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O Esoterismo da Astrologia

Alexandre Volguine
1953 Edições Dangles

O site francês Cura.free.fr apresenta esta obra com a responsabilidade de


Jean-Pierre Osmont porque é uma edição esgotada e não se encontra
facilmente.

Alexandre Volguine foi um astrólogo francês, autor de várias obras e um


buscador de métodos antigos da astrologia, da Visão dos Antigos da
Astrologia. Bem haja.

É um livro que eu considero importante porque certos assuntos tocam a


minha Alma. Conhecer com o Coração essa é uma máxima fabulosa!
Entrei em sintonia com o que autor dizia sobre os Antigos pois já o sentia.
Para alem de sabermos intelectualmente temos de viver vibracionalmente os
astros, senti-los dentro de nós para compreendermos mais profundamente a
sua verdade.
Deixo o índice de todos os capítulos, mas só traduzi as partes que achei
interessantes para um debate interno e filosofar sobre o tema. As palavras a
negrito não estão no original, são uma chamada de atenção da minha parte.
Se querem saber mais procurem no endereço electrónico deixado no final e
“bebam” da obra original.

A minha tradução é parcial, feita do “coração”.


Boa leitura
Com Amor e Gratidão.
Isménia MSM Gomes.

Introdução
I. A psicologia da Astrologia antiga
II. As formas planetárias
III. As formas Zodiacais
IV. As duas Correntes da Astrologia sagrada
V. Os sete diabos
VI. A propósito da Astrolatria
VII. As correspondências astrais
VIII. A linguagem e a Astrologia
IX. A Geografia astrológica
X. A Árvore da Vida
XI. A Astrologia e a História
XII. Alguns aspectos esquecidos da simbologia astrológica
XIII. O processo da Iniciação
XIV. A Astrologia Budista
XV. A divisão óctupla
XVI. O despertar da Kundalini na Astrologia
XVII. Como conclusão
Introdução

“...

Este livro não é uma exposição da Astrologia Esotérica. Só se prova a sua


existência se juntarmos alguns dados gerais, algumas notas que
forçosamente serão sumárias, algumas indicações fragmentadas e
apontando alguns factos. E traz mais problemas que os resolve.
...

I. A psicologia da astrologia antiga

Na Antiguidade o esoterismo vivia na Astrologia. Os textos e a arqueologia


provam-no e é por isso que precisamos de nos virar para a Antiguidade para
abordar o tema.
A ciência intuitiva dos Antigos, uma verdadeira ciência sintética, estava
baseada sobre outros princípios que não a nossa. Mas, pelo menos que
tenhamos conhecimento, não temos nada sobre as características dessa
ciência. Nunca foi explicado as diferenças profundas entre a ciência dos
Antigos e a nossa. Ensaiemos de o fazer, pelo menos no domínio da
Astrologia.

É fácil, ao comparar a literatura dos diferentes séculos, de se dar conta duma


mudança gradual e perpétua da consciência e da mentalidade. Tudo o que
foi escrito na Idade Média parece complicado e de difícil compreensão, não
porque foram escritos de uma maneira obscura mas porque a mentalidade
muda, e a nossa consciência não é a mesma que aquela do século XIII, por
exemplo. Os escolares da Idade Média eram claros para os seus
contemporâneos que Bergson ou Maeterlinck o são para nós. Mas, como a
nossa consciência, a nossa compreensão evolui sem cessar, podemos então
ter a certeza que daqui a dois ou três séculos, não importa que autor do
nosso tempo, será de difícil compreensão. A nossa maneira de pensar já
não é a mesma daquela de há cinco séculos. E se nós queremos
compreender a ciência antiga, em geral e a Astrologia em particular,
devemos ultrapassar o nosso modo de pensar.

Nestes dois últimos milénios a evolução humana desenvolveu-se sobretudo


no sentido individual. Cada um de nós vê hoje em dia o mundo com os seus
próprios olhos e o seu ponto de vista pessoal. Entre nós não há,
provavelmente, duas pessoas que tenham a mesma opinião sobre tudo. Na
Antiguidade o individualismo era, podemos dizer insignificante, e o pensar
colectivo dominava o pensar individual.

Na Antiguidade era-se tão colectivo como o moderno é individualista. Isto


explica porque na Antiguidade a Astrologia colectiva, mundial, estava
mais desenvolvida e possante que a Astrologia genetlíaca que nós
praticamos hoje em dia mesmo em detrimento da sua parte mundial.
O pensamento colectivo era sobretudo de ordem emotiva, quer dizer,
baseado sobre uma espécie de sentimento, de compreensão intuitiva. Esse
sentimento intuitivo não admitia os limites de hoje. Quando um homem
moderno fala de si e dos outros diz: “ o mundo e eu”; na Antiguidade esse
limite não estava ainda deliniado de uma maneira assim tão clara. Um falante
primitivo diria hoje, cuja mentalidade pode ser comparada à antiga nos diria :
“ Eu da tribo, um tal”, quer dizer ele liga-se a uma colectividade, enquanto
que nós actualmente nos opomos à colectividade.

