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Relatório sobre o Documentário "12.

000 Anos de História -


Arqueologia e Pré História do RS”

Eduarda dos Santos Pinto


História
Aula 14/04/21
1° ano, turma 113
Professor: Renan Mattos dos Santos

Este é um relatório que tem como objetivo narrar de forma detalhada os assuntos trazidos pelo vídeo em
questão, apresentando seus dados técnicos e seu material, juntamente de observações sobre o mesmo.

Sobre o que é
No documentário é contada em 40 minutos, de forma educativa com linguagem simples, clara e
moderna, a história de pesquisas no estado do Rio Grande do Sul e contextualiza a pré-história
local a partir de 12.000 anos atrás. O documentário é vencedor de um edital da Petrobras e da
Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB), contando com entrevistas de arqueólogas e
arqueólogos gaúchos.
A reprodução do material é resultado de uma parceria entre os editores do Museu da UFRGS e a
Preservar Arqueologia e Meio Ambiente.

COLABORADORES
● O documentário é um dos resultados de um projeto vencedor de um edital da Petrobras e da Sociedade de
Arqueologia Brasileira (SAB).
● Conta com entrevistas da Dra. Silvia Moehlecke Copé (UFRGS), Dr. Pedro Ignácio Schmitz (IAP-
UNISINOS), Dr. Rafael Guedes Milheira (UFPel), Dr. Alberto Tavares Duarte de Oliveira (FAPA), Dr.
Klaus Hilbert (PUCRS), Dra. Fernanda Bordin Tocchetto (MJJF) e Dr. Arno Alvarez Kern (PUC RS).
● A produção foi de Emilio Caio Ferasso, Marcus Vinicius Carvalho Pinto, Leonardo Moreira, Tiago
Moreira, Ana Luiza Koehler e Silvia Copé.
● Através da Absolut A Filmes e LTM Vídeo.

Ficha técnica da versão web completa do documentário

Título 12000 Anos de História - Arqueologia e Pré História do


RS (Original)

Canal (youtube) Marcus Carvalho Pinto

Dirigido por “Colaboradores listados no tópico acima.”

Ano da 9 de set. de 2013 (Brasil)


publicação

Duração 40 minutos

Classificação L - Livre para todos os públicos

Gênero Documentário História Nacional

País de Origem Brasil

Origem
A origem dessa publicação ocorreu a partir da exposição realizada no Museu da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, no período entre 2013 e 2014.

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O filme “retorna no tempo e nos mostra a origem daqueles que foram os primeiros que viveram no Rio
Grande do Sul. Através de um extenso trabalho de pesquisa de mais de duas décadas, da professora Silvia
Moehlecke Copé, nasceu uma exposição que resultou nesta obra documental. A obra resgata as nossas
origens e, baseada em pesquisa de diversos profissionais da arqueologia, mostra quem somos e como o
nosso estado se desenvolveu.”

MATERIAL DO DOCUMENTÁRIO
Surgimento do ser humano e sua chegada ao RS
O documentário começa abordando o local de surgimento do ser humano, surgido na África, há mais de 3
milhões de anos. Logo após, conta sua trajetória até o RS. “A chegada aconteceu há aproximadamente 12
mil anos atrás, no final do último período de glaciação.” A hipótese mais plausível é que o homem tenha
vindo ao Continente Americano já como homosapiens, as vias de penetração do continente poderiam ser
pela passagem no estreito de bering, hoje a plataforma toda está submersa e os sítios estariam enterrados,
ou então, através da Melanésia, por embarcação, o oceano pacífico é a alternativa mais improvável, isso
se sua travessia puder ser considerada uma alternativa.

● Percebemos então, que existe uma série de rotas que poderiam ser utilizadas para a chegada do
homem ao estado do RS, porém não há uma certeza sobre qual seria, de fato, a utilizada,
precisaria-se de muito mais estudos sobre o assunto para chegar a tal conclusão.

Exposição
Após a conclusão do primeiro tópico, é abordado o assunto da exposição no Museu da UFRGS
(Universidade Federal do Rio Grande do Sul), em Porto Alegre, a exposição “12.000 anos de história”,
mostra como o RS foi povoado e como era a vida dos primeiros habitantes, além de contar com
reconstituições de todos os cenários dos períodos apontados na pesquisa liderada pela Dra. em
Arqueologia, Silvia Copé.

