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SEXTA EDIÇÃO

VAN DE GRAAFF

ANATOMIA
HUMANA
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A N AT O M I A
HUMANA
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A N AT O M I A
HUMANA

SEXTA EDIÇÃO

Kent M. Van De Graaff


Weber State University
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Título do original: Human Anatomy, Sixth Edition


Copyright © 2002 by The McGraw-Hill Companies, Inc.

Edição atualizada de acordo com a Terminologia Anatômica vigente e adaptada para o Brasil.
Reimpressão 2013 – Copyright © Editora Manole Ltda.

Designer: K. Wayne Harms


Projeto gráfico e capa: Jamie A. O’Neal

Tradução e revisão científica: Dr. Nader Wafae


Doutor e Livre-Docente de Anatomia pela Universidade Federal de São Paulo –
Escola Paulista de Medicina
Professor Titular de Anatomia do Departamento de Morfologia da Universidade
Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina
Professor Titular Colaborador de Anatomia do Departamento de Medicina da
Universidade de Taubaté

Editoração eletrônica: Cia Editorial

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ

V297a

Van De Graaff, Kent M. (Kent Marshall), 1942-


Anatomia humana
/ Kent M. Van De Graaff ; [tradução da 6. ed. original e revisão
científica Nader Wafae]. - Barueri, SP : Manole, 2003
il. ; + CD-ROM

Tradução de: Human Anatomy


Apêndice
ISBN 978-85-204-1318-0

1. Anatomia humana. 2. Anatomia.


I. Título

02-2194. CDD 611


CDU 611

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro poderá ser reproduzida,
por qualquer processo, sem a permissão expressa dos editores.
É proibida a reprodução por xerox.

ISBN: 85-204-1318-8
1a edição brasileira – 2003
Reimpressão – 2013

Direitos em língua portuguesa adquiridos pela:


Editora Manole Ltda.
Avenida Ceci, 672
Tamboré – 06460-120 – Barueri – São Paulo – Brasil
Fone: (11) 4196-6000 – Fax: (11) 4196-6021
www.manole.com.br
info@manole.com.br

Impresso no Brasil
Printed in Brazil
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Sobre o Autor

Kent M. Van De Graaff recebeu o título de Ph.D. em zoo- Kent é pai de seis filhos. Três de seus filhos são médicos,
logia pela Northern Arizona State University. Por quase três dé- um deles é administrador público, o quinto filho é estudante de
cadas tem sido professor e pesquisador de anatomia e fisiologia na medicina. Sua filha tem o diploma de bacharelado em zoologia e
University of Minnesota, Brigham Young University e Weber freqüentará a escola de graduação com a intenção de ensinar ana-
State University. Escritor prolífico, Kent é autor e co-autor de tomia humana e fisiologia. Como atividades extra-universitárias,
valioso material didático, inclusive atlas, manuais e guias. Como gosta de esportes e de pintura da vida selvagem.
educador, foi honrado muitas vezes com prêmios pela excelência
na qualidade de ensino, pela orientação a estudantes e pelas ati-
vidades acadêmicas.

Este livro é dedicado aos meus seis filhos e à


memória da maravilhosa mãe que tiveram.

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Sumário Resumido

Prefácio x
Unidade 5
Integração e Coordenação
Unidade 1 CAPÍTULO 11 Tecido Nervoso e Sistema
Perspectiva Histórica Nervoso Central 343
CAPÍTULO 1 História da Anatomia 1 CAPÍTULO 12 Sistema Nervoso Periférico 400
CAPÍTULO 13 Sistema Nervoso Autônomo 434

Unidade 2 CAPÍTULO 14 Sistema Endócrino 454


CAPÍTULO 15 Órgãos dos Sentidos 487
Terminologia, Organização
e Organismo Humano
CAPÍTULO 2 Organização do Corpo
Unidade 6
e Terminologia Anatômica 22 Manutenção do Corpo
CAPÍTULO 16 Sistema Circulatório 537
Unidade 3 CAPÍTULO 17 Sistema Respiratório 602
CAPÍTULO 18 Sistema Digestório 634
Estrutura Microscópica do Corpo CAPÍTULO 19 Sistema Urinário 675
CAPÍTULO 3 Citologia 48
CAPÍTULO 4 Histologia 77
Unidade 7
Reprodução e Desenvolvimento
Unidade 4 CAPÍTULO 20 Sistema Genital Masculino 697
Suporte e Movimento CAPÍTULO 21 Sistema Genital Feminino 725
CAPÍTULO 5 Sistema Tegumentar 105 CAPÍTULO 22 Anatomia do Desenvolvimento,
CAPÍTULO 6 Sistema Esquelético: Introdução Crescimento Pós-natal e Herança 754
e o Esqueleto Axial 131
CAPÍTULO 7 Sistema Esquelético: O Esqueleto Apêndice A: Respostas das Questões Objetivas com
Apendicular 172 Explicações 794
Apêndice B: Respostas das Perguntas sobre Prática
CAPÍTULO 8 Articulações 196 Clínica 799
CAPÍTULO 9 Sistema Muscular 233 Glossário 803
CAPÍTULO 10 Anatomia de Superfície Reconhecimento 819
e Regional 296 Índice 821

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Sumário

Prefácio x Introdução à Citologia 49


Química Celular 50
Unidade 1 Estrutura Celular 52
Ciclo da Célula 65
Perspectiva Histórica CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS 70
Resposta do Estudo de Caso Clínico 74
CAPÍTULO 1 História da Anatomia 1 Resumo do Capítulo 74
Estudo de Caso Clínico 1 Atividades de Revisão 75
Definição da Ciência 2 CAPÍTULO 4 Histologia 77
Período Pré-científico 2
Período científico 4 Estudo de Caso Clínico 77
Resposta do Estudo de Caso Clínico 20 Definição e Classificação dos Tecidos 78
Resumo do Capítulo 20 • Exposição do Desenvolvimento: Os Tecidos 79
Atividades de Revisão 21
Tecido Epitelial 79
Tecido Conjuntivo 89
Unidade 2 Tecido Muscular 99
Tecido Nervoso 100
Terminologia, Organização CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS 101
Resposta do Estudo de Caso Clínico 103
e Organismo Humano Resumo do Capítulo 103
Atividades de Revisão 103
CAPÍTULO 2 Organização do Corpo e
Terminologia Anatômica 22
Estudo de Caso Clínico 22
Classificação e Características dos Humanos 23
Unidade 4
Organização do Corpo 28 Suporte e Movimento
Terminologia Anatômica 30
Planos de Referência e Terminologia CAPÍTULO 5 Sistema Tegumentar 105
Descritiva 33 Estudo de Caso Clínico 105
Regiões do Corpo 35
Cavidades e Membranas do Corpo 41 A Pele como um Órgão 106
Camadas da Pele 106
Resposta do Estudo de Caso Clínico 45 Funções da Pele 112
Resumo do Capítulo 46 Derivados da Epiderme 115
Atividades de Revisão 46
• Exposição do Desenvolvimento: O Sistema
Tegumentar 120

Unidade 3 CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS 119


Resposta do Estudo de Caso Clínico 127
Estrutura Microscópica do Corpo Prática Clínica 128
Terminologia Clínica Importante 128
CAPÍTULO 3 Citologia 48 Resumo do Capítulo 129
Estudo de Caso Clínico 48 Atividades de Revisão 129

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CAPÍTULO 6 Sistema Esquelético: Introdução Movimentos nas Articulações Sinoviais 207


e o Esqueleto Axial 131 Articulações Específicas do Corpo 214
Estudo de Caso Clínico 131 CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS 224

Organização do Sistema Esquelético 132 Resposta do Estudo de Caso Clínico 229


Funções do Sistema Esquelético 134 Prática Clínica 229
Estrutura Óssea 135 Terminologia Clínica Importante 230
Tecido Ósseo 138 Resumo do Capítulo 230
Crescimento Ósseo 140 Atividades de Revisão 231

• Exposição do Desenvolvimento: O Esqueleto Axial 141 CAPÍTULO 9 Sistema Muscular 233


O Crânio 144 Estudo de Caso Clínico 233
A Coluna Vertebral 158
A Caixa Torácica 164 Introdução ao Sistema Muscular 234
Estrutura dos Músculos Esqueléticos 235
CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS 165 Fibras Musculares Esqueléticas e Tipos de
Resposta do Estudo de Caso Clínico 168 Contração Muscular 240
Prática Clínica 168 Denominação dos Músculos 246
Terminologia Clínica Importante 169 • Exposição do Desenvolvimento: O Sistema
Resumo do Capítulo 170 Muscular 248
Atividades de Revisão 170
Músculos do Esqueleto Axial 250
CAPÍTULO 7 Sistema Esquelético: Músculos do Esqueleto Apendicular 263
O Esqueleto Apendicular 172 CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS 285
Estudo de Caso Clínico 172 Resposta do Estudo de Caso Clínico 289
Prática Clínica 292
Cíngulo do Membro Superior e Membro Terminologia Clínica Importante 293
Superior 173 Resumo do Capítulo 293
Cíngulo do Membro Inferior e Membro Atividades de Revisão 294
Inferior 178
CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS 189 CAPÍTULO 10 Anatomia de Superfície
• Exposição do Desenvolvimento: O Esqueleto e Regional 296
Apendicular 192 Estudo de Caso Clínico 296
Resposta do Estudo de Caso Clínico 191 Introdução à Anatomia de Superfície 297
Prática Clínica 193 Anatomia de Superfície do Recém-nascido 298
Resumo do Capítulo 194 Cabeça 300
Atividades de Revisão 194 Pescoço 306
Tronco 309
CAPÍTULO 8 Articulações 196 Pelve e Períneo 318
Estudo de Caso Clínico 196 Ombro e Membro Superior 319
Região Glútea e Membro Inferior 326
Classificação das Articulações 197
Articulações Fibrosas 197 CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS 330
Articulações Cartilagíneas 199 Resposta do Estudo de Caso Clínico 339
Articulações Sinoviais 200 Prática Clínica 340
• Exposição do Desenvolvimento: As Articulações Resumo do Capítulo 340
Sinoviais 206 Atividades de Revisão 341

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Unidade 5 Resumo do Capítulo 432


Atividades de Revisão 433

Integração e Coordenação CAPÍTULO 13 Sistema Nervoso


Autônomo 434
CAPÍTULO 11 Tecido Nervoso e
Estudo de Caso Clínico 434
Sistema Nervoso Central 343
Estudo de Caso Clínico 343 Introdução ao Sistema Nervoso Autônomo 435
Estrutura do Sistema Nervoso Autônomo 438
Organização e Funções do Sistema Nervoso 344 Funções do Sistema Nervoso Autônomo 444
• Exposição do Desenvolvimento: O Encéfalo 346 Controle do Sistema Nervoso Autônomo pelos
Centros Superiores do Encéfalo 448
Neurônios e Neuróglias 348
Transmissão de Impulsos 357 CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS 450
Características Gerais do Encéfalo 358 Resposta do Estudo de Caso Clínico 451
Cérebro 363 Prática Clínica 451
Diencéfalo 372 Resumo do Capítulo 451
Mesencéfalo 373 Atividades de Revisão 452
Metencéfalo 374
Mielencéfalo 376 CAPÍTULO 14 Sistema Endócrino 454
Meninges 378
Ventrículos e Líquido Cerebrospinal 381 Estudo de Caso Clínico 454
Medula Espinal 384 Introdução ao Sistema Endócrino 455
• Exposição do Desenvolvimento: A Medula Hipófise 460
Espinal 390 Glândulas Tireóide e Paratireóide 466
Pâncreas 469
CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS 391
Glândulas Supra-renais 471
Gônadas e Outras Glândulas Endócrinas 474
Resposta do Estudo de Caso Clínico 396
Prática Clínica 396 • Exposição do Desenvolvimento: O Sistema
Resumo do Capítulo 397 Endócrino 477
Atividades de Revisão 398 CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS 480
Resposta do Estudo de Caso Clínico 483
CAPÍTULO 12 Sistema Nervoso Prática Clínica 484
Periférico 400 Resumo do Capítulo 484
Estudo de Caso Clínico 400 Atividades de Revisão 485
Introdução ao Sistema Nervoso Periférico 401
Nervos Cranianos 403 CAPÍTULO 15 Órgãos dos Sentidos 487
Nervos Espinais 413 Estudo de Caso Clínico 487
Plexos Nervosos 415 Avaliação de Percepção Sensorial 488
• Exposição do Desenvolvimento: O Sistema Nervoso Classificação dos Sentidos 488
Periférico 426 Sensibilidade Somática 490
Órgão Olfatório 495
Arco Reflexo e Reflexos 427 Órgão Gustatório 496
Resposta do Estudo de Caso Clínico 430 Órgão da Visão 499
Prática Clínica 432 • Exposição do Desenvolvimento: O Olho 515

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Órgãos da Audição e do Equilíbrio 516 Resposta do Estudo de Caso Clínico 630


Prática Clínica 631
CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS 527
Resumo do Capítulo 631
Atividades de Revisão 632
• Exposição do Desenvolvimento: A Orelha 528
Resposta do Estudo de Caso Clínico 533 CAPÍTULO 18 Sistema Digestório 634
Prática Clínica 534
Estudo de Caso Clínico 634
Resumo do Capítulo 534
Atividades de Revisão 535 Introdução ao Sistema Digestório 635
Membranas Serosas e Túnicas do Trato
Gastrointestinal 636
Unidade 6 Boca, Faringe e Estruturas Associadas 640
Esôfago e Estômago 648
Intestino Delgado 652
Manutenção do Corpo Intestino Grosso 656
Fígado, Vesícula Biliar e Pâncreas 660
CAPÍTULO 16 Sistema Circulatório 537
Estudo de Caso Clínico 537 • Exposição do Desenvolvimento: O Sistema
Digestório 665
Funções e Principais Componentes do
Sistema Circulatório 538 CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS 669
Sangue 540 Resposta do Estudo de Caso Clínico 671
Coração 545 Prática Clínica 672
Vasos Sangüíneos 555 Terminologia Clínica Importante 672
Principais Artérias do Corpo Humano 559 Resumo do Capítulo 673
Principais Veias do Corpo Humano 571 Atividades de Revisão 674
Circulação Fetal 580
Sistema Linfático 582 CAPÍTULO 19 Sistema Urinário 675
CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS 587 Estudo de Caso Clínico 675

• Exposição do Desenvolvimento: O Sistema Introdução ao Sistema Urinário 676


Circulatório 588 Rins 676
Ureteres, Bexiga Urinária e Uretra 684
Resposta do Estudo de Caso Clínico 598
Prática Clínica 598 CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS 688
Resumo do Capítulo 599
Atividades de Revisão 600
• Exposição do Desenvolvimento: O Sistema Urinário 689
Resposta do Estudo de Caso Clínico 694
CAPÍTULO 17 Sistema Respiratório 602 Prática Clínica 694
Resumo do Capítulo 695
Estudo de Caso Clínico 602
Atividades de Revisão 696
Introdução ao Sistema Respiratório 603
Vias Aéreas Condutoras 604
Alvéolos Pulmonares, Pulmões e Pleuras 612
Mecânica Respiratória 618
Regulação da Respiração 623
Unidade 7
Reprodução e Desenvolvimento
• Exposição do Desenvolvimento: O Sistema
Respiratório 624 CAPÍTULO 20 Sistema Genital
Masculino 697
CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS 626
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Estudo de Caso Clínico 697 Resposta do Estudo de Caso Clínico 751


Prática Clínica 751
Introdução ao Sistema Genital Masculino 698
Resumo do Capítulo 752
Períneo e Escroto 700
Atividades de Revisão 752
Testículos 702
Ductos Espermáticos, Glândulas Genitais Acessó-
rias e Uretra 707 CAPÍTULO 22 Anatomia do
Pênis 710 Desenvolvimento, Crescimento Pós-natal
Mecanismo da Ereção, Emissão e Ejaculação 712 e Herança 754
CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS 714 Estudo de Caso Clínico 754
Fertilização 755
• Exposição do Desenvolvimento: Período Pré-embrionário 757
O Sistema Genital 716 Período Embrionário 762
Resposta do Estudo de Caso Clínico 722 Período Fetal 772
Prática Clínica 722 Trabalho de Parto e Parto 775
Resumo do Capítulo 723 Períodos de Crescimento Pós-natal 775
Atividades de Revisão 723 Herança 782
CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS 785
CAPÍTULO 21 Sistema Genital
Resposta do Estudo de Caso Clínico 789
Feminino 725 Prática Clínica 790
Estudo de Caso Clínico 725 Distúrbios Genéticos de Importância Clínica 790
Introdução ao Sistema Genital Feminino 726 Resumo do Capítulo 791
Estrutura e Função dos Ovários 728 Atividades de Revisão 792
Órgãos Sexuais Secundários 732 Apêndice A Respostas das Questões Objetivas
Glândulas Mamárias 738 com Explicações 794
Ovulação e Menstruação 740
Apêndice B Respostas das Perguntas sobre
• Exposição do Desenvolvimento: O Sistema Genital Fe- Prática Clínica 799
minino 743 Glossário 803
CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS 744 Reconhecimento 819
Índice 821

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Prefácio

A obra Anatomia Humana foi escrita para servir como base e


recurso aos estudantes que procuram carreiras rela-
cionadas com a área da saúde como medicina, odontologia, enfer-
estudante e as necessidades do instrutor. Um texto bem escrito e
de leitura agradável é o coração de um processo educacional efi-
ciente. Pensando assim, os seguintes objetivos foram formulados
magem, nutrição, pediatria, optometria, quiroprática, tecnologia para a sexta edição de Anatomia Humana:
médica, fisioterapia, educação física, massoterapia, terapia ocupa- • Proporcionar um texto que seja convidativo e atraente –
cional e outras profissões relacionadas. Criado para acompanhar um texto que seja agradável e com informações precisas,
cursos de anatomia humana com a duração de um semestre, este atualizadas e de interesse prático. Anatomia Humana pre-
livro representa uma introdução básica para anatomia humana aos tende atrair os leitores para o estudo da matéria e, assim,
estudantes de medicina, de outros cursos envolvidos com saúde e de aperfeiçoar as suas avaliações sobre a vida através do me-
educação física, ou para aqueles estudantes de cursos especiais de lhor entendimento da estrutura, do funcionamento e da
ciências biológicas. O enfoque de Anatomia Humana é proporcionar magnificência dos seus próprios corpos.
conhecimentos aplicados da estrutura do corpo humano e informa- • Proporcionar um arcabouço conceitual de aprendizagem
ções sobre as bases para compreensão da fisiologia, biologia celular, por meio da utilização de conceitos concisos e capítulos
embriologia, histologia e genética. Apresentamos, neste texto, in- com questões de revisão.
formações práticas que permitirão aos estudantes a aplicação de
• Expressar a beleza do corpo por meio de arte espetacular,
fatos pertinentes às situações reais que eles poderão encontrar na
que é anatomicamente correta. A anatomia é uma ciência
profissão que escolheram.
visual onde a exatidão é essencial. As numerosas ilustra-
Foram feitas muitas mudanças na sexta edição de Anatomia
ções de alta qualidade preparadas exclusivamente para esta
Humana para proporcionar aos estudantes um texto de alta quali-
edição aumentam a elogiada apresentação artística das edi-
dade para os seus cursos. Como a anatomia humana é uma ciên-
ções anteriores.
cia visual, muitos aperfeiçoamentos e aditivos foram efetuados
em um esforço contínuo para proporcionar uma apresentação ar- • Estimular o interesse do estudante pela anatomia e pelos
tística eficiente. Muitas ilustrações novas, radiografias e fotogra- assuntos correlacionados por meio de uma série de comen-
fias (inclusive imagens de dissecções de cadáveres) tornaram este tários temáticos, realçados em tópicos com ícones.
texto mais útil. Aplicações clínicas reforçando o texto foram • Proporcionar uma apresentação sistemática e equilibrada
outro enfoque importante da sexta edição. Foram acrescentados de conceitos anatômicos nos níveis embriológico, celular,
exercícios de Prática Clínica nos finais dos capítulos e ao longo histológico, clínico e anatômico macroscópico.
do livro. Estes estudos de casos e as imagens que os acompanham • Elaborar um vocabulário técnico padrão para que os estudan-
testam o conhecimento do estudante e demonstram a aplicação tes se sintam entrosados com a terminologia médica básica e
da informação anatômica no cenário clínico. Uma tarefa final na que lhes permita um diálogo familiarizado com os profissio-
montagem da sexta edição de Anatomia Humana foi revisar o nais da saúde e o entendimento da literatura médica atual.
conteúdo visando sua atualização e precisão. De acordo com os • Estimular o cuidado com o próprio corpo para desfrutar
avanços da pesquisa são apresentadas informações atualizadas uma vida mais saudável, mais produtiva, e fornecer as bases
sobre a história das pesquisas sobre genoma humano, estruturas de conhecimentos a fim de que os estudantes possam com-
de DNA e RNA, síntese de proteínas e utilização de células da partilhar e ajudar a melhorar a vida de outras pessoas.
medula óssea vermelha e tecido fetal. Informações clínicas atuais • Familiarizar os estudantes com a história da anatomia, desde
da sexta edição deste livro habilitam-no a ser usado como um va- seu primitivo início até os recentes avanços no campo. So-
lioso recurso de referência relativo a estrutura, função, desenvol- mente com a noção do tempo necessário para se construir o
vimento, envelhecimento e possíveis disfunções orgânicas do conhecimento que é hoje transmitido – e com que dificul-
corpo humano. dades chegamos a ele – é que podem os estudantes apreciar
a ciência da anatomia em sua devida proporção.
OBJETIVOS
Na preparação e atualização de um texto e de seus anexos ORGANIZAÇÃO DO LIVRO
(manual de laboratório, manual do instrutor, banco de testes, e Os 22 capítulos deste texto foram agrupados em sete unida-
assim sucessivamente), é essencial considerar as necessidades do des que são identificadas na margem externa da página.

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Unidade 1: Perspectiva Histórica. Nesta unidade, é colo- natal, o crescimento pós-natal, o desenvolvimento e o envelheci-
cada para o estudante de anatomia humana uma perspectiva his- mento. Conceitos básicos de genética e herança também são ex-
tórica de como esta ciência se desenvolveu no decorrer dos planados.
séculos. Anatomia é uma ciência estimulante e dinâmica que
permanece viva enquanto continua a ampliar seu campo de atua- AUXÍLIOS PARA O APRENDIZADO
ção. Espera-se que esta unidade faça o leitor sentir-se como parte
da herança da anatomia humana. Cada um dos 22 capítulos deste texto incorpora numerosos
dispositivos pedagógicos que organizam e reforçam a praticabili-
Unidade 2: Terminologia, Organização e Organismo Hu- dade da matéria, esclarecem conceitos importantes, ajudam a ava-
mano. Nesta unidade, são descritas as características anatômicas liar o aprendizado do estudante e estimulam a curiosidade natural
que definem os humanos como uma espécie distinta. Também dos estudantes sobre o corpo humano. Em resumo, esses auxílios
são descritos os vários níveis de organização do corpo humano e é tornam o estudo da anatomia humana mais eficiente e agradável.
introduzida a terminologia básica necessária para entender a es-
trutura e o funcionamento do corpo humano.
Introduções dos Capítulos
Unidade 3: Estrutura Microscópica do Corpo. Nesta uni-
dade, os aspectos microscópicos da organização do corpo são con- A página inicial de cada capítulo contém um esboço do
siderados nos níveis celular e histológico. A química celular é conteúdo a ser estudado e um Estudo de Caso Clínico pertencente
enfatizada como um aspecto integrante da aprendizagem de como ao assunto do capítulo. Cada estudo de caso é elucidado com uma
o corpo funciona. fotografia correspondente. Estas situações hipotéticas reforçam a
relevância clínica do conhecimento anatômico e atraem os estu-
Unidade 4: Suporte e Movimento. Suporte, proteção e movi- dantes a prestar mais atenção nas informações contidas no capí-
mento do corpo humano são os temas desta unidade. O sistema tulo, que poderão ser necessárias para responder as perguntas do
tegumentar proporciona ao corpo suporte e proteção externos, e o Estudo de Caso Clínico. A Resposta do Estudo de Caso Clínico é
sistema esquelético proporciona suporte interno e proteção para apresentada no final do capítulo, em seqüência à última seção.
certos órgãos do corpo. O movimento é possível nas articulações
do esqueleto quando os músculos ligados ao esqueleto se con-
traem. A anatomia de superfície e a anatomia regional são deta- Compreensão da Terminologia Anatômica
lhadas no capítulo 10 desta unidade. Atlas com fotografias das Cada termo técnico é realçado em tipo negrito ou tipo itá-
dissecções de cadáveres humanos está incluído neste capítulo. lico e suas raízes podem ser identificadas recorrendo ao glossário
de prefixos e sufixos que se encontra na parte interna da capa.
Unidade 5: Integração e Coordenação. Esta unidade inclui Além disso, as derivações de muitos termos são citadas em notas
capítulos sobre o sistema nervoso, o sistema endócrino e os órgãos de rodapé ao final da página na qual o termo é introduzido. Se os
dos sentidos. Os conceitos identificados e comentados nestes capí- estudantes souberem como um termo foi formado, este torna-se
tulos se relacionam com a integração e coordenação das funções mais explicativo e mais fácil de memorizar.
do corpo e com a percepção dos estímulos do meio ambiente.
Unidade 6: Manutenção do Corpo. Nesta unidade, a estru-
tura e a função dos sistemas circulatório, respiratório, digestório e
Seções do Capítulo
urinário são analisadas na forma como contribuem com suas indi- Cada capítulo é dividido em várias seções principais, as
vidualidades para o funcionamento global e para o bem-estar quais são prefaciadas por um conceito e uma lista de objetivos de
geral do organismo. Todos esses sistemas trabalham em conjunto, aprendizagem. O conceito é uma expressão sucinta da idéia princi-
mantendo o ambiente interno estável e apto para as células do pal da informação contida em uma seção de capítulo. Os objetivos
corpo se desenvolverem. de aprendizagem indicam os níveis de competência necessários
para entender completamente o conceito e poder aplicá-lo em si-
Unidade 7: Reprodução e Desenvolvimento. Os sistemas ge- tuações práticas. A narrativa que segue comenta o conceito em
nitais masculino e feminino são descritos nesta unidade, sendo detalhes, com referência aos objetivos. As questões da Avaliação
analisada a continuidade da espécie humana por meio da repro- de Conhecimentos ao término de cada seção do capítulo testa se
dução sexual. A unidade 7 proporciona uma avaliação de toda a o estudante entendeu o conceito e se domina os objetivos de
seqüência da vida humana, incluindo o desenvolvimento pré- aprendizagem.

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Comentários e Informações Clínicas guntas. Os estudantes são desafiados a avaliar os achados clínicos,
explicar a origem dos sintomas, fazer o diagnóstico do paciente e
Realçado do texto encontram-se descrições em parágrafos
recomendar o tratamento. Cada capítulo de um sistema do corpo
curtos acompanhados por ícones de tópicos. Estas interessantes
contém uma ou duas Prática(s) Clínica(s), colocada(s) antes do
informações são pertinentes ao comentário que o precede e, o
resumo do capítulo. Respostas detalhadas das questões sobre Prá-
que é mais importante, demonstram como o conhecimento cien-
ticas Clínicas são apresentadas no Apêndice B.
tífico básico é aplicado. Os cinco ícones representam as catego-
rias dos seguintes tópicos:

A informação clínica é indicada por um estetoscópio. A informação


Resumos dos Capítulos
contida neste comentário proporciona exemplos de natureza médica Um resumo, em forma de linhas gerais, ao término de cada
aplicados à informação que caracteriza o tópico em discussão. capítulo reforça a experiência de aprendizagem. Esses resumos
compreensivos servem como uma valiosa ferramenta para ajudar
A informação sobre envelhecimento é indicada por uma ampulheta. A
informação contida neste comentário é pertinente ao envelhecimento os estudantes a se prepararem para os exames.
normal e indica como o envelhecimento do corpo atua sobre as fun-
ções dos órgãos do corpo.
Atividades de Revisão
A informação sobre a importância prática do desenvolvimento é indicada Em seqüência ao resumo do capítulo, perguntas objetivas,
por um embrião humano. O conhecimento pertinente da anatomia do
desenvolvimento contribui para a compreensão de como os problemas dissertativas e de análise crítica dão aos estudantes a oportuni-
congênitos se formam e como atuam na estrutura e na função do corpo. dade para avaliar a profundidade de seus conhecimentos e o
aprendizado. As perguntas de análise crítica foram atualizadas e
A informação sobre homeostasia é indicada por um mecanismo de engre- ampliadas na sexta edição para desafiar os estudantes a usar as in-
nagens. A informação fornecida por este ícone é pertinente aos pro-
cessos do corpo que mantêm a situação de equilíbrio dinâmico. Estes formações do capítulo para a solução de problemas práticos. As
comentários mostram que o rompimento da homeostasia geralmente respostas corretas das questões objetivas são fornecidas no Apên-
acompanha a maioria das doenças. dice A. Cada resposta é explicada e, assim, os estudantes podem
Comentários de interesse acadêmico analisam tópicos relevantes para a
usar as atividades de revisão, efetivamente, para aumentar a com-
anatomia humana e que efetivamente são de real interesse. preensão do assunto da matéria.

Além dos comentários do texto, o leitor encontrará nas se- Ilustrações e Tabelas
ções de Considerações Clínicas que aparecem no final da maioria Como a anatomia é uma ciência descritiva, tomou-se muito
dos capítulos descrições selecionadas sobre distúrbios do desen- cuidado em realçar as fotografias e as ilustrações em Anatomia Hu-
volvimento, envelhecimento, procedimentos clínicos, e doenças mana. Uma característica da excelência das edições anteriores
ou disfunções específicas dos sistemas orgânicos. Fotografias de si- deste livro tem sido a qualidade do programa de arte nas ilustra-
tuações patológicas acompanham muitas destas discussões. ções. De acordo com o objetivo de sempre melhorar e apurar o pro-
grama de arte, mais de 150 ilustrações coloridas foram
substancialmente revisadas ou foram substituídas inteiramente para
Exposições do Desenvolvimento a sexta edição. Cada ilustração foi conferida e reconferida na sua
Em cada capítulo de um sistema do corpo, um comentário clareza e precisão artística, nas identificações e nas legendas. O có-
do desenvolvimento pré-natal segue a apresentação da anatomia digo de cores foi usado em certas seqüências de arte como uma téc-
macroscópica. Cada uma dessas discussões inclui exibições e ex- nica para ajudar o aprendizado. Por exemplo, os ossos do crânio no
plicações dos eventos morfogenéticos envolvidos no desenvolvi- capítulo 6 estão em cores codificadas de forma que cada osso possa
mento de um sistema do corpo. A colocação da discussão próximo ser identificado prontamente nas várias versões incluídas no capí-
ao texto relacionado assegura que a terminologia anatômica ne- tulo. Estas ilustrações representam um esforço da colaboração entre
cessária para entender as estruturas embrionárias foi utilizada. o autor e o artista, envolvendo freqüentemente dissecções de cadá-
veres para assegurar a precisão. Ilustrações são combinadas com fo-
tografias sempre que possível para melhorar a visualização de
Práticas Clínicas estruturas anatômicas. Fotomicrografias de luz e elétron-microgra-
Os cenários clínicos focalizados apresentam uma história de fias foram usadas ao longo do texto para apresentar um verdadeiro
paciente e uma imagem de apoio diagnóstico – tais como radio- quadro da anatomia nos níveis celular e histológico. Anatomia de
grafias, ultra-sons ou fotografias – seguidas por uma série de per- superfície e imagens de dissecção de cadáveres ajudam os estudan-
xii
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tes a entender as relações das estruturas anatômicas e as intangí- usaram o texto também ofereceram sugestões para melhorá-lo.
veis características das estruturas anatômicas que somente podem Melissa J. Bentley, Eric F. Stakebake e Amber Bennett foram
ser apreciadas completamente quando vistas em um espécime hu- particularmente úteis na preparação desta edição. O feedback de
mano. Muitas das fotografias de dissecções de cadáveres foram estudantes conscienciosos é especialmente útil e apreciado.
modificadas ou substituídas por novas imagens de melhor quali- Vários médicos contribuíram com os casos clínicos introdu-
dade tiradas exclusivamente para a sexta edição. Todas as figuras zidos nesta edição. Eu agradeço especialmente o auxílio do Dr.
estão integradas com a narrativa do texto para maximizar o apren- Jeffrey S. Prince e Karianne N. Prince por suas contribuições na
dizado do estudante. introdução das Práticas Clínicas e pelas imagens radiográficas
Numerosas tabelas ao longo do texto resumem as informa- anexas. O envolvimento deles foi especialmente recompensador
ções e esclarecem dados complexos. Muitas tabelas foram aumen- para mim, por terem sido estudantes anteriormente. O pedido de
tadas com a adição de ilustrações para transmitir as informações um pai para três dos seus filhos resultou na inserção dos aspectos
de maneira mais eficiente. Como as figuras, todas as tabelas clínicos. Um obrigado sincero é estendido aos Drs. Kyle M. Van
foram mencionadas na narrativa do texto e colocadas tão perto De Graaff, Eric J. Van De Graaff e Ryan L. Van De Graaff pelas
da referência quanto possível para poupar os estudantes da difi- generosas sugestões e pelo interesse genuíno naquilo que seu pai
culdade em ficar revirando as páginas. realiza. Meu bom amigo e colaborador John L. Crawley conti-
nuou sendo o encorajador de meu empenho em escrever.
A atração visual e a cuidadosa precisão pela qualidade das
Apêndices, Glossário e Índice fotografias e ilustrações são essenciais em um texto de anatomia.
Os apêndices A e B fornecem respostas e explicações para Eu tenho compartilhado meus anos de interação profissional com
as questões objetivas colocadas ao término de cada capítulo e Christopher Creek, o artista talentoso que desenhou muitas das
para as perguntas que acompanham os quadros de Prática Clí- ilustrações nas edições anteriores e várias novas para esta edição.
nica. O glossário fornece definições para os termos técnicos im- Sua arte anatômica é magnífica e realista. Dr. Gary M. Watts, do
portantes usados no texto. Estão indicados sinônimos, incluindo Department of Radiology no Utah Valley Regional Medical
epônimos, e para alguns termos são dados também os antônimos. Center, ofereceu muitas das imagens radiográficas usadas nas edi-
ções prévias deste livro e algumas novas para esta edição. O agra-
decimento também é extensivo a Don Kincaid e Rebecca Gray
AGRADECIMENTOS da Ohio State University que dissecaram e fotografaram as novas
A preparação de uma nova edição de um livro é uma tarefa imagens de cadáveres para esta edição.
cansativa que envolve vários colegas, estudantes e profissionais Apresento minha sincera gratidão aos editores por seu ta-
de editoração. E no caso deste livro até mesmo familiares estive- lento, sua dedicação e seu encorajamento de meus esforços. Os
ram envolvidos. Minha sincera gratidão é extensiva à faculdade e editores responsáveis Marty Lange e Kristine Tibbetts e a editora
aos estudantes que, tendo utilizado as edições anteriores deste de produção Kristine Queck foram soberbos no trabalho con-
livro, despenderam parte de seu tempo para apresentar sugestões junto. Eu desfrutei minha associação com Jane Matthews, ge-
a fim de aperfeiçoá-lo. Eles estão, realmente, pensando nos outros rente de projeto, e John Leland, coordenador de pesquisa de
que usarão o texto no futuro, e ao mesmo tempo, assegurando um fotografia. Ambos passaram horas incontáveis dedicando-se aos
futuro para o livro. detalhes que um texto técnico como este exige.
Sou especialmente grato a Samuel I. Zeveloff e Ronald A editora coordenou um painel de competentes anatomis-
Galli, colegas da Weber State University que foram os incentiva- tas para revisar o texto anterior e o novo manuscrito enquanto
dores de meus esforços na preparação desta edição. Vários profes- estava sendo preparado para a sexta edição. Esses profissionais
sores que utilizaram as edições anteriores apresentaram sugestões ajudaram imensamente o meu trabalho, e eu agradeço a crítica
que foram aqui incorporadas. Além disso, algum estudantes que construtiva, os comentários e a confiança.

Marion Alexander Carolyn W. Burroughs Brian Curry


University of Manitoba Bossier Parish Community College Grand Valley State University
Frank Baker Russ Cagle Shirley Dillaman
Golden West College Willamette University Penn State–Shenango
Leann Blem Paul V. Cupp, Jr. Cathryn R. Dooly
Virginia Commonwealth University Eastern Kentucky University Ball State University

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Ruth E. Ebeling Phyllis C. Hirsch Indiana University of Pennsylvania


Biola University East Los Angeles College Larry A. Reichard
Charles A. Ferguson Bert H. Jacobson Maple Woods Community College
University of Colorado at Denver Oklahoma State University Alexander Sandra
David K. Ferris Glenn E. Kietzmann University of Iowa
University of South Carolina–Spartanburg Wayne State College David J. Saxon
Allan Forsman Dennis Landin Morehead State University
East Tennessee State University Louisiana State University Stephen P. Schiffer
Carl D. Frailey Bryan G. Miller Georgetown University Medical Center
Johnson County Community College Eastern Illinois University Leeann Sticker
Glenn A. Gorelick Virginia L. Naples Northwestern State University of Louisiana
Citrus College Northern Illinois University R. Brent Thomas
Douglas J. Gould Daniel R. Olson University of South Carolina–Spartanburg
University of Kentucky Chandler Medical Northern Illinois University Judy A. Williams
Center Scott Pedersen Southeastern Oklahoma State University
Melanie Gouzoules South Dakota State University
University of North Carolina–Greensboro Russell L. Peterson

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Guia Visual

Sumário do Capítulo
Uma página de referência citando os principais tópicos encontra-se

2
Organizaçãoo do Corpo e
Organizaçã na página de abertura de cada capítulo e permite ao leitor conhecer
Anatômica
Terminologia Anatô a abrangência de cada capítulo.

Classificação e Características dos


Humanos 23
Organização do Corpo 28
Terminologia Anatômica 30
Planos de Referência e Terminologia
Descritiva 33
Regiões do Corpo 35
Cavidades e Membranas do Corpo 41
Resposta do Estudo de Caso Clínico 45
Resumo do Capítulo 46
Atividades de Revisão 46

Estudo de Caso Clínico


Uma ocorrência médica hipotética define o cenário para o capítulo
reafirmando a relevância clínica do conteúdo do capítulo. Ao ler o
Estudo de Caso Clínico capítulo, o leitor deve ficar atento para as informações necessárias
para resolver o estudo do caso e, em seguida, conferir sua resposta

Uma mulher jovem foi atropelada por um automóvel enquanto cruzava a rua. Chegando ao
local, os paramédicos encontraram a paciente um pouco atordoada, mas razoavelmente lúcida,
queixando-se de dor no abdome e no lado esquerdo do seu tórax. Por outro lado, os seus sinais
vitais estavam dentro dos limites normais. A avaliação inicial na sala de emergência revelava
com a solução dada no fim do capítulo.
abdome e tórax esquerdo muito sensíveis. A radiografia do tórax demonstrou pulmão esquerdo
colapsado em conseqüência da presença de ar no espaço pleural (pneumotórax). O médico da
sala de emergência introduziu um tubo de drenagem no tórax esquerdo (no espaço pleural) para
tratar do pneumotórax. A atenção voltou-se então para o abdome. Em região de dor à palpação,
foi realizada uma lavagem peritoneal. Este procedimento envolve a introdução de um tubo na
cavidade peritoneal através da parede abdominal. Instilou-se então líquido claro como água es-
téril ou soro normal no abdome e em seguida retirado com sifão. O líquido usado neste procedi-
mento é chamado líquido de lavagem. O retorno do líquido de lavagem contendo sangue,
matéria fecal, ou bile indica lesão de órgão abdominal que requer cirurgia. O retorno do líquido
de lavagem desta paciente foi claro. Porém, a enfermeira declarou que o líquido da lavagem es-
tava drenando pelo tubo do tórax.
Daquilo que você conhece sobre como as várias cavidades do corpo estão dispostas, você
FIGURA: A anatomia radiográfica é impor-
tante na avaliação dos traumatismos nos
supõe que este fenômeno poderia ser explicado baseado em anatomia normal? O que poderia ter
causado esta ocorrência em nossa paciente? Pode a ausência de bile, sangue, etc., no líquido de la-
DEFINIÇÃO E CLASSIFICAÇÃO
ossos e nos órgãos viscerais. vagem peritoneal garantir que nenhum órgão fora rompido? Caso contrário, explique como pode DOS TECIDOS Haste de
ocorrer, considerando a relação dos vários órgãos com as membranas no interior do abdome.
Histologia é a especialidade da anatomia que envolve o estudo um pêlo no

interior de
das estruturas microscópicas dos tecidos. Os tecidos são classifi-
um folículo
cados em quatro categorias básicas a partir de suas composições piloso
celulares e aspectos histológicos.

Objetivo 1 Definir tecido e discutir a importância da


histologia.

Objetivo 2

Descrever a relação funcional entre células e

Citação do Conceito tecidos.


CAPÍTULO 4

Objetivo 3 Fazer uma lista dos quatro tipos principais de te-


(a)
Uma expressão cuidadosamente formulada dá a idéia principal, ou cidos e descrever resumidamente as funções de cada tipo.

o princípio do planejamento, da informação contida em uma seção Embora as células sejam as unidades estruturais e funcionais
do corpo, as células de um organismo multicelular complexo são

do capítulo e fornece uma avaliação objetiva do material que virá tão especializadas que não funcionam independentemente. Teci-
dos são agrupamentos de células semelhantes que executam fun-

em seqüência. ções específicas. Os vários tipos de tecidos são estabelecidos


durante o início do desenvolvimento embrionário. Quando o
Haste
de pêlo
emergindo
embrião se desenvolve, formam-se os órgãos a partir de arranjos de uma
específicos de tecidos. Muitos órgãos adultos, inclusive o coração superfície

Objetivos do Aprendizado e os músculos, contêm células originais e tecidos que se formaram


antes do nascimento, embora algumas mudanças funcionais ocor-
exposta
da pele

ram nos tecidos quando hormônios atuam sobre eles ou a eficiên-


Cada seção do capítulo começa com um conjunto de objetivos do cia diminui com a idade.
O estudo dos tecidos é chamado de histologia e fornece os
aprendizado que indica o nível de competência que o leitor de- fundamentos para entender a estrutura e as funções dos órgãos (b)
que serão analisadas nos capítulos que se seguirão. Muitas doen- FIGURA 4.1 A superfície da pele (a) aumentada 25 vezes, como é
verá atingir a fim de entender inteiramente o conceito e aplicá- ças alteram profundamente os tecidos no interior dos órgãos atin-
gidos; portanto, conhecendo a estrutura normal de um tecido, o
vista em um microscópio composto de luz, e (b) aumentada 280 vezes,
como é vista em um microscópio eletrônico de varredura (MES).
lo em situações práticas. médico pode reconhecer um tecido anormal. Nas escolas médicas
o curso de histologia é comumente seguido por um curso de pato-
logia, o estudo dos tecidos anormais em órgãos doentes. triz líquida que permite que este tecido circule pelos vasos. Con-
Embora os histologistas empreguem muitas técnicas dife- trariamente, as células ósseas estão separadas por uma matriz só-
lida, que permite que este tecido suporte o corpo.
Vocabulário Auxiliar rentes nas preparações, nas colorações e nos cortes dos tecidos,
são usados apenas dois tipos básicos de microscópios para ver as
preparações de tecidos. Os microscópios de luz são usados para ob-
Os tecidos do corpo são classificados em quatro tipos prin-
cipais com base na estrutura e na função: (1) tecido epitelial que
reveste a superfície do corpo, as cavidades do corpo e os ductos, e
Termos novos aparecem em tipo negrito quando são introduzidos servar a estrutura global do tecido (fig. 4.1), e os microscópios ele-
trônicos, para observar os detalhes finos do tecido e da estrutura forma as glândulas; (2) tecido conjuntivo que liga, suporta e pro-
tege as partes do corpo; (3) tecido muscular que se contrai para
e imediatamente são definidos no contexto. Definições dos termos celular. A maioria das fotomicrografias histológicas deste livro
pertencem ao nível microscópico de luz. Contudo, onde detalhes gerar movimentos; e (4) tecido nervoso que inicia e transmite
impulsos nervosos de uma parte do corpo para outra.
em negrito são acrescentadas no glossário ao término do livro. estruturais finos forem necessários para compreender uma função

determinada, elétron-micrografias serão utilizadas.


Muitas células de tecidos são envolvidas e interligadas por Avaliação de Conhecimentos
As derivações gregas ou latinas de muitos termos são fornecidas uma matriz intercelular que as células secretam. A matriz varia 1. Defina tecido e explique por que a histologia é importante
em composição de tecido para tecido e pode assumir a forma lí-
em notas de rodapé na parte inferior da página na qual o termo quida, semi-sólida ou sólida. Por exemplo, o sangue tem uma ma-
para o estudo da anatomia, fisiologia e medicina.
2. As células são as unidades funcionais do corpo. Explique
aparece inicialmente. como a matriz permite tipos específicos de células para tor-
nar os tecidos mais eficientes e funcionais.
histologia: G. histos, tecido; logos, estudo 3. Quais são os quatro tipos principais de tecidos do corpo?

patologia: G. pathos, doença; logos, estudo Quais são as funções básicas de cada um?
matriz: L. matris, mãe

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Pirâmide
Osso temporal Músculo estapédio
Tendão do músculo estapédio
Recesso epitimpânico Ossículos


da audição:
Martelo
Tendão do músculo Bigorna
tensor do tímpano
Estribo
Belíssimas Pinturas Artísticas Coloridas
Janela do
vestíbulo (oval) As precisas ilustrações cuidadosamente preparadas são o ponto
Tendão do músculo estapédio Janela da cóclea
(redonda)
alto deste texto. A anatomia humana é uma ciência visual, e a
Pirâmide
Músculo tensor arte realista é essencial.
Membrana timpânica
do tímpano
Com freqüência são apresentadas ilustrações em quatro cores
vibrantes com fotografias reforçando os detalhes nos desenhos
Cavidade timpânica
com comparações diretas de estruturas reais.
Tuba auditiva


Secreção
Lume

Muco
Fígado
Membrana
Estômago celular
Vesícula
biliar Aparelho
de Golgi

CAPÍTULO 4
Intestino grosso
Intestino
Núcleo da célula
delgado
caliciforme

Retículo
endoplasmático
rugoso

Creek

(a) (b) (c)

Pulmão direito
Pulmão esquerdo

Músculo diafragma Coração

Veia cava inferior

Rim direito Artéria renal esquerda

Tronco celíaco Rim esquerdo Atlas de Qualidade nas Imagens de Cadáveres


Artéria hepática Parte abdominal Fotografias com identificações precisas em cadáveres humanos
comum da aorta dissecados que permitem aos estudantes a correta visualização
Artéria mesentérica das estruturas anatômicas e as suas posições em relação a outras
Artéria mesentérica
superior
inferior
partes do corpo.

Artéria ilíaca
comum direita

Artéria ilíaca
externa direita

Veia ilíaca
externa direita

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Tabelas Ilustradas


TABELA 11.6 Septos da Dura-máter Craniana
Tabelas selecionadas combinam arte com Septo Localização
conteúdo resumido para proporcionar cobertura Foice do cérebro Estende-se para baixo na fissura longitudinal do cérebro para separar os hemisférios cerebrais direito e esquerdo; fixada
abrangente de tópicos em fáceis formatos. anteriormente na crista etmoidal do osso etmóide e posteriormente ao tentório
Tentório do cerebelo Separa os lobos occipital e temporal do cérebro do cerebelo; fixado ao tentório, à parte petrosa do temporal, e ao
osso occipital
Foice do cerebelo Separa os hemisférios direito e esquerdo do cerebelo; fixada à crista do osso occipital.
Diafragma da sela Forma o teto da sela turca

Seio sagital superior

Dura-máter

Veias cerebrais Seio sagital inferior

Foice do cérebro

Tentório do cerebelo
Círculo arterial
do cérebro Crânio

Hipófise

Sela turca Seio transverso

Foice do cerebelo

Diafragma da sela

514 Unidade 5 Integração e Coordenação

Campo monocular
Processamento de Informações Visuais
Campo binocular Para a informação visual atingir seus objetivos, deve estar
Campo macular associada com experiências anteriores e integrada com informa-
ções de outros órgãos dos sentidos. Alguns destes processamentos
mais altos ocorrem no lobo temporal inferior do córtex cerebral.
Remoções experimentais destas áreas de macacos prejudicam a
capacidade que eles têm para lembrar tarefas visuais que previa-
mente tinham aprendido e dificultam a habilidade que eles pos-
Bulbo do olho suem para associar imagens visuais com o significado dos objetos
Lente vistos. Macacos com os seus lobos temporais inferiores removi-
Retina dos, por exemplo, enfrentam uma serpente sem medo. Os sinto-
mas produzidos pela perda dos lobos temporais inferiores são
Ícones de Tópicos
Nervo óptico
conhecidos como síndrome de Klüver-Bucy.
Em uma tentativa para reduzir os sintomas da epilepsia se-
Ícones de tópicos destacam a informação de aplicação
vera, os cirurgiões cortaram o corpo caloso em alguns pacientes.
Este trato de fibras, como previamente descrito, transmite impul-
prática e de especial interesse. Esses comentários
Quiasma óptico
sos entre os hemisférios cerebrais direito e esquerdo. O hemisfério
cerebral direito de pacientes com o encéfalo dividido deve, por-
reforçam a importância do aprendizado dos fatos
tanto, receber apenas informações sensoriais da metade esquerda previamente citados. As cinco imagens de ícones e os
do meio exterior. O hemisfério esquerdo, semelhantemente cor-
Trato óptico tado de sua comunicação com o hemisfério direito, só receberia tópicos que eles representam são: informação clínica
informações sensoriais da metade direita do meio exterior. Em al-
Radiação óptica
Colículo
superior gumas situações, estes pacientes se comportariam como se tives- (estetoscópio), envelhecimento (ampulheta),
Núcleo geniculado
sem duas mentes separadas.
informação de desenvolvimento (embrião), homeostasia
lateral do tálamo Experiências com pacientes com o encéfalo dividido revela-
ram que os dois hemisférios têm habilidades separadas. Isto
é verdade, embora cada hemisfério receba comumente impulsos de
(mecanismo de engrenagem) e informação de interesse

ambas as metades do meio exterior através do corpo caloso. Se a


imagem sensorial de um objeto, como uma chave, for apenas ex-
acadêmico (capelo acadêmico).
CAPÍTULO 15

posta ao hemisfério esquerdo (mostrando-o apenas para o campo


Córtex visual dos visual direito), o objeto pode ser identificado. Se o objeto for apre-
lobos occipitais sentado ao córtex cerebral direito, a pessoa sabe de que objeto se
trata mas não consegue dar o seu nome. Experiências como estas
sugerem que (em pessoas destras) o hemisfério esquerdo é neces-
Creek sário para a linguagem e o hemisfério direito é responsável pelo pa-
drão de reconhecimento.
Avaliação de Conhecimentos
FIGURA 15.27 Campos visuais dos olhos e vias nervosas da
visão. Uma superposição dos campos visuais de cada olho propor-
Avaliação de Conhecimentos Perguntas de Avaliação de Conhecimentos são

ciona visão binocular – a capacidade de perceber em profundidade.


15. Faça uma relação das estruturas acessórias do olho que colocadas ao término de cada seção principal, ajudam
culo superior estimulam os músculos extrínsecos do bulbo do
causam o movimento do olho ou o protegem no interior
da órbita.
a testar a compreensão do material e estimulam a
olho (veja tabela 15.3), que são os músculos esqueléticos que mo-
vimentam os olhos. 16. Desenhe a estrutura do olho e identifique o que segue: es- aplicação dos conceitos.
Dois tipos de movimentos dos olhos são coordenados pelo clera, córnea, corióide, retina, fóvea central, íris, pupila,
colículo superior. Movimentos de perseguição uniforme localizam lente e corpo ciliar. Quais são as principais células ou teci-
objetos em movimento e mantêm a imagem enfocada na fóvea dos em cada uma das três camadas do olho?
central. Movimentos sacádicos do olho são movimentos rápidos 17. Indique o trajeto do raio luminoso através das duas cavida-
(durando 20-50 msec) e abruptos que ocorrem enquanto os olhos des do olho e explique o mecanismo de refração da luz.
parecem estar imóveis. Acredita-se que estes movimentos sacádi- Descreva como o olho é focalizado para visão a distância e
cos são importantes na manutenção da acuidade visual. visão próxima de objetos.
O sistema tectal também está envolvido no controle dos 18. Faça uma relação das diferentes camadas da retina e des-
músculos intrínsecos do olho – os músculos lisos da íris e do corpo creva o trajeto do raio luminoso e a atividade nervosa atra-
ciliar. Iluminando-se um olho estimula-se o reflexo pupilar em que vés dessas camadas. Continue indicando a via do impulso
ambas as pupilas se contraem. Isto é causado pela ativação de visual até o córtex cerebral, e faça uma relação da seqüên-
neurônios parassimpáticos através de fibras do colículo superior.
cia das estruturas atravessadas.
Neurônios pós-ganglionares do gânglio ciliar atrás dos olhos, por
sua vez, também estimulam as fibras constritoras na íris. A con-
tração do corpo ciliar durante a acomodação envolve a estimula- Síndrome de Klüver-Bucy: de Heinrich Klüver, neurologista alemão, 1897-1979 e
ção do colículo superior. Paul C. Bucy, neurologista americano, 1904-

xvii
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Exposições do Desenvolvimento


Cada capítulo dos sistemas inclui a discussão dos eventos
Exposição do Desenvolvimento morfogênicos envolvidos no desenvolvimento pré-natal dos
O Esqueleto Axial ossificação intramembranosa. São formados deste modo as claví-
culas, os ossos da face e certos ossos do crânio. Os ossos sesamóides esboços dos sistemas do corpo.
são ossos intramembranosos especiais que se desenvolvem em
tendões, p. ex. a patela.
EXPLICAÇÃO
Desenvolvimento do Osso DESENVOLVIMENTO DO CRÂNIO
A formação do osso, ou ossificação, começa aproximada- A formação do crânio é um processo complexo que começa
mente na quarta semana de desenvolvimento embrionário, mas durante a quarta semana do desenvolvimento embrionário e con-
os centros de ossificação não podem ser observados prontamente tinua bem além do nascimento. Três aspectos do crânio embrio-
até aproximadamente a décima semana (exposição I). O tecido nário estão envolvidos neste processo: o condrocrânio, o
ósseo deriva de células migratórias especializadas do mesoderma neurocrânio e o viscerocrânio (exposição II). O condrocrânio é a
(veja fig. 4.13) conhecido como mesênquima. Algumas das células porção do crânio que sofre ossificação endocondral para formar os
mesenquimais embrionárias devem se transformar em condroblas- ossos que suportam o encéfalo. O neurocrânio é a porção do crâ-
tos e desenvolverão uma matriz de cartilagem que é substituída nio que se desenvolve por ossificação membranosa para formar os
depois por osso em um processo conhecido como ossificação en- ossos que cobrem o encéfalo e a região facial. O viscerocrânio
docondral. A maior parte do esqueleto é formada desta maneira – (esplancnocrânio) é a porção que se desenvolve dos arcos visce-
primeiro passa por uma fase de cartilagem hialina e em seguida é rais embrionários para formar a mandíbula, os ossículos da audi-
ossificada como osso. ção, o osso hióide e os processos específicos do crânio.
Um número menor de células mesenquimais desenvolvem-
se diretamente em osso, sem passar primeiro por uma fase de car-
tilagem. Este tipo de processo de formação do osso é chamado
condrocrânio: chondros, cartilagem; kranion, crânio
condroblasto: G. chondros, cartilagem; blastos, descendência viscerocrânio: viscera, partes moles; kranion, crânio

Ossos
parietais
Osso
occipital
Osso Ossos
temporal frontais
Osso
Condro- zigomático
crânio Maxila
Vértebras Osso nasal
Mandíbula
Ossos
Clavícula metacarpais
Escápula Falanges
Úmero Ossos carpais

Rádio
Costelas Ulna

Fêmur
Tíbia
Fíbula

Ílio
Sacro
Creek Falanges
Cóccix Ossos metatarsais
Ossos tarsais
(a) (b)

EXPOSIÇÃO I Centros de ossificação do esqueleto de um feto com 10 semanas. (a) O diagrama descreve a ossificação endocondral
em vermelho e ossificação intramembranosa em um padrão pontilhado. As porções cartilaginosas do esqueleto são mostradas em cinza.
(b) A fotografia mostra os centros de ossificação tingidos com um indicadpr de tintura vermelha.

