Você está na página 1de 13

Samuel Huntington

“O Choque das civilizações e a recomposição da ordem mundial”

Prof. Nelson Nozoe

Rodrigo Toshiaki Miyamoto n° USP 4913684


Economia
O Choque das civilizações
Publicado em 1996, "O Choque das Civilizações" de Huntington representa
o mundo dividido em civilizações (ocidental, ortodoxa, islamismo, confuciana,
japonesa, hindu, budista, africana e latino-americana) fundamentadas em uma
série de diferenças culturais. A ideologia e a política dariam lugar a essas
divisões culturais em torno das quais se formariam alianças e se definiram
guerras.

"A idéia que proponho é que a fonte fundamental de


conflitos neste novo mundo não será de natureza
principalmente ideológica, nem econômica. As grandes
divisões entre a humanidade e a fonte predominante de
conflito serão culturais. Os Estados-nação continuarão a
ser os atores mais poderosos nos assuntos mundiais, mas
os principais conflitos da política global vão se dar entre
países e grupos que fazem parte de civilizações distintas.
O choque de civilizações vai dominar a política mundial.
As linhas divisórias entre as civilizações formarão as
frentes de batalha do futuro."
Civilização Universal
O conceito de civilização universal implica primordialmente em uma cultura que seja
comum a toda humanidade. Dentro dessa abordagem, algumas coisas podem ser consideradas
profundas e irrelevantes, não profundas e relevantes e não profundas e irrelevantes. Cita
alguns dos diferentes significados da expressão.

Valores básicos
Alguns valores básicos existiriam em qualquer tipo de civilização, tais como alguma
forma de instituição como a família, a perversidade do assassinato, etc. Profundo e não
relevante, pois não considera as mudanças no comportamento humano, o que em última
instância, move a história.

Civilização x barbárie
O conceito de civilização (no singular) foi criado para se opor à barbárie e faz referência
às cidades, alfabetização, entre outros.

Cultura de Davos
Este termo faz referência à cultura existente em muitos países na qual dominam o
individualismo, a economia de mercado e a democracia política. Entretanto, essa se
caracteriza por ser uma forma de cultura existente “somente no nível da elite” conforme
Hedley Bull.

Consumo e ocidentalização
A outra forma de civilização universal poderia ser originária da disseminação do consumo
e a conseqüente ocidentalização dos povos. Não é considerada profunda e nem relevante por
Huntington. Segundo o autor, há vários exemplos como a ampla aceitação de produtos
eletrônicos japoneses nos EUA, sem que os americanos adquiram traços da cultura do país
oriental.

Mídia e ocidentalização
É uma argumentação semelhante à anterior, no entanto, substitui o consumo pelo poder da
mídia globalizada.
No entanto, as críticas ficam por conta de que não há prova empírica e as pessoas
poderiam interpretar as informações de acordo com seus próprios valores, sem que isso
afetasse sua cultura.

Comunicação Global
A hegemonia da comunicação global poderia criar uma espécie de repúdio por parte da
população oriental do modelo social ocidental, devido aos esforços de políticos populistas
nesse sentido.
Elementos Centrais da Civilização
Se há de fato o surgimento de uma civilização universal, deve haver também a
emergência de um idioma e religião universais à medida que essas são os elementos centrais
da civilização.

Idioma
Os dados empíricos não corroboram com a teoria de uma convergência para um único
idioma no mundo.
No entanto, existe sim uma tendência no sentido de um certo idioma ser determinado
como meio de comunicação para fins comerciais, turísticos e financeiros. A esse se dá o
nome de Língua de Comunicação Mais Ampla (LCMA). Isso ratifica a conclusão dos dados
empíricos, pois significa que a LCMA surge como meio de comunicação e simultaneamente
preserva as culturas e diferenças lingüísticas entre os países. Outra tendência apontada seria a
de uma mistura do inglês aos idiomas dos países orientais. Isso resulta em uma nova família
de línguas e possivelmente a diminuição da original, como aconteceu com o latim. Exemplo:
Japão
Dentro dos países, o idioma atua como diferencial para as elites, sendo considerado como
determinante no processo seletivo de empregos e exigido, sobretudo em atividades
universitárias.
Em alguns países, o inglês é visto também de forma hostil para os residentes que
terminam por tentar afirmar a identidade do país através da erradicação desse.

