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Conceitos Básicos Sobre Atuação do Dispositivo DR

As correntes de fuga que provocam riscos às pessoas são


causadas por duas circunstancias:

CONTATO DIRETO INDIRETO DISPOSITIVO DR

No contato direto existe uma falha de isolação ou remoção


das partes isolantes, com toque acidental da pessoa em
parte energizada (fase / terra - PE).

No contato indireto, através do contato da pessoa com a


parte metálica (carcaça do aparelho), que estará
energizada por falha de isolação, com interrupção ou
inexistência do condutor de proteção (terra - PE).

Dispositivo DR, protege a pessoa dos efeitos das


circunstancias ao lado sendo que no caso do contato direto
é a única forma de proteção.

Conceito do funcionamento

A somatória vetorial das correntes que passam pelos


condutores ativos no núcleo toroidal é praticamente igual à
zero (Lei Kirchooff). Existem correntes de fuga naturais não
relevantes. Quando houver uma falha a terra (corrente de
fuga) a somatória será diferente de zero, o que ira induzir

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no secundário uma corrente residual que provocara, por
eletromagnetismo, o disparo do Dispositivo DR
(desligamento do circuito), desde que a fuga atinja a zona
de disparo do Dispositivo DR (conforme norma ABNT NBR
NM 61008) o dispositivo DR deve operar entre 50% e
100% da corrente nominal residual.

F1 – Dispositivo DR de proteção contra a correntes de fuga


a terra
T – Transformador diferencial toroidal
L – Disparador eletromagnético
R – Carga
A – Fuga a terra por falha da isolação
jF – Fluxo magnético da corrente residual
IF – Corrente secundária residual induzida

Esquemas de ligações básicas


L1, L2, L3 – Condutores Fases
N – Condutor Neutro
PE – Condutor de proteção (terra)
DR1 – Dispositivo DR – bipolar
DR2 – Dispositivo DR – tetrapolar
R – Carga.

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Como testar DR? Como usar o botão de teste?

O botão de teste T possibilita a verificação do correto funcionamento e


instalação do dispositivo DR, gerando uma corrente de fuga interna entre
dois terminais de conexão (acionar semestralmente, pois é a garantia de
funcionamento do Dispositivo DR). Portanto, em redes bifásica ou trifásica
(L1+L2+N ou L1+L2+L3 sem N), verifique o diagrama no frontal do
dispositivo DR para proporcionar a correta energização dos terminais
utilizados por este teste. No exemplo foi interligado o terminal de conexão
3 ao terminal de conexão N para permitir a operação do botão de teste.

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Botão de teste DR.

De maneira bem simples este botão


permite que o DR seja testado, o
procedimento é seguir as seguintes
etapas:

1. As cargas devem estar conectadas ao circuito do DR e este circuito


energizado;

2. Deve-se pressionar o botão de destes, este processo deve ser


rápido, pois um pressionamento prolongado pode danificar o DR;

3. A proteção diferencial deve atuar imediatamente desligando o


circuito, caso isso não ocorra deve se proceder com as verificações
adicionais.

4. Após o teste religar o DR colocando-o em operação.

Procedimento de verificação de funcionamento do DR.

Testes adicionais:

Após o aperto do botão, caso o DR não tenha desligado o circuito, isso não
significa necessariamente que o DR tenha problemas, alguns testes
adicionais devem ser realizados para constatarmos defeito do DR.

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Polo de ligação.

O primeiro ponto é que para que o circuito de teste do DR funcione,


alguns polos deste DR tem que estar ocupados, no mínimo dois polos e
estes polos é específico, podendo variar de acordo com o modelo e
fabricante. No corpo do DR tem um diagrama que mostra quais os polos
que devem estar ocupados.

Polos para ligação do DR.

A imagem acima mostra 3 tipos de DR e nestes um circuito verde é


destacado entre dois polos, este é o circuito interno de teste que só irá
funcionar quando os polos em que eles internamente estão ligados no DR,
estejam ocupados.

Frequência da rede.

Para o funcionamento do teste a frequência da rede deve ser a mesma


frequência assinalada no componente ou no catálogo disponibilizado pelo
fabricante.

Tensão da rede.

O DR tem uma tensão de funcionamento que deve ser observada, caso


esta tensão esteja muito baixa ou alta o teste do funcionamento do DR
fica comprometido. Uma medição com multímetro é suficiente para
averiguar o valor da tensão no circuito.

Correntes de fuga na carga.

Caso a carga conectada ao DR esteja apresentando fuga de corrente o


disjuntor ficara desarmado e, em caso de tentativa de religamento o
mesmo vai se desarmar. Uma opção e desligar a carga com fuga e realizar
o teste novamente.

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Possíveis problemas do teste de DR.

Periodicidade da verificação.

É recomendado que os DR’s das instalações elétricas fossem verificados


pelo o menos uma vez por mês e sempre que houver uma intervenção na
instalação elétrica.

O DR apesar de ser um componente não tão novo assim, ainda é um


mistério para muitos profissionais. Muitos não se capacitaram após os
primeiros estudos e mal sabem das novas tecnologias, normas e
componentes no mercado. Acabam ficando na dúvida sobre o botão de
testes do DR e não fazem a verificação de seu funcionamento.

