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APRESENTAÇÃO

Olá!

Sou o Dr Tomyo Arazawa, médico Ginecologista


e Obstetra formado pela Faculdade de Medicina
da USP. Escrevi esse E-book como um resumo
completo sobre tudo o que considero importante
saber sobre Endometriose.

Antes de iniciar a sua leitura, gostaria de me


apresentar e explicar o porquê de eu ter escolhido
me especializar no acompanhamento e tratamento
de pacientes com endometriose!

Minha jornada começou na Faculdade de Medicina


da Universidade de São Paulo (FMUSP), onde me
formei médico. Nessa mesma instituição (Hospital
das Clínicas da FMUSP), fiz minha especialização em
Ginecologia e Obstetrícia. Lá, fui chefe dos residentes
de ginecologia por um ano e, logo depois, ingressei
na minha sub-especialização em Endoscopia
Ginecológica. Nessa nova especialização, me
aperfeiçoei em técnicas cirúrgicas minimamente
invasivas, como a Videolaparoscopia e Histeroscopia.
Passei mais alguns anos como médico voluntário,
ensinando outros médicos residentes a realizar
esse tipo de cirurgia. Eu me especializei também
em Medicina Reprodutiva, área em que trabalhei
por cerca de 4 a 5 anos, e me permitiu vivenciar o
drama de pacientes com endometriose ao ver sua
fertilidade prejudicada.
Em todos esses anos de formação em
ginecologia, as pacientes que sofriam por
endometriose e dor pélvica sempre me
intrigaram. Não só porque era muito difícil
entender a doença em si, mas sim pelo fato
de que muitas pacientes não apresentavam
melhoras em relação as suas queixas com muitos
tratamentos. Não satisfeito com os aprendizados
que adquiri, mesmo em uma das melhores
instituições do Brasil, decidi aprofundar meus
conhecimentos por conta própria.

Foram diversos congressos


sobre o assunto e outros sobre
dor pélvica, cursos específicos
e muitas, muitas conversas
com diversos profissionais
de áreas diferentes, além
de muitos artigos científicos
estudados.
Após muitos anos de estudo, dedicação e
aperfeiçoamento, e depois de muita reflexão,
ficou claro para mim que um dos meus propósitos
principais como médico é ajudar o maior número
possível de mulheres que sofrem com essa
doença. Sei que não serei capaz de ajudar
pessoalmente todas vocês que estão lendo esse
E-book. Mas não quero e não posso deixar que o
conhecimento que adquiri em todos esses anos
beneficie apenas as minhas pacientes.

Espero que aproveite a leitura e que seja de bom


proveito para entender um pouco mais sobre essa
doença que hoje acomete cerca de 10 a 15% de
todas as mulheres em idade reprodutiva.
reprodutiva
Introdução

Você já deve ter ouvido falar a respeito de um


problema feminino conhecido por Endometriose.
Mas será que você realmente sabe a respeito dessa
doença? Será que aquela sua cólica menstrual tem
a ver com essa tal de Endometriose?

De fato, você precisa da ajuda de um especialista


para ter o seu diagnóstico preciso, porém é de
extrema importância que você entenda um pouco
sobre essa doença. A Endometriose é uma doença
crônica que afeta entre 10 a 15% de todas as
mulheres em idade reprodutiva,, e tem como
característica principal o crescimento de células e
tecido semelhante ao endométrio (camada
interna do útero) fora do útero.

Ela pode acometer diversos órgãos da pelve além


do útero, como os ovários, tubas uterinas, bexiga,
intestino e diafragma, mas, principalmente, uma
camada que reveste praticamente todos os órgãos
internos, chamada de peritônio.
Mas quais são as consequências dessa doença?
Essa doença de alguma forma pode ser
hereditária? Isso pode atrapalhar uma gravidez? É
uma doença grave? Provavelmente essas são
algumas das perguntas que passaram na sua
cabeça no momento em que abriu este artigo e leu
seu título. Mas não se preocupe, pois este
conteúdo foi desenvolvido exatamente para lhe
trazer respostas. O tema Endometriose tem sido
muito discutido nos dias atuais. O número de
mulheres com esse diagnóstico é cada vez maior.
Muitos têm chamado de “doença da mulher
moderna” pois pode estar associado às mudança
psico-socio-culturais nas últimas décadas.

