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Antimicrobianos

Transcrição da aula
Dra. Marilú Victoria

Os 12 passos para previnir resistência antimicrobiana

Baseia-se em prevenção de infecção, diagnóstico e tratamento efetivos, uso correto de antimicrobianos,


previnir a transmissão.

PASSO 1: IMUNIZAÇÃO
Exemplo: a imunização pré-alta hospitalar de pacientes de risco (comorbidades ou > 60 anos) contra
influenza e pneumococo, assim como a imunização dos profissionais de saúde contra influenza podem
previnir infecções. — o pneumococo é o principal germe responsável pela pneumonia comunitária.
✓ Dar vacina contra influenza e pneumococo antes da alta dos pacientes de alto risco;
✓ Imunizar anualmente os profissionais de saúde contra influenza;

PASSO 2: RETIRAR OS CATÉTERES


Cateteres e outros procedimentos invasivos são a principal causa exógena de infecção hospitalar. A partir do
momento em que não haja mais indicação para o uso do catéter, da sonda e outros meios invasivos, devemos
retirar. Quando se suspeita de infecção por algum desses meios, podemos encaminhar para a cultura.
✓ Usar cateteres apenas quando essenciais;
✓ Usar o cateter adequado;
✓ Usar protocolos para inserção e manutenção dos cateteres;
✓ Remover cateteres desnecessários;

PASSO 3: IDENTIFICAR O PATÓGENO


Todas vezes que você, médico, entra com um antibiótico, deve coletar uma cultura!
Funciona assim: antibiótico é algo urgente, se o paciente tem febre e um foco bacteriano não podemos
esperar, então com base na clínica do paciente, o sítio da infecção podemos iniciar empiricamente uma
antibióticoterapia. Porém, devemos sempre confirmar através da cultura para saber se aquele germe é
sensível a nossa escolha de antimicrobiano. Se não for, trocamos e se for, manteremos.

⚠ A coleta da cultura é sempre antes de se iniciar a antibioticoterapia! ⚠

PASSO 4: APOIO DE ESPECIALISTAS


Vários estudos sugerem que o infectologista pode aprimorar os resultados do tratamento das infecções,
otimizando o uso de antimicrobianos, reduzindo custos e a permanência hospitalar. Permanecer dentro de um
ambiente hospitalar é um risco, quanto maior o tempo, maior a chance de se contaminar. Principalmente:
- Pacientes graves
- Pacientes que falham na resposta ao tratamento de primeira linha
- Pacientes com esquema terapeutico complexo

PASSO 5: REALIZAR O CONTROLE DE ANTIMICROBIANOS


Todo hospital deve ter uma padronização de antimicrobianos e uma gama que controla os ATB: alta gama
(última linha) — geralmente liberado por um infectologista da CCIH.
Os de primeira linha o médico tem liberdade para prescrever. O hospital que não tem CCIH gasta muito e
tem ↑ índices de infecção hospitalar e resistência bacteriana.

PASSO 6: UTILIZAR DADOS LOCAIS DE RESISTÊNCIA


Todo hospital tem perfil bacteriano. Ex: Hospital infantil, mais fungos e gram + e Hospital adulto mais gram
-. Então é muito importante quando se chega em um hospital, que conheça os índices de infecção bacteriana
(principalmente em cirurgia).
Quais as medidas que o hospital adota para controlar a infecção? Se tem uma CCIH que monitore, que é
atuante. Muitas vezes temos apenas no papel e não atuante. A presença do CCIH trás muito respaldo aos
médicos que ali trabalham.