Considerações Clínicas CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS


Os aspectos clínicos do sistema nervoso central são exten-
Estas seções especiais que aparecem ao término da maioria dos sos e geralmente complexos. Numerosas doenças e problemas do
desenvolvimento comprometem o sistema nervoso diretamente;
capítulos descrevem afecções do desenvolvimento, doenças ou e o sistema nervoso está indiretamente envolvido com a maioria

disfunções de sistemas orgânicos específicos, como também das doenças que afligem o corpo por causa da localização e ativi-
dade de receptores sensitivos para a dor. Receptores de dor são
procedimentos clínicos relevantes. Os efeitos do envelhecimento terminações nervosas livres que estão presentes ao longo dos teci-
dos de revestimento. As sensações de dor por doença ou trauma
também são esboçados em relação aos sistemas específicos do corpo. são importantes na localização e diagnóstico específico de doen-
ças ou deficiências orgânicas.
Apenas algumas das muitas considerações clínicas do sis- Creek

tema nervoso central serão comentadas aqui. Estas incluem ava- (a)
liações neurológicas e drogas, problemas do desenvolvimento,
Terceira lombar
lesões, infecções, doenças e disfunções degenerativas.
Cóccix
Medula espinal
Avaliação Neurológica e Drogas
A avaliação neurológica tornou-se sumamente sofisticada e
precisa nos últimos anos. Em um exame físico básico, apenas os
reflexos e as funções sensoriais são avaliados. Mas se o médico sus-
peita de anormalidades envolvendo o sistema nervoso, mais testes (b) Espaço
Sacro
neurológicos podem ser feitos empregando as técnicas seguintes. subaracnóideo Dura-máter
Uma punção lombar é executada introduzindo uma agulha Agulha
inserida
fina entre a terceira e a quarta vértebras lombares para retirar
uma amostra de LCS do espaço subaracnóideo (fig. 11.45). Uma FIGURA 11.45 (a) A punção lombar é realizada através da in-
punção cisternal é semelhante a uma punção lombar exceto que trodução de uma agulha entre a terceira e a quarta vértebras lom-
o LCS é retirado de uma cisterna na base do crânio, próximo ao bares (L3-L4) e (b) retirando líquido cerebrospinal do espaço
subaracnóideo.
forame magno. A pressão do LCS que normalmente está em
torno de 10 mmHg é medida com manômetro. Amostras de LCS
também podem ser examinadas para pesquisa de componentes zir 75.000 cortes de imagens em 5 segundos, enquanto o tomó-
anormais. Além disso, excesso de líquido, acumulado em conse- grafo pode produzir apenas um. Com aquela velocidade, as fun-
qüência de doença ou trauma, pode ser drenado. ções do corpo como também as suas estruturas podem ser
A situação das artérias cerebrais pode ser determinada por estudadas. O fluxo sangüíneo através dos vasos do encéfalo pode
uma angiografia cerebral. Nesta técnica, uma substância radiopaca ser observado. Estes tipos de dados são importantes para detectar
é injetada nas artérias carótidas comuns e difundida pelos vasos ce- sintomas iniciais de um acidente vascular ou outra disfunção.
rebrais. Aneurismas, constrições vasculares ou deslocamentos atra- Certas disfunções do encéfalo podem ser diagnosticadas
vés de tumores podem ser revelados em uma radiografia. mais simplesmente através do exame dos padrões de ondas cere-
O desenvolvimento da tomografia computadorizada axial brais usando um eletroencefalograma (veja Tabela 11.5). Eletro-
revolucionou o diagnóstico das disfunções encefálicas. A varre- dos sensíveis colocados no couro cabeludo registram padrões de
dura por TC focaliza nitidamente tomogramas detalhados, ou EEG particulares que são emitidos pela atividade cerebral. Regis-
cortes transversais do encéfalo de um paciente sobre uma tela de tros de EEG são usados para monitorar os pacientes epilépticos
televisão. O tomógrafo computadorizado versátil permite de para prever ataques e determinar a terapia de droga adequada, e
modo rápido e preciso o diagnóstico de tumores, aneurismas, também monitorar os pacientes comatosos.
trombos, e hemorragia. O TC de varredura pode também ser O fato que o sistema nervoso é extremamente sensível a
usado para descobrir certos tipos de defeitos de nascimento, le- várias drogas é bom sinal; ao mesmo tempo, esta sensibilidade é
sões do encéfalo, tecidos cicatriciais, e evidências de derrames potencialmente perigosa. Abuso de droga é a principal preocupa-
antigos ou recentes. ção clínica no que se refere aos efeitos aditivos e devastadores
Uma máquina com maior potencial que o tomógrafo com- que certas drogas exercem sobre o sistema nervoso. Muito tem
putadorizado é o RED, ou reconstrutor espacial dinâmico. sido escrito sobre o abuso de drogas, mas a descrição dos efeitos
Como o tomógrafo, o RED é computadorizado para transformar das drogas está além dos objetivos deste livro. Um aspecto posi-
radiografias em imagens compostas de vídeo. Contudo, com o tivo das drogas é a sua administração em medicina para interrom-
RED, se obtém uma visão tridimensional, e a imagem é produzida per temporariamente a passagem ou a percepção dos impulsos
muito mais rápida do que com o tomógrafo. O RED pode produ- sensitivos. Uma droga anestésica injetada perto de um nervo,

xviii
van07932_Abre.qxd 4/12/02 4:38 PM Page xix

Prática Clínica
Estes cenários clínicos focalizados desafiam o leitor a colocar seus conhecimentos
de anatomia para trabalhar em situações clínicas. Fornecida uma história curta de
um paciente acompanhada de imagens diagnósticas, o leitor terá de aplicar a
matéria exposta no capítulo para diagnosticar uma disfunção, explicar a origem dos
sintomas, ou até mesmo recomendar uma conduta de tratamento. São fornecidas
respostas detalhadas para as perguntas de Práticas Clínicas no Apêndice B.


PRÁTICA CLÍNICA 16.1
Um homem de 75 anos de idade com PERGUNTAS AA TP
uma longa história de hipertensão apresenta- 1. O que é a linha escura observada dentro
se à sala de emergências queixando-se de dor da aorta cheia de contraste?
em facada no tórax que se irradiava para o 2. Quais partes da aorta estão envolvidas?
dorso. Ao exame físico, os pulmões do pa-
3. Você também observa que o paciente
ciente estavam limpos, e os sons cardíacos
tem uma diferença na pressão sangüínea
também eram normais com freqüência e
entre os braços esquerdo e direito, com
ritmo regulares. O eletrocardiograma tam-
o braço esquerdo tendo uma pressão
bém era normal. Por causa dos seus sinto-
significativamente mais baixa. Qual
mas, você suspeita de aorta dissecante e
poderia ser a causa?
solicita uma tomografia.

AD

Capítulo 18 Sistema Digestório 673

Resumo de Capítulo

Resumo do Capítulo
Ao término de cada capítulo, um resumo em forma de sumário Introdução ao Sistema Digestório (a) Os humanos são difiodônticos; têm (b) A membrana das células epiteliais
dentições decídua e permanente. intestinais são pregueadas para formar
reforça seu domínio sobre o conteúdo do capítulo. (pp. 635-636)
1. O sistema digestório mecanicamente e (b) As raízes dos dentes se articulam em
cavidades chamadas alvéolos dentais
microvilos; essa margem em escova da
mucosa aumenta a área de absorção.
quimicamente decompõe o alimento em
formas mais simples que possam ser que estão revestidas com uma 3. Movimentos do intestino delgado incluem
absorvidas pela parede intestinal e membrana periodontal. Fibras na segmentação rítmica, movimento
transportadas pelo sangue e linfa para membrana periodontal se inserem no pendular e peristaltismo.
utilização em nível celular. cemento que cobre as raízes e ancoram
2. O sistema digestório consiste em trato os dentes firmemente nas cavidades. Intestino Grosso (pp. 656-660)
gastrointestinal (GI) e órgãos digestórios (c) O esmalte forma a camada externa da 1. O intestino grosso absorve água e
anexos. coroa do dente; sob o esmalte está a eletrólitos do quimo e elimina matéria
dentina. fecal do corpo através do reto e canal
Membranas Serosas e Túnicas do Trato (d) O interior de um dente contém a anal.
Gastrointestinal (pp. 636-640) cavidade pulpar, que é contínua com 2. O intestino grosso é dividido em ceco,
o forame apical da raiz com o tecido colos, reto e canal anal.
1. Membranas peritoneais revestem a parede conjuntivo ao redor do dente.
abdominal e cobrem os órgãos viscerais. (a) O apêndice vermiforme está ligado à
3. As glândulas salivares maiores são: as margem medial inferior do ceco.
O trato GI é sustentado por uma camada
glândulas parótidas, as glândulas (b) O colo consiste nas partes
dupla de peritônio chamada mesentério.
submandibulares e as glândulas ascendente, transversa, descendente
(a) O omento menor e o omento maior
674 Unidade 6 Manutenção do Corpo sublinguais. e sigmóide.
são pregas peritoneais que se estendem
4. A muscular faringe proporciona uma (c) As saculações (haustros) são saliências
a partir do estômago.
passagem que conecta as cavidades oral nas paredes do intestino grosso.
(b) Os órgãos retroperitoneais estão

Atividades de Revisão Atividades de Revisão posicionados atrás do peritônio parietal.


2. As camadas (túnicas) do trato GI
abdominal são, da interna para a externa,
e nasal com o esôfago e a laringe.

Esôfago e Estômago (pp. 648-652)


3. Os movimentos do intestino grosso
incluem peristaltismo, agitações nas
saculações e movimentos de massa.

Questões objetivas, dissertativas e de Questões Objetivas


digestão transportados(a)
mucosa,
pelo
submucosa,
9. O primeiro órgão a receber os produtos
A sangue
da muscular
12. eQuais
mucosaéconsiste em epitélio
serosa.
Em que simples
1. A deglutição ocorre em três fases e
são as partes do envolve
intestinoestruturas
local das cavidades
grosso? da cavidade oral,
Fígado, Vesícula Biliar e Pâncreas
1. Vísceras são os únicos órgãos do corpo que faringeabdominal
e esôfago.e (pp. 660-669)
análise clínica ao término de cada capítulo estão
(a) relacionados com a digestão.
(a) fígado
(b) pâncreas
colunar,
conjuntivo
uma camada
chamada
fina
lâmina
de tecido
pélvica cada parte 2.
própria, e
estáAssituada?
13. Descreva a localizaçãoimpulsionam
ondas peristálticas de contração
e a estrutura o alimento do esfíncter 1. O fígado é dividido em lobos direito,
camadas finas de musculatura lisa esquerdo, quadrado e caudado. Cada lobo
permitem testar a profundidade de seu (b) localizados na cavidade abdominal.
(c) recobertos por membranas peritoneais.
(c) coração
(d) encéfalo chamada muscular da mucosa.
(b) A submucosa
macroscópica do fígado.
diagrama de um lobo hepático,
Desenhe
inferior um
do esôfago
estômago.com
para o interior do contém lóbulos hepáticos, as unidades
10. Qual das seguintes afirmativas acerca doé composta de tecido
identificações. funcionais do fígado.
entendimento e aprendizado. Respostas e (d) localizados no interior das cavidades
torácica e abdominal.
(a) contém gordura absorvida.
conjuntivo; a túnica muscular
sangue da veia porta é verdadeira?
em camadas de músculo liso;
14. Descrevaconsiste
e see esvazia
3. O estômago consiste em cárdia, fundo,
como a vesículacorpo biliar
e se enche
região
a serosacom líquido biliar. Qual a pilórica. Apresenta as
(a) Lóbulos hepáticos consistem em
lâminas de células hepáticas separadas
2. Quais dos seguintes tipos de dentes são curvaturas maior e menor, e contém o
explicações para as questões objetivas encontrados na dentição permanente e
não na decídua? (c) mistura-se com a bile no
é composta de tecido conjuntivo
(b) contém proteínas ingeridas.
coberto
fígado.com peritônio15.
função da bile?
visceral.
Cite as funções do intestino
esfíncter pilórico na sua junção com o
duodeno. grosso.
por vasos capilares modificados
chamados sinusóides.
(c) A submucosa contém o plexo (b) O sangue flui da periferia de cada
encontram-se no Apêndice A. (a) incisivos (c) pré-molares (d) mistura-se com o sangue da artéria he-
submucoso, e a túnica muscular
Quais são os movimentos biodinâmicos
(a) Na mucosa do doestômago salientam-se lóbulo onde ramos da artéria hepática

CAPÍTULO 18
(b) caninos (d) molares pática própria no fígado. intestino grosso que tornam possível essas
as distensíveis pregas gástricas;
contém o plexo mientéricofunções? de nervos própria e da veia porta se abrem
3. A camada dupla de peritônio que sustenta autônomos. depressões gástricas e glândulas
16. Defina cirrose e explique como essaque também estão presentes através dos sinusóides e sai pela veia
o trato GI é chamada Questões Dissertativas gástricas
afecção é tão prejudicial ao central.
(a) peritônio visceral 1. Defina digestão. Diferencie os aspectos me- nafígado.
mucosa.
Boca, Faringe e Estruturas Associadas
Quais são algumas das(b) causas da cirrose? (c) A bile flui do interior das lâminas
(b) mesentério cânicos dos químicos As células parietais das glândulas
(pp.da digestão.
640-648) gástricas secretam HCl, e as células
hepáticas para os canalículos biliares
(c) omento maior 2. Faça a distinção entre trato e, em seguida, para os dúctulos biliares
(d) omento menor 1. A cavidade oral
gastrointestinal, víscera, órgãos digestórios é formada Questões
por de
bochechas, Análise Crítica principais secretam pepsinogênio.
lábios, palato duro e palato mole. na periferia de cada lóbulo.
4. Qual das seguintes camadas tissulares do anexos e intestino. 1. Tecnicamente, o alimento ingerido não se
A língua e os dentes 2. A vesícula biliar armazena e concentra
intestino delgado contém lácteos? 3. Cite as partes específicas ou estruturas do estão contidosencontrana dentro do corpo. Nem
Intestino as fezes
Delgado (pp. 652-656) bile; libera a bile no duodeno através do
cavidade
sistema digestório formadas pelasoral.
três são excretadas do interior do corpo
(a) submucosa 1. O intestino delgado inclui as seguintes ducto cístico e ducto colédoco.
(a) As
camadas germinativas embrionárias.tonsilas linguais e as papilas
(exceto comos resíduos biliares). Explique
(b) muscular da mucosa partes: duodeno, jejuno e íleo; o ducto 3. O pâncreas é uma glândula exócrina e
4. Defina membrana serosa. Como calículos
são gustatórios estão localizados
essas afirmativas. Por que essa informação
(c) lâmina própria colédoco e o ducto pancreático se abrem endócrina.
(d) túnica muscular classificadas as membranasnaserosas
língua.da seria importante para um laboratório
no duodeno. (a) A porção endócrina consiste nas
5. Qual dos seguintes órgãos não é cavidade abdominal e (b) Estruturas
quais são suas do palato incluem as pregas na preparação
interessado de um novo
2. Expansões em forma de dedo de luva da ilhotas pancreáticas que secretam os
funções? palatinas transversas, uma projeção
medicamento por via oral?
considerado parte do sistema digestório? em forma de cone chamada úvula mucosa, chamadas vilos intestinais, hormônios insulina e glucagon.
5. Descreva as estruturas das quatro túnicas 2. Os dentes decíduos (leite) não são
(a) pâncreas (c) língua palatina e tonsilas palatinas. projetam-se no lume, e nas bases dos vilos (b) Os ácinos exócrinos do pâncreas
da parede do trato GI. importantes porque em algum momento
(b) baço (d) vesícula biliar intestinais a mucosa forma as glândulas produzem suco pancreático que
2. Os dentes
6. Quais são as duas inervações incisivos e caninos têm
autônomas eles uma
devem cair. Você concorda ou
6. As numerosas pequenas elevações na intestinais. contém várias enzimas digestivas
do trato GI? Identifique raizoscada;
locaisos pré-molares e molares têm com essa afirmativa? Explique.
discorda
superfície da língua que sustentam (a) Células epiteliais novas se formam nas
duas ouautônomas
específicos das estimulações três raízes. 3. Qual cirurgia teria efeito mais
calículos gustatórios e ajudam a controlar criptas intestinais.
nas túnicas. significativo na digestão: (a) remoção do
os alimentos são chamadas de estômago (gastrectomia), (b) remoção do
(a) cílios (c) vilos intestinais 7. Defina os termos: fórmula dental,
difiodôntico, dentes decíduos, dentes pâncreas (pancreectomia), ou (c)
(b) rugas (d) papilas remoção da vesícula biliar
permanentes e dentes do siso.
7. A maior parte da digestão ocorre (colecistectomia)? Explique suas razões.
8. Descreva as fases da deglutição. Quais as
(a) na boca 4. Descreva as adaptações do trato GI que o
funções biomecânicas da língua, palato
CAPÍTULO 18

(b) no estômago torna mais eficiente, o aumento da área de


duro, palato mole, faringe e osso hióide na
(c) no intestino delgado superfície para absorção ou o aumento do
deglutição?
(d) no intestino grosso tempo de contato entre partículas de
9. Como o estômago protege a si próprio dos
8. A estenose (constrição) do esfíncter da efeitos danosos do HCl ? alimento e enzimas digestivas.
ampola hepatopancreática (de Oddi) pode 10. Descreva os tipos de movimentos do 5. Durante a cirurgia para determinar a
interferir no(a) intestino delgado e explique como se causa de uma obstrução intestinal, por
(a) transporte da bile e suco pancreático realizam. que o cirurgião poderia optar em remover
(b) secreção de muco 11. Desenhe um vilo intestinal e explique um apêndice saudável?
(c) passagem do quimo para o interior do porque os vilos intestinais são 6. Explique por que a ruptura do apêndice
intestino delgado considerados as unidades funcionais do pode resultar em peritonite, enquanto a
(d) peristaltismo sistema digestório. inflamação do rim (nefrite) geralmente
não resulta em peritonite.

xix
van07932_Abre.qxd 14/1/03 8:59 AM Page xx

Recursos de
Multimídia

CD-ROM
Esta ferramenta de estudo interativa contém centenas
de animações e atividades de aprendizado projetadas para
ajudá-lo a entender conceitos complexos. Diagramas
interativos e questionários tornam o aprendizado da
anatomia e da fisiologia estimulante e descontraído.

xx
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1
História da Anatomia

Definição da Ciência 2
Período Pré-científico 2
Período Científico 4

Resposta do Estudo
de Caso Clínico 20
Resumo do Capítulo 20
Atividades de Revisão 21

Estudo de Caso Clínico


Uma mulher com 55 anos de idade procura o farmacêutico da aldeia apresentando respi-
ração rápida e curta. Este, verificando os sintomas da mulher e encontrando inchaço em suas
pernas, faz o diagnóstico de hidropsia e prescreve uma terapia para livrar o corpo dos maus hu-
mores. Ele aplica uma dúzia de suas sanguessugas mais saudáveis nas pernas da mulher e drena
um quartilho do seu sangue abrindo uma veia do seu braço. Dentro de horas, a paciente está se
sentindo muito melhor e respira tranqüilamente. A ocorrência reforçou, para o prático, o con-
ceito dos maus humores e a eficiência da sangria como terapia.
Hidropsia (L. hydrops; do G. hydor, água) é um termo antiquado que se referia comu-
mente a qualquer situação de edema (acúmulo de líquidos nos tecidos), e era comumente con-
seqüência de insuficiência cardíaca congestiva. A terapia atual para esses casos consiste na
restrição de ingestão de líquidos por via oral e medicamentos que induzem a diurese (aumento
da micção) com o objetivo de diminuir o volume líquido. Não é nenhuma surpresa que a perda
de um quartilho de sangue fizesse essa mulher se sentir melhor em curto tempo. Infelizmente, a
repetição dessa terapia grosseira deixava os pacientes profundamente anêmicos (contagem baixa
de glóbulos vermelhos) e na realidade agravava a insuficiência dos seus corações.
Ao longo da história da medicina, a precisa compreensão da anatomia e da fisiologia hu- FIGURA: A sangria foi uma técnica de
manas contribuiu para melhorar a terapia das doenças? prática médica amplamente usada durante
mais de dois mil anos.
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CAPÍTULO 1

2 Unidade 1 Perspectiva Histórica

DEFINIÇÃO DA CIÊNCIA mulado pelo desejo dos profissionais médicos em explicar uma
disfunção orgânica do corpo. Por outro lado, várias religiões
A anatomia humana é a ciência que estuda a organização estru- abafaram o estudo da anatomia humana através das restrições
tural do corpo humano. A terminologia anatômica descritiva é
impostas à dissecção humana e da ênfase nas explicações não
principalmente de procedência grega e latina.
científicas para as doenças e fraquezas.
Objetivo 1 Definir anatomia. Durante séculos, o interesse inato das pessoas nos seus
próprios corpos e capacidades físicas encontrou várias formas de
Objetivo 2 Distinguir anatomia de fisiologia e biologia. expressão. Os gregos estimulavam as competições atléticas e ex-
pressavam a beleza do corpo nas suas esculturas. Muitos dos
Objetivo 3 Explicar por que a maioria dos termos anatômi-
grandes mestres do Renascimento retrataram figuras humanas
cos são palavras de procedência grega e latina.
em suas artes. Realmente, alguns destes artistas eram excelentes
anatomistas porque a preocupação deles com os detalhes exigia
Anatomia humana é a ciência que se dedica à estrutura que fossem. Michelangelo foi um artista genial que captou o es-
do corpo humano. O termo anatomia deriva da palavra grega plendor da forma humana em esculturas como David (fig. 1.1) e
que significa “cortar em partes”; realmente, antigamente, a pa- em pinturas como as da Capela Sistina.
lavra anatomizar era mais comumente usada do que a palavra A reverência de Shakespeare pela estrutura do corpo hu-
dissecar. A fisiologia é a ciência que estuda a função do corpo. É mano é encontrada em expressões de seus escritos: “Que obra
inseparável da anatomia já que a estrutura tende a refletir a fun- prima é um ser humano! Como é nobre pela razão! Infinito em
ção. O termo fisiologia é derivado de outra palavra grega, que competência! Como é expressivo e admirável na forma e no
significa “o estudo da natureza”. A “natureza” de um organismo movimento! Nas ações assemelha-se a um anjo! Na percepção
é sua função. Anatomia e fisiologia são ambas subdivisões da assemelha-se a um deus! A maravilha do mundo! O modelo de
ciência conhecida por biologia, o estudo dos organismos vivos. perfeição entre os animais!” (Hamlet 2.2.315-319).
A anatomia de cada estrutura do corpo está adaptada para exe- No passado, a anatomia humana era acadêmica, ciência
cutar uma função, ou talvez várias funções. puramente descritiva, interessada principalmente em identificar
A dissecção de cadáveres humanos serviu como base para e dar nomes às estruturas do corpo. Embora a dissecção e a des-
entender a estrutura e a função do corpo humano durante mui- crição formem a base da anatomia, a importância da anatomia
tos séculos. Todo estudante iniciante em anatomia pode desco- humana hoje está em sua abordagem funcional e nas aplicações
brir e aprender diretamente quando as estruturas do corpo clínicas. Anatomia humana é uma ciência prática, que aplicada
forem sistematicamente dissecadas e examinadas. Os termos propicia os fundamentos para entender o desempenho físico e a
anatômicos que um estudante aprende enquanto se informa a saúde do corpo. O estudo da história da anatomia nos ajuda a
respeito de uma estrutura representa o trabalho de centenas de apreciar a ciência relevante que é hoje.
anatomistas dedicados do passado, que dissecaram, desenharam,
descreveram e denominaram as numerosas partes do corpo.
A maioria dos termos que formam a linguagem anatômica Avaliação de Conhecimentos
são de procedência grega ou latina. Latim era a língua do Impé-
rio Romano, época em que o interesse nas descrições científicas 1. De onde deriva e qual o significado do termo anatomia?
foi cultivado. Com o declínio do Império Romano, a língua la- 2. Explique a expressão: Anatomia é uma ciência baseada na
tina foi se tornando “língua morta”, mas manteve seu valor na observação, enquanto a fisiologia se baseia na observação e
nomenclatura porque permaneceu inalterada ao longo da histó- na experimentação.
ria. Conseqüentemente, se estivermos familiarizados com os 3. Por que a compreensão da biologia de um organismo de-
prefixos e os sufixos básicos (veja a contracapa e a página se- pende do conhecimento de sua anatomia e fisiologia?
guinte deste livro), muitos termos da ciência descritiva anatô- 4. Comente o valor em se determinar o uso de prefixos e sufi-
mica podem ser entendidos. Embora os gregos e romanos xos gregos ou latinos nos nomes de estruturas do corpo des-
tenham efetuado significante contribuição à terminologia ana- critas recentemente.
tômica, deve ser lembrado que muitos indivíduos de outras cul-
turas também contribuíram para a ciência anatômica humana.
Como campo científico de investigação, a anatomia hu-
mana tem tido uma herança rica, longa e freqüentemente tor- PERÍODO PRÉ-CIENTÍFICO
mentosa. A história da anatomia humana é comparável a da
medicina. De fato, o interesse pela estrutura do corpo foi esti- Evidências indicam que o conhecimento da anatomia foi valioso
para a sobrevivência nos tempos pré-históricos e que forneceu os
fundamentos para a medicina.
anatomia: G. ana, em partes; tome, cortar
Objetivo 4 Explicar por que a compreensão da anatomia
fisiologia: G. physis, natureza; logos, estudo
humana é essencial para a ciência da medicina.
biologia: G. bios, vida; logos, estudo
cadáver: L. cadere, tombar Objetivo 5 Definir trepanação e paleopatologia.
van07932_ch01_AP1.qxd 13/1/03 5:05 PM Page 3

CAPÍTULO 1
Capítulo 1 História da Anatomia 3

FIGURA 1.2 Reproduções da mesma época de grandes mamí-


feros de caça pintados nas paredes de cavernas ocupadas pelo
Homo sapiens da antigüidade na Europa ocidental. Presumivelmente
a localização do coração está desenhada no mamute, e são mostra-
dos locais anatômicos vulneráveis nos dois bisões. Os indivíduos pré-
históricos precisavam de um conhecimento prático de anatomia,
simplesmente por sobrevivência.
De A Short History of Anatomy and Physiology from the Greeks to Harvey by C.
Singer, 1957, Dover Publications, New York, NY. Reimpresso com permissão.

comoção e que também propiciavam a principal fonte de alimento.


A pele dos mamíferos associada a seus anexos servia como coberta
protetora para sua pele escassa em pêlos. Os humanos compreende-
ram, precocemente, que o sistema esquelético constituía um resis-
tente arcabouço dentro dos seus corpos e de outros vertebrados.
Eles usavam os ossos dos animais dos quais se alimentavam para
moldar uma variedade de ferramentas e de armas. Eles sabiam que
os seus próprios ossos poderiam quebrar em acidentes e que a cura
inadequada resultaria em incapacidade permanente. Sabiam que se
um animal estava ferido, sangraria, e aquela perda excessiva de
sangue causaria sua morte. Talvez eles também tenham percebido
que uma pancada forte na cabeça pudesse causar sono profundo e
enfraquecer um animal sem matá-lo. Obviamente, eles observa-
vam as diferenças anatômicas entre os sexos, embora não pudessem
entender as funções básicas da reprodução. O conhecimento que
essas pessoas tinham era do tipo prático básico – um conhecimento
FIGURA 1.1 Michelangelo terminou sua obra David com 5,18 m necessário para sobrevivência.
de altura em 1504. Esculpido em um único bloco maciço de már-
more de carrara branco, esta obra prima captou a beleza física do Certas habilidades cirúrgicas são também antigas. Trepana-
corpo humano em uma expressão de arte. ção, a perfuração de um buraco no crânio, ou a remoção de uma
porção de osso craniano, parece ter sido praticada por vários gru-
pos de povos pré-históricos. A trepanação era provavelmente
É provável que um tipo de anatomia comparada prática seja usada como um procedimento ritualista para afastar maus espíri-
a ciência mais antiga. Certamente, os humanos sempre estiveram tos, ou em alguns pacientes talvez, para aliviar a pressão craniana
atentos a algumas de suas estruturas anatômicas e como elas fun- em conseqüência de um ferimento na cabeça. Muitos crânios tre-
cionavam. Nossos antepassados pré-históricos indubitavelmente panados foram encontrados em sítios arqueológicos (fig. 1.3). Jul-
conheciam suas próprias habilidades funcionais e limitações gando-se pela reossificação parcial que alguns desses crânios
quando comparadas com as de outros animais. Através das tentati- apresentavam, aparentemente uma considerável proporção dos
vas e dos erros durante as caçadas, eles descobriram os “órgãos vi- pacientes sobrevivia.
tais” de um animal que, se atingidos com um objeto, causariam a O que se conhece sobre os humanos pré-históricos são conje-
sua morte (fig. 1.2). Igualmente, eles conheciam as áreas vulnerá- turas a partir das informações derivadas de desenhos em cavernas,
veis de seus próprios corpos. de artefatos e de fósseis que continham informações paleopatológi-
Os atos de descarnar os animais após a morte forneceram cas. A paleopatologia é a ciência que trata do estudo das doenças e
muitas valiosas lições de anatomia para as populações pré-históri- causas de morte em humanos pré-históricos. A idade aproximada de
cas. Eles sabiam quais as partes do corpo de um animal que podiam
ser usadas como alimento, como vestimenta ou como utensílio. In- trepanação: G. trypanon, perfurador
dubitavelmente, eles sabiam que os músculos funcionavam na lo- paleopatologia: G. palaios, antigo; pathos, sofrimento; logos, estudo
van07932_ch01_AP1.qxd 29/11/02 9:55 AM Page 4

CAPÍTULO 1

4 Unidade 1 Perspectiva Histórica

uma pessoa pode ser determinada por restos de seu esqueleto, que
também podem revelar a ocorrência de certas lesões e doenças, in-
cluindo deficiências nutricionais. Dietas e condições dentárias, por
exemplo, são demonstráveis através de dentes fossilizados. O que
não pode ser determinado, porém, é a extensão das informações e
do conhecimento anatômicos que podem ter sido transmitidos oral-
mente até os tempos em que os humanos criaram os símbolos para
registrar os seus pensamentos, as experiências e a história.

Avaliação de Conhecimentos
5. Por que deveria ser importante conhecer a anatomia do
crânio e do encéfalo antes de realizar uma cirurgia como
uma trepanação?
6. Quais os tipos de dados um paleopatologista pode estar in-
teressado em obter de uma múmia egípcia?

FIGURA 1.3 A arte da cirurgia da trepanação era praticada por


algumas culturas pré-históricas. Surpreendentemente, muitos pa-
cientes sobreviveram a esta provação, como ficou evidenciado pela PERÍODO CIENTÍFICO
ossificação ao redor das margens ósseas do ferimento.
A anatomia humana é uma ciência dinâmica e em desenvolvi-
mento com uma longa e excitante herança. Ela continua propi-
ciando os fundamentos para as pesquisas médicas, bioquímicas,
do desenvolvimento, citogenéticas e biomecânicas.

Objetivo 6 Comentar alguns dos principais eventos históri-


cos na ciência da anatomia humana.

Objetivo 7 Fazer uma relação dos períodos históricos nos quais


foram utilizados cadáveres para estudar anatomia humana.

Dissecção
de Cadáveres
Influências Embalsamamento Religião e filosofia
Religião e
superstição

Galeno Vesalius
Eventos e Hipócrates Realismo
Faraós Homero Microscopia
personalidades Peste epidêmica na arte
Teoria celular

Antigüidade Egito Grécia Alexandria Roma "Obscurantismo"


Civilização Renascimento
Barroco

Dissecção
humana
realizada

Dissecção
humana
autorizada
30 25 20 15 10 5 0 5 10 15 20
Séculos
a.C. d.C.

FIGURA 1.4 Uma linha do tempo que descreve a história das dissecções de cadáveres.
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CAPÍTULO 1
Capítulo 1 História da Anatomia 5

TABELA 1.1 Sinopse de Algumas Importantes Contribuições para a Ciência da Anatomia Humana
Idade ou Data de
Pesquisador Civilização Contribuição Contribuição
Menes Egito Cerca de 3400 a.C. Escreveu o primeiro manual de anatomia
Homero Grécia Antiga Cerca de 800 a.C. Descreveu a anatomia de ferimentos na Ilíada
Hipócrates Grécia Antiga Cerca de 460–377 a.C. Pai da medicina; inspirou o juramento hipocrático
Aristóteles Grécia Antiga 384–322 a.C. Fundador da anatomia comparada; profundo
influenciador do pensamento científico ocidental
Herófilo Alexandria Cerca de 325 a.C. Conduziu pesquisas notáveis em aspectos do sistema
nervoso
Erasistrato Alexandria Cerca de 300 a.C. Chamado por alguns de pai da fisiologia; tentou aplicar
leis físicas para o estudo de funções humanas
Celsus Roma 30 a.C. - 30 d.C. Compilou informações da escola de Alexandria;
primeiro autor médico a ser impresso (1478) em
tipos móveis depois da invenção de Gutemberg.
Galeno Grécia (sob domínio romano) 130-201 Provavelmente o escritor médico mais influente de todos
os tempos; estabeleceu princípios que foram imutáveis
por 1.500 anos
de’ Luzzi Renascimento 1487 Preparou guia de dissecção
Leonardo da Vinci Renascimento 1452-1519 Produziu desenhos anatômicos de qualidade sem
precedente baseado em dissecções de cadáver humano
Vesalius Renascimento 1514-1564 Refutou os falsos conceitos do passado sobre
estrutura e função do corpo por observação direta
e experiências; é chamado o pai da anatomia
Harvey Pré-moderna (Europa) 1578-1657 Demonstrou a função do sistema circulatório; aplicou o
método experimental à anatomia
Leeuwenhoek Pré-moderna (Europa) 1632-1723 Aperfeiçoou o microscópio; descreveu vários tipos de
células e tecidos
Malpighi Pré-moderna (Europa) 1628-1694 Lembrado como pai da histologia; primeiro a confirmar
a existência dos capilares
Sugita Pré-moderna (Japão) 1774 Compilou um tratado de anatomia com 5 volumes
Schleiden e Schwann Moderna (Europa) 1838-1839 Formuladores da teoria celular
Roentgen Moderna (Europa) 1895 Descobriu os raios X
Crick e Watson Moderna (Inglaterra e EUA) 1953 Determinaram a estrutura do DNA
Collins e Venter Moderna (EUA) 2000 Pesquisa instrumental do genoma humano

Objetivo 8 Explicar por que a compreensão da anatomia está descrito na figura 1.4. Alguns indivíduos que fizeram signifi-
humana é importante para todos os indivíduos. cantes contribuições no campo da anatomia estão listados na ta-
bela 1.1. Algumas de suas contribuições estavam sob a forma de
Objetivo 9 Comentar como se manter informado sobre o livros (tabela 1.2) que descreviam e ilustravam a estrutura do
desenvolvimento das pesquisas anatômicas e fazer um co- corpo e em alguns casos explicavam várias funções do corpo.
mentário sobre a importância deste empenho.

O período científico começa com os registros de observa-


ções anatômicas feitas na antiga Mesopotâmia cerca de 3.000
Mesopotâmia e Egito
anos atrás em blocos de argila e em escrita cuneiforme e continua Mesopotâmia era o nome dado à longa e estreita cunha de
até nossos dias. Obviamente, todas as contribuições do passado terra entre os rios Tigre e Eufrates que atualmente é uma grande
para a ciência da anatomia não podem ser mencionadas; porém, parte do Iraque. Escavações arqueológicas e registros antigos de-
certos indivíduos e culturas tiveram um importante impacto e monstram que esta área já era povoada antes de 4000 a.C. Com
serão comentados rapidamente nesta seção. base nas informações registradas sobre a cultura do povo, a Meso-
A história da anatomia apresenta um interessante parale- potâmia é chamada freqüentemente de o Berço da Civilização.
lismo com a história da dissecção de cadáveres humanos, como Inicialmente, muitas investigações sobre o corpo represen-
tavam uma tentativa para descrever as forças básicas da vida. Por
cuneiforme: L. cuneus, cunha; forma, forma exemplo, as pessoas desejavam saber qual órgão constituía a alma.
CAPÍTULO 1

8 Unidade 1 Perspectiva Histórica

Como os povos da Mesopotâmia e Grécia, os egípcios antigos se resse anatômico no Japão datam de depois do século VI. Monges budis-
preocupavam com o espírito que controlava o corpo. De fato,
chegaram até mesmo a dar um nome para essa força vital – o espírito de
tas japoneses treinados na China eram orientados de acordo com a fi-
Ba – que eles acreditavam estar ligado aos intestinos e ao coração. Colo- losofia chinesa, assim as convicções chinesas relativas ao corpo
cava-se comida na tumba de uma múmia para alimentar o espírito de Ba tornaram-se predominantes no Japão. Por volta do século XVIII, as in-
durante a jornada até Osiris, o deus egípcio do mundo dos mortos. fluências ocidentais, especialmente holandesa, eram tais que os japone-
ses procuraram esclarecer qual versão da anatomia estaria correta. Em
1774, uma obra de cinco volumes chamada Kaitai Shinsho (Um Novo
China e Japão Livro de Anatomia) publicada por um médico japonês, Genpaku Su-
gita, adotou totalmente os conceitos holandeses do corpo, e marcou o
China início da era moderna na anatomia e na medicina para o povo japonês.
Na China antiga, o interesse pelo corpo humano era prin- Durante vários séculos, as nações ocidentais foram bem-vin-
cipalmente filosófico. Idéias sobre anatomia estavam baseadas em das no Japão. Em 1603, porém, o governo japonês proibiu
deduções em lugar de dissecções ou observações diretas. O chinês todo o contato com o mundo ocidental porque temia as influências
do Cristianismo em sua sociedade. Embora esta proibição fosse ri-
venerava o corpo e detestava sua mutilação. Uma aparente exce- gorosamente imposta e o Japão ficasse isolado, os estudiosos japo-
ção era a prática de comprimir os pés das meninas e mulheres jo- neses continuaram a ter contato com livros ocidentais em anatomia e
vens como tentativa para torná-las mais belas. O conhecimento medicina, levando-os a reavaliar o que tinham aprendido a respeito
dos órgãos internos ocorria unicamente através de feridas e lesões da estrutura do corpo.
e somente em tempos recentes foram permitidas dissecções de ca-
dáveres nas escolas médicas chinesas.
O chinês antigo tinha uma convicção permanente de que
Período Grego
tudo no universo dependia do equilíbrio dos dois princípios cós- Foi na Grécia antiga que a anatomia, inicialmente, ganhou
micos opostos yin e yang. Assim como no sistema circulatório, o maior aceitação como ciência. As escritas de vários filósofos gregos
sangue era o transportador do yang, e o coração e os vasos repre- tiveram um forte impacto no pensamento científico futuro. Du-
sentavam o yin. Outras estruturas do corpo constituíam forças rante este período, os gregos ficaram obcecados com a beleza física
menores chamadas zō e fū. do corpo humano, o que se refletiu nas suas primorosas esculturas.
Os chineses eram grandes herbolários. Escritas antigas com Os jovens gregos eram estimulados a ser atléticos e desen-
mais de 5.000 anos descreviam várias misturas herbárias e poções volver as suas capacidades físicas, mas em torno dos 18 anos de
para aliviar uma grande variedade de doenças, inclusive diarréia, idade eram orientados mais para as atividades intelectuais da
constipação e desconforto menstrual. O ópio era descrito como ciência, da retórica e da filosofia. Esperava-se que durante o pro-
um excelente analgésico. cesso educacional o indivíduo recebesse orientação em todos os
Até recentemente, o chinês manteve-se possessivo em suas campos do conhecimento, e era natural que grandes e largos pas-
crenças e, por isso, as culturas ocidentais não foram influenciadas sos fossem dados nas ciências.
por pensamentos ou escritas chineses em extensão apreciável. Talvez a primeira referência escrita sobre a anatomia das feri-
Talvez os melhores conhecimentos, porém menos compreendi- das ocorridas em batalhas seja aquela citada na Ilíada, escrita por
dos, das contribuições chinesas para a anatomia humana e para Homero, aproximadamente 800 a.C. As descrições detalhadas de
medicina sejam as acupunturas. Homero da anatomia das feridas eram sumamente precisas. Con-
Acupuntura é uma prática antiga que foi estabelecida para tudo, ele descreveu feridas claramente definidas – não o tipo de feri-
manter um equilíbrio entre o yin e o yang. Trezentos e sessenta e das traumáticas que deveriam, provavelmente, ser encontradas em
cinco precisos locais meridianos, ou pontos vitais correspondendo um campo de batalha. Isso levou à especulação que dissecções hu-
ao número de dias de um ano, foram identificados no corpo (fig. manas já eram feitas durante este período e que as estruturas anatô-
1.7). Acreditava-se que as agulhas inseridas nos vários locais elimi- micas já eram bem conhecidas. Vítimas de sacrifício humano podem
navam as secreções prejudiciais e libertavam os tecidos de obstru- ter servido como material para estudo e demonstração anatômica.
ções. A acupuntura ainda é praticada na China e passou a ser aceita
por alguns médicos especialistas nos Estados Unidos e em outros paí- Hipócrates
ses como uma técnica de anestesia e como tratamento para certas Hipócrates (460-377 a.C.), o mais famoso médico grego do
doenças. O efeito analgésico da acupuntura tem sido documentado e seu tempo, é considerado o pai da medicina por causa dos princí-
não é apenas psicológico. Foram identificados locais de acupuntura pios éticos de prática médica que sua escola estabeleceu (fig. 1.8),
em animais domésticos que têm sido usados em grau limitado em e seu nome é imortalizado no juramento Hipocrático que muitos
medicina veterinária. Por que a acupuntura é eficiente permanece estudantes, ao se formarem em medicina, repetem como compro-
um mistério, embora tenha sido correlacionada recentemente com a misso de exercício profissional e dever perante a humanidade.
produção de endorfina no interior do cérebro (veja capítulo 11). Hipócrates, provavelmente, tinha apenas limitada orienta-
ção em dissecções humanas, mas foi bem disciplinado na popular
Japão teoria humoral de organização do corpo. Através dessa teoria eram
O desenvolvimento da anatomia no Japão foi influenciado for-
temente pelos chineses e holandeses. Os registros mais antigos de inte- humor: L. humor, líquido
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CAPÍTULO 1
Capítulo 1 História da Anatomia 7

FIGURA 1.5 Um modelo, em argila, do fígado de uma ovelha do


século XVIII ou XIX a.C. O povo da Mesopotâmia antiga considerava
o fígado como o local das emoções humanas.

Alguns escritos cuneiformes da Mesopotâmia antiga descreviam


órgãos do corpo que, segundo se pensava, serviam para esta fun-
ção. O fígado, que foi exaustivamente estudado em animais sacri- FIGURA 1.6 Talvez a maior contribuição da era egípcia antiga
ficados (fig. 1.5), era o “guardião da alma e dos sentimentos que para a anatomia e para a medicina tenha sido as informações obti-
das das múmias. Certas doenças, lesões, deformidades e, ocasio-
nos fazem homens”. Esta era uma suposição lógica por causa do nalmente, a causa da morte podem ser determinadas pelo exame
seu tamanho e de sua íntima associação com o sangue, que era paleopatogênico dos espécimes mumificados. À direita vemos um
considerado essencial para a vida. Ainda hoje, algumas culturas pé torto congênito de uma múmia de uma pessoa que viveu durante
européias associam o fígado com várias emoções. a décima-nona dinastia (aproximadamente 1300 a.C.).

O sangue aquecido e a disposição dos vasos sangüíneos


constituem obviamente um sistema predominante dentro do sido registradas. Aparentemente, porém, os embalsamamentos
corpo, e isto influenciou a procura da alma. Quando se perde exces- não eram bem vistos pela população em geral no Egito antigo. De
siva quantidade de sangue, o corpo morre. Assim sendo, alguns
fato, os embalsamadores eram freqüentemente perseguidos e até
concluíam que o sangue continha uma força vital. Os estudiosos da
Mesopotâmia foram influenciados por esta idéia, como o foi Aristóte- mesmo apedrejados e mortos. Embalsamar era uma arte mística
les, o cientista grego que viveu séculos depois. Aristóteles acredi- mais relacionada com a religião do que com a ciência e, como
tava que o local que alojava a alma era o coração e que o cérebro exigia uma certa mutilação do corpo do morto, era considerada
funcionava esfriando o sangue que saía do coração. A associação
do coração, em canções e poesias, com as emoções de amor e de
um ato demoníaco. Por conseguinte, as técnicas de embalsamar
preocupações tem seu fundamento no pensamento Aristotélico. que poderiam ter propiciado cadáveres embalsamados para a dis-
secção tiveram que esperar até que séculos mais tarde fossem re-
A antiga cultura egípcia desenvolveu-se a oeste da Mesopo- descobertas.
tâmia, onde foi aperfeiçoada a sofisticada ciência do embalsama- Foram descobertos vários trabalhos escritos sobre a anato-
mento dos mortos na forma de múmias (fig. 1.6). Nenhuma mia do Egito antigo, mas nenhum deles influenciou as culturas
tentativa conhecida era feita para realizar estudos anatômicos ou que os sucederam. Menes, médico do rei durante a primeira di-
patológicos nos cadáveres, já que embalsamar era estritamente nastia egípcia cerca de 3400 a.C. (até mesmo antes das pirâmides
um ritual religioso reservado para realeza e para os ricos a fim de terem sido construídas), escreveu o que é considerado o primeiro
prepará-los para uma vida depois da morte. manual em anatomia. Escritas posteriores (2300-1250 a.C.) ten-
As técnicas egípcias de embalsamamento poderiam ter taram uma sistematização do corpo, iniciando pela cabeça e con-
contribuído enormemente para a ciência da anatomia se tivessem tinuando no sentido descendente.

embalsamar: L. in, dentro; balsamum, bálsamo


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CAPÍTULO 1

8 Unidade 1 Perspectiva Histórica

Como os povos da Mesopotâmia e Grécia, os egípcios antigos se resse anatômico no Japão datam de depois do século VI. Monges budis-
preocupavam com o espírito que controlava o corpo. De fato,
chegaram até mesmo a dar um nome para essa força vital – o espírito de
tas japoneses treinados na China eram orientados de acordo com a fi-
Ba – que eles acreditavam estar ligado aos intestinos e ao coração. Colo- losofia chinesa, assim as convicções chinesas relativas ao corpo
cava-se comida na tumba de uma múmia para alimentar o espírito de Ba tornaram-se predominantes no Japão. Por volta do século XVIII, as in-
durante a jornada até Osiris, o deus egípcio do mundo dos mortos. fluências ocidentais, especialmente holandesa, eram tais que os japone-
ses procuraram esclarecer qual versão da anatomia estaria correta. Em
1774, uma obra de cinco volumes chamada Kaitai Shinsho (Um Novo
China e Japão Livro de Anatomia) publicada por um médico japonês, Genpaku Su-
gita, adotou totalmente os conceitos holandeses do corpo, e marcou o
China início da era moderna na anatomia e na medicina para o povo japonês.
Na China antiga, o interesse pelo corpo humano era prin- Durante vários séculos, as nações ocidentais foram bem-vin-
cipalmente filosófico. Idéias sobre anatomia estavam baseadas em das no Japão. Em 1603, porém, o governo japonês proibiu
deduções em lugar de dissecções ou observações diretas. O chinês todo o contato com o mundo ocidental porque temia as influências
do Cristianismo em sua sociedade. Embora esta proibição fosse ri-
venerava o corpo e detestava sua mutilação. Uma aparente exce- gorosamente imposta e o Japão ficasse isolado, os estudiosos japo-
ção era a prática de comprimir os pés das meninas e mulheres jo- neses continuaram a ter contato com livros ocidentais em anatomia e
vens como tentativa para torná-las mais belas. O conhecimento medicina, levando-os a reavaliar o que tinham aprendido a respeito
dos órgãos internos ocorria unicamente através de feridas e lesões da estrutura do corpo.
e somente em tempos recentes foram permitidas dissecções de ca-
dáveres nas escolas médicas chinesas.
O chinês antigo tinha uma convicção permanente de que
Período Grego
tudo no universo dependia do equilíbrio dos dois princípios cós- Foi na Grécia antiga que a anatomia, inicialmente, ganhou
micos opostos yin e yang. Assim como no sistema circulatório, o maior aceitação como ciência. As escritas de vários filósofos gregos
sangue era o transportador do yang, e o coração e os vasos repre- tiveram um forte impacto no pensamento científico futuro. Du-
sentavam o yin. Outras estruturas do corpo constituíam forças rante este período, os gregos ficaram obcecados com a beleza física
menores chamadas zō e fū. do corpo humano, o que se refletiu nas suas primorosas esculturas.
Os chineses eram grandes herbolários. Escritas antigas com Os jovens gregos eram estimulados a ser atléticos e desen-
mais de 5.000 anos descreviam várias misturas herbárias e poções volver as suas capacidades físicas, mas em torno dos 18 anos de
para aliviar uma grande variedade de doenças, inclusive diarréia, idade eram orientados mais para as atividades intelectuais da
constipação e desconforto menstrual. O ópio era descrito como ciência, da retórica e da filosofia. Esperava-se que durante o pro-
um excelente analgésico. cesso educacional o indivíduo recebesse orientação em todos os
Até recentemente, o chinês manteve-se possessivo em suas campos do conhecimento, e era natural que grandes e largos pas-
crenças e, por isso, as culturas ocidentais não foram influenciadas sos fossem dados nas ciências.
por pensamentos ou escritas chineses em extensão apreciável. Talvez a primeira referência escrita sobre a anatomia das feri-
Talvez os melhores conhecimentos, porém menos compreendi- das ocorridas em batalhas seja aquela citada na Ilíada, escrita por
dos, das contribuições chinesas para a anatomia humana e para Homero, aproximadamente 800 a.C. As descrições detalhadas de
medicina sejam as acupunturas. Homero da anatomia das feridas eram sumamente precisas. Con-
Acupuntura é uma prática antiga que foi estabelecida para tudo, ele descreveu feridas claramente definidas – não o tipo de feri-
manter um equilíbrio entre o yin e o yang. Trezentos e sessenta e das traumáticas que deveriam, provavelmente, ser encontradas em
cinco precisos locais meridianos, ou pontos vitais correspondendo um campo de batalha. Isso levou à especulação que dissecções hu-
ao número de dias de um ano, foram identificados no corpo (fig. manas já eram feitas durante este período e que as estruturas anatô-
1.7). Acreditava-se que as agulhas inseridas nos vários locais elimi- micas já eram bem conhecidas. Vítimas de sacrifício humano podem
navam as secreções prejudiciais e libertavam os tecidos de obstru- ter servido como material para estudo e demonstração anatômica.
ções. A acupuntura ainda é praticada na China e passou a ser aceita
por alguns médicos especialistas nos Estados Unidos e em outros paí- Hipócrates
ses como uma técnica de anestesia e como tratamento para certas Hipócrates (460-377 a.C.), o mais famoso médico grego do
doenças. O efeito analgésico da acupuntura tem sido documentado e seu tempo, é considerado o pai da medicina por causa dos princí-
não é apenas psicológico. Foram identificados locais de acupuntura pios éticos de prática médica que sua escola estabeleceu (fig. 1.8),
em animais domésticos que têm sido usados em grau limitado em e seu nome é imortalizado no juramento Hipocrático que muitos
medicina veterinária. Por que a acupuntura é eficiente permanece estudantes, ao se formarem em medicina, repetem como compro-
um mistério, embora tenha sido correlacionada recentemente com a misso de exercício profissional e dever perante a humanidade.
produção de endorfina no interior do cérebro (veja capítulo 11). Hipócrates, provavelmente, tinha apenas limitada orienta-
ção em dissecções humanas, mas foi bem disciplinado na popular
Japão teoria humoral de organização do corpo. Através dessa teoria eram
O desenvolvimento da anatomia no Japão foi influenciado for-
temente pelos chineses e holandeses. Os registros mais antigos de inte- humor: L. humor, líquido
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CAPÍTULO 1
Capítulo 1 História da Anatomia 9

(a) (b)

FIGURA 1.7 A acupuntura tem sido praticada há muito tempo para diagnóstico ou para fins terapêuticos. A acupressão é aplicação de com-
pressão digital em locais meridianos específicos para controlar a dor. (a) Um quadro de acupuntura da dinastia Ming da China antiga e (b) uma
paciente recebendo acupuntura.

reconhecidos quatro humores no corpo, e cada um deles era asso- melano se refere a uma aparência obscura ou pálida. O prefixo me-
ciado com um órgão em particular: sangue com o fígado; cólera, lano- significa preto. Cólera é uma doença intestinal infecciosa que
causa diarréia e vômito. Fleuma no interior do sistema respiratório é
ou bile amarela, com a vesícula biliar; fleuma com os pulmões; e sintomático de várias doenças pulmonares.
melancolia, ou bile preta, com o baço. Imaginava-se que uma
pessoa com saúde teria um equilíbrio dos quatro humores. O con-
ceito dos humores há muito tempo foi abandonado, mas dominou Aristóteles
o pensamento médico durante mais de 2.000 anos. Aristóteles (384-322 a.C.), um discípulo de Platão, era es-
Talvez a maior contribuição de Hipócrates tenha sido a de critor consumado, filósofo e zoologista (fig. 1.9). Era também
ter atribuído causas naturais às doenças em lugar da desaprovação professor renomado, contratado pelo Rei Filipe da Macedônia
dos deuses. Sua aplicação da lógica e da razão na medicina foi o para ensinar seu filho, Alexandre, que depois ficou conhecido
começo da medicina de observação. como Alexandre, o Grande.
Os quatro humores fazem parte de nosso vocabulário e da
prática médica ainda hoje. Melancolia é um termo usado
para descrever depressão ou desânimo em uma pessoa, enquanto
cólera: G. chole, bile
fleuma: G. phlegm, inflamação
melancolia: G. melan, preto; chole, bile sangüíneo: L. sanguis, sangue
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CAPÍTULO 1

10 Unidade 1 Perspectiva Histórica

O Juramento Hipocrático
Eu juro, por Apolo médico, por Esculápio, Higeia e Panacea e tomo
por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, que eu cumprirei,
segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue:
Estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte,
fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter
seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte se eles
tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem
compromisso escrito, fazer participar dos preceitos, das lições e de todo
o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos
segundo os regulamentos da profissão, porém só a estes.
Eu aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder
e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém.
A ninguém darei por comprazer, nem um remédio mortal nem um
conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma
mulher uma substância abortiva. Conservarei imaculada minha vida e
minha arte.
Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado;
deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.
Em toda casa, aí entrarei para o bem dos doentes mantendo-me
longe de todo dano voluntário e de toda sedução, sobretudo longe dos
prazeres do amor com as mulheres ou com os homens livres ou
escravizados.
Aquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no
convívio da sociedade eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso
divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.
Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar
felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os
homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário me aconteça.

FIGURA 1.8 Um quadro do século XIV do famoso médico grego Hipócrates, considerado o pai da medicina; o seu nome foi imortalizado no
juramento Hipocrático (esquerda).

Aristóteles fez investigações cuidadosas em todos os tipos de Período Alexandrino


animais incluindo referências aos humanos, e seguia um tipo limi-
tado de método científico na obtenção de dados. Escreveu o pri- Alexandre, o Grande, fundou Alexandria em 332 a.C. e a
meiro relato conhecido de embriologia no qual descreveu o fez capital do Egito e um centro de aprendizado. Além de uma
desenvolvimento do coração em um embrião de galinha. Denomi- grande biblioteca, havia também uma escola de medicina em
nou a aorta e diferenciou as artérias das veias. As obras zoológicas Alexandria. O estudo da anatomia floresceu porque eram admiti-
mais conhecidas de Aristóteles são História dos Animais, Das Partes das as dissecções de cadáveres humanos e vivissecções de huma-
dos Animais e Da Geração dos Animais (veja tabela 1.2). Esses livros nos (dissecções de seres vivos). Este procedimento brutal era
tiveram uma profunda influência no estabelecimento da especiali- executado comumente em criminosos condenados, sob o argu-
dade dentro da anatomia, e granjearam a Aristóteles o reconheci- mento de que a melhor forma de compreender as funções do
mento como o fundador da anatomia comparada. corpo seria estudá-las enquanto o indivíduo estivesse vivo, e que
Apesar de suas extraordinárias realizações, Aristóteles per- um homem condenado poderia retribuir melhor a sociedade atra-
petuou algumas teorias erradas relativas à anatomia. Por exemplo, vés da utilização do seu corpo para uma vivissecção científica.
a doutrina dos humores constituía os limites do seu pensamento. Infelizmente, as contribuições eruditas e o desenvolvi-
Platão tinha descrito o cérebro como o “assento do sentimento e mento científico de Alexandria não perduraram. A maioria dos
do pensamento”, mas Aristóteles discordou. Ele colocou a sede trabalhos escritos foi destruída quando a grande biblioteca foi
da inteligência no coração e comentou que a função do cérebro queimada pelos romanos ao conquistarem a cidade em 30 a.C. O
que era banhado em líquido era esfriar o sangue que tinha sido que se sabe sobre a Alexandria foi obtido através das escritas dos
bombeado pelo coração mantendo assim a temperatura do corpo. últimos filósofos, cientistas e historiadores, inclusive Plínio, Cel-
sus, Galeno e Tertuliano. Dois homens da Alexandria, Herófilo e
Erasistrato, fizeram as contribuições mais duradouras para o es-
tudo da anatomia.
Esculápio: G. (mitologia) filho de Apolo e deus da medicina
Higeia: G. (mitologia) filha de Esculápio; personifica a saúde; hygies, hígido
Panacea: G. (mitologia) também filha de Esculápio; ajudava em ritos do templo e
guardava as serpentes sagradas; pan, todas; akos, remédio vivissecção: L. vivus, vivo; sectio, cortar
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CAPÍTULO 1
Capítulo 1 História da Anatomia 11

os nervos cranianos conduziam espíritos animais e que os múscu-


los se contraíam porque eram distendidos pelos espíritos, que o
ventrículo esquerdo do coração estava cheio com um espírito de
ar vital (pneuma) que entrava nos pulmões, e que as artérias
transportavam este pneuma em lugar de sangue.
Herófilo e Erasistrato foram muito criticados historicamente
pelas vivissecções que executaram. Celsus (aproximada-
mente 30 a.C.) e Tertuliano (aproximadamente 200 d.C.) eram parti-
cularmente críticos da prática de vivissecção. Herófilo, às vezes, era
citado como um açougueiro de homens que dissecou mais de 600
seres humanos vivos, muitas vezes em demonstrações públicas.

