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Tendo um vista que o mundo comtemporaneo está repleto de


atrocidaes que acometem milhões de pessoas. Considerando que a marioria dos
crimes cometidos atualmente ficam impunes e que muitos também transcendem os
limites dos Estados, há necessidade da criação de uma Corte Internacional para
julgar esses delitos.

Percebe-se que a criação de uma instituição internacional se m,ostra


extremamente adequada à conjuntura atual. Com a intenção de concretizar esta
idéia, aproximadamente 150 países, na Conferência Diplomática de
Plenipotenciários das Nações Unidas criaram o Estatuto de Roma, em Julho de
1998. Assim nascia o Tribunal Penal Internacional, o qual bsca proteger os direitos
humanos, direitos estes ques até já se encontraram assegurados em diversos
ordenamentos jurídicos.

O Tribunal Penal Internacional, sediado na Haia, é qualificado como


permanente, complementar, internacional, independente e é baseado na cooperação
dos Estados. A sua complementariedade diz respeito à limitação de competência,
porquanto tem por objeto, especificamente, quatro tipo de delitos. O tribunal
somente terá jurisdição sobre esses crimes quando as Estados, que têm
responsabilidade primária, se mostrarem de alguma forma incapazes de
responsabilizar penalmente o acusado. A independência decorre de fato de não ser
subordinado a nenhum país ou instituição internacional. A cooperação é a própria
condição de eficácia do Tribunal, no qual este e os Estados deverão trabalhar
conjuntamente por uma finalidade comum.

Assim, visa-se entender a importância e os reflexos que o Tribunal


Penal Internacional possui na atual ordem mundial. Para tanto, acredita -se que é
necessario realizar analise breve da história do aludido Tribunal, obervando as
instituições que o antedecedera m. Daí será possivel atentar-se para a relação
existente entre o Tribunal Penal Internacional e a Organização das Nações Unidas,
especialmnte, o Conselho de Segurança. Tratar -se-á também do aspecto
instituicional do Tribunal Penal Internacional, neste camp o, deseja-se abordar as
funções de seus membros e a sua organização.

Pretende-se, também, apontar alguns pontos dos pontos do Estatudo


de Roma, verificando os tipos de competência (i   i i  i
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 ), bem como observar as questões mais controvertidas. Além
destes aspectos processuais, será visto o funcionamento do processo propriamente
dito, além de outros aspectos correlatos.

Por fim, pretende-se estudar sobre a viabilidade, a possibilidade e a


forma de incorporação do Estatudo de Roma ao direitos brasileiro. A partir desde
ponto é possivel discorrer sobre os procedimentos de incorporação do Estatudo ao
ordenamento juridíco brasileiro, especialmente o procedimento longo. Com isso,
necessário se mostra analisar sobre a relação existente entre o Estatuto de Roma e
a Constituição Federal de 1988.
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O direito internacional tem como uma de suas pretensões à proteção


dos direitos humanos e para isto, fa zuso de uma importante arma para atingir este
objetivo: consolidada a responsabilidade individual no plano jurídico internacional,
nos seus aspectos substantivos e processuais, de modo a afirmar a personalidade
jurídica internacional do indivíduo.

A responsabilidade criminal intern acional decorre da prática de atos


que a comunidade interncional como um todo qualifica de crimes internacionais,
sendo que o direito internacional está em meios nossa para dar a aplicabilidade
direta de algumas normas aos nossos indivíduos que cometam cri mes de cunho
internacional.

Atualmente as mais graves violações dos direitos do homem são agora


qualificadas como crimes pelo Direito Internacional, por isso a internacionalização da
jurisdiçãopenal representa uma evolução, orienta a preteção da soberani a dos
Estados e dos Direitos Humanos.

Na verdade, o que está em causa um movimento de transição gradual,


de uma direito internacional orientado para a promoção e proteção da soberania nos
Estados, para um outro, orientado para a promoção dos direitos dos indivíduos.

Em suma a internacionalização da jurisdição criminal representa a


superação da concepção tradicional de soberania estadual e na legitimação do
direito internacional dos Direitos Humanos. A soberania estadual não pode ser
invocada como justificação da impunidade de condutas que a comunidade
internacional qualifica de crimes contra a humanidade no seu todo .

2.1 Desenvolvimento Histórico

Em tempos pretéritos, em todos os povos a primeira fase da repressão


criminal consistia na ³vingança´, caso em que o própria ofendido, ou seus parentes
retribuiam o mal recebido por um mal equivalente, deste sistema de ving ança evolui
para a ³justiça privada´, situação pela qual o ofendido dirigia -se às autoridades
públicas e apresentavam queixa contra o ofensor, assim, provada a
responsabilidade deste, ficava o ofendido a fazer justiça por suas prórpias mãos.

Ao sistema de ³justiça privada´ opôs-se a ³justiça pública´, que é a


prática dos nossos dias: ninguém pode fazer justiça por suas mãos.

