsticas42 3.7. 1 CoofigurJção: amplificador inversor 113
\"iii Sumário

3.7.2Configuração: amplificador não inversor 113 4.8.6 FiltroHanning226


3.7.3lmpcdância de emrada 114 4.8.7 Filtro polinomial 226
3.7.4Resposta em frequência de um amplificador 4.8.8 Filtro/10/ch{rcjeita-bandaou passa-faixa)227
opemcionalll4 4.8.9 Carncterfsticasdosfiltrosderespostairnpulsiva
3.7.5 Circuitoslincaresbásicoscomamplificadorcs infinita- JJ R227
operacionais 115 4.8.10 Métodos de desenvolv imento p:m• filtros
3.8 ConceilossobreSisternasDigit:,is 118 dcdoispolos228
3.8.1 SistcmasanalógicOS\'ersussistcmasdigitais 118 4.11.11 Uma introdução aos filtros adaptativos 229
3.8.2 Álgebra booleana c portas lógicas 121 Exercfcios230
3.8.3 Famílias lógicas 122 Bibliogmfla233
3.8.4 Sistemas digitais 125
3.8.5 Tópicossobresistemasscqucnciaisl26
3.8.6 Sistemasmicroproçessados 132 Capitulo 5 Medidores de Grandezas
3.8.7 PorlasdeUOeinterfaccs 133 Elétricas 234
3.8.8 lmerfacese sistemasremotos 138 5. 1 Galvanômetros e Instrumentos Fundamentais 234
3.8.9 Instrumentação virtual 141 5.1.1 lnstrumentosanalógicos234
Exercícios 141 5.1.2 lnstromentosdigitais236
Bibliografia 145 5.2 Mcdidoresde Tensâo237
5.2.1 Vohímetroanalógico238
Capitulo 4 Sinais e Ruldo 146 5.2.2 Voltímetro digita1240
5.2.3 Voltfmetrovetorial240
4.1 Sinais 146 5.2.4 Mcdidoresdetensãoeletrônkos241
4.2 Introdução ao Domínio do Tempo 148 5.3 Medidores de Corrente 243
4.3 Introdução ao Domínio de Frequêocia 149 5.3. 1 Amperímetro analógico 243
4.4 Análise de Fourier 150 5.3.2 Amperfmctrodigital246
4.4.1 Séries de Fourier 150 5.3.3 Amperímetros do tipo alicate 246
4.4.2 Aintcgra1dcFourier 157 5.3.4 Mcdidorcsdccorrente clctrônicos247
4.4.3 Transformada rápida de Fourier- FFT 160 5.4 ~kdição de Resistência Elétrica. Capacitãncia e
4.5 FundmncntossobreRuídoeTécnieasdc lndutilncia249
Minimizaçâo 166 5.4.1 Mediç:1o dere;;istênciaelétrica249
4.5.1 Caracterizaçãodorofdo 166 5.4.2 Circuitosemponte254
4.5.2 Tipos de ruído intrínseco ou iuerentc 168 5.5 Oscilosçópios259
4.5.3 Formas de infiltração do ruído 172
5.5.1 Osciloscópiosanalógicos259
4.5.4 Proccdimcntosparareduçãodcrufdocm
5.5.2 Qsçiloscópiosdigitais262
cabcamento 172
5.6 Medidores de P01êncía Elétrica e Fator de
4.5.5 Minimização do roído pelo aterr:amemo 175
Potência 264
4.5.6 O rufdo intrínseco dos componentes
5.6. 1 Mediç!io de potência em circuitos OC 265
eletrônicos 176
5.6.2 Wattímctro analógico 265
4.5.7 Notasgemisdeboaspráticaspamreduçãodo
5.6.3 Método dos três voltímetros 265
roído 181
5.6.4 Wattímetros térmicos 266
4.6 Sistemas de Aquisição de Dados 186
5.6.5 Wanímetros eletrônicos 266
4.6.1 Princfpiosbásicos 186
5.6.6 Medição do fator de potência 269
4.6.2 Principaisarquiteturasdosconvcrsorcsdigital
para analógico (DAC ou D/ A) c conversores 5.6.7 Mcdidorcsdeenergi~elétrica272
analógico para digital (ADC ou A/D) 194 Excrcfcios276
4.7 Filtros Analógicos 207 Bibliografia278
4.7.1 Conccitosbásicos207
4.7.2 l'riocipaisclassesdefiltros209 Capitulo 6 Medição de Temperatura 279
4.7.3 Resposta em frequência210
4.7.4 Projeto de filtros passivos: uma introdução 212 6.1 lmrodução279
4.7.5 Projctodefiltrosativos: umaintrodução219 6.2 EfeitosMccânicos280
4.8 FiltrosDigitais220 6.2. 1 TcmlÕmetros de ex~nsão de líquidos em bulbos
4.8.1 TransformadaZ222 dcvidro280
4.8.2 Operadorcsbásicos224 6.2.2 Tem,õmctrosbirnetálicos280
4.8.3 Filtros nãorecursivoscfihrosrecursivos225 6.2.3 Termômetros manomêtricos 281
4.8.4 PlanoZ225 6.3 Termômetros de Resistência Elétrica 282
4.8.5 Caractcristicasdosfiltrosdcrcspostaimpulsiva 6.3.1 Termômetros metálicos - RTDs 282
finita-FIR226 6.3.2 Tcrmistorcs286
Sumário ix

6.4 Tcmmparcs29 1 7.4.4 Matcriaiseequipamcntos336


6.4.1 lntrodução29 l 7.4.5 l>rocedimentos experimcmais 336
6.4.2 Princfpiosfulldamcntais292 7.4.6 Questões337
6.4.3 Os principais tcmlOparcs comerciais 294
6.4.4 Medição da tensão do tem1opar 296 1.3 Lab. 5 - Conl'i!itos de •:Jetricidade 337
6.4.5 Compensação da jum a fria (jun HI de 7.5. 1 Objeti\'OSJ37
rcfcrência)296 7.5.2 Conceitos teóricos ad icionais 337
6.4.6 Alguns exemplos de circuitos condicionadores 304 7.5.3 Bibliografia adicional 337
6.5 Tcnnômctros de Radiação 305 7.5.4 M:ueriaiseequipamcntos337
6.5.1 Rad iação térmica 306 7.5.5 Procedimentos experimentais 338
6.5.2 Corpo negro c cmissividadc 306 7.5.6 Questões338
6.5.3 Tennômc tros infr.tvennelhos e pirômetros 309 7.6 La b. 6 - Ul ili ~a~ãu de Indicadores 338
6.5.4 Tipos de tem1ômctros de radiação 3 I I 7.6. 1 Objetivos338
6.5.5 Dete<: torcs ou ~nsorcs de mdi açiío térmica 313 7.6.2 Conccitostcóricosadicionais338
6.5.6 Tennopares infrJvcrmclhos 315 7.6.3 lli bliogr.tfiaadi cional338
6.5.7 Campo de visào e razão distância/alvo 3 16 7.6.4 Matcriaisecquiparncntos338
6.5.8 Medidores de tcmpcr.ttum unidimensionais e 7.6.5 Proccdimento~expcrimentais339
bidirncnsionais - tcrmógr.tfos3 17 7.6.6 Questõcs340
6.6 Medidores de Temperatura com Fibras Ópticas 320
6.6. 1 Sistcmadcscnsorc:uncnt o distribuído dc 7.7 La b. 7 - Font es de Tcnsiíu c Foull'S de Co rre nte 340
temperatura - DTS 32 1 7.7. 1 Objetivos340
6.7 Scnsores Scmicondutores pam Temperatura 323 7.7.2 Conceitos teóricos adicionais 340
6.7.1 lnt rod uç1io323 7.7.3 Bibliogmfia:tdiciona1340
6.7.2 Camctcristi ca V X /dajunçii.OJHr 323 7.7.4 Materiais e equip:unentos 340
6.7.3 Scnsordeestadosólido324 7.7.5 Proced imen tos experi mentais 340
E:tercícios326 7.7.6 Questões34 1
Bibliografi a 330
7.8Lab.8 - Filt rosAnalógicos34 1
7.8. 1 Objetivos341
Capítulo 7 Procedimentos Experimentais 331 7.8.2 Conceitosteóricosadicionais342
7.8.3 Bibliografiaadicional 346
7. 1 Lab. I - Util iza~iio de l nslrumentos de MOOi~ão de 7.8.4 M:ueriaiseequipamentos346
Gmndc:tasEh!lricas33 1 7.8.5 Procedimentos experimentais 346
7. 1.1 Objcti\'OS331 7.8.6 Questões347
7. 1.2 Conceitos teóricos ad icionais 33 1
7.1.3 Bibliogrnfiaadiciona133 1 7.9 Lab. 9 - Amplilicadores de l nstrumt' nlaçiio 347
7. 1.4 Materiaisecquipamcn tos33 1 7.9.1 Objetivos347
7. 1.5 Proced imentose:tpcrimentais33 1 7.9.2 Conccitosteóricosadicionais347
7. 1.6 Qucstõcs333 7.9.3 llib1iogmfiaadicional347
7.9.4 Materiaiseequipamerrtos347
7.2 La b. 2- R egrrt~ão Linea r e l'ro 11aga~ão de 7.9.5 Proccdiment osexpcrimentais347
lncc rte;o:us333 7.9.6 Questõcs348
7.2. 1 Objcti vos333
7.2.2 Conccitostcóricosadi cionais333 7.10 La b. 10 - J•ont cs 1mra ll•l cdi ~ão de Rcsist or~
7.2.3 Bibliog rafiaadiciona1 333 Ca1mci torlos c Indolores 348
7.2.4 Mmeri:tiseequiparnentos 333 7. 10. 1 Objetivos348
7.2.5 Proccdiment osexpe rimentais334 7. 10.2 Conceitos teóricos lldicionais 348
7.2.6 Ques tõcs335 7.10.3 llibliografia adi cional 348
7.10.4 Materiaiseequipamentos348
7.3 La b. J - I'rojctodcE:tl)(' r irncn tos335 7.10.5 Procedimentos experimentais 348
7.3. 1 Objetivos335 7. 10.6 Qucstões349
7.3.2 Materiaiseequipamcntos335
7.3.3 Procedi mentosc:tperimemais335 7. 11 Lab. 11 - Sistemas Combinacionais e
7.3.4 Questões336 Setlueuciais349
7. 11 .1 Qbjcti\'OSJ49
7.4 Lab. 4 - Utlti1.a~iio do Osciloscópio 336 7. 11 .2 Bibliogrnfiaadiciona1349
7.4. 1 Objetivos336 7. 1\ .3 Materiaiseequipamentos349
7.4.2 Cooceitos teóricos adicionais 336 7. 11 .4 Procedimentos experimcmais 349
7.4.3 Bibliografiaadicional336 7. 11.5 Questões350
7.12 Lab. 12 - Porta Pa ral ela (IEEE I284-A) como 7.16 Lab. 16 - Controle de Porta.~ de Ent r ada e Saída
EntradaeSaídaJSO pelo La bVI EWJ72
7.12.1 Objctivos350 7.16.1 Objetivos372
7.12.2 Conccitostcóricosadicionais350 7.16.2 Conccitostcóricosadicionais372
7.12.3 Bibliografiaadiciona1354 7.16.3 Acessandoapor1aparale1a374
7.12.4 Matcriaisccquipamentos354 7.16.4 Bibliografiaadicional374
7.12.5 Procedimcntnscxpcrimentais354 7.16.5 Materiaisccquipamcntos374
7.12.6 Questões356 7.16.6 Procedimentosexperimentais374

7.13 Lab. 13 - ADC de Sou 12 Bits Interfaceado com a 7.17 Lab. 17 - Filtros Digitais375
Po rta l'a ralelaJS6 7.17.1 Objetivos375
7.13.1 Objctivus356 7.17.2 Conceitosteóri cosadicionais375
7.13.2 Conceitosteóricosadicionais356 7.17.3 Bibliografiaadicional375
7.13.3 Bibliografiaadiciona1357 7.17.4 Materiaiseequipamentos375
7.13.4 Matcriaisccquipamentos357 7.17.5 Procedimcntoscxpcrimentais375
7.13.5Procedimcntnsexpcrimentais357 7.17.6 Questõcs375
7.13.6 Questões360
7.18 Lab. 18 - Utilil.llção de Sm sorcs de Temperatura 378
7.14 Lab. 14 - Procedimentos Básicos para Uso da 7.18.1 Objctivns378
Fer ra menta La bVIEW 7 Ex press 36 1 7.18.2 Conceitosteóricosadicionais378
7.14.1 Objctivos361 7.18.3 Bibliografiaadicional378
7.14.2 Conccitosteóricosadiçionais361 7.18.4 Materiaisccquipamcntos378
7.14.3 Bibliografiaadicional368 7.18.5 Procedimentosexperimentais378
7.14.4 Matcriaisccquipamentos368 7.18.6 Qucstões378
7.14.5 Procedimcntoscxpcrimentais368
7.19 La b. 19 - Condicionadores de Temperatura 379
7.15 La b. 15 - Séries de Fourier c Análise no Domínio de 7.19.1 Objetivos379
Frequência 371 7.19.2 Conccitostcóricosadicionais379
7.15.1 Objetivos37l 7.19.3 Bibliografiaadiciona1379
7.15.2 Con<.:citostcóricosadicionais371 7.19.4 Matcriaisecquipamentos379
7.15.3 Bibliografiaadicional371 7.19.5 Procedimcmocxpcrimental379
7.15.4 Materiaiseequipamentos371 7.19.6 Questões379
7.15.5 Proccdimentosexperimcmais37l
7.15.6 Qucstões372 Índice38 1
A filhinha de um amigo. quando falava ao telefone na casa dos sim. sempre haverá espaço para a engenharia de instrumentação
avóscmscuanivcrsáriodc trêsanos.scdistraiucomoscolcgui- clctrônicaanalógicacsensorcs,quc,apcsardcsercmárcascm
nhas e sai u andando com o telefone no ouvido. O fio do telefone. extinção de profissionais. s~o também áreas em grande cresci-
ao ser puxado. acabou por derrubar um vaso da mesinha. Oba- mento tecnológico. com uma demanda enorme para andar pari
rolho atraiu os adultos, que correram ao mesmo tempo, olhando passu com um mundo cada vez mais nano da tecnologia digital.
paraelacomardereprovação.Eeladisse.assimbemderepen- Esta é a razão deste livro. escrito por doi s jovens defensores
te sem precisar pensar: '"Também, vovô. você amarrou o telefo- do mundo analógico. com larga experiência em instrumentação
ne na parede!" elctrônicacaomesmotcrnpoconscicntesdaprcmentcnecessi-
Ninguém mais sabe por que temos que "discar" um número dadedea instrumentação evoluir na mesma velocidade da tec-
no telefone. porque ''batemos" o currículo no computador. o que nologia digital
é CRT. LP. lctrasct. régua de cálculo, Enciclopédia Britânica. Olivrofoiescritoparaestudantes.técnicoseengenheirosde
papel vegetal.tintananquim.ploller.régua-tê.telexouemprés- instrumentaç~o. cobrindo uma grande gama de sensores e inter-
timointerbibliotcca faces. O leitor certamente encontmrá aqui a explicação de suas
É exatamente o que parece: nosso meio ambiente ficou digi - dúvidascomrelaçãoatransdutoresesensores.Seoleitorforum
tal num intervalo muito curto. em apenas uma geração. As pes- curioso em instrumentaç~o. também encontmrá aqui exemplos
soasmaisidosastiveramqucseacostumarapagarcontaspcla eaplicaçõcsdousodepraticamentctodososscnsoresutili7_ados
lnternet.oe-mailchegaesaipelocelular.avitrolavirouwalk- pela indústriahoje.desdeaáreadeóleoegásatéaárcadeau-
man e depois iPod. o llop-disk virou pen-drive cada vez menor tomaçãoeprocessos.
c com maior capacidade. c prcdsamcme a cada seis meses. com- Olivroseiniciacomapanccstatísticadecrrosedacxatidão
provando a lei de Moore. meu filho nx:lama que o computador das medidas. uma disciplina que. apesar de omissa nos cursos
deleestá"umacarroça". decngenhariaelétrica.mostr.t-se hojcdegrandeimportânciana
Esse efeito digital alavancou empregos nesta área no mundo área de scnsorcs. E o porquê é muito simples: medir é justamcn-
todo e apareceram as engenharias da computação. de software e teoquetodosensorfaz. mas sem o conhecimento de seu erro
de tecnologia da informação. Mas ao mesmo tempo essa corrc- como saberemos se medimos certo? A partir daí o livro leva o
riadigitalesvaziouoanalógicoctirouaatcnçãodediseiplinas leitora um passciopcloconccitodaclctrônicaanalógica.com
comoinstrumentação.sensoresetransdutores. dezenasdeexemplosdecircuitospráticosdecorno interfacear
O som c a imagem são entes analógicos. O som. para entrar umtransdutoroudecomoprocessareletronicamcntcscussinais
ou sair do processador, passa pelos transdutores no microfone de saída. Nascquênciacntramosnaturalmcntcnostransdutorcs
ou no alto-falante do telefone celular. por exemplo. A imagem esensorespropriamcntcditos.capftulosessesquecobrem pra-
dacâmeradigi tal.antesdescrproccssada.écaptadacmsuafor- ticamente todos os tipos de scnsores científicos e industriais ho-
maanalógica:osinaldafibraóptica.antesdcvirarbytcs.écap- jeemusopcloplancta
tado analogicamcnte. n~o interessa se é datacom. tclecom ou TV Unindo esses conceitos com a parte experimental. na qual
a cabo. As moderníssimas bioprótcscs. ou próteses biônicas. ne - dezcnasdccxpcrimcntossàodescritosc sugeridos como exer-
cessitam de interfaces biológico-digital paraunirossinaisana- cícios de laboratório. esta obra toma-se uma referência cornple-
lógicos dos nervos com os sinais digitais dos processadores. taeimpresc indfvelnabibliotecadeumcursotécnico.dau niver-
Sim.omundoànossavoltaéanalógico.esemprcserá.Sem- sidadcounasuabibliotecaparticular.
prc que desejarmos nos contactar com fenômenos nmurais ou
tecnológicos ou exercer algum tipo de efeito no mundo teremos Prof.Marceloi\lartins Werncc k
que aceitara "analogicidade"do mundo e utili7_aratuadorcsou Laboratório de Instrum entação e Fo111nica- UFRJ
sensorcs.convertendoodigitalparaoanalógicoevice-versa.As- \'e râode2010
Aconstanteevoluçãotecnológicatornaanecessidadedeconhe- medição de campos elétricos c magnéticos. além de mais um
cimentosagregadosemdiferemesáreasumrequisitoimprescin- capítulodeprocedimentosexperimentais
dível. Atualmente. não basta ao profissional da área das enge- Por ser uma proposta abrangente. procura fornecer detalhes
nharias dominar um único campo do conhecimento. É preciso qucintcrcssematodasasáreas.Sendoassim.circuitoseletrôni-
saber integrar minimamente recursos de apoio. seja de informá- cosdecondicionamento.bemcomotécnicasespecíficasdetra-
ticasejadeuutrdsengenharias. lamento. podem ser direcionados aos cursos afins
A instrumentação é um exemplo de área do conhcdmcnto Sugere-seque. paracursosdasengenhariasdc modo geral,
que é fomtada por vários campos da engenharia ou das ciências os Capítulos I e 2 sejam abordados na íntegra. O Capítulo 3.
Essacaracteristicaéenfatizadapeluscrescentesavançosnain- apesardcscrumarcvisàodaárcadceletrônica.éútilnaexpla-
formáticaenaclctrônica.oqucfa7.comqucscnsoresctransdu- naçãodealgunsscnsorescscuscondicionarncntoscdcvc,por-
toressetomemcada vezmaisprecisosedependentesdessas tanto. ser utilizado de acordo com o critério do professor. O
tecnologias. Comuconsequência.éexigidodousuário umco- Capítulo 4 aborda ass untos genéricos corno análise de sinais
nhccimcntopréviodoassunto. no domínio de frequência e a utilização de algumas ferramen-
Nos mais diversos campos da ciência e engen haria. procedi- tas computacionais. mas também trata de assuntos específicos
mcntosdecontrolc.mediçõcseautomaçàodeprocessostradi- daáreadccngcnhariaelétrica,taiscomotécnicasdcsupressão
cionalmente utilizam sensores de temperatura, pressão. fluxo e de ruído. e pode ser utiliwdo de acordo com as necessidades
nível.entreoutros.salientamloaimportilnciadainstrumentação do curso. Os Capítulos 5 e 6 apresentam detalhes de se nsores
nodiaadiadaspessoas.Naáreadac ngcnhariabiomédica.seja etécnicasdcmediçãodcgrandezaselétricasetcrnperatura.Os
ern um leito de UT l. seja em uma clínica médica. sensores ou autores acreditam que esses capítulos possam ser utilizados na
equipamentos baseados na instrumentação estão em uso. bene- íntegraparaqualquercurso.umavezquetratamdeassuntos
ficiandoasaúdeeoconfortodapopulaçãomundial. de interesse genérico das engenharias. O Capítulo 7. o último
Este Hvroédestinadoaestudantesdeengenharia(níveisde doVolurne I. é composto de umasériedesugcstõesdeexpe-
graduação epós-graduação)doscursosde instru mentaçãoeme- rimentos em ambiente de laboratório. para que todos os tópicos
didas. A proposta é que seja uma referência bibliográfica em abordados possam ser aplicados c comprovados em aulas prá-
línguaportuguesaquecobreosseguintestópicos:fundamentos
desensores.condicionadores.assimcomutécnicasdeprocessa- Nestasegundaediçãurevisada.foramincorpuraduscunceitus
mcntosdcsinaisanalógicoscdigitais importantes orientados pelo Vocabulário Internacional de Me-
Estaobra.emfunçãodaabrangênciadaárea.foidivididaem trologia (V IM). A seção que relata o cálculo de incertezas de
dois volumes. os quais se caracterizam por uma abordagem medidas c sua propagação também foi substancialmente modi-
tcórica cpráticaadcquadatantoainiciantcsqua ntoaprofissio- ficada. Foram acrescentados vários exemplos práticos. além de
naisdaárea um te xto mais completo sobre o assunto.
Obra em dois volumes. pode ser utilizada principalmente Também furam adicionadas informações aos tópicos que es-
nasáreasdecngcnhariaefísica. OVolumcl trata de princípios tão associados a interferência c ruído em sistemas de medidas,
edefinições.análisedeerros.fundamentosdeestatística.téc- aossistemasdeaquisiçãodesinais.dentreváriosoutros.Apesar
nicasexperimcntais. análise de sinais c ruído. elctrônicaana- dcaestruturaoriginal daobratcrsidomantida.muitosassuntos
lógicacclctrônicadigital,mediçõcsdcvariávciselétricas.scn- foram aprofundados c, quando possível. mualiwdos segu ndo
soresecondicionadoresde temperatura eaindaumcapítulode normasepadronizaçõesuniversaisvigentes
laboratóriosenvolvendoostemasabordados.separadosemmó- É importante reafirmar que o objetivo deste livro é fornecer
dulos uma referência em língua ponugucsa. no contexto de um curso
O Volume 2 aborda tópicos como medição de pressão. me- semestral.capazdeauxiliardemaneiraeficaz.simplesedireta
diçàodetluxo.mcdiçãodenível.mediçãodeforça.rncdiçãodc estudantes ou profissionais que trabalham com instrumentação
deslocamento. velocidade. aceleração. rnediçào de vibrações. c medidas
Prcfácioà2!Ediçiio xiii

Por fim, cabe esclarecer que os autore> não assumem qualquer contato dos leitores pam apontamentos relacionados a possíveL'\
responsabilidade por danos ou prejuízos causados em função de falhas. propostas de melhorias c dentais discussões
aplicaçõesinadequadasdesugestõesapresentadasnestelivro.A
fim de aperfeiçoar nosso trabalho, pediríamos por gentileza o Os Amores
Agradecimentos Particulares

Ao finalizar este projeto, niio poderia deixar de registrar meus professora Berenice A nina Dcdavid c Rubem Ribeiro Fagundcs
sinceros agradecimentos: aos meus pais Valmir e Maria Eliza- (em memória) da Faculdade de Engenharia - PUCRS. A todos
bcth (em memória). irmãos (Ricardo e L nian) e minha compa- osestudantes.alunoseex·alunos.comdestaqueaosexcelemes
nheira c esposa A manda. Palavras são insuficientes para registrar bolsistas de Iniciação Científica Carlos, Diogo c Jairo, pela par-
a importância dessas pessoas. portamo de ixo apenas o registro ceria em di~·ersos projetos. Ao colega Valner João Brusamarello,
de seus nome1;. Aos inesquecíveis mestres da minha vida acadê- pela parcerianestelivro.Aprovei totambémpararessaltarque:
mica. em especial às professoras NcdaGonçalvcsc Maria Luí~a estudame de ciêtrcitlS exaws de1•e aprender tr gostar de trprender
(Faculdade de Matemática - PUCRS). aos professores Valmir (aprender a aprender) e, portanto. ser autodidata. ter curiosi-
Balbinot e Wi eser (Faculdade de Matemática - PUCRS). aos dade e busctlr infomwÇtJes nas nwis dil'er.mJ fomes. Utilizando
profcssorcs JuarclSagcbin.ArnaralcDarioAzcvcdo(Faculda- pa{al'ras do grande me.\·tre meu pai. ··ser eslrrdtmte e ntío apenas
de de Engenharia- PUCRS). Aos grande s mestres e incentiva- aluno"
dores na área da pesquisa: professores Alberto Tamagna. Álvaro
Sallcs, Milton Antônio Zaro (Faculdade de Engenharia - UFRGS), Prof. Dr, Aiexandre 1\albinot

Renovo meu agradecimento a todos que por intermédio dos seus Machado de Brito, pelos bons exemplos e influência. Registro
exemplos. dedicação e auxilio influenciaram diretmnente a rea~ também um agmdecimento especial aos colegas Eng. André
lizaçãodcstcprojcto Bianchi. Leandro Souza c Adroaldo Lima. pelas preciosas con-
Aos meus pais Pedro c Adélia, aos meus irmãos h•orcma e tribuições e boa vomadc em ajudar. Ao colega Alexandre Balbi-
Lucas. em espec ial a esse pelas conversas e dicas proveitosas not.cornquerncornpartilhoaautoriadestaobra.expressominha
sobreváriosdostcmasabordadosnolivro satisfação em contar com sua dedicação e competência desde o
Mai s uma vez devo demonstrar meu rcçonhecimento c grati~ início do projeto
dão aos bons professores que tive oportunidade de conhecer ao Por fim. faço um ;~gradecimento especial a minha esposa.
longo de minha vida acadêmica, aos colegas de profissão. aos Rita Becco. pelo suporte, carinho e compreensão dedicados à
alunos e ex -alunos. Agradecimento especial a Alexandre Lago elaboraçãodestasegundaediçãodo livro.
e Milton Zaro. professores cujo tra!XIIho respeito e admiro pro-
fundamente. Aos profcssorcsAhamiroAmadco Susin c Renato P mf. Dr. Valner Joã o Brusamarellu
Agradecimentos de Ambos os Autores

A equipe da LTC, em especial ao Prof. Bcnmrdo Severo c Carla Captivc Airc Systcms, Cclcsco. Emerson Proccss Managcmcnt,
Caldas Nery. pela menção especial aos autores. Aos colegas Lu iz Endevco Corporation. Flometrics. Hayashidenko Corporation.
Carlos Gertz e Rafael Comparsi Laranja pela coautoria nos ca- lcos Excelcc Lida .. l ndubr.1s lndúsuia e Comércio Ltda .. Kobold
pítulos sobre força c vibrações. Aos estudantes de engenharia lnstrumcnts Inc., Minipa. Positck Ltda .. Lichnc lntcrnational
(muitos atualmente formados). em especial Alceu Ziglio. Carlos Corporation. Lion Precision. Maxim lmegrated Products Inc ..
Radtkc. Diogo Kocnig. Fábio Bairros. Fernando César Mordia- Microchip Tcchrmlogy Inc .. MicroStrain Inc .. Mitutoyo Sul Amé-
to. Gerson Figueiró da Silva. Jairo Rodrigo Tomaszewski. Le- rica, National lnstruments, National Semiconductors. O hmic
andro Fernandes. Márcio Wentz. Maximiliano Ribeiro Cõrrea e lnstruments Corponuion. Omega. Sh-Hardware. Shangai Genui-
Tiago Fernandes Borth. Davenir Fernando Kohlrausch. Éverson ne Trading Corpomtion Ltda .. KENCO Engineering. RMS ln-
Magioni. Ismael Bordignon. Juliano Rosslcr. Márcio de Olivci- dústria de Equipamentos Eletrônicos Lida .. Rücgcr S.A .. Scn-
ra Dal Bosco. Rafael Luis Turcatel. Leandro Corrêa. lrineu Ro- sorex Corporation. Tektronix. Texas lnstruments. Them10teknix
drigucs. César Leandro AgostinL Cássio Susin. lgor Costela. Systcms Ltda .. Vishay lntcrtechnology Inc.. Endrcss+ Hauscr
lrineu Rodrigues. Carlos Frassini Júnior. Francisco Martins.Gus- Controle e Automação Ltda .. MTS Sensor Technologie Gmb H
lavo Rech. Luciano Rosa. entre outros - pela ajuda e participação & Co. KG. Inte rli tek Electronics. Yokogawa. WM Berg. pela
em muitos dos projetos apresentados nesta obra. Além dos agra- colaboração. liberação de uso de imagens, circuitos c referências
decimentos pessoais. não podemos deixar de registrar nossos específicas de componentes qualificando nosso livro
agradecimen tos às empresas: Analog Deviccs. Brüei& Kjaer.

Come ntá rios e Sugestões


Apesar dos melhores esforços dos autores. do editor e dos revisores. é inevitável que surjam
erros no tex to. Assim. sào bem-vindas as comunicações de usuários sobre correções ou su-
gestões referentes ao conteúdo ou ao nível pedagógico que auxiliem o aprimommcn to de
edições futuras. Os comentários dos leitores podem ser e ncaminhados à LTC - Livros
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cional. no endereço: Travessa do Ouvidor. li - Rio de Janeiro. RJ - CEP 20040-040 ou
aoendereçoeletrônicoltc@grupogen.com.br.
t 0.1 Introdução - - - - - - - ou absorvida nastransiçõcsqufinticasentrcestadosdecncrgia
dc:ltomosemolé<:ulas.
A história da instrumcn ta~'no, assim como qualquer olllro tema Durantcmuitotcmpo.asnccessid:tdcs hurnanasrelacionadas
envolvendo tec nologia. está rclacionad:l aos desenvolvimentos àrnediçãodotcmpoatcndiam apcnasafinsnômades,oucntão
equestion:uncmosdcépocas passndas.Asinvençõesquedeal- ao conhecimento das estações do ano para otimizar o plantio c
guma rnaneim rcvolucion:trJm o estilo de vida das pessoas. ou a colheita das culturas agrkolas. Essas necessidades eram per-
mcsmoaquelcspequcnosinvelltOSquefacilitaramalgumpi"Q- fcitarnenteatendidaspclacontagcmdasfascsdaLua,edurante
cesso. trouxeram av;mço 11. ciência. bem como nos meios de se muito tempo essa foi a maneira de medir os períodos.
medirem gr..mdezas físicas. Esse breve histórico çobre alguns À medida que o homem foi se agrupando em comunidades c:
instrumcmos que for.1111 im!X'rtantes para o desenvolvimento das vilas.surgiramcerirnÕiliasrcligiosas.e tomou-scnecessáriauma
sociedades e da ciência, bem como da tecnologia. De modo al- medida mais refinada do tempo. As primeiros c ivilizações con-
gum esse assunto 6 esgotado. Desde tempos muito amigos. em centraram-se em tomo do Mediterr.inCQ, onde: surgirom os pri-
queanccessidadcimpcliusociedadesadesenvolveremprocessos meiros dispositivos paro medição de tempo.
simpleseúteisàsuasubsistência.mfostemposatuais.emque O primeiro dispositivo de que se tem registro paro a medição
muitos gênios pro! agonizaram a cena por grandes realizações e do tempo foi og11ómmr. que surgiu por volta de 3500 a.C. E~se
descobertas. a ne<:essidade de medir quase sempre esteve pre- instrumento con siste em uma barro •·enical. na qual o Sol pro-
jeta uma sombra. O comprimeruo dessa sombrn. ponamo. era
Nos dias at ua is. toda descober1a científica necessita de com- relacionado ao tempo. A Figura 0.1 ilustra uma vareta para pro-
pro\'ação experimental. Gerolrnente o processo de comprovação jeçàodesotnbrn.
leva à necessidade de medição de gr.mde1.as que remetem às te- Por volta de 800 a.C., já er~m utilizados instrumentos mais
oria.~ e leis que fundamentam a ciência. Emretamo, alguns mi-
precisos. Um desses instrumentos ern o smrdür/, um relógio de
lhares de anos atrás as prioridades eram diferentes. A observação
permitia verificar que o tempo passava e de alguma maneird as
propri edades c limáti cas eram cíclicas. A observação também
permitia concluir que c~ist iam períodos favoráveis tanto para o
plantiocornoparaa co lhcitadccu hurasagríco las.Tambémcra
possível observar que os dias eram cfclicos. de modo que prova-
\'elmcnteotcmpoterii.rnotivudoumadasprirncirasnecessidadcs
de medição.

t 0.2 Histórico da Medição do

Tempo-----------------------
Ape&ar de apresentar uma dificuldade de definição filosófica. o
tempo é. nos dias atuais. a quantidade ffsica mais preci&amentc
medida do ponto de vista físico. Pode-se afinnar que existem
duas escalas de tempo referenc iais fundamentais e independen-
tes: aescaladetempodinãmica.queébaseadanaregularidade
de movimentodoscorposcelcstes fixos em suas órbitas pelas
leis da gravitação. e a escala de tempo atômica. a qual é baseada
nafrequêndacaracterísticadaradiaçàoeletromagnéticaemitida Figura0.1 Varctadeprojeçâodesombra.
2 CapftuloZero

Figura 0.3 Outra conliguraçikl de relógio de sol.

A subdivisão do dia em 24 horas. da hora em 60 minutos e


do minuto em 60 segundos é de origem antiga. mas css:ts subdi-
visões tomarnm-se de uso gera l em aproximadamente 1600d.C.
Quando o aumeuto da precisão dos relógios ]e\·ou à adoção do
di a solar médio. o qual conté m 86.400 segundos. o segu ndo so-
lar médio tomou-se a unidade de tempo básica.
Figura 0.2 Relógio de sol.
O segundo. conforme o atual Sistema Internacio nal (S I) de
medidas. foi definido em 1967 corno 9.192.ó3 1.770 ciclos de
sol utili zado pelos egípcios. O relógio con~i~tia em uma base radiaçàoassociadaàtrans içãoentrcníveisdeestadodoátomo
extensa ligada a uma esuutura. Aba~ continha 6 divisões de de césio 133 . O nUmero de ciclos foi escolhido para fazer o
tempo. e era colocada na direção leste-oeste. com a cruz no lado comprimento do segu ndo corresponder tão próximo quanto
lestcpelamanhãcocstcpelatank:.Asombr.l dacruzprojetada possh·el ao padrlo definido anterionnente: 1/86.400 do dia
na base iodicavao horário. A Figura0.2 mostra um S1111dial. e a solarm&Jio.
Figura 0.3 mostra outra configuração de relógio de sol.
Provavelmente. o mais preciso desses disposi tivos foi o reló- 4 0.3 Histórico da Medição de
gio desenvolvido pelos caldeus. tribo de Moisés considerada o
primeiro povo a dividir a noite e o dia em 12 hora~ cada. Os re- Pesos e Medidas - - - - - - - -
lógios de sol hemisféricos da Babilônia. aparentemente inventa- Com a organizaçilo das pessoas em sociedade. começaram a
dos pelo astrônomo Barosus em aprollinmdamente 300 a.C .. eon- surgirrnciosdcpcrrnutacmoedasc.assi rn. ocomén:io.Édese
sistiarncmumblococúbieo.noq ua l existi aum:lcntradahemis- espcrar.portanto.que padrõesdevarnsurgirpamqucexistauma
ftrica. À entrada era fixado um ponteiro cujo final era preso no referência de medida
centro do espaço hemisférico. A trajetória traçada pela sombra Outr.1s necessidades - como. por exemp lo. na arquitetura. a
do ponteiro era aproximadamente um arco dn:ular cujos com- execução de projetos corno ru; pirâmides - evidenciam que os
primento c posição varia\·am de acordo com as estações. Um egípcios possufam havia muito tempo um sistema de pesos e
n6meroapropriadodean:oseradesenhadonasuperficíeinterna medidas. Escri turas e gravuras em tumbas de pessoas medindo
do hemisf<!rio. Cada arco possuía 12 divisões. Cada dia. desde grãos deixam claro que esse po\'O jã havia organizado um siste-
o s urgimento até o pôr do sol. tin ha 12 intervalos iguais, ou ho- ma de unidades.
ras. Uma vez que a duração do dia varia de acordo com a estação. A hi stória sugere que aprollimadamcnte 5.000 unidades e pa-
cssashor.tserJmvari ávcis. drõcsdcmcdidasnísticascinrprecisascramutil izados.Emal-
Os gregos desenvolveram e construíram relógios de sol de gum ponto da hi stória. homens, principalmente comen:i:mtes,
cornplellidnde considerável entre 300c 200 a.C.. incluindo ins- faziam suas referências com medidas de panes do corpo. Assim.
trumentos co m indicadores de horas vcrtic:tis. horizontais ou um com primento ou altura podia ser definido em número de
inclinados. Os romanos também utilizaram relóg ios de sol. e rnàos.JXrltnosoupassos.Curiosamente.o sistetn:linglêsfoiba-
alguns era m portáteis. Os árabes melhoraram o desig11 desses seado nessas medidas: pé. polegada. A Tabela 0.1 mo~trJ. algumas
relóg ios c. no início do século X III d.C.. constru(ram tais instru- curiosidadcscmrclaçãoàsunid:tdcsdcmedidas.
mentos sobre superfícies cilfndricru; ou cônicas. e ntre outras. O As primeiras tentati,•as de medidas tinham b;tsicamente dois
instrumento de medição do tempo continuou C\"Oluindo. Come- elementos principais: um era a sua unidade ou então sua defini -
çaram a ser desenvolvidos mecanismos de relógios cujo princí- ção em relação à aplicação daquela medida. Dessa forma. dis-
pio de funcionamento era baseado no tempo de eochimento de tâncias eram dadas em passos ou dias de ca\·algada. e um acre
um \"O]ume de água com vazão constante. foi pensado como a ãrea de terra que podia ser trJ.balhada por
O primeiro relógio público. cujo funcionamen to era baseado 11111 homem em um dia. O outro elemento era que essas uni dades

ernurnrnecanismoquercpetemovinrcntosiguaisernespaçosde fosscnrbasc;~dasern unidadesconhecidascomopés(/ut) .mãos


tempo iguais, foi co nstruído e insta lado em Mililo (Itália) em (lwm/-sp<m.~).
entre ou tras
1335. Aproximadamente no ano 1500surgiram relógios portátei s lssoserviamuitobemparaamaioriadaspropostas.nras des-
baseados em molas. e em 1656 surgiram os primeiros relógios decedosevcrificouanecessidadedepadronizaç~o.Porellemplo.
baseados em pêndulos. no antigo Egito. o côwulo era conhecido corno a distância do
Breveliistórindnlnstrumentação 3

Tabela 0.1 Curiosidades sobre padrões de medidas


Século X Reis saxões Edgar e llcnriquc r definiram uma jarda (yard) como a distância da ponta do nariz ao dedo polegar
Ricardo Cora<;·ào de Leilo- primeira documenta<;·ào de padronização de medidas
SéculoXIIJ Eduardo I: definições
3grJ:o'idecevada= r polegada
12polegaJa'i= I pé
3 pé~= r jarda (Jan/ou ulna)
5 Y,jarda~ = I vara (também igoal aocomprimentodoeombinaJodo'i 16 pés esquerdo~ do~ primeiro'< 16 homens a
'iaíremdaigrejanodomingo)
40 var.ll' X 4 varas = I acre (também a área com que um homem munido de um machado p<J<le trabalhar I dia)

colovelo à ponta do dedo médio da mão (essa medida foi prova- NaGrã-Bretanha. ape;;ardeterhavidoumasériedetentativas
velmente aumentando em termos absolutos ao longo do tempo dcpadronização.otrabalhornaiscmbasadocsustcntadosurgiu
devido à variação da estatura humana). Em 2500 a.C. foi pa - apenas no século XIV. quando foi publicado o seguinte texto:
dronizado corno côvado mestre real. feito de granito negro com ""( ... ]ordena-scque3gràossecosearrcdondadosdecevadafa-
525 rnrn de comprimento, aproximadamente o comprimento do zcm urna polegada; I 2 polegadas fazem um pé; 3 pés fazem uma
antebraço de um homem. O côvado real podia ainda ser dividido ulna. e 5Vz ulnas fazem 1 rod [ .. .]".A ulna mais tarde tornou-se
em ?larguras de mãos. as quais. por sua vez. podiam ser dividi- ajardaefoipadronizadacomoadistànciaentreduasmarcasem
das em 28 larguras de dedos. A Figura 0.4 mostra alguns padrões urnabarrademetal
provavelmente adotados no antigo Egito. Autilizaçãodesementescornounidadesbásicasdepesoteve
Após a ocupação dos persas. foi adotado o côvado persa. de lugarespccialnodesenvolvimentodemedidasdepcsosdurante
63.85 em. Medidas de dimensões grandes como comprimentos de muito tempo e em muitas cultur.ts. Na Inglaterra. três sistemas
terra tomaram diferentes formas. O comprimento do re111en duplo depesopers istiram:ogrãotinhaumafunçàomuitoútilescrviu
eraigualàdiagonaldoquadr.illo.ccadaladomediaumroytllcubir a todas essas três unidades. de modo que podia ser convertido
Esta medida era 74.07 em e podia ser dividida em quarenta peque- deumaparaoutra
nas unidades de 1.85 em cada. Outra medida para terra era a me- O sistema métrico su rgiu oficialmente na França em 1799.
dida da corda (conhecida como w ou me!t-w) de lOOcôvados rl'ais. com a seguin te declaraç~o de in tenção:"'( ... ] ser para todas as
e uma área podia ser medida por um ~·etjat. o qual media 100 cô- pessoas em todos os tempos .. :·. A principal ideia era que todas
vados quadr.tdos (mais tardechamadodet/rollra). Uma medida de asunidadesfosscmdependentesdefatosnaturais.Onretmfoi
comprimcntoaindarnaioréochamadoril"er-unit.Aparentemcntc dcfinidocomoadécimamilionésimapancdc 14dacircunfcrên-
esta medida consistia em 20.000 côvados. ou cerca de I 0.5 km cia da Terra (do Polo Norte à linha do equador) passando por
Paris. Para essa medida. Jean -Baptiste Joseph Delambre ( 1749-
1822) foi o astrônomo que comandou a pane norte de uma ex-
pedição meridiana e Pierre François André Méchain (1744-1804)
comandouapartesul.Esscsastrônomosfizeramasmedidascom
um instnnncntodenominadocírculo repetidor, inventado pelo
físico Jean Charles de Borda ( 1733-1 799)
O grama foi definido corno o peso de um centímetro cúbico
de água pura.
Quando meios mais precisos de medição de comprimento
começaram a surgir. foi revelado um erro na definição do metro
Issolevouàprocuradenovospadrõcs.agoramaisrobustosque
os primeiros. Inicialmente o metro foi definido como a medida
deumabarradeplatinacomadimensãoexmadadefiniçâo.
Essencialmente. os novos métodos baseados em fenômenos
físicos só podem ser observados em laboratórios espccialrnente
equipados. Hojeometroédefinidocomoadistânciapercorrida
por um feixe de luz no vácuo em ~ de segundo. Isso é
consideravelmcntcmaisprecisoqucduasmarcascmumabarra
e. além disso. pode ser replicado.

t 0.4 Histórico do Barômetro - - -


Em urna carta. datada de 1630. Giovan Batti sta Baliani pergun-
Figura 0.4 Padrões de un idade adO(ados no antigo Egito tou a Galileu Galilei por que um sistema de transporte de água
4 CapfTuloZcro

que ele havia projct:~do não funciona'':!. Esse sistema consistia


em um simples amnjo hidr.lulico. no qual um duto de água de-
,·eria carregar o líquido sobre urna ladeira de 21 m. O sistema
denomin:~v:~-sc sn,lum. c era b:lscado em uma bomba de sucção
de ar de maneira semelhante às bomb:ls atuais.
No entanto. na época acreditava-se que as bombas criavam
vácuo. e. como a "natureza odeia o vácuo··. a água era impelida
a OCUp;lf o espaço evacuado. Acreditava-se que não ha.via limite
dealturaparafa7.crumacolunadeáguasubir.GalileuinvC!;tigou
a situação e concluiu que os limites d:~ bomba de sucção eram
de li m de colu11a. Acima dessa altura a força do vácuo era ill-
suficienteparasuport ar:lCOiunadcágua.
Galileuçompartilhouapreocupaçàoquantoaoprobleiii:l.COm Figura 0.6 Barômetro de escala cin:ular.
seu disdpulo Torricclli. Torricclli. então. projetou um experimen-
to conduzido por seu disdpulo Vincenzo Viviani em 1643.oqual
provou que o ar tem peso. Eles havimn çonstroído um protótipo época. Existem evidências de que pelo menos outros dois pes-
de um barúmetrode mercúrio. De inicio Torricelli utilizou água. quisadores também desenvolveram um barômetro. DocumenTa-
rnaseranecessárioumtubodevidromuito longo(l8m).S ubs- ção histórica sugere que o rnnterniitico italiano Gaspar Bcni tam-
tituindoaágu;1pormcrcúrio.<JUC àtcmpera tumarnbiente é líqui- bémtrabalhounoproblemaqueprcocupnvaGalileueconstruiu
doecujadcnsidadcéaproximadmnentcl3vet.esmaiorqueada um barômetro alguns anos antcsdeTorricelli. Oticntista filó-
água. ele reduziu o tubo par:1 aproxinmdamentc 90 çm. sofo francês René Descartes descreveu um experimento de um
O instrornento de Torricelli consistia em um tubo de vidro sistema para a detennim1ç~o da pressão atmosférica em 163 1.
longo com uma das extremidades fechada. O tubo era preençhi- mas não existem evidências de que tenha algum dia çonstruído
do com mercúrio e em seguida invertido em urna base que tam- oststema.
bém continha mercúrio. A Figura 0.5 mostrJ o esquema do ins- Em 1648. o matemático francês Blaise P.Jscallançou a teoria
TrumcntodcTorricclli. de que a pres!õão atmosférica cafa em altitudes acima do nível
Em vez de sair completamente do tubo. a altura da coluna se do mar. Em seu experimento. um barômetro foi levado ao topo
estabilizava em um nÍ\'el de aproximadamente 76 em. Pequenas de uma mootanha a 1.490 111 do nível do mar. e obser.'ou-se que
nutuaçõcs eram observadas. c hoje se sabe que eram devidas a açolunadcmercúriocaiua8.6cm. Durantcaproximadarncmc
pequenas nutuações n:l temperawra c na pressão atmosférica. 20 anos após esse fato. o desenvolvi meu to do b:lrômetro foi len-
Torricelli çoncluiu que a toluna de mercúrio se estabilizava de- to. Foi quando. em 1665. o cientista inglês Robcrt Hooke crioo
vido ao peso ou à press!lo que o ar exercia na base do experi- obarômctrodcescalacircular. A partirdccntãoobarômetro
passou por um século de grnndes progressos. A Figura 0.6 mos~
Como açontoce muitas vezes em ciência. uma linha de racio- tra um barômetro de escala drcu lar.
cínio ocorre em lugares diferentes aproximadamente na mesma Ousodapala\'rabarômetroparadescn:vcroinstromcmode
medida de pressão é atribuída oo ciemista inglês Roben Boyle.
que em l669descreveu planos par-.1 acoustruçãode um barôme-
tro poniitil. O conceito de barômetro $em líquido foi primeira-
mente lançado pelo materniitieoGottfried Wilhehn Leibniz. por
volta de 1700.AprimcirJI"CI"lõàodcssaideiafoiconstroídapclo
cientista francês LucicnVidic.autordoschmnadosbarômctros
aneroidcs metálicos. Esse novo instrumento não apresentava o
problema de hal"cr urn lfquido que poderia derramar por todo o
instrumento pelo fato de ser selado. Isto fczçorn que se tomas-
se o primeiro barúrnetro portátil. Dessa forma. ele tomou-se um
instrorncntocomumeextcnsamcnteutilizadonasárcasrclaçio-
nadasàrncteorologia.
Atualmente. os barômetros 11neroidcs foram substitufdos por
sensorcselctrônicos.osquais.quandoconcctadosa mitropro-
cessadores. se tomam precisos e bastame flcxfvcis a uma série
de aplicações na medição de pressão

t 0.5 Histórico do Termômetro - -


Os primeiros termômetros eram chamados de tcrmoscópios. e.
enquamoalguusinventoresdcsenvolveramversõesdesseinstru-
mento ao mesmo tempo. o in,·entor italiano Samorio Samorio
Figura 0.5 Bar6mctrl)dc:Torricelli ( 156 1- 1636) foi o primeiro a atrescentar urna escala numérica
Brevcl-listórindn lnstrurnentação 5

ao iustrumcnto (por esse motivo. alguns autores citam Santorio c dois (32) foram escolhidos para o ponto mais baixo. de modo
cornoinventordoprirneirotermômetro) que não haveria valores negativos nem abaixo daquele ponto
Em 1596. Galileu Galilei inventou um termômetro de água (menores medidas .:onseguidas por ele em seu laboratório. .:om
rudimentar. Esse instrumento permitiu que. pela primeira vez. umamisturadcgclo.salcágua).Algumasvczcssugcriu-se quc
variaçõesdetemperall.lrapudessemserlidas.Em 1714.Gabriel Fahrenheittcriadivididosuaescalaern IOOgrausutilizandoa
Fahrenheit inventou o primeiro termômetro de mer.:úrio. iustru- temperatura do sangue (in.:orretamente medida) e o ponto de
mcntoqucéutilizadomualmcntc congelamentodaágua,oqucnãoévcrdade
Apesar de Galileu ser aclamado por muitos autores como o Em 1731. o francês René Antoinc Ferchauld de Réamur (1683 -
inventor do primeiro termômetro. o instrumento não media a 1757) propôs uma escala de termômetro no qual o oorepresen-
tcmpcratura - apenasindkavadifcrcnças.Porissooinstru- tava o ponto de congelamento c 80° o ponto de fervura. A csea-
mento desenvolvido por Galileu de~·e ser denominado terrnos - ladeRéarnurnãoémais utilizadaatualmente
.:ópio. O pre.:un;or do termômetro é um instrumento sem esca- Em 1742. o astrônomo sueco Andcrs Cclsius ( 1701-1744) su-
la.qucapenasindicavaasdifcrençasdctcmperaturacsópodia geriu um termômetro com 100 divisões entre os pontos de con-
mostrar se a temperatura estava acima. abaixo ou igual. Não gelamento e de fervura da água. Celsius escolheu 0° para o pon-
permitia. portamo. que uma temperatura fosse reg istrada para to de fervura e too• para o pouto de congelamento. Um ano mais
futura referência. O tcrmoscópio foi largamente utilizado por tardc.ofrancêsJcanPierrcCristin(l683-1755)invcrtcuaesca-
um grupo de pesquisadores em Veneza. incluindo Galilcu. laCelsiusparaproduziraescalacentígradautilizadaatualrnen-
Até o início do século XV II. não existiam maneiras de medir te (O •c para o ponto de congelamento c 100 oc para o ponto de
ouquantifkarcalor.Santorio( l561-1636) irwcntoualguns ins- fervura). Em 1948.dccomumaeordo. aesealadctcmpcratura
trumentos: um medidor de vento. um medidor de escoomento adaptadaporCristinfoiadotadapclaConfcrencia lntcrnacional
de água. o puliilógio. c um termoscópio. o precu rsor do termô - de Pesos c Medidas. Passou a ser conhecida como escala Cclsius.
metro. Em 1612. ele aplicou pela primeira vez uma escala nu - e é utilizada atualmente
mérica ao seu termoscópio. e é considerado o inventor do ter- Em 1848. Lord William Thomson Kclvin deu sua contribui-
mômetro. O instrumento de Santorio era um termômetro de ar. ção. Desenvolveu a idcia de temperatura absoluta. a qual é eon-
Tinha baixa precisão. e os efeitos da variação da pressão atmos - sideradaasegundaleidatennodinâmiea.edcsc nvolvcuateoria
férka ainda não eram compreendidos na época dinârni.:a do calor. Em sua teoria. Kelvin propôs que a tempe-
O primeiro termômetro líquido em vidro fechado, bastante ratura de oo absoluto (O K) seria a menor temperatura possível.
conhecido awalmeme. foi produzido em 1654 por Ferdinando àqualqualquermovimenlodepartículasatômicascessaria. Kel-
11(1610-1670).duquedaTos.:ana.Seutcrmômetroerapreenchi- vindefiniuqueavariaçãode I gr.tu Kelvinseriaequivalenteà
do com álcool, c, apesar de representar um avanço significativo. variação de 1 grau Cclsius. Atualmente, o grau Kclvin é a uni -
ele não tinha boa precisão e não utilizava uma escala padrão. dadepadrãoparamedidadetempcratura.
Em 1714. Daniel Gabriel Fahrenheit (1686- 1736). cientista Si r William Thomson. bar.lo Kclvin de Largs. Lord Kelvin da
alemão. inventou o termômetro de mercúrio. A expansão do Escócia (1824-1907), estudou na Universidade de Cambridgc c
merctírio. associada a melhoramentos no vidro. levou a um in- rnaistardetornou -seprofessorde FilosofiaNaturalnaUniversi-
cremento significativo na precisão dos termômetros. Em 1724. dadc de Glasgow. Entre outros feitus seus podem-se citar a dc;;-
Fahrenheit introduziu aesealadetcmperaturaquc levaria seu cobcrta do efeito Joulc-Thomson dos gases, seu trabalho no pri-
nome. Utilizou os novos pontos fixos de temperatura para fazer meiro cabo para telégrafo transatl~ntico, a in~·cnçâo do galvanô-
um padrdo de seu novo instrumento. Fahrcnhcit dividiu os pon- metro de c;;pelho. o gravador sifão. um sistema mecânico par.t
tos de congelamento e fervura da água em 180 divisões. Trinta prcvisãodcmaréseomelhommcntodabtíssolaparanavios.
4 1.1 Introdução - - - - - - - das tolcr:ívei s p:m1 o bom andamento do sistema como um todo.
Oobjetivo docxpcrimentoditaráaprecisãonecessária.oscus-
Ao oontr.1rio do que muitas pessoas acreditam. a palavra INSTRU- tos. bem como o tempo que deve ser empregado nessa tarefa.
MENTAÇÃO significa muito mais do que sugere. Na verdade. a Uma calibrnção de um termômetro de men;úrio pode ser consi-
maioria dos cursos de instrumentação deveria ter em seu título um dernda um processo relativamente simples c que depende de
oome genérico o suficiente para relacionar a mediçOO de grande- tempo e equipamemos limitados. Por outro lado. medir a tcm-
zascmqualquerprocesso.AinstnutJCillaç11oestápresente.por pcmturadeumjatodcg;isa l60CI °Ccomprecisãoen,·olveria
exemplo, em uma instalação elétrica. na simples medida da tensão muito mais cuidados. Medições executadas por labor:noristas
elétrica de uma residência (220 V ou 110 V). Está presente no inexperientes frequentemente supõem que um expcrimelllo é
controle do sistema que está gcr.mdocssa tensão - seja, por exem- f<kil de ser exeçu tado. "ntdo de que precisam é conectar alguns
plo. na medição da velocidadedaturbinaquegirndcvidoàforça fios e ligaroinstrumentopar.l.queosdadosoomeccmaserar-
da:!guacmurnahidrclétrica.sejamrnvésdamcdiçãodaprcssiio mazcnados. Mal sabe m que um instrumento que faz pane do
do v:1por e m uma usina tennelétrica ou no controle das reações processo pode estar nwndando dados ermdos ou com nh•eis de
nucleares que ocorrem em uma usina nuclear. A medição dos pro- erros dema si11do altos. que podem comprometer todo o expcri-
cessoséq ucdetcnninaospadrõesepcnnitequc s.:jamreferen- mcmo.
ciadas ullidadcsàsdivcrsasgrnndezas. Além disso. mesmo que todos os instrumentos estejam fun~
A imponância da Instru mentação poderia ser resumida em cionando perfeitame nte. se os dados não forem tratados corre-
umafrase: ''Amediçãoéabasedoprocessoexperimental."'Sc- tamcmc. ou. ainda. se não fi1.ercm parte de um processo de co-
ja em um processo que deve ser controlado, seja em pesquisa ou leta projetado adequadamente. o experimento poderá estar per-
ctnumalinhadcproduçãodentrodeumaindústri a.oprocesso dido. Enfim. um ca uteloso planejamento dos procedimentos ex-
damediçãodegrandczasfísicasffundamental. perimentais f um ponto de extrema importância.
As técnic as experimentais têm mudado profundamente nos
últimos anos devido ao desenvolvimento de instrumentos eletrô-
nicosecontroladoresimeligentesdeprocessos. Essa tendência 4 1.2 O Método Cientifico - - - -
dcvesemamcr,c.pamatenderàdcmanda.oopcradordcveestar Paraque umcicmistn investigueosfenôme11osda nntureza. f
familiarizndocom os princípios básicos de instrumentação e as preciso que e le cot1heça os processos envolvidos. Depois de
idcias que governam o seu desenvolvimento e a sua utilização levantar todas as informações possíveis sobre o fenômeno. o
Obviamente. o conhecimento de muitos prindpios de instrumen- experiment;ldordeverámedirvari:íveisqueestàorelacionadas
tação é necessário pam realizar um experimento bem-sucedido. a esM: fenômeno. Com as infonnações colhidas. scr:i const roída
eessafarnzãopelaquala experimentaçãodcverespeitarpro- uma hipótese que segue um rnciocínio lógico e coere nt e com
ccdimentos. experimentais cri teriosos. beneficiando-se de uma a observação e a base de dados sobre o fenômeno. Veja a Fi-
bem-planejada metodologia. Ao projetar um experimento. o in- gurai. I.
divfduoprecis.ascrcap1l7.deespecificara variável físicaeco- A realização de uma medida é considerada um experimen-
nheçcr as leis da física. Depois é neçessário o projeto ou a apli- to. e os procedimentos adotados de'"e rão seguir uma meto-
cação de algum instnnnento, quando !;trá necessário o conheci- dologia. Esse método deve envolver a formação da base de
mento dessa aplicação. Por fim. para analisar os dados. o indi- conhecimentos. a realizaçâodeexperimentoscontroladose
viduo deve combinar as carnctcrísticas do processo físico que sua avaliação. É importante ressaltar que a necessidade de
está se ndo medido com as limita'fÕCS dos d:tdos coleuulos. um mé todo é importante não só para a confiabilidade da me -
Antcsdeiniciaroprocedimento.oexpcrimentalistaprecisa dida. m:ts também pa ra que ela possa ser repetida por qual-
conhecer o processo. bem como estimar as incertezas das medi - quer pessoa.
Conceitosde lnstrumentação 7

4 1.3 Grandezas Físicas - - - - -


Asgmndezasfísicassàoasvariáveisouquantidadesqueseriio
rncdidas.Siiosinônirnasasexprcssõcsvariávcldc medida. variá~
vel de instrumentação e variável de processo. Essas variáveis
podem ser os objetivos diretos ou indiretos de urna determinada
medida. Um exemplo de medida indireta é a detecção da de for~
mação mccãnica causada por uma força. quando o objetivo é
dcterminar aintensidadedaforçaaplicada
Segundo o Vocabulário Internacional de Tennos Fundamentais
c Gerais de Metrologia (V IM )'. grand eza é dclinida como: " Pro-
priedadcdeumfcnômcno,de urncoJVOOUdeu masubstànciaque
se !X'de exprcssarquantitativamente sob a fonna de um número e
de uma referência." O ,·alor de uma gr.J.ndcza represen ta a "ex-
pressiioquantitativadeumagrandezaespccífica,geralrnentcsob
a fonna de uma unidade multiplicada por um número".
Essas variáveis !X'dem ser classificadas em re lação a suas
caracteristicasfísicasconforrneTabcla 1.1.
O método para executar a medição de uma dctcnninada gran-
dezaébastantevariáveledependedefatorescomo:custos.pos-

'Documento produzido fl"loJCGM (Joim Cmnmilru focO~<itluin Mnrology),


o qual t fonna<lo por organiz.açÕ<'S ron>o
lliPM - IJ1<r<au lm~ nwiÜIIUll du Pt>id>
t'1Mr.<uff.<. tEC - Imrmaritmal Elt!Cimuciln ica/ C<muni.uitm. IFCC - ll!t~m"·
rional Fedaarion o/Ciürirol Chrmi.<lry <llull.<r/>oralol)' Mediân~. ILAC - In ·
l~marr'onal fn/>oraiOI)' Arrmlimtion CooMmlion. ISO - /nternmional OT}Ja ·
ni:;mion for Smn,/allfi;ntion. IUPAC - lm.,matiorw/ Union of Pu"' a11d App/r'"d
Chemistr-y, IUPAP - lrrtemmiona/ Union ofPu"' and Applie1/ PJ.ysics c OIML
Figura 1.1 Pmcedimentn genérico de método científico -/nternmiona/OT}Janr'zntionofUga/Metro/ogy

Tabela 1.1 Classificação das variáveis por características físicas


Exemplos

Variáuistérmiws - relacionadaãcondiçãoouãcaracterísticado Tempcratura,tcmpcraturadiferencial.calorespcdfico,entropiae


material. Dcpcndcdacncrgiaténnicadomatcrial. cntalpia
\'ÍJriá;·ei;· demdiaçiia - rclacionadasàcmissi\o,propagação,rcflcxi\o Radiaçãonuclcar. Radiaçãocletromagnélica:(infrai'Crmdho,luz
eabsorçãodecncrgiaatravésdoespaçooumravésdemaleriais visível.uhraviolcta).RaiosX.raioscósmicoseradiaçiiogama.
Emissãn. absorçàocpmpagaçãocorpuso::ular. Variáveisfmométrkascvariáveisacústkas

Variá;·eisdefarÇil - relacionadas à alteração de repou~oou de Peso,forçatotal.mnmentndctorque,tens;iomecânica.forçaJX>r


movimento dos corpos unidadcdeárea,pressâo,pressâodiferencialevácuo

Taxa de mriáwis - relacionadas à taxa com que um corpo ou uma Vazâodcumdctcrrninadofluido,fluxodcmassa,acclcração.


\'ariál·clmedidascafastaouscaproximadeumdcterrninadoponto frcquéncia.vclocidadclinear.vcloc idadcangularevibraçilo
dcreferênciaouàlaxaderepcliçàodeumdeterminadoevento.O
tempo é >empre um componente da medida de taxas

Variáwisdeqlumrülmle - relacionadasàsquantidadesdematerial Massa e peso a uma gravidade local. Vazão integrada num tempo,
existentedentrodelimitesespccfficosouqucpassasobreumponto volumc,espessuraemolsdcmaterial.
numdctcnnioadopcríodo

\'ari<h·eis depropriedadesfísicas - relacionadasàspropricdades Densidade,umidade,viscosidade,consisténcia,caract{'TÍSticas


fhica_,dematcriais(excetopropriedadesrelocionadasàmassaou estrutumiscomodu<'libilidade,dureza.plasti<·idade.
composição química)

Variá>"<'isd.,comt>asiçlloqufmim - relacionadasàspropriedades Medidas quantitativas de CO,, CO. H,S. NO,. S. SO,. C, H,, Cll 4 , pll,
químicaseàanális.cdcsubstãncias. quahdadedoareváriossol•·cntescqufmicos,entreoutros.

\'Ílfiá;·ei;·c/élricllS - rclacionadasàsvariaçõcsdcparlmctros Tcnsâo,correntc.resistência.coodutãncia.indmftncia.capacitftncia.


elétricos impedância
8 CapítuloUm

sibilidades físicas. incerteza. tempo. entre outros fatores. Deve- conccntrou-senaconstruçãodcnovospmtótiposparaospadrões


sedeixarelaroqueeadaprocessotemsuaspeçuliatidadeseque metro e quilograma como unidades básicas de comprimento e
aspectos econômicos bem como o tempo envolvido na medição massa. Em 1889. a Conferência Gemi de Pesos e Medidas (CG PM)
são secundários quando o objetivo é coletar dados confiáveis. sancionouessespmtótipos. Juntamcntccomo>cgundo.cssasuni-
ldealmcnte.busea-seo ,·alo r ,·erdadeiro (deumagrandeza). dades constituíram um sistema similar ao CGS. tendo. porém.
ou. conforme o VIM. o valor compath·el com a definição de como unidades básicas o metro. o quilograma c o segundo.
umadadagrandezaespeçílíea.Éumvalorqueseriaobtidopor Em 1901, Giorgi mostrou que é possível combinar as unidades
uma medição perfeita. e. portanto. valores verdadeiros são. por desse sistema (metro. quilograma. segundo) com as unidades elé-
natureza. indeterminados. Entretanto. pode-se utilizar o \'aior tricas para formar um sistema simples e coerente de quatro uni -
conve ncional, o qual eo11siste 110 valor atribuído a uma grande- dades.eaquartaunidadeseriadenaturc7.aelétrica,comooohm
za por acordo para uma dada finalidade ouoampCre.possibilitandoqueasequaçôesdoele1romngnetismo
Em um determi11ado locaL o valor atribuído a uma gr.mdeza. pudessem ser reescritas de forma r.tcionalizada. A proposta de
por meio de um padrJo de referência, pode ser tomado como um Giorgiabriuocaminhoparaumgrandenúmerodenovosdescn-
valor verdadeiro convencionaL Por exemplo. o CODATA' ( 1986) volvimentosnaáreadaeiêneiaexpetirnental
recomendou o valor para a constante de Avogad ru como Atendendo a uma solicitação internacional em 1948. a CGPM.
6,0221367 X IQllmol ' .Ovalorvcrdadeimcom·enciollaléàs em 1954.aprovouainclusãodoampCre.dokclvincdacandela
vezesdenominadovalordesignado.mclhorestimativadovalor. comounidadesb;isícasdecorremeelétrica.temperaturatermo-
valorconvencionalouvalordereferência.Frequentemente. um dinàmicaeintensidadedeluminosidade,respectivamentc.Ono-
grandenúmeroderesultadosdemediçõesdeumagrandezaé me do Sistema Internacional de Unidades (SI} foi adotado em
ulilizadopamestabelecerum va lorverdadeiroeonvencional. l960.eem 1971 a versàontualdoS I foicompletadandicionan-
do o moi para a unidade de quantidade de matéria. Dessa forma.
onúmcrototaldeunidadesbásicasésete
41 1.4 Unidades de Medida- - - - As unidades consistem em bases que têm por função tomar
A criação do sistema métrico decimal na época da Revolução univcr:saisosresultadosdemcdidasrealizadascmqualqucrpar-
Francesaetambémactiaçãodedoispadrõesdeplatinaparaa tcdomundo. Sem urna padronização de unidades. o comércio
unidade do metrocdoquilogr.tmaem 22 dejunhodc 1799 cons- deprodutosseriaumverdadeirocaos.
tituíram o primeiro passo para o desenvolvimento do Sistema O Sistema Internacional de Unidades (S I) é adotado na maio-
Internacional de Unidades atual. riadospaíses.apesardeemalgunslugaresaindaexistircmdifi -
Em 1832. Gauss promoveu a aplicação do sistema métrico. culdadcs de implantação como. por exemplo. nos EUA. onde
sustentandoqucesseseriaumsistemaconsistenteparaaapliea- ainda utiliza-se o pé (ft) como unidade de comprimento c a libra
ç5o nas ciências físicas. Gauss foi o primeiro a fazer medidas comounidadedeforça
absolutas da força magnética da Terra com base no sistema mé- A Tabela l.2mostraasunidadesfundamentaisdoSI.
trico. As unidades milímetros. gramas e segundo foram utilizadas Todas as demais unidades de medida podem ser determinadas
para as grandezas de comprimento. massa e tempo. respectiva- emfunçàodessasunidadesbásicas.
mente. Alg uns anos mais tarde. Gauss e Weberestenderam essas As unidad es de medidas são. ponanto.grandezasespeçífi-
medidasparaineluirofcnômenoelétrico. cas. definidas c adotadas por convenção. com as quais outras
Essas aplicações no campo da eletricidade e eletromagne- grandezasdemesmanaturezasãocompamdasparaexpressar
tismo foram bastante desenvolvidas na década de 1860. com suasmagnitudesemrelaçãoàquelagrandeza.Essasunidadcs
Maxwell e Thontson liderando a Associação Britânica para o têm nomes c símbolos aceitos por convenção.
Avanço da Ciência (BAAS). Formularam um requerimento pam A mcdiçiio consisteemumconjun1odeopemçõesquetêmpor
umsistemadeunidadcscocrcntccomunidadcsbásicascdcri- objetivo detern1inar um valor de uma gr.tndcza. e a metmlogia é
vadas. Em 1874 a BAAS introduziu o CGS. um sistema de uni - a ciência da medição. A metrologia abrange todos os aspcçtos tcó-
dades baseado em três unidades: centímetro. grama e segundo. ricosepn'iticosrelativosàsmcdições.qualquerquesejaaincer-
utilizando prefixos variando em uma faixa de miem (10- 6) a tcza.emquaisquercamposdaciénciaoudatccnologia
mega ( l<t) pam expressar submúltiplos e múltiplos decimais. O
desenvolvimento seguinte da física como uma ciência experi-
mental foibascadoncsscsistcma Tabela 1.2 Unidades fundamentais do SI
As dimensões do sistema de unidades CGS nos campos de ele-
tricidade e magnetismo provaram ser inconvenientes. Assim. na
década de 1880. a BAAS c o comitê da Comissão Internacional de Comprimento
<egundo Tempo
Eletticidade(IEC)aprovamm um conjunto de unidndespr;iticas.
Entre elas. estavam o ohm. o volt e o ampere para a resistência elé-
trica,atensãoelétricacacorrenteelétrica.respeçtivamentc
quilograma ,,
ampCre
Depois do estabelecimento da convenção do metro. em 20 de
~elvin Temperaturatermodin:1mica
maio de 1875. o Comité Internacional de Pesos e Medidas (CIPM)
"ml Quantidade de matéria mo!