PASSO 7: NÃO TRATAR CONTAMINAÇÃO


Existem infecções e existem contaminações ou colonização! (Olhar passo 8)

PASSO 8: TRATAR INFECÇÃO, NÃO COLONIZAÇÃO


Eu preciso ter certeza que aquela bactéria que cresceu é uma infecção
Ex: em um abscesso cresceu um microorganismo que não era para estar ali, não faz parte da flora da pele,
então pode ser apenas uma contaminação ou colonização.
Eu, como médico, preciso ter esse discernimento para não tratar uma colonização no lugar de tratar uma
infecção.
✓ Eu tenho que tratar uma pneumonia e não um aspirado orotraqueal! — Muitas vezes vamos ver na
prática clínica, o médico colher uma cultura do aspirado traqueal antes de proceder com a IOT, mas
apenas para ver a colonização daquele paciente e não para trocar ATB.
✓ Eu trato uma bacteremia e não o catéter que está inserido — Se o paciente está com bacteremia e um
catéter venoso central, eu tiro o catéter e avalio. Posso pedir cultura da ponta do catéter + hemocultura!
✓ Tratar a infecção do trato urinário, não a sonda vesical — Não se manda sonda vesical para
cultura, pois ela fatalmente dá positiva e não vai refletir a infecção do paciente, aqui colhemos
a urina!

PASSO 9: SABER QUANDO DIZER NÃO À VANCOMICINA


Medicação para tratar gram + hospitalar!
Quando a oxecilina (droga de primeira escolha, comunitária) não funciona para o pneumococo, staflococo e
enterococo, nós usamos a Vancomicina. Nos últimos anos houve um crescente abuso do uso da Vancomicina,
então tomaram-se algumas medidas para reduzir isso, (desmamar o uso).
- Não tratando contaminação ou colonização e sim a infecção
- Febre em paciente com catéter não é sinônimo de emprego de Vanco — A febre em paciente com catéter
nem sempre precisa dar vancomicina, primeiro se retira o catéter, colhe as culturas… só o ato de retirar o
catéter, muitas vezes, já cessa a febre.
- GRAVIDADE x RESISTÊNCIA — Não são sinônimos! Um paciente da comunidade que nunca usou
ATB algum, não estava internado nos últimos anos pode ter um abscesso de pele que pode evoluir para
sepse, uma infecção grave, ou uma endocardite. É grave, mas pode não ser resistente. Eu posso fazer uma
Oxacilina na dose máxima e melhorar o quadro!

PASSO 10: SUSPENDER O TRATAMENTO ANTIMICROBIANO


As bactérias gram +, em especial o staflococo, precisa de mais tempo de antibióticoterapia, assim como a
Pseudomonas (gram-) — pelo menos 10 dias e staflo, dependendo da infecção, de 14 a 21 dias. Porém, no
geral de 7 a 10 dias é o suficiente!
Fazer o menor tempo possível para curar a infecção e tirar o paciente do hospital o mais rápido possível
desde que o ATB possa ser transferido de EV para VO.

🔴 Jamais oferecer tratamento EV de ATB em casa, pois pode haver algum efeito colateral (raro,
porém possível) e o paciente vir a ter uma parada cardíaca em casa 🔴

PASSO 11: ISOLAR O PATÓGENO


Nossa prioridade! Devemos sempre coletar culturas antes de iniciar o antimicrobiano!
Quando acontece da mesma bactéria que está na cultura da ponta do catéter aparecer na hemocultura,
significa que ela já não estava mais restrita ao catéter, já passou para a corrente sanguínea e já é uma SEPSE.

⚠ Colher sempre a hemocultura e cultura da ponta ⚠

PASSO 12: NÃO SEJA FONTE DE CONTAMINAÇÃO


Profissionais de saúde podem disseminar microorganismos multiR para os pacientes. Algumas ações podem
ser tomadas, como ficar em casa se estiver doente, faça higiene das suas mãos e seus materiais.

USO RACIONAL DOS ANTIMICROBIANOS


1. O paciente esteve internado recentemente? —- Caso o paciente tenha tido alta de internação há 3/5 dias,
tenho que verificar se não é uma infecção hospitalar, pois isso muda o padrão de uso dos
antimicrobianos.
2. Uso prévio de antimicrobiano? Qual? — É importante saber isso para não repetirmos os
antimicrobianos antes do tempo estipulado de pausa de cada um. Por exemplo, paciente

internou e usou um quinolona, não posso utilizar novamente antes de 3 meses, pois se faz pressão
seletiva e o paciente não responde.
3. Qual dose utilizar? — em pacientes obesos, usamos dose máxima do antimicrobiano
4. Qual a condição do paciente?
5. Tempo de tratamento
6. Quando posso trocar a via de tratamento?

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