Religião
Huntington considera a probabilidade da existência de uma religião universal
ligeiramente maior que a de um idioma. Isso é de vital importância à medida que a religião é
a principal característica constituinte da civilização.
De acordo com dados empíricos, há uma tendência de aumento proporcional dos
agnósticos e ateus relativamente a um decréscimo de seguidores das religiões populares
chinesas.
Por outro lado há o crescimento do Cristianismo e Islamismo, principalmente deste último
devido à adesão a essa religião não só pela conversão, como no caso do Cristianismo, e
também pela reprodução, à medida que os países de maioria islâmica possuem grandes
índices de natalidade.

Teorias da emergência de uma civilização universal


Huntington argumenta que as “pessoas definem sua identidade pelo que não são. À
medida que uma maior intensificação das comunicações, do comércio exterior e das viagens
internacionais multiplica as interações entre as civilizações, as pessoas atribuem uma
importância cada vez maior à sua identidade civilizacional”.

Alternativa única
Centra-se na derrocada do comunismo, para a ascensão da democracia liberal como forma
de organização mundial. É refutada ao se identificar outras formas de nacionalismo,
autoritarismo, corporativismo e comunismo de mercado (China).
Cultura mundial Comum
Essa cultura que levaria a uma civilização universal estaria apoiada em uma maior
interação entre os povos. A grande ressalva é os dados históricos que apontam para uma
grande integração das nações no período imediatamente anterior à Primeira Guerra e ainda
assim, ocorreriam os conflitos que seriam indícios de um longo caminho a ser percorrido até
que se atinja a civilização universal, se é que ela é possível.
A conclusão nesse ponto fica condicionada às expectativas que um país possui acerca do
comércio mundial, se lhe trará o benefício desejado ou não.

Processos de Modernização
Esses processos consistem na industrialização, urbanização, melhoria dos índices
humanos, envolvendo, longevidade média, alfabetização, renda, etc, mobilidade social, entre
outros.

Cerne da civilização Ocidental


Legado clássico
Relevante principalmente na civilização ocidental, o legado clássico consiste em diversas
características como a filosofia grega, o Direito romano, o latim e o Cristianismo.

Catolicismo e Protestantismo
Como religião, o Cristianismo é a principal característica da religião ocidental. Dentro da
religião houve um forte sentimento de diferenciação relativamente às outras civilizações e
como Huntington sublinha, “...foi tanto por Deus como pelo ouro que os ocidentais partiram
para conquistar o mundo no século XVI”.

Idiomas europeus
Classificado como segunda característica mais importante, o idioma apresenta-se na
maioria das civilizações de forma única, ao passo que a Ocidental difere dessa pela
multiplicidade de idiomas nela contida.
O latim desdobrou-se em diversas línguas, como o português, espanhol, francês, entre
outros, dando origem à grande categoria de línguas latinas, e o mesmo pode-se afirmar das
línguas germânicas.

Separação da autoridade espiritual e temporal


A separação entre a Igreja e o Estado e principalmente os conflitos envolvendo as duas
entidades são características que juntas tornam a civilização ocidental única no mundo. A
divisão de autoridade propiciou maior liberdade política, hierárquica e de pensamento do
sistema em comparação a outras civilizações o que contribuiu para uma diversa estrutura
social e econômica.

Império da lei
Os romanos contribuíram decisivamente acerca da importância das leis, de forma dar
sustentação, posteriormente, ao código napoleônico, ao direito civil no Sacro Império
Romano Germânico, entre outros, originando assim, a base para os direitos humanos, de
propriedade e exercício do poder arbitrário.
O império da lei destaca-se, sobretudo na civilização ocidental, já que em outras não teve
grande influência na formação do pensamento e do comportamento humano nas relações
sociais.

