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SUMÁRIO

1.Introdução 3
2.Introdução aos Contratos Futuros 4
3.Principais Contratos Futuros 6
3.1. Contratos Futuros do Ibovespa 6
3.2. Futuro de Dólar 8
3.3. Futuro de S&P 500 9
3.4. Outros contratos futuros 10
3.4.1. Futuro de Boi Gordo 10
3.4.2. Futuro de Milho 10
3.4.3. Café Arábica 11
3.4.4. Futuro de Euro 11
3.5. Contratos sem liquidez - Mercado de Balcão 13
4. Alavancagem 14
4.1. Operações do tipo swing trade: 14
4.2. Operações do tipo day trade 15
5. Mercado a termo 16
6. Mercado de Opções 17
7. Contratos de Swap 18
7.1. Futuro de DI 19
7.2. Swap Cambial 21
7.3. Swap Cambial Reverso 21
7.4. Swap de Cupom de IPCA 21
8. Tributação de Derivativos 21
8.1. Compensação de prejuízos 22
9. Gerenciamento de Risco 23
Bibliografia 25
DERIVATIVOS

Caro aluno, bem-vindo à disciplina “Derivativos: Conceitos, Ambientes de Negociação e Principais


Contratos Futuros”. Ela é uma introdução ao mercado de derivativos, na qual veremos a definição
do termo, onde e como os derivativos são negociados e quais são suas possíveis aplicações no
mundo dos investimentos. Conheceremos também quais são os principais contratos futuros ne-
gociados na bolsa brasileira e de que forma eles podem ser úteis aos investidores.

1. INTRODUÇÃO

Podemos definir um derivativo como um contrato que deriva de um ativo original. Um exemplo
básico é o seguro de automóvel. Ele é um contrato assinado entre duas partes, o dono do auto-
móvel e a seguradora. O contratante paga à seguradora um prêmio cujo valor deriva do valor do
ativo original que está sendo segurado.

Embora hoje em dia tenhamos contratos sofisticados de diversos tipos, os derivativos têm sua
origem em contratos antigos e bastante simples, celebrados em um contexto de produção agro-
pecuária.

Para entendermos a mecânica desses contratos, vamos considerar o exemplo de um agricultor


produtor de arroz. No momento presente, quando esse produtor começa a preparar a lavoura,
suponhamos que a saca de arroz é negociada a R$ 100. A venda do produto acontecerá somente
daqui a seis meses, quando ocorrer a colheita.

O agricultor, contudo, deseja se proteger das possíveis oscilações que podem afetar o preço do
arroz nesse período. Para isso, ele combina com um comprador a venda de 1.000 sacas de arroz
pelo preço de R$ 100 por saca, para entrega em seis meses. Tendo fechado o contrato, o produtor
já sabe que irá receber R$ 100.000 na liquidação. Portanto, essa operação aumenta a previsibili-
dade das receitas, permitindo que ele controle melhor os custos, como a compra de sementes, o
investimento em maquinário, etc.

A operação realizada pelo agricultor é chamada de hedge, um termo do inglês que pode ter di-
versos significados em português, mas que, no contexto dos investimentos, pode ser traduzido
como proteção. Em vez de plantar arroz no presente e só saber quanto vai receber no futuro, o
produtor se protege definindo agora o lucro máximo que poderá obter.

Mas e quanto à outra ponta do contrato? O que levaria o comprador a fechar esse acordo com o
produtor de arroz? Suponha ele seja um operador do mercado financeiro que, mediante análise,
concluiu que o preço do produto deve subir nos próximos meses. Diante dessa perspectiva, ele
celebra o contrato, compra as mil sacas e pode vendê-las daqui a seis meses por um preço supe-
rior a R$ 100 a saca, embolsando a diferença como lucro da operação.

Se o arroz cotado a R$ 100 no presente subir para R$ 300 a saca, o investidor terá um lucro de R$
200 mil, sem necessariamente ser produtor de arroz. Em contrapartida, se o preço cair de R$ 100
para R$ 60, por exemplo, ele perderá R$ 40 mil.

A operação realizada entre essas duas partes é alavancada. Isso significa que ela ocorre sem
que a parte compradora precise desembolsar dinheiro no presente. A liquidação financeira ocorre
apenas no vencimento do contrato.

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2. INTRODUÇÃO AOS CONTRATOS FUTUROS

Seguiremos considerando o caso do produtor de arroz para entendermos a mecânica dos contra-
tos futuros, um dos principais tipos de derivativos. Até aqui, vimos que o agricultor faz uma ope-
ração de hedge para se proteger da oscilação do preço do arroz. Ele fecha um contrato de venda
de 1.000 sacas de arroz para um investidor, pelo preço de R$ 100 por saca, para ser entregue em
seis meses.

Nessa operação, podemos notar os principais elementos de um contrato futuro. O ativo a que
se refere o contrato é uma saca de 60 quilogramas de arroz do tipo longo fino. O vencimento da
operação é em 30 de abril de 2020. A liquidação é física, ou seja, em seis meses, o investidor
receberá, de fato, as mil sacas de arroz. O local da entrega será a cidade de Rio Verde (GO).

As duas pontas do contrato devem considerar que há riscos envolvidos na operação:

Alta do preço: Nesse caso, o investidor corre o risco de não cumprimento do contrato por parte
do agricultor. Se o preço da saca do arroz, que hoje é de R$ 100, salta para R$ 700, o investidor
terá lucro de R$ 600 mil. Nesse novo cenário de preços, o agricultor poderia decidir não honrar o
contrato, vendendo sua produção a preço de mercado para embolsar os R$ 700 mil. No caso do
agricultor, a alta de preço representa a perda da oportunidade de ganhos mais expressivos. Ele
receberá R$ 100 do investidor por uma saca de arroz que, a mercado, vale R$ 700.

Queda de preço: O agricultor corre risco de descumprimento do contrato. Se o preço da saca de


arroz cair de R$ 100 para R$ 30, o investidor terá prejuízo de R$ 70 mil. Portanto, no dia da liquida-
ção do contrato, ele pode decidir não honrar o preço combinado de R$ 100 a saca. Já o investidor
corre risco de prejuízo, já que comprará por R$ 100 uma saca de arroz que, a mercado, vale R$ 30.

Sabendo desses riscos em potencial, ambos decidem registrar o contrato na Bolsa de Valores.
A instituição passa, então, a ser responsável por garantir que as obrigações sejam cumpridas
por ambos. Para tanto, a Bolsa exige que agricