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Unidade III

PSICOLOGIA APLICADA À
FISIOTERAPIA

Profa. Ma. Rita Maciel


Psicologia Aplicada à Fisioterapia

Unidade III
 A depressão e sua repercussão no
adoecimento e no tratamento.
 Paciente terminal e a morte.
 O fisioterapeuta e suas relações
interdisciplinares.
 O fisioterapeuta na participação de
projetos de prevenção de doenças e
estímulo a melhor qualidade de vida.
A depressão e sua repercussão no
adoecimento e no tratamento

 Depressão: é um quadro psíquico sério e


que, se não for adequadamente tratado,
pode levar a pessoa a desenvolver
comportamentos que trarão transtornos
enormes tanto para si mesmo como
para a família
família.
A depressão e sua repercussão no
adoecimento e no tratamento

CID-10 – Classificação de Transtornos


Mentais e de Comportamento (OMS):
 Depressão: transtornos de humor
(afetivos).
Código F32 – Episódio depressivo:
 leve, moderado ou grave.
A depressão e sua repercussão no
adoecimento e no tratamento

Principais sintomas (CID-10):


 rebaixamento do humor, redução da
energia e diminuição da atividade;
 alteração da capacidade de experimentar
o prazer;
 perda de interesse;
 diminuição da capacidade de
concentração, associada, em geral,
à fadiga acentuada, mesmo após um
esforço mínimo;
 diminuição da autoestima e da
autoconfiança e, frequentemente,
ideias de culpabilidade e/ou
indignidade, mesmo nas
formas leves.
A depressão e sua repercussão no
adoecimento e no tratamento

Episódio depressivo leve:


 Geralmente, estão presentes ao menos
dois ou três dos sintomas descritos na
CID-10.
 O paciente usualmente sofre com a
presença desses sintomas, mas
provavelmente será capaz de
desempenhar a maior parte das
atividades.
A depressão e sua repercussão no
adoecimento e no tratamento

Episódio depressivo moderado:


 Geralmente, estão presentes quatro ou
mais dos sintomas descritos na CID-10.
 A pessoa, aparentemente, tem muita
dificuldade para continuar a
desempenhar as atividades de rotina.
A depressão e sua repercussão no
adoecimento e no tratamento

Episódio depressivo grave sem sintomas


psicóticos:
 Episódio depressivo no qual vários dos
sintomas são acentuados e
angustiantes, tipicamente a perda da
autoestima e ideias de desvalia ou culpa.
 As ideias e os atos suicidas são comuns
e observa-se, em geral, uma série de
sintomas “somáticos”.
A depressão e sua repercussão no
adoecimento e no tratamento

Episódio depressivo grave com sintomas


psicóticos:
 Episódio depressivo correspondente à
descrição de um episódio depressivo
grave (F32.2), mas acompanhado de:
 alucinações;
 ideias delirantes;
 lentidão psicomotora ou de estupor de
tal gravidade que todas as atividades
sociais normais tornam-se
tornam se impossíveis;
 risco de morrer por suicídio,
de desidratação ou de desnutrição.
A depressão e sua repercussão no
adoecimento e no tratamento

 Morris e Maisto (2004, p. 408) citam os


sintomas para o diagnóstico da
depressão de acordo com DSM-IV, que
orienta que ao menos cinco dos
sintomas abaixo, incluindo pelo menos
um dos dois primeiros
primeiros, devem estar
presentes:
 Temperamento deprimido: a pessoa se
sente triste ou vazia na maior parte do
dia, quase todos os dias.
 Perda de interesse no prazer: perda do
interesse em desempenhar as atividades
normais, como trabalhar ou ir a eventos
sociais.
A depressão e sua repercussão no
adoecimento e no tratamento

 Perda ou ganho significativo de peso: a


pessoa ganhou peso ou perdeu mais de
cinco por cento do peso corporal em
um mês.
 Transtornos de sono: a pessoa está com
dificuldades para dormir ou, ao
contrário, está dormindo demais.
 Transtornos nas atividades motoras: os
outros observam uma mudança no nível
de atividade da pessoa. Ela “fica parada”
ou demonstra agitação e inquietação
incomuns.
A depressão e sua repercussão no
adoecimento e no tratamento

 Fadiga: a pessoa se queixa de estar


constantemente cansada e sem energia.
 Sentimentos de inutilidade ou culpa
excessiva: a pessoa expressa
sentimentos como “você ficaria melhor
sem mim” ou “sou o mal e arruíno tudo
para todos que amo”.
 Incapacidade para se concentrar: a
pessoa reclama de falta de memória
(“simplesmente não consigo me lembrar
de mais nada”) ou da incapacidade de
concentrar a atenção em tarefas simples,
como a leitura de um jornal.
A depressão e sua repercussão no
adoecimento e no tratamento

 Pensamentos recorrentes de morte: a


pessoa fala em cometer suicídio ou
expressa o desejo de estar morta.
 A depressão provoca instabilidade
emocional na pessoa e dificuldade para
aqueles que convivem com ela.
 Somente um profissional especializado,
no caso, o psiquiatra, poderá fazer o
diagnóstico e o acompanhamento
medicamentoso.
 Tratamento psicológico.
Interatividade

Dentre os principais sintomas da


depressão, podemos citar:
a) Estado crescente de concentração e
produtividade.
b) Diminuição da capacidade de
concentração, associada, em geral, à
fadiga acentuada, mesmo após um
esforço mínimo.
c) Elevação acentuada da autoestima.
d) Rebaixamento do humor e aumento
da energia.
e) Alteração da capacidade de
experimentar o prazer com
aumento de interesses.
Resposta

Alternativa correta: “b”.


 Diminuição da capacidade de
concentração, associada, em geral, à
fadiga acentuada, mesmo após um
esforço mínimo.
Fatores motivacionais: a
importância da motivação no
tratamento

O que é motivar?
 1 Ato de motivar. 2 Exposição de
motivos. 3 Psicol Espécie de energia
psicológica ou tensão que põe em
movimento o organismo humano,
determinando um dado
comportamento. 4 Sociol Processo de
iniciação de uma ação consciente e
voluntária. (Dicionário Michaelis, 2012)
 Somos sempre motivados para alguma
coisa, seja para o trabalho ou para os
estudos; algo sempre nos impulsiona
para alguma ação.
Fatores motivacionais: a
importância da motivação no
tratamento

De acordo com Lindzey, Hall e Thompson


(1977, p. 328):
Teoria da redução dos impulsos:
 “Um motivo é qualquer coisa que inicia o
comportamento. Há duas classes de
motivos: impulsos (ou necessidades) e
incentivos. Os impulsos (drives) são
incitações à ação. Impulsos originados
em processos orgânicos internos,
identificáveis, são chamados impulsos
não aprendidos ou primários. A fome é
um exemplo. Outros impulsos são
adquiridos através da aprendizagem;
a competição é um tipo de
impulso aprendido”.
Fatores motivacionais: a
importância da motivação no
tratamento

Conforme explicam Morris e Maisto (2004),


sobre a teoria da redução dos impulsos:
 As necessidades corporais, como a
fome, por exemplo, criam um estado de
tensão ou estimulação chamado
impulso.
 O comportamento será a busca da
comida a fim de que o organismo retorne
ao equilíbrio anterior.
Fatores motivacionais: a
importância da motivação no
tratamento

A teoria da redução dos impulsos classifica


os impulsos em duas categorias:
 Impulsos inatos: não aprendidos,
chamados também de primários.
 Presentes em todos os seres, garantem a
sobrevivência das espécies, inclusive a
humana.
 Exemplos: sexo, fome e sede.
Fatores motivacionais: a
importância da motivação no
tratamento

Impulsos secundários:
 Adquiridos através da aprendizagem,
podem mudar de uma pessoa para outra,
pois cada indivíduo pode sentir-se
motivado a buscar sua satisfação de
diferentes maneiras e de acordo com os
estímulos que recebeu.
Fatores motivacionais: a
importância da motivação no
tratamento

Teoria da ativação:
 “A ativação se refere a um estado de
alerta. O nível de ativação que ocorre em
um determinado momento se apresenta
ao longo de um continuum. Numa ponta,
está o estado de alerta extremo; na
outra, está o sono. Às vezes, o
comportamento parece ser motivado
pelo desejo de reduzir o estado de
ativação; em outros momentos, parece
ser motivado pelo desejo de intensificar
esse mesmo estado. Por exemplo:
quando você está cansado tira um
cochilo. Quando está entediado, vê TV”.
(MORRIS; MAISTO, 2004, p. 263)
Fatores motivacionais: a
importância da motivação no
tratamento

 Abraham Maslow (1908-1970)


hierarquizou os motivos que levam a
pessoa a apresentar determinados
comportamentos e, nesse caso, as
necessidades corporais estão na base da
sua pirâmide.
pirâmide

autoatualização
Fatores motivacionais: a
importância da motivação no
tratamento

 O trabalho apresentado por Maslow nos


leva a questionar a possibilidade de
muitas pessoas não conseguirem, por
diferentes razões, ter satisfeitas as suas
necessidades básicas.
Morris e Maisto (2004, p.265-266) explicam:
“De fato, a dificuldade em satisfazer
necessidades básicas pode, na verdade,
promover a satisfação de necessidades
superiores: um casal com dificuldades
financeiras, para construir uma família,
pode acabar se aproximando muito mais
como resultado dessa vivência”.
Fatores motivacionais: a
importância da motivação no
tratamento

 É importante conhecer as teorias da


motivação porque os profissionais,
principalmente da área da saúde, devem
entender os mecanismos que levam a
pessoa a apresentar determinados
comportamentos principalmente quando
comportamentos,
necessitam aderir a determinados
tratamentos.
Fatores motivacionais: a
importância da motivação no
tratamento

 É fundamental que o profissional


conheça a motivação do seu cliente para
o tratamento e sua recuperação.
 Use de seus conhecimentos técnicos,
explicando a ele todas as etapas e
condutas do seu trabalho numa
linguagem que ele possa entender e
sentir-se seguro e motivado.
Interatividade

Sobre a teoria da redução dos impulsos,


podemos afirmar que:
a) As necessidades profissionais fazem
com que o sujeito sinta-se motivado.
b) O comportamento da pessoa será a
busca de proteção e defesa pessoal.
c) Apresenta duas categorias: os impulsos
inatos e secundários.
d) Apresenta a hierarquização dos motivos
que levam a pessoa à aprendizagem.
aprendizagem
e) O nível de ativação que ocorre em um
determinado momento se apresenta ao
longo de um continuum.
Resposta

Alternativa correta: “c”.


 A teoria da redução dos impulsos
apresenta os impulsos inatos – não
aprendidos – e os impulsos secundários
– adquiridos através da aprendizagem.
Pouca ou nenhuma melhora dos
“pacientes”; aspectos psicológicos
do fisioterapeuta

Sobre esse tema, Martins (2004, p. 21) afirma:


 “Assim como a preocupação com a
qualidade técnica faz com que, em cada
área, se desenvolvam temas específicos,
que constituem parte do que chamamos
de conhecimentos e habilidades relativos
a áreas técnica, a abordagem da qualidade
interacional também torna necessário o
estudo de vários temas teóricos e a
reflexão sobre o desenvolvimento de
atitudes”.
atitudes”
Pouca ou nenhuma melhora dos
“pacientes”; aspectos psicológicos
do fisioterapeuta

 A autora afirma ainda que tão importante


quanto o profissional conhecer os
motivos do comportamento do cliente é
ter conhecimento também sobre os
efeitos que esses comportamentos
provocam no profissional,
profissional como a
angústia, a impotência e a raiva.
 As relações interpessoais carregam em
si muito mais do que se pode esperar;
afinal, nem sempre elas ocorrem no
plano da objetividade,
objetividade e a subjetividade
das relações traz emoções e sentimentos
que são inerentes a ela.
Pouca ou nenhuma melhora dos
“pacientes”; aspectos psicológicos
do fisioterapeuta