Vê-se, assim, que a evolução do direito segue junto com a evolução do


individuo que através da organização em sociedade busca meios de composição
justos e imparciais para a efetiva realização da justiça.

Por isso, com a relativização da soberania dos Estados e a avolução


do indivíduo como sujeito de Direito Internacional, vêm -se buscando meios eficazes
para conter o avanço da violências praticadas contra os inivíduos de forma
globalizada.

Assim, não se pode mais admitir que fiquem impunes, aqueles que
devastam nações, arrassam grupos como se tratassem de objetos inanimados. Por
isso, para que não saiam ilesos esses agressores, buscou -se da alguma forma punir
esses atos violentos praticados contra a humanidade.

Essa demanda por injustiça, mais especificamente pela punição dos


responsáveis pelas atrocidades cometidas durante os grandes
conflitos mundiais, contudo, as experiências fornecidas pelos
Tribunais de Ruanda e da ex -Iugoslávia, contribuiram para acelerar
os trabalhos de codificação e desenvolvimento progressivo do Direito
Internacional Penal, impulsionando a criação de uma jurisdição penal
internacional de caráter permanente. 1

Foi necessario que as nações do mundo se juntassem para criar um


código moral que concedesse ao indivíduo valor e dignidade da pessoa humana,
nacendo assim à era dos Direitos Humanos, pois, já não se tratava de proteger os
indivíduos sob certas condições ou situações como no passado, mas sim proteger o
ser humano como tal, pois, os responsáveis pelas atrocidades praticadas contra os
indivíduos não pagaram pelo que fizeram.

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Convém ressaltar que a dignidade da pessoa humana é um direito
adquirido desde o na scimento, sendo este direito inalienável e inviolável,
consagrado na Constituição dos Estados, bem como no Direito Internacional.

O Direito Internacional, ao tratar dos Direitos Humanos em tratados e


acordos internacionais, colaborou para a difusão deste s direitos, o que colabora para
a consagração e prevenção às violações de tais direitos tanto no plano interno
quanto no internacional, sempre com o objetivo de evitar a repetição dos atos
bárbaros cometidos por nossos antepassados, foram cometidos crimes tão barbáries
e que não foram controlados ou evitados pelos Estados, o que também levou ao
surgimento da idéia de se criar um Tribunal Penal Internacional autônomo e
permanente.

Entretanto a questão de se criar um Tribunal Penal Internacional já


havia sido considerada pelas Nações Unidas desde o final dos anos 40, em resposta
a Assembléia Geral das Nações Unidas a Comissão de Direito Internacional
informou que a criação do dito orgão seria conveniente e possível, desenvolvendo, a
partir dessa premissa, um papel importante nas iniciativas destinadas à criação de
uma jurisdição internacional penal de caráter geral.

Dessa forma em 1951 a,

Comissão de Direito elaborou o primeiro projeto de estatuto de um


Tribunal Penal Internacional e, em 1954, preparou um p rojeto
revisado. Seus dispositivos limitavam aos Estados e o Conselho de
Segurança a faculdade de apresentar denúncias. Dispunham que os
crimes contra a paz e segurança da humanidade são crimes de
Direito Internacional e que os indivíduos responsáveis seri am
punidos (coloca o homem com sujeito de Direito Internacional), bem
como enumeravam 13 categorias de atos constituindo tais crimes,
sendo a primeira figura a da agressão. 2

O projeto suspenso devido à ausência de uma acordo quanto a


definição do crime de ³agressão´.

Depois de alguns anos, em 1978, a Assembléia Geral da Organização


das Nações Unidas (ONU) decidiu submeter os projetos aos Estados, e logo após,
em 1981 convidou a Comissão de Direito Internacional para retormar os trabalhos.
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Contudo, apenas em 1989, com o fim da Guerra Fria, após um período
em que atrocidades foram cometidas, foi dado inicio a criação de uma jurisdição
internacional penal, porum caminho diferente, mediante uma proposta realizada à
Assembléia Geral da ONU.

Neste passo, instaurou-se uma nova fase de estudos e discussões.

Inicialmente, o Conselho de Segurança da ONU criou tribunais penais


internacionais    para a ex-Iugoslávia e outro para Ruanda. A Comissão de
Direito Internacional elaborou um amplo e rigoroso pro jeto de artigos, o qual, foi
enviado a Assembléia Geral, que posteriormente, convidou os Estudos a
representarem suas observações por escrito.

Por fim o texto foi aprovado pela Comissão de Direito Internacional,


com a recomendação à Assembléia Geral de que convocasse uma
conferência internacional de plenipotenciários para o exame do texto .
O autor Rezek explica para melhor esclarecimento o papel de
plenipotenciários, ou seja, ³a figura do Plenipotenciário ocorreu
quando o ministro das relações exteriores, o u sehfe de missão
diplomática, ou um outro terceiro dignitário adquire a qualidade
representativa ampla para celebrar tratados por meio de outorga de
plenos poderes´ 3

Seguindo a recomendação feita pela Comissão, foram convocados ps


plenipotenciários para a conferência internacional, mas durante a conferência
diversas propostas foram aventadas.