' CODATA - Commillee "" Dm" for Scie11ce ~"'/ Teclmology


Conceitosde lnstrurnentação 9

Para efetuar um01 boa medição, é necessário o conhecimento bioclétricos. biomagnéticos. bioquímicas. biomccânicos. bioa-
do(s) fenômcno(s) físico(s). Em outras palavras. o experimenta- cústicos e bi()-ópticos) a C\"entos biológicos caracterizados por
lista necessitadas basescientílieas relacionadas aessesfenô- ati\'i dadcsdcnaturel..aelétrica.químicaoumccãnica
menos físicos. como. por exemplo: No COTJXI humano sào c:n<:ontr.Jdos os sensorcs (denominados
nessa área de receptores) para os nossos sentidos de ' 'islo. au -
4 o efeito temKK:létrico. utilizado para a nlCdição da tempcra-
dição.mto.olfatoepaladar.
llira:
Os olhos slo senSOfl"s naturais de: \'isào constituídos pores-
4 o efeito Josephsoo. utili7..ado para a medição da diferença de
truturascomplcxas.os quai s.emtemlOs deresolução.faixadi -
potencial elétrico:
nâmica. controle autom:ltico de: foco, controle automático de
I o efei to Doppler. uti lillldo para a medição da \'e locidade:
entrad.a de lul, abertura angular e eficiência de operação em di-
I o efeito Rmnan. utili7..ado para medição do número de ondas
\"ersostiposdcambicntcs. superamqualquersensoreletrônico
das\'ibruções molecularcs:en treoutros.
de lu;o; disponf\'c l atualmente. Os receptores especializados. po-
Os mé todos de llll>dh;iio consistem nas descrições genéricas sicionados na retina. são os bastonetes e os cones que desenvol -
de sequências lógicas de operações adotadas na execução das vem pote nciais gcmdorcs e as células ganglionares iniciam os
medições. c o llroCl>dime nlo de m t>d içâo é uma descrição de- impulsos ncr\"osos cn\'ii!dOS através da retina ao nervo óptico.
talhada de um01 medição de acordo com um ou mais pri ncípios ao q u ia~ma óptico. ao trato óptico. ao tá larno e à área visual no
de mediçUo e com um d;tdo método de med ição. baseada em um córtex cercbr;tl do lobooccipital.
modelo de med ição e inc luindo qualquer cálculo para se obte r Osom éumaoscilnçãodepressilo(noar.iigunououtromeio)
um resultado de medição. Um procedimemo de medição é usu- O ouvido hu mano é um poderoso scnsordc som que possui uma
ahnc nteregistntdoemurndoc umento.quea lgumasvezeséde- f~ i xa de nproxirnadmncmc 20 Hz a 20000 l·lz. As ondas sono ras
nomi nado procedime nto de medição (ou método de medição) c pe netram no mcato acústico externo c atingem a membrana do
que nonnalmcntc tem detalhes suficientes para permitir que um límp:tnu (com área ~proxim:tdamcntc circu lar de 50 a 90 mm'
operadorcxt><:utcamediçUosem informações adicionais. com 0.1 rnrn de espessunt. Essa mcmbmna é capaz de detectar
Os métodos de medição podem ser qualificados de várias um des locamento mfn irno de 10 1 mm). Após a passagem da
maneiras. corno. por exemplo. método por substituição. método onda sonom pelo tímpano, ela tr:tfega por diversas estruturas
d iferencial. método ""de zero"" entre outros. especializadas(ossfculos.janeladovestíbulo. membrana vesti -
O objeto da medição é a grandeza cspedfica submetida a es- bular. rampa do tímpano) até atingir a membrana espiral basilar
sa medição, e é denomi nado me nsura ndo. A especificação de e por consequência estimu lar os cílios tlO órgilo espiral. Após.
um mensurando pode requerer informações de outr.1s grandezas um impulso ner.'QSO é iniciado. Apenas como observação. essa
como tempo. temperatura ou pressão. As grandc1..as que afetam estrutum denominada orelha tam!Xm está diretamente relaci()-
o resultado da ntediçilo do mensurando slo denominadas gran- nada ao equ ilíbrio estático e dinâmico do corpo humano. Os
dezas de inOuência. Por exemplo: órgãos receptare.~ do equi líbrio (chamados de aparelho vestibu-
I a tcmperaturd de um micrômetro usado na medição de um lar)estàoposicionadosnaorelhaintema.
comprimento: Para mais detalhes sobre rufdo acústico e seu impacto na au-
I afrequêncianantediçliodaamplitudedeumadiferençade dição. ' "crificilr o Capftulo 15 do Volume 2 desta obrn.
potencial em corrente altcm:•da: Asscnsaçõescutâneassàoclassificad1semsensa~ láte is
I a concentração de bilirrubina na medição da concentração de (tato c prcssi"io) e se ns:•~ té rmicas (sentido de frio c calor).
hemoglobina em uma amostra de plasma sanguíneo huma~ EssasscnsaçõcssUooblidasatr.n-ésdosreceptorescutâneos(den-
dritosdencurôniossensitivosquetransmitemcsscssinaisaocór-
tcx ccrebml do lobo paricnt<1l) distribuídos em regiões do corpo
Frcqucntcmcntedá-seonomcdcsinuldemediçâo àgran-
humano. como, por exemplo, ápice da língua. lábios. extremidade
dezaqucreprcscn taomcns urandoaoq ual estáfuncionalmentc
dosdcdos, palm a~damiio.p l :rntasdopé.entreoutrasregiõcs den­
re lacionada. como por exemp lo o sinal de saída elétrico de um
samcnte povood ~s por esses receptores especializados
transdu torde prcss~o.
Cabe observar que grande área do c6r1ex cerebral é destinada ao
proccssarncntodcsinaisdcsensoreamcntoprescntcsna~ pontas dos

t 1.5 Definições e Conceitos - - - dedosenosl:lbios.Scnsibilidadcpar~te m pemt uraeforrnasfísicas


dcobjctossãocxcmplosdesinaisdcsaídadcssesscnsores.
Nesta seção silo apresentados corn.:eitos relacionados à instru- A sensação ou camcteri1.:.u;ão do ulfatu ou odor é devida aos
mentação em gemi. Esses conceitos podem ser relativos a ins- receptores especial i U~dos localizados na porçilo superior da ca-
trumentos de medi das comuns ou a sistemas complexos. encon- vidade do nariz. ou seja. neurônios especializados com dcndritos
tmdos em ambientes específicos de controle de processos. em uma extremidade. Esse dendrito é interligado a cílios olfató-
riosque reagem aos odores doare. porconsequência. est imulam
4 1.5.1 Sensores e transdutores - - os receptores olfatórios que sikl os responsá\·eis por transmitir
os impulsos ao nervo olfmório, oo bulbo olfatório. ao tmto olfa-
Sensores naturais tóriocàáreaolfatória nocór1cx cerebral.
São os .sensores cncontmdos em organismos vivos e que geral- O palada r. ou sensi bilidade gustmória. é devido aos recep-
mente respondem na fonna de biossinais (div ididos em sinais tores gustatórios loca lizados nos calículos gustatórios. Esses ca-
10 Capf!uloUm

lículos (locali7..adosnaselcvaçõesdalínguadcnominadaspapilas) Segundo o VIM. transduto r dt' med ida é um dispositi\·o


comêm os receptores gustatórios c os pelos gustmório que estão utili7.ado em medições que fornece uma grandeza de salda que
em comato com a s uperfície da língua amwé.~ de uma abertura tem uma correlação especifica com a grandeza de e ntrada. Po -
denominada poro gu>tatório (nome dado à abertura nos calículos de- se citar como exemplos: tennopar. transformador de cor-
gust:uórios).Essesreceptoressósãoestimuladosquandoassubs- rcnte.extensômetroderesistênciaelétrica(straill-gtwgl').ele-
tânciasestilodissolvidasnasaliva.pennitindoassimapenelr<~çãu !rodo de pH. entre outros (para mais detalhes sobre esses sen-
das:tliva nosporosgustatórios.Aocoutatodasubstància,dis- sorcs. veja os demais capítulos de ste Volume c o Volume 2
solvida na saliva. com os pelos gustatórios. ocorre um potencial desta obra).
ger.~dor e, por conscquêocia. um impulso nervoso que é cond u- Segundo o VIM. se nsor é um elemento de um sistema de
zido aos nervos cranianos. medula oblonga (bulbo). tálamo e medição que é diretmnente afetado por um fenômeno. corpo ou
área gustatória primária no cónex cerebral do lobo parietal. subst!incia que contém a grandeza a ser medida. Podem-se citar
como exemplos: o elemento de platina de um termômetro do
Sensores industriais tipo RTD. rolor de on1a turbina para medir vazão, !Ubo de Bour-
don de um manômetro. boi a de um instrumento de medição de
Em dispositivos para medição de vari áveis ffsicas em siste mas nfve l, fotocélula de um espectrofotômctro. entre outros. Em al -
genéricos. a infonnação. em geral. também é trnnsmitida e pro- guns campos de aplicaçiío é usado o lt! rmo dcii'("!Or para esse
cessada na forma elétrica
Qualquersensoré um conversor de energia. Ni'lo importa o que Detector éutndispositivoou subst!inciaquc indica a pre-
tentamtosmcdir.semprehaver.ítrJnsferênciadcencrgiaentreo sença de urnfcnômenoscmprequc um limi 3rdc mobilidade
objeto medido e o scnsor. O processo de scnsoreamc nto é um ca- dcumagr3ndczaécxccdido.semncccssariamcntcfornccerum
so particular de transmissão de infonnação, com transferência de valor de uma grandeza associada. Pode-se citareorno exemplos:
energia. Essa energia pode fluir para ambos os sentidos (do obje- detcctordcvazamentodehalogênio.papel tornassol.entreou-
to para o sensor ou do sensor para o objeto). e esse fato reflete-se tros. Uma indicaçiío pode ser obtida somcme quando o \"alor
oo sinal de safda. que pode ser positi\·o ou negati\"Q. da grandeza atinge um dado limite. denominado limite de de-
O tra nsd utor é um disposi ti,·o que converte um sinal de uma tecção do detector.
forma física para um si nal correspondente de outra forma física. É importante classificar os sensorcs segundo algum critério
Ponanto. também se trata de um coo,·ersor de energia. De fato. parnquescjapossfvelestudá-losdeformamaisorganizada.Con-
é impor1ante certificar-se de que o sistema a ser medido não é siderando a necessidade de uma fonte de alimcmaçllo. os senso-
pcnurbado pelo processo de medida. Na maioria das vezes. ape- rcssãoclassificadoscm passivosouativos.
sar de o transdutor alterar o processo. essa ~theraçilo é conside~ Umsc nsor p:lssim nàoncccssitadecnergiaadicioualcgera
radainsignificantc.dadaaeseulhaadcquad:1domesmo umsinalclétricocmrcspostaaumcMímuloextcrno. isto é, o
Ap:tl:wr.L"'tra nsdutor""implicaqueasquamidudesdeentrada cstímulodccntmdaéconvcnidopcloscnsorcmurnsinaldcsaida.
c salda ni"lo são do mesmo tipo. A di stinção entre transdutor de Nos sensores passivos. a potência de safda tem origem na entra~
cntrada(sinalfisicolsinalclétrico)clmnsdutordcsalda(sinalclé- da. Tcnnopares e sensores piezoelétricos são exemplos de SC II-
lricollliJI'/ayouatuador)éutilizadaalgumasve7.es.Ostransduto- sorespassivos.
resdccuuadasàoutilizadosparadctectarsinais.eoquaotoostrans- Os se nsores ath·os requerem uma fonte de energia cxtcma
tlutores de saída são utilizados para gerar movimcmos mecânicos para soa operação. o qual é chamado de sinal de excitação. Esse
ou executar uma ação. c nesse caso são denominados a!uadores. si nal é modificado pelo seosor para produzir o sinal de saída
Um atuador pode ser descrito como um dispositivo com a função Sensores ativos lldicionam energia ao ambiente de medida como
invcr.;adeumsensor;gcraln\Cntcconvcnerncncrgiaelétricacm panedoprocessodemcdição.
outra fonna de energia. Por exemplo, um motor cooverte energia Nos sensores ativos. a maior p3rte da potência de saída
elétrica em energia mecânica. Outro exemplo interessante a ser vcrndcumafontcauxiliar.Aentradaapcnascontrolaasaida.
citado é ocaso do efei to piezoclétrico. uma vez que esses materiais Os sc nsorc s ativos silo ils vezes cham:tdos de paramétrieos
possucm:tplicaçõcscomotransdutorcsdesaidacdccntmda(vc- devido iis s uas propriedad es de mud;mça de rcsposw a um
ja o Capítulo 8 do Volume 2 desta obra). efeito externo. c essas propriedades podem ser subseque me-
Ostennos sensoresc transdutores sãodcfi nidosporvários
rnentc convertidas em sinais elétricos. Pode-se dize r que um
autores dt fom1a diferente. e essa é uma questão que ainda pre-
par!imelro do senso r modula o sinal de excitação c essa mo-
cisa de unifom1idade. Instituições corno o NIST (Nmimral lns-
dulação transporta informação do va lor medido. Por exemplo.
tillflt- of Stmulanl a11d Tuh11ology) e o BIPM (811rea11 flllt'ma-
o tcnnistor é um rc sistor sensor de temperawra. Fazendo
tiomrl dt's Poit/s t'l Mt's!lres), entre outras. possuem entre sua.~
passar uma corrente poorelc(sioal dee xci taçllo), soa resis-
funçôesllatividadedcnonnali7.açãoeunifomlizaçilodcprocc-
tência pode se r medida monitorando-se as variações de cor-
dimcniOS c tcnnos relacionados a ntedidas de fonna gemi. Nes-
rente ou tcn silo nesse tcrmistor. Essas variações (apresentadas
se sentido. silo gemdos documemos com o intuito de servirem
em ohms. neste exemplo) relacionam-se dire tamente a tem -
comorefcrênciaoomundointeiro.•
peratura ~ttravés de funções conhecidas dcuominada s funções
de transferência. Outro exe mplo de um scnsor ativo é um
• Ne.l!~ obn. op~oo-se por adolaras defmiç&sdo Vocallul:!rio lntrmocional de cxlcnsômctro de resistência elétrica cuja variaçiíodc rcsis-
terniO\Ig<:r•isefundan~en~aisdeMetrologia(VIM).porsuain>ponâociarabran
~oct~.eaindaporoc,..,ditannosq~>r~necrss.irioquc<ISr""."nosconrriLos.._
tênciac stádire tamenterelacionadacomavariação dedefor-
jamodoca<k:>snasdife"'ntr<átea<elug=s. mação mecânica. Para medir a resistência de um seosor, uma
Conceitosdelnstrumentação 11

correnteelétrica(ou tensão)deveseraplicada por uma fon - A Figura 1.3 mostm a.~ fotos de um encoder e de uma célula
te externa. de carga
Em relação à saída. os sensores podem ser analógicos ou di-
gitais. Em sensorcs com saída analógica, ela é contínua no tem -
ti 1.5.2 Instrumento de medição - -
po. A infonnação é geralmente obtida da variação da amplitude
ou magnitude. Sensores com saída no domínio do tempo são Conforme o VIM. instrumento de medição consiste em
geralmente considerados analógicos. Scn.~orcs nos quais a saída um dis positivo ut ilizado para realizar as medições. indivi-
é uma frequência variável s5o denominados quase digitais por- dualmente ou em conjunto com di spositivo(s) complemen-
queémuitofácilobterumasaídadigitalapartirdeles(contando tar(es).
pulsos determinado tempo). A saída de um sensor digital assume Um instrumento de medição pode ser um sistema mecânico.
a forma de passos discretos ou estados. Sensorcsdigitais não eletromecânico ou eletrônico que integra um ou mais sensorcs
requercmumconversoranalógico digitalesuasaídaémaisfácil e/ou um ou mais transdutores a dispositivos com fun'<ões espe-
detransmitirqucsensorcsanalógicos. Saídasdigitaissãotam- cílicasdeprocessamentodedeterminadavariável
bémgeralmentemaisrepetitivaseeonfiáveis. Exemplosdeinstrumenws·
Considerando o mod o de ope ração. os sensorcs são geral-
Paquímnro: instrumento utilizado pnrn medições dimensi~r
mente classificados em: se nso res de den exão ou de ponto nu-
nais.
lo (ou ponto de zero). Nos sensores de deflexão. as quantidades
Amperímetro: instrumento utili~.ado para medições de cor-
medidas produzem um efeito físico que gera em alguma parte
rentes elétricas
do instrumento um efeito similar, mas oposto ao qual érclaci~r
Termômnro: instrumento utilizado para medições de tempe-
nado. Por exemplo. em um dinamômetro a força é medida pela
raturas.
deflexàodamola.quesemoveatéalcançaropontodeequilíbrio
Medidor de pH: instrumento utilizado pnra carncterização da
Odeslocarnentodessa rnolaéproporcionalàforçaaplicada
acidez,akalinidadeeneutmlidadedesoluções.
Sensores de ponto nulo tentam prever a de flexão do ponto de
zero aplicando um efeito conhecido que se opõe à quantidade A Figum 1.4 mm;tra a foto de um paquímetro e um ternlôme-
queestásendornedida. Existem umdeteetordedesbalançoe <m
algum meio para restabelecer esse balanço. Em uma balança de Os instrumentos podem npresentar um mostrador ou in-
pratos, por exemplo. a colocaçiio de uma massa provoca o dese - dicador. A indicação de um instrumento pode ser analógica
quilíbrio. Énecessárioentãocolocarum peso conhecido cali - (contínua ou descontínua) ou digital. O instrumento de me-
brado no outro prato para buscar o equilíbrio novamente e se dição é denominado analógico quando o sinal de saída ou a
obteramedida.Osistemadcmedidascompontonuloouneutro indicaçiioéumafunçãocontínuadomcnsurandooudosinal
é geralmente mais repetitivo porque o efeito oposto conhecido deentrada.Oinstrumentodemediçãoédenominadodigital
pode ser calibrado contra um padrão de alta qualidade. quandoforneceumsinaldesaídaouumaindicaçãoemfor-
A Figura 1.2 mostra uma fotografia de um termopar e exten- ma digital. Os termos "analógico" e "digital"" siio relativos
sômetrodercsistênciaelétrica àformadeapresentaçãodosinal de sa(daoudaindicaçãoe

1•1 (~

Figura 1.2 (lt)TermopartipoKe(b)extensôtnetrodcrcsistênciaelétrica


12 Capítulo Um

Figura 1.3 (a).(b)EIIcO<lere(c).(d)eéluladeearga

Figura 1.4 (a) Paquímetro e (b) termômetro


Conceitosdclnstrumemação 13

não ao princípio de funcionamento do instrumento. O ins- O instrumento de medição é denominado totalizadorquando


trumento de medição ainda pode fornecer um reg istro da detemlinaovalordomensurando.pormeiodasomadosvalores
indica{fàO analóg ico (linha contínua ou descontínua) ou di- parciais dessa grandeza. obtidos. simultânea ou consecutivamen-
gital. te,de umaoumais fomes

e

Exemplos-------------------------
Plataforma ferroviária de pesagem totalizadora
e Medidor totalizador de potência elétrica

Também pode ser denominado instrumento de medição inte- as marcas menores. A linha pode ser real ou imaginária. curva
grador quando determina o valor de um mens umndo por inte- ou reta. O comprimento da escala é expresso em unidades de
gração de urna grandeza em função de urna outra. como por comprimeuto. qualquer que seja a unidade do mensurando ou a
exemplonocasodeummedidordeenergiaelétrica unidademarcadasobreaescala.
A pane do instrumento de medição que apresenta uma indicação A faixa de indicação consiste no conjunto de valores limitados
é denominada dispositivo mostrador ou indicador. Esse tenno pelas indicações extremas arredoudldas ou aproximad'lS. obtidas
pode incluir o dispositim no qual é apresentado ou alocado o valor com um posicionamento p;uticular dos controles de um instrumen-
de uma medida materializada. O conceito de m1.•dida materiali- to de medição ou sistema de medição. Para um mostrador analógico.
z.adaéatribufdoaumdispositivodes1inadoareproduziroufomeccr. podeserchamadodefaixadeescala.Afaixadeindicaçãoécxpres-
de m;meira permanentedur.mte seu uso. um ou m;ús valores wnhe- sanas unidades marcada.~ no mostrador. indeperxlentementeda uni-
cidos de uma dada gmnde1...a de um ou mais tipos. como uma mas- dade do rncnsur.llldo, e é nonnalmcnte estabelecida em tcnnos dos
sa: urna medida de volume (de um ou vários valores. com ou sem seus limites inferior e superior. por exemplo: 100 °( a 200 °C.
escala): um rcsistor elétrico padrJo: um bloco padr.lo: um ger.tdor Apartedeumaescalacompreendidaentrcduasmarca;;su-
desinalpadrJo:ouumrnaterialdercfcrência,cntreoutros. cessivasquaisqucrsedcnomina di visãode escala,eadistância
Um dispositivo most rado r a nalógico fornece uma "'indicação entre duas marcas sucessivas qua isquer. medidaaolongoda li-
analógica"". enquanto um dispositivo indicador di gital fornece nha do comprimento de escala. é o comprimento de uma divisão
uma ""indicação digital"". É denominada indicação semidigital a A diferença entre os valorcsdaescalacorrespondentesaduas
formadeapresentação.tantopormeiodcumindicadordigital marcassucessivaséconhecidacomovalordeumadivisão.
no qual o dígito menos significativo se move cominuamente. A escala na qual o comprimento de uma divisão está relacio-
permitindo a intcrpolação.quantopormeiodeurn indicador di- nado com o valor de uma divisão correspondente IX'r um coefi-
gital. complementado por uma escala e índice. ciente de proporcionalidade constante é denominada escala li-
A pane fixa ou móvel de um dispositivo mostmdor. cuja po- near. Uma escala linear cujos valores de uma divisão são cons-
sição em relação às marcas de escala permite detcm1inar um tantes é denominada ··escalarcgular··
valor indicado. é denominada índice. Por exemplo: ponteiro. Em uma escala n~o linear, cada comprimento de uma divisão
ponto luminoso. superfície de um líquido. pena de registrador. estárclacionadocomovalordeumadivisãocorrcspondentepor
A escala do instrumento consiste no conjunto ordenado de um coeficiente de proporcionalidade. que o~o é constante ao
marcas.associadoaqualquernumera{fào.quefazpartedeum longo da escala. Algumas escalas não lineares possuem nomes
dispositivo mostrador de um instrumento de medição. Cada mar- especiais. como ··escala logarítmica"'. "'escala quadrática"". A Fi-
ca é denominada marca de escala. Para uma dada escala. o com- gura 1.5 mostra dois gráficos com a mesma indicação e a escala
primento da escala é o comprimento da linha compreendida en- doeixodasabscissasdiferente.Nográli<.:o 1.5(ll),aescalaéli-
tre a primeira e a última marca. passando pelo centro de todas near,e nográfico I.S(b)élogarítmico.

/
I
/
Figura1.5 (u)Eixo
das abscissas linear e
(b)eixodasab-;ciss.as
I'i (~ logarítmico
14 CapítuloUm

GEJ
fato.comojáfnicitado,ovalorverdadeirode uma
00
mcdiçãoépornaturezaindctcrminado.umavczquc
elesomentescriaobtidoporumamediçãoperfeita
' As imperfeições das medições dão origem aos

t erros. Pormenores que sejam. os erros semprees-


tarJ.o presentes em procedimentos experimentais. Da
mesma mancim que o valor verdadeiro. é impossível
dcterminarumcrroexatamcntc,sendoessc.ponan-
to,urnconceitoidealizado
Segundo o VIM. o erro de medição é a diferen-
ça entre o valor medido de uma grandeza e um va-
lor dereferência.Quandoe:l:isteumúnicovalorde
rcfcrênc ia.oqueocorrcscmprcqucumacalibração
é realizada por meio de um padrão com um valor
medidoecomincertezademediçãodesprezíve].ou
ainda se um valor convencional é fornecido. é pos-
sível conhecer o erro de medição. Caso se suponha
Figura 1.6 E~ernplodaestruturadeurn instrumento de medição típico que um mensurando é representado por um único
valor verdadeiro ou umconjuntodevalorcsvcrda-
dcirosdefaixadesprezível,oerrodcmediçãoédesconhecido
Quando o valor verdadeiro não pode ser determinado. utiliza-
No termômetro clínico. a fai~a de indicação não inclui o va- se, na prática. um valor verdadeiro convencional. Quando for
lor zero. Nesse caso a escala é denominada escala com zero su- necessário distinguir"erro"de ··erro relativo", o primeiro é
primido.Escalasnasquaispartedafaixadeindicaçãoocupaum também denominado erro absoluto da medição. Esse termo nào
comprimento da escala que é desproporcionalmente maior do deve ser confundido com valor absoluto do erro, que é o mó-
qucoutraspancssãodcnominadascscalascxpandidas. dulo do erro
Outro termo muito utilizado em instrumentação é condicio- O Guia Eurochem'/C lTAC' "Determinando a Incerteza nas
nador de sinais. dispositivo que converte a saída do scnsor ou Medições Analíticas" (2002 - versão brasileim 2• ed.) afirma
transdutor em um sinal elétrico apropriado para o dispositivo de que o erro é constituído por dois componentes principais. de no-
apresentação ou controle. O condicionador de sinal é um termo minadosaleatórioe sistemático.
genérico que pode ser composto por filtros. amplificadores. fon- O ermaleatório consistcno resultadodeumamediçãome-
tes de tensão e/ou corrente. entre outros. A Figura 1.6 mostra um nos a média que resultaria de um infinito número de medições
es.:1uema típico de um instrumento de medição contendo um domesmomensurandoefetuadassobcondi\'õesderepetitivida-
scnsor. umcondicionadordesinaiseum mostrador ou visuali- de. Erro aleatório é igual ao erro menos o erro sistemático. Uma
zador. Nessa estrutura. pode-se observar também que é possível vez que apenas um número finito de medições pode ser feito. é
adicionar funçõesespecíficas.principalmentesenocondióona- possível apenas determinar uma estimativa do erro aleatório.
mcnto existir um sistema digital. como um microcontrolador. Esseégcralmcnteoriginadoporvariaçõcsimprcvisívcisdcgran-
Por exemplo. é possível disponibilizar uma saída com a análise dezasqueinfluemnorcsultadodamedição. Esscsefeitosalea-
no domínio frequência (FFT do sinal de entrada). tóriosdãoorigemavariaçôel;emobscrvaçôel;repctidasdomen-
sumndo. Em bom esse erro não possa ser eliminado. ele pode ser
41 1.5.2.1 Características de instrumentos reduzido aumentando-se o número de observações ou ensaios.
O erro sistemático éamédiaqueresuharia deuminfinito
de medição - - - - - - - - - - número de medições do mesmo mensurando. efetuadas sob con-
Algunsdostem\Osutilizadosparadescreverascaracteristicas dições derepetitividade. menos ovalorverdadeirodomensu-
de um instrumento de medição são igualmente aplicáveis a dis- rando. Erro sistemático é igual ao erro menos o erro aleatório.
positivos de medição, transdutorcs de medição ou a um sistema Analogamente ao valor verdadeiro, o erro sistemático e suas
de medição. e por analogia podem. também. ser aplicados a uma causas não podem ser completamente conhecidos. Para um ins-
medida materializada ou a um material de referência. O sinal de trumento de medição, o erro sistemático é denominado tend~n­
entrada de um sistema de medição pode ser chamado de estímu- cia. A tendência de um instrumento de medição é normalmente
lo e o sinal de safda pode ser chamado de resposta. O termo estimada pela média dos erros de indicação de um número apro-
"mensur.mdo" significa a grandeza aplicada a um instrumento priadodemediçõesrcpetidas.
de medição O erro sistemático. ponanto. é um componeme de erro que.
Aoseexecutaramediçãodeumavariável.utiliza-seurnins- no decorrer de um número de análises do mesmo mensurando,
trumento. Como esse instrumento foi construído com compo-
nentes reais. c, além disso. o procedimento é realizado em um
' EUROCHEM ~ uma rede de <.><gani>_açõcs na hrtJ!Xi 4ue !Cnl por objctiw>es-
ambientesujeitoaalteraçõesdevari:iveisnãocontroladascomo tal:>cle<:er um sistema de mS!TCahi lidll<lc intem ao; ional de medidas e pmn><wer
umidade.temperatura.influênciadecamposeletromagnéticos. rráticas pam gamn!ir a qualidadcnaárcadaQuímica
entreoutros,édeseesperarqueamedidanãosejaperfeita. De ' CITAC - Coop<'rtUÍOii 011 lnt<'matimw l Tmuabilil)' i n AnalyliH" Ch<'<nÍS/1')'
Cooccitosdelnstrun~ntPÇik> 15

Após a definição de erros. é apropriado definir a ineerte:t.a


de medição. Tr.ua-sc de um parâmetro nào negativo. associado
aon:sultadodeumamt'diçào.quecaracteri7.aadispcrsàodos
va lores que podem ser fundamemadamcntc atribuídos a um men -
surando. O parâmetro pode ser. por exemplo. um desvio padr.:io
(ou um múltiplo dele). ou a metade de um inte rvalo correspon-
denteaumaprobabilidadcdeabrangênciaestabclccida. Aincer-
tez.a de medição com preende. em geral. muitos componentes
Alguns desses componentes podem ser estimados co m base na
distribuiçãocstatlstica(paramaisdetalhes,lciaoCapítulo2)dos
resultados das séries de medições e podem ser caracteri:t.ados
por um desvio padrlo t.lpcrimental. Os outros componentes. que
tan1bém podem ser carac1crizados por desvio padrlo. são ava-
liados por meio de di stril:luição de probabilidades assumidas.
baseadas t\3 experiê ncia o u em outras infonnações. Entende-se
Flgura1.7 Tonla<l.adetempodoperíododo:ompénduloutili1ando
que o resultado da medição é a melhor estimativa do va lor do
um croo(l n ~tro. mensurando e que todos os componentes da incerteza, incluindo
aqueles rc~ultantes dos efeitos sistemáticos, cotnoos componen -
tes associadosacorrcçõcscpadrões dcreferência.contribucm
permanece constante ou varia de forma prcvisfvcl. EsM: erro é paraadispcrsilO. l>c\·c-se observarqucaincerteza niioési nô-
independemc do número de medidas. Esse CITQ wmbém não po- nimo de e rro. Enquanto o e rro é definido como a diferença en-
de ser totalmente eliminado. mas pode ser significa ti vamente tre um valorindivid ual eovalor verdadeiro.ou seja. um valor
red uzido se o cfei1o for quamilicado e aplicado um fator de cor- úni co. a incerteza assume uma faixa de valores. A principio. o
reção. Os instrument os e sis1emas de medição são geralmente valor de um e rro conhecido pode ser uti li7.ado para corrig ir um
ajustados ou calibrados milizando padrões de medição e mme- rcsultado.AincenezanàoscrYeparacorrigirumresulul(lo.mas
riaisderefcrência para sccorrig irerrossistcmáticos.Siioexcm- simpararepresent:troresu ltado (desdeq uemmuidososproce-
pios comuns desse 1ipo de erro o e!TQ espúrio ou grosseiro. os dimentosuniformcs).
quai s são gemdos por falha humana ou nwu funcionamento do O resullndo de uma med ição ronsiste no valor atribu ído a
equipamento. Medições com e!TQS desse tipo devem ser dcscar- um me ns urando obtido por medição co mpletado por todas as
tadn sassimqucclcs foremdetectndos(nãoscdcvc temarincor- outras inform;•çõcs pertinentes disponfvei s. Qua ndo um rcsulta-
porá-losà mHíliseestatísticadosdados).lnfclizmcnte.nemsem- doédado.devc-sc indic:tr.daramente.secle screfcrc·
prc esses erros são fáceis de ser de1cc1ados. e. portamo, rcco- t àindicaçilo;
menda-seexecutarlestesparavalidaçi'lodosdados t aoresultado nilocorrig ido;
Por exemplo. a Figura 1.7 mostra uma pessoa medindo o pe- t aoresultadocorrigido:
ríodo de um pêndulo com um cronômetro. c essas medidas são t c se com:sponde ao valor médio de várias medi ções.
rcali1.adas várias \"ezes. Erros oo infcioe 00 1érmioo das tomadas
de tempo. na estimativa de divisão das escalas. ou pequenas ir- Uma ex prcsslo completa do resultado de uma medição incl ui
regu laridades no movintento do pêndu lo ca usarão variações oos informações sobre a ince rteza de medição. A correção consiste
resultados das sucessivas medidas e silo exemplos de erros ale- em adicionar um va lo r algebricamente ao resultado não corrig i-
atórios. Entretanto. se além di ssoocro nômc tro está atrasando do de uma medição para compensar urn CITQ sistemáti co. A cor-
(devido a um defeito de fabricação) I seg undoacada5 horas. reção é igual ao erro sistemático esti mado com sinal trocado.
lodos os resultados medir.:io tempos me no res. Esse é um erro Urna vez que o e!TQ sistemático n5o pode se r perfeitamente co-
sistcm.itico.A Figura 1.8mostrao resulludodcssas med ições nhecido. a co mpcns~ção n~o pode ser completa.
emunw escala simplificada Existem vários outros termos que relacionam os e rros e a in-
ccrtcza~omstrumento:
O erru no zero de um instrum ento de lll t>d içiio consiste no
CITQ no ponto de controle de um insmuncnto de medi ção em que Exatidão de um ins trumento de mediçiio é a aptidão de um
o valor medido especificado é zero. instnmtentoparaf()!TICÇerrespostaspróximasaumvalor\"crda-
deiro. e nquanto exa tid ão de medição é o grau de 0011cordãncia
emre um valor medido e um valor verdadeiro do mensurando.
Exatidão de medição não é uma grandeza. é um conceito qua-
lilati\"oquc não deve ser expresso numericamente. Uma medição
é dit a maiscxotaquandoécaractcrizadaporuma incerteza de
Valor verdadeiro medição menor. O VIM c hama a atenção de que o tem\0 pred-
(a) (b) são n~o deve ser utilizado como exatid~o. Obse rve que o te nno
exatidão está direturnente relacionado a ambos os erros ci t~dos
Figura 1.8 Série de medidas: (li ) com erro aicmório apenas e (b) antcriorm cl\te: sisternáticoealcatório
comcrroaicatóriomaisosistemáti co.Cadntr.IÇOindicao,-,sultadodo: Usua lme nt csãoatribuídosíndicesdeclassede inst rumentos
uma medida. demedi çãoquesatis fazemacertasexigCncias mctrológicasdes-
16 CapítuloUm

ti nadas a con-;ervar os erros demro de limites especificados. Uma repetidas no mesmo objeto ou em objetos similares. ao longo de
classe de e1Catid ão é usualmente indicada por um número ou um período extenso de tempo. mas pode incluir outras condições
símbolo adotado por convenção e denominado índice de classe. que envolvam mudanças. E a precisão intermediária de medi-
As classes de instrumentos atendem a requisitos metrológicos ção é definida como a precisão de medição sob um conjunto de
com o objetivo de manter as incertezas de medição dentro de condiçõesdeprecisãointermediária
limitesespedlicadossobl'undiçõesdefuncionamentuespedli- A cond ição de medição em um conju nto de condições que
cadas comprcçndediferenteslocais.difcrentesoperadores.diferernes
Apesar de ser citado em muitas referências. o tenno precisão sistemasdemediçãoemediçõesrepctidassobreomesmoobje-
de medição possui algumas pewliaridades. A ven;;iu brasileird. tu ou sobre objetos similares é definida com condição de rt'pro-
em língua portuguesa (VIM 2007), disponibili7..ada pelo Jnmctro dutibilidade. E reprodutibilidade de medição é definida como
(Portaria lnmetro n" 029 de 1995). niio apresenta definiçiio para aprecisãodemediç5osobumconjuntodecondiçõesdercpro-
esse termo. Nu entamu. um documento na forma de uma nota dutibilidade.
técnica de 712008, constituindo uma tradução dos Capítulos I a O VIM ainda define o termo \·eraeidade de medição corno
5 do JCG M 200:2008 (Joint Committee for Guides in Metrolo- o grau de concordância entre a média de um número infinito
gy) Vocabulário Internacional de Metrologia - Conceitos Fun- de valores medidos repetidos e um valor de referência. Como
damentais c Gerais c Termos Assoc iados (V IM), terceira edi- não é uma grandcw, a veracidade não pode ser expressa nu-
ção) reintroduz esse conceito. Esse documento técnico foi de- mericamente.Ainda.averacidadeestárelacionadademaneira
senvolvido pelos profissionais da Divisão de Metrologia Me- inversa ao erro sistemático, porém não está relacionada ao er-
çànica (]) IM EC) da Diretoria de Metrologia Científica e Ind us- ro aleatório
trial (D lMC I) do In metro- 2008. Assim. a precisão de medição A Figura I .9 ilustra as definições de exatid~o e precis~o com
édefinidacomoograudeconcordânciaemreindicaçõesouva- autilizaçãodeumalvoeoresultadodelançamentosdedardos
lorcs medidos. obtidos por medições repetidas, no mesmo ou em ouurnoutroprojétil.
objeto similares. sob condições especificadas. A preüsão de me- A repetiti vidade de um instrumento é, portanto. a aptid~o
dição é usualmente e:~:pressa na forma numérica por meio de de um instrumento de medição em fornecer indicações muito
medidas de dispers.:io corno o desvio padrão, a variância ou o pró:~:imas, em repetidas aplicações do mesmo mensurando. sob
coeficientedevariação,sobcondiçõesdemediçãoespeüficadas. asmesmaswndiçõesdemedição.
Essas "condições especificadas" podem ser, por c:~:emplo, as con- Muitas vezes é utilizado na metrologia o termo tolerância
dições de repetith·idade, as condições de precisão intermedi- Essetermoquantificaasdiferençasqueexistem em umade-
ária ouas condições de reprodutibilidade. terminadacaracterísticadeumdispositivodosistemademe-
A condição de repetith·idade consiste na condição de me- dição, de um dispositivo para outro (do mesmo tipo ou dentro
dição em um conjun1o de condições que compreende o mesmo de uma linha de dispositivos), em função do processo de fa-
procedimento de medição. os mesmos operadores. u mesmo sis- bricaçãu.Atolerânciapodeserconsideradaresultantedeva-
tema de medição, as mesmas condições de operação c o mesmo riáveisespúriasdefabricaçãocdeveentrarnacomposiçãoda
local.assimcomomediçõesrepetidasnomesmoobjetoouem incerteza esperada para a medida. se for considerada a subs-
objetus similares duram e um curto período de tempo. E a repe- tituição do dispositivo no instrumento sem efetuar procedi-
titividade demedição édcfi nidacomoaprecisãodemedição mentos de calibração c ajuste. A tolerância é determinada
sobumconjuntodecondiçõesderepetitividade. pelo fabricante. normalrnenle por amostragem na linha de
A condição de predsão intermediária consiste na condição produção dos dispositivos. e é representada na forma de in-
de medição em um conjurno de condições que compreende o certeza. Otermo"tolcrância"nãodeveserutililadoparade-
mesmo procedimento de medição. o mesmo local e medições signar erro máximo admissh ·el: valor extremo do erro de

(a) (b)
''i
Figura 1.9 llustraç!iodosconccitosdccxatidãoeprccis!io:ocns.aiodafigura(a)érnaiscxatodoqueocns.aiodafigura(b)cqucémaisexa-
todoqueoensaiodafigura(c).Adispersàodocnsaio(a)émcnordu<Jucadispers.àoducnsaiudafigura(b)e<Jueémenorduqucadispersilo
do ensaio (c). Punamo. pode-se caraçterizar <JUantitativamente <jUe o en~aio (a) é mais preci~o do <JUe o en'lllio (b) e <JUC e.<te é mai~ pr~-çi'iQ do
queoensaio(c).
Conceitosdclnstrurnentação 17

medição. com respeito a um valor de referência conhecido. mostrador consiste na menor diferença entre indicações desse
aceitoporespecificaçõesouregulamentosparaurnadadame- dispositivo que !XJ'(Ie ser significativamente percebida. Para um
dü,:ão. instrumento de medição ou sistema de medição. dispositivo mostrador digital ou mesmo para um registrador. a
A resolução é definida como a menor variação da grandeza resolução consiste na variaçãodagrandczadc indicação ou de
queestásendomedida.quecausaumavariaçãoperceptívelna registro.quandoodfgitomenossignificativovariade uma uni -
indit:ação t:orrespondente. O termo resolução de um dispositivo dade.

e Exemplo - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Se a resolução de um determ inado voltímetro digital é de 1 mV. isso signifiCa que o dígito menos significativo na escata é da unidade
de mv, ou seja, para o dígito menos significativO ser alterado, a variaçOO mínima na entrada deve ser de 1 mv.

A Figura 1.10 mostra um termômetro com resolução de


O.l 0 C.
O limiar de mobilidade consiste na maior variação no estí-
mulo (grandeza medida) que não produz variação detectável na e
resposta (indicação) de um instrumento de medição. se ndo a
variação no sinal de entrada lenta c uniforme. O limiar de mo-
bilidade !XJ'(Ie depender. por exemplo. de ruído (interno ou ex-
temo) ou de atrito. Pode depender. também. do valor do estímu- crnquedx..., represcntaavariaçãomínimanaentradapcrceptívcl
lo.Essctcrmodcfinca limitaçãopcrccptívcl na entrada do dis- nasaidaouresoluçãodccn trada.dy..n reprcscntaornaiorsalto
positivo de medida da medida em resposta a urna variação infinitesimal do mensu-
Por exemplo. em um mostrador digital com a indit:ação do rando ou resolução de saída. FE, c FE, representam os fundos
tipo X.XXX unidades. é necessária urna variação da grandeza dcescaladeentradaedesafda.rcspcctivamente
de entrada de no mínimo 0.001 unidade na entrada para se per- Sensibilidade (S): é a razão da variação na saída (ou resposta
ceber alguma mudança (desconsidera ndo-se possíveis interfe- ouindicação)pclavariaçãodacntrada(oucstímuloougrandcza
rências externas) rncdida).Observa-sequeasensibilidadeseráurnaconstantese
Olimiardernobilidadedefineareso1uçãodeentrada.eare- acurvaderespostaforlinear.Casot:ontrário.seráurnadeterrni-
solução do mostrador. a resolução da saída. Considerando a Fi- nadafunção(comoilustraaFigura 1.12).
gura l . ll ,esses parãrnctros!XJ'(Icm ser definidos quantitativa-
S= -
"'
;,

c no limite: S = ~. crnqucd.5reprcscmaavariaçàonasaída

cdeavariaçãonacntrada

Detalhe

Figura1.11 Cur,·aderespostadeurnsistemagenéricocorndctalhes
Figura 1.10 TerrnômctrocornresoluçãodcO.I "C dareo;oluçàoelirniardernobilidade
18 CapítuloUm

l'

l __
'"

Flgura1.12 Exemplosde
funçõe><letmnsferêociacom:
i.
(a)-;enú bili<la<lecon stantc
S "' Sc(b)sensibilidade

S=-7 1•1 (b)

Pode-secalculara sens ibilidadeparaumarelaçãosaídat·ersus Da me sma forma. para uma relação saída t•ersus entrada não
entrada linear do tipo: linear do tipo y = A,x, (I + A,x;) + A,x~.~, ·
y = A,x, +A ~~, + A ~~,+

Sx, = .i!f.._l =A, = conSI<UJte


ar, X 1.Xl, XJ •··· A FigurJ. 1.12 moslr.l um exemplo de curva de resposta linear e
um exemplo de curva nào linear oom as respectivas sensibilidades
ernqueSx,éasensibilidadedosistemaparaavariaçãodeuma O valorpontualda sensibilidadepodedependerdo valor do
oumaisdasvariáveisx,. x 2 .x,. estímulo

e Exemplo - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
mvrc. Isso s ignifica que, para cada "C variando na entrada, a saída apresenta 1O mv
A sensjbilidade de um termômetro pode ser 10
de variação na tensão

Geralmente a resolução evidencia as limitações do hardware. evidencia a característica do sensor ou transdutor. limitado pela
corno o número de dígitos de um rnultírnetro ou o número de sua própria natureza. como por exemplo a variação da res istên-
bits de um conversor analógico digital. enquanto a sensibil idade c ia em fum,:ão da tem peratum de um sensor do tipo PTIOO.

e Exemplo - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Seia um conversor analógico dig~al de 8 bits com faixa de entrada de O a 5 V Considerando que possuímos um termômetro linear uti~­
zando um PT100 devidamente condiCionado, cuja saída varia linearmente de O a 1 V para uma variação de temperatura de O a 100 "C,
calcule a resolução em "C imposta pejo sistema
A resolução do conversor AD (R,;) (pa ra mais deta lhes verifiq ue o Capítulo 4 deste volume) pode ser calcu~da por

R..., = ; :_--:-
1
=~=0,0196~ 1
Como o problema diz que a faixa de saída de O a 1 V tem re lação linear com faixa de variação detempera1urade0a 100 "C, podemos
mootar uma regra de proporcionalidade simples
1 V-'> 100"C
0,0196--'>X"C
Assim. X pode ser calculado: X .. 0 .0 196 · 100 .. 1.96 "C.

Observa-se. nesse caso. que a resolução <lesse sistema é de toda a faixa de cntra<la <lo conversor AD. ou então aumentar o
1.96 °C.Naprátka.esseresultadodernonstraquearesoluçãoé seun úrnerode bits.
muito pobre c que melhorias devem ser feitas. Por exemplo. po - Lineuridude: parâmetro que indica o máximo desvio de uma
deriamos amplificar o si nal do termô metro por 5 para utili zar curva representando a relação sa ida 1·ersus entrada da reta que
Conceitosdclnstrurnentação 19

melhor descreve os pontos reais. Geralmente a linearidade é ob- recipiente volumétrico com uma só indicação: 0.1 mol/l. como
tida levantando-se uma curva média que representa o comporta- aconcentraçãodaquantidadcdematériadeurnasoluçãodcáci-
mento do instrumento. Depois disso uma reta é então ajustada do clorídrico. HCl. 25 °C como ponto pré-selecionado de um
(paramaisdetalhcssobreajustesdecurvasverifiqueoCapítulo banhocontroladotcnnostaticamentc
2 deste vol ume). de modo a adequar esses pontos à nova equa- Oconjuntodevaloresdeummensurandoparaoqualsead-
ção. A rcpetitividade c a linearidade de urn sistema de medição mite que o erro de um instrumento de medi(fào se mantém den-
sãofigurasdcméritofundamcntais paraaconfiabilidadedame- trodoslirnitcscspeciliçadosdenomina-se faixademedi çãoou
dida. A linearidade pode ser quantificada por: tra balho. A Figura 1.14 ilustra a faixa de medição ou trabalho
deumsistemademediçãogenérico.
Li nearidade %= 100 · Dif-;:.E, Os çonçcitos de faixa nominal c amplitude são usualmente
empregadosnacaracterizaçãodetransdutores.sensoresoumes-
em que Drf..., indica a maior distância entre a reta e a curva real e mo de instrumentos, sendo muitas vezes possíveL através de
FE, indicaofundodeescaladasaída.Observa-seq uealigurade ajustes. fazer-lhes mudanças. Um instrumento pode apresentar
mérito linearidade só tem sentido se aplicada a um sistema proje- váriasfaixasdeatuação,geralmenteparagarantirquearesolu-
tado para ser linear. Em casos em que o sistema de medição pos- ção da medida seja otimizada. Por exemplo. ao se mt--dir uma
sui re.>posta não linear. pode-se dclinir a conformidade: parâme- resistência de 4 700 11 çom um muhímetro convencional de 3 c
tro que indica o máximo desvio da relação saída l'ersus entrada J/2dígitos(vejadetalhes noCapítulo5destaobra).deve-seuti-
do instrumento em relação a uma curva de referência. Analoga- lizar a escala cujo valor de fundo seja o mais próximo c superior.
mente ao caso linear. a conformidade pode ser calculada JXW Nesse caso. 20 k!l. Se a csçala de 200 kíl for esçolhida. a reso--
lução da medida será bem mais pobre (4.70 para a escala de 20
Conformidade % = 100 · Dif;/,:E, kíle4.7paraacsçaladc200kíl).
Histerese: propriedade de umclernemosensorcvidenciada
A Figura LI) ilustraasdcliniçõcsdc linearidadcccoufor- peladcpendênciadovalordesaídanahistóriadeexcursõcsan-
midadeparasistemasdemedidasgenéricos tcriorcs.pamumadadacxcursiiodaentrada.Ahistcrcscquan-
A faixa nominal (ra11ge) consiste na faixa de indicação já titica a máxima diferença entre leiwras para um mesmo mcnsu-
definida neste capítulo, a qual se pode obter em uma posição rando.quandocsteéaplicadoapartirdcurnincrcmentooudc-
especifica dos controles de um instru mento de medição. Quando crememo do estímulo. Pode ser quantiliçada por·
olimitcinfcriorézcro.afaixanominalédelinidaunicamcntc
em termos do limite superior, por exemplo: a faixa nominal de Histcresc % = 100 · Hist _,j {cE,
OVa 100 Véexpressacomo"'JOOV"'
A diferença. em módulo. entre os dois limites de uma faixa em que Hüt..., é a histerese máxima e FE, é o fundo de escala
nominal é denominada amplitude da faixa n01nin al (normal- da medida.
mente chamada de span ). Para urna faixa nominal de - 10 V a Zona morta: intervalo máximo no qual um estímulo (grandeza
+ 10 V. a amplitude da faixa nominal é 20 V. O valor máximo da de entrada) pode variar em ambos os sentidos sem produzir va-
escalaédenominado fundodeescala. riação na resposta (indicação) de um instrumento de medição
Valornominal éovalorarredondadoouaproxirnadodeurna A zona mona pode depender da taxa de variação. A zona mona
caractcrístieadcuminstrumemodcmcdiçãoqucauxilianasua algumas vezes pode ser deliberadamente ampliada. de modo a
utilização. Pode-se citar como exemplos: 100 n. como valor prevenir variações na resposta para pequenas variações no estí-
marcado em um resistor padrJo: l L como valor marcado em um mulo. Geralmente é expressa em pcrçentagem da faixa total.

.y. ... . . .
"""'"" . . . . . . . / i

o.t_ ___ .-·


-.\'./>
.. -·· Sinal
Dif 50.-.al
.---· _/

.-· ____ ..--··

__.. ..-··
;:j.. Flgura1.13 (a)llus-
tr...,,ilodalinearidadcc
,,, (b)
(b)ilu<tr->çàodaconfor-
rnidade
20 CapíwloUm

ao sistema. Como re.~uhado, o 7.Cro será deslo-


cado. Pode-se citar como exemplo a deri\·a dos
semicoTKlutores: um amplificador de instrumen-
tação da Burr-Bmwn INA lOI tem especificado
um clrift máximo de 0.25 mvrc.
Estabilidade: aptidãodt: um instnuncntode mc-
diçàoemconservaroonstantcssuascamctcrística~
metrológicas ao longo do tempo. Quando a esta-
bilidadeforestabclecidaemrelnçàoaurnaoutr.t
grandezaqucnãootcmpo,issodcvcscrcxplici-
tamcnte mencionado. A estabilidade pode ser
quantificada de várias maneiras. por e;.:cmplo:
t pelo tempo no qual a característica metro-
lógica varia de u•n valor detemtinado:
t ou ern tennos da variaçilodc uma caracterís--
tica em um determinado período de tempo.
Fa11111 de l1'ltdiçlo Fundo de escala C onfiubilidade: pardmetro que qu:rntifica o
de .,tfllda de entrada FE, período de tempo em que o instrumento fica
Figura 1.14 l l u~traçào da faixa de medÍ\'ilo ou trabalho de um ~istema genérico. livre de falhas em funçilo de diferentes fatores
especificados.
AFigurnl.l5mostraexemplosdegráficosdchistcreseezo- Rela ção sinal/ru íd o (SN R-signaf lo noist ratio): é uma figura
namona. de mérito que define a ratiioentre as potências do sinal e do ruído
Derh•a (drift): mudança indesejável e lenta de uma caracterís- totalpresentesncsscsinal.
tica metrológica de um instrumento de medição que ocorre com
o passar do tempo. causada por fatores ambientais ou intrínsecos SNR • lO· Iog -potênc.ia
- -do sinal
- l
. ,..
[ potênc•a do ruído

A unidadc,ncssecasoéod B .
Geralmente é melhor obtermos uma ra7~1o s inal/rufdo maior
que OdB (OdB indica que a amplitude do sinal e a do rufdo sào
iguais). Como exemplo. imagine que você está assistindo a uma
panidadefutcbolaovivoemumestádio.escutandoatrnnsrniss.ão
por um rádioAM. É preciso que o sinal do n:ldio seja mais inten-
so (para o seu OU\·ido) que o ruído causado pe la torcida. caso
contrário ser.i impossível entender o que o locutor está falando.
Para um si nal •~I) com um \"alor RMS ,.._..,. a SNR pode ser
de-finida como:

(•)

em que I'IIH.~<S é o valor RMS do rufdo. A un idade tam~m é da-


dacmdB.
Alternativamente. pode-se definir a SNR corno a razão entre

.......... ;- os vaiOTI!s(nnsou depico)entreosinaldeinten.!sseeorufdo


introduzido no processo. Nesse caso. o resultado é adimcnsional.
eessenúmeroquantificaaintluênciaemumsinaldeimcrcsse
"/.
por um detcnninado rufdo (sinal indesejado sobreposto oo sina l
"/.
;r /. de intcresse).A Figura 1. 16mostra um exemplo de um si nal so-
;r/. brcpostocomrufdo.
;r/. As condições d e util il.aç-lo de um ittStrumt'nto silo as condi-

.:/. ções de uso para as quais as característica~ metrológicas especifi-


cadas de um instrumento de nlCdiçãose mantêm dentro de limites
Entrada especificmJos.Ascondiçõcsdeutil izaçãogcrnlmcntecspccificam
faixasouvaloresaceitávcisparaomcnsurandoepltrJasgmnde7.as
(b)
de influência. ao passo que as condições limites cons istem nas
Figura 1.15 Exemplosdc(a) histerese e(b) zo11a mona. condiçõcsextrcmasnasquaisuminstrumcntodemcdiçàoresiste
Conceitosdclnstrumcntação 21

çõesdcusoprescritaspamcm;aiodcdcsempenhodcum instru-
rnento de medição ou para imercomparação de resuhados de me-
dições.Ascondiçõesdereferêm:iageralmcnteinclucmosvalores
de referência ou as faixas de referência para a~ grandezas de in-
fluênciaqueafetamoinslrumentodemedição
Cadeia de medição: série de elementos de um sistema de me-
diçãoqueeonstituiumúnicocaminhoparaosinaldoscnsoraté
a sarda. Por exemplo: urna c~deia de medição eletroacús!ica com-
precndeosinalsonoro.ummicrofone.atenuador.filtro.ampli-
ficadorevoltfmetro
Sistema de medição: conjunto de um ou m~is instrumentos de
medição c frequentemente outros dispositivos. compreendendo.
se necessário. reagentes c insumos. montado c adaptado para
fomecerasinforrnaçõesdestinadasàobtençãodosvaloresrne-

-~,~~~~~~.---7--~~~

Figura 1.16
..
Sinaldcbaixafrequênciasobrcpostocom!llídodcal-
didos. conforme intervalos recomendados parJ. a;; grandezas de
tiposcspccifkados
l'adrõcs: consistcrncrngrandezasreferênciasparaqucinvcsti-
gadorcs em todas as panes do mundo possam compamr os re-
lafrequência sultadosdosscuscxpcrimcntoscrnbascsconsistentes.Opadrão
consiste em uma medida materi~lizada. instrumento de medição.
matcrialdc rcfcrênciaousistcmademcdiçãodcstinadoadefinir.
sem danos e sem degrudaç~o das características metrológicas es- realizar. conservar ou reproduzir uma unidade ou urn ou mais
pt--cificadas. As condiçõc;; limites para armazenagem. transporte valoresdeumagmndezaparaservircomoreferência.Segundo
c operação podem ser diferentes. As condições lim ites podem in- o V IM. é a realização da definição de uma dada gmnde7_a, com
cluir valores lirnitesparaornensurundoeparaasgrandezasde urn valor detemtinado e uma incerteza de medição associada.
innuência. Finalmcntc,ascondiçõcsdercferênciasãoascondi- utilizada.,omoreferência.

e

Exemplos-------------------------
Padrão de massa de 1 kg com uma incerteza-padrão associada de 3 ,..g.
• Resistor-padrão de 100 n com uma incerteza-padrão associada de 1 ,..n.
e Padrão de frequência de césio com uma incerteza-pad rão associada de 2 X 10 "·
• EJetrodo de referência de hklrogênio com um valor associado de 7,072 e uma incerteza-padrão associada de 0.006

Em 1983. a definição do metro foi mudada para a dist5ncia na


1. Um c011junto de medidas materializadas similares ou instrumen- qual a luz viaja no vácuo em 72"99.792.458 segundo. Para essa
tos de med ição que, utilizados em conjunto, constituem um medida.foiutilizadaaluzdeum/trser de l·le-Ne
padrão coletivo.
Todo instnunento deve ter suas medidas comparadas com um
2. Umconjuntodepadrõesdevaloresescolhklosque, individual-
mente ou combinados. formam uma série de valores de gran- padnloparaqueelastenhamasu<rinl'ertezarelacionadaconhecida
dezas de uma mesma natureza é denominado coleção-pa- Existem diferentes tipos de padrões. confonne descrito a seguir:
drão. Padrão internacional: padrão recouhecido por um acordo in-
ternacional.tendol'omopropósitosuautilizaçãomundial.
AFigura 1.17 mostraafotodepadrõesdepcsos. Padrão naci onal: padrão reconhecido por uma decisão nacional
O desenvolvimento tecnológico fornece condi ções de melho- para servir. em um país. corno base para atribuir valores a outros
rias constarnes nos sistemas padrões de grandezas. O padrão do padrõesdagrandezadomesmotipu.
metro foi inicialmente definido como um décimo de milionésimo P..1.drdo primário: padrão estabelecido com auxílio de um proce-
d~distânciaentreoPoloNorteeoequador. Posteriorrnente(pe- dimento de medição primário ou criado como um artefato. esco-
la detecção de um erro de medida na distância proposta). o me- lhido por convenção. Esse padr:io é amplamente reconhecido co-
tro foi definido. no !11/errwtiona/ Hurem• oj aHghtsand fl1e<w•- mo tendo as mais altas qualidades metrológicas e cujo valor é
resernSêvres.na Frunça.cornoocomprirnentodeum~barrade aceitosemreferênciaaoutrospadrõesdemesmagrandeza
platina-iridiada mantida sob condições muito precisas. Em 1960. Pndrão secundário: padrão cujo valor é estabelecido por com-
o metro padrão foi redefinido em termos do comprimento de paração a um padrãoprimáriodeurnagrande1_adomesmoti-
onda: I metro = 1.650.763.73 comprimentos de onda. no vácuo. po.
da radiação correspondente à transição entre os níveis 2p 1O c Padrão de referência: padrão. geralmente tendo a mais alia
5d5doátomodecriptônio86 qualidade metrológica di sponível em um dado local ou em uma
22 CapítuloUm

Figura 1.17 Padrlíes depews

dada organizaç~o. designado para a calibraç~o de outros padrões umacadeiaillintemtptaedocumentadadecalibrações.cadauma


de grandezas do mesmo tipo. comribuindopamaincertezademediçiio.
Padrão de trabalho: padr~outilizadorotineirarnenleparacali ­ O conceito é geralmeme expresso pelo adjetivo rastreável. e
braroucontrolarrnedidasmaterializadas.instrumentosdeme- uma cadeia contínua de comparações é denominada cadeia de
diçiio ou sistema~ de mediçiio. rastrcabilidade.Arastrcabilidademetrológicarequcrumahie-
rarquiadecalibraçãoestabelecida
Observações: Os padrões podem ser ei!COntrados geralmen te em laborató-
rioscrcdenciadospclolnmetro (lnstitutoNacionaldeMctrologia,
1. Um padrão de trabalho é geralmente calibrado por comparação NomtalizaçãoeQualidade lnduslrial ).
aumpadrãodereferência. A cunsen•:11; iiodc um padriioconsistenucunjuntodeupe-
2. Umpadrãodetrabalhoutilizadorotineiramenteparaassegurar
raçõesnecessáriasparaprcscrvarascaractcrísticasme!Tológicas
queasmediçõesestàosendoe)(ecutadascorretamenteécha-
madodepadrãodecontrole. deurnpadrão.dentrodelimites apropriados.
Cabe observar que normalme11te as operações incluem cali-
l'adriiode transferê ncia: padriioutilizadocornointemtediário bração periódica, armazcnamcmo em condições adequadas c
paracompamrpadrões utilizaçãoeuidadosa.
Outro conceito importante é comparabilidade: propriedade
de um conjunto de resultados de medição correspondentes a um
Observação:
mensurandoespecificadotalqueovalorabsolutodadiferençados
Ae)(pressào"disposjtivodetranslerência"deveseruti lizadaquan- valores medidos de todos os pares de resultados de mediçào seja
doo intermediãrionãoéumpadrão menor que um certo rnúhiploescolhidoda incertela-padrão dessa
diferença.
l'adriioitineranle: padr.:io.algurnas vezesdeconstruçiioespe- A compatibilidade metrológica substitui o conceito tradicio-
cial. pam ser transportado entre locais diferentes. Por e)(emplo: nalde'manter-sedemrodoerro'.jáquercpresentaocritériode
padrão de frequê11cia de césio, portátil. operado por bateria decisão se dois resultados de medição referem-se a um mesmo
Um importante conceito dentro da instrumentação é a H.as- mensurando ou niio. Se em um conjunto de medições de um
lreabilidade: propriedade de um resultado de medição em que mensurando. considerado constante. um resultado de medição
tal resultadopodeestarrelacionadoaumareferênciaatravésde niio é compatível com os demais. ou a medi{fiiO niio foi correta
Conceitosdc lnstrumemação 23

Figura 1.18 HierJrquia do sistema metrológico e ilustração dos conceito~ de m>lfcabilidade e compambiiidadc.

(por exemplo. sua inccnaa de mediçi'io foi avaliada como mui - 2. As propriedades certificadas de materiais de referência certifi-
topequcna)ouagr.mdezamcdidavariouentremcdições. cados são, algumas ~ezes, obtidas convenientemente e de for-
ma conliável quando o material é incorporado em um disposi-
Obscrva-:s.cquc.cnquantoarnslreabilidadeéum\'elorvcni-
tivo fabricado especialmente. como, por exemplo: uma subs·
cal. a comparnbilid:1dc é horizontal. A Figura 1.18 ilustra os tância de ponto triplo conhecido em uma célula de ponto triplo.
conce itosdcrastrcabilidadeecornparabilidadc. um vidro com densidade óptica conhecida dentro de um filtro
Um resultado de medição com boas caracteristicas metro- de transmissAo, esferas de granulometria uniforme montadas
lógicas tem aceitação. conliabilidadc. credibilidade e univer- na lâmina em um microscópio. Esses dispositivos também po-
sa lid ade. demsercoosideradosMRC.
3. Todos os MRC atendem à definição de "padrões" dada no "'Vo·
1\la tt>ria l dt> n.'ferincia (M R): material suficientemente homo-
cabulário Internacional de Termos Fundamentais e Gerais de
gêneo e est~h·cl em re lação às propriedades específicas. preparado
Metrologia (VIM)" .
para se adequar a uma utilização pretendida numa medição ou na 4, Alguns MR e MRC têm propriedades QUe, em razão de não se-
atribuição de um \"alore uma ioccrtc1.a associada a um outro ma- rem correlacionado$ com uma estrutura qulmica estabelecida
terial. Essa ioceneza não é uma incrrtCl:llde medição. Os materiais ou por outras razões. não podem ser determinadas por métodos
de referência com ou sem valores atribuídos podem ser utilizados de ~içAo físicos e químicos exatamente definidos.
paraoontrolaraprocisàodemcdição.enquantoapenasosmateriais
de referência com valores atribuídos podem ser utilizados para a Tais materiais incluem certos materiais biológicos como as
calibmçãoouoparaocontroledavcracidadc vacinas parn as quais uma unidade internacional foi detcnninada
pela Orgauização Mundial de Saúde (OMS).
O Instituto Nacional de Metrologia. Nonnali zação e Quali-
dade lndustrial - lnmetro.' já citado ncstecapíwlo. é uma autar-
Um matlllial de referência pode ser uma substância pura ou uma quiafcderal.vinculadnaoMinistériodol)cseuvolvimento. ln-
mistura, na forma de gás, liquido ou sólido. Exemplos são a água dústria e Comércio Exterior. que mua como Secretaria Executi-
utilizadanaca libraçâodeviscoslmetros,safiracomoumcalibmdor
va do Conselho Nacional de Me trologia, Norma li zação c Qua-
dacapacidadecalorificaemcalorlmetriaesoluçõesutilizadaspa-
racal ibraçâoemanélisesqulmicas. lidadeindustrial(Contnetro),colegiadointenninisterialqueéo
ó rgão nomlativo do Sistema NaciotHll de Me trologia. Normali-
1\Iaterial de rt"f~rt:ncin ~rtilkndo (MRC): mntcrial de rcfcrênda 7.açãoeQualidade lndustriai(Sinmctro).
acompanhado por um certifi cado. com um ou mais valores de pro- DentreaseompctêtiCi:IScatribuiçõestlo lnmctrodestacam-se:
priedades. e certificados por um procedimento que estabelece 51Ja t executaras!XJlíticasnacionaisdemctrologiaedaqualidade:
rastrcabilidadcàobtcBÇàoexatadaunidadcnaqualosvaloresda t verilicar aobservãnciadasnonnastécnicase legais. no que
propriedade são cxpn.-ssos. Cada valor certifiCado é acompanhado se refere às unidades de medida, métodos de medição. medi·
porurnaincertezaparo~umnívcldcconliançaestabelecido. das materializadas. instrumentos de medição e produtos pré-
medidos:
Observações: 4 manter e cooser.·ar os padrões das unidades de medida. assim
como implantar e manter a cadeia de rastreabilidade dos pa-
1. Os MRC são geralmente preparados em lotes, para os quais o
valor de cada propriedade considerada é determinado dentro
de limites de incerteza estabelecidos por medições em amostras
representativas de todo o lote. ' Tuood:o Hoonepace of"'ãlllOO tnmttruhttp:llwww.inmetro.,ov.br.
24 CapítuloUm

drõcsdas unidades de medida no país. deforma a torná-las especificadas. arelaçãoemrcosvalores indicados por um ins-
harmônicasinternarnenteecornpatfveisnoplanoin!ernacio- trumento de medição ou sistema de medição ou valores repre-
nal. visando, em nfvel primário.àsuaaccitaçàounivcr:sale. sentados por uma medida materializada ou um material de refe-
em nível secundário. à sua utilização como suporle ao setor rência,eosvalorescorTCspondcntesdasgrandcmsestabelecidos
produtivo, com vistasàqualidadedebcnsescrviços: por padrões
t forlalecer aparticipaçàodopaísnasatividadesinternacionais
relacionadas com metrologia e qualidade, além de promover
o intercâmbio com entidades e organismos estrangeiros e in-
ternacionais; 1. O resultado de uma cal ibraçâo permite tanto o estabelecimen-
to dos valores do mensurando para as indicações como a de-
t prestar suporte técnico e administrativo ao Conselho Nacional terminaçãodascorreçõesaseremaplicadas.
de Metrologia, Nonnalização c Qualidade Industrial (Con- 2. Uma calibração pode, também, determinar outras propriedades
metro). assim como aos seus comitês de assessoramento. atu- metrológicas, como o efeito das grandezas de infl uência
andocomosuaSccrctaria Executiva; 3. O resultado de uma ca libração pode ser registrado em um do-
t fomcntarautilizaçàodatémicadcgcstàodaqualidadcnas cumento,algumasvezesdenominadocertificadodecalibração
empresas brasileiras; ourelatóriodecalibraçâo. AFigura 1.19mostraumce<1ificado
docalibraçãodeurnacelerômetrodaBrüei &Kjaer.
t plancjarccxecutarasatividadcsdecrcdcnciamentodclabo-
ratóriosdecalibraçãoedeensaios.deprovedoresdccnsaios
Os dispositivos de referência devem ser mantidos em ambien -
de proficiência. deorganismosdecenificação, de inspeção.
tes com temperatura e umidade '-'Ontroladas. entre outros. A Fi-
detreinamentoedeoutros. necessários ao desenvolvimento
gura 1.20 mostra um esquema de uma máquina utilizada para
dainfra-estrutumdeserviçostecnológicosnoPaís:e
ealibrarmanômctrosdeprcssão.
t coordenar. no âmbito do Sinmctro. a cenificação compulsó-
Como exemplo, a fim de calibrar um sensor de temperatura.
ria c voluntária de produtos. de processos, de serviços e a
ele deve ser comparado com um dispositivo padrão através de
certificaçãovoluntáriadepessoal.
procedimento experimental definido em normas. Com esse pro-
Os padrões citados anteriormente são utilizados para a cali - cedimento. a incerteza poderá ser avaliada e o instrumento ou
braçâo: conjunto de opemçõcs que estabelece. sob condições sensorclassificado.

Calibration Certificate

103.5 ..vrg
10_58,.VIM"0 -
o 100Hr.
100Hr,
10g ...
..... ....

]l l l lil____

_ ... ___
l l l l l l l lil l l l l l~
a
..,.
- - ~~ ~ 'T
__
,_-=:.=..-::::=:::·:.7...~:::0=--·-·"'--"

.,. ,_,.,.,......

·-·-- ..._..
,. , n
- · ··~- ·
--•·•--•"'
...

Figura 1.19 Exemplo de um cenificado de calibração de u1n acelerômetro da empre>a Brüel & Kjaer. (Cone> ia de Brüel & Kjaer.)
Conceitosdclnstrumcntação 25

Figura 1.21 Medição de uma barra com uma régua graduada

duvidoso.Essesalgarismossãodenorninadosalgarisrnossigni-
ficativosdamcdida
Aabordagemanterioraplica-seainstromentosanalógicos.nos
quaissetemumindicadorsedeslocandosobreumaescala.No
ca\o de instrumentos digitais, não é possível afimmr nada além
do que é mostrado no visor. Um exemplo de incoerência seria re-
gistrar a medida de um voltímetro digital que mostra 5.32 V como
Figura 1.20 E>qucma d~ 5.324.Nessecaso.oalgarismo4éumaincoerência,umavezquc
máquínau@zadanacalibração a própria incerteza do instrumento pode ser maior que 0.004
de manômetros industriais. Esse tipo de erro é comum em situações em que são feitas várias
rncdidasccalculadaamédia.Nessecaso,dcvc-seobcdcceràin-
certezadoinstrumcntocconsideraracasadecimaladcquada.
Aoperaçãodecalibraçãodetenninaráondeasgraduaçõesda
É importante salientar que. em uma medida. os zeros à es-
escala devem ser colocadas em um instrumento analógico ou a
qucrdadonúmero,istoé. oszerosqu e posicionamavírgula,
faixadeurninstrumentodigitai.Ainda.ajustaráasaídaparaal -
níiosíio signifi cat in tS. Paracsclarecercssesconccitos.analisc
cançar um determinado valor com uma detenninada tolerância
os exemplos que seguem:
ou conferirá c ccnificar.i o erro do instrumento.
Asociedadernodemaéextremamentedependentedeprocessos t a medida 0.023 em tem .'\Ornente dois algarismos significativos:
decalibração.Asatividadesdodiaadiaexigemqueoserrusen- t arncdida0.348stcmapenastrêsalgarismossignificativos:
volvidos nos serviços c produtos em geral estejam dentro de limi- t a medida 0.004CXXlO m tem cinco algarismos significativos
tes preestabelecidos. Um consumidordevetergarantidoqueas
unidades de volume de combustível tenham o mesmo gmu de
confiabilidadc em qualquer pane do mundo. Esse mesmo consu-
f 1.7 Resposta Dinâmica - - - -
midor deve ter assegurado o fato de estar pagando o mesmo preço Uma medida de urna grandeza física é chamada de dinâmica
por um determinado prodmo pesado em qualquer balança de um quando ela varia com o tempo. Em um processo de pesagem de
mesmo estabelecimento comercial. Esses são apenas exemplos da alirnentos.feitousualrncntcnosrnercados,urnabalançacstáco-
grandediversidadedesituaçõesque dependem decalibraç5o. nectada a um sistema que recebe a informação do produto. c
como saída. além do peso, imprime o preço. entre outras infor-
mações. Nesse processo. o atendcme coloca o produto sobre a
t 1.6 Algarismos Significativos - - b~lança.celaestabilizaemumarnedidarelativaaopesodopro­
A Figum 1.21 representa uma régua cuja menor divisão é de l duto. Nesse caso. diz-se que a carga. no caso o produto. é cons-
crn.graduadacrncentímetros medindo uma barra. Podc-seob- tante.ouinvanantenotcmpo
servarqueocomprirnentodabarraestácertamentecornpreendi- Existem. entretanto. muitas situações que requerem informações
do entre 4 c 5 em. Qual seria o algarismo que viria depois do4? fréissobrcavariaçàodacarganotcmpo.Nocxcmploantcriorcssa
Apcsardcamcnordivis:lodacscaladaréguaser 1 crn.érazoá- informação seria relativa ao instante entre o momento no qual o
velfazerumasubdivisãomentaldointervaloentre4e5crnpara produto é colocado na balança até que a medida esteja estabilizada.
avaliar o algarismo procumdo. que pode ser, por exemplo. o 7 Geralrncnteoproccssodemcdidasdinâmicasémaisrigoroso.prin-
Dessa maneira representa-se o resultado corno 4.7. O algarismo cipalrnente no que diz respeito ao instrumento. uma vez que camc-
4 dessa medida foi obtido com certeza. enquanto o 7 não. Outr.r.s terísticaspeculiarcsserdorteeel;sárias. Purexemplo.avibr.tçàode
pessoas poderiam ter lido4.8 ou 4.6. Na leitura 4.7. o algarismo umarnáquinapodcserdctcrtadacomumabarracngastada,dcsdc
7 foi avaliado crnpiricamentc. N5o se tem certcz.a do algarismo queelaoonsigavibrarnamesrnafaixadefreqnênciadamáquina
7. por isso ele é duvidoso. Não teria sentido algum tentar avaliar (porém não entr.mdo em ressonância). ger.tndo ioccrtez.as que fi.
o algarismo que vem depois do 7. Para isso. ter-se-ia que imagi- quem no máximo dentro das tolcrJncias exigidas pelo processo.
nar uma subdivisão maior (centésimos da menor divisão) do que As características dinâmicas dos sistemas de medidas possi-
aquela já utilizada (décimos da menor div isão). Par.r. a maioria bilitam a análise do comportamento desses sistemas no domínio
dascscalas.éaccitávclaavaliaçãoatédécimosdamcnordivisão frcquência. denominada resposta em fre<juência. Ou então pos-
da escala. Portanto.sealguérnlcr4.73paraa medida da Figura sibilitam a análise de parâmetros no tempo corno o tempo de
I .21 não estará agindo corretamente. pois o último algarismo da reS(HJSia e o fator de amortecimento do sistema. A Figura 1.22
mcdidaécornpletamcntcdcstituídodcsentido. ilustraessestrêsparâmetros
Comoregragcral.deve-scapresentararnedidacomapenas Os sistemas podem ser separados em duas grandes famílias
os algarismos de que se tem certeza mais um único algarismo distintas: lineares e não lineares. Apesar de existirem muitos
26 CapíwloUm

'[L_ 'lc_ lc_


(a)
wr w
(b)
ts t
(c)
t

Flgura 1.22 (a) Rc5post.a em frcquência (w. ~ma a frcquência de cone). (b) tempo de ~5post.a (tJ c (r) fator de amorteciniCiliQ de um
si5tema genérko (quanto maior o fator de amortcçimemo. menon:s as rn;cilações em tomo do valor fin.al).

problcmasrcaisq uecnvolvcm sistcrnasnãolincarcs.priorim-sc diferentes de 7.ero. Apesar de muitos sistemas reais possufrem
a simplicid:tdc, e na maioria das vezes um modelo linear é ado- ordens a11as, na maioria dos ca<;os eles são modelados matema-
tado,rncsmocom algumaspequcnasimpcrfciçõcs. ticamcnt ccomcquaçõcs difercnciaisprioriza ndo as implkidadc
Sistemas lincaressãoaqueles nosquaisnscq uações domo- Scndoassim.napr:itica.amaioriadossistemaséntodcladacom
de los11olineares. Uma equação diferencial é linear se os seus equações de orde m zero a dois. Um modelo de segu nda ordem
cocficierucssãoconstantesouapcrmsfuuçiloda variável inde- égeralrncntesuficiente.considerando suaslimitações. parades-
pcndeute. A conscquência mais importante é que o princípio da cre\·er a m~1ior pane dos siste mas físicos de uma gama conside-
superposição pode ser aplicado em um sistema linear. Ele esta- ráve-l de aplicações.
belecequc.seduasentr.JdasL, eL,.estabelcx-emduassaídasS, No estudo do componamento dinâmico dos sistemas, é co--
e S1• então quando a entrada for (L, + L,.) a safda pode ser de- mum fazcr-seaan:'ilise da funçio de transr('r{lncia. Essa aná-
composta em urna soma de efeitos (S,) + (S 2). Ainda. se a en- lise é importante. uma vez que representa matematicamente a.~
trada for K(L 1 + 4). então a saída será k(S, + SJ. A Figura 1.23 característi cas do sistema. A função de tran sferência para um
mostra um diagrama de blocos em que é mostrado o princípio sistema linear T(w) 6 definid01 como a re lação da safda S(w) pe-
do teorc rna da superposição em um siste ma linc:tr. laentradaE(w):
Um sistema genérico pode ser desc rito em termos de sua
equaçãodiferencialcornumavariável gera l .l·(t)como: T(w) = S(w),
E(w)

Ir, 7if + u,_, ~;:~7 + ... + " ' ~ + lt0x = /(1) Uma vez que os sistemas são modelados com equações dife-
renciais a análise pode ser feita em todos os instantes de tempo
em queft..t) é uma função estímulo. A ordem do sistema é dcfi- desde (r) O até (I)""· Entretanto. geralmeme utiliza-se o domínio
nidapelaOf'dcmdaequaçãodiferencial. frcquência em vez do domínio tempo. pois facilita o tratamento
Um sistema de orde m zero é do tipo: t~r = ft..l). Apenas o matemático. Além da fac ilidade de tratar equações diferenciais
cocficientCI'oé diferente de zero na forma de equações algébricas. o domínio frcq uência pennite
Um sistemadeprin~eiraordemédotipo: 111 ~ + a0 x = /(1). visualizarcomclare7.aos limites de velocidade ou frequêocia
Por exemplo. se for necessário medir a velocidade angular de
emqueapcnasoscocficiemesa0 e a , silodifcrc ntcsde7.cro. um eixo de motor a lO 000 rpm. é importante que o scnsor uti -
lizado co nsiga rncdi r velocidadessupcriores.Essa6umainfor-
Um sistema de segunda ordem é do tipo: u, ~ + mação fác il de ser observada em um gráfico no domfnio frequ-
· dr
dx ência.AFigura 1.24mostr.tareprescntaçilodeu m sinalnodo-
a, d/+ tt0 X = / (t). onde apenas os coeficientes tr 1• a, c a 0 são míni o tempo c no correspondente domínio frequência.