Período Romano
Em muitos aspectos, o Império Romano abafou os avanços
científicos e preparou as bases para a Idade do Obscurantismo. A
abordagem científica substituiu a teoria pela prática durante esse
período. Foram realizadas algumas dissecções de cadáveres vi-
sando mais determinar a causa da morte em casos criminais. A
medicina não era preventiva mas limitava-se, quase sem exceção,
ao tratamento de soldados feridos em batalhas. Nos últimos tem-
pos da história romana, as leis eram estabelecidas atestando a in-
fluência da igreja na prática médica. De acordo com a lei
romana, por exemplo, nenhuma mulher grávida falecida poderia
ser enterrada sem remoção anterior do feto do útero de forma que
pudesse ser batizado.
Os documentos científicos que foram preservados do Impé-
FIGURA 1.9 Acredita-se que esta cópia romana de uma escul- rio Romano são principalmente compilações de informações ob-
tura grega seja de Aristóteles, o famoso filósofo grego. tidas dos estudiosos gregos e egípcios. Informações anatômicas
novas eram escassas, e em sua maior parte se referiam mais a dis-
secções de animais do que de seres humanos. Dois anatomistas
Herófilo romanos importantes foram Celsus e Galeno.
Herófilo (aproximadamente 325 a.C.) foi preparado na escola
Hipocrática mas se tornou grande professor de anatomia em Ale-
Celsus
xandria. Através de vivissecções e dissecções de cadáveres huma-
nos, ele apresentou descrições excelentes do crânio, olho, vários A maior parte do que se conhece, atualmente, sobre a es-
órgãos viscerais, relação dos órgãos e as relações funcionais da me- cola médica da Alexandria baseia-se nas escritas do enciclope-
dula espinal com o cérebro. Duas obras monumentais de Herófilo dista romano Cornelius Celsus (30 a.C.-30 d.C.). Ele compilou
são chamadas: Sobre a anatomia e Dos Olhos. Ele considerava o cére- estas informações em um trabalho de oito volumes chamado De
bro como a sede da inteligência e descreveu muitas de suas estrutu- re medicina. Contudo, Celsus teve influência apenas limitada em
ras, como as meninges, o encéfalo, o cerebelo e o quarto ventrículo, seu próprio tempo, provavelmente por causa do uso do latim em
e foi também o primeiro a distinguir nervos sensitivos e motores. lugar do grego. O enorme valor de sua contribuição não foi reco-
nhecido até o Renascimento.
Erasistrato
Erasistrato (aproximadamente 300 a.C.) interessava-se Galeno
mais pelas funções do corpo do que pela estrutura e freqüente- Claudius Galeno (130-201 d.C.) foi talvez o melhor médico
mente é chamado o pai da fisiologia. Em um livro sobre as causas desde Hipócrates. Um grego que viveu sob a dominação romana,
das doenças, ele incluiu observações sobre o coração, os vasos, o foi certamente o escritor mais influente de todos os tempos em as-
encéfalo e os nervos cranianos. Erasistrato observou os efeitos tó- suntos médicos. Durante quase 1500 anos, as escritas de Galeno
xicos do veneno de serpente em vários órgãos viscerais e descre- representaram a maior autoridade na anatomia e no tratamento
veu alterações no fígado resultantes de várias doenças. Embora médico. Galeno, provavelmente, não dissecou mais do que dois
algumas de suas escritas fossem cientificamente precisas, ele tam- ou três cadáveres humanos durante a sua carreira, o que forçosa-
bém teve noções primitivas e místicas. Por exemplo, pensou que mente limitou suas descrições anatômicas em dissecções de ani-

visceral: L. viscus, órgão interno pneuma: G. pneuma, ar


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CAPÍTULO 1

12 Unidade 1 Perspectiva Histórica

Idade Média
A Idade Média, freqüentemente chamada de Idade do Obs-
curantismo, começara com a queda de Roma para os godos em
476 d.C. e durou quase 1.000 anos até Constantinopla ser con-
quistada pelos turcos em 1453. A Igreja Cristã totalitária supri-
miu a ciência e estagnou as atividades médicas. A existência
humana continuou sendo miseravelmente precária, e as pessoas
já não se sentiam capazes de aprender a partir de observações pes-
soais. Bastava aceitarem a vida “na fé”.
A dissecção de cadáveres foi totalmente proibida durante
este período, e a violação de cadáver era considerada um ato cri-
minoso freqüentemente punido com a condenação à fogueira
amarrado a uma estaca. Se ocorressem mortes misteriosas, os exa-
mes por inspeção e palpação eram aceitos. Durante a peste epidê-
mica no século XVI, porém, foram realizadas algumas necrópsias
e dissecções na esperança de determinar a causa desta temível
doença (veja fig. 1.4).
Durante as Cruzadas, os soldados cozinhavam os ossos dos
seus companheiros mortos de modo que eles pudessem re-
tornar para suas casas para um enterro formal. Porém, até mesmo
FIGURA 1.10 Estes instrumentos cirúrgicos e ginecológicos este ato foi considerado um sacrilégio e rigorosamente condenado
foram encontrados na Casa do Cirurgião (cerca de 67-79 d.C.) em pela Igreja. Um contra-senso da Idade Média já que os camponeses
Pompéia. São representativos dos equipamentos médicos usados eram menos respeitados e tinham menos direitos enquanto estavam
no Império Romano naquela época. vivos do que quando estavam mortos.

mais e não de seres humanos. Ele compilou quase 500 documentos Contribuição do Islame
médicos (dos quais 83 foram preservados) desde obras antigas de
outros autores como também de seus próprios estudos pessoais, e Os povos de língua árabe deram profundas contribuições à
perpetuou o conceito dos humores do corpo e deu explicações história da anatomia de um modo mais incomum. Foi o mundo
abalizadas em quase todas as funções do corpo. islâmico que salvou grande parte da cultura ocidental das ruínas
As obras de Galeno contêm muitos erros, principalmente do Império Romano, da opressão da Igreja Cristã e das
por causa de sua vontade em querer tirar conclusões definitivas perseguições da Idade Média. Com a expansão do Islame pelo
relativas às funções do corpo humano baseando-se em dados obti- Oriente Médio e Norte da África durante o século VIII, foram le-
dos em sua maior parte de animais como macacos, porcos e ca- vados de volta os manuscritos sobreviventes de Alexandria para
chorros. Ele demonstrou, porém, alguns detalhes anatômicos os países árabes onde foram traduzidos do grego para o árabe.
interessantes e precisos que ainda são considerados estudos clássi- Quando a Idade do Obscurantismo dominava a Europa, a
cos. Provou ser um experimentalista, demonstrando que o cora- Igreja Cristã procurou abafar qualquer manifestação cultural ou
ção de um porco continuava batendo quando os nervos espinais conhecimento mundano que não fossem admitidos pelos dogmas
eram seccionados de forma que os impulsos nervosos poderiam cristãos. O estudo do corpo humano foi considerado herético, e a
não alcançar o coração; e mostrou que os guinchos de um porco Igreja proibiu as escritas sobre anatomia. Sem a preservação islâ-
cessavam quando o nervo laríngeo recorrente que inerva as cor- mica das escritas de Aristóteles, Hipócrates, Galeno e outros, o
das vocais era cortado. Galeno também amarrou o ureter em uma progresso de séculos em anatomia e em medicina estaria perdido.
ovelha provando que a urina era produzida no rim, não na bexiga Somente no século XIII as traduções arábicas retornaram à Eu-
urinária como se afirmava erradamente. Além disso, constatou ropa e, por sua vez, foram traduzidas para o latim. Durante o pro-
que as artérias continham sangue em lugar de ar. cesso de tradução, qualquer terminologia árabe que tinha sido
Galeno compilou uma lista de muitas plantas medicinais e introduzida foi retirada sistematicamente, de forma que hoje nós
medicamentos usados extensivamente para tratar enfermidades. achamos poucos termos anatômicos de origem árabe.
Embora freqüentemente usasse sangria no esforço para equilibrar
os quatro humores, ele recomendava cautela contra a retirada de
muito sangue. Acumulou uma grande variedade de instrumentos
médicos como fórceps, afastadores, tesouras e talas (fig. 1.10) e
sugeriu os seus usos. Era também forte defensor de auxiliar a saúde epidêmico: G. epi, sobre; demos, povo
natural com boa higiene, dieta adequada, repouso e exercícios. necrópsia: G. nekros, cadáver; opsy, vista
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CAPÍTULO 1
Capítulo 1 História da Anatomia 13

Renascimento
O período conhecido como Renascimento foi caracterizado
pelo renascimento da ciência. Estendeu-se aproximadamente do
século XIV ao XVI e foi um período de transição entre a Idade
Média e a idade moderna da ciência.
O Renascimento foi introduzido nas grandes universidades eu-
ropéias estabelecidas em Bolonha, Salermo, Pádua, Montpellier e
Paris. A primeira dissecção humana registrada nestes centros de
aprendizado recém-estabelecidos foi obra do cirurgião William de Sa-
liceto (1215-1280) da Universidade de Bolonha. O estudo da anato-
mia difundiu-se rapidamente para as outras universidades, e pelo ano
1300, as dissecções humanas tinham se tornado uma parte integrante
do currículo médico. Porém, o dogma Galênico de que a anatomia
humana normal era suficientemente conhecida persistia e, assim, o
interesse nesse tempo centralizava-se em métodos e técnicas de dis-
secção em lugar de avançar no conhecimento do corpo humano.
O desenvolvimento da imprensa com os tipos removíveis em
torno de 1450 revolucionou a produção de livros. Celsus cujo De re
medicina foi “redescoberto” durante o Renascimento, foi o primeiro
autor médico a ser publicado desta maneira. Entre os primeiros livros
de anatomia a serem impressos em tipos removíveis estava o de Ja-
copo Berengario de Carpi, professor de cirurgia em Bolonha. Ele des-
creveu muitas estruturas anatômicas, inclusive o apêndice, o timo e
a laringe. O texto mais influente do período foi escrito por Mondino FIGURA 1.11 Cena da dissecção de um cadáver, 1500, de Fasci-
culus Medicinae por Johannes de Ketham. O professor de anatomia
de’ Luzzi, também da Universidade de Bolonha, em 1316. Publicado retirava-se das proximidades do local para uma cátedra de onde su-
inicialmente em 1487, era mais um guia de dissecção do que um es- pervisionava os procedimentos. As dissecções eram executadas por
tudo de anatomia macroscópica e, apesar de seus numerosos erros ga- assistentes contratados. Um deles, o demonstrador, aponta as estru-
lênicos, foi publicado em 40 edições, até o tempo de Vesalius. turas internas com uma vareta enquanto o professor faz a exposição.

Por causa da rápida putrefação de um cadáver não embal-


samado, os livros de anatomia do início do Renascimento
eram organizados de modo que as porções mais perecíveis do Leonardo
corpo fossem descritas inicialmente. As dissecções começavam
pela cavidade abdominal, a seguir o tórax, seguido pela cabeça e fi- O grande renascentista italiano Leonardo da Vinci (1452-
nalmente os membros. Uma dissecção era uma verdadeira maratona 1519) é mais conhecido pelas suas obras artísticas (p.ex., Mona
que freqüentemente se prolongava durante 4 dias. Lisa) e suas contribuições científicas. Ele demonstrou a sua genia-
Com o aumento pelo interesse na anatomia durante o Re- lidade como pintor, escultor, arquiteto, músico e anatomista –
nascimento, a obtenção de cadáveres para dissecção se tornou um embora os seus desenhos anatômicos não tivessem sido publica-
problema sério. Estudantes médicos praticavam regularmente a dos até o fim do século XIX. Quando jovem, Leonardo partici-
violação de sepulturas para roubá-los até que finalmente um de- pava regularmente de dissecções de cadáveres e pretendia
creto oficial foi emitido permitindo usar os corpos de criminosos publicar um texto de anatomia com o professor de Pavia Marcan-
executados como espécimes. tonio della Torre. A morte prematura de della Torre na idade de
31 anos suspendeu os seus planos. Quando Leonardo morreu, suas
Os cadáveres eram embalsamados para prevenir a deterio- notas e esboços se perderam e não foram descobertos por mais de
ração, mas o processo ainda não era especialmente efi- 200 anos. O progresso da anatomia teria sido antecipado por
ciente, e o cheiro de cadáveres em decomposição constituía,
aparentemente, um problema persistente. Os professores de anato- muitos anos se os cadernos de Leonardo estivessem acessíveis
mia proferiam suas aulas de cátedras um pouco distantes do local para o mundo na época de sua morte.
do corpo (fig. 1.11). A frase “Eu não devo tocá-lo com uma vara de As ilustrações de Leonardo ajudaram a criar um novo clima
10 pés” provavelmente originou-se durante esse tempo em referên-
de atenção visual para a estrutura do corpo humano. Ele preocu-
cia ao cheiro de um cadáver em decomposição.
pava-se com a precisão, e os seus esboços são inacreditavelmente
Os principais avanços em anatomia ocorridos durante o re- detalhados (fig. 1.12). Ele determinou, experimentalmente, a es-
nascimento foram, em grande parte, decorrentes das habilidades trutura de órgãos complexos do corpo como o cérebro e o cora-
artística e científica de Leonardo da Vinci e Andreas Vesalius. ção, fez moldes em cera dos ventrículos do cérebro para estudar
Trabalhando nos séculos XV e XVI, cada um deles produziu estu- sua estrutura, e construiu modelos das válvulas do coração para
dos monumentais da forma humana. demonstrar suas ações.
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CAPÍTULO 1

14 Unidade 1 Perspectiva Histórica

FIGURA 1.13 Uma pintura do grande anatomista Andreas Vesalius,


enquanto ele disseca um cadáver. De sua obra-prima De Humani
Corporis Fabrica.

FIGURA 1.12 Só um artista mestre poderia alcançar o detalhe e


a precisão dos esboços anatômicos de Leonardo da Vinci. “O pintor
que adquiriu conhecimentos da natureza dos nervos, músculos e
tendões”, escreveu Leonardo, “deve saber exatamente, no movi-
mento de um membro, quantos e quais os tendões que o causam, e
qual músculo, pelo seu inchaço, é a causa da contração do tendão”.

Vesalius
A contribuição de Andreas Vesalius (1514-1564) para a ciên-
cia da anatomia humana e para medicina moderna é imensurável.
Vesalius nasceu em uma família de médicos de Bruxelas. Ele recebeu
seu aprendizado médico inicial na Universidade de Paris e comple-
tou os seus estudos na Universidade de Pádua, na Itália, onde come-
çou a lecionar cirurgia e anatomia imediatamente após sua
graduação. Em Pádua, Vesalius participou de dissecções humanas e
iniciou o uso de modelos vivos para determinar os pontos de reparo
em anatomia de superfície para estruturas internas (fig. 1.13).
Vesalius aparentemente tinha enorme disposição e ambi-
ção. Aos 28 anos de idade, já tinha completado sua obra-prima,
De Humani Corporis Fabrica, na qual os vários sistemas do corpo e
órgãos isolados são belissimamente ilustrados e descritos (fig.
1.14). Seu livro foi especialmente importante porque desafiou co-
rajosamente os ensinamentos seculares de Galeno. Vesalius ma-
nifestou sua surpresa ao encontrar numerosos erros anatômicos
nas obras de Galeno e que eram ensinados como fatos, e recusou- FIGURA 1.14 Uma estampa de De Humani Corporis Fabrica que
se a aceitar as explicações de Galeno pela fé. Como ele era tão Vesalius completou com a idade de 28 anos. Este livro, publicado
declaradamente contrário a Galeno, despertou a raiva em muitos em 1543, revolucionou a ciência da anatomia.
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CAPÍTULO 1
Capítulo 1 História da Anatomia 15

FIGURA 1.15 A Lição de Anatomia do Dr. Tulp, um famoso quadro de Rembrandt completado em 1632, descreve uma das demonstrações
públicas de anatomia que eram populares durante este período. O Dr. Nicholas Tulp era um anatomista holandês famoso que descreveu o de-
feito congênito na coluna vertebral conhecido como espinha bífida aberta.

anatomistas tradicionalistas, inclusive de seu professor Sylvius Felizmente, também existiam anatomistas sérios, cientistas
(Jacques Dubois) de Paris. Sylvius até mesmo foi mais além notáveis que fizeram significantes contribuições durante este pe-
dando-lhe o apelido de Vesanus (o louco). Vesalius ficou tão ner- ríodo. Duas das contribuições mais importantes foram a explicação
voso pelos ataques implacáveis que destruiu muitas de suas obras da circulação sangüínea e o desenvolvimento do microscópio.
inéditas e parou de dissecar.
Embora Vesalius fosse o maior anatomista de sua época, ou-
Harvey
tras contribuições significantes foram feitas consolidando o Em 1628, o médico inglês William Harvey (1578-1657) pu-
caminho aberto por Vesalius. Michelangelo estudou anatomia em blicou sua obra pioneira Sobre o Movimento do Coração e do Sangue
1495 tendo recebido cadáveres de frades de um mosteiro local.
Mondino de’ Luzzi e o cirurgião Jacopo Berengario de Carpi também
nos Animais. Não apenas fez esta pesquisa brilhante provando a
corrigiram muitos dos erros de Galeno. Fallopius (1523-1562) e Eus- circulação contínua do sangue contido no interior dos vasos,
tachius (1524-1574) completaram dissecções detalhadas de regiões como também demonstrou um exemplo clássico do método cien-
do corpo humano. tífico de investigação (fig. 1.16). Como Vesalius, Harvey foi criti-
cado severamente por sua ruptura com a filosofia Galênica. A
controvérsia sobre a circulação do sangue perdurou durante 20
Séculos XVII e XVIII anos, até que outros anatomistas finalmente repetissem as expe-
Durante os séculos XVII e XVIII, a anatomia atingiu uma riências de Harvey e concordassem com sua descoberta.
aceitação inigualável. Em alguns aspectos, assumiu também uma
qualidade um pouco teatral. Anfiteatros primorosos eram cons- Leeuwenhoek
truídos em várias partes de Europa para demonstrações públicas Antoni van Leeuwenhoek (1632-1723) era um óptico ho-
de dissecções humanas (fig. 1.15). Ingressos de admissão eram landês e polidor de lentes que aperfeiçoou o microscópio alcan-
vendidos a preços exorbitantes, e as dissecções eram executadas çando uma ampliação de 270 vezes. Suas muitas contribuições
por anatomistas elegantemente vestidos e que também eram es- incluíram o desenvolvimento de técnicas para examinar tecidos e
plêndidos oradores. Os cadáveres eram, em geral, de prisioneiros descrição de células sangüíneas, músculo esquelético e a lente do
executados e as exibições eram marcadas durante o tempo frio olho. Embora fosse o primeiro a descrever os espermatozóides
por causa da natureza perecível dos cadáveres. com precisão, Leeuwenhoek não entendeu o papel deles na ferti-
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CAPÍTULO 1

16 Unidade 1 Perspectiva Histórica

tômago e os intestinos, e sugeriu que os impulsos nervosos causa-


vam o esvaziamento da vesícula biliar. Thomas Wharton (1614-
1673) e Niels Stensen (1638-1686) separadamente contribuíram
para o conhecimento das glândulas salivares e linfonodos no in-
terior do pescoço e nas regiões faciais. Em 1664, Thomas Willis
publicou um resumo do que era até então conhecido sobre o sis-
tema nervoso.
Várias estruturas anatômicas ao longo do corpo receberam
denominações em honra dos primeiros anatomistas. Assim
nós temos folículos de Graaf, os ductos de Stensen e de Wharton, a
tuba de Falópio, as glândulas de Bartholin, o polígono de Willis e mui-
tos outros. Como esses termos não têm nenhum fundamento descri-
tivo, eles não são particularmente úteis ao estudante de anatomia.

Século XIX
A principal contribuição científica do século XIX foi a for-
mulação da teoria celular. Pode-se até discutir que esta teoria
teria sido a descoberta mais importante na história da biologia e
da medicina porque todas as funções do corpo foram finalmente
interpretadas como resultado da função celular.
O termo célula foi introduzido em 1665 por um médico in-
FIGURA 1.16 No início do século XVII, o médico inglês William glês, Robert Hooke, quando examinava a estrutura da cortiça em
Harvey demonstrou que o sangue circula e não flui de um lado para seu microscópio na tentativa de explicar sua flutuabilidade. O
outro através dos mesmos vasos. que Hooke realmente observou foram as paredes rígidas que cir-
cundavam as cavidades vazias das células mortas. O significado
da estrutura celular não se tornou evidente até aproximadamente
lização. De certo modo, ele pensou que um espermatozóide conti- 150 anos depois do trabalho de Hooke.
vesse um ser humano em miniatura e o chamou de homúnculo. Com microscópios aperfeiçoados, pode-se observar melhor
O desenvolvimento do microscópio acrescentou uma di- os detalhes. Em 1809, o zoologista francês Jean Lamarck observou
mensão inteiramente nova para a anatomia e conseqüentemente uma substância semelhante a geléia no interior de uma célula viva
conduziu às explicações das funções básicas do corpo. Além disso, e supôs que este material seria mais importante do que a estrutura
o microscópio aperfeiçoado foi de inestimável valor para enten- externa à célula. Quinze anos depois, René H. Dutrochet descre-
der a etiologia de muitas doenças, e assim descobrir as curas para veu as diferenças entre células de plantas e células de animais.
muitas delas. Embora Leeuwenhoek aperfeiçoasse o microscópio, O princípio biológico da teoria celular foi creditado a dois
o crédito para sua invenção geralmente é atribuído ao fabricante cientistas alemães, Matthias Schleiden e Theodor Schwann.
de óculos holandês Zacharius Janssen. A primeira investigação Schleiden, um botânico, sugeriu em 1838 que cada célula de
científica usando um microscópio foi executada por Francisco planta leva uma vida dupla – quer dizer, em alguns aspectos se
Stelluti em 1625 sobre a estrutura de uma abelha. comporta como um organismo independente, mas ao mesmo
tempo coopera com as outras células que formam a planta inteira.
Malpighi e Outros Um ano depois, Schwann, um zoologista, concluiu que todos os
Marcello Malpighi (1628-1694), um anatomista italiano, por organismos estão compostos de células que são semelhantes na es-
vezes chamado o pai da histologia, descobriu os vasos capilares san- sência. Dezenove anos depois, a adição de outro princípio bioló-
güíneos que Harvey tinha postulado e descreveu os alvéolos pul- gico parecia completar a constituição das células. Em 1858, o
monares dos pulmões e as estruturas histológicas do baço e dos rins. patologista alemão Rudolf Virchow escrevia um livro intitulado
Muitos outros indivíduos fizeram contribuições significan- Patologia Celular no qual ele propunha que as células só poderiam
tes à anatomia durante este período de 200 anos. Em 1672, o surgir de células preexistentes. O mecanismo da replicação celular,
anatomista holandês Regnier de Graaf descreveu os ovários do contudo, continuou incompreendido por mais algumas décadas.
sistema genital feminino; e, em 1775, Lazzaro Spallanzani mos- Johannes Müller (1801-1858), um especialista em anatomia
trou que o óvulo e os espermatozóides eram necessários para a comparada, ficou conhecido por aplicar ciências da física, da quí-
concepção. Francis Glisson (1597-1677) descreveu o fígado, o es- mica e da psicologia para estudar o corpo humano. Quando ele co-
meçou sua carreira de mestre, a ciência ainda estava pouco
desenvolvida e lhe permitia coordenar várias disciplinas ao mesmo
tempo. Na época de sua morte, porém, o conhecimento havia se
desenvolvido tão dramaticamente que vários professores foram ne-
homúnculo: L. homunculus, forma diminutiva de homo, homem cessários para preencher as posições que ele dominava sozinho.
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CAPÍTULO 1
Capítulo 1 História da Anatomia 17

(a) (b) (c)

FIGURA 1.17 As diferentes técnicas para se ver anatomia microscópica aumentaram nossa compreensão sobre a estrutura e a função do
corpo humano. (a) A aparência de um cabelo sob um vidro com aumento simples, (b) observação de uma seção do cabelo com coloração em
um microscópio de luz, e (c) um cabelo emergindo da pele como visto através de um microscópio eletrônico (340x tamanho 35 mm).

tuba uterina (de Falópio). A terminologia usada neste texto está


Século XX de acordo com a nomenclatura anatômica oficial apresentada na
As contribuições para a ciência anatômica durante o século publicação de referência, Nomina Anatomica, sexta edição.
XX não foram tão surpreendentes quanto o eram na época em Em resposta ao avanço da tecnologia e da profundidade do
que pouco se conhecia sobre a estrutura do corpo. O estudo da conhecimento no século XX, novas disciplinas e novas especiali-
anatomia se desenvolve cada vez mais através das especializações, dades surgiram na ciência da anatomia humana na tentativa de
e a pesquisa se tornou mais detalhada e mais complexa. classificar e usar o conhecimento novo. As técnicas de tais disci-
Uma inovação que ganhou impulso no início do século XX plinas afins como química, física, eletrônica, matemática e infor-
foi a simplificação e padronização da nomenclatura. Por causa da mática foram incorporadas na produção de pesquisas.
proliferação da literatura científica no final do século XIX, mais Há várias divisões bem definidas de anatomia humana. A
de trinta mil termos para estruturas do corpo humano estavam re- mais antiga, claro, é a anatomia macroscópica, que é o estudo das
gistrados, muitos dos quais eram redundantes. Em 1895, em uma estruturas do corpo que podem ser observadas a olho nu. Cursos
tentativa para reduzir a confusão, a Sociedade Anatômica Alemã competentes de anatomia macroscópica em escolas profissionais
compilou uma lista de aproximadamente 500 termos chamada de propiciam os fundamentos para a formação integral de um estu-
Basle Nomina Anatomica (BNA). Os termos desta lista foram apro- dante dos cursos médico ou paramédico. A anatomia macroscó-
vados universalmente para uso nas salas de aula e nas publicações. pica também forma a base para as outras especialidades dentro da
Outras conferências sobre nomenclatura foram realizadas ao anatomia. Anatomia de superfície (veja capítulo 10) identifica
longo do século, nos Congressos Internacionais de Anatomia. No Sé- superficialmente através de pontos de reparo do corpo as estrutu-
timo Congresso Internacional na Cidade de Nova York em 1960, ras que podem ser observadas sob a pele ou podem ser palpadas
tomou-se a resolução de eliminar todos os epônimos (estruturas (examinando com os dedos da mão).
com nomes de cientistas) da terminologia anatômica e substitui-
los por nomes descritivos. Estruturas como o ducto de Stensen e o
ducto de Wharton, por exemplo, são agora corretamente chama- Anatomia Microscópica
dos de ducto parotídeo e ducto submandibular, respectivamente. Estruturas menores que 0,1 mm (100 µm) só podem ser vis-
Como os epônimos estão tão enraizados, porém, será extrema- tas com a ajuda de um microscópio. As ciências da citologia (es-
mente difícil eliminar todos eles da terminologia anatômica. Mas tudo das células), ou biologia celular e histologia (o estudo dos
pelo menos, há uma tendência para a simplificação descritiva. tecidos) são especialidades da anatomia que propiciam conheci-
Neste texto, os termos descritivos são usados preferencial- mentos adicionais em estrutura e função do corpo humano. Pode-
mente na narrativa do texto e nas ilustrações que a acompanham. se observar maiores detalhes com o microscópio eletrônico do que
Quando o termo aparece pela primeira vez na narrativa, porém, a com o microscópio de luz (fig. 1.17). Técnicas novas de coloração e
forma preferida é seguida por uma referência (entre parênteses) ao de histoquímica ajudaram a microscopia eletrônica revelando de-
nome tradicional que homenageia um indivíduo – por exemplo, talhes finos de células e tecidos que compõem sua ultra-estrutura.
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CAPÍTULO 1

18 Unidade 1 Perspectiva Histórica

(a) (b) (c)


FIGURA 1.18 A versatilidade da radiologia fez desta técnica um dos instrumentos mais importantes em medicina diagnóstica e forneceu um
modo sem igual de observar estruturas anatômicas específicas dentro do corpo. (a) Uma radiografia de uma fratura em fase de consolidação,
(b) uma radiografia de cálculos dentro da vesícula biliar, e (c) uma radiografia de estômago cheio de meio de contraste radiopaco.

avaliar a extensão de uma doença como câncer, ou determinar a


Anatomia Radiográfica
extensão de um trauma nos tecidos depois de um acidente vascu-
Anatomia radiográfica, ou radiológica, propicia um modo de lar ou ataque do coração.
observar as estruturas do interior do corpo no vivo. A radiologia Imagem por ressonância magnética (IRM), também cha-
está baseada no princípio de que substâncias de densidades dife- mada de ressonância nuclear magnética (RNM), fornece uma
rentes absorvem quantidades diferentes de raios X, resultando em nova técnica para diagnosticar doenças e acompanhar a resposta
uma exposição diferencial no filme. Substâncias radiopacas como de uma doença a um tratamento medicamentoso (fig. 1.19c).
bário podem ser ingeridas (deglutidas) ou injetadas no corpo para Uma imagem de IRM é criada rapidamente quando os átomos de
produzir contrastes maiores (fig. 1.18). A angiografia consiste em hidrogênio dos tecidos, submetidos a um forte campo magnético,
fazer uma radiografia depois de injetar um contraste na circulação respondem a uma vibração de ondas de rádio. A IRM tem a van-
sangüínea. Na angiocardiografia o coração e os vasos da base são tagem de não ser invasiva – quer dizer, nenhuma substância quí-
radiografados. A cinerradiografia permite o estudo de certos siste- mica é introduzida no corpo, e é melhor que um TC escâner por
mas do corpo através do uso de películas radiográficas em movi- distinguir os tecidos moles, tais como substâncias cinzenta e
mento. As radiografias tradicionais tinham limitações como branca do sistema nervoso.
instrumento diagnóstico para descrever a anatomia humana por Uma tomografia de emissão de pósitron (TEP) escâner é
causa dos planos bidimensionais com que são fotografadas. Como uma técnica radiológica usada para observar a atividade metabó-
as radiografias comprimem a imagem do corpo com sobreposição lica em órgãos (fig. 1.19d) em seqüência à injeção de uma subs-
de órgãos e tecidos, o diagnóstico freqüentemente torna-se difícil. tância radioativa, como glicose tratada, na circulação sangüínea.
Os raios X foram descobertos em 1895 por Wilhelm Konrad TEP escâner é muito útil para revelar a extensão de tecido car-
Roentgen. A imagem radiográfica que é produzida em filme díaco lesado e identificar as áreas onde o fluxo de sangue para o
freqüentemente é chamada de roentgenografia. O recente desenvol- cérebro está bloqueado.
vimento da técnica de tomografia axial computadorizada é conside-
A anatomia humana sempre será uma ciência relevante.
rada como o maior avanço em medicina diagnóstica desde a
descoberta dos raios X. Não apenas aprimora nossa compreensão pessoal do funciona-
mento do corpo mas é também essencial no diagnóstico clínico e
A técnica da tomografia computadorizada axial (TC, ou no tratamento das doenças. A anatomia humana já não está mais
TCA, escâner) tem aumentado bastante a versatilidade dos raios limitada à observação e descrição de estruturas isoladamente, mas
X. Utiliza um computador para expor uma imagem em corte se- se expandiu para incluir as complexidades de como o corpo fun-
melhante ao que se poderia obter apenas mediante um verda- ciona como um todo integrado. A ciência da anatomia é dinâ-
deiro corte através do corpo (fig. 1.19a). mica e continuará viva porque os dois aspectos do corpo –
Outra técnica de anatomia radiográfica é a reconstrução es- estrutura e função – são inseparáveis.
pacial dinâmica (RED) escâner (fig. 1.19b). A RED funciona
como uma faca eletrônica que corta um órgão, como o coração, Um dos aspectos importantes da anatomia humana e da me-
dicina é a autópsia – um exame completo após a morte de
em fatias para fornecer imagens tridimensionais. A RED pode ser todos os órgãos e tecidos de um corpo. Autópsias eram executadas
usada para observar movimentos dos órgãos, descobrir defeitos, rotineiramente na primeira metade do século XX, mas a sua fre-
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CAPÍTULO 1
Capítulo 1 História da Anatomia 19

(a) (b)

(c) (d)
FIGURA 1.19 Técnicas diferentes de anatomia radiográfica fornecem vistas sem igual do corpo humano. (a) TC escâner da cabeça, (b) RED
escâner pelo tronco (dorso), (c) imagem de IRM da cabeça e (d) TEP escâner da cabeça.

qüência diminuiu significativamente nas últimas três décadas. por causa do declínio no número de autópsias, pode haver mais de
Atualmente, só 15% dos cadáveres são autopsiados nos Estados um milhão de certificados de óbitos arquivados nos Estados Unidos
Unidos, o que está abaixo dos 50% de 30 anos atrás. Autópsias são a cada ano com diagnóstico errado. Isso tem implicações impor-
de valor porque (1) elas freqüentemente determinam a causa da tantes para a justiça criminal e para a genética médica, como tam-
morte, que pode confirmar ou não as suposições preliminares à bém para indústria de seguros.
morte; (2) elas freqüentemente revelam doenças ou defeitos estru-
turais que não foram detectados em vida; (3) elas conferem a efi- Um objetivo deste texto é habilitar os estudantes a se ins-
ciência de uma droga em particular ou o sucesso de uma truírem e se familiarizarem com a anatomia. Um modo excelente
determinada cirurgia; e (4) elas servem como meios de treinamento para se manter atualizado com anatomia durante e depois de
para os estudantes de medicina.
Um trabalho interessante de informação referente ao valor da completar o curso formal é assinar e ler revistas como Science,
autópsia na confirmação da causa da morte foi revelado em um es- Scientific American, Discover e Science Digest. Essas publicações e
tudo de 2.557 autópsias realizadas em um período de 30 anos para outras incluem artigos sobre contribuições científicas recentes,
determinar a precisão do diagnóstico médico nas mortes (veja Au- muitas das quais pertencentes à anatomia. Se você pretende ser
topsy, S. A. Geller, Scientific American, março de 1983). Neste es-
tudo, as causas de morte tinham sido impropriamente ou um colaborador instruído para a sociedade, é essencial permane-
incorretamente registradas em 42% dos casos. Isso significa que, cer informado.
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CAPÍTULO 1

20 Unidade 1 Perspectiva Histórica

Avaliação de Conhecimentos Resposta do Estudo de Caso Clínico


7. Comente resumidamente o impacto de cada um dos seguin- Neste caso, o doutor fez o diagnóstico certo e providenciou uma
tes fatos na ciência da anatomia humana: a teoria humoral terapia que ajudou a paciente. Contudo, ele cometeu um erro de conhe-
de organização do corpo, as vivissecções, a Idade Média, as cimento de anatomia e fisiologia humana e da doença. A aplicação de
dissecções humanas, a imprensa com tipos removíveis, a in- métodos científicos corrigiu falsos conceitos clássicos de doenças, tal
venção do microscópio, a teoria celular e o desenvolvi- como a teoria humoral.
mento das técnicas de raios X.
8. Explique por que o conhecimento da anatomia é pessoal-
mente importante.
9. Por que é importante ficar atualizado sobre os novos desen-
volvimentos em anatomia humana? Como isso pode ser
realizado?

Resumo do Capítulo
Definição da Ciência (p. 2) (a) Hipócrates é considerado o pai da 8. Durante o Renascimento, muitas grandes
1. Anatomia humana é a ciência que estuda medicina por causa dos princípios universidades se estabeleceram na Europa.
a estrutura do corpo humano. éticos na prática médica que ele (a) Andreas Vesalius e Leonardo da Vinci
2. Os termos anatômicos são descritivos e estabeleceu. foram renomados homens do
geralmente são de origem grega ou latina. (b) A filosofia grega dos humores do Renascimento que produziram
3. A história da anatomia humana é corpo dominou a prática médica monumentais estudos da forma
semelhante à da medicina e também foi durante dois mil anos. humana.
bastante influenciada pelas várias religiões. (c) Aristóteles procurou um tipo limitado (b) De Humanis Corporis Fabrica, escrita
de método científico obtendo dados; por Vesalius, teve um tremendo
Período Pré-científico (pp. 2-4) suas escritas contêm alguma base impacto no avanço da anatomia
1. O interesse pré-histórico pela anatomia foi anatômica. humana.
indubitavelmente limitado às informações 6. Alexandria foi um centro de aprendizagem 9. Duas contribuições científicas principais
práticas necessárias à sobrevivência. científico de 300 a 30 a.C. dos séculos XVII e XVIII foram a
2. A trepanação foi uma técnica cirúrgica (a) Foram executadas dissecções explicação da circulação sangüínea e o
praticada por várias culturas. humanas e vivissecções em desenvolvimento do microscópio.
3. Paleopatologia é a ciência que trata do Alexandria. (a) em 1628, William Harvey descreveu
estudo das doenças de pessoas pré-históricas. (b) Erasistrato é chamado o pai da fisiologia corretamente a circulação sangüínea.
por causa de suas interpretações sobre (b) logo após o microscópio ter sido
Período Científico (pp. 4-19) várias funções do corpo. aperfeiçoado por Antoni van
1. Algumas descrições anatômicas foram 7. Dados teóricos foram desestimulados Leeuwenhoek, muitos investigadores
inscritas em blocos de argila em escrita durante o período romano. acrescentaram novas descobertas que
cuneiforme por pessoas que viveram na (a) A obra de oito volumes de Celsus era produziram rápidas transformações na
Mesopotâmia aproximadamente 4000 a.C. uma compilação de dados médicos da especialidade da anatomia
2. Os egípcios de cerca de 3400 a.C. escola de Alexandria. microscópica.
desenvolveram uma técnica de (b) Galeno foi um escritor médico 10. A teoria celular formulada durante o
embalsamamento. As técnicas não eram influente que fez alguns avanços século XIX por Matthias Schleiden e
registradas e portanto não favoreceram o importantes em anatomia; ao mesmo Theodor Schwann, e a biologia celular
estudo da anatomia. tempo introduziu erros sérios na estabeleceram-se como uma ciência
3. A crença de um equilíbrio entre yin e yang literatura que se tornaram separada da Anatomia.
era uma influência compelida pela indiscutíveis durante séculos. 11. Uma tendência para simplificação e
filosofia chinesa e propiciava a razão para (c) A ciência foi reprimida por quase padronização da nomenclatura anatômica
a prática da acupuntura. 1.000 anos durante a Idade Média, e começou no século XX. Além disso,
4. O avanço da anatomia no Japão foi devido foram proibidas dissecções de muitas especialidades se desenvolveram
em grande parte à influência de chineses e cadáveres humanos. dentro da anatomia, inclusive citologia,
holandeses. (d) Os exércitos árabes levaram as escritas histologia, embriologia, microscopia
5. Anatomia encontrou grande aceitação anatômicas de Alexandria e, assim, eletrônica e radiologia.
como uma ciência, inicialmente, na foram poupados de destruição durante
Grécia antiga. a Idade do Obscurantismo na Europa.
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CAPÍTULO 1
Capítulo 1 História da Anatomia 21

Atividades de Revisão
Questões Objetivas 10. Os raios X foram descobertos em fins do 13. Dê alguns exemplos de quais culturas e re-
1. Anatomia é palavra de origem grega que século XIX por ligiões influenciaram a ciência da anato-
significa (a) Roentgen (c) Schleiden mia.
(a) cortar em partes (c) parte funcionante (b) Hooke (d) Müller 14. Faça uma relação de algumas técnicas
(b) para análise (d) observar a morte atuais usadas para estudar anatomia e
2. A contribuição mais importante de Questões Dissertativas identifique as especialidades entre as quais
William Harvey foi sua pesquisa sobre 1. Defina os termos anatomizar, trepanação, estas técnicas são usadas.
(a) a circulação contínua do sangue paleopatologia, vivissecção e cadáver.
(b) a estrutura microscópica do esperma- 2. Comente a natureza prática da anatomia Questões de Análise Crítica
tozóide para os povos pré-históricos. 1. Comente alguns dos fatores que con-
(c) a estrutura detalhada do sangue 3. Por que as técnicas de embalsamamento tribuíram para o declínio do conheci-
(d) a estrutura estriada do músculo es- de cadáveres, que eram tão avançadas no mento científico durante a Idade Média.
quelético antigo Egito, não foram compartilhadas Como você responderia pelo ressurgi-
3. Qual das relações seguintes está na ordem com outras culturas ou registradas para as mento do interesse na ciência da anato-
cronológica correta? gerações futuras? mia durante o Renascimento?
(a) Galeno, Hipócrates, Harvey, 4. O que é acupuntura? Quais são alguns de 2. Homeostasia é um termo fisiológico que
Vesalius, Aristóteles seus usos hoje? foi introduzido pelo fisiologista americano
(b) Hipócrates, Galeno, Vesalius, 5. Por que o latim é o idioma ideal do qual Walter Cannon em 1932. Ele se refere à
Aristóteles, Harvey derivaram os termos anatômicos? Como se capacidade de um organismo manter a es-
(c) Hipócrates, Aristóteles, Galeno, considera atualmente a tendência de usar tabilidade de seu meio interno ajustando
Vesalius, Harvey nomes próprios (epônimos) ao nos referir- seus processos fisiológicos.
(d) Aristóteles, Hipócrates, Galeno, mos às estruturas anatômicas? Comente a semelhança da teoria humoral
Harvey, Vesalius 6. Por que você supõe que o juramento Hi- de organização do corpo e a filosofia yin e
4. Anatomia foi a primeira ciência pocrático sobreviveu durante mais de dois yang como tentativas antigas para explicar
amplamente aceita na antiga mil anos como um credo para a prática a homeostasia.
(a) Roma (c) China médica? Quais os aspectos do juramento 3. Você aprendeu neste capítulo que Galeno
(b) Egito (d) Grécia que são difíceis de se adaptar com a socie- confiava em dissecções de animais dife-
5. O estabelecimento de princípios éticos na dade de hoje? rentes do ser humano como uma tentativa
prática médica deu a este homem o título 7. O que se entende por teoria dos humores para entender a anatomia humana. Co-
de pai da medicina. na organização do corpo? Quais entre os mente o valor e as limitações de se usar
(a) Hipócrates (c) Erasistrato grandes anatomistas foram influenciados espécimes mamíferos (diferente do hu-
(b) Aristóteles (d) Galeno por esta teoria? Quando deixou de ser uma mano) na parte do laboratório de um
6. Qual dos quatro humores influência na investigação e interpretação curso de anatomia humana. Quais as van-
Hipócrates acreditava estar associado anatômica? tagens que existem em se estudar em ca-
com os pulmões? 8. Comente o impacto de Galeno no avanço dáveres humanos?
(a) bile preta (c) fleuma da anatomia e da medicina. Quais cir- 4. Aos estudantes que estudavam leis em
(b) bile amarela (d) sangue cunstâncias permitiram a filosofia de Ga- universidades européias no início do Re-
7. A obra prima da anatomia De Humani leno sobreviver por período tão longo? nascimento exigia-se que assistissem a um
Corporis Fabrica foi escrita por 9. Faça um breve comentário sobre o estabe- curso de anatomia humana. Considerando
(a) Leonardo (c) Vesalius lecimento de anatomia como uma ciência a extensão do exercício da lei naquele
(b) Harvey (d) Leeuwenhoek durante o Renascimento. tempo, explique por que era importante
8. Qual evento ocorrido em torno de 1450 10. Herófilo popularizou a anatomia durante para um advogado entender anatomia.
ajudou a introduzir o Renascimento? seu tempo mas foi severamente criticado 5. Da mesma maneira que a geografia des-
(a) o aperfeiçoamento do microscópio por anatomistas posteriores. Por que foi o creve a topografia para a história, a anato-
(b) a aceitação do método científico seu trabalho tão controvertido? mia descreve a topografia para a medicina.
(c) o desenvolvimento da teoria celular 11. Quem inventou o microscópio? Que papel Usando exemplos específicos, comente
(d) a utilização de tipos móveis pela desempenhou no avanço da anatomia? como as descobertas em anatomia resulta-
imprensa Quais as especialidades de estudos anatô- ram em avanços para a medicina.
9. O órgão do corpo que para Aristóteles era micos que surgiram desde a introdução do
o lugar onde ficava a inteligência era microscópio?
(a) o fígado (c) o encéfalo 12. Comente o impacto da obra de Andreas
(b) o coração (d) o intestino Vesalius na ciência da anatomia.
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2
Organização do Corpo e
Terminologia Anatômica

Classificação e Características dos


Humanos 23
Organização do Corpo 28
Terminologia Anatômica 30
Planos de Referência e Terminologia
Descritiva 33
Regiões do Corpo 35
Cavidades e Membranas do Corpo 41
Resposta do Estudo de Caso Clínico 45
Resumo do Capítulo 46
Atividades de Revisão 46

Estudo de Caso Clínico


Uma mulher jovem foi atropelada por um automóvel enquanto cruzava a rua. Chegando
ao local, os paramédicos encontraram a paciente um pouco atordoada, mas razoavelmente lú-
cida, queixando-se de dor no abdome e no lado esquerdo do seu tórax. Por outro lado, os seus si-
nais vitais estavam dentro dos limites normais. A avaliação inicial na sala de emergência
revelava abdome e tórax esquerdo muito sensíveis. A radiografia do tórax demonstrou pulmão
esquerdo colapsado em conseqüência da presença de ar na cavidade pleural (pneumotórax). O
médico da sala de emergência introduziu um tubo de drenagem no tórax esquerdo (na cavidade
pleural) para tratar do pneumotórax. A atenção voltou-se então para o abdome. Devido à dor à
palpação, foi realizada uma lavagem peritoneal. Esse procedimento envolve a introdução de um
tubo na cavidade peritoneal através da parede abdominal. Instilou-se então líquido claro como
água estéril ou soro normal no abdome e em seguida retirado com sifão. O líquido usado nesse
procedimento é chamado líquido de lavagem. O retorno do líquido de lavagem contendo san-
gue, matéria fecal ou bile indica lesão de órgão abdominal que requer cirurgia. O retorno do lí-
quido de lavagem desta paciente foi claro. Porém, a enfermeira declarou que o líquido da
lavagem estava drenando pelo tubo do tórax.
Daquilo que você conhece sobre como as várias cavidades do corpo estão dispostas, você
FIGURA: A anatomia radiográfica é impor- supõe que esse fenômeno poderia ser explicado baseado em anatomia normal? O que poderia ter
tante na avaliação dos traumatismos nos causado essa ocorrência em nossa paciente? Pode a ausência de bile, sangue, etc., no líquido de la-
ossos e nos órgãos viscerais. vagem peritoneal garantir que nenhum órgão fora rompido? Caso contrário, explique como pode
ocorrer, considerando a relação dos vários órgãos com as membranas no interior do abdome.
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Capítulo 2 Organização do Corpo e Terminologia Anatômica 23

Notocorda
CLASSIFICAÇÃO E CARACTERÍSTICAS Olho primitivo
Tubo neural dorsal

DOS HUMANOS
Humanos são organismos biológicos que pertencem ao filo Cor-

CAPÍTULO 2
dados dentro do reino Animal, e à família Hominídeos dentro da
classe dos Mamíferos e da ordem dos Primatas.
Intestino
Objetivo 1 Classificar os humanos de acordo com o sis-
tema taxonômico.

Objetivo 2 Faça uma relação das características que iden-


tificam os humanos como cordados e como mamíferos. Faringe
Bolsas
Objetivo 3 Descrever as características anatômicas que faríngeas
separam os humanos de outros primatas.

O organismo humano, ou Homo sapiens, como nós nos de- Broto do


Cordão membro
nominamos, é único em muitos aspectos. Nosso nome científico umbilical
traduzido do latim é “homem inteligente”, e realmente nossa in-
teligência é a característica mais notável que nos possibilita cons- Broto do
truir civilizações, vencer doenças terríveis e estabelecer culturas. membro
Creek
Nós inventamos os meios de comunicação através de símbolos
escritos, registramos nossa própria história, como também aquelas
dos outros organismos, e especulamos sobre nosso futuro. Conti- FIGURA 2.1 Desenho esquemático de um embrião cordado. As
nuamos sempre inventando meios mais engenhosos para nos três características que definem os cordados estão indicadas em
tipo negrito.
adaptar às mudanças do meio ambiente; ao mesmo tempo,
mesmo sendo tão especializados intelectualmente, nós não nos
tornamos auto-suficientes, e precisamos uns dos outros tanto
organismos vivos, cada categoria da classificação é chamada de
quanto precisamos dos conhecimentos registrados no passado.
táxon. O táxon mais alto é o reino e o táxon mais específico é a es-
Constantemente somos desafiados a aprender mais sobre
pécie. Humanos são espécies que pertencem ao reino animal. Filo-
nós mesmos. Como continuamos fazendo descobertas novas sobre
genia é a ciência que estuda as relações baseadas na taxonomia.
nossa estrutura e nossas funções, nossa relação íntima com outros
organismos vivos torna-se cada vez mais manifesta. Freqüente-
mente, a prudência é necessária para percebermos nossas imper-
feições biológicas e limitações.
Filo Cordados
Nós compartilhamos muitas características com os demais Seres humanos pertencem ao filo Cordados junto com pei-
animais vivos. Como organismos humanos, nós respiramos, co- xes, anfíbios, répteis, pássaros e demais mamíferos. Todos os cor-
memos e digerimos os alimentos, excretamos resíduos, nos loco- dados têm três estruturas em comum: uma notocorda, um tubo
movemos e reproduzimos nossa própria espécie. Estamos neural dorsal e bolsas faríngeas (fig. 2.1). Essas características
sujeitos a doenças, lesões, dores, envelhecimento, mutações e dos cordados são bem definidas durante o período embrionário de
morte. Considerando que somos constituídos de matéria orgâ- desenvolvimento e, até certo ponto, estão presentes no adulto. A
nica, nos decompomos depois da morte com microorganismos notocorda é um cordão de tecido flexível que se estende ao longo
consumindo nossa carne como alimento. Os processos pelos do dorso do embrião. Uma porção da notocorda persiste no
quais nossos corpos produzem, armazenam e utilizam energia adulto como núcleo pulposo, localizado no interior de cada disco
são semelhantes àqueles usados por todos os organismos vivos. intervertebral.(fig. 2.2). O tubo neural dorsal está posicionado
O código genético que regula nosso desenvolvimento é encon- sobre a notocorda e forma o encéfalo e a medula espinal que, es-
trado na natureza. Os padrões fundamentais de desenvolvi- sencialmente, funcionam como sistema nervoso central no
mento de muitos animais não humanos também caracterizam a adulto. As bolsas faríngeas formam as aberturas branquiais nos
formação do embrião humano. Mapeamento genético recente peixes e em alguns anfíbios.
do genoma humano confirma que existem menos de 35.000 Em outro cordados, como os humanos, as bolsas faríngeas em-
genes que respondem por todas as nossas características físicas. brionárias se desenvolvem, mas somente uma das bolsas persiste e
Sem dúvida a maioria destes genes são semelhantes àqueles en-
contrados em muitos outros organismos.
Na classificação, ou taxonomia, que é o sistema estabelecido táxon: G. taxis, ordem
pelos biólogos para organizar as relações estruturais e evolutivas dos filogenia: L. phylum, filo; G. logos, estudo
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24 Unidade 2 Terminologia, Organização e Organismo Humano


CAPÍTULO 2

Discos Núcleo pulposo


L4
intervertebrais

L5

S1
Disco intervertebral

Coluna vertebral
(a) (b)

FIGURA 2.2 (a) Vista lateral da coluna vertebral mostrando os discos intervertebrais e, à direita, uma vista superior de um disco interverte-
bral expondo o núcleo pulposo e (b) uma hérnia de disco (veja seta) comprimindo um nervo espinal.

se torna a cavidade da orelha média. A tuba auditiva (Eustáquio) Ordem Primata


é uma conexão permanente entre a cavidade da orelha média e a
faringe (área da garganta). Há várias subdivisões de grupos de mamíferos intimamente
relacionados. Estes grupos são chamados de ordens. Humanos,
A função de um disco intervertebral e de seu núcleo pulposo junto com lêmures, macacos e chimpanzés, pertencem à ordem
é permitir a flexibilidade entre as vértebras nos movimentos
de toda a coluna vertebral evitando-se as compressões. Os nervos chamada Primata. Os membros desta ordem têm mãos com
espinais emergem entre as vértebras, e o disco mantém o espaço preensão (fig. 2.5), dedos adaptados para pegar e encéfalos relati-
para evitar a lesão do nervo. Um “deslizamento do disco” que resulta vamente grandes e bem desenvolvidos (fig. 2.6).
da tração da parte posterior é uma denominação inadequada. O que
de fato acontece é uma hérnia, ou ruptura, por causa de uma pa-
rede enfraquecida do núcleo pulposo. Isso pode causar forte dor
quando um nervo for comprimido. Família Hominídeos
Os humanos são os únicos membros vivos da família dos
hominídeos. O homo sapiens está incluído dentro desta família, à
Classe Mamíferos qual pertencem todas as variedades ou grupos étnicos de humanos
Mamíferos são animais cordados com pêlos e glândulas ma- (fig. 2.7). Cada “grupo racial” tem características distintas que se
márias. O pêlo é um regulador térmico protetor que recobre a maio- estabeleceram em populações isoladas em milhares de anos. A
ria dos mamíferos, e as glândulas mamárias servem para amamentar nossa classificação genealógica é apresentada na tabela 2.1.
os filhotes (fig. 2.3). Outras características dos mamíferos incluem
Favorecidos por maiores facilidades de viagens e de comu-
um cérebro convoluto (pregueamento complexo), três ossículos da
nicações, os contatos mais freqüentes entre as diversas cul-
audição, dentição heterodôntica (dentes de várias formas), articula- turas levaram a uma desarticulação de algumas das barreiras
ção da mandíbula (a articulação entre a mandíbula e o crânio), uma tradicionais que existiam de matrimônios inter-raciais. Isto levou a
placenta fixada, músculos faciais bem desenvolvidos, um músculo uma mistura de genes, de forma que grupos étnicos distintos fica-
ram menos evidentes. Talvez a multiplicação de casamentos de dife-
diafragma e um coração com quatro câmaras com arco da aorta para rentes etnias em todo o mundo pudesse ajudar a reduzir a
a esquerda (fig. 2.4). hostilidade cultural e os conflitos.

heterodonto: G. heteros, outro; odontos, dente primata: L. primas, primeiro


placenta: L. placenta, bolo plano preensão: L. prehensus, pegar
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Capítulo 2 Organização do Corpo e Terminologia Anatômica 25

CAPÍTULO 2
Crista mamária
Papila mamária

Papilas mamárias
acessórias

Creek

(a) (b)

FIGURA 2.3 A crista mamária e as papilas mamárias acessórias. (a) As glândulas mamárias encontram-se ao longo da crista mamária. (b) Em
humanos papilas mamárias adicionais (politelia) podem ocasionalmente se desenvolver em outros lugares ao longo da crista mamária (veja setas).

Circunvoluções
cerebrais
Características dos Humanos
Pêlos Como certas características anatômicas dos seres humanos
são muito específicas, eles são analisados separadamente dos ou-
Três ossículos
da audição
tros animais, e até mesmo de outros mamíferos de relações mais
próximas. Nós também temos características que são igualmente
Músculos da face bem desenvolvidas em outros animais, mas as funções do encé-
bem desenvolvidos
falo humano nos proporcionam capacidades notáveis, sem simi-
Articulação da lares. Nossas características anatômicas incluem as seguintes:
mandíbula
1. Um encéfalo grande, bem desenvolvido. O encéfalo hu-
Dentição heterodôntica mano adulto pesa entre 1.350 e 1.400 gramas. Isto nos dá
Coração com quatro um encéfalo grande em proporção ao peso do corpo, mas o
câmaras e com arco mais importante é o desenvolvimento de determinadas por-
da aorta para
a esquerda
ções do encéfalo. Certas regiões extremamente especializa-
Glândulas mamárias das e certas estruturas no interior do encéfalo são respon-
sáveis pelas emoções, pensamentos, raciocínio, memória e
Músculo diafragma até mesmo precisa coordenação de movimentos.
Fixação da placenta 2. Locomoção bipedal. Como os humanos levantam-se e cami-
para os fetos nham em dois membros, diz-se que nosso estilo de locomoção
(no interior do útero)
é bipedal. A postura vertical impõe outras características es-
truturais, como a curvatura sigmóide (em forma de S), da co-
FIGURA 2.4 Os mamíferos possuem várias características que os
distinguem; algumas destas estão indicadas na fotografia com suas bipedal: L. bi, dois; pedis, pé
localizações aproximadas no interior do corpo. sigmóide: G. sigma, em forma da letra S
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26 Unidade 2 Terminologia, Organização e Organismo Humano


CAPÍTULO 2

Creek

Tarsier (lêmur)

Aye-aye (lêmur) Gorila Humano

FIGURA 2.5 O dedo polegar em oposição possibilita uma pega em preensão que é característica dos primatas.