● Abaixo, algumas imagens da exposição:

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Como começaram os trabalhos
A seguir, o documentário passa a entrevista do Dr. Ignácio Schmitz, que conta que no ano 1966 convocou
os arqueólogos amadores do RS, em 1967 já foi possível construir um primeiro simpósio de arqueologia

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da área do Prata. Já tinham conseguido as primeiras localizações e já estavam cobrindo o Estado. O
Pronapa (Programa Nacional de Pesquisas Arqueológicas) foi organizado pelos Drs. Clifford Evans e Betty
Meggers, da Smithsonian Institution. Eles organizaram um programa muito audacioso, que cobria desde Belém
até Porto Alegre em 3 anos.

Alguns dos sítios arqueológicos do Rio Grande do Sul


“A primeira grande colonização do território foi com os caçadores e coletores.”

Após, o narrador propõe que conheçamos alguns sítios arqueológicos do RS, começando pelos
primeiros grupos que se estabeleceram no Estado, “os povos dos campos chegaram na região que
hoje chamamos de pampa, que se estende do sul brasileiro até a patagônia na Argentina, passando
pelo Uruguai. Em pequenas famílias que acampavam na margem de córregos, onde montavam
seus abrigos.”

O homem chega ao estado do Rio Grande do Sul pela fronteira com a Argentina e entra nas
barrancas do rio Uruguai, há 12.000 anos. Eles viviam da caça e da coleta, migrando e povoando
nosso Estado. Chegaram aqui em um período extremamente frio, tendo de se proteger de grandes
predadores, usando flechas e outras armas artesanais, vindos de uma megafauna há muito já
extinta, e para proteger-se do clima difícil, utilizavam das peles destes animais como um manto
protetor. Reproduziam nas paredes desenhos de animais, do modo que caçavam e eram caçados e
do processo utilizado nas peles para torná-las vestimentas.

Conta com entrevista da Dra. Silvia.

Povos dos cerritos

Os cerritos são montículos de terra que teriam sido construídos pelos índios pampeanos, conhecidos
historicamente como Charruas e Minuanos, há pelo menos 2.400 anos, na porção meridional da Laguna dos
Patos. (web)

Entrevista com o professor Dr. Rafael Guedes Milheira (UFPel)

“Os cerritos são construções intencionais de caçadores e coletores que ocupavam as regiões do banhado,
demarcavam seus territórios, enterravam seus mortos e moravam nestes montículos de terra, espalhados
por toda região pampeana. Foram construídas desde pelo menos 5 mil anos desde o presente, até ao
menos 200 anos atrás.”

● São vestígios arqueológicos que retratam a história de uma sociedade milenar, que tinham um
certo parentesco com os primeiros habitantes do RS, que em um certo período entre 5 à 4.500
anos por algum evento ou uma escala destes , culturais e ambientais, passaram a demarcar seus
territórios e sedentarizar-se. Esse processo é marcado justamente pelos cerritos, que demarcam
banhados e charcos, ocupados por estes nômades, que tinham como base de dieta alimentar a
fauna lacustre, caçavam peixes e outros animais de pequeno e médio porte.

No Rio Grande do Sul, especificamente, conhecemos uma quantidade muito grande de cerritos em Santa
Vitória do Palmar, Rio Grande, Pelotas, Banhado do colégio, em Camaquã, Bagé, Aceguá e Santa

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Maria.

Na região sul da Laguna dos Patos, os cerritos não apresentam volumes de 5,6 ou 7 metros de altura, eles
chegam no máximo a 2 metros de altura, menos perceptíveis na paisagem, é um fenômeno regional, assim
como dentro dos cerritos mais de 95% dos materiais arqueológicos são fauna lacustre e uma grande
quantidade de cerâmica.

“São conhecidas armas nestes cerritos, em todo território pampeano, usadas tanto para caça quanto para
guerra, como pontas de flechas, bolas de boleadeira, um tipo específico destas também, são as chamadas
"rompecabezas", igualmente úteis na caça e na guerra.”

