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EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) DOUTOR(A) DESEMBARGADOR(A)

RELATOR(A) DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SANTA CATARINA

A ORA PARTA AUTORA, já devidamente qualificada nos


autos em epígrafe, por seu advogado e procurador infra-firmado, em razão
da decisão de mov.68 que suspendeu o cumprimento de sentença, vem,
respeitosamente, na presença de Vossa Excelência, apresentar AGRAVO
DE INSTRUMENTO COM PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA
RECURSAL, e efeito suspensivo com fulcro no artigo 1.015, inciso II c/c
art. 1.019, inc. I e ao EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE
SANTA CATARINA, conforme razões inclusas.
Requer seja concedido ao recurso em ambos os efeitos,
suspendendo a decisão.
Contra-minutado, ou não, requer-se o seu total provimento,
cassando-se em definitivo a r. decisão agravada.
Informa que, deixa de recolher as custas de preparo de
interposição do presente Recurso, por ser beneficiária da justiça gratuita.

Nestes termos,
Pede deferimento.

Florianópolis/SC, sexta-feira, 10 de setembro de 2021.

AO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA


RAZÕES DO AGRAVO DE INSTRUMENTO

Egrégio Tribunal de Justiça do Santa Catarina


Emérito(a) Desembargador(a) Relator(a),
Douto(a) Desembargador(a) Relator(a),

A ora parte Agravante, já qualificado nos autos supra descritos,


vem por seus procuradores habilitados, interpor o presente AGRAVO DE
INSTRUMENTO em face da decisão proferida que homologou cálculo
equivocado elaborado na sentença.
Excelências, a decisão agravada deve ser reformada in totum, eis que
se mantida for, acarretará danos irreversíveis ao agravante.

DO PREPARO

Deixa de recolher as custas de preparo de interposição do presente


Recurso, por ser beneficiária da justiça gratuita.
Conforma consta dos autos, a parte recorrente é beneficiária da
justiça gratuita, o que lhe isento do recolhimento das custas judiciais, entre
elas o preparo e o porte e remessa.
A Constituição dispõe que “o Estado prestará assistência jurídica
integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos” (artigo
5º, LXXIV, CRFB/88). Trata-se de cláusula pétrea da nossa Constituição,
não se podendo incrementar o texto normativo para nele inserir outras
exigências.
Em consonância aos ditames Constitucionais e art. 99, caput e § 7º,
do NCPC, prevê que “O pedido de gratuidade da justiça pode ser
formulado na petição inicial, na contestação, na petição para
ingresso de terceiro no processo ou em recurso.” e "requerida a
concessão de gratuidade da justiça em recurso, o recorrente estará
dispensado de comprovar o recolhimento do preparo, incumbindo ao
relator, neste caso, apreciar o requerimento e, se indeferi-lo, fixar
prazo para realização do recolhimento."
Todavia, desde já a parte recorrente reitera o pedido de justiça
gratuita a corte superior, isentando-a do pagamento das às taxas
judiciárias, dos emolumentos e às custas, na forma da Lei.
Assim sendo, requer-se a extensão da benesse para esta instância
recursal.

DA TEMPESTIVIDADE
Inicialmente, cumpre ressaltar a tempestividade do presente recurso,
sendo que o prazo é de 15 (quinze cinco) dias.
Portanto, é tempestivo o presente Recurso apresentado nesta data.

DA SÍNTESE PROCESSUAL

Detalhando-se o histórico processual relativo ao presente feito,


cumpre informar, de início, tratar-se de feito com vistas à execução da
sentença coletiva do chamado Plano Verão, instituído em 15 de janeiro de
1989, por meio da Medida Provisória n. 32, convertida posteriormente na
Lei n. 7.730, de 31.1.1989.
Portanto, este feito, em verdade, tem como origem a Ação Civil
Pública n.º. 0719385-60.1995.8.26.0100 (já colacionada aos autos) na qual
o INSTITUTO BRASILEIRO DE DEFESA DO CONSUMIDOR – IDEC demandou
em face o BANCO BANEB, atual BANCO BRADESCO S/A, objetivando a
condenação no pagamento das diferenças das correções aplicadas às
cadernetas de poupanças, em virtude do Plano Verão.
Ato contínuo, foi homologado o cálculo apresentado elaborado na
sentença.
A partir da leitura do comando decisório exarado nos autos, com a
devida vênia, verifica-se que o Juízo de Origem equivocou-se a
homologação do cálculo realizado na sentença, eis que totalmente
equivocado.
Desta forma, novamente pedindo-se todas as vênias ao entendimento
contrário, não há que se falar em ocorrência de prescrição, conforme
restará demonstrada nos termos abaixo delineados, de modo que torna-se
necessário a reforma da sentença de piso.

DA IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA – DA POSSIBILIDADE DE CORREÇÃO


DE ERRO MATERIAL A QUALQUER TEMPO DO PROCESSO

Discordamos, enfaticamente, da parte da decisão recorrida que diz:


Rejeito a impugnação do evento 90, pois a exequente
não apontou especificamente qual foi o suposto
equívoco cometido pela Contadoria Judicial. Aliás,
conforme exposto na informação do contador judicial
(evento 105), o equívoco da exequente na realização
do cálculo acostado no evento 86 foi a utilização dos
"índices da poupança", o que implica na incidência de
juros remuneratórios, vedado pela decisão proferida no
evento 50. Ante o exposto, homologo os cálculos da
Contadoria Judicial (eventos 83, 84 e 85), porque
gozam de presunção de veracidade e correção técnica,
visto que elaborados por funcionário público com
capacidade para tanto e sem vinculação com as partes.
Expeçam-se alvarás à exequente e ao executado,
conforme os cálculos ora homologados. Intimem-se.
Após, sem novos requerimentos, retornem para
sentença de extinção em razão do adimplemento.
Com efeito, a prevalecer o entendimento, data máxima vênia,
equivocado do Magistrado recorrido teríamos a sui generis situação do erro
material que se sobrepõe à “coisa julgada”.
Neste caso, temos, por óbvio, que a decisão atacada viola sim à
coisa julgada, constituindo, desse modo, ofensa direta à Constituição da
República de 1.988, no inciso XXXVI do artigo 5º, o qual prescreve:
XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o
ato jurídico perfeito e a coisa julgada;
Noutras palavras, não se opera a preclusão contra erro material.
Vejamos:
PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO.
SOBRE ERROMATERIAL NÃO OPERA PRECLUSÃO.
ART. 463 DO CPC. 1. Se requerida pela parte retificação
de erro de material, o juiz não pode furtar-se ao exame do
pedido alegando preclusão à impugnação do cálculo pelo
fato de não terem sido interpostos embargos
tempestivamente. 2. Hipótese de aplicação do
art. 463 do CPC. 3. Agravo de instrumento provido. (TRF-4
- AG 16822 RS 2003.04.01.016822-0 (TRF-4) Data de
publicação: 10/09/2003)
 Feitas estas considerações, temos que a r. decisão incorreu em erro
referente ao cálculo apresentado. Cálculo este muito aquém do valor que
tem direito a parte Agravante.
Obviamente, Excelência, que não compete ao Tribunal a elaboração
de cálculos aritméticos, esse é um serviço que pode ser realizado tanto
pelas partes ou pela Contadoria Judicial, e, quando mais complexo (o que,
em absoluto, não é o caso) por peritos externos.
Ocorre, todavia, por um lapso, em seus cálculos, mormente, olvida-
se cálculo finde de "R$2.206,92" em favor do exequente", sendo que, esta
falha acarreta substancialmente o crédito a ser recebido pela
Agravante, além de gerar enriquecimento sem causa para Agravada.
Para piorar a situação, o MM. Magistrado, homologou o cálculo da
Contadoria, sem ao menos analisar que este estava muito abaixo do valor
requerido na inicial.
Com efeito, é império seja, neste ponto, cassada a respeitável
decisão, eis que o valor correto a ser considerado, nos termos da sentença
(valor atualizado até a data de 18/04/2017, no percentual de R$
R$6.033,19).
Por consequência, os cálculos para atualização e incidências de juros
da conta n.110.301.052-X deverão considerar o saldo existente, qual seja,
NCz$ 620,10, com data de aniversário no dia 13 foi aplicado percentual de
19,7442%, chamado de percentual controvertido, descobrindo-se o valor
de NCz$ 122,45 chamado de valor controvertido, valor remunerado à
menor, à época, ao poupador, perfazendo um saldo atualizado de R$
5.484,72.
Sobre o valor controvertido, incide desde a data do plano Verão
juros e correções diferenciados até 01/07/2018 conforme as tabela anexa
atingindo desta forma o valor controvertido corrigido de R$ 1.538,49.
Posto isso, a divergência nos cálculos se dá, especialmente, porque
não foi atendido os parâmetros para elaboração do cálculo definidos na
sentença da Ação Civil Publica e na posição Majoritária do Superior
Tribunal de Justiça, ocorrendo em resultado a menor.
O valor controvertido não contempla juros remuneratórios.
Como há processo em andamento o controvertido corrigido terá
acréscimos de juros moratórios desde a citação em 08/06/1993 sendo
então R$ R$ 5.484,72.
Sendo que, o cálculo de R$ 5.484,72 (anexo) não contemplou os
honorários, deverá ser acrescido ao cálculo o valor de R$548,47 (10% de
honorários), totalizando a importância de R$6.033,19.
 Aqui, Excelências, temos que em hipótese alguma pretende-se o
desrespeito ao artigo 876, do Código de Processo Civil, ocorre que, o Juiz
"a quo", homologou um cálculo totalmente equivocado, causando sérios
prejuízos a parte Agravante.
Não obstante esses ABSURDOS equívocos apontados, o
Magistrado de primeiro grau, ao julgar a impugnação, entendeu por bem
adotar como certo o cálculo da contadoria. No entanto, ao contrário do
quanto apurado na sentença, o critério de correção correto deve ser
baseado pela apuração do valor com base nos critérios definidos na
sentença da Ação Civil Pública, vejamos:
Vejamos:
Os juros de mora aplicados no cálculo apresentado ela parte Autora
são considerados a partir da citação da Ação Coletiva (08/06/1993)
demonstram-se lícitos e exigíveis, não merecendo qualquer reparo.
Para fins de julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia,
declara-se consolidada a tese seguinte: "Os juros de mora incidem a
partir da citação do devedor na fase de conhecimento da Ação Civil
Pública, quando esta se fundar em responsabilidade contratual, se que
haja configuração da mora em momento anterior." 4.- Recurso Especial
improvido. (REsp 1361800/SP, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, Rel. p/ Acórdão
Ministro SIDNEI BENETI, CORTE ESPECIAL, julgado em 21/05/2014, DJe
14/10/2014) 
Denota-se que não há existe nenhuma irregularidade no cálculo
realizado pela Apelante, que foram elaboradas com absoluta sujeição à r.
sentença da Ação Civil Pública, por meros cálculos aritméticos, mediante as
peculiaridades ensejadoras contida no título judicial.
Impugna desde já o método de cálculo utilizado pela Contadoria,
devendo prevalecer os cálculos da parte Autora (anexo), totalizando a
importância de R$6.033,19..
Nesse sentido, merece destaque a decisão do Superior Tribunal de
Justiça, senão vejamos:
(...) TERMO INICIAL DOS JUROS DE MORA. CITAÇÃO
NA AÇÃO CIVIL PÚBLICA. MATÉRIA JULGADA SOB O
REGIME DO ART. 543-C DO CPC. RECURSO NÃO PROVIDO.
1. "Os juros de mora incidem a partir da citação do
devedor na fase de conhecimento da Ação Civil
Pública, quando esta se fundar em responsabilidade
contratual, se que haja configuração da mora em
momento anterior" (REsp 1370899/SP, Rel. Ministro
SIDNEI BENETI, CORTE ESPECIAL, julgado em
21/05/2014, REPDJe 16/10/2014, DJe 14/10/2014).
2. Recurso especial a que se nega seguimento. DECISÃO 1.
Cuida-se de recurso especial interposto por BANCO DO
BRASIL S/A, com fundamento no art. 105, III, a e c, da
Constituição Federal de 1988, contra acórdão proferido pelo
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim
ementado: * INTERESSES TRANSINDIVIDUAIS -
IMPUGNAÇÃO AO CUMPRIMENTO DO DECISUM - Os juros
de mora, nas ações em que são pleiteadas diferenças
dos rendimentos das contas-poupanças, são devidos a
partir da citação na demanda coletiva - Sucumbência
recíproca - Inocorrência - a instituição financeira arcará com
a verba honorária advocatícia em 20% do valor da
condenação - Recurso provido * Em suas razões recursais
(fls. 266-273), aponta a parte recorrente ofensa ao disposto
no art. 219 do Código de Processo Civil. Sustenta que é
descabida a incidência dos juros de mora a partir da citação
na ação civil pública. Contrarrazões ao recurso especial às
fls. 279-281. Crivo positivo de admissibilidade na origem (fl.
283). É o relatório. DECIDO. 2. Não merece prosperar a
irresignação. 3. A Corte Especial do Superior Tribunal de
Justiça, em sessão realizada no dia 21/05/2014, em
julgamento de recursos representativos de
controvérsia repetitiva (REsp 1.370.899/SP e REsp
1.361.800/SP), consolidou o entendimento "Os juros
de mora incidem a partir da citação do devedor na
fase de conhecimento da Ação Civil Pública, quando
esta se fundar em responsabilidade contratual, se que
haja configuração da mora em momento anterior". (...)
(STJ - REsp: 1387331 SP 2013/0167883-9, Relator: Ministro
LUIS FELIPE SALOMÃO, Data de Publicação: DJ 10/12/2014)
(destaquei)
A correção monetária, vimbumbra-se incoerente, uma vez que
tratando-se de débito judicial, a incorporam-se sobre a atualização da
moeda todos os expurgos inflacionários, no caso, subsequentes ao
reconhecido no Plano Verão, pois esses independem de novo comando
judicial consoante demonstrado. Assim, são devidas essas correções sobre o
montante devido.
Verifica-se, portanto, que a matéria relativa aos juros
remuneratórios e a correção monetária esteve presente no âmbito
da ação de conhecimento que ora se busca dar efetividade através
da presente execução. Ademais, seja também ressaltado que o pleito
relativo à aplicação dos juros remuneratórios preenche todos os requisitos
relativos à sistemática legal dos pedidos em nosso ordenamento pátrio.
Desta forma, em primeiro lugar, temos que o pedido formulado nos