Embora existissem várias posições à época, era preciso chegar a um


único posicionamento, sendo que a tarefa de conciliar as divergências foi conferida a
uma grupo renomado de diplomatas.

Considerando as divergências e ainda tendo dificuldade, a


Assembléia Geral da ONU passou, então, a considerar a
possibilidade de prosseguir os debates tendo como referência o
Projeto da Comissão de Direito Internacional de 1994. C om esse
propósito, foi criado um Comitê Especial sobre o estabelecimento de
um Tribunal Penal Internacional e, em 1996 um Comitê Preparatório
(PrepCom). Este último ficou encarregado da redação de um texto
modificado pela Conferência de Plenipotenciários. 4

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O objetivo final era completar o projeto de um texto sólido, apreciável e
vasto de uma convenção para submissão a uma Conferência Diplomática de
Plenipotenciários. Para isso, ficou acetado que dita Conferência se realizaria em
Roma, na Itália, a partir de 15 de junho de 1998, com a duração de 5 semanas e, ao
seu final dever-se-ia adotar uma convenção.

Como se vê o Comitê Preparatórioa desempenhou um apapel muito


importante para a criação do Tribunal Penal Internacional, pois foi ele quem superou
as divergências entre os plenipotenciários e fez um trabalho extremamente delicado,
que seria ter que agradar a todas as partes interessadas com o texto do Estatuto.

Em, 15 de junho de 1998, em Roma, foi realizada a Conferência


Diplomática das Nações Unicas de Plenipotenciários sobre o estabelecimento de
uma Tribunal Penal Internacional.

A Conferência tinha como objetivo concluir as negociações do Estatuto


do Tribunal Internacional e criar formalmente a instituição. Participaram da
Conferência de 160 países, 17 organizações inter-governamentais, 14 organismos
especializados e fundos das Nações Unidas e 124 organizações não -
governamentais credenciadas pelo Comitê Preparatório da qualidade de
observadoras.

Ao final da Conferênia, superadas as principais diver gências sobre os


aspectos procedimentais, ainda subsistiram desacordos substantivos sobre o
conteúdo do futuro Estatuto, entretanto, no último dia das negociações, em 17 de
julho de 1998, foi adotado o Estatuto, com o voto favorável de 120 delegações, 21
abstenções e 7 votos negativos.

O próprio Estatuto de Roma em seu artigo 126º, que trata sobre a


entrada em vigor deste, diz que:

Artigo 126

Entrada em vigor

1.O presente Estatuto entrará em vigot no 1º dia do mês seguinte ao


termo de um período de 60 di asapós a data do depósito do 60º
instrumento de ratificação, de aceitação , de aprovação ou de adesão
junto ao Secretário Geral da Organização das Nações Unidas.
2.Em relação ao Estado que ratifique, aceite, ou aprove o presente
Estuto, ou a ele adira após o desposito de 60º dias instrumento de
ratificação, de aceitação, de aprovação ou de adesão, o presente
Estatuto entrará em vigor no 1º dia do mês seguinte ao termo de um
período de 60 dias após a data do depósito do respectivo
instrumento de ratificação, de aceitação, de aprovação ou de
adesão.5

Assim, o Estatuto de Roma percebeu que os Estados não haviam


tomado uma decisão definitiva, pois, ainda restava aos Estados ratificá -los, de modo
a demonstrar sua intenção de submeterem -se às regras nele estabelecidas.

Por derradeiro, em 11 de abril de 2002, o Estatuto já contava com as


60 ratificações exigidas e, em 1º de julho de 2002, entrou em vigor.

2.2 A Experiência dos Tribunais Š 

 Os tribunais ³    eram aqueles constituidos após o conflito, ou o


término das guerras e, que os países vitoriosos se uniam com a finalidade de instituir
um tribunal para que se realizasse julgamento daqueles que cometessem crimes
considerandos contra a humanidade.

Após a realização dos julgamentos, este era descon struido. Caso um


novo conflitoocorresse e houvesse a necesidade de novos
julgamentos posteriores a seu término, um novo tribunal seria
constituido. Em sintese, eram tribunais constituidos para julgamentos
de cados especifícos. São eles os tribunais: Tribun al de Nuremberg,
Tribunal de Tóqui, Tribunal da ex -Iugoslávia e Tribunal de Ruanda. 6

O Tribunal Militar de Nuremberg foi o primeiro tribunal internacional,


que ocorreu pós Segunda Guerra Mundial, sendo assim foi constituido para
julgamentos daqueles considerados criminosos de guerra.