 De acordo com Martins (2004, p. 35), para


que as relações possam acontecer num
plano de compreensão e entendimento, a
autora propõe a formação da “aliança
terapêutica”, visto que ela é o elemento
fundamental e a mola propulsora para o
vínculo profissional-cliente.
 Outro ponto importante a ser observado é
a relação de transferência e
contratransferência que se dá entre
cliente profissional e profissional-cliente.
cliente-profissional profissional cliente
Pouca ou nenhuma melhora dos
“pacientes”; aspectos psicológicos
do fisioterapeuta

Perdicaris e Silva (2008) relatam que a


relação profissional-cliente pode se
apresentar seguindo três modelos básicos:
 Modelo ativo/passivo: surge quando os
profissionais decidem o tratamento de
forma praticamente unilateral.
 Modelo de cooperação: segundo esse
modelo, o diagnóstico é estabelecido e
as opções terapêuticas são
apresentadas (inclusive com a
participação de familiares) para que se
busque a melhor solução.
Pouca ou nenhuma melhora dos
“pacientes”; aspectos psicológicos
do fisioterapeuta

 Modelo de participação e consentimento


mútuos: nessa modalidade, os
profissionais têm o papel de ajudar o
cliente a se ajudar. São parceiros, cada
qual com atribuições e responsabilidades,
no resgate do melhor de sisi, na busca de
um equilíbrio psicossociobiológico.
 Aplicável nas chamadas doenças crônicas
não transmissíveis, entre as quais se
encontra o câncer. Nos países
desenvolvidos cada vez mais os
desenvolvidos,
indivíduos exigem informações
adequadas, inclusive para que se possa
autoajudar e controlar a saúde, de maneira
mais integrada e integradora.
Pouca ou nenhuma melhora dos
“pacientes”; aspectos psicológicos
do fisioterapeuta

 Não há fórmulas para que a boa relação e


a comunicação atinjam o seu ideal; a
necessidade está justamente na
compreensão da dinâmica que ocorre
nas relações interpessoais.
 O reconhecimento de que a dor, tanto
física quanto psíquica do cliente, pode
atingir, de alguma maneira, o profissional
é um meio de tornar mais amena a
convivência com o sofrimento do outro.
 Todo preparo é necessário para o
profissional, principalmente se ele optar
por trabalhar com doenças graves e
pacientes fora de possibilidade de cura.
Paciente terminal e a morte

 Estudar e discutir a morte desperta


incômodo na maioria das pessoas,
principalmente quando se trata do
adoecimento e da morte de crianças
ou jovens.
 Existe, em grande parte das pessoas, a
“fantasia” de que a morte é algo distante
e que acontece somente na velhice.
Paciente terminal e a morte

 De acordo com Kovács (2008), a questão


da temporalidade é relativa, pois a
afirmativa de que um idoso com doença
grave está próximo da morte é
constantemente contrariada; afinal,
pessoas jovens e saudáveis morrem
antes daqueles que já estão próximos
dela.
 Como o profissional enfrenta tal
situação?
 Como lidar com a morte do outro?
Paciente terminal e a morte

 A morte é algo inerente à condição


humana e atinge a todos
indiscriminadamente.
 Estar próximo de alguém que está
partindo faz com que o profissional se
aproxime da certeza da própria finitude.
 Uma das maneiras possíveis para
minimizar a angústia do profissional é ele
estar preparado para o trabalho
especializando-se para isso, estar inserido
em uma equipe que tenha
como meta oferecer as melhores
condições possíveis para o paciente
e que saiba trocar entre si os
momentos mais difíceis.
Paciente terminal e a morte

Conceito de paciente terminal descrito por


Kovács (2004):
“O conceito de paciente terminal é
historicamente relacionado com o século
XX, por causa da alteração na trajetória de
doenças que, no passado, eram
fulminantes; observa-se sua cronificação,
graças ao desenvolvimento da medicina, da
cirurgia e da farmacologia. Muitas ainda
não têm cura, como alguns tipos de câncer,
Aids e moléstias degenerativas
degenerativas, o que faz
com que alguns pacientes vivam anos com
necessidade de cuidados constantes”.
Paciente terminal e a morte

 “O rótulo ‘paciente terminal’ é usado de


forma estereotipada para pacientes que
apresentam doenças com prognóstico
reservado, mesmo que estejam em fase
de diagnóstico e de tratamento.”
(KOVÁCS,
Á 2004, p. 107)
 Em relação à família, é importante que
ela seja observada e orientada, pois,
conforme Carvalho (1996, p. 44), “o medo
do sofrimento pela perda faz, muitas
vezes, com que os familiares
f ili evitem
it
entrar em contato explícito com o
assunto morrer”.
Paciente terminal e a morte

Pessini (2007), citando a definição da


Organização Mundial de Saúde (OMS)
(2002), escreve:
Cuidados paliativos – “uma abordagem que
aprimora a qualidade de vida dos pacientes
e família que enfrentam problemas
associados com doenças ameaçadoras de
vida, através da prevenção e alívio do
sofrimento, por meios de identificação
precoce, avaliação correta e tratamento da
dor e outros problemas de ordem física
física,
psicossocial e espiritual”.
Paciente terminal e a morte

 A família também é incluída nos


cuidados paliativos, pois é sabido que a
doença afeta diretamente a família, e ela
precisa ser vista e cuidada pelos
profissionais.
Definição de cuidados paliativos pelo
Ministério da Saúde (2012):
“Conjunto de ações interdisciplinares,
promovido por uma equipe de profissionais
da saúde e voltado para o alívio do
sofrimento físico, emocional, espiritual e
psicossocial de doentes com prognóstico
reservado, acometidos por condições ou
doenças em estágio irreversível
[...]”.
Interatividade

Sobre a relação profissional-cliente, aponte


a alternativa incorreta:
a) No modelo de participação e
consentimento mútuos, o profissional
ajudar o cliente a se ajudar.
b) No modelo ativo/passivo, os
profissionais decidem o tratamento de
forma unilateral.
c) No modelo de cooperação, o diagnóstico
é estabelecido pelo médico, apenas.
d) As relações interpessoais carregam em
si muito mais do que se pode esperar.
e) Não há fórmulas para que a boa relação
e a comunicação atinjam o seu ideal.
Resposta

Alternativa correta: “c.”


 É incorreto: no modelo de cooperação, o
diagnóstico é estabelecido pelo médico,
apenas.
Paciente terminal e a morte

A OMS aponta os princípios fundamentais,


conforme cita Pessini (2007, p. 167-168), e
que apontamos:
 Os CP valorizam o atingir e manter um
nível ótimo de dor e administração dos
sintomas.
 Os CP afirmam a vida e encaram o
morrer como um processo normal.
 Os CP não apressam e nem adiam a
morte.
 Os CP integram aspectos psicológicos e
espirituais dos cuidados do paciente.
Paciente terminal e a morte

 Os CP oferecem um sistema de apoio


para ajudar os pacientes a viver tão
ativamente quanto possível, até o
momento da sua morte.
 Os CP ajudam a família a lidar com a
doença do paciente e no luto.
 Os CP exigem uma abordagem
de equipe.
 Os CP visam aprimorar a qualidade
de vida.
 Os CP são aplicáveis no estágio inicial
da doença, concomitantemente com
as modificações da doença e
terapias que prolongam a vida.
O luto: fases de enfrentamento

 Tão difícil quanto falar sobre a morte é


também falar sobre o luto, e como
entendemos que o trabalho do
profissional nem sempre se encerra com
a morte do paciente, é necessário estar
preparado para apoiar a família
família.
O luto: fases de enfrentamento

Kovács (2007, p. 217) define luto como:


“O luto é o processo de elaboração diante
de uma perda de uma pessoa com quem
vínculos e foram estabelecidos. É a
vivência da morte consciente, é como se
uma parte nossa morresse. Faz parte de
nossa existência e nos configura como
humanos, e dela nos recordamos, todos
temos histórias de perdas para contar, e às
vezes é mais sofrida que a própria morte.
É um vínculo que se rompe de forma
irreversível, quando se trata de morte
concreta”.
O luto: fases de enfrentamento

Kovács (2007, p. 227) relata os sentimentos


da pessoa que vive a iminência da morte, o
luto pelas coisas perdidas e a própria vida a
partir das seguintes dimensões:
 Profissional que tinha um trabalho ou
atividade que não pode mais ser
realizada.
 Identidade: de pessoa saudável,
autônoma, em posse da sua vida.
 Familiar: não pode realizar as atividades
de cuidador ou de provedor.
O luto: fases de enfrentamento

 Saúde: do ser saudável.


 Corporais: as eventuais mutilações
resultantes da doença ou do tratamento,
perdas de partes do corpo. Mudanças
corporais, por exemplo: aumento ou
diminuição de peso, inchaço, mudança
de cor, perda de cabelo.
 Planos e projetos: poderão ser
interrompidos pela doença ou
pela morte.
O luto: fases de enfrentamento

Bowlby (1985, apud Kovács, 2007, p. 221)


apresenta as principais fases para o
enfrentamento do luto:
 Fase de choque: momento de
conhecimento da perda, no qual podem
ocorrer reações, da anestesia até um
total descontrole.
 Fase de busca: ocorre o anseio pela
pessoa perdida e também se processa o
contato com a realidade, de que houve
de fato uma perda, e que não há volta.
Pode haver a ilusão de que a pessoa não
tenha morrido, de que tudo não passa de
um pesadelo.
O luto: fases de enfrentamento

 Fase de desorganização e desespero:


presente quando a perda já é vista como
realidade. Podem estar presentes
atuações contraditórias: manter tudo que
recorde a pessoa, e se desfazer
rapidamente de tudo que possa lembrá
lembrá-
lo. É nessa fase também que uma
depressão reativa pode se manifestar
num processo mais duradouro ou como
uma dimensão patológica que se torna
mais evidente.
 Fase de reorganização: a vida pode ser
reorganizada em novos patamares sem a
existência daquele que morreu.
O luto patológico

 Bowlby (1985 apud Kovács, 2007, p. 222)


destaca alguns fatores que devem ser
observados e que são complicadores do
processo de elaboração do luto:
 O relacionamento com a pessoa perdida:
relacionamentos carregados com
ressentimentos e mágoas são mais
difíceis de serem elaborados. Perdas de
crianças e jovens podem ser muito
difíceis de serem aceitas e elaboradas.
 Idade e sexo do enlutado: é importante
considerar se é uma criança ou um
adulto e também as especificidades
de gênero.
O luto patológico

 Causas e circunstâncias da perda: as


perdas rápidas e inesperadas podem
causar muitas dificuldades no início,
pois não há nenhum preparo anterior.
Por outro lado, mortes lentas podem
envolver a convivência com muito
sofrimento e dor, o que também pode
ser penoso.
 Personalidade do enlutado: importante
considerar como o enlutado viveu as
suas experiências anteriores,
anteriores as formas
de enfrentamento escolhidas,
características de personalidade e se
existem distúrbios psiquiátricos.
O luto: fases de enfrentamento

 Rede social e de apoio do enlutado:


pessoas sozinhas ou com famílias
desorganizadas ou pouco continentes
estão sob maior risco de um luto
complicado.
Parkes (1998, p. 133-136) apresenta os
seguintes tipos:
 Luto crônico: processo que se prolonga
de forma indefinida, possivelmente mais
presente em relações com forte
conteúdo de dependência. A princípio, é
difícil caracterizá-lo como tal, já que o
processo de luto tem tempos variados
para cada pessoa.
O luto patológico