Esse sentimento colectivo é antes de tudo um sentimento de


solidariedade que domina todo o pensamento antigo. A noção de pegado
original, por exemplo, é uma característica deste ponto de vista. Esta noção é
completamente estranha na mentalidade moderna, mas ela faz parte de
todas as religiões antigas, começando pelo budismo e acabando no culto de
Mitra, e era uma verdade evidente. Para nós, os modernos, o mundo parece
ser uma estrutura mecânica de átomos, com partes diferentes, enquanto para
os Antigos eram somente um grande TODO homogéneo onde as partes eram
solidárias.

Regressando à Astrologia, podemos dizer que para nós os astros surgem


como corpos que nos são estranhos e longínquos, que emitem vibrações
sobre nós e contra a nossa vontade; para os Antigos, os planetas eram
forças viventes que faziam parte do homem, forças que zumbiam no seu
subconsciente e pulsavam no seu corpo, no seu ser interior, como nós
sentimos, por exemplo, as pulsações do nosso coração e no movimento
do nosso sangue.

Esse sentimento da Astrologia foi ultrapassado no mundo antigo.


Encontramo-lo ainda em alguns místicos nestes últimos séculos. Gichtel, por
exemplo, vê nos planetas demónios que nos fazem sucumbir a todo o género
de pecados mortais e que agem sobre o nosso carácter interior. Catherine
Emmerich vê os planetas como formas ora exteriores ora interiores.

Quando se trata de uma compreensão da mesma influência astral, a


Astrologia não é mais uma ciência abstracta de vibrações cósmicas como
parece aos modernos, mas uma ciência da alma, uma ciência de tudo o que
existe, a primeira e mais alta ciência humana.

Ao estudar a Astrologia antiga, esse sentimento de solidariedade universal,


da solidariedade de uma parte perante o Todo, esse sentimento de harmonia
cósmica nunca deveria ter sido perdido. Esse sentimento fornecia os mesmos
princípios da ciência astrológica dos Antigos, e como esse sentimento já não
existe em nós, o seus princípios evidentemente estão perdidos, pelo menos
em parte.
...

II As formas planetárias

...
“ Os Antigos “sentiam” os planetas, os “viam” como formas que
penetravam tudo, - como o psicómetro “vê” o passado de um objecto
desconhecido, - e eles representavam essas forças de várias formas, ali onde
nós, astrólogos de hoje, confirmamos por uma observação exterior o efeito da
radiações planetárias, os nossos ancestrais “viam” formas animadas. Para
nós a Astrologia é uma ciência matemática; para eles era o conhecimento
intimo das forças viventes, pois eles tinham em conta as forças
cósmicas que animavam cada ser.

Esta noção das formas planetárias é a pedra angular de todo o pensamento


antigo, do simbolismo, das religiões e das mitologias. São o suporte da
Astrologia vivente, a alma das “radiações” cósmicas, como as formulas
matemáticas e os hieróglifos dos signos e dos planetas são corpos. A
Astrologia Antiga está baseada em formas invisíveis que penetram,
animam e explicam tudo. Podemos mesmo dizer quem não conhece essas
formas não consegue aprofundar a Astrologia, pois a Cosmobiologia actual
não é mais que um compromisso entre a Astrologia e a nossa ciência oficial,
uma concessão feita pela Ciência dos Astros à mentalidade moderna que
limita o materialismo.

Para compreender as representações antigas das forças planetárias, é-nos


necessário rejeitar a intelectualidade, a nossa forma de conhecer
mentalmente e descer dentro de nós.

Fechai os olhos, esvaziai o vosso cérebro do intelecto totalmente feito


da amalgama das leituras, das frases compreendidas, de pré-
julgamentos e mergulhai nesse mundo desconhecido e obscuro que
contem os movimentos interiores da vossa natureza emotiva. Meditai ou
melhor “senti” a Astrologia. Ao fim de algum tempo começareis a sentir as
formas interiores planetárias, as formas baseadas sobre correlações mais
emotivas que lógicas e que podeis comparar às associações de ideias e
imagens num estado de sonho, reveladas pela psicanálise.

Esse trabalho interior de descida em si não é uma invenção pessoal; ele é


encontrado, sob formas diferentes, em quase todas as escolas esotéricas, - o
que explica porque é que se encontram ainda adeptos, nos quais o
sentimento interior do mundo aproxima-se ao dos Antigos. Existem métodos
análogos, por exemplo , existem na antroposofia, e Rodolf Steiner era
provavelmente aquele que o fazia melhor no Ocidente, no decurso do XX
séc., sobre as forças planetárias que atravessam o nosso corpo como raios
emitidos por uma estação de rádio.

“ Os pensamentos abstractos e mesmo as ideias, - dizia ele muitas vezes,


-não podiam manifestar-se na nossa alma em toda a sua força de acção,
senão se elas mergulhassem neste calor interior que permite uma
aproximação das regiões da vida, não somente pelo desejo de conhecer,
mas também para o coração, e é esta atmosfera que nós podemos apelidar
de sagrada.” ( Les Mystéres de la Genèse, Paris, 1932, p.7.). É justamente o
conhecimento pelo coração que nos permite apreender as formas
planetárias vistas pelos Antigos.
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XI. A Astrologia e a História
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“Mas onde está o esoterismo da Astrologia?” pode perguntar o leitor.