11 1.8 Transformada de Laplace- -


A Transformada de Laplace (TL) é frequentemente util izada na
rcsoluçàodeequações diferenciais.lssoscdel'e principalmente
ao fato de que as TL tr.msfonnam operações de diferenciação e
integração em oper.tçõcs algébricas. Funções como se nos, cos-
senos. ex ponenciais. entre outras. têm sua tmnsforrnada em for-
ma de relações de polinômios. Além disso, a TL traduz urna
resposta fiel do tran sitório, assim como do regime pennauentc.
A variável .~ representa uma frequência complexa (f + jw c se
Figura 1.23 Sistema linear. aplica à maioriadassituaçõcsreais, uma l'cz queclaconvergc
Conceitosdclnstrumemação 27

... ..., .......... ""' ......... ...,


I(Hz)
(b)

Figura 1.24 Rcprescmaçiio de um sinalftt) • scn(w,t) + scn(w,l) no: (a) domínio tempo c (h) no domínio frequência

para excitações que iniciam em 1 =O. como a funç~o salto uni- Tabela 1.3 Transformadas de Laplace de algumas
tárioquepodeservistanaFigum 1.25 ;:
'";;o
"Oo;
õe:;::'- - - - - - - - - - - -
de ~~~~i~~-s~~:~~~: ~~::~s~~~p~~~~t:~:r~~a~:~~:~Tom~~da ftt) F(s)
A TL é definida como· j(t) = .5(1) F(s) = 1

JI < O=> j (t) : O


F(s) • ;
11 > 0=> /{1) : 1

em queftl) é a função no domínio tempo. a qual se descjaco-


nheccrnodomíniofrcquência,F(s)éatransforrnadadcLaplacc /(1) =I f'(s)=~
de Jtt) e suma variável complexa do tipo u + iw.
Observa-se que a Tmnsformada de Laplace é definida de O a
""·portanto muitas funções não podem ser analisadas. Entretan- j(l) = «-"'
to. todos os sistemas reais se iniciam em 1 = O.
Aaplicaçàodaspropriedades(vejaa Tabcla lA) juntamente
com uma tabela de Transfom1adas de Laplace de funções (veja F(s) '"' - ' -,
/(1) =te "'
a Tabela 1.3)sãosuficientespamsercsolverumasériedepro- (s+at
blcmascnvolvcndocquaçõesdifercnciais

j(l) • SCilwl F(.•)= ·•' :w'


/(1) =OOS«JJ F(s) "' s' :...,,

j(l) - ,.

ftt) = ,.(' "' F(s) • (s +n~r•

j(t) • r "' scnwr f'(s)= (s + ,,'f + .,l

Figura 1.25 (<l)SahounitáriodctcnsJoc(b)suacquivalênciade


F(s) • (s +sa~' <1+ w'
umachaveemsériecomumafonte
28 CapítuloUm

Tabela 1.4 Propriedades da TL


Propriedade M 1-"(.i)

aJ,(t)+u,j,(t) a,F,(s) +u,F,(s)

ftat)
H~l
Deslocamento no tempo ftl - a)u(t - 11) ,. ~ F(s)

Deslocamento na frequência <' "Jlt) F(s + a)

<!!_ ;-1-"(s)-.ftO- )
Di fcrenciaçãonotcmpo
"'
d' f
s'F(s) -s.ftO- )- f(O- )
dt'
d' f
--;;; .v'P(.<) - .r'JtO- ) - .if'(O- ) - n o-)

'.!..L s"l'(s) - s"-' J(O- ) - .<"- 'f(O- ) - f" ' (0- )


dt"

Integração no tempo
k(')"' ~P(s)

Di fcrenciaçãonafrequência t.ftt) -f,F(s)

lntegraçàonafreçuência m JF(sj(/s
'
f;(s)
Periodicidade no tempo f{t) • j{t + 111)
~

JtO• ) !~~sP(.<)

Valor final fi•) :~;F(s)

Convoluçilo f,(l)*/,(1) P,(.<)· F,(.<)

Setodasascondiçõesiniciaiss;lonulas.entãoa Tr.msfurmadade umaintegraldei(t).enquamooindutorprovocaaderivadai(r).


Laplace da equação diferencial é obtida simplesmente substituindo-
Nesse exemplo. fi representa a Transformada de Laplace do
se~ pors, frorsleassimpordiame.Porexcmplo.acquação
saltounitáriodaexcitaçãonotempo.
das tensões em um circuito RLC série excitado por uma fonte de
tensão constante do tipo salto unitário pode ser descrita JXlr.
~ 1.9 Transformada Inversa de
- E+ Ri(t) +L t/:2) + --J: j i(t)dt = O ~ domfnio ;- ~ Laplace - - - - - - - - - - -
Oprocessomaternáticodetmnsforrnarurnaexpressãododorní-
~ Rl (s) + úl(s) + 15~) = ~ nio s para o domínio tempo é chamada de tmnsformada inversa
de Laplace (TIL). Esse processo é impo11an1e. uma vez que a
em que /(s) representa a transformada de La place da corrente resolução no domínio frequência da resposta dos sistemas pode
i(l). Nesse caso. observe que a natureza do capacitor provoca simplificarsignificativamcntcoscálculos.Entrctanto. umavez
Conceitosde lnstrumentação 29

resolvida a equação. geralrnente6. nccessário \'Oitarparaodo- zero (arigor cxistemrestriçõesparasistcmascom\'Clocida -


rnínio tempo. Para isso. utiliza-se a TIL: dcs altas). Conforme pode ser visto na Figura 1.26, a saída
tem uma dependência com a e ntrada traduzida por uma cons-
I •o•/"
1
C [/(s}) = /(t) = 21Tj • .L F(s) · e -"ds. Deve-se destacar que. modcladodctalhadamcntc. es.<;e sistema
poder.'\ apresentar características bastante diferentes de um sis-
Os limites de integração da transformada inversa denotam tema de ordem zero. Podem. por exemplo. ser evidenciadas in-
os limites da região de eon\•crgênda. utili7.ados na própria de-
nuências parasitas romo indtnâncias e capacitâncias. não linea-
finição da transformação diret a (s =- CT1 + jw). em que a esco--
ridades.cntrcoutrns.Entretanto.namaioriadas\'czesaaplicaçiio
lha da pane real é limitada por pomos si ngulares. A aplicação
detenninacl a necessidade de um modelamento mais afinado. e
di retadessaequaçãoen\·olvea necessidadcdcalgumconheci-
o exemplo da régua potenciométrica. na maioria das \ 'CZCS, per-
mc nto sobre 3nâlise romp lexa. Por outro lado. na maioria das
mite o caminho m:lis simples.
aplicações práticas utili 1.a-se um método de decomposição da
O sistema de primeira ordem pode se r definido corno·
eq uaçiioalgébricacm semfrnções parciaisquete m funções
conhecidas no domínio tempo (a Tabela 1.3 lista algumas des-
sas funções).

ernquea,eíloSllococficicntcsconStantesej( r) é afunçl\oestí-
t 1.1 O Análise de Sistemas de mulo.
Ordens Zero, Primeira e Segunda - Nesse caso. pode-se mostrar que:
X(í1 1s + a 0) :: F(s) e<~ função de transferência:
No sistema de ordem ze ro, :1 re~posta ou saída do sistema é da-
da por: I
X( s) =- ~ - = ~ e ainda. considerando-se a
.l = ..!../(t) 1-"(s) íl 1s+110 s + ao
"• "•
A variávclxseguir.ia função de excitação j(l) instantanea-
mente com um fator ..!... denominado se nsi bilidade estática .
função excitação /(1) = lrJt << O=/(t) =O
O=/(t) = . pode-se \'erificar
1
"•
Dessa forma. um instrumento de ordem zero representa um de- na Tabela \ .3 a sua TL 1-"(s) = ; e dessa fonna X(s) pode se r
sempenho dinâmiro ideal. De fato. nesse tipo de sistema não é
necessáriorcso]\•ereq uaçõesdifercnciais. uma vez que apenas evidenciada:
ocoeficientet'o6.difercme dezero. I
Uma régua potenciométriea é Ulll tipo de tra nsdutor de
deslocamento uti lizado largame nt e em mngts da ordem de
X(s ) =! · ~ c nesse pont o pode-se fazer a aborda-
s s + (\,
milímetros a centenas de milfmc tros. Esse tipo de transdutor
pode a princípio ser modelado como um s istem a de ordem
"•
gcrn de frações pardais ron hecidas para que a resposta possa

g 0,7

I~ 0 ..

<•I "
1•1 (b)

Figura 1.26 (11) Régua potenciométrica e (b) resposta resistência l'f'r.JIIS tempo (n X 1).
30 CapfluloUm

ser anali sada no dom(nio tempo. A equação pode se r descrita

X( s) = ~ +- 8
- . e m que A e 8 serão de1ermi nados
s s+ ' na,
porequivalênciaàequaçãoorigin:~l: (a)

Ass+(:::)Bs = s(•: ~)· e daquipode-seobservar


""'""'*" .. --Siol-<111~-
a, "•

!
A + B ~O

que A~ = ~ eassirn !'


a, ti'
;u
I I
!'
A = ~.11 -- ~~ X(s) • .....!!2.. - - '-'•- =
"• "• .< (<+'",,,)
=.,,,. x( ~ - .-~ J ·. .,
(b)

em que !i é c h~mado de co nsta ntt' d<' tempo. que como todo Figura 1.27 ténni, o: (ll) equi1·alentc elétrico e (b) respos-
Si~tema

"•
o tenno exponencial caractcri7.a a resposta do sistema de primei-
taaosaltodctcmiX'rnWrn

r.~ ordem. Em outras p;llavras. esse sistema te m um atraso em


rclaçãoàfunçãodcestímulo.
Uma mcdi~· ãode temper..lturo com um sensordo tipo PTIOO om q•o w.' • "'- o Ç• -:-'T,;--
pode se r modelado. simplificadamcnte. por um sistema de pri- 11, 2a~ ~"o ti:
meira ordem. Esse ti po de sensor tem urna saída de resistência
w. éafrcquência angulareÇ.o fa tor deamorta-:ime tll O
elétrica em fu nção d3 temperatura. Considerando que ele seja
pcrfeitamcntelinear.dependeráexclusivamemedatransferência
de calor pela massa que compõe o sensor. Dessa fonna. se o es- Novamente cons iderando que /(1) = \tf t >< 0O~f(t) =O
~ /(t) = .
1
tímul o considerado for um salto de temperatura instantâneo. a
resposta pode ser vista na Fig uro 1.27. onde também é apresen - pode-se verificar na Tabe l:1 1.3 a s ua TL F(s) =.; (a função
tado um modelo elétrico do sistema. A massa aquedda é mode- degrau é muito utili~da na prthica e é usu~lrncnte a princi pal
lada pela capaci t1lncü•. enqua nto o nuxo de calor é limitado por função de análise de resposta dos sistemas reais). Dessa forma.
umaresistência.Obscrva-sequeaprincipalcaracterísticadessc novamente pode-se isolar X(.v) e buscar na Tn bela 1.3 uma fomm
tipo de sistema é um atr.•so da safda e m re lação ao estímulo da de frações parciuisconhcc id:tspar:lde te nninaratran sfonnada
entrada. No caso do IYf I00. ele apresentou um atraso ou delay invcr:sadcLaplacc.Vcrifica-scqueaseguitllc cs trutura éco nhc-
até que a respost:tda safd11 Sccstabili 7.ae rn um valor relativo ao cidaepodeseraplicadaao proble rna:
estímulo da entrada.
Um sis te ma de segunda ordem pode ser escrito da seguime X( s ) I I w} =
forma: 00 s(s 1 + 2Çw,s + w. 1 )

=~ s
I[I <+ 2/w,
.v 1 + 2§w,s + w. 1 =
l
c.aplica ndoas propricdades daTL:

(tlzS + " •s + a,_.) X(s) • F(s)

A funç1lo de transferência pode ser evidenciada como: ea


+-(<+~.::t•+ w,'-
re..~posta final no domfnio tempo:
(< +:J; + w,' ]t
X(s) l w}
F (s) • 110 s 1 + 2Çw.s + w. 1
Conccitosde lnslrunw:ntPÇik> 31

É impor1antc salicmar que esta resposta é definida apenas


para 1 > O(domínio da TL). A resposta do problema evidencia
que c:tiste uma frequência amortecida w~ç ujas funções sinusoi-
dai s osçilarlo. Além disso. ainda e)[iste um fatur de a morteci-
menlo f responsável pelo vrershoo1 assim çomo pelo tempo de
estabiliz:1çàoda respostados istcma
Um exemplo de apliçaçào de un1 sistema de segu nda nrdçm
é o dinamômetro. Ele ~XX~e ser mode lado simplilkadameme por
um sistema massa mola. que por sua vez tem um equivalente
elétriço RLC confonnc evidendado pcln Figura 1.28.
O dinanômctro pode ser mode lado pela equação:

2,Forças=M~
c a resposta no domfnio tempo:
dessnforma.

2, Forças=M~
...<:.,
'"'(~)·· ~M - ""iMJ

emque.J;éa força de excitação.C•• o çocficicn te den trito vis-


J - j• l.ll c
.<(<) • - - ~
çoso e K. a co nsta nt e de Hooke (da mo la). Aplica ndo a Trans-
formada de Laplaçe. tem-se: K + '"vK" scn (Hc'
~
__ J M
....::..a.._
4M 2
1

X (s)
f;(s ) = Ms '
I
+C~s+ K
v' -4MK
em que
• K
w; = M,f= ,.,jK;·
C
Osgráfioosdarespostano
Considerando a c:tdtação /,(1)"'"
l
t<O=/,(t)= O
'
t > O=J.(t) = I
= 2
te mpo para diferentes f podem ser vistos na Figura 1.29.
Na Figunt 1.29 pode m ser observadas três situações caracte-
=f;(.f) = ~- !XX~c-screescrevcracquação ristiças:

AmOI"tecedor

(a) (b) (<)

Figura 1.28 (a) Dinamônw:tro. (h) esquema musa niQia e (c) equi,·alente elétrico
32 Capítulo Um

Figura 1.29 Resposta no domínio tempo para um sistema de segunda ordem com diferentes fatores de amortecimento

Sistema subamortccido: O < Ç < I: nessa s itu~ç5o. existe um Sistema supcramortecido: Ç> I: a respost~ do sistema é lenta.
m•erslwor.cacstabilizaçàodosistcmapodcscrrápida. scmo\'erslwor.
Sistema criticamente a morteddo: Ç = l: nesse caso ocorre a Observa-se que à medida que Çdi rninui tende-se a um Sistema sem
si tu~ç~o limite. em que a resposta inicia uma tendência expo- amortccimento: Ç =O:nessecaso.ascornponentessinusoidaisn~o
nencialcrescentesemocorrênciadeorerJhoot. decaem e consequcntememe o sistema osci la indetenninadamente.

escala registrasse 12 V. com base note~toaprcscntado. quais os


possfveisproblcmasquepodcriamestarocorrcndo(considcrcquc
osensorestcjafuncionandopcrfcitamente)?
17. Oquc vocêsugerepararcsolverosproblemasdoexercícioante-
rior?
t8. A tempcmtummfnimaque umccrtoterrnômetmconsegue le r é de
O "C c máxima de 95 "C. Esse tennf\metm tem um mostmdor di -
gital (display ) de 2 dfgitos ~em pomo flutuante (mostra. apcna'
númerosintcims). Pergunta-sc
a. Qualafaixadeoperdçàode<seinmumemo?
9. Defina ra~treabilidadc c compa.mbilidade b. Qualovalordospa11?
tO. Oquesãopadrões?Paraqucscr.·cm? c. Qual a resolução desse termômetro (limitada pelo diSJ>Ia)·)?
li . Oque éumacadeiademed ição? 19. Considerequcoseguinteerrocomeceaocorrcr:umvalorde5 "C
t2. Oqucéumsistcmadcmcdição? está somado em todas as tcmperatums. a tempemtura mínima é
13. Definahistereseewnamorta mostrada como 5 "C e a máxima como 105 "C. Como se classifica
esse erro?
t4. Quaisasdiferençasenlre: padrões primário. se<:undário.derefc-
rêndaedetmbalho? 20. Umsensordcprcssãoterncomosafdaacorrcntei.sabendoqucela
variou di= 250 mA pam uma \'aria<;iio de pressão de 10 bar. Cal-
tS. Umscnsordctcmpcrmuratcmumarcspostadc J mVf'C. Umam -
culeasensibilidadedessesensor
plilicadordeganhoiOOéentàomnntado.cumruídodefundode
lOmVpodeserevidenciado.Pergunla-se:qualasensibilidadedn 2 t. Quaisasvantagcnsdcurnscnsorcomrcspostalinearernrelaçãoa
sistcma?QualarelaçàosinaUruído? umscnsorcomrespo,lanàolinear?
16. No mesmo sistema. considere que a fai~a de operação é de O a 22. Sabendoqueumabalançatcrnurnazonamonade JOOgramas.
IOO"CequeosensordáumarespostadeOVaO"C.Dessaforma. traceográficodeumaenlradadcpcsosdeOa IOOOgramas(eixo
atensãodefundodcescalaseria IOV.Perguma-sc:scofundodc X) •ws"sasafda(ei~o Y)qucapresentaazonamona
Conceitosdc lnstrumcntação 33

2J.Pcriodicarncntcosinstrurncntosdcvernscrcalibradosparacvitar extcnsôrnctroderesistênciaclétrica.cornporxloumacéluladecarga
qucerrosmaiorcsqucoscsperadosscintroduzamnasmcdidas para medir movimentos vibratórios de baixa frequêocia(deslocamen-
Descrevaumpmceswdecalibnu;àogenéricQ to). Que tipo de si"ema é es.o;e? Fa<;a uma modelagem simplifi<·ada
24. A Figura l.30mostraumsinal:(a)compostopelasornadosinal dessesistcmap;lmumestímulodeforçaPeasaídadiscinciad.
represcntadoem(b).comumruídorepresemadocrn(c).Calculca 29. Sejaumsistemagcnéricocomascguintefunçàodctransferência
rel:u;àosinaVruídoparaQsinalde(a)
!-~(.<) = Ts 1+ . Determine a resposta ao sallo unitário para esse
25. Quantosalgarismossignificativostêrnasscguintesmcdidas? 1
a.l23.555 sistema com T= L T= 2. T= 3. T= 4. T= 5
b.l256,90
JO. SejaosistemarncdinicodaFigural.33.Considereasscguintescoo-
c. 1256.900
diçiiesiniciais:posiçàoinicial!.emx(O)=O. '·elocidadeinicialzem
d.0.0012569
c.O.l2569 *=0. ama.ssaM= 1 kg.aconstantedamola K = 1.5%. e a
26. Cite um c~empl o de sistema de ordens zero. primeira e segunda
27. Um fomo resi;,tivo tem um estímulo de ten.l.ào elétrica (excita<;ào) constante do amortecimento B = 2 NYm· A equaçàodcssc sistema
earespostaconfom1eaFigura 1.31. Determinca funçãodctran~­
ferênciadessesistema é M~+B~+Kx=O. Detennincarespostadesscsisternaa
28. A Figum 1.32 mostr.J uma barra enga.wula CQm um sensor do tipo umestfmulodeforçadotiposahounitâriooufi.r) • J.<.(I).

-o· 25 o O.OOS0.010.0150.020.0250.030.03e0.0<0.0<50.DI!
t(S]

(c)

Figura 1.30 (11) Soma do sinal mai'i ruído. (b) sinal e (c) ruído
34 Capítulo Um

Respostaaosako

\ \ stlmulo
\ Resposta {temperatura)

f (S)

Figura 1.31 Estímulo e resposta de um fomo resisti1·o relativo ao Exereído 27

Extens6metro

~:·
Figura 1.32 Célula de carga relativa ao Exercício 28 Figura 1.33 Sistema mecânico relativo ao Exerdcio 30.

4 BIBLIOGRAFIA - - - - - - - - ECKMAN. D. P. fiUfustriaf ino·trumt>nlation. Ncw Delhi: Wiley Eastern.


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Fundamentos de Estatística,
Incertezas de Medidas e Sua Propagação

t 2.1 Introdução - - - - - - - - porumeletrogoniôrnetroparaseavaliaraarticulaçãodobraço


(Figurd2.1):
Todo procedimento de medição consiste em detenninar expeti-
mentalmenteumagrandczafísi'-'a.Ateoriadcincertezasauxilia 40" 60" 50° 50° 30° 60° 40° 30° 30°
na dctcmJinação do valor que melhor representa uma grandeza, 40° 50° 300 ]Ü 0 60° 50° 20° 50° 20°
embasado nos valores medidos. Além disso. auxilia na determi - 30° 40° 40° 50° 70° 70° 80° 40° 60° 50°
nação. com bases em probabilidades. de quanto esse valor pode Qualéarnédiadeãngulos!XJraesseensaio'! Asmedidasdeten-
scafastardovalor vcrdadciro.oqualcaractcrizaainccnczadcs- dência ccntrdl mais comumente empregadas são a denominada mé-
samedida. dia aritmética (nonnalrnente chamada apenas de média). a mediana
Utiliza-se o tcrmo incr rte za-pad riio paracspccificaradis- eamoda.Éimportanteressaltarqueexistemoutrostiposdemédias
pcrsão das medidas em torno da melhor estimativa. calculada etodassàocorretasquandousadasnocontextoadcquado.
como o desvio padr5o dessa estimativa (corno ser:i visto no de-
Por definição. a média aritmética (X) é a soma de todos os
corrcrdcstecapítulo.cssctcrrnodifcrcncia-sedodcsviopadrão
da amostra)
Na prática. existem muitas fontes possí"eisde incertezas.
valores (t.x,) dcumdadoensaiooudcumacolcçãodcdados

incluindoadefiniçãoincompletadomensurando. amostragem divididapelonúmerototal dedados(ll)'


não representativa. conhecimento incorreto das influências am·
bientaisou a própria medição incorreta dessas condições. re- fx,
soluçãofinitadosinstrumento<;,valoresinexatosdcreferências. X = l : L _ = X,+ X,+ X,+ .. + X.
valores inexatos de constantes utilizadas no algoritmo. entre

Osobjetivosdestecapítulo são: compreender o significado


deparâmetrosdetendênciacemral.dedispersãoemumconjun-
to de dados. assim como outms ferramentas matemáticas que J (
possibilitem a cmnpreensão do significado da incerteza de me-
didasede s uapropagação. ~
4 2.2 Medidas de Tendência

\
Central - - - - - - - - - - -
1 2.2.1 Média - - - - - - - - -
Existem diferentes tipos de médias para fins espedficos. Quan-
do utilizada. é necessário avaliar o tipo de média conveniente
paracaracterizarofenômenoestudado.
Usando uma definição simplificada. o termo média caracte-
riza o valor mais típico ou o valor mais esperado em uma dada
coleção de dados ou eventos. Considere uma coleção de dados. Figura 2.1 E<boçode um eletrogoniômetm posidonado para a\·aliar
28 no total. que pode representar. por exemplo, o ângulo dado osângulosenvolvidos cmdetertninadosmovin;cntosdcumbraço

36
FundamentostleEstatfstica.Jrl(.-ertezasdeMcdidaseSua Propagaçâo 37

Para o exemplo dado. a média é

28
A média aritmética pamcsse exemplo é de 44.64°. Conside-
mnrJo..se os algarismos significativos. dc\·e-sc descanar o 0.04
(eoosidcre que. nesse equipamento. a variação de ângulos é de
lo em ! 0 - !l'soluçãodoinstrumento).

~ 2.2.2 Mediana, - - - - - - - -
Repre senta o valor médio do conj unto de dados ordenados em
ordem de grnndcza. ou seja. a rnédi:• ;lritmética dos dois valores
centrais. A Figum 2.2 mostrJ a distribuição dos dados do ensaio
comoelctrogoniômctro.Anulisandoafigura.perccbe-scqucl4
valoresseencontramcntre0° c40° c 14 valoresest~oentre 50°
c900. Portanto, a mediana é dada por:
40+50 90
M~-diana - - - = T = 45°
2 Figura 2.3 Fonnas de onda e sua> com:;;pondcmcs m~dias aritmé-
ticas:(a)senoe(b)ondaquadr.tda
emque40° e50° reprcS<!ntarnosvalorcscentrais.

dois dados são ··muito grandes·· ou "muito pequenos" quando


~ 2.2.3 Moda - - - - - - - - - comparados ao restante dos dados.
A moda é definida r;:omo o valor que ··mais frequentemente ocor- Um excelente exemplo do cuidado que se deve ter ao utiliT..ar
re"" no coujunto de dados. Fac ilmente se percebe. pela distribui- a média para avaliação de um conjunto de dados é esboçado na
ção da Figura 2.2. que a moda é o ângulo de 50". Figura 2.3. que mostm fonnas de onda nonnalmente utilizadas
Para o mesmo conjunto de dados forJm eneontrJdos três di- em ciências exatas.
ferentes tipos de medidas de tendência cemml: a média aritmé- As formas de onda mostrodas na Figura 2.3 represemam e\'en-
tica igual a 44.6°. a mediana dc45 ° e a moda de 50°. Em diver- tos diferemes. mas têm a mesma média aritmética. Sendo assi m.
sas situações experimemais, a média não é um pardmetro útil na avaliação de experimentos ou de fenômenos. de\'e-se Ulilizar
paro avaliação do conjunto de dados. cspedalrncntc se um ou com muito cu idado esse pardmetro e todos os demais. para e\•i-
tar conçlusões equivocadas.
A média é um par.lmetro mais inten.:ss.antc quando o IO(c de
dados medidos é simétrico. ' A mediana é muitas vezes utilizada
quando o dado é altamente assimétrico. Já a moda pode ser usa-
da para responder questões do tipo: qual é a causa mais comum
da mortandade de pe ixes em um aquário?
X X X X X X
X X t 2.2.4 Média geométrica e média
harm6nlca - - - - - - - - - -
Amédiagcométrica ém uita§vezcsutilizadaquundoosdados
são assimétricos, 2 como por exemplo em diversos estudos da

' Sn>,.lria: a máli a. a •noda~ a mo\liana >io romcidcmes.Os~"""'"' a ... guir


::;'::'n:' pc><.jçOO rdaoi•·asda málil.o:L:i mediana cda moda.rom~~~mplos

~- ~-
'Assim~tna (..,I>Ç<lot<desvoadils)pode·Jc
uUhlllfa ..,laojjo~mpfric:a:
Figura 2.2 I:Jiemplo de uma distribuiç:lo de dados MMia- Moda • J (MMoa- Mediallll).
38 Capíwlo Dois

medicamento
. ..,..,
Tabela 2.1 Dados do exemplo ela dosagem de um 600

Par11o.rtili~ar(ml)

512

"'
utilizada(ml)
eo..,.m
rntante(ml)

256
128 f:
128
64
32
64
32
64
32
l:
área biológka. A média geométrica (MG) paro um conjunto de
dados (11)~dada por:
Figura 2.4 Gr:lfJCO para o exemplo da dosag<'m de um medicamento.
MG = ;jx, X X~ X ... X X,

Consid.::rcaseguintcsituaçiio:cmumd.::lcnninadoexperimcn-
to. é u1ili zndo um medicamento de uso restrito cuja embalagem Tabela 2.2 Vibração de um chassi durante um mês
contém 512 rnl. A ap licação leste desse produto é realizada em cin-
codiaseacadadiaéutilizadaa lllC!adedados.agcm restante. A Vibraçáo(aceleraçiio emmls')
T3bcla 2.1 apresenta os dados organizados para esse experimento. 1 2.29
Rclcmbrondo. a média aritméti ca da dosagem par.a aplicar
1.98
por dia é dada por:
1.56

X =~
ix, X,+ X~+ ~ 1 + ... + X.
2.()..1

X• ~X,= X, +X, + XJ + X. + Xl = Corno exemplo. seja um ensaio para se detcnninar a vibra~ão


5 5
deumchu~ s i dumntc 1mês(Tabcla2.2).
512 + 256 + 128 + 64 + 32
- ~ 1%
5 A média aritmético desse experimento é dada por:
e a média geométrica. na pr.ilica. é dada nonnahnente em Ioga-
ritmos:
X • t,x, X,+ X,+ Xl+ ... +X. •
MG = JO{.. ..I~.r ....lri-':'.Jr,}+ ..... 1•1) " n
2.29 + 1.98; 1.56 + 2,04 iil 1.97n){,
MG = IO(""'ml·""'~l·~•l:II•""'MI•Ior! J>IJ iil 128.
c a média harmôn ica é dada por:
A Figura2.4apresentaográlicoparnesses dados

MJ/ = ~ ~[.X,. !_ + ...!._~


1
A média h:mnônica (MH) para um conjunto dedados (n)édada
por: ... +...!... =
X X

MH [i±] [+ + +~ +f] ~(-1 -+-,---'-~---


"
1 -+-1 ~a i.93'X1
" " 2.29 1.98 4 1.56 2.04
e geralmente é utilizada quando os dados do experimento envol-
vem nv.õc:s. como. por exemplo. metros por seg undo. Em algu-
mas situações. podem ser atribuídos pesos (também chamado de A relaçilo entre as médias aritmética. geom~trica e hamlôni-
pondcr.açilo)w, diferenlesàsparcelas: ca para um conjunto de dados positivos é dada por:

MH :s; MG :sX

MH ["' +"'!.~ . . +-""-]


X, X. X
Éirnponantcnovumcn teobservarqueexistemdi\"e rsas rne-
didasdc tendêncü1 central e que todas sãocorrc!aS(]U:lndousa-
das nocontexloadcquado.
FundamcntosdeEstatística.locertczasdeMcdidaseSnaPropagação 39

41 2.2.5 Raiz média quadrática ou valor eficaz: nesse caso. seria denominado corrente eficaz ou
(root mean square) - - - - - - - - correntcnns. Considere o sinal senoidal daFigura2.6.qucre-
presentaaformadeondadatensãosenoidal.
Nas ciências biomédicas, na física c na engenharia, é muito co- Atensàonnsdatcnsàosenoidalédadapor·
murnousodeoutrasmedidasdetendênciacentralquepossucrn
significado especial em determinadas aplicaçOes. Dentre elas
dcstaca-scaraizmédiaquadrática(rms)
Considere a seguinte fonna de onda (Figura 2.5) obtida por
sendo V...., ovalorm1s, To intervalo de tcmpocntre/ 1 ct,c V(t)
um gerador de funções (ou comumente denominado gerador de
sinais). A média dessa função é a área da fom1a de onda dividi- a função tensão elétrica variante no tempo. Para esse seno (onda
nàoretifícada),ovalorefícazou nnsé·
dapelosegmentodesejado:

')
X=r ,,x(r)llt

onde .~(1) representa a tensão elétrica. no caso


A rnédiarrnséamplamenteutilizadaemcircuitoselétricos.
na análise de sinais biomédicos. naanálisedevibraçõesdees-
truturaseemdiversasoutrasaplicações.l'araavaliarosignifí-
cado físico. considere uma corrente se noidal (AC) que circula
por uma resistência elétrica durante um tempo Tdissipando uma
dada potência.
Nessa mesma resistênóa e para o mesmo intervalo de tempo.
uma corrente contínua (DC) circulou dissipando a mesma po- Considere urn circuito dcoominado retificador de meia onda.
tência. Portanto. o valorefetivodessacorrente alternada deve apresentadona Figura2.7.
ser igual ao valorda.,orrente.,ontínua para que a potência dis - Nesse circuito o diodo (dispositivo apresentado no Capítulo
sipada seja a mesma. O valor efetivo é chamado de valor rms. 3) atua convertendo urna tensão na entrada AC (V,.) em uma ten-

Amplitude

''"""
etélfica(V]

+~~
~,._,.,
Flgura2.5 Fonnadc ondaparacxcmplificaramédiaquadrática Figura 2.6

·O i Figura 2.7 Esboçodoretificadordemciaonda


40 Capí1Ulo Dois

s.ãode saída DC pulsante(V- ).A frequêociade saída é a mesma


daentrada.eatensãomlsédadapor

v_= ~('<V<r)) 2 dr
l -f.-v-,~-,-
v = J-'- f"(Vsen(9}>1tlt - Jr_c- , (-o)d-9
- 211" G ' 211" G'

v_ -f IX!r.l o retificador de meia onda.

t 2.3 Medidas de Dispersão - Figura 2.9 Curva de diMribuiçilo normal par~ os capacitores.
Em todas as medições ocorrem v~'riaçõcs. independentemente do
tipodeexpcrimentoqueestej:t scndoavaliado.ouseja.em um
processode rnediç!lomuitaspodc rn scras fontcs deincencza dos dados. Duas das propriedades de medidadedispcrsàode
Suponha o processo de mediç!lo d:t massa de um determina- dados são a variância (if) e o desvio padrão (if) p~ma uma popu·
do lote de um tipo de compone nte eletrônico. Em um dado pro- laçãodedados. na qual a variância (ul)édada por
jeto. a especificação IX!r:l esse componente eletrônico é de uma
massa de 1.45 g: mas qu~tndo uma amostra de 30 comtJOnemes i;(x,- R)'
idênticos é pesada adequadamente. os resultados obtidos são ul •..i=L___

indicadosnaTabela2.3enaFigura2.8. N
É importante obse!'•ar que todos os capacitores .são idêmicos. eodesviopadrào(u)éaraizquadradadavariânciadcfinidopor:
porém existe dispers!lo de dados em tomo da massa desejada
Percebe-sequeosdadosseguemumacurvafamiliarna área
das ciências e teçnologia. denominada curva de distribuição
norm al (\•eja a Seção 2.4). que possibilita \"cri ficar a frcquência
da oconincia de um determ inado dado e a medida da dispersão
em que X1 representa os dados. X. a média aritmética do con-
jumodedados eN.o tOial de dados do conjunto. Para uma amos-
Tabela 2.3 Amostra da massa (gramas) dos tra pequena de dados. no lugar de tF é utilizado si. no lugar de
30 capacitores idênticos ué utili zados e N - I no denominador.
U6 1.18 1.20 1.26 1.26 1.30 1.30 1.30 1.33 1.35
1.40 1.41l 1.41l 1.40 1.40 1.43 1.>0 1.50 1.50 i;(x,- R)'
sl -..t:L___
1.50 1.53 I.Ol 1.60 1.62 1.65 1.70 1.70 1.70 1.81 N - 1

•=Jt(x,- x)'
N - 1

41 2.4 Conceitos sobre


Probabilidade e Estatistica - - - -
A população sobre a qual é neccss:l rioobter cooclusões é repre-
sentada por amostras experimentais. Considere. por ell:emplo. a
tarefa de determinar a resistência elétrica de todos os resistores
fabricados por uma indt1stria em um dado mês. Evidcmcmc me.
em geral. n:'lo é \'Í:!\"el medir todas as resistências de todos os
resistores. mas sim de um conjunto signific:tti\"O denominado
Figura 2.8 Gr.ifíC(l<'m b:uTas par11 rn; o;apadto~s amostra. No caso de indústrias dosetorcletrocletrônico. as amos-
Fundamentos de Estatística. lnccnczas de Medidas e Sua l'ropólgaçOO 41

tras podem ser representada~ por componentes, ao passo que. (d) regra d a multipl icação de dois eventos E 1 e E1 (ou da inter-
nas ciências biológicas. consistem em iTKiivfdoos que podem ser secção de dois e\·entos: E, U E,):
plamas.animais.cél ul as.órgãos, tccidosetc.
Nos exe mplos citados anterionnente. as amostras são di fe-
rentes, pois as populações evidentemente também o são. As (e) regra da 11roha bilidad t lotal paradoise"entosE, e E,:
amostras se rvem para a caracterizaç~o da população. como por
exemplo peso, volume, área. com primento. co ncc1Uração de um I'( E1 ) = P(E n E,)+ f'(E n Ê,) •
1 1

produto. pH. parâmetros elétricos. e ntre outros. de uma dada • I'(I:."/E1) X P(E1) + P{E/E,) X I'(F,):
população. Em co ndições ideais. a amostra dc uma população
deve ser escolhida aleatoriamente parJ ser significati va: por (I) inde pendência: se a probabilidade condicional P(E.JE,) =
exemplo. a média da amostra (média amostrJ I) de\'C representar P(E1 ), por consequência. o e\•ento E, nào afeta a probabil i-
a melhor e5tinmti \·a da média da popu lação. Portanto. é ncces- dadedoevemoE1.Doise,·e ntoss.ãoindependcntes se qualqucr
s:irio estabelecer que a média da amostra seja confiável como uma das seguintes afimtações for verdadeira: P(E,IE:) =
uma estimati\'a da média da população. P(E,): /'(E/ E ,) = P( E1 )eP(E , n E1) = P(E,) X I'(EJ .
A confiabilidade de uma média amostrai está diretamen te
Teorem a de n ayes: permite calcular a probabilidade condi cio-
re lacionada com a variabilidade das medições iTKiividuais e com
nal en tre even tos:
o número dessas medições. É necessário. portamo. algum pro-
cessodcmedidadavariabilidadc.

t 2.4.1 Fundamentos sobre


parai'(E1) > 0.
probabilidades - - - - - - - - - A d ist ri buição de probabilidade de uma vari áve l aleatória
Por definição. es paço a mostra i é o conjunto de todos os resul· X é uma descrição das probabilidades associadas com os valores
tados possh·eis de um experime nto aleatório e en•nt o é o sub- possívcis deX.Pordefinição.paraumava rián•l a lea tória dis·
coojunto do espaço amostrai. Por consequência, a proba bilida- ereta X. com \'alores possíveisx1,x1..... x. sua função de pro-
de de ume,·en to E. que ocorre dcm maneirns diferentes.em um ba bi li d llde é dadapor:
total de 11 modos possí,·eis igualmente prováveis. é dada por:
/(.f;) = P(X = x,)

I' = P( E) = ~ sc ndoj(.t.)dcfinidacomoumaprobabilidade.ouseja.j(x,) 2: O

paratodo .t 1 e t. j(x,) o= l
sc ndo i'(E)tambémchamadadeprobabilidadedeocorrênciado
eve nto E. Sendo assim. a prolxlbilidade de nilo ocorrência do
Função d ist ribui ção c umulati va: por definição, a fun ção dis-
event o E é
tribui ção c umulati va em um valor de X é a soma das probabili-
~ ~~~ = l - ~ = I - P(E). dades em todos os pontos menores ou igual a X. Po rtanto. para
11
q = P(E) =
um a \'arián•l aleató ria discN\a X a função di stribuição cu mu -
Ax iomas de proba bilidades: se o espaço amostrnl é indicado lati\·aédada por:
por U e o evento por E em um experimento aleatório. e ntão
F(x) "' P(X s x) = ?;. t<x, ).
P(U) = I;
Q s P(E) S l ;
As mesmas definições são util izadas para variáveis aleató -
P(0) = 0: rias cont fnua s. ou seja. a função d e nsidad e de llrOb u bili-
P{l) = I - I'( E). d ad e ftx) de uma va rhhcl a leató r ia co ntfnuu ta mbé m po-
Regras de probabilidades: de se rutili za dap1Jradetcrminarprobabilidadesco nforme se
seg ue·
{a) rt>gru dn adiçíio de dois eventos E, e ~(ou d1 união de dois
C\'Clltos: E, U E.J: P(E, U E,.,j = P(E,) + P( f:_..)- P(E, n E.j;
jf(x }dx = P(tl < X < b )
{b) sedois eventosE, eE., nãoapresemamime~ào(E, n E.,=
0 ). são chamados de t \·entos m utu a mt ntt t~cl ude ntes ou
exclusi\·os. Portanto. P(E, n EJ = 0: I'(E, U EJ = P(E,) + ca funçiiodis tribui çãocum ul at im dcuma,•a riá\·cl a leatória
/'{E1) - P(E, n E1) = P(E,) + P(EJ ; co ntínu a X. com fu AÇão densidade de probabilidadefi:x) é dada
(c) prob11 bilidade condicional P{E/ E,): a probabilidade con-
dicionaldeumeventoE,,dadoqucurneventoE, ocorreu.é """
obtida por f(x) = P(X s x) = j f(u)tlu.
P(E, n E, )
I
PE,IE, = ~ · ) para -co < x < oo, Assim sendo. a função distribuiç~o ç umula-
tiva P{.l) pod<: ser relacionada à função densidade de probabili-
parJI'(E,) > O; dadc/(.t) c pode ser usada para obter probabilidades·
42 CapítuloDois

P(a < X < b) =I f(x)dx =I f(x)dx -


.wces.m ou falha. Se X = 1 indicar o resultado sucesso e X = O
representara falha. então as funçõe s probabilidades podem ser
represent~das por:

-J. f(x)dx = F(b ) - F (a) j{ l ) =P(X= l ) =p


j{O) = P(X = O) = 1 - p
em que o parâmetro p (O < p < I) indica a probabilidade do rc-
t 2.4.2 Distribuições estatísticas - - sultadosucesso.Seemeadatentativaindependenteaprobabilida-
dep pennancçcrconstantc, o experimento aleatório é denominado
A seguir são apresentadas as princi pais distribuições que nor-
experimento bh1omial. cuja função distribuição binomial com
malmente os dados obti dos experimentalmente seguem. Em ge-
parâmetros/' (O< p < 1) e n (u = { l. 2. 3.... })é dada por:
r~L a deterrnina'iào experimental dos d~dos ou ensaios permite
gcrarhistogramaslutilizadosparaaproximaroudeterminara
função dislribuiçào que melhor descreve o experimento. Com a f(x) = ( : )p' ( l - p)'-' .
fun'iào d istribuiçãodeterminada.el~éut i lizadaparainterpretar
os dados do experimento correspondente parax = O. 1.

41 2.4.2.1 Distribuição binomial - - - - em que ("x ] ~ - "-'- :


x!(n - .r) !
sendo assim.

Considere um experimento aleatório, de n tentativas indepen-

(x")I
p' 1 - p l·-· = [-"'- ] p' Il-p l·-·
dentes, cujos resultados possívei s possam ser rotulados como
f(.l) =
x!(n - x)!

Amédia,_.. eavariânciaa"-pamumavariáve1aleatóriabinomia1
'HistogramafumarepresemaçãográficadadisltiOOiçãodefrequêndas(\'~jaas
Figura• 2.8 e 2.!0) de um de.enninado evento oo experimento. Nonnalmenle Xcornparâmetros pens:io:
represemadocomoumgráficodebarrasvel1icais_ BasicanJ<:nlefumgráfiCO
1-1 = E(X) = np
rompo>loporretângulO!Oj ustapo>l"'""queaba"'d<cada umdebcorre<pon -
deliO int<;f\'alodeda's.c c a su a atlur~lrcsrcctiva f.-eq uênçia a"- = V(X) = np(l - p)

e Exemplo -------------------------
Considere que os veículos de uma determinada montadora apresentam 30% de sin istros em função de p roblemas relacionados
ao projeto de sua suspensão. Uma amostra aleatória de 35 desses veícu los foi se lecionada. Seja X a variável que represen ta o
número desses veícu los com problemas, en tão X é uma variável aleatória b inomial com parâmetros {n. p) = (35.30%). Suponha
que o interesse seja determinar a probabilidade de que cinco ou menos veículos apresentem esse prob lema, ou seja, qual a pro-
babilidadeP(X :s 5)?
Para solucionar essa questão, basta lembrar·se do seguinte conceito:

F(x) • P(X :s x) • .~, f(x).

sendo f( x ) = (~ )p' (t - p)""' a função distribuk;ão binom~l. ou seja,


'I• I ~ P(X "i ~ L 'l•,l ~
'·~'
I(")p·l,_ pr·
X

F(S) • P(X :s 5) • P(X • 5) + P(X • 4) + P(X • 3) + P(X • 2) + P(X • 1) + PÇ( • O)

sendo:

P(X = 5) • f(5) "' (


35
5
Jo 30' (1-
'
0.30)~ 0 = [~]0.
51(35 = 5)!
30'(1- 0.30)-.
P(X .. 4) • 1(4) "' ( ~ Jo.30•(1- o.30J"'-•
e assim sucessivamente.
Fu ndamcntosdc Estalística.locertczasdc Mcdidasc Su a Propagação 43

Deixamos a cargo do leitor comparar seu resu ltado com a simulação realizada no Matlab:

:>> \ S i mulação do exemp l o u sa ndo a função densidade cumulat i va


,.,. \ b inomial (b i nocd f )

>> prob l • bino cdf( 5 ,3 5,0 . 3)


p rob l • 0.0269

,.,. \ ou u sando a f u nção densidade de probabilidade b i nomial


,.,. \ (b ino pd fl

,.,. prob2 • sum(b i nopdf(0:5,35,0 . 3))


prob2 • 0 . 0269

Sendo assim, a probabilidade de q ue cinco ou menos veículos apresentem esse problema é de apenas 0,0269, ou seja, 2 ,69%. Ape-
nas como exemplo, a Ftgura 2.10 apresenta a função densidade de probabilidade pare esse exemplo com p = 15%, p = 30%, p =
60%ep = 90%
:>:> x •O : S ;
>> pd fl • b inopd f (x, 35 , 0 .1 5) ;

n • 3S P • tS'Yo
'·' r-~~--'------,
0,18 _ -:----- 0,0016
0.16 0,014
0,14
0,012
0,12 - ~ 0,01
~ 0,1
0,008

'·"' 0,006

'·"'
'·"'
0,02 0,002

,,,
><10.. n a 3S p • SO'Yo x 10""' n a 3S p • 90%
3,5
' -
,---- '·'
,,5
'·'
,.
~ ~
'·'
) ,5
'·'
0,6

0,5
,.
J '·'
)b)

Figura 2.10 Funções den.<idadede probabil idade pa.m o cxemplodo'iveículo• (n = 35): (ll) CQm p = 15%cp = 30%e(b) comp = 60%e
p=90%.
44 Capítulo Dois

,.,. pdf2 • b inopdf(x ,35,0 .30) 1


,.,. subplot(l,2 , 1 ) ,bar(x,pdfl,l, 'w')
,.,. title('n • 35, p • 15 \ ') 1
>> xl abel ( 'X' ), ylabel ('f(X)' I1
,.,. axis square1
» subplot (1, 2 , 21, bar (x,pdf2, 1, 'w' I
,.,. title('n • 35, p • 30\'l;
» xlabel I 'X') , ylabel ( ' f(X)' I;
,.,. axis squar e ;

,.,. pdfl • binopdf(x,35,0.60) 1


,.,. pdf2 • binopdf(x,35,0.90) 1
» subplo t (l,2,1) ,bar(x,pdf l, l, 'w' )
,.,. titl e(' n • 35 , p • 6 0 \ 'l;
,.,. xlabel ('X'), yl 3bel ( 'f (X) 'I;
,.,. axis square ;
,.,. subplot(L2 , 2) ,ba r(x,pdf2,L 'w ')
» title('n • 35 , p • 9 0 \ ');
,.,. xlabe l ( 'X' ), yl<~bel ( 'f (X)' I;
,.,. axis square;

Apenas, como exemplo, a F~ura 2.11 apresenta a função densidade de probabilidade comp • 30% ep • 60% para 4 veículos.

'·" 0,3
-
'·''
~0,25-

n
,---
0, 15
'
,,
0,05
0,05
, I

Figura 2.11 Funções densidade de probabilidade para quatro veículos (n = 4) do problema amerior com p = 30% e com p = 60% (consi -
denmdo-scP(X :S 5))

til 2.4.2.2 Distribuição de Poisson - - - A média e a variância de um processo de Poisson sào dadas
A função distribuição de probabilidade de Poisson é dada por· por
E(.t) = A = V(x)
f(.t)= e-.:~·, Por definição. um experimento aleatório é chamado de pro-
cesso de Poisson se os eventos ocorrem ao acaso ao longo do
parax =O. 1.2.3 ... intervalo de sua duração, como por exemplo o número de alunos
com parâmetro A (A> O). que representa eventos aleatórios no quefaltaramduranteumsemestreouonúmerode defeitosno
tempo comprimento de um cabo coaxial
FundamcntosdcEstalística.locertczasdcMcdidascSuaPropagação 45

e Exemplo -------------------------
No preparo deste capitulo, foi executado o verificador de Oflografia e gramática para avaliar os erros tipográfiCos apresentados pelo
editor de texto. CoosK!ere que os erros por página. nessa revi são. seguem o processo de Poisson com A • 0. 15. Determine a proba-
bilidade de que uma página tenha no mínimo cinco erros.

Para soluciOnar essa questão, basta lembrar- se do seguinte conceito: F( x ) = P(X s x ) = ,~, f(x), sendo f{x) =e-~:· a função dis-

tribuição de Poisson. Foi solicitada a probabilidade para no mínimo cinco erros. ou seja, P(X ~ 5), ou seja,
P(X ~ 5) - 1 - P(X < 5) - 1 - [P(X - 4) + P(X - 3) + P(X - 2) + P(X - 1) + P(X - 0)]

Como P(X = 4) = f{4) = e--<l· ':~· 15• ,

e--{1,'~~· 1 5 ' e--{1,'~~·


1 50

l
P( X = 3) = f(3) = e assim sucessivamente até P(X = O) = t(O) = = e-o.'":

,~"0,15' + ,~"0,15' +
PX~5)=1 - 4! 3!
( e --<l·'"015 2 e -o.'"015' e --<l·'"015°

l
[+ - -'- + --'- + --'-
2! 1! O!

'<"o
- - '15' ,~."o
- +- -' 15'
-+
P(X2:5) = 1 -
[
+ e~;'0, 15 , + e --<J6, +e-""' a 5,5858 · 10 '
2 015
.

Por simulação no Matlab

>> prob • 1 - poisscdf(4,0 . 15 1


pro b "' s .s ssse-007

A F1Qura 2.12 apreseota a função distribuição de Poisson para ,1. = 0,15 e ,1. = 0.20

0,18 r - -
0 ,16
0 ,14

0,12
0,06
â 0,1
0,06
0,06

0,,

Figura 2.12 Funções densidade de probabilidade para um processo de Poisson com ,1. = 0,15 c ,1. = 0.20
46 Capítulo Dois

41 2.4.2.3 Distribuições gama e terminado evento ocorrer ou para modelar os tempos entre
exponencial - - - - - - - - - - eventos indcpcndcmcs. como por exemplo o tempo cmrc cha-
madas telefônicas em uma central telefônica. A funçãodis-
A funç~o gama f (r) é definida por: tribuiçàocumulativaparaadistribuiçàocxponcncialédada
por:

parar > O
Resolvendo-se essa integral por panes
F(x) =
l
o ' ·' < O
._.
I - e- :x <!: O

ccomdcfiniçàofinitaobtém-scacxprcssão
f (r) = (r - I) f (r - I) e com r inteiro:
Oistribuiçtog.ama
f (r) = (r - 1)!.
A função densidade de probabilidade
gama. com par~mctros A > O c r > O (r é
umnúmeminteim).édadapor:

f(x) = A' x ,..'e-'-' .


f ( r) 0.6 //

parax > O,commédiaevariància· ~o.s 1:


0 ,4 ,' j
Jl- = E(X) = f
o.a , :
,,
0.2 1----
0.1 _.·
u 1 = V(X) = f,-
o~,--~,.,~~~7--7--~~~~,~.,~~~•.,~~
Comocxcmplo.aFigura2.13aprcsentaal-
gumasfunçõesdensidadedeprobabilidade
gama para valores de A = r = I:A = r = Figura 2.13 Funções densidade de probabilidade gama com parâmetros A= r= t (li-
nha cinza): A = r = 2 (1 inhatraccjada)eA : r : )(linha pontilhada)
2eA =r= 3.
Na distribuição gama com A = r = I
temosadistribuiçàoexponcncial(vejaaFi-
gura 2.13 - linhacinza). .:asoespccial do ,,. ,---------.---Orn="c;· ibu"<'
o' ='c:-''=-'""="=;'"=------------,
""
proçcssodePoisson.dcfinidapor:
flx) = Ae- -''.
paraO s x <""
CUJamédiaevariànciasàodefinidaspor:

~L = E(X) = ±

u1 = V(X) =f,.
Umcasocspccialdafunçàodistribuiçào
gamaéadistribuiçãoqui-quadradacompa -
rãmetrosiguaisaA= l/ler= 1/2.1.3/2.
2•... conformcilustraaFigura2.14.
De forma geral. a distribuição expo- Flgura2.14 Funçàodcnsidadcdcprobabilidadcqui-quadrada (casocspccialdafunção
nendal pode ser usada para modelar a distribuiçãogama) çomparJmetro'A = lf2cr = lf2(1inhacinlll)eA = lf2er = l (linha
quantidadcdctcmpoqucfaltaatéumde- tracejada)
FundamcntosdcEstalística.locertczasdcMcdidascSuaPropagação 47

e Exemplo -------------------------
Considere que o tempo entre entradas de alunos em uma determinada sala segue uma distribuição exponeocial com média de 38 se-
gundos. Qual é a probabilidade de que o tempo entre entradas de alunos seja met10f ou igual a 25 segundos?
Como a distribuiçãO segue uma tendência exponeocial, ou seja.

F(x)= Jo :x <O.
l t -e-"' :x;e,O
a média entre entradas é de A = 1/38 e a probabilidade roiertadaé P(X s 25), ou seja

P(X s 25)=1 - e-'" =1 - e·HF "' 0.482

ou.viaMatlab:

» cdf • expcdf (25,38)


cdf = 0.4821

Como exempk>, a Figura 2.15 apresenta a função distribuição exponeocial f(x) para A= 1/38 ex de O a 0,2

OistribuiçAoel<pOilellCiaJ

0,02 0,04 0,06 0,08 0,1 0,12 0,14 0,16 O,ta 0,2

Figura2.15 ExernplodefunçàodensidadedeprobabilidadeexponeocialcornA= l/38.

4 2.4.2.4 Distribuição de Weibun - - -


F(x) = I
Apresenta diversas aplicações na área da engenharia. como por
exemplo em ensaios de fadiga. em sistemas que apresentam fa-
Amédiaeavariânciasâo·
lhas em relação ao tempo (normalmente componentes mecânicos
eelctrocletrônicoscujonúmerodefalhasaumenta,diminuiou
se mantém constante com o uso), análisedeconfiabilidadede p. = E(X) = S·f'(l+i)
processos. entre outros.
Afunçàodensidadedeprobabilidadeédadapor·
(Tl V(XJ =<h(l +~)-sl [r(l +i)]'
=

sendo r obtido por r(r)= (r - I) r(r - 1). mas JXlra r intei-


para x > O. com pan1metro de fonna {3 > O e de escala li > O. A
funçàodistribuiçàocumulativaé· r (r) = (r- I)!
48 Capítulo Dois

e Exemplo -------------------------
Supooha que o tempo de falha. em horas ele uso. ele eleterrninadas engrenagens mecânicas. pode ser moclelado ~a distribuição de
Weibull com parâmetro de zem ou de fonna f1 • 1/2 e parâmetro de escala l:i • 10000 horas. Determinar o tempo médio de uso das
engrenagens até elas falharem e a probabilidade de que durem no mínimo 2.000 horas de uso.
Logo, o tempo médio de uso dessas eng renagens é de

"~ E(X) ~ 8 · r [1 +il~ 10 0CXJ X+ + * l~ 100CXJ X r(3) ~ 100CXJ X (3 - 1)! ~ 100CXJ X 2!

1-l = E(.X) = 10000 x 2 = 20000horas.

e a probabilidade de que as engrenagens durem no mín imo 2 000 horas de uso é de·

F(x) • 1 _,·{if
P(X > 2 000) = 1- F(2000) = 1-e -{~f"' 0,3606 .. 36,1%
Sendo assim, aproximadamente 36,1% das engrenagens duram no m ínimo 2 000 horas. No Matlab·

» cdf • weibcdf ( 2000,10000A -0 .5,0. 51

AFigura2.16apresentaafunçãodistribuiç5ocumu lativaF(x) Ao realizar medições seguindo rigoroso procedimentoex-


para o exemplo amerior, e a Figur.1 2.17. a função distribuição perimentalecomdiversasclasses.provavelmenteacurvaque
de Wcibullflx) para diferentes valores dos parâmetros (3 c/) melhor aproxima o comportamento dos dados da maioria dos
fenúmenos físicos é a chamada curva norma l ou gaussiana.
t 2.4.2.5 Distribuição normal - - - - cujafunçãodensidadedeprobabilidadeédefinidapelaex-
pressão
Pode-se agru]Xlr as medições em classes de tmnanho. proceder

-;;:n; e~ .
à contagem do número em cada classe e plotar um histograma 1
dafrcquêneia mostrando como as medições estão distribuídas f(x) =
Portanto. o histograma de frequências pode ilustrar a correspon-
dente distribuição de probabilidade de um dado experimento. para - oo<x<oo

Figura 2.16 Função di ~trihuição cumulmiva f'(.r) para o exemplo anterior. em que o eixo
Xreprescntatotaldchoras
FundamcntosdcEstalística.locertczasdcMcdidascSuaPropagação 49

0,9

Flgura2.17 Funçàodcnsidadcdcprobabilidadcj{x)dcWcibullpara8 o: f3 o: I (linha


<·inza),8= 3.4ef3=2(1inhalracejada)e8=4.5ef3 =6,2(linhaponlilhada)

, ~ J I x' - (~:)']
sendo X(-""< X<"") a média aritmética (dos dados indivi-
duais x) - ou seja. o ponto em que a distribuição é simétrica -
eu(u>O)odesviopadrJ.o - ouseja.amedidadavariabilida- ,, - 1
dedamcdidarelacionadaàmédia.
A média (ou valor esperado) c a variânda de uma distribuição A Figura2.18apresentaacurvanormalparadiferentesvalores
normal são determinadas por: de méd iacdcdesviopadrJ.o.
X= E(X) e d' = V(X). O ponto interessante é que a distribui - Seoprocessoforverdadeiramentealeatórioecorresponder
a uma distribuição nonnal. o valor registrado pode ser a média.
ção normal é completamente definida por esses dois panime- seguidodavariâneiaoudodesviopadrJ.odoeonjuntodcdados
Qualquer medida pode ou não ser a média. e 68% de todos os
Na prática. raramente é conheddo o desvio padrão da popu- valores encontram-se no intervalo entre -I ue +I rr. 95%, entre
lação u, mas é possível estimá-lo pela determinação do desvio o intervalo -2ue +2u.e99.7%, crttre o intervalo -3ue +3u
pndrãodaamostras (vejaa Figura2.19)

Percebe-seque o denominador é dado


por n - I. porém para a média da popula-
ção X odcnmninadorcorretoélt:naprá-
tica no entanto a média é estimada. ou se-
ja.éamédiadaamostrap..Seexistemn

'"'""do o~~~.''""""" - I
valoresdexsiioindepcndentesde X. Em
outras palavras. existem somenten- I
graus de liberdade. Apesar de ser mais
conhecida. aexpressiioparaodcsviopa-
dràoanterioréraramenteutilizadaemsis-
temas computacionais. Nesses casos. os
algoritmos são implementados com a ex- Figura 2.18 Fun_,ilodcnsidadede probabilidadcgaussianaparadifcrentesvalorcs de
pressão a seguir. gerando erros computa- média e dcdc<vio padrJo: 11- = 1 = u(linhacinza), 1'- =O eu= I (linha pontilhada), 1'- = 2
eu=0.5(1inhatraçoeponto)el'-= I er:r=0,5(1inhatracejada)
50 CapítuloDois

Nornmlmcntcafunçiiodistribuiçãocumulativadcumavariávcl
aleatória nonnal padrão é dada por:

Geralmenteessesvaloressàotabcladosparapcrmitiraobtenção
ráp idadosvaloresdesejados. ouseja.

Figura 2.19 Desvio padrão e sua relação co•n a média na curva As tabela~ padrões fornecemos valoresde <J:>(z)para valores
deZ. Algumas ferramentas computacionais utilizam a chamada
função erro para determ inar o cálculo da função distribuição
cumulativa(<!l(z))paraumavariávclalcatórianormalpadriio(Z)
Por exemplo. o Matlab utiliza a função erro (er.J(x)) para deter-
Se uma variá~·el aleatória norma l a .T = l e f.l. =O. essa va- minar•l•(z):

~eif( -Jr) + ~
riáve l édenomin;tda padr.1o(variávcl aleatória normal padrão)
indicadaporZ: </>(z) =
Z = x-f.l..
if e utiliza a função 1Wm1n/j(x. f.l., ff) para detemtinar <!>(~)

e Exemplo -------------------------
Considere que em um estudo biOlógiCo sejam realizadas diversas med idas do diâmetro da pata de ratos de laboratórk>. Considere que
esses diâmetros seguem uma distribuição normal com uma média de 10 mm e uma variância de 4 mm. Determine qual a probabilida-
de de a medida exceder 13 mm, ou seja, P(X > 13)
Calculando e simulando no MaUab, temos (veja a F~gura 2.20):

,.,. sigma • 2;
,. ,. specs • ( 13,25 ) ;
,.,. prob a n ormspec(specs,mu,sigma)
prob • 0.0668

Sendo assim, a probabil idade P(X > 13) é de aproximadamente 0.0668

0,2,-----==""'====='---------,
0,16

0,16
0,14

j0,12
'; O,t
00,08

0,06

0,0<
0,02

0~
0 ----~----~~~~~--~~--~

Figura 2.20 Curva distribuição nonnal para o c.xemplo anterior.


FundamcntosdcEstalística.locertczasdcMcdidascSuaPropagação 51

t 2.5 Correlação, Correlação naFigura2.22.qucaprcscntadifercntcsamostras(sinaisdigitais)


com a correspondeme aproximação linear (para mais detalhes.
Cruzada, Autocorrelação, verificaraSeção2.8.noCapítulo2.sobreregressâolinear)eseu
Autocovariãncia e Covariãncia corrcspondcntccocficientc dccoJTCiação(r)
Cruzada ---------------------- Quando a correlação é realizada pelo deslocamento no tempo
de uma forma de onda em relação à outra. é realizada a denomi-
Quando o experimento desenvolvido envolve um conjunto de
nada correlação cruzada r_,. para sinais analógicos (r..,(S)) c
dados. por exemplo. x e y, e deseja-se avaliar a relação entre os
digitais(r,,(m)):
doisconjuntosdcdados.é interessante utilizar parâmetros que
dcterminemograudevariaçàoentrexey.
Um dos padmctros mais utilizados para avaliar o grau de r.,. (ô) =+I y(l) X x(t + ô)dt
dispcrsão,cntrcdoisconjuntosdcdados (xcy),ou dois sinais
.~(l)ey(l). é acorrelaç:io(r). que é dada na fom1a analógica
r.,. (m) = .!_ iy(k) X x(k + m)
poc· 11 •=•
r=~Jx(t)Xy(t)<:lt
sendoôavariáveldeslocamentoutilizadaparadeslocarx(t)em
rela'<ãoay(r). Paraexemplificarodeslocamcmonotempo.ana-
lisca Figura 2.23.A Figura2.23((1) apresema dois cossenos.
enafonnadigital por: sendo um deles deslocado no tempo e a Figura 2.23(b) o deslo-
camcmo no tempo. demonstr.mdo que essas formas de onda são
r = .!.ix(k)Xy(k)
n,.,
em que Trcprcsentao intervalo de duração
do sinal analógico dado em segundosen a
quantidadedeamostrasdosinaldigital.
CabcobservarqucousodoparJ.metroeor-
relaçãoimplicaanormalizaçãodossinaisda-
da por:

emqued'rcpresentaavariânciadossinais
ouconjuntodedadosxeyer__,,,...,.acor-
relação normalizada. Lembrando que a va-
riânciaparasinaisanalógicosedigitaiséde-
terminada por: ~ u u u u u u u u
Tompo

u' ~ +)[.<0) - :c[' d'


• .• ,-~----------------,

u ' ~-'-i;(,, - x)'


n-1 ,_1

emque _"f rcprcscntaamédiadossinais.


O coeficiente r..,._,,,_,. pode apresentar va-
loresquevariamde + l a - l.representando
dois sinais idênticos ou dois sinais exatamen-
te opostos. respectivamente. Para exemplifi-
cara importância do par;1metro correlação. a
Figura2.21aprc!>entaalgunsexcmplosdcsi-
naisana lógicos.A Figura2.21(a)dernonstra
queosinalsenoecosseno demesmafrequên- CorretaçAo (r): 0,988
ciasàosinaisdcscorrclacionados(r = 0). O
exemplodaFigura2.21(b)apresentaacorre- · 1 .s L
0 -e-
0 .,,----:,,,=--o,7.,---coo'cA-0,c.5,----:0 .o-
6 ----o07.r---coo'o.8-~__J
lação do sinal seno com uma onda triangular Tompo
qucdcmonstraqueacoJTClaçàoéalta.ouse-
ja. esses dois sinais ~presen1mn ~lta similari- Figura 2.21 Exemplos de sinai' e sua C<.>m:laçJo r: (a) sinal <;.eno e cos>eno .'lào des-
dadc(r=o0,988).0utrocxcmplocncontra-sc com:tacionadose(b)altacorrelaçâoentreosinalsenoeondatriangular
52 CapítuloDois

, _ - 0,99143
, _ -0,83783

o.
ill

l.! ~.o ' ·' 3.5 •.o • .~

Eixo X Eixo X

, _ - 0.54525


w.

3.0 u •.o •.~ s.o 5.5 s.o Figura 2.22 Amostrasdecnsaioscocoefícicntcde


Eixo X correlação r

Í[-~(t) - X(()][ x(t + ô) -


similares. Assim. uma das aplicações da correção cruzada é o
alinhamento de fonnas de onda similares. C-" (.S) = _.!._ X(t)]Jr
T,
Também é possível deslocar uma função em relação a ela
mesma em um processodenorninadoautocorrelação r""'(.S). A
autocorrelação descreve corno um determinado valor. em um
C"" (m) =.!. Í [x(k) - :rJ[.t(k + m) - X]
dado tempo. depende dos valores em outros tempos. Em outras
" •-•
palavras. descreve a correlação do sinal com porções dele mes- Similarmcntc,a covariânciacruzada C.,(ô)éumamcdidada
mo em outros tempos. Para obter a correspondente função de similaridadedodesviodedoissinaissobresuasrespectivasmé-
au tocorrclação. bastasubstituirnacorrclaçãocruzada r"' uma diase é definida por:
dasvariáveis.porexernplo,x = y:

r... (O) = +[x(t) X x(t + O)dt


C., (ô) = +[[>it) - YW][x(l + O) - X(t)]dt

r.. (m) =.!.n,_,


Í. x(k) X x(k + m).
C"' (m) =; t,[>ik) - .Y(f)][x(k + m) - X([)}

AFigura2.24aprcsentaexernplosdcformasdeondaesuascor-
rcspondentesfunçôcs dcautocorrelação.A funçãodcautocor- 4 2.6 Conceitos sobre Inferência
rclaçãodosinalclctrorniográfico(EMG)dcscorrelacionarapi- Estatística e Determinação do
dameme - característica de sinais aleatórios (conforme também
esboçaa Figura2.25)
Tamanho da Amostra - - - - - -
Outramedidautili7.adapamdescrcvcradispersãocntrccon- Experimentos, de forma geral. podem ser analisados usando-se
juntos de dados é a função de autOCO\'ariâ ncia (C"'(ô)). que doisprocedimentosestatísticos.teste de hi]JÓtcsesou intervalos
pode ser utilizada como medida da memória do desvio de um de confiança. que serão abordados de forma resumida neste ca-
sinal ao redor de seu nível médio. Suas expressões para sinais pítulo(paramaisdctalhes. sugerimos ao leitor que consulte as
analógicos e discretos são: referênciasbibliográfieaslistadasaofinaldesteeapftulo).
FundamcntosdcEstalística.locertczasdcMcdidascSuaPropagação 53

~ u u u u u u u u
Tempo(s}

~ u u u u u u u u
Tempo(s}

Figura 2.23 Dois cossenos: (a) com um dos cossenos deslocado no tcmiX' c (b) deslocamento no tCIHIX> ajustando os dois sinais.

lmagincqucvocêestejaimercssadoemdeterminarecompa- Nesse exemplo, a conjcrtura poderia estabclcrer que a média


raratransmissibilidadedavibrJÇàodedoisassentosautomotivos. aritmétieadastransmissibilidadesdavibraçãodcambososassentos
constituídosdcmateriaisdifcremes,atravésdoaparatoc)(pcri- éigual(oquercprcscntariaqucosassentusdcmateriaisdifercntcs
mental cujo esboço se encontra na Figura 2.26 (para mais deta - apresentam o mesmo comportamento dinâmico em relação à faixa
lhessobrcscnsoresadcquadosaessctipodeensaioleiaoCapí- defrequêociadacstJ\llurae)(perimentaldaFigura2.26).ouseja:
tulo ll duVulume ll de;;taubra).
H0 :j.t, =p., --t Hipótescnula

Teste de hipóteses
*
H,: j.t- 1 p., ---Jo Hipótese alternativa
scndoH0 cfl, ashipótesesestabclccidasparaesseexpcrimemo
x.,. . x,.,
Considere quex , ,. n,
representam as observações do ej.tasmédiasaritméticasdascorrespondentestransmissibilida-
x,,,. n,
primeiro tipo de assen to c.~21 •• ~, •• , as observações do dcs da vibração dos dois tipos de a;;sentos au tomotivos.
segundo tipo de assemo. Um C)(emplo de um teste de hipótese Para verificar se a hipótese é aceita ou é rejeitada, é necessá-
em relaçãoaoe)(perimentoanterior(Figura2.26) seriaestabe - rio realizar um teste estatístico adequado. Uma das etapas essen-
lrx:cralgumaconjccturJsobrcalgumparãmctrodadistribuição ciaiséaespccificaçàodoconjuntodcdados(dcnominadorcgião
de probabilidade ou algum parâmetro que descreva o modelo do críticaourcgiãodcrcjciçãoparaotcstcsclccionado)paraotcs-
e)(pcnmento. tcestatístico.
54 CapítuloDois

..~rv
15
. " o 0 .1 0.2 0 .3
-1\J :~
O.~ 0.5 O.& 0 .7 O.& M 1
··~
·500 .<10() ·300 ·200 ·1 00 O 100 200 300 400 500

·~
M

'·'·'' .
02
.o; .· . 'r ..

... ·500.<10()·300 ·200 · 100 o 100200300400500


Oe$b:a......,10rw:>l..-.p<>(n)

Figura 2.24 Sinal senoidal c sinal elclromiográfico e >uas correspondentes funçiks de aut<>CtJrrclaçào

, ;~-
'·'
'·'
. .

'·'o
..•..
,
' - ..

·500.<10()·300·200·100 o 100200300400500

,;~
'·'·''
'·'
..•.,.
o . ' ' .