Com a realização do deste do DR é possível garantir a segurança das


pessoas e da instalação averiguando a efetividade da operação do DR.

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Esquemas de aterramento padronizado (norma ABNT NBR 5410 – item
4.2.2.2)

Seguem os esquemas de ligações mais utilizados

Esquema TN-S

As funções do condutor Neutro (N) e do condutor de Proteção (PE) são


distintos na rede.

Esquema TN-C-S

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Em parte do sistema as funções do condutor Neutro (N) e do condutor de
Proteção (PE) são combinadas em um único condutor (PEN).

Esquema TT

O esquema TT possui um ponto da alimentação diretamente aterrado,


estando às massas da instalação ligadas a eletrodo(s) de aterramento
eletricamente distinto(s) do eletrodo de aterramento da alimentação.

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Notas:

a) Em sistemas TN-C o dispositivo DR somente poderá ser instalado se o


circuito protegido for transformado em TN-S, caracterizando-se um
sistema TN-CS.

b) Para sistemas de TT, consultar ABNT NBR 5410.

CUIDADOS necessários na hora das instalações elétricas, principalmente


em áreas molhadas e úmidas, jardins, piscinas, sanitários, áreas de
serviços e áreas externas em geral. Os acessórios, condutores e isolantes
tem que ser específicos.

T IPOS DE DISPOSITIVO DR (TIPO AC, A, B)

TIPO AC

Detecta corrente residual alternada e são normalmente utilizados em


instalações elétricas residenciais, comerciais e prediais, como também em
instalações elétricas industriais de características similares.

TIPO A

Detecta correntes residuais alternadas e contínuas pulsantes; este tipo de


dispositivo é aplicável em circuitos que contenham recursos eletrônicos
que alterem a forma de onda senoidal.

TIPO B

Detecta correntes residuais alternadas, contínuas pulsantes e contínuas


puras; este tipo de dispositivo é aplicável em circuitos de corrente
alternada normalmente trifásicos que possuam, em sua forma de onda,
partes senoidais, meia-onda ou ainda formas de ondas de corrente
contínua, geradas por cargas como: equipamentos eletrodomésticos,
entre outros.

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SELETIVIDADE E COORDENAÇÃO

Para projetos típicos com circuitos de entrada e de distribuição, podem ser utilizados
os Dispositivos DR que atuam de forma seletiva, o que permite que seja desligada
somente a parte da instalação que apresenta falha.

O Dispositivo DR seletivo de característica S é adequado para aplicação a montante,


pois atuam com um retardo de disparo conforme prescrito pela norma NBR NM 61008.
O Dispositivo DR com característica de disparo instantâneo e o Dispositivo DR com
característica K são utilizados a jusante do Dispositivo DR principal.

O Dispositivo seletivo de característica K é fortemente resistente a correntes residuais


transitórias na rede e tem seu disparo retardado em 10 ms acima dos valores normais
de atuação, o que permite uma seletividade fina.

A tabela abaixo demonstra estes tempo de atuação de forma mais detalhada:

PROCEDIMENTO PARA LOCALIZAÇÃO DE DEFEITOS

Uma instalação elétrica projetada e executada de acordo com as normas,


utilizando o Dispositivo DR e produtos de qualidade, funcionará
corretamente garantindo segurança aos usuários e patrimônio.

Se, contudo, ocorrer à atuação de um Dispositivo DR, a localização do


defeito poderá ser feita com base ao fluxograma abaixo:

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A primeira verificação será constatar se após o Dispositivo DR não houve
interligação entre o condutor neutro (N) e o condutor de proteção (PE) e/
ou de condutores neutros (N) de dois ou mais Dispositivos DR.

A atuação esporádica poderá ocorrer devido à sobretensões de descargas


atmosféricas ou de manobras na rede da concessionária.

Essa atuação pode ser evitada pela utilização de dispositivos de proteção


contra surtos e/ou Dispositivos DR de alta resistência as sobretensões
transitórias (característica K).

Deve-se atentar que os protetores de surto sejam conectados à terra a


montante do Dispositivo DR, o que irá evitar uma atuação indevida do
dispositivo DR quando ocorrer uma atuação do protetor de surto.

Atuação indevida também poderá ocorrer por um projeto incorreto, ou


seja, em instalação de grande porte com elevado número de cargas onde
a somatória das correntes de fuga normais ultrapasse o nível de atuação
do Dispositivo DR.

Nestes casos, recomenda-se a divisão em circuitos menores, cada qual


com seu respectivo Dispositivo DR.

Com o dispositivo de medição de corrente de fuga pode-se analisar e


confirmar o valor real da corrente de fuga (mA).

Essa medição comprova na prática sua eficácia na busca de defeitos e do


estado de isolação da instalação.

Vale ressaltar que, muitas vezes, a atuação do Dispositivo DR ocorre


devido à existência de equipamentos de baixa qualidade conectados aos
circuitos elétricos da edificação.

Grupo de Comandos Elétricos

Compartilhando Conhecimento!!!

Att: Alexandre

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