Ele é apresentado em todos estes factos. Só ele os pode fazer compreender
e explicar. É como o principio que ordena os jogos infinitos e múltiplos que
são o fundamento da vida e da história humana.

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XII. Alguns aspectos esquecidos da simbologia astrológica

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Para nós, a noção de tempo é uma abstracção, quase uma ficção, ainda que
muitos dos nossos contemporâneos identificam o tempo com a quarta
dimensão, podem repetir as palavras do poeta russo Constantin Balmont:

E já compreendi que o tempo que não existe


Que as órbitas dos planetas são imóveis.

Para os Antigos, o tempo não era uma ficção física, mas uma realidade
espiritual, ou melhor ainda, eram como entidades viventes. Os Gnósticos
deram o nome de Eons a estas entidades, é preciso insistir que este nome se
aplica antes de tudo a entidades e não a períodos de tempo. A sua
concepção envolvia ciclos, de espíritos viventes e individuais que passavam
pela terra e o Cosmos, como as sombras chinesas por uma parede.
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para melhor se compreender o Universo e a Astrologia é-nos necessário
tentar regressar a esta concepção do tempo vivente, pois como René
Guénon justamente o refere,” as concepções do espaço e do tempo, a
despeito de todos os matemáticos modernos, não podemos nunca ser
exclusivamente quantitativos, a menos que se consinta a reduzi-las a noções
inteiramente vazias, sem nenhum contacto com qualquer realidade.” ( René
Grénon: Le Règne de da Quantité, Paris, 1945, p.27).

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XV. A divisão óctupla


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Os astrólogos de hoje em dia esqueceram esta divisão do horóscopo em oito


partes, mas em todos os países até aos nossos dias, o simbolismo religioso
perpetuou a sua memoria, pois em todas as religiões, e aqui incluído o Islão e
o Cristianismo, existe a imagem da roda de oito raios e, como a roda, pela
sua forma, simboliza o mundo manifestado, o Cosmos e o Universo, esta
imagem não pode ser interpretada, do ponto de vista astrológico, sem ser
como a divisão do Zodíaco em oito partes.
A explicação deste sistema é simples: se os ângulos do horóscopo
correspondem aos pontos cardeais que marcam as estações, cada uma das
oito casas representa no horóscopo aquilo que são o meio das estações do
ano.
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XVII. Como conclusão

....

O Esoterismo na Astrologia baseia-se nos mesmos factores ( planetas e


signos ) que os rudimentos dessa ciência. Ele é o resultado do estudo
profundo desses factores. A partir de um certo tempo, cada astrólogo
rapidamente se apercebe que deixou o domínio exotérico e se encontra
frente ao recinto triplo do esoterismo. Passa-se a porta estreita separando as
duas regiões sem se dar conta, exactamente como as pessoas que
imperceptivelmente se deixam escorregar pelo caminho do vicio ou da
santidade. A fronteira entre o Exoterismo e o Esoterismo astrológicos não
pode ser traçado.

A maneira de se atingir os arcanos da Astrologia, não é a sua decifração, por


assim dizer, de fora. A melhor maneira de penetrar um fruto, não é pesá-lo ou
estudá-lo com um microscópio, mas comê-lo. Para a Astrologia é a mesma
coisa. É preciso comê-la e digeri-la. É necessário vivê-la no quotidiano,
meditá-la dia e noite, e dar-se a ela com todo o seu ser, compreender o
seu Esoterismo como um iniciado compreende o segredo
incomunicável.

O Esoterismo da Astrologia confunde-se com o Esoterismo em geral. Só


há um Esoterismo, só há uma Iniciação e um só Princípio. A bagagem
astrológica, fruto de longos estudos permitem abordar este único Esoterismo
por um outro caminho como, por exemplo, a Alquimia, mas não há e não
pode haver um esoterismo astrológico particular. A formação astrológica faz
descobrir nuances e o senso escondido dos símbolos que escapa às pessoas
que entram no Esoterismo por outros caminhos, mas são símbolos velhos e
milenares que a humanidade conhece desde a sua infância. A Astrologia
apenas confirma o velho adágio tornado banal que é repetido sem cessar nas
lojas maçónicas: cada um interpreta os símbolos à sua maneira.

A interpretação astrológica vale a pena se nos concentrarmos


profundamente. Creio mesmo até que ela é mais vasta e mais profunda que a
interpretação alquímica, por exemplo, pois ao pé da universalidade da
Ciência dos Astros a Alquimia faz a figura de uma pequena ciência da
matéria, tão pequena que a nossa Terra em relação à imensidão estelar....”

Referencia da página:
Alexandre Volguine: L’Esotérisme de l’astrologie
http:/cura.free.fr/xxv/24volgui.html

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