Cérebro Lobo óptico Cerebelo Cérebro

Bacalhau

Chimpanzé Cerebelo

Jacaré

Ganso

Humano

Creek

Cavalo

FIGURA 2.6 Os encéfalos de vários vertebrados mostrando o tamanho relativo do cérebro (sombreado em rosa) com outras estruturas.
(Os encéfalos não estão desenhados em escala. Observe que somente os mamíferos possuem cérebro convoluto.)
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Capítulo 2 Organização do Corpo e Terminologia Anatômica 27

CAPÍTULO 2
(a) (b) (c) (d)

(e) (f)

FIGURA 2.7 Principais raças humanas: (a) mongóis (Tailândia), (b) caucasóide (norte da Europa), (c) negróide (África), (d) povo do subcon-
tinente indiano (Nepal), (e) capóide (boximane do Kalahari) e (f) australóide (homem de Ngatatjara, oeste da Austrália).

luna vertebral, a anatomia dos quadris e coxas, e pés arquea-


TABELA 2.1 Classificação dos Seres Humanos dos. Algumas dessas características podem causar problemas
clínicos em indivíduos mais idosos.
Designação 3. O polegar em oposição. O dedo polegar humano é estru-
Táxon Grupo Características turalmente adaptado para agarrar objetos com bastante ver-
Reino Animal Células eucarióticas sem paredes, plastí- satilidade. A articulação selar da base do dedo polegar
dios ou pigmentos fotossintéticos permite uma grande amplitude de movimentos (veja fig.
Filo Cordados Tubo neural dorsal; notocorda; 8.13). Todos os primatas têm dedos polegares em oposição.
bolsas faríngeas
4. Estruturas vocais bem desenvolvidas. Humanos, como ne-
Subfilo Vertebrados Coluna Vertebral nhum outro animal, desenvolveram a fala articulada. A estru-
Classe Mamíferos Glândula mamária; pêlos; cérebro tura anatômica de nossos órgãos vocais (laringe, língua e lábios)
convoluto; dentição heterodôntica
e nosso encéfalo bem desenvolvido tornaram isto possível.
Ordem Primatas Encéfalo bem desenvolvido; mãos com
pressão 5. Visão estereoscópica. Embora esta característica esteja bem
Família Hominídeos Cérebro maior, locomoção bipedal desenvolvida em vários outros animais, também é aguçada
Gênero Homo Face aplainada; queixo proeminente e
nos humanos. Nossos olhos são dirigidos para diante de
nariz com narinas posicionadas forma que quando nós focalizamos um objeto, nós o vemos
inferiormente sob dois ângulos. A visão estereoscópica nos dá a percepção
Espécie sapiens Cérebro maior de profundidade, ou imagem tridimensional.

estereoscópica: G. stereos, sólido; skopein, vista


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28 Unidade 2 Terminologia, Organização e Organismo Humano

Nós também diferimos de outros animais no número e no O corpo humano contém muitos tipos distintos de células,
arranjo de nossas vértebras (fórmula vertebral), nos tipos e no cada um deles especializado para executar funções específicas.
número de nossos dentes (fórmula dentária), no grau de desen- Exemplos de células especializadas são as células ósseas, células
volvimento de nossos músculos faciais e na organização estrutural musculares, células adiposas, células sangüíneas e células nervo-
CAPÍTULO 2

de vários órgãos do corpo. sas. A estrutura particular de cada um destes tipos de células está
diretamente relacionada à sua função.
As características humanas há pouco descritas são respon-
sáveis pelo esplendor de nossas realizações culturais. Como
animais bípedes, nós temos nossas mãos livres para pegar e mani-
pular objetos com nossos polegares em oposição. Nós podemos ar-
mazenar informações em nosso encéfalo altamente desenvolvido, e Nível de Tecido
utilizá-las posteriormente, e até mesmo podemos compartilhar nossa
aprendizagem através de comunicações oral e escrita. Tecidos são camadas ou grupos de células semelhantes que
executam uma função comum. O corpo inteiro está composto de
apenas quatro tipos principais de tecidos: epitelial, conjuntivo, ner-
Avaliação de Conhecimentos voso e muscular. Um exemplo de um tecido é o músculo cardíaco,
cuja função é bombear o sangue através do corpo. A camada ex-
1. O que é um cordado? Por que os humanos são considerados
terna de pele é um tecido (epitélio) porque está composta de cé-
membros do filo cordado?
lulas semelhantes que juntas servem como uma capa protetora
2. Por que os humanos são designados por mamíferos e prima- para o corpo. Histologia é a ciência que se dedica ao estudo mi-
tas? Quais são as características que distinguem os humanos croscópico dos tecidos. As funções características de cada tipo de
de outros primatas? tecido são comentadas detalhadamente no capítulo 4.
3. Quais características dos humanos são adaptáveis à organi-
zação pessoal?
Nível de Órgão
Um órgão é um agregado de dois ou mais tipos de tecidos
ORGANIZAÇÃO DO CORPO que executam uma função específica. Os órgãos localizam-se ao
longo do corpo e variam grandemente em tamanho e função.
Níveis estruturais e funcionais de organização caracterizam o
Exemplos de órgãos são o coração, o baço, o pâncreas, o ovário, a
corpo humano e cada uma de suas partes contribui para o orga-
pele, e até mesmo quaisquer dos ossos do interior do corpo. Cada
nismo inteiro.
órgão geralmente tem um ou mais tecidos primários e vários teci-
Objetivo 4 Identificar os componentes de uma célula, um dos secundários. No estômago, por exemplo, o tecido epitelial em
tecido, um órgão e um sistema explicando como essas seu interior é considerado o tecido primário porque as funções
estruturas se inter-relacionam constituindo um organismo. básicas de secreção e absorção acontecem dentro desta camada.
Tecidos secundários do estômago são o tecido conjuntivo de sus-
Objetivo 5 Descrever a função geral de cada sistema. tentação e os tecidos vascular, nervoso e muscular.

Nível de Célula
A célula é o componente estrutural e funcional básico da Nível de Sistema
vida. Os humanos são organismos multicelulares compostos de 60 Os sistemas do corpo constituem o próximo nível de orga-
a 100 trilhões de células. É no nível celular microscópico que tais nização estrutural. Um sistema do corpo consiste em vários órgãos
funções vitais como metabolismo, crescimento, irritabilidade que têm funções semelhantes ou inter-relacionadas. Exemplos de
(resposta a estímulos) reparo e replicação são executadas. sistemas são o sistema circulatório, o sistema nervoso, o sistema
As células são constituídas por átomos – partículas minúscu- digestório e o sistema endócrino. Certos órgãos podem servir a
las que são ligadas entre si para formar partículas maiores chamadas dois sistemas. Por exemplo, o pâncreas funciona com os sistemas
moléculas (fig. 2.8). Certas moléculas, por sua vez, são agrupadas endócrino e digestório; e a faringe serve aos sistemas respiratório e
em arranjos específicos para formar estruturas funcionais menores digestório. Todos os sistemas do corpo estão inter-relacionados e
chamadas organelas. Cada organela realiza uma função específica funcionam em conjunto, compondo o organismo.
dentro da célula. O núcleo de uma célula, mitocôndria e retículo Crescimento é um processo normal pelo qual um organismo
endoplasmático são organelas. A estrutura das células e as funções aumenta em tamanho como resultado do acréscimo de células e te-
das organelas serão examinadas em detalhes no capítulo 3.
tecido: Fr. tissu, tecido; do L. texo, tecido
órgão: G. organon, instrumento
célula: L. cella, pequena sala sistema: G. systema, estar junto
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Capítulo 2 Organização do Corpo e Terminologia Anatômica 29

Complexidade crescente

Átomo

CAPÍTULO 2
Molécula

Sistema
Macromolécula

Organela

Órgão

Célula
Organismo

Tecido

FIGURA 2.8 Níveis de organização estrutural e de complexidade no interior do corpo humano.

cidos semelhantes àqueles já presentes no interior dos órgãos. Cres- servadas simultaneamente. Geralmente, as dissecções de cadáve-
cimento é uma parte integrante do desenvolvimento que continua res são conduzidas em bases regionais. Traumas ou lesões em geral
até a idade adulta. O crescimento normal não depende apenas da afetam uma região do corpo, enquanto que uma doença que afeta
nutrição em si mas do efeito combinado de vários hormônios uma região também pode envolver um sistema inteiro.
(substâncias químicas produzidas por glândulas endócrinas), inclu- Este livro adota a abordagem sistêmica da anatomia. Nos
sive insulina, hormônio do crescimento e (durante a adolescência) capítulos que seguem, você deverá estudar, sistema por sistema, a
os hormônios sexuais. É através do processo de crescimento que anatomia funcional do corpo inteiro. Uma avaliação da estrutura
cada sistema do corpo amadurece (fig. 2.9). Puberdade é a transição e da função de cada um dos sistemas do corpo é apresentada na
do desenvolvimento durante o processo de crescimento quando os figura 2.10.
caracteres sexuais tornam-se evidentes em alguns sistemas do corpo
e os órgãos reprodutores tornam-se funcionantes. Avaliação de Conhecimentos
Uma abordagem sistêmica para estudar anatomia enfatiza os
objetivos dos vários órgãos dentro de um mesmo sistema. Por 4. Construa um diagrama para ilustrar os níveis de organiza-
exemplo, o papel funcional do sistema digestório pode ser melhor ção estrutural que caracterizam o corpo. Quais desses níveis
entendido se todos os órgãos pertencentes a esse sistema forem são microscópicos?
estudados conjuntamente. Na abordagem regional todos os ór- 5. Por que a pele é considerada um órgão?
gãos e estruturas de uma determinada região são examinados ao 6. Quais os sistemas do corpo que controlam o funcionamento
mesmo tempo. A abordagem regional é importante em faculdades dos outros? Quais são os que dão suporte ao organismo?
de graduação profissional (médico, odontólogo, etc.) porque as Qual desempenha papel de transporte?
relações estruturais entre partes de vários sistemas podem ser ob-
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30 Unidade 2 Terminologia, Organização e Organismo Humano

Barba
Mudança
na voz
Pêlos no corpo Mama
CAPÍTULO 2

desenvolvida
Pêlos na axila
Pêlos na axila
Desenvolvimento Gordura
muscular subcutânea
Pêlos
púbicos Pêlos no
monte do púbis
Pênis, escroto, Aumento do útero,
testículos aumentados vagina, clitóris e lábios
do pudendo

Ejaculação Testículo Ovário Ovulação e


menstruação

Hormônios Hormônios
sexuais: sexuais:
testosterona andrógenos
e outros estrógenos
andrógenos progesterona

FIGURA 2.9 Mudanças no desenvolvimento desde a infância até a idade adulta. Controlada por hormônios, a puberdade é o período de
crescimento do corpo em que as características sexuais se manifestam e os órgãos sexuais se tornam funcionantes.

lus, que significa rato. Outros termos sugerem o ambiente bélico


TERMINOLOGIA ANATÔMICA das antigas Grécia e Roma. Tireóide, por exemplo, significa es-
A fim de entender a ciência da anatomia, os estudantes necessi- cudo; xifóide significa em forma de espada; e tórax, couraça. Sella
tam dominar a terminologia descritiva. significa sela e stapes, estribo. Várias ferramentas ou instrumentos
também foram citados no início da anatomia. Malleus e incus se
Objetivo 6 Explicar de onde derivam os termos anatômicos. assemelham a miniaturas dos utensílios de um ferreiro (martelo e
bigorna), e tympanum se refere a um tambor.
Objetivo 7 Descrever o que significam prefixos e sufixos.
Você encontrará muitos termos novos ao longo do estudo da
anatomia. Você pode aprender estes termos mais facilmente se sou-
A anatomia é uma ciência descritiva. Analisar a terminolo- ber o significado dos seus prefixos e sufixos. Use o glossário de prefi-
gia anatômica pode ser uma experiência recompensadora no sen- xos e sufixos (nas folhas de guarda) como auxílio no aprendizado
tido de se aprender algo das características da antigüidade no dos termos novos. Pronunciando esses termos como você aprendeu
processo. Porém, entender as raízes das palavras não é apenas de deve também ajudá-lo a memorizá-los. Um guia para as formas sin-
interesse acadêmico. A intimidade com termos técnicos reforça o gular e plural das palavras encontra-se na tabela 2.2.
processo de aprendizagem. A maioria dos termos anatômicos são O material apresentado no restante deste capítulo propicia
derivados do grego ou do latim, mas alguns termos mais recentes os fundamentos básicos para anatomia, como também para os
são de origem alemã e francesa. Como foi mencionado no capí- campos médico e paramédico. Anatomia é uma ciência muito
tulo 1, algumas estruturas anatômicas receberam os nomes das precisa por causa de sua linguagem de referência universalmente
pessoas que as descobriram ou que as descreveram. Tais termos aceita para descrever partes e locais do corpo.
são totalmente ineficientes do ponto de vista descritivo; infeliz-
mente, eles apresentam pequeno significado em si próprios.
Muitos termos gregos e latinos foram denominados a mais
Avaliação de Conhecimentos
de 2.000 anos atrás. Decifrar os significados desses termos propicia 7. Explique a expressão: Anatomia é uma ciência descritiva.
uma lembrança em nossa herança médica. Muitos termos se refe- 8. Recorra ao glossário de prefixos e sufixos de ambas as con-
riam a plantas ou animais comuns. Assim, o termo verme significa tracapas para decifrar os termos blastocele, hipodérmico, der-
lombriga; cóclea, concha de caracol; câncer, caranguejo; e úvula, matite e orquiectomia.
pequena uva. Até mesmo o termo músculo vem do latim muscu-
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Capítulo 2 Organização do Corpo e Terminologia Anatômica 31

CAPÍTULO 2
Sistema tegumentar Sistema esquelético Sistema muscular
Função: suporte externo e Função: suporte interno e Função: movimento do
proteção do corpo estrutura flexível para corpo; produção de
movimentos do corpo; calor no corpo
produção de células
sangüíneas; armazenamento
de minerais

Sistema linfático Sistema endócrino Sistema urinário


Função: ação imunológica; Função: secreção de Função: filtração do sangue;
absorção de gorduras; hormônios para manutenção do volume e
drenagem de líquidos regulação química composição química do
tissulares sangue; remoção de
resíduos metabólicos
do corpo.

FIGURA 2.10 Os sistemas do corpo.


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32 Unidade 2 Terminologia, Organização e Organismo Humano


CAPÍTULO 2

Sistema respiratório Sistema nervoso Sistema circulatório


Função: trocas gasosas entre Função: controle e Função: transporte de
o meio externo e o sangue regulação de todos os substâncias nutritivas para
outros sistemas do corpo as células do corpo;
remoção de resíduos
metabólicos das células

Sistema digestório
Função: digestão e absorção Sistema genital feminino Sistema genital masculino
do material alimentar Função: produção da célula Função: produção de célula sexual
sexual feminina (óvulo); masculina (espermatozóide);
receptáculo para o esperma transferência do esperma para o
masculino; local da fertilização sistema genital feminino
do óvulo, implantação do ovo,
desenvolvimento do embrião e
feto; parturição

FIGURA 2.10 Continuação


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Capítulo 2 Organização do Corpo e Terminologia Anatômica 33

TABELA 2.2 Exemplos de Formas no


Singular e no Plural da Terminologia do Corpo
Plano Plano frontal

CAPÍTULO 2
sagital ou coronal
Terminação Terminação
no Singular no Plural Exemplos
-a -as Papila, papilas
-al -ais Parietal, parietais
-ão -ões Pulmão, pulmões Plano
-ar -ares Lacunar, lacunares transversal
-e -es Forame, forames
-el -éis Anel, anéis
-em -ens Margem, margens
-er -eres Ureter, ureteres
-ex -ices Córtex, córtices
-iz -izes Matriz, matrizes
-o -os Testículo, testículos
-or -ores Anterior, anteriores

PLANOS DE REFERÊNCIA
E TERMINOLOGIA DESCRITIVA
Todos os planos de referência descritivos e termos de direção e FIGURA 2.11 Planos de referência ao longo do corpo.
de posição usados em anatomia estão padronizados por causa
de suas relações com o corpo em posição anatômica.

Objetivo 8 Identificar os planos de referência usados para


localizar estruturas no interior do corpo. posterior (dorsal). Planos transversais, também chamados hori-
zontais, ou secções transversas dividem o corpo em partes supe-
Objetivo 9 Descrever a posição anatômica.
rior e inferior.
Objetivo 10 Definir e estar apto a usar corretamente os
O valor da tomografia computadorizada (TC) de raios X (veja
termos descritivos e de direção que se referem ao corpo. fig. 1.19a) consiste em mostrar uma imagem ao longo de um
plano transversal semelhante àquele que se poderia obter apenas
em um corte através do corpo. Antes do desenvolvimento dessa téc-
Planos de Referência nica, o plano vertical da radiografia convencional tornava difícil, ou
mesmo impossível, avaliar a extensão das irregularidades do corpo.
A fim de visualizar e estudar a disposição estrutural dos vá-
rios órgãos, o corpo pode ser seccionado e diagramado de acordo
com os três planos fundamentais de referência: um plano sagital, Terminologia Descritiva
um plano frontal (coronal) e um plano transversal (figs. 2.11 e
2.12). Um plano sagital se estende verticalmente ao longo do Posição Anatômica
corpo dividindo-o em partes direita e esquerda. O plano sagital
Todos os termos de direção que descrevem as relações de
mediano é o plano sagital que passa longitudinalmente ao longo
uma parte do corpo com outra parte são feitos tendo como refe-
do plano mediano do corpo, dividindo-o igualmente em metades
rência a posição anatômica. Na posição anatômica, o corpo está
direita e esquerda. O plano frontal ou coronal, também passa lon-
ereto, os pés estão paralelos entre si pisando no chão, os olhos
gitudinalmente e divide o corpo em partes anterior (frontal) e
estão dirigidos para diante, e os membros superiores estão ao lado
do corpo com as palmas das mãos voltadas para diante e os dedos
coronal: L. corona, coroa apontando diretamente para baixo (fig. 2.13).
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34 Unidade 2 Terminologia, Organização e Organismo Humano


CAPÍTULO 2

(a)

(b)

(c)

FIGURA 2.12 O encéfalo humano seccionado ao longo do (a) plano transversal, (b) plano frontal (coronal) e (c) plano sagital.

Termos de Direção • Inspeção. Observando visualmente o corpo para verificar


qualquer sintoma clínico, como cor anormal da pele, in-
Termos de direção são usados para localizar as estruturas e
chaços ou erupções cutâneas. Outras observações podem
as regiões do corpo relativas à posição anatômica. Um resumo de
incluir marcas de agulha na pele, movimentos respiratórios
termos direcionais é apresentado na tabela 2.3.
irregulares ou comportamento anormal.
• Palpação. Aplicando os dedos com firme pressão na super-
Procedimentos Clínicos fície do corpo para sentir os pontos de reparo, saliências,
Certos procedimentos clínicos são importantes na identifi- pontos sensíveis ou pulsações.
cação de estruturas anatômicas e na observação das funções em um • Percussão. Golpear com a ponta do dedo em vários locais
indivíduo vivo. Os procedimentos mais comuns são os seguintes: do tórax ou do abdome para detectar vibrações ressonantes
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Capítulo 2 Organização do Corpo e Terminologia Anatômica 35

REGIÕES DO CORPO
O corpo humano está dividido em regiões e em áreas especifica-
mente localizadas que podem ser identificadas na superfície.

CAPÍTULO 2
Cada região contém em seu interior órgãos, cujas localizações
são anatomica e clinicamente importantes.

Objetivo 11 Listar as regiões do corpo e as principais


áreas que compõem cada região.

Objetivo 12 Explicar por que é importante descrever as


áreas do corpo e as regiões em cujo interior se localizam os
principais órgãos.

O corpo humano está dividido em várias regiões que


podem ser identificadas na superfície do corpo. Aprendendo
agora os termos que se referem a essas regiões tornará mais fácil
aprender os nomes das estruturas subjacentes depois. As princi-
pais regiões do corpo são a cabeça, o pescoço, o tronco, os membros
superiores e os membros inferiores (fig. 2.14). O tronco é freqüen-
temente dividido em tórax, abdome e pelve.

Cabeça
A cabeça é dividida em região facial que inclui os olhos, o
nariz e a boca, e uma região craniana, ou crânio, que cobre e sus-
tenta o encéfalo. Os nomes que identificam as regiões específicas
da superfície da face estão baseados nos órgãos associados, por
FIGURA 2.13 Na posição anatômica, o corpo está ereto, os pés
paralelos, os olhos dirigidos para diante, os membros superiores aos
exemplo, regiões: orbital (olho), nasal (nariz), oral (boca), e auri-
lados do corpo com as palmas das mãos voltadas para diante e os cular (orelha) ou ossos subjacentes, por exemplo, regiões frontal,
dedos apontando diretamente para baixo. temporal, parietal, zigomática e occipital.

para auxiliar na localização de líquidos em excesso ou anor- Pescoço


malidades nos órgãos.
O pescoço, referido como região cervical, sustenta a cabeça e
• Ausculta. Escutando os sons que vários órgãos produzem
permite seus movimentos. Como ocorreu com a cabeça, podemos
(respiração, sons do coração, sons digestórios e assim suces-
identificar subdivisões detalhadas do pescoço. Informações adicionais
sivamente).
relativas às regiões do pescoço podem ser encontradas no capítulo 10.
• Pesquisa de reflexos. Observando a resposta automática in-
voluntária de uma pessoa a um estímulo. A pesquisa de um
mecanismo reflexo consiste em bater em um tendão predeter- Tronco
minado com um martelo de reflexo e observar a resposta.
O tronco é a porção do corpo à qual se ligam o pescoço e os
membros superiores e inferiores. Inclui o tórax, o abdome e a re-
Avaliação de Conhecimentos gião pélvica.
9. Comente o valor da tomografia computadorizada ao fazer
uma avaliação clínica de um órgão visceral. Tórax
10. O que significa dizer que termos de direção são relativos e A região torácica é comumente chamada de tórax. A re-
devem ser usados em referência a uma estrutura do corpo gião mamária do tórax circunda o mamilo e nas mulheres se-
ou a um corpo em posição anatômica? xualmente maduras está ampliada e é conhecida por mama.
11. Faça uma lista de termos, semelhantes aos exemplos da tabela Entre as regiões mamárias está a região pré-esternal. A axila é
2.3., que exprimam corretamente os termos de direção usados
para descrever as posições relativas de várias estruturas do corpo. tórax: L. thorax, toráx
mamária: L. mamma, mama
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36 Unidade 2 Terminologia, Organização e Organismo Humano

TABELA 2.3 Termos de Direção para o Corpo Humano


Termo Definição Exemplo
CAPÍTULO 2

Superior (cranial, cefálico) Mais próximo da cabeça; para cima O tórax é superior ao abdome.
Inferior (caudal) Mais afastado da cabeça; para baixo As pernas são inferiores ao tronco.
Anterior (ventral) Mais próximo da frente do corpo O umbigo está no lado anterior do corpo.
Posterior (dorsal) Mais próximo do dorso do corpo Os rins são posteriores ao intestino.
Medial Mais próximo da linha mediana do corpo O coração é medial aos pulmões.
Lateral Mais afastado da linha mediana do corpo As orelhas são laterais ao nariz.
Interno (profundo) Mais afastado da superfície do corpo O encéfalo é interno ao crânio.
Externo (superficial) Mais próximo da superfície do corpo A pele é externa aos músculos.
Proximal Mais próximo do tronco do corpo O joelho é proximal ao pé.
Distal Mais afastado do tronco do corpo A mão é distal ao cotovelo.
Superior

Superior
Anterior
Proximal

(ventral)
Posterior
Distal

Medial (dorsal)
Lateral
Proximal
Proximal

Distal

Inferior
Distal
Inferior

também chamada de fossa axilar, e a área circunvizinha é a re- dos. Quando se recomenda a um paciente o uso de muletas, o mé-
gião axilar. A região vertebral se estende ao longo do dorso, dico deve orientá-lo a não apoiar o peso do corpo na região axilar por
causa da possibilidade de danificar os nervos e vasos subjacentes.
acompanhando a coluna vertebral.
O coração e os pulmões estão localizados dentro da cavidade
torácica. Pontos de reparo na superfície facilmente identifica-
Abdome
dos são úteis para avaliar a situação desses órgãos. O médico ne- O abdome está localizado abaixo do tórax. Centralizado na
cessita saber, por exemplo, onde as valvas do coração podem ser frente do abdome, o umbigo é um evidente ponto de reparo. O
melhor ouvidas e onde escutar os sons respiratórios. A axila torna-se
importante quando a examinamos para verificar os linfonodos infecta-
abdome foi dividido em nove regiões para descrever a localiza-
ção dos órgãos internos. As subdivisões do abdome estão diagra-
madas na figura 2.15, e os órgãos internos localizados no interior
axilar: L. axilla, axila destas regiões estão identificados na tabela 2.4. Subdividir o ab-
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Capítulo 2 Organização do Corpo e Terminologia Anatômica 37

Cefálica (cabeça)
Cranial
Frontal (fronte) (envolvendo o encéfalo)
Nasal (nariz)
Orbital (olho)
Occipital

CAPÍTULO 2
Oral (boca) Bucal Torácica (posterior da cabeça)
(bochecha) posterior
Cervical (pescoço)
Mentual (queixo)
Cervical posterior
Deltóidea Pré-esternal
Deltóidea
Região
Axilar (axila) peitoral (tórax) Vertebral
(coluna vertebral)
Mamária (mama)
Braquial Cubital Braquial posterior (braço)
anterior (braço) anterior
Abdominal
(fossa cubital)
Cubital anterior Cubital posterior
(anterior do cotovelo) (cotovelo)
Inguinal
Abdominal (virilha)
(abdome) Lombar
Quadril (dorsal inferior)
Antebraquial (coxal)
(antebraço) Sacral
Glútea (nádega)
Carpal (punho)
Dorso da mão
Palmar (palma)
Digital
(dedo da mão) Perineal
Femoral Região Femoral posterior
anterior (coxa) Púbica (coxa)

Joelho Fossa poplítea


(genicular posterior)

Crural Crural posterior


anterior (perna) (perna)

Tarsal
Creek

(tornozelo)
Dorso
do pé
Plantar (sola)

(a) (b)

FIGURA 2.14 Regiões do corpo. (a) Vista anterior e (b) vista posterior.

dome em quatro quadrantes (fig. 2.16) é uma prática clínica indivíduos sexualmente maduros. O períneo (fig. 2.17) é a re-
comum para localizar os locais de dores, tumores, ou outras anor- gião que contém os órgãos genitais externos e o ânus. O centro
malidades. do lado dorsal do abdome é a região lombar. A região sacral
está localizada mais abaixo, no ponto onde a coluna vertebral
Pelve termina. Os grandes músculos do quadril formam a nádega ou
A pelve constitui a parte mais inferior do tronco. Na região glútea. Essa região é um local comum de injeções para
pelve está a região púbica que é coberta com pêlos púbicos nos agulhas hipodérmicas.
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38 Unidade 2 Terminologia, Organização e Organismo Humano


CAPÍTULO 2

Região do Região do Região do


hipocôndrio epigástrio hipocôndrio
direito esquerdo

Região Região Região


lateral umbilical lateral
direita esquerda

Região Região do Região


inguinal hipogástrio inguinal
direita esquerda

FIGURA 2.15 O abdome é freqüentemente subdividido em nove regiões. As linhas verticais estão posicionadas lateralmente aos músculos
retos do abdome, a linha horizontal superior passa no nível do arco costal, e a linha horizontal inferior passa pela margem superior do osso do
quadril.

TABELA 2.4 Regiões do Abdome e da Pelve


Região Localização Órgãos Internos
Hipocôndrio D Terço superior direito do abdome Vesícula biliar; parte do fígado e rim direito
Epigástrio Terço superior central do abdome Partes do fígado, estômago, pâncreas e duodeno
Hipocôndrio E Terço superior esquerdo do abdome Baço; flexura esquerda do colo; partes do rim esquerdo e do intestino delgado
Lateral direita Terço lateral direito do abdome Ceco; colo ascendente; flexura direita do colo; partes do rim direito e intestino
delgado
Umbilical Centro do abdome Jejuno; íleo; partes do duodeno; do colo, dos rins e vasos principais do abdome
Lateral esquerda Terço lateral esquerdo do abdome Colo descendente; partes do rim esquerdo e intestino delgado
Inguinal direita Terço inferior direito do abdome Apêndice vermiforme; partes do ceco e intestino delgado
Púbica (hipogástrio) Terço inferior central do abdome Bexiga urinária; partes do intestino delgado e colo sigmóide
Inguinal esquerda Terço inferior esquerdo do abdome Partes do intestino delgado; colo descendente e colo sigmóide

Membro Superior área entre o braço e o antebraço que contém a articulação


do cotovelo. A fossa cubital, a porção escavada da região
O membro superior é anatomicamente dividido em cubital anterior, é um local importante para injeções intra-
ombro, braço, antebraço e mão (veja fig. 2.14). O ombro é a venosas ou coleta de sangue.
região entre o cíngulo do membro superior e o braço que A mão tem três divisões principais: o carpo, contendo
contém a articulação do ombro. O ombro é também conhe- os ossos carpais (veja fig. 7.8); o metacarpo, contendo os
cido como omos ou região deltóidea. A região cubital é a ossos metacarpais; e os cinco dedos, contendo as falanges. A
frente da mão é chamada de região palmar (palma) e a parte
cubital: L. cubitis, cotovelo de trás da mão é chamada de região dorsal (dorso da mão).
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Capítulo 2 Organização do Corpo e Terminologia Anatômica 39

CAPÍTULO 2
Quadrante Quadrante
superior direito superior esquerdo

Quadrante Quadrante
inferior direito inferior esquerdo

FIGURA 2.16 Uma subdivisão clínica do abdome em quatro quadrantes por uma linha mediana e uma linha transversal através do umbigo.

Rafe do períneo
Sínfise púbica Escroto Sínfise púbica Monte do púbis

Músculo Lábio maior


isquiocavernoso do pudendo
Lábio menor
Músculo do pudendo
bulboesponjoso
Óstio externo
da uretra
Região urogenital
Óstio da
Túber vagina
isquiático

Região
anal

Ânus Cóccix Ânus Cóccix


(a) (b)

FIGURA 2.17 Vista superficial do períneo (a) masculino e (b) feminino. A região perineal pode ser dividida em região urogenital (anterior-
mente) e região anal (posteriormente).
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40 Unidade 2 Terminologia, Organização e Organismo Humano

Cavidade posterior (dorsal)


Cavidade
do crânio
(contém o encéfalo)
CAPÍTULO 2

Cavidade
vertebral
(contém a
medula espinal) Cavidade torácica
(contém coração,
pulmões e esôfago)

Cavidade anterior (ventral)


Diafragma
(músculo
da respiração)

Cavidade
abdominal

abdominopélvica
(contém estômago,
fígado, baço,

Cavidade
pâncreas e
intestinos)

Cavidade pélvica
(contém órgãos
genitais,
especialmente na mulher)

Paras

FIGURA 2.18 Corte sagital mediano mostrando as cavidades do corpo e o conteúdo principal.

Membro Inferior Avaliação de Conhecimentos


O membro inferior consiste em quadril, coxa, joelho,
12. Usando você mesmo como modelo, identifique as várias re-
perna e pé. A coxa constitui a região femoral. O joelho tem duas
giões do corpo descritas na figura 2.14. Qual dessas regiões
faces: a face anterior é a região da patela; a face posterior do joe-
tem pontos de reparo na superfície que ajudam a distinguir
lho é chamada de fossa poplítea. A perna tem regiões crurais
os seus limites?
anterior e posterior (veja fig. 2.14). A canela é uma crista óssea
proeminente que se estende longitudinalmente ao longo da re- 13. Em qual região do corpo são aplicadas injeções intravenosas?
gião crural anterior, e a panturrilha é a massa muscular espessa da 14. Faça a distinção entre as regiões púbica e perineal na pelve.
região crural posterior. 15. Identifique as articulações entre as seguintes regiões: braço
O pé tem três divisões principais: o tarso, contendo os e antebraço, cíngulo do membro superior e braço, perna e
ossos tarsais (veja fig. 7.19); o metatarso, contendo os ossos me- pé, antebraço e mão, coxa e perna.
tatarsais; e os cinco dedos contendo as falanges. O tornozelo é a 16. Explique como o conhecimento das regiões do corpo é apli-
junção entre a perna e o pé. O calcanhar é a parte de trás do pé, cado em clínica.
e a planta do pé é chamada de região plantar. O dorso do pé é a
região dorsal.

poplítea: L. poples, parte posterior do joelho (músculos do jarrete)


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Capítulo 2 Organização do Corpo e Terminologia Anatômica 41

CAPÍTULO 2
Mediastino
(contém esôfago,
grandes vasos
e certos nervos)
Cavidade Cavidades pleurais
torácica (em torno dos pulmões)
Cavidade
do pericárdio
(em torno do coração)

Cavidade
abdominal
(contém
as vísceras
abdominais)
Cavidade
Cavidade abdominopélvica
pélvica
(contém
as vísceras
pélvicas)

Paras

FIGURA 2.19 Vista anterior expondo as cavidades do tronco.

encéfalo e a medula espinal. Durante o desenvolvimento, a cavi-


CAVIDADES E MEMBRANAS DO CORPO dade anterior forma-se a partir de uma cavidade dentro do tronco
As vísceras são compartimentalizadas e sustentadas em cavida- chamada celoma. O celoma está revestido por uma membrana
des específicas do corpo por membranas conjuntivas e epiteliais que secreta um líquido lubrificante. Com o progresso do desen-
para fins funcionais e de proteção. volvimento, o celoma é dividido pelo músculo diafragma em uma
cavidade torácica, superior, e uma cavidade abdominopélvica,
Objetivo 13 Identificar as várias cavidades do corpo e os inferior (figs. 2.18 e 2.19). Os órgãos no interior do celoma são
órgãos encontrados em cada uma delas. coletivamente chamados de vísceras, ou órgãos viscerais (fig.
2.20). No interior da cavidade torácica estão duas cavidades
Objetivo 14 Comentar os tipos e as funções das várias
pleurais envolvendo os pulmões direito e esquerdo e uma cavi-
membranas do corpo.
dade do pericárdio que envolve o coração (fig. 2.21) A região
entre os dois pulmões é conhecida como mediastino.
A cavidade abdominopélvica consiste em uma cavidade
Cavidades do Corpo abdominal, superior, e uma inferior, a cavidade pélvica. A cavi-
As cavidades do corpo são espaços limitados no interior do dade abdominal contém o estômago, o intestino delgado, o in-
corpo e contêm órgãos que são protegidos, compartimentalizados testino grosso, o fígado, a vesícula biliar, o pâncreas, o baço e os
e sustentados por membranas associadas. Há duas principais cavi-
dades no corpo: a cavidade posterior (dorsal) e a cavidade ante-
rior (ventral), maior. A cavidade posterior do corpo contém o celoma: G. koiloma, cavidade
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42 Unidade 2 Terminologia, Organização e Organismo Humano

Omento menor Diafragma


(dá suporte ao (porção muscular
estômago e entre as cavidades
ao fígado) torácica e abdominal)
CAPÍTULO 2

Pâncreas
(retroperitoneal Fígado
ao peritônio parietal)
Estômago
Duodeno (recoberto por peritônio visceral)
(retroperitoneal
ao peritônio parietal)
Intestino grosso
(recoberto por
Mesentério peritônio visceral)
(dá suporte
aos intestinos) Peritônio parietal
(reveste a cavidade abdominal)
Intestino
delgado
Omento maior
Peritônio (membrana
visceral sero-adiposa, protetora, fixa ao
(recobre as estômago e colo transverso
vísceras abdominais) do intestino grosso)

Cavidade peritoneal
Reto (espaço criado pelo
peritônio parietal
revestindo a parede da
cavidade abdominopélvica)

Bexiga urinária

FIGURA 2.20 Órgãos viscerais da cavidade abdominopélvica e membranas serosas de sustentação.

rins. A cavidade pélvica é ocupada pela porção terminal do in- ciona principalmente na digestão e secundariamente na respira-
testino grosso, bexiga urinária e certos órgãos genitais (útero, ção. Contém os dentes e a língua. A cavidade nasal, que é parte
tubas uterinas e ovários na feminina; glândula seminal e próstata do sistema respiratório, tem duas câmaras separadas por um septo
na masculina). nasal. Há duas órbitas, cada uma acomodando um bulbo do olho
Um sumário das principais cavidades do corpo é apresen- e seus músculos extrínsecos, vasos e nervos. Igualmente, há duas
tado na figura 2.22. cavidades nas orelhas médias que contêm os ossículos da audi-
ção. A localização das cavidades dentro da cabeça é mostrada na
As cavidades do corpo servem para conter os órgãos e siste-
mas que apresentam funções correlacionadas. A principal figura 2.23.
parte do sistema nervoso ocupa a cavidade posterior; os órgãos
principais dos sistemas respiratório e circulatório estão na cavidade
torácica; os órgãos principais da digestão estão na cavidade abdo-
minal; e os órgãos genitais estão na cavidade pélvica. Essas cavida-
Membranas do Corpo
des não apenas alojam e sustentam vários órgãos do corpo, como As membranas do corpo são constituídas por camadas finas
também, efetivamente, os colocam em compartimentos de forma
que as infecções e as doenças não podem se difundir de um com- de tecidos conjuntivo e epitelial que recobrem, separam e susten-
partimento para outro. Por exemplo, a pleurite de uma membrana tam órgãos viscerais e revestem cavidades do corpo. Há dois tipos
pulmonar normalmente não passa para a outra, e uma lesão na cavi- básicos de membranas no corpo: as membranas mucosas e as
dade torácica geralmente resultará no colapso de só um pulmão em membranas serosas.
lugar de ambos.

Além das cavidades maiores anterior e posterior, há várias


cavidades menores no interior da cabeça. A cavidade oral fun- orbital: L. orbis, círculo
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Capítulo 2 Organização do Corpo e Terminologia Anatômica 43

Pleura parietal
(reveste o interior
da parede torácica)

CAPÍTULO 2
Pleura visceral
(recobre a superfície
pulmonar)

Cavidade pleural
(contém líquido pleural)

Diafragma
(a)

Lâmina parietal
do pericárdio seroso
(forma um saco
em torno do coração)

Lâmina visceral
do pericárdio seroso
(recobre a superfície
do coração)

Cavidade do pericárdio
(contém líquido pericárdico)

(b)

FIGURA 2.21 Membranas serosas do tórax (a) envolvendo os pulmões e (b) envolvendo o coração.

As membranas mucosas secretam um líquido espesso, vis- As membranas do pericárdio são as membranas serosas que
coso chamado muco. O muco geralmente lubrifica ou protege os recobrem o coração. A fina lâmina visceral do pericárdio seroso
órgãos do local onde é secretado. As membranas mucosas reves- e a espessa lâmina parietal do pericárdio seroso recobrem o cora-
tem várias cavidades e os tubos que entram ou saem do corpo, ção. O espaço entre essas duas membranas é chamado de cavi-
tais como as cavidades oral e nasal e os tubos dos sistemas respira- dade do pericárdio.
tório, genital, urinário e digestório. As membranas serosas da cavidade abdominal são chama-
As membranas serosas revestem as cavidades torácica e ab- das membranas peritoneais. O peritônio parietal reveste a parede
dominopélvica e recobrem órgãos viscerais, secretando um lubri- abdominal e o peritônio visceral recobre os órgãos viscerais. A
ficante aquoso chamado líquido seroso. As pleuras são membranas cavidade peritoneal é o espaço potencial no interior da cavidade
serosas ligadas aos pulmões. Cada pleura (pleura do pulmão di- abdominopélvica entre as membranas peritoneais parietal e vis-
reito e pleura do pulmão esquerdo) tem duas partes. A pleura ceral. O omento menor e o omento maior são pregas do peritônio
visceral adere à superfície externa do pulmão, enquanto a pleura que se estendem a partir do estômago. Eles armazenam gordura e
parietal reveste a parede torácica e a superfície torácica do dia-
fragma. O espaço úmido entre as duas pleuras é conhecido como
cavidade pleural (fig. 2.21). peritônio: G. peritonaion, estende-se sobre
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44 Unidade 2 Terminologia, Organização e Organismo Humano

Cavidades do corpo
Diferenciam-se durante
o desenvolvimento
CAPÍTULO 2

Cavidade anterior Cavidade posterior


(ventral) (celoma) (dorsal)
Protege os órgãos Protege o encéfalo e a
viscerais; permite os medula espinal; contém
movimentos dos
o líquido cerebrospinal
órgãos durante o
peristaltismo; contém flutuante
líquido seroso
lubrificante

Divide-se Subdivide-se
em em

Cavidade torácica Cavidade Cavidade do crânio Canal vertebral


abdominopélvica Preserva a consistência
Contém e protege Preserva a consistência
coração, pulmões, Contém a cavidade peri- do encéfalo enquanto o da medula espinal en-
quanto permite sua
traquéia, esôfago, toneal e seu conteúdo mantém imóvel
flexibilidade
grandes vasos e nervos

Subdivide-se em
Divide-se
em

Cavidade abdominal Cavidade pélvica


Cavidade pleural Mediastino Cavidade pleural Contém vísceras Contém vários órgãos
direita esquerda abdominais e líquido urinários e genitais,
Contém traquéia,
peritoneal lubrificante porção terminal do
Envolve o pulmão esôfago, grandes Envolve o pulmão
trato digestório
direito e contém o vasos e nervos esquerdo e contém o
e líquido peritoneal
líquido pleural lubrificante líquido pleural lubrificante
lubrificante

Também
contém
Cavidade do pericárdio
Envolve o coração e
contém líquido
pericárdico lubrificante

FIGURA 2.22 Organização das cavidades do corpo.


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Capítulo 2 Organização do Corpo e Terminologia Anatômica 45

Cavidade do crânio
(contém o encéfalo)
Seio
esfenoidal
(contém túnica

CAPÍTULO 2
mucosa)

Seio frontal
(contém túnica
mucosa)

Órbita
(contém o
bulbo do olho)

Cavidade nasal
(contém túnica
mucosa e receptores
do olfato)
Cavidade oral Cavidade da
(contém dentes, orelha média
língua e receptores (contém os
do gosto) ossículos
da audição)

FIGURA 2.23 Cavidades e espaços no interior da cabeça.

protegem os órgãos viscerais da cavidade abdominal. Certos ór-


gãos, como os rins, as glândulas supra-renais, e uma parte do pân-
creas que está no interior da cavidade abdominopélvica estão
Resposta do Estudo de Caso Clínico
Em geral, a cavidade torácica está efetivamente separada da cavi-
colocados atrás do peritônio parietal, e são então mencionados dade abdominopélvica pelo diafragma, peritônio e pleura. O fenômeno
como sendo retroperitoneais. Mesos são lâminas duplas de peritô- pelo qual o líquido da lavagem peritoneal está drenando pelo tubo cor-
nio que conectam o peritônio parietal com o peritônio visceral retamente colocado no tórax só pode ser explicado pela presença de um
(veja figs. 2.20 e 18.3). problema no diafragma. O problema em nossa paciente é provavel-
mente uma ruptura traumática ou dilaceração do diafragma causada por
um golpe agudo no abdome. O golpe deve ter produzido súbita pressão
ascendente contra o diafragma, o que teria causado sua ruptura. A au-
Avaliação de Conhecimentos sência de bile, sangue, etc., no líquido de lavagem peritoneal não ga-
rante a ausência de trauma nos órgãos como duodeno e pâncreas. Esses
17. Descreva as divisões e os limites da cavidade anterior do órgãos não estão localizados no interior da cavidade peritoneal, já que
corpo e liste os principais órgãos contidos no interior de são retroperitoneais, ou totalmente posteriores à membrana peritoneal.
cada divisão. Isso mantém o sangue ou vazamento de enzimas desses órgãos fora do
18. Faça a distinção entre a membrana mucosa e a membrana espaço peritoneal e afastados do líquido de lavagem. Outros sinais
serosa e liste as membranas serosas específicas das cavidades devem portanto ser pesquisados, e deve ser mantido um alto indicativo
de suspeita, de forma a não se negligenciar lesões nesses órgãos. Evidên-
torácica e abdominopélvica. cia de lesão em qualquer um dos órgãos intra-abdominais, ou a presença
19. Explique a importância de separar e diferenciar as cavida- de ruptura diafragmática, requer laparotomia (incisão abdominal) de
des do corpo. emergência para reparar as estruturas envolvidas.
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46 Unidade 2 Terminologia, Organização e Organismo Humano

Resumo do Capítulo
Classificação e Características dos fornecem os indícios para o significado Regiões do Corpo (pp. 35-40)
CAPÍTULO 2

Humanos (pp. 23-28) dos termos. 1. A cabeça é dividida em uma região facial,
1. Nosso nome científico, Homo sapiens, 2. O conhecimento de prefixos e sufixos que inclui olhos, nariz e boca, e uma
significa “homem inteligente” e a básicos facilita o aprendizado e a região craniana que recobre e sustenta o
inteligência é nossa característica mais memorização da terminologia anatômica. encéfalo.
evidente. 3. Anatomia é uma ciência fundamental 2. O pescoço compreende as regiões cervi-
2. Humanos pertencem ao filo Cordado por para os campos médico e paramédico. cais e sua função é dar suporte à cabeça e
causa da presença de uma notocorda, um permitir seus movimentos.
tubo neural dorsal e bolsas faríngeas Planos de Referência e Terminologia 3. A frente do tórax é subdividida em duas
durante a fase embrionária de Descritiva (pp. 33-35) regiões mamárias e uma região pré-esternal.
desenvolvimento humano. 1. O corpo ou órgãos do corpo podem ser 4. Em ambos os lados do tórax existe uma
3. Humanos são mamíferos e, como tal, têm seccionados de acordo com os planos de fossa axilar e uma região peitoral lateral.
características dos mamíferos, que referência que incluem um plano sagital 5. O abdome pode ser dividido em nove
incluem: pêlos, glândulas mamárias, três mediano que se dirige verticalmente ao regiões anatômicas ou quatro quadrantes.
ossículos da audição, heterodontia, uma longo do corpo, dividindo-o em metades 6. Nomes regionais pertencentes ao membro
placenta, um músculo diafragma e um direita e esquerda; um plano superior incluem o ombro, o braço, o
coração com quatro câmaras com o arco sagital que se dirige verticalmente antebraço e a mão.
da aorta para a esquerda. através de uma estrutura, dividindo-a em 7. Nomes regionais pertencentes ao membro
4. Humanos também são classificados dentro partes direita e esquerda; um plano inferior incluem o quadril, a coxa, a perna
da ordem dos Primatas, os quais têm mãos frontal (coronal) que se dirige e o pé.
para preensão, dedos modificados para verticalmente ao longo de uma estrutura,
pegar e encéfalos bem desenvolvidos. dividindo-a em partes anterior (frontal) e Cavidades e Membranas do Corpo
5. Humanos são os membros exclusivos da posterior (dorsal); e um plano transversal (pp. 41-45)
família dos Hominídeos. (seccional transverso) que se dirige 1. A cavidade posterior, que contém as
6. Algumas das características dos humanos horizontalmente através de uma cavidades do crânio e a coluna vertebral,
são: um encéfalo grande, bem inclui e protege o encéfalo e a medula
estrutura, dividindo-a em partes superior
desenvolvido; locomoção bipedal; polegar espinal – o sistema nervoso central.
e inferior.
em oposição; estruturas vocais bem 2. A cavidade anterior que circunda as cavi-
2. Na posição anatômica, o indivíduo está
desenvolvidas e visão estereoscópica. dades torácica e abdominopélvica contém
ereto com os pés paralelos, olhos dirigidos
para diante e membros superiores aos os órgãos viscerais.
Organização do Corpo (pp. 28, 29) 3. Outras cavidades do corpo incluem a oral,
lados do corpo com as palmas da mão
1. Células são os componentes estruturais e voltadas para diante e os dedos da mão a nasal e as cavidades da orelha média.
funcionais fundamentais da vida. 4. O corpo tem dois tipos principais de
apontados para baixo.
2. Tecidos são agregados de células membranas: membranas mucosas que
3. Termos de direção são usados para
semelhantes que executam funções secretam muco protetor e membranas
descrever a localização de uma parte do
específicas. serosas que revestem as cavidades
corpo em relação a outra parte na posição
3. Um órgão é uma estrutura que consiste ventrais e recobrem os órgãos viscerais.
anatômica.
em dois ou mais tecidos que executam As membranas serosas secretam um
uma função específica. 4. Procedimentos clínicos incluem
líquido seroso lubrificante.
4. Um sistema do corpo está composto de observação (inspeção visual), palpação
5. As membranas serosas podem ser classifi-
um grupo de órgãos que funcionam (sentir pressionando com firmeza),
cadas em membranas pleurais (ligadas aos
conjuntamente. percussão (detectando ressonâncias
pulmões), membrana pericardíaca (ligada
vibratórias), ausculta (escutando os sons
ao coração) ou membranas peritoneais
Terminologia Anatômica (pp. 30-33) do órgão) e resposta da pesquisa de
(ligadas às vísceras abdominais).
reflexo (determinado por movimentos
1. A maioria dos termos anatômicos é
derivada de palavras gregas ou latinas que involuntários).

Atividades de Revisão
Questões Objetivas 2. Mãos com preensão, dedos modificados 3. Camadas ou agregados de células seme-
1. Qual das seguintes características não se para pegar e encéfalo grande e bem desen- lhantes que realizam funções específicas
encontra entre as principais dos cordados? volvido são estruturas características do chamam-se
(a) tubo neural dorsal grupo de animais conhecido como (a) organelas (c) órgãos
(b) cabeça, tórax e abdome distintos (a) primatas (c) mamíferos (b) tecidos (d) glândulas
(c) uma notocorda (b) vertebrados (d) cordados
(d) bolsas faríngeas
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Capítulo 2 Organização do Corpo e Terminologia Anatômica 47

4. Filtração e manutenção do volume e 13. Na posição anatômica, 11. Desenhe a cavidade torácica mostrando
composição química do sangue são (a) os membros superiores estão as posições relativas da cavidade do
funções do estendidos afastados do corpo pericárdio, cavidades pleurais e
(a) sistema urinário (b) As palmas das mãos estão voltadas mediastino.
(b) sistema linfático para trás 12. O que é membrana serosa? Explique como

CAPÍTULO 2
(c) sistema circulatório (c) O corpo está ereto e as palmas da mão os nomes das membranas serosas diferem
(d) sistema endócrino voltadas para frente de acordo com cada cavidade do corpo.
5. A fossa cubital está localizada no (d) o corpo está em posição fetal
(a) tórax 14. Escutar os sons que os órgãos viscerais em Questões de Análise Crítica
(b) membro superior funcionamento produzem chama-se 1. O músculo liso é um tipo de tecido.
(c) abdome (a) percussão (c) audiotação Usando exemplos, comente o nível de
(d) membro inferior (b) palpação (d) ausculta organização do corpo “abaixo” do tecido
6. Como é constituída por mais de um tipo muscular liso e o nível de organização do
de tecido, a pele é considerada Questões Dissertativas corpo “acima” do tecido muscular liso.
(a) um tecido composto 1. Comente as características que um animal Qual desses níveis deve ser estudado como
(b) um sistema tem que possuir para ser classificado como anatomia microscópica e qual deve ser
(c) um órgão um cordado; um mamífero; um humano. estudado como anatomia macroscópica?
(d) um organismo 2. Descreva as relações da notocorda com a 2. As artérias transportam o sangue afas-
7. Qual dos seguintes planos não é coluna vertebral, as bolsas faríngeas com a tando-o do coração e as veias transportam
considerado como de referência? orelha, e o tubo neural dorsal com o sangue em direção ao coração. Usando os
(a) frontal (c) vertical sistema nervoso central. termos anterior, proximal, distal, medial e
(b) transversal (d) sagital 3. Com qual grupo de animais nós estamos lateral, descreva o fluxo do sangue do
8. Os genitais externos (órgãos reprodutores) mais intimamente relacionados? Quais as coração para a palma da mão e dedo
estão localizados características anatômicas que nós temos polegar direito e a volta para o coração.
(a) na fossa poplítea em comum com eles? Responda esta pergunta, considerando o
(b) no períneo 4. Faça uma relação das características corpo em posição anatômica. Também,
(c) na região hipogástrica anatômicas que distinguem os humanos. esteja ciente que acrescentando “mente”
(d) na região epigástrica 5. Identifique os níveis de complexidade que a esses termos eles passam de adjetivos
caracterizam o corpo humano. para advérbios.
9. A região da cavidade torácica entre as
6. Esboce os sistemas do corpo e identifique 3. Órgãos vitais do corpo são aqueles que
duas cavidades pleurais chama-se
os órgãos principais que compõem cada são essenciais para as funções importantes
(a) espaço ventral médio
sistema. do corpo. Exemplos são o coração
(b) mediastino
7. O que se entende por posição anatômica? bombeando o sangue, o fígado
(c) cavidade ventral
Por que a posição anatômica é importante processando os alimentos e destruindo as
(d) cavidade mediana
para o estudo de anatomia? células sangüíneas velhas, os rins filtrando
10. A região abdominal acima da região sangue, os pulmões trocando os gases
umbilical e que contém a maior parte do 8. Defina os termos palpação, percussão e
ausculta. respiratórios e o cérebro controlando e
estômago é a região correlacionando as funções do corpo.
(a) hipocondríaca 9. Indique a região principal do corpo que
contém cada uma das seguintes estruturas A morte de uma pessoa ocorre quando um
(b) epigástrica ou mais órgãos vitais do corpo falham em
(c) diafragmática ou regiões secundárias:
(a) região escapular sua função. Explique por que os órgãos
(d) inguinal genitais não são considerados órgãos vitais
(b) braço
11. Referindo-nos às membranas serosas, qual do corpo.
(c) fossa poplítea
das seguintes associações de palavras é 4. Um homem de 25 anos de idade sofreu
(d) região lombar
incorreta? um traumatismo no lado esquerdo, na
(e) fossa cubital
(a) pleura visceral/pulmão parte lateral de sua caixa torácica em
(f) região hipocondríaca
(b) peritônio parietal/parede do corpo conseqüência de um acidente ao escalar
(g) períneo
(c) mesentério/coração uma rocha. Na chegada à sala de
(h) fossa axilar
(d) pleura parietal/parede do corpo emergência do hospital, o doutor ER
(e) peritônio visceral/intestino 10. Faça uma relação das cavidades e dos
espaços encontrados no interior da cabeça explicou que a extensão da lesão só
12. O plano de referência que divide o corpo poderia ser determinada após realizar as
e explique as funções de cada um.
em partes anterior e posterior é técnicas de inspeção, palpação, percussão
(a) sagital (c) coronal e ausculta. Descreva como cada uma
(b) transversal (d) secção transversa dessas técnicas pode ser usada para
avaliar a situação do tórax e dos órgãos to-
rácicos.
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3
Citologia

Introdução à Citologia 49
Química Celular 50
Estrutura Celular 52
Ciclo da Célula 65
CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS 70

Resposta do Estudo de Caso Clínico 74


Resumo do Capítulo 74
Atividades de Revisão 75

Estudo de Caso Clínico


Um homem de 46 anos de idade, embriagado é conduzido à sala de emergência por para-
médicos, depois que sua companheira chamou o 190 informando que ele estava tendo um ata-
que epilético. No decorrer da primeira hora, o paciente foi ficando progressivamente mais
sonolento. Enquanto o pessoal da sala de emergência iniciava a lavagem gástrica para tratar de
presumível ingestão de droga, você procura ouvir a história clínica da companheira do homem.
Ela informa que o encontrou entre várias garrafas vazias de anticongelantes (etilenoglicol). Ao
ouvir isso, você imediatamente determina a injeção intravenosa de uma solução de etanol a
10% no homem.
Como as enzimas promovem o metabolismo das substâncias químicas? Qual é o signifi-
cado da “inibição competitiva” e como isso se relaciona com a terapia para envenenamento por
etileno glicol? Quando você ler este capítulo, preste atenção a outras reações enzimáticas e cer-
tifique-se que esses são importantes objetivos dos medicamentos terapêuticos.
FIGURA: As drogas atuam no nível celular
onde é mantido um delicado equilíbrio químico.
Um conhecimento completo da estrutura
celular é imperativo para entender a fisiologia
celular e a terapia das drogas.
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Capítulo 3 Citologia 49

quisando por que e como o corpo envelhece. As respostas devem vir


INTRODUÇÃO À CITOLOGIA somente com o melhor entendimento da estrutura e da função celular.
A célula é a unidade fundamental estrutural e funcional do corpo. Os avanços em microscopia revolucionaram a ciência da cito-
Embora as células variem amplamente em tamanho e forma, elas logia. Em um novo processo chamado microtomografia, são
têm semelhanças estruturais básicas e todas metabolizam para combinadas as capacidades da microscopia eletrônica com as da
permanecerem vivas. tomografia computadorizada para produzir imagens de alta amplia-
ção, tridimensionais, microtomográficas de células vivas. Com esta
tecnologia, pode-se observar como as células vivas se movem, cres-
Objetivo 1 Definir os termos célula, metabolismo e citologia.
cem e se dividem. As aplicações clínicas são imensas, quando os
cientistas podem observar as respostas das células doentes (inclu-
Objetivo 2 Usando exemplos, explicar como as células se sive células de câncer) aos vários tratamentos com drogas.
diferenciam umas das outras e como a estrutura de uma
célula determina sua função.