. 500.<10().30() .20().100 o 100200300400500


o..toca"*""no~(n)

Figura 2.25 Sinais detmmiogclficos e suas correspondente> funçõe s de autocorrelaçilo


FundamentosdcEstalística.locertczasdeMcdidaseSuaPropagação 55

Figura 2.26 Diagrama de um possível aparato experimental para dctenninar a transmissibilidadc da vibração de doi s assentos automoti1·os

De forma gemi. se o teste nulo (H,)) é rejeitado quando é ver-


dadeiro. ume rrod e tipol ocorreu:easoeontrário.seahipóte-
se H0 nãoé rejeitada quando é falsa. um erro do tipo li ocorreu.
As probabilidades condkionais desses dois tipos de erros são
representadasdefomlaclássicapor: sendo X1 e X1 as médias das :~mostras. 11 1 e 11 1• os tamanhos da
a:= P(Erro 7ipo/) = P(Rejeita H,/H0 é Verd(l(/eim) amostra. s;. uma estimativa da vmiância u,' = u; = u obtida 2

{3 = P(Erro 1ipoll) = P(Fallwpara rejeiutrH,JH0 é Falsa). por:


Muitas vezes se especifica a potência do teste (Por) dada por: , (11 1 -l)s~ + (11 -l)s'
Po1 = I - {3 = P (Rejeita H,JH0 é Falsa).
s, 11
1
+n 2 2

Normaimenteseespccificaumvalordeprobabilidadedoer-
emques: es; sãoasduasvariânciasindividuaisdasamostras
rotipo l.clwmad:~den(veldesignificânciadoteste.eentiiose Par.t determinar quando rejeitar Ho- pode-se l'omparar 10 à dis-
reaiizaumteste(porexemplo.otestet)talqueaprubabilidadc tribuiçàotcomn1 + n,- 2gmusdc liberdade (GDt)c ao nível
do erro tipo li é pequeno.
de significância ou erro da distribuição. Se jt01 > l~·í,.,+.,-l ' a
Teste t para dois ensaios hipóteseH0 érejeitada.ouseja.amédiadasduasamostrasédi-
ferente. Porém se H 0 é verdadeira. 10 é distribuída como
Vamos supor que os dois tipos de assento seguem uma distribui-
çàonormalcommédiasJ.L1CJ.L1CVariâncias u ,' cu: . Umtcs- j10j < r%-.,••, 2 c os valores de t 0estão no intervalo -1<~-í,.,••, 2
teestatísticoparacompararasrnédias(considerandoumexpe-
rimento completamente aieatorizado): e+th.,+•,-' ·

e Exemplo -------------------------
Consjdere os seguintes valores, obtidos no ensaio da Figura 2.26, apresentados na Tabela 2.4

Tabela 2.4 Resultados do ensaio dos assentos


Assent oseutomotivos Média aritmética (i ) VariAnc ia indiYidual desamostras (s>) Ouantidadedeensaios(n)
t4,75 Hz 0.213
12,3S Hz 0,254
56 CapítuloDois

Considerando-se que as variâncias são aproximadamente sim ilares. podemos então utilizar o seguinte teste de hipóteses
Ho: /L, = 1-'1
H,: /L,* 1-'1
Para esses resu ltados·

n, + n2 - 2 • 12 + 12 - 2 • 22 e selecionando o niv~ de sign ificânc ia a • 0,05. logo 10 > /0 ·~{ , . , _ , . logo, a hipótese nula H 0 :

/L, • IL2 será rejeitada se 10 > lo.=Z> ou se / 0 < - 10 .=, 22 . Consultando a t~ da distribuição I {veja a T~ 2.5 - para verificar uma
tabela com mais níveis de sign ificância, consultar referências citadas no final deste capitu lo).~ obtemos para esses dados a =
0.025eGDL = 22·
10 > 10.=2 • 2.074
10 < -10 .o:>U2 • -2,074
Portanto, a hipótese nula H0 : .,, = 112 será rejeitada se 10 > 2.074 ou se 10 < -2.074

Tabela 2.5 Pontos percentuais da distribuição t


NíveldeSígnifíd ncía(uJ
liberdade(GDL) 0,25 0,05 0,025 0,01 0,005
I 1.000 6.314 12.7!X> 31.821 63,657
0.816 2.920 4,303 6,965 9,925
0.765 2.353 3.182 4.541 5.841
0,741
0.727
2.132
2.015
2.776
2.571
3.747
3.365
'·""
4.032
0,727 1,943 2.447 3.1 43 3.707
0,711 1,895 2.365 2,998 3.499
0,706 1,860 2,306 2,896 3,355
0,703 1,833 2,262 2,821 3.250
0,700 1.812 2.228 2,764 3,169
0,697 1.796 2,201 2.718 3,1!X>
12 0,695 1.782 2.179 2.681 3,055
13 0,694 1.771 2.160 2.650 3.012
0,692 1.761 2.145 2.624 2.977

" 0.691 1,753 2.131 2.602 2.947

"" 0.690
0,689
1.746
1.740
2.120
2.110
2.583
2.567
2.921
2.898
18 0,688 1.734 2,10 1 2.552 2,878
0,688 1,729 2,093 2,539 2,861
0,687 1.725 2,086 2,528 2,845
21 0,686 1.721 2,080 2,518 2,831
22 0,686 1.717 2.074 2.508 2.819
23 0,685 1.714 2.1169 2.500 2.807

"
25
0,685
0,684
1,711
1,708
2.0M
2.060
2,492
2.485
2.797
2.787
26 0,684 1,706 2.056 2.479 2,779
0,684 1.703 2.052 2.473 2.771
0,683 1.701 2,048 2,467 2,763
0,68 3 1.699 2,045 2,462 2,756
0,683 1,697 2,042 2.457 2,750
0,681 1,684 2,021 2,704
'"
60 0,679 1.671 2.IXXI
2.423
2,390 2.660
120 0,677 1,658 1,980 2.358 2.617
0.674 1,645 1.960 2.326 2.576

' Di•uibuição 1: ~uma distribuição de probabil idade teórica, simétrica e semelhante à curva !IOfmal padrão. O únioo par:lmetro que a define e carocteriza a sua for-
ma~ o nún~<ero de gmusde liiHrdtuü (GDL) -quanto maior fores~ par.ln~<etro, mais pró•in~a da oon11al a curva da di"ribuição '..,m
FundamcntosdcEstalística.locertczasdcMcdidascSuaPropagação 57

Obtendo-se 10
s' _ (n, - 1)s~ + (n, - 1)s~ • (12 - 1) x 0,213 + (12 - 1) x 0,254 • .
0 2335
• n, + n2 2 12 + 12 2

s. =Jü.23.35 =0,4832

I~
0

s
J-•,
1 1
-+-
~ 1475-12,35 ~ --2_,4_ _ "" 1217
1 1
0,4832 - + -
0,4832 X 0,4082 '
• n, n, 12 12

Portanto, a hipótese nulaH0:/-l, = 111 será rejeitada se 10 > 2,074 ou se 10 < - 2,074; sendo aSSim, 10 > 2,074. 12,17 > 2,074, logo,
a hipótese H 0:j.l, = 111 foi rejeitada. ou seja, para o ensaio dos dois assentos automotivos as médias aritméticas são diferentes

Intervalos de confiança e determinação do CabcobservarqueovalordCI!êarrcdondadoparaopróxi-


tamanho da amostra mo número inteiro. Essa expressão considera que a amostragem
é aleatória e que n é grande (n :2: 30).tal que a distribuição
Umadasgrandcsprcocupaçõcsdo]Xlntodcvistacxperimcntalé
normal pode ser usada para definir o inten·alo de confia n ça .~
como detenninar o tamanho da amostra. ou seja. como res]Xlnder
Para tamanho de amostras pequeno (n < 30). a distribuição f
à seguinte pergunta: "Quallfl!J wnoJ/roJ 011 ensaios derem ser rell-
é usada
/i'wdos fXIro garo•Uir um bom significado estatfstico dos meus d(l-
dos."" A resposta a essa pergunta n~o é simples. ]XliS depende do
tipo de experimento. do planejamento estatístico do experimento (a Porém. para usarmos a equação n = ( "-! BX rr
2
J. é neces-
última seção deste capítulo apresenta conceitos sobre pla{}Cjamcnto
sário especificar os valores de F:. o: (ou I -o:. que é chamado de
estatísticodeexperimentos).dospar;1metrosouefeilosquescr:to
intervalo de confiança) e u. Os valores mais utilizados de I - o:
estimados e do desvio padràoexpcrimental da média 1 desses efeitos,
qucdependedavariabilidadeintrínsecadoexperitncnto.daexatidào sãodadospela Tabela2.6.
Cabe observar que o valor mais empregado de 1 - o: é 0,95.
do experimento e do tamanho da amostm. Neste tópico s;1o apre-
sentados alguns dos procedimentos utilizados pam dctcnninar o ou seja. o intervalo de confiança de 95% que corresponde ao
tamanhodaamostra.Casonecessitcdeoutroprocedimcnto.coo-
sultarasrefcrêm:ias apresentadasnulinaldestecapítulu. z= I,96.Com z=2.0aequação 11 = (~]' fica:
O inlenalo de eonlian ça para a média TJ é dado por X :!: e.
sendo B = z"-i X-!};; o erro máximo. Logo. o tamanho da n =
2.0Xu)'
-,-
4Xu'
= ~quecorrcspondcaointcrvalodc
(
amostra,ouseja,aquantidadedccnsaiosouamostrasn.éda-
confiauçade0,955.ouseja.95.5%.
da por:

- Xul'
n = [~ Tabela 2.6 Valores usuais de intervalo de confiança
(1 - o:) para determinação do tamanho da amostra
sendozavariávelaleatórianormal.auníveldesignificftn<.:ia.rr lnte.va lodeconflança(1 n) Variável aleatória nonnal(z)
o desvio padrão e B o erro máximo usando .i' para estimar a 0.997 3,0
médialj.
0,99 2.56
0,955 2,0

;~~::~o~ad=i::;.mcy~~·,.~•"éo"::;~~;::~:~q::;:: 0,95 1,96

~~JOS=~z:,re:c~~:~':.d~e.::::•:od.,~:~ ;!':~·;x~~~:~~~: ;::;.:__ _ _ _ ___;;


0,90 1.1>1
"--------
média.Ponanto,es,..parâmetropode,..rpequenoaumentando-,..ondmerode
repetições. Esse mesmo conceito~ definido como erro padr:Io em algumas re- ' lnten•alo<leconfiança(t - n)illdicaque temosumnívet<leconfiança(n)<le
ferências da área de Estall<tica, como em (Montgomery e Runger. 2003) queam<'diaseeocontranes,..inten·alo.

e Exemplo -------------------------
Determ ine o tamanho da amostra considerando um experimento em que est imamos a média de um processo com erro máximo de 8
Suponha que o intervalo de coofiança é de 95% e que é necessária uma amostra grande.
58 CapítuloDois

Determinando o tamanho da amostra com ( ~-, f:x u } sendo 1 - a =


95%, z = 1,96 e f; =
8. Cabe observar que normalmente

o desvio padrão é desconhecido, JX)is o ensaio não foi realizado em função de não termos determinado o número ou tamanho da
amostra. Uma boa solução é realizar ak]umas med~ões aleatórias, ou seja, alguns ensaiOs aleatórios e determinar o desvio pad rão
est imado indicado por s , isto é. para esse exemplo, dez medições aleatórias foram realizadas para estimar o desvio padrão: 450. 458.
437. 425, 399. 405, 407, 409. 469, 461 . A média aritmética obtida é 432. e o desvio padrão:

I! =(~ )' = ( 1.% ~ 26.4 r =41,83 queéarredondadoparaopróximointeiro, ou seja, 42amostras sãonecessáriasnes-


seexperimento.
Para uma quantidade pequena de amostras (n < 30) e assumindo que a média das amostras segue uma distribuiÇão aproximadamen-

te normal se utiliza a distribuiÇão t para determinar o intervalo de conMnça. Nesse caso, a equação é f: = '"í X -f,;· Gabe observar

que o vakx da distribuição t diminui com o aumento den , como destaca a Tabela 2 .7. Porém. de forma geral, uma boa ~ução para
uma quantidade de amostras 10 ::s n ::s 25 é utilizar uma aproximação para r de 2.2 ou 2. 1. Para uma quantidade de amostrasn > 25.
sugere-se o aumento dessa quantidade para 30 ou 35 (caindo na condição de amostra considerada grande - uso da d istribuição nor-
mal-exemploanterior).

Tabela 2. 7 Alguns valores ap roximados da dist ribuição t versus va lores de n com intervalo de

confiança de 95% (;;= O. o;-;= 0,025 ) - verificar Tabela 2.5 (com GOL ou a = 0,025)

·-
12.7
4.30
Jii
1.00
" - t.,

12,7 X s
3,05 X s
xj;;

3,18 1.73 1,84X s

2.78 2.00 1,39x s


2.57 2.24 1,15 X s

2.45 2.45 I,OOXs


2,36 2.65 0,890X s

2.31 2.83 0.816Xs


2.31 3.00 0,770X .<
2,23 3,16 0.706Xs
15 2. 13 3.87 0.550X.<
2.09 4,48 0.466Xs
25 2.06 5.00 0,412 X s

e Exemplo -------------------------
Suponha outro experimento com 15 amostras preliminares de média aritmética 291,3 e desvio pad rão s = 63. Determine o intervalo
de confiança de 95%
Como a amostra é pequena (n < 30), o intervalo de confiança será obtido usando a d istribuição t (t,$.,;}- 15 amostras e intervalo
de confiança de 95% (1 - a = 0.95), ou seja, com a = 0,05:
FundamcntosdeEstatfstica, lrl(.' ertczasdeMcdidascSua Propagaçâo 59

e · r~l x-J;; - r~-;; x"fs=rOIJZ'> x-fs ao 2.13X16.2811134,67


logo, o iltervalo ele conliaoça para a média TJ. para esse experimento prelrnnar, é dado por X:!: e: 291.3 :!: 34,67. Portanto, essa
méOa encontra-se no intervalo ele 256,63 a 325,97.

Uma boa questão seria a pergunta: qual o tamanho da amos- tanto, a incen ezaassociadaà rcsistênci:Jcquivalente devese r
tra para estimar a média com :!: 17 unidades? Considerar uma a\"nliada segu ndo metodologia que produza um resultado metro-
amostra grande (rt ~ 30) e intervalo de confiança de 95%. lógicaeestatist ieamc ntcválido.
Com tamanho da amostra rr ~ 30 e sendo I - a "" 95%, te- E.~ta seção segucos proccdime ntoserecomcndações dodo­
mos a variável aleatória nonnal: ~ • I .96. O tamanho da amos- cumento EA-4102 E(prt'ssion ofthe U11certairtl)' ofMeiiJIIrt'menl
tra rr é obtido por: in Ct1Ubrmio11. publicado pf'io Eu ropt'tm co-opemtiorr for A c-
credita tion (EA ). Muitas defini("õeS e exe mplos desta seção são
xur - ( 1 ·~; 63 r a 52.70. ou seja. 53 amos-
n=(z.. , & reproduzidos com perm iss;.lo da EA (detentora dos di reitos au-
tora is do documento ci tado). O trmamcnto desta seção também
tras são necessárias. Como já foram realiz~das :mtccipad~rnen­ es tá de acordo com o Cuide to r/te Erpressiort of Uu cerwinty irt
Meastlrt'IIU'nt, do qual particip:m1 instituições co mo BIPM.lEC.
te 15 amostras, rc~tu m 38 a sere m rcali7.ad~s par<~ completarmos
as53necessárias.Cabeobse rv~rqucas53amostrasestàobase­
IFCC, ISO. IUPAC, IUPAP c OIML. Aqui. serão aprcsc,: ntadas
adas na estimat iva do desvio padnlo s = 63. portanto, após as rcgrasgcraisparnavaliar eexpress:traincenczacmmt'didasque
53 amo~tra.~. o desvio padrJo ntu ali 7.ado pode ser maior ou me - podem ser seguidas na maioria dos campos de medidas físicas.
nor do que 63. Sendo assim. as 53 amostras podem fomecer um Os labomtórios de calibn•çào, ou laboratórios de testes. ao
erro esti mado nm ior ou menor do que as 17 unidades supostas realizarcmsuasprópriascalibraçõcs.dcvcmaplicarutnprocc-
amerionncttte. Ponanto. o número de amostras precisa ser ajus- dimentoparaestimaraincene7.ade mcdida.Nessescasos.dc\"e-
tado (a tr.ll'és dos procedimentos apresemados neste tópico) pa- se tentar identificar todos os componentes de inceneza e fazer
ra se obter um experimento adt-quado. uma estimat iva razoável do men surd ndo. l)e,·c-se ai nda ter cui-
Nosdoisexemplosnnte riores.osdcsvioopadrõcs utilinKioo dado para que a fonnade publicar os resultados niklproduza
nos cálc ulos dos taman hos das amostras foram estimados a par- uma impressão errada dessa inccne1.a. Uma estimativa rnzoável
tirdeensaiospn:liminarcs dosexperimentos. pode ser baseada no conhecimento do desempenho do mé todo.
Outro procedimento utili 7.ado para a uxi liar na determinação bem como no escopo de medida. c deve fazer uso de. por cxem-
dotamanhodaamostraéau til izaçãodas cu n ·ascaracterísticas plo.experiência préviaevalidaçàodcdados.
de OJM' Ta("ãO (tambétn chamadas de CUf\'as OC) para um dado A melhor capacidade de mcdiçOO de uma determinada quanti-
teste. São mu ito usadas em projeto de çxperi mcntos ç podem sçr dade é definida como 3 menor inceneza de nll'dida que um labo-
consultadasnas r.::ferê nc i t~sbib li ográficas destecapftulo. ratório pode alcançar. Isso é rcali1.ado desempenhando rotinas de
calibraçOO de padrões de medida próximos do ideal com a inten-
çãodedcfinir.dctenninar.conscrvarou reprodu7.i r uma unidade
41 2. 7 Estimativa da Incerteza de dessaq uantidatieouurnoumaisdeseusvalores.Ouainda execu-
Medida - - - - - - - - - - - tarrotinasdccalibraçâo dein stru mentos dcmedidasaproximada-
mcnteideais.projctadosparJtnedir ess.a<lUantidadc
Aoprocedcrcomumcns:tiocxpcrimcntai]XJm executaramedi -
A avaliação da melhor capacidade de medida de laboratórios
ção de uma quantidnde ou mens urando. é necessário dcfmir um
dc ea libraçàoacred itadosdc,·eserbascadacrnmétodosdcscri tos
intervalo no qnal ocorrem a ~ possíveis di spersões em tomo da
em docume ntos. porém deve ser s uponada o u confim1ada por
mclho r cs timatiw comsu:Jsrespectivasprobabilidadcs(asq uais
evidências experim entai s.
também devem ser especificadas). Esse parJ.mctro depende das
Aincenczadeumrcsultadodeumamedidarenctcafaltade
condiçõesambicntais.dahabilidadedooperndor.doinstrumen-
con hecimento compl eto do valor do nrcn sun mdo. O conheci-
to. entre ou tros. Confom1c desc,:rito no Capftulo I. esse parâme-
mento completo requer uma quantidade infinita de infom1açào.
tro denomina -se incertC7.1l da med ição e é represen tado como;
Fenômenos que contribuem para a incen c7.a c assim para o fato
de que o resu ltado de urna medida nào pode ser caracterizado
por um valor úni co são chamados de fo ntes de inc<:nezas. Na
em que Q é a mel hor estimativa da quamidade medida e óQ a
prática. ex istem muitas fontes de possíwis inccnczas em um
inccncz.a- padrJo. calculada de acordo t-om procedimentos nor-
mensurando. inclui ndo·
malizados. os quais poss ibilitam gt~ran tir uma probabilidade de
abrangência. É interessa nte relatar também que. uma ' 'ez que a. defi niçào incompleta ou imperfeita do mensurando:
uma quantidade ou mensum ndopos.sui umainceneza. umpro- b. amostra não represen tativa - a nrnostra medida pode não re-
cedimento adequado dC\'Cr.i ser seguido ao associar essa quan- presen tar o mensurando definido:
tidade a outras qua ntidades. Por exemplo, a associação série de c. efeitosdecondiçõesambiemaisconht'Cidosmas inadequados
doi s rcsistorcs é feita somando-se seus valores 110minais: entre- ou medidas imperfeitas dos mesmos;
60 Capflulo Dois

d. erro humano na leitura de instnunentos analógicos: dasãuasrnelhuresestimati\PJs.osquaisfornrncorrigidosparaos


e. resoluçãodoinstrum.::ntofini ta: efeitosmaissigni ficativos.Oucnt5oascorreçõesnecess:'iriasfo-
f. valor inexuto de padrões de medida e materiais de referên- ram introduzidas cmno quantidades de entrada separndas.
cia; Para uma \'ariávcl aleatória. a variânciade sua distribuição
g. \'alor in.::xmo de constuntcs e outros parâmetros obtidos de ou o seu desvio padrão é utilizado conM) medida de dispersão
fontes externas e utili7.ados em algoritmos de redução de da- OOs va lores. A incertel<l-padrlo de medida assoc iada com a es-
dos; timativa de !illÍda ou resultado de medida y , denotado por u(y). é
h. aproximaçõc5 c suposições incorporadas no método de me- o des\•io padrão da melhor estimativa de Y. Deve ser detennina -
didaeproccdimcmos: do da esti mati\'it das variáveis de entrada x, (das variáve is de
i. variações em observações repetidas do mensurando aparen- entrada X;) e suas incertc7.as-padrão associadas r#(x,). A incenc-
temente sob as mesmus condi ções. za-padrlo associada com u1na estimativa possui a mesma dimen-
são que a estimati va. Em alguns caSOli ~~ incerte1.a- padrJo de
Essas fontes não sãonccess~triamc ntc indepernientes.
medida relativa pode ser apropriada. a qual é a inccrtc7.a-padrão
O rcsulmdo de um a medida está completo apenas se contém
de medida associada com urna estimati va di vidida pelo módulo
o valor atribuído ao mensurando e a incerteza de medida asso-
dessa estimati va. e assim é adimensional. Esse concei to não po-
ciada a esse valor. Todasas quantidadcsqucnãosãoexatarncll-
dcserutiliwdoseaestimativaforzcro.
te conhecidas são tratad as como v~triáveis aleat órias. incl uindo
as quantidades que podem afetar o mensurando u(x)
Como já foi defi nida no Ütpítulo I . a incerteza de medida é ""=R
um p~trâmctro associado co m o resultado de uma medida que
caracteriza a di spcrsUo dos valores que podem razoave lmente A incerteza de I em em I km iudicari~L uma medida bastante
seratribuídos~to me11surando.
repeti tiva. Entretanto. uma incerteza de I em em 3 em indicaria
Os mensurandos sUo as quantidadesparticularess uje itasà uma estimativa muito pobre. Nesse caso. a ince rt eza relativa
medida. Em uma calibroç ~o. gera lmen te é utilizado apenas um produz um resultado mais claro. Uma ~cz que a i11certeza rcla-
u(x)
mens ur.mdo ou a quantidade de saída Yq uc depende do número tiva na fonna fracionai l-:;f é geralmente um número muito
dasquantidadesdeemradaX 1 (i = 1.2..... n)deacordocoma
relação funcional Y • /(X,, X1, .... X. ). peque11o. nonnalmentc ele é multiplicado por 100. ex pressando
A fut~ç5o/represcnta o procedimento de medida e o método urnvalorpcrcentualdaincerte7.a.
de avaliação. Descreve como os valores de saída são obtidos das
quantidades de entrada X,. Na maioria dos casos será uma ex-
41 2 . 7.1 Avaliação da Incerteza de
pressão analítica. mas pode ser um grupo de expressões que in-
cluem correções e fatores de corn:çllo para efei tos sistemát icos. medida de estimativas de entrada- -
e dessa forma levam a uma re laçllo mais complicada que geral- A incerte7.a de medida associada com as estirnati\•as de entrada
mente não é escrita explicitamente COnM) uma fullÇão. Além dis- é ava liada de acordo com o 1ipo A ou tipo B de avaliação. A ava-
so.jpodc ser detenn inada experimentalmente ou existe apenas liação da ioccrteza-padrão do tipo A é o método de avaliação da
como um algoritmo computacional que deve ser avaliado nume- incertc7.a por meios estatísticos de uma série de observações
ricamente. ou. ainda. pode ser uma combinação de todos. Nesse caso a inccrtcl<l- padrlo é o desvio padr:lo experimental
O grupo de grarniel<IS de entrada X, pode ser dividido em duas da média (ou melhor esti mativa). o qual segue um procedimen-
categorias de acordo com a mancirJ com que cada um dos valo- to ou urna análise apropriada. A avaliação do ti po B da incerte-
resdagrandczaesuasincerte7.asassociadasforumdetermina- za-padrão é o método de ava liaçiio da incerteza por me io de
da s: qualquer outro método al ém d~t análise estatística da série de
gmnde7-'!Souqu:mtidadescujaincerte7.aassociadaeestima- observações.Ncssecasoaavaliaçãodainccrteza-padrãoébasc-
da é diretament e determinada na medida corrente. Esses va- ada em algum outroconhceimcnto cie ntífi co.
lores podem se r obtidos. por exem plo. em observações sim-
ples ou julgamentos base~tdos em observações. Podem en- Avaliação da Incerteza-padrão do tipo A
volvcradctcmlinaçãodccorreçõespara lciturasde instru- A avaliação da iocertc7.a-padrJo do tipo A pode ser aplicada quan-
mcmosassimcomoparncorrcçnodeoutrusquantidadesou do algumas observações independentes forJm exec utadas pam
gmndezas. como tcmpcr.uurJ ambiente, pressão barométrica umadasgrandezasdcentrJdasobasmes mascondiçõesdemed i-
ou umidade; da.Se e:c.istir resoluçãosuficientenoprocessode rnedida. e:c.istirá
b. gra t~deZ<~souquantidadesc uja incertezaassociadaeestirna­
umadispcrsàooucspalharnento\'ÍSÍ\'C]nosvaloresobtidos
da é ancJiiada 11. medida por fontes externas corno quantidade!; Assum indo que a medida ntpct ida da quantidade de entrada X,
associadascompadrõesdccali braçãodemedidas,materiais éa quantidadeQ.cornllobser.·açõesestatisticamemei ndepen-
de refcrê11cia certificados ou dados de re ferência obtidos de dcmes (12 > 1). a cstimativ-J da quantidade Q é q. a média arit-
manuais. méticadosvaloresindividuaisobser.•OOosqJ(j - 1.2 .... ,11)
Uma estimati\'U do mensumndo Y, denotada por )'. pode ser
obtida utilizando-se estimat ivas de entrada X, para os valores da
quantidade de entrada}' - f(x,, x2 x1 .... xJ. Os valores de entra-
FundamcntosdcEstalística.locenczasdeMcdidascSuaPropagação 61

A incerteza de medida associada com a estimativa q é ava- A inccttcza-padrâo u(q) associada com a estimativa de
liada de acordo com um dos seguintes métodos: entrada q é o próprio desvio padn1o experirnemal da mé-
dia:
a.umaestirnativadavariânciadadistribuiçãodeprobabilidades
u(q)=s(q)
éobtidacomavariãnciacxperimcutals'(q)dosvalorcsq,quc
sàodadospor- Observeque,quandoonúrnerondcrepetiçõesdernedidas
é baixo. (n < IO)aconfiabilidadedaavaliaçâodaincerteza
do tipo A deve ser considerada. Se o número de observações
nâopodeseraurnentado.outrosrneiosdeavaliaçãoda incer-
Sua raiz quadrada positiva é denominada desvio padrão tezadevemserconsiderados.
cxperimcutal damédia(comojâcomentadouestccapítulo) b. quandournacstirnativadcinccrtczaéoriginadadcrcsultados
A mclhorcstirnativadavariãnciadarnédiaaritmética q é a e dados anteriores, pode ser expressa corno urn desvio padrJo
variânciaexperimentaldamédiadadapor Contudo. quando um intervalo de confiança é dJdo com um
uívcldcconfiJIIÇa( :!:ll ap%).cntâosedividcovalorapelo
s'(q)= s!,;q) ponto de percemagern apropriado da distribuição Nom1al para
o nível de confiança dado para o câkulo do desvio padnlo.

e Exemplo -------------------------
uma especifiCação diz que a leitura de uma balança está dentro do intervalo de :!:0,2 mg com um nível de conf1311Ça de 95%. A partir
das tabelas padrões de pontos de percentagem sotxe a distribu ição normal, calcula-se um illlefValo de confiança de 95%, usando-se
um valor de 1,96 u. O uso desse valor lido dá uma incerteza de 0,2/1,96 '"' 0,1.

Para umJ medida que é bem .:araderizada e sob um rígido - experiênó a com conheórnen to geral do componamento e
controlccstatístico.umacstirnativacornbinadadavariâncias! propricdadcsdcmmcriaiscinstrumcntosrelcvantcs:
pode caraderizar a dispersão melhor que o desvio padrão obtido - especificações de fabricantes:
deumnúmcrodeobscrvaçõeslimitado.Nessecaso.ovalorda - dadosdecalibraçõeseoutroscenilicados:
quantidade de emrada Q é definido corno a média aritmética q - inccttczasoriundasdc referências bibliográficas corno ma-
deumpequenonúmerondeobscrvaçõesindepeudentes.eava- nuais ou semelhantes.
riância da média pode ser estimada por: O uso apropriado de infonnação dis]XIn(vel para a avaliação
da inccncza do tipo B de medidas é baseado crn experiência c
conhecimento geral. Trata-se de uma habilidade que pode ser
adquirida com a prática. Uma avaliação bem fundamentada da
em que inceneza de medição do tipo B pude ser tão confiável quanto
uma incerteza do ti]XIA, especialmente em situações de medidas
' (,, - I)>,' +(.., - l)>i + +(,, -lj.>i ernqueurnJavaliaçãodotipoAestábaseJdaapenasemurnnú-
,, ~ (,, 1)+(-., l) + ... +h I) mcropequcnodcobscrvaçõcsindependentcs.Osscguintescasos
devem ser discernidos·
corntr,representandoonúrncrodearnostrasdogru]XIkdcrne- a. quandoapenasumvalorúnicoéconhccidoparaaquantidadc
s,.
didas e o desvio padrão experimental respectivo. X,. Porexemplo.umvalorresultantedeumJmedidaprévia.
um valordcrcfcrênciadalitcratumouumvalordccorrcção
Avaliação da incerteza-padrão de medidas do tipo B podem ser utilizados como x,. A incerteza-padrão u(x;) asso--
ciadJ com x, deve ser adotadJ quando fornecida. Se forem
A avaliação da incerteza-padrão do tipo B é a avaliação da in -
disponibilizados dados confiáveis. a inccncza deve ser cal-
ceneza assoc iada com umJ estimativa x1 de uma quantidade de
culada. Caso contrário. se os dados não estão disponíveis. a
cntradaX,porqualqucrmciodifcrcntcdaauálisecstatísticada
incenezadeveseravaliadacombJsenaexperi ênóa:
série de observações. A inceneza-padrão u(x;) é avaliada por
b. quando uma distribuição de probabilidades podcscrassumi-
julgamento científico baseado em informação disponível ua va-
daparaumaquantidadeX,.baseadanatcoriaouexperiência.
riabilidade possível de X,. Valores pencnccmcs a essa categoria
então o valorespentdoearaizquadradada variânc iadessa
podem ser originados de
distribuição podem ser estimados c representados por x, c a
- medidasexecutadaspreviamentc; inceneza-padrãoassociadau(x.).
62 CapíwloDois

Se apenas os '-alares limitessupcriore inferior ti , e a~ podem E.ump/o tlr rltili::tlftlo de rmrll distribr.r'f110 rt'Umgultrr: um fra.~­
ser estimados para os valores da quantidade X1 (por e1templo. es- co volumétrico grou A de 10 ml é certificado em uma faiu de
pedficações do fabricante de um instrumcmo de medida. uma
:!:0.2 ml.A incertcza-padrJo f de oy.fj= O.I2 ml.
fai1ta de tcmpcrnturn. um arredondamento ou truncamento resu l-
tante de umarcduçãonutomáticndedados).umadistribuiçãode Exem11lo de uriliwp1o tle umtl distribuiçtio tritm gular: um
probubilidadcscomdcnsidadedcprobabilid:ldcsconstantesentre frasco volumétrico grau A de 10 ml é certificado em uma fai -
cssesdoislimitcs(distribuiçàodeprobabilidadcsrctangular)dcvc xa de ± 0.2ml.masasvcriticaçõcsinternasdcrotinarnostram
serassumid;t para a poss(vel variabilidade da quarnidade deen- que valores extremos são raros. A incerteza-padrão é de
tmda X,. Assim. a estimativa da entr.lda pode ser definida por:
o.y,/6 =o. os ml.
Quando urna estimativa tem de ser feita na base de julgamen-
to. pode-se es timar diretamente como um desvio padrão. Se isso
n5o for possível. emão a estimati\'a do desvio máximo de\·e ser
feita. o que é perfeitamente razoável na prática. Se um valor me-
1/(.l,} =~(a, - ti t norforconsidcrodosub!>tancialmcntc mai s provável,cssaesti-
rnativadevese rtratadacornodescriti vadeumadi stribuiçãotrian-
parao quadrado da inccrteza-padnlo. Se a diferença entre os gular.Senilohouvcrbaseparascacrcditarqueé mai s prová\'el
valores limites forde2a. a equação anterior pode ser reescrita urncrromcnorqueumerromaior.aestim:llivadcvescrtratada
cornurnadistribuiçãoretangular

u 1 (x,)=~ll 1 . Incerteza combinada


Seja umadctcnninadaquantidadedc saída Yquedcpcndedas
A distribuição retangular' é uma dc.o;;crição razo;hd rm termos quamidadesde cntradaX,. Sabemosquenapráticaobtc remos
de probabilidade de urn conhecimento inadequado sobre urna uma estimativa y que depende da estimativa das quantidades de
quantidade X, na ausência de qualqueroutrn informação além de entrada x,. as quais são determinadas por um dos métodos des-
seus limitcs dc variabilidade. Mas, se c1tistc a certeza de que os critos anteriormente. Subentende-se então que a d ispersão dos
valorcs das quantidadesemquest5oestBornais pró1tirnosaocen- valores das quantidadesdcentrada(ou a variabilidade) causar.'i
tro do intervalo do que nos seus limites. urna distribuição trian- urna dispersllo nos valores das quantidades de safda. de modo
gular' seria um modelo melhor. Por outro lado. se os valores que y pode ser escrita como:
concentrnm-scmaispróxirnosdoslimites quenocentro,então
urnadistribuiçãocornformadeUscriarn1tisapropriada. )' :!: u(y) = j(x, :!: u(x 1) . x 2 :!: u(x 2), •• ,x, :!: u(x,))
AFigura2.27mostraumarcprcscntaçãodadispersãodaes-
timativadaquantidadcdesaídayesuaincerte7.au,(y) ernfunção
'll do>lrii>Joçlorcllon~ularde\-.:seruriti>.adll quando um ~nlfocadoououlra ..s­
das estimativas das quantidadesdeentrada x, e suas incertezas
pedf~eao,-lof.,.,...,.,os timi ~tSstm espox ifocarc;; n i•e!Ode<'Ofl fW>Ça. E..mpkl
25 ml :!: O.~mt.
u(x;).
Ne>sc c....,~ feol.O um. e,;rima~ i,.,. >Oba forma de uma bou mh o11U1 (:!:o) sem Uma das maneiras mai s utilizadas para determinar a inccne-
.., lerronhrcomo:ntOdo forma10 da d i" rii>Jiçlo. f\ oncene~;a f.,...k-u tadacoooo za de saída 11(.)') f aproximar a função f com uma função linear
ll(x)• "Ê· arrnvés dassé ries de Taylor. Essalincarização simplilicaaaná -
lise da incerteza. com o ônus de introduzir um erro de apro1ti-
mação.
ConsidcrJndoQumaquantidadcdcpendcntcdas quantidadcs
x,. y,. ::,..... asquaispossuemdistribuiçõesdcerrosgnussianas
com de~v ios padrões u,. u,. u,. ... e valores médios verdadeiros

'fldi~rii>JiçJoo rriangutar de>-.:oerurihzada quandoain fonnaçJoo di •ponf,-.,tem


,-.,taçko a X t ""'""" ti mirada que para uma di~rii>JiçJoo rcra.~gut ar. Valofes pro-
~ i •nos deX slo maisl'fO'·;h-.:i• doqut pró~i """" dos limnos. É fei ra uma esri-

·~t"'"/
""""" 5Gb uma fai.u mú.im:o de ( !:<r) <bmuo por uma do>Crii>J..,-Joo sinll!trica. A
incenca~nkuladarom ll(x)~-!J6-

! x,

-
u(x, )
X

Figura2.27 ll.eprese nlaçãodainceneudesalda cmfunçãodava-


riabilidadedas \-ariih'ei s dc c ntrada.
FundamcntosdcEstalística.locertczasdc McdidascSuaPropagação 63

1'-x· 1'-,· JJ.,.


. rcspcrtivameme. a grandeza Q pode ser calculada Considerando agom uma série de ]XlntOS calculados com 11 ex-
pontualmenteparaqualquerconjuntode variáveis ou. perimentos temos
Q, = Q(x,, y,.
ObservequeQrcpresentaaleiouafunç~odagrandezadesaída
z,, ... )
iQ,
,_,
iil nQCi. J,l,. ..)+~ Í (x, - i)+ ~Í (>·,- .Y) +
ih,_, ay ,_,
emfunçàodasgrandezasdeentrada.
As variâncias das quantidades de entrada podem ser calcula- + '* ~(,, - ')+
daseom:
No limite. com n _,. .,., os trê s últimos termos se anulam, pois o
(r!= ~ t,<x, - JJ..,f valorrnédiodasvariáveisédefinidocomo·

Sabe-seaindaqueovalormédiovcrdadcirodaquantidadeQé
definidoeomo:

º·· "" Q(x. r. z....).


Cada resultado de Q, pode ser expandido em séries de potências uma vez que ele foi definido anterionnente como Q,.. =
dos desvios !~~ ; t,Q,. Verilka-se dessa forma que o primeiro termo da

Q, ""Q(JJ.,. JJ.,, JJ., .... ) + ~(x,- JJ.,) + ~b·.- 1'-, ) + expans~odasséries.emsetr.Jtandodeanálisedeincertezas.in­


dica a estimativa do valor 11ominal da quantidade Q pam ases-
+~( z, - JJ.,)+ ... + ~~(x, -JJ.. )' + ~W(y, - 1'-, ): + timativasdas quantidades deentrada i.)'. Z, ..
AvariânciaparaadistribuiçàodosQ, édefinidacomo

+~~(z, -f'J + ..
ernqueasderivadasparciaisdevemsercalculadasparaw= f',.. Utili zando a aproximação até a primeira ordem para
De maneira geraL se os termos de diferenças (w, - JJ.J""' u., Q, (i. y, z.... ). obtém-se:
podem ser aproximados por uma constante da ordem de um des-
vio padrão. e os tennos de ordens superiores (ordem> I ) são
desprezíveis nessa condição: (Q, - Q_ )' ;;;,(~)'(x,- X)' + (%?-)'()', - )')' +

~r~J<x,-
11ih:'
JJ., ) iii O + (ilQJ
a~
2

(z.- Z)'
'
+ ... 2~~(x
ax ay '
- i )(y - )')
'
+

para dx, = (x, - f<,)""' u , e (11 > I) (estendendo-se para todas 2~~(x, - .i )( z:,- !) + -·
asoutrasvariáveisdeentrada y,,z, .... ).então pode-se afirmar
que a quantidade Q(JJ.,, ~'-•• 1'-z• ... )é lema do ]Xlntode vista de E assim pode-se deduzir que:
propagação de incertezas. Essacondiçãoéalcançadaquandoa
primeira derivada é praticamente constante com variações da
ordem de um desvio padrão. Em outras palavras, co11siderando
a função Q(x). ela pode ser aproxinwda por urna reta dentro de
intervalosdaordemdeu, .
Assim. a equação anterior pode ser reescrita de forma sim-
+
'º]'.t<z,- -'
[ik z)' àQàQ " - -
+ ... 2ã:;"ã:Y' ~(x,- x)(y,- y) +
plificada:
2~~ ~(x, - X)(z; - Z) +
Q, "" Q(JJ., JJ., , JJ., , ...) + ~(x, - JJ., ) + ~()',- JJ., ) +
Considerandoqueavariànciaédefi11idacomo·
+~(z:, -JJ., ) +
e a mesma dedução pode ser aplicada para os valores médios
e ainda que podemos definir a mvarifmcia entre um par de variá-
veiscmumgro]Xlindcfinidodevariáveis·
Q,;;;, Q(i. y, Z•...) + ~(x, - i) + ~(y, - }') +
u :_ • cov(v. w) = ~ t. (v1 - v~ )(w1 - w., )
+ ~(z1 -Z )+.
em que v.. e w.. são as médias das populações.
64 CapítuloDois

Expcrimemalmente. a covariância pode ser estimada por:


Existem alguns casos em que a função modelo é fortemente não
linear ou alguns dos coeficientes de sensibilidade variam. Nessas
equações devem-se incluir termos de ordens elevadas.

em que V c W são as médias das n amostras. A quantidade u,lv) (i = l. 2. . N) é a contribuição para a in-
Considernndo um mírnero de experimentos n muito grande certeza-padrJoassociadacomaestimativadesaíday.resultado
,_,. oo e fazendo as substituições na equação anterior para as da incerteza-padrão associada com a estimativa de entrJ.da x,
variànciasecovariàncias, temosa equaçâogeral para a pro-
pagaçiiodeince rlezas· u.(y) = c,u(x,).
emquec,é definidocomoocoeficientedesensibilidadeasso-

(ax )' +tT' (ay'º)' + tT:. (JQJ'


(T~= (T; !!!l.. 2
!:____-
ay + .. +
ciadocomaestimativadeentradax,.istoé.aderivadaparcial da
função modelo f em relação às entradas X,, avaliado na estima-
x,.
tiva de entrada confomte mostrado anteriormente·
+2u,(eQJ[eQJ +2u,(eQJ[eQJ +
i)y i)y i)y i)y
C- =!!!_ =!!LI
' ilx ax
+'u (eQJ(eQ) +
' ' x,-., ..x. -·~
- " r7y iiy · Oscoeficientesdcsensibilidadedescrevemaextensãocomque
aestimativadesaídayéinfluenciadapcla~variaçõesdaestimati­
Asúltimasparcelasdoladodireitodaigualdadesãoutilizadas vadeentradax,. Essescoeficientessãoavaliadoscomaderivada
quandoasquamidadesdeentradasãoconsider.tdasdependemes. parcial da função modelo f com a equação descrita anteriormeme
Se as estimativas de entrada são independentes. todas as covari- ou utili7_ando métodos numéricos. Nesse cam, calcula-se a varia-
âncias serão zero. Dessa fonna. a equação anterior é colocada çâonaestinwtivadesaídaydevidoàvariaçãonaestinwtivade
de uma forma mais simples: entradax,de + u(x 1) e - rl(x 1) edivide-scadifercnçaresultantepur
2u(x,). Esse método é particulanncnte útil quando não existe ne-
nhumadescriçâonwtem:iticaconfi:iveldarelaçâo
De fato. algumas vezes pode ser mais apropriado enconmrr a
variaçãonacstimativadesaídaycomumcxpcrimento,repctindo-
Essa;; equações permitem calcular a incerteza mais provável da sc as medidas de entrada em x 1 ::': u(x.-) (u(x,) é sempre positivo). A
quantidadeQemfunçãodasincertezasdecadaumadasestima- contribuiçãou(y)pudesernegativaoopusitiva.dependendodosinal
tivasdeentrndax,. dococficicntedescnsibilidadec,. Osinaldeu(y)devcscrlevado
Todas as gr.tndezas físicas. quando medidas. devem serre- emcontanocasodequantidadesdeentradndependcntes.
presemadas por um valor numérico. uma incerteza e uma unida- Esscsprocedimentosgeraisaplicam-secasoasincertezases-
de(seagrandezanãoforadimensional). tejamrclacionadasaparlmetrosindividuais.parâmctrosagm-
Assim.paraquantidadesdeentmdaindepcndentes.oquadra- pados. ou ao método como um todo. Contudo. quando uma con-
do da inccrteza-padrào associada com a estimativa de saída é tribuição de incerteza está associada ao procedimento como um
dada por: todo é, em geral. ex pressa como um efeito no resultado final.
Nessescasos.ouquandoaincertezasobreumpar.1metroéex-
prcssa diretamente em termos do seu efeito sobre y. o coeficien-
tedesensibilidadeày/Oxéigual a 1.0.

e Exemplo -------------------------
Um resultado de 22 mg/1 mostra um desvio padrão medido de 4 ,1 mg/1. A incerteza-padrão assoc~da a essa medida nessas condi-
ções é de 4, 1 mg/1. O modelo implícito para a medição, desprezando outros fatores em prd da clareza, é:
Y = (resu ltado calculado) + e, em que e representa o efeito da variação aleatória sob as cond~ões de medição e, portanto, ilylax é
;gual al,O
Se a função modelo f é a soma ou diferença das quantidades de entrada X,

f(X,, X2 , , X1.,) = tP,X,

a estimativa de saida é dada pela correspoodente soma ou diferença das quantidades estimadas de entrada

y = t,P,X1
FundamcntosdcEstalística. l ocertczasdc M cdidascSua Propagação 65

em que os coeficientes de sensibilidade são p, e então

Ou. mais explicitamente, se y • lp + q + r + ... ), a incerteza-padrão combinada u(y) é dada por

u(y(p, q, r ... )) = Ju(pf +


u(q)' + ...

e Exemplo -------------------------
Para y • lp - q + r) os valores são p • 5,02. q • 6,45 e r • 9 ,04 com incertezas·padrão ulp) • 0. 13, u(q) • 0,05 eu(!! • 0,22. Por·
tanto:
y = 5,02 - 6,45 + 9,04 = 7,61
u(y) = Jo.1 3 + 0,05 2 + 0.22' - 0.2ú
2

e Exemplo -------------------------
Con~dera-se o cálcuk> de uma resistência equivalente composta por dois resistores R, = 1 kl1 .:!: 5%, R2 = 1 O k O :!: 1%. Veja que a
incerteza-pad rão é tomeóda em sua forma relativa percentual.
y= Req =R, + R2
o
u(R,) • 50 e u(R,) "' 100 o
Os coefiCientes de sen~bilidade podem ser calculados por

iiReq =
1
aR,
qReq • 1
aR,
u(y) = u (Req) = ((1 X 50)" + (1 X 100)"]'""' 11 1,8 0
Req = 1100:!: 111,8 0 .

Se a função modelo f é um produto ou quociente da quantidade de entrada x,

A estimativa de sak!a novamente éo produto ou quociente correspondente da estimativa de entrada

Os coefiCientes de sensibilidade são


são usadas. pode-se escrever·
nesse caso. e ainda, se as incertezas -padrão r~ati vas w(y) - u(X e w(x) - u(x
w 2(y) .. t, p,'w2(x,).

Ou. mais explicitamente, se y .. 1p x q x r x ... ) ou y = pl(q x r x . ..), a incerteza-padrão combinada é dada por

u(y)=y (~)'+(~r + .
em que ulp)Jp, u(q)Jq etc. são as incertezas nos parâmetros. expressas como incertezas -padrão relativas.
66 Capítulo Dois

e Exemplo -------------------------
Parayi,op/qrj os valores sàoo • 2.46, p • 4,32, q ., 6.38 e r • 2,99, com incertezas-padrão deu(o) • 0,02, u(p) • 0.13, u(q) • 0. 11
e u(r) • 0,07. Logo:
y • (2.46 X 4,32V(6,38 X 2.99) • 0,56

u(y) • 0.56x (~)'


2,46
+(~)'
4,32
+(~)'
6,38
+ (~)'
2,99
• 0.024

eExemplo -------------------------
Considere que a superfície total do paralelepípedo da Figua 2.28 deve w calculada. Os resultados das medidas das dimensões são dados
jllltamerltecomasncertezas·padrãoassociadas:x = (100:!: 1%)rrm. comprimentoy = (300:!: 3%) mmealtuaz = (25:!: 2)mm

L7 LI_
L
- - tii
1 -
rzr.
Figura 2.28 Paralelepípedo com dimcnr.ôes x. y c:

A função que descreve a superfk:ie total é calculada com


y=S=2xy + 2xz + 2zy
asineertezas-padrãofornecidasdasvariáveissào
u(x)= 1 mm
u(y) =9mm
u(z) = 2mm
Calculando·se os coetiçielltes de sensibilidade com as derivadas parciais tem -se·

~= 2y + 2z = 600 + 50 = 650

'"
,,
~• 2x + 2z • 200 +50 • 250

*" • 2x + 2y • 200 + 600 • 600

U(y) • [(650 X tf + (250 X 9jZ + (800 X 2)'J 'r.l ôo 2836,36


S = 80 000,00 ::!: 2836,36 mm'

SeduasquantidadesX1eXtsãocorrclacionadasemalgumgrJu, SeduasquantidadesX,eXtsão dependentcs. elassiio"urre-


isto é, se elas são mutuamente dependentes de alguma maneim, lacionadaseacovariiindadasestimativasdcssasduasvariáveis
suacovariâneiatambérndevesereonsideradaurnaeontribuiçiio x,ex, pode ser calculada por:
para a inceneza. O julgamento para levar em coma os efeitos das
corrclaçõcsdepcndcdoconhccimcmodoprocessodemcdidac
r1(x, x,) = u(.(1)u(x,)r(x1, x,) pam i *k
dojulgamento dadcpendênciarnútuadasquantidadesdeentrada Essacovariilnciadeveserconsideradaumacontribuiçãoadi-
Emgeral , deve-scteraconsciênciadequedesprezarcorrclaçõcs cional de incerteza. O seu grau de correlação é caracteriza-
de gmndczas de cntmda entre quantidades de cntmda pode levar do pdo coeficiente de correlação r(x,, x,), em que i k c *
a avaliação incorreta da inceneza-padrJo do mensurando. lri :S I
FundamcntosdeEstatfstica.Jrl(.-er1czas deMcdidas cSua Propagaçâo 67

Nocasodenparesindcpendentcsdcobscrvaçõcssimultânc- da capa7. de determinar a diferença : nos seus ,-alore.~ com uma


asrcpetidasdeduasquantidadesPeQ.acovariânciaassociada incerleza-padràoassociadnri(: ).Ovalor q, dareferi!ncia-padrlo
com a média aritmética p e q é dada por: é ronhecido com a incenew-padrlo u(q,).
/l.f()(/1!/o mattmótico: as estimativas de entrada x, e x1 dependem
l('fi,ii) - 11(111- l)t.(l,, - PXq, - ii) do ' 'ator de q, da rcferên.cia-padr.lo e das diferenças observadas
z, ez1 dcacordoromasrelaçõcs:
Os graus de oom:taç:lo dos fatores que innuenciam oo siste- _, , = q,- ! ,
ma ou processo devem ser baseados na experiência. Quando Xz• q ,-~z
existe correlação. aequaçilo: lnctne-:.as-ptulnio e comrüitrcitu: as estimativas ~, e ~~ e q, são
consideradas não correiacionadas porque elas foram determina-
,,:(y) .. t.~~:(y) dasemmedidasdiferentes.Asincertc7.aS-padriloeacovariâoc ia
associada com as estimativas .r, e .t 1 s!\o calculadas. Assumindo
dcvesersubstituldapor: queu(z,) = rr(~ 1 ) = 11(! ).

" rr 2(.r,) • ul(q.) + ul(:)


" ' (y) = f; t'/u' (x.) + 2 "'"
f1~ c, c, u(.l 1 • A" 1 ) rr l(.t 1) = u1(q.) + u1(:)
u1(.l 1•. ( 1) "' rr 2(q,)
em que c1 c c1 ~ào o~ coeficientes de sensibilidade. ou
ococficientedecorrclaçãodeduzidodcssesrcsultadosé:
t,r1} (y)+2~t u 1 (y);, (y)r(x,.x,)
u'(;;:(=-~ '(z)
rhyl •
r(x,.x, ) •
comu,(J•)rcprescntandoascontribuiçõcsnainccneza-padràoda
estimativadesafduy.resuhantedaincertc;w-padrlodaestima- SeusvaloresvariamdcOa + I. dependendo das inccrte;ws-pa-
tivadeentradax1conformc· drâou(q.)eu(!).
Ocasodeseritopelasequações:
u,(y ) • c,u(x1)
X, =g,(Q ,. Q,. ... QJ
Deve ser notado que a segunda parcela dos termos nas equa-
ções anteriores pode assumir unt valor negativo. Na prática. quan-
xl • g,<Q,. Q,. ... QJ
tidades de entrada são gcr-Jlmen te correlacionadas devido ao é uma ocasião em que a inclusão de correlação na avaliação da
mesmo padr.lo de refcri!n.cia ffsico. instrumento de medição. iocerteza-padr-."io do mensurando pode ser evitada pela escolha
dado de referi!ncia 00 mesmo o método de medida tendo uma apropriada da função modelo. Introduzindo diretamente as va-
inccrte7.asignificativautili7.ada naa,~Jiiaç:lodeseus valore!i. riál•eisindependentesQ1ecomasubstituiçãodosvaloresdas
Suponha que duas quantidades de entrada X, c X, estimadas variáveis originais de X, e X1 é gerada uma oova função mode lo
por x 1 e .l 1 dependem das variáveis de entrada independentes quenàocontémas,·ariá,·eis correlacionadasX, eX1.
Q,(l = 1,2, ...• L) Entretanto. existem casos em que a correlação entre duas
quantidades de entmda X, e X2 não pode ser e\'Ítada. por exem-
X, • g,(Q,. Q,. ... QJ plo, utilizando o mesmo instrumento de med ida ou a mesma
XI= g,(Q,. Q,. ... QJ rcferi!ncia-padràoparadetemlinarasestimacivasx,ex,.emque
apesardequealgumasdessasvariávcisnâo ncccssariamentc ascquaçõesdetmnsforrnaçàoparJnovasvariáveisindependcn-
aparecem nas mesmas funções. As estimativas de entrada x, ex, tes não estão disponfveis. Ainda. se o grau de correlação não é
das quantidades de entrJda estar~o com:lacionadas até alguma exatamente conhecido. pode ser útil ~~v~Liiar ~~máxima innuência
extensão. mesmo que as estimativas qiJ - I. 2.... , L) sejam não que essa correlação pode ter por unm rmorgem estimada acima
corrclacionadas. Nesse caso. acovllriância u(x,,x,)associada da inccrtcza-padr~o do mensurando com:
comasestimativas.( 1 e.t1 édadapor:
u 1 (y) .:S (I11 1 ()')i + lr1 1 ()') 1) 2 + u;(y)

u(x1 .x1 ) = ~ c.,c 11 r1 2 (q 1 ) em que u,(y) é a con tribuição d~1 incerte;w-padrào de todas as
quantidadcsdeentradarestantesconsidemdasn~ocorrelaciona­

em que c 11 e c 21 são os coeficientes de sensibilidade deduzidos dM.


da.~ funçõesg , eg 1• Uma vez que apenascsses temJOsoontribuem
~ra a soma. na qual os coeficientes de se nsibilidade não desa-
parecem. a rovariância é zero se nenhuma variá\"el é comum às Essa equação é laeilmente generalizada para casos de alguns
funçõesg , eg1• grupos com duas ou mais quantidades de entrada correlaciona-
O exemplo seguinte demonstra correlações existentes entre d.,
valores atribuídos a dois padrões. os quais são calibrados cootra
amesmarcferi!ocia-padr.lo. Nesse caso, uma soma do pior caso rcspecti,·o deve ser
Problt mtl de mt'tlillll: os dois padrões X , c X, são comparados introduzida para cada grupo de quantidades nãocorrelaci()-
com as referêndas-padrào Q, por meio de um sistema de medi- nadas.
68 CapítuloDois

Acovariânciaassociadacomascstimativasdasduasquanti- Nos casos em que o mensumndo possui uma di stribuição normal


dadcs de entrada X, c X, pode ser considerada zero ou tratada c a incerteza-padrão associada com a estimativa de saída tem
como insignificante se: confiabilidade suficiente. o fatordecobenurak = 2deve ser
utilizado. Essa expan.~ão da incerteza correspondc a um nível de
a. as quantidades deemmda X1e Xt são independentes. por exem-
confiança de aproximadamente 95%. Essas condições atendem
plo. porque elas têm sido repetidamente mas não simultanc-
àmaiuriadasnecessidadesduscasosencontradosemtrabalhos
amenteobservadasemdiferentesexperimentosindependen-
decalibmção.
tesouporquercpresentamquantidadesdedifcrentesavalia-
A hipótese de uma distribuiç5o normal não pode sempre
çõcsqueforamfcitasindepcndcntcmentc,ouse
ser facilmente confirmada experimentalmente. Entretanto. nos
b. as quantidades de entrada X, e X, podem ser tratadas como
casos em que alguns componentes de incerteza (por exemplo
constantes. ouse
N ~ 3). obtidos de distribuições de probabilidade bem com-
c. asinvestigaçõcsnãofomççcminformaçõcsindicandoapre-
ponadasdequantidadesindependentes.comdistribuiçõesnur-
sençadeeorrelaçãoentreasquantidadesdeentradaX, eX,.
mais.oudistribuiçõesrctangularcs.contribucmparaainccr-
Aanálisedaincertezaparaumamedidadeveincluirumalista te za-padr5oassociadacomaestimativadesaídacaracterizada
dctodasasfontes deincertezajuntamentccomasincertczasdc por quantidades comparáveis. as condições do teorema do Li-
rnedidaspadrJoassociadaseos seus métodos de avaliação. Para mite Central são obtidas, então pode-se assumir com um alto
medidas repetidas. o número n de observações também deve ser graudeaproximaçâoqueadistribuiç5odaquantidadede saí-
analisado. Para que seja feito da maneira mais clara possível. é daé normal.
rccorncndadoaprcsentarosdadosrclcvantes paraessaanálisena Aconfiabilidadedaincerteza-padrãoatribuídaàestimati-
fonna de uma tabela. Nessa tabela. todas as quantidades devem vadesafdaédeterminadapelo seugraudeliberdadeefetiva.
ser referenciadas por um símbolo X, ou um outro identificador. Entretanto, o crité rio de confiabilidadc é sempre alcançado
Paracadaumdeles.aorncnosaestimativa x,, aincertezadcme- se nenhuma das contribuições de incertezas-padrão é obtida
dida padr~oassociada u(x,). os coeficientes de sensibilidade c, e por avaliações do tipo A baseadas em menos que dez obser-
asdifcrcntcscontribuiçõcsdcincertc7.au,{y)dcvcmsercspccifi- vações
cados.Adirnens:1odccadaquantidadedevetambémserespcci- Seumadessascondições (di stribuiçàononnalouconfiabili-
ficada com seus valores numéricos em uma tabela dadesuficiente) nâoéalcançada.ofaturdecuberturapadrâo
Um exemplo fonnal desse arranjo é dado na Tabela 2.8. aplica- k = 2 pode resultar em um nível de confiança menor que 95%.
do para o caso de quantidades de entrada não oorrelacionadas. A Nessecaso.afirndegarantirque um valordeincertezaexpan-
irx:erteza-padr~oassociadacom o resultado de medida u(l•)dada nu dida seja definido e que corresponda ao mesmo fator de cober-
cantoinferiordircitodatabclaéaraizquadradadassomasdosqua- tura, de distribuição de probabilidade normal, outros procedi-
dradosdctodasas contribuiçõesdeincertezadacolunadadireita. mentos devem ser seguidos. O uso aproximado do mesmo nível
decunfiançaéessencialsemprequedoisresultadosdemedidas
devamscrcomparados. lstoé.quandoaavaliaçãoderesultados
41 2. 7.2 Incerteza de medida comparativos de dois laboratórios diferentes é feita ou quando é
expandida - - - - - - - - - - - necessáriaagar.mtiadeumae;;pecificaçâo
Mesmo que uma distribuição normal possa ser assumida, po-
De acordo com o EAL. foi deódido que os laboratórios de cali-
braçào acreditados por membros do EAL devem utili7.ar urna in- deaindaocorrerqueaincerteza-padràoassociadacomaestima-
tivadcsaída tenhaconfiabilidade insuficiente. Se. nesse caso.
certezademedidaexpandida U.obtidarnultiplicando-seaincer-
teza-padrâo da saída e;;timada 11(}•) por um fator de cobertura k: não é possível aumentar o número de medidas repetidas n ou
utilizar uma avalütçào de incertezas do tipo Bem ••ezdo tipo A
U=ku(l•). de confiabilidade pobre. outro método deve ser utilizado

Tabela 2.8 Esquema de um arranjo ordenado das quantidades estimadas,


incertezas-padrão, coeficientes de sensibilidade e cont ribuição de incertezas
usadas na anãlise de incertezas de uma med ida
Contribuição da
Quantidade Incerteza -padrão incerteza -padrão
x,
x, ""'
u(x 1) ""'
u ,()")

X, u(x, u,()-)

x.,. u(x v) 11,,()")

u(•·)
Fundamentos de Estatística. lnccnezas de Medidas e Sua Propagação 69

Fatores de cobertura deduzidos de graus de fator de coberturu k que corresponde a uma probabilidade de
liberdade efetivos abrangência de apro~imadamente 95%.
Em certificaüos de ca libro~ç5o. o resultado completo de me -
Levar em conta a confiabilidadc da inccneza-padrJo u(y) da es-
didas COflsistindo nas estimativas y do mensurando. a incertem
timativa de saídaysignifi ca interpretar o quanto é \'erdade que
e~pandidaassociada Ué dada na fomta(y::!: U).juntamentecom
u(y) est ima o desvio padrão assoc iado ao resultado da medida.
uma nota explanatória que detalha como foi obtido o fator de
Para uma cstimath•a do desvio padrão de uma disuibuição nOI"-
cobertura. k = 2. para uma distribuição gaussiana ou o método
mal.osgrausdelibcrdadcdessaestimativa.osquaisdependem
utilizadoparaob!:eraprobabilidadedeabrangência(quegeral-
do tamanho da amostra na qual é baseado. são uma medida da
menteéde95 %).
confiabilidadc. Similanncnte. uma medida adequada da confia-
O valor numérico da medida da incerte7.a deve ser dado para
bilidadc da inceneza-padrllo associada com uma estimativa de
no máximo dois algarisn10s. O va lor numérico do resultado do
saídaestárt:lacionadaaoseugraudelibcrdadeefetim••.r oqual
mensurundo deve. na sua fonna final. ser arredondado ao meoor
é aproxinmdo por uma combinação apropriada dos graus de li-
algarismo sign ificativo da inccrte7.aexpandida atribuída ao re-
berdadeefetivosdesuasdiferentescontribuiçõesdeincenezas
sultado da medida. Em outros pa lavras. o valor numérico do re-
u,(y).
sultado da mediç~o deve ser arredondado no mesmo algarismo
O procedimento para ca lcular um fator de cobertura k apro-
significativodainccrtaacxpandidaatribufdaaessamedida.
pri~do qu~ndo as condições do tcorem3 do Limite Central são
Paraoprocessodearredondamento.3sregrasusua isdearre-
atendidas é o seguinte:
dondamcntodenúmerosdevem scr seguid~ts(p(tramaisdetalhes
a. obter ~ incertez~ · p:tdr.lo associada com a estimmiva de saí- sobre (lrrcdondmncn tos. veja a norma ISO 3 1-0:1992 no seu
da; AnexoS).
b. estirnarogmu de liberdade efetivo v<f da incerteza-padr;1o Basicamente. para o truncmncnto de números menores que 5
u(y)associadacorn a estimativa de saídaydaequaçiiode éadotadooarredondamcntoparnonúmerologoabaixo.enquan-
Welch-Sauerthwaite: to pam o truncamento de números maiores que 5 é adotado o
arredondamento pam o número logo acima. Como segue no
exemplo:
6,965499 __,. 6.965
7.7656111-7.766
sendo u,(y) (i = I. 2, ... N) as contribuições para a incerteza- Paraoscasosent qucnacasadetruncamentoaparecero5.
paddio associada com a estimath·a de saída y resultante da geralmente escolhe-se o 1•:Lior par mais próximo (abaixo ou aci-
inccnc7..a-padrão associada com as est imati vas de entrada x,. ma). porém também é aceito o arredondamento para o próximo
as quai s são consideradas estat isticamente mutuamente inde- valor superior (é o que aconte<:e na maioria dos computadores).
pcndcntes.e••1éogruudelibcrdadeefctivodascomribuições como. por exemplo:
u,(y) da inccrteza-padrllo.
53.124500-.. 53.124
Para uma inccrteza-padrllo u(q) obtida de uma avaliação do 76.327500- 76.328
tipo A. os gra us de liberdade sao dados por ''• = n - I. É mais 55.134500- 55.135
problemático assoc iar os gr.1us de liberdade com uma incerteza-
Cabe observar que. se o arredondamento faz com que o valor
padrão r•(x,) obtidos de uma avaliação do tipo B. Entretanto. se. nurnéricodaincerteza-padr-Jo seja red ulidoa urn va lor abaixo
porexernplo.oslirnitesinferior esupcriora Cti , são estimados. de5 %.oarrcdonda rnentoparnumvalorsupcriordeveser utili-
eles devem ser escolhidos de m:mciruque a probabilidade da
~do
quamidadeemquestilofor:tdoslirnitesédefatoextremamente
pequena. Se esse procedimento é seguido. o grau de liberdade Procedimento passo a passo para o cálculo da
da inccrte7.a-padriío u(x 1) obtid:t da avaliação do tipo B !Xl'dc ser incerteza
considcmdov,....,.oo.
Deve-se entUo obter o fator de cobertura k da Tabela 2.9. que a. Exprcssarcrntcrmosmatcm:lticosadepe ndênciadomensu -
ébaseadacmumadistribuiçUo1avaliadaparaum nívcldecon- mndo (qu:mtidadc de safda) Y nas quantidades de entrada X,.
fiançade95.45%.Se••# niloéinteiro.queégeralmentcocaso. No caso de uma comparaç~odiretn de dois padrões. a equação
deve-setrunc~r ••<f pam o inteiro inferior. pode ser bastante s imples. por exemplo. Y =X, + X,:
Paraoscasosc mqueauti li7.aç:iodeumadistribuiçãononnal b. identificare aplicar todas as correções significativas:
nlo pode ser justificada. a informaçlo da distribuição de proba- c. listar toda.o;; as fontes de incerte7.a na forma de análise da in-
bilidadesdaestimativade saCda de\·eserutili7_ada para obter o

Tabela 2.9 Fatores de cobertura k para diferentes graus de liberdade efetivos v..
''<I 7 10 20 so
1.: 13.97 -1.53 3.3 1 2.87 2.65 2.52 2.43 2.37 2.28 2.13 2.05 2.00
70 CapítuloDois

d. calculara incerteza-padrão u((j) pammedidasrepetidasdas t Comparadores- Om. ôm<: uma avaliação prévia da rcpeti -
quantidades: tividadedadiferençademassaentreduasmassasdemes-
e. para valores únicos. por exemplo. resultantes de medidas pré- mo valor nominal produz uma estimativa de um desvio
vias.correçãodevaloresou valorescoletadosem literatura. padrão de 25 mg. Nenhuma correção é aplicada ao com-
deve-se adotara inceneza-padrJo. se ela for fornecida. ou parador.emquevariaçõesdevidasàexcentricidadeeefei-
calcular de acordo com procedimento já exposto nesta seção tos magnéticos estimados possuem limites retangulares de
Se não existem dados disponíveis dos quais a inceneza possa ::'::lOmg:
serdeterminada.especificarumvalordeu(x.)combasesem t Flutuaçãodevidoaoar - óB: nenhuma correção é feita para
experiência científica; os efeitos de flutuação devidos ao ar. Os limites de desvios
f. paraquantidadesdeentradaernquea d istribuiçãodeproba- são estimados em :':I X lO 6 dovalornominal:
bilidades é conhecida ou pode ser aproximada. calcular o t Correlação: nenhumadasquantidadesdeentradaéconside-
valoresperadoeainceneza-padràou(x1).Seapenasoslirnítes rada possuir correlação com alguma extensão significativa.
superiores forem fomccidos ou podem ser estimados. calcu-
lara incerteza-padrãou(x.) utilizando a distribuição de pro- Medidas
babilidades mais adequada;
Três observações de diferenças na massa (veja aTabela2.10).
g. ealeularparacada quantidadedeentradaX,acontribuiçào emre a massa desconhecida e o padrão, são obtidas utilizando-se
u,(l") paraaincenezaassociadacom aestimativadaquanti-
o método da substituição com o esquemaABBA ABBA ABBA
dadedesaídaresultantedaestimativadeentr.tdax,esornar (para este exemplo. massa convencional padr~o. desconhecida.
seus quadrados. confonnc descrito antcriomlente para obter desconhecida. padr:io). A Tabela 2.11 apresenta o resumo da in-
o quadrado da inceneza-padrào u(y) do mensurando. Deve-se cenezaparaesseexemplo
obscrvar que.seasquantidadesdeentradasãoconhecidase Das medidas:
correlacionadas.deve-seentãoaplicaroprocedimentoade-
Média aritmética: 8,. = O. 020 g

*
quado.confonneabordado nesta seção:
Estimativa do desvio padrão (obtido da avaliação anterior):
h. calcularaincenezaexpandidaUmultiplicandoaincerteza-
sP(ó,. ) = 25mg
padrão u(\') associada com a estimmiva da sarda por um fator
decoberturakadequado.conformedescritoanterionnente : Incerteza-padrão: u(ô,. ) = s(5., ) = = 14.4 mg.
expressar o resultado da medida representando a estimativa
do mensurandodasaídaycom a incenezaexpandidaasso- A Tabela 2.1 I mostra a incerteza combinada para m , de
ciada Ueofatordecobenurak 29.3mg.
A incerteza expandida, para esse exemplo. é: U = k X u(m) =
2 X29.3mg""59mg
t 2. 7.3 Exemplos práticos de Ponanto, a massa medida de massa nominal de lO kg é
determinação de incertezas-padrão - - l0.(XX)()25kg ::':: 59mg.Aincertezademedidaexpandidaresul-
tantcéa inccncza-padrão.multiplicadapclofatordccobcnura
Calibração de uma massa de valor nominal de 10 kg k = 2. para o qual a distribuição normal corresponde a uma co-
Acalibraçi"lOdeurnamassadevalornorninaldelükgérealizada bcnur.tdeprobabilidadedeaproximadamente95%.
pela comparação com um padrào de referência (OIL M classe F2)
dornesrnovalornorninalutilizandoumamassadecomparaçãocujas
caractcrísticasdedescmpcnhoforamprcviamentcdetemünadas. Tabela 2.1 O Três obsetvações de diferenças na massa
A massa convencional m x é obtida de: Diferença
observada

+O.Olüg
sendo
Desconhecida + 0.020g
ms amassaconvencionaldopadrão:
+0.025g
Ólnn a deriva (drift) do valor do padr~Kl desde sua tíltima calibração:
&nadifercnçaobsetvadaentreamassadesconhcridaeopadrào: +0.015g + 0.01 g
Ômç acorreçâoparaexcentricidadeeefeitosmagnéticos: + 0.025g
0/Jacorrcçãoparaflutuação.
+0.050g
Considercasseguintessituações·
+ 0.055g
t l'adràodereferência - m 1: ocenificadodecalibraçãoparaa Padrlo +0.020g +0.03g
referência padrão fornece um valor de IO000Jl05 g com uma
+ 0.025g
inceneza expandida associada de 45 mg (com um fator de
cobcnurak = 2); +0.045g
t Deriva do valor do padrão - Om,: o deslocamento do valor do l)esc<.>nh~·óda + 0.040g
padràodereferênciaéestimadodesuaúltimacalibra'iàoem
+0.020g + 0.02g
zero com ::'::15mg;
FundamcntosdcEstalística.locertczasdcMcdidascSuaPropagação 71

Tabela 2.11 Resumo da incerteza de (m.J

Quantidade Incerteza-padrão Distribuição de ~~~~:ção da


x, probabilidades
10000.005g
u~>:J

22.5mg 1.0 """


22.5mg
O.OOOg 8,95mg Retangular 1.0 8,95mg
'"'"
,_ 0,020g 14.4mg 1.0 14.4mg
&,, O.OOOg 5.77mg Hemngubr 1.0 5.77mg
SB o.ooog 5,77mg Retangular 1.0 5,77mg
l0000.025g 29.3mg

Calibração de um resistor-padrão de valor t Correções devido a temperatura (ÔRrs. óRn:): a temperatura do


nominal de 10 kfi banho de óleo é monitorada utili7.ando-sc um tcnnômetro cali-
brado em 23.00 °C. Levando em conta as características metro-
A resistêocia de um resistor-padr;1oé detenninada por substituição
lógicas do termômetro utilizado e os gmdientes de temperatura
direta utilizando-se um multímctro digital de 7 c 1/2 d ígitos
nobanhodcóloo.cstima-sequcatcmperaturacoincidaooma
(DMM) em sua escala de resistência e um resistor-padrãode mes-
monitorada com ±0.055 K. Assim. o valor desconhecido 5 X
mo valor nominal que o item a ser calibrado como uma referência
10-"K-' docoelicientedetemperatur.t(TC)doresistorderefe-
padrão.Osresistoressàoimcrsosemumbanhodcóleo.oqualse
rência dá um limite de ±2.75 mfl para o desvio de seu valor de
encontra no interior de um agitador a uma temperatura de 23 °C
resistência de acordo com a calibração. devido a um poss(vel
monitorado por um tem1ômetro de vidro imerso no centro. Os
Oesvio da temperaturJ. de operação. A literaturJ. do fabricante
rcsistorcsdevcmsercompletamcmecstabili7.adosantcsdamcdi-
estimaqucoTCdorcsistordcsçonllccidonàocxccda 10 X 10-"
da. Os conectares dos tenninais de cada resistor são conectados
K-'.assima variaçàoderesistênciaéestimadaem ±5.5 mO:
aos terminais do DMM. Sabe-se que a corrente de medida na es-
t Medidas de resistência (rç): uma vez que o mesmo DMM é
cala de 10 kfl do DMM de 100 JJ.A é suficientemente baixa para
utili7.adoparaobservarR;xcR;so ascontribuiçõcsdcinccrtc7.a
evitar problemas de autoaquecimento dos resistores. O procedi-
s5ocorrelacionadas.porémoefeitoreduzaincerteza.e.assim.
mentodemedidautilizadotambémgarantequeosefeitosdere-
considera-scnecessárioapenaslevaremcontaadiferençare-
sistências externas podem ser considerados insignificantes.
lativanaslciturasdercsistênciasdcvidoaefcitossistcmáticos
A resistência é dada por:
comotensõesparasitaseresoluçãodoinstrumento.osquaisse
Rx = (Rs + óR" + óRrs) rçr - ôRn: estima possuírem um limite de 0.5 X lo-• para cada leitura. A
em que distribuiçàodcresultadosparaarazàorcétriangularcomum
valor esperado de IJXXXJOOOelimitesde ± l X 10-";
Rs éaresistênciadercferência: t Correlação: as quantidades de entrada não são consideradas
ôR"éodrift(ou deriva) da resistênciadereferênciadesdesua correlacionadascomalgumgraudeextensãosignificativo.
últimacalibraçào;
ôRrséavariaçãodaresistênciadereferênciarelacionadaatem- AsTabelas2.12e2.13apresemamasmedidasreali7.-adaseo
peratura: resumo da in.:erteza R.~·
Das medida.~:
r = &amzàodaresistênciaindicada(oíndiceisignifica''in-
Ro Média aritmética: r = 1.0000105:
Desvio padrlo experimental: ~(r)= 0.158 X 10-":
dicada")paraosrcsistoresdcsconhecidosedcrefcrência:
Incerteza-padrão:
r <: é o fator de correção para tensões parasitas e resoluç5o do
instrumento: 11(r)=s(I')=O,l 58 ~ 10-o =0,0707X 10-".
fiRn:é a variaçàodorcsistordcsconhccido relacionada com a
temperatura
Considerando que: Tabela 2.12 Cinco observações real izadas para a razão r

t ~~~~~:~::r~~ri:~:~~::;:::~:~~:~~>~:~~~:a~:~6~~~;; ::_~'_ _ _ _ _ __.:::l.OOOO:: : : : ,.,==- - -


~~c~fi~~1~~f;~o:~;c cobertura k = 2) em uma temperatura UXXlOl0 7

~~:;~r~~ ;;~~~~~i~~~~~: ~ ::~:ú~ti~~:i~:~~:r;~~~~~~ti~n~~


4 8
:'-- - - - - - - - - ",.oooo
='-' 103:----_ _ __
da. de seu histórico de calibraç5o. em + 20 mn com desvios
dc±IOmfl:
72 CapítuloDois

Tabela 2.13 Resumo da incerteza de Rx

Quantidade Incerteza-padrão Distribuição de ~~~:z~ção da


x, probabilidades
""'
u,{y)

R, IOCXXX.JS30 2.5mn 1.0 2.smn


0,0200 Hmfl Retangular 1.0 5,8ml1
'""
M .,. o.OOJn 1.6mfl Retangular 1.0 1.6ml1
OJXXlfl 3.2mfl Retangular 1.0 3.2ml1
'"" I.<XXXXXXJ 0.41 x to·• Triangular IOOOJO 4.1 mfl
I.OO:XliOS 0.07 X 10 • Nom1al IOOOJ!l 0.7m!l
R, IOOOJ,I780 8,33ml1

A Tabela 2. 13 mostra que a incerteza combinada de R, é Calibração de um multi metro digital em 100 VDC
8.33m0.
Como parte de uma calibração geral. um multímetro digital
Sendoassim.aincertezaexpandidaédadaJXlr
(DMM ) é "alibrado par.t uma emr.tda de 100 V,<. utilizando-se
U = k X u(Rxl = 2 X 8.33 mil iii 17m0. um calibrador multifuncional como um padrão de trabalho. O
seguinte procedimento de medida é utilizado: os tenninais de
Portanto. o valor medido do resistor nominal de lO kO. a uma
saídadocalibradorsãoconectadosaosterminaisdeentradado
tcmpemtura de medida de 23.00 occ uma corrente de medida
DMM utilizando cabos de medidas adequados. O calibrador é
de 100 p,A é (10000,178 ± 0.017) 0
ajustado em 100 Vnc. e deJX!iS de um período adequado de esta-
Ain.,enezademedidaexpandidaresultanteéainceneza-pa-
bilização o valor indicado no DMM é registrado. O erro de in -
drào. multiplicada pelo fator de cobertura k = 2. para o qual a
dicação do DMM é calculado utilizando-se as leituras do DMM
d istribuição normal corresJXlnde a uma cobertura de probabili-
eosajustesdocalibrador.
dadedeaproximadamente95%.
Deve ser percebido que o erro de indicação do DMM que é
Observações: obtido utilizando esse procedimento de medição inclui o efeito
de offset e também os desvios de linearidade.
Ovalordaresistênciadesconhecidaeodaresistêociapadrãosão O erro de indicação Ex do DMM a ser calibrado é obtido de
aproximadamente iguais. Com a aproximação linear usual dos des-
vios, os valores que causam as indicações do DMM R" e R., são Ex = V.x - Vs + ôV.x - ôV5
dados por: em que