● Imagens abaixo:

● O Dr. Ignácio Schmitz conta que os cerritos foram estudados por ele e sua equipe na primeira
cobertura do RS. Com a ajuda de um dono de uma farmácia em Santa Vitória do Palmar, que
pedia na rádio que fazendeiros que tinham cerritos em suas terras o descrevessem para o estudo,
no fim ele tinha um mapa com a localização de mais ou menos 130 cerritos. O qual foi
extremamente útil para a exploração, além disso, ele também foi muito hospitaleiro com a equipe,
deu-lhes as boas vindas e também reservou um hotel para sua hospedagem lá. Com isso, em 15
dias a equipe levantou 150 cerritos.

Importância das evidências arqueológicas e de sua preservação


Seguindo, o documentário levanta a questão da importância das evidências arqueológicas e de sua
preservação. Contando com entrevistas narradas logo abaixo:

● Dr. Ignácio Schmitz diz que sua preocupação é o quanto do patrimônio realmente se salva,
porque “um caquinho de cerâmica não é um patrimônio, um caquinho de cerâmica passa a ser um
patrimônio no dia em que alguém chegar e dizer: -Isso é de tal grupo, ele representa tal coisa.”

● Dr. Alberto Tavares Duarte de Oliveira compartilha sua opinião sobre o assunto, dizendo que: “De
forma geral estão procurando o lixo das pessoas, não seus tesouros.” Segundo ele, é a partir desse lixo

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que se pode estudar e saber mais sobre as pessoas que o utilizaram e descartaram.

● Segundo Dr. Klaus Hilbert cita: “Um arqueólogo é um descobridor, justamente essa sensação de
"descobrir" é aquilo que o mantém interessado no assunto, ele é um especialista na cultura material,
diferentemente do historiador ou de outros profissionais desse ramo que trabalham com documentos
escritos, ou então, depoimentos orais.”

● Dra. Fernanda Bordin Tocchetto fala: “Esse patrimônio arqueológico que os arqueólogos trazem à
tona com suas pesquisas é um patrimônio que está muito relacionado à história da cidade, portanto,
aos seus habitantes. Estas pessoas têm mais possibilidades e oportunidades de conferir significados a
esses acervos arqueológicos.”

● Dr. Arno Alvarez Kern conta que “Há muito mito, “os tesouros e túneis jesuíticos”, coisas que nunca
ninguém viu mas juram que é verdade.” O Dr. diz que quando questionadas essas pessoas dizem que
“alguém descobriu, mas pegou o dinheiro e fugiu.” No final, nenhuma testemunha existe, acaba que
foge e desaparece na história.”

Objetivos do documentário:
● Aproximar o público do ofício do arqueólogo e do patrimônio arqueológico;
● Proporcionar ao público em geral uma maior aproximação com noções de preservação;
● Possibilitar aos estudantes e professores da rede pública e privada de ensino o acesso, de forma
criativa e dentro de uma proposta de expografia contemporânea, aproximações com a pré-história do
Rio Grande do Sul;
● Colaborar na difusão das pesquisas realizadas pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas.

Fontes
1. Canal do youtube: Marcus Carvalho Pinto (link: https://youtu.be/qgKyUJLbF6k)
2. Site do google (link): https://arqueologiaeprehistoria.com
3. Site do google (link): https://www.iffarroupilha.edu.br/noticias-sb/item

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Conclusão
O documentário até o momento se mostra realmente interessante, relata de uma forma bem didática e com
linguajar comum, tornando o conteúdo bem compreensível, além de contar com entrevistas de grandes e
importantes arqueólogos e arqueólogas brasileiras (os), com isso, nos tornando cientes destas figuras
importantes para o nosso país que, no meu caso em particular, até o momento eram desconhecidas.

É o tipo de coisa que todos os rio-grandenses deveriam assistir, é bom poder conhecer mais sobre a
história do lugar em que vivemos, ainda mais quando o material é completamente focado nessa específica
região, como é o caso do documentário 12.000 anos de história-Arqueologia e pré-história do RS.

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