Diversidade Celular

CAPÍTULO 3
Células como Unidades Funcionais É espantoso que de uma única célula, o ovo fertilizado, origi-
A anatomia humana se interessa pela estrutura do corpo hu- nam-se centenas de tipos de células, produzindo os estimados
mano e com as relações entre suas partes. O corpo é uma obra-prima sessenta a cem trilhões de células que compõem um humano
de organização para a qual a célula fornece a base. Por esta razão, a adulto. As células variam grandemente em tamanho e forma. As
célula é chamada de unidade funcional. Como foi abordado no capí- células menores só são visíveis em microscópio de alta-potência.
tulo 2, a organização celular forma os tecidos cuja organização forma Até mesmo a maior, uma célula ovo (óvulo), é pouco visível a olho
os órgãos que por sua vez formam os sistemas. Para que os órgãos e os nu. Os tamanhos de células são medidos em micrômetros (µm) –
sistemas funcionem corretamente, as células têm que funcionar cor- um micrômetro é igual a 1/1.000 milímetro. Usando esta base de
retamente. A função celular está relacionada com o seu metabo- comparação, um óvulo tem aproximadamente 140 µm de diâmetro
lismo. Para que as células permaneçam vivas e metabolizem, devem e uma célula de glóbulo vermelho está em torno de 7,5 µm de diâ-
ser satisfeitas certas exigências. Cada célula tem que ter acesso a nu- metro. O tipo mais comum de célula de glóbulo branco varia de ta-
trientes e ao oxigênio e deve poder eliminar seus resíduos. Além manho de 10 a 12 µm de diâmetro. Embora ainda microscópicas,
disso, deve ser mantido um ambiente protetor constante. Todas algumas células podem ser extremamente longas. Uma célula ner-
essas exigências são conseguidas através da organização. vosa (neurônio), por exemplo, pode se estender por toda extensão
As células foram observadas, inicialmente, há mais de 300 anos de um membro e pode ter mais de um metro de comprimento.
atrás pelo cientista inglês Robert Hooke. Usando seu microscópio ru- Embora o desenho típico de uma célula a mostre com as for-
dimentar para examinar uma fatia fina de cortiça, ele viu uma rede de mas redonda ou de um cubo, as formas das células são extrema-
paredes de células e cavidades semelhantes a caixas, as quais chamou mente variáveis, podendo ser planas, ovais, alongadas, estreladas,
de “caixinhas ou células”, em comparação com os cubículos vazios de colunares, e assim por diante (fig. 3.1). A forma de uma célula fre-
um mosteiro. Quando se desenvolveram microscópios melhores, os qüentemente é uma indicação de sua função. O glóbulo vermelho,
detalhes arquitetônicos intrigantes da estrutura celular foram gradual- uma célula em forma de disco, está adaptado para transportar oxigê-
mente sendo revelados. As lentes mais precisas levaram a uma série nio. Células finas, planas podem estar ligadas para formar membra-
de descobertas que culminaram na formulação da teoria da célula em nas seletivamente permeáveis. Uma célula de forma irregular, como
1838 e 1839 por dois biólogos alemães, Matthias Schleiden e Theo- um neurônio, tem uma considerável relação de área de superfície
dor Schwann. Essa teoria estabelece que todos os organismos vivos com volume, que é ideal para receber e transmitir estímulos.
são constituídos por uma ou mais células e que a célula é a unidade As superfícies de algumas células são lisas, de forma que as
básica da estrutura para todos os organismos. O trabalho de Schlei- substâncias passam facilmente sobre elas. Outras células possuem
den e Schwann lançou as bases de uma nova ciência chamada citolo- depressões e elevações distintas nas suas membranas para facilitar a
gia que se relaciona com a estrutura e a função das células. absorção. Algumas células acomodam em sua superfície estruturas
O conhecimento do nível celular da organização é importante como cílios, flagelos e coberturas gelatinosas que auxiliam os movi-
para entender os processos básicos do corpo, da respiração celular, da mentos e propiciam aderências. Independente dos tamanhos e for-
síntese das proteínas, da mitose e da meiose. A compreensão da estru- mas das células, todas elas apresentam modificações estruturais que
tura celular dá sentido aos conceitos dos níveis, tecido, órgão e sistemas servem a seus objetivos funcionais.
da organização funcional do corpo. Além disso, muitas deficiências or-
gânicas e doenças originam-se nas células. Embora a estrutura e função Avaliação de Conhecimentos
celular tenham sido investigadas por muitos anos, nós ainda temos
muito para aprender sobre células. As etiologias, ou causas, de várias 1. Por que a célula é considerada a unidade estrutural e fun-
doenças complexas são ainda desconhecidas. Os cientistas estão pes- cional básica do corpo?
2. Quais condições são necessárias para que ocorra o metabolismo?
metabolismo: G. metabole, modificar 3. Dê alguns exemplos de modificações estruturais que permi-
citologia: L. cella, cubículo; G. logos, estudo de tem às células executar funções específicas.
etiologia: L. aitia, causa; G. logos, estudo de
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50 Unidade 3 Estrutura Microscópica do Corpo

(b)

(c)

(a)
CAPÍTULO 3

(d)

(e) (f)
(h)
(g)
FIGURA 3.1 Exemplos de várias formas de células no interior do corpo. (As células não estão desenhadas seguindo uma escala.) (a) Um
neurônio (célula nervosa) mostrando o corpo da célula cercado por numerosos prolongamentos dendríticos e uma porção de axônio esten-
dendo-se para baixo, (b) uma célula epitelial escamosa do revestimento de um vaso sangüíneo, (c) uma célula muscular lisa da parede intesti-
nal, (d) uma célula muscular esquelética, (e) um leucócito (glóbulo branco), (f) um eritrócito (glóbulo vermelho), (g) um osteócito (célula óssea) e
(h) um espermatozóide (célula do esperma).

QUÍMICA CELULAR Elementos, Moléculas e Compostos


Elementos são as substâncias químicas mais simples. Quatro
Todos os tecidos e órgãos são constituídos de estruturas celula-
elementos compõem acima de 95% da massa do corpo e suas por-
res que têm, basicamente, os mesmos componentes químicos.
centagens em relação ao peso do corpo são: oxigênio (O) 65%,
As substâncias inorgânicas mais importantes do corpo incluem
água, ácidos, bases e sais. As substâncias orgânicas mais impor-
carbono (C) 18%, hidrogênio (H) 10% e nitrogênio (N) 3%. Ou-
tantes do corpo incluem proteínas, carboidratos e lipídios. tros elementos encontrados no corpo incluem cálcio (Ca), potás-
sio (K), sódio (Na), fósforo (P), magnésio (Mg) e enxofre (S).
Objetivo 3 Fazer uma lista dos elementos químicos Alguns elementos existem separadamente no corpo, mas a
comuns encontrados no interior das células. maioria deles está ligada quimicamente a outros para formar mo-
Objetivo 4 Diferenciar compostos inorgânicos
léculas. Algumas moléculas são constituídas por elementos seme-
e orgânicos e dar exemplos de cada um. lhantes – uma molécula de oxigênio (O2), por exemplo. Outros,
como a água (H2O) são compostos por tipos diferentes de ele-
Objetivo 5 Explicar a importância da água na mentos. Compostos são moléculas formadas por dois ou mais ele-
manutenção da homeostasia do corpo. mentos diferentes. Assim, a estrutura química da água pode ser
Objetivo 6 Diferenciar proteínas, carboidratos chamada como uma molécula e como um composto.
e lipídios. Compostos orgânicos são aqueles constituídos de carbono,
hidrogênio e oxigênio, e incluem substâncias comuns do corpo
Para entender a estrutura e a função celular, temos que ter como proteínas, carboidratos e lipídios. Nos compostos inorgâni-
os conhecimentos básicos da célula e da química geral do corpo. cos geralmente falta carbono e incluem substâncias comuns no
Todos os processos que ocorrem no corpo obedecem aos princí- corpo como água e eletrólitos (ácidos, bases e sais). As porcenta-
pios de química. Além disso, muitas das disfunções do corpo têm gens de compostos orgânicos e inorgânicos encontradas em adul-
uma base química. tos masculinos e femininos estão comparadas na tabela 3.1.
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Capítulo 3 Citologia 51

TABELA 3.1 Compostos Encontrados em TABELA 3.2 Tipos de Eletrólitos


Adultos Masculinos e Femininos (Expressos Características Exemplos
em Percentagem do Peso do Corpo)
Ácido Ioniza para liberar íons de Ácido carbônico, ácido
hidrogênio (H+) clorídrico, ácido acético,
Substância Masculino Feminino ácido fosfórico
Base Ioniza para liberar íons de Hidróxido de sódio, hidróxido
Água 62 59
hidroxila (OH–) que combinam de potássio, hidróxido de
Proteínas 18 15 com íons de hidrogênio magnésio, hidróxido de
Lipídios 14 20 alumínio
Carboidratos 1 1 Sal Substância formada pela reação Cloreto de sódio, cloreto de
Outros (eletrólitos, ácidos nucléicos) 5 5 entre um ácido e uma base alumínio, sulfato de magnésio

CAPÍTULO 3
A disparidade de proteínas, lipídios e água em homens e Eletrólitos
mulheres adultos pode ser explicada pelas quantidades relativas
de hormônios sexuais. Hormônios do sexo masculino promovem Eletrólitos são compostos inorgânicos que se decompõem
o desenvolvimento de proteínas, especialmente no tecido muscu- em íons quando dissolvidos em água e formam uma solução capaz
lar esquelético. Hormônios sexuais femininos promovem a reten- de conduzir eletricidade. Um eletrólito é classificado de acordo
ção de gorduras, que são um importante recurso alimentar para com os íons que produz quando dissolvido em água. As três clas-
nutrir uma criança. Como as proteínas contêm mais água que os ses de eletrólitos são ácidos, bases e sais, todos importantes para a
lipídios, há uma disparidade entre a porcentagem de líquidos no função normal da célula. As funções dos íons incluem o controle
corpo entre homens e mulheres. do movimento da água através das células e a manutenção do
equilíbrio ácido-básico normal (pH). Os íons também são essen-
ciais para a função dos nervos e músculos e alguns íons servem
Água como cofatores que são necessários para uma ótima atividade en-
zimática. Sintomas de desequilíbrio eletrolítico variam de cãibras
A água é sem dúvida o composto mais abundante encon- musculares, ossos quebradiços ao coma e parada cardíaca. Três
trado no interior das células e no meio extracelular. A água ge- tipos de eletrólitos estão resumidos na tabela 3.2.
ralmente ocorre no interior do corpo como uma mistura
homogênea de dois ou mais compostos chamada solução. Nesta
condição, a água é o solvente, ou a porção líquida da solução, e Proteínas
os solutos são as substâncias dissolvidas na solução. A água é um
solvente quase universal, significando que quase todos os com- Proteínas são compostos orgânicos nitrogenados formados
postos químicos se dissolvem nela. Além disso, também é usada por subunidades de aminoácidos. Um aminoácido é um composto
para transportar muitos solutos através da membrana celular de orgânico que contém um grupo amino (-NH2) e um grupo carbo-
uma célula ou de uma parte da célula para outra. A água tam- xila (-COOH). Há 20 tipos diferentes de aminoácidos que
bém é importante para manter uma temperatura celular cons- podem contribuir para uma determinada proteína. Essa variedade
tante, e assim uma temperatura constante do corpo, porque permite que cada tipo de proteína possa ser construída para fun-
absorve e libera calor lentamente. O resfriamento evaporativo cionar de modo muito específico.
(sudorese) através da pele também envolve água. Outra função As proteínas são os compostos orgânicos mais abundantes.
da água é como reagente na decomposição química (hidrólise) do Podem existir isoladamente ou ser conjugadas (unidas) com ou-
material alimentar na digestão. tros compostos; por exemplo, com ácidos nucléicos (RNA ou
DNA) para formar nucleoproteínas, com carboidratos para for-
Desidratação é uma situação na qual a perda de líquidos ex- mar glicoproteínas, ou com lipídios para formar lipoproteínas.
cede a entrada de líquidos, resultando em uma diminuição
dos volumes líquidos intracelular e extracelular. A desidratação rá- As proteínas podem ser classificadas de acordo com o papel
pida por vômitos, diarréia ou sudorese excessiva pode conduzir a que desempenham no corpo, em estruturais ou funcionais. Proteínas
problemas médicos sérios prejudicando a função celular. As crian- estruturais contribuem significativamente para a estrutura dos dife-
ças são especialmente vulneráveis porque apresentam o volume lí- rentes tecidos. Os exemplos incluem o colágeno em tecido conjun-
quido muito pequeno, e podem morrer de desidratação em
conseqüência da diarréia em questão de horas. tivo e a queratina na epiderme da pele. Proteínas funcionais
assumem um papel mais ativo no corpo e exercem alguma forma de

eletrólito: L. electrum, âmbar; G. lysis, soltar


solução: L. solvere, dissolver ácido: L. acidus, ácido
hidrólise: G. hydor, água; lysis, soltar proteína: G. proteios, de primeira qualidade
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52 Unidade 3 Estrutura Microscópica do Corpo

TABELA 3.3 Substâncias Químicas das Células: Localização e Função


Substância Localização na Célula Função
Água Em toda parte Dissolve, suspende e ioniza materiais; ajuda a regular a temperatura
Eletrólitos Em toda parte Estabelece gradientes osmóticos, pH e potenciais de membrana
Proteínas Membranas, citoesqueleto, ribossomos, enzimas Propicia estrutura, força e contratilidade; catálise; tampão
Lipídios Membranas, aparelho de Golgi, inclusões Propicia fonte de reserva energética; forma, proteção e isolamento
Carboidratos Inclusões Combustível preferido para atividade metabólica
Ácidos nucléicos
DNA Núcleo, cromossomos e genes Controle da atividade celular
RNA Nucléolo, citoplasma Transmite informações genéticas; transporta aminoácidos
CAPÍTULO 3

Traços de materiais
Vitaminas Citoplasma, núcleo Atuam com enzimas no metabolismo
Minerais Citoplasma, núcleo Essenciais para o metabolismo normal; envolvidos no equilíbrio osmótico; força; tampão

controle do metabolismo. Os exemplos incluem enzimas e anticorpos. Os lipídios, como os carboidratos, são compostos de car-
Muitos hormônios pertencem a um grupo especializado de mensa- bono, hidrogênio e oxigênio, entretanto, contêm uma proporção
geiro e regulador de proteínas produzidos por glândulas endócrinas. menor de oxigênio do que os carboidratos.
O crescimento celular, os reparos e a divisão dependem da disponi- As localizações e as funções das substâncias inorgânicas e
bilidade de proteínas funcionais. As proteínas sob certas condições orgânicas do interior das células estão resumidas na tabela 3.3.
podem ser metabolizadas, até mesmo para fornecer energia celular.
Avaliação de Conhecimentos
Carboidratos 4. Faça uma relação dos quatro elementos mais abundantes no
corpo e estabeleça as suas porcentagens relativas ao peso do corpo.
Carboidratos são compostos orgânicos que contêm carbono, 5. Defina molécula e compostos. Quais são os dois tipos de compos-
hidrogênio e oxigênio na razão de 2:1 de hidrogênio para oxigênio. tos que existem no corpo? Em que bases eles se diferenciam?
Carboidratos incluem monossacarídeos, ou açúcares simples, dissacarí-
6. Faça uma relação de algumas das funções da água em rela-
deos, ou açúcares duplos, e polissacarídeos, ou açúcares em cadeias
ção às células e defina solvente e soluto.
longas. Carboidratos são a fonte de energia mais prontamente aces-
sível do corpo e também podem ser usados como combustível de re- 7. Comente a importância dos eletrólitos na manutenção da
serva. A entrada excessiva de carboidratos é convertida em glicogênio homeostasia no interior das células.
(amido animal) ou gordura para armazenamento em tecido adiposo. 8. Defina proteína e descreva como as proteínas funcionam no
interior das células. Explique como as proteínas diferem dos
Se uma pessoa é privada de alimento, o corpo usa inicial- carboidratos e lipídios.
mente o glicogênio e as reservas de gordura e em seguida
metaboliza a proteína dentro das células. A destruição gradual de
proteínas celulares é responsável pela letargia, emagrecimento ex-
cessivo, e por fim a morte das vítimas da fome.
ESTRUTURA CELULAR
Lipídios A membrana celular separa o interior de uma célula do meio extra-
celular. A passagem de substâncias para dentro e para fora da cé-
Lipídios constituem o terceiro grupo de compostos orgâni- lula é regulada pela membrana celular. A maioria das atividades
cos importantes que se encontram nas células. Eles são insolúveis metabólicas de uma célula ocorre dentro das organelas citoplas-
em água e incluem gorduras e substâncias relacionadas com as máticas. O núcleo funciona na síntese da proteína e na reprodu-
gorduras, como fosfolipídios e colesterol. As gorduras são impor- ção da célula.
tantes na montagem de partes da célula e no fornecimento de
energia metabólica. Também protegem e isolam várias partes do Objetivo 7 Descrever os componentes de uma célula.
corpo. Fosfolipídios e moléculas de proteínas compõem a mem- Objetivo 8 Descrever a composição e a estrutura da
brana da célula e desempenham um papel importante regulando membrana celular e relacionar sua estrutura com a função
as substâncias que entram ou que saem de uma célula. que realiza.

hormônio: G. hormon, posto em movimento Objetivo 9 Distinguir o transporte passivo do ativo e


lipídio: G. lipos, gordura descrever os modos diferentes como são realizados.
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Capítulo 3 Citologia 53

TABELA 3.4 Componentes Celulares: Estrutura e Função


Componente Estrutura Função
Membrana celular (plasmática) Membrana composta de dupla camada de fosfolipídios Dá forma à célula e controla a passagem de materiais para
na qual as proteínas estão incrustadas dentro e para fora da célula
Citoplasma Líquido, substância gelatinosa entre a membrana celular Serve como substância matriz na qual ocorrem as reações
e o núcleo na qual as organelas estão em suspensão químicas
Retículo endoplasmático Sistema de membranas de interconexão formando canais Fornece armação de suporte dentro do citoplasma;
e túbulos transporta materiais e fornece ligação para os ribossomos
Ribossomos Partículas granulares compostas de proteínas e RNA Sintetiza proteínas
Aparelho de Golgi Agrupamento de sacos membranosos achatados Sintetiza carboidratos e acondiciona moléculas
para secreção; secreta lipídios e glicoproteínas

CAPÍTULO 3
Mitocôndrias Filamentos membranosos de paredes duplas pregueadas Liberam energia das moléculas de alimentos e transformam
internamente com partições energia em ATP utilizável
Lisossomos Vesículas membranosas de parede simples Digerem moléculas estranhas, usadas e células lesadas
Peroxissomos Vesículas membranosas esféricas Contêm enzimas que desintoxicam as moléculas prejudiciais
e destroem o peróxido de hidrogênio
Centrossomo Massa não membranosa de dois Ajuda a organizar as fibras do fuso e distribui
centríolos em forma de bastonetes cromossomos durante a mitose do ciclo da célula
Vacúolos Vesículas membranosas Armazenam e liberam várias substâncias dentro do citoplasma
Fibrilas e microtúbulos Túbulos finos e ocos Suportam o citoplasma e transportam materiais para o
interior do citoplasma
Cílios e flagelos Minúsculas projeções citoplasmáticas que se estendem Movimentam partículas ao longo da superfície celular
da superfície da célula ou movimentam a célula
Membrana nuclear (envoltório) Membrana de parede dupla composta de moléculas Dá suporte ao núcleo e controla a passagem de
de proteína e lipídios que circundam o núcleo materiais entre o núcleo e o citoplasma
Nucléolo Massa densa não membranosa composta de proteínas Forma ribossomos
e moléculas de RNA
Cromatina Cadeias fibrosas compostas de proteínas e moléculas de DNA Contém o código genético que determina quais proteínas
(especialmente enzimas) devem ser feitas pela célula

Objetivo 10 Descrever a estrutura e a função do retículo 2. Citoplasma e organelas. O citoplasma é o material celular
endoplasmático, ribossomos, aparelho de Golgi, lisossomos entre o núcleo e a membrana celular. Organelas são as es-
e mitocôndrias. truturas especializadas do interior da célula que executam
funções específicas.
Objetivo 11 Descrever a estrutura e a função do núcleo.
3. Núcleo. O núcleo é o corpo grande esferóide ou oval geral-
mente localizado perto do centro da célula e contém o
Como unidade funcional básica do corpo, a célula é uma fá- DNA, ou material genético, que dirige as atividades da cé-
brica de moléculas altamente organizada. Como foi previamente lula. Dentro do núcleo, podemos ver um ou mais corpos
exposto, as células apresentam uma grande variedade de formas e densos chamados nucléolos. O nucléolo contém subunida-
tamanhos. Esta variabilidade que também aparece em estruturas des, os ribossomos, as estruturas que servem como locais
subcelulares (organelas) reflete a diversidade de função das diferen- para síntese de proteínas.
tes células no corpo. Porém, todas as células têm certas característi-
cas em comum – uma membrana celular, por exemplo, e a maioria
das outras estruturas listadas na tabela 3.4. Assim, embora ne- Membrana Celular
nhuma célula possa ser considerada “típica”, a estrutura geral das A membrana celular extremamente fina é constituída princi-
células pode ser indicada por uma única ilustração (fig. 3.2). palmente por fosfolipídios e moléculas de proteínas. Sua espessura
Para fins descritivos, uma célula pode ser dividida em três varia de 65 a 100 angstrons (Å); isto é, menor que um milionésimo de
partes principais: uma polegada de espessura. A estrutura da membrana celular não está
1. Membrana celular. A membrana celular seletivamente totalmente esclarecida, mas a maioria dos citologistas acredita que
permeável dá forma à célula, controla a passagem de molé- consista em uma camada dupla de fosfolipídios, na qual estão incrus-
culas para dentro e para fora da célula e separa as estruturas tadas proteínas globulares maiores (fig. 3.3). As proteínas são livres
internas da célula do meio extracelular. para se movimentar no interior da membrana. Em conseqüência, não

plasma: G. plasma, formar ou moldar núcleo: L. nucleus, núcleo ou noz


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54 Unidade 3 Estrutura Microscópica do Corpo

Aparelho de Golgi
Grânulo de
secreção Membrana nuclear

Centríolo
Mitocôndria

Nucléolo Lisossomo
Cromatina
CAPÍTULO 3

Membrana celular
Núcleo

Microtúbulo

Retículo
endoplasmático
rugoso

Citoplasma
Retículo
endoplasmático Ribossomo
liso

w
Le

FIGURA 3.2 Características estruturais de uma célula em geral.

estão distribuídas uniformemente, mas formam um mosaico em cons- oposta são atraídos e rapidamente atravessam a membrana,
tantes mudanças. Aberturas minúsculas, ou poros, variando entre 7 e enquanto aqueles com carga semelhante são repelidos.
10 Å de diâmetro se estendem através da membrana. • Solubilidade em lipídios. Substâncias que são dissolvidas
As duas funções mais importantes da membrana celular são facilmente em lipídios passam para o interior da célula sem
conter os componentes da célula e regular a passagem de substân- dificuldades, já que uma porção da membrana celular está
cias para dentro e para fora da célula. Uma troca altamente sele- composta de material lipídico.
tiva de substâncias acontece através da membrana limitante e • Presença de moléculas transportadoras. Moléculas trans-
envolve vários tipos de processos passivos e ativos. Os vários
portadoras especializadas do interior da membrana celular
tipos de movimentos através da membrana celular estão resumi-
são capazes de atrair e transportar substâncias através da
dos na tabela 3.5 e ilustrados na figura 3.4.
membrana, independente do tamanho, carga iônica, ou so-
A permeabilidade da membrana da célula depende dos se- lubilidade lipídica.
guintes fatores:
• Diferenças de pressão. As diferenças de pressão nos dois
• Estrutura da membrana celular. Embora as membranas ce- lados da membrana celular podem auxiliar bastante o movi-
lulares de todas as células sejam constituídas de fosfolipí- mento de moléculas para dentro ou para fora de uma célula.
dios, há evidências que suas espessura e disposição
estrutural – ambas as quais podem afetar a permeabilidade As membranas celulares de certas células são altamente es-
– variam consideravelmente. pecializadas para facilitar funções específicas (fig. 3.5). As células
• Tamanho das moléculas. Macromoléculas como certas colunares que revestem o lume (porção oca) do trato intestinal,
proteínas não admitidas na célula. Água e aminoácidos são por exemplo, têm numerosas projeções finas, ou microvilos que
moléculas pequenas e podem atravessar facilmente a mem- auxiliam no processo de absorção na digestão. Uma única célula
brana celular. colunar pode ter cerca de 3.000 microvilos na porção exposta da
• Carga iônica. A porção de proteína da membrana celular
conduz carga iônica positiva ou negativa. Íons com carga microvilo: G. mikros, pequeno; villus, pêlo
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Capítulo 3 Citologia 55

Lado extracelular

Proteína fibrosa

Carboidrato

Glicolipídio

CAPÍTULO 3
Proteína globular Dupla camada
Colesterol de moléculas
de fosfolipídios
Lado intracelular

FIGURA 3.3 A membrana celular consiste em dupla camada de fosfolipídios, com fosfatos (representados por esferas) orientados para fora
e hidrocarbonados hidrofóbicos (linhas onduladas) orientados para o centro. As proteínas podem atravessar a membrana, completa ou parcial-
mente. Os carboidratos estão ligados à superfície externa.

TABELA 3.5 Movimentos através da Membrana Celular


Processos Características Fonte de Energia Exemplo
Difusão simples Tendência das moléculas se movimentarem de regiões de Movimento molecular Gases respiratórios são trocados no pulmão
alta concentração para regiões de baixa concentração
Difusão Difusão de moléculas através da membrana semipermeável Transportador de energia Glicose entra na célula ligada a uma proteína
facilitada com o auxílio de moléculas transportadoras e movimento molecular transportadora
Osmose Movimento passivo de moléculas de água através Movimento molecular A água se movimenta através da membrana celular
da membrana semipermeável de regiões de alta para manter constante a turgidez da célula
concentração em água para regiões de baixa
concentração em água
Filtração Movimento de moléculas de regiões de alta pressão Pressão sangüínea Resíduos são removidos do sangue no interior dos rins
para regiões de baixa pressão como resultado da
pressão hidrostática
Transporte ativo Mediadores transportam solutos de regiões de baixa Energia celular (ATP) Glicose e aminoácidos deslocam-se através das
concentração para regiões de alta concentração membranas
(contra o seu gradiente de concentração)
Endocitose
Pinocitose Processo em que a membrana engloba minúsculas Energia celular A membrana forma vacúolos contendo soluto
gotículas líquidas do meio extracelular e solvente
Fagocitose Processo em que a membrana engloba partículas Energia celular A membrana celular dos glóbulos brancos engloba bactérias
sólidas do meio extracelular
Exocitose Liberação de moléculas da célula pela ruptura de vesículas Energia celular Hormônios e muco são excretados da célula;
neurotransmissores são liberados na sinapse
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56 Unidade 3 Estrutura Microscópica do Corpo

Membrana
Membrana Molécula de açúcar permeável Molécula de açúcar
permeável Molécula de água seletivamente Molécula de água

A
A B A B A B A B
B
CAPÍTULO 3

1 2 3 1 2
Tempo
Tempo
(a) Difusão (b) Osmose

Moléculas
menores
Moléculas
maiores

Pressão sangüínea

Membrana Meio líquido


capilar
(c) Filtração

FIGURA 3.4 Exemplos de vários tipos de movimentos através das membranas. (a) Moléculas de açúcar difundem do compartimento A para
o compartimento B até que se estabeleça o equilíbrio em 3. (b) Ocorre a osmose quando uma membrana seletivamente permeável permite ape-
nas a difusão da água através da membrana entre os compartimentos A e B, causando a elevação do nível líquido em A. (c) Ocorre a filtração
quando pequenas moléculas são forçadas através da membrana pela pressão sangüínea, deixando as moléculas maiores para trás.

Mv

(a) (b)

FIGURA 3.5 Microvilos no intestino delgado. Os microvilos (Mv) são vistos aqui com (a) microscópio eletrônico de transmissão e (b) micros-
cópio eletrônico de varredura. (TW é a rede terminal, uma malha de proteína na qual os microvilos estão ancorados.)
Reproduzido de R. G. Kessel e R. H. Kardon, Tissues and Organs: A Text Atlas of Scanning Electron Microscopy, W. H. Freeman and Co., 1979.
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Capítulo 3 Citologia 57

plasma é uma substância gelatinosa que é 80% a 90% água. As


organelas e as substâncias coloidais inorgânicas (partículas suspen-
sas) estão dispersas no citoplasma. Substâncias coloidais têm car-
gas iônicas semelhantes que se distribuem uniformemente.
A atividade metabólica ocorre no interior de organelas do
citoplasma. Funções específicas como produção de calor, manu-
tenção celular, reparos, armazenamento e síntese de proteínas são
realizadas no interior das organelas.
A estrutura e as funções de cada uma das principais organelas
são analisadas nos parágrafos seguintes e resumidas na tabela 3.4.

Retículo Endoplasmático

CAPÍTULO 3
Freqüentemente abreviado por RE, o retículo endoplasmá-
tico está amplamente distribuído por todo o citoplasma como
uma complexa rede de membranas interligadas (fig. 3.7). Embora
o nome pareça complicado, endoplasmático significa simplesmente
“dentro do plasma” (citoplasma da célula) e retículo significa
“rede”. Entre as membranas interligadas existem espaços minús-
culos, ou cisternas, que estão interligados em uma extremidade
com as membranas da célula. Os túbulos também podem estar co-
nectados a outras organelas ou com o envoltório nuclear externo.
O RE fornece uma via para o transporte de substâncias para
o interior da célula e uma área de armazenamento para moléculas
sintetizadas. Há duas variedades distintas, qualquer uma delas po-
de predominar em uma determinada célula:
1. retículo endoplasmático rugoso, ou granular, (RE rugoso),
caracterizado por numerosos grânulos pequenos chamados
ribossomos que estão ligados à superfície externa da parede
FIGURA 3.6 Um microscópio eletrônico de transmissão (MET) membranosa; e
como este é usado para observar e fotografar organelas no interior
do citoplasma de uma célula. 2. retículo endoplasmático liso (RE liso) onde faltam os ribos-
somos.
A parede membranosa de RE rugoso propicia um local para
membrana celular, e um milímetro quadrado de área de superfície síntese de proteínas dentro dos ribossomos. O RE liso fabrica cer-
pode conter mais de duzentos milhões de microvilos. tas moléculas de lipídios. Também, enzimas dentro do RE liso de
Certos órgãos sensoriais contêm células que têm membranas células hepáticas inativam ou desintoxicam uma variedade de
celulares especializadas. Os fotorreceptores bastonetes e cones do substâncias químicas.
olho, sensíveis aos raios luminosos, têm dupla camada de membranas
em forma de disco chamadas cálices ópticos. Estas estruturas contêm Uma pessoa que repetidamente usa certas drogas, como ál-
pigmentos associados com a visão. Dentro do órgão espiral (órgão de cool ou fenobarbital, desenvolve uma tolerância a elas, de
forma que quantidades maiores serão necessárias para atingir o
Corti) na orelha interna estão as células sensoriais internas (pêlos). efeito que tinham originalmente. A explicação citológica para isso é
Estes receptores táteis (toque) são estimulados por vibração mecâ- que o uso repetido leva o retículo endoplasmático liso a proliferar em
nica. As células “pêlos” são assim denominadas por causa dos proces- um esforço para desintoxicar essas drogas e proteger a célula. Com
o aumento das quantidades de retículo endoplasmático liso, as célu-
sos semelhantes a pêlos que se estendem de suas membranas celulares.
las podem controlar uma concentração aumentada de drogas.

Citoplasma e Organelas Ribossomos


Citoplasma refere-se ao material localizado dentro da mem- Os ribossomos podem se apresentar como partículas livres em
brana celular mas fora do núcleo. O material dentro do núcleo é suspensão dentro do citoplasma, ou podem estar ligados à parede
freqüentemente chamado de nucleoplasma. O termo protoplasma membranosa do retículo endoplasmático rugoso. Ribossomos são or-
às vezes é usado para se referir conjuntamente ao citoplasma e nu- ganelas pequenas, granulares (fig. 3.7.) compostas de proteínas e mo-
cleoplasma. léculas de RNA. Eles sintetizam moléculas de proteínas que podem
Quando observados por um microscópio eletrônico (fig. ser usadas para construir estruturas celulares ou funcionar como enzi-
3.6), componentes celulares distintos chamados organelas podem mas. Algumas das proteínas sintetizadas por ribossomos são secreta-
ser vistos no citoplasma altamente estruturado. A matriz do cito- das pela célula para serem utilizadas em outro lugar do corpo.
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58 Unidade 3 Estrutura Microscópica do Corpo

Aparelhos de Golgi
O aparelho de Golgi (complexo) consiste em vários sacos
membranosos minúsculos localizados próximo ao núcleo (fig. 3.8a).
O aparelho de Golgi está envolvido na síntese de carboidra-
tos e secreções celulares. Quando são sintetizadas grandes moléculas
de carboidratos, elas se combinam com proteínas para formar com-
postos chamados glicoproteínas que são acumuladas nos canais do
aparelho de Golgi. Quando um volume crítico é atingido, as vesícu-
las se rompem para fora do aparelho e são levadas até a membrana
da célula e lançadas como secreção (fig. 3.8b). Assim que a vesícula
se funde com a membrana celular, ela se rompe para liberar seu
conteúdo, completando assim o processo conhecido como exocitose.
CAPÍTULO 3

(a) O aparelho de Golgi é proeminente em células de certo ór-


gãos de secreção do sistema digestório, incluindo o pâncreas e as
glândulas salivares. As células pancreáticas, por exemplo, produ-
zem enzimas digestivas que são armazenadas no aparelho de
Núcleo Golgi e secretadas como gotículas que fluem para o ducto pan-
creático e são transportadas para o trato gastrointestinal (GI).

Túbulo Mitocôndrias
Mitocôndrias são organelas em forma de bolsas com membra-
Membrana nas duplas, encontradas em todas as células do corpo, com exceção de
células sangüíneas vermelhas maduras. A membrana mitocondrial ex-
Ribossomo terna é lisa, enquanto que a membrana interna apresenta um emara-
nhado de pregas chamadas cristas (fig. 3.9). As cristas criam uma
enorme área de superfície para reações químicas.
As mitocôndrias variam em tamanho e forma, podem migrar
pelo citoplasma e podem se auto-reproduzir através de brotos ou
(b)
por divisão. Freqüentemente são chamadas de “powerhouses” das
células por causa de seu papel na produção de energia metabólica.
Enzimas ligadas às cristas controlam as reações químicas que for-
Núcleo mam ATP. Células metabolicamente ativas, como células muscu-
lares, células hepáticas e células do rim, têm um número grande de
mitocôndrias por causa de suas elevadas necessidades de energia.
A cor mais escura de alguns cortes de carne (uma coxa de
galinha, por exemplo, quando comparada com um peito) é
decorrente de uma maior quantidade de mioglobina, um composto
pigmentado no tecido muscular que atua armazenando oxigênio. Mi-
tocôndrias são, igualmente, mais abundantes na carne vermelha. Mi-
tocôndrias e mioglobinas são importantes para o elevado nível de
atividade metabólica do tecido do músculo vermelho.

Como as mitocôndrias estão contidas no interior dos óvulos (cé-


lulas ovo) mas não dentro das cabeças de espermatozóides,
todas as mitocôndrias de um ovo fertilizado são derivadas da mãe.
(c) Como as células se dividem durante o processo de desenvolvimento,
as mitocôndrias se reproduzem igualmente; assim, todas as mitocôn-
FIGURA 3.7 O retículo endoplasmático. (a) Micrografia eletrônica drias de um feto são geneticamente idênticas às do óvulo original. Isso
do retículo endoplasmático (cerca de 100.000). O retículo endo- ocorre como uma forma única de herança que é passada apenas da
plasmático rugoso (b) tem ribossomos ligados à sua superfície, en- mãe para o feto. Uma causa rara de cegueira – a neuropatia óptica he-
quanto no retículo endoplasmático liso (c) faltam ribossomos. reditária de Leber – e talvez algumas doenças neuromusculares de
causa genética, acredita-se que sejam herdadas desta maneira.

aparelho de Golgi: de Camillo Golgi, histologista italiano, 1843-1926


mitocôndria: G. mitos, fio; chondros, grãos
crista: L. crista
neuropatia óptica hereditária de Leber: de Theodor Leber, oftalmologista
alemão, 1840-1917
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Capítulo 3 Citologia 59

CAPÍTULO 3
Proteínas
Grânulos de
Núcleo armazenamento
de secreção

(a) Secreção

Aparelho de Golgi

Ribossomos
Retículo
endoplasmático
rugoso
Cisternas

Citoplasma

Lisossomo Membrana celular

(b)

FIGURA 3.8 Aparelho de Golgi. (a) Micrografia eletrônica de um aparelho (complexo) de Golgi. Observe a formação das vesículas nas extremida-
des de alguns sacos achatados. (b) Ilustração do processamento de proteínas pelo retículo endoplasmático rugoso e aparelho de Golgi.

Doenças de mitocôndrias podem ser prontamente tratáveis pela das dentro dos lisossomos são capazes de cindir moléculas de pro-
substituição da mitocôndria. O tratamento deve necessitar da ex- teínas e de carboidratos. Células sangüíneas brancas contêm
tração do citoplasma e de suas organelas de um ovo atingido substi-
tuindo-os com material saudável do ovo doador de outra mulher. Um grande número de lisossomos e quando se diz que fagocitam, signi-
problema ético potencial para esse procedimento é que alguns cientis- fica que elas ingerem, matam e digerem as bactérias pela ativi-
tas consideram o DNA mitocondrial como parte do genoma humano. dade enzimática dos seus lisossomos.
Lisossomos A atrofia normal, ou diminuição de tamanho, do útero em se-
qüência ao nascimento de uma criança é em razão da ativi-
Lisossomos variam em sua forma, de corpos granulares para dade lisossômica digestiva. Igualmente, as secreções dos
pequenas vesículas e para esferas membranosas (fig. 3.10), e estão lisossomos são responsáveis pela regressão do tecido mamário da
espalhados pelo citoplasma. Enzimas digestivas poderosas incluí- mama após o desmame de uma criança.

lisossomo: G. lysis, desprender; somo, corpo fagocítico: G. phagein, comer; kytos, célula
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60 Unidade 3 Estrutura Microscópica do Corpo

Membrana mitocondrial
externa

Membrana mitocondrial
interna
CAPÍTULO 3

Cristas

(a) (b)

FIGURA 3.9 (a) Micrografia eletrônica de uma mitocôndria (cerca de 40.000). A membrana mitocondrial externa e o pregueamento (cris-
tas) da membrana mitocondrial interna estão claramente visíveis. (b) Diagrama de uma mitocôndria.

(a) (b)

FIGURA 3.10 (a) Micrografia eletrônica de um lisossomo (cerca de 30.000). (b) Diagrama de um lisossomo.

Lisossomos também digerem partes de células lesadas, e se truturas, geralmente, foram observadas e descritas antes que seus
suas membranas são rompidas eles destroem a célula inteira no papéis funcionais na célula fossem interpretados.
interior da qual se encontram. Por isso, freqüentemente são cha-
Peroxissomos
mados de “suicide packets”.
Peroxissomos são vesículas membranosas que se asseme-
Várias doenças se originam de anormalidades nas funções lham estruturalmente aos lisossomos e também contêm enzimas.
dos lisossomos. A inflamação dolorosa da artrite reumatóide,
por exemplo, ocorre quando são lançadas enzimas de lisossomos Peroxissomos ocorrem na maioria das células, mas são particular-
na cápsula articular, iniciando a digestão do tecido circunjacente. mente abundantes no rim e no fígado. Algumas das enzimas nos
peroxissomos promovem a ruptura das gorduras, produzindo peró-
Os lisossomos não tinham sido descobertos até o início dos xido de hidrogênio – uma substância altamente tóxica – como
anos 1950, mas sua existência e funções foram previstas um subproduto. Peróxido de hidrogênio é um composto impor-
antes mesmo que essas organelas fossem realmente observadas tante nas células sangüíneas brancas que fagocitam células lesa-
nas células, o que não se verificou com outras organelas, cujas es-
das ou doentes. Peroxissomos também contêm a enzima catalase,
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Capítulo 3 Citologia 61

CAPÍTULO 3
(a) (b)

FIGURA 3.11 (a) Micrografia eletrônica do centríolo em um centrossomo (cerca de 14.200). (b) Diagrama mostrando que os centríolos
estão posicionados perpendicularmente em relação aos outros.

que decompõe o excesso de peróxido de hidrogênio em água e Fibrilas e Microtúbulos


oxigênio, de forma que não haja nenhum efeito tóxico em outras
Fibrilas e microtúbulos são encontrados no citoplasma. As
organelas dentro do citoplasma.
fibrilas são estruturas minúsculas semelhantes a bastões, enquanto
que os microtúbulos são estruturas tubulares finas semelhantes a
Centrossomos e Centríolos fios de comprimento variável (fig. 3.13). Ambos proporcionam su-
O centrossomo (corpo central) é uma massa esférica não porte à célula formando um tipo de citoesqueleto. Fibrilas especia-
membranosa posicionada próximo ao núcleo. No interior do cen- lizadas chamadas miofilamentos são particularmente abundantes
trossomo, um par de estruturas semelhantes a bastões chamados em células musculares onde contribuem para a contração dessas
centríolos (fig. 3.11) estão posicionados perpendicularmente um células. Os microtúbulos também estão envolvidos no transporte
em relação ao outro. A parede de cada centríolo está constituída de macromoléculas ao longo do citoplasma e são especialmente
por nove feixes uniformemente distribuídos, e cada feixe contém abundantes nas células dos órgãos endócrinos, onde ajudam o mo-
três microtúbulos. vimento dos hormônios para a corrente sangüínea. Microtúbulos
Os centrossomos são encontrados somente nas células que em certas células fornecem suporte flexível para cílios e flagelos.
podem se dividir. Durante o processo mitótico (replicação), os
centríolos se afastam um do outro e assumem posições em ambos Cílios e Flagelos
os lados do núcleo. Em seguida eles são envolvidos na distribui-
Embora cílios e flagelos pareçam ser extensões da membrana
ção dos cromossomos durante a reprodução celular. Nos músculos
celular, eles são realmente projeções citoplasmáticas do interior da
maduros e nas células nervosas faltam centrossomos, e assim não
célula. Estas projeções contêm citoplasma e microtúbulos de su-
podem se dividir.
porte limitados pela membrana celular (fig. 3.14). Cílios e flagelos
não devem ser confundidos com microvilos ou com estereocílios,
Vacúolos pois ambos são especializações da membrana celular.
Vacúolos são vesículas membranosas de vários tamanhos Cílios são numerosas projeções pequenas da borda exposta
que comumente funcionam como câmaras de armazenamento. de certas células (fig. 3.15). Células ciliadas são entremeadas com
Formam-se quando uma parte da membrana celular invagina e se células caliciformes muco-secretoras. Sempre há uma película de
destaca durante a endocitose. A vacuolização se inicia por pinoci- muco na superfície livre das células ciliadas, as quais revestem o
tose, na qual as células tomam minúsculas gotículas de líquido lume (porções ocas) dos tratos respiratório e genital. A função
através da membrana de célula, ou por fagocitose, na qual a mem- dos cílios é movimentar o muco e qualquer material aderente
brana celular engolfa partículas sólidas (fig. 3.12). Vacúolos para o exterior do corpo.
podem conter líquido ou materiais sólidos que estavam previa- Flagelos são semelhantes aos cílios na estrutura básica micro-
mente fora da célula. tubular (veja fig. 3.14), mas são um pouco mais longos que os cílios.
O único exemplo de uma célula flagelada em humanos é o esperma-
vacúolo: L. vacuus, vazio tozóide, que utiliza seu único flagelo para locomoção.
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62 Unidade 3 Estrutura Microscópica do Corpo

Vesícula
Membrana Líquido cheia de líquido
celular Nucléolo

Núcleo

Citoplasma
(a) Pinocitose
CAPÍTULO 3

Partícula Vesícula
Membrana
celular Partícula
fagocitada

Nucléolo Núcleo
(b) Fagocitose
FIGURA 3.12 Comparação entre pinocitose e fagocitose. (a) Durante a pinocitose, a célula toma uma minúscula gotícula de líquido circun-
dante. (b) Durante a fagocitose, uma partícula sólida é engolfada e ingerida através da membrana celular.

Microtúbulos

Microtúbulos

Proteína
globular

(a) (b)

FIGURA 3.13 (a) Micrografia eletrônica mostrando microtúbulos formando uma espécie de citoesqueleto (cerca de 30.000). (b) Diagrama
de microtúbulos mostrando precisamente a disposição das proteínas globulares das quais eles são formados.
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Capítulo 3 Citologia 63

Membrana
flagelar
ou ciliar
Membrana
celular

CAPÍTULO 3
(a)

Cílios Resíduos

Célula
caliciforme

Flagelo
FIGURA 3.15 Micrografia eletrônica de células ciliadas que re-
vestem o lume da tuba uterina (640).

(b) (c) Duas estruturas importantes dentro do nucleoplasma do


Creek
núcleo determinam como uma célula irá se apresentar e quais
funções irá executar:
FIGURA 3.14 (a) Cílios e flagelos se assemelham na disposição 1. Nucléolos. Nucléolos são pequenos corpos esféricos, não
estrutural de seus microtúbulos. (b) Uma célula do esperma (esper-
matozóide) tem um flagelo simples para propulsão. (c) Os cílios pro- membranosos, formados em grande parte por proteínas e
duzem um movimento ondulatório para deslocar partículas para fora RNA. Supõem-se que eles funcionem na produção de ri-
do corpo. bossomos. Quando os ribossomos se formam, eles migram
através da membrana nuclear em direção ao citoplasma.
2. Cromatina. Cromatina, uma massa filiforme espiralada, é o
material genético da célula e consiste principalmente em
Núcleo da Célula proteína e moléculas de DNA. Quando uma célula começa
a se dividir, a cromatina se encurta e se espessa formando
O núcleo esférico, geralmente localizado próximo ao cen- estruturas em bastões chamados cromossomos (figs. 3.17 e
tro da célula (fig. 3.16), é a maior estrutura da célula e contém o 3.18). Cada cromossomo leva milhares de genes que deter-
material genético que determina a estrutura celular e controla a minam a estrutura e a função de uma célula.
atividade celular.
A maioria das células contém um único núcleo, mas algu-
mas, como as do músculo esquelético, são multinucleadas. As Avaliação de Conhecimentos
longas fibras do músculo esquelético contêm tanto citoplasma
9. Descreva a composição e as especializações da membrana
que vários centros de controle são necessários. Em outras células,
celular. Analise a importância da permeabilidade seletiva
como os glóbulos vermelhos maduros, falta o núcleo. Estas célu-
da membrana celular.
las são limitadas a certos tipos de atividades químicas e não são
capazes de divisão celular. 10. Descreva os vários tipos de movimentos através da mem-
O núcleo está envolvido por uma membrana nuclear dupla brana celular. Quais são passivos e quais são ativos?
(envoltório nuclear) (fig. 3.16). O espaço estreito entre as camadas 11. Descreva a estrutura e a função das seguintes organelas ci-
interna e externa da membrana nuclear é chamado de cisterna toplasmáticas: retículo endoplasmático rugoso, aparelho de
nucleolema. Minúsculos poros nucleares estão localizados ao Golgi, lisossomos e mitocôndrias.
longo da membrana nuclear. Essas aberturas estão revestidas com 12. Faça a distinção entre núcleo e nucléolo.
proteínas que atuam como portões seletivos e permitem que certas 13. Faça a distinção entre cromatina e cromossomo.
moléculas, como proteínas, RNA e complexos proteína-RNA, se
movimentem entre o nucleoplasma e o citoplasma.
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64 Unidade 3 Estrutura Microscópica do Corpo

Poro nuclear
Membrana nuclear
Nucléolo

Camada
externa

Cisterna
Núcleo nucleolema

Camada
interna
CAPÍTULO 3

(a) Cromatina
(b)

FIGURA 3.16 (a) Micrografia eletrônica do núcleo de uma célula (cerca de 20.000). O núcleo contém um nucléolo e corpúsculos de cro-
matina. (b) A membrana nuclear de dupla camada possui poros que permitem a passagem de substâncias entre o núcleo e o citoplasma.

Um cromossomo (duplicado)

Centrômero

Cromátide

FIGURA 3.17 Micrografia de luz ampliada e colorida mostrando


o complemento completo de cromossomos masculinos dispostos em
pares homólogos numerados.

FIGURA 3.18 Estrutura de um cromossomo após replicação do


DNA, a qual consiste em duas cadeias idênticas, ou cromátides.
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Capítulo 3 Citologia 65

CICLO DA CÉLULA
O ciclo de uma célula consiste em crescimento, síntese e mitose.
Crescimento é o aumento na massa celular resultante do seu me-
tabolismo. Síntese é a produção de DNA e RNA para regular a
atividade celular. Mitose é a divisão do núcleo e do citoplasma de
uma célula que resulta na formação de duas células filhas.

Objetivo 12 Descrever a estrutura de moléculas de DNA e


RNA.

Objetivo 13 Comentar a transcrição genética e síntese de


proteína.

CAPÍTULO 3
Objetivo 14 Fazer uma lista com as fases da mitose e
analisar as ocorrências de cada fase.

Objetivo 15 Discutir o significado da mitose.

Replicação celular é uma das noções mais importantes em bio-


logia. Através do processo de divisão celular chamado mitose, um or-
ganismo multicelular pode se desenvolver e se manter. A mitose
possibilita o crescimento do corpo e a substituição de células lesadas,
doentes ou desgastadas. O processo assegura que cada célula filha terá
o mesmo número e tipo de cromossomos que a célula que a originou.
Em um adulto saudável, mais de cem bilhões de células
devem morrer e serão mitoticamente substituídas durante um pe-
ríodo de 24 horas. Isso representa a substituição de cerca de 2% da
massa corpórea a cada dia. Alguns dos locais mitoticamente mais Ligação de
ativos são a camada externa da pele, o revestimento interno do hidrogênio
trato digestivo e o fígado.
Antes que uma célula possa se dividir, precisa inicialmente
duplicar seus cromossomos de forma que as características genéticas
possam ser transmitidas às sucessivas gerações de células. Um cro-
mossomo consiste em uma molécula de ácido desoxirribonucléico
(DNA) em espiral combinada com proteína. Como foi mencionado
antes, os cromossomos são formados pela redução e espessamento da
cromatina no interior do núcleo quando a célula começa a se divi-
dir, claramente visíveis sob microscópio composto. Há 23 pares de
cromossomos em cada célula do corpo humano (somático) e aproxi-
madamente vinte mil genes posicionados em cada cromossomo.
Os cromossomos são de dimensões e formas variadas — al-
guns espiralados, outros em forma de bastão. Durante a mitose, FIGURA 3.19 Estrutura de dupla hélice de DNA. Cada cadeia
eles se encurtam e condensam, cada par assumindo uma forma ca- da hélice contém somente quatro tipos de bases orgânicas (A, T, C
racterística (fig. 3.17). No cromossomo existe um pequeno corpo e G).
em forma de botão chamado centrômero no qual se fixam as fi-
bras do fuso que dirige o cromossomo para o pólo da célula du- dades alternadas de açúcar desoxirribose e ácido fosfórico chamado
rante a mitose. grupo fosfato. Os degraus da molécula estão compostos de pares de
bases nitrogenadas. As extremidades de cada base nitrogenada
estão ligadas às unidades de desoxirribose-fosfato. Há apenas qua-
Estrutura do DNA tro tipos de bases nitrogenadas em uma molécula de DNA: ade-
A molécula de DNA é freqüentemente chamada de dupla nina (A), timina (T), citosina (C) e guanina (G).
hélice por causa de sua semelhança com uma escada em espiral As unidades estruturais básicas da molécula de DNA são
(fig. 3.19). Os lados da molécula de DNA são formados por uni- chamadas de nucleotídeos. Cada nucleotídeo consiste em uma
molécula de desoxirribose, um grupo fosfato e uma das quatro
bases nitrogenadas. Assim, há um tipo de nucleotídeo para cada
mitose: G. mitos, filamento uma das quatro bases.
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66 Unidade 3 Estrutura Microscópica do Corpo

C G

Região da hélice de DNA C


parental. (Ambas as colunas
estão claras.)
C G

G C

C G
CAPÍTULO 3

C
G
Região de replicação. O DNA T
A A
parental é aberto e novos
T A
nucleotídeos estão se
emparelhando com aqueles da T
T
cadeia parental. A C
G
G G
G C
T

T C

Região de replicação G G
completada. Cada dupla hélice C
está composta de uma cadeia C G
parental velha (púrpura clara) e G
C C
uma cadeia filha nova (púrpura
escura). As duas moléculas de G
G
DNA formadas são idênticas à C
hélice de DNA original e iguais C
entre si.
T C
T
T A
A
T

FIGURA 3.20 Replicação de DNA. Cada nova dupla hélice é formada por uma cadeia velha e uma nova. A seqüência das bases de cada
uma das novas moléculas é idêntica àquela do DNA parental por causa da base de pareamento complementar.

O pareamento das bases nitrogenadas de nucleotídeos é al- (apenas novecentas palavras) é uma maravilha de humildade e prudên-
tamente específico. A configuração molecular de cada base é tal cia: “Não escapou à nossa observação que o pareamento específico
que nós temos postulado... sugere prontamente um possível modelo do
que a adenina sempre emparelha com timina e a citosina sempre mecanismo de material genético”.
emparelha com guanina. A ligação de hidrogênio entre essas
bases é relativamente fraca e pode ser separada facilmente du-
rante a divisão celular (fig. 3.20). Durante a divisão, a seqüência
de bases ao longo da molécula de DNA serve como um modelo
Estrutura do RNA e Síntese do RNA
que determina a seqüência ao longo de cada nova cadeia. No processo de síntese da proteína, o DNA produz uma
molécula mensageira de RNA de estrutura complementar para
James Watson e Francis Crick, que idealizaram o modelo da
dupla hélice, descreveram inicialmente suas idéias sobre o DNA transportar a informação genética. Como o DNA, o RNA con-
em 1953, na revista Nature (veja tabela 1.2). A frase final do breve artigo siste em cadeias longas de nucleotídeos unidas por ligações de
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Capítulo 3 Citologia 67

T A

nucleotídeos de DNA contêm nucleotídeos de RNA contêm G C


RNA
C G
Desoxirribose Ribose G
T
DNA C
C
G
C G
C G
G
G
G
G

C A
G
C

CAPÍTULO 3
A T
U
A
C
T
G
C
G
G
A

G U
G
Timina Uracil
T C
C
C G
C
G
G
C G
FIGURA 3.21 Diferenças entre as bases nitrogenadas e os açú- G
cares no DNA e no RNA.
G
U A

A
U A

açúcar-fosfato. Contudo, como exposto na fig. 3.21, nucleotídeos T


G C

no RNA diferem daqueles do DNA dos seguintes modos:


T G
• Um ribonucleotídeo contém o açúcar ribose (em vez de de-
G U
soxirribose).
G
• A base uracil está presente em lugar de timina. G

• RNA está composto de uma única cadeia de polinucleotí- T

deo; não é cadeia dupla como o DNA. C

• RNA é consideravelmente menor que DNA.


São produzidos quatro tipos de RNA dentro do núcleo,
FIGURA 3.22 Síntese do RNA (transcrição genética). Observe
cada um com composição e função diferentes: que apenas uma das duas cadeias de DNA é usada para formar
1. Mensageiro precursor do RNA (pré-RNAm), que é alte- uma única molécula de RNA.
rado dentro do núcleo (por corte e entrelaçamento) para
formar o RNAm;
2. RNA mensageiro (RNAm), que contém o código para a mos se separarem. O DNA ativo dirige o metabolismo da célula
síntese de proteínas específicas; indiretamente através da regulação do RNA e síntese de proteína.
Um gene codifica para uma cadeia de polipeptídeo. Cada
3. RNA transferidor (RNAt), que transfere aminoácidos que gene está em uma cadeia de DNA que tem vários milhares de pares
são necessários para decodificar a mensagem genética con- de nucleotídeos. Para que o código genético seja transferido para a
tida no RNAm; e síntese de proteínas específicas, o código do DNA precisa primeiro
4. RNA ribossômico (RNAr), que forma parte da estrutura ser transcrito em código de RNA (fig. 3.22) o que é executado pelo
dos ribossomos. DNA que dirige a síntese do RNA, ou transcrição genética.
O DNA que codifica para a síntese de RNAr está locali- Durante a síntese de RNA, a enzima RNA polimerase que-
zado no nucléolo. A síntese do pré-RNAm e RNAt é controlada bra a fraca ligação de hidrogênio entre pares de bases do DNA.
pelo DNA localizado em outro lugar do núcleo. Isso não ocorre ao longo de toda extensão do DNA, mas apenas
nas regiões que estão para serem transcritas (há seqüências de
bases que codificam para “iniciar” e “parar”). A dupla cadeia de
Transcrição Genética — Síntese do RNA DNA, contudo, separa-se nestas regiões de forma que as bases li-
Durante a divisão celular, os cromossomos são filamentos vres podem emparelhar com bases complementares de RNA-nu-
inativos de DNA. Os genes não se tornam ativos até os cromosso- cleotídeo que estão livremente acessíveis no núcleo.
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68 Unidade 3 Estrutura Microscópica do Corpo

T G G A G G T
T C
G T C G
A C T C A
C G G C
C A G C
DNA G T
dupla G A C C G G
hélice C
CAPÍTULO 3

DNA cadeia codificada


Transcrição

T A C C C G A G G T A G C C G C G T C G T

A U G G G C U C C A U C G G C G C A G C A

Mensageiro RNA

Códon 1 Códon 2 Códon 3 Códon 4 Códon 5 Códon 6 Códon 7


Tradução

Metionina Glicina Serina Isoleucina Glicina Alanina Alanina

Proteína

FIGURA 3.23 O código genético é inicialmente transcrito em base triplete (códons) em RNAm e em seguida traduzido em seqüência especí-
fica de aminoácidos para uma proteína.

