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FRENECTOMIA LABIAL SUPERIOR: RELATO DE CASO

Pedro Henrique Ferreira da FONSECA1, Lucas Ferreira da FONSECA1, Mariany Duarte de


OLIVEIRA1, Bruna Zovico Moreira VICENTE1, Silmar ANTUNES2

1
Acadêmico de Odontologia da Universidade Iguaçu – Campus V – Itaperuna. RJ
2
Professor do Curso de Odontologia da Universidade Iguaçu – Campus V – Itaperuna. RJ

*Autor para correspondência: pedrodafonseca@msn.com

RESUMO
A frenectomia é o nome da cirurgia onde se remove o freio labial, eliminando o
excesso de tecido interdentário que tem origem congênita localizada na linha media, que
são compostas por um tecido fibroso de formato triangular, que se origina na linha
mediana da superfície interna do lábio e se insere na gengiva maxilar entre os incisivos
centrais. O objetivo desse trabalho foi demonstrar as etapas cirúrgicas de uma
frenectomia, em um paciente com freio labial hipertrófico associado a diastema
interincisal, facilitando para a ortodontia o alcance da beleza do sorriso. A proposta do
trabalho foi um relato de caso clínico, em um paciente do sexo masculino, com 54 anos
de idade, que se queixava de diastema interincisivo, na qual o freio impedia o
fechamento. A técnica utilizada foi a frenectomia labial superior, realizada na Clínica de
Odontologia da UNIG - Itaperuna Campus V, sendo de grande necessidade, pois se o
freio não fosse removido, o espaço entre os incisivos não iria fechar, independente da
ajuda do aparelho ortodôntico, depois de retira-lo, o espaço iria voltar. Para a correção o
cirurgião-dentista faz uso de diversas técnicas de frenectomia, que variam de acordo
com a forma do freio, necessidade estética e funcional, pois ira trazer para o paciente
diversos benefícios, principalmente o bem estar, estética, saúde periodontal e remoção
de hábitos viciosos. Com isso com um diagnostico correto e uma técnica bem
executada, o sucesso do tratamento será excelente.
Palavras chave: Freio Labial; Cirurgia Bucal; Gengiva.

ABSTRACT
The frenectomy is the name of the surgery where the lip brake is removed,
eliminating the excess of interdental tissue that has congenital origin located in the
midline, which is composed of a triangular-shaped fibrous tissue that originates in the
midline of the inner surface of the lip and inserts into the maxillary gum between the
central incisors. The aim of this study was to demonstrate the surgical stages of a
frenectomy in a patient with hypertrophic lip brake associated with interincisal
diastema, making it easier for orthodontics to achieve the beauty of a smile. The
purpose of this study was a case report of a 54-year-old male patient who complained of
an interincisal diastema in which the brake prevented the closure. The technique used
was upper lip frenectomy, performed at the Dental Clinic of UNIG - Itaperuna Campus
V, being of great necessity, because if the brake was not removed, the space between
the incisors would not close, regardless of the help of the orthodontic appliance. After
removing it, the space would return. For the correction the dentist makes use of various
frenectomy techniques, which vary according to the shape of the brake, aesthetic and
functional need, as it will bring to the patient several benefits, especially well-being,
aesthetics, periodontal health and removal. of vicious habits. With this with a correct
diagnosis and a well executed technique, the success of the treatment will be excellent.
Keywords: Labial Frenum; Surgery Oral; Gingiva.
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1 – Introdução

A frenectomia é o nome da cirurgia onde se remove o freio labial, eliminando o


excesso de tecido interdentário que tem origem congênita localizada na linha media, que
são compostas por um tecido fibroso de formato triangular, que se origina na linha
mediana da superfície interna do lábio e se insere na gengiva maxilar entre os incisivos
centrais (JOCHEM, 2018).
Em alguns casos, o freio desce ate a margem alveolar e insere na papila
interdental no palato, podendo causar dificuldade na fonação, alimentação, recessão
gengival e estética, originando assim, diastema interincisal, ocorrendo a necessidade de
serem removidos. (PIÉ-SÁNCHEZ et al., 2012)
Clinicamente para identificar um freio labial anormal, devemos tracionar o lábio
para diversos lados, que vai causar a isquemia, determinando assim seu diagnostico
(CAVALCANTE et al., 2009;).
A presença do espaço interdentario nos incisivos centrais superiores, prejudica o
sorriso do paciente, reduzindo assim, sua autoestima que vai acaba influenciando no seu
bem-estar. (ALMEIDA et al., 2004)
Diante disso, o objetivo dessa pesquisa foi demonstrar as etapas cirúrgicas de
uma frenectomia, em um paciente com freio labial hipertrófico associado a diastema
interincisal, facilitando para a ortodontia o alcance da beleza do sorriso.