R:• R._ ( l+~) eRs' • R,.(t +~) V.x é a tensão elétrica indicada pelo DMM (o índice i significa
indicação);
Com R sendo o valor nom inal dos resistores, õFV e liAs' são os V5 éatensãoelétricager.tdapelocalibrador;
desviosdesconhec idos.Arazàode resistêocia deduzidadessas ólt,xéacorreçãodatensãoindicadadevidoaresoluçãofinitado
expressões é:
DM M:
8V1 é a correção do calibrador de tensão devido às seguintes ca-
racterísticas:derivadesdeaúltimacalibração;desviosresultan-
comarazãodaresistêocia indicadaparaoresistordescoohecido tesdeefeitoscombinados deoffset,nãolinearidadeediferenças
lldllrllfllrência no ganho: desv ios na temperatura ambiente: desvios na tensão
dealimentação;efeitosdecargaresultantesdaentrada deresis-
r=!1._ tênciafinitadoD MMascrcalibrado

eofatordecorreção(aproximaçãolineardosdesvios)
Cabeobscrvarque,devidoàlimitaçãonaresoluçãode indi-
cação do DM M. não foi observada dispersão nos valores obser-
rc =I + SR, ' ~tiR ' . vados.
Oprocedimcntodecalibraçãofomcceu:
UmavezqUIIIId~erençadosdesviosécoosidllradllna~~qui!Çáo,
cootlibuiçôescorrelacionlldasdeefe~ossistemáticos resu~llrltesde
t As leituras do DMM (V....) : o DM M indica a tensãodc 100,1
escalas internas do DMM não influenciam o resuHado . A incerteza-pa- Voe quando o ajuste do calibrador é de 100 Voe. A lei tura do
Ó"ãodofatOfdecorreçâoédeterrninadaapenaspordesviosnãocor- DMMéconsideradaexata:
relacionados resu~antes cie efe~os par~tas e peta resolução do DMM t Padrão de trabalho (V, ): o certificado de calibraçãodocalibra-
Port11nto. assumindoqueu(SR,') = u(SRs') = u(SR'), temos que: dor multifuncional diz que a tensão gerada é o valor indicado
u'{rc) = 2u>~R'). nocalibrador.eainceneza relativacxpandidaassociadade
medida é de IV = 0,00002(comumfatordecoberturak = 2).
FundamcntosdcEstalística.locertczasdcMcdidascSuaPropagação 73

resultandoumaincel1e7_arclativaexpandidademcdidaasso- Orcsultadodaincertezaexpandidade medidaéaincertcza-pa-


ciada com o ajuste de I00 v,>e de U = 0.002 Voc (fator de dr5ode medida multiplicada pelo fatordeeobertnradednzido
coberturak = 2): dcumadistribuiçãodepmbabilidadesconsidcradarctangular
4 Resolução do DMM a ser calibrado (OV,x): o dígito menos paraumaeoberturadeprobabilidadede95%.
significativo dodisp/ay do DMM corresponde a 0.1 V. Cada O método para o cálculo do fator de cobertura é claramente
leitura do DMM possui uma corr(!{,:ãO dev ido à resolução li- re\a.:ionadoaofatodequeaincertezademedidaassociadacom
nita do display. a qual é estimada em 0,0 V com limites de o resultado é dominada pelo efeito da resolução finita do DMM
::':Q,OS (istoé.metadedamagnitudedodigitomenos signifi- Issoser;i verdadeiroparaaealibraçãodetodosos instrumentos
cativo): indicadorcsdebaixaresoluçào.umavezqucaresoluçàofinita
4 Outras correções (OV5 ): a incertcz_a de medida associada com éaúnicafontcduminantenuquadroresnmodasin.:crtezas(ve-
asdiferentes fontesécoletadadasespecificaçôesinfonnadas jaaTabcla2.14)
pelofabricantedocalibrador.E>>asespecificaçôesdizemque
atcnsãogcradapelocalibmdorcoincidecomoajustedees- Observações:
caladocalibradordentrode ::!:(0.0001 X V5 + I mV)~sob as
seguintescondi çõesdemedida:atemperaturaambienteestá Se a situação de medida for tal que uma das contribuições de in-
entre a faixa de 18 °Ca 23 °C;a tensão de alimentação do certeza pode ser identificada como dominante, por e xemplo, o
calibrndorestádentrodafaixade210Va2SOV:acargare- tenno com fndice 1. a incerteza-padrão a ser associada com ore-
sultado da med ida y pode ser escrita como:
sistiva dos terminais do calibradoré maior que 100 kfl. Além
di sso. o calibrador foi calibrado no último ano: u(y)=Ju:(y) + u!(Y)
4 Umavezqueessascondiçõesdemedidasâoatendidas.ea
históriadecalibraçàodocalibradormostraqueasespecifica-
çôes do fabricante são confiáveis, faz-se então awrreçào a em que uR(y) =~ indicaacon tribuiçãoda incerteza total
ser aplicada na tens~o gerada pelo cali brador de 0.0 V .:om
dos termos não dominantes. Desde que a razão da contribuição
:!: 0.011 V: das incertezas totais u,.(y) dos termos não dominantes com a con-
4 Correlação: asquantidadesdeen t radanãos~oconsideradas tribuiçâodaincertezau,(yjnâosejamaiorque0,3,aequaçâoan-
correlacionadascomalgumgraudeextensãosignificativo. terior pode ser apro~<.imada por

u,{y)[H.!(~J']·
A Tabela2.14apresenta oquadro-resumodaincertel.ildeEx.
Para esse exemplo, pode-se concluir que· u(y) ..
2 u,(y)
4 incertcz_aexpandida:ainccrtezademedidapadrãoassociada
com o resultado é claramente dominada pelo efeito da reso- Oerrorel ativodeapro~<.imaçáoémenorque1 x 10-' .Avaria-

lução finita do DMM. A distribuição final não é normal. mas çãomáximarelativanaincerteza-padrãoresultantedofatordentro


essencialmente retangular. Portanto. o método de graus de doscolchetesnãoémaiorque5%.Essevalorestádentrodato-
lerãncia aceitável para arredondamentos matemáticos de valores
liberdadeefetivosnâoéap licá~·el. Ofatordeeoberturaapro-
de incerteza
priadoparaumadistribuiçãoretangularécalculadodarelação Sob essas condições, a distribuição dos valores que podem ser
U = k u(Ex) = 1,65 · 0,030 V • 0.05 V (ver observação razoavelmente atribu ídos ao mensurando é essencial mente idén-
a segui r): hcaàdistribu içãoresultantedacontriboiçàodominanteconhecida
4 portanto.oerrodeindicaçàomedidodovoltímetrodigitalem Dessadensidadededistribu içãol'{y)aprobabilidadedecobef"tura
p pode ser determinada para qualquer valor da incerteza de medi-
100 Vocé de (0,10 ::': 0.05) Voc.
daexpand idaUpelarelaçãointeg ral·

p(u) - :['f<Y')d}'"
'Ummé1odolargamemeu1ilizadoparaaaprcsemaçãodacxa1idãodeins1run~en
1osden~edidacnl<lm~shulsoo manuaiscon siS1eemfornecerasespecifocações
timi1eem1ermosde""ajuS1edeescala'". Paraocatibfadordesseexempto.seria Ainversãodessarelaçãoparaumadadaprobabilidadedeco-
:!:(0.0\ %doajuS1edeescata + I mV) bertu ra resu ltanarelaçãoentreaincertezadernedidaexpandida

Tabela 2.14 Resumo da incerteza de Ex

Quantidade Incerteza-padrão Distribuição de


~~:~:~ção da
x,
""'
probabilidades

v. 100,1 v "·"'
v, IOO.OV 0,001 v LO 0.001 v
w. O,OV 0,029V Retangular 1.0 0,029V
av, o.ov 0.0064V Re1~ngul ~r LO 0.0064V
E, O, I v
74 CapíwloDois

e a cobettura de probabilidade U • Ulp) para uma dada distribui- em que


ção de densidade W'j. utilizando essa relação, o !ator de cober-
tura pode finalmente ser expresso por. l;.é aindicaçàodopaquímetro:
/,é ocomprimentodosblocospadrão;
k(p) ~~­ Ls é o compri mem o nominal do bloco padr:lo:
u(y)
ii éamédiadococficientedeexpansàotérmicado paqu(metro
No caso do volt/metro d igital, a contribuição da incefleza dominan- e do bloco padrão:
~1 éa diferença de temperatura entreo paquímctroco bloco
taresultantedaresoluçãofinitadaindicaç!ioé u,.,,(E~): 0,029 V.
padr:lo:
em que a contribuição para a incerteza lotai dos termos não
ô/"'é a correçl\odevidoaresoluçãofinitadopaquímctro:
dominantes é u.,(EJ • 0,0064 V. A razão relevante é
ô/_.. é a com."Çliodcvido a efe itos mecânicos corno força de me-
~ - 0,22. dida aplicada. erro de Abbe. e rros de paralelismo e planicidade
u.,.,IE,J das faces de medida.
Dessa foona, a distribuição de valores qoe podem ser razoavel- Considcrnndoasscguimcscarnçterísticas:
mente atribuldos como erros de indicação é essencialmente retan-
gular.Acoberturadeprobabilidadesparaadistribuiça:oretangular t Padrões de trabalho(/,. L, ): os com primentos dos blocos de
é linearmente relacionada com a incerteza de medida expandida referênciautilizadoscomopadr-lo.juntamcntecomsuasi n-
(com a sendo a metade da largura da distribuição retangular) cenezas de medida expandidas associadas. são fornecidos no
p • ~. ceni fic;tdo de ca libra~~o. Esse cenificado confirma que os
blocospadrãoatcndcmaosrcquerirnentosda iS03650.grau
Resolvenclo essa relação para a incerteza de medkla expandida l.istoé.ocomprirnentocentral doblocopadrãoestá dentro
U e Inserindo o resu~ junto com a expressão da incerteza de de :!:0.8 ~rn nocomprirnemo nominal. Para os comprime ntos
medida padrão relacionada com a distribuiçãO retangular, tem-se a
dos blocos padriio. se us valores nominais são utilizados sem
'''''''" COtTeÇão. utili1.andoos limites de toler.inciacomoimer;alo
k(pJ=p../3. de\·ariabilidadeinfcrior csuperior:
t Temperatura (~t. ii): depois de um tempo de estabili1.ação ade-
Para um fator de cobertura de probabilidade de 959(., o !ator de
coberlurarelevanteéentãok - 1,65.
quado. as temperaturas do paquímetro e do bloco padrão são
ig uais dentro da faixa de :!:2 oc_ A média do coeficiente de ex-
pans.llotérnlica f 11.5 X 10- 6 "C- 1. A inccne1.a na média do
Calibraçlio de um paquímetro com escala de coeficiente de exp;m~1o ténnica. bem corno a di ferença dosco-
Vernler ou N6nlo eficicntesdeexpans;loténnica. éconsider.Jd1tinsignific;mte:
Urn11 eSCltla de Vemier de um paquímetro (veja a Figur.t l.4(a)) t Resoluç!lodopaquímctro(lila):ointerva lodaescaladcVcr-
feita de aço é calibrada contra blocos de medida. tambt"m de aço, nier é de 0.05 mm. Ass im. estima-se que as variações devido
utilizados como padrlo de trabalho. A fa ixa de medida do pa- à resolução fini ta possuem limite retangular de :!:25 ~m:
químetro é de 150 mm. O intervalo de lcitum é de 0.05 mm (a t Efeitos mecânicos (ôl..): esses efeitos incluem a força de me-
escala principal é de I mm. c o inter'\'a]o da escala de Vcmicr é dida aplicada. erro de Abbc e efeitos de folgas. Efei tos adi-
de 1n0 nun). Alguns blocos padr:lo com comprimento nominal cionais podem ser causados pelo fato de que as faces de me-
na faixa de 0.5 a 150 mm são utilizados na ca libro~çào. São sele- dida dos encostos não estão perfeitamente planas. não pam~
cionados de fomm a que os pontos de med ida são espaçados em leia~ e não perpendiculares ao corpo do instrumento. Por

distâncias iguais (por exemplo: O mm. 50 nun. 100 mm. 150 mm) questõcs dcsimplificaçào.apenasafaixadevariaçãototal.
mas produzem valores diferentes na escala de Vemier. isto é. 0.0 iguala :!: 50p.méconsidemda:
mm. 0.3 mm. 0.6 mm. 0.9 mm. t Correlação: nenhumad:~sq uantidades de entrada écons ide­
Este exemplo utiliza o ponto de ca li braçllo de 150 mrn para rada correl~lcio nad a com alguma extensão significa ti va.
rnedidadedirnensõesexternas.Antesdacalibração.são feitas
Asmedidas(/ 1K)sllorepctidasalgumasvezesserndetectar
algumasverificaçõesdascondiçõcsdopaquírnctro: \'Crificaçào
ne nhurnadispersilonasobservações.Assim.a inceneza de-
dapossibilidadedeexisti?nciade errodeA bbc.' 0 qualidadedas
vidoàrepetitividadelimitadaniiotcmcontribuição.Orcsul-
faces de medida dos encostos (planicidade. paralelismo. esqua-
tadode medida paraoblocopadrllode l50mm é 150. 10mm.
dro)efunçõcsdomccanismodetr.l\'a.
A Tabela 2. 15 aprese nta o quadro-resumo do cálculo da in-
O erro de indicação Ex do paquímetro a uma temperatura de ceneza ôlxdesteexemplo.
referêndat0 • 20 °Céobl:idodan:lação:
l1tcene1.a expandida desse experimento: a inceneza de medi-
Ex = la -15 +L,·;; ·.li + &a + &_.. da associada com o resultado é claramente dominada pelos efei-
tos combinados da força de medida e da resolução finita da es-
cala de Vcrnier. A distribuição final não é normal. nms essencial-
rnentetrapczoidal(resultadodaconvolução deduasdistribuições
'"l>mstAI>hc.fuoldadordaZciS'.C"udouumcrroadkioootquondoocixoda
n....Ji\'llonllo<:Qincidt•'Onluci•odoin,.rumcnlu.E;.. cfcito~•Ptid,·cla.oflll·
retanguhtres), comumarazllof3=0.33dametadeda largurada
QUimclruct)fi\'Cnciunat quanduoei•o<k"-"" instruon<niQ nu nco~u inci<kromu regi~o plana até a metade da largura do intervalo de variabilida-
ei>o<bpoç:oemm.-diçtu de. Ponanto. o método de gmus de liberdade efetivos n~o se
FundamcntosdcEstalística.locertczasdcMcdidascSuaPropagação 75

Tabela 2.15 Resumo da incerteza de fix


Coeficiente de Contribuição da
Quantidade Incerteza-padrão Distribuição de sensibilidade Incerteza
x, probabilidades
l50,l0nun ""' "·"'
.,'" 150,0mm 0.46J.tm
1.15 K
Retangular
Retangular
- 1.0
1.7,..Mk·'
- 0.46J.tm
2,Üj.<IH
M,x l5J.tm Retangubr 1.0 151-'m
&. 29J.tm Retangular 1.0 29j.liH
Ex O. lOmm 331-'m

ap lica. O fator de cobertura apropriado pam essa distribuição incertezas através do modelo matemático da medição. como visto
trupczoidaldevaloresédek= 1.83.Assim: nascçiioantcrior.Apcsardcreprescntarumconscnsodacomuni-
dadeintemacionalparaexpressaraincertezadernediçiio.consti-
U = k · u(Ex) = 1.83 · 0.033 mm :.. 0.06 mm
tuindo.a\sim, arcfcrênciapamaavaliaçãodeincerte7_a,ométodo
Para esse e:~:pcrimentu. o resultado final indica que em 150 mm aprescntaalgunsproblcmaspráticos,comoporexemplo
a inceneza de indicação do paquímetro é (0,10 ± 0.06) mm. A
t complexidadcconccitual:
inceneza de medida e:~:pandida é a inccneza-padr5o da medida
muhiplicadapclofatordecoberturak = l.83.oqual fui dedu-
t nttessidade de construir um modelo matemático da medição:
t além disso, nasuaformulaçãomaisusual,ométodorequer
zido de uma distribuição de probabilidadesconsidcradatrapc-
condições de linearidade do modelo. além da distribuição
zoidal.paraumacoberturadeprobabilidadedc95%.
nonnal da variável aleatória que representa os valores possí-
O métodoutilizaduparacalcularufatordecoberturaé cla-
veis do mensurando
mmcntcrclacionadoaofatodequeaincene:z.adcmedidaasso-
ciadacomoresultadoédominadaporduasin1luências:oscfei- O último exemplo é um caso em que ocorrem detal hes que
tos mecânicos e a resolução finita da escala de Vemier. Assim. aumentam a complexidade do método.
nãoscjustificaconsidcraradistribuiçãodeprobabilidadesda Uma alternativa é a utilização do método ou simulações de Mon-
quantidadedesaídanonnal.Umavezqueprobabilidadcsedcn- te Carlo (MMC ou SMC)_Os matemáticos John Von Neumann c
sidades de probabilidades na pr.ítica podem apenas ser determi- StanislawUlamsiioconsideradososprincipaisautoresdatécnica
nadasde3% a5 %, adistribuiçãoéesscncialmcntctrapcwidal. deS MC. Jáantesde l949foramrcsolvidosváriosproblemases-
obtidapclaconvoluçãodcduasdistribuiçõcsrctangularesasso- tatísticos deamostragcrnaleatóriaernpregando-scessatécnica.
ciadascomascontribuiçõcsdominantes.Asmetadesdalargura Entrctanto.pclasdificuldadesdcrcalizarsimulaçõcsdcvariávcis
da base c do topo do trapézio simétrico resultante são 75 11m e aleatórias à mão. a adoção da SMC como técnica numérica univer-
251-'-m.respcctivamente.Opcrcentualde95% daáreadotrapc- saltornou-sercalmcntcdifundidacomachegadadoscomputado-
zoide está dentro do intervalo de :!: 60 11-m em tomo do eixo de res. A avaliação da incertel'.:l de medição usando a técnica de SMC
simctria.corrcspondendoak = 1.83. é realizada em duas fases. A primeira consiste em estabelecer u
Para mais detalhes referentes aos procedimentos matemáticos modelo de medição. ao passo que a segunda envolve a avaliação
desse exemplo. consulte o documento E:A-0/42 Expre.uion of do modelo. As diferenças fundamentais entre o método clássico e
the U11certai11ty of Meas11reme11t ;, Calibratio11 . a SMC estão no tipo de infonnaçào descrevendo a~ gr.mde:z.as de
cntrudacnafonnacmqueessainfonnaçãoéproccssadaparusc
obter a incertel'.:l de medição. No métOOo clássico. cada variável
41 2. 7.4 Avaliação da incerteza
deentradadcvescr camcterizadapclafunçãodensidadcdcproba-
utilizando o método de Monte Carlo - bilidade (pdj). sua média e desvio padr.lo e os graus de liberdade
Duruntc a avaliação da incerteza de medição, pode acontecer que Na SMC. esse último par:Jmctm não é envolvido nos cálculos. tor-
fontcssignificativasdcerropasscrndespcrccbidas.ernraziiodo nando-scdesnecess.1rioporémnâoirrelevantenaanáliscdosresul-
conhecimento limitado du avaliador. Nesse caso. a amplitude da tados.NaSMC.ofonnatodadistribuiçãodesaídaéobtidoapar-
faixa de incerteza pode ser menor que aquela que deveria ser tir da avaliação do modelo matemático por meio da combinação
declarada paruquea rastreabilidade não seja prejudicada. Em deamostrasalcatóriasdasvariávcisdccntruda.rcspcitandoasrcs-
outras situações. a incerteza pode ser sobrestimada. em virtude pectivas distribuições. Assim. a SMC produz a propagaçãodastx/fs
desuposiçõcscxccssivamentcconscrvativassobrcamagnitudc das grandezas de cntrnda atmvés do modelo matemático da medi-
dos erros prováveis ção. fomttendo como resultado urna pdf que descreve os valores
O Guia para a Expressão da Incerteza de Medição (GUM). uma do mcnsurundo condizentes com a informação que se possui. Por
dasrcfcrênciasutili:z.adasncstaobra,estabelcceregrasgcraispara isso.éconhttidocomumétododapropagaçiiodedistribuições.
avaliare expressar a incerteza de medição. O método de avaliação A utilizaçãodcssatécnicanametrologia,contudo,nãoéno-
de incertezas. proposto por ele. toma por base a propagação de va. e já existe um suplemento ao Gu ia (GUM Suppll, 2004),
76 CapítuloDois

que busca estabeleceras bases paraumacorretaaplicaçãoda bcr atenção especial. De maneira similar. considcmções sobre a
SMCnaavaliaçãodeincertezas. norrnalidadedaestimalivadesaídaeaaplicabilidadcdafómlulade
Uma vantagem do método de Monte Carlo é que ele produz Wekh-Satterthwaite tomam-se desnecessárias. No entanto. a qua-
umaaproximaçãodafunçãodedistribuiçãoparaomensurando lidadedosresultadosobtidosdcpcnderádosscguimesfatores·
Dessa distribuição. quaisquer parlmetros estatísticos. incluindo
4 representatividade do modelo matemático:
o resultado da medição. a incerteza de medição padrão associa-
4 qualidadedacaracterizaçãodasvariáveis deenlrada:
dacarespcctivaprobabilidadcdc abrangência, podem ser obti-
4 caraderísticas dogcradurdenúmcrospseudoalcatóriosutili-
dos. Outra vantagem é que o método não depende da natureza
zado:
do modelo. isto é. pode ser fortemente não linear ou ter um nú-
4 núrnerode simulações realizadas:
rncrograndcdcvariávcis.
4 procedimentodedefiniçãudointervalo deabr.mgência.
As desvantagensresidemnocar:iternuméricoqueessatéc-
nica impõe. particularmente a sua natureza computacional in- O número de mcdi~Wsimuladaspos;;ui forte influência ooerro
tensiva. É também ncccss:iriaumaavaliaçàocuidadosadaqua- amostrai esperado para as estimativas obtidas por SMC. Na Figu-
lidadedosgeradores denúrnerospseudoaleatóriosutilizados ra2.29.épossívelobservaroefeitode M sobredistribuiçãoempf-
NaSMCmudelosmatem.:ilicosnãolineares.distribuiçõesassi- rica de uma variável distribufda oorrnal, com média 11. = l e desvio
rnétricasdasgrandczasdeinfluência,eomribuiçõcsnàononnais padrJou = l.Osgráficossupcriorcsaprescntarnohistograma
dominantes.eorrelaçõesentregrandezasdcinfluênciaeoutrasdi- (àesquerda)eacorrespondentedistribuiçãodefrcquênciasacumu-
ficuldades para a aplicação do método clássico não pR-cisam rece- ladas (à direita). obtidos com uma amostm de tamanho M = 100.

0,9

0,8

jo.7
~0.6
go.5
~0.4
'g-o.J
" 02
O,l

1.5 2.5

{O)

0,9

"St0,8

i'·'
~0,6
&!0.5

i0,4
10.3
0,7

O,l

-1'<.,--::';--::;C<''i---.:.:--:-__,,.--,;-"'--;----,'.
,,, (d)

Figura 2.29 Efeito do número de medições simuladas (M) na curva de distribuição gerada: (11 ), (b) M = 100 e (c) . (d) M = 100 <XXl
Fundamcmos de Estatística, lnccnczas de Medidas e Sua l'ropólgaçOO 77

Os gcificos inferiores mostrnm O!'i resultados de uma simulação n.:- das duas distribuições pode ser calculada, resul!ando orna
ali7.adacom uma amostra bem maior,/11 • 100(0). distribuiçãodeprobabi lidadedesaída triangular.Oresult:tdo
Observu-sequeadistribuiçãodefreq uêndasacumuladas fi- dessa simulação pode ser obserYado na Figura 2.30 - nesse
ca fonentente afetada com a redução do tamanho da amoSU'll. A exem plo foram utilizadas 100 000 sim ulações.
intcnsidade doroídoamostral e an.:duçàona:unplitudedosva- Algumas bibliografias (Souza e Ri beiro, 2006) mostmm
lorçsobtidossãosignificativasquandosctrJbalhacomamostras aiudauma cornparaç:lodosresultados daapli eaçào daLe ide
detamnnhoreduzido. lsso tudoafctadrasticarne nteacapacida- Propagaçàode lncenezaseomaquclesquercsultamd1tapli-
dc de defini r com exatid~o os valores da variável qu e correspon- cação do MMC, corno ilustra a Tabela 2.16.
dem a uma dada probabilidade, panic ul~nne iH e com relação a Pode -se observar no exemplo com distribuições retangula-
probabilidades próximas aos valores Oc I, nos quais a~ amostras res que o mé todo clássico sobrestima o intervalo de confiança
nteoorcsnprcsc ntam valorcscsparsos. em ambos os casos, mas paniculanncnte nos 99% de probabi-
Embora os gr.ificos da Figura 2.29 descrevam o compona- lidadedeabrangência.Asdiferençaspercentuais emreos dois
mentode uma variáve l isolada (uma das grandez.as de influência. métodoss3ode3% cde 1 5%.~ti\·anll:nte.
por exemplo). o fenômeno é si milar quando se trata de uma \'a- b. Considere duas distribuições retan gulares oom amplitudes
ri:ível originada da combinação matemática de virias varii,·cis diferentes (X com um interYalo [0: I [ e Z com um intervalo
aleatórias (e ntre o utras, o valor do mensurando). Assim. o au- [O: 2.5)). A eonvo lução das duas di stribuições o rigi na uma
ntc nto do valor de M produzici uma diminuição do ruído amos- di stribuiç ilo de probabilidades de saídatrapc 7.oidal.Oresul-
trai. resuhando em estimativas mais confiáveis do \'alordo men- tado da sinrulação desse caso pode ser visto na Figura 2.31
sunmdo e daincenezademediçàoassociad:r. Nesse exemplo foram utilizadas 100 000 simulações.
lnfctizmcntc,aampliaçãodotamanhodaamostraMtrazcon- Novamente, a co mpamçãodos resultados obtidos pelo mé -
sigo um aumento nos requisitos sobre o hardware usado na si- todo clássico com aqueles que resultaram da aplicação do
mulação c. consequentemente. um acréscimo no tempo nece s- MCM pode ser observada na Tabela 2. 17.
sário para se dispo!' do resultado. Pam defi nir o número de si- Nessesegundocaso.asdiferençassãoaindamaisacentu-
mul a<,'ÕCS, deve-se fazer um balanço entre a qualidade dos resul- adas. agora com diferenças de 8% e de 21 % entre o método
tados desejada e as disponibilidades de hardware e de tempo. clássico (GU M) e o MMC para as probabilidades de abran-
Entretanto. cabe lembrar sempre que o erro amostrai de sim ula- gência de 95% e 99%. re.~peçlivamente.
ção não é a úni ca fonte de desvios potenciais na aná lise de in- c. Considere três distribui ções retangulares (X oom um interva-
ceneza por SMC. Em particular. modelos mat emáticos pouco lo [O; 1[. Zcom um intervalo [0: 2.5] e Ycom intervalo[ O; 1])
rcpresentativosegrandezasdeinfluênciamalcarJcterimdaspo- Aconvoluçãodessasdistribuiçõesresultaemumadistribuição
dcrn ge rar desvios bem maiorçs e mais difíceis de se rem detec - dc probabilidades desaídaqucscaproxinmdadistribuição
tados. Nn solução desses problema~ mal defntidos, aumemar norm:tl. Ne~~e exemplo foram utilizadas I00 000 simulnções,
mdic:ilme nte o número de simulações M parn red uzir o erro eorcsultadoémostradonaFigura2.32.
amostrJI pode não trazer o retorno espcr~do. Pode-se veri ficar nesse caso uma aproximação à forma guus-
A maior flexibilidade do método de avaliação de inceneza siana De fato, com a so111a de quatro ou cinco distribuições. a
po!'Sl\ ICpennitcq ueclc scjausadopara secstimara ineerteza
curv-Jgemda. naprática.podeser consideradau ma gaussiana.
co mbinada expa ndida. em situações e m que a distribuição que
Novamente. a comparação dos resultados obt idos do mé-
represe nta os va lores possíveis do mensurando n5o é normal.
tododissieo {GUM) com aqueles que resultam da aplicação
Nesses casos. a solução de multiplicar o desvio padrJoestimado
do MMC pode ser observada na Tabela 2.18.
porumdeternJinadofatordeabrangênciadei:otadescrválida,
pois resu lta em inccnezas pouco realistas.
O exemplo da calibração de um multfmetro digital
Qunndoa di stribuiçãodavariivclquereprese nta os va lores
possíveis do mensu rando é simétrica. é possível u~ar o recurso O caso de es tudo envol\'endo a calibmção de um multíme tro di -
deordcn:rrovetordesaídadomenorpantomuiorvaloreidcn- gital {reponc-sc 11 seç1loa n1erior para 11 de sc rição das variáveis
tific~•r os limites do intervalo de abr.rngência por meio da con- envolvidas nesse modelo) na escala de 100 Vuc tcm como mo-
tage mdosscuselementos. dclonmtcmit ico:
Esse método revela-se inadequado quando a distribuição de
safdanãoési mé trica.Nessescasos.écotl\'eni ente apli caropro-
t.'x = V..,- V, + ôV" - ôV,.
cedi mcnto recomendado para a est imação do imervalo de abran-
gência mínimo. eonfonne GUM Suppl (2()()..1).
Tabela 2.16 VaiOfes comparativos do caso da soma
entre duas distribuições retangulares com o método
Combinaçao de distribuições
clássico da aplicaçao da lei de propagação de incertezas
Serilomostrados,comalgun sexemplossimples.osefcitosocor- com o MMC, utilizando 500 000 simulações
ridoscornoperaçõesemdistribuições.
a. Considereinicialmenteduasdistribuiçõesretangularesiguais. Clássico I.OOOO
= _ _ 'é
l.ó00!
=- 2. 1066
Nessceaso.considera-sequeasduas di stribuiçõesretangu-
MMC 0,9994 1.5543 1.8002
lares do modelo matemático relativas às variáveis X c Z têm
a mplitudes iguai s. dentro do imcrvalo [0: 1[. A convoluç~o
78 Capí1UloDois

Figura 2.30 O resulcado da soma


dcduasdiscribuiçõcsn:cangulares
(considerando-selOO<nlsimulações)
oom o mesmo incer\"alo 10; li ~ uma
di scribuição triangular.
Fundamentos de Estatística. lnccnezas de Medidas e Sua Propagação 79

Flgun~2.31 01\"Sllltadodasomadedu-
asdistribuiçõesi'C'!Mgulan::scomointn'\'alo
(0: l )e [O; 2.S](coosidelafld<>.se 100000
simul3ç&s) ~ umadistribuiçlotrnpewida1
80 Capítulo Dois

Tabela 2.17 Valores comparativos com o método clássico da aplicação da lei de propagação de
incertezas com o MMC, utilizando 500 000 simulações

1.7500
"-
3,0-+70
"-
MMC 0.7507 2J941 3,1858

Figura 2.32 Resultado da soma de três distribuições retangulares. utilizando o MMC com X, com um intervalo [O: 11. X, com um intervalo
[0:2.S[eX, comumintervalo[O: !)),considerando-se lOOOOOsimulações

Tabela 2.18 Valores comparativos com o método clássico da aplicação da lei de propagação de
incertezas com o MMC, utilizando 500 000 simulações

ClássiÇQ 2.2500
"-
3.2502
"-
4,2784
2.2496 3,0582 3,6551

Aplicando-se o método de Monte Carlo com 500 000 simulações. dições do método convencional não são atendidas. como por
oerrodeindicaçãodomultímetrodigital resultou no valor de exemplo:
0.100 V. com um intervalo de confiança de 95% de [0.050: 0.1511
4 o modelo matemático do procedimento de medição apresen-
(Souza e Ribeiro. 2006)
taumaacentuadanãolinearidade:
A fonna da distribuição é essencialmente trapezoidal. como
4 adistribuiçãodeprobabilidadedagmndezadesaídaafasta-se
pode ser observado na Figura 2.33 (nessa figura foram utilizadas
significativamentedacurvanonnal
100000 simulações). sendo a distribuição retangular uma apro-
ximação possível (como indicado na seção amerior). mas seria O método da SMC também é particulannente útil quando mo-
umaaproximaçãogrosseiraassurnirumadisttibuiçãogaussiana delosmatemáticoscomplexosestãoenvolvidos,nosquaisédificil
(nonnal) para esse tipo de problema. ou inconvenientedetenninarasderivadas parciais exigidas pelo
A utilizaçãodosmétodosdeanáliseda incerteza não de- método clássico. ou quando a grandeza medida não pode ser cx-
ve ser encarada como uma receila válida para todas as situ- plicitamenteexpressaemmzãodasgmndezasdeinfluência.
ações. O método de Monte Carlo é uma ferramenta que po- A utilização de ferramentas computacionais. na metrologia
deserutilizadacomvantagemcmsituaçõesemqueascon- ciemíficaeindustrial.temsidocadavczmaisaccita.Asativida-
FundamcntosdcEstalística.locertczasdcMcdidascSuaPropagação 81

Figura2.33 Distribuiçãodavariá-
veldesaídaparaoexcmplodacali-
braçâodornultfrnctrodigital (gcrada
cornlOOOOO sirnulaçõcs).

dcsmetrológicasvêmsendofortcmeotebencficiadaspelaaquí- O parâmetro b é denominado coeficiente de regressão e pode


sição de dados e pelo processamento de resultados via sistemas ser determinado por:
digitais.comaconscquentereduçãodotmbalhorotineiroedos
errosgrosseiros.aspectosessesinevitáveisquandograndesquan-
ti dades de números precisam ser manipuladas. Além disso. a
l(X-X)X(Y-Y) :EX Y-~
rápidaevoluçãodasarquiteturascomputacionaistemdisponibi- :E(X - X)' ~ X ' - (~X)'
lizado aos metrologistas poderosas ferramentas de cálculo que N
viabilizam a execução da SMC a um custo razoá"el e em tempos
compatíveis com a dinâmica do serviço metrológ ico.
e a pode ser estimado pela substituição do valor calculado de b
t 2.8 Uma Introdução à Regressão
Linear------------
t 2.8.1 Regressão linear - - - - -
na equação·

a = Y-b·X.

Um dos métodos para testar se a regressão é significativa é


Em muitos experimentos envolvendo variáveis X e Y. uma das analisara variação de YcrndoiscomJX)nentes.taiscomo
variáveis pode ser controlada pelo investigador. Em tais circuns- Variação total de Y(soma dos quadr..tdos) = ~y'
tânc ias. a utilizaçãodosrnétodosderegressãoéapropriadapara (Lx·l'l'
avaliararelaçãoentreavariávelindependente(fatorcausal)ea Variaçãoestirnadapelaregressão=~
variável dependeme (resposta possível) em um dado ensaio.
Li - (L~~;l')'
A equação da reta Y = a+ bX. em que b indica o gradiente
ea,opontocmqucalinhacnnaocixo Y(Figura2.34). Variação não estimada =

Esse método pode ser convertido para a variância residual


dada!Xlr:

( Y,- Y)

Portanto. par..t se testar a significãncia da regressão. pode-se


estimarquandoovalordc h desvia significativamente de 7.Cro
através de:

1,0 X
I = bX
~. .

VariáYellndapendenta X Considereoensaioparaavaliaroefeitodaternperaturaern
um produto alimentício que absorve água no aquecimento
Figura 2.34 Regressão linear. (Tabela2.19).
82 Capí1UloDois

Tabela 2.19 Dados da variação de temperatura e


absorção de água
Tempcratura ("C) lj 20 2S 30
Quamidadeddgua(mg) 279J 2924 3175 3340 3576

Nesse ensaio. a cempcracura foi conlrolada (lambém çha-


mado de facor çoncrol:h ·el) C)(pcrimentalmence (cinco eventos
ouníveis:.N = 5)erepresencadapclavariávelindependen-
teX.eaquancidadedeáguadoalimenlo é reprcsentadapela
variável dependence Y (a Figura 2.35 representa os dados ob-
tidos.eaFigura2.36,aregressão linearparaosdadosdesse
ensaio)
Comabasedcdndos eosscguintcsvaloresdasexpressi'\es:
Figura 2.36 Regresslloparaosdadosdoe>cperimente>d:JTabela 2.19
N=S
:EX = ( I5 + 20 + ... + 35) = 125
LX" = {151 + 2Ql + ... + JSI) • 3 375
1
:ix 1 = :EX 1 - (YX) = 3375 - ~ = 250
N 5 = 3 16 1,8 - (39.6 X 25) = 2 17 1.8
H = (2 794 + 2924 + ... + 3576) • 15809 Y • a + bX
:Etz = (2 7941 + 29241 + ... + 35761) "' 50380213 Y= 217L8 I 39.6X
Y y 1 = ~Y :_ ('i;) - 50 380213 - ( 15 ~09 )
1 1
Y • 39.6 ·X + 217 1.8
=395316.8

:EX· Y = J(l5 X 2749) + (20 X 2 924) + ... + (35 X 3 576)] = Obtém-se a equação que melhor se aproxima da base de dados
do experimemo para avaliar o efeito da temper.ttur.t em um
= 405 125
produto alimelllício que absorve água no aquedmemo (veja a
:Ex .)'= 'i.XY - ('i.X)~('i.Y) • 405125 - 125 x 515809 = Tabela 2.19). ou seja. a reta Y = 39.6 X + 2 171.8 (•·eja a
Figum2.36).
= 9900 Para testar a significância da regressão pode-se cakular a va-
riãocia residual com o apoio da tabela da discribuição 1 (parte
apresemada na Tabela 2.20 - para mais detalhes sobre essa dis-
tribuição.•·erificarTaOela2.Se o textorelocionado):

9900
s,

=___!__
N - 2
x[r,.1_ ('i'i.xl
.ry)~ )
= 250 = 39.6
, - I X [ 395316.8 -9900'
s.·= - - ) • 1092.3
5- 2 250

~
50
t = bX
B = 39.6X - - = 18,945
I 092.3

Como valor de /obtidodaequaçàoanterior(l = 18.945)


e com 3 graus de liOerdade (N - 2 = 5 - 2 = 3), basta cru·
zaressesvaloresnaTabela2.20para scobtc r aprobabi lidade.
Caso não seja possível selecionar o valor C)(ato de 1 na Tabe-
la 2.20. basta selecionar o valor que mais se aproxima do va-
lor calculado para te. !)Orconsequência. dctcnninar a proba-
bilidade para esse cruzamento de dados (ver o negrito na
Tabela 2.20). Porta nt o. para esse exemplo. a probabilidade é
de I' < 0.0005.
Para obler valores com 95% de confiança. ou seja. eom nível
T..,..,eratura("C) de significâocia a de 0.05:

Figura 2.35
quantidade de ág ua.
Rdaç3o dos dados ex pcrinwntais: temperatura ,-.-rsus "
Y :!: I Xs.x
Jl ( X' - i )l
N+ ~
FundamcntosdcEsta1ística.1ocertczasdc McdidascSuaPropagação 83

Tabela 2.20 Pontos percentuais da distribuição t"


Graus de Nfveldeslgnlflcâncla(a)
liberdade 0,40 o,oos
0.325 I.OOJ
0,10
3,078
'·"'
6.314
0,02S
12.706
0,01
31,1}21 63.657
'·"""
127.32
0,001
318.31
'·""'
636,62
0,289 0,816 1,886 2,920 4.303 6,965 9,925 14,089 23.326 3 1.598
0,277 0,765 1,638 2.353 3,182 4,541 5,841 7.453 10.2JJ 12,'124
0,271 0,741 1.533 2.132 2,716 3.747 4,604 5.598 7,173 8.610
0,267 0,727 1.476 2,015 2,57 1 3,365 4,032 4,773 5,893 6,869
0.265 0.727 1.440 1.943 2.447 3.143 3.707 4.3 17 5.208 5.959
0,263 0,711 1,415 1.895 2,365 2,998 3,499 4,019 4,785 5.408
0.262 0,706 1.397 1,860 2.306 2.896 3.355 3,833 4.501 5,041
0,261 0,703 1,383 1,833 2,262 2,821 3,250 3,690 4,297 4,781
0.260 0.700 1.372 1,812 2.228 2.764 3.169 3.581 4.587
0,260 0,697 1,363 1.796 2,201 2.718 3.106 3.497 4,025 4,437
12 0.259 0,695 1.356 1.782 2. 179 2.681 3.055 3.428 3.930 4,318
0,259 0,694 1,350 1.771 2,160 2,650 3,012 3,372 3,852 4,221
0.258 0,692 1.345 1,761 2,145 2.624 2.977 3.326 3.787 4,140
0,258 0,691 1,341 1.753 2,131 2,602 2,947 3,286 3,733 4,073
0.258 0,690 1.337 1,746 2.120 2.583 2.921 3.252 3,686 4,015
0,257 0,689 1,333 1.740 2,110 2,567 2,898 3,222 3.646 3.965
0,257 0,688 1.330 1.734 2.101 2.552 2,878 3,197 3.6 10 3,922
0,257 0.688 1,328 1.729 2,093 2.539 2,861 3.174 3.579 3.883
0,257 0.687 1,325 1.725 2,086 2.528 2,845 3,153 3,552 3,850

0,256 0.683 1,310 1,697 2,Q.t2 2.457 2,750 3,030 3,385 3,646

0,255 0,681 1,303 1,6S4 2,021 2.423 2,7Q.t 2,971 3,307 3,551

0,254 0,679 1,296 1.671 2.001 2,390 2.660 2,915 3,232 3,460

0,254
0.253
0,677
0,674
1,289
1.282
1,658
1,645
1,980
1.960
2,358
2.326
2,617
2.576
'·""'
2.807
3.160
3.090
3,373
3.291

em que Y éovaloreslimadode YeX' éovalorparticu1ardeX


Para esse intervalo de confian ça. temos o: "' 0.05 (I - 95 % =
Portanto:
1 - 0.95 "' o:) c. de acordo com os dados do exe mplo. 3 graus
deliberdade.Scndoassim.cruzandoessesdados naTabeln2.20.
é possível determ inar o valor de 1 para 95% de confiança c 3
grausdelibcrdadc(vcjaa Tabcla2.20):
substituindo X' com us valores de temperatura ("C) do exemp lo
I~ "' lo_, = 2.353 anterior, ou seja. valores de I 5 oc a 35 "C com variaçào de 5 oc
e do cálcu lo anterior da vari~nc i a residual: em 5 °C (veja Tabela 2.19). Substituindo o valor de 15 °C:

Y±2.353X33.05X .!. + 115 - 25


)'
5 250
y ± 60.2
84 Capíwlo Dois

As constantes da reta de mínimo quadrado Y • a + bX são


calculadaspelaresoluçãodosistema(equaçOesdcoominadas
equaçõesnornmisdareta):

f !Y=a·N+b·!X
l~XY = a·J:X+b·!X 1

ou podem Sl.!robtid;,s pela resolução de:

IY ·!X' - !X· !XY


N ·!X ' (!X) 1

N~ ~~,- ~~~~y
Figura 2.37 As cun<tS CracC'jadas represencam o imcn'1!1o de coo-
fiançadosdados. b

quesãoasequaçõcsaprcsemadasnaseç:loanterior.
O mesmo procedimento é válido para os outros valores de X' O procedimento é similar para outras expre.~sões, corno por
(vejaocsboçodaFigura2.37). exemplo a parábola de mínimo quadrado Y - a + b ·X + C·X'.
cujasconstantessilodadaspelasequaçõesnonnaisdapambola·
• 2.8.2 Ajuste de curvas por minimos

!
!Y - a·N+b·};X+c·};Xl
quadrados generalizado - - - - - - };XY = (/·!X + b · !X' + c· !XJ
O proccdimcmo amcrior para ajustar curvas é vá lido para };Xl · Y • a·!X 1 +b· :i:X 1 +c · :Ex•
relaçõessignificativamentelineares.Ou scja.énecessáriaa
utili;caç:io da curva de ajuste Y = a + bX para melhor adap- Deixamos eomoexercfcio a obtenção das constantl'S para ou-
tação dos dado~ (a mesma consideração pode ser feita para tras expressões.
ajustes baseados em parnbolas. curvas do 3°. 4" ou de 11 graus
em qu e objcti\•amen te se procura uma melhor cun·a que se f 2.9 Fundamentos sobre Análise
ajuste aos dados experimentais). Considere. por exemplo. a
Figum2.38.querepresentaosdadosdeumdetcrminadoex- de Variãncia 12 - - - - - - - - -
perimcnto (representados pelos poncos, ou pares ordenados Adifcrençucntreduasmédiasdcdoiscnsaiospodescrtestudapor
(x ,:y 1)a(x,:y,)). comparação. Porém.nuprática.existeanecessidadcdccxaminar
Os desvios ou erros ind icam a qualidade do ajuste ge- a~ diferenças entre as médias de diversos ensuios. Nào é apropria-
rado. No método dos MQ a melhor curva de ajuste é aque- do examinar separadamente o significado est3tistico. por exemplo,
la que possui a propriedade de apresentar o mínimo valor de apenas pelo teste 1. c sim utilizando procedimentos estmlsticos ex-
1
(0, + Oi+ Di+ ... + o;) -origemdonorncdométodoem- perimentais denominados projeto de experimetttos (oonnalmcn-
pregado. A forma de onda com essa propriedade é denominada te conltecido pelo tenno em inglês d esign a11d llllllf)·sis of experi-
curva dos mfnimos quadrados: ponanto. se uma reta de ajuste m enls). Existemdivcrsastécnicasparaanalisara\'ariaçãocntre
apresentacssapropriedade.édenominadarctadcmínirnoqua- dadoscxperimcntais.destocando-seosprocedimcntosdenomina.-
drado. O mesmo é válido para ouuw;; curvas. dos análise de variância (também chamado apenas de ANOVA).
Apesardonomedessatécnica.aanális..!devariâncianãoen-
volvc a análise de vuriância de dados simplesmente. c sim o
panicimmmcnto do quadrado das somas (!x'l) para fornecer al-
gumasvariânciascstimadasque devamscrcomp:tradas.
Os conceitos e ml!todos empregados na área de projeto de cx-
perirnentosauxili:mtnafomlulaçãodasrespostasparaMscguin-
tes questõe.~. que surgem de um experimento bem planejado:
4 Qual a finalidade dessa medida (por que medir)?
4 Oqucmedir?Quai ~as hipótcscs?
4 Qual o método estatístico a ser utilizado para validar os da-
dos?
• Quais os fatores controláveis do ensaio? Quantos níveis?
Quantidade de ensaios (arnostms)?

"C~«>otci!orlcnhaanece"idadc<koutro proccdimcniOfX!radctcnninaro
x, x, x. tamanhodaatooslra.oomoporoxcmploousodascur'"•scaractcrl,lka,(<"ul">"OS
OC). su~:erimo> q"" eo<tsuttc b obrasdc Momgomeryc Run,erdtodas nas Oi-
Figura 2.38 Aju!M de curvas por mfnimos quadrados btiogr.lfias dc.,.eoapfluk>.
FundamentosdeEstatfstica,lrl(.'er1czasdeMcdidaseSuaPropagaçâo 85

~STRUMENTAÇÃO
Analisare interpretar
Coleta dedado&
~-

Figura 2.39 Diagrama de blocos par.a um experimcmo eficiente

4 Qual(is)a(s)variávcl(is)deresposta? distúrbios do sistema mastigatório - paniculamw:nte a disfuAÇào


4 Qual procedimento eJtperimetttal deve ser utilizado ou desen- da aniculação temporomandibular (ATM ).
\'Oivido para reali7.nr as medições?
4 O que medir? Quais as hipóteses?
4 Qual o significado cst:uístko dos resultados'!
4 Qual o modelo matemático que representa esse ensaio? Com ccneza ~ possí\·el nfim1arque não adianta medir abwlwa-
mente nada se n5o conhecemos nada sobre a área em estudo.
De forma geral. ~
possfvel afinnar que um bom tr.abalho ex-
pois provavelmente não s.aberemos o que medir e principalmen-
perimemal obrigatoriamente deve ter um e)(cclcnte projeto de
te de que forma! Ponanto. existe a nece55idadc de formar uma
eJtperimen tos. O di agrama de blocos da Figura 2.39 apresenta a
base de co nh ecimrnlos. seja ane)(ando à equipe profissionais
imponância e a relação de um bom planejamento experimental
da área (nesse exemplo. profissionais da área da saúde) e/ou cs-
naáreadainstrumentuçBo.
tudandooassuntoabordado.
Para exemplificar. imagine o desenvolvimento de um sistema
Com a fonnaç:lo de uma base cieutífica sólida sobre o assun -
experimental, naárcadain~trumcntaçãobiomtdim.par.acaractc­
to. normalmente são c riadas hipóteses e elaborado procedimcn-
rizarochamado pcrfodo de sill!nciou de pacienteseom problemas
tose)(pcrirnentaisqucir.lopcrmitirarealizaçãodasmcdiçõcs
na art iculação temporomand ib\thtr. Com certeza. para um bom
- para comprovação ou n1io da.~ hipóteses criadas (algumas vezes
projetode eJtpcrime ntos,divcrsasq ucstõcs dcvcmM:rfomtuladas
são realizados ensaios cxp lormórios p<~ra gemr a base de conhc-
e respondidas antes. dur.mte ou no ttm1ino do e)(pcrimcnto (mui-
drncmos).
tasvezesemdiver.;osoutrosexpcrimentos-nommlmenteadap-
Nesse exemplo. a hipótese clabomda foi: o período de si/é/r-
tadosouapctfeiçoodosemfunçàodosn:sultadosameriorcs).Se-
cio eJtá relacimwdo à11 di.iftmçJts da ATM (articulti[iio temtHJ·
guemalgumas questõesreferemesaessee)(emplo
rommrdibular)?
4 Qual afinalidadedessamedida(porquemedir)?
4 Qual o métodoeslatfsticoa serutilizadop;u11 validar os dados?
Essa proposta s urgiu do interesse em desenvolver um método
Em função da possibilidade de gernr um estudo mais completo
para beneficiar o diagnóstico e o tr.atamento de paciemes com
(custo benefício). optou-se por um projeto de eJtperimentos do
tipo fatorial completo.
' 'Opcri<ldo dl< ~iltiiCio dooo. mll;culosdo ml~m> ~nWJgatóno l um> ~"""""rís­ • Quais os fatores comrol:h•eis do ensaio? Quantos níveis?
•ica dowlldode contraçlodos m!lsculo'l damasl•gaçlo 'lu>ndoo.,...iwt
~ionado.Caracleril•·"' por ...,. unupane•nal" .. d:o ati•·ida<kdttrica""'
Quamidade de ensaios (an'M>Str·as)?
ronl~ dolmU 'ICUioo datJta.l.llgaçjo- p:ar:om.>I(RSdl;talllcs.ronsultaroVo­ - Pessoas com problemas na ATM (grupo õe escudo) e pes-
lume2deslaoln,capílulo l'routl.n-.cnlos F-•P<"""'"Iai•- Lab. 33. soas sem problemas na ATM (grupo controle):
86 Capflulo Dois

- Biossinais (miogmfia) derivados dos músçulos mas~ter e Após a realização dos ensaios c o correspondente processame n-
temporal - obl:idos do equipamento eletrom iógrafo (para to dos dados. foi detcmtinado que:
m:lis detalhes. consultar o Volume 2 desta obra);
• a variáve l de resposta é significativa (tempo de duraçi'lo do
- Sinal do impacto na CVM (contração \'Oiumária máxima)
período de s ilêncio):
para gerar o período de s ilêncio:
• o grupo controle t·u-sats grupo de pacientes com problemas na
- Cabe observar que as instalações dos equipamentos. ele-
ATM é significath·o. ou seja. o período de silêncio pode ser
trodos no pac iente c obtenção dos si nais devem seguir ri-
utilizadoexperimcntalmcnteparacarocterizaradisfunção.
gorososprocedimemosexperimcntaise.senecess:írio.ser
e xecu tados proccdimcmos de treinamento do operador.
t 2.9.1 Análise de variincia:
Para realizar esse experimemo. foi elabor.ado o sistema mos-
trado no d iagrama de blocos da Figura 2.40. Eletrodos são po- classificação simples - - - - - - -
sicionados nos músculos massetcr e temporal ( lados direito e Esse método consiste em uma comp;LraçOO entre duas estimativas
esquerdo) c ligados no clctromiógr.afo (equipamento desenvol- dcvariânciac é bascadoemalgumasprcmissas:
vido para esse experimento- basicamente é constituído por cir-
cuitos e letrônicos :amplificadores e filtros projetados de fonna I. teste de hipóteses: hádifercnçassignificativascntreosgrupos
adcq uadaaessaaplicaçào). Umacél uladecargacilínd rica(pon- ounãohádifercnçassign ilicativas;
2. comparaçõescn trcasmédias dltsarnostras;
tc comp leta - veja o Volume 2 desta obra) foi desenvolvida e
adapwd:t a um sistem:L rnnssn-moln. formando o martelo com 3. ex istência de a penas l v:rrillvc l de resposta c I fator co ntro-
célu la dccargadaFigura2.40.0ssinaisdosmúscu los massctcr láve l a váriosniveis(nívcis li xos.porexcrnp lo. lO valores de
capad torcs o u a níveis aleatórios, por exem plo. 3 pessoas
c tempora l silo obtidos pelo e let romiógrafo com o paciente em
contração \'olum<'iria mállima (nesse exemp lo. o máximo aperto participa ntcs dcumcnsaiocscolhidasalcatoriamcntc).
dosdcn tcs).Conjuntamentc.sàogcmdassequênciasdcimpactos Scahipótcsefor nula.nãohádifcrcnçassignilicativascntreos
no rnaxilar inferior com o martelo com célula de carga. penni- grupos.eamtiloentrecssasduasestimativasépróximadauni-
tindoassirnacamcteri7.açãoda forçadeimpacto q ueacabage- dadc. Na prática. igualamos a rJ71lo ao parlmctro estatístico F
rando o período de silêncio. E...scs s inais (derivados do clctromió- (tabcladcdistribuiçãof)10 .qL1Cpen nitecstimaraprobabilidadc
grafo e do marte lo com célula de carga) silo digitalizados pela deahipótesescrnulaOllnào(essasrazõessliobaseadasnasmé-
placa AOC (ou AIO) c processados por progrnma apropriado (a d ias dos quadr.Jdos). Cmno exemplo. cousiderc os resultados de
anál ise dos sinais miogr:!ficos pennitc dctcnninar a duração do um experimento genérico com k tmtarncntos e " repetições 011
período de silêncio). amostr.Ls para cada tratamento. Os resultados e cálculos necessá-
rios para esse proccdimcntos5o fornecidos na Tabe la 2.21
t Qual(is)a(S)\·ari1h·el(is)deresposta?
Nesse ensaio. é detenninar a duroçliodo período de silêncio (du- em que:
raçãoda inati\•idadeclétricano s inalmiográfico).
t Qualprocedimemoexperimentaldeveser utilizadoOlldcscn-
TI= L<Xu + x,, + .. + x.r ) - t,x.,:
volvido para realizar as medições?
Nesse exemplo, foi utilizada uma A NOVA fatorial.
t Qua l osignificadocstatfsticodosresuhados?
Tl = L (xr, + x l, + .. + X. 1) • t.x.,;
e assim sucessivamente até

T,= L (X 11 +X11 + .. +x. )=t,x.:


N , éututaldeensaiosourepetiçõesde mrodonívc ll ;eassim
sucessivame nte até
N,.quereprescnw ototal decnsaiosou repetiçõcsdcntrodolli-
ve l k;

X, é a média aritmética do ní\'el A 1 do fator A- X, = 21.:


N,

"AdisuibuiçjoF.oudb.lribuio;àodttls bt r-SIM'do-<or .tuLilizada~malguM


~>teseslalisticosC<lRIOr>aaniilosede•"llrilnocia.AfullÇl<lden<i<bdtdeprobabi­
t~~dadapor:

o~'fJ-,_)-;'t- •
/(11) • s(ol.fJl) x(oll+fJ)•··•·, por:u >O.~ oefJ..,grausdetibn-­

Figura 2.40 Diagrama de blocos do aparato experimental projelado dadeeBafunçloobnodadapor: B(<d>) • .J~x"-'(1-ll't-'dx.
paraesliec:xemplo
FundamentosdeEstalística.locertczasdeMcdidaseSuaPropagação 87

Tabela 2.21 Análise de variância- classificação em que Xd rcprescma cada um das repetições ou amostms do
simples cxpcrimemo levada ao quadrado. ou seja.
Tratamentoslcom 1 f~t<.>< controláve l com A , a A , niveis]
A, A, A, A,
X, x., x., X,.
x, x, x,. x.
Número de repetições
x,. x, x,. x,. Totais gerais

x.. X,, x., x. em que:


r, r, r, r, r,.
Tmaldeensaio'< N, N, N, N, N,.

M~diasdostmtamentos x, X, x, x, X,.
MQúro= ~
(N,. - k)

F~ =~
X, é a média aritmélica do nível A 1 do fator A----+ X, =f;:
k represenla o tola] de níveis do falor A. por exemplo. um en-
e assim sucessivamente alé o último nível. ou seja. X, = 7::· saio com o fator conlrolável com níveis A,. A1 c AJ o k = 3. c
N,. rcprcscnlaototaldcrcpcliçõcsouarnostrasparaofatorA
Não é possível comparar somas quadradas direlamenle. por-
Ostotaisgeraissãoobtidospelasseguimesexpressões
lantoosgrausdcliberdadcsãoncccssáriosparapcrmiliressa
~t = Í:, (T, +T, + T1 +. + T,)= t,T,:
comparação
Opróximopassoéverificarashipóteses.ouseja.seexis-
lcmounãodifcrcnçassignificalivascntrcoslratamcnlos.Pa-
N, 1 = Í:, (N, + N2 + N1 +. + N,) = t,N, ra isso será utilizada a dislribuição F. Com o F,."",_ (veja a
Tabela 2.22). deve-se comparar seu va lor com o obtido da
assim como a média aritmélica geral· labcladcdistribuiçãoF(consultarTabcla2.23).dcnominado
aqui F'""""""
X,. ={t·
Após esses cálculos iniciais. deve-se obler o termo de corre-
ção (TC), ou seja. o quadrado da soma de todos os valores de X cmquc(N,.-k).(k-l)rcprcscntamosgrausdcliberdadedo
divididos pelo númerololal de valores. calcularas somas dos erro e dos tratamemos de um dado ensaio. O padrnetro a repre-
quadrados tola] (Srn<o~). entre os tralamcmos (Sr,..,) c par..t o erro sentaonívcldcsignificânciaouocrrodadislribuição:porexem-
(SF.,.,).cprccnchcra Tabela2.22· pio, para urna tabela de distribuição F com a = 0.05 o erro seria
de 5%. ou seja. urna certeza ou nível de confiança de 95%. P:~ra
TC = (T,. )' facilitarousodesse proccdimcnlocmscuscxpcrimcmos.fornc-
N ,. ccmososvalorcsd:~distribuiçãoFcomnívcldcsignificânciadc
5%. ou seja. a = 0.05 - veja a Tabela 2.23 (pam outros níveis
•~ (X,,,' )-TC
ST- ' =
1 dcsignificância.consullarasrcfcrênciasdceslatísticacitadas
no final deste capítulo)

Tabela 2.22 Projeto de experimento ANOVA- classificação simples


Fontedeveriação Soma dos quadrados Graus de liberdade Médias quadradas
Tratamento~
'~
MQ,.., F,

Sr~ N,. -k MOer..


s,_, N,.- 1
88 CapítuloDois

Tabela 2.23 Percentuais da distribuição F com nivel de significância de 5% (o: = 0,05)


Graus de Grausdeliberdadadonumeradof(k 11
liberdade do
denominador
(N,.- k)

161.4 199,5 215.7 224.6 2~U 234.0 236.8 238.9 240.5 241.9 2ü9 245,9 248.0 2~9.1 2:\I:U 251.1 252.2 253.3 2>t.3

=-~--~~~~----------

5,12 3.63 3.~s 3,29 3,23 3.01 2.90 2,S6

'·"
4,49 3.01 2.S5 2.42 2,24 2,19 2,06

4,2S 2,00 2,37 2.32 2,2<> 2,01 i,SI


2.30 2. 11

2.69 2,27 2,09 I.S9 i,S4 1,6S


3.23

2,.,

e Exemplo - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Um determinado experimento foi elaOOrado para investigar o efe~o de um remédio para tratamento das barbatanas em uma espéôe
de peixe (amostra: quatro peixes da mesma espécie). Cada peixe recebeu três repetições do remédio. Os resuHados obtk:los estão
represer1tados na Tabela 2.24 em termos da quantidade em J.<9 encontrada no intestioo desses animais. Analise esses dados verifK:an·
doarelaçãoentreeles
FundamcntosdcEstalística.locertczasdcMcdidascSuaPropagação 89

Tabela 2.24 Dados obtidos do experimento: peixes e reméd io para barbat anas
Espécledepelxe
Repetições

2.35 2.04 1.58 1.25

2,14 1,87 1.89 1,24

2.24 1.99 1.56 1.18

Esse experime11to apresenta um fator controlável apenas, ou seja, a espécie de peixes a quatro nÍVeis (quatro elementos ela mesma
espécie). Foram realizaelas três repetições do remédio por peixe. Portanto, é um experimento chamado de classifK:a.ção simples. pois
possui apenas um fator cont rolável. Todos os outros fatores possíveis são considerados não controláveis e estão inseridos no erro do
experimento. Cabe observar que a existência de outros fatores que apresentam infiuência significativa ou possam ter influência signifi·
cativa deve ser cont rotaela com critérios científicos. técniCos e econômiCos. A Tabela 2.25 apresenta parte da solução segu iela de todos
os cálcuk:ls necessários para a criação ela NolOVA apresentada na Tabela 2.26 (se necessário. consultar a Tabela 2.22) e. por conse-
quência, da avaliação do experime11to.

Tabela 2.25 Solução para o experimento dos peixes e remédio para barbatanas
Peixes(! fatorcontrolávelcom A, aA,nlveis)

Número de 2.35 2.04 158 1,25 Totais gerais


repetições
2.14 1.87 1.89 1.24
2.24 1.99 156 1,18
Tratamentos totais
l'otaldecnsaios
6,73
'·" 5,03 3,67 21.33
l2
lllédiasdos tratamcntos 2.24 1.97 1,68 1,22 1.78

Tratame11tostotais:

T, • ::i:(X11 +X,+ +X,,) • ::!:(2 ,35 + 2,14 + 2.24) • 6.73


T, • ~(2,04 + 1,87 + 1,99) • 5.90
r, .. ~( 1 ,58 + 1,89 + 1,56) .. 5.03
T, "" ~( 1 ,25 + 1,24 + 1,18)"" 3,67
T,. + T,+ T3 + ... + TJ =
= ~(T,
= ~(6.73 + 5,90 + 5,03 + 3,67) = 21,33
N,. = (N, +N,+ N,+ + N,) = ~(3 + 3 + 3+ 3) = 12

x.. -f:; - 2 ~·~ • l78


TC = (~.)' = (2 l 33l' = 37 91

S,,_ • I. (Xn/ J-
"... ,
N,.

TC • L
12

Z35' + 214' +
'

l
+ 2,24 2 ; 2,04 2 + -37,91
[ + ... + l18'

s,_- 39.73-37,91 - 1,82

s
T""
= L [ !.Z.. + !l...+!l_ + ..
N, N, N3 ' N,
+ ~] - rc= L (6,73'
3"'3
+ +3,67') - rc

s,, ., L( ·~ '
6 3 + ... + 3·~7 ' )- 37.9 1 - 39.62- 37.91 .. 1.11

Stno = s-- S r, = 1.82 - 1.71 =0,11


90 Capítulo Dois

Tabela 2.26 ANOVA para os dados obtidos do experimento: peixes e remédio para barbatanas.
Fonte de variaç ão Somados quadraclos Grauscleliberdacle Médias quadradas

1,71 0.57 41.45


0.11 N,. k- 12 4- R 0.01375
1.82 N,. - I • 12- I • I I

MO =~ =.J..:.!...=~=057
r"' (k - 1) (4 - 1) 3 '

MO =~=__!l!.!_=.2:2..!=o.o1375
- (N,. - I<) (12-4) 8

F = ~ = .....2E_=41,45
- MO- 0,01375
ConsuHando a tabela de distribuição F (Tabela 2.23)

Como F-.-, ) F- . ou seja. 41,45) 4,07. A hipótese é sign ifiCativa . Portanto. há d iferenças s~niftcatrvas entre os grupos. Assim.
cada peixe da mesma espécie apresentou comportamento d~erente com relação à dosagem do remédio para barbatanas. Dependen-
do do experimento, do resuHado esperado e da experiência da equipe, podem ser realizados novos ensaios e estudos levando-se em
COilsideração ou1 ras variáveis COiltroláveis (fatores COiltroláveis). Nesse ensaio. por exemplo, ~-se aval~ a dosagem recomendada
de reméd io em função do tamanho do peixe, seodo assim. o tamanho do peixe selecionado seria um fator controlável no estudo
Após a comprovação de que os dados são signifiCativos é possível realizar comparação múltipla de médias.

ti 2.9.2 Análise de variãncia: e assim sucessivamente até·


classificação dupla TPp. = :i:(Xp., + Xp.: + + x ;>..).
Esse método consiste em uma comparação entre dois fatores, scn- TL é 0 somatório das linhas·
doquen(veisoutratamenlosdosdoisfaloressâoanalisados.e sua
interação também. Por exemplo. seja um experimento qualquer TL ,. = :i:(TP, , + TP,l + + TP ")
cmqucquatroopcradoresdifcrcntes(csscéofatorA com quatro TLu, = :i:( TPl , + TP:l + + TPv)
nfveis. ou seja. os quatro operadores) utilil'.am um mesmo tipo de c assim sucessivamente até·
instrumento analógico (por exemplo. um voltímetro analógico)
para medir a tensão elétrica de um novo componente eletrônico 1Lp = 'i.(JP,, + TPI' + + TPp)
fabricado com três novas composições de materiais (esse é o fator TCéosomatóriodascolunas
Bcomtrêsníveis. ouseja.astrêsnovascomposições demateriais)
Nesscex perimento.éneçessárioavaliararelaçãodooperador.do TC; 1 = L (TP 11 + TP11 + + TP,1)
material e da interação operador-material na obtenção da tensão TCfl = 'i.(TP 11 + TP11 + + TPr.)
elétricae.portamo.verificarseessesdadossãosignificativos.Es- e assim suces sivamente até
setipodeexperimentoreçebeonomedeprojetodeexperimentos
TCi' = L(TP ,. + TP11 + ... + TP" )
fatorial: são projetos que se '-'ar.tcteri zam pela economia e por
pcnnitiremavaliara~ interaçõcsemreosfatorescontrolâveisdo e7Tp. éosomatóriototal.
experimento. Além di sso. é importante observar que são mais efi - Apósesscscálculosiniciais.dcvc-scobtcrotcrmodccorrc-
"ientes estatisticamente quando apresentam o mesmo número de ção(TC)e as somas dos quadrados total (Sr...,). entre os trata-
repetições em cada tratamento. Os resultados c cálcu los neçcssá- mentos A e B (SAr..., e SBr...,) e a interação entre os dois fatores
rios para esse procedimento são fornecidos na Tabela 2.27. (SA /h,.,)epreenchcra Tabcla2.28

Em que Em que:

TPrepresentaos totaisdcntrodascélulasdostratamentos.ouseja. jrepresentaototaldenfveisdoFatorA.k.ototaldenfveisdo


o somatório das repetições dentro de uma determinada célula fatorB.enfo .aquantidadederepetiçõcsde'-'ada'-'élula:

TP, = L(X 11 1 + X112 + ... +X,,) TC = ( ITJ.):


TP, = :i:(X, + X, + +X, ,) j · k·IJJ.
FundamcntosdcEstalística.locertczasdcMcdidascSuaPropagação 91

Tabela 2.27 Análise de variãncia- classificação dupla

B, B, B, B,

x,, x,, x,, x,.,


x,, x,, x,, x,.,
x,, X,, Xm X,., TL,.
A,
x,. x,. x,. x,.
TPu TP., TP, TP"
x,, x, x, x,,
x, x, x, x,.,
x,., x, x, x,
A,
x,. X~ x,. X~

X;u x,, xJ" x,.,


x,.., x,, X1,, x_..,
X;n Xm Xm x_..,
X;,. X~ X~ xp
TP1, TP,~ TP;. TP_..
Totais TC1, rc, TC;, rc,

Tabela 2.28 Tabela ANOVA para o projeto fatorial (dois fatores controláveis)
Fonte de variação Somados quadrados Graus de liberdade Médias quadradas
.'i'A ,,.. ) l MQA,,.. Fa, _

SB ,.., MQB,.., Fb,........,

lnteraçãoAB SAB ,.. (j - l ) · (k- I) MQAB ,..,. Fab-.....,

E= Se,.. j · k·(n,.- I) MQ,,.,,

s,_ (j·k·,,.)-1

f ,r,l'
SABT,., = ~ - TC - SAT,.. - SIJ,,.. =
n,.