Este pareamento de bases segue a lei de pareamento de ribossomos para formar um polirribossomo, ou polissomo para os
bases complementares: guanina une com citosina (e vice-versa), menores. A associação de RNAm com ribossomos é necessária
e adenina une com uracil (porque uracil em RNA é equivalente para a tradução genética – a produção de proteínas específicas de
a timina em DNA). Na síntese do RNA, somente uma das duas acordo com o código contido na seqüência de bases do RNAm.
cadeias livres de DNA serve como guia (veja fig. 3.22). Uma vez
que uma molécula de RNA foi produzida, destaca-se da cadeia de Funções dos Códons e Anticódons
DNA na qual foi formada. Esse processo pode continuar indefini-
damente, produzindo muitos milhares de cópias de RNA por Cada molécula de RNAm contém várias centenas de nu-
transcrição da cadeia de DNA. Quando o gene não for mais cleotídeos, dispostos em determinada seqüência de bases comple-
transcrito, a cadeia separada de DNA pode retroceder em sua mentares que emparelham com o DNA durante a transcrição
forma helicoidal. genética (síntese de RNA). Cada três bases, ou base triplete, é
No caso de pré-RNAm, a molécula acabada é alterada de- uma “palavra código” chamada códon – para um aminoácido es-
pois da síntese. No interior do pré-RNAm estão regiões não codi- pecífico. Exemplos de códons e aminoácidos de “tradução” estão
ficadas conhecidas como íntrons. Os íntrons são removidos pela expostos na figura 3.23. Quando o RNAm se move através do ri-
ação de enzimas, e as regiões codificadas são então entrelaçadas de bossomo, a seqüência de códons é transferida em uma seqüência
forma que possam dirigir a síntese de uma proteína específica. de aminoácidos específicos no interior de uma cadeia crescente
de polipeptídeos.
A tradução dos códons é realizada através da transferência
de RNA (RNAt) e de determinadas enzimas. Uma das extremi-
Síntese de Proteína dades de cada RNAt contém o anticódon. O anticódon consiste
Uma vez produzido, o RNAm deixa o núcleo e entra no ci- em três nucleotídeos que são complementares para um códon es-
toplasma onde se fixa aos ribossomos. O RNAm passa por vários pecífico em RNAm. Enzimas no citoplasma da célula unem ami-
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Capítulo 3 Citologia 69

Códons Anticódons
RNAm C
Próximo aminoácido Ala
U A
9 RNAt
5 C G

C G RNA
8 I t

A U
Códons
7 H
4 U A RNAt

6 C G G

G
5 F
RNAt

CAPÍTULO 3
Gli Próximo aminoácido
4 E
RNAt RNAt
3 Iso D Gli

2 C
Ser Iso
1 B
A
Aminoácidos
Gli em cadeias Ser
crescentes de
polipeptídeos

RN
Met Gli

At
Met
Ribossomo

FIGURA 3.24 As ações de RNAm e RNAt na tradução genética. As abreviaturas de três letras para os aminoácidos nas cadeias crescentes
de polipeptídeos representam os aminoácidos indicados na figura 3.23.

noácidos específicos às extremidades do RNAt, de forma que um pelo terceiro aminoácido ao terceiro RNAt. A cadeia de polipep-
RNAt com um determinado anticódon é sempre ligado a um ami- tídeos prolonga-se quando aminoácidos novos são acrescentados
noácido específico. Há 20 variedades diferentes de enzimas sinte- à sua extremidade crescente (fig. 3.24). A cadeia de polipeptí-
tases – uma para cada tipo de aminoácido. Cada sintetase deos está sempre ligada por meio de um RNAt à cadeia de
necessita não só reconhecer o seu aminoácido específico, mas pre- RNAm, e esta molécula de RNAt é sempre aquela que foi acres-
cisa também poder ligar este aminoácido ao RNAt determinado centada ao último aminoácido do polipeptídeo crescente.
que tem o anticódon correto para aquele aminoácido. Cada uma Quando a cadeia de polipeptídeos torna-se mais longa, in-
das moléculas de RNAt no citoplasma de uma célula está assim li- terações entre seus aminoácidos causam o encadeamento e a tor-
gado a um aminoácido específico e é capaz de se ligar por seu anti- ção em uma hélice (estrutura secundária) e dobram em torno de
códon de base triplete com um códon específico em RNAm. si mesmo (estrutura terciária). Ao término desse processo, a nova
proteína destaca-se do RNAt quando o último aminoácido é
Formação de um Polipeptídeo acrescentado.
Os anticódons de RNAt ligam-se aos códons de RNAm
quando o RNAm move-se através do ribossomo. Como cada mo-
lécula de RNAt leva um aminoácido específico, a ligação destes
Ciclo da Célula e Divisão Celular
aminoácidos com peptídeos formam um polipeptídeo cuja se- Ciclo da célula é a série de mudanças que uma célula apre-
qüência de aminoácidos foi determinada pela seqüência de có- senta desde que é formada até completar uma divisão e se auto-
dons em RNAm. reproduzir. Interfase é o primeiro período do ciclo, da formação
O primeiro e o segundo RNAt juntam o primeiro e se- da célula ao começo da divisão da célula (fig. 3.25). Durante a
gundo aminoácidos, e um peptídeo liga-se entre eles. O primeiro interfase, a célula cresce, realiza atividades metabólicas e se pre-
aminoácido então se destaca de seu RNAt, de forma que um di- para para divisão.
peptídeo está unido por um segundo aminoácido ao segundo A interfase é dividida nas fases G1, S e G2. Durante a fase
RNAt. Quando o terceiro RNAt liga-se ao terceiro códon, o G1 (primeiro crescimento), a célula cresce rapidamente e está
aminoácido forma um peptídeo ligado com o segundo aminoá- metabolicamente ativa. A duração de G1 varia consideravel-
cido (que se destaca de seu RNAt). Um tripeptídeo é assim fixo mente nos diferentes tipos de células e pode durar apenas horas
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70 Unidade 3 Estrutura Microscópica do Corpo

Fase Mitótica Células altamente especializadas, como células musculares


e nervosas, não replicam depois do nascimento, e se mor-
rem, em conseqüência de doenças, lesões, ou mesmo desuso, não
são substituídas e pode se formar tecido cicatricial. Células nervosas
são especialmente vulneráveis a lesões por falta de oxigênio, álcool
e várias outras drogas.

Anáfase
e

se
áfas
Avaliação de Conhecimentos

ófa
e
as

Met

Tel
óf

e
r

es
14. Explique por que a molécula de DNA é descrita como uma
P

n
ci
dupla hélice.

to
Ci
Mitose 15. Descreva as várias formas de RNA e comente como RNA
dirige a síntese da proteína.
CAPÍTULO 3

G2
G1
Final do cresc. e
16. Faça uma relação das fases do ciclo de vida de uma célula e
Replicação
das atividades antes
de centríolos
descreva os eventos principais que ocorrem durante cada fase.
da mitose
17. Explique por que a mitose é um processo biológico importante.

Replicação de DNA
CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS

Adaptação Celular
O potencial mitótico está, aparentemente, incluído na es-
pecialização da estrutura e na função celular. Certas células não
Interfase
necessitam mais de divisão uma vez que o órgão para o qual elas
contribuem torna-se funcional. Outras, como parte de suas espe-
FIGURA 3.25 A interfase e a fase mitótica são as duas princi- cializações, exigem mitoses contínuas para manter um órgão sau-
pais divisões do ciclo da célula. Durante a fase mitótica, a divisão
nuclear é seguida pela divisão do citoplasma e formação de duas dável. Assim, no adulto, encontram-se algumas células que se
células filhas. dividem continuamente, algumas se dividem ocasionalmente, e
outras não se dividem mais. Por exemplo, células da epiderme,
células hemocitopoiéticas e células que revestem o lume do trato
gastrointestinal dividem-se continuamente ao longo da vida. Cé-
em células que têm divisão rápida, ou pode levar dias ou até lulas no interior de órgãos especializados, como fígado ou rins, di-
mesmo anos para outras células. No término de G1, os centríolos videm-se quando houver necessidade. Ocorrendo a morte da
replicam preparando-se para o seu papel na divisão celular. Du- célula, naturalmente, por doença, trauma cirúrgico ou lesão pode
rante a fase S (sintética), o DNA no núcleo da célula replica, de haver necessidade de mitoses nesses órgãos. Entretanto outras cé-
forma que as duas células futuras receberão cópias idênticas do lulas, como as musculares ou nervosas, perdem sua capacidade
material genético. Durante a fase G2 (segundo crescimento), as mitótica quando se diferenciam. Os traumatismos nestas células
enzimas e outras proteínas necessárias ao processo de divisão são freqüentemente causam perda permanente da função.
sintetizadas, e a célula continua crescendo. Embora os fatores que regulam a mitose ainda não estejam
A divisão de uma célula é conhecida como fase mitótica, claros, evidências sugerem que a capacidade mitótica seja contro-
ou simplesmente fase M (fig. 3.25). A fase mitótica é dividida lada geneticamente e, mesmo para aquelas células que se dividem, o
em mitose e citocinese. Mitose é o período de um ciclo da célula número de divisões é predeterminado. Se isto for verdade, pode se
durante o qual há divisão nuclear e os cromossomos duplicados justificar o processo de envelhecimento. Tensão física, nutrição e
se separam para formar dois núcleos de filhas geneticamente hormônios decididamente repercutem na atividade mitótica. Pensa-
idênticas. O processo da mitose se realiza em quatro fases suces- se que a atividade de replicação das células possa ser controlada por
sivas, cada fase passando para a seguinte sem distinções estrutu- um mecanismo de retroalimentação envolvendo a liberação de uma
rais agudas. Essas fases são prófase, metáfase, anáfase e telófase (fig. substância inibidora do crescimento. Tal substância poderia reduzir a
3.26). Citocinese é a divisão do citoplasma que acontece du- velocidade ou inibir as divisões celulares e o crescimento de deter-
rante a telófase. minados órgãos uma vez que eles tenham já acumulado um certo
número de células ou tenham alcançado um certo tamanho.
Com exceção das células em superfícies expostas, a maioria
das células do corpo está localizada em ambiente bastante homogê-
citocinese: G. kytos, cavidade; kinesis, movimento neo, onde adaptações continuadas a mudanças não são necessárias
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Capítulo 3 Citologia 71

Cromatina

Nucléolo

(a) Interfase
• Os cromossomos estão na forma estendida
e vistos como cromatina no
microscópio eletrônico. Centrossomos
• O núcleo é visível.

Pares de

CAPÍTULO 3
cromátides
(b) Prófase
• Os cromossomos são vistos constituídos
por duas cromátides ligadas por um centrômero.
• Os centríolos se deslocam, afastando-se para
pólos opostos da célula.
• Produzem-se as fibras do fuso que se estendem
de cada centrossomo.
• A membrana nuclear começa a se desintegrar.
• O nucléolo não é mais visível. Fibras do fuso

Equador

Centríolo
(c) Metáfase
• Os cromossomos estão alinhados
no equador da célula.
• As fibras do fuso de cada centríolo
ligam-se aos centrômeros dos cromossomos.
• A membrana nuclear desapareceu.

(d) Anáfase
• Os centrômeros se dividem e as cromátides irmãs
se separam, sendo puxadas para pólos opostos.

Invaginação

Nucléolo

(e) Telófase
• Os cromossomos ficam mais longos, mais
finos e menos distantes.
• Forma-se nova membrana nuclear.
• O nucléolo reaparece.
• A divisão celular está quase completa.

FIGURA 3.26 As fases da mitose.


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72 Unidade 3 Estrutura Microscópica do Corpo

para a sobrevivência. Contudo, as células têm notável adaptabili- situação pode se tornar ameaçadora para a vida. Uma pessoa
dade e poder de recuperação, o que as capacita a resistir em situa- morre quando um órgão vital já não pode executar seu papel me-
ções que poderiam ser letais se assim não se comportassem. tabólico na sustentação do corpo.
Exposição prolongada à luz solar, por exemplo, estimula a síntese Déficit de energia significa que mais energia é necessária
de melanina, bronzeando a pele. Igualmente, fricção mecânica da para uma célula do que aquela que lhe está disponível. As células
pele estimula atividade mitótica e a síntese de uma proteína fi- podem tolerar certos déficits moderados por causa das várias reser-
brosa, queratina, levando à formação de um calo protetor. vas armazenadas dentro do citoplasma, mas um déficit severo ou
As células se adaptam a estímulos potencialmente prejudi- prolongado causará a morte da célula. Um déficit de energia ocorre
ciais através de vários mecanismos específicos. Hipertrofia refere- quando as células não têm bastante glicose ou oxigênio para permi-
se a um aumento no tamanho das células resultado da síntese tir a combustão da glicose. Exemplos de déficits de energia são os
aumentada de proteínas, ácidos nucléicos e lipídios. Hipertrofia baixos níveis de açúcar no sangue (hipoglicemia) e a impermeabi-
compensatória ocorre quando o aumento da demanda metabólica lidade da membrana celular à glicose (como no diabetes mellitus).
em determinadas células resulta em aumento da massa celular. A desnutrição também pode resultar em um déficit de energia. Al-
CAPÍTULO 3

Exemplos de hipertrofia compensatória incluem o aumento de fi- gumas células podem tolerar uma interrupção no suprimento de
bras musculares esqueléticas como resultado de exercício e das fi- oxigênio. As células do encéfalo e do coração têm muita necessi-
bras musculares cardíacas (coração) ou células do rim por causa de dade de oxigênio e uma interrupção do suprimento para esses ór-
uma demanda de trabalho aumentada. Hipertensão (pressão san- gãos pode causar a morte em questão de minutos.
güínea alta) causa hipertrofia das células cardíacas porque elas têm Lesão física das células, outro tipo de trauma, ocorre de vá-
que bombear sangue para vencer pressões elevadas. Após a remo- rios modos. Temperatura alta (hipertermia) geralmente é menos
ção de um rim doente há um aumento compensatório no tamanho tolerável para as células do que baixa temperatura (hipotermia). A
das células do outro rim de maneira que seu peso normal é aproxi- freqüência respiratória, a freqüência cardíaca, e o metabolismo au-
madamente duplicado. Exemplos de hipertrofia hormonal são o mentam com a hipertermia. Hipertermia continuada causa coagu-
tamanho aumentado das mamas e dos músculos lisos do útero em lação das proteínas dentro das células, e eventualmente morte da
uma mulher grávida. célula. Nas geladuras, calafrios rápidos ou prolongados causam
A hiperplasia refere-se ao aumento do número de células dano celular. Nas geladuras graves, formam-se cristais de gelo que
formadas como resultado da atividade mitótica aumentada. A causam a explosão da célula.
remoção de uma porção do fígado, por exemplo, conduz à regene- Queimaduras são particularmente significantes se elas lesam
ração, ou hiperplasia, das células restantes do fígado para restabe- as camadas da pele mais profundas que interferem na atividade mi-
lecer a perda. Mas o mecanismo que ativa a hiperplasia não é tótica das células (veja fig. 5.20). A preocupação emergencial com
conhecido. Em mulheres, um tipo de hiperplasia hormonalmente as queimaduras, porém, é o efeito devastador de perda líquida e in-
induzido ocorre nas células do endométrio do útero depois da fecção das membranas celulares traumatizadas.
menstruação que restabelece essa camada adequando-a para uma Envenenamento acidental e suicídio por conta de overdose
possível implantação de um embrião. de drogas são responsáveis por grande número de mortes nos Esta-
A atrofia refere-se a uma diminuição no tamanho das células dos Unidos e em outros lugares. Drogas e venenos podem causar
e uma diminuição correspondente no tamanho do órgão atingido. disfunção celular pela ruptura da replicação de DNA, transcrição
A atrofia pode ocorrer nas células de qualquer órgão e pode ser de RNA, sistemas de enzimas ou atividade da membrana celular.
classificada como atrofia por desuso, atrofia por doença, ou atro- Radiações causam um tipo de trauma celular que tem efeito
fia pelo envelhecimento (senil). cumulativo. Quando são administrados raios X com finalidades tera-
Metaplasia é uma alteração celular especializada na qual um pêuticas (radioterapia), são enfocadas pequenas doses na área do
tipo de célula transforma-se em outro. Geralmente, isto envolve a tumor durante muitos dias para prevenir dano celular difuso. Algu-
mudança de células altamente especializadas em células mais gene- mas células são mais sensíveis à radiação do que outras. Células ima-
ralizadas, protetoras. Por exemplo, a exposição excessiva à inalação turas ou mitoticamente ativas são altamente sensíveis, enquanto as
de fumaça causa a mudança de células epiteliais colunares ciliadas células que já não estão mais crescendo, como neurônios e células
que revestem as vias aéreas bronquiais em epitélio estratificado esca- musculares, não são tão vulneráveis às lesões por radiação.
moso que é mais resistente à lesão pela fumaça. Agentes infecciosos, ou patogênicos, também causam dis-
função celular. Vírus e bactérias são os patogênicos mais comuns.
Os vírus geralmente invadem e destroem as células quando se re-
Trauma Celular produzem. Por outro lado, as bactérias geralmente não invadem cé-
Tão adaptáveis quanto as células são as alterações do am- lulas mas freqüentemente as envenenam com os seus resíduos
biente interno, elas estão sujeitas a lesões pelo envelhecimento e metabólicos tóxicos.
pelas doenças. Se um trauma causar extensa morte celular, esta

hipertrofia: G. hyper, acima; trophe, nutrição


Genética Médica
hiperplasia: G. hyper, acima; plasis, molde A genética médica é um ramo da medicina relacionado com
atrofia: G. a, sem; trophe, nutrição as doenças que têm uma origem genética. Fatores genéticos in-
metaplasia: G. meta, entre; plasis, molde cluem anormalidades no número ou na estrutura de cromossomos e
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Capítulo 3 Citologia 73

genes mutantes. Doenças genéticas constituem um grupo diverso


de patologias, incluindo malformações de células sangüíneas (ane-
mia falciforme), doenças de coagulação sangüínea (hemofilia) e re-
tardo mental (síndrome de Down).
Anormalidades cromossômicas ocorrem em aproximada-
mente 0,6% das crianças nascidas vivas. A maioria (70%) é leve, Células normais
(com cílios
não causando nenhum problema, e geralmente não é detectada. semelhantes a pêlos)
Alterações estruturais no DNA que passam dos pais para os seus
descendentes por meio de células do sexo são chamadas mutações.
Mutações ocorrem naturalmente ou são induzidas ambientalmente
por substâncias químicas ou radiações. As mutações naturais não
são bem entendidas. Aproximadamente 12% de todas as malfor-
mações congênitas são causadas por mutações e provavelmente

CAPÍTULO 3
ocorrem por uma interação de fatores genéticos e ambientais. Mui-
tos desses problemas podem ser previstos conhecendo a genealogia
Células cancerosas
genética prospectiva dos pais e podem ser evitados mediante acon-
selhamento genético. Teratologia é a ciência relacionada com os
defeitos do desenvolvimento e o diagnóstico, o tratamento e a pre-
venção de malformações.
Problemas genéticos são causados, ocasionalmente, por nú-
mero menor ou maior de cromossomos. A ausência de um cromos-
somo inteiro é chamada monossomia. Embriões com monossomia
em geral morrem. As pessoas com a síndrome de Turner têm
apenas um cromossomo X e apresentam uma chance melhor de FIGURA 3.27 Micrografia eletrônica de células cancerosas do
sobrevivência do que aquelas que perdem um dos outros cromos- tracto respiratório (59.800).
somos. Trissomia é uma situação genética na qual um cromos-
somo extra está presente e freqüentemente ocorre mais que a
monossomia. A mais conhecida entre as trissomias é a síndrome
de Down. ser que cresçam muito em órgãos vitais como o encéfalo. Neopla-
sias malignas (fig. 3.27) crescem rapidamente e dão metástases
Em uma tentativa para entender melhor a genética médica, o (fragmentam-se e se disseminam) facilmente por via linfática ou
Congresso lançou em 1988 o Projeto Genoma Humano com
sangüínea. A neoplasia maligna original é chamada de tumor pri-
a ambiciosa meta de mapear completamente o genoma humano. Os
cientistas estão atualmente próximos de determinar a seqüência mário e os tumores novos, ou tumores metastáticos, são chamados
exata das bases com as quais os 3 bilhões de pares de bases estão tumores secundários.
organizados para formar os cinquenta a cem mil genes do genoma As células cancerosas parecem tipos de células indiferen-
haplóide humano de um espermatozóide ou óvulo. O conhecimento
dessa informação propiciará os referenciais definitivos para o diag-
ciadas ou primordiais. Geralmente elas não amadurecem antes de
nóstico e tratamento das quatro mil doenças genéticas conhecidas se dividir e não são capazes de manter função de célula normal.
como diretamente causadas por determinados genes anormais. O câncer causa a morte quando um órgão vital regride por causa
da competição das células cancerosas por espaço e por nutrientes.
Os vários tipos de cânceres são classificados de acordo com
Câncer o tecido no qual eles se desenvolvem. Por exemplo, o linfoma é
um câncer de tecido linfóide; câncer osteogênico é um tipo de
O câncer refere-se a um grupo complexo de doenças carac-
câncer ósseo; mieloma é câncer da medula óssea; e sarcoma é um
terizadas por replicação descontrolada de células. A proliferação
termo geral para qualquer câncer de células do tecido conjuntivo.
rápida de células resulta na formação de uma neoplasia, ou nova
A etiologia (causa) dos cânceres é grandemente desconhe-
massa celular. Neoplasias, freqüentemente chamadas de tumores,
cida. Contudo, fatores desencadeantes, ou carcinógenos, como
são classificadas em benignas e malignas com base nas suas carac-
vírus, substâncias químicas, ou irradiação, podem provocar o de-
terísticas citológicas e histológicas. Neoplasias benignas geral-
senvolvimento de câncer. Por exemplo, o fumo do cigarro causa
mente crescem lentamente e se limitam a uma determinada área.
o desenvolvimento de vários cânceres respiratórios. A tendência
Estes tipos geralmente não constituem ameaça para a vida a não
para desenvolver outros tipos de cânceres tem base genética. Al-
guns pesquisadores pensam que a tensão fisiológica pode promo-
ver certos tipos de atividade cancerosa. Como as causas de
mutação: L. mutare, mudar cânceres não são bem conhecidas, dá-se ênfase na descoberta pre-
teratologia: G. teras, monstro; logos, estudo coce com pronto tratamento.
síndrome de Turner: de Henry H. Turner, endocrinologista americano,
1892-1970
síndrome de Down: de John L. H. Down, médico inglês, 1828-1896 carcinogênico: G. karkinos, câncer
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74 Unidade 3 Estrutura Microscópica do Corpo

Envelhecimento das e determinam assim a vitalidade e a longevidade de um órgão.


Se isto for verdade, identificar e manipular geneticamente o “gene
Embora haja indicadores externos evidentes de envelheci- do envelhecimento” poderia ser possível.
mento – embranquecimento e perda de cabelo, enrugamento da Substâncias extracelulares também mudam com a idade. Fila-
pele, perda de dentes e diminuição da massa muscular – as mudanças mentos de proteína do colágeno e da elastina mudam em qualidade e
no interior das células em conseqüência do envelhecimento não são número em tecidos envelhecidos. A elastina desempenha um papel
tão evidentes e não são bem conhecidas. Certas organelas se alteram importante nas paredes das artérias, e sua deterioração está associada
com a idade. As mitocôndrias, por exemplo, podem mudar em estru- com doenças vasculares como arterioesclerose em pessoas idosas.
tura e número e o aparelho de Golgi pode fragmentar. Também, va-
cúolos de lipídios tendem a se acumular no citoplasma e as reservas
de alimento citoplasmático que contêm glicogênio diminuem.
A cromatina e os cromossomos no interior do núcleo mos-
Resposta do Estudo de Caso Clínico
tram mudanças com o envelhecimento, como aglutinação, enco- Dando uma substância que compete com a enzima álcool desidroge-
CAPÍTULO 3

lhimento, ou fragmentação com divisões mitóticas repetidas. Há nase pode-se inibir a reação que forma o metabólito tóxico do etileno glicol.
Assim, infundindo uma dose quase intoxicante de álcool pode-se poupar os
fortes evidências que certos tipos de célula têm um número prede- rins de lesões. O etileno glicol é em seguida excretado de forma inócua.
terminado de divisões mitóticas que são geneticamente controla-

Resumo do Capítulo
Introdução à Citologia (p. 49) 4. Proteínas são compostos orgânicos que tamanho das moléculas, da carga
1. Célula é a unidade estrutural e funcional podem existir isoladamente ou conjugadas iônica, da solubilidade em lipídios e
do corpo. A função celular relaciona-se com outros compostos. da presença de moléculas
com o metabolismo e o estudo das células (a) As proteínas são importantes transportadoras.
denomina-se citologia. componentes estruturais do corpo e (b) As membranas celulares podem ser
2. A função celular depende de membranas são necessárias para o crescimento, os especializadas com estruturas como
específicas e organelas características de reparos e a divisão das células. microvilos, vesículas e células pêlos.
cada tipo de célula. (b) Enzimas e hormônios são exemplos de 3. O citoplasma refere-se ao material situado
3. Todas as células apresentam modificações proteínas especializadas. entre a membrana celular e o núcleo.
estruturais que se aplicam aos objetivos 5. Carboidratos são compostos orgânicos que Nucleoplasma é o material do interior do
funcionais. contêm carbono, hidrogênio e oxigênio, núcleo. Protoplasma é um termo comum
na razão de 2 hidrogênios para 1 oxigênio. para citoplasma e nucleoplasma.
Química Celular (pp. 50-52) (a) O grupo dos carboidratos inclui 4. Organelas são componentes especializados
1. Quatro elementos (oxigênio, carbono, amido e açúcares. no interior do citoplasma das células.
hidrogênio e nitrogênio) constituem acima (b) Carboidratos são a fonte mais (a) Retículo endoplasmático forma um
de 95% da massa do corpo e estão ligados arcabouço no interior do citoplasma e
abundante de energia celular.
para formar compostos inorgânicos e fornece o local para fixação dos
6. Lipídios são gorduras orgânicas e ribossomos. Atua na síntese dos lipídios
orgânicos. substâncias relacionadas com gorduras.
2. A água é o composto inorgânico mais e proteínas e no transporte celular.
(a) Lipídios são formados principalmente
abundante das células e é um excelente (b) Ribossomos são partículas de
por carbono, hidrogênio e oxigênio.
solvente. proteínas e RNA que funcionam na
(a) A água é importante no controle da (b) Os lipídios servem como uma síntese de proteínas. As partículas de
temperatura e na hidrólise. importante fonte de energia, formam proteínas podem ser usadas no
(b) Desidratação, uma situação em que a partes das membranas e protegem e interior da célula ou secretadas.
perda de líquidos excede a entrada de isolam várias partes do corpo. (c) O aparelho de Golgi consiste em
líquidos, pode ser um sério problema vesículas membranosas que sintetizam
– especialmente nas crianças. Estrutura Celular (pp. 52-64) glicoproteínas e secretam lipídios. O
3. Eletrólitos são compostos inorgânicos que 1. A célula é formada de uma membrana aparelho de Golgi é abundante em
formam íons quando dissolvidos na água. celular, citoplasma, organelas e núcleo. células secretoras, como as do
(a) As três classes de eletrólitos são 2. A membrana celular, formada por moléculas pâncreas e glândulas salivares.
ácidos, bases e sais. de fosfolipídios e proteínas, envolve o (d) Mitocôndrias são bolsas membranosas
(b) Eletrólitos são importantes na conteúdo da célula e regula a passagem de que consistem em camadas
manutenção do pH, na condução da substâncias para dentro e para fora da célula. mitocondriais externa e interna e
corrente elétrica e na regulação das (a) A permeabilidade da membrana extensões membranosas pregueadas
atividades das enzimas. celular depende de sua estrutura, do da camada interna que se chamam
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Capítulo 3 Citologia 75

cristas. As mitocôndrias produzem funcionam na produção de 9. Cada tipo de RNAt está ligado a um tipo
ATP e são chamadas “powerhouses” movimentos. específico de aminoácido, que o RNAt traz
da célula. Mitocôndrias faltam nos 5. O núcleo da célula é envolvido por uma para a cadeia crescente de polipeptídeos.
espermatozóides e nos glóbulos membrana nuclear que controla os
vermelhos. movimentos das substâncias entre o Ciclo da Célula (pp. 65-70)
(e) Lisossomos são corpos esféricos que nucleoplasma e o citoplasma. 1. O ciclo da célula consiste em
contêm enzimas digestivas. São (a) Os nucléolos são pequenos corpos de crescimento, síntese e mitose.
abundantes nos glóbulos brancos proteínas e RNA no interior do (a) Crescimento é o aumento da massa
fagocíticos. núcleo que produzem ribossomos. celular que resulta de seu
(f) Peroxissomos são bolsas membranosas (b) Cromatina é uma fibra espiralada de metabolismo. Síntese é a produção de
que contêm enzimas e são abundantes proteína e DNA que se encurta para DNA e RNA para regular a atividade
nos rins e no fígado. Algumas das formar cromossomos durante a celular. Mitose é a divisão do núcleo e
enzimas dos peroxissomos geram reprodução celular. do citoplasma da célula que resulta na
peróxido de hidrogênio e, uma delas, a 6. Os nucleotídeos no DNA consistem em formação de duas células diplóides.

CAPÍTULO 3
catalase, decompõe o excesso de açúcar desoxirribose, fosfato e uma das quatro (b) A mitose permite um aumento no
peróxido de hidrogênio. bases nitrogenadas: adenina, guanina, citosina número de células (crescimento do
(g) O centrossomo é a área densa do ou timina. De acordo com a lei de pareamen- corpo) e permite a substituição de
citoplasma próximo ao núcleo que to de bases complementares, as bases são células lesadas, doentes ou esgotadas
contém os centríolos. O pareamento específicas em suas ligações; adenina liga com pelo uso.
dos centríolos desempenha timina e guanina liga com citosina. 2. Uma molécula de DNA está na forma de
importante papel na divisão celular. 7. RNA contém o açúcar ribose (em vez de dupla hélice. A unidade estrutural da
(h) Vacúolos são vesículas membranosas desoxirribose) e a base uracil (em lugar de molécula é um nucleotídeo, que consiste
que funcionam como câmaras de timina). As três formas principais de em desoxirribose (açúcar), fosfato e uma
armazenamento. RNA são RNAm, RNAt e RNAr. base nitrogenada.
(i) Fibrilas e microtúbulos propiciam 8. O código genético em RNAm consiste 3. A divisão celular consiste em uma divisão de
sustentação na forma do citoesqueleto. em três bases chamadas códons. Códons cromossomos (mitose) e uma divisão do
(j) Cílios e flagelos são projeções da célula ligam-se aos anticódons que são três bases citoplasma (citocinese). As fases da mitose
que têm a mesma estrutura básica e que em RNAt. incluem prófase, metáfase, anáfase e telófase.

Atividades de Revisão
Questões Objetivas 6. A fase da mitose na qual os cromossomos (c) metaplasia
1. Compostos inorgânicos que formam íons se alinham no equador (plano equatorial) (d) hipertrofia
quando dissociados na água são da célula é chamada 11. Qual das seguintes afirmativas sobre o
(a) hidrólitos (d) ionizados (a) interfase (d) anáfase DNA é falsa?
(b) metabólitos (e) ácidos nucléicos (b) prófase (e) telófase (a) Está localizado no núcleo.
(c) eletrólitos (c) metáfase (b) Possui dupla cadeia.
2. Os quatro elementos que compõem acima 7. A fase da mitose na qual as cromátides se (c) As bases adenina e timina podem
de 95% do corpo são separam é chamada se ligar.
(a) oxigênio, potássio, hidrogênio, carbono (a) interfase (d) anáfase (d) As bases guanina e adenina podem
(b) carbono, sódio, nitrogênio, oxigênio (b) prófase (e) telófase se ligar.
(c) potássio, sódio, magnésio, oxigênio (c) metáfase 12. Qual das seguintes afirmativas sobre o
(d) carbono, oxigênio, nitrogênio, 8. A organela que combina proteína com RNA é verdadeira?
hidrogênio carboidratos e os guarda no interior de (a) É feito no núcleo.
(e) oxigênio, carbono, hidrogênio, enxofre vesículas para secreção é (b) Contém o açúcar desoxirribose.
3. Quais organelas contêm fortes enzimas (a) o aparelho de Golgi (c) É uma cópia complementar da
hidrolíticas? (b) o retículo endoplasmático rugoso molécula inteira de DNA.
(a) lisossomo (c) o retículo endoplasmático liso (d) Possui dupla cadeia.
(b) aparelho de Golgi (d) o ribossomo
(c) ribossomo 9. As amplas fibras musculares esqueléticas Questões Dissertativas
(d) vacúolo que resultam de um aumento do trabalho 1. Explique por que o conhecimento da
(e) mitocôndria de demanda servem para exemplificar anatomia celular é necessário para
(a) atrofia por desuso compreender a função dos tecidos e órgãos
4. Células ciliadas ocorrem (b) hipertrofia compensatória no interior do corpo. Como o estudo das
(a) na traquéia (c) nos bronquíolos (c) metaplasia células é importante para compreender as
(b) nos ductos (d) nas tubas uterinas (d) inércia disfunções e as doenças do corpo?
deferentes (e) em todos acima 10. Regeneração das células do fígado é um 2. Por que a água é um bom meio líquido das
5. Osmose relaciona-se com os movimentos de exemplo de células?
(a) gases (c) somente oxigênio (a) hipertrofia compensatória 3. Qual a semelhança entre proteínas,
(b) somente água (d) a e c (b) hiperplasia carboidratos e lipídios? Quais são suas
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76 Unidade 3 Estrutura Microscópica do Corpo

diferenças? O que são enzimas e 14. Dê exemplos de fatores que contribuem encéfalo que impede que certas substâncias
hormônios? para a hipertrofia, hiperplasia, atrofia e prejudiciais alcancem o tecido encefálico.
4. Descreva a membrana celular. Relacione os metaplasia celular. Porém, o encéfalo ainda está
vários tipos de movimentos através da 15. Explique como as células respondem a sujeito a traumas que podem causar edema,
membrana celular e dê um exemplo de cada. (a) déficit de energia semelhante aos edemas de tornozelo nos
5. Descreva, desenhe e relacione as funções (b) hipertermia deslocamentos. Já que o crânio é uma
do que segue: (c) queimaduras cavidade de tamanho fixo, o edema do
(a) retículo endoplasmático (d) radiação encéfalo (inchaço) pode levar
(b) ribossomo (e) patógenos rapidamente ao coma e à morte.
(c) mitocôndria 16. Defina os seguintes termos genéticos: Conhecendo o que ocorre sobre o
(d) aparelho de Golgi teratologia, monossomia, trissomia e movimento da água através de uma
(e) centríolo mutação. membrana, você pode explicar por que o
(f) cílios 17. De que modo as células de uma neoplasia manitol, um tipo de açúcar que não cruza
6. Defina compostos inorgânicos e orgânicos e diferem das células normais. Como pode a barreira hematoencefálica, é comumente
CAPÍTULO 3

dê exemplos de cada um deles. uma neoplasia maligna causar a morte? usado para tratar pacientes que sofreram
7. Defina os termos protoplasma, citoplasma e 18. Comente as mudanças celulares e trauma na cabeça?
nucleoplasma. Descreva a posição das extracelulares que acompanham o 5. Seu amigo sabe que você revisou há pouco
membranas associadas com cada uma envelhecimento. química celular, e assim pergunta sua
dessas substâncias. opinião sobre sua nova dieta. Em uma
8. Descreva a estrutura do núcleo e as Questões de Análise Crítica tentativa para eliminar os lipídios
funções de suas partes. 1. Como é a organização estrutural das células contidos no tecido gorduroso e assim
9. O que é um nucleotídeo? Como se essenciais a um organismo multicelular? perder peso, ele eliminou as gorduras
relaciona com a estrutura global do DNA 2. Construa uma tabela comparando a completamente da sua dieta e sente que
da molécula? estrutura e a função de vários tipos de agora está livre para comer tanta comida
10. Explique a relação entre DNA, células. Indique quais organelas seriam de quanto quiser, desde que consista apenas
cromossomos, cromátides e genes. particular importância para cada tipo de em carboidratos e proteínas. A lógica de
11. Descreva como o RNA é produzido e faça célula. seu amigo está falha? Você o aconselharia
uma relação das diferentes formas de 3. Defina genética médica e dê exemplos de a manter esta dieta?
RNA. doenças genéticas. Justifica-se o dispêndio
12. Explique como uma cadeia de DNA pode de bilhões de dólares necessários para
servir como modelo para a síntese de completar o projeto Genoma Humano?
outra cadeia de DNA. Sim ou não e por quê?
13. Faça a distinção entre mitose e citocinese. 4. O encéfalo está protegido, até certo ponto,
Descreva os principais eventos da mitose e pela barreira hematoencefálica – uma
discuta o significado do processo mitótico. membrana entre o sangue circulante e o
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4
Histologia

Definição e Classificação
dos Tecidos 78
Exposição do Desenvolvimento:
Os Tecidos 79
Tecido Epitelial 79
Tecido Conjuntivo 89
Tecido Muscular 99
Tecido Nervoso 100

CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS 101

Resposta do Estudo de Caso Clínico 103


Resumo do Capítulo 103
Atividades de Revisão 103

Estudo de Caso Clínico


Como estudante do curso médico, você está acompanhando um gastroenterologista que
está realizando uma endoscopia superior em um paciente com refluxo gastroesofágico existente
há muito tempo (azia). Durante o procedimento, o doutor o interroga sobre quais tipos de célu-
las revestem o esôfago. Qual é a sua resposta? Ele recolhe uma biópsia do esôfago inferior logo
acima do estômago. Em seguida, o espécime é fixado, você o examina no microscópio e vê uma
única camada de células não ciliadas, altas, colunares. Que tipo de tecido você está examinando?

FIGURA: O conhecimento da estrutura e da


função dos tecidos do corpo esclarece como
eles podem se adaptar para proporcionar pro-
teção aos órgãos do corpo.
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78 Unidade 3 Estrutura Microscópica do Corpo

DEFINIÇÃO E CLASSIFICAÇÃO
DOS TECIDOS Haste de
Histologia é a especialidade da anatomia que envolve o estudo um pêlo no
interior de
das estruturas microscópicas dos tecidos. Os tecidos são classifi-
um folículo
cados em quatro categorias básicas a partir de suas composições piloso
celulares e aspectos histológicos.

Objetivo 1 Definir tecido e discutir a importância da


histologia.

Objetivo 2 Descrever a relação funcional entre células e


tecidos.
CAPÍTULO 4

Objetivo 3 Fazer uma lista dos quatro tipos principais de te-


cidos e descrever resumidamente as funções de cada tipo. (a)

Embora as células sejam as unidades estruturais e funcionais


do corpo, as células de um organismo multicelular complexo são
tão especializadas que não funcionam independentemente. Teci-
dos são agrupamentos de células semelhantes que executam fun-
ções específicas. Os vários tipos de tecidos são estabelecidos Haste
durante o início do desenvolvimento embrionário. Quando o de pêlo
emergindo
embrião se desenvolve, formam-se os órgãos a partir de arranjos de uma
específicos de tecidos. Muitos órgãos adultos, inclusive o coração, superfície
o encéfalo e os músculos, contêm células originais e tecidos que exposta
da pele
se formaram antes do nascimento, ainda que algumas mudanças
funcionais ocorram nos tecidos quando hormônios atuam sobre
eles ou quando a eficiência diminui com a idade.
O estudo dos tecidos é chamado de histologia e fornece os
(b)
fundamentos para entender a estrutura e as funções dos órgãos
que serão analisadas nos capítulos que se seguirão. Muitas doen- FIGURA 4.1 A superfície da pele (a) aumentada 25 vezes, como é
ças alteram profundamente os tecidos no interior dos órgãos atin- vista em um microscópio composto de luz, e (b) aumentada 280 vezes,
gidos; portanto, conhecendo a estrutura normal de um tecido, o como é vista em um microscópio eletrônico de varredura (MES).
médico pode reconhecer um tecido anormal. Nas escolas médicas
o curso de histologia é comumente seguido por um curso de pato-
logia, o estudo dos tecidos anormais em órgãos doentes. triz líquida que permite que este tecido circule pelos vasos. Con-
Embora os histologistas empreguem muitas técnicas dife- trariamente, as células ósseas estão separadas por uma matriz só-
rentes nas preparações, nas colorações e nos cortes dos tecidos, lida, que permite que este tecido suporte o corpo.
são usados apenas dois tipos básicos de microscópios para ver as Os tecidos do corpo são classificados em quatro tipos prin-
preparações de tecidos. Os microscópios de luz são usados para ob- cipais com base na estrutura e na função: (1) tecido epitelial que
servar a estrutura global do tecido (fig. 4.1), e os microscópios ele- reveste a superfície do corpo, as cavidades do corpo e os ductos, e
trônicos, para observar os detalhes finos do tecido e da estrutura forma as glândulas; (2) tecido conjuntivo que liga, suporta e pro-
celular. A maioria das fotomicrografias histológicas deste livro tege as partes do corpo; (3) tecido muscular que se contrai para
pertencem ao nível microscópico de luz. Contudo, onde detalhes gerar movimentos; e (4) tecido nervoso que inicia e transmite im-
estruturais finos forem necessários para compreender uma função pulsos nervosos de uma parte do corpo para outra.
determinada, elétron-micrografias foram utilizadas.
Muitas células de tecidos são envolvidas e interligadas por Avaliação de Conhecimentos
uma matriz intercelular que as células secretam. A composição 1. Defina tecido e explique por que a histologia é importante
da matriz varia de tecido para tecido e pode assumir a forma lí- para o estudo da anatomia, fisiologia e medicina.
quida, semi-sólida ou sólida. Por exemplo, o sangue tem uma ma-
2. As células são as unidades funcionais do corpo. Explique
como a matriz permite que tipos específicos de células for-
mando tecidos sejam mais eficientes e funcionais.
histologia: G. histos, tecido; logos, estudo 3. Quais são os quatro tipos principais de tecidos do corpo?
patologia: G. pathos, doença; logos, estudo Quais são as funções básicas de cada um?
matriz: L. matris, mãe
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Exposição do Desenvolvimento
Embrioblasto

Blastocoele
Cavidade amniótica

(c) Trofoblasto Ectoderma


Endoderma
(b)

Cavidade amniótica (d)


Ectoderma
Disco
embrionário Mesoderma
(a)
Endoderma

Saco vitelino

Trofoblasto
(e) Schenk

EXIBIÇÃO 1 As fases iniciais do desenvolvimento embrionário. (a) Fertilização e formação do zigoto, (b) a mórula em torno do terceiro
dia, (c) blastocisto inicial por ocasião da implantação entre o quinto e o sétimo dia, (d) um blastocisto em duas semanas, (e) um blasto-
cisto em três semanas mostrando as três camadas germinativas primárias que constituem o disco embrionário.

Os Tecidos Dentro de 30 horas depois da fertilização, o zigoto sofre


uma divisão mitótica quando se movimenta através da tuba ute-
rina em direção ao útero (veja capítulo 22). Depois de mais algu-
mas divisões celulares, a massa embrionária consiste em 16 ou
EXPLICAÇÃO mais células e é chamada de mórula, como demonstrado na exibi-
O desenvolvimento pré-natal humano se inicia pela fertili- ção I. Três ou quatro dias após a concepção, a mórula penetra na
zação de um óvulo (ovo) de uma mulher por um espermatozóide cavidade uterina onde permanece solta por aproximadamente três
do homem. Os cromossomos no interior do núcleo de um zigoto dias. Durante este tempo, o centro da mórula enche-se de líquido
(ovo fertilizado) contêm todas as informações genéticas necessá- absorvido da cavidade uterina. Quando o espaço cheio de líquido
rias para a diferenciação e desenvolvimento de todas as estruturas se desenvolve dentro da mórula, formam-se dois grupos distintos
do corpo. de células. A camada simples de células que forma a parede ex-
zigoto: G. zygotos, gema do ovo mórula: G. morus, amora

(continua)

Objetivo 5 Analisar as funções dos epitélios membranosos


TECIDO EPITELIAL em diferentes locais do corpo.
Há duas categorias principais de epitélio: membranoso e glandular. Objetivo 6 Definir glândula, comparar e contrastar os vários
Os epitélios membranosos estão localizados no corpo inteiro e for- tipos de glândulas do corpo.
mam estruturas como a camada externa da pele; o revestimento
interno das cavidades do corpo, tubos e ductos; e o revestimento
dos órgãos viscerais. Os epitélios glandulares são tecidos especia- Características dos Epitélios Membranosos
lizados que formam a parte secretora das glândulas.
Epitélios membranosos sempre têm uma superfície livre ex-
Objetivo 4 Comparar e contrastar os vários tipos de epité- posta ou para uma cavidade do corpo, um lume (porção oca de
lios membranosos. um tubo do corpo), ou para a superfície da pele. Alguns epitélios
membranosos são derivados do ectoderma, como a camada ex-
epitélio: G. epi, em cima; thelium, cobertura terna da pele; alguns, do mesoderma, como o revestimento in-
79
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(continuação)

TABELA 4A Derivados das Camadas Germinativas


Ectoderma Mesoderma Endoderma
Epiderme da pele e derivados epidérmicos: Músculos: liso, cardíaco, esquelético Epitélio da faringe, meato acústico, tonsilas,
pêlos, unhas, glândulas da pele; revestimento Tecido conjuntivo: embrionário, mesênquima, tecido tireóide, paratireóide, laringe, traquéia,
das cavidades oral, nasal, anal e vaginal conjuntivo propriamente dito, cartilagem, osso, sangue pulmões, trato gastrointestinal, bexiga
Tecido nervoso; órgãos dos sentidos urinária, uretra e vagina
Derme da pele; dentina dos dentes
Lente do bulbo do olho, esmalte dos dentes Fígado e pâncreas
Epitélio (endotélio) dos vasos sangüíneos, vasos linfáti-
Glândula hipófise cos, cavidades do corpo, cavidades articulares
Medula da supra-renal Órgãos genitais internos
Rins e ureteres
Córtex supra-renal

terna é conhecida como trofoblasto, e o agrupamento interno de derma inferior que margeia a blastocele (cavidade blastocística).
células é conhecido como embrioblasto. Com o desenvolvimento Em seguida, uma terceira camada chamada mesoderma é formada
posterior, o trofoblasto se diferencia em uma estrutura que for- entre o endoderma e o ectoderma. Essas três camadas constituem
mará parte da futura placenta; o embrioblasto deve eventual- as camadas germinativas primárias.
mente se tornar o embrião. Com o estabelecimento desses dois As camadas germinativas primárias são de grande signifi-
grupos de células, a mórula torna-se conhecida como blastocisto. cado porque todas as células e tecidos do corpo são derivados
A implantação do blastocisto na parede uterina começa entre o delas (veja fig. 22.9). Células ectodérmicas formam o sistema ner-
quinto e o sétimo dia (veja capítulo 22). voso; a camada externa da pele (epiderme), incluindo pêlos,
Quando o blastocisto completa a implantação durante a se- unhas e glândulas da pele; e partes dos órgãos dos sentidos. Célu-
gunda semana de desenvolvimento, o embrioblasto sofre mar- las mesodérmicas formam o esqueleto, os músculos, o sangue, os
cante diferenciação. Um espaço chamado cavidade amniótica órgãos genitais, a derme da pele e o tecido conjuntivo. Células
forma-se no interior do embrioblasto, adjacente ao trofoblasto. O endodérmicas elaboram o revestimento do trato gastrointestinal,
embrioblasto consiste agora em duas camadas: o ectoderma supe- os órgãos digestórios, o trato respiratório e os pulmões, a bexiga
rior, que está muito próximo da cavidade amniótica, e o endo- urinária e a uretra. Os derivados das camadas germinativas primá-
rias estão resumidos na tabela 4A.
trofoblasto: G. trophe, nutrição; blastos, gérmen
embrioblasto: G. embryon, cheio, inchaço; blastos, gérmen endoderma: G. endo interno; derm, pele
ectoderma: G. ecto externo; derm, pele mesoderma: G. meso, meio; derm, pele

terno dos vasos sangüíneos; e outros do endoderma, como o re- vasos sangüíneos) e devem ser nutridos por difusão do tecido
vestimento interno do trato digestório (trato gastrointestinal ou conjuntivo subjacente. As células que compõem os epitélios
trato GI). membranosos são mantidas firmemente juntas, com pouca matriz
Epitélios membranosos podem ter uma ou várias camadas intercelular entre elas.
espessas de células. A superfície superior pode estar exposta a Algumas das funções dos epitélios membranosos são bastante
gases, como no caso do epitélio dos sistemas tegumentar e respi- específicas, mas certas generalizações podem ser feitas. Epitélios
ratório; a líquidos, como nos sistemas circulatório e urinário; ou a que cobrem ou revestem superfícies fornecem proteção contra
semi-sólidos, como no trato gastrointestinal. A superfície pro- agentes patogênicos, lesões físicas, toxinas e ressecamentos. Epité-
funda da maioria dos epitélios membranosos está ligada a um te- lios que revestem o trato gastrointestinal funcionam na absorção.
cido de sustentação subjacente por uma membrana basal, que O epitélio dos rins proporciona a filtração, enquanto o do interior
consiste em glicoproteínas das células epiteliais, uma rede de co- dos alvéolos pulmonares (pequenos sacos de ar) dos pulmões per-
lágeno e fibras reticulares do tecido conjuntivo subjacente. Com mite a difusão. O neuroepitélio é altamente especializado em brotos
algumas exceções, os epitélios membranosos são avasculares (sem para o gosto e na região nasal tem a função de quimiorreceptor.
80
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Capítulo 4 Histologia 81

Núcleo de uma
célula pavimentosa

Células pavimentosas

(b) Membrana basal

CAPÍTULO 4
(c)

(a)

FIGURA 4.2 (a) Epitélio simples pavimentoso revestindo o lume dos vasos, onde permite difusão. (b) Fotomicrografia deste tecido e (c) um
diagrama com identificações. O epitélio simples pavimentoso que reveste o lume dos vasos denomina-se endotélio, e aquele que recobre os ór-
gãos viscerais é o mesotélio.

Muitos epitélios membranosos estão expostos a fricção ou a núcleo oval ou esférico central. Esse epitélio é adaptado para difu-
substâncias nocivas do ambiente externo. Por esta razão, tecidos são e filtração, e está presente nos alvéolos pulmonares no interior
epiteliais apresentam notável capacidade de regeneração. A subs- dos pulmões (onde ocorrem as trocas gasosas), em partes dos rins
tituição mitótica da camada externa da pele e do revestimento do (onde o sangue é filtrado), no lado interno das paredes dos vasos
trato gastrointestinal, por exemplo, são processos contínuos. sangüíneos, no revestimento de cavidades do corpo, e nas envol-
Os epitélios membranosos são histologicamente classificados turas das vísceras. O epitélio simples pavimentoso que reveste as
pelo número de camadas celulares e pela forma das células ao longo paredes internas dos vasos sangüíneos e linfáticos, denomina-se
da superfície exposta. Os tecidos epiteliais que são compostos por endotélio (fig. 4.2b), e aqueles que envolvem os órgãos viscerais, e
uma camada simples de células são chamados de simples; aqueles revestem as cavidades do corpo são chamados de mesotélio.
que possuem várias camadas são os estratificados. Células pavimento-
sas são achatadas; células cúbicas têm a forma de cubos; e células co-
lunares são aquelas em que a altura predomina sobre a largura. Epitélio Simples Cúbico
O epitélio simples cúbico é composto de uma única camada
de células em forma de cubos firmemente ajustadas (fig. 4.3).
Epitélio Simples Esse tipo de epitélio é encontrado revestindo ductos e túbulos
que apresentam funções excretoras, secretoras ou de absorção, e
O tecido epitelial simples é formado por uma única camada
está presente na superfície dos ovários, formando uma porção dos
espessa de células e está localizado onde difusão, absorção, filtra-
túbulos no interior do rim e revestindo os ductos das glândulas
ção e secreção são as funções principais. As células do tecido epi-
salivares e pâncreas.
telial simples podem ser finas, achatadas, altas e colunares.
Algumas destas células têm cílios que criam correntes para o mo-
vimento de materiais através das superfícies das células, e outras Epitélio Simples Colunar
têm microvilos que aumentam a área de superfície para absorção. O epitélio simples colunar é composto de células altas, co-
lunares (fig. 4.4). A altura das células varia e depende do local e
Epitélio Simples Pavimentoso da função do tecido. Cada célula contém um único núcleo que
geralmente está localizado perto da membrana basal. Glândulas
O epitélio simples pavimentoso é composto de células acha-
unicelulares especializadas chamadas células caliciformes estão
tadas, de forma irregular que estão firmemente ligadas em um pa-
drão semelhante a mosaico (fig. 4.2). Cada célula contém um
endotélio: G. endon, dentro; thelium, cobertura
escamoso: L. squamosus, escamoso mesotélio: G. meso, meio; thelium, cobertura
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82 Unidade 3 Estrutura Microscópica do Corpo

Lume de um
túbulo renal

Rim
Membrana
basal

Núcleo
(b)
CAPÍTULO 4

(c)

Ureter

(a)

FIGURA 4.3 (a) Epitélio simples cúbico reveste o lume dos ductos, por exemplo nos rins, onde permite a movimentação de líquidos e de
íons. (b) Fotomicrografia desse tecido e (c) diagrama com identificações.

Fígado
Estômago
Vesícula
biliar
Intestino
grosso
Intestino
delgado

(b)
(b) Lume do intestino
delgado
Núcleo
Creek

Membrana
(a) basal

Células
caliciformes
Cílios

(c)

FIGURA 4.4 (a) Epitélio simples colunar reveste o lume do trato digestório, onde permite a secreção e a absorção. (b) Fotomicrografia desse
tecido e (c) um diagrama com identificações.
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Capítulo 4 Histologia 83

Corpo do
útero
Tuba uterina

Cavidade do útero

Paras
(b)

CAPÍTULO 4
Ovário Lume da
tuba uterina
Cílios

(a) Vagina Membrana celular

Núcleo
Membrana
basal

(c)

FIGURA 4.5 (a) Epitélio simples colunar ciliado reveste o lume da tuba uterina, onde fluxos gerados pelos cílios impelem a célula ovo para o
útero. (b) Fotomicrografia desse tecido e (c) um diagrama com identificações.

dispersas através desse tecido em muitos locais. Células calicifor- estão localizados em níveis diferentes. Numerosas células calici-
mes secretam um muco lubrificante e protetor ao longo das su- formes e superfícies ciliadas expostas são características desse epi-
perfícies livres das células. Epitélio simples colunar é encontrado télio. É encontrado revestindo as paredes internas da traquéia e
revestindo as paredes do estômago e do intestino. No sistema di- dos brônquios; por isso, é freqüentemente chamado de epitélio res-
gestório, forma-se uma extensa superfície de absorção e também piratório. Sua função é remover a poeira e as bactérias através do
de secreção de certas substâncias químicas digestivas. No interior muco das vias aéreas inferiores.
do estômago, o epitélio simples colunar tem uma elevada fre-
Tossir e espirrar ou, simplesmente, “limpar a garganta” são
qüência de mitoses e as renovações se fazem em 2 a 3 dias. mecanismos reflexos protetores para limpar as vias aéreas
respiratórias de obstruções ou de partículas inaladas que foram apa-
nhadas pelo muco ao longo do revestimento ciliado. O material que
Epitélio Simples Colunar Ciliado é expelido pela tosse consiste no muco que assimilou partículas.
O epitélio simples colunar ciliado é caracterizado pela pre-
sença de cílios ao longo de sua superfície livre (fig. 4.5). Em
contraste, o tipo simples colunar é não ciliado. Os cílios produ- Epitélios Estratificados
zem movimentos ondulatórios que transportam materiais através
de tubos ou ductos. Esse tipo de epitélio está presente nas tubas Os epitélios estratificados têm duas ou mais camadas de
uterinas das mulheres para impulsionar o óvulo (célula ovo) para células. Ao contrário da camada única dos epitélios simples,
o útero. estão muito pouco adaptados para as funções de absorção e secre-
ção. Epitélios estratificados têm função principalmente de prote-
Impulsionar o óvulo não é a única função dos cílios, mas re- ção que é aumentada através de suas rápidas divisões celulares.
centes evidências indicam que o esperma introduzido na va- Eles são classificados de acordo com a forma da camada superfi-
gina feminina durante o ato sexual pode ser movimentado ao longo
da corrente de retorno, ou remoinho, gerados por movimentos cilia- cial de células, já que a camada em contato com a membrana
res. Isso aumenta bastante a probabilidade de fertilização. basal é sempre de forma cúbica ou colunar.