2 – Relato de Caso
Toda descrição deste relato de caso esta baseada nas diretrizes do CARE
guideline (RILEY et al., 2017). O Comitê de Ética da Universidade Iguaçu – Campus
V, instituição na qual o paciente foi atendido, dispensa a submissão para aprovação por
trata-se de pesquisa de caso clinico.

Informações do paciente
Paciente de 54 anos, sexo masculino, parda, apresentou-se na Clínica Integrada
de Odontologia da UNIG – Itaperuna Campus V, se queixando dos espaços entrem os
dentes. Sua historia medica não apresentou nenhum tipo de alteração sistêmica que
tenha relevância para esse relato.
Ao exame clínico observou diastema entre os incisivos centrais superiores, o
botão palatino hipertrófico, o qual impede o fechamento do diastema (Figura 1). O
tratamento proposto foi à cirurgia de remoção, frenectomia e logo após encaminhar o
paciente para tratamento ortodôntico, que possa ser realizada o fechamento do diastema.

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Figura 1 - Caso inicial: Paciente se queixando da presença de diastema entre os
incisivos centrais.

A técnica cirúrgica foi iniciada após a antissepsia extra e intraoral, com


clorexidina a 2% e 0,12% respectivamente, secagem da mucosa e aplicação do
anestésico tópico, anestesia infiltrativa vestibular à direita e à esquerda do freio
(Figura2).

Figura 2 - Anestesia infiltrativa vestibular à direita.

Anestesia do nervo nasopalatino, isquemiando toda a região, usando anestésico


lidocaína com adrenalina 2%, com a quantidade de 2 tubete (Figura 3).

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Figura 3 – Anestesia do nervo nasopalatino.

Foi utilizado fio de seda 3.0 para orientação da incisão e com o uso do bisturi e
lamina 15, através de um movimento firme e continuo, foi realizada a incisão,
acompanhando a anatomia do botão. A lamina entra em contato com o meio interno,
marcando todo o local que vai ser removido (Figura 4).

Figura 4 - Incisão acompanhando a anatomia do botão palatino.

A lamina vai incisando ao redor do tecido. Seguramos o tecido o porta agulha,


que possui a função de prender o tecido que vai ser removido. Após a remoção com
cureta de grayce 5/6, foi feito a manobra de engraxate com o intuito de confirma a
remoção de fibras do freio labial e irrigamos o local com soro fisiológico para
eliminação dos detritos (Figura 5).

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Figura 5 – Manobra de engraxate.

Com o fio de nylon 4-0, foi iniciada a sutura com ponto simples e em X para
melhor hemostasia. A sutura foi realizada de forma simples e rápida ( Figura 6).

Figura 6 - Realização da sutura.

Para o conforto do paciente, foi feito todas as recomendações necessárias e


prescrito antinflamatorio, Ibuprofeno 300mg de 8 em 8 horas por 3 dias.

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Figura 7 - Foto final: 7 dias após a cirurgia.

A sutura foi removida após 7 dias da realização da cirurgia. Paciente apresentou


uma ótima cicatrização, com isso encaminhamos o paciente para a ortodontia (Figura 7).

3 – Discussão
Baseados em estudos de Duarte et al., (2005) as correções destes espaços
interdentário poderia ser feito com a ortodontia, em resina composta e a cirurgia, onde
concluímos que cirúrgica deverá ser feita pelas técnicas de frenectomia que é a remoção
completa do freio, incluindo sua inserção ao osso subjacente, de suma importância nos
casos de diastema associado ao freio labial superior de inserção baixa ou frenotomia que
consiste na remoção parcial do freio e no reposicionamento da sua inserção.
Já, segundo Valladares et al., (1996) o principal problema do tratamento
ortodôntico dos diastemas interincisivos consiste na recidiva do diastema quando a
frenectomia não é realizada. Quando os incisivos são movimentados ortodonticamente,
o tecido que estava entre eles fica acumulado. Diferentemente do tecido ósseo, o tecido
gengival não sofre reabsorção em curto período de tempo. As fibras colágenas e
elásticas são então comprimidas e ocorre uma força de reação que pode resultar recidiva
do diastema.
Encontramos na literatura que há diversos opiniões de autores sobre a idade
relacionada para realizar a frenectomia, no relato descrito o paciente já apresentava 54
anos, idade acima da discutida por Neto et al., (2014) falava em não realizar a
frenectomia após a erupção dos caninos permanentes ou aos doze anos de idade. Apesar
de a intervenção cirúrgica ter sido realizada tardiamente, irá apresentar resultados
positivos, pois o espaço não será fechado sem cirurgia, sendo importante a realização da
mesma.
De acordo Casarin (2009) e Andrade et al., (2017) a presença do freio dificulta
os movimentos dos lábios, dificuldade na escovação, impacção de alimentos, afeta os
sons da fala e pode provocar a retração gengival. E como principal, não permite o
fechamento do espaço entre os incisivos centrais.