Pluralismo social
Inicialmente, o pluralismo representava a formação de “grupos autônomos não baseados
em relações de sangue ou casamento” (Deutsch). Logo, há também o pluralismo de classes,
sendo o exemplo europeu bem ilustrativo.
A partir dos tempos de Absolutismo, sendo a sociedade constituída de uma aristocracia
forte, uma classe de camponeses proporcionalmente grande em relação à população e
comerciantes que detinham uma certa importância econômica, a estrutura social evoluiu para
uma que possui uma grande mobilidade social e econômica, sendo o poder descentralizado.
Isso contrasta fortemente com as sociedades não-ocidentais, em que a hierarquização e a
centralização predominavam.
Em tempo, como apontou Fukuyama, a busca pelo thymos, como definido por ele,
conduziria a sociedade ao desenvolvimento e quanto maior a centralização do poder e
impossibilidade de ascensão e reconhecimento, mais a sociedade tenderia a precariedade.

Corpos representativos
O pluralismo social conduziu a sociedade para regimes de órgãos representativos, assim
que a democracia em seu sentido original tornou-se inviável. Superando as críticas de
filósofos e cientistas políticos como Rosseau, que preconizava uma forma direta e não
representativa de governo, a democracia representativa evolui através dos tempos, originando
sistemas que possibilitaram uma maior participação política por parte da população.
Isso ocorre também em nível local, com o fortalecimento das instituições regionais “que
não se repetiu em outras partes do mundo”.

Individualismo
Os direitos e liberdades individuais levaram a uma noção de individualismo, juntamente
com as demais características da civilização ocidental.
Um estudo estatístico citado por Huntington ratificou essa tendência em detrimento ao
coletivismo, predominante nas demais civilizações.

Reações ao Ocidente e a Modernização


Nas sociedades não-ocidentais, pode-se identificar três reações distintas: rejeicionismo,
kemalismo e reformismo.

Rejeicionismo
Essa reação consiste em rejeitar tanto a modernização quanto a ocidentalização.
Entretanto, com o crescente poderio militar ocidental a partir do século XIX, esta opção
parece ser inviável e vem cada vez mais se reafirmar no século XX, com a interdependência
entre os países.
Atualmente, a tendência dirige o mundo no sentido da extinção dessa noção, a não ser em
sociedades extremamente fundamentalistas.
O Japão é um exemplo de sociedade que evoluiu do rejeicionismo para um maior contato
com o ocidente após a era Meiji.

Kemalismo
Há uma corrente de pensamento que vai à direção da modernização, sendo que esta só
poderia ser alcançada em sua plenitude com a devida ocidentalização da sociedade.
Modernização e ocidentalização comporiam um sistema de realimentação positiva, com um
efeito reforçador. Então, diz-se que as estruturas e entidades contidas em uma sociedade não-
ocidental atravancariam a modernização, por conseqüências dos valores intrínsecos a essa.
Essa corrente teve adeptos no Japão e na China no século XIX como alternativa ao
rejeicionismo, e na Turquia, onde Mustafá Kemal Ataturk objetivou a criação de um estado
moderno e ocidentalizado a partir do Império Otomano, a despeito da identidade desta, na
qual está presente a religião muçulmana.

Reformismo
Como última alternativa apresenta-se o reformismo que foi a mais aceita nos países não-
ocidentais. Essa consiste no avanço da modernização como fator desejável sem que seja
necessária a ocidentalização, e foi aplicada na China e no Egito.

Dinâmica da aplicação de reações


De fato, as reações propostas tiveram sua validade enquanto teoria, mas ao serem
aplicadas houve diferentes percursos relativos a cada sociedade.
Em casos extremos, como em certos períodos vivenciados pelo Egito e a África,
defrontou-se com a ocidentalização sem modernização.
A alternativa reformista por outro lado, seguiu um caminho no qual a ocidentalização
estava presente em fases iniciais. Esta conduziria a sociedade a uma modernização lenta, mas
consistente. A partir de certo ponto a modernização e a sociedade invertem o fluxo de
alimentação, de modo a afirmar a identidade da civilização e rechaçar a ocidentalização.
Então, a modernização continua enquanto a ocidentalização declina.