moldes acima é juridicamente possível. Temos também que o próprio pleito
de aplicação da correção monetária se relaciona à causa de pedir e é
por ela delimitado, sendo, assim, congruente e coerente com o que fora
debatido ao longo da Ação Coletiva.
Tal correção, conforme vem entendendo os Tribunais do país, é
devida, por se tratar de direito adquirido através de um ato jurídico
perfeito, garantido pelo artigo 5º, XXXVI da Constituição Federal e definido
pelo artigo 6º da Lei de Introdução ao Código Civil de 1916:
DIREITO ECONOMICO. CADERNETA DE POUPANÇA.
ALTERAÇÃO DO CRITERIO DE ATUALIZAÇÃO.
JUNHO/87. DIREITO ADQUIRIDO DO DEPOSITANTE.
PRECEDENTES. RECURSO NÃO-CONHECIDO. I - A
jurisprudência desta corte orientou-se no sentido de
que as regras relativas aos rendimentos da poupança,
resultantes das resoluções 1.336/87, 1.338/87 e
1.343/87, do Conselho Monetário Nacional, aplicam-se
aos períodos aquisitivos iniciados a partir do dia 17 de
junho de 1987, de sorte a preservar o direito do
depositante de ter creditado o valor relativo ao IPC
para corrigir os saldos em contas cujo trintídio se
iniciou antes dessa data. II - A retirada do dinheiro
antes de completados os trinta dias - e essa
consciência o poupador a tem também no momento da
celebração ou renovação da aplicação – importa
apenas na perda voluntária do direito ao rendimento,
perda que, contudo, decorre de atitude unilateral
facultada contratualmente ao investidor de não mais
se dispor a cumprir a condição suspensiva a que se
deveria submeter para fazer jus a contraprestação
remuneratória ajustada. III - O que não se admite,
porém, é que, uma vez transcorrido o lapso temporal
exigível sem retiradas, cumprido portanto pelo
poupador tudo o que lhe incumbia, a instituição
financeira venha a creditar o rendimento com base em
índice diverso do vigente à época da contratação. IV –
Eventuais alterações na política econômica,
decorrentes de planos governamentais, não afastam
por si, a legitimidade ad causam das partes envolvidas
em contratos de direito privado, inclusive as
instituições financeiras que atuam como agentes
captadores. Existindo vínculo jurídico de índole
contratual entre as partes, a legitimidade não se
arreda pela simples circunstância de terem sido
emitidas normas por órgãos oficiais que possam afetar
a relação entre os contratantes. (REsp 77.709/MG, Rel.
Ministro SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA, QUARTA
TURMA, julgado em 13.05.1996, DJ 10.06.1996 p. 20339)
Portanto, considerando-se que o direito adquirido é direito
fundamental, alcançado constitucionalmente, conforme disposto no artigo
5º, XXXVI, CF, bem como na Lei de Introdução ao Código Civil, junto ao
artigo 6º, §2º, faz jus o Autor à correção monetária pelo índice pleiteado na
peça inaugural.
Quanto à alegação de excesso de execução, não assiste razão ao
Réu, vez que este não trouxe elementos hábeis a desconstituir os cálculos
apresentados pela parte Autora. Neste sentido, salienta-se que cabia ao
Réu/Impugnante o ônus de comprovar a irregularidade no cálculo realizado,
o que não foi verificado na espécie. Ademais, verifica-se que tais cálculos
foram elaborados em conformidade fixados na sentença, sendo irrelevante a
discussão acerca de métodos utilizados na elaboração dos mesmos, uma
vez que não compete mais a este juízo decidir o que já foi decidido na Ação
Civil Pública. Se a sentença diz que a parte tem direito, não precisa
absolutamente de decisão do juízo para discutir decisão já transitada em
julgada. Aliás, não só não precisa como este juízo NÃO DEVE decidir nada a
respeito, pois já foi decidido com força de coisa julgada material.
Além disso, resta nitidamente demonstrado, que a discussão do tema
está protegido sob o manto da coisa julgada, conduta que beira a má-fé
processual por parte da Instituição Financeira Ré, por caracterizar
resistência injustificada ao andamento do processo, bem como deduzir novo
método de cálculo, diferente daquele constante na sentença da ação civil
pública.
Salienta-se ainda que, por coisa julgada material entende-se a
eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença para as partes
litigantes (arts. 502 e seguintes, do CPC/2015).
Na verdade, o juízo pode e deve decidir omissões, questões que não
foram expressas claramente na sentença coletiva, TÃO SOMENTE ISSO. O
que não é o caso dos autos.
Portanto, não há como negar que os valores são equivocadamente
inferiores ao que deveria ter sido homologado, na sentença exequenda,
sendo, portanto, ilegal e arbitrária tal decisão, devendo prevalecer o cálculo
apresentado pela parte Agravante de R$24.497,82.