A doença é uma das principais causas de dor e


infertilidade, com um impacto profundo na
qualidade de vida das mulheres. Mas sabendo
escolher bons profissionais e iniciando o
tratamento adequado, é possível reverter esse
quadro na grande maioria dos casos.

Então, continue lendo este e-book para achar as


principais respostas sobre a Endometriose!
Endometriose
O que é Endometriose

A endometriose é uma doença caracterizada pela


presença do endométrio fora do seu local habitual, ou
seja, em outros locais da pelve como peritônio, tuba
uterinas, ovários, intestino e bexiga. É considerada
uma doença crônica, ou seja, não aparece de uma
hora para outra e pode existir por anos até ser
diagnosticado. A endometriose causa inflamação, o
que resulta em dor na maioria das pacientes.

Ainda não se sabe exatamente como esta doença


surge, mas existem algumas teorias, como a da
menstruação retrógrada, a da metaplasia
celômica, teoria da origem fetal, teoria
imunológica, além de outros fatores ambientais
que podem influenciar esta doença, como fatores
alimentares e hormonais.

Mas o que é o endométrio? Endométrio é a


camada de células que reveste o útero por dentro.
Todos os meses, logo após o término da
menstruação, essas células começam a crescer e
se multiplicar em resposta ao hormônio estrogênio
produzido pelos ovários. Perto da ovulação, o
endométrio fica espessado, para permitir que o
embrião se fixe nele caso haja chance de gravidez.
Caso a gravidez não aconteça, o endométrio
descama e sangra na menstruação, renovando-se
para o próximo ciclo menstrual.

As células de endometriose respondem de forma


semelhante ao endométrio normal, crescendo
durante o ciclo e sangrando e inflamando durante
a menstruação. Por isso os principais sintomas
dessa doença ocorrem durante o período
menstrual, como a cólica menstrual intensa.

Os focos de endometriose podem estar presentes


em diversos locais da pelve e abdômen, além de
locais fora do abdômen. Dependendo da
quantidade de endometriose presente na pelve,
ela pode ser dividida em 4 categorias, segundo a
Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva
(ASRM): I, II, III ou IV, o que corresponde à
Endometriose Mínima, Leve, Moderada e
Avançada, respectivamente.
Estatísticas Importantes

Não se sabe exatamente quantas mulheres no


mundo têm endometriose. Mas há uma estimativa,
com base em estudos, aproximadamente, 10 a 15%
de todas as mulheres em idade reprodutiva no
mundo têm esta doença. No entanto, quando
avaliamos as mulheres com infertilidade, até 50%
dessas pacientes pode ter Endometriose.
Considerando essas estatísticas, estima-se que
cerca de 6 milhões de brasileiras são portadoras
desta doença. Porém não há como saber
exatamente quantas mulheres realmente são
prejudicadas por essa doença, pois muitas podem
tê-la sem saber, ou seja, sem ter o diagnóstico.