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Ao final da Segunda Guerra Mundial, foi aprovado o acordo dos aliados
em Londres, para a criação do tribunal de Nuremberg, dessa forma foi fundado o
tribunal pelas quatro potências vitoriosas, que seriam os britânicos, franceses,
americanos e soviéticos que se reuniram em Londres e assinaram um acordo, o qual
criou o Tribunal Penal Militar de Nuremberg.

Este tribunal de Nuremberg era composto de militares que tinham


como competência julgar os crimes contra a paz, de guerra e os crimes contra a
humanidade.

Carlos Japiassú diz que o ³Tribunal julgou os mais importantes crimes,


deixado os processos menores para os Estados em que tais crimes haviam sido
cometidos, portanto, destacou-se, acima de tudo, pelo simbolismo ético-jurídico com
que procurou encerrar umas das etapas mais negras da história da humanindade´. 7

No entender de Peralta:

O tribunal não tinha limitações quanto a produção de provas, adotava


e aplicava à sua maior extensão de procedimentos não técnico e
admitia qualquer prova que considerasse revestida de valor
probatório. O julgamento de inocência ou culpa deveria ser
fundamento, porém não era sujeito a revisão. O tribunal de
Nuremberg não tratou com completa justiça o julgamento dos
acusados mas sim, como uma forma de vingança e demonstração ao
público de uma punição enérgica dada aos criminosos, não
permitindo um julgamento totalmente livre da parcialidade e pré -
condenação. O julgamento seris mais justo se os componentes do
Tribunal fossem juízes togados e principalmente com experiência no
campo do direito de geurra e Direito Internacional. 8

Segundo a mesma linha do tribunal de Nuremberg, seria criado em


seguida o Tribunal Militar Internacional de Tóquio que, pós Segunda Guerra Mundial
pelos Estados vencedores do conflito teve também o mesmo intuito de realizar o
julgamento, mas somente de japoneses que haviam cometido crimes contra a paz,
enquanto os suspeitos dos demais crimes foram deixados a cargo das Tribunais
Militares em vários países.

Segundo Celso Mello,

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O tribunal de Nuremberg, apesar de transitório, foi o primeiro tribunal
internacional da modernidade. Explica o autor que não foram poucas
as criticas aos Tribunais   do Japão e de Nuremberg. Eles
violaram diretamente o princípio de legalidade e, sendo claramente e
politicamente motivados, se tornaram, invariavelmente, o exercício
da jurisdição dos vencedores sobre os vencidos. 9

O fato de terem sido criados logo após um grande conflito influênciou


seu desdobramento, de modo a tornar os julgamentos atos políticos e a desafiar a
caracteristica essencial da justiça: a imparcialidade. Ambos os tribunais transmitiam
a impressão de tratar-se de jsutiça dos vencedores, uma vez que apenar os países
vencidos foram punidos.

As jurisdições internacionais do tribunal de Nuremberg e de Tóquio


foram, sem sombra de dúvida, cortes de vencedores sobre os vencidos, e com isso
violaram alguns preceitos fundamentais ao direito penal. Também, deixaram de
examinar crimes que, por ventura, tenham sido praticados pelas potências aliadas.
Afinal, eles zelaram apenas pelos interesses das potências aliadas, não podendo ser
considerados autênticos tribunais internacionais.

Segundo Luis Ivani Amorim de Araújo entende que:

Temos que o Tribunal Militar Internacional que funcionou em


Nuremberg. Bem assim o seu similar de Tóquio, foram de encontro
ao direito vigente. Com efeito, inexistia qualquer norma juridica que
considerasse crime os atos praticados pelo que foram julgados e,
além disso, como poderia esse Tribunal julgar apenar os vencidos,
dado que os vencedores praticaram atos indênticos. 10

Mesmo com todas as criticas, esses dois tribunais representaram um


avança para o direito internacional, bem como na responsabilidade penal
internacional individual, com esse impulso ao direito internacional.

O Conselho de Segurança aproveitou para inovar mais a criação dos


tribunais   , um na ex-Iugoslávia e outro em Ruanda, a criação veio devido a
ameaça à paz e a segurança internacional, tendo em vista uma urgente necessidade
de rever seus atos, passou assim por uma fase de nascimento.
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O Tribunal Penal da Ex-Iugoslávia, conforme visto foi criado pelo
Conselho de Segurança, com unico objetivo de julgar pessoas responsáveis por
graves violações do Direito Internacional Humanitário, cometidas dentro do próprio
território da ex-Iugoslávia, portanto esse tribunal   , possuia competência para
processar e julgar violações graves, violações as leis e aos costumes da guerra,
genocídio e crimes contra a humanidade, que tenham sido cometidos no território da
antiga Iugoslávia, a partir de 1991.