Epitélio Pseudo-estratificado Colunar Ciliado Epitélio Estratificado Pavimentoso


Como o nome indica, esse tipo de epitélio tem a aparên- O epitélio estratificado pavimentoso é composto de um
cia de possuir várias camadas. De fato, não possui mais camadas, número variável de camadas de células que são mais achatadas
já que cada célula está em contato com a membrana basal. Con- na superfície (fig. 4.7). Mitoses ocorrem apenas nas camadas
tudo, nem todas as células estão expostas na superfície (fig. 4.6). mais profundas (veja tabela 5.2). A freqüência de mitoses se
O tecido parece ser estratificado porque os núcleos das células aproxima da freqüência na qual as células são despojadas na su-
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84 Unidade 3 Estrutura Microscópica do Corpo

Laringe

Traquéia
Bronquíolos

Pulmão
Brônquios
segmentares

(b)

(b)
CAPÍTULO 4

Brônquios
lobares Cílios
Células caliciformes
Brônquio Núcleo
Creek principal
(a) Membrana basal
Tecido conjuntivo

(c)

FIGURA 4.6 (a) Epitélio pseudo-estratificado colunar ciliado revestindo o lume do trato respiratório, de onde retira material estranho e movi-
menta-os para fora dos alvéolos pulmonares e dos pulmões. (b) Fotomicrografia desse tecido e (c) diagrama com identificações.

Tuba uterina

Ovário

Útero

Bexiga urinária
Colo do
útero

Uretra Reto

Vagina

Ânus
(b)
Waldrop

(a)
Epitélio
estratificado
pavimentoso

(c)

FIGURA 4.7 O epitélio estratificado pavimentoso forma a camada externa da pele e o revestimento das aberturas do corpo. Nas áreas úmi-
das, como na vagina (a), é não-queratinizado, enquanto na epiderme da pele é queratinizado. (b) Fotomicrografia desse tecido e (c) diagrama
com identificações.
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Capítulo 4 Histologia 85

Glândula parótida

Núcleo

Lume do ducto
parotídeo

(b) Membrana
basal

CAPÍTULO 4
Ducto parotídeo
(c)

(a)

FIGURA 4.8 (a) Epitélio estratificado cúbico reveste o lume de grandes ductos como o ducto parotídeo, que drena a saliva da glândula paró-
tida. (b) Fotomicrografia desse tecido e (c) diagrama com identificações.

perfície. Quando as células recentemente formadas crescem em Epitélio Estratificado Cúbico


tamanho, são empurradas para a superfície onde irão substituir
O epitélio estratificado cúbico, geralmente, consiste apenas
as células despojadas. O movimento das células epiteliais se
em duas ou três camadas de células cúbicas (fig. 4.8). Esse tipo de
afastando da membrana basal de sustentação é acompanhado
epitélio é limitado aos revestimentos dos ductos maiores das
pela produção de queratina (descrita abaixo), desidratação pro-
glândulas sudoríferas, glândulas salivares e pâncreas onde sua es-
gressiva e achatamento.
tratificação fornece um revestimento mais resistente provavel-
Há dois tipos de tecido epitelial estratificado pavimentoso:
mente do que ocorreria com um epitélio simples.
queratinizado e não-queratinizado.
1. Epitélio estratificado pavimentoso queratinizado contém Epitélio de Transição
queratina, uma proteína que fortalece o tecido. A queratina O epitélio de transição é semelhante ao epitélio estratifi-
torna a epiderme (camada externa) da pele algo impermeá- cado pavimentoso não queratinizado exceto que as células super-
vel e protege-a de invasões bacterianas. As camadas exter- ficiais do primeiro são grandes e redondas em vez de achatadas, e
nas da pele estão mortas, mas as secreções glandulares as algumas podem ter dois núcleos (fig. 4.9). O epitélio de transição
mantêm macias (veja capítulo 5). só é encontrado no sistema urinário, principalmente revestindo a
2. Epitélio estratificado pavimentoso não-queratinizado re- cavidade da bexiga urinária e o lume do ureter. Esse tecido é espe-
veste a cavidade oral, faringe, cavidade nasal, vagina e cializado para permitir distensão (estiramento) da bexiga urinária
canal anal. Esse tipo de epitélio, chamado de mucosa, está quando se enche de urina. As células internas são arredondadas
bastante adaptado para resistir a abrasão moderada, mas quando a bexiga urinária está vazia e se transformam em acha-
não a perda de líquidos. As células na superfície exposta tadas quando são distendidas com a presença de urina.
estão vivas e sempre são umedecidas. Um resumo de tecido epitelial membranoso é apresentado
na tabela 4.1.
O epitélio estratificado pavimentoso é a primeira linha de de-
fesa contra a entrada de organismos vivos no corpo. Estratifi-
cação, atividade mitótica rápida e queratinização no interior da
Membranas do Corpo
epiderme da pele são importantes fatores de proteção. Um pH ácido As membranas do corpo estão compostas de camadas finas
ao longo da superfície desse tecido também ajuda a prevenir doen- de tecido epitelial e, em certos locais, o tecido epitelial junta-se
ças. O pH da pele está entre 4,0 e 6,8. O pH na cavidade oral varia
de 5,8 a 7,1 que tende a retardar o crescimento de microorganis- com tecido conjuntivo de sustentação. As membranas do corpo
mos. O pH da região anal é aproximadamente 6, e o pH ao longo do recobrem, separam e sustentam órgãos viscerais e revestem as ca-
revestimento vaginal é 4 ou menos. vidades do corpo. Os dois tipos básicos de membranas do corpo,
membranas mucosas e membranas serosas, estão descritos em
detalhes no capítulo 2 sob o título “Cavidades e Membranas do
queratina: G. keras, chifre Corpo” (veja p. 41).
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86 Unidade 3 Estrutura Microscópica do Corpo

Ureter

(b)
CAPÍTULO 4

Bexiga
urinária (b) Lume da
bexiga urinária

Epitélio de
transição

Uretra Tecido
muscular
liso
(a) (c)

FIGURA 4.9 (a) Epitélio de transição reveste o lume dos ureteres e a cavidade da bexiga urinária, onde permite distensão. (b) Fotomicrogra-
fia desse tecido e (c) diagrama com identificações.

TABELA 4.1 Resumo do Tecido Epitelial Membranoso


Tipo Estrutura e Função Localização
Epitélio Simples Camada única de células; função varia com o tipo Cobre os órgãos viscerais; reveste as cavidades do
corpo, os tubos e os ductos
Epitélio simples pavimentoso Camada única de células achatadas, ligadas Paredes dos capilares; alvéolos pulmonares dos
firmemente; difusão e filtração pulmões; envolturas dos órgãos viscerais;
revestimentos das cavidades do corpo
Epitélio simples cúbico Camada única de células em forma de cubos; excreção, Superfície do ovário; reveste os túbulos renais,
secreção ou absorção ductos das glândulas salivares e ductos pancreáticos
Epitélio simples colunar Camada única de células não ciliadas, altas, em forma Reveste a maior parte do trato gastrointestinal
de colunas; proteção, secreção e absorção
Epitélio simples colunar ciliado Camada única de células em forma de colunas, ciliadas; Reveste a tuba uterina
papel de transportadoras por movimento ciliar
Epitélio pseudo-estratificado colunar ciliado Camada única de células ciliadas de forma irregular; Reveste as vias aéreas respiratórias
muitas células caliciformes; proteção, secreção,
movimentos ciliares
Epitélio Estratificado Duas ou mais camadas de células; função variável com o tipo Camada epidérmica da pele; reveste as aberturas do
corpo, ductos e bexiga urinária
Epitélio estratificado pavimentoso (queratinizado) Numerosas camadas contendo queratina com camadas Epiderme da pele
externas achatadas e mortas; proteção
Epitélio estratificado pavimentoso (não-queratinizado) Numerosas camadas sem queratina, com camadas Reveste as cavidades oral e nasal, a vagina e o canal
externas umedecidas e vivas; proteção e flexibilidade anal
Epitélio estratificado cúbico Em geral duas camadas de células em forma de cubo; Ductos maiores das glândulas sudoríferas, glândulas
fortalecimento das paredes dos lumes salivares e pâncreas
Epitélio de transição Numerosas camadas de células arredondadas não Paredes dos ureteres, parte da uretra e bexiga urinária
queratinizadas; distensão
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Capítulo 4 Histologia 87

Secreção
Lume

Muco
Fígado
Membrana
Estômago celular
Vesícula
biliar Aparelho
de Golgi

CAPÍTULO 4
Intestino grosso
Intestino
Núcleo da célula
delgado
caliciforme

Retículo
endoplasmático
rugoso

Creek

(a) (b) (c)

FIGURA 4.10 Uma célula caliciforme é uma glândula unicelular que secreta muco, que lubrifica e protege a superfície de revestimento. (a)
Células caliciformes são abundantes no epitélio colunar que reveste o lume do intestino delgado. (b) Fotomicrografia de uma célula caliciforme
e (c) diagrama com identificações.

Epitélio Glandular 2. Glândulas multicelulares, como o nome indica, são com-


postas de células secretoras e células que formam as paredes
Quando os tecidos se desenvolvem no embrião, minúsculas dos ductos. As glândulas multicelulares são classificadas em
invaginações (envolvimento) de epitélios membranosos dão lugar a glândulas simples e compostas. Os ductos das glândulas sim-
estruturas secretoras especializadas chamadas glândulas exócrinas. ples não se ramificam, enquanto que aqueles do tipo com-
Essas glândulas permanecem conectadas ao epitélio por ductos, e posto o fazem (fig. 4.11). Glândulas multicelulares também
suas secreções passam através dos ductos em direção às superfícies são classificadas de acordo com a forma de suas porções se-
do corpo ou das cavidades do corpo. Glândulas exócrinas não cretoras, e são identificadas como glândulas tubulares se a
devem ser confundidas com glândulas endócrinas que não possuem porção secretora se assemelha a um tubo e como glândulas
ductos e que secretam os seus produtos (hormônios) no sangue ou acinosas se a porção secretora se assemelha a um cacho.
no líquido extracelular adjacente. Glândulas exócrinas no interior Glândulas multicelulares com uma porção secretora que se
da pele incluem glândulas sebáceas, glândulas sudoríferas e glându- assemelha tanto a um tubo como também a um cacho são
las mamárias. Glândulas exócrinas no interior do sistema digestório chamadas de glândulas tubuloacinosas.
incluem glândulas salivares e glândulas pancreáticas.
As glândulas exócrinas são classificadas de acordo com as As glândulas multicelulares também são classificadas de
suas estruturas e como elas descarregam os seus produtos. Classifi- acordo com os meios pelos quais lançam os seus produtos (fig. 4.12).
cadas de acordo com a estrutura, há dois tipos de glândulas exó- 1. Glândulas merócrinas são aquelas que secretam uma subs-
crinas, glândulas unicelulares e glândulas multicelulares. tância aquosa através da membrana celular das células se-
1. Glândulas unicelulares são glândulas de célula única, cretoras. Glândulas salivares, glândulas pancreáticas e certas
como as células caliciformes (fig. 4.10). São células colunares glândulas sudoríferas são desse tipo.
modificadas que se encontram no interior da maioria dos 2. Glândulas apócrinas são aquelas nas quais a secreção se
tecidos epiteliais. Células caliciformes são encontradas nos acumula na superfície da célula secretora; em seguida, uma
revestimentos epiteliais dos sistemas respiratório e digestó- porção da célula destaca-se, junta-se com a secreção e am-
rio. A secreção de muco dessas células lubrifica e protege as bas são eliminadas. As glândulas mamárias são desse tipo.
superfícies de revestimento.

merócrina: G. meros, parte; krinein, separar


exócrina: G. exo, lado de fora; krinein, separar apócrina: G. apo, fora; krinein, separar
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88 Unidade 3 Estrutura Microscópica do Corpo

Ducto

Células
secretoras

Tubular simples Tubular simples


Tubular simples Acinosa simples Acinosa simples
ramificada
enovelada ramificada
CAPÍTULO 4

Composta tubular Composta acinosa Composta tubuloacinosa

FIGURA 4.11 Classificação estrutural das glândulas multicelulares exócrinas. Os ductos das glândulas simples possuem poucos ramos ou
não os posuem, enquanto aqueles das glândulas compostas possuem múltiplos ramos.

Célula desintegrada
Secreção e seu conteúdo
descarregado
com a secreção

Célula
intacta Célula nova

Porção
destacada
da célula e
ek

descarregada
e
Cr

com a secreção

Glândula merócrina Glândula apócrina Glândula holócrina

FIGURA 4.12 Exemplos de glândulas exócrinas multicelulares.


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Capítulo 4 Histologia 89

TABELA 4.2 Resumo do Tecido Epitelial Glandular


Classificação das Glândulas Exócrinas por Estrutura
Tipo Função Exemplo
I. Unicelular Lubrificar e proteger Células caliciformes dos sistemas digestório,
respiratório, urinário e genital
II. Multicelular Proteger, regular a temperatura do corpo, lubrificar, Glândulas sudoríferas, glândulas digestivas,
auxiliar a digestão, manter a homeostasia do corpo fígado, glândulas mamárias, glândulas sebáceas
A. Simples
1. Tubular Auxiliar a digestão Glândulas intestinais
2. Tubular ramificada Proteger, auxiliar a digestão Glândulas uterinas, glândulas gástricas

CAPÍTULO 4
3. Tubular enovelada Regular a temperatura Certas glândulas sudoríferas
4. Acinosa Proporcionar aditivos ao espermatozóide Glândula seminal do sistema genital masculino
5. Acinosa ramificada Condicionar a pele Glândulas sebáceas da pele
B. Compostas
1. Tubular Lubrificar a uretra masculina, auxiliar a digestão do corpo Glândulas bulbouretrais do sistema masculino, fígado
2. Acinosa Proporcionar nutrição para crianças, auxiliar a digestão Glândulas mamárias, glândulas salivares (sublingual
e submandibular)
3. Tubuloacinosa Auxiliar a digestão Glândula salivar (parótida), pâncreas

Classificação das Glândulas Exócrinas pelo Tipo de Secreção


Tipo Descrição da Secreção Exemplo
Glândulas merócrinas Secreção aquosa para regular a temperatura ou enzimas Glândulas salivares e pancreáticas, certas
que promovem a digestão glândulas salivares
Glândulas apócrinas Porção de células secretoras e secreção são descarregadas; proporciona Glândulas mamárias, certas glândulas sudoríferas
nutrição para crianças, auxilia na regulação da temperatura
Glândulas holócrinas Célula secretora inteira com secreção inclusa é descarregada; Glândulas sebáceas da pele
condiciona a pele

3. Glândulas holócrinas são aquelas nas quais a célula secre-


tora inteira é descarregada, junto com o produto da secre- TECIDO CONJUNTIVO
ção. Um exemplo de glândula holócrina é uma glândula O tecido conjuntivo é dividido em subtipos de acordo com a ma-
sebácea da pele (veja capítulo 5). triz que liga as células. O tecido conjuntivo fornece suporte estru-
Um resumo de tecido epitelial glandular é apresentado na tural e metabólico para outros tecidos e órgãos do corpo.
tabela 4.2. Objetivo 7 Descrever as características gerais, localiza-
ções e funções do tecido conjuntivo.
Avaliação de Conhecimentos
Objetivo 8 Explicar as relações funcionais entre tecido con-
4. Faça uma relação das funções dos epitélios simples pavi- juntivo embrionário e adulto.
mentosos.
5. Quais são os três tipos de epitélios colunares? O que eles Objetivo 9 Fazer uma lista das várias substâncias funda-
têm em comum? Em que diferem? mentais, tipos de fibras e células que constituem o tecido
conjuntivo e explicar as suas funções.
6. Quais são os dois tipos de epitélio estratificado pavimen-
toso e como diferem?
7. Faça a distinção entre glândulas unicelulares e multicelula- Características e Classificação
res. Explique como as glândulas multicelulares são classifi-
cadas de acordo com seus mecanismos de secreção.
dos Tecidos Conjuntivos
8. Em que as glândulas mamárias e certas glândulas sudoríferas Tecido conjuntivo é o tecido mais abundante do corpo. Dá
são semelhantes? sustentação para outros tecidos ou os mantém ligados e fornece as
necessidades metabólicas para todos os órgãos do corpo. Certos
tipos de tecido conjuntivo armazenam substâncias nutritivas; ou-
holócrina: G. holos, inteira; krinein, separar tros tipos fabricam substâncias protetoras e reguladoras.
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90 Unidade 3 Estrutura Microscópica do Corpo

Somito

Esclerótomo Crista neural


(mesênquima) Tubo neural
Notocorda
Esôfago Célula
mesenquimal
Cordão
umbilical

4 semanas Matriz

Coração
CAPÍTULO 4

primitivo
(a) (b)

FIGURA 4.13 Mesênquima é um tipo de tecido conjuntivo embrionário que pode migrar e dar lugar a todos os outros tipos de tecido conjun-
tivo. (a) É encontrado no interior do embrião em início de desenvolvimento e (b) consiste em células de forma irregular encontradas em uma ma-
triz homogênea semelhante a geléia.

Embora o tecido conjuntivo varie amplamente em estru-


tura e funções, todos os tipos de tecidos conjuntivos são seme- Tecido Conjuntivo Embrionário
lhantes. Com exceção da cartilagem madura, o tecido conjuntivo
O período embrionário de desenvolvimento que dura 6 se-
é altamente vascularizado e bem nutrido, pode se reproduzir e,
manas (desde o início da terceira até o fim da oitava semana) é
assim, é responsável pelos reparos dos órgãos do corpo. Diferente-
caracterizado por extensa diferenciação do tecido e formação de
mente do tecido epitelial que é composto de células firmemente
órgãos. No começo do período embrionário, todo o tecido con-
ajustadas, o tecido conjuntivo contém consideravelmente mais
juntivo parece semelhante e é conhecido como mesênquima.
matriz (material intercelular) do que células. O tecido conjun-
Mesênquima, tecido conjuntivo embrionário indiferenciado que
tivo não ocorre em superfícies livres de cavidades do corpo ou na
deriva do mesoderma, consiste em células de forma irregular cer-
superfície do corpo, como ocorre com o tecido epitelial. Além
cadas por grande quantidade de matriz homogênea gelatinosa
disso, o tecido conjuntivo é embriologicamente derivado do me-
(fig. 4.13). Em certos períodos do desenvolvimento, o mesên-
soderma, enquanto o tecido epitelial deriva do ectoderma, meso-
quima migra para determinados locais onde interage com outros
derma e endoderma.
tecidos para formar órgãos. Tendo o mesênquima completado sua
A classificação do tecido conjuntivo não é uniforme e vá-
migração embrionária para os locais predeterminados, ele se dife-
rios esquemas foram idealizados. Porém, em geral, os vários tipos
rencia de todos os outros tipos de tecido conjuntivo.
são denominados de acordo com o tipo e disposição da matriz. Os
Alguns tecidos persistem semelhantes a mesênquima mesmo
tipos básicos de tecidos conjuntivos são os seguintes:
depois do período embrionário em certos locais do interior do
A. Tecido conjuntivo embrionário corpo. Bons exemplos são as células indiferenciadas que cercam os
B. Tecido conjuntivo propriamente dito vasos sangüíneos e formam os fibroblastos caso os vasos sejam trau-
1. Tecido conjuntivo frouxo (areolar) matizados. Fibroblastos ajudam na cura de feridas (veja capítulo 5).
Outro tipo de tecido conjuntivo pré-natal existe apenas no
2. Tecido conjuntivo denso regular feto (o período fetal vai da nona semana ao nascimento) e é cha-
3. Tecido conjuntivo denso irregular mado tecido conjuntivo mucoso ou geléia de Wharton. Dá uma con-
4. Tecido conjuntivo elástico sistência túrgida ao cordão umbilical.
5. Tecido conjuntivo reticular
6. Tecido adiposo Tecido Conjuntivo Propriamente Dito
C. Cartilagem O tecido conjuntivo propriamente dito tem uma matriz
1. Cartilagem hialina frouxa e flexível, freqüentemente chamada de substância funda-
2. Fibrocartilagem mental. A célula mais comum do tecido conjuntivo propria-
3. Cartilagem elástica mente dito é chamada de fibroblasto. Fibroblastos são células
grandes, em forma de estrelas que produzem fibras colágenas,
D. Tecido ósseo
E. Sangue (tecido vascular) Geléia de Wharton: de Thomas Wharton, anatomista inglês, 1614-1673
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Capítulo 4 Histologia 91

Músculo
peitoral maior

Fibra elástica

Fibra colágena

Mastócito

Fibroblasto

(b)
(c)

CAPÍTULO 4
Paras
(a)
Fáscia

FIGURA 4.14 Tecido conjuntivo frouxo preenche espaços e liga os tecidos que revestem os músculos (a), nervos e vasos, e liga a pele aos
músculos subjacentes. (b) Fotomicrografia do tecido e (c) diagrama com identificações.

elásticas e reticulares. Fibras colágenas são compostas de uma Geralmente, são reconhecidos seis tipos básicos de tecidos
proteína chamada colágeno; elas são flexíveis, todavia são bem conjuntivos propriamente ditos. Estes tecidos se diferenciam pela
resistentes. Fibras elásticas são compostas de uma proteína cha- consistência da substância fundamental e pelo tipo e disposição
mada elastina, que fornece elasticidade para certos tecidos. Fibras das fibras de reforço.
colágenas e elásticas podem estar esparsas e irregularmente dispos-
tas, como no tecido conjuntivo frouxo, ou firmemente aderidas, Tecido Conjuntivo Frouxo (Areolar)
como no tecido conjuntivo denso. Tecidos com fibras dispostas
livremente em geral formam materiais de preenchimento que O tecido conjuntivo frouxo está distribuído ao longo do
acomodam e protegem vários órgãos, enquanto aqueles cujas fi- corpo como material de ligação e de preenchimento, liga a pele
bras estão dispostas firmemente formam os tecidos conjuntivos de aos músculos subjacentes e é altamente vascularizado, fornecendo
ligação e de suporte do corpo. nutrientes para a pele. O tecido conjuntivo frouxo que liga a pele
aos músculos subjacentes é conhecido como fáscia, e também cir-
cunda vasos sangüíneos e nervos onde proporciona proteção e
A elasticidade em tecidos que contêm fibras elásticas é extre- nutrição. Células especializadas chamadas mastócitos estão dis-
mamente importante para várias funções físicas do corpo. persas através do tecido conjuntivo frouxo adjacente aos vasos
Considere, por exemplo, aquelas fibras elásticas encontradas nas
paredes das artérias e nas paredes das vias aéreas respiratórias in- sangüíneos, e produzem heparina, um anticoagulante que impede
feriores. Quando essas paredes são expandidas pelo sangue em que o sangue coagule no interior dos vasos. Eles também produ-
movimento através dos vasos ou pelo ar inspirado, as fibras elásticas zem histamina, que é liberada durante as inflamações e age como
precisam primeiro se distender e em seguida se retrair. Isso mantém um poderoso vasodilatador.
as pressões dos líquidos ou do ar movimentando-se através do lume,
assegurando assim quantidades de fluxo adequadas e taxas de difu- As células do tecido conjuntivo frouxo são predominante-
são através dos capilares e das superfícies pulmonares. mente fibroblastos, com fibras colágenas e fibras elásticas disper-
sas ao longo da substância fundamental (fig. 4.14). A disposição
As fibras reticulares são fibras de reforço através das malhas irregular deste tecido proporciona flexibilidade, e até resistência,
delicadas ou retículos formados por suas ramificações e ligações. em qualquer direção. É esta camada de tecido, por exemplo, que
Fibras reticulares são comuns em órgãos linfáticos onde elas for- permite o deslizamento da pele quando uma parte do corpo é
mam uma malha central chamada estroma. palpada.

colágeno: G. kolla, cola


elastina: G. elasticus, direção
reticular: L. rete, rede fáscia: L. fascia, faixa ou cinta
estroma: G. stroma, leito heparina: G. hepatos, fígado
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92 Unidade 3 Estrutura Microscópica do Corpo

Tendão Fibroblasto
da cabeça longa
do m. bíceps
braquial Fibras
colágenas

(b)
Músculo Tendão
bíceps braquial da cabeça
curta do m. (c)
CAPÍTULO 4

bíceps braquial

Paras
(a)

FIGURA 4.15 Tecido conjuntivo denso regular forma os resistentes e altamente flexíveis tendões (a) e ligamentos. (b) Fotomicrografia do te-
cido e (c) diagrama com identificações.

Muito da parte líquida do corpo encontra-se no interior do te- Tecido Conjuntivo Denso Irregular
cido conjuntivo frouxo e é chamado de líquido intersticial (te-
cido líquido). Às vezes acumula-se quantidade excessiva de líquido O tecido conjuntivo denso irregular é caracterizado por
no tecido causando um inchaço chamado edema. Edema é um sin- grandes quantidades de fibras colágenas densamente agrupadas
toma de numerosas disfunções ou de doenças.
que estão entrelaçadas para proporcionar resistência à tração em
qualquer direção. Esse tecido é encontrado na derme da pele e na
Tecido Conjuntivo Denso Regular submucosa do trato gastrointestinal, e também forma as cápsulas
O tecido conjuntivo denso regular é caracterizado por gran- fibrosas de órgãos e articulações (fig. 4.16).
des quantidades de fibras colágenas densamente agrupadas que se
orientam paralelamente à direção da força colocada no tecido du-
rante o movimento do corpo. Como esse tecido se apresenta branco
Tecido Conjuntivo Elástico
prateado, às vezes é chamado de tecido conjuntivo fibroso branco. O tecido conjuntivo elástico é composto principalmente
O tecido conjuntivo denso regular encontra-se onde resis- por fibras elásticas irregularmente dispostas e de cor amarelada
tência, suporte flexível forem necessários (fig. 4.15). Tendões, (fig. 4.17), que mesmo sendo esticadas uma vez e meia o seu ta-
que prendem músculos aos ossos e transferem as forças de contra- manho original voltam ao seu tamanho anterior. O tecido con-
ções do músculo; e ligamentos que conectam osso a osso através juntivo elástico é encontrado nas paredes das grandes artérias,
de articulações estão constituídos desse tipo de tecido. em partes da laringe, na traquéia e nos brônquios dos pulmões,
e também está presente entre os arcos vertebrais que compõem
Traumas em ligamentos, tendões e músculos são comuns em a coluna vertebral.
lesões relacionadas com práticas esportivas. Um estiramento
é um alongamento excessivo dos tecidos que compõem o tendão ou
o músculo, sem lesão grave. Uma entorse é o rompimento do tecido
de um ligamento e pode ser leve, moderado ou completo. O rompi- Tecido Conjuntivo Reticular
mento completo de um ligamento importante é muito doloroso e in- O tecido conjuntivo reticular é caracterizado por uma
capacitante. O tecido ligamentar não tem boa recuperação porque
tem pobre suprimento sangüíneo. A reconstrução cirúrgica é geral- rede de fibras reticulares entrelaçadas com uma matriz gelati-
mente necessária para o tratamento de um ligamento rompido. nosa (fig. 4.18). Certas células especializadas no interior do te-
cido reticular são fagocíticas (macrófagos) e, portanto, podem
tendão: L. tendere, esticar englobar materiais estranhos. O fígado, o baço, os linfonodos e
ligamento: L. ligare, ligar a medula óssea contêm tecido conjuntivo reticular.
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Capítulo 4 Histologia 93

Cartilagem sobre
a cabeça do úmero

Cápsula
articular
(b)

CAPÍTULO 4
Bainha Fibras
do tendão colágenas

Líquido
sinovial

Tendão do
m. bíceps braquial (c)
(cabeça longa)
(a)

FIGURA 4.16 Tecido conjuntivo denso irregular forma cápsulas articulares (a) que contêm líquido sinovial para lubrificar articulações mó-
veis. (b) Fotomicrografia do tecido e (c) diagrama com identificações.

Túnica Células endoteliais


Fibras
íntima Fibras elásticas elásticas

Fibroblastos
(b)

Paras

(c)

(a)

FIGURA 4.17 Tecido conjuntivo elástico permite a distensão de uma artéria de grande calibre (a) quando o sangue passa por ela. (b) Foto-
micrografia do tecido e (c) diagrama com identificações.

Tecido Adiposo maior parte antes do nascimento e durante o primeiro ano de


vida. Células adiposas armazenam gotas de gordura dentro dos
O tecido adiposo é um tipo especial de tecido conjuntivo
seus citoplasmas, aumentando o seu volume e forçando os seus
frouxo fibroso que contém grandes quantidades de células adipo-
núcleos para um dos lados (fig. 4.19).
sas, ou adipócitos, que se formam a partir do mesênquima, a
Tecido adiposo é encontrado ao longo do corpo mas se
concentra ao redor dos rins, na hipoderme da pele, na superfície
adiposo: L. adiposus, gordura do coração, nas proximidades das articulações e nas mamas de
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94 Unidade 3 Estrutura Microscópica do Corpo

Fibras
reticulares

Célula reticular

(b) Núcleo da
célula reticular
(c)
CAPÍTULO 4

Baço

Paras
(a)

FIGURA 4.18 Tecido conjuntivo reticular forma o estroma, ou o arcabouço, de órgãos como o baço (a), fígado, timo e linfonodos. (b) Fotomi-
crografia desse tecido e (c) diagrama com identificações.

Derme
Núcleo da
(b) célula adiposa

Hipoderme

Folículo Gota de gordura


piloso

Citoplasma

(c)
(a) Paras

FIGURA 4.19 O tecido adiposo é abundante na hipoderme da pele (a) e em volta de vários órgãos internos. (b) Fotomicrografia do tecido e
(c) diagrama com identificações.

mulheres sexualmente maduras. A gordura funciona não apenas O procedimento cirúrgico de lipoaspiração pode ser usado
como uma reserva de alimento, mas também sustenta e protege para remover quantias pequenas de tecido gorduroso de áreas loca-
lizadas do corpo como nas mamas, no abdome, nas nádegas e nas
vários órgãos. É um bom isolante contra o frio porque é mau con- coxas. A lipoaspiração é mais usada para fins estéticos do que para
dutor de calor. tratamento da obesidade, e os riscos dos efeitos colaterais poten-
cialmente prejudiciais precisam ser considerados seriamente. Candi-
Gordura em excesso pode ser prejudicial à saúde sobrecarre-
gando o coração e provavelmente antecipando a morte. Por datos em potencial devem estar entre 30 e 40 anos de idade e
essas razões, bons programas de exercícios e dietas sensatas são apenas com aproximadamente 7 a 9 quilos acima do peso. Eles tam-
extremamente importantes. O tecido gorduroso também pode reter bém devem ter uma boa elasticidade de pele.
contaminantes ambientais que são ingeridos ou são absorvidos pela
pele. A dieta elimina a gordura armazenada dentro do tecido adi- As características, funções e localizações do tecido conjun-
poso mas não o próprio tecido. tivo propriamente dito estão resumidas na tabela 4.3.
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Capítulo 4 Histologia 95

TABELA 4.3 Resumo do Tecido Conjuntivo Propriamente Dito


Tipo Estrutura e Função Localização
Tecido conjuntivo frouxo (areolar) Predominância de células fibroblastos com pequena Circunda nervos e vasos, entre músculos,
quantidade de colágeno e proteínas elastinas; liga órgãos, e sob a pele
mantém líquidos dos tecidos
Tecido conjuntivo denso regular Fibras colágenas densamente agrupadas que se orientam paralelamen- Tendões e ligamentos
te à direção da força; proporcionam resistência, suporte flexível
Tecido conjuntivo denso irregular Fibras colágenas densamente agrupadas e dispostas Derme da pele, cápsulas fibrosas dos órgãos e
entrelaçadas firmemente; proporcionam resistência em articulações, periósteo dos ossos
qualquer direção
Tecido conjuntivo elástico Predominância de fibras elásticas irregularmente dispostas; Artérias de grande calibre, trato respiratório inferior,

CAPÍTULO 4
suporte, proporciona arcabouço entre os arcos das vértebras
Tecido conjuntivo reticular Fibras reticulares que formam uma malha de suporte; Linfonodos, fígado, baço, timo, medula óssea
armazena, executa função de fagocitose
Tecido adiposo Células adiposas; proteção, armazena gordura, isolante Hipoderme da pele, superfície do coração, omentos, em
torno dos rins, atrás dos olhos, proximidades de articulações

Cartilagem chamadas cartilagens costais, entre a extremidade anterior de


cada uma das primeiras 10 costelas e o esterno. A maioria dos
A cartilagem consiste em células cartilagíneas, ou condró- ossos do corpo forma-se primeiro como cartilagem hialina e de-
citos, e uma matriz semi-sólida que confere propriedades elásticas pois torna-se osso no processo chamado ossificação endocondral.
ao tecido. É um tecido conjuntivo de suporte e de proteção que
está freqüentemente associado ao osso. A cartilagem constitui
Fibrocartilagem
um precursor de um tipo de osso e persiste nas superfícies articu-
lares dos ossos de todas as articulações móveis. A fibrocartilagem tem uma matriz que é reforçada com nume-
Os condrócitos no interior da cartilagem podem existir iso- rosas fibras colágenas (fig. 4.21). É um tecido durável adaptado para
ladamente, mas freqüentemente estão agrupados. Os condrócitos resistir tensões e compressões. É encontrada na sínfise púbica onde os
ocupam cavidades, chamadas lacunas, no interior da matriz. A dois ossos do quadril se articulam, e entre as vértebras como discos in-
maioria das cartilagens são rodeadas por tecido conjuntivo denso tervertebrais. Também forma as cartilagens em forma de cunha den-
irregular chamado pericôndrio. Na cartilagem das superfícies arti- tro da articulação do joelho, chamadas meniscos (veja capítulo 8).
culares dos ossos (cartilagem articular) falta pericôndrio. Como a Ao final do dia, os discos intervertebrais da coluna vertebral
cartilagem madura é avascular, tem que receber nutrientes por di- estão um pouco compactados. Assim, uma pessoa é, à noite,
fusão do pericôndrio e de tecidos circunvizinhos. Por esta razão, o ligeiramente menor que de manhã, em virtude da recuperação com
tecido cartilaginoso tem uma atividade mitótica lenta; se for le- o repouso. O envelhecimento, contudo, leva a uma compressão gra-
dual dos discos intervertebrais que são irreversíveis.
sado, cura com dificuldades.
Há três tipos de cartilagens: cartilagem hialina, fibrocartila-
gem e cartilagem elástica, que se diferenciam pelo tipo e pela quan- Cartilagem Elástica
tidade de fibras embutidas no interior da matriz. A cartilagem elástica é semelhante à cartilagem hialina,
com exceção da presença abundante de fibras elásticas que tor-
Cartilagem Hialina nam a cartilagem elástica muito flexível sem comprometer sua re-
sistência (fig. 4.22). As numerosas fibras elásticas também dão
A cartilagem hialina, comumente chamada “cartilagem”,
uma aparência amarelada. Esse tecido é encontrado na orelha ex-
tem uma matriz homogênea corando-se em tom azulado, na qual as
terna, em partes da laringe e no meato acústico.
fibras colágenas estão tão finas que só podem ser observadas com
Os três tipos de cartilagem estão resumidos na tabela 4.4.
um microscópio eletrônico. Quando vistas por um microscópio de
luz, a cartilagem hialina tem um claro aspecto vítreo (fig. 4.20).
A cartilagem hialina é a cartilagem mais abundante no in- Tecido Ósseo
terior do corpo. Cobre as superfícies articulares dos ossos, sus-
tenta as estruturas tubulares da traquéia e dos brônquios do Osso é o mais rígido de todos os tecidos conjuntivos. Diferente
sistema respiratório, reforça o nariz e forma as pontes flexíveis da cartilagem, o osso tem um rico suprimento vascular e é local de ati-
vidade metabólica considerável. A dureza do osso é em grande parte
em razão do fosfato de cálcio (hidroxiapatita de cálcio) depositado no
lacuna: L. lacuna, buraco interior da matriz intercelular. Numerosas fibras colágenas, também
hialina: G. hyalos, vidro incluídas no interior da matriz, dão ao osso um pouco de flexibilidade.
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96 Unidade 3 Estrutura Microscópica do Corpo

Lacuna

Matriz
intercelular

Cartilagem Condrócito
Laringe tireóidea
(b)
CAPÍTULO 4

(c)

Cartilagem
cricóidea

Cartilagens
traqueais

Paras
(a)

FIGURA 4.20 A cartilagem hialina é a cartilagem mais abundante do corpo. Está presente em locais como laringe (a), traquéia, partes da
caixa torácica e esqueleto embrionário. (b) Fotomicrografia do tecido e (c) diagrama com identificações.

Lacuna

Condrócito
Matriz
intercelular
Fibras
colágenas
(b)

(c)

(a)

FIGURA 4.21 A fibrocartilagem está localizada na sínfise púbica, no interior das articulações do joelho, e entre as vértebras como discos in-
tervertebrais (a). Uma fotomicrografia do tecido está exposta em (b) e um diagrama com identificações em (c).
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Capítulo 4 Histologia 97

Lacuna
Condrócito
Fibras
Cartilagem elásticas
da orelha

(b)
(c)

CAPÍTULO 4
Paras
(a)

FIGURA 4.22 Cartilagem elástica dá suporte à orelha externa (a), ao meato acústico e a partes da laringe. Uma fotomicrografia do tecido é
mostrada em (b) e um diagrama com identificações em (c).

TABELA 4.4 Resumo sobre Cartilagem


Tipo Estrutura e Função Localização
Cartilagem hialina Matriz homogênea com fibras colágenas extremamente finas; Superfícies articulares dos ossos, nariz, paredes das vias
proporciona suporte flexível, protege e é precursora do osso aéreas respiratórias, esqueleto fetal
Fibrocartilagem Fibras colágenas abundantes na matriz; suporte, resistência Sínfise púbica, discos intervertebrais, articulação do joelho
à compressão
Cartilagem elástica Fibras elásticas abundantes na matriz; suporte, proporciona flexibilidade Arcabouço da orelha externa, meato acústico, partes da laringe

Quando o osso é imerso em um ácido fraco, os sais de cálcio


se dissolvem e o osso torna-se flexível. Retém sua forma bá-
sica mas pode ser dobrado facilmente e trançado (fig. 4.23). Nas
doenças com deficiência de cálcio, como raquitismo, o tecido ósseo
torna-se flexível e dobra sob o peso do corpo (veja fig. 5.11).

Baseado na porosidade, o tecido ósseo é classificado em


compacto ou esponjoso, e a maioria dos ossos tem ambos os tipos
(fig. 4.24). Tecido ósseo compacto (denso) constitui a porção ex-
terna dura de um osso, e tecido ósseo esponjoso (reticular) cons-
titui a porção interna porosa, altamente vascularizada. A
superfície externa de um osso é coberta por uma camada de te-
cido conjuntivo chamado periósteo que serve como um local de fi-
xação para os ligamentos e tendões, proporciona proteção e dá
resistência duradoura ao osso. O tecido ósseo esponjoso torna o
osso mais leve e proporciona espaço para a medula óssea verme-
lha onde são produzidas células sangüíneas.
No tecido ósseo compacto, as células ósseas maduras, FIGURA 4.23 Um osso mergulhado em um ácido fraco, como o
chamadas osteócitos, estão organizadas em camadas concêntricas ácido acético, desmineraliza e fica flexível.
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98 Unidade 3 Estrutura Microscópica do Corpo

(b)
CAPÍTULO 4

Lamelas

Canal central
(a)
Osteócito no
interior de
uma lacuna
Canalículo

(c)

FIGURA 4.24 Osso (a) consiste em tecido ósseo compacto e esponjoso. (b) Fotomicrografia de tecido ósseo compacto e (c) diagrama com
identificações.

em torno de um canal central (haversiano), que contém supri- Uma lesão em uma parte do corpo estimula a atividade de
mento vascular e nervoso. Cada osteócito ocupa uma cavidade reparo do tecido e geralmente envolve tecido conjuntivo.
Uma pequena esfoladura ou corte resulta na atividade de pla-
chamada lacuna. Irradiando-se de cada lacuna estão numerosos
quetas e plasma do sangue exposto e a formação de uma crosta.
minúsculos canais, ou canalículos, que atravessam a densa matriz A epiderme da pele regenera embaixo da crosta. Uma ferida
do tecido ósseo para lacunas adjacentes. Nutrientes difundem-se grave aberta é curada por tecido conjuntivo de granulação.
pelos canalículos para alcançar cada osteócito. A matriz é deposi- Nesse processo, formam-se fibras colágenas a partir dos fibro-
blastos adjacentes para fortalecer a área traumatizada. A área
tada em camadas concêntricas chamadas lamelas. O tecido ósseo curada é conhecida como cicatriz.
está descrito em detalhes no capítulo 6.

Sangue (Tecido Vascular)


Sangue, ou tecido vascular, é um tecido conjuntivo líquido Avaliação de Conhecimentos
altamente especializado que desempenha um papel vital mantendo a 9. Faça uma lista dos tipos de tecidos conjuntivos básicos e
homeostasia. As células, ou elementos formados do sangue, estão descreva a estrutura, a função e a localização de cada um.
suspensas em uma matriz líquida chamada plasma sangüíneo (fig. 10. Qual dos tecidos conjuntivos previamente analisados fun-
4.25). Os três tipos de elementos formados do sangue são eritrócitos ciona como protetor dos órgãos do corpo? Qual tipo é fago-
(células sangüíneas vermelhas), leucócitos (células sangüíneas bran- cítico? Quais tipos ligam e suportam várias estruturas?
cas) e trombócitos (plaquetas). O sangue é analisado completa- Quais tipos estão associados de algum modo com a pele?
mente no capítulo 16.
11. Qual é o significado do desenvolvimento do mesênquima e
como difere funcionalmente do tecido conjuntivo adulto?
canal haversiano: de Clopton Havers, anatomista inglês, 1650-1702 12. Descreva resumidamente fibras reticulares, fibroblastos, fi-
eritrócito: G. erythros, vermelho; kytos, cavidade (célula) bras colágenas, fibras elásticas e mastócitos.
leucócito: G. leukos, branco; kytos, cavidade (célula)
trombócito: G. thrombos, coágulo; kytos, cavidade (célula)
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Capítulo 4 Histologia 99

Eritrócitos

Amostra de
sangue centrifugado

Plasma

CAPÍTULO 4
Células

Leucócitos Trombócitos (plaquetas)

Paras

FIGURA 4.25 O sangue consiste em elementos formados – eritrócitos (células sangüíneas vermelhas), leucócitos (células sangüíneas bran-
cas) e trombócitos (plaquetas) – suspensos em uma matriz líquida, o plasma.

Fibras musculares lisas são células alongadas, fusiformes, que


TECIDO MUSCULAR contêm um único núcleo e faltam as estrias. Essas células estão ge-
O tecido muscular é responsável pelo movimento de substâncias ralmente agrupadas em camadas achatadas e formam a parte mus-
através do corpo, pelo movimento de uma parte do corpo em re- cular da parede em torno de um lume.
lação à outra e pela locomoção. Fibras dos três tipos de tecido
muscular estão adaptadas para contrair em resposta a estímulos. Músculo Cardíaco
Objetivo 10 Descrever a estrutura, a localização e a fun- Tecido muscular cardíaco compõe a maior parte das paredes
ção dos três tipos de tecido muscular. do coração. Esse tecido é caracterizado por ramificação das fibras,
cada uma delas com um único núcleo, posicionado centralmente,
Tecido muscular é único em sua capacidade de se contrair, e por discos intercalares posicionados transversalmente. Os discos
e assim tornar o movimento possível. As células musculares ou fi- intercalares ajudam a ligar células adjacentes e a transmitir a força
bras são alongadas na direção da contração e o movimento é rea- de contração de célula para célula. Semelhante aos músculos es-
lizado pela redução das fibras em resposta a um estímulo. O queléticos, o músculo cardíaco é estriado, mas diferentemente do
tecido muscular é derivado do mesoderma. Há três tipos de tecido músculo esquelético apresenta contrações involuntárias rítmicas.
muscular no corpo: tecidos liso, cardíaco e esquelético (fig. 4.26). O músculo cardíaco é analisado mais adiante no capítulo 16.

Músculo Liso Músculo Esquelético


O tecido muscular liso é bastante comum ao longo do O tecido muscular esquelético fixa-se ao esqueleto e é res-
corpo e está presente em muitos sistemas. Por exemplo, na parede ponsável pelos movimentos voluntários do corpo. Cada fibra alon-
do trato gastrointestinal, fornece a força contrátil para os movi- gada, multinucleada, possui estrias transversais distintas. As fibras
mentos peristálticos envolvidos na digestão mecânica dos ali- desse tecido muscular são agrupadas em fascículos paralelos (fei-
mentos. Músculo liso também é encontrado nas paredes das xes) que podem ser vistos sem microscópio no músculo fresco. Fi-
artérias, nas paredes das vias aéreas respiratórias e nos ductos uri- bras musculares cardíacas e esqueléticas não podem replicar depois
nários e genitais. A contração do músculo liso está sob o controle que o tecido formado completou-se logo após o nascimento. O te-
do sistema nervoso autônomo (involuntário) e é analisado com cido muscular esquelético é analisado mais adiante no capítulo 9.
mais detalhes no capítulo 13. Os três tipos de tecido muscular estão resumidos na tabela 4.5.
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100 Unidade 3 Estrutura Microscópica do Corpo

Núcleo

(a) Tecido muscular liso


CAPÍTULO 4

Estrias

Núcleo
Disco
intercalar

(b) Tecido muscular cardíaco

Núcleo

Estria

(c) Tecido muscular esquelético

FIGURA 4.26 Tecido muscular: (a) liso, (b) cardíaco e (c) esquelético.

TABELA 4.5 Resumo do Tecido Muscular Avaliação de Conhecimentos


Tipo Estrutura e Função Localização 13. Descreva as características gerais do tecido muscular. O que
se entende por voluntário e involuntário quando aplicado ao
Liso Fibras alongadas, fusiformes Paredes dos órgãos tecido muscular?
com um núcleo; movimentos internos ocos
involuntários dos órgãos
14. Faça a distinção entre os tecidos musculares liso, cardíaco e
internos esquelético com base na estrutura, localização e função.
Cardíaco Fibras estriadas, ramificadas Paredes do coração
com um núcleo e discos
intercalares; contração
rítmica involuntária
TECIDO NERVOSO
Esquelético Fibras estriadas, cilíndricas, Ligado ao
multinucleadas que se esqueleto, O tecido nervoso é constituído por neurônios, que respondem a
apresentam em fascículos; transpõe estímulos e conduzem impulsos em direção e a partir de todos os
movimentos voluntários articulações do
órgãos do corpo, e neuróglias, que funcionalmente sustentam e
das partes do esqueleto esqueleto através
dos tendões fixam fisicamente os neurônios.

Objetivo 11 Descrever as características básicas e fun-


ções do tecido nervoso.

Objetivo 12 Distinguir neurônio de neuróglia.


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Capítulo 4 Histologia 101

Corpo celular
Capilar
Axônio
Astrócito

Dendrito Processos
vasculares

CAPÍTULO 4
(a) Neurônios (b) Neuróglias

FIGURA 4.27 O tecido nervoso é encontrado no encéfalo, na medula espinal, nos nervos e nos gânglios. Consiste em dois tipos principais
de células: (a) neurônios e (b) neuróglias.

Neurônios Neuróglia
Embora existam vários tipos de neurônios no tecido ner- Além dos neurônios, o tecido nervoso contém neuróglias (fig.
voso, todos eles possuem três componentes principais: (1) um 4.27). Células neurogliais, às vezes chamadas de células gliais, são
corpo celular, ou pericário; (2) dendritos e (3) um axônio (fig. aproximadamente cinco vezes mais numerosas do que os neurônios e
4.27). Os dendritos são prolongamentos ramificados que rece- possuem limitada capacidade mitótica. Elas não transmitem impul-
bem estímulos e conduzem impulsos na direção do corpo celular. sos mas sustentam e fixam neurônios. Certas células neurogliais são
O corpo celular, ou pericário, contém o núcleo e organelas es- fagocíticas; outras ajudam a fornecer nutrientes aos neurônios.
pecializadas e microtúbulos. O axônio é uma extensão citoplas- Neurônios e neuróglias são analisados em detalhes no cap. 11.
mática que conduz impulsos que se afastam do corpo celular. O
termo fibra nervosa refere-se a qualquer prolongamento que se Avaliação de Conhecimentos
estende do corpo celular de um neurônio e a bainha de mielina
que a envolve (veja fig. 11.5). 15. Compare e diferencie neurônios e neuróglias em termos de
Neurônios derivam do ectoderma, são as unidades estrutu- estrutura, função e localização.
rais e funcionais básicas do sistema nervoso, e são especializados 16. Faça uma relação das estruturas de um neurônio seguindo a se-
em responder a estímulos físicos e químicos, converter estímulos qüência de um impulso nervoso quando passa através da célula.
em impulsos nervosos, e conduzir esses impulsos para outros neu-
rônios, fibras musculares ou glândulas. De todos os corpos celula-
res, os neurônios são provavelmente os mais especializados.
Como ocorre com as células musculares, o número de neurônios CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS
é estabelecido logo após o nascimento; depois disso, falta-lhes a Como foi exposto no início deste capítulo, o estudo dos te-
capacidade para apresentar mitoses, embora sob certas circuns- cidos é extremamente importante na compreensão da estrutura e
tâncias uma porção cortada possa se regenerar. função dos órgãos e dos sistemas do corpo. A histologia tem
imensa importância clínica. Muitas doenças são diagnosticadas
através de exames microscópicos de cortes dos vários tecidos. Até
neurônio: G. neuron, nervo
pericário: G. peri, em torno; karyon, noz ou amêndoa neuróglia: G. neuron, nervo; glia, cola
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102 Unidade 3 Estrutura Microscópica do Corpo

mesmo na realização de autópsias, um exame dos vários tecidos é uma agulha de biópsia é inserida através de uma pequena incisão
essencial para estabelecer a causa da morte. na pele e amostras do tecido são retiradas. São removidos tecidos
Várias ciências se relacionam com aspectos específicos dos normais e doentes para fins de comparação.
tecidos. A histopatologia é o estudo dos tecidos doentes. A histoquí- A preparação dos tecidos para exame constitui um processo
mica se refere à fisiologia dos tecidos e como eles mantêm a ho- com vários passos. A fixação é fundamental para todas as prepara-
meostasia. A histotecnologia explora os modos pelos quais podemos ções histológicas, e consiste em matar rapidamente e endurecer o te-
corar melhor os tecidos para serem observados. Em todas estas dis- cido, para preservá-lo e manter sua estrutura da mesma forma
ciplinas, uma meticulosa compreensão do tecido normal, ou sadio, quando estava vivo. Inclusão do tecido em um meio de suporte
é imperativa para identificar os tecidos alterados, ou anormais. como cera de parafina, em geral, segue a fixação. O próximo passo
consiste em fazer cortes do tecido em fatias extremamente finas, se-
guindo-se a montagem do material em lâminas. Alguns tecidos são
Mudanças na Composição do Tecido fixados por congelamento rápido e em seguida seccionados en-
quanto congelados, tornando a inclusão desnecessária. Cortes con-
CAPÍTULO 4

A maioria das doenças altera a estrutura do tecido no local,


gelados permitem ao patologista fazer um diagnóstico rápido durante
onde a doença incide. Algumas doenças, contudo, chamadas sistê-
uma operação cirúrgica. Isto é o que se faz comumente, por exemplo,
micas, provocam mudanças que não se limitam ao local da doença.
em casos de suspeita de câncer de mama. A coloração é o próximo
Atrofia (definhamento do tecido do corpo), por exemplo, pode ser
passo. Colorações por hematoxilina e eosina (H & E) são habitual-
limitada a um órgão determinado onde a doença interfere no me-
mente usadas em todos os casos de tecidos. Elas dão um diferencial
tabolismo daquele órgão, mas também pode envolver um membro
de cores azul e vermelho para as estruturas básicas e ácidas do tecido.
inteiro se a nutrição ou os impulsos nervosos estiverem prejudica-
Outras colorações podem ser necessárias para estruturas específicas.
dos. A atrofia muscular pode ser causada por uma doença do sistema
O exame é feito inicialmente a olho nu e em seguida com
nervoso como a poliomielite, ou pode ser o resultado de supri-
um microscópio. Praticamente todas as condições histológicas
mento sangüíneo insuficiente para o músculo. A atrofia senil, ou
podem ser diagnosticadas com pequeno aumento (40). Maior
simplesmente senilidade, é o envelhecimento natural dos tecidos e
aumento é usado para esclarecer detalhes específicos. Finalmente,
órgãos no interior do corpo. Atrofia por desuso é uma atrofia local
o exame pode ser feito com microscópio eletrônico, que revela a
que resulta da inatividade de um tecido ou órgão. Distrofia muscu-
complexa estrutura celular. A observação histológica propor-
lar causa uma atrofia por desuso que diminui o tamanho e a força
ciona os fundamentos para o diagnóstico, prognóstico, trata-
do músculo em razão da perda de sarcoplasma dentro do músculo.
mento e reavaliação subseqüentes.
Necrose é a morte das células ou tecidos no interior do
corpo vivo. Pode ser reconhecida através de alterações físicas nos
tecidos mortos. A necrose pode ser causada por lesão grave; agen- Transplante de Tecidos
tes físicos (traumatismos, queimaduras, radiações, venenos quími-
cos); ou desnutrição dos tecidos. Quando examinado Nas últimas duas décadas, a ciência médica fez substanciais avanços
histologicamente, o tecido necrótico comumente aparece opaco, em transplantes de tecidos. Transplantes de tecidos são necessários para
como um molde esbranquiçado ou amarelado. Gangrena é a ne- substituir partes do corpo não funcionantes, lesadas ou perdidas. O trans-
crose maciça de um tecido acompanhada por uma invasão de mi- plante mais bem sucedido é aquele em que o tecido de um lugar do corpo
croorganismos que vivem em carne deteriorada. é levado para outro lugar na mesma pessoa, por exemplo um enxerto de
Morte somática é a morte do corpo como um todo. Em con- pele da coxa é usado para substituir o tecido queimado da mão. Transfe-
seqüência da morte somática, os tecidos sofrem mudanças irrever- rência de tecidos da própria pessoa denomina-se auto-enxerto. Isoenxer-
síveis, como rigidez cadavérica (rigidez muscular), coagulação do tos são transplantes entre indivíduos geneticamente idênticos, o único
sangue e esfriamento do corpo. As mudanças pós-morte (após a exemplo ocorrendo entre gêmeos idênticos. Esses transplantes também
morte) ocorrem sob condições variáveis em períodos previsíveis têm uma taxa de sucesso alta. Aloenxertos, ou homotransplantes, são en-
que são úteis para a estimativa do tempo aproximado de morte. xertos entre indivíduos da mesma espécie mas de genótipos diferentes, e
heteroenxertos, ou xenoenxertos, são enxertos entre indivíduos de espé-
cies diferentes. Um exemplo de xenoenxerto é o transplante de uma valva
Análise do Tecido de suíno para substituir uma valva cardíaca humana disfuncional ou
Para diagnosticar uma doença, geralmente, é importante doente Aloenxertos e xenoenxertos apresentam o problema de uma possí-
examinar histologicamente o tecido de uma pessoa viva. Quando vel reação de rejeição de tecidos. Quando isso ocorre, os mecanismos imu-
isto é necessário, faz-se uma biópsia (remoção de um fragmento de nes do receptor são ativados, e o tecido do doador é identificado como
tecido vivo). Há várias técnicas para biópsias. Remoções cirúrgicas estranho e é destruído. A reação pode ser minimizada “comparando” o te-
são, em geral, realizadas para massas maiores ou tumores. Cureta- cido do receptor e do doador. Drogas imunossupressivas também podem
gens envolvem cortes e raspagens de tecidos, como é feito nos exa- diminuir a taxa de rejeição, e atuam interferindo no mecanismo imunitá-
mes para câncer uterino. Em uma biópsia com agulha percutânea, rio do receptor. Infelizmente, drogas imunossupressivas podem abaixar
também a resistência do receptor para infecções. Técnicas novas que en-
volvem transfusões de sangue do doador para o receptor antes de um
atrofia: G. a, sem; trophe, nutrição transplante estão apresentando boas perspectivas. Em todo caso, trans-
necrose: G. nekros, cadáver plantes de tecidos constituem um aspecto importante da pesquisa médica,
gangrena: G. gangraina, morder ou comer e descobertas significativas apresentam-se no horizonte.
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Capítulo 4 Histologia 103

O uso de tecido fetal transplantado para cultivar tecidos


novos em pacientes adultos mostrou-se promissor no tratamento Resposta do Estudo de Caso Clínico
de muitos problemas clínicos de tecidos ou órgãos. As células que
O doutor esclarece esse paradoxo explicando que algumas células
interessam são colhidas de mais de 15 fetos humanos e são im- no corpo sofrem mudanças estruturais em resposta a estímulos incomuns.
plantadas rapidamente no receptor do transplante. As células fe- Fumar cigarro, por exemplo, prejudica os movimentos ciliares, inibe a
tais seguem seu curso normal de maturação no interior do função dos macrófagos alveolares e conduz ao aumento e proliferação do
paciente adulto, com a esperança que uma estrutura de corpo sau- muco secretado pelas glândulas das vias aéreas. A conseqüência disso é a
dável, completamente funcional, venha a se desenvolver. Como bronquite crônica.
a fonte típica para tecidos fetais é de fetos abortados, esse proce- Semelhantemente, o refluxo ácido para o interior do esôfago pode
induzir uma transformação do epitélio de estratificado pavimentoso para
dimento se tornou um dilema médico ético.
epitélio simples colunar, condição denominada esôfago de Barrett, um
precursor do câncer do esôfago em 5% dos casos.