SB
' ""

L, (TC -)1
= -'
-• - ' - - TC =
j · njl.
[(TC
- ' ,)'
+~
(TC ,)' + ... +
- + -'·-
j·n,. j ·n_..
l - TC
m)'
o [ -"-+-"-+
(
n_..
(m )'
... + - ' -
, _..
(rr )']-
n_..
TC - SA,""- SB,""

j·tr,.
92 CapítuloDois

s r,.., = SA r,.., + snT,., + SABr,., + s~""


Fab-..w = ME~:~~
MQA ,,.. =~A~~ O procedimento para verificação se os fatores A . B c intcraçàoAB
s:io sign ificativos é o mesmo do descrito no tópico anterior. ou
seja. pela comparação do F,. _, com o F.,...,. Portanto. se:
Fa,w_, ) F...,...,

MQABr,.. = (j _~~(; _I) o fator A é significativo no experimento, c se


Fb,~ ) F"""w,

MQ~,., = j .k .S(~~~ - I)
o fator IJ é significativo no experimento c
Fab~ )F~

F(l- =A:z:: a interação do fator A com o fator B é significativa no experi -


mento
O F""",_ (veja Tabela 2.23) é obtido da mesma forma que no

Fh, • ..w = ~1~: tópico anterior. porém deve-se levar em conta o grau de liberda-
dedofatorqueestá sendo anali sado.

e Exemplo - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
um determinado aquarista solk:~ou que se avaliassem as cond~ões químk:as (principalmente o pH) de aquários de água doce com
injeção eletromecãnk:a de CO, e sem injeção de CO, (fator A) utilizado para o crescimento das plantas. Cada aquário contém uma das
seguintes espécies de peixes (fator 8): o popular disco (Symphysodon discus), a bótia palhaço (/3olia macracanthus), o cascudo pa-
naque (Panaque migrolinea/us), o neon (Paracheirodon axelrod1) e o gato invertido (Synodonlis nigriventris). Os resu ltados encontrados
para o pH estão resumidos na Tabela 2. 29

Tabela 2.29 Exemplo do ensaio de pH para os pei xes do exemplo

Com CO,
..
6,2
..
7,0
..
7.4
..
65
..
6.0

'·'TP • 12,3
7.•
14.1
7.2
14,6
6.3
12,8
6.3
12,3 TL • 66.1
Sem CO, 6.8 7,2 7,0 6.7 6.5
6.9 7.3 6,8 6.6 6,7
TP= 13.7 14.5 13.8 13.3 13.2 TL = 68.5

TC :o 26,0 28.6 28.4 26.1 25.5 rr .. 134.6

Com a utilização das expressões fomecklas anteriormente. é possrv~ construir a ANOVA - veja Tabela 2.30 {com n;. • 2)

Tabela 2.30 ANOVA para o exemplo do ensaio de pH para os peixes do exemplo


Fonledeva riaçlio Somados quadrados Graus de liberdade Médias quadrada s

Sit,., .. 0,29
SB,_ - 2.13
' '- ' MQA,,..., 0.29
MQB,,.. - 0.53
Fu-.-..• 29
Fb- - -53
lntcraçâoAB Sil.B,... • 0.67 (j - l )·(k - 1) • 4 MQAB, ... • 0.17 Fub-.-..• 11
Errrr Sc,.. -0.15 j ·k· (rr_. 1)- lO MQ- -0.01 !
Verif.cando a tabela de distribuição F:
Fa-.-, )F-

29 ) F1i·'"(n, ,)y, ')• = F,"',~rL> = 4,96

como 29) 4,96, o Fator A é signifiCativo. ou seja, a injeção de co, ou a não inieçâo de C02 é significativa com relação ao parâmetro
pHdosaquários
FundamentosdcEstalística.locertczasdeMcdidaseSuaPropagação 93

Fb__, )F-
53) Fb,<M;O.OO = 3,48
como 53 ) 3.48, o fator B é signifJCativo. ou seja, os drterentes tipos de aquários com peixes de espécies diferentes são sign incativos
com relação ao parâmetro pH dos aquários.
Fab-.-, )F-
17)Fab1a;•;<>P!l = 3.48
como 17 ) 3,48, a interação ootre os fatores A e B é sign ifiCativa com relação ao pH dos aquários .
Cabe observar que existem diversos out ros métodos: classrticação tri~a, quadrados latinos etc., que podem ser consu ltados nas re-
ferências apresentadas r.o final deste capítulo

curnfatordccobcnuraK • 2. Dcseja-sccalcularapotênciadis-
sipadade trêsmodosdiferemes

a.
v'
P=R
b. P • RP

Qualdosrnodos ~·ocêconsidcrarnaisadequado?Porquê?
amedianadoseguimeconjunlodcdados:5:6:4:3:2: 13. Oraiodcumapcçacilíndricamede(segundocatálogo){6.0:!0,2)
mm. e sua altura é (20 :!: I) mm. Dctcrmin.c. considerando uma
S. Dctennineamodadosdados:5:6:4:3:4;2:4:7:2:9e4 probabilidadcdcabrangênciadc95%:
6. Considere que você recebeu um prêmio de R$480,00 com o qual a.aárea\rans\'Crsaldapcça:
acabouviajando.Acadadiadeviagemmcêgasta lf2dovalor. b.oseuvol umc.
Tabulees>e>valores,apresemeumgráfi<·opamesseconjuntode 14, Dadosdoisresistorcs,cotntolerânciasfornecidasR 1 = (20:!:
dadosccalculeamédialogarítmica 4)· !1.R, • (300:!2)· !1.dctermineovalordaresistênciacqui-
7. Osseguitttesprcços~lococontmdosparaccnafrutaoopcríododc6
valcntc,considcrandoumaprobabilidadedcabrangênciadc95%,
semanas . Calcular a média aritmética c a média ltannônica dos seguin- quandn:
teS dados: R$1.96: RS2.05: R$1.75: R$1.94: R$2.25e R$2,10
a. Osresislnresesliverememsérie:
b_ Osresistoresestiverememparalelo
8. Encon\reovalorrmsparauma>enoidcqueapre>entaumatcnsiío
15. Urnabarradecobrcrel:mgular.dernassaM • (I35 :! l) g.possui
depicode45.3V.
cornprirnen\Oll = (80 :! l)nnn,largurab : (10 :! l)mmeallum
9. Um amplificador tem um sinal de salda de 3,6 V nns quando um h= (20:!: 1) mm: seu momcnto de inércia I em tomo de um eixo
sinalnaenlmdasenoidaldeO,I VnnseslápreS<.'nte. De\ennineo
ganho em decibéis ccntral eperpcndicularàfaceobé: I= M(a;l+b'). Considere os
10. Osscguintesdadosforamobtidoscomumvoltímetro.Calcule: {a) dados com distribuK;ües normais e fator de cobenum K = 2. Detennin.c
a\cnsâornédia.(b)avarifmcia,(c)odesviopadrjo.Osdadossâo a. ovalordnmomenlodcinércia:
4,35:6.21:5.02:3.99:3.02:6.00:4.77:3.30:4.05:5.43:3.45:1,99: b.adensidadcdabarra
6,15:5.75:2.98:5.43:2.22:3.49:4.00:4.40:5.20: 5.70:7.01:8.10:
16. Noscxcrcíciosas.cgu ir.detcrmineFearespcctivaincertezacom-
4.33:4.00:5.20:4.65:4.34:3.90:5.45e6.90
binada, sendo A • (25 :! 1). B • (lO:! 1). C • (25 :! 5) omid
11. Pretende-semediravelocidadccomqueumcorpopaneapósser Resolvaesteexercícioutilitandonmémdoclássicn.<·onsidemndn
comprimidocontraumamola:fazcndoacncrgiapotcncial(k·:t'f2) doiscasos:A.lleCcomdistribuiçõesnormaiscfatordccobcnu-
igualàenergiacinélica,quandoocorpocomeçaaadquirirmovi· ra K = 2. Considere 1ambém o caso de A. B c C possuírem distri -
n;ento(m · ,~/2). pode->eeS<:rever buiçõcsrc\angularcsecomparcosresultados.Dcpois.rcpitaocxcr-
cícioulilizandooMMC.Sugcstilo:utilizcoMatlab.
±Kx' ±mv' ou x •·J!f a. F=A ·8 111 :
= =

Ofabricantedamoladi7. queaconstanteeláslicaé K = lO· Nlmm


:! 5%. Des~a maneira. necessil a-se de um di~positivo para medir
b. f' =3A }i -*:
c. F • I n(A) + (BC)' .
x{daordcmde IOcm)eamassa"m .. (daordemdc IOOg).Ocn- 17. Dispõe ->e de um amperímetro de NA ={lO:!: 1) fi (valores limi -
carrcgadosolicitouacornpradcurnpaqufmctrocornrcsoluç!iodc te de tolerância), de um volt ímetro RV ={ I krl:!: 10%) {valores
0,1 mm e uma balan<;·a de 0,1 g. Comente a solicitação docrn:arre- limitcdctolcrãncia)edcurnafontedeE • 6.00V :!: 3%cornpro-
gadolevando->ecmcontaateoriadcpmpagaçiíodcincertet_as babilidadcdeabrangênciadc95%(considcreumadistribuiçilonor-
12. Aplica-se uma tensão V • 100 ·V :!: l %a um rcsistordcR • mai). Descja-sedelerrninaraprnên<·i adissipadanoresismrquandn
lO· n :! 1%, sendo acorrente medida igual a I = lO ·A :! 1%. este e~tá ligado à fonte . Desenhe o circuito adequado c anali>e a
Considere,nes>ecaso.asincenczascomumadistribuiçãonomml incenczafinaldamcdida
94 CapfluloDois

IM. UmtcnoopanipoK( :!:0.7S%d:l medid:l)rstáforncccndoumatem-


Dias
pcmturJ d:l ordem de 700 "C e eMá ocopl:klo a um milivollírnetro
analógico de fundodcescala 100 mV.da.«Se 2%. [)e,;preundoerms Acelcração(,_)mls' 7.7 13.0 17.5 23.0 26.7 29.7
detcmpcr.Uuraambil'nk:.cabosctc .• qualfainccrtczanakiturad:l
tempcratur<t do fomo? R!'SOI\-a l'$k: problema utilizando o método Plote ~scs dados em um gr.ifico c examine a reg=sllo com um
clássico de propagaçllo de incencus erornpare com o MMC. intcrv.:tlodccoofiançadc95%.
19. A deformação e<'m qualquer ponto de uma lâmina triangular de ba- 25. Um engenheiro bi{.lfnt:dico está leslando a resÍSl~ncia à compressão
se b • ( 100.00:!: 0.02) mm. t: • (2.00:!: 0.02) mm c '"altura (em de Jli'Ó'~d:larticulaç3odojoclbocom a adiçiklpcn:cntual de uma
n:laçllo!lbaseb)h • (100.0:!:0.2) nun.qu:mdoMJbmctidaaflcxiío. 110\'llliga metálica. Os resultados oblidos mcontram-.o;.e a seguir:
famcsmaernqualqucrpontod:llârninacpodeserC'alculadapoc
Adiçioperoenlual Aelllatltncla.itcompresaâo
6Fh
~:= Ebt:' .,.. 25.4 24.5 29.2 JQ.L
41.3 45.4 39.8 41.0
em que E • 21000· ;~, :!: 10% éornód ulodeclasticidadcdo
38.7 33.0 36.4
material c a força aplicada~ F • 10.0 kgf :!: 2%. Detcnnineadc- 20% 44.6 39.9 41.1 4ú.8
form~ç:lo c a n:si)C(!tiva inccncu combinada com probabilidade
deabmngêndadc9S%.Considen:que todosessesdadosforam 25% 29.7 32.2 33.0 32.2
medidosesua.>i nccnnasscgucm umadistribuiç!lononnalcom
Verifique se o~ dados obtidos sno significativos
fatordccobenur.tK • I. Repitaoc:llculoutilizandooMMC.
20. Um terreno tem dimcn;;õcs de SOpor ISO rn. A iocCriC'-~ na dimensão 26. Emumaindúst riafannacê utica.umdadopmdutofoitestadocom
rdtosdclabomtóriopamc~amimtrocfcitodaconcentraçãodcgli­
dc.'iOédcO,Oim.C:tlculeüiiiCCrterucornbinadacmqueadirnensào
dciSOmdL'\"eserniL-didaparaaincencl.at<JCaldaiin:an:>osejamaior cose.Verifiqucosignificadocstatisticodessesdados
que I<Xl%do\'"Jior..cadimcnsiíodc ISOmfosseexata.Considcre.
nestcca.o;o,dislriOOW,OOnonnaiscumfatordccobenuraK=l Dias d e inoculação

2 1. Um importante par!lmetrocm motores f torque T. o qual f definido IOmg/1 4.9 8.4 9.8 11.1
como força •·czes a distnncia (F x •{). Em um teste de motor. foi 20mg/1 5.8 8.1 9.1 12.2
medida a força aplicada f ' • 10 :!: IN (atra1·ésde um dinamôme-
tro) em uma bam de I :!: O. I m. Calcule o Iorque resultante com a 21. Um expcrimenlo en\'oh·eu crês pessoa.~ diferentes com 12 cipos de
sua incenczacombinada pn.>dutO!iparadetcnninaradosagcmadcquadadeumdcccrminado
21. Umcorpolemumama.<saM • l kg :!: lO% c uma velocidade produto para uma parcela da populaçikl. Dctcnninc se as ''llriá•·cis
sãosignificati•·as.
V • 100 · ~ :!: 10% (YalO«'s de inccnna tipo B determinados
com base na c~pcri~ocia do operador. ponamo com diSlribuiç:lo
n:cangular). Calcule a ei1C'rgia cint:cica e a incerteza com uma pro-
babilidadedcabr.lngênciadea. 68%eb.9S% relacionadaaesse A
2-I..S 23.4 21.2l5.720.llJ.6 13.8 t9.820.t 24.6 2t.023.3
corpo. saiJc,ndoque: E, • tMv'. Utilize ambos os métodos es- 2~.2 H.l 29,3 t8,9 t9,3 18.6 15.7 20.0 20.5 25.6 t9.9 B.l

20.2 17.8 1S.t 17.6 20.4 23.0 17.8 21.1 20.6 N.O t9,9 B..S
tudadosecompan:osresuhados.
20.9 t8..S o..s t6.6 20.0 19.4 N.l 19.9 21.6 n.9 t9.9 no
23. EmumadisciplinaintrodutóriadeEngcnbariaBiomédica.foide- c 1g_6 2t.7 t9.7 22.8 19.5 lU 12.1 19.9 t9.9 n.s 2t.O 14.5
sem·olvidoum cstudoupcrimentalpararelocionaropcsocaca- t4J 21.6 20.1 21.4 t8,9 11.5 10.120,4 t9.9 B.8 2t,t 24,6
pacidatk pulmonar (CP) (c,timada por um cspin)mctro) de 20 alu -
nas com idades entre 18 c 24 anos. Os resultados obtidos cncon- 28. Três circuitos rcsi.~tii'OS fornm montados com quatro configuraçks
tram-senatabelaaseguir: difen:ntesutilitando-sequatro<lifcrcmcsresistorcs.Verifiqueseo
valordctcnsllodctcrminado~ sig nificmivo.

Rasls tores
P~so(kg) 55.4 5S.2 49.0 73.4 63.5 6(),7 59.4 62.3 62.4 50,S Configurações

3.87 3.26 4.1J 2.!4 3.44 2.78 2.913,33 3,20 2.17


5.1 6.0 7.2 8.0
4.5 6.2 4.0 1.8
l't!so(kl) 56.5 41.5 S4.0 50.8 49,7 46,3 57.4 6(),1 6(J,.'i

l.!J 2.37 2.98 2.45 2.15 3,01 },04 3..'i8 2.64 2.59
32.4 '-'
4.9
6.1
6.0
'·'
1.9
15
7.2
•. 8 5.9 1.5 7.4
•. 9 6.5 7.2 1.3
Em uma fcrramcnla gráfica. piOic ~se: gr.ifico e wrifique sua
significânciapclotálculodococficicnccderorrclação.
24. Atabelaaseguirapresencaosdadosdcurndelerminadoensaiode
5.0
5. 1
S.2
6.5
6.1
1.0
'·'
7.2
1.0
1.0
1.1
7.0
•·ibr.içãoem um assento I'Cicular. O assento foi pmicionado~
5.0 6.9 1.0 6.9
uma mesa vibralória q~ oucila alcacoriamcnle. Medidas do nh~l
5.1 6.8 1.0 6.9
dcvibrnçOOjumoaoapoioparaascoscasforamoblidasapanirdo
5.3 1.2 7.0 6.8
l"diadoensaioeposu:ri0fi11Cntededoisemdoisdias:
FundamcntosdcEstatística.locertczasdcMcdidascSuaPropagação 95

29. Umaequipcdccngcnhcirosfoiconlratadapara vcrificaratrans· pcsadoscomtrêstiposdcasscntos.Ycrifiqucscosresultadosob-


missibilidadcdavibraçàorelacionadaàcoluna,·ertebraldemoto- tidosnoensaiosãosignificativos
ristaspmfissionais _ Nesseensaioforamutili!.adnscincovekulos

Tipos de assentos --:--;:---;;--:--c-


LO
0.9
0.9
0.7 '-'
LS
'-' '·'L9
0.8 L2 L2 L9
LO L4 LS
Asscnto2 l.2 1.2 1.2 L3 L4
'-' 0.9 L' L7 L3
2.0 L9 L8 25 2.0
Assento) 2.2
L9
L7
2.2
L8
2.,
2A
2.2 '·'
2.,

GUM. Guia para a Expressão da lncene1.a de Medição.)_ ed . bras . do


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tributions.lnoccordaocewiththelSOIIECDirectivcs.Pan 1.2001 Blücher.l992
t 3.1 Introdução - - - - - - - Os resiswrestêmscusvalores.suas toler.incias.suaspotên-
cias c seus tipos determinados pelas aplicaçiics. como. porexcm-
A instrumentação moderna está dclinilivnrnente lignda à eletrô- plo.cargascmcircuitosatii'OS.circuitosdcpolari7.ação.circuitos
nica. Apes<tr de os princípios físicos de fundonamento dos sen- dercalimcntaçUo.divisorcsdctensãoefoudecorrente.taiscomo
sorcsscmantcrcrnill:lltcmdos.astécnicasdccondicionamcnto elementos de medida de corrente, entre outros. Os valores co-
e processamento de pequenos sinais têm acompanhado a evolu- merciais típicos disponíveis estão em uma faixa de 0.01 n até
ção da eletrônica. Atualmente os fornecedores de componentes 10' 1 n com toler.indas entre 0.005% e 20% c potências de 1116
clctrônicosdisponibilizarndispositivosencapsuladoscomdivcr- a250W.
sas etapas de condiciouamento. Algu ns sensores. inclusive. já Os resistores podem ser construídos a partir de um segmento
são disponibilizados com sua s:~fda processada de forma digitaL de fio resistivo enrolado sobre lllll material isolante. Esses resis-
São disponibili1.ados também os chamados ..sensores intcligcn- ton:.~ silo utili1.ados onde há o manejo de altas potência~. e estão
tes ... diferenciadospclas funçõesecarncterísticasapresentadas disponí1•eis no mercado com potências típicas de 2 W a 250 W.
devido à alta tecnologia eletrônica embutida. Os resistores mais usados em eletrônica são os n:s istores de
Neste capítulo scrJo apresenlados conceitos básicos de ele- carbono. construídos a partir de uma camada de tinta mis!Urada
trônicaanalógicaedigital.oquepossibilitaaestudantesdedi- com carbono e aplicada sobre um núcleo isolante. A coocentra-
fcremes áreas o acesso a componentes fundamentais que estão çàodacamadaresistiva.suaespessuraesuacomposiçào dctcr-
prescmes na maioria dos processos de medidas. minam os valores dos resiston:s. e seu tamanho está relacionado
1:1 po1ência dissipada pelo componente. Nas extremidades do ci-

4 3.2 Resistores, Capacitores e lindro isolante são montados os terminais que são milizados pa-
ra fixação mecânica do componente. bem como para a condução
lndutores - - - - - - - - - - do sinal elétrico aplicado a ele. Os n.!Sistores de carbono típicos
Esses componentes também silo. muitas vezes. identificados pe- estão disponíveis com f~ixas de 10% e 5% de toler.1ncia do valor
las siglas R. L. C e constituem os elementos fundamentais da resistivo
eletrônica. São conhecidos como componentes passivos. Ernaplicaçõesemqueénccessáriaalta estabilidadeoomva-
riação da tcmpcmtum. sào u1ili1.ados os resistores de filme metá-
lico,quesàoconstruídosapartirda:tplicaçãoavácuodeumfilme
ti 3.2.1 Reslstores - - - - - - - deligamctálicacv:tpor.tda sobreumci lindroisolantc.cmquea
Osrcsistorcssilooomponernesquc dissipamenergiaporefeitojou- concentração c a cspcssum do filme metálico determinam o valor
lc.Par.laimplcmcntaçàodccircuitos,utili7.am-seresistorcslincares
que ol:xxlcçcm à lei de Ohm. segundo a qual a unid:lde do rcsistor
é o oltm (0 ). a tensão é o I"Oh (V) e a com:me é o ampêre (A):
~ = r. i
A simbologia adotada p~rJ a represe ntação desses elementos em
diagramasclétriçosémostradanaFigura3.1.
A potênda dissip;ada em um resistor linear em um detenni-
nado instante é dada por:

I ' ,, .;

cujaunidadeéowau(W). Figura 3.1 (o) Sfmbolo e {b) (Oio de resistores.

96
Conccitos deEletrônicaAnalógicaeEletrônicaDigital 97

Aocontráriodoresistor.ocapacitornão
dissipa. mas arma?..Cna energia. A potência
instantâneaeaenergiaarmazenadaemum
capacitorpodemscrcalculadasdaseguin-

p=v ·i=v(c7,)= cv%

(a)
R, I
---JVVv-
E= Lp(l)dt =! Calv = ~Cv 1
Acomaruçãobásicadeumcapacitoréfei-
Figura 3.2 (a} Sfmbolo c (b} fotos de resi storcs variáveis. tapormeiodedois materiais condutores
muito próAimos. conectados a dois termi -
nais(umemcadacondutor).Acapacitân-
cia depende da área dos condutores. da
do rcsistor. Os resistorcs de filme metálico mais utilizados pos- distância entre as placasedaconstantedielétricadomaterial
suemfaixasde l% e0.5% detolerlnciadovalorrcsistivo entreasplacas.Paragrandesvaloresdecapacitância.sãoncces-
Para aplicações em que é necessário variar o valor dos resis- sárias grandes áreas de condutores. Em termos comerciais. os
tores. são disponíveis os trim -pmi c os potenciômctros. que são capacitoresseapresentam com osdoiscondutoresenroladose
rcsistores de três tem1inais: dois fixos nas extremidades de um isolados entre si com uma folha de diclétrico. o que limita a dis-
resistoreumvariável.quepossibilitaavariaçãodovalordere- t~ncia entre os condutores. Ponanto. a capacit~ncia é dada por:
sistência entre o terminal fixo e o terminal móvel (Figura 3.2)
Resistores ainda podem ser obtidos a panir de elementos se- C=~
micondutores. que são implementados junto com os transistores d
namanufaturadoscircuitosintegradoscquctêmfunçõcssimi - sendo
laresàsdos resisiOresdiscrctos.
constante dielétrica (dependente de cada material) em
As características dos resistores podem variar em função da
temperatura. da tensão de trabalho. do tempo de uso c da urni-
dade.Umacaracterísticaindesejadadosresistorcséaindutância. A aáreadoscondutoresemm':
que pode introduzir problemas quando os resistorcs são aplica- da distância entre os mesmos em m
doscrncircuitosqucopcramcmaltasfrcquências. Outracarac-
terísticaaserobservadaéageraçãoderuídoténnico.inconve- Existem diferentes tipos de capacitorcs: mica. ccramiros. poliés-
nicntequandoosresistorcssâoaplicadosemcircuitosquctra- ter. vidro.tântalo.eletrolílico.entreoutros.Ocritériodecscolha
balhamcornsinaismuitopcqucnos dotipodecapacitore>táligadoàfunçãoqucelevaidescmpcnhar.
eparaissooengenheirodeveconsultarcatálogosdefabricantes
Em poucas palavras. pode-se dizer que capacitores como os cer~­
41 3.2.2 Capacitores- - - - - - - rnicosdevcmserutilizadosemaplicaçõcsnãocríticas.devidoao
Oscapacitoressãoelementoscapazesdearmazenarcargaselé- preço.Jáoscapacitores detântalodevemserutilizadosquandoé
tricas. A Figura 3.3 mostm o símbolo c uma foto de capacitores necessáriaaltacapacitânciaesedispõcdepoucoespaço.enquan-
Asprincipaisrelaçõesentretensàoecorrentedocapacitorsão to capacitores cletrolíticosm podem ser utilizados em fontes de
dadas por· alimentaçãoecircuitosdebaixodesempenho.
Assim como ocorre com os resistores. são disponíveis alguns
q = Cv~-'f; = d(~~).sendoi,. = ~ ~ i,= C~ tipos de capaciwrcs variáveis. obtidos a partir do movimento

e a relação inversa:

V,.= C
I -f'~ iAt)dl ~ V,.= V0 +C
I f'o iA t)dl

sendo
qacargaelétricaemcoulombs(C);
V, atensãoelétricaem volts(V):
totcmpocmscgundos (s); C
C a capacitância em farads (F); (a) --H-- (b)
V0 a tensão inicial devida ao acúmulo de cargas no intervalo de
tempo 1-"", OI Figura 3.3 (a} Símbolo e (b} foto de cap;teitores
98 CapítuloTrês

mecânico de um conjunto de placas em relação ao outro, c gc- Assim. pode-se defini r a tensão em função da indutância e da
rahncnlesãoutili7.-adosemrádioseosciladoresvariáveis.Aiém corrente que tlui por ela
disso. aind~ existem os "mricaps" , que são cap~citores semi-
condutores cujo valor varia a partir de um nível de tensão. Esses v = L!!!_
d<
componentes são muito utilizados em receptores de rádio e de
televisão. Tal~:omo ocorre no capacitor. no indutor não existe dissipação
de energia. A potência instantânea c a energia armazenada podem
sercalculadasdaseguintemaneira·
t 3.2.3 lndutores - - - - - - - -
Osindutores(Figura3.4)sãoclcmcmoscapazcsdcarmazcnar
energia magnética. devido aotluxodecorrenteque passa por
p=v·i ={ L*)= uY,
eles.
De acordo com a lei de Faraday, variações no !luxo magné- ~ E= J.p(t)lft = [Lidi =+Li 1

ticooriginamumatensãoelétricadeacordocomaseguinteequa-
ção:
Um fator desfavorável dos indutores é que o seu modelo real
v = ':!.1!_ apresenta consideráveis c~p~c itânciase resistência;; indesejáveis.
til' denominadas parasitas
A natureza desses componentes básicos possibilita que eles
em que
sejamutilizadoscomosensorescmumaséricdeaplicaçõcs.Ao
<b = l-·i, longo deste livro serão mostradosscnsoresdetcmpcraturaquc
dependemdaresistência.sensoresdeumidadequedepcndem
sendo
dacapacitânciaescnsoresdeposiçãoquedepcndemdeumefei-
<P o !luxo magnético concatenado em webbers (Wb): toindutivo.cntreoutros
L a indu tânci~ da espira em hemys (H): Como exemplo, a Figura 3.5 apresenta três aplicações empre-
iacorremequccirculapclacspira (A) gandoosefeitosRLC.

41 3.3 Revisão de Análise de


Circuitos - - - - - - - - - - -
Aanálisedccircuitoséumassuntocxtcnsocnãoseráabordada
emprofundidadenestarevisão.ABibliografiatrazótimasrefe-
rências que não poderiam ser simetizadas neste espaço limitado.
Existcm,cntrctanto.algunscircuitospuramcmcrcsistivos.bcm
como as leis de Kirchhoff( Figura 3.6). que, pela sua importância,
não podem ficar ausentes em uma revisão:
Lei de KirchhofTdas correntes: asomadascorrentcsquecn-
tram em um nó ou em qualquer caminho fechado deve ser igual
à somadas correntes que saem desse nóoudessccaminhofe-
L chado.Aplicandoessalei àFigura3.6temos·
(a) flílílf\- (O)
'fl,.,_,.,= 'i.l- -
Figura 3.4 (a) Símbolo e (b) foto de indutores i) + i,= i, + i 2

Figura3.5 (li)Medidordeãnguloutilizando
cfcitorcsistivo,(b)mcdidordcnívclutilizando
cfeitocapacitivo.(c)detcctordeposi.;·iloutili-
(c) 1,andoefeitoindmivo
Conceitos de Eletrônica Analógica e Eletrônica Digital 99

. v. -
t -~ ~.
~T~~·
-~:tT~ ~(v. Figura 3.8 Mélododc: resolução do: cin:uitos por anál ise do: mal lias.
Flgura3.e Lcis dcKirchlloiT.

tes de malhas do drcu ito. ArbitrJm-se as corre ntes nas malhas


tei de Kirchhorr das tensôt'!i: a $0ma das tcns.õcs em uma ma-
fechadas dos circuitos tal como na Figura 3.8: malhaM, com a
lha fechada ou em um camiuho qualquer (pani nd().-se e chegan-
corrente i, e malha M 1 com i 1. Observa-se que o sentido das cor-
do a um mesmo ponto) dC\'C ser zero. Aplicando essa lei à Figu-
rentes também f arbitrJdo. Quando as malhas forem adjacen tes.
ra3.6.tcmos:
a corrente deve ser composta por i 1 c i 1• a fim de sati sfazer às leis
de Kirchhoff. Por fim. so mam-se todas as tensões de cada malha.
c então o ri ginandouequaçõesparan malhas. Com aresu lu çãodosis-
tc rnaobtêm-sei, e i,·

Circuitos üteis decorrentes das leis de Kirchhoff: [·~~:· H, . - :.. . ~~. I;:H~l
/Ji>'isordt' t•ommll': u corTCntc qu e nu i pelos ramos do circuito AplicandoaoexcrnplodaFigum3.8.tcrnos·
pode ser calculada da seguimc rn;mcira (Figura 3.7):
i,R, I (i, i1) Rl • U

l (i~- ~,) R1
Vn = t 1 R,
+ il(R, + R,) = O

t 3.3.2 Análise de circuitos pelo


i,-{.,;.,) método dos nós - - - - - - - - -
O método dos nós tam bém é implementado por meio das leis de
Seguindo o mesmo procedimcmo. temos: Kirchhoff. O resultado desse mélodo é odlculodc: todas as ten -
sões dos nósdocirc uilo.
i,-{.,; •.) Arbitram-se tensõesdo500s !al como ooexcmploda Figura 3.9:
nó N, com a tensão 1•1 e nó N 1 com t·1• Obscr•a-sc que a polaridade
Dil'i.sor de urr.stio: a queda de tcus.ão sobre os resistores de uma dastensõesépadroni:wdapositivajumooonódc:análiscNenega-
malha pode ser diretamente calculada aplicando-se as leis de tivajuntooonódcrefcrência(pontocmqueosrnrllO!isccncontram).
KirçhhofT(Figura3.7): Aplica-sccntàoalcidascom::ntesdenó.Ocálculodessascom::ntes
é feitoestabclecendo-se adiferençadctensõesdivididapelovalor
i= R, ~ R, c Vo= iR 1 ::) V0 = U R,~ R, doresislorcntreosnós.Porfim.s.àooriginadasttcquaçõesparan
nós (no caso do exemplo). S<.! ndo possível. pon:~nto, dctemünar ,.,
ev1. AplicandoaocxcmplodaFigura3.9.tcnms:

V, V,

[IJ.
Figura 3.7 Divisor de corrente e di1·isor de tensão.

I R,
f 3.3.1 Análise de cireuitos pelo
método das malhas - - - - - - -
O mé todo das malhas é implementado por meio das leis de Kir-
chhoff. O resultado desse método é o cálculo de todas as corren- Figura 3.9 Método de resolução de circuitos por análise de ~
100 CapfwloTrts

Figura 3.1 O Superposiçilo de efeitos.

4 3.3.3 Teorema da superposição - - O tt.'OfCma de 'Thévenin é geralmente utilizado na análise de arn-


plificadoresetrJnsistorcseseráaplicadonasprólli rnasseçõcs.
Otcorcmadasupcrposiçãobascia-scno fmodcqueos circuitos O análogo do teorema de Thévenin é o teorema de Nonon. que
elétricossãosistemaslineares.e.cornotal.oresultadode,es- l:Onsistccm :ie dctcmJinarumequivalentcdocircuitocmfunçào
tfmulos podescrcalculadoconsidcrando·scasomadcllsituações dc umrcsistorcquiva lc ntc(rcsistê nciadc Thévcnin)cu rn1Lfon-
com um cstfmu lo po r vez. O exemplo da Figura 3.10 mostra a tedccorrentceqnivalcntc.queconsistenacorrentcdecurto-cir-
rc solução dcumcircuitocomduasfontcs. Utiliza-se uma fonte cuitodostcrmin;Lisqucestàosoban;ilise.
por vez pam calcular a tensão ou corrente no ponto desejado. No
final faz-se a somadas respostas individuais.
No elle mplo da Figura 3. 10. pode-se calcular a corrente i co-
rno um efeito de superposição do mesmo circuito com cada uma
das footes. sendo i, "" j(l) e i, = j(U). No caso i • i, +i,:

.
11
= ' [ R,+ R,+(R,II
R, X R, l
R,) -;;;+fi;
i _ V (H, + H2 )
2
R, +((R, + R,)IIH, )(R, + R,+ R,)

4 3.3.4 Teorema de Thévenln -


O teorema de Thévenin consiste na detcrrninação de um circuito
equivalentesimplc:sa partir dedoistcnninais. Essecircuitoequi\'3·
lente envolve Ulll:l fonte de tensão equi•õllcnte (tensão de Thévenin)
c uma resistênciaequi•<alente (resistência de Tilévenin). O
tcoremadeTilévenin f útilern casosemque sefazneces-
sáriocalcularunm•'ariá•·elcspeçíficadctensàooucorren-
te em apenas um ponto do circuito. não imponando os
V<Olores d:t~ variáveis restantes(Figum 3. 11 ).
Atcns:lodcThévcninédcfinidacomoatcns.:lovi'taa
drcuitoabcnodos tcnninais anali sados. ParJ ocálculodcs-
sa tensão pode-se utiliurqualqucr ullli.J dl~ t6cnicas vistas
atéaqui.Puraocákulodarcsistênciaequi\õllcntc.dcvc-se
""eliminar'"todasasfontcsindependentcs(cuna<ircuitantio
fontes de tensão e abrindo fonte> de com:nte) e. a partir dos
tcrminais. calcular a resistência de Thévcnin.
Nafigura3. 12.paraocálcu loda tcnsiloedaresis-
tência de Thévenin. o procedimento é separar o circui-
to à direita da linha tracejada. Em seguida. a partirdes·
sestcrrni naisaeb.calcu larn-seatcnslloclLresistênc ia.
que correspoudcm respectivamente à tcn s~o c à rcsis-
tência deThévcnin.

Vn
6 ~ 3 x3 = 6VeR.,.= 6//3 :23 2fl Figura3.12
Co~itos de Eletrônica Analógica e Eletrônica Digital IOI

4 3.3.5 Blocos de circuitos - - - -


O processo eletrônico ao qual o sinal do sensor vai ser submeti-
do denomina-se condicionamento. Esse processo (XX!e variar
desdcumproccdimentosimplcscomoumaamplificaçãodosinal Figura 3.14 Sistema a malha aberta.
(multiplic:1çào por uma constante) a operações nwis complexas
con10 filtrngcns.conversãoana lógicadigital. operações mate-
máticas(soma.convolução.cnt rcoutras). A ma ioria dM pessoas conhece amp lificadores de áudio. que
Seja como for. os componentes desses processos s~o. em ge- têmafunçãodeamplificar umsinaldeáudiooriundodcalgum
ral. eletrônicos. Esta seção aprcsema o bloco gemi de um con- transdutor. como. por exemplo, um microfone. Se considcrannos
dicionador. que será dividido em pequenos blocos que (XX!erão um ant igo di sco de vinil. o transdutor será a agulha e todo o
ser construidos com alguns dos componelltes apresentados nes- pick·IIJ' respons:h•cl pelo fornec imento do ~ inal analógico de
te capitulo. tcns!lo de acordo com os relevos do disco. Se considerarmos uma
O projeto de um condicionador va i depender basicamente do fita magnética, o cabeçote de leitura será o transdutor. J>OI' fim.
sensor e do interesse do usuário. POI' exe mplo. pode-se conside- se for um CD (CmltfNICI disc). o leitO!' óptico pode se r conside-
rJr um sensor do tipo NTC (que será apresentado no capítulo rado o transdutor. A saída de qualquer um desses transdutores
sobremediçãodctemperatura).oqualvariaa rcsistênciaelétri- apresentará um si nal analógico de baixa potênciaeotrJnsdutor
ca (0) em funç~o da temperatura de entrada. Suponha que seja não pode scrligadodirctamcmc à saída, nocaso:losalto-falan-
necessário medir temperatura em °C e disponibi lizar essa medi- tcs. lssosccxplicapclofatodcqueossinaisvindosdostrans-
da de modo contínuo por meio de um disposi tivo de salda e. além du torcsgeniltncmesàodcbai xa am plitudeedcb:lixacap~cida­
disso. llmlazcn:í-la em alguma mídia em um computador que dc de fornecimento de corTCntc. Os amplificadores servem jus-
cstcjaaalgurnadiSiânciadoinstrumento.Odiagramadeblocos tamente para aumentar a potência do sinal. amplificando a teu são.
de um coudicionadordesse tipo pode ser visto ua Figura 3.13. acorTCnteouambas.
Na~ seções subsequentes. ser-do apresentados alguus compo- Considerando um sistema genérico de n1alha aberta (sem cami-
nentes eletrônicos básicos. de modo que serão detalhados os nho alternativo da entrada para a salda). podemos definir o ganho
blocos da Figura 3.13 e apresentadas algurn:ls opções de imple- doamplifl('ador (nocasodc tensão)conformeaFigura 3. 14:
mcmações.
A-~
E,
4 3.3.6 Amplificadores e realimentação
em que
negativa - - - - - - - - - - -
A rcprcsc ntaogmlhoama lhaabcrta
Na seção anterior. comentamos que um condicionador de sinais
E0 represcntaa tensnodcsafda
é (ou pode ser) composto por uma série de blocos individuais.
E, reprcscntaatcnsãodcentrada
O amplificador é. sem dúvida. um dos blocos mais importantes
do projeto. uma vez que será responsável pelo processamento Adicionando· se um laço de realimentação que atenua a salda
diretodo sina l quevcmdotrausdutOI'. por um fator K ncgmi\·o (um sistema de controle com laço de
realimentação pode ser verificado na Figura 3. 15). somado na
emrada.tcm-sc um si naldeerro (s):

s = E,- E.r sendo E1 = KE. e. assim.


s =E,- KE.

Pode-se ainda escrever E1 = ~ + KE., c calcular o


ganho a laço fechado do novo sistema:
A ,__~ ___
E. _ _ _ A_
1
E; Ei + KE~ I I KA

Considerando agora que KA >> I. podemos fazer.


A I
AI*" KÃ = K
Esseresultadoindicaqueoganhodevidoàrealimcn-
taçno tem influência direta no ganho do amplificador
(Figura 3. 15). Mais do que isso. o fator K será deter-
minante nesse ganho.
Are:tlimcntaçãotambémvaiinflucnciarirnportan-
Figura 3.13 Diagrama de blocos de um condicionado!' de sinais tc s fatore srclacionadosaumarnplificador.taisco mo
102 Capi1uloTrfs

impedânciadeentrndaeimpcdânciadesafda.Asdcfiniçõcsdcs- aqui não é mostrado o problema rcl:~eionado a si nais q ue variam


scsJXlr.'imctrossi\o: no tempo cuja resposta em frequência é crítica. Um trntamento
extenso e aprofundado do assumo pode ser encontmdo na Bi-
bliografia.nofinaldcstecapltulo.

em que Z~ e Z-treprescntam a impcdância deemrada e a impe-


dânciadesaída.re.spcctivamemc.e
t 3.4 Diodos - - - - - - - - -
Os diodos são dispositi\'OS eletrônicos ativos constituídos de ma-
E; fatens.ãodeemrada
terial semicondutor. O material semico•ldutor mais utilizado na
E. éatcnsãodcsafda
fabricação de compooemes ativos é o silkio (Si). que em forma
l, éacom::nted.::entrnda
pur-d (estado intrínseco) não conduz corrente elétrica. Desse mo-
I. é acorrente de saída
do. são ncccss.árias dopagcns (processo no qual s.iío adicionadas
Como a impcdância de cmmda par-J o amplificador sem a reali- impurezas como boro. gálio. fósforo. entre outrm) para se cons-
mcmaçãoé tilllíremnovosmatcriais:

t materiais scmicondutorcs do tipo P (scmicondutor com por-


tadorcsmajoritrtriosdotipo lncunas):
t materiais semicondutores do tipo N (scmicondutorcom por-
tadores majuri tilrio~ do tipoelélron)

I=~ Oar1iffciodnnplicaç:lodcprocessosdcdopagemsobreum
I AZ, material intrínseco de ~ilfcio tem por objetivo ampli ar artificial-
mente o número de elétron.~ livres ou o nUmero de lacunas (au-
sênciadeclétrons)prescntesncsscsmatcriais.Eicssãodcnomi-
E, = E. (K + ~)- nados portadores majoritários c são os respons:h·eis pelas carnc-
terísticaselétricasdocomponcmc.
Rclacionandoasduasvariáveis,tcrnos: Na construção do diodo. são imcrfaceados dois semicondu-
tores ex trínsecos distintos: o tipo N e o tipo P. A partir desse
l,_ 1 = Z,( l + KA) momento. surge uma corrente de difus.iío em virtude da diferen-
Isso significa que a irnpcdância de entrada de um amplificador ça de concentmção dos ponadores majoritários entre esses dois
é incrementada por um fator( ! + KA)quandoscutilizaareali - materiais. Esse trânsito de portadores causa a fonnação de uma
mentação. camada de cargas. denominada zona de depleção. na qual há
Para o cálculo da impcdância de saída. pode-se analisar. E. = contato entre esses dois materiais: essa camada dá origem a um
AE - Ih scodo A o ganho a laço aberto do amplifiCador e E a campo elétrico contrário à corrente de difusào (Figura 3. 16).
tensão de entrada a laço aberto. Par-J E, = O a tensão de entrada fuistem dua~ formao; de polariJ:ação de um d iodo. conforme
do amplificador será E • - KE. c.assim. E.= -AKE. -I;!.. e excmplifica a Figum 3.17: a polnrilação direta c a polarimção
rc\·ersa.
E=~ A pola r ização d ireta consiste em se fornecer um pocencial
KA +1 positivo ao lado do scmicondutordo tipo P de modo a mantê-lo a
a impedância de saída efetiva é então: um maior potencial que o N. Nesse caso. t gemdo um campo e lé-
trico externo que fomece energia aos por1adorcs para que mrnvcs-
scmazonadcdcplcção.Port:utto.apolarilaçilodirctapossibilita
llJXlSsagemdecorrcntcselcvadas.lirnitadasporumrcsistorH.,cm
Essaequaçãoind icaquearealirnentaçilodiminui a impcdânc ia série com o diodo. decorrente da fonnação da junção scmicondu-
desaídaporumfator( l +KA). tom. Em geral se admi te que um diodo polarizado dirctnmentc
Os efeitos da realimentação. bem como rea limentação nega- tcmapenasumaquedadetensãod:tordemde0.7V.
tiva.sãobastanteconhecidosnosestudosdesistemasdecontro- Por outro lado. a polarb..a<,-ão ren•rsa aumenta a largurnda 7_ona
lc. Esta seção tem como objetivo apenas a revisão de conceitos dedepleçàoepmticamcntesóhaverácorrcntedcponadoresmino-
básicoseúteiscrninstrurncntaçãodenlOdogernl. Por exemplo. ritários. ou seja. a COITI!nte IW.'SSC sent ido ser:í desprezível (toda a
tensão fica sobre o diodo). Portanto. pode-se afimmrque o compor-
tamento de um diodo é semelhante 00 de uma chave. ou seja:

E~•E
se o diodo esti\·er polari1.ado dirctamcme =chave fechada:
- E. A se o diodo estiver polari1.ado revcrsamente = cha,·c aberta.
Uma das maiores aplicações de diodos é a construção de re-
E,
K
tilícadores.Astensõesdclinhadisportíveis paraalimcntaçãodos
di,·crsos equipamentos eletroeletrônicos s.iío alternadas. Entre-
tanto. a maioria dos dispositivos que compõem os circuitos clc-
Figura 3.15 Sistema com laço de malha fechõlda trônicosnecessitascralimcntadaporsinaisdctcnsãocontínua
CooceitosdeEletrônicaAnalógicaeEletrônicaDigital 103

(c)

Figura 3.16 (a)Fotogrdfiadeurndiodo:(b)8uasimbologiae(c)rcprescntaçãodazonadedeple<;iio

P N P N

~
~ .
c;

(a)

Figura 3.17
d LJ,.,
(a) Esboço de um diodo com polari zação direta e inversa e (b) sua simbologia

c de baixa intensidade. Umadassoluçõcsparasetransformar Apesar de a construção dos diodos ser sempre composta de um
sina is allcrnados em sinais contínuos é a utilização de ci rcuitos semicondutor do tipo N e outro do tipo P. existem vários tipos de
retificadoresparaaconstruçãodefontesdetensãolineares. diodosquesãoutilizadosemdifercntesaplicaçõcs.&tesnãosc-
Usualmcntc,antesdosrctificadorcscxistemostransformado- rãoaqui revistos. por não pertencerem ao escopo deste livro
rcs. que são dispositivos elétricos que têm por função baixar ou Como exemplo pode-se citar o diodo zener. que se caracteriza
elevartensõcselétricas(apcna;;alternadas).Apósosretificadores. por ser utilizado como uma referência de tensão. Esse diodo. quan-
namaioriadoscasosestarãopresentesoscapacitores.que,porsua do polarizado invcrsarnen(C, após vencer a barreira de polencbl.
vez. têm a função de estabilizara tensão. urna vez que. quando passaaconduzireatensãosobrcosseustemtinaismantérn-secons-
carregados.dcmoramumtempoparascdescarrcgare.assimscn- tante. A Figura 3.19 mostra um diodo zcner utilizado para manter
do. mantêm essa tensão praticamente constante. Na verdade. esses uma tensão estabilizada de 20 V sobre um resistor de 400 n
circuitosapresentarnurnapequenaoscilaçãodenominadaripp/e. Outro diodo bastante utilizado é o LED (o diodo emissor de luz)
A Figura 3.1!! mostra um retificador de meia onda. de onda Nes.<;e ca-;o. o componente serve. na maioria das ve?.cs. como indi-
cornpletaeemponte.Oretificadordemeiaondaretificaapenas cativo luminoso. nas cores mais comuns: vemJCiho. verde. amarelo
meio ócio. O retilh:ador de onda completa retifica o ciclo intei- Também podem ser encontr.Kios LEDs azuis e ainda infravermelhos
ro. porém com ele será produzida uma fonte unipolar. O retifi- ( llCSSC ca-;o. geralnJCnte utilizados como clcnJCntos emi.~sorcs de um
cador em parte pode produzir uma fonte simétrica ou bipolar. sistemasensor infra~·ennelho. ou mesmo para transmissf10dedados)
Ainda nesse circuito podem-se ver o transfonnador. o capacitor A Figura 3.20 rnustr.t a fotogralia de di<XIus zener e um LED.
c ainda um componente denominado regulador de tensão. cuja A Figura 3.2 I mostra um circuito alternativo para o projeto do
finalidadeéregularatensão(garantirqueatensãosematttenha bloco fonte d e tensão CC do condicionador proposto na Seção 3.3.5
constante)nocasudeoscila'<õesdatensãodealimentação.Para Observa-se que ela apresenta três saídas reguladas em + 12. - 12 e
isso. existem vários componentes disponíveis. O componente +5 V. As fontes de 12 V servem para alimentar o circuito analógico
escolhido(78xx. 79xx)exige que a tensãodeemrada seja no (amplificador. filtro).easde5Vservemparaalimentarocircuito
mínimo3Vsupcrior àtensãudcsejadanasaída. digital(blowmicrocontruladoredispositivoOesaídavisual)
104 CapÍluloTrês

A&gUiadordetensAo
Aeguladordetensão

~] Ef?-9':.DICJ$:·
UI[: -
<•> ,,,

DI
UI
Figura 3.18 (u) Retificador de meia onda: (h) de onda completa c (c) em ponte

Figura 3.19 Circuito regulador com diodo 1ener. Figura 3.20 Fotografia de diodos zcncr c de um LED.

DI
ui
Figura 3.21 Fonte linearsimétriea + 12. - 12 e +5 V.
CooceitosdeEletrônicaAnalógicaeEletrônicaDigital 105

t 3.5 Transistores Bipolares- - - muitoprovavclmentc.gmndcsq uantidadesdccalorscrãodissi-


padasnotransistor,comprornctcndosuacstrutum,
Os transistores são componentes aptos a amplificar correntes A Figura 3.23(b) mostra as duas junções P- N reversameme pola-
elétricas.aexernplodoqueocorrianopassadocomasválvulas rizadasdemaneiraquepmticamentenflOhácorrentecirculandono
termoiônicas. com as vantagens de serem fisicamente menores circuito - ou seja. há apenas a corrente de fuga. Tudo se passa como
e de dissiparem menos energia. Os transistores bipolares podem sehoovcs•.edoisdiodosca..catcadosrevcrsamcntcpolarizados.
serconstruídosdcduasmanciras.adepcnderdossubstratos(sc- As dua~ fonna.s de polrni7..açào apresentadas não são úteis pan1
micondntores do tipo N ou P). confonne mostra a Figura 3.22. se obter o efeito de amplificaçào de corrente, pois no primeiro caso
Uma vez que os transistores apresentam três tenninais - E. as duas junções comportam-se como chaves feçhadas. No segundo
emissor: B. base: C. coletor-. as polarizações bem como seus caso. as duas junções se comportam como chaves abertas.
mo-dos de funcionamento referem-se às suas junções: emissor- A Figura 3.24 mostra a jun'fãO B-E diretamente polarizada.
base (E-B) e base-coletor (B-C). c desse modo cspcr.1-se que as correntes Ic e / 6 sejam elevadas
A Figura 3.23(a) mostra as duas junções P-N diretamente Por sua vez. a junção C-B está rcvcrsamente polarizada. c assim
polarizadas causando altas correntes Ic e Ie e. portanto./8 . Tudo cspcra-seumacorrcntc/c dcsprezívei.Entrctanto.obscrva-seum
sepassacomoschouvcsscdoisdiodoscascatcadosconduzindo comportamento bem diferente: /Felevada./8 muito pequena e I c
altascorrentcsdentrudeummcsmocncapsulamcmo - ouseja. muito próxima de /,,

~~
,., ~~
NP~ P~
E C

(b)

Figura3.22 (a)Disposiçãodossubstratos
em um transistor NPN c PN P. (b) seus símbo-
losc(c)fotodctransistorcs