Algum tempo depois, após a criação do Tribunal Penal da Ex -


Iugoslávia, a Organização da Nações Unidas, através de resolução do Conselho de
Segurança, viu-se orbigado a criação de mais um tribunal   , em decorrência
das chacinas ocorridas, que seria o Tribunal Penal Internacional de Ruanda, o qual
seria responsável pelo julgamento das pessoa presumivelmente responsávies por
atos de genocídio e outras violações graves ao Direito Internacional Humanitario
comentidos no território de Ruanda e por cidadãos ruandenses, que por ventura, os
tivessem cometido em território de Estados vizinhos, entre 1º de janeiro e 31 de
dezembro de 1994. Limitavm -se, entretanto, aos atos cometidos no território de
Ruanda ou contra cidadões esse spaís responsáveis pos tais violações comentidas
nos países vizinhos.

A criação desses tribunais   pelo Conselho de Segurança, sua


função era a manutenção da paz, quais o Conselho tem seus poderes atribuídos na
Carta das Nações Unidas Capítulo VII, estabelecimento da paz e manutenção, por
isso o Conselho de Segurança deu inicio a esses criações dos tribunais   ,
tendo sim este a função de manutenção da paz, mas isso não implicar ia na
legitimação dos tribunais   

2.3 A Organização das Nações Unidas e o Estatuto de Roma

O artifo 2º do Estatuto dispões sobre a relação do Tribunal Penal


Internacional com a Organização das Nações Unidas: ³ A relação entre o Tribunal e
as Nações Unidas será estabelecida através de um acordo a ser aprovado pela
Assembléia os Estados Partes no presente Estatuto e, seguidamente, concluído pelo
presidente do Tribunal, em nome deste´. 11

Além da enção do artigo 2º, como foi visto, o Preâmbulo do Est atuto de
Roma dispõe:

Preâmbulo

[...] Reafirmando os objetivos e princípios na Carta das Nações


Unidas e, em particular, que todos os Estados se devem abster de
recorrer à ameaça ou ao uso da força contra a integridade territorial
ou a independencia política de qualquer Estado, ou de atuar por
qualquer outra forma incompatível com os objetivos das Nações
Unidas. [...] Determinados em prosseguir este objetivo e, no interesse
das gerações presentes e vindouras, a criar um tribunal penal
internacional com caráter permanente e independente no âmbito dos
sistema das Nações Unidas, e com jurisdição sobre os crimes de
maior gravidade que afetem a comunidade internacional no seu
conjunto. [...] 12

2.4 As Atribuições do Conselho de Segurança na ONU no TPI

O conselho de segurança é considerado a mais importante instância da


Organização das Nações Unidas, primordialmente responsável a determinar ³a
existência de qualquer ameaça à paz, ruptura da paz ou ato de agressão [...] a fim
de manter ou reestabelecer a paz e a segurança internacionais´ 13

De acordo com a Carta das Nações Unidas, compete a esdte orgão


investigar sobre qualquer controvérsia ou situação suscetivel de provocar atritos,
portante todos os Estados estão obrigados a aceitar e cumprir todas as suas
decesões, que são dotadas de coercibilidade.

O Estatuto de Roma confere alguns poderes ao Conselho de


Segurança, segundo Medeiros entre eles que,

não seja inciada´ (primeira hipótese) ou ³seja suspenso´ (segunda


hipótese) o inquérito ou procedimento crim e que estiver sido iniciado.
O pedido pode ser renovado por iguais períodos, ficando o tribunal,
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no caso de aprovação da resolução do Conselho de Segurança da
ONU, impedido de iniciar o processo (no primeiro caso), ou obrigado
a suspendê-lo (no segundo cas o). 14

Nos termos do artigo 16 do Estatuto:

Artigo 16

Transferência de inquérito e do procedimento criminal

O inquérito ou o procedimento criminal não poderão ter inicio ou


prosseguir os seus termos, com base no presente Estatuto, por um
periodo de 12 meses a contar da data em que o Conselho de
Segurança assim o tiver solicitado em resolução aprovada nos
termos do disposto no capítulo VII a carta das Nações Unidas; o
pedido poderá ser renovado pelo Conselho de Segurança nas
mesma condições.15

Em outras palavras, para que a Corte temporariamente veja recusa a


faculdade de exercer sua competência, é preciso uma decisão do Conselho de
Segurança nesse sentido, o que quer dizer que basta o veto de apenas um membro
permanente para que a Co rte assegure a sua competência. 16 Portanto se alguns dos
cincos membros for favorável a dar continuidade às investigações e vetasse a
resolução que visasse suspendê-las, as investigações não seriam suspensas.