Fatores de Risco

Ainda não se sabe ao certo todos os fatores de


risco que aumentam as chances de uma mulher
desenvolver endometriose, já que ainda não há
certeza das verdadeiras causas desta doença. O
principal fator de risco conhecido atualmente é o
histórico de endometriose em familiares
próximos, como mãe e irmãs. Quando há um
antecedente familiar, as chances de ter
endometriose aumentam cerca de 3 vezes.
Alimentação, status emocional (estresse crônico)
e a imunidade são outros fatores que colaboram
com a doença.
Sintomas e Sinais

Os principais sintomas da endometriose não


são específicos dessa doença. Ou seja, outras
doenças ginecológicas e pélvicas podem gerar
sintomas semelhantes, o que dificulta a suspeita e
o diagnóstico da endometriose que pode demorar
anos para ser realizado. Estudos mostram que o
tempo entre o início dos sintomas dessa doença
e o diagnóstico pode demorar até mesmo de 8
a 10 anos em alguns países, mesmo naqueles
considerados de primeiro mundo. Os sintomas
dessa doença também são variados, tanto em
quantidade, quanto em intensidade. Há mulheres
com endometriose que não sentem absolutamente
nada e acabam descobrindo a doença por acaso,
em exames de rotina.

Contudo, existem alguns


sintomas que são mais
frequentes entre as pacientes
portadoras de endometriose.
Quanto maior o número de
sinais e sintomas, maior a
probabilidade da paciente
ter de fato essa doença e,
portanto, maior a necessidade
de investigação específica.
Existem 6 principais sintomas
da endometriose:
1 Cólicas menstruais intensas:
A cólica menstrual intensa, também chamada de
Dismenorréia, é certamente o sintoma mais
comum entre as pacientes com endometriose.
Essa cólica pode variar em intensidade, mas mais
frequentemente é de forte intensidade, podendo
piorar com o passar dos meses e anos.
Dependendo da intensidade, pode atrapalhar e
limitar as atividades do dia a dia da mulher, com
grande impacto na qualidade de vida.

2 Infertilidade:
A endometriose é a principal doença pélvica que
causa infertilidade na mulher. Como foi dito
anteriormente, cerca de 50% das mulheres com
infertilidade têm endometriose. A infertilidade é a
incapacidade de engravidar espontaneamente
após um período de 1 ano de tentativas regulares.

3 Dor na relação sexual de profundidade:


Uma das áreas mais frequentes em que
encontramos a endometriose é na região atrás do
colo do útero, na região pélvica. Por isso a mulher
com endometriose profunda nesta região pode
sentir dores durante a relação sexual, principalmente
na parte profunda da vagina, ao acontecer o contato
do pênis do homem na região acometida.
4 Dor ou sangramento intestinal no período
menstrual:
A endometriose pode acometer outros órgãos
pélvicos, como o intestino. Quando esta doença é
encontrada no reto ou em outra parte do intestino,
pode causar cólicas intestinais no período
menstrual e até sangramentos intestinais. A parte
do intestino mais frequentemente acometida é a
região do reto. Por isso o tipo de dor mais comum é
a dor na região retal.

5 Dor ou sangramento urinário no período


menstrual:
A endometriose também pode acometer o sistema
urinário, principalmente bexiga e ureter (canal de
transporta a urina dos rins para a bexiga). Por isso
pode haver dor na bexiga para urinar durante a
menstruação, assim como sintomas de urgência
ou sangramento ao urinar.

6 Dor pélvica crônica:


Este quadro é uma doença a parte, em que a
paciente pode ter dor em várias regiões da pelve,
seja no útero, ovários, bexiga, intestino, músculos
da pelve e nervos. Geralmente são dores
contínuas, de forte intensidade, que perduram
mesmo fora da menstruação, e que tem pouca
melhora com anticoncepcionais ou analgésicos.
Nossa abordagem

Como Identificamos

A identificação da endometriose começa durante


a consulta médica. Muitos dos sinais e sintomas da
doença já podem ser identificados com a história
da paciente. Uma história detalhada e minuciosa
é fundamental para identificar qualquer doença,
principalmente a endometriose. Após conhecer
bem a paciente e seus sintomas, é realizado o
exame físico geral e ginecológico. No exame,
procuramos por alterações que possam sugerir
a presença de endometriose profunda, como a
alteração do posicionamento do útero e nódulos e
espessamentos dolorosos na pelve da paciente. A
partir desses pontos dolorosos, podemos direcionar
os exames complementares mais indicados para
confirmar ou afastar essa hipótese. A primeira
consulta, por ser extremamente detalhada, costuma
durar no mínimo 1 hora.

Os exames complementares que auxiliam a


identificação desta doença são alguns exames de
sangue e de imagem.
O principal exame de sangue que auxilia o
diagnóstico é o CA 125. Trata-se de um marcador
tumoral que, apesar do nome, não está relacionado
somente a câncer. A endometriose, que é uma
doença benigna, pode causar o aumento do CA 125,
principalmente durante o período menstrual. Por
isso, deve ser colhido preferencialmente entre o 2°
e o 3° dia da menstruação. É importante ressaltar
que o resultado normal deste exame não exclui a
possibilidade de endometriose.

Os exames de imagem são os principais exames


que auxiliam o diagnóstico. Contudo, é fundamental
que sejam realizados por profissionais com
experiência no diagnóstico dessa doença. Os
principais exames são:

1) Ultrassonografia transvaginal com preparo


intestinal: Esse exame é semelhante a uma
intestinal
ultrassonografia transvaginal, porém realizado após
limpeza do intestino. Deve ser realizado por
médicos radiologistas com treinamento para
identificação da endometriose por ultrassonografia.
Nesse exame, é possível identificar lesões de
endometriose profunda em vários locais da pelve,
incluindo bexiga e intestino. As taxas de acerto do
exame chegam a 98%!8%!
2) Ressonância magnética de abdômen e pelve
com contraste e preparo intestinal: Esse exame
também deve ser realizado com um protocolo de
preparo intestinal, além de inserção de gel na região
da vagina e/ou reto. Nesse exame, a paciente
precisa ficar sem se mover por um período de
aproximadamente 40 minutos e, para algumas delas,
pode ser um pouco claustrofóbico. Assim como a
ultrassonografia com preparo intestinal, a sua
acurácia chega a aproximadamente 98% de acerto.

3)) Eco-colonoscopia: Esse exame é pouco utilizado


atualmente. Trata-se de uma ultrassonografia
realizada por colonoscopia. Seu principal objetivo é
avaliar o grau de profundidade de uma lesão de
endometriose no intestino (reto). Contudo, esse
dado também pode ser avaliado pela
ultrassonografia transvaginal. É necessário sedação
para realizar o exame. Por esses motivos, hoje em
dia, seu uso é mais restrito.

Após a realização dos exames complementares, os


resultados são avaliados no retorno. Geralmente, já é
possível fazer o diagnóstico na grande maioria das
pacientes. Contudo, em uma pequena parcela
dessas pacientes (cerca de 2%),
%), os exames podem
não ser capazes de identificar a doença. Nesses
casos, o diagnóstico pode ser feito através da
videolaparoscopia, com biópsia das lesões suspeitas.
Como Tratamos

O tratamento da endometriose depende dos


sintomas que a doença está causando na paciente,
no impacto sobre a qualidade de vida da paciente
e casal, e principalmente nos objetivos de cada
mulher. Portanto o tratamento é individualizado,
desenhado e planejado após o estudo de todas
as informações adquiridas nas consultas através
das longas conversas, exame físico detalhado e
resultado dos exames laboratoriais. O objetivo
principal do tratamento da endometriose é a
melhora da qualidade de vida da paciente, seja
com melhora das dores pélvicas, melhora das
dores na relação sexual, melhora da fertilidade e
de qualquer outro sintoma que esteja
atrapalhando a vida dessa mulher. De forma
resumida, podemos dividir o tratamento em três
tipos: clínico, cirúrgico e complementar.