CAPÍTULO 4
Resumo do Capítulo
Definição e Classificação dos Tecidos 3. Epitélio estratificado consiste em duas ou uma matriz semi-sólida de condrócitos e
(p. 78) mais camadas de células e é adaptado para várias fibras.
1. Tecidos são agrupamentos de células proteção. 4. O tecido ósseo consiste em osteócitos,
semelhantes que executam funções 4. Epitélio de transição reveste a bexiga fibras colágenas e uma matriz resistente de
específicas. O estudo dos tecidos é urinária, ureter e partes da uretra. As sais minerais.
chamado histologia. células do epitélio de transição permitem a 5. O sangue consiste em elementos formados
2. As células são envolvidas e interligadas distensão. (eritrócitos, leucócitos e trombócitos)
por uma matriz intercelular, e sua 5. As membranas do corpo são compostas de suspensos em uma matriz de plasma líquida.
composição varia desde sólida até líquida. finas camadas de tecido epitelial que
3. Os quatro tipos principais de tecidos são podem estar ligadas com tecido conjuntivo Tecido Muscular (pp. 99-100)
tecido epitelial, tecido conjuntivo, tecido de sustentação. Os dois tipos básicos são 1. Os tecidos musculares são responsáveis
muscular e tecido nervoso. membranas mucosas e membranas serosas. pelo movimento de substâncias através do
6. Epitélios glandulares são derivados de corpo, o movimento de uma parte do
Tecido Epitelial (pp. 79-89) tecido epitelial em desenvolvimento e corpo em relação à outra parte do corpo e
funcionam como glândulas de secreção pela locomoção.
1. Epitélios derivam de todas as três
exócrinas. 2. As fibras do tecido muscular estão
camadas germinativas e podem ter uma
ou várias camadas de espessura. A adaptadas para se contraírem em resposta
superfície mais inferior da maioria dos
Tecido Conjuntivo (pp 89-98) a um estímulo.
epitélios membranosos é sustentada por 1. Os tecidos conjuntivos derivam do
uma membrana basal. mesoderma e, com exceção da cartilagem, Tecido Nervoso (pp. 100-101)
2. Epitélio simples consiste em uma única são altamente vascularizados. 1. Neurônios são as unidades funcionais do
camada de células que variam na forma e 2. Tecido conjuntivo propriamente dito sistema nervoso. Eles respondem a
nas características de superfície e está contém fibroblastos, fibras colágenas e estímulos e conduzem impulsos em direção
situado onde ocorrem difusão, filtração e fibras elásticas no interior de uma e a partir de todos os órgãos do corpo.
secreção. substância fundamental flexível. 2. Neuróglias suportam e fixam neurônios.
3. A cartilagem proporciona um arcabouço Algumas são fagocíticas; outras fornecem
flexível para muitos órgãos, e consiste em nutrientes aos neurônios.

Atividades de Revisão
Questões Objetivas (b) Todos eles são microscópicos e são 3. Tecido conjuntivo, músculo e a derme da
1. Qual entre os seguintes não é considerado estudados dentro da ciência da pele são derivados embrionários do:
tipo principal de tecido do corpo? histologia. (a) mesoderma (c) ectoderma
(a) nervoso (d) muscular (c) Todos eles são estacionários dentro (b) endoderma
(b) tegumentar (e) epitelial do corpo no local de sua origem de 4. Qual afirmativa relativa aos epitélios é falsa?
(c) conjuntivo desenvolvimento. (a) São derivados do mesoderma,
2. Qual afirmativa relativa a tecidos é falsa? (d) Um órgão é composto de dois ou mais ectoderma e endoderma.
(a) São agregados de tipos semelhantes de tecidos. (b) São reforçados por fibras elásticas e
células que realizam funções específicas. colágenas.
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104 Unidade 3 Estrutura Microscópica do Corpo

(c) Um lado está exposto a um lume, uma Questões Dissertativas Questões de Análise Crítica
cavidade do corpo, ou ao meio 1. Defina tecido. Quais são as diferenças 1. A função de um tecido é na realidade a
ambiente. entre células, tecidos, glândulas e órgãos? função de suas células. E a função de uma
(d) Possuem muito pouca matriz 2. Quais funções fisiológicas os tecidos célula é a função de suas organelas. Sa-
intercelular. epiteliais estão adaptados a realizar? bendo isto, que tipo de organelas estariam
5. Uma úlcera gástrica do estômago pode 3. Identifique o tecido epitelial particularmente abundantes no tecido
comprometer (a) nos alvéolos pulmonares dos pulmões muscular cardíaco que requer muita ener-
(a) epitélio simples cúbico (b) revestindo o lume do trato gastroin- gia; no tecido reticular do interior do fíga-
(b) epitélio de transição testinal do, onde são englobados resíduos celulares
(c) epitélio simples colunar ciliado (c) na camada externa da pele e toxinas; e no tecido conjuntivo denso
(d) epitélio simples colunar (d) revestindo a cavidade da bexiga regular, que consiste em fortes cadeias de
6. Qual designação estrutural e secretora urinária proteínas?
exprime a glândula mamária? (e) revestindo a tuba uterina 2. A aorta (um vaso importante do corpo)
(a) acinosa, apócrina (f) revestindo a traquéia e os brônquios tem três camadas em torno do lume. Qual
CAPÍTULO 4

(b) tubular, holócrina Descreva a função do tecido em cada caso. é o tecido predominante em cada uma das
(c) tubular, merócrina 4. Por que os epitélios queratinizado e não três camadas e qual é a adaptação
(d) acinosa, holócrina queratinizado são encontrados no corpo? funcional de cada uma?
7. Tecido conjuntivo denso regular é 5. Descreva como as glândulas epiteliais são 3. Recentemente foi diagnosticado câncer
encontrado em: classificadas de acordo com a no cérebro de uma parente, e falando com
(a) vasos sangüíneos (c) tendões complexidade estrutural e função a sua médica, esta disse que o câncer era
(b) baço (d) parede do secretora. de fato um neuroglioma, e que câncer de
útero 6. Identifique o tecido conjuntivo neurônios e de células musculares era
8. O tecido conjuntivo fagocítico (a) na superfície do coração e adjacente ocorrência rara. Explique por que células
encontrado nos linfonodos, fígado, baço e ao rim neurogliais são muito mais suscetíveis a
medula óssea é: (b) no interior da parede da aorta câncer do que o são os neurônios ou as
(a) reticular (c) mesênquima (c) formando a sínfise púbica células musculares.
(b) frouxo fibroso (d) elástico (d) sustentando a orelha externa 4. Compare o suprimento vascular dos ossos
9. A recuperação da cartilagem é lenta após (e) formando os linfonodos e ligamentos e analise como isso pode ser
uma lesão porque (f) formando o tendão do calcâneo importante para a evolução clínica de um
(a) está localizada em áreas do corpo que Descreva a função do tecido em cada caso. deslocamento do tornozelo e uma fratura
estão sob constante sobrecarga. 7. Compare e contraste a estrutura e a de tornozelo.
(b) é avascular. localização do que segue: fibras reticulares, 5. As doenças do tecido conjuntivo são um
(c) os condrócitos não se reproduzem. fibras colágenas, elastina, fibroblastos e grupo de distúrbios causados,
(d) tem uma matriz semi-sólida. mastócitos. provavelmente, por uma resposta
8. Qual é a relação entre células adiposas e imunológica anormal ao próprio tecido
10. O músculo cardíaco possui
gordura? Analise a função da gordura e conjuntivo de uma pessoa. Os mais
(a) estrias
explique o perigo potencial do excesso de conhecidos desses casos são a artrite
(b) discos intercalares
gordura. reumatóide, na qual as pequenas
(c) contrações rítmicas involuntárias
9. Analise a capacidade mitótica de cada um articulações do corpo ficam inflamadas e
(d) todas acima
dos quatro tipos principais de tecidos. as superfícies articulares ficam desgastadas.
10. Defina os seguintes termos: atrofia, Sabendo onde o tecido conjuntivo é
necrose, gangrena e morte somática. encontrado no corpo, você pode predizer
quais órgãos poderiam estar envolvidos em
outras doenças de tecido conjuntivo?
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5
Sistema Tegumentar

A Pele como um Órgão 106


Camadas da Pele 106
Funções da Pele 112
Derivados da Epiderme 115

CONSIDERAÇÕES CLÍNICAS 119

Exposição do Desenvolvimento:
O Sistema Tegumentar 120
Resposta do Estudo de Caso Clínico 127
Prática Clínica 128
Terminologia Clínica Importante 128
Resumo do Capítulo 129
Atividades de Revisão 129

Estudo de Caso Clínico


Um homem de 27 anos de idade foi vítima de uma explosão de gasolina e apresentava
queimaduras em sua face, pescoço, tórax e braços. Ao entrar na sala de emergência, ele recla-
mava de intensa dor na face e no pescoço, locais com extensas bolhas e eritema (vermelhidão).
Surpreendentemente, todos esses achados estavam ausentes no tórax e nos braços queimados
que tinham uma aparência pálida, como cera.
O exame físico revelou que a pele no tórax e nos braços do paciente estava endurecida e
com falta de sensibilidade. O médico da sala de emergência comentou com um estudante de medi-
cina que o paciente apresentava queimaduras de terceiro grau na pele dessas regiões e que seria ne-
cessária a retirada das escaras da queimadura (tecido traumatizado) e subseqüente enxerto de pele.
Por que as áreas que apresentavam queimaduras de segundo grau estavam vermelhas, bo-
lhosas e doloridas, enquanto as queimaduras de terceiro grau estavam pálidas e insensíveis (sem
sensibilidade, inclusive dor)? Por que o tórax e os braços necessitavam de enxerto de pele, mas
provavelmente a face e o pescoço não?
FIGURA: É fundamental a assistência
Sugestão: Pense em termos da função da pele e da sobrevida das células germinativas na pele médica imediata na tentativa de salvar uma
funcionante. Examine cuidadosamente as figuras 5.1 e 5.20. pessoa que sofreu uma queimadura extensa
e severa. A principal preocupação é a perda
rápida de líquidos do corpo.
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106 Unidade 4 Suporte e Movimento

ternos e membrana timpânica, onde tem aproximadamente 0,5 mm


A PELE COMO UM ÓRGÃO de espessura. Até mesmo sua aparência e textura variam da pele ás-
A pele (tegumento) é o maior órgão do corpo e, juntamente com pera, calosa que cobre os cotovelos e as juntas para as áreas finas
seus órgãos anexos (pêlos, glândulas e unhas), constitui o sis- sensíveis das pálpebras, papila mamária e genitais externos.
tema tegumentar. Em certas áreas do corpo, apresenta modifica- A aparência geral da pele é clinicamente importante porque
ções de adaptação que conciliam funções de proteção ou fornece indícios para certas disfunções do corpo. Pele pálida pode
metabólicas. Atuando como uma interface dinâmica entre o am- indicar choque, enquanto pele avermelhada, molhada e quente
biente externo, que continuamente apresenta mudanças, e o am- pode indicar febre e infecção. Uma erupção cutânea pode indicar
biente interno do corpo, a pele ajuda a manter a homeostasia. alergia ou infecções locais. Texturas anormais da pele podem resul-
tar de problemas glandulares ou nutricionais (tabela 5.1). Unhas
Objetivo 1 Explicar por que a pele é considerada um órgão corroídas podem ser um sinal de problemas emocionais.
e um componente do sistema tegumentar.

Objetivo 2 Descrever algumas situações clínicas freqüen- Avaliação de Conhecimentos


tes na pele que resultam de deficiências nutricionais ou de 1. Explique por que a pele é considerada um órgão e por que a
disfunções do corpo.
pele juntamente com os anexos tegumentares são conside-
rados um sistema.
Nós estamos mais atentos com tudo o que se refere ao nosso 2. Quais vitaminas e minerais são importantes para uma pele
sistema tegumentar do que, talvez, com qualquer outro sistema do saudável? (Veja tabela 5.1.)
nosso corpo. Uma das primeiras coisas que fazemos pela manhã é
3. Descreva a aparência da pele que pode acompanhar cada uma
ver nossa imagem em um espelho e pensar no que fazer para tornar
das seguintes situações: alergia, choque, infecções; pele seca,
CAPÍTULO 5

nossa pele e cabelos mais apresentáveis. Periodicamente, examina-


pêlo inflexível; hiperpigmentação e dermatites em geral.
mos nossa pele para verificar a presença de rugas e nosso couro ca-
beludo para descobrir cabelos esbranquiçados por representarem
sinais de envelhecimento. Nós identificamos outras pessoas pelas
características de suas peles.
A aparência de nossa pele freqüentemente determina a im-
CAMADAS DA PELE
pressão inicial que nós deixamos nos outros. Infelizmente, pode A pele consiste em duas camadas principais. A epiderme externa
também determinar se seremos ou não bem sucedidos no que se re- é estratificada em quatro ou cinco camadas estruturais e a derme,
fere à aceitação social. Por exemplo, a rejeição social a um adoles- espessa e mais profunda, consiste em duas camadas. A hipo-
cente pode estar associada diretamente aos problemas de sua pele, derme (tela subcutânea) liga a pele com os órgãos subjacentes.
como a presença de acne. A auto-imagem de uma pessoa e seu
comportamento social conseqüente podem estar intimamente as- Objetivo 3 Descrever as características histológicas de
cada camada da pele.
sociados com a sua aparência física.
Até mesmo o estilo de se vestir é às vezes determinado pela Objetivo 4 Resumir as ocorrências de transição que
área de pele que nós queremos, ou que os estilistas querem expor. ocorrem no interior de cada camada epidérmica.
Mas nossa pele é muito mais que uma peça de exibição, ela ajuda a
regular certas funções do corpo e protege certas estruturas do
corpo. Epiderme
A pele, ou tegumento, e suas estruturas anexas (pêlos, glân-
dulas e unhas) constituem o sistema tegumentar. Incluído nesse A epiderme, a camada superficial e protetora da pele, é for-
sistema estão os milhões de receptores sensitivos da pele e sua ex- mada por epitélio estratificado pavimentoso que varia de 0,007 a
tensa rede vascular. A pele é uma interface dinâmica entre o 0,12 mm de espessura. Todas as camadas, menos as mais profun-
corpo e o ambiente externo, e protege o corpo do ambiente até das, são compostas de células mortas. Quatro ou cinco camadas
mesmo quando interage com o ambiente. podem estar presentes, dependendo do local onde a epiderme se
A pele é um órgão, já que consiste em vários tipos de tecidos encontra (figs. 5.1 e 5.2). A epiderme das palmas das mãos e das
que são estruturalmente organizados para funcionar em conjunto. É plantas dos pés tem cinco camadas porque estas áreas são mais
o maior órgão do corpo, cobrindo mais de 7.600 cm2 no adulto expostas ao atrito; em todas as outras áreas do corpo, a epiderme
médio, e ocupa aproximadamente 7% do peso do corpo de uma pes- só tem quatro camadas. Os nomes e as características das camadas
soa. A pele é de espessura variável, em média 1,5 mm, e é mais es- da epiderme são os seguintes.
pessa nas partes do corpo mais expostas ao uso e ao desgaste, como 1. Camada basal. A camada basal (estrato basal) consiste em
as plantas dos pés e as palmas da mão. Nessas áreas, tem aproxima- uma única camada de células em contato com a derme. Qua-
damente 6 mm de espessura. É mais fina nas pálpebras, genitais ex- tro tipos de células compõem a camada basal: queratinócitos,

tegumento: L. integumentum, cobertura estrato: L. stratum, algo que se expande para fora
basal: G. basis, base
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Capítulo 5 SistemaTegumentar 107

TABELA 5.1 Condições da Pele e Estruturas Associadas Indicando Deficiências


Nutricionais ou Disfunções do Corpo
Condição Deficiência Comentários
Dermatite em geral Zinco Vermelhidão e coceira
Dermatite escrotal ou vulvar Riboflavina Inflamação na região genital
Hiperpigmentação Vitamina B12 , ácido fólico ou inanição Pigmentação escura nos dorsos das mãos e dos pés
Pêlos ressecados, inflexíveis, quebradiços Proteínas, calorias e outros nutrientes Geralmente ocorre em crianças
Hiperqueratose folicular Vitamina A, ácidos graxos insaturados Pele áspera causada por tampão queratínico dos
folículos pilosos
Dermatite pelagrosa Niacina e triptofano Lesões nas áreas expostas ao sol
Espessamento da pele em pontos de pressão Niacina Observado na área da cintura aos quadris
Unhas em colher Ferro Unhas finas, côncavas ou em forma de colher
Pele seca Água ou hormônio da tireóide Desidratação, hipotireoidismo, pele áspera
Pele oleosa (acne) Hiperatividade das glândulas sebáceas

CAPÍTULO 5
Pêlo
Glândula sebácea

Poro da glândula
sudorífera
Camada córnea
Epiderme Camada granulosa
Camada espinhosa
Camada basal

Músculo
Derme eretor do pêlo

Glândula sudorífera

Hipoderme

Arteríola
Tecido
adiposo Bulbo Vênula
do pêlo Folículo
Nervo motor
piloso
Nervo sensitivo

FIGURA 5.1 Diagrama da pele.


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108 Unidade 4 Suporte e Movimento

Epiderme

Camada
papilar
da derme

Derme
Camada
reticular
da derme

FIGURA 5.3 Micrografia eletrônica da superfície da pele mos-


trando a abertura de uma glândula sudorífera.

FIGURA 5.2 Uma fotomicrografia da epiderme (25). 2. Camada espinhosa. A camada espinhosa contém algumas
CAPÍTULO 5

camadas de células. A aparência espinhosa dessa camada é


em razão dos prolongamentos semelhantes a espinhos que
melanócitos, células tácteis (células de Merkel) e dendrócitos gra- surgem dos queratinócitos quando o tecido é fixado para
nulares não pigmentados (células de Langerhans). Com exceção exame microscópico. Já que há limitadas mitoses na ca-
das células táteis, essas células estão constantemente se divi- mada espinhosa, esta camada e a basal são em conjunto
dindo mitoticamente e estão se deslocando externamente chamadas de camada germinativa.
para renovar a epiderme. Normalmente leva entre 6 a 8 se-
3. Camada granulosa. A camada granulosa consiste apenas
manas para as células se deslocarem da camada basal até a
em três ou quatro camadas de células achatadas, células
superfície da pele.
estas que contêm grânulos cheios com ceratoialina, um pre-
Queratinócitos são células especializadas que produzem a
cursor químico da queratina.
proteína queratina, que fortalece e impermeabiliza a pele.
Como os queratinócitos estão afastados dos nutrientes vas- 4. Camada lúcida. Os núcleos, organelas e membranas celulares
culares e do fornecimento de oxigênio da derme, os seus nú- não estão mais visíveis nas células da camada lúcida e histologi-
cleos degeneram, seus conteúdos celulares são dominados camente esta camada aparece clara. Existe apenas nos lábios e
por queratina, e o processo de queratinização se completa. na pele mais espessa das plantas dos pés e das palmas das mãos.
Até que os queratinócitos alcancem a superfície da pele, 5. Camada córnea. A camada córnea está composta de 25 a
eles se assemelham a escamas achatadas mortas, e estão 30 camadas de células achatadas semelhantes a escamas.
completamente cheios com queratina envolvida por mem- Milhares dessas células mortas desprendem-se da superfície
branas celulares frouxas. Melanócitos são células epiteliais da pele todos os dias, apenas para serem substituídas por
especializadas que sintetizam o pigmento melanina que pro- novas células das camadas mais profundas. Essa camada su-
porciona uma barreira protetora contra a radiação ultravio- perficial e cornificada é a camada que realmente protege a
leta da luz solar. Células táteis são escassas quando pele (fig. 5.3). Cornificação, produzida pela queratinização,
comparadas com os queratinócitos e melanócitos. Essas cé- é o ressecamento e achatamento da camada córnea e é uma
lulas receptoras de sensibilidade ajudam na recepção tátil adaptação protetora importante da pele. Fricção na superfí-
(tato). Os dendrócitos granulares não pigmentados estão cie da pele estimula a atividade mitótica adicional na ca-
dispersos ao longo da membrana basal e são células macrofá- mada basal e na camada espinhosa que pode resultar na
gicas protetoras que englobam as bactérias e outros resíduos formação de um calo para maior proteção.
estranhos.

queratinócito: G. keras, semelhante a chifre; kytos, célula espinhoso: L. spina, espinho


melanócito: G. melas, preto; kytos, célula germinativa: L. germinare, crescer
células de Merkel: de F. S. Merkel, anatomista alemão, 1845-1919 granuloso: L. granum, grão
células de Langerhans: de Paul Langerhans, anatomista alemão, 1847-1888 lúcido: L. lucidus, luz
macrofágico: L. makros, maior; phagein, comer córneo: L. corneus, em forma de chifre
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Capítulo 5 SistemaTegumentar 109

TABELA 5.2 Camadas da Epiderme

Camada córnea
Consiste em muitas camadas de células mortas
queratinizadas que são achatadas e sem núcleo; cornificadas
Camada lúcida
Uma camada fina e clara apenas encontrada na epiderme
dos lábios, palmas da mão e plantas do pé

Camada granulosa
Composta de uma ou mais camadas de células granulosas
que contêm fibras de queratina e núcleos atrofiados

Camada espinhosa
Composta de várias camadas de células com núcleo
grande, oval, localizado centralmente e prolongamentos
semelhantes a espinhos; mitose limitada
Camada basal
Consiste em uma única camada de células cúbicas em contato

CAPÍTULO 5
com a membrana basal que sofre mitose; contém melanócitos
produtores de pigmento

As características específicas de cada camada epidérmica


estão descritas na tabela 5.2.
A tatuagem colorida da pele é permanente porque as tinturas
são injetadas debaixo da camada basal mitótica da epiderme
e na derme subjacente. Em condições não assépticas, podem ser
introduzidos organismos infecciosos junto com a tintura. Tatuagens
pequenas podem ser removidas por enxerto de pele; para tatuagens
maiores é preferível a raspagem mecânica da pele.

Coloração da Pele
A cor normal da pele é a expressão de uma combinação de
três pigmentos: melanina, caroteno e hemoglobina. Melanina é um
pigmento-marrom preto produzido nos melanócitos da camada
basal (fig. 5.4). Todos os indivíduos de estaturas semelhantes
têm aproximadamente o mesmo número de melanócitos, mas a FIGURA 5.4 Melanócitos em toda a camada basal (veja seta)
produzem melanina.
quantia de melanina produzida e a distribuição da melanina de-
termina as variações raciais na cor da pele, como negro, mulato,
amarelo e branco. A melanina protege a camada basal contra o Outras expressões genéticas dos melanócitos são mais
efeito prejudicial dos raios ultravioleta (UV) do sol. Uma expo- comuns que o albinismo. As sardas, por exemplo, são causadas
sição gradual à luz solar promove a produção aumentada de me- por agregados de melanina formando manchas. Uma falta de me-
lanina dentro dos melanócitos, conseqüentemente, bronzeando lanócitos em áreas localizadas da pele causa manchas brancas
a pele. A pele de uma pessoa com albinismo tem o número nor- distintas chamadas vitiligo. Depois dos 50 anos de idade, cresci-
mal de melanócitos na epiderme mas falta a enzima tirosinase mentos de manchas marrons, chamadas hiperqueratoses seborréi-
que converte o aminoácido tirosina em melanina. O albinismo é
uma condição hereditária. vitiligo: L. Vitiatio, mancha
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110 Unidade 4 Suporte e Movimento

cas, podem aparecer na pele, particularmente em partes expostas.


As manchas pigmentadas comumente chamadas “manchas hepá-
ticas” constituem o aumento benigno de melanócitos produzindo
pigmento. Geralmente nenhum tratamento é necessário, a não
ser com finalidades estéticas.
Exposição excessiva à luz solar pode causar câncer de pele
(veja Considerações Clínicas e fig. 5.18). Na luz solar, a pele
absorve dois comprimentos de onda de raios ultravioleta conhecidos
como UVA e UVB. O DNA dentro das células basais da pele pode
ser lesado quando os raios UVB do sol mais perigosos penetram na
pele. Embora tenham sido considerados inofensivos, achados re- (a) (b)
centes indicam que a exposição excessiva aos raios UVA pode inibir
o processo de reparo do DNA que se segue à exposição ao UVB.
Portanto, indivíduos que são expostos somente aos raios UVA utiliza-
dos em salões estéticos também estão sob perigo de carcinoma de
célula basal, desde que se exponham depois aos raios UVB da luz
solar quando estiverem ao ar livre.

Caroteno, um pigmento amarelado encontrado em certas


plantas produtoras, como cenoura, que tende a se acumular nas
células da camada córnea e partes gordurosas da derme, era consi-
derado o responsável pela pele amarelo-bronzeada das pessoas de
descendência asiática, mas essa coloração sabe-se agora ser cau- (c) (d)
CAPÍTULO 5

sada por variações de melanina.


Hemoglobina não é um pigmento da pele; é o pigmento li-
FIGURA 5.5 Os quatro padrões básicos de impressões digitais
gado ao oxigênio encontrado em células vermelhas do sangue. (a) arco, (b) espiral, (c) alça e (d) misto.
Sangue oxigenado que flui pela derme dá à pele seus tons rosados.
Certas situações físicas ou doenças causam descoloração sin-
tomática da pele. A cianose é uma descoloração azulada da
pele que aparece em pessoas com certas doenças cardiovasculares
ou respiratórias. As pessoas também se tornam cianóticas durante
uma interrupção da respiração. Na icterícia, a pele aparece amare-
lada por causa do excesso de pigmento da bile na circulação san- As linhas adquiridas incluem as pregas profundas de fle-
güínea. Icterícia é geralmente sintomática de disfunção hepática e às xão nas palmas das mãos e as linhas de flexão rasas que podem
vezes de imaturidade hepática, como na icterícia do recém-nascido.
Eritema geralmente é um vermelhidão da pele devido a traumas vas- ser vistas nas juntas e na superfície de outras articulações. Sulcos
culares, como queimaduras de sol. na fronte e na face são adquiridos pelas contínuas contrações dos
músculos faciais, tais como sorrir ou piscar em presença de um
Padrões de Superfície brilho luminoso ou contra o vento. As linhas faciais tornam-se
mais fortemente delineadas com o envelhecimento.
A superfície exposta da pele tem padrões reconhecíveis que
estão presentes por ocasião do nascimento ou se desenvolvem de- A ciência conhecida como dermatoglifismo se relaciona com
a classificação e identificação das impressões digitais. As
pois. Impressões digitais (cristas de fricção) são padrões congêni-
impressões de cada indivíduo são únicas, incluindo aquelas de gê-
tos que estão presentes nos dedos da mão, bem como nas palmas meos idênticos, contudo, não são exclusivas dos humanos. Todos
das mãos e plantas dos pés. Os desenhos formados por estas linhas os outros primatas têm impressões digitais, e até mesmo cachorros
têm semelhanças básicas mas não são idênticos em dois indiví- têm uma impressão característica “no nariz” que é usada para identi-
ficação no corpo canino do exército militar e em certos canis.
duos quaisquer (fig. 5.5). São formados pela tração das fibras elás-
ticas no interior da derme e estão estabelecidos antes do
nascimento. As cristas das impressões digitais têm a função de
evitar deslizamentos quando se pegam os objetos, e como são pre- Derme
cisas e fáceis de reproduzir, as impressões digitais são comumente A derme é mais profunda e mais espessa que a epiderme
usadas para identificar os indivíduos. (veja fig. 5.1). Fibras elásticas e colágenas estão dispostas no inte-
rior da derme em padrões definidos, produzindo as linhas de tensão
na pele e promovendo o tônus da pele (fig. 5.6). Há muito mais fi-
bras elásticas na derme de uma pessoa jovem do que em um idoso,
caroteno: L. carota, cor laranja e o número decrescente de fibras elásticas está, aparentemente, as-
hemoglobina: G. haima, sangue; globus, globo sociado ao envelhecimento. A extensa rede de vasos sangüíneos
cianose: G. kyanosis, azul-escuro na derme supre a nutrição para a porção viva da epiderme.
icterícia: L. galbus, amarelo A derme também contém muitas glândulas sudoríferas,
eritema: G. erythros, vermelho; haima, sangue glândulas sebáceas e folículos pilosos.
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Capítulo 5 SistemaTegumentar 111

FIGURA 5.7 Marcas de distensão (linhas albicans) no abdome


de uma mulher grávida, que geralmente desaparecem com o tempo
mas podem deixar marcas permanentes.

Inervação da Pele
A derme da pele possui extensa inervação. Efetores tegu-
mentares especializados consistem em músculos ou glândulas
dentro da derme que respondem aos impulsos motores transmiti-

CAPÍTULO 5
dos pelo sistema nervoso central para a pele através de fibras ner-
vosas autônomas.
Vários tipos de receptores sensitivos respondem por várias
FIGURA 5.6 As linhas de tensão são causadas pela tração das fi-
bras elásticas e colágenas no interior da derme da pele. Incisões ci-
sensibilidades, como tátil (tato), de pressão, temperatura, prurido
rúrgicas feitas paralelamente às linhas de tensão cicatrizam mais ou dor. Alguns são extremidades livres dos nervos, alguns formam
rapidamente e criam menos tecido cicatricial do que aquelas feitas redes ao redor de folículos pilosos, e alguns se estendem em dire-
transversalmente às linhas de tensão. ção às papilas da derme. Certas áreas do corpo, como as palmas da
mão, plantas do pé, lábios e genitais externos, têm uma maior
Camadas da Derme concentração de receptores da sensibilidade e são, portanto, mais
sensíveis ao tato. O capítulo 15 inclui uma discussão detalhada da
A derme é constituída por duas camadas. A camada supe- estrutura e da função dos vários receptores da sensibilidade.
rior, chamada camada papilar, está em contato com a epiderme e
ocupa cerca de um quinto de toda a derme (veja fig. 5.2). Nume-
rosas projeções, chamadas papilas, se estendem da parte superior Vascularização da Pele
da derme em direção à epiderme. As papilas formam as bases para Vasos sangüíneos no interior da derme fornecem nutrientes
as cristas de fricção dos dedos da mão e do pé. à camada basal mitoticamente ativa da epiderme e às estruturas
A camada mais profunda e espessa da derme é chamada de ca- celulares da derme, tais como glândulas e folículos pilosos. Vasos
mada reticular. Fibras do interior desta camada são mais densas e sangüíneos da derme desempenham um importante papel na re-
dispostas regularmente para formar uma rede resistente e flexível. É gulação térmica do corpo e na pressão arterial. A vasoconstrição
totalmente distensível, como se evidencia nas mulheres grávidas ou ou a vasodilatação autônoma podem responder por desvios do
nos indivíduos obesos, mas se for distendida em demasia pode pro- sangue afastando-se das arteríolas superficiais da derme ou podem
vocar “rupturas” da derme. O reparo de uma área dermal distendida permitir que o sangue flua livremente ao longo dos vasos da
deixa uma risca branca chamada marca de distensão, ou linha albi- derme. Febre ou choque podem ser descobertos pela cor e tempe-
cans. As linhas albicans são freqüentemente encontradas nas náde- ratura da pele; se estiver ruborizada é o resultado de vasodilatação
gas, nas coxas, no abdome e nas mamas (fig. 5.7). involuntária dos vasos sangüíneos da derme.
É a forte, elástica camada reticular dos mamíferos domésticos É importante manter a boa circulação do sangue em pessoas
que é usada para fazer objetos de couro e de camurça. No que estão acamadas para prevenir feridas ou úlceras de decú-
processo de curtimento, o couro de um animal é tratado com várias bito. Quando uma pessoa encontra-se em determinada posição por um
substâncias químicas que separam a epiderme com seus pêlos e a longo período, o fluxo de sangue dermal é restringido no local onde o
camada papilar da derme da camada reticular subjacente. A camada corpo pressiona contra a cama. Como conseqüência, podem ocorrer
reticular é então amaciada e tratada com substâncias químicas prote- feridas abertas e morte de células (fig. 5.8). Mudar o paciente de posi-
toras antes de ser cortada e montada para fins de consumo. ção com freqüência e periodicamente massagear a pele para estimular
o fluxo de sangue são boas medidas preventivas contra a formação de
úlceras de decúbito.

decúbito: L. decumbere, deitado


papila: L. papula, inchaço ou espinha úlcera: L. ulcus, ferida
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112 Unidade 4 Suporte e Movimento

6. Como a derme e a hipoderme atuam na termorregulação?


7. Quais os dois tipos básicos de inervação que são encontra-
dos no interior da derme?

FUNÇÕES DA PELE
A pele não só protege o corpo de agentes patogênicos e lesões ex-
ternas, como também é um órgão altamente dinâmico que desem-
penha importante papel na manutenção da homeostasia do corpo.

Objetivo 5 Discutir o papel da pele na proteção do corpo


contra doenças e lesões externas, na regulação dos
líquidos do corpo e temperatura, na absorção, síntese,
recepção de sensibilidade e na comunicação.

Proteção Física
A pele é uma barreira contra os microorganismos, a água e a
luz solar excessiva (raios ultravioletas). Secreções oleosas sobre a su-
CAPÍTULO 5

FIGURA 5.8 Uma ferida de leito (úlcera de decúbito) na superfí- perfície da pele formam uma película ácida protetora (pH 4,0-6,8)
cie medial do tornozelo. Feridas de leito são mais comuns na pele que impermeabiliza o corpo e retarda o crescimento da maioria dos
sobre projeções ósseas, como quadril, tornozelo, calcanhar, ombro
ou cotovelo. agentes patogênicos. A proteína queratina da epiderme também im-
permeabiliza a pele, e a camada córnea externa resiste às raspagens e
Hipoderme mantém os microorganismos para fora. Como foi previamente men-
cionado, a exposição à luz ultravioleta estimula os melanócitos da
A hipoderme, ou tela subcutânea, não é realmente uma parte camada basal a sintetizar melanina, que absorve e dispersa a luz
da pele, mas liga a derme aos órgãos subjacentes. A hipoderme está solar. Além disso, o atrito na superfície leva a epiderme a se espessar
constituída principalmente de tecido conjuntivo frouxo e células aumentando a freqüência de mitoses nas células da camada basal e
adiposas entrelaçadas com vasos sangüíneos (veja fig. 5.1). Fibras da camada espinhosa, resultando na formação de um calo protetor.
colágenas e elásticas reforçam a hipoderme – particularmente nas
palmas das mãos e nas plantas dos pés, onde a pele está firmemente Independente da pigmentação da pele, todas as pessoas são
aderida às estruturas subjacentes. A quantidade de tecido adiposo suscetíveis a câncer de pele se a exposição aos raios solares for
suficientemente intensa. Estima-se que anualmente ocorram 800.000
na hipoderme varia com a região do corpo, o sexo, a idade e o es- casos novos de câncer de pele nos Estados Unidos, sendo aproximada-
tado nutricional do indivíduo. As mulheres geralmente têm apro- mente 9.300 diagnosticados como melanomas potenciais com elevado
ximadamente 8% da hipoderme mais espessa que a dos homens, e risco de vida. Melanomas (veja fig. 5.19) geralmente são considerados
malignos, pois podem se disseminar rapidamente. Aconselha-se o uso
essa camada funciona como armazenamento de lipídios, isolante, de protetores solares para as pessoas que precisam se expor direta-
amortecedor do corpo e regulador da temperatura. mente aos raios solares por longo período de tempo.
A hipoderme é o local para injeções subcutâneas. Usando
uma agulha hipodérmica, podemos administrar medicamen-
tos aos pacientes que estão inconscientes ou não cooperantes, e
quando os medicamentos orais não estão indicados. Dispositivos
Hidrorregulação
subcutâneos para administrar medicamentos de liberação lenta, de O espessamento, a queratinização e a cornificação da epi-
baixa dosagem, estão agora disponíveis. Por exemplo, a insulina derme da pele são adaptações contra a exposição contínua ao ar.
pode ser administrada desse modo para tratar algumas formas de
diabetes. Até mesmo um dispositivo anticoncepcional subcutâneo Além disso, as camadas externas estão mortas e assemelham-se a
(Norplant) está sendo comercializado atualmente (veja fig. 21.26). escamas, e uma proteína polissacáride da membrana adere a ca-
mada basal à derme. A pele humana é virtualmente impermeável
e protege o corpo da desidratação em áreas secas, e até mesmo da
Avaliação de Conhecimentos absorção de água quando submerso em água.
4. Faça uma relação das camadas da epiderme e da derme e
explique como elas diferem em estrutura e função.
5. Descreva a seqüência de substituição celular dentro da epi- Termorregulação
derme e os processos de queratinização e cornificação. A pele desempenha um papel importante na regulação da
temperatura do corpo. O calor do corpo vem do metabolismo ce-
hypodermis: G. hypo, embaixo; derma, pele lular, particularmente de células musculares que mantêm o tônus
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Capítulo 5 SistemaTegumentar 113

2. O centro da temperatura no
hipotálamo recebe a mensagem e
1. Em resposta a uma queda da dispara várias respostas fisiológicas
temperatura, receptores sensitivos para produzir e conservar calor.
cutâneos enviam uma
mensagem ao encéfalo.

(a) Os tremores (atividade involuntária


dos músculos) produzem calor.

(b) Constrição capilar desvia


sangue afastando-o da superfície
exposta da pele.

3. Em resposta a uma elevação da (c) A transpiração cessa quando as


temperatura, receptores sensitivos glândulas sudoríferas param
cutâneos enviam uma mensagem de a secreção.
retroalimentação ao encéfalo que inverte
os processos fisiológicos que produziram

CAPÍTULO 5
e conservaram o calor.

FIGURA 5.9 A regulação da temperatura envolve os receptores sensitivos cutâneos que enviam mensagens ao encéfalo para diminuir a tem-
peratura do corpo. Os gatilhos de uma resposta podem gerar rapidamente até 5 vezes a produção normal de calor do corpo.

ou um grau de tensão. A temperatura normal do corpo de 37°C é


mantida de três modos, todos envolvendo a pele (fig. 5.9):
1. através da perda de calor radiante pelos vasos sangüíneos dilatados,
2. através da evaporação da transpiração, e
3. através da retenção de calor pelos vasos sangüíneos contraídos
(fig. 5.10).
O volume da transpiração produzido é em grande parte uma
função do quanto o corpo está aquecido. Esse volume aumenta 100
a 150 ml/dia aproximadamente para cada 1°C de elevação na tem-
peratura do corpo. Durante cada hora de trabalho físico rígido ao ar
livre no verão, uma pessoa pode produzir 1 a 10 L de transpiração.
Um sério perigo da exposição continuada ao calor e perda
excessiva de água e sais é a exaustão pelo calor, caracteri-
zada por náuseas, fraqueza, vertigem, enxaqueca e queda da pres-
são sangüínea. Golpe de calor é semelhante à exaustão pelo calor,
a não ser que no golpe de calor a sudorese seja evitada (por razões
ainda não definidas) e a temperatura do corpo se eleve. Em conse-
qüência podem ocorrer convulsões, lesões encefálicas e morte. FIGURA 5.10 Um termograma da mão mostra diferentes radia-
ções de calor. Pêlos e gordura do corpo são bons isolantes. Verme-
A perda excessiva de calor ativa uma resposta de tremores lho e amarelo indicam as partes mais aquecidas do corpo. Azul,
nos músculos que aumenta o metabolismo celular. Não só faz os verde e branco indicam as mais frias.
músculos esqueléticos se contraírem, mas os minúsculos músculos
lisos chamados eretores dos pêlos, que estão ligados aos folículos pilo- que um excursionista, por exemplo, se vista adequadamente para as
sos, também se contraem involuntariamente e causam a chamada condições do tempo, especialmente no frio, primavera chuvosa ou
“pele arrepiada ou pele de galinha”. dias de baixa temperatura. Os sintomas iniciais da hipotermia são
entorpecimento, palidez, delírio e calafrios incontroláveis. Se as que-
Quando os mecanismos produtores de calor do corpo não das de temperatura chegarem abaixo de 32°C, o coração perde sua
conseguem mantê-lo, há perda de calor, resultando em hipo- capacidade para bombear o sangue e entrará em fibrilação (contra-
termia. Uma longa exposição em temperaturas abaixo de 20°C e ções irregulares). Se a vítima não for aquecida, segue-se sonolência
umidade pode levar a essa condição. Eis porque é tão importante extrema, coma e morte.
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114 Unidade 4 Suporte e Movimento

(a) (b)
CAPÍTULO 5

FIGURA 5.11 (a) Raquitismo em uma criança de uma vila no Nepal, cujos habitantes vivem em cabanas sem janelas. Durante a estação chu-
vosa que pode durar 5 a 6 meses, as crianças são mantidas em recinto fechado. (b) Radiografia de uma criança de 10 meses de idade com ra-
quitismo. O raquitismo se desenvolve a partir de uma dieta inadequada e também pela falta da luz solar necessária para sintetizar a vitamina D.

Absorção Cutânea pressão, tato, vibração e dor estão localizados ao longo da derme.
Chamados receptores cutâneos, essas células nervosas sensitivas
Por causa das barreiras protetoras efetivas do tegumento já são especialmente abundantes na pele da face, palmas da mão,
descritas, a absorção cutânea (absorção através da pele) é limi- dedos, plantas dos pés e nos genitais externos, menos abundantes
tada. Alguns gases, como oxigênio e gás carbônico, podem atra- ao longo do dorso e na região cervical posterior, e esparsas pela
vessar a pele e podem entrar no sangue. Pequenas quantidades de pele sobre as articulações, especialmente no cotovelo. De modo
raios ultravioleta, necessárias para a síntese da vitamina D, são geral, quanto mais fina a pele, maior a sensibilidade.
prontamente absorvidas. Quanto às considerações clínicas, certas
substâncias químicas como toxinas lipossolúveis e pesticidas
podem entrar no corpo facilmente pela pele.
Comunicação
Síntese Os humanos são animais altamente sociáveis e o tegu-
mento representa um papel importante em comunicação. Várias
O sistema tegumentar sintetiza melanina e queratina, que emoções, como raiva ou preocupações, podem se refletir em mu-
mantêm na pele a síntese da vitamina D, que é usada em outros danças de cor da pele. A contração dos músculos faciais específi-
locais do corpo, e começa na pele com ativação de uma molécula cos produz expressões faciais que demonstram uma série de
precursora pelos raios ultravioleta. A molécula é modificada no emoções, inclusive amor, surpresa, felicidade, tristeza e desespero.
fígado e nos rins para produzir calcitriol, a forma mais ativa de vi- Secreções de certas glândulas tegumentares têm odores que fre-
tamina D. Apenas pequenas quantidades de raios ultravioleta são qüentemente despertam respostas subconscientes em outros indi-
necessárias para a síntese da vitamina D, mas estas quantidades víduos que os detectam.
são muito importantes para uma criança em crescimento. A vita-
mina D ativa entra no sangue e ajuda a regular o metabolismo do
cálcio e do fósforo, que são importantes no desenvolvimento de
ossos fortes e sadios. Raquitismo é uma doença causada por defi-
Avaliação de Conhecimentos
ciência de vitamina D (fig. 5.11). 8. Faça uma relação de cinco modificações do tegumento que
são estruturalmente ou funcionalmente protetoras.
9. Explique como o tegumento funciona na regulação dos lí-
Sensibilidade quidos e na temperatura do corpo.
Receptores da sensibilidade altamente especializados (veja 10. Quais são as substâncias sintetizadas no tegumento?
capítulo 15) que respondem aos estímulos precisos de calor, frio,
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Capítulo 5 SistemaTegumentar 115

DERIVADOS DA EPIDERME
Pêlos, unhas e glândulas tegumentares formam-se a partir da ca-
mada epidérmica, e são portanto derivados do ectoderma. Pêlos
e unhas são características estruturais do tegumento e têm um
papel funcional limitado. Ao contrário, as glândulas tegumentares
são extremamente importantes na defesa do corpo e na manu-
tenção da homeostasia.

Objetivo 6 Descrever a estrutura do pêlo e listar três tipos


principais.

Objetivo 7 Analisar a estrutura e a função das unhas.

Objetivo 8 Comparar e contrastar a estrutura e a função


dos três principais tipos de glândulas tegumentares.
(a)

Pêlos
A presença de pêlos no corpo é uma das características distin-
tivas dos mamíferos, mas sua distribuição, função, densidade e tex-

CAPÍTULO 5
tura variam nas diferentes espécies de mamíferos. Os humanos
possuem relativamente poucos pêlos, apenas o couro cabeludo, face,
púbis e axilas são densamente peludos. Os homens e mulheres têm a
mesma densidade de pêlos em seus corpos, mas os pêlos são geral-
mente mais evidentes nos homens (fig. 5.12) como resultado da
ação dos hormônios masculinos. Certas estruturas e regiões do corpo
não possuem pêlos, como as palmas da mão, as plantas dos pés, os lá-
bios, os mamilos, o pênis e partes dos genitais externos femininos.
Hirsutismo é uma situação em que há excesso de pêlos no
corpo e na face, especialmente em mulheres. Pode ser uma
expressão genética, como em certos grupos étnicos, ou ocorrer
como resultado de uma disfunção metabólica, geralmente endócrina. (b)
O hirsutismo ocorre em algumas mulheres quando elas passam por
mudanças hormonais durante a menopausa. Vários tratamentos para FIGURA 5.12 Comparação da representação dos pêlos no
o hirsutismo incluem injeções hormonais e eletrólise para destruir per- homem e na mulher.
manentemente os folículos pilosos selecionados.
dias. Quando o pêlo fica mais longo, porém, entra em um período
A função principal dos pêlos é a proteção, embora sua efe- de repouso, durante o qual há crescimento mínimo.
tividade seja limitada. Os cabelos do couro cabeludo e os pêlos A duração da vida de um pêlo varia de três a quatro meses
das sobrancelhas protegem contra a luz solar. Os cílios e as vibris- para um cílio até três a quatro anos para um cabelo do couro ca-
sas protegem contra partículas poluentes. Os cabelos do couro ca- beludo. Cada pêlo perdido é substituído por um pêlo novo que
beludo podem proteger também contra lesões mecânicas. cresce a partir da base do folículo e empurra o pêlo velho. Entre
Algumas funções secundárias dos pêlos consistem em servir para dez e cem pêlos são perdidos diariamente. A calvície resulta
distinguir os indivíduos e como atração sexual. quando o cabelo é perdido e não substituído. Esta situação pode
Cada pêlo consiste em uma haste posicionada diagonal- estar relacionada com uma doença, mas geralmente é hereditária
mente, raiz e bulbo (fig. 5.13). A haste é a parte visível do pêlo e mais freqüentemente ocorre em homens por causa de influên-
que se projeta sobre a superfície da pele, mas está morta. O bulbo cias genéticas combinadas com a ação do hormônio do sexo mas-
é a base alargada da raiz dentro do folículo piloso. Cada pêlo se culino, a testosterona. Nenhum tratamento é eficiente para
desenvolve a partir das células da camada basal no interior do reverter a calvície genética; porém, podem ser feitos enxertos
bulbo do pêlo, onde recebe seus nutrientes de vasos sangüíneos com retalhos ou tampões de pele contendo folículos pilosos sau-
da derme. Quando as células se dividem, são empurradas afas- dáveis de partes do corpo dotadas de pêlos para as regiões calvas.
tando-se dos vasos sangüíneos nutrientes em direção à superfície, Em um pêlo cortado transversalmente podem ser observa-
a célula morre e ocorre a queratinização. Em uma pessoa saudá- das três camadas. A medula interna é composta de células livre-
vel, o pêlo cresce à razão de aproximadamente 1 mm cada três mente dispostas separadas por numerosas células aéreas. O córtex

hirsutismo: L. hirsutus, peludo medula: L. medulla, medula


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116 Unidade 4 Suporte e Movimento

Haste
do pêlo

Epiderme

Glândula
sebácea
Folículo
piloso
Bainha externa da raiz
(a) Papila Bulbo Folículo Raiz Bainha interna da raiz
dérmica do pêlo piloso do pêlo

Músculo
Raiz do pêlo eretor do pêlo

Bulbo do pêlo
CAPÍTULO 5

Papila dérmica
Vasos sangüíneos

(b) (c)
FIGURA 5.13 Estrutura do pêlo e do folículo piloso. (a) Fotomicrografia (63) do bulbo e da raiz de um pêlo no interior de um folículo piloso.
(b) Micrografia eletrônica de varredura (280) de um pêlo ao se estender a partir de um folículo. (c) Diagrama do pêlo, um folículo piloso, uma
glândula sebácea e um músculo eretor do pêlo.

espesso que envolve a medula consiste em células endurecidas e falta de produção de pigmento e espaços de ar no interior das ca-
firmemente juntas. Uma cutícula recobre o córtex e forma a ca- madas do corpo do cabelo. A textura do pêlo é determinada pela
mada externa fortalecida do pêlo. Células da cutícula têm mar- forma da secção transversa: pêlo reto é redondo em secção trans-
gens dentadas que dão ao pêlo uma aparência escamosa quando versa; pêlo ondulado é oval e pêlo crespo é plano.
observado sob uma lente de dissecção. As glândulas sebáceas e os músculos eretores do pêlo (des-
critos anteriormente) estão ligados ao folículo piloso (fig. 5.13c).
As pessoas expostas a metais pesados, como chumbo, mer- Os músculos eretores do pêlo são involuntários e respondem a es-
cúrio, arsênico ou cádmio, devem ter concentrações desses tímulos térmicos ou psicológicos. Quando eles contraem, o pêlo é
metais nos seus cabelos dez vezes maiores que aquelas encontra-
das no seu sangue ou na urina. Por causa disso, amostras de cabelo puxado para uma posição mais vertical, causando “pele arrepiada
são extremamente importantes em certos testes diagnósticos. ou pele de galinha”.
Até mesmo evidências de certas doenças metabólicas ou defi- Os humanos têm três tipos distintos de pêlo:
ciências nutricionais podem ser descobertas em amostras de ca-
belo. Por exemplo, o cabelo de crianças com fibrose cística deve ser 1. Lanugem. Lanugem, um pêlo fino, fetal sedoso que aparece
deficiente em cálcio e ter sódio em excesso. Há uma deficiência de durante o último trimestre de desenvolvimento, normal-
zinco nos cabelos de indivíduos desnutridos. mente é visto só em crianças prematuras.
A cor do pêlo é determinada pelo tipo e pela quantidade de 2. Velo. Velo, um pêlo curto, fino que substitui a lanugem, é
pigmento produzido na camada basal, na base do folículo piloso. especialmente abundante nas crianças e nas mulheres es-
Quantidades variadas de melanina produzem variações na cor do tende-se um pouco além dos folículos pilosos.
pêlo: de loiro para moreno, e para negro. Quanto mais melanina, 3. Pêlo terminal. O pêlo terminal é grosso, pigmentado (ex-
mais escuro é o pêlo. Um pigmento com base de ferro (tricosside- ceto em pessoas idosas), e às vezes ondulado. Exemplos são
rina) produz pêlo vermelho. Pêlo cinza ou branco é o resultado de os cabelos do couro cabeludo, pêlos axilares, pêlos púbicos,

córtex: L cortex, córtex lanugem: L. lana, lã


cutícula: L. cuticula, pele pequena velo: L. vellus, cabelo
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Capítulo 5 SistemaTegumentar 117

Hiponíquio Eponíquio Matriz da unha


Margem livre Corpo da unha Margem oculta
Sulco da unha
Prega da unha Lúnula Eponíquio
Corpo da unha

Leito da unha

Margem livre

Creek

Hiponíquio

Margem oculta
Epiderme Raiz da unha

Derme Polpa Falange distal Osso em desenvolvimento

(a) (b)

CAPÍTULO 5
FIGURA 5.14 Ponta do dedo e estruturas associadas da unha. (a) Diagrama de uma unha dissecada e (b) fotomicrografia da unha de um
feto (3,5x).

pêlos axilares, sobrancelhas, cílios e pêlos dos membros. unha estende-se em cima de uma região espessada da camada cór-
Pêlo angorá, pêlo terminal que cresce continuamente, en- nea chamada hiponíquio. A raiz da unha está fixada na base
contra-se no couro cabeludo e nas faces de homens adultos. O eponíquio (cutícula) cobre a margem oculta da unha. O
Pêlo definitivo, pêlo terminal que cresce até um certo ta- eponíquio freqüentemente racha, formando espículas. A área de
manho e então pára, é o tipo mais comum de pêlo; cílio, crescimento da unha é a matriz da unha. Uma parte pequena da
sobrancelhas, pêlos púbicos e axilares são exemplos. matriz da unha, a lúnula, pode ser vista com a forma de uma
meia-lua próximo ao eponíquio da unha.
Os antropologistas se referiam aos humanos como os maca-
cos desnudos por causa de nossa relativa falta de pêlos. As A unha cresce pela transformação das células superficiais
roupas que nós usamos sobre as áreas de superfícies expostas de da matriz da unha em células de unha. Estas células mais duras,
nossos corpos funcionam como isolantes e nos protegem, da transparentes, são empurradas então para diante sobre as camadas
mesma maneira que os pêlos ou a pele o fazem em outros mamífe- basal e espinhosa do leito da unha. As unhas crescem à razão de
ros. Contudo, a nudez de nossa pele traz alguns problemas. Câncer
de pele freqüentemente acontece em humanos, particularmente em aproximadamente 1 mm por semana. O crescimento das unhas
regiões da pele expostas ao sol. Acne, outro problema para os hu- dos dedos do pé é um pouco mais lento.
manos, está relacionada em parte ao fato que os pêlos não estão
presentes para dissipar a secreção oleosa das glândulas sebáceas. O aspecto das unhas pode ser indicativo da saúde geral de
uma pessoa e de seu bem estar. As unhas devem se apresen-
tar de cor rosada e mostrando uma riqueza de capilares sob a unha
translúcida. Uma matiz amarelada pode indicar certa deficiência orgâ-
Unhas nica glandular ou deficiências nutricionais. Unhas rachadas também
podem ser causadas por deficiências nutricionais. Uma cor azulada
As unhas sobre as extremidades dos dedos da mão e do pé pode indicar oxigenação inadequada do sangue. Unhas em colher
são formadas pela compressão da camada externa (camada cór- (corpo côncavo) pode ser o resultado de anemia por deficiência de
nea) da epiderme. A dureza da unha deve-se às fibrilas de quera- ferro, e baqueteamento na base da unha pode ser causado por cân-
cer pulmonar. Unhas sujas ou corroídas podem indicar má higiene
tina densa que se encontram paralelas entre as células. As unhas pessoal, e unhas corroídas podem sugerir problemas emocionais.
dos dedos da mão e do pé protegem os dedos, e as unhas dos dedos
da mão também ajudam a pegar e a apanhar objetos pequenos.
Cada unha consiste em um corpo, uma margem livre e
uma margem oculta (fig. 5.14). O corpo da unha, semelhante a
Glândulas
uma lâmina, repousa sobre o leito da unha que é realmente a ca- Embora elas se originem na camada epidérmica, todas as
mada espinhosa da epiderme. O corpo e o leito da unha apare- glândulas da pele estão localizadas na derme onde são sustentadas
cem rosados por causa do tecido vascular subjacente. Os lados do
corpo da unha são protegidos por uma prega da unha, e o sulco hiponíquio: G. hypo, embaixo; onix, unha
entre os lados e o corpo é o sulco da unha. A margem livre da lúnula: L. lunula, pequena lua
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118 Unidade 4 Suporte e Movimento

Pêlo

Glândula
sebácea Poro
sudorífero
Epiderme

Glândula
sudorífera
Derme
CAPÍTULO 5

FIGURA 5.16 Fotomicrografia de uma glândula sudorífera écrina


(27). A estrutura espiralada da porção do dúctulo da glândula (veja
setas) justifica esta aparência descontínua.

persado ao longo da haste do pêlo na superfície da pele onde lubri-


fica e impermeabiliza a camada córnea e também impede que o
pêlo se fragilize. Se os ductos das glândulas sebáceas forem obstruí-
dos por alguma razão, as glândulas podem se infectar, resultando em
Hipoderme

acne. Hormônios sexuais regulam a produção e secreção de sebo, e


a hiperatividade das glândulas sebáceas pode resultar em problemas
sérios de acne, particularmente durante os anos da adolescência.

Glândulas Sudoríferas
Folículo piloso
Glândula Glândulas sudoríferas, geralmente chamadas glândulas do
Glândula sudorífera écrina suor, transpiram ou excretam o suor sobre a superfície da pele. A
sudorífera apócrina
transpiração é composta de água, sais, uréia e ácido úrico, e serve
não apenas para o resfriamento através da evaporação, mas também
FIGURA 5.15 Tipos de glândulas da pele. para a excreção de certos resíduos. Glândulas sudoríferas são mais
numerosas nas palmas das mãos, nas plantas dos pés e nas regiões
fisicamente e recebem nutrientes. As glândulas da pele são exó- axilar, púbica e na fronte. Elas são tubulares espiraladas (fig. 5.15) e
crinas, porque são glândulas que secretam externamente lan- de dois tipos: glândulas sudoríferas écrinas e apócrinas.
çando suas secreções diretamente ou através de ductos. As