A artigo 13 do Estatuto prevê que a jurisdição do tribunal poderá ser


acionada de três maneiras:

Artigo 13

Exercício da jurisdição

a)Um Estado Parte denunciar ao procurador, nos termos do artigo


14º, qualquer situação em que haja indícios de ter ocorrido a prática
de um dos vários desses crimes;

b)O Conselho de Segurança. Agindo nos termos do capítulo VII da


Carta das Nações Unidas, denunciar ao procurador qualquer
situação em que haja indícios de ter ocorrido a prática de um ou de
vários desses crimes; ou
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c)O procurador tiver dado início a um inquérito sober tal crime, nos
termos do disposto no artigo 15. 17

As questões de os poderes serem atribuídos ao Conselho de


Segurança foram extremamente questionada pelas delegações, provocou durante
as negociações, uma troca de argumentos baseados na constituicionalidade
internacional, em virtude da Carta da Organização das Nações Unidas, argumentos
invocados essencialmente pelos membros permanentes do Conselho de Segurança,
e de argumentos baseado na desigualdade entre Estados soberanos diante do
Conselho.

Países como Ìndia, Egito e México nao concordavam com a forma


que o Conselho de Segurança, esses países eram a tal ponto
contrários ao Conselho de Segurança que não queriam se quer que
este ultimo pudesse incumbir a Corte de uma situação qualquer.
Tecnicamente, a razão dis so era que o Conselho de Segurança
pdoeria ser composto de Estados que não eram Partes no Estatuto
e, portanto, não havia razão para dar -lhes uma papel especial. Essas
objeções foram derrubadas em razão das enormes vantagens
práticas que o Conselho de Segu rança representa para o Tribunal. 18

Infelizmente não foi possivel alcançar a indepêndencia total do Tribunal


Penal Internacional com relação ao Conselho de Segurança, o que foi
veementemente criticado por algumas delegações.

2.5 Cooperação Internacional dos Estados com o TPI

O Tribunal Penal Internacional é baseado no principio da Cooperação,


oq ueal estão especificadas no Capítulo IX do Estatuto, que seriam a Cooperação
internacional e ao auxilio judiciário, portanto, artigo 86 diz que: ³os Estados p artes
deverão, em conformidade com o disposto no Estatuto, cooperar plenamente com o
Tribunal no inquérito e no procedimento contra os crimes da competência deste´. 19

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Dessa forma o dever de cooperação constitui uma obrigação, para os
Estados, de prevenir e reprimir determinados crimes, por isso o Estatuto deixa claro
que a cooperação dos Estados é importante, pois com ajuda e auxilio deste o
Estado sempre ajudará acelerar o processo.

E o artigo 87, item 1 diz que:

Artigo 87

Pedidos de cooperação: disposi ções gerais

1.a) o Tribunal está habilitado a dirigir pedidos de cooperação aos


Estados Partes. Estes pedidos serão transmitidos pela via
diplomática ou por qualquer outra via apropriada escolhida pelo
Estado Parte no momento da ratificação, aceitação, apr ovação ou
adesão ao presente Estatuto. Qualquer Estado Parte poderá alterar
posteriormente a escolha feita nos termos do Regulamento[...]. 20

De acordo com o artigo 88 do Estatuto ³Os Estados Partes deverão


assegurar-se de que o direito interno prevê procedimentos que permitam responder
a todas formas de cooperação [...].´ 21 Portanto, o artigo acima citado propóe que é
necessário que os Estados tenham condições de cooperar com o Tribunal Penal
Internacional, e tenhm uma legislação processual adequada.

Neste termo temos que no caso de algum Estado que não tenha
ratificado o Estatuto de Roma, mas tenha firmado um acordo com o Tribunal Penal
Internacional, se negar a autorizar as investigações, a princípio as investigações não
ocorreriam, todavia, se for o caracterizado que o referido Estado não cooperou com
Tribunal Penal Internacional, serão tomadas medidas atrávez da Assembléia dos
Estados Partes ou Conselho de Segurança.

Conforme o artigo 112, item 2, alínea ë do Estatuto de Roma encontra-


se uma prerrogativa conferida à Assembléia dos Estados -Partes para o devido
atendimento do exposto parágrafo anterior: será necessário de um representante,
quanto acontecer qualquer questão relativa a não cooperação do Estado, ou seja:

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Artigo 112

Assembléia dos Estados Partes

[...]

2- A Assembléia:

[...]

f)Examinará de harmonia com os n.os 5 e 7 do artigo 87, qualquer


questão relativa à cooperação dos Estados. [...] 22

Sendo assim, os itens 5 e 7 do artigo 87 complementam o artigo supra


ao dispor que:

Capítulo IX

Cooperação Internacional e auxílio judiciário

[...]

Artigo 87

Pedidos de cooperação: disposições gerais

[...]

5- O Tribunal poderá convidar qualquer Estado que não seja Parte no


Presente Estatuto a prestar auxílio ao abrigo do presente capítulo
com base num convênio   , num acordo celebrado com esse
Estado ou por qualquer outro modo apropriado.

[...]

