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Aluna: Ingrid Alessa Nogueira de Soares

Disciplina: Psicologia do Trabalho

Resenha acerca do debate sobre: Terceira Idade, Trabalho e Aposentadoria

Convidado: Dr. Professor Wilson Pedro, Coordenador do Programa de Extensão e Pesquisa em


Gerentologia Social

A partir da análise e pesquisa sobre o tema em debate, da leitura do texto postado no Classroom
do Professor Wilson Pedro, “Reflexões sobre a promoção do Envelhecimento Ativo”, pude
constatar o quanto esse assunto é urgente em ser tratado.
O número de idosos no nosso país vem aumentando a cada ano com o acréscimo da expectativa
de vida. De 1980 a 2010 a expectativa de vida foi de 62 anos para 73 anos. O Brasil tem mais de 22
milhões de pessoas com mais de 60 anos, o que representa aproximadamente 10,98% da população
brasileira. Se as projeções para os próximos anos se consolidarem, em 2050 teremos 30% da
população do país com mais de 60 anos.
Desse modo, pode-se pensar acerca das diretrizes e estratégias de promoção de envelhecimento
ativo no Brasil, focando na questão do trabalho e emprego ao idoso, e ainda incluindo a
importância do psicólogo organizacional nessa área.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), envelhecimento ativo é “um processo de
otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, com o objetivo de melhorar a
qualidade de vida à medida que as pessoas ficam mais velhas”. Esses três pilares: saúde,
participação e segurança servem como base para a implementação de estratégias para a promoção
de envelhecimento ativo nos municípios. Entretanto, analisando a região do interior do Estado de
São Paulo, as principais lacunas nas estratégias, encontram-se justamente na área do trabalho e
emprego e do compartilhamento do saber científico e tecnológico.
Algumas das estratégias identificadas relacionadas ao trabalho e emprego foram:
a “Economia Solidária”, projetos de fomento a outras formas de organização econômica e
produtiva através de cooperativas;
o “Empreendedorismo Sênior”, apoio ao empreendedorismo econômico na terceira idade;
o “Programa de Preparação para Aposentadoria”, ações voltadas para o preparo após
aposentadoria, prioritariamente para Servidores Públicos;
os “Assentamentos rurais”, identificação de demandas dos assentados (60+) em terras do Estado.
Entretanto, cada uma delas só foi encontrada em apenas um município.
Já o “Trabalho Voluntário com Idosos”, organizações sociais filantrópicas e/ou religiosas
visando à participação social, foi encontrado em mais municípios, porém, ainda assim, com uma
baixa frequência.

Portanto, mostra-se necessário a preocupação dos atores sociais envolvidos nesses processos na
busca da resolução das mazelas enfrentadas pelos idosos. O exercício para compreender e agir nas
demandas dos processos de envelhecimento requer um esforço coletivo e integrado, conduzindo-
nos a campos interdisciplinares do saber e requerendo ações intersetoriais, inovando as práticas e a
construção dos saberes.

O psicólogo organizacional, portanto, em uma equipe multiprofissional (médico do trabalho,


enfermeiro, assistente social, pedagogo etc.), pode propor e implementar políticas organizacionais
que contribuam para a promoção da qualidade de vida do trabalhador. Assim, corrobora na
promoção do envelhecimento ativo do idoso.
O processo de envelhecimento somado a experiência de aposentadoria pode se tornar uma etapa
desafiadora e sofrida da vida. No meio capitalista atual, em que o trabalho remunerado é
extremamente visado, se valoriza aquele que produz e o que não produz, ou produz pouco, é
excluído. O idoso, ao não mais se ver como uma força de trabalho, pode perder o sentido para sua
vida, sentindo-se inútil. Dessa forma, o idoso sente-se como um produto que está no fim de sua
durabilidade e, tendo pouca energia, é descartado e substituído por outros produtos mais novos e
mais eficazes.
A saúde do idoso, pode-se inferir que vai muito além do físico, do exterior. Ela vem do
emocional, psíquico, da sensação de se ver útil para a sociedade. Saúde, participação e segurança,
esses são os pilares para a promoção do envelhecimento, e é necessário compreender o papel do
psicólogo organizacional no planejamento e implantação de estratégias dentro e fora de empresas e
instituições para tal realidade.

Referências bibliográficas:
Pedro, W.J.A. (2013, setembro). Reflexões sobre a promoção do Envelhecimento Ativo. Revista
Kairós Gerontologia,16(5), pp.09-32.

Rodrigues, Milena, Ayabe, Noelle Harumi, Lunardelli, Maria Cristina Frollini, & Canêo, Luiz
Carlos. (2005). A preparação para a aposentadoria: o papel do psicólogo frente a essa questão.
Revista Brasileira de Orientação Profissional, 6(1), 53-62