Conclusão
Nesse ponto, é visível o posicionamento de Huntington frente ao dualismo universalismo
e choque de civilizações. Diferentemente de Fukuyama, não vê a ocidentalização e a
modernidade como fatores que se realimentam em sociedades não-ocidentais. A dinâmica
dar-se-ia no sentido de que a ocidentalização, a partir de um certo momento, deveria ser
analisada pelas elites não-ocidentais de modo que certos elementos seriam descartados e
outros absorvidos, sendo estes justamente o que reforçariam a estrutura social dessas
civilizações, aumentando a sua adaptação às relações de interdependências mundiais.
Como exemplo, pode-se citar a China que adaptaram o Budismo indiano sem se
“indianizar”; os árabes muçulmanos que selecionaram elementos do pensamento grego que
reforçaram o islamismo, descartando os que poderiam entrar em conflito com o essencial de
sua doutrina; entre outros. Além disso, um exemplo interessante é que “até mesmo os
proponentes extremados do antiocidentalismo e da revitalização das culturas autóctones não
hesitam em utilizar técnicas modernas de correio eletrônico, cassetes e televisão para
promover a sua causa”, para usar os termos de Huntington.
Huntington: “Como observa Braudel, seria quase “infantil” pensar-se que a modernização
ou o “triunfo da civilização (no singular)” levaria ao fim da pluralidade das culturas históricas
corporificadas durantes séculos nas grandes civilizações do mundo...De modos fundamentais,
o mundo está ficando mais moderno e menos ocidental.”.
A renovação do Ocidente?
Introdução
Segundo Huntington, apesar da crença da diferenciação da civilização ocidental em
relação às anteriores dominantes no mundo, elas possuem um histórico muito semelhante,
vale destacar, com uma fase de declínio seguida logo após o que a maioria da sociedade
considerava com a fase do apogeu.
O declínio ou uma inversão dessa tendência, com a revitalização da civilização ocidental,
seriam possibilidades para o futuro. A partir deste pensamento, o declínio poderia dar-se em
uma guerra de grandes proporções se não houvesse uma conscientização acerca da tolerância
e o respeito das diferenças entre as civilizações. Assim a civilização ocidental seria
suplantada por uma outra que tomaria a frente como civilização central. Outra tendência
indica um declínio gradual de desagregação interna. Isso seria resultado de uma mudança na
utilização do excedente dos investimentos para fins não-produtivos que satisfazem o ego,
como assinala Huntington.

Problemas para o Ocidente


Alguns dos problemas estariam em cinco pontos diferentes:
- crimes, drogas e violência em geral;
- o declínio da família como instituição;
- menor participação social acerca das ações voluntárias, principalmente nos EUA;
- mudança do foco relativo ao trabalho em detrimento ao da satisfação pessoal;
- diminuição do empenho pela atividade intelectual.
O autor aponta que diversos fatores como baixo crescimento econômico e baixa
natalidade que indicam um certo declínio, ainda são reversíveis e a civilização ocidental ainda
possui vantagens acerca da tecnologia e produção. Por exemplo, para o baixo crescimento
vegetativo, a solução seria medidas governamentais para estimular as pessoas a terem mais
filhos e a imigração. Esta consistiria em uma migração de pessoas capacitadas
profissionalmente que acrescentassem fatores positivos à sociedade ocidental e que tais
imigrantes absorvessem a cultura do país receptor.
Relativamente à imigração, há o problema da aceitação dessa cultura, tendo como
exemplo os muçulmanos na Europa e hispânicos nos EUA, o que vai de encontro à sua teoria
no livro “Who We Are?”. Também cita a queda da participação em cultos religiosos com a
indiferença a eles. Essa queda do Cristianismo, no entanto seria grave, apenas para o longo
prazo se é que seria.
O grande desafio nos EUA seria a tendência ao multiculturalismo e a perda da identidade
nacional. Isso se intensificou no período Clinton que fez um estímulo à diversidade racial,
étnica, etc, representando uma quebra com o passado recente. Os multiculturalistas
ameaçariam a identidade norte-americana ao rejeitar a herança cultural do país e desejar
torna-lo um com múltiplas civilizações, além de contestar o direito individual em detrimento
ao direito relativo a grupos como raça, etnia, etc.
Em um contexto no qual a cultura aparece como fator determinante da civilização, essa
perda de identidade poderia significar o fim da civilização ocidental. Huntington marca a
busca pela identidade nacional norte-americana e ocidental em suas raízes na Europa e a
destruição da falácia sobre a aproximação do mundo asiático com o ocidental como fatores
decisivos para a reafirmação da civilização ocidental como dominante.
Historicamente, a partir da década de 90, a preocupação deu-se no sentido de expandir a
OTAN para incluir países do leste europeu e através das relações cada vez mais próximas
entre os ocidentais e não-ocidentais, a noção de civilização iria fazer com que o ocidente se
fortalecesse.
Sendo a civilização ocidental contando com uma fase de expansão européia e uma
segunda, norte-americana, uma terceira poderia surgir se os EUA se reafirmassem sua cultura
como país ocidental e sua liderança nessa civilização.