O tratamento clínico para endometriose pode ser


dividido em duas partes principais:
1. Mudança no estilo de vida

O nosso estilo de vida está diretamente


relacionado à nossa saúde. Muitas vezes, não
percebemos o quanto o nosso dia a dia interfere na
nossa saúde a longo prazo. Mas hoje sabemos que
a grande maioria das doenças crônicas, incluindo
a endometriose, podem ser causadas ou
influenciadas por um estilo de vida não saudável.
Com isso em vista, para pacientes com
endometriose, ou mesmo para aquelas que já
trataram endometriose, podemos citar 4 pilares
principais de ajuste no estilo de vida:

a) Alimentação: tudo o que comemos reflete na


saúde do nosso corpo. Alimentos mais
inflamatórios causam aumento de inflamação e dor
em pacientes com endometriose. Portanto,
pacientes com endometriose devem evitar
alimentos inflamatórios, como carnes vermelhas,
produtos industrializados, glúten, lactose e
derivados e açúcar refinado, e dar preferência por
alimentos anti-inflamatórios, como verduras, frutas,
fibras, alimentos ricos em ômega 3. Para maiores
informações, baixe depois o nosso E-book de
Nutrição e Endometriose!
b) Qualidade do sono: uma noite de sono de boa
qualidade é fundamental para que nosso corpo
consiga se recuperar para o dia seguinte. A
privação do sono, seja ela por tempo ou
qualidade, afeta nosso sistema imunológico (de
defesa), além de aumentar a sensação de
qualquer tipo de dor. Se você tem dificuldade para
dormir, ou acorda sempre cansada e fica sonolenta
ao longo do dia, procure ajuda!
c) Manejo do estresse: o estresse crônico é
extremamente frequente em grande parte da
população hoje. Em pacientes com endometriose o
estresse crônico afeta negativamente a imunidade,
que é um dos fatores que podem influenciar o
aparecimento e crescimento de lesões de
endometriose. Além disso, o estresse também
modula como o nosso cérebro percebe o nosso
corpo, ou seja, mulheres com endometriose e que
são mais estressadas tendem a sentir mais dores,
especialmente nos piores períodos de estresse.
Atividades como meditação, relaxamento e
atividades esportivas podem auxiliar nesse controle.
d) Atividades físicas: o corpo humano foi feito para
se movimentar! Atividades físicas e esportivas
regulares fazem nosso cérebro produzir
hormônios e substâncias que aumentam a
sensação de prazer, bem estar, e de quebra
reduzem a percepção de dor pelo nosso cérebro.
Sim, toda sensação de dor no corpo é sentida pelo
cérebro, que é a nossa central de processamento
de informações vindas do nosso corpo.
2. Tratamento medicamentoso

Além dos ajustes do estilo de vida, que todas as


pacientes com endometriose devem fazer,
podemos contar com medicamentos para
amenizar os sintomas da endometriose e para
tentar controlar a evolução da doença. É importante
ressaltar que nenhuma medicação é capaz de fazer
as lesões de endometriose sumirem. Ou seja, não é
possível chegar a cura da endometriose através de
medicações. Mas é possível sim manter uma boa
qualidade de vida, com melhora importante dos
sintomas com esses tratamentos.
a) Medicamentos analgésicos: ajudam a aliviar
os sintomas de dor nas crises. São importantes
para reduzir o sofrimento da paciente nos
piores dias de dor. Mas não atuam na causa do
problema. Deve-se prestar atenção para evitar
o abuso de analgésicos, pois isso pode trazer
complicações à saúde, por vezes, piores que a
própria endometriose. Outras medicações
podem ser necessárias especialmente nos
casos de dores crônicas, que podem ter outras
origens. Ocasionalmente, pode ser importante
uma avaliação com um médico especialista
em dor, tal como um neurologista, anestesista,
ou médico fisiatra.
b) Tratamentos hormonais: são essencialmente
medicamentos contraceptivos hormonais diversos,
que além de bloquear o funcionamento dos
ovários, e portanto bloquear a produção do
hormônio estrogênio que estimula as lesões de
endometriose, ajudam a prevenir uma gestação
indesejada ou não programada. O Dienogeste é
um hormônio progestagênio mais específico para
pacientes com endometriose. Os análogos
agonistas do GnRH pode também ser uma opção,
porém muito mais restrita pois, além de não
resolver as lesões de endometriose, está associado
a efeitos colaterais intensos e outros impactos no
bem estar da paciente. Os tratamentos hormonais
são geralmente contra-indicados a pacientes que
estão tentando engravidar.
c) Tratamentos naturais: alguns fitoterápicos
podem auxiliar no manejo dos sintomas da
endometriose. Muitas mulheres observam uma
melhora dos sintomas de forma significativa com
seu uso. Porém é importante ressaltar que a
melhora do sintoma não significa que as lesões
sumiram. Recomenda-se também cautela com o
uso indevido e abusivo, pois também podem ser
acompanhados de efeitos colaterais, além de
outros riscos.
Tratamento cirúrgico

O tratamento cirúrgico é reservado para as pacientes


que não conseguiram obter uma melhora
significativa dos sintomas com as medicações e
mudança do estilo de vida ou quando apresentam
alguma contra-indicação ao uso dos
medicamentos, seja por efeitos colaterais, por riscos
ao uso de hormônios ou pelo desejo de gravidez.

A cirurgia para o tratamento é feita através de


técnicas cirúrgicas minimamente invasivas, que
inclui a videolaparoscopia e a cirurgia robótica.
Como a endometriose pode ser desde mínima até
muito avançada, a complexidade de cada cirurgia
varia de paciente para paciente. Certamente pode
ser uma das cirurgias mais desafiadoras e
trabalhosas. Algumas podem ser mais complexas
que cirurgias para câncer. Por isso é fundamental
que o cirurgião ginecologista tenha vasta
experiência nesse tipo de doença e esteja
capacitado a realizar procedimentos
laparoscópicos complexos. O tratamento cirúrgico
completo e adequado é a melhor oportunidade
para uma paciente restabelecer sua qualidade de
vida a longo prazo.
A cirurgia para endometriose pode ser realizada de
duas formas: uma mais e outra menos adequada.
Isso significa que não basta operar. É fundamental
fazer uma cirurgia de qualidade. A forma
inadequada de operar endometriose profunda é
através simplesmente da cauterização das lesões.
lesões
Isso porque na endometriose profunda, a parte
principal responsável pelos sintomas são as mais
profundas. E a cauterização só consegue tratar a
superficial. A forma adequada de tratar
parte superficial
cirurgicamente as lesões de endometriose
profunda é através da excisão, ou seja, retirada por
completo de toda a lesão de endometriose
profunda. A maior parte dos casos de recidiva da
doença endometriose, na verdade, é de
persistência da doença, que não foi
adequadamente retirada em uma cirurgia anterior.

Em algumas situações, é necessário unir duas ou


mais equipes de especialidades diferentes, como
cirurgia gastrointestinal e urologia, para realizar
uma cirurgia com segurança e de forma completa,
com excisão (retirada) de todas as lesões de
endometriose. Com uma avaliação minuciosa do
quadro da endometriose antes da cirurgia e com
uma equipe experiente e capacitada, o
tratamento cirúrgico proporciona melhora
significativa da dor e, em muitos casos, da
fertilidade feminina.
Estudos comprovam que uma cirurgia completa,
com retirada de todas as lesões de endometriose,
é uma das formas mais eficientes para alcançar a
melhora dos sintomas de dor e para evitar recidiva
da doença. Portanto invista em médicos
especialistas no tratamento cirúrgico da
endometriose! É a sua melhor oportunidade para
ter uma melhora das dores a longo prazo. E com
uma equipe capacitada, além do risco de recidiva
da doença ser menor, os riscos de complicações
também serão menores.