7- Se contrariamente ao disposto no presente Estatuto, um Estado


Parte recusar um pedido de cooperação formulado pelo Tribunal,
impedindo-o assim de exercer os seus poderes e funções nos termos
do presente Estatuto, o Tribunal poderá elaborar um relatório e
submeter a questçao á Assembléia dos Estados Partes ou ao
Conselho de Segurança, quando tiver sido este a submeter o fato ao
Tribunal. 23

Mazzuoli se fiac no entendimento que

a colaboração dos Estados, portanto é fundamental para o êxito do


inquérito e do procedimento criminal perante o Tribunal. Tais Estados

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devem cooperar com o Tribunal da forma menos burocrática
possível, atendendo ao princípio da celebri dade.24

Como se vê o Tribunal Penal Internacional esta diretamente ligado a


Organização das Nações Unidas, mas isso não tira sua caracteristica de um tribunal
com jurisdição criminal permanente, dotado de personalidade jurídica própria, pois a
ONU vem com a função de intervir na atuação do Tribunal, quando não vê coerência
em sua atuação em determinados casos, ou sté, mesmo quando o Tribunal deveria
atuar, mas não atua, em virtude da não cooperação de alguns Estados, que omitem
a realidade vivida nos seus limites territoriais, ou seja, a ONU fiscaliza se os Estados
Partes estão cumprindo seu papel e se o Tribunal Penal Internacional está agindo
conforme os artigos do Estatuto de Roma.

2.6 A Responsabilidade Penal Internacional Individual

Tradicionalmente, os individuos são submetidos à excluisiva jurisdição


do Estado em que vivem. Disso se deduz que as violações de normas internacionais
eram processadas e pinidas por autoridades competentes do Estado no qual haviam
sido perpetrados.

O Estatudo vem por meio para punir o indivíduo, e não o Estado, dessa
forma cada indivíduo possui sua responsabilidade penal internacional, portante
independente da onde cometa um crime, cada indivíduo será penalmente punido
pelo Tribunal, desde que estes crimes cometidos e stejam elencados no rol de crimes
do Tribunal Penal Internacional.

Segundo Cassese, os indivíduos eram

Submetidos á excluisiva jurisdição do Estado em que vivem. Disse se


deduz que as violações de normas internacionais era processadas e
punidas por autor idades competentes do Estado no qual os atos
haviam sido perpetrados. Obviamente, somente se instaurava o
processo e se aplicava a punição caso as autoridades desse Estado
estivessem desiguinadas a fazê -lo, de acordo com sua legislção
nacional, e, além dis so, se estivessem desejosas de assim o
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proceder. Se tal Estado não fizesse, o país ao qual a vitima pertencia
apesar possuía a prerrogativa de clamar internacionalmente pela
punição do criminoso pelo Estado competente ou pelo pagamento de
uma compensação. Não havia possibilidade de um outro Estado ou
orgão impor pena diretamente ao perpetrador de um outro Estado ou
orgão impor diretamente, a responsabilidade objetiva do Estado, e
não a responsabilidade subjetiva do individuo. 25

No entanto hoje o Tribunal Penal Internacional, vem para julgar


excluisivamente, a responsabilidade penal do indivíduo devido cometimento de
crimes de uma grande gravidade, por isso nao julga o Estado em si, e sim casa
indivíduo individualmente, dessa forma isso levou ao reconhecime nto da
personalidade individual no plano internacional além das atribuições de direitos,
conferindo obrigações aos indivíduos.

Portanto uma das principais virtudes do Estatudo de Roma de 1998


reside na consagração do princípio da responsabilidade penal i nternacional,
atribuindo consequências internacionais aos atos delitivos da pesao individualmente.

Assim o artigo 25º explica o objetivo da responsabilidade criminal


individual, declarando em seu texto, que, quando o tribunal cita pessoas singulares
esta a dizer as pessoas individualmente.

Capítulo III

Princípios gerais de direito penal

[...]

Artigo 25

Responsabilidade Criminal Individual

1-De acordo com o presente Estatuto, o Tribunal será competente


para julgar as pessoas singulares. 26

No mesmo artigo, o Estatuto também determina a responsabilização e


a consequente possibilidade de punição pela prática de um crime de competência do
tribunal: ³2- Quem cometer crime de competência do tribunal será considerado

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individualmente responsável e poderá ser punido de acordo com o presente
Estatuto.´27

Portanto, o Tribunal tem competência para julgar e punir pessoas


físicas, sendo considerado individualmente responsável quem cometer um crime da
competência do Tribunal Penal Internacional.

O item 3 do artigo 25 estabelece como o indivíduo será criminalmente


responsável e as formas que um indivíduo possa cometer com a prática do crime?