O Ocidente e o Mundo
Existe três implicações para o Ocidente e os EUA relativamente aos antagonismos
presentes no cenário mundial.
A primeira refere-se à necessidade das elites de entenderem a realidade antes de tentarem
modifica-la, caso contrário, haverá erros e prejuízos às civilizações. Fatos históricos como o
apoio à integração da União Soviética, da Iugoslávia, da Bósnia e da Rússia (caso da
Chechênia), confirmam a hipótese. Huntington critica principalmente o governo Clinton por
erros de avaliação e medidas que não consideraram a cultura das civilizações.
Em segundo lugar, houve erro também ao se tomar uma posição rígida frente a medidas
anteriores à Guerra Fria, sendo que não houve adaptação destas. A crítica aqui reside no
destaque exacerbado de alianças, notadamente referente a OTAN e do controle armamentista.
Então, os EUA teriam fixado uma posição a respeito dos países participantes da OTAN e se
recusaram a altera-la mesmo após mudanças no cenário mundial. É dada aqui uma ênfase ao
papel do tratado de segurança Japão-EUA que parece ter perdido a força após o término da
Guerra Fria.
Em terceiro lugar, há controvérsias em nível mundial a respeito do que significa
realmente o aspecto universal da cultura ocidental. Os países tendem a rejeitar a idéia
ocidental acerca de dois pontos principais. Inicialmente, a crença ocidental enuncia que todas
as pessoas querem adotar sua cultura. Além disso, todas as pessoas deveriam objetivar a
absorção desses valores já que representariam a forma mais avançada de Civilização.
Segundo o autor, essa crença é “falsa, imoral e perigosa”. A periculosidade viria de um
possível choque de civilizações o que poderia terminar com a derrota do Ocidente. Como o
Ocidente está em declínio, o caminho mais óbvio seria a reafirmação das características da
civilização, deixando de lado o imperialismo. Para se preservar seriam então, necessária:
- A ajuda mútua entre países da civilização,
- Alinhar os países latino-americanos com o Ocidente,
- Limitar o poderio bélico das civilizações islâmica e sínica,
- Evitar o alinhamento japonês com a China,
- Aceitar a Rússia como país central da civilização ortodoxa,
- Empenhar esforços no sentido da manutenção da hegemonia tecnológica e bélica e
- Evitar intervenções em outras civilizações.

Ordem Civilizacional
Nesse ponto, Huntington afirma que a guerra generalizada é “improvável, mas não
impossível”, alertando para alianças entre países da civilização islâmica e a ascensão chinesa.
Para evita-la, aponta três regras.
A regra de abstenção seria a não intervenção de países em conflitos de outras
civilizações.
A regra de mediação conjunta refere-se a mediações entre os países centrais para cessar
conflitos já existentes.
Finalmente, a regra dos aspectos comuns consistiria no reconhecimento de valores
comuns às civilizações e a expansão destes.
Em um mundo multiculturalista, algumas instituições estão falhando em representar a
realidade atual. Huntington sugere que à medida que outras civilizações se fortaleçam, haverá
esforços nessas instituições para atender aos interesses destas. Cita como exemplo, a OTAN e
uma atribuição dos países-membro permanentes de acordo com sua posição no mundo
civilizacional, tendo cada civilização, pelo menos um assento para seu país-núcleo.