É importante ressaltar que nenhum tratamento


clínico disponível hoje se mostrou capaz de retirar
as lesões ou fazê-las desaparecer. Por isso
pacientes em uso de medicamentos hormonais
podem voltar a sentir os mesmos sintomas ao
interromper o uso dos anticoncepcionais. Até hoje,
somente a cirurgia é capaz de retirar as lesões
lesões.
Quanto melhor for a cirurgia, e mais completa,
menor a chance de recidiva e maior o tempo com
os sintomas sob controle.
Tratamentos
complementares

As pacientes que sofrem com a endometriose por


muito tempo, muitas vezes, adquirem outros
problemas de saúde. Esses outros problemas
acabam prejudicando a vida e qualidade de vida
dessas mulheres, até de forma mais severa. Por
isso, na avaliação e acompanhamento de pacientes
com endometriose, é fundamental identificar
outros sintomas e fatores que precisam ser
acompanhados e tratados em conjunto. Nem
sempre a medicina tradicional consegue encontrar
todas as respostas para doenças e sintomas do
nosso corpo. Por isso é de suma importância
integrar outras especialidades no tratamento
dessas pacientes. É o que conhecemos por
medicina integrativa.

• Fisioterapia pélvica: auxilia na recuperação e


reabilitação de muitas pacientes que sofrem com
endometriose e têm outras complicações, tais
como dor pélvica crônica, dor miofascial,
vaginismo, alterações urinárias e alterações
intestinais. Muitas das mulheres que apresentam
dor pélvica têm outras disfunções da pelve.
• Nutrição: um dos pilares para o ajuste do estilo de
vida é a alimentação. Recomendamos que as
orientações nutricionais sejam realizadas por um
profissional capacitado. Não há nada que seja
completamente proibido para uma paciente com
endometriose. Portanto restringir demais a
alimentação pode também causar outros
problemas à saúde. Procure uma nutricionista
especializada, para ter orientações personalizadas
para o seu caso.

• Acupuntura: a medicina chinesa pode ajudar


muitas pacientes que sofrem com endometriose,
dor pélvica e inclusive infertilidade. O raciocínio
desse tipo de terapia é completamente diferente da
medicina tradicional, mas de forma complementar.

• Psicologia: qualquer pessoa que sofra por muito


tempo com dor ou com dores muito intensas, pode
ter consequências psicológicas ou até mesmo
causas. A dor sentida é real, não é imaginária.
Porém, como dissemos anteriormente, toda
percepção de dor no nosso corpo passa
cérebro. Portanto
necessariamente pelo nosso cérebro
emocional como estresse,
toda alteração emocional,
depressão, ansiedade, pânico, traumas e
decepções importantes, pode desencadear ou
intensificar a sensação de dor dor. Por isso é
fundamental que a paciente com endometriose
reencontre seu equilíbrio emocional.
emocional
• Osteopatia: é uma técnica aplicada no Brasil por
fisioterapeutas, que visa ajudar o corpo a encontrar
seu equilíbrio e restabelecer sua melhora, através
de manipulações manuais, tanto de estruturas
como articulações e músculos, quanto vísceras. A
osteopatia entende o corpo humano como uma
unidade e, muitas vezes, os sintomas em um órgão
são reflexo de um problema ou disfunção em
outro lugar completamente diferente.

• Outros: vários outros tipos de tratamentos


complementares podem ser integrados no cuidado
e acompanhamento de pacientes com
endometriose e dor pélvica. Mas nunca devem
substituir um tratamento bem estabelecido e que já
se comprovou eficaz. A ideia desses tratamentos é
somar ao bem estar e melhora das pacientes,
sempre junto a outros tratamentos.
Como prevenir a recorrência

Quando falamos em recorrência da doença, nos


referimos, especificamente, às pacientes que já
fizeram cirurgia. Recorrência ou recidiva significa
que a doença voltou uma vez que já tinha sido
tratada. Acontece que a grande maioria dos casos
de recorrência não são por volta da doença, e sim
por persistência de lesões de endometriose que
não foram completamente removidas na cirurgia
anterior feita pela paciente. Por isso o tipo de
cirurgia é tão importante para esse critério: cirurgia
de excisão das lesões, por videolaparoscopia ou
cirurgia robótica.