3.Nos termos do presente Estatuto será considerado criminalmente


responsavel e poderá ser punido pela prática de um crime da
competência do tribunal quem:
a) Cometer esse crime individualmente ou em conjunto ou por
intermédio de outrem, quer essa pessoaseja, ou não, criminalmente
responsável;
b) Ordenar, solicitar ou instigar à prática desse crime, sob forma
consumada ou sob a forma detentativa;
c) Com o propósito de facilitar a prática desse crime, for cúmplice ou
encobridor, ou colaborar dealgum modo na prática ou na tentativa de
prática do crime, nomeadamente pelo fornecimento dos meiospara a
sua prática;
d) Contribuir de alguma outra forma para a prática ou tentativa de
prática do crime por um grupo depessoas que tenha um objetivo
comum. Esta contribuição deverá ser intencional e ocorrer, conforme
o caso:
i) Com o propósito de levar a cabo a atividade ou o objetivo c riminal
do grupo, quando um ou outroimpliquem a prática de um crime da
competência do Tribunal; ou ii) Com o conhecimento da intenção do
grupo de cometer o crime;
e) No caso de crime de genocídio, incitar, direta e publicamente, à
sua prática;
f) Tentar cometer o crime mediante atos que contribuam
substancialmente para a sua execução, aindaque não se venha a
consumar devido a circunstâncias alheias à sua vontade. Porém,
quem desistir daprática do crime, ou impedir de outra forma que este
se consuma, não pod erá ser punido em conformidadecom o presente
Estatuto pela tentativa, se renunciar total e voluntariamente ao
propósito delituoso. 28

Convém ressaltar que o artigo 30 do Estatuto de Roma estabelece que


em todas essas hipóteses só haverá processo e punição pelo crime se a pessoa
atuar com vontade de cometer e se houver conhecimento dos seus elementos
materiais.
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Retornando ao artigo 25, não se pode esquecer que em seu item 4
está afirmada a responsabilidade do Estado, ao se determinar que ³a
responsabilidade criminal das pessoas singulares em nada afetará a
responsabilidade do Estado, de acordo com o direito internacional´. 29

De todo o texto articulado retira -se que o Tribunal não irá julgar o
Estado, irá julgar o indivíduo em si, que cometeu, ordenou, p rovocou, facilitou,
contribuiu, enfim, executou atos que leve o indivíduo a cometer um crime elencado
no Estatuto, pois somente cabe ao Tribunal Penal Internacional o julgamento e a
responsabilização individual de pessoas que cometram crimes tipificados no
Estatuto, de modo que os juízes devem atuar com imparcialidade, independente da
qualidade oficial.

A qualidade oficial refere -se à condição de Chefe de Estado ou de


Governo ou do Parlamento, representante ou funcionário público, jamais eximirá da
sua responsabilidade penal internacional individual, conforme se pode depreender
logo abaixo:

Artigo 27

Irrelevante da qualidade oficial

1. O presente Estatuto será aplicável de forma igual a todas as


pessoas sem distinção algumabaseada na qualidade oficial. Em
particular, a qualidade oficial de Chefe de Estado ou de Governo,
demembro de Governo ou do Parlamento, de representante eleito ou
de funcionário público, em caso algumeximirá a pessoa em causa de
responsabilidade criminal nos termos do presente Estatuto, nem
constituiráde per se motivo de redução da pena.

2. As imunidades ou normas de procedimento especiais decorrentes


da qualidade oficial de umapessoa; nos termos do direito interno ou
do direito internacional, não deverão obstar a que o Tribunal exerçaa
sua jurisdição sobre essa pessoa. 30

Desde o Estatuto de Nuremberg vem-se salientando essa idéia de que


³crimes contra o direito internacional são cometidos por indivíduos, não por
entidades abstratas, e os preceitos do direito internacional fazem -se efetivos apenas
com a condenação dos indivíduos que cometerem esses crimes´. 31

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O princípio da responsabilidade penal internacional dos indivíduos
jamais fará que um ser humano seja resppnsavel por atos que não cometeu, o que
pode ser observado no texto do próprio Estatuto de Roma em seu artigo 22:

Artigo 22

Nullum crimen sine leqe

1. Nenhuma pessoa será considerada criminalmente responsável,


nos termos do presente Estatuto, amenos que a sua conduta
constitua, no momento em que tiver lugar, um crime da compe tência
do Tribunal.

2. A previsão de um crime será estabelecida de forma precisa e não


será permitido o recurso àanalogia. Em caso de ambigüidade, será
interpretada a favor da pessoa objeto de inquérito, acusada
oucondenada. 32

Por fim, deve-ser atentar ao artigo 23, onde se encontra que ³qualquer
pessoa condenada pelo Tribunal só poderá ser punida em conformidade com as
disposições do presente Estatuto´ 33, ou seja, ninguém será condenado por uma
jurisdição interna quando for de foro do Tribunal Penal Inter nacional, salvo, se o
indivíduo cometer crime que não cabe a jurisdição do Tribunal, e também ninguém
³será considerada criminalmente responsavel, por uma conduta anterior à entrada
em vigor do presente Estatuto´ 34, e, ³caso o direito aplicável a um caso for
modificado antes da proferida sua sentença definitiva, aplicar -se-á o direito mais
favorável a pessoa obejto do inquérito, acusada ou condenada´. 35

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