Guerra: o exemplo de Huntington


O exemplo de Huntington: 2010.
- Retirada de tropas americanas da Coréia e reunificação desta.
- Diminuição drástica da ocupação militar norte-americana no Japão
- Alinhamento entre China e Taiwan
- China anuncia que tomará o controle do Mar do Sul da China
- Vietnamitas resistem: conflito com os chineses
- EUA não aceitam ocupação chinesa no Vietnã: EUA entram na guerra
- Tentativa de paz através de negociações fracassam
- China e Taiwan reagem aos ataques com o bombardeio aéreo a bases norte-
americanas
- Ásia Oriental entra na guerra
- Vitória chinesa nas batalhas na Ásia Oriental.
- Discussões internas nos EUA a respeito da necessidade do conflito
- Conflitos oportunistas com a invasão do Paquistão pela Índia
- Aliança Paquistão-Irã-China
- Ascensão de movimentos fundamentalistas islâmicos
- Queda de governos pró-ocidente no Oriente
- Japão, até então neutro, começa a se aliar à China
- Aliança EUA-Rússia devido ao temor russo ao domínio chinês na Ásia Oriental e à
necessidade americana de reservas de petróleo.
- Aliança EUA-Rússia-Europa
- Conflitos generalizados no Cáucaso
Huntington considera que inicialmente pode haver um acordo tácito para o não-uso de
armamentos nucleares, porém sendo este possível posteriormente.
Os resultados dessa guerra poderiam ser a destruição mútua, a cessação após um
esgotamento mútuo ou o conflito exaustivo pelas forças terrestres. Além disso, algumas
conseqüências possíveis apontam para o deslocamento do conflito mundial do Norte para
o Sul e uma ascensão dos países que conseguissem se manter relativamente neutros.

Conclusão
Huntington coloca a questão do desenvolvimento das civilizações. De uma forma geral,
através dos tempos elas tornam-se mais Civilizadas. Acerca da dinâmica da evolução da
civilização, inicialmente pode-se dizer que ela é não-Civilizada. Ao passar do tempo, a
civilização evolui com a tecnologia, transportes, meios de produção e torna-se mais
Civilizada. Por outro lado, a civilizações têm se mostrado com os problemas já citados como
criminalidade, drogas, violência, etc.
Como ele próprio assinala “Civilização parece, em muitos aspectos, estar cedendo diante
da barbárie”.
Concluindo, o autor identifica dois tipos de choque:
- o choque da Civilização e da barbárie, que possui antagonismos como a aceitação da
condenação de crime ao mesmo tempo que estes aumentam ; e
- o choque das civilizações, que constitui a grande ameaça à paz, podendo ser evitado
ao se seguirem as regras e ao obedecer-se uma ordem internacional.
Frases acerca dos trabalhos de Huntington

"A única forma de reduzir a potencialidade de conflitos graves entre


potências líderes de civilizações distintas no próximo século, é que países
pertencendo a uma dada zona de influência civilizacional travem a sua
tendência para intervirem nos assuntos (internos) de outras civilizações. A
solução é que se acomodem às novas realidades".
Huntington

João Paulo II
Em pronunciamento no Vaticano, disse que os cristãos devem se empenhar
para evitar um "choque de civilizações".
"É importante que, no mundo atual, os cristãos sejam homens inclinados ao
diálogo".
Segundo o pontífice, o grande desafio deste século será encontrar formas de
evitar conflitos e guerras no mundo.

"A extensão e a natureza dessa imigração difere fundamentalmente das


imigrações anteriores, e os sucessos de assimilação do passado não devem se
repetir com o fluxo contemporâneo de imigrantes."

"Essa realidade coloca uma pergunta fundamental: os Estados Unidos vão


continuar a ser um país com uma única língua nacional e uma cultura anglo-
protestante? Ao ignorar essa questão, os norte-americanos concordam com sua
transformação final em dois povos com duas culturas (anglicana e hispânica) e
duas línguas (inglês e espanhol)."
Huntington acerca da alta taxa de natalidade dos hispânicos
nos EUA e sua não aceitação da cultura ocidental

"As idéias de Huntington são racistas, eu diria fascistas, e criam tensão"


Carlos Fuentes, autor a respeito de “Who We Are?”