Após realizada uma cirurgia adequada e completa,


podemos ajudar a prevenir a recorrência da doença
das seguintes formas:
• Uso de métodos contraceptivos hormonais:
hormonais com
o intuito de bloquear a ovulação ou ofertar mais
hormônios progestagênios na pelve, o uso de
contraceptivos hormonais é uma estratégia para
recorrência.
tentar postergar uma possível recorrência
Ressaltamos que, para quem fez uma cirurgia
inadequada,, ficando ainda com lesões, o uso
dessas medicações será muito menos eficaz para
sintomas.
evitar a recorrência dos sintomas

vida: as mesmas orientações


• Ajustes no estilo de vida:
para pacientes que sofrem com a endometriose
permanecem válidas para pacientes que operaram
endometriose, mesmo de forma excisional. Isso
porque esses 4 pilares do estilo de vida podem
estar associados na formação de novas lesões,
lesões
visto que a maioria das doenças crônicas precisam
de influências e fatores externos, ou seja, do
ambiente, para que os genes consigam ser
ativados e causar a doença. É o que chamamos de
epigenética. Portanto mesmo que você já esteja
livre da endometriose por uma cirurgia, mantenha
um estilo de vida saudável.
O Que Fazer Agora

Se você se identificou com os sintomas que


explicamos anteriormente ou se está com
dificuldade para engravidar, não demore para
agendar uma consulta com um ginecologista
especialista em Endometriose. Um diagnóstico
tardio da doença pode implicar em endometriose
mais avançada, agravamento dos sintomas e
sequelas e, consequentemente, tratamentos mais
complexos. Lembre-se de que o diagnóstico desta
doença pode demorar até 10 anos para ser feito.
Se você conhece alguém que sofre com muitas
cólicas e dores pélvicas, também não custa
orientar. Muitas mulheres não sabem dessa
possibilidade e afirmam que é “normal” sentir
tantas cólicas.
Conclusão

A endometriose é uma doença muito prevalente


entre as mulheres e traz um impacto relevante
sobre a saúde, fertilidade e bem-estar. Seus
sintomas são variados e, por vezes, pode não
apresentar sintomas, o que torna seu diagnóstico
difícil e desafiador. O impacto que essa doença
causa à vida da mulher vai muito além de dores
físicas. Muitas pacientes vêem sua vida profissional
comprometida, como também a vida conjugal com
seu parceiro ou parceira, pelo impacto causado na
saúde sexual ou fertilidade. Incompreensão de
amigos, colegas e até mesmo da família. As
sequelas que essa doença pode deixar na vida de
uma mulher são imensuráveis. Portanto uma
avaliação bem feita, com um ginecologista
especialista em endometriose e dor pélvica e,
principalmente, humano, é fundamental para um
diagnóstico preciso e um tratamento eficaz,
precoce e completo.
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Qi Cao, Fang Lu, et al. Comparison of complete and


incomplete excision of deep infiltrating endometriosis. Int J
Clin Exp Med 2015;8(11):21497-21506.
Se você se identificou com algum dos sintomas no
decorrer da leitura deste eBook, procure um
especialista para uma avaliação e tratamentos
adequados!

Sentir dores não é normal. Você não está sozinha e


não precisa lutar sozinha. Espero que tenha
aproveitado a leitura e que, a partir dessas
informações, já consiga estabelecer uma melhora
da sua qualidade de vida!

Um grande abraço!

Dr Tomyo Arazawa
CRM-SP 120.351
RQE 34.728-1
Ginecologia
Endoscopia Ginecológica

11 3582-1335 11 94119-4790

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Dr Tomyo Arazawa
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