DA NECESSIDADE DE PROVER-SE EFEITO SUSPENSIVO AO RECURSO

Preenchimento os requisites do artigo 1.019, inciso I, do Ncpc


As questões destacadas no presente recurso de Agravo de
Instrumento são de gravidade extremada e reclama, sem sombra de
dúvidas, a suspensão do processo ou concessão da tutela recursal (CPC,
art. 1.019, inc. I).
Demonstrado, pois, o preenchimento do requisito do “risco de lesão
grave e de difícil reparação” e da “fundamentação relevante”, há de ser
concedido efeito ao recurso em liça.
Ademais, além da “fundamentação relevante”, devidamente fixada
anteriormente, a peça recursal preenche o requisito do “risco de lesão grave
e difícil reparação”, uma vez que a suspensão da ação de cumprimento de
sentença por 24 meses é totalmente desacertada e afronta princípios e
regras constitucionais e legais E NÃO FAZ JUSTIÇA AO AGRAVANTE que é a
parte mais lesada até o presente momento.
Como consequência, pede-se, tutela de maneira a suspender os
efeitos da decisão interlocutória guerreada (NCPC, art. 1.019, inc. I),
conferindo-se efeito suspensivo presente recurso.

DOS PEDIDOS

Portanto Excelências, a agravante requer:

a) A concessão do efeito suspensivo ao presente agravo de


instrumento, pelos motivos acima exposto, sejam revogadas para evitar
prejuízos irreparáveis a parte agravante;
b) A intimação do agravado para, querendo, no prazo legal,
apresentar contrarrazões;
c) Ao final, requer o provimento do presente agravo para cassar a
decisão, determinando o regular prosseguimento do feito.

Nesses termos,
Pede deferimento.

Florianópolis/SC, sexta-feira, 10 de setembro de 2021.

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