iCJD-1
'• I,
~~~
~ ~ '''
N

Figura 3.23 (a) Polariza.;,ilo (E-B)


.
direta.(B-C)direta. (/:>)polarização(E-B)
revcrsa,{B -C)reversa. T -;:-
106 CapfwloTrês

Figura 3.24 l'olaritação (E- H) reversa, (B-C) direi a e o efei1o tmnsistor.

Uma \'ez que a junção E-B se eocontra diretamente polariza- Obtemos ainda:
da.h:iurnacorremededifusãointcnsadcclélrons livresdolado
N para o lado P (para o 1ransistor NPN). Ponamo. esperava-se I c == 11 + l c
quc essesc létrons livres.atingindoabase,comcçassernasere-
combinar com as lacunas disponíveis. Entretanto. fi sicamente. f;;; = ;;;+ lc
o trnnsistor é conslruído de tal modo que a base é muilo mais
estreila qu e o emissor. e lambém menos dopada. Dessa forma. " rr _ __&__
vistoquea~onadcdcplcçãoestreitaaindnmaisabase,dificul­
1 + f3ce
tando a rcçombinaçào doselétrons livres vindos do emissor. a f3cr: _ Occ
corre me que se origina dos elétrons que se recombinam na base l + ac...-
que conslilui /•é muilo pequena. H najuBÇilO C- B. observa-se
a presença de um campo elétrico intenso aplicado na j unção. no Para interpret:1rde maneira s implificada o componamento dinâ-
sc111ido de utrairos elétrons livres di sponín•is no lado P. ou seja. mico dos trans is tores bipolares. pode-se adotar o modelo de
na base. Em condições normais. era de se esperar que houvesse Ebers-Moll (Figura 3.26). descrito a seguir.
poucos e lé trons livres no lado P de uma junção rcversamente Nesse modelo. considera-se a resistência de base R,. que na
polari1.ada. Entretanto, a imensa correnlc de difusão de elétrons maioria dos casos pode ser desconsiderada. A junçào B- E é vis-
livres fomccidapeloemissoratingeolado l~basedotransistor.
ta como um diodo que deve ser direlamentc polarizado. causa n-
e. em vinude da dificuldade de se rccombim1r com as poucas do uma queda de 1ensão v,~ ""' 0.7 V.
lacunasdisponívcis.esseselélronssão,cm s uamaioria.atraídos No co letor h:•vcr.i urna corrente I c == a/1;. sendo I e= (31,. que
pelo intenso ca mpo clé1rico presente na junção B-C. Ponamo. sódepcndede/8 se otmn_o ;;istoropcrarnarcgiãolinear(costuma-
obtém-se urna alta correnle de coletor/" muito pró,. i ma a/~, se represe marmravésdeumafon tedecorren te).
camc1eri1.ando-sc oefeitotr.1ns islor. Sendo ass im. é possível Esse modelo induz a uma conclusão impon:mle: um lmnsis-
escrever a seg uinte equação: lor bipolar funciona como um amplificador de correm e. ou seja.
seacorrenlcde base for/,. então noeolclortem-se lc • (31, .
l"= lc+ l.
Fa7.cndo analogia com um sistema hídrico. pode-se COflside-
rar o s istema como se fosse um canal pelo qual se desloca um
ceno volume de água. resultando uma corremc análoga a I c.
Confom1e /~ aumenta, aumenta /• c I c- proporcionalmente. uma
vez que /~ corresponde a um desv io de flu xo (Figum 3.25).
Arelaçàoentre/ç e/"édefinidapor:
••• !,, I '·
lc == f3cc ·l. Figura 3.25 Relação entre as correntes em um lr.msi$1or.
O índice "CC" é dev ido ao fato de que o ganho f3 varia com a
frequêocia. e essa relação correspoode a sinais de baixas frequên-
cias em que f3 == f3cc praticameme constautc. Esse parámelro é
denominado ganho do transistor. Analogamcnle. há uma relação
entre Ic e /c definida por:

lc = acc ·lc
Emger.1l, f3cc édaordemde SOa lOO eao: é muito próximo de
1 {ill 0,99). Manipulandoessascxpressõcsobtemos:

1.: = lc + 18 == f3cc ·l. + 1.

Figura 3.26 Modelo de Ebcrs-Moll


CO<'II:dtos de Eletrônica Analógica c Eletrõnil:a Digital 107

Noscasosemqueénecessáriaarealizaç11odean~lisesmais No caso do eltcmplo dado anterionnente. a potência di ssi pada


crileriosas. que envoh•am a descriçãodocomponamenlodo tran- notransiSIOr é dadapor:
sistor em função da frequência. f preciso adolar modelos que
Vce = 16V
consideram ascapac itiincias parasi1as associadas às cargas ar-
par.t RL "' 20ft: I c- 200 mA
mazenadas nas zonas de dcplcção. Em tais si tuações. é comum
\ P = Va· lc =3.2 W
ndowr-se o modelo Tr híbrido pnra nn:llise AC (corre nte altema-

l
da)docircuito correspondcmc. Tal an:ílise não ser:\ feita nesta v"~ 4V
revisào. para RL- 80!l: lc= 200m A
E.temJJIO tle ti{Jiit·açtio do mQ(/elo Eber5-Mol/: considerando-se 1' - Vçc 'lc- O.SW
ocircuitoda Figura 3.27comosseguintespnrJrnetrosecompo- Uma aplicação baslante comum de tran sistores em que se utiliza
ncntes: Vu • 0.7 V (tensão para Q, polarizado na região linear. aconfi gurnçãodól Figura3.28é fazeracoi'T'Cntede baseahao
corresponde nte a um diodo di retamente polarizado) R,= 19.3 suficient e para saturar o t ransistor . Nessa condição. o compo-
kf.!. RLvari:í1•el (20 s RL s 80)0 e /ler • 200. tem-se a eorren· nente sai da região de resposta linear. de modo que o siste ma
tedcbase/8 : atingeumlimitede tensãoecorrentc.e as rclaçõcsaprcse ntadas
anterionnerue nDo valem mais. Isso é fe ito quando é ncress~rio
~~ .. v,. -Vn=20 - 0.1 = lmA
1 opcmr uma chave elc1rônica através da corren te de base. Em
' R, R, 19.3 K
outras palavms: com urna corrente pró)(ima de zero na base. o
Por1a nl o,acorremcdecoletor ser:l: lransistor n ~o poluriza. c se compor1a como unm chave abcna
porque não condu z. Na situação oposta. quando é polari1.ado
lc= {31~ = 200X l mA = 200 mA
diretamente com uma corr.::nte de base alta. o tran sistor sa1um.
Desse modo, a tensão V,., varia com R,: egaro~nle-se qu ca tcnsãoentrecolelore ernissoré apro)(imada­
mcnlezcro. si mulandoumachal'e fcchada.
paro~R, • 20 0 : V,= R, · 1,= 20 X 200 X 10 J= 4V:
E.remp/o tfe um rrmui5Wr que fimcimw t:Ot/JO clrm·e: considere
paro R, • 80 0 : VL = RL ·I,= 80 X 200 X JO ·J = l6V.
as especificações V.,= 12 V. v_ < 0.4 V paro~ uma corre nte de
Obscn•a-se que a corrente I c é eons1a111e em relação à variação cmissor menOI'que !OrnA e outra condição V;, • O V. v_> 10
da carga R,: V pam uma corrent e de safdól de 1 mA. Dc1·e-se calcular o resis-
Uma vez fixada 1,. se o transistor se mantém adequadamente tor de coletor de modo que a máx ima lensào sobre o mesmo
polarizado. tem-se Ic fixada em 13ccl•• Assi m. a carga R, "enxer- deve ser 2 V na condição de V., = O.
g~" um~ fome de corrente de intensidade 13ccl1 cau~ando uma
variação llV, proporcional à variação de R,. Rc< v.,,: v..,..., ~~ ~~~o = 2k!l
Omro fato importante refere-se ao cornpot1amento de V cE:
Quando o lmnsistorestiver desligado. a rn:lxirna corre nte que
passa pelo resistor de coletor ser.í de I mA. Quando o tran sistor
Se V,,= l 6V~Vcl' = 20 - l6 = Vcr= 4V. estiver li gado. o resistor de base de1·e ser dimensionado de mo-
Se V,,= 4V= Ver = 20 - 4= Va= 16V. do a possibilitar o nuxo de uma corrente suficierue pam sat urar
Vcl' pode 1•ariar conforme o valor dói carga. c isso ser:\ verdade o transistor. Considerando-se 13 = 50. f c"' fj · t,. tem·se:
enquanto o transislor pcnnancrer na região li near.
Con10 qualquer outro disposilii'O. o lransistOI' também dissipa l c= IJI .= V.u ~Vo; + i,-~+ iL
potência,quepodesercalculada apartirdascguinterelação:
R, s V;, ~. Vu
P,. = Vcl' · fc
nu qual R s (V., v~f)/3 ,. (12 - 0,6)50 = k!l
356
Vné atensilocolctor-emissor
fcé acorr.::n te nocoletor
' fc (_!f+ w)x10 ' .

Figura 3.27 Cin::uitoexem·


plodt:polarizao:;llo dircl.adotrnn- Figura3.28 TrunsistOfsi rnu-
si\lQJ. landouma chal·c.
l OS Capítulo l'rês

Eunrplotle um transistorquf' fimrioml como onrplificador: con-


siderando-se o transistor da Figura 3.29 com fJ = I 00 e. ainda.
~) de 4 com o
"vv,

n
que é necessário um ganho de tens3o AC (

L
sinal de safda c:xcufliionando 4 V, pode-se arbitrar uma corrente
decolctOI"de lO mA e uma tensãode coletOI"de 8 V. Quando o
sinal es1iver no pico positivo. a saída vai a lO V (restando 2 V c.
sobre Rc). c:. no pico negath•o, a saída vai a 6 V (6 V sobre: Rc) .
Nessecaso.arbitra-se também uma tensão Vcr = 12 V paraga-

- lR•c'Í
r.mti r a regi3o linear do transistor'.e Vt = 4 V.
Dessa fom1a. pode-se calcular os resistores:

R..-< v. ,1 ~ Vr = :~:! • 400D


1 Figura 3.29 Tran sis1or funcionando como amplificador.
4
Rc: = R_.,+ Rn= ~.., ___2L_ - ~ = - -=400 .0
· 16- I ~+ / (' Ic: 10 mA
Utiliza-se então o teorem:t de Thévenin pam calcular R, e R 2, R,IIR,
conforme a Figura3.30:

t8 = ;-~~:A = O, I mA. V
,. = R: 1_;~,, R,. = R,R:~, "R.~R,nV····v
Um01 vez que a tensào do emissor é 4 V. considerando-se uma
queda no tmnsistor de 0.6 V, a tcnslo cn1 v. = 4.6 V. Supondo- Figura 3.30 T~Of<'ma ~ Th~v~nin aplicado QO amplificador a 1ran-
se uma queda de tensão de 0.4 V sobre o R,. e sabendo-se que
l w= O.I mA:

R"' ""' * ""' 4kfl eletricistas)quedesejaremconstruir elou interpretar circuitos


para essas funções.
~ t.R,. R 2_;~, =>R1 =~R1
1
V,. +V. = 0,4 - 4.6 = 5 = O trnnsi~tOI" pode compor várias das etapas analógicas. Por
exemplo. pode-se utilizar o transistor para implementar uma fon-
Adaptando-se parn valores comerciais. pode-se escolher R, = tede corrente como a da Figura 3.3 1. O circuito da Figura 3.3 1(a)
11.2k0eR, =8 kO. 1nos1ra umtr.msiStOI" PNPscndo alimentado por uma fonte através
O ganho AC é aproximadamente ~- porque o capacitor do resistOI" R,. Esse transistor então polariza e a corrente que nu i
R.,
por R<de\'e ser Vj{. • Faz-se. emilo. umac()l'rentede base mui-
garante que. em altas frequências. R1 seja cuno-circuitado: ou 1

seja, V0 = t, - H,. Assim.


to menor que a corrcnte que passa por H1. Desse modo, pode-se
di zerqueaeorremcque nui porR1 (carga)éa própria Vi{.,-

e, finalmente,
H,'l • Hc;- RI.', • 400 - 100 = 300 0 R,
V, ,.V.'R,

B
As escolhas dos cap<~citores dependem da resposta de frequência R, +
desej<~da. o,
Existem muitas variantes decircuitostransistori7.ados. c há
uma fana bibliogr.afia disponfvel a respeito do assunto. Assuntos
como amplificadores com transiMores. bem como detalhes de o,
seu fuocionamento dinâmico. n3o serão abordados nesta revisão
eser-:iodeextremanecessidadcparnosprojetistas(engenheiros R,

' Apesardtoa.wnlol\io-crobordadone>~a,....ido.oorn·fmkn>brarqut . quan­


dof~romoamphfocaobdtpcqumos lol naol. Otnn~ijt()fpo::oos.s.uiumarqiio
timnada dt t.ncarioda<k. No c-. do,.,.,"'"""
que funciona romo cha·•e. f~-sc
,., (b)
usod> "'liio 1\io """"'· Pan mai~dclathe!;, ron"'t lc a RiblioJnofia oo fi,..! do
capí1ulo. Fagura3.31 Tr:msistor implcmenUllldo difen:nta fonta de rorr~me.
Co~i1os de Elc1rônica Analógica e Eletrônica Oigi1al 109

O circuito mostrado na Figura 3.3 1(b) é implcmcmado com é a sua baixa velocidade de resposta. No entanto. existem C\'O-
doi s transistores. O transistor Q, (à direita) é inicialmeme pola- loções tecnológicas desse componente que j4 superaram esse
rizado e supre a corrente de base de Q,, estabili;wndo a própria problema. Podem ser encontradas variações de FETs no que diz
corrcmcdc base de Q ,.A queda de tensilosobre H1 é V,.,; dcQ,. respeito a processo de construção (e. consequcntcmcntc. suas
Como a correme de emissor é praticamente igual à corrente de caracterfsticas elétricas), corno. por exemplo. o JFET (jw1crion
coletor. supõe-se que a corren te no coletor de Q1 seja V~', field effa·r lr<IIIJi.flor) ou o MOSFET (mera/ IHidl' .rilico11 field
t'jJecrJrymsisror).
con~tante. Além dessas. existem diversas outras configurações
O FET é constituído a p~rtir de urna b~rra de mmerial do tipo
que podem implementar fontes de correntes "P" ou "N" denominado "canal". Nas extremidades da barra
existem contatos metá licos fonnando umtcmtinal chamado dre-
f 3.6 Transistor de Efeito de Campo no (dmin) c outro denominado fonte ou supridouro (SOI/Il.'t). Ao
lado dos contatos dreno-fonte existem ainda duas regiões "P" ou
(FETJ - - - - - - - - - - duasregiõcs "N'', interligadas. difundidas nointcriorda barra.
O FET (firM rffrcllronsiswr). ou transistOI' de efeito de campo. denominadas porta (gmt) (Figura 3.32).
é um dispositi"o uni polar cujo símbolo é apresentado na Figura A Figuro3.32(c) mostra o princípio de fuoc ionarncmodo FET
3.32. Sua operação parte do princípio de que um campo elétrico de junção canal "N". O canal é o caminho pelo qual passam os
perpendicular a um nuxodecorrente comrola a resistência de port~dores.cocampoimpressopelaassociaçãodaspolarizações
um canal consti tuído por portadores do tipo "P" ou portadores dos terminais GDS dctennina o fechamento ou a 11bcrtura desse
do tipo "N". os quais co nstituem. respectivmnentc. FET de canal canal. O func ionamcmo de um FET canal "P" é análogo. sendo
PeFETdecanaiN nccessárioapenas invcrtcrapolaridadedasfontes dculi rncntação
As principais \'antagens do FET em relação ao transistor bi- dreno-supridouro (VOS) e porta-supridouro (VGS).
polarsilo· A Figura 3.33(a) mostra a polarização dos JFETS de canal N
c P. No caso do JFET de canal N, uma alimentação positiva é
t Altaimpcdânciadeentrada:
ligada en tre o dreno e a fonte. est:~bclecendo-se um nuxo de
t Maiorimunidadearuído:
corrente através do canal. Essa corrente tambfm depende da lM-
t Maiorestabilidade ténnka:
guradocanal.
t Fabricaçilorelativamentesimples.
Umatensàonegativaéaplicadaentreaponaeafonte.esta-
Esse tipo de transistor é bastante utili7.adocm dispositivos ele- bclccendo-seapenasumacorrente dcfuga(devido!laltaimpe-
trônicos que requerem rninimização de consumo de energia. É dância decorrente da polari1.ação revcrsa na porta). A polarização
ideal para trabalhar com bateri as. A maiordesvamagcrn do FET reversac riucanmdas dedepleçãoem voltadas regiões P.eisso
estrei taocanaldeconduçào(D-S).
Para um valor COIJStantc de VGS. o
JFET(nasuaregiilolinear)funciona

.~'
comoumresistoratéatingirumacon-
diçãodeestrangu lamento. l'arasepo--
larizarumJ FET é necess.iriosabcr
o (lt) se ele trabalhar.'i como amplificador
ou corno resistor controlado por ten-
sào.Funcionandocomoamplilicador.
a região de trabalho é o trecho da Fi-
gura 3.33(b). àdireitadaregiàode
estmngulamentocàesquerdadatcn-
sâuV DSderuptura.Se se fortraba-
lharcomorcsistorcontroladoporten-
sào. a região de trnbalho é entre
VDS = O e a regiào de estmngula-
mento.A Figura3.33(c)nlOStraacur-
va de transcondutâocia para o JFET.
naqualatcnsãoVGS éYJriadadeO
a ~4 V c a COITC111C de dreno é me-
dida. Pode-se calcular a com:mc de
dreno por meio d~ expressão:

lp= l=(l ~tr


Figura 3.32 (a) Simbologia. (b) detalhes con,trutivos e (c) princípio de funcionamento do A Figura 3.34 apresenta duas apli-
FET. cações típicas de um Ft'T genérico.
11 0 CapÍluloTrês

VGG
,.,

1 .. ::::z -------

9 !:-------i--=='--~
(f.__:._
: VGS• - 2

[
r,~:±:====~:V~G~S-~-=.3======J A~ruffi
, VGS• 4

'"
VDS(V)

Carac1erísticaVGS X IOdoFET

•-'
c

'"
VGS(V)

Figura 3.33 (u) PolarizaçilodosJFETs de canal N e P, (h) curva VOS X ID, (c) curva VGS X ID.
ConceitosdeEletrônicaAnalógicaeEletrônicaDigital 111

,,, (b(
,, ve (bl

Figura 3.35 (a) Fotografia de um OI'AMP e (b) representação do


Figura 3.34 Aplicaçõe~ do FET: (a) fome de corrente:(/>) amplifi- OPAMP ideal
cador.

AFigura3.34(a)rnostraumafontedecorrcnte.eaFigura3.34(b) rnumézero. Umarnplificadoroperacionalcornessascaracterís-


mostra um amplificador. Além dessas aplicações. os FETs são ticas é denominado arnpliticador ideal. Emretanto. essas hipóteses
encontrados extensivameme em eletrônica de potência. em que niiofogemmuitodarealidadeesàornuitoúteisparaaanáliscda
apresentam importantes vantagens em comparação com os tran - maioria dos circuitos que têm amplificadores operacionais.
sistores bipolares. Esses componentes também são utilizados na Um amplificador operacional (real) muito popular(e bastan-
intcgmçào de uma série de componentes. tais como amplifica- te amigo - por isso, com desempenho muito pobre em alguns
doresoperacionais.cornponenteslógicos.entreoutros itens) é o 741. Esse O PAM P é constantemente utilizado corno
referência de comparação. porserbastameconhecido.
Paraefcitodeanálisc, pode-scconsideraroscguintcmodelo.
t 3. 7 Amplificadores Operacionais mostrado na Figura 3.36. para um amplificador operacional real
- OPAMPs - - - - - - - - - Nesse modelo de amplificador operacional tem-se:
O amplificador operacional é um componente eletrônico com- Ganho diferencial A, finito. em que v, = Ajv, , - v,z). O valor de
posto por resistências. tra11sistores. FETs. capacitores. entre ou- A, varia de lO" a IO".dcpcndendodoamplificadoropcracional.
tros componentes embutidos em um mesmo encapsulamento. O Nocasodoamplificador operacional74l.tern-seA. = 2 x 10'.
OPAMP. como também é conhecido. foi um nwrco na eletrôni- Nesse caso. v, = Aj1•,). Supondo-se A,= 2 X 10'. se Vrr =
cacumacontinuidadcdaeradaminiaturizaçàoquetcveinício 15 V o amplificador operacional irá saturar na máxima tensão
como transistor.
Atualmente o amplificador operacional é um dos principais
componentes no projeto de condicionadores de sinais e pode ser
cncontradocomdiversascaracterístkas.Existcmamplificadores
operacionaisconstruídoseotimizadosparaseconsumirbaixís-
simacnergia. outrossàootimizados para respondera sinais em
umaamplagamadcfrequência.eoutros,paratcraltosganhos
Dependendo da aplicação. o projetista deverá escolher a opção
que melhor se adapta ao problema. De maneira geral, o OPAMP
éindicadoparasituaçõesemquesàonecessâriosganhosa11os.
imunidadeaoruído.impedânciadeentradaaltaeimpedânciade
saídabaixa.semdistorçàoccomestabilidadc R,
Em condições ideais. o amplificador operacional pode serre-
presentaOo conforme a Figura 3.35. Os terminais ( + ) e (- ) '-UT·
respondem às entradas do amplificador e têm propriedades de en-
tradasnâoinversoraeinversora.Oamplificadoréalimentadosi-
metricamente atr.wés dos pinos + Vcc e - Vcc (algumas variedades
deamplifieadorcsopcracionaisnàotêmnccessidadcdescralimen-
tadas com tensão simétrica). O ganho diferencial A, é dado por:
v, = Ajv, 1 - v,,)

A impcdância de cntmda é infinita c a impcdância de saída é Figura 3.36 Rcprcsemaçào de um modelo <Ímplificadodo OI>AMI>
nula. Se v, 1 = v,,, tem-se V,= O. ou seja, o ganho em modo co-
112 CapÍluloTrês

de saída. +15 Vou -15 V (na realidade. em valores próximos


aesseslimites).l'ortanto.amáxirnatensãodeentradaquecor-
respondeaolimiardcsaturaçãoscrá:
:!:: 15
v, (max)A,, = v, (max) "') v, (max) = 1Ql "') o•, (max) =
:!::0.15 mV
A partir desse resultado. ]Xlde-sc perceber que tensões muito
pequenas na entrada (da ordem de décimos de milivolts) já são
suficicntesparasaturaroamplificador.
Apesardenãosernecessárioqueousuárioconheçadctalhes
de construção interna de um OPAMP. este é composto apenas
por componentes conhecidos. A Figura 3.37 ilustra o esquema
sirnplificadodcumamplificadoropcracional
Corno exemplo de aplicação. pode-se considerar na entrada do
OPAMP um sinal do tipo senoidal tal oorno o da Figura 3.38.
O sinal de entr.1da é do tipo senoidal com valor de pico igual
a s,Ji V. Como pam tensões maiores que 0.15 mV ou menores Figura 3.37 Esquema interno <;implificado de um OPA MP_
que -0, 15 mVo amplificador operacional satura (supondo
Ad = 2 X I01 c IV cri = 15 V). dura me praticamente todo o se-
miciclo positivo a saída será + 15 V e durunte todo o serniciclo
negativo a saída será - 15 V, confonnc Figura 3.39.
Desse modo. gerou-se uma onda quadrada a partir de uma
onda senoidal. A res istência de entrada é finita. acima de MO
(alguns OPAMPs, apresentam resistências de entradas superio-
rcsal0 '20).ouscja.sernprccxistcurnacorrcntemuitopeque-
naentreasentradasinversorae n~oinversora. Como o ganho
AJ é muito grande. a saída do O PAMP tenta amplificar o valor
da tensão entre as entradas por esse fatore encontra um limite.
Figura 3.38 Um transformador na entrada do OPAMP.
Esse limite é justamente a tensão de alimentação dos compo-
nentes, da qual ele não]Xldcexccdcr(cssaéumalimitaçãodo
OPA MP. especificada pelos fabricantes). No caso do 741. a
rcsistênciadeentradaédaordernde2M!l.Aresistênciade
saída não é nula. No.:asodo741. R, ""
50 !l. Alimentando-se com Vcc = :!: 15
V, a máxima corrente de saída édaor-
dcmdc20mA.
Na realidade. pode existir uma tcns:io
não nula na safda quando 1', , = 1•,2 = O
A tensãodeoffsetcorrespondcà tensão
necessáriaquedeveseraplicadanaentra-
daparascobtcr V, = O.
EmOOra exista na entrada de um am-

~:;~i~,~~~:~~=~~:~-~~~q~~oaa~~lii~~::~~ ~O
operacional amplifica a tensão em co- ~
mum. ou seja. 1',, = v, 2. Outrd limitação ~
doamplificadoropcracionalrcalrefcre-se
àmáximataxadevariaçào~(variaçào
datcnsàodesaídanotempo)aqucocom-
ponente consegue responder. Essa taxa é
conhecida por slew-rate. Portanto. se um
sinal variar muito rápido notcrnpo(alta 0,006 0,01 0,01~ 0,02 0,025 0,03 0,035 0,04 0 . 04~ 0,05
frequência)etratar-sedesinaisdegrande f {t)
amplitude.háperigodeseultmpassara
taxadc;,·/ew-ra/e,obtcndo--senasaídaum Figura 3.3g Forma' de onda na entrada e na saída do çirçui1o comparador. ocndo o valor
sinaldefonnado deço111paraçãoigualazero
Conceitos deEletrônicaAnalógicaeEletrônicaDigital 113

41 3. 7.1 Configuração: amplificador Portanto. sei,= i 2 e ••, é terra virtual.


inversor - - - - - - - - - - -
A partirdosconceitosaprescntados.paraque um amplificador
opcracionalseja útilnotratamentodesinaisénecessáriolimitar
~= - ~
oseuganhosemabrirmãodesuascaracterísticasfundamentais R, R,
Ncsscsentido.inicialmcmcépropostaumaconliguraçàoinver·
ou. ainda.
sora.naqualosinaldeentradaéaplicadoàentradainversorado
amplilicadoroperacionalcomrealimentaçàonegativa.conforme
v, = - %:-v , .
ilustradonaFigura3.40
Analisando-seocircuito.tem-se·
Pode-seveJifiçarqueossinaisdeentmdaesaídaestàodefa-
sadosde 180°
i,= v,;,e, Essasaproximações sóscrãoválidasse·

I Oamplificadoropcracionalestivcrtrabalhandonaregiãoli-
near.uuseja.osseustransistoresintemosnàoestàocortadus
ou saturados em :!: Vcc- Na prática, isso acontece quando a
entradaépcquenaosuficienteparaque
emmda X ganho- < Vçç eemmda X ganho- > - V=
2. OsvaloresdeR, eR, não devemser semelhantesaovalorda
resistência de entrada R,; (R , e R2 devem ser muito menores
Logo. que Re).
É importante observar que quem realiza a realimentação ne-
gativa é R,. A atuação da realimentação pode ser entendida da
seguintemanetra
~+-
'"·-=~ - ~ - - '·-
R, A, · R, A, ·R, R, A, ·Rc a. Sistema em equilíbrio: 10, é terra virtual = e; = O. i,= O
b. Transitório:aplica-sev, naentradaev, tentaaeompanhar=
e 1 > O. Se e 1 > O. então - A.,.e1 induz v, a - Vcc· Entretanto. se
''•--. -Vcc- v, tende a acompanhar a safda e surge e;< O. de
modo que AJ e, induz v, a + Vcc-
Portanto. o sistema tende a se estabilizar em um ponto em que
Considemndo-se a hipótese de que AJ _,. ""· e1 _,. O e. ainda. se
Rc_,. oo então i,...,. O. De acordo com as hipóteses levantadas. ~=~
R, R,
_!__ .(..!.. +..2...+ ..2...) -o
A, R, R, Rc
41 3. 7.2 Configuração: amplificador não
OU Sej:l.
inversor- - - - - - - - - - -
v,--%:--· 1• , Outra possível configuração para se utilizar um amplificador
operacional é a configuração não inversora que pode ser vista na
Portanto, a partir do momento em que sc considera que Ad _,. oo c Figura3.41 .
Rc_,.oo.cornoi, =Oee1 ...,.0:(V,- V,) = v_. = O(édenorninadoter-
r<~vinualpclofatodeV, = V2 eacorrcnteentreelesscr<bprezível)

i, =i,.

Figura 3.40 Configuração inversora com o OPAMP. Figura 3.41 Configuração não in'"crsora com o OPAMP.
114 Capítulo l'rês

·0-----L:J
~
Observa-se que cont inua ha\·cndo rcalimcmação negativa. A
difcrcnçaéqucagorJosinaldcentrndav, éaplicado naemrada
não inversor... Sendo assim.

i: '-' i, + i,.i, ... ~.i, '-' v, ~. v, ,i,= ~ Figura 3.42 lmpedllncia de entrada.

' '• ~v.- t,


' '• = A~ · t, Com base nesse cooc-cito. pode-se avaliar a impcdância de en-
Ponamo. trada das çonfigunações básicas com amplificador operacional

Configuração inversora

z.-~
Considerando o pomo de terra virtual. tem-se:

Z,at~• R,
Considerando-se a~ hipóteses:
'•
Portanto. embora a impcdância de entrada do amplificador
I. AJ -+"'~e, -+0 opcradonal seja infmita. na co nfi guração invcrsom sua impc-
2. R,. _,., ~i. -0. dãnciaépróxim:LdcH1.

Configuração não inversora


Nesse caso a impcdância de entrada do amplificador operacional
corresponde à impcdânda de entrada do O PAM P. Quando for
necessário obter-se al!as irnpcdâncias de entrada. o pta-se por
essa con fi guração.

41 3. 7.4 Resposta em frequência de um


Ou seja. amplificador operacional - - - - -
Lembrando que o ganho de tensão em dB é dado por:

G(d B) • 20 ·log !!..


Ponamo. pode-se rcali~,ar urna an.1lisc simplificada. desde que ''•
sejav;ilidaahipólesedequcoamplificadoroperacional seman- consideram-se as scguimes relações de entrada e s.aída e o ganho
témnarcgiãolinear. rclativocmdB:
E assim:
!!..,.. l ~ G{d0) '-' 0d l3

~= lO=G(dBJ = ::!:OdB
Portamo. ''•
~ "' 100 ~ G(d ll ) = 40 dB
''•
!!.. = 10 1 ~ G(dO) = 100 dO
cncssaconfigur.tÇãoossinaisdeentradaesa(daestào cmfase. ''•
Pam ocaso do amplificadoropemciona174l.o ganho de malha abcr-
taA,.= 2X lQ!~aoscuganhodifcrcncial.Afrcquência
41 3.7.3 lmpedãncia de entrada - - - dccortc(frcquênciaemquc oganhocai3d B.ooseja.apotênciado
Um par.imctro importante a ser dime nsionado em um circu ito é sinal caiàmetade)CQITCSpondca lOH7~ Apar!irdessafrequência.
asuaimpedãnciadcentrada.Paraisso.define-seesscpariímetro o ganho cai com uma atent.L.-.ção de 20dB por década - ou seja. se
daseguimemaneim: a frequência ,~.uiardc[ par.l lCV,. oganhocai 20d B.
A turva de resposta e m frcquência do 741 deS<:rcvc o com-
Se for medido i, rom um amperfmetro e ' '• com um voltímetro.
ponamemo ganho X frcquênc ia ronfom1e a Figura 3.43:
a relação a seguir é definida. como impedância de entrada do
Analisando-se esse gr.ifiro. pode-se verificar que. para um
circu ito. Z,. conforme rcpresema a Figura 3.42:
ganho de 100 dB. a resposta do amplificador operacional é pla-
na apenas parn uma faixa de frcquêndas que \'ai de O a lO Hz
z.-~ - ou seja. uma banda muito estreita.

Cooceitosdc ElctrõnicaAnalógicaeEietrônicaDigital 11 5

Esse circuito pode ser \'isto na Figura 3.44. e ele é útil porque
aprescma uma impcdância de entrada muito alta (Rc > 2 MO)
e uma impedância de saída muito bai~ta. Em muitas aplicações.
essccircuitoéutilizadopamisol:lrctapas.

41 3.7.5.2 Circuito somador - - - - -


100 1000 100001000001000000 Considerando-se o circuito da Figura 3.45. tem·se:
Fr~tq"""ei•(Hz)

Figura 3.43 Resposta ctu frcquência aproximada do amplificador c. ass im.


upo<>mriona1741.
-~-~ + ..!:!1.. +~
R. R, Rl R,
À medida que um sinal é constitufdo de componentes com frc- Ainda fazendo R, = Rl = R1 = R•. t.::rn-se:
quênciassupcriorcsalOikosinals..!r:ldiston:idoàproporçãoquc
for ampl ificado a taxas de ganhodifcrcmes (região cO!Te.Spondente V,= - (1•, , + V,l + I',J )•
àrampadcatenuaçãodc20dBpordécada).Umamplificadorsóé tr.ttand<J-scdcurndrcuitosornador.
útilseforutili7.adonaregiãoplana.naqualoganhoéconstamc
Noca.sodoamplificadoropemcional74 1 sem realimentação.
o ganho é de IOOdB. mas s ua banda é de lO Hz. Entretanto. se 41 3.7.5.3 Circuito dlferenciador - - - -
o ganho fordiminufdo. atra\"és de realimentação a banda do cir- Considerdlldo-se o circuito da Figura 3.46. tem-se i, = i,: logo.
cuito é automaticamente alargada.
Pa- exemplo. se OOotad:t uma configuração com A.ot = I. tem-se: C~ ""-~~ v =- RC~.
dt R ' dt
A., ·fc-• A.ot·fe.ot
Trata-se. portanto. ele um circuito difcrcnciador. Nesse tipo de
lOs · 10 = 1 ·fc.ot circuito. deve-se tomar cuidado com o fato de que os ruídos de
f e.ot= I M H7.
sendo A1 o ganho diferencial do OPAMP
f c- a frequência de oor1e a malha aber1a
A.ot oganhoamalhafcchada
f c.ot afrequênciadeconea malha fechada
Conclui-se por1anto que quanto menor o ganho. maior a banda
passante(rcgiàopl:um:ttéfc.ot).

41 3. 7.5 Clrc:ultos lineares básicos com


amplificadores operacionais - - - -
Os circuitos a seguir apresentam algumas alternativas possíveis de
irnplcmcntaçãoap.1r1irdcamplificadoresoperacionaís.trabalhando Flgura3.4S Circuitosomadorinvcrsor.
113r"Cgiãolincar.e\"itandoa s.mumçãoemtomodc + Vcr c - Vcr-

41 3.7.5.1 Seguidor de tensão - - - -


Se. na configura,ào não inversora da Figura 3.41. R,_,. O e
R: -+ "".tCm·se

Figura. 3.46 Circuitodife-


ouseja.ocircuitoresuhantetcráv, = 1•_. renciador.
11 6 CapfwloTrês


-+ V., R,

Figura 3.47 Circuito integrador.

alta frequência são amplificados. ou seja. amplificando-se um


sinal de frequência% na entrada do tipo ' '• • scn(% · 1). tem-se
na saída Figura 3.48 AmplifocadordifeTendal.

v,= -RC% · cos(w, ·I)


e. ponanto. o ganho é diretamente propordonal !I frequência e o sinal pode ser menor que o próprio ruído. e principalmente
o sinal de safda está 90" defasado em relação ao si nal de entrada pelofntodequeesseamplificadormultiplicaapcnasadiferença
(o gan ho cresce 20 dB por década). das entrJd~IS, elimina-se o componente DC, ou qualquer outro
componente comum !ls duas entradas. Entretanto. esse circuito
temnlgurnasli rnit:lçôcs.taiscomo impedânciadc errtrndurela-
41 3.7.5.4 Circuito Integrador- - - - -
1ivamerrtebaixa.impedãnciasdiferentesparacadaurnadasduas
O integrador pode ser visto na Figura 3.47. Nesse circuito: entradas.alémdcganholimitado,umavezqueesteédadopela
relação de resistências. O ganho dessa coofiguração pode ser
i, = i, cakuladose:
~ = -C~
R d1

1', =- fie I' v,dl


I -·

Substi tuindo. tem-se:


c, portanto. o resul tado é a intcgraçãod:t cn trada multiplicada
por um f mor YNc; logo. correspondc a um filtro passa-baixas.
queatcnuaosinaldeentrada
Aplicando-se um sinal de frequênc ia % na entrada do tipo
v,= sen(w, · t). obtém-se na saída:
I
v, ""' -R ·C·w, sen(w,·r).

l'od.::-sepcrceberqueoganltovariacom a frequênciadosina le
defasa em 90°. sofrendo uma atenuação de 20 dB por década. Essa é a equação gemi do ci rcuito. mas fazendo-se R , = R; e
Cabc-sercssaltarquetantoocircuitodifcrcnc iadorcomoo R, = R, pode-se deduzir a equação de diferenças das cntmdas
int cgrndor abord:tdos levam em conta um OPAMP ideal. Na por urna relat,:ãodc ga nho·
prática, podem ser necessárias pequenas modificações desses
circuitospardumaopcraçàocorrcta. V,= ~(Ve, - Vt, )

41 3. 7 .5.5 Amplificador de diferenças (ou


41 3. 7 .5.6 Amplificador de
diferencial) - - - - - - - - - -
instrumentação - - - - - - - - -
A implementação mais simples e também a mais utilizada de um
Essa configuração consti tui urna das mais podcros.as no que diz
amplificador de diferenças (ou subtr.llor) pode ser vi5ta na Fi-
respeito !I amplificação de pequenos sinais. A simetria de dois
gura 3.48. Essa configuração le\'a esse nome porque a equaçilo
amplificadores não inversores na entrada garJnte uma alta im-
desaídaéumadiferençaentreossinaiscolocadosnasentradas
pedânciaparaambasasentradas.niloinversoraeinvcrsora.Ou-
multiplicadas por uma relação de ganho.
travantagemdesseamplificadoréque.comumprojeiOadequa-
Esse circuito tem urna série de aplicações em amplificaçilo
do (c popularmente adotado). o rcsistor RG se torna rcsistor de
de pequenos sinais. Por exemplo. circuitos em ponte.' nos quais
controledegarrhodocircuito
Além disso. os sinais de modo comum serão cancelados. urna
~J>U C~pítulo5 vez que um sinal igual nas dua.~ entradas significa uma corrente
Co~iros de Eletrônica Analógica e Eletrônica Digira\ 117

AplicaçAo de amplificadores de Instrumentação


Os amplificadores de instrumentação são urilizadosextensivamen-
renocondicionamentodcpeqliCnossinais.porissoémuitocomum
seutili zarencapsulamentosintegradosoomessaconfiguração.
Existemmuitasopçõesdisponíveiscomdifercme:;carJcteristic;tl;.
asquaisdevemser dirccionadnsparacadanplicaçàoemcspccífi-
co.Asnot:rsdcaplica'fões(lrJ'fl/icationnote.r·)sàogemlmenteóti-
masrefcrências paraacsoolhadocomponente. Aseguirseráapre-
scntada urna aplicação com um AD620. que consiste em um am-
plificador de instrutncntação com oito pinos externos. Nesse cir-
cuito integr.tdo existe a nc:ce5Sidade de configur.tr extemamcme
apenas um resistor de ganho Rc;. Nessa aplicaç11o. é mostrada a
amplifrcação de um sinal vindo de uma ponte de extensõmetros
Flgura3.49 Amplificadordeinstnnncmação. dercsi stênciaclétrica(\'ejaoCapitulo 10).
Obscrva·sequeociJUiito daFigura 3.51 é implementado com
um OPA MP de instrumentação daAnalog Devices (AD620). Ore-
zeronorcsistor deganho.aopassoqueurnsinnldiferencialpro- sistordc499 O é rcspon<;;ível pcloganhoG "" 100. Ele é calculado
~·ocaffi uma com:ntc por RG c. conscqucntcmentc. por R, c R,. scgundoaoricntaçãodaprópriaAnalogDevicescm .'iC udatasheet:
A Figura 3.49 mostra o circuito de um amplificador de instr~­ G = 49.4kí! + I
mentaç:\o. R,
Pura se calcular os ganhos dessa configuração pode-se pro-
cedercalculandoapenasaprimeira etapa.u rna\•ezqueoc ircui- de modo que com um Rc; = 499 n o ganho é de aproxim~damcn­
to de salda~ uma configuração diferencial. vista no item anterior. te 100 \'ezes. Outro curiosidade nesse circuito é que ele foi ali-
Pode-se obscntar que; , = i, = O e. desse modo. i, = i 6 = i,. mentado com uma fonte unipolar. como uma bateria. e. pat"d que
Logo. seja possível a excursão de tensão e compressão (por exemplo) do
sinal de força. sua referência foi fixada em 2 V através do pino 5.
Em outras palavras. o ponto de repouso da ponte gem um sinal de
2 V na saída em relação ao potencial negmivo dn bateria. mas ge-
Daqui pode-se isolar \0, e \02: raOVentreasafdadoamplificadorcscupinodcreferência. lsso
éútilemalgunscasosemqueháespaçopam:rpcnasumabateria
Vo, = k(Vr, - Ve, )+Ve, e Vo 2 = Ve 2 - ~(Ve 1 - Ve 2 ) eénccesstlriaumarefcrênciadeslocadapamoconversorAD
Entre outms camcteristicas esse componente (segundo o fa-
Corno a segunda etapa é um amplificador diferencial. pode-se bricame) possui baixo ruído. baixo ojJsl"l e baixo drift (leia o
concluir que. se os resistorcs R,= R. • R. além de R, = R, e Jmtul!eet desse componente. para mais detalhes).
R,= R,: Como já mencionado nesta revisão. existem muitos outTQS
tópicos bem como aplicações que poderiam ser tta7.idos para

V, = (Ve, - v,., { R;'•JR·•·


I 1
este espaço. mas que fogem do escopo desta obra. Assim, dei -
xamos como sugestão que o leitor busque na vasta bibliografia
deeletrõnica.bemcornoaplicações dil·ersas
eocontradasnossile.fdefabricantesdccom-
poncntcscletrônicoslineares.par3quecom-
plemcntcessetópico.
Com esta peque na rev isão. é poss(vel
concluiraparteanal ógicadodingramade
blocos da Figum 3. 13. Osensor utilizado
é do tipo NTC. Esse é um se nsor de te m-
peratura (veja o Capítulo 6) que diminui a
resistência com o aumento de T. A Figura
3.50\nostraocircuitodeumafontedecor-
rente excitando o NTC. Obser\·e que. nes-
saconfiguração.afonte decorrentefoiim-
plementada por um OPAMP que tem a fun -
R, çãodegarantiratensãoderefcrênci~sobre
orcsistorR,.Dessnform:r.ucorrcntcdre-
nadapcloemissordotmnsistoré/0 =~ .
R,
Figura 3.50 Esquema de um condicionador de tempcrntul"ll em que se utili1..a um r.'TC. Essacorrente(praticarnentcem suatotali-
118 CapÍluloTrês

Figura 3.51 E~emplo de aplicação de um ampliftcador de instJllmentaçâo (AD620) em uma célula de carga alimentada com fonte unipolar.

dade) encontra-se no coletor. no qual existe um terrnistordo 2. Digital; variável discreta. Por exemplo. uma scquência de
tipo NTC. Pode-se então calcular os resistores R,. R,e RJ para númerus(amostras)representandoumatensâoelétrica
uma corrente /0 adequada e uma tensão de saída V....., = Vc -
Como ilustração das diferença.'\ entre as áreas. veja o nuxo-
10 R~m dentro dos parâmetros desejados. Esse circuito poderia
gramaapresentadona Figura3 .S2.queindicaasdiferençasbá-
aindaserbastarnemelhoradosefossecalculadoumfiltropara
sicas entre fenômenos analógicos e fenômenos digitais. Para
climinarasaltasfrcquências(vcjaoCapítulo4),alémdcco-
nectarasaída a um circuito digital. como. por exemplo. para mais detalhes. consultar o Capítulo 4 (Sistemas de Aquisição de
Dados)
processamentornaisapuradoeinclusãodefunçõesmaisavan-
çadas. Emmuitasaplieaçõeséinteressanteatransfomtaçâodosinal
analógico parao digital em função principalmente da grande
nexibilidade que sistemas computadorizados possibilitam. como.
t 3.8 Conceitos sobre Sistemas por exemplo. filtragem digital cujos parâmetros são alterados
Digitais - - - - - - - - - - - pela simples modificação de parte de um algoritmo. enquanto
no analógico a alteração de um filtro acarretaria alteração de
• 3.8.1 Sistemas analógicos versus componentes analógicos. Portanto. em muitas aplicações é ime-
sistemas digitais - - - - - - - - rcssanteaalteraçãodosinalanalógicoparadigital.cujaopcração
érealizadapclochamadoconversoranalógicopar.tdigital(AD
O campo da elemJnica pode ser dividido em duas grandes áreas:
ouAOC).
analógico e digital. Resumidamente. pode-se citar algumas ca-
Em termos sucintos. nas ciências e na tecnologia. as informa-
racterísticasprópriasdasduasáreas
çõesdanaturezasâosinais.funçõesdeumaoumaisvariáveis.
l. Analógico: variável contínua. Por exemplo. tensão elétrica. que podem representar diversas informações. como. por exem-
plo. voz. vibraçãodeumaestrutura.
componamerno do mú,culo cardíaco
etc. Jáossinaisanalógicos( Figuras
3.53 e 3.54) podem ser caracteriza-
dos por assumirem qualquer valor.
considerando-se. evidentemente,
scuslimites.Aiémdisso.partedesua
informaçãoeucomra-senaamplitu-
de. como. por exemplo. tensão elé-
trka,acelcração, temperatura etc
Poroutrulado. sinaisdigitais(Fi-
gura3.SS)sãorcprcscntadosporurna
sequênciadeestadosfinitosqueva-
riam entre valores mínimos e máxi-
mos do sinal em estudo. A represen-
tação necessita decerto número de
bits.adepcnderdavariávelemestu-
Figura 3.52 Diferenças básicas entre fenô111enos analógicos e fenô111enos digitais doedaprecisâodesejada
CooceitosdeEletrônicaAnalógicaeEletrônicaDigital 119

Figura 3.53 Representa<,·ào de om >inal analógico periódico

Ch1 AMS
20.57mV
Clippiog

""""'
Cht Freq
66.43Hz

ChtAmpl
s.smv

Figura 3.54 Representação de um sinal clctro-


miográfi<·o

l.fl-"'_'"_"' f Codificaçào:associaçàodenúmerosbináriospamcadavalor
quantizado
Veja a seguir algumas aplicações no formato de diagrama de
~ / • ' '•, - -Sinal analógico blocos para enfatizar a import~ncia da digitalizaç~o em qualquer
sistema de medição:
~ ... \ .-,. ,•,---•m f Processamentodevoz(Figura3.59):avoz.sinalanalógicoe
mecânico, é transformada pelo microfone (transdutor) em um
• -' Tempo
sinal elétrico (porém continua analógico) que. para ser pro-
cessado em um sistema digital (computador ou microcontro-
lador).nccessitascrdigitalizado. funçàorcalizadapclocon-
Figura 3.55 Representação da~ amostras de um sinal digital versoranalógicoparadigital(ADC)
f Caracterização de processos inllamatórios em regiões do
corpohumanocomaplicaçõesnasáreasdafisioterapia.or-
topcdia. quiropraxia etc. Uma vez que os processos inlla-
O processo de transformação de um sinal analógico em digi -
matórios produzem evidências objetivas de sua existência.
taléchamadodedigitalização.quepodeserdivididanasseguin-
como. por exemplo. alterações significativas da temperatu-
tcsetapas(Figura3.56):
ra. é possível desenvolver. de maneira objetiva e confiável.
f Amostragem: rcprcsentaçiio do sinal como uma sequêneia sistemasdeinstrumentaçàoparaessacaracterizaçào(exem-
periódica de valores (amostras. Figura 3.57) plodeaplicaçiiodainstrumentaçiioembeneficiodasaúde
f Quantiza'fãu:representa'fàuapro:l:imadadcumvalordusinal humana). O emprego de um sistema de medição pode quan-
por um conjunto finito de valores (Figum 3.58) tificar essa temperatura
120 CapÍluloTrês

Figura 3.56 Diagrama de bloco~ do mo·


delommemáticodocon•'crsoranalógicopara
digital.

~M~~-~

"'
I ~""' ·':wnf""''~""
_I_)····}
P
'·· +
f r·-c.;o(n) •x,(nD n Figura 3.57 Modelomalemáticodopro-
ces>odeamo>lragem

Figura 3.58 Modelo matemático do processo de quantizaçào.

Vo~ (corôas vocais)


I '!11-- ~litudeóosinalCiflt&nsidadesonora)

~~·
Sinal analógico e

'"("'
~
I
Sinaldiscreloe Figura 3.59 Diagrama de blocos de um si~tema de digita·
lizaçãodevoz
ConceitosdeEJetrônicaAnalógicaeEJetrônicaDigital 121

4 Sistemasdecaracterizaçàodavibraçàoemveículosounocorpo xo pausado na atividade muscular. após um contato funcional


humano (Figura 3.60). A avaliaçào da vibraçf10 é um importan- dosdemes)
tefatornamanutençàodeequipamentosemáq uinas irKlustriais 4 Instrumentação voltada pam o diagnóstico e o tratamento de
Naárca dasaúde.éumfatorimponante.poisníveisinadequados pacientescomdistúrbiosdosistemamastigatório.como.por
podem estar relacionados à geração de dor e a danos pennanen- exemplo. a di sfunção da aniculação temporomandibular
tes em partes do corpo expostas a um ambiente vibratório. A (ATM).
Figura3.61 apresentaumdiagramadepossíveisfenômcnosfi-
sicosligadosàgeraçãodetranstomosnacolunavertebral. t 3.8.2 Álgebra booleana e portas
4 Instrumentação aplicada à ortodontia (Fig ura 3.62). como.
por exemplo. na caracterização do período de silêncio (rcflc- lógicas - - - - - - - - - - - -
No século XIX. o matemático George Boole (1854) apresentou
um tratamemo sistemático de lógica que foi adaptada. nos anos
Interface 1930, porShannon (1938) paracircuitosdedoisestados.acha-

~c& J! ~ ~- ':&.''
mada álgebra de chaveamento, que demo 11strou que circuitos
biestáveis (dois estados) podem ser represemados por essa álge-
bra(que.emhomenagemaocriador.passouadenominar-seál-
Acele<õmetro Ambienta CorMlfsor gebra booleana)

~:;:_;_s
Algumasdefi t~ içõessãoimponantesparaacorretautilização
dcssaálgcbranodcscnvolvimcntodcsistcmasdigitais:
Variá,·eis boolea nas: variáveis que apresentam apenas dois es-
RasuMados Análise f~tragam ~ tados. Por exemplo. seja uma variável X. dita booleana e que.
do ponderaçlio portanto. só pode apresentar dois estados: verdadeiro (V) ou fal-
s~nat
so (F) ou. mais comumente utilizado em engenharia. o O (zero)
ou I (um). Simplificadamente. uma lâmpada pode ser conside-
Figura 3.60 Diagrama de bloco' de um sis1ema genérico para ca
racleri7.açàodavibraçào ocopacional rada booleana. pois apresenta dois estados: em funcionamento
ou apagada. O ou 1. vcrdadciraoufalsa(tudoéqucstàodccon-
venção)
Expressõcs ourunçõcs boolcanas: funçõesouexpressõescujas
variáveis são booleanas. ou seja. expressões ou funções cujos
resultadosapresentamapcnasdoisestados(Oou l)
Como toda álgebra, a álgebra booleana é baseada em idcnti-
dadesmatemáticaseteoremasquepermitcmsuauti!izaçãona
descriçãodesistemasdigitais.A Tabela3.1 apresentaasprinci-
paisidentidadesutilizadas.
Umaparteconsideráveldaspossíveisopcraçõesdaálgebra
booleana pode ser criada com base em três funções lógicas bá-
sicas: E (ANO). OU (OR) c NÃO (NOT). Existem. porém.
Figura 3.61 Scquências de e,·cntos ou mecanismos que podem es- outras portas, como. por exemplo, as universais (NANO c
tarrclacionadosatmnstomosnacoluna"cncbral NOR). as portas XOR (muito utilizadas em circuitos aritméti-
cos) etc. Os circuitos eletrônicos que realizam essas operações
são denominados portas lógicas. cujos símbolos encontram-se
naFigura3.63.
AFigura3.64éumacxcclenteanalogiaparasecomprccnder
o funcionamento das portas. Nessa figura aparecem os símbolos
lógicos.atabela-verdade. 1 urnaanalogiadechaves(ourelés)e.
por fim. o correspondente ci rcuito com transistores.
A FigurJ. 3.65 apresenta o uso de portas universais para a im-
plementação das portas lógicas NOT, AND. NANO, ORe NOR
Um circuito integrado (CI) é um circuito em miniatura ell-
capsulado em um único substrato chamado de wafer. geralmen-
te feito de silício. Inicialmente os Cls apresentavam um pequeno
número de tmnsistores. mas nos dias atuais é comum usar Cls
com al tíssima escala de integração (acima de 1000 ponas) ou
atécircuitoscommi!hõesdctransistores.

' A labcl•· •·crü:><k. ou da \"enb<lc.C<)fl\i\tc em um resumo<k lodas as poS-Sibitida-


Figura 3.62 Diagmma de biOC<.Is simplificadu de um <islCma pard Jcs de cntr.da. com suas "'-'I>C"'i'""' saídas dentro 00 uni•·cr,.o de possibilida<le>
mediçãodoperíododesilêncio lógi<;asdapona
122 CapfwloTrts

Tabela 3.1 Identidades básicas da álgebra bOOleana PORTA LÓGICA siMBOLO

A·B • B·A
A + (B + (;)_• {A + B) +C
AND(E)
o
A ·(IJ·C) • (A ·H)· C
A · (8 + C) • A::_
B .+c:'c:cCc__ _
(A + H )( C + /)) "' AC + AD + BC + Bf)
OR(OU)
D
A -o - o NOT
(INVERSOR)
{>o-

NANO
(E NEGADO)
D-
à =A
A+Ã • I

A·Ã • O
NOR
(OU NEGADO)
D-
m .. .:~n
AH .. Ã +H
A + ÃH • A +"-
8_ _ __
XOA (OU EXCLUSIVO)
ID
8 o-- - -
à +AH "" à +== Figur• 3.63 Símbolos padrões para as ponas lógicas.
A @ H »< Ail+AH

Sirnplificudamente,o transistoremcircuitos di gi taisé usado


l:O nto uma ch~li'C ON (fechada) ou OFF (aberta): os dois estados
da álgebra booleana. Qua ndo nen hu ma corren te de bas.! flui. a
Um trJn sistor de junção bi polar (BJT ). comumente de no mi- ""chavccrnissor-coletor'"estáabcrtaeotransistor estáopc rando
nado transistor. é também uma chave eletrônica. O BJT é usado no modo On··. Por outro lado. quando urna corrente de base flu i.
em circuitos lóg icos e apresenta algumas vantagens sobre os achaveestáfechada
circuitos di gitais baseados em d iodos. Primeirame nte. o transi s- Opt>ração de um transis to r como 11111 im·ersor : a Figura 3.67
tor atua como um dispositivo lógico çhamado inversor. Relem - mos tra como usar um transistor como um inversor. Quando
braodo. um in\·ersor fornece uma safda babta (nível O) para uma v,,. = O. o tronsistor está no modo OFF e a "chave e missor-co-
entrada alta e urna saída alia para uma en!rada baixa. Além dis- letor"" está aberta, indkando que nenhum01 oorre nte está fluindo
so. o transistor é um am plifkador de corrente (normalmente do +Vcc ao terra: portanto. Vooré igual ao + Vcc (desse modo.
chamadodc/m.ffu). VOOT = i (nível alto)). Cabe obseT\lar q ue é comum. na área di -
Portanto. os transistores podem se r usados para amplificar gital, o uso dos rcnnos IN (/Nput = entrada) e OUT(OUTJmt =
essas corren tes para contro lar disposi t ivo~ externos tai s como saída) em linguagens de programação. corno. por c~cmplo, na
diodos emissores de luz (LEDs). Para fina lilar esta bre\'e in- Linguage m Assc mbly 80x86. além dos termos INPO RT B e
trodução. as portas lógicas baseadas em transistores operam OUT PORT B em algumas versões da Linguage m C, lNPUT c
"mais rapidamente" do que as portas lóg icas bas.!adas em dio- OUT PUT no BAS IC etc.
dos (os tran sis10res rtprt são amplamente usados e m circuitos Da mesma fonna. quando V,.. = nível alto. a ç havc emissor-
di gitais). coletor está feç hada. Uma corrente flui do + V cc à referência. O
A Fig urJ 3.66 traz uma represe ntaçào simbólica de um tran - transisto ropcro emsaturaçãoc Yoc7 = VC$,..1 • 0.2V "" O(nfve l
sistor npn (d ispositivo de três temtinais: base. e missor c coletor). baixo). ou seja. Vot.7 está basicamenrc conectado à refcri'ncia.
Em temtos s ucimos. um transis tor I! uma chave controlada por
c()TT(:nte.ou seja. com urnac()TT(:nte adequada na base que S<!
"co mporta como uma chave fechada". possibilita ndo o fluxo de
4 3.8.3 Famílias lógicas - - - - -
corrente do coletor para o emissor. A dircçilo de ssa corrente tam- L{~gim Tntnsis to r-Tra nsisto r (Til.): a fmnília Lógica Tran -
bérncstáindicadana FigurJ3.66(evidcntemcme.sàonecessários sistor-Transi stor (TIL) de integrados envolve diodos c transis-
rc sis10res para a perfeita polarização do di spositivo. ou seja. em tores. Essa família usava o lenno DTL (Diodo Tran.ri.\'lor Logic)
gc ral é ncçcssáriaumaresistêncianabasc parJ gc rJracorrente c.quandoosdiodosforarnsubstituídospclostransistorcs,passou
de base). a S<!f denominada 1TL. A alimentação dessa família TI L (Vccl
CooceitosdeEletrônicaAnalógicaeEletrônicaDigital 123

-·--

,~
.. "
D 9
•ok

'

D-

D- :~,.f ·1} 8· Figura 3.64 Portas lógicas e cir-


cuitos análogos

é de +5 V. Os dois níveis lógicos (BA IXO E ALTO) são apro- t Margem de ruído: definida como a máxima tensão devida ao
ximadamente O e 3.5 V. Existem diversas variações da família ruído que pode ser adicionada à entrada de uma porta lógica
TIL (EC L. S-TTL. LS-ITL). que não serão aqui descritas. por senrcausarqualqucraltcraçãoindescjadanasaídadocircui-
n~ose incluírem entre os principais objetivos deste livro to. Para a fam11ia TIL. por exemplo. a m~rgem de ruído é de
Alguns parâmetros são importantes quando relacionados às OAV.
farnilias lógicas. e cada família pode apresentar diferentes valo- Comercialmente existem três configurações principais de
rcsparacsscsparâmctros· saída pam a família TIL: saída coletor aberto (open -col/ector
t f!m -oll/ é o número MÁXIMO de entradas que !Xl'dcm ser oUiput), saída totem-polc (totem-pole outpr.t) e saída terceiro
conectadas às saídas de uma porta. É indic;uJa como um nú- estado(lhree-stateoutput)·
mero. como, por exemplo, I O para TIL t Totem po/e: a salda de uma porta ]Xlde ser diretamente inter-
t Potência de dissipação (mW): potência necessária para a por- ligadaàsentradasdeoutrasportas.sendonecess:iriolevarcrn
taoperar(cm geral fomecidapclafontedealirnentaçâoe consideraçãoacondiçãofan-ow
consumida pela porta). Para a família TIL por exemplo. a t Coletor t~berro: como o próprio nome descreve. o coletor de
potência de dissipação é de lO rnW. um transistor está aberto. c para que funcione é necessário
t Atr.tso de propagação: tempo nt--cessário para "um sinal de ligar um resistorcxtcmo (denominado resistor pr11f·up. gcral-
en1rada chegar à saída". como. por exemplo. 10 ns mentenafaixade500a4.7k0).
124 CapÍluloTrês

'~
-----..,
-{)o- --Q)- --Q>-

D :D-cD-
~
D- D-
~
D-
~ :::D---Q>--

D-
~ D-
Figura 3.65 Portas universais NAND e NOR implememando as funções: NOT. AND. NAND. ORe NOR.

I """~
a.~ (
--~ Emissor
Figura 3.66 Representação simbólica do tmnsistor como chave

t Three·J'I(IIe:apresentaumtcrceirocstadodenominadothree·J'I(IIf!

+
• V~
(JK}tctu:iroestado a saídaeJK:ontr<~-se em alta impedilncia. Muito
utili7.ado llO desenvolvimento de interfaces. barramentos etc.).
Os transistores de mewl-oxide semiconductor (MOS. seme-
v. lhante ao FET estudado nas seções anteriores) ocupam "menor
espaço"' no circuito c consomem "menos energia" do que os
v.
. transistoresbipolares.Porisso.ostransistoresMOSsãousados
em circuitos de alta integração. Em circuitos digitais. um tran-
sistor MOS opera como uma chave. tal que sua resistência é
muito alta (O F f) ou muito baixa (ON). É urn dispositivo de três
terminais: porta (gme). fonte c dreno (Figura 3.68)
Quando Vc.s = O. a resistência do dreno-fome (dmin -~·orm:e)
Figura 3.67 Transistor como inversor. é da ordem de M!l (tr.msistor no estado OFF). Com o aumento
ConceitosdeEletrônicaAnalógicaeEletrônicaDigital 125

ti 3.8.4 Sistemas digitais - - - - -

~
D,~{O..<o)

Po<ta~
Os sistemas digitais podem ser classificados comocombinacionais
ousequcnciais.A.>s.aídasdossistcmascombinacionais.cmqual-
querinstantedotempo,sãodcterminadasapcnaspclascornbina-
Fonte(Sourcs)
. VM çõesdaentrada.A Figura3.69apresentaodiagrama deblocosde
um sistema combinacional genérico. A saída é função cxclusiva-
Figura 3.68 Transistor MOS rnentcdaentrada.cnãoexistcapossibilidadcdearmazenamento
de informação - ou seja. inexiste o elemento memória.
Os sistcmasscqucnciais(Figura3.70)caractcrizam-sc pela
existência do elemento memória. ou seja. a saída do sistema po-
de Vo:;s· Rv;-(rcsistência dreno-fome) diminui para poucos ohms
de ser armazenada par.t ser utilizada posteriormente. Portanto.
(transistornoestadoON).
asaídadeumsistcmasequcncialdepcndcdacntradaprcsentee
Outra família é a CMOS. que dissipa ''menor potência" e
doestadoprcsentedosistema.
ofcrccepcqucnosmrasosdcpropagaçãoquandocomparadaà
famflia TIL. A CMOS é fabricad;~ por meio da combinação
Sistemas combinacionais: uma introduçi!lo
dos nMOS e dos pMOS. Circuitos digitais usando CMOS con-
somem menos energia do que os MOS e os TfL. Além disso, Multiplexadores:simplilicadamemc,osmultiplexadoresousc-
o CMOS possibilita a fabricação de órcuitos de alta densidade. lctores de dados atuam como chaves controladas digitalmente
ou seja. pode-se colocar maior número de circuitos em um C l Por exemplo. o multiplexador ou MUX 2 X I (duas entradas e
por meio dessa tecnologia. e estes oferecem alta imunidade ao uma saída) ou o MUX 4 X 1 (Figura 3.71). Nesses dispositivos,
ruído. Essa família pode operar em uma ampla faixa de alimen- asaídaéligadadeacordocomumalógicaestabeleeida nasen-
tação: 3 V a I 5 V. Na atualidade. ex istem quatro eleme ntos trada;;dodispusitivo.
dessa família que são muito populares: o CMOS de alta velo- Demultiplexadores: dispositivo oombinacional oposto ao rnultiple-
cidade (HC). o CMOS de alta velocidade compatível com en- xador.Sendoassim.atnwésdeumcódigobinárionaentradapode-se
trada TIL (HCT). o CMOS adwmced (AC) c o (ll/l'(mced sclccionarumadassaídas.confomlecxemploaprcscmadonaFigu-
CMOS compatível com entrada TIL (ACT). O dispositivo HCT ra3.72(dcmuhiplexadorl X4:umaentradacquatrosaídas)
pode se r interfaceado crnre TIL c CMOS. A Tabela 3.2 apre- Uecodiricadores: circuito combinacional que não direciona dados
sentaresumidamcmcascaractcrísticasbásicasdasprincipais da entmda para uma saída específica de acordo com as cntmdas
famílias lógicas de seleção. Simplesmente. usa as entradas de seleção de dados

Tabela 3.2 Características típicas das famílias


Fam nia tóg ica Dissipação(mW) De/ay(atraso)(ns) Margem deruidoM
TTLpadrào lO 10 10 0.4
ITLSclumky 22 OA
0,2

CMOS 50 0.1 25

~ .
nEnlradas~MSaidas

Figura 3.69 Diagrama de blocos do sistema combinacional

Figura 3. 70 Diagra111a (!c blocos do siste111a sequencial.


126 CapÍluloTrês

Tat>ell--
lliilõii~] ~--~(S)

Figura 3.71 (") Muhiplcxador2 x l e (b) muhiplcxador4 x l.

par.!. escolher qual saída (ou saídas) será habilitada. O número de croproccssados ou mierocontrolados sào encontrados no bloco
cntradas.onúmerodesaídaseoestadodasaídascledonada(ní- ULA (Unidade Lógica e Aritmética). Para exemplificar. a Figu-
vel OOixoon allo) variam dedeeodifieador para deeodificador. Por ra3.75apresentadoiscircuitosbásicosparasoma:omeio-so-
exemplo. o famoso c antigo dccodificador 74LS 138 (dceodificador mador. o somador completo. as correspondentes tabelas-verdade
3 X 8) mostrado na Figura 3.73 utiliza uma entrada de três bits de cosdiagramasdeblocos
endereço (entrada de seleç~o) para detenninar qual saída será se-
lecionada. Cabe observar que nornmlmente a-; entrada-; de seleção 4 3.8.5 Tópicos sobre sistemas
dos integrados. como. por exe mpl o. CE (CIIip Enable) ou CS
(Chip Seled). são habilitadas em nível baixo.
sequenciais - - - - - - - - - -
Codilicadores e com·ersores de códigos: são dispositivos opos- Os dispositivos e os sislemas combinacionais de que tratamos
tos aos deeodifieadorcs. Eles podem ser utili7_ados para gerar antcrionnente apresentam o comportamento de apresentar uma
uma saída codificada dada urna simples entrada numérica. Corno rclaçàocntrada-saídaimcdiatamcntc(cuidadocom ousodcsta
exemplo. o eodificador binário para decimal encon tra-se na Fi- palavra.poisexistem.evidentemente.atrasos).ou seja. quando
gura3.74comsuacorrespondcntctabela-vcrdadc umadadaentradaéaplicadaaosistcmacombinacional.gerauma
Somadorcs e su btratores binários: circuitos cornbinacionais dada saída. Além disso. não apresentam a possibilidade de ar-
que realizam operações aritméticas. Em geral. em sistemas mi- mazenar informação. Os dispositivos scquenciais apresentam a
propriedade de armazenar informação (elemen to memória) e
estão sujeitos a scquêndas de passos: os dados podem ser arma-
zcnadosenovarncntel idos.
Flip-flop SR (assíncrono): o elemento memória para armaze-
namclHo de dados mais elcmcmar é o nip-tlop SR (Set-Reset)
Como ilustração. a Figura 3.76 apresenta esse fli p-flop com por-
tas NOR e NAN D. suas correspo ndentes tabelas-verdade c for-
mas de onda
Flip-flop SR síncrono: elemento memória com urna en trada de
clock (nip-flop SR síncrono). em que a entrada clock pode ha-
bilitar ou não o dispositivo. A Figura 3.77 apresenta o circuito.
a tabela-verdade e as correspondentes formas de onda.
Trigger dos flip-flop:s: a alteração de estado ocorre em panes
cspccílkas da forma de onda: na borda de subida. na bo rda de
descida ou no nível. Nos nip-tlops chavcados por borda. as en-
trad as s~o consideradas somen te durante a borda positiva ou
negativa do c/ock (j = borda positiva: l = borda negativa). ou
Figura3.72 De111u lt iplexador I X4 seja. qualquer mudança que ocorrer an te s ou após a borda do
CooceitosdeEletrônicaAnalógicaeEletrônicaDigital 127

11

"
Figura 3. 73 Decodificador 74LS 138.

Figura 3. 74 Codificador binário (BCD 8421) para decimal


128 CapÍluloTrês

Tabela-verdade

Dla.grama.dabloros

;f+\,
Circuito lógico
~ """'

SOmador completo

Figura 3.75 Meio-somadoresomadorcomp leto

:]8T~ Diagrama de Blocos


' ~"
"__'fS!- o
Dla.grama.Lóglco Diagrama lógico
Tabela·verdada
0,..,

"Mantém o estado presente

s~
R~
o~
-."-Sol'--,_~..:,! ? :

o~
Figura3.76 Flip-nopSRbásico
CooceitosdeEletrônicaAnalógicaeEletrônicaDigital 129

CLK S R 0 a..... Modo


o
o """'
"""
, ~,-----: """'
HOICI
'' 'a """'
"""'
CLK
...n..r-
:
'
t
' """'
"""
' 'o """'
R ' I
'l- ~P:.~ê.R_j' Reset

'"
CLK
·--
lodotermioado

s
I I

Figura3.77 Flip-flop SR sfocrono.

i---- i
a
"-' '
o
~ ~lf·!k!fl§l3;

-........
Hiilil

....
Hiilil

·--"'
Figura 3.78 Flip-flop SR sen-
SÍ\"clàbordadcsubidaoudcscida

c/ock é ignordda - o flip-flop fica nu modo hold (manutenção A Figura 3.79 apresenta os principais símbolos encontrados
de informação). Os cirçUitos da Figura 3.78 mostram alguns em flip-flops comerciais (regras básicas que podem se r aplicadas
exemplusdetriggers. aos flip-llups SR. JK e do tipo D).
130 CapÍluloTrês


""'
Presei(PRE) e Ciear(CLR)sloenlraoas
assrncronas(incleperóemdoclock}

Figura 3. 79 Símbolos padrões relacionados ao trigger.

Flip-flop D: apresenta uma simples cntmda c é basicamente o Dados) de um microprocessador genérico - por e:~:emplo. o
flip-tlop SR com as entradas ligadas por um inversor. confonne 8088 - ou de um microcontrolador - por exemplo. o 8051
mostraa Figura3.80. - .utilizando um latcl!(sistemadigital implementado com flip-
A Figura3.81 apresentao flip-flop O sensível ao nível. e a flopscujafunçiioércterinformaçõcsnasuasaída.entreoutras)
Figura3.82 mostraoflip-flopDsensfvelàborda O sinal básico de controle envolvido é o ALE (Addre~·~· Ú:ltc!J
Como e:~:emplu da aplicação de flip-flops. a Figura 3.83 apre- Enable).que acionao/arei!. permitinduaestabilidadedosen-
sen ta a demultiplexação de um barramento AD (Endereços e dercços.

Circuitológioo

il
[)jagramadeblocos

Tab&la·verdada
D Modo
Rase\
Figura 3.80
'" Flip-f1op D básico

Figura 3.81 Flip-flop D sensível ao nível


CooceitosdeEletrônicaAnalógicaeEletrônicaDigital 131

~
~
CLK ~z CLK ~z
y

o o_
,,_
'
0. 1.1 '
'
' '
o'
o ...
'"" '
o. r.t
I
I
'
' '

Flgura3.82 Flip-nop D sensf1·clàborda

A Figura 3.83 mostra o latch cuja função é separar os dados Flip-flop JK: flip-flop amplamente utilizado. A Figura 3.84 traz
D0-07 dos endereços A0-A7. JXlis esses dois sinais estão pre- um esquema desse flip-flop
sentes nos mesmos pinos do microprocessador.

Microp rocessador
gené rico

~~--------------------------
t2 bits- barrameoto
de endereços

Mr---------------------------M
.cer-----------------,o=='
;~;E~

~
A~ug'~ ~
Bbits - batfaroooto
de endereços

Barramento

""""
Figura 3.83 Uso do /(Jfch 74u373 cotno dcmultiple~ador de batTamento
132 CapfwloTrês

exemplo. um modem interligando uma eonlroladora.


com dh·erws scn.sorcs imcrfaccados. pode ser usado
para enviare receber dados. Circuitos que apresen-
tam essas caraCierísticas são denominados 1/0 (i11putl
outpul ou entmdafsaída). Os omros blocos são·

4 Memória: possibilita o am1azcnmnemo dos progm-


nmsedados:
t /)alapmlr (caminho dos dados): representa os cami-
nhos que os dados seguem durante os eventos de
procesSõlmcmo:
4 Controle: o dalapalfr é desenvolvido para pemritir
operações diferentes. Cad3 operação está relacio-
n3d3 30 tipo de movimento que ocorrer.i com os

a_-
a

a
,.,..

"'"
d:rdos. Por exemplo. a opemção de subtmção é
acompan had:r por meio de um circuito subtrator.
talqucasc ntrad:rs(dadosa sercm subtraídos)prc-
cis:unserdirccionad3sparaocircuitosubtralor.A

o-
unidade de con trole é responsáve l por assegurar
a ""'
a "'" que os d~dos sejam enviados ao conjunto de cir-
a "'" cuitoscerto.
Set Ao contrá rio dos microprocessadores. como. por
TOIJille exe mplo. o 8085 c o 80x86 (citando apenas a famnia
Intel), os mi crocontroladores tipicarneme imegram
Figura 3.84 Flip-llop JK sensf,·cl ~borda.
RAM . ROM e 1/0, a.~sim como :r CPU, no mesmo
circuito inlegrado. Por outro lado. o esp3ÇO para ar-
maz.enamcn to de program3S é limitado (em compa·
t 3.8.6 Sistemas microprocessados - ração com os microprocessadores). c normalmente o conjun-
R'-'g iStrad ores: com frequência. em sistemas digitais. o tráfego to de instruções é de se nvolvido em número inferior aos mi-
de dados precisa ser annazenado tcrnpomri:uncntc. copiado ou croprocess:Ldores. conforme represe nta re~umidamentc a Fi-
des locadopanraesquerdaou paru a direita. Um dos elementos gura 3.86
sequerrci:ris amplamente utilizado para tal situação é o registmdor Cabcobscrvarquealguns microcontroladorcscomcrciais
irnplcm.cntado por meio de llip-flops: um registrndOI" de N bits já aprese ntam grande capacidade para armazenar dados, c
possuiNflip-flops.Osrcgistradoress5oamplarnenteutilizadose alguns p.::rmitem o uso de um sistem3 operacional interno
(on-clrifJ),
enoomrados nos mais diver.;os sislemas microprocesSõldos.
Um diagrnma de blocos para um sistema microproccsSõldo Como exemplo. seguem informações re lacionadas aos re-
genérico pode ser dividido em cinco grundcs blocos que realizam gistradores do microprocessador 80x86 e do mi crocont rOI3dor
umconjuntodetarefas específicas(Figura3.85). 8051. O mi croprocessador 8086 possui 14 registradores no
Anal isando-se a Figura 3.85, pode.se percebe r que alguns tot31.represe mad os rcsumid3mentcn3Fi gura 3.87.0srcgis-
di sposi1ivos são usados para funções de entrada e safda. Por tradores do usuário são os do grupo de uso ge ra l c m3is o SI.
o DI e o BP.
Osnorncs mais usadosou popularesparaalgunsregistrndorcs
são descritos a seguir:
t AX: acumulador
t BX: registradordefndice
4 CX:contadordcinterações
t DX : extensão do ocumuladOI"
t SI: lndicedafontc
t DI: índicedodeslino
t BP: registrJdOI"dc base da pilha
t SP:pilha
t 11': contador de program3.

ATulx:la 3.3:Lpresent3 umabrevedescriçnodealgurnasca-


raclerísticas da farnnia 80x86 amplamente utilizada em sistemas
microproccssadosdonrésticose/oucomerciais.
Conroexenrplodcumsistemamicrocontrolado.aFigura3.88
Figura 3.85 Diagrnma genérico de um sistema mk~sado. apresenta o diagmma interno do clássico microcontrolador 805 1.
CooceitosdeEletrônicaAnalógicaeEletrônicaDigital 133

Mio:;roprocessador

Figura 3.88 Diagrama de blocos compa-


mndo um sistema microprocessadoao sistema
microcomrobdo. Exi,te uma temlencia no
mercadodcqueessadivisãosejaextinta.isto
é.muitosmicrocontroladoresagregambooca-
pacidadcdcmcmóriacalguns.até sistemas
operacionaisint<'mos

t Sistemas de com role c/oud-loop: caracterizam-se pelo uso do


Registradores Registradores
monitoramemo em tempo real de um processo que necessita

AX I :11 96

: I
"'
endereçamento de controle contínuo. A saída desse processo é monitorada usan-
do vários transdutores e conversores AIDs e o processo é mo-
dificadomntinuamenteparaseobteroresultadodesejado:
·{~~ t Outrasaplicações:manipulaçàodccstmturasdcdados,como.
por exemplo. as utilizadas no campo da visão computacional.
cx0 0 em robótica e em sistemas de comunicação de dados

ox0 0
; Bbits--Bbits ;
ATabela3.4apresentaumabrevedescriçãodealgumasca-
ractcrísticasdafarnília805l,quefoimuitoutili7..adacmsistcmas
microcontrolados.
: ...... t6bits · No 8051. os registros (gemlmcnte chamados de registradores
nosmicroprocessadores)sãousadosparaarma7.cnarinfonnações

~:':::;:=
temporariamente (dados e endereços). A maioria dos registros
do 8051 é de 8 bits. Os registros mais comumente utilizados no
8051 sãolistadosnaFigura3.89
Regi strador
de estados Existe uma gama bastante ampla de microprocessadores e
s microcontroladores. Atualmente. no Brasil . os microcontrolado-
>LAG
res da Microchip (PlC) são bastante populares pela sua versati-
s lidade. facilidade de programaçãoeestruturadedistribuição
ss (facilmente encontrados em lojas de componentes eletrônicos
em geral).

Figura 3.87 Registradores do 80x86. t 3.8. 7 Portas de 1/0 e interfaces - -


O desenvolvimento ou a utilização de portas de entrada e saída
(UO: inputlouput) são essenciais para o emprego de qualquer sis-
Muitas das aplicações dos microcontroiadores podem ser div i-
tema digital. A Figura 3.90 apresenta um circuito simples em que
didasemtrêscategoriasprincipais·
se usa o bu.ffe:r rhre:e:-s/ate: 373 como porta de saída. cujo endereço.
4 Sistemasdeeontroieopcn-/oop(controiesequeneiai):usados ncstccxcmplo.é99H(cndereçonabaschcxadccimal)
ent aplicaçõesemqueoprocessooudispositivonecessitaser Como exemplo de porta de entrada. a Figura 3.90 mos1ra o
controlado por uma sequência de estados: circuito integrado 74xx244 com seu correspondente endereço.
134 CapÍluloTrês

Tabela 3.3 Algumas características da família 80x86

Ano de fabricação 1976


C/ock(MH z) 0,5-0,8 2-3 3-8 16-33 25 -33
Númemde pinu'
Númcrodctraosistorcs
18 4Q 4Q 4Q 4Q 132
"" 273
1.2milh.ão 3,1 milh.õcs
Memória física MK MK 16M 4G 4G 4G
""
Harramentoe~temodcdados

Barramento de endereços
8
" " 32 32
"
Tipodedados(bits) 8-16 8-16 8-16 8-16-32 8-16-32 8-16-32

PO, P1 , P2eP3

Figura 3.88 Di agmma de bloco> do clássico microcommlador 805 1

Tabela 3.4 Algumas características da família 8051

Dispositivo De programa interrupção


4K X8 ROM
875\H 4 K X8EPROM 128 X8 RAM 2dc l6bits
803 1 Não possui 128 X 8 RAM
8K X8 ROM
8752 BH 8K x 8EPROM 256X 8 RAM 3deH'ibits
Não possui
ConceitosdeEletrônicaAnalógicaeEletrônicaDigital 135

8 bit~
cada). A. B e C ..cparadamente, e a sua utili?.ação toma-se
mais econômica do que a implement~ç~o de portas individuais por
meiodosbu.fferitlrtre-IIllle anteriomlentedescritos.Aiémdisso.
podeserutilizadaparuinterfaccardispositivosaomicroprocess~dor
que utili7.am htmdslwking (referente ao processo de comunicação
entre dois dispositivos inteligentes. como, por exemplo. impresso-
ras).Nocasodacomunkaçãocomesscdispositivo.ospassosbá-
sicos descrevem a comunicação t:om a impressont:
t Um byk de dados é apresentado par.1 o barramento de dados
da impressora:
t A impre>sora é informada da presença do byte de dados pam
ser impresso pela ativação do sinal de entrada STRO BE:
t Quando recebe os dados. a impressora informa ao equipa-
mento que o enviou pelaativaç~odeum sinal de saídacha-
madoAC K (ACKnowletfge ou reconhecimento):
t O sinal AC K dá início ao processo de fornecimento de outro
dado para a impressora
Figura 3.89 Alguns registros de 8 bits do 8051. Porta paralela: porta comumente utilizada em computadores
mais antigos e em alguns sistemas específicos par.1 instrumen-
tação. Desde a introdução da porta paralela no IBM PC em 1981.
Mapeamento de memória de VO: muitos microprocessadores, tem havido diversas evoluções, como. por exemplo:
como por exemplo. o 6800. o 68(0) (Motorola) e diversos proces-
sadores RJSC (Reduced lnsfn1clion &r Compwer). não têm instru- t S PP (Stamlard Parai/e/ Port): modo padrão que foi lançado
~-õesespccíficasparaoperaçõesdeleituraee:scritaemdispositivos em 198 I. O barramento de dados na SPPé unídirec íonal. pois
deemr.K!aesaída(dispositivosdcl/O).Nes...e.~
casos,éus.adaatécnicadcmapcamcmodcmc-
móriadc IIO. quc utiliza uma locação da mcmó-
ria (umacéluladcmemóri~oumais)a pontada
pamser umaportadeentradaousaída.A seguir.
sãoaprescntadasasdifercllÇaSbásicasentrepe-
riféricosdc i/Ocmcmóríamapcadadcl/0:
t No mapeamento de memória de 110 é ne-
cessáriousarinstruçõcspamtcracessoàs
localidades das memórias. Por exemplo,
uma instrução do tipo MOV AL, [4FBC[
pode dar acesso a urna porta de entr~da
cujo endereço é 4FBCH:
t No mapeamento de memória, os bits de
endereço precisam ser decodificados:
t No mapeamento de memória, são usados Figura 3.90 Exemplo de uma simples porta de safda com o correspondente rna -
sinais decontroleespedficospararnernó- peamentodeendereço.
ria. enqu~nto no método n~o mape~do (pe-
riféricos de 1/0: uso das instruções IN e
OUT)sãoutilizadossinaisdecontrolces-
pccíficosrelacionadosàsportasdelfO:
t No mapeamento de memória, podem-se
re~lizaroperaçõeslógicasearitméticasdos
dados de l/Odiretamente.semanecessi-
dadedesemoverparaoacumulador:
t Aprincipaldesvamagemdomapeamentode
memória é o uso do espaço de memória
Interface perif~rica pmgrnmá\·el (PIO):
existem diversos integrados utilizados noi n-
tcrfaccamentodcdispositivos,como,porexcm-
plo. a antiga e ainda útil PIO 8255. No caso Figura 3.91 Exemplo de um a si mples pnna de cntmda com o correspondente mape-
espccffiooda PI08255.existemtrêsportas (de amentodccndereço
136 CapfwloTrts

foi dcsc n\·olvido especificamente paro~ o PC enviar dados à opw-ucopladores buffus. resistores J1Ull-up etc .. tal como no
imprcssor.t.Nessaconfiguraçãoounaspor!asSPPnão épos- exemploda Figu ra 3.93.
si\'Citratar a porta tlata como entrada. o que pode danificar a Porta se rial RS-232: porta destinada a con\·c:rtcr infom1açõcs
porta: utiliza-se. portanto. a porta statrucomo porta de entra- em paralelo {geralmente oriundas dos barramentos dos com-
da. Apresenta três portas internas: porta dal(l (saída). porta putadores) para informações seriais (geralme nt e oriundas de
s/atus(entrada)e portacomro/(saida): moderns, linhas telefônicas.placaserialdeoutrornicrocornpu-
t PS/2: em 1987. a porta paralela foi internamente m()(iifica- tador.controladomsutihzadas naáreadainstrurnentaçiloctc.)
da parn possibilitar que a porta tlma seja bidirccional (en- O p~dr~o foi definido em 1%9 pela Electronic lndustries As-
trado -solda ). O bit CS da porta com rol pode se r modificado sociation (EIA).quccs pccilicouascaracterísti caselécricas dos
pelo usuário (programa do) para mudar n direção da porta circ ui tos. os norncse os números das linhas necessáriasàto-
daw. Se o CS = O indi ca que a porta daw está çonfigurada nc:llão entre equi~mcn tos (pinagcm). Os mi trocomputadores
~nt salda. CS = I indica que a porta daw está to nligurada utilizam somente no\·e pinos conectados. em \'ez dos 25 pinos
como entrada. Logo. esse pino CS da porta coll/rol é usado necessários parn o circ uito completo RS-232. Além disso. o
~ra o controle direciona l da porta tlma. confortne esboço padrlodeline:
daFigura3.9l:
t EPP (Etrlr1mced Paro/lei Port): trata-se da mes ma configura- t Pam que periféricos possam "tonversar" por meio da mesma
ç~o da PS/2. porém é mais rápida. Esse modo apresenta novos linha. eles sno di vididos em doi s tipos: o tipo tenninal. que
registradores como espaço de 1/0. Sendo assim, se o endere- us~ o pino 2 p:1ra enviar dados. c o tipo modem, que usa o
ço-base é 0278H, 0279H e 027AH silo os mesmos da SPP. pino2pararccebcrdados
l'orón. os endereços de 110 027B H até 027FH são també m t Devem se r acoplados periféricos tenn inais de um con~""Ctor
usados ou reservados: macho c periféricos modem de um concctor fêmea.
t ECI' (E.rtemletl Capability Port): esta porta tem as mesmas A FigurJ 3.94 apresenta a pinagem do padrlo RS-232 (co-
características da EPI' mais DM A (Di reei Mtmory Atltlress) ncçtor DB25) ~ra o periférico tem1inal (IBM-PC) c ~ra o mo-
c apresenta a capacidade de: compressão de dados. dem. Para o conector DB9. obscnoe a FigurJ 3.95.
Para evitar danos à porta data. na config uração barramen- Comun icação t nl re tra nsmissor t re«"plor: em sistemas em
to bidirccional. é necessário utili za r co mponent es auxiliares· que someme u•n periférico transmite e o outro só re<:ebe. a co-

Flgura3.92 Esboçodaportaparalela.
CooceitosdeEletrônicaAnalógicaeEletrônicaDigital 137

Figura 3.93 Exemplo do uso de


dispositivosqucprotegemapona
dara (nocasorcsistorespu/1-up)de
possíveis danos

P0>2 - TX O(saida) Pino 2 -AXD(enlrada)

O;~' ~§!:~~~~ ~~'


Pino J -T XO{salda)
Pino 4 -AOS(&ntrada)
PinoS-CTS{saída)
Pino6-0SA{salda)
Pino7-SG
. g : t Pino8 -CO{sa ida)

{8)
0" Pno20- DTR{salda)
P0>22· RI {&otrada)
Pino20-0TA {entrada)
Pino 22 - AI{saída) ,,,
Figura 3.94 Esboço do padrão RS -232 (conector OB -25) para (a ) perif<'rico terminal c (b) modem

Pino 1 ·CO (enlrada) municação ocorre apenas entre dois sinais em cada ponto: TxD
Pino2 -AXO {&ntrada)
c SG no transmissor c RxD c SG no receptor.
Pino J·TXO (saída)
Píno 4-0TR (saída) Comunicaçãonas duas dircçõcs: cadaumdosperiféricostrans-
PínoS- SG mitc c recebe dados: portanto, é necessário o número mínimo de
Píno6-0SR(entrada) três linhas em cada periférico: TxD. Rx D e SG (podem-se adi-
Píno7-AOS(salda)
cionar os pinos DSR c DTR para controlar o flu:o.:o de transmis-