 Luto adiado: a pessoa não entra em


contato com a perda, não consegue
expressar os seus sentimentos e não
procede à elaboração.
 Luto inibido: a expressão do luto está
inibida e seus sinais parecem ausentes.
Definir exatamente se o luto está seguindo
para uma patologia ou se aquele é o tempo
necessário para que a pessoa possa estar
elaborando a perda é algo extremamente
difícil, tendo em vista que a linha que
separa o normal do patológico pode ser
muito tênue.
O fisioterapeuta e suas relações
interdisciplinares

 O modelo biomédico de atendimento


ainda é encontrado em muitos meios e
remonta a um tempo da história advindo
da influência da filosofia que discutia o
dualismo mente-corpo.
O fisioterapeuta e suas relações
interdisciplinares

 A grande transformação proposta está


na mudança do modelo biomédico para o
modelo biopsicossocial, que hoje se faz
presente na maior parte das relações e
no cuidado com a pessoa doente.
O fisioterapeuta e suas relações
interdisciplinares

 Na perspectiva multidisciplinar,
podemos entender que as informações
de cada profissional a respeito do cliente
se complementam, mas não há uma
decisão conjunta, já que essa é, em
geral tomada pelo médico.
geral, médico
O trabalho desenvolvido pela equipe
interdisciplinar é definido por Bruscato et
al (2006, p35) como:
 equipe que busca uma superação de
fronteiras disciplinares, com a
construção de uma linguagem
interdisciplinar consensualmente (cont.)
O fisioterapeuta e suas relações
interdisciplinares

 (cont.) construída entre os integrantes.


Cada membro amplia seus referenciais
específicos e desenvolve uma ação
colaborativa com os demais.
 Podemos entender que, nas relações
interdisciplinares, a avaliação e o
planejamento caminham de maneira
colaborativa, interdependente,
complementar e coordenada.
 Todos os profissionais agem ampliando
seu referencial e atuam colaborando uns
com os outros; a identidade profissional
é mantida, assim como o domínio
específico da técnica.
O fisioterapeuta: participação em
projetos de prevenção de doenças e
melhora na qualidade de vida

De acordo com Lück (2003, p. 27), o projeto


é:
 “[...] conjunto organizado e encadeado
de ações de abrangência e escopo
definidos, que focaliza aspectos
específicos a serem abordados num
período de tempo, por pessoas
associadas e articuladoras das
condições promotoras de resultados,
com um determinado custo”.
O fisioterapeuta: participação em
projetos de prevenção de doenças e
melhora na qualidade de vida

 Ao pensar em planejar ações para a


saúde, é preciso entender que as
intervenções devem ir de encontro com os
problemas já existentes, sua recuperação
e prevenção.
Níveis a serem trabalhados:
 Prevenção primária: desenvolvimento de
ações e programas destinados a evitar a
ocorrência da doença.
 Prevenção secundária: aqui, a doença
pode estar em desenvolvimento, e as
medidas devem estar voltadas para
impedir o seu desenvolvimento
através do atendimento e, se necessário,
realizar um tratamento imediato.
O fisioterapeuta: participação em
projetos de prevenção de doenças e
melhora na qualidade de vida

 Prevenção terciária: desenvolvimento de


ações voltadas para a reabilitação da
pessoa após a cura da doença ou o seu
controle, reajustando o indivíduo a uma
nova condição de vida. A fisioterapia é
um exemplo com relação à colocação de
próteses, auxiliando o sujeito em sua
readaptação a partir de seu ajuste ao
ambiente.
Interatividade

De acordo com Bowlby (1985), citado por


Kovács (2007), as principais fases para o
enfrentamento do luto são:
a) Choque, busca, desorganização,
reorganização.
b) Desespero, revolta, desorganização,
aceitação.
c) Negação, reorganização,
desorganização.
d) Euforia,
Euforia depressão
depressão, ansiedade
ansiedade, busca
busca.
e) Choque, negação, revolta, ira,
depressão, desespero.
Resposta

Alternativa correta: “a”.


 As principais fases para o enfrentamento
do luto são: choque; busca;
desorganização; reorganização, de
acordo com Bowlby (1985).
ATÉ A PRÓXIMA!

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