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A frenectomia é considerada um tratamento cirúrgico simples e bastante
estudado. Muitos autores vêm procurando melhorar os resultados pós-cirúrgicos, tem
realizado diversas analises e modificações técnicas (KINA et al., 2005).
Porém, apesar de ser mencionada pelos autores como uma cirurgia simples, ela
foi de suma importância para a correção. O cirurgião-dentista faz uso das diversas
técnicas de frenectomia, que variam de acordo com a forma do freio, necessidade
estética e funcional, que embora variam de materiais a serem utilizados, promovem a
remoção do freio e estabilização do caso. Sendo indicada a realização após a erupção
dos incisivos laterais permanentes ou caninos superiores permanentes.

4 – Conclusão
Concluímos que a realização da cirurgia de frenectomia labial superior de um
freio hipertrófico foi de suma importância para o caso. Para a correção o cirurgião-
dentista faz uso de diversas técnicas de frenectomia, que variam de acordo com a forma
do freio, necessidade estética e funcional. Sendo assim importante salientar que cada
técnica tem sua indicação, importando para tal domínio das mesmas pelos profissionais
e o saber de quando e como elas devem ser aplicadas. Com isso, pode- se concluir que
através de um diagnostico correto, uma técnica bem executada, o sucesso do tratamento
será excelente.

5 – Referências

1. ANDRADE, J.J.S.; CABRAL L.N.; MALASPINA O.A. Reabilitação estética anterior pós-
frenectomia: relato de caso. Arch Health Invest. Vol. 6, n 10, 2017 p. 477-485

2. ALMEIDA, R.R.; GARIB, D.G.; ALMEIDA-PEDRIN, R.R.; ALMEIDA, R.M.; PINZA, A.;
JUNQUIRA, M.H.Z. Diastema interincisivos centrais superiores: quando e como
intervir?. Rev Dental Press Ortodon Ortop Facial. Vol. 9, n.3, 2004 p.137-156

3. CAVALCANTE, J.A.; XAVIER, P.; MELLO-MOURA, A.C.V.; ALENCAR, C.J.F.; IMPARATO,


J.C.P. Diagnóstico e tratamento cirúrgico do freio teto labial persistente em pacientes
no período intertransitório da dentição mista–relato de caso. Rev Inst Ciênc Saúde.
Vol. 27, n. 3, 2009 p. 290-4

4. CASARIN, REJANE. Freio labial superior: Diagnóstico Cirúrgico. 38 f. Monografia –


Odontologia, FACULDADE INGÁ. CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM PERIODONTIA, 2009.

5. DUARTE DA, BÖNECKER M, CORRÊA FNP, CORRÊA MSNP. Cirurgia bucal em pacientes
pediátricos. In: Corrêa MSNP. Odontopediatria na primeira infância. 2ª ed. São Paulo:
Santos; 2005. p.629-44.

6. JOCHEM, GABRIELA. Frenectomia labial superior. 23 f. Monografia – Odontologia,


Centro Universitário São Lucas, 2018.

7. KINA, J.R; LUVIZUTO, E.R; MACEDO, AP.A; KINA, M. Frenectomia com enxerto gengival
livre: Caso Clínico. Rev Odont de Araçatuba. Vol. 26, n. 1, janeiro/junho, 2005 p. 61-64

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8. NETO, O.I.; MOLERO, V.C.; GOULART, R.M. Frenectomia: Revisão de literatura. Revista
UNINGÁ Review. Vol. 18, n. 3, abril/junho, 2014 p. 21-25

9. PIÉ-SÁNCHEZ J, ESPAÑA-TOST AJ, ARNABAT-DOMÍNGUEZ J, GAY- -Escoda C.


Comparative study of upper lip frenectomy with the CO2 laser versus the Er, Cr:YSGG
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10. RILEY DS, BARBER MS, KIENLE GS, ARONSON JK,VON SCHOEN-ANGERER T, TUGWELL P,
KIENE H, HELFAND M, ALTMAN DG, SOX H, WERTHMANN PG, MOHER D, RISON RA,
SHAMSEER L, KOCH CA, SUN GH, HANAWAY P, SUDAK NL, KASZKIN-BETTAG M,
CARPENTER JE, GAGNIER JJ.CARE guidelines for case reports: explanation and
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11. VALLADARES NETO J, RIBEIRO AV, SILVA FILHO OG. O dilema do diastema mediano e
freio labial superior: Análise de pontos fundamentais. ROBRAC 1996; 6(19):9-16.

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