Pino8-CTS(enlrada)
Pino 9-AI (entrada) sãodcdados:htmdshaking).
A Tabela 3.5 apresenta um com parativo das interfaces mais
Figura 3.95 Padrão DB-9. comu ns com valores típicos.

Tabela 3.5 Comparação entre interfaces comuns (valorers típicos)


Comprimento má•Jmo Velocidade máxima
Comunicação de dispositivos (metros) (bitsfs)

R$232 Assíncrona 15.2a 30.5 20k


1219.2
lnfravemlelhoserialassincrona 1.8
3,0

3,0 2.1M
I'C 5.5
127 4,9 12M
4.6
3a9.1
138 Capítulo l'rês

RS4SS: quando é necess.ária a tmnsnti ss.ão de dados para longas trumcn tos em um barramento de dados paralelo com um. Os dis-
di stâncias e/ou a altas taxas. a interface RS-485 é uma solução positivos podem ser conccmdos tal como mostram as Figuras
possí\'el. 0 padrão da RS-485 é a TIAIEIA-485, similar ao pa- 3.97c3.98.Adifcrcnçaestli na configumçãofísica dasconcxões·
dr:io ISO/IEC 8492.1993. A RS-485 apresenta algumas vanta- na Figum 3.97. cada instrumento está conectado por meio de um
gens quando wmpar:ada !I RS -232: cabo GPIB diretamente !I controladora (todos os w nectorcs es-
tão ligados !I mesma pona da controladora). Na config umçâo da
4 Baixo custo: os(/ril't!rJeosrecep!oress.ãosimplesetw.x:es-
Figura 3.98. cada disposi th·o. ioc luindo a controladora. está co-
sitamdeu ma alimcmaç:'iode + 5 V a 1.5 V:
nectado ao próximo. em cadeia. Essa conlíguraçiio geralmente
4 Disposit Í\'OS: nâose limita a dois disposilivos apenas. Depen-
éamaisu tili 7.adaparaconcxllodcinstrumcntos. Suades\'anta-
dendo da wnlíguraçllo. pode intcrfacear até 256 nós:
gem estárelacionadaàreconliguraçãoseumdispositi\·o.eseu
4 A RS-485 pen11ite comuni cação a grandes di stâncias (até
correspondente cabo. é removido.
1.2 19.2 metros) quando comparada com a RS -232 (geralmen-
te de 15.2a30.5metros):
I Velocidade: taxas típi cas deaté 10M/s. 4 3.8.8 Interfaces e sistemas
A Figum 3.96trJz o esboço de um link baseado em RS-485 remotos - - - - - - - - - - -
half-duplex. Muitos projetos c experimentos de labonuório utilizam o con-
IEEE 488 ou Gl'm (General t>urpose Interface Bus): desen- ceito ou critério reprcscntndopela Figura 3.99.
volvido pela HP em 1965 c padronizado pelo IEEE e m 1975. Na Nesse contexto. cada placa de aqui~ição prcci~a ser intcrfaceada
atualidade.cxistcmoutrasvcrsõcsqucaprcscntarammelhom- com o sistema microproccss;tdo ou microcon trolado. Com base
mcnto o u modifi cação m1 formmnç~o dos dados. melhoria da ncs<mpondcr.IÇão.podcm-sc utilizardois si:;;tcmasdistintos:
funcionalidadcctc.OGPIB é umaintcrfacedcscnvolvidapara
possibilitar a conexão simultânea de até 15 di spositivos ou ins- I No primeiro. instrumentos externos silo conectados a uma
redeatntvés de um barramento adequado. Esses ins-
trumentos podem ser gerenciados em rede por um com-
putador por meio de um software apropriado.
5VTIL T ~ t Outra confi gumção de arquitetum pode apresentar

Serial In I protocolos integrados em que as fu nções dos ins-


trumentos são realizadas por placas plug-in de di -

I c:!~~ L r--,_ li mensões padrões t"Qncc tadas aos Jlms do sistema.

,_ Basica me nte. podemos classificar os sistemas em


distribuídos ou n~o dist ribuídos. Além disso. no me r-
cado existem d ispositi\"OS gera lmente denominados
AS-""
" 75176
controladorcs.considerados'·dispo:si ti vos imeligen-
tes·· apt os a rcal izaraq ui siçllodcdadoseco ntrole
SVTTL T de fun ções. assim co mo ma sca rar decisões com ba-
Serial In I se no sistema corrent e o u nas co ndiçõe s do proces-

[--J j
so. Normalmente s~o programados. em geral por
""'~"';~L uma scquê ncia de comandos ASC II baseados em

I """""' comandos formatndos pela máquina hospedeira qu e


são intcrprctadoscexecutadosporum dcterminado
Transceiver di sposi tivo.
RS-485 Uma vez progr.unados. podem continuar operando.
75176 adquirindod;Jdosbascadoscmsensorcs.arnm7_cnando
Nôlladldonals dados em memóriase n::nli7.andofun.çõcs dccontrole.
mcsmoquandoohospedcironãocstáconcctadooufun-
cional. Do pomo de \'iSta funcional ou operacional. é
5VTTL ··L_ camctcristicaimportantcqucdifcrenciacssescontrola-

,_
dores ou cootrolador.ls (também chamados de contro-
Serial In I ladores stmul·(/lune) de outros sistemas de aqu isição.
como. por exemplo, placas 1'/ug-ilt c 110 distribuído.

I ""'""""'
SerlaiOutl--t L ;.____,li ,.. Essas controladoras aprese ntam uma das caractc-
BT rist icasessenciais namaioriados siste mase mpregados
cmcngenharia:ncxibilidadcparaopemrdedifercntes

"
R5-485
75176
w maneiras. a ôcpender. evidentemente. da localizaçiio
(distfíoc.ias cn\"olvidas). do \'Oiume de dados a serem
armazenados e da di sponibilidade de alimentação. Po-
Figura 3.96 RS-435 ha/fduplex. dcmscrcitadasalg umascaractc rfs ticas:
CooceitosdeEletrônicaAnalógicaeEletrônicaDigital 139

Flgura3.97 GPlB padrão.

Figura 3.98 GPIB em cadeia

Sistema de

r=llllllm (
Placa AIO
eo......,, 1 G~··
Figura 3.99 Sistema oão remoto p;~ra instrumentação
140 CapÍluloTrês

,---:r:_,_.s
~ IL____j
Exemplos de arqrlite/Uras tfe Iistemas·
I . Programação c acesso aos dados por meio de placas PCM-
CJA: nos dias de hoje. canões de memória ponáteis fomecem
um meio '-'Onfiávcl para transpone de dados e programas. mas
necessitam de interfaces. como. por exemplo. canão de mc-
mória-RS-232 (Figura 3.100) ou pela JX)Ma USB.
A prugr.tmação da operação de um '-'Ontrolador/logger e
arma~cnamcnto de dados por meio do canão PCMCIA é cs-

processamento

--1
I 111 pecialmenteútilquandoocontrolador/loggerestáemlocali-
zaçãoremotae/ounãoconectadoàmáquinahospedeira.co-
mo, por exemplo, o PC.
2. Conexão direta com o hospedeiro (Figura 3.101): sistema nwis
comum e que fornece alta confiabilidade. pois está diretamen-
te intcrfaccado com a máquina hospedeira via. por exemplo.
urnacomunicaçàoRS-232C.Essaconfiguraçãopossibilitafa-
cilmenteconstanteatualizaçãodedados,constantemonitom-
mcntodascondiçõesdealanneecontrole011-/inedosistcma
Figura 3.100 lmcrfaçe canào-rnemória commladom É amplamente empregada em plantas industriais em que o pro-
cessoécríticoeprccisascrconstantemente monitoradoecon-
trolado (custo/benefício). A distância máxima do controlador/
logger está relacionada à taxa da comunicação.
t Capacidade de operação Itand-alone (termo usado para indi- Em locais em que uma aplicação necessita de mais de um
caraopcraçàoindcpendcruc2dcumamáquinahospcdcira controlador/loggere cada unidade está distribuída fisicamente
-PC. por exemplo) com registro periódico de dados usando em uma grande área. como. pore.\emplo. uma planta industrial.
memória ou computador ponâtil: os contmladorcs//oggeri podem ser configurados como pane
t Operações on-line com dados transmitidos periodicamerue: dcumarededistribuídaRS-485.Essetipodesistema)Xldene-
t Operações orr-line via modem. com dados transmitidos pe- cCl;sitar de conversores RS -232- RS -485 (Figur.t 3. 102).
riodicamente. iniciado pela máquina hospedeira ou por um 3. Conexão remota com um hospedeiro (Figura 3. 103): ou tra
dispositivo remoto. arquitetura útil sãooscontroladores/loggeriCOnectadosrc-

Comr.rlicaçioseriaiRS-232
Oaralogger

Figura3.101 Conexãodire1acornohospedciro via


)o------ 50 m -------1 RS-232C

Sist&rnade

Figura 3.102 Sis1ema <JUC in1erliga ~-.m1rola­


dores//oggers distribtrídos
ConceitosdeEletrônicaAnalógicaeEletrônicaDigital 141

Sistema de

p~ssamento '"- -"""""" . coRs,.,,.__á~>O.o


"""""""""'-.-""'

Figura 3.103 Conexão remota com um


hospedeiro

motamente a uma máquina hospede ira. por meio de modems t Navcgaçãorcrnotaercalirnentaçãoviaweb


interligados. como. por e1>emplo. a uma linha telefônica ou t Sistemasdevisão
por radiopropagação. Em grandes plamas industriais, onde
Oconceitodeinstrumentaçãovirtualsurgiufortenomercado
mais de um dispositivo está distribuído ou onde a comunica-
porvol!a dos anos 1980.comoobjetivode reduzir custos em sis-
ção RS -232 é afetada por ruído. o uso de radiocomunicação
tcmasdei nstrurncntação.Atualrnente,asfcrrarncntasqueutilizam
éumasoluçãoprática
esseconceitoestão.emsuagrandemaioria.prep;lradasp;Jrafaci-
Existcmaindasistemascomcrciaisadaptadosparatransrnis- litar a tmns ferência de dados entre sistema\ por meio de GPIB
sãodedadosviatelefoniacclular. P:traissosãodisponibilizadas (Geneml Pr1rpose fmeifaa /Jus. protocolo desenvolvido pela HP
placas dedicadas. utilizadasporgr.mdesempresasparaatrans- em 1960 e que. desde 1975. passou a ser denom inado padrão IE-
missão de dados derivados de scnsorcs dos mais diversos tipos EE488).qucéfrequcnternenteusadopamcomunicaçãocomos-
e que utilizam alias taxas de transmissão. Também são encon- ciloscópios.escâneres.multhnelrosedril·ersdeinstrumentosre-
trados no mercado microcontroladores adaptados para interfa- motos. Também se utiliza o conceito chamado VX I para controlar
cear sistemas com essa metodologia de projeto. instrumcntosconcctadosàEthernct.USBetc.Entreasferramcn-
tas mais famosas. pode-se citar o LabView. da National lnstru-
ments. e u VeePro. da Agilent. Para mais detalhes consultar os
41 3.8.9 Instrumentação virtual - Labomtórios 14. 16e !7 (Capítulo 7)c o Volume 2 desta obra
No mercado existem ferramentas comerciais amplamente utili-
zadasnaáreadainstrumentação.sobretudonodesenvolvimento
de aplicações cornple1>as, corno. por exemplo, sistemas de me-
dição-comunicação de veículos remotos a longa distância
Muitasdessasfcrrarncntascomputacionaistrabalharncorno
conceito de facilitar a programação por parte do usuário. mas
fornecendo a possibilidade de desenvolvimento complexo de
sistcrnas.incluindofcrmrnentaspamaquisiçãoetratarncntodc
dados entre outros. Mui tas ferramentas computacionais estão
preparadas para comunicação em rede. comunicação com CLPs
(Controladores Lógicos Programáveis) ou com seus sistema~
supervisores (supervisório) de controle e aquis ição de dados
(SCADA). Podem-se citar algumas apli.,ações:
,n- ~Salda
t Controledeprocessosfísi.,os
t Dctcrçãodcgascscmambientes Figura 3.104 E>qucma da régua po~cnciométrica referente ao E~cr­
t Modelagem de sistemas de potência cíciol.
t Controle de movimentos de servomotores e motores de passo
t Tcstesdccircuitosirnprcssoscoutrosdispositivosclctrônicos 2. NocircuitodaFigura3.105,cakulc
t Simulação de movimentos em sistemas de realidade virtual a. Acorrcntedocircuito
142 CapÍluloTrês

rn
b. Astensõcsnocapacilorenoindutor
Apotênciadissipadapcloresistor

+ co;s<wt)- ' 6

.
'
b

'
V,{f)
Figura 3.109 Circuito elétrico.

Figura3.105 CircuitorcfcrcmcaoExercfcio2.

3. Sabendoque.nodrcuitodaFigura3.106. V=r'.determineaex -
pressâoanalíticadeE,

3 2 1 1

E,
rr:IJ·
Figura3.106 CircuitorefcrentcaoExercício3
-V

4. Projete um mcdidordcãnguloutilizando umpotenciômctroque Figura 3.110


,.~ta.

rn
tem I 000 Esse medidor deve ter uma tensiío de 5 V na po-
siçi\odcO"e3Vnaposiçãode90".
S. NocircuitodaFigura3.107.calculeascorrentesde malha e as
tensões de nós.
" 3

'

Figura 3.111 Circuito elétrico.


Figura3.107 CircuitoreferenteaoExercício5
8. Nocircuitoda f igura3.107.dctemtineatensâoeacorrente no
6. NocircuitodaFigura3.108.calculcascorrcmcsdcmalhacas rcsistorR • 3!l.utilizandootcorcmadasupcrposiçâo
tensões de nós. 9. No<·ircuitodaFigur.J3.107.determineatensilodeThéveninpara
ostcrminaisdoresistorR=3 H.
10. NocircuitodaFigura3.108.dctermineascorrcntesi, ei,utilizan-
dooteorcmadasuperposi<;ilodefontes.Calculetamhémoequi-
valentedeThévenin para a tensão••
11. No circuito da Figura 3.109. determine as tensões V., cV~ utilizan -
do o t<:orcma da superposi<;ilo de fontes. Calcule também o equi -
valentcdcThéveninparaosterminaisab
Figura3.108 CircuitorefcrcmcaoExercfcio6. 12. NocircuitodaFigura3.110.dctcrmineacorrentciuti1izandoo
teoremada,upcrposi<;iíodefontes.Detennineessacorrentetam-
7. Uti1izandomalhase nós.re'iOivaoscircuitosda,Figur.Js3. 109. hémapliçandooteorcmadeThévcnin
3.110e3.111.0bscrvequeocircui10da Figura3.111 tem uma 13. As Figuras 3.112 (li) e (b) mostram dois circuitos com diodos. De -
fontcdcpendcntcdcumavariávcl v.Ncssccaso.dc•·c-scdcscnvoi- senheafonnadeondasobreosresistoresRquandoacha•·eSé
'"CTumacquaçiloamaispararcsolveressanovaincógnita. fechadaparaumciclodosinaldafonteAC
ConceitosdeEictrõnicaAnalógicaeEietrônicaDigital 143

27. Projeteosrcsiston:sdocondicionadordaFigura3.50paraumNTC
de 5 k.fi em 25°C e 200 nem SO"C. A tcn~de sarda d.>•·e excur-
sionar em no mCnimo 2 V dentro dessa faixa de temperatura
28. O tem!Opõlf f um scnsorque mede a difcrtnçadc temperatura entll'
suasduasjuntas.Aoseprojetaremoondicionadon:spara termopa-
~. é necessário compensar a tempcraturn ambiente com outro
sen50r. IS5<J g~rnlmentc f feito somando-se a tempcrn!Ura medida
com o tennopar ~ tcmpcrawra ambiente medida por um sensorao·
xiliar.Considcn:qucoscnsornuxiliartcmumascnsibilidadede

L__ __j __j._ _ • IO~equcumt~rmoparhipotflicotemumacuroalineardeOa


,. 1oo •c produzindo O mV aO •c, e 100 mV 11 IOO"C. Projete um
oondicion:adorcomseusde\'idosamplificadon:snasçonfigurações
~uadaspataqoçosinaldetenslonasaCda•·aried.>OalVna
Figura 3.112 (o) Retificador de n>eiaondae (b)ondacompleta
faixa de O a 100 •c
29. Considei'C'queumsinaldotipoj(l) • cos(l20 !TI) + cos(20000
14. Projctcumcircuitoutili~.nndodoismmsistoresbipolarcscomf3 • 100
m)scjaaplicadoaumcircui10coma configuraç1lointcgradora
como cha\'CS. Um tran,;istor deve acionar uma carga quando a tcn-
CalculcoresistorHeocapacitorCparJqueaparceladeahafre-
sãodccntradaultmpassar2Yeoutrodevencionarumalarme
quência caia parn um •·alor 11lxtixo de .'i%. Calcule wmbém se hou-
quandoalcnsãodccntmdnultrJpassar5V.
I' C atenuação no sinal de bai~a fr~-quência.
15. l mplcrncnteumafomcdccorrcmcdc 1 mA utilizando transistores
30. Aplique o mc§tno ~inul do E~crdcio 29. em um circuito difcren -
bipolarcscom(3 • 100
ciador.Cakulcnovamcntcorcsistorcocap;lcitorparnqucap;Ir-
16. Considernndoacstruturadoamplificadortmnsistorizadoda Figu- cela de bai~a frcquência caia par~ um l'alor abai~ode 5%. Calcule
ra3.29.cakulcno'·an~<:nteosresistorcsparaobterumganhodc urnbémschouveatenuaçaono sina ldeahafrcqu~nda.
tcnsilodc3.corno sina ldesuídancursion:mdo3V.
3 1. Considei'C' um trnnsdutor com uma salda de tensão de - 20 mV a
17. CakulcoganhodedoisamplificOOoresdo Exercfciol6cmcasca- JOmV. Projcteumcircuitoparaqoçasaldapossascrl igadaem
ta.E!Ipliquc um con•·crsor AD com cmrnda de;
18. Citcaspriocipaisdiferençasentrefl:.lsctrnnsistoresbipolares a. O a IV
19. Repita o Excrclcio 14. utiliundo FETs. b. -1 a 1 V

20. ]mpklllC'ntc uma fonte de corrente de I mA utilizando l-Tis 32. Uma célula de carga do tipo barra engaitada ~ submetida a uma
forçadeoompresslioou traçllo.de modoqoçosinald.> saídaex-
21. Repita o EJ.crdcio 14, u!iliuoOO OPAMPs na çonfigurnção de
cursionade -2 a + 2 mV. Considerando que você possui uma pla-

22. ~"""""·
ca de cotwersJoAD nllosimétrica e com entrada de O a 250 mV.
Sabendo que o circuito da Figuro 3.113 tem uma realimentação projete um amplificador para que o sistema funcione de maneira
posi1h·a e assim tende a s.:U ui'IIT. nplique uma tensão ..; na emrnda adequada c utilil3Ddotod:l a fai~adoAD.
etroceumgr.ifirodasaidai'Oemfunçilodaemradaqueexcur;io-
33. Suponhaque,1.JC!possuiumequipamentoqoçtemumasaídade
na enti'C' :!:I'.
O a IOOmVquciodicaum oocfteicntcdeattitodeOa I (OmVpa-
rncoeficicntcOc IOOmVparacoeficieme I).Calculea lt'solução
R, dessa medida se ela for ligada diretamente a uma placa A Ode 12
bitscomurnaescaladc;
a. - 650 mV a + 650 mV
b. -5a+5 V
34. Um aluno de instrun~entaç~o está fa1.cndo um projeto com um scn-
sordetcrnpcraturacujascnsibilidadcé IOmV/"C.An~edidascr:í
feita de O a I00°C. sendo utililado dirctmnente um conversor AD
de IObitscomumafaiXHdccntrndadc - .'ia +5 V.Calculcare-
soluçâoem •cdcssesistcma.Projctcumamplifi~adorparautilizar
melhorafaixadoconvcr.sorA D emelhomressan:soluçilo
JS. Considcr~ndoasuprcSSÕCSIIS<!guir.dcscnvolvaumcircuitocom
Figura3.113 Circuito!'C'IativoaoE!Iercicio22 um<k..:odificadorcponasOR ;

23. Projete um amplificador utili7.nndodoi s OPAMPs na configuração


1-;- x+z +X· Y·l
invcrsoracomganho iOO. F. •X+ Z ..- X · Y·7.
24. Projeteu m:unplificadotutili7.llndodois0PAMPsnaoonfiguração F, • X-Y·Ztx-i=Z'
nlloin•·ersoraoomganhoiOO 36. Descn•vh'll um multiplicador de 4 bits (números sem sinal) usan-
25. Projete um amplificador utilizando um OPAMP na configuração doapcnasponaslógil:ase$01lladoresbin:lrios.
difell'ncialoomganho iO. J7. Um técnico de uma empresa da área metal-med.niea possui cin-
26. Projete um amplificador de instrumentaçio utilil3Ddo nhOPAMPs wprodutosP1.P2.P3.PJeP5qucde•·emscrguardadosnodc-
com ganho 100. pósito I OtJ nodcpósito2. Por oonveniência.fnccess:!rio.de
144 Capi1uloTrfs

lt-mposcmlempos.d<'slocar u moumaisprodu!osdeumdepósi- 44. DeSl'm·oh·a um circuito scqut-ncial sfncrono com uma cmrada X c
loparnoouuQ . Annwrezadosprodulos t lalquctpcrigosoguar- uma saída Z. A cnlrada X é uma mensagem serial e a salda Zdcve
dar P2. P3 e P4 jumos. a nilo ser tjUe I' I e.~ll'ja no mesmo depó- serigual aum(nivelaho)tjuandoacombinaçliol01 tenconlrada
silo.Tambtmtperigosoguanlar l'3eP5juntossePI nàoes!iver na mensagem serial. Apresente a máquina de estados. a tabela de
no depósilo. Iklt-nnine um diagnama lógico com saída z. !ai que transiçãoeocircuitosc:quencial sfnci'OI'IO.
Z • I Sl'mpre que e.tisln uma combinaçllo perigosa em qualquer
dos depósi!os. De!ennine as •'llriáveis do siSlcma. a latK'Ia-verda-
de.asnpressõesbooleanas.simplilicaçõeseodiagrnmalógko
Apresente também o diagrama usando apenas a(s) porta(s)
un in:rsal(is)NAND(s).
,,.,,.
45. Desenvol>'ll uma ULA de 4 bits que realize as seguintes funções:

38. AEmpresalógic:ILimilalbdo RSde$emulwuumintegradodenc»-


minado porta P com tjualro \':lri.heis de en!r.>da: A. B. C e De uma
saída denominada 1'. Essa pona implcmcma a segui me função:
A$8
P(A.8.C.D) • B·C(A+D)
!NSl'nheessecircuito 46. Considercqucosujei toAdcsejacnviarun•amcnsagcmsccrcta
paraosujeito B uti1izandoummciodccomunicaçilodigi talapro-
311. Os engenheiros de desem·olvimemo da Empresa Lógica Limi!ada
priado. Como não de.lleja que .~ua mensagem seja rcconhet:ida por
esllloi nvesligandoaspossibi lidadcsdeaplicaçãousandoalógka
ning uém,solicitouavocéque:
P - OR. Para ajud:l- los, dc.~~tn•·olva um circui lo para implcmcnlar
a. Dcscnvol•·a o codificador pum o dispositiw tmnsmissor que
a scg u inl~ fu nçilo us:mdo some nte três port as P e uma porta OR
será ul ilizadopelosujci toA:
.ft.x,,x,.x1.x,) • ~(0. 1 .6.9.10.14.15).

40. Desenvolvaumcomndorslncronoemanclde3 bits(cresce ntee Códlgo X Códlgo Y


decrescente:up/down)cujasetjuêncinéocódigo:OOO.OOI.Oll.
010.110.111erecomanzcro. Ocomad0fde•·econ1arnasequên-
cia cresccnle quando a cmrada de com role UP/DOWN é iguaJ a I
e contar na sequência decre.-cen1c tjuando UPIDOWN ~ igual a O
(usar tlip-flop JK). Ajlfe.'óeii!C a tabela de transição. a máquina de
estadoseocircuilológioo
41 . ProjeteumcircuitotcndoumacntrudaYeduassaldas:Z =Y + 3
e W = 3 - Y. sendo Y um número de 2 bits (na illlbtraçào. utilire
complementodedois).ApreSt:ntetodosospassospamsecllegarà
solução. b. Desemuh·a o d«odificador utili1.ado no equipamento ~or
do sujeito 8 pam que ele compreenda a mensagem en,·iada.
42. Implemente um oodificador binário pam Código Gray:
47. Nodcsawolvimentode automóveis. são realizadas numerosas me-
Código Binário Código Gray diçõesea\'llliaçõesdc tcmpern!uraparngarnntirofuncionamenlo
apropriado de sistemas e componentes. Algumas medições s00 in·
cluídasnossiMemasdeoontrolcoocm sistcmasdcdiagnósticodos
veiculos. A mediçOO de temperatum no niOflitoramenw (Hl-/ür~ de
sistemas automotivos cada •·n mais tem apresentado diferentes
utilidadt-s. Um <'X<'mplo é o •uonitornmcnto de tcmper.uurn das
superfície, d ospncuscpre.<sllocmbuscade falllaspamajustar
automaticamente. Com base nesse siste ma. voce decidiu dcsen\'l}l -
vcr um sislema de baixo custo pam monitorar um minibaja. Esse
sislcma deve monilorar tod:•s as rod:~~ com apenas um scnsor de
tcmpemt ura por roda. Qu:1ndo. no mini mo. dois desses se nsorcs
indicare m T > 80 •c.o circui to digit:l l dc\'C informar, através de
uma luzindicadoranopaind,queomin ibajadcvepar.tri med iata-
mcntc:casocontrário.deveindicarqueopilotopodccoiHilluar
43. Emmuitosau lomóveis.aslu'l<:s,orádio.osvidrosclétricossó
accll'rando
operam§Cachavcnaigniç:loestánomodoligado.Ncssccaso.a
chave naigniçiloatuacomoumsinaldchabi litaçàodosislcma 48. UmaluoodeSistemas Digitaisl l procuroosuaõljudaparnascguin-
D.-senvolva um sistema lógico de um aulomó•·d usando as seguin- te qliCSt!lo: na emrada do seu COO\'Ct'SOI' AOC e~istc um scnsor(com
lesvariá•·eisedefiniçl)es: sistcmadeamplitít-ação)q~>evariadc0a2Vquandoap11.'S!.ilovaria
deOalOObar.S;lbendoquecsseconversor ~de 10bitscaentmda
Ot<l•·edeigniç~o - Ch lgn
édeOa 5 V (em que O~o valor mfnimoe 5o \'alOf máximo: 1-al~
Clla•·e dasluzcs -ChLuz
tíxos).calculea!'C!iOIUÇãodapresslloparliCSSt:siSlcm;~.
Clla•·edor:ldio- ChR
Ot<l•·edos~ idros~k'tricos- CllV 411. Consilkrando o cs~ parn mediçllo dos mo•·imcntos da jX'ffi3
Luus - L (Figurn2.1 doCapitulo2).esboceumcircuitotjucfl"nnÍtadigita-
Rádio - R lizarosmo••imentosindicadospelopocenciõmetro.
Vidrosclttricos -VE 50. É comum a utili1.aç!lode ooninascm escritórios. Esboce um siste-
lmplementecssesislemausandoessas>':lriáveis ma que pennita o controle de uma dessas cortinas em função da
CooceitosdeEletrônicaAnalógicaeEletrônicaDigital 145

temperatura ambiental c da intensidade luminosa. Esse sistema Opemj'iiu:


devesercontroladoporummicrocontroladorcujaportadel/Oes- Seumoumaisconjun!Osdossensoresde!cclar<'minvasãoeosis-
t:J imerf~ce~da com o ADCQ804. Apresente o fluxograma par.J temadesegumnçae'tiverligado.entàot<.XIasa.~saída'devemestar
controlar esse sistema ligadas.Casocontrário.t<XIasassaídasde,·e meswdesligadas.
51. Conecteassaídasdctrêsbufferstllree·m>recomodescnvolvimen- Dctenninecssccircuito lógico aprcsentand" todos os passos do
111 de uma lógica adicional para implementar a seguinte fun~·àQ
dcscm·olvimento.

F = Ã · B·C + A· B· D + A· 8 · f5
SuponhaqueCeDsàoasentradasdedadosdosb"ffer.<eAeiJ
t BIBLIOGRAFIA- - - - - - -
pas>ernatravésdalógicaparagerarasemrada~;dcwntrole ALEXAN DER. C. K.; SADI KU. N. O . M. Fundamerllusde cin_·uitm
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53. Um sistema de segurança doméstico possui uma chave mestra que
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éusadaparallabilitarumalanne.cflmerasdevídeoe umtelefone
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MANCINI. R. Op ,\mp;·furnervune: dcsign rcfcrcoce . Texas lnstru-
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V -câmeras de vídeo(O. dlmeras de vídeo desligada.~: 1. câmera.~ TOCCL R. J. Sistemm digitais: princípios e aplicações. New Jcrscy
de vídeo ligadas) Prentice-Hall. 1994
C - ligarparaa Polícia(O.chamadadesligada: l.chamada1iga- W INKEL. D. Theorl ofthe digiwl design. New Jcrsey: Pren(ice-l lall.
do) 1987
4 4.1 Sinais - - - - - - - - - representados completamente por funções nmtcmáticas no
tempo. Exemplos ti picos de sinais delenninísticos (dcscon-
O termo sinal, do latimiigna/iJ, aprcscn!<~ diversas definições. sidcmndo-se possíveis nu tuações devidas ao rufdo :tlc:.tório)
entre elas indício. marca. vesdgio. pista. anúncio. aviso. signo são o seno. a ond:. quadrada. a onda triangular. entre outras
convencional. usado como meio de comunicação à distância etc.• (já exemplificadas nas Figura.> 4.2 e 4.3). Em tcmtOS sucintos.
Portanto. de maneira geral. um si nal é uma abstmção ou uma in- são sinais descritos por funções III3.ternáticas em funç:lo do
dkaçllo de algum fenômeno da natureza. como. por exemplo. o tempo. por exemplo. corno variá\·el independente.
nuxoclétrioo em um circuito. as alterações bioquímicas oo cére- t Sinais aleatórios ou estocásticos: sinais para os quais nrto é
bro. o canto dos pássaros. o batimento cardíaco. a contração mus- possf\'c] car-.~etcri7.arcom precisão ou antccipadamcme 1.1111 de-
cular.aconvers;lÇãoentrepessoasemumasalaeassimpordian-
te. Matcmmicameme. um sinal é definido corno uma função de
uma ou mais variáveis que repn:scmam um fenômeno físiro. ,,,~-----------·
Na área da instrumentação. o processamento ou trntamento de
um dctcnninado sinal deve ser baseado em métodos criteriosos.
pois a suu nauuw.a e a sua relação com o ruído determinam o de-
senvolvimento apropriado do sistema de mediçilo. Qunnto no com·
portamcnto, os sinais podem scrcamctcri1.ados de duas maneira.>
principais: no domínio do tempo c 110 domlnio de frcquência. No i,,l------------·
domfniodo tempo. é possível considerar sinais em dois fomtatos. ~
com a utili7.açãodos principais trnnsdutores. tcns:locm função do
tempo ,, • ft.t) ou corrente em função do tempo i • ft.t).
Resumidamente. os sinais podem ser divididos nas seguintes
classes principais:
t Sinais cstátkosft.t) = valor: não alteram seu comportamento
20 30 40
,_,
so so 10 eo iO w
em um longo intervalo de tempo. Por exemplo. a tensão elé-
tric:tde umapilhaideal(tensão constamecmfunçãodotem- Flgura4.1 Excmplodcumsinalestático:atcn,ilodc I. SVpc nna-
po de uso) seria sempre de 1.5 V. confom1c esboço da Figura neçc a !m:sma dumnre um gmnde intervalo de tempo.
4.1 (csscsinalé.essencialmente, umnfveiDC).
t Sinaispcriódicosft.t) = ft.t + 7):c:.rnctcri7.adospcl:.repctição
regul:.r. como os e:templos mostrados nas Figuras 4.2 e 4.3.
Podem-se citar como c:templos típicos de sinais periódicos os
senoidais. os quadrados. os triangul:.res. o sinal que representa
a pn.-ssão arterial humana (sob tcrtas condições). entre outros
t Sinais transientes: sinais em que, em um dado intervalo de
tempo, a duração de um evento é muito rápi da quando com-
parada com o período da fonna de onda (Figura 4.4).
t Sinaisdetemlinísticos: nãoexisternincertelascomrelaçào
aos seus valores de :.mplitude: ou seja. esses sinais podem ser

~,arousMCulluro/dafJ~gw•l'tmugutUJ. Ntw"~Cultur~l. Figura 4.2 Exemplo de sinal periódico: sinal $COOidal oom 2S6 amos-
Jrm;eamplitudc:depioodel Vouamplitudc:dc:picoapioode2Y.
'""
146
. ....
SinaiseRuído 147

Figura 4.3 E~emplo de sinal periódico: onda quadrada com 512 amos-
tmse amplitude de picode0.5 V. ou amplitude de pico a pico de I V.
O
~~:
: ~:

......
.,

o 102030oiOS00070 00 110100110 1

Figura 4.4 E~emplo de um sinal transiente: sinal cuja duração é


rápida quando comparada com o s.cu período (128 amostras).

Figura 4.5 Exemplo de utn sinal aleatório: ruído aleatório com 512

,.

Figura 4.6 Exemplo de um sinal aleatório deriva-


dodaatividademusculardobraçohumano:(a)posi-
cionamentodoseletmdos:(b)sinaleletmmiográfico:
(c)detalhedosinaleletromiográfico
148 CapÍluloQumro

tcm1inado valor (Figura 4.5). O tmtamento matemático neces- podem ser classificados como sinais analógicos. sinais digitais
sárioparasedescreveressetipodesinaléemfunçàodesuas ou. de modo simplificado. corno sinais contínuos ou discretos.
propriedadesmédias:médiadepotência.médiadadistribuição Em geral a análise de sinais no domínio do tempo é baseada nos
espcctml. probabilidade de o sinal exceder dctcnninado valor conceitos apresentados no Capítulo 2 (Fundamentos de Estatís-
etc. Para descrever esse tipo de sinal são utilizados modelos tica. Incertezas de Medidas e Sua Propagação). ou seja. na uti -
estatísticosdenominadosprocessosestocásticosoualeatórios. lização de técnicas que descrevam o sinal em tennos de suas
Exemplostípicosdcsinaisaleatóriosoucstocásticossão:clc- propriedades médias. como. por exemplo. medidas da tendência
tromiogralia (EMG). eletroencefalogralia (EEG). sinais de áu- central (média aritmética. média geométrica. mediana. moda.
dio em canais telefônicos. carga em sistemas de potência. vi- rms)emedidasdedispersão(de1;viopadr.1o.variância).
braçãonocorpohumano.acelcmçàonosistemaasscnto-çhas- Além disso. quando necessário. são utilizados outros parà-
si de um veiculo e vários outros. Resumidamente. são sinais metrosestatísticos:covari5ncia.correlação.modelosprobabilís-
que apresentam grau de incerteza: sendo assim. não é possível ticos. entre outros. Como os conceitos já foram apresentados no
dctcnninarcxatamcntcscuvalorcmuminstantcqualqucr. Capítulo2.scgucmalgunscxcmplosdcsuaaplicaçàocmsinais
Considerando-se o sinal estático ou constante apresentado na
AsfotosdaFigura4.6aprescntampartcsdoprojctodcum
Figu r<.~ 4.1. a utilização de medidas da tendência central e de
eletromiógrafo em que se veern detalhes do posicionamento dos
dispersão .uioft•z sentido, pois o sinal não varia no tempo (veja
eletrodos e da tela do osciloscópio mostrando o resultado de
aFigura4.7). Pode-se observar. pelosresultados(ladodirei!odo
partcdoscnsaioscxpcrimcntaisqucsãoclassificadoscomosi-
gr.ífico).queasdifercntcsmédiasaprcscntaramovalorconstan-
naisalcatórios.
tc c as medidas de dispersão (desvio padrão c variância) não
servem absolutamente para nada. pois um sinal estático ideal ou
4 4.2 Introdução ao Domínio do constante não varia no tempo e. portanto. não apresenta disper-
são dedados. Sinais constantes na área da instrumentação são
Tempo-----------------------
Confom1e conceitos apresentados no Capítulo 3 (Conceitos de Umcrmfrcqucntcéautilizaçãodcparâmctroscquivocados
Eletrônica Analógica c Eletrônica Digital). os sinais também de medidas da tendência central em sinais periódicos (comen-

i!E:::J
&:'- i
10 20 30 ~...:{o)iO 111 ~ 110110 :pod!;
Figura 4. 7 Sinal estático com tensão de 1.5 V constante c com suas
corrcspondcntcsmcdidasdatcndCnciaccntralcdcdispersão(cssctipo
deabordagemnilofazsentido)

Figura4.8 Sinal periódico>enoidatcomsuamédiaaritméticaeraizn-.édiaquadrática(nns)


Sinaise Rufdo 149

~0.1 "

Figu1114.10 Esboiivdeumasequênciadapropriedadecon,vlução.
Figura 4.9 Sinal periódiooondaquadradaoomsua "'~~i>-amidia
aritmética
Na Figura 4.10. a rompa é invertida temporalmente c multi-
plicada pon to~~ ponto com a outra função (no e~emplo. uma
onda qu~LdnLda) c cada produto é somado ao resulwdo segu inte.
tilrio tam bém válido para sinais aleatórios. porém ex istem téc- Esse procedimento é repetido para cada ponto. e o resultado é
nicascrnqucsàoobtidasrnédiasparacvcntosalcatórios.Con- uma série de sornas representando a convoluçlio d~LS duas fun-
sultar referência apropriada.) como. por exemplo. a média arit- ções. Essatécnicaéutilizadaem filtrosparaaproduçiiodcre-
mética para os sinais das Figuras 4.2 c 4.3. Como s.to sinais sultados r:!pidos. reali1..ando-se a convolução de um detcnninado
que podem apresentar informações diferentes mas a média arit- dado com a fullÇão de transferência das características desejadas
mética para ambos os sinais apresenta o mesmo \'alor. a uma de um filtro.
análise descuidada poder-se-ia afinnar que são s inais iguais. He:rp oswtro tfegm11 /lllitário: é a saída de um sistema em re-
As Figuras 4.8 e 4.9 apresemam a média ari tmética e a raiz pouso quando se aplica um degrau unitário. O <kgr.1u unitário é
média qu adrática para o sinal senoidal e a média aritmética a intcgrJI do impulso unitário. e. sendo a<>.~inl, a resposta ao de-
par.aaondaquadrada.ressaltandoocuidadonaescolhadopa- graudeurnsistemapodcscrobtidapelaintcgraçãodaresposta
rârnctro de avaliaçào de um determinado sinal. Propomos como ao impulso. A resposta ao degrau usualmente é fornecida em
excrclcio que o leitor explique porque para os dois senos o funçãodosscguintesparâmctros:tolcrânciaaceitávcl. tempodc
valornnsédiferente. subida. oL"aJ!rwt c tempo de acomodação.
Na análise no domínio do tempo, é essencial compreender as O erro rclaciom1do à tolerância aceitável é o desv io dares-
duaspropricdadesqueapresentamgrandcintcressepr.itico: posta esperada ou desejada fornecida pelo sistema. O 1cmpo
HtsJHISilr a ru11 ÜIIJ111Iro: a resposm de um sistema em repou50 a de subida 1, é definido como o tempo que o sistema leva para
um impulso unilário li(t) é denominada rtsposw ao impulro. Ares- chegar a 90% do seu valor final. ge ralmente especificado pe-
posta de um sistema a um sinal contínuo no tempo é uma integral: la razão de amortecimento {e pela frcquência natural do sis-
temaw.:
>~t) = J.x("T)·h(t - "T)li"T
l ,= 2·w. · ~ ·
sendo .L"( "T) o sinal contínuo no tem po e lr(t - "T) a resposta ao
impulso do sistema. Essa é a integral da superposição que infor- Tempo de ~tcomodação é o tempo necessário pam tjUe a curva
maquey(t)éigual àcorwoluçãocontlnuadar.::sposwaoimpul - de resposta alcnncc valores em urna fai~a (de 2% n 5%) em tor-
soe dosdados deentrada. Essa propriedade é essencial na aná- no do valor final. permanecendo indefinidamente. OL't~rshoot é
lise e no proce.~samcnto de sinais, c geralmente é denominada o máximo desvio percentual da resposta do siste11m·
com·ofuçiio. A eonvol ução descreve o processo de modificação
de urna funçãoftu) com outra funçik.t Jr{lr) para produzir uma
terceira )~11). confom1c esboço da Figura 4. 10. Portamo. a con- Ol"ershoot = 100 .J-RJ.
\"Oiução para sinais analógicos é definida por.
t 4.3 Introdução ao Domínio de
}~11) = J[(11) · h(n - u)du Frequência - - - - - - - - - -
Considere um tr.lnsdutor que forneça um sinal correspondente
e. para sirwis discretos (sequências ou dados ~LnlOstrados) . por: à vibração senoidal de dois simples sistemas ma~sa-mola ideais
A FigurJ 4.11 aprese nta as formas de ondas obtidas por um sis-
tema de aquisição de dados apropriado (acelcrõrnetro. condicio-
nadores. phLca conversora analógica para digital e sistema de
ISO CapÍluloQumro

processamento de dados corretamente especificados para essa t 4.4 Análise de Fourier- - - - -


aplicação: essa observação é essencial na área de instnnneota-
ção). O sistema de processamento de dados ou sinais dispõe de • 4.4.1 Séries de Fourier - - - - -
ferramentas matemáticas que pos.sibilitam avaliar si nais no do-
mínio de frequência como. por exemplo. a Transformada Rápi- As séries de Fourier representam urna forma funcional de ana-
da de Fourier (FFf - Fast Fo11rier Transform). Os correspon- lisar um sinal periódico no tempo através dos coeficientes de
dcntessinaisnodomíniodcfrequênciaparaossinaisdaFigura funções seno e cosseno. os quais compõem o sinal original. As
4.11 encontram-senosgráficosda Figura4.12. sériesde Fourierpostularnquequalquersinal pcriódiconotern-
Grande parte dos sistemas é caracterizada por sinais mais popodescrexpandidoemtemJOsdesenosecosscnos:
complexos c que apresentam diversas frequências. Seja. por /(1) = a 0 + a,coswJ, +o,cos2w,J + ... + a,cosnwJ +
exemplo. a adição de ruído branco gaussiano ao primeiro sinal
scnoidaldaFigur..t4.ll (vejaaFigura4.13).A Figura4.14apre-
senta os sinais da Figura 4. 13 no domínio de frcquência
O conhecimento das técnicas de análise no domínio de fre-
quência é essencial. pois possibilitam a determinação dos pa-
râmetros adequados de um filtro. para. por exemplo, atenuar
b 1 scnw,;

c a frcquência w 0 = *
+ b2 sen 2w,j+ + b, scnnw,J

é denominada frequência fundamental


c representa o componente fundamental ou a frcquência mais
baixa em que a funç~o temporal será decomposta
ou extrair o ruído do sinal senoidal. As frequênciasde siste- Oscoeficientesd 0,a,.a2.a,, .... b,,b 2.b, multiplicamasfun-
mas mecânicos. por exemplo. são necessárias para se verificar ções sinusoidais e devem ser calculados. De fato, o trabalho de
o comportamento dinâmico (frcquências de ressonância. du- converter um sinal periódico no tempo em uma série de Fourier
rabilidade. comportamento de um prédio durante terremotos. consisteemdeterminaressescocficicntes.Antesdeserealizarcm
entreoutros).Ospróximositensdocapítuloaprcsentamoem- esses cálculos. no entanto. é comum normalizar-se a frequência
basamentomatemáticocasprincipaiscaracterísticaspráticas para facilitar o proçcdimcnto. Dessa maneira. podem-se substi-
necessárias pam que realmente se compreenda o domínio de tuir todas as frequências% por l (dividem-se todas as frequên-
frequênciaeasprincipaistécnicasdeanáliseeprocessamento cias porl<.\,. uma vez que todas as frcquênciassão múltiplos in-
nodorníniodafrequência. teirosdafrequênciafundamental).

Figura 4.11 Sinais no domfnio do tempo representando a vibração dos sistemas massa-mola (a amplitude representa a aceleração do sis-
tema)

Figura4.12 Sinaisnodo0líniodefrequênciaparaos sinaisseooidaísrepresentadosnafigura4.11.


SinaiseRuído 151

Figura 4.13 Sinal senoidal cuja frequência fundamental é lO Hz. ruído branco gaussiano e resullado no domínio do tempo da adição de am-
bos

Figura 4.14 Sinais no domínio de frequência: seno puro, ruído branco gaussiano e somatório de ambos (percebe-se que o ruído acrescentou
novasfrequênciasaosinalequccstcapresemadistorçôesconfonnesinalnodomfniodotcmpo)
152 CapÍluloQumro

Dessa forma. tragem de corrente, esse termo representaria a componente DC


ouvalormédiodacorrentemedida
f(1) "'a0 + a , cosi + a 2 cos2t + ... + a, cosm +
Para se detenninar o coeficiente a 1• multiplicam-se ambos os
b,sent + b,sen2t+ + b,senm ladosdaequaçàoporcos(t)e integm-seo;obrcopcríodo:
l'ara se detenninarem os coeficientes das séries de Fourier, l • h h

ulilizam-seaspropriedadesdeortogonalidadedasfunçõesseno [ f(t)(cos(t))dt = [ a,(cos(t)dt + [ a ,(cos'(l))t/1 +

lr lo lo

[ <cosnt)dt"' [(senm)dt = [ (scnm)(cosm)dt =O


+! ((I _COS(I))(cos(2t))a'l + ... [ b1(SCn(1)(COS(i))dt +

' r lo

[ (cosmt)(senm)dt"' [ (cosmt)(cosnt)dt =
+ Ib,(sen(2t)(cos(t))(// I ... + Ib, (sen(nl))(cos(r))dt

Pcrcebe-seentretantoque.aplicando-seas propriedades de or-


togonalidade, todas as parcelas no lado direito são lCm, exceto
= [(senmt)(senm)lit"'Op;;ram#-n
,. .!•

[ /(t)(eos(l))dt = [ a ,(eos'(t)dt = a,rr ou (/ 1 =


[(cos 1
nt)dt= [ (sc n' m)dt = rrparam=n

emquemensàointcirosdc I a "". =.;[ f(t)(cos(t))dt


Para se determinar ao- integram-se ambos os lados·
'" ,. ,. ,. Aplicando-se um procedimento simil;;r para os componentes
seno. pode-secalcularococficientc b,:
[ j(t)dt = [ a,;dt + [ (a, coss)dr + [ (a, coslt)dr + ... +

,. ,.
+ [ (<•, cosm)dt + [ (b, sent)dt + [
,.
(b2 >.cnlt)dt +
1 /(l)(scn(t)t/1 = 1 b1(sen 1 (1))dt = b11r ou b1 =

=.;[ f(l)(sen(l))dl

+ ... +[(b, senut)dt E, procedendo-se dessa maneim. todos os coeficientes podem


serealculados.demodoque:
Scndoassim,aúnicaparceladiferentcdelcroéaprimcira:

1 1~j(t)dt"' a,;dt a0 =-i; [ j(t)dt


a,=; [ f(r)(cos(m))dt

O termo a 0 representa o valor médio da funç~o. Em urna amos- b, "';[/(l)(sen(m))dt

e Exemplos-------------------------
t Determine os coef~eiootes da SF para a forma de ooda da Figura 4.1 5
1
Nesse caso. f(t} = J1 se O< t < e f{t + 2k) = f(t), kirlteiro(período T = 2).% = 1Tea SFpodesercalculada
lo.
se t<t <2

~ - ~Jt{t)dt - ~[~ + ~tOdt - ~


a" • -2'Jt(tXcos(nw0t))dt • -2 J<cos(rnrt))dt
T0 20
' + -2 JO(cos(n1Tt))dt
2,
' 1
• -sen(rnrt)
rnr
I' 1
• -sen(rnr)
n1T
• O
0

T0
J
b" =2- ' f(tXsen(nw0 t))dt = 2' 2' 1
- J (sen(rnrt))dt + - J O(sen(n1Tt)}dt = -cos(rnrt)
20 2, rnr
I' = - 1 [cos(rnr ) - 1]
n1T
0

comocos{n17)=(-1r.b = _!_(1 - (- 1}")=f,;-.nmpar


" nrr lo.npar
SinaiseRuído 153

- - -

g:o.s

of--- '-------

----,,c----,,e;;,,--:-----;',,,c-7----;,,,
-0.:.~:'-;,,----::;---,_,c.,,,---:::_,----:_.c;:,<, ;
f(S)

Flgura4.15 Sinalcomforrnadeondaquadmda

Conclu i-se então que

f(t) =.!.+~ f .!. seo(mrl). n = 2k - 1


2 Tr ,=,n

A 4.16 mostra o detalhe dos primeiros componentes desse somatório


F~gu ra

t Consklereo sinal da F~ura 4.17. Calcu le a SF desse sinal.


Essa função é definida como f(t) =/,se O< I< 1 e f(/+ k) = f(t), k inteiro. O período T = 1 e como w0 = ~. w0 = 2Tr. Podem-se
entãocalcutaroscoefieientes: T

8 =
"
~T ]t(t)í00Síl1úli)ldt = 3.1 J r(cos(2Trnl))dt = 2[____!_cos(21rnt)
2
4n"Tr
+ _!_seo(2Trnt)l
2Trn
~
0 0

= n;1r, cos(2Trn) -
4 411
;Tr, OOSjO) + ~seo(2Trn) - i,;;seo(O) =o

f(t) • .!._..!. f ~21Tnt)


2 Tr ,_1 n
154 CapÍluloQumro

• . • ,------~---~-------,

SOmatórioda1', 3' .5'e7"harmóllicas

-•,c----.::,,,. -------:---.,7.,--____,c-_-----ci,,,
I (S)

Figura 4.16 Somatório dos primeiros componentes da SF que compõem o sinal da onda quadrada.

•.•,----------------,

êo.s

---:,c-----:_,C,:,,-----:----.J,,.,
-o~,.'.,,-----:c-------c_,:;;,';:-,
l (s)

Figura 4.17 Sinal em forma de onda dente de serra

A Figura 4. 18 mostra o somatório dos primeiroscomjXlOOOtes da SF do sinal dente de serra

A dctenninaçilo dos coeficientes dos componentes das séries de As fun ções pa res possuem o gráfico simétrico em relação
Fouricrpodcscrsimplificadacmalgunscasosnosquaisépossívcl ao eixo vcnical de modo qucfll) = j{-r). As funções 1'. cos 1
classificarasfurlÇôescornoímparesepares.Nessescasos.podem- são exemplos de funções pares. A Figura 4.19 mostra uma fun -
se apl icaralguma!;propricdadesemrelaçiloàsimetriadossinais. \'ãopar.
SinaiseRuído 155

' .5 ,------~----------,

Somatório da t •. 2•.3• e4• harmOOicas


Sinal original

-0,5 11 harm00ica

_,,, __ ____,,~
.• -----'c----;';
,.5,-------;,-------,;'
, ..,
l (s)

Figura 4.18 Sommório do' primeims componente' da SF <JUC compiiem o sinal da onda dente de serra

,_ - -

-O~,';.,----:::;-c:c_,e;;.,---,-:,7----:_oe
,.,,----:,,--;,.,- , ---,:-----:!,.,
, ~c----,,.7
l {s)

Flgura4.19 Exemplodefunçàopar.

Aprincipalpropriedadedafunçàoparfr(l)é: ~
=f f
l"" ~J <l 0 j(l)dl

.
f r(t)dl = 2 f , (t)dt

A consequênciadiretaparaocálculodasériede Fourier é
a. = *1
!1,
0
f(t)cos(nw 0 t)dt

que· b, = O
156 CapÍluloQumro

- -

'·'
ê o

-0,,

_, _ - -

-l~L
.,-~--,~,,--~,-_,~,,~-o,---:
,,,o---c---,-,,<o-
, -c-~
,.,
l (s)

Figura 4.20 Exemplo de função ímpar.

J)ç maneira análoga, di~-sc que uma função é ímpar se o seu ao '"' Ü
gráficoforantissimétricoernrelaçãoaoeixovenical.ou
j(-1) = -j(t)

As funções 1 c scn 1 são exemplos de funções ímpares. A Fi-


(1, = *r\(
j(I)COS(IlWof)dt, Se

O.sen par
/J Ímpar

gura4.20rnostraurnafunçãofmpar.
Aprincipalcaracterísticadcumafunçãuímparé:
b, = *ly;
j(1)sen(nw 0r)d1. sen ímpar

O,scnpar
1/;(l)dt = O

"
caconscquência no cálculo dos coeficientes
é
ao= O
a,= O

b. = *1 j(I)SC11(11W01)dl

Asfunçõesparcs resultarnernsérieserncos-
senus de Fourier. enquanto as funções ímpares
resultam em séries em seno de Fourier.
Existe ainda outra família de funções que
secaracterizapurpussuirmciocicloespelha-
donomciocicloscguiii\C.Essasfunçõcsaprc-
sentam simetria em meia -onda e podem ser

relacionadas como: ~I- ~· ) =- j(t). A Fi -


gura4.2l mostraumafunçãocomsirnetriade
o
meia-onda. A principal conscquênciadcssa t {s)
simetria nocálculodoscoeficientesda série
de Fourier é: Figura 4.21 Exemplo de função com sime1ria ímpar de meia-onda
SinaiseRuído 157

Isso mostm que as funções que apresentam simetria de mcia- Deve-se ob.'>crvar que. quando n = O. o coeficiente C0 assume o
ondapossucrnapenashamtônicasímparcs. mesrnovalorquea 0 • E.aindaqueparavaloresnegativosden.o
cákuloduscueficientesC. Ievaaumesmoresultadodeparan
positivo. Isso possibilita descrever as equações gerais em forma
4 4 .4.2 A integral de Fourier- - - -
mais reduzida:
A integral de Fourier é uma extensão das séries de Fourier. Sa-
bc-sequcumaséricdc Fouricrpodcrcprescntarapenasfunções
periódicas no tempo. Assim. pode-se analisar um pulso de dura -
ção finita periódico com urna frequência f = ~- em que Téo
período. Esse sinal pode ser representado por f(t + nn. sendo

paraqualqucr11inteiro.
f(t) = f(r + nn
AséricdeFouricrcomplexadacquaçãof(t) = ! C,e_.._
Umarcprescntaçãogcnéricadcumafunçãoatravésdaséric expressa urna função periódica no tempo corno u"n~;·sorna de
de Fourier pode ser· exponenciais positivasenegativas.As harmônicas sinusoidais
nasséricssiiocompostasdcparesdetermospositivosenegativos
para cada frequência. A amplitude de uma hamtônica é o dobro
da amplitude de cada um dos termos exponenciais correspon-
e.comovimosnascçãoantcrior. dentes, ou seja, o dobro da amplitude de C,. A fase é o ângulo
de C•.
a0 = ~Jj(t)dt Como exemplo da série de Fourier complexa. considere o si nal
1
da Figura4.15. Lembrando que f(t)=ji.O < t < T = 2.
wo=r 2r.
Wo = -rr,tcm-sc·
lo.l < t < 2

,'
a, = ~ [ /(l)(cos 11 w 0 t)dt
"'-21 f' e"'"' dt + -21 'foe . 1 e '""" [
,' I
b, = y j(t)(sen n w t )dr 0
C
"
0
, ->•
,
"'" dt = - - -
2 - jn7T
"

l
i I
Sabendo ainda que as funções seno c cosseno podem ser rcpre-
= -2 jn1r = -;;;;·n ímpar
sentadasporsuaformacornplexa O.n JXlr
e;."' +e-'"""
COSI!w 0t = - -- - Pam o termo c<J tem-se uma indeterminação. mas por ins)JC\ào
~.
2
pode-se concluir que o termo 0C é Co =
ei-.1 - e· i-.~
sennw,t = - -.- , Escrevendo o resultado em terntos de uma série
2j

podemos reescrever o somatório: j(t) = ! C. e"""-' .temos:

f(t)=~ +· ~a."'[ ['·~ .,-•••] ['- _,--]]


- -- - + b, - --j -
2 2
f(t) = .

e reduzi-lo para Combinnndo-se os pares positivos e negntivos dos exponenciais.


pode-se reescrever a expressão para funções sinusoidais:
f(t) = a0 + ~[C.e-""' +C;e--""'-'] 1 2 2
j(l) =
2 + ;sen(r.t) + };sen(J-rrr) + ..
em que os coeficientes:
As Figur..ts 4.22(a) e 4.22(b) mostram o gráfico da amplitude
C. = a, ~jb. e c: = a, ~jb, . e da fasedoscocficientcsC, em rclaçãoàfrequêncianormali-
zadawlw,.
Podc-scobscrvarqueasériecomplexadeFourierreprcsen-

{r,-·
Substilllindo.temos·
ta os eventos repetitivos sobre um período definido. tal como

c. -- T' f/('
, - - 4- ,-·~- J ' 1·r,--- ,-·~ J},
apresentnmos na seção anterior. A única diferença é que foi
definido um novo parâmetro. As séries de Fourie r. representa-
- 4-j -
das em forma complexa ou não. podem representar as harmô-
C, = + [ f(t)e -"""dt c c;= ~ [ j(l)ei-.~Jt nicas de qualquer sinal periódico em função de uma frequência
fundamental
158 CapÍluloQumro

Considerando-se o sinal da Figura 4.23 e çalculando-sc os caséricdcFouricr:


cocficientesdasériecomplexa.tern-se·
/ (1) = .t~~-
Fazendo o período tender a infinito. temos:

w0 = *-l!.w ----> dw
nl!.w---->w
Obtém-se então a transformada direta de Fourier. a qual é defi -
scndoT ~ ~- nidaçomo
w,
Se, em vez de um sinal pcriódko. for levada em çonta uma
função qualquer. tal como um pulso isolado. é necessário
abstraíre fazer com que uma nova função periódica desses
pulsos tenha um pcríodoquctcndaainfinito.Essaabstraçào eatmnsformadade Fourier inversa:
tem por objetivo apenas definir uma função. a qual pode ser
submctidaàanálisedc Fou rier.Açonscquênciadirctaéquc /(1 ) = __!_ J• F(w)eJM dw
afrcquênciafundamcntaltcndcaum valorpróximodczcro 2rr _,
Em outras palavras. faz-se a função repetirem
um período muito grande. c sua s harmônkas
tendem a ser nào mais definidas por um n. mas
cont(nuas.dandoorigemaumespectrodefre-
quênçws.
'·'
Scaplicarmosoraciocíniodcscritonosinalda
Figum 4.23 e incrementarmos o período. a consc- '·'
quênçiadirctaéodcncmcntodafrcquênciafun-
damcntal w 0 = '7-: e as linhas no cspeçtro tor- ~ 0,3

nam-sccadavczmaispróximascaamplitudcdas
~
harmônicastcndcazcro.Obscr"cquc.nassérics <CQ,2
de Fourier. as harmônicas são finitas c têm uma
JXltênciafinitaassociada.QuandoT ...,.«>,ashar-
mônicas tcndernaaprcscntarumaamplitudceurna
JX!tênçiaassociadazcro. Entrctanto.essasharmô-
nicascontinuamarcprescntarumaquantidadefi-
nitadeenergia
ScmultiplkarmosopcríodoTpclosçocfiçicntes.
obtemosofasorquercprescntaafunçãodistribuição ,,, Frequ êncianormalizada w/w0
F(tu•-IJ) = T · C,. No resultado obtido da Figura 4.23

_.. -
F(nw 0 ) - fC. -ô
~+·· %1
nwo'Y:;

Seessafunçãoforplotadaemfunçãodafrequên-
cia.tcm-seográficoda Figura4.24. Frequêncianormalizada w/w0
Ncssafigura!Xldc-scobscrvarquc.umavczquc ~ o+-4-.-~-.-+-.-,-,,-,-.-~
operiodo tende a infinito. os JXl!1lOs de frequências (f
amostr.tdos fiçam mais próximos e no limite çons-
titucmumcspectrocontínuodcfrcquências
Levando-sccrnconsidcraçãoodcscnvolvirncnto
anterior. ofasorfunçào distribuição F(tu•-IJ)édes-
çrito:

F(nw0 ) = CJ = 1
1,

-y,
f (l)e -;..v dt
(O)

Figura 4.22 (a) Amplitude e (b) fase de c. p;~ra a ''ariaçâo da frequência w.


SinaiseRuído 159

"''

Figura 4.23 Pulsopcriódicocomlargura.S

(o)

Figura 4.24 Função F(l!w,,) \"l'Wl., w.

Aplkando a transformada de Fourier ao pulso da Figura 4.25. c o que anterionncnte era definido por um somatório agora pode
serdefi nidoporuma in tegral·

f(t) = J~ 2 sen(w1TI2) dwe ;...


_
1
2w1T

Interpretando essa equação. pode-se dizer que os pares e:~:ponen­


daiscombinam-se para formareossenosquc,entreos limites
"li ô;i.
e estão em fase e somam-se para formar o pulso. ao
160 Capi1uloQuatro

são ou corrcntcft.t). Dessa forma, a potência di ssipada pelo re-

,, sistor scrá/'i,w). Integrando-se essa potênçia no tempo. obtém-se


a energia total fornecida porftt)aoresistor

Substituindo-se a funçãojl{l) por ft.l)/(1) c aiTKia substituindo-se


~0,6
uma das fi. I) pelo se u equivalente da transfom1ada in\·ersa de
Fourier

/(1) "'"' __!_ ·J- F(w)ei""dw


2:~r _.
o-

-o~, -o,8 -o,6 -a.• -0.2 o 0.2 o,• o.6 o.8 ,

Flgura4.25 f>ulwfmito
Ma11ipulando essa equação, urn~r vez que fi./) n~u é função de w.

passo que. fora desses lirnilCs,osco rnponentesestiloforade fa-


seesuasomaresultaem7.ero.
A tran sformada direta de Fourier fomcçe informações sobre
os componemes (ou hannônicas) de frequência de um pulso não
periódico e a transfonnada inversa de Fourierexpn:ss.a uma full- Desloca-scF(w)paraforada integral imcrna. ea imcgral inter-
ção no tempo como uma sorna infinita de hannônieas infinitesi- na toma-se F( - w):
mais. Na pr.jtica. a tr.msformada direta de Fourier é mais impor--

IV,., = ,';; ~ F(wH ,~ /0)</}w =,';;f. F(w)F(-w)dw =


tante que a transfomtada inversa. e F(w). por ser uma função
composta de scoos e cossenos. representa um fasor. podendo ser
representado por uma parte complexa e outm rea l. ou. como ge-

=i;ff(w~2dw
ralmente é expresso. em uma amplitude c uma fase. Deve-se.
entretanto. observar que a amplitude da transformada de Fourier
não fomeçe uma unidade direta da amplitude (e m unidades usu-
ais) para qualquer frcquência. como no caso da sé rie de Fourier. c. finalmente,
Apesar de a forma do espec tro de F(w)de um sinal de um pulso
de tensão ser ~e melhante à resposta obtida com as séries de Fou-
rier. o IF(w)l apresenta co mo un idade ''volts por unidade de frc-
quência". Util izando a identidade de Euler, podemos escrever:
Essa equação é conhecida corno o ll'(Jrt•ma de Parsna l c
F(w)- J /(t)coswtdl + j J j(t)senwtdr = A(w)+ jB(w) moslra que a energia pode ser obtida pela intcgro~çào tanto dafi.t)
t:omo de F(w). Esse teorema t:nnbétn ajuda a entender o verda-
IF(w ~ = -J Al (w) + H 2 (w)-~ deiro significado da transformad:r de Fourier. Uma vez que a
parceladaesquerdarepresc ntacnergia. IF(w) jl rcprcscntaa dell·
,P(w) - lnn 1 B(w)_ sidade de energia uuenergiaporunidadedefrequência.Quan-
A (w )
doadcnsidade de energia é integruda ou é feita uma soma de
em que IF(w)l c !/l(w) representam. re~pectivnmcntc, o módulo IF(w)il· l).w sobre todo o espectro de frcquênci(rs, tem-se a ener-
e a fase da tmnsfonnada de Fourier. Pode-se observar que tamo gia entregue ao resistor de i O (no exemplo utili zado).
A(w) como IF(w)l são funções pares, erKJuanto /J(w) c <fl(w) são
ftmções ímpares. Ao substituirmos w por -w. ela fornece o con-

-FFT----------
I 4.4.3 Transformada rápida de Fourier
jugado de F(w) e. assim.
F( - w) = A(w) + j B(w) "' F*(w)
Ames de apresentar o conceilo da FFT. é necessário introduzir
e. desse modo. alguns concei tos relacionados a sinais di scretos que. por defini -
ção, são si nais descontínuos no tempo. Sendo assim. o conceito
f'(w) f'( - w) • f'(w) f -.(w) • A 1(w) + Hl(w) = IF(w}l1,
de FFT de\·e se r descri to por uma função que assume \"lllores
Para explicar o significado ffsicoda tran sfonnada de Fourier. apenas em pontos definidos na escala do tempo. co•oo ilustra a
pode-se uti lizar o exemplo de um resistor de I O com uma ten - Figura4.26.
Sinuise Rufdo 16 1

Considerando .f[n) uma sequência periódi-

'·' ca com período N. tem-se .i[11] = .if11 + rN]


para qualquer r inteiro. Assim como IIQ tempo
continuo. essa função pode ser representada
pelasomadostermosdasamplitudcsdashar-
mônicasdafrequênciafundamcntai~.Essas
harmônicas JXI(Iem ser rcprcs.::ntadas por ex -
0,8 ponenciaiscomplexas:

0,8
l',[r•] = ei''-'·~ = t' 1[ 11 + rN[
sendo k um inteiro. Obscr.'C que l', assume
o.• valores idênticos para \'aloll!s dekscparndos
por N. A Figura 4.29 lllOStra uma sequência
periódica çom N = 10.
0,2
Nesse exemplo observa-se que l'0[1r] =
e~·[ll[, e 1[11] = e ,v+ 1[11[, ...• r, [11[ =e, , 1 ~ [11].
sc ndo f umirnei ro.Assirnscndo.arcprcscn-
taçi\odasériede Fourier tem a seguinte for-
_.,,L,_-~-----,;,-----,~,-----,;;c------;;;--,/,,.

Figura 4.26 Sinul discre1o.


.f[n[ =i ~ X(klt ~'·"•)o.
Obseroe que no tempo continuo gcr.tlmente
Um s istema discreto no tempo pode ser definido maternati- são necessárias infinims harmônicas para descre-
cameme como um operador que mapeia uma sequência de en- ver o sinaL No tempo discreto para um sinal 00111 frtquência J1v
truda .t(l!] em uma sequência de S<Jída y( n]. É imponame escla- sãonecessáriasapcnasNexponcnciaisoomplexas.Assim.pode-se
n:cerqueasoperuçõesquescràovistasncsta seção se aplicam
npenasasistcmaslineareseinvatiames notempo.
Sistcmlls lineares:diz-se queossistcrnas silo linenresseoprin-
dpiodasuperposiçãodeefcitosscaplica:
T(.t ,(n] + xl]111l = T(x 1[11ll + T(x1[11[] = y 1[11] + y,[n]
T(tu(nll = aT{.t(nll • tl)"[ll)
sendoTumoperudOI" matemáticoeauma cons- 1 ,5·~~-~~~~-~~-~-~~-----,
tantcarbitrátia.
Sistetna.~ im•a riantt'S no te mpo: sistemas para
os quais um atruso, ou tlelay. ou deslocamento
na escala do tempo da sequência de emrada ne-
cessatiamentecausaummmsooudeslocamen-
tonaesca ladotempodasequênciade safda:
.r[n - t10 ( ~}"(11-11 0 ]

A representação das amostra~ de um s inal di s-


crctoéfeitapclaunidadedeamostrugem.aqual
gemlmente é indicada pelos autores corno 1){11],
o mesmo s Cmbolo do delta de Kroncd:cr. O dcl -
tadeKroneckcrtemseusvaloresdefinidosem: O.S

l(n]= f o.sen#O
1J.scn--O
e pode ser observado na Figur.a 4.27.
Dessa rnanciru. uma sequência (por exemplo.
Figuru 4.28) pode ser escrita de fonm1 ge1~rica·
~I -{),8 -<l.6 -{).4 -{),2 0,2 0,4 0,6 0,6

.r[n]=.~~tlkloS[•I - k]. Figura 4.27 Unidade de amostr.1gem (impulso)


162 CapítuloQuatro

'·'

0,8

0,6

o.•
o,,

-O,~\;------i;---;----7,;---;,----<;;----,,_------,!30 Figura 4.28 E~cmplodeurna !ll.'quêncian:prcsemando


um ~inal ~mostmdo no tempo

0 0 0 00 00000
012345tl781l10
Figura 4.29 l'unçnoCQm perlodoN • 10.

crnqucX[n]rcprcscntaascqoênciadoscocficicntcsdaséricdc
Fourier. Observe que se optou por manter o tcnno YN
fora da
Xtk) "" ~X[nlc·'<l•'"'lo
definição de X[n]. mas n~ouadefiniçàodc .i1n).
Assim corno no tem (XI contCnuo. pode-se explorar as proprie-
xtn J= _!_ r ."rk)t'iU·'"'lo
N l•O
dades de ortogonalidade das funções cxpone nci~is cornplexa5
são conhecidas como as séries de Fourier discreta. de anál ise e
(funçõessinusoidais)e deduzirqueoscocficientesdassériesde
de síntese. respectivamente.
Fourier podem ser escritos a5sim: Considere a scquência da Figuro 4.29. em que o período N =
JO_ Obscrwquc i(nl • O parnrr > 4. Pode-secntãocalcularos
coeficientesdasériedeFourier:

Deve-se observar que i[k] é periódica ou ilk l = XtN +k]


pamqualqucrkinteiro.Asequações
Sinuis e Ru fdo 163

Figura 4.30 (a) Amplitude e (b) fase dos cocticie nt es da série


(b) deFouricrdeu masequênciapcriódicaquadmd ncom N "' IO.

A Figuro 4.30 moslrn a forma da amplitude e da fa.'iC dos coefi- diferentes valores de r. Assim. a sequência finitaxl n l ~obt ida da
dcmes d.1 série de Fourier da scquênda mostrada na Figura 4.29 sequência peri6dica .ltnl extraindo-se apenas um período.
Tra nsro rmad a d isc reta d e Fou r ier: considera-se uma sequên- Como definimos anterionnente. a sequência dos ooeficientes
cia finita com um total de N amostrJs. se ndo que x[n] = O fora da série de Fouricrdiscreta X!k[ da sequência periódica .i[11] f
da fa i xa O s rr s N - I. Em muitos casos ainda se consideram uma scquência periódica com período N. Co m o propósito de
N amostra s. mes mo que a sequência corucnha M amostras com manter a dualidade enlre os domínios do tempo e de frcquência.
M S N.Ncssescasos,bastafazcramnplitudc igualazcroquan- pode -se escolher que os coeficien tes de Fourier que são associa-
do M s N. A c ada scquência finita com N amostras pode -se as- dosa umascquê nciadeduraçàofinita serãournascquênciadc
sociarumasequência periódica .i!rr] :
duração finita correspondendo a um período de X]k ]. Essa se-

.t~x[rt +rN[
quência de duração finita X[k] é denominada trJnsfonnada dis-
.i'[nJ - creta de Fourier (T FD ).

Assim. a sequência finita .ti>~\ pode ser definida conl<r X(k J= (X[11]. seO:s: k s N - I
O. se k2 N - I
x[n]= ( -ftn]. seO S rt :S: N 1
O. se ~~~N - 1 Os tennos X[I.:J e .i[ I!] são relacionados por:

Os coeficientes da Série Discreta de Fourier (SFD)de .i·[n] são X[k] "' ~.l [ nle ·i(l.tNl'"
:tmostras espaçadas na frequência por ~ da transformada de
Fourierdc .r[rr]. Uma vez que se supõe que:c\n ] tem comprimen- .l[ nJ = _!_ I; Xtkle.t!2~,. . ,••
tolinito N.nãocxi~tcsupcrposiçãodos tcmlOSX[II + rN]paraos N , =O
164 CapítuloQuatro

Uma vez que essas duas equações envolvem apenas o intervalo ra 4.32 mostra urna função periódica que pode se r tornada pa-
emre zero e N - 1. pode-se escrever: rao cálculo.
Se considerdrmos a s<:q uência periódica da Figura 4.32(a).
11'-'~~"1'• . se O ~ k ~ N - 1
X[k] ~

!L. -I'[IIIe
o•O
O. se k :õ! N - 1

e. assim. X = N quandok forO. ~ N. ~ 2N. ± 3N... e i= O


nos demais casos.
Esse res ultado pode ser observado na Figura 4.33.
Geralmemeasequaçõcsdeanálisee desíntesesàoescritas.res- Apesar dcsuafomlaparecersirnples.de\·e-seobscrvar qu ea
pectivamentc.como: Figura 4.33 é parecida com a da TF continu a. definida em apenas
al guns valores de frt.•quência. Se. em vez da TO F. fosse cal cula-
da a SFD. o pico que aparece em K • O se repetiria em K = 5.
Xl kl - ~ -tlll le i<I•IN)'"
K = 10..... uma vczqueoperíodoN .. 5.
Se for calculada a TFD d:1 Figurd 4.32(b). o resultado será o
.<l"i " _I_ I xlki<''"''"" mesmo obtido no exemplo da SFD mostmdo nas Figu ras 4.J<xa)
N ,.o para aatnpli1Ude c 4.30(b) pura a fnsc. A únic~ diferença é que
a TDF ~prcsent~ 11111 único pcrfodo. Sendo a~s im,
Ass im como a SFD. a Transformada DiscreTa de Fourier (TFD)
é igualmente urna amostragem da transfo rmada de Fourier
periódica. c. se a eq ua ção de sínt ese da TFD for analisada
fora do inTervalo O :S 11 :S N - l. o res ultado não se rá zero.
mas uma ex tensão periódica de x[11j. A periodicidade es tará
sempre presente. c ignorar por completo esse faTo pode gerar A TFD da função periódica da Figurn 4.32(b) pode ser vista na
muitos problemas. A definição da TFD ape nas reconhece que Figura4.34.
a região de in teresse nos valores de .r[11 j se enco ntrd no inter-
va lo O .S 11 .S N - l . porque .tjrr] é realmente zero fora desse
in tervalo c sóes1anros interessados nos valores de X]k] no
inten·alo de O .s k :s N - I. porque é desses va lores que pre-
cisamos.

'lllllllllllllll
Como exemplo. considere a sequl!ncia da Figura 4.3 1. Essa
seq uência é na verdade a funçào pulsoamostrada no tempo. O
primeiro passo a ser tomado é determinar a fu nção periódica.
da qual cada perfodo comérn a seq uência de interesse. A Figu-

o 2 • e e to t2 (a)

Figura 4.31 Sequt'ocia finita que: representa a função pulso amos- Figura 4.32 Sequi!ncias periódicas que: podem reprnentara scquên-
trada cia finita p«<JJISia a cada perfodo C(ltn (a) N • 5 e (b) N • 10.
SinaiseRuído 165

Porsuavcz.atmnsformadadcFourierdcumascquênciapo-
de ser representada por

x[n] = _!_ J~ X(ei.. )e"" dw.


21T __

em que

do mesmo modo que no tempo contínuo se pode definir módulo


efasedatransformadadeFourier:

1 sendo X(eJ<o ) o módulo c e' LXI•,..I afasc.


K A transfonnnda de Fourier é periódica. com período 21T. De
foto X(ei"') é uma fun'fàO periódica de uma variável .:ontínua e
Figura 4.33 Til) da sequênçia finita da Figur.l4.3!. utih7.andoN = 5 tem a forma de uma série de Fourier. A equação que expressa a
sequênciadevaloresx[n[emtennosdafunçãoperiódicaX(ei"')
tem a forma da integr.ll que seria utilizada para se determinarem
os coeficientes da série de Fourier. A representação de funções
periódicnsdevari:ivelcontínuaearepresentaç5odatransforrna-
da de Fourier de sinais discretos no tempo é. portanto, equiva-
lente
A questão da dctenninaçi"io da classe de sinais que podem ser
representados por essas funções é equivalente a considerar a
com•ergênciadeumasoma infinita. De fato. umacondiçãosu-
ficienteparaaconvcrgênciaé·

IX(,~j ~ l.t.'l"k-~1
IX1''"1' ~}H' -I ~ I X<e• j' ~}H <~
Desse mudo. scx[u[ é absolutamente somávcl, então X(ei"') exis-
te. Ncssccaso,aséricconvcrgiráparaumafunçãocontínuade
w. Urna vez que uma sequência estável é, por definição. absolu-
tamente somávcl. toda sequência estável tem tr.msformada de
10 12 1.( 16 111 (•) Fourier.
O fato de a TFD ser idêntica a amostras da transfomwda de
Fourier em frcquências igualmente espaçadas faz com que o
cálculo de uma TFD de N amostras corrcsponda ao cálculo de
N amostms da transformada de Fourier em N frequências igual-
mente espaçadas por w , = ~- Uma vez que a TFD pode ser
cxplicitamcntecalculada,eaplicadaàmaioriadossistcmasrcais
(e consequentemente finitos). ela tem um pnpel importantíssimo
no processamento de sinais. incluindo filtr.1gem c análise espec-
tral
Em aplicações baseadas na avaliação explícita da transfor-
mada de Fourier. o que se deseja. em condições ideais, é a trans-
formada de Fourier: entretanto. é a TFD que pode ser calculada
por meio de algoritmos otimizados. definidos como FFT (Fasl
(b} Fm1rier Transform). Existem diferentes algoritmos. que podem
scrcncontradosemvastalitcraturaarespeitodoassunto.
Figura4.34 1l'!)dascquênçiafmitadaFigurd43! . utili•andoN= 10: As inconsistências entre as amostragens finitas requeridas
(a) ampli tude e (b) fase. pela TFD c a realidade de sinais indefinidamente longos podem
166 Capi1uloQuatro

ser solucionadas aproxim~1damente atm,"éS de conceitos de pro- Esse \'alor é tanto mais bem aprox imado quanto menor for a
eessamentodigitaldcsinais banda.ForadalxlndaS, (j) '"' O.
A potência média 1•. pode eruão ser aproximada por:

• 4.5 Fundamentos sobre Ruído e


Técnicas de Minimização, - - - - -
P, 6!!" 2 X S, (/.) X !!f e assim S,{J. ) :r -fk;
Os si nai s podem ser classificados corno si nais d e t nergia e s i· Corno /!fé conhecida e P, pode ser medida. essa úllirna equação
nais d e pottl ncia. Os sinais de energia são os que possuem po- serve de base: para a medida da densidade espectral de potência
tência média igual a zero como. por exemplo. os sinais tran sitó- de um sinal. Variando-se /.. é possfvel medir a densidade espec-
rios. Os sina is de potência são os que possuem e nergia infinita. tral de potência de um sinal qualquer. aplicado na entrada do
porém com urna potência média finita. tendo como exemplos os filtro.ernurnadetenninadabandadefrcqllênciadcimcresse.
ruídos e os s inais periódicos. Ruído é todo sinal indesejado qlle interfere em uma medida.
Associados aos sinais silo definidas duas impor1antes gran- limitando assim a exati dilo do siste ma de instrun~eruação. Esses
dezas: uma parJ ~inais de energia. a d c nsid:~de espcctml de sinais podem ter origem no próprio circui to de medição c na
encrg ia.coutrapara ossinaisde potência. a d e nsid ad e espec- transmissãodosinalapontosl\!rnotos.
tra l d e pot ência S, (w). Os ruídos sUo si nai s de potência aleató- Gcnericarneme,ruidossàoquaisquersinaisquetêmacapa-
rios, c por isso abord:trernos o est udo da dcusidadc espectral de cidadedereduzirainteligibilidndedeurJrainforrnaçllodesorn.
potência. imagem ou dados. Não fossem os ruídos. mn s iual desejado po-
A fun\'ão dcnsid;tdc c~pectral de potênciaS, (w) ou S, (j) de deria ser amplificado por uma cnsc:tta de mnplificadores cfou
um sinal x (t) define a densidade de potência por unidade de fillros de alto ganho, c. cnt~o. informações de reduzidíssima
lxlnda em funçnoda fl\!qllêneia (potênci(t média por un idade de energia poderiam ser detectadas sem problema. Acontt."Ce qlle.
lxluda) desse si n11l. A sua unidade é wau por radiano por segun- quandoarnplilicarnosurnsinal.orufdoétarnbénramplificado
do (W/rad/s) ou wau por her1z (WfHz). A soma dos produtos Umdosobjctivosdeumprojetodeinstrurnentaçãoéaredu-
(slla integral) de redliZidas bandas pe las amplitudes correspon- ção dos nÍ\'eis de ruído induziOO e transmi tido. apesar de não ser
demcs fornece a potência média do sinal. possívcleliminá-locompletarnentc.
Se um sinal com densidade espectral de potênciaS, (w) é No em amo. os ruídos também têm seu lado útil. pois. devido
aplicado a llm siste ma linear. in"ariante no tempo(amplificador à sua riqueza espectral. alguns ti pos de rufdos servem de fonte
01.1 filtro. por exemplo), com resposta em frcquência H (w). a paraasíntesedafala.deinúmerossonsdanmurez.aedcSOilsde
densidade espectral de potência na safda do sistema é dada instrumentos muskais. Além disso. sào úteis para a cali brnção
decqllipamentoseletrõnicos.como sinais dercste.enasrnedidas
'''" S, (w) = S, (w)H(w) ' .
das caracteristkas de filtros, amplificadores. sistemas de áud io
eletroacústicos e 01.1tros sistemas. Os ruídos não possuem uma
Essa propriedade pode ser usada para dois impor1antcs fins: expressão mmemática rro tempo que os defina. não podendo ser
preditos no tempo. nem mesmo depois de detectados. exceto em
Determinação da magnitude da resposta em frequência H (w)
ca.o;os como o ruído de interferência de 60 1-lz.
de um sistema linear e in\~Jriante qualqucr.dcsdequeseco-
Em qualqller sistema de instrumentação ex iste m dois fmores
nheçaS , (w) (de um ruído brJnco. porexernplo)e se meçaS,
domiuantesquelimitarnodcsempenho·
(w)
ii. Dctenninação da densidade espectra l S, (w) de um sinal. t Ruído aditi\'O: gerado pelos dispositi\'OS eletrônicos que são
desdequeseconhcçaarnagni wdcdarcspostacmfreqllência utilizadosparJfi hrar eump lificarossinais:
H(w)esc meçaS,(w). t Atemtaçilo do si na l: é a redução da amplitude do sinal em
funçilodasperdasgerad;tsrrornciodetr.msmissilo-rcccpção.
A função densidade espec tnrl de potênciaS, (w) também é
dcixando-ornai s\'u lnerá\'el:torufdoaditi\'o.Aatcnuaçllodo
normalnrerrteexpressa nasunidadc s A/í:;z c V/í:;z: sendo as- sinal pode se r contornada pela utili zação de um amplificador
sim. também é defin ida como potência média por unidade de queaumcntao se uní\'eldeenergiadur.m teatm nsmissão.
lxlndaern unrrcsistOrde I n . lssosede\'eaofatodcquea lgllnS Porém. o amplificador introduzir:! rufdo aditivo. podendo cor-
sinais de ruído se apresentam rm nature1.a sob a fom1a de cor- romper o sinal. que deve ser lc"ado em consi deração durante
rentes ou tensões. Como para um resis10r de 1 O os "alorcs efi - o projeto do sistema de instrumentação. A área da c iência que
cazes de tensão e de correme são a raiz qlladrada positi"a da estuda a habilidade de um sistema e letrôn ico operar correta-
potência média. os ruídos também são aprcscmados na forma de mente em um ambiente elerrornagrtétioo e a possibilidade de
\'alor m1s de corrente ou valor m1s de tensão por raiz de Hertz.. esse siste ma operar como uma fon te de interferênc ia se cha-
nas unidades 1JHl e JI.JHZ· respectivamente. ma compa tibilida d e t le lrom agnéliea. ou simplesmen te de
EMC.
Considere um sinal ;r (1) com uma densidade espectral S. (/)
aplicado em lllll filtro passa-faixa de banda estrei ta !!f. com fre-
quência central f.. Considerando também QliC a resposta (dentro t 4.5.1 Caracterização do ruído - - -
da lxlnda do filtro) em magnitude do filtro é unitária tem-se:
O ruído é um sinal purJmell!e aleatório. por1anto scll valor ins-
S, (j) a S, (/) tantâneo não pode ser dctem1inado em qllalquer mome111o. O
SinaiseRuído 167

a/). violeta (com o DEP proporcional af 1) além de ruídos ga-


lácticos(l/fH) eatrnosféricos(formairregular)
Como as fontes de ruído possuem amplitudes que variam
aleatoriamente com o tempo. o;;omentc podem ser especificadas
]X)ralgurnafunçãodensidadedeprobabilidade.comoagaussia-
na. que é a mais comum. ou então por funções de autocorrela-
ção
A funç5ode autocorrclaç5oalgumas vezes é usada para di -
ferenciar uma informação desejada (som. imagem ou dados) de
um ruído. Por exemplo. a amostra de um sinal de fala ou imagem
égntndernentecorrclacionadacomurnaarnostntanterior.Corno
issonãoacomccecomosruídos.cssacaracterísticaégeralmcn-
tcusadaparatcntarcliminá-los.Atransformadadc Fourier da
funçâodeautocorrclaçâoéafunçãodensidadeespectntl depo-
tência.
O ruído branco é por definição aquele que tem a sua potên-
ciadistribuídauniforrnernentenoespectrodefrequência.ouse-
ja. S., (j) = N., é uma constante. O nome ruído branco vem da
Figura 4.35 Exemplo de equipamento eletrônico sujeito a uma va- analogiacomoespectroeletrornagnéticonafaixadeluz.A luz
ricdadedcfontesderuídoeletrornagnético. bmnca contém todas as frequências do espectro visível.
Os ruídos bmnco e rosa. os mais importantes encontrados na
natureza. têm a propriedade de serem ruídos com distribuição
gaussiana. com valor médio nulo (ruídos com outros ti]X>sde
ruído pode ser gerado internamente em função do uso dos com- distribuiçãosãoproduzidosanifrcialmcnte)
ponentes passivos e ativos. ou ainda pode ser sobreposto ao cir- Podesermostrado.paraprocessosergódicos.' cornoéocaso.
cuito por fontes externas. como. por exemplo linhas de energia que o desvio padrão é o valor elicaz da tensão de ruído. V,......
elétrica. motores elétricos. sistemas de ignição. sistemas de co- Assim sendo. o valor eficaz da tensão de ruído pode ser estima-
municação etc .• como excmplifkado no esboço da Figura 4.35 docornoovalorpicoapicodatensãoderu(do(desprezandoos
Ponanto.obomdesenvolvimentodeumsisternadeinstrurnen- picos com poucas probabilidade;; de ocorrência) dividido por 6
tação deve ser projetado para garantir a compatibilidade com o A Figum 4.36 mostra um exemplo de ruído branco no tempo. O
ambiente de utilização. ruído térmico (therma/noise) e o ruído de disparo ou qu~ntico
Vários são os tipos de ruídos. e várias são as formas de clas- (shot noise). descritos a seguir. são gcr.dmentc aproximados por
sificá-los. Aqui. ser.lo classificados de duas formas: quamo à sua ruídobrancocaprcsentamdistribuiçõesgaussianas
dcnsidadecspcctraldcpotênciacquantoàsuaorigcrn Uma das aplicaçõesdoruídobrancoconsiste na síntese de
Primeiramente. como mostra a Tabela 4.1. os ru(dos. quanto sinais de fala. O aparelho fonador humano é um complexo ge-
à forma da densidade espectral de potência (DEP). ou conforme rador de sons que pode ser modelado por um gerador de pulsos
a energia se distribui no espectro. podem scrdassificadoscrn cornfrequênciaearnplitudecontroláveis(paraagentçãodevo-
cinco grandes gn.rpos: amplitude constante. proporcional Yt· gais. por exemplo) c por um gerador de ruído branco (para a
geração de foncrnascornoo/f/co/s!. por exemplo). mais um
proporcional a }jl• proporcional a }jl.' c forma irregular. banco de filtros.
A Tabela 4.1 mostra a classificação dos principacis tipos de Oruídorosaé.pordcfinição.aquclccujadcnsidadccspectral
ruídos quanto à fomwdadensidadesespectraldcpotência.ern de potência é proporcional ao inverso da frequência. na fonna
que os nomes genéricos são dados na forma de cores. Algumas
referências ainda ci tam os ruídos: azul (com o DEl' proporcional
s, (!) = 7· Onomeruídorosa vemtambémdcumaanalogia

com o espectro luminoso. A luz vermelha possui a mais baixa


frcquênciadocspectrovisívcl.eoruídorosatem mais energia
nasbaixasfrequências. Esscti]X)dcruídoécomurncntccncon-
Tabela 4.1 Tipos de ruído quanto a suas cores trado na natureza. É chamado por muitos nomes: ruído Yt·
Formada densidade Exemptode n.rídodcbaixa frequência. n.rídodccontato. ruído de excesso.
Nome genérico espeetratdepoténeia ro ido
ruídodesemicondutor.ruídodecorrcnteeruídojlicker. Eleapa-
rece em diodos. transistores em geral. rcsistores de composição
Ruídorosaouruído de carbono. microfones de carOOno em contatos de chaves e re-
colorido lés etc. Corno comentado anterionnente. os ruídos rosa têm a

Popcom
1Umpr<XeS'"-' alcalório é dilo crgódicoquandosuaspropricdao.lcs cSialiSIÍcas
podcm sero.lc1Crminadasal"'nirdcumaamoslr•doprocesso
168 Capfwlo Quatro

Figura 4.36 Ruído braoco gaussiano e sua distribuição gaussiana de energia (2500 amostrns c dovio padrão u igual a 1.0).

propriedndc de serem ruídos com distribuição gaussiana. Dentre 4 4.5.2 Tipos de ruído intrínseco ou
todos os rufdos. o ruído rosa é o que mnis tem rcla'ião com os
sons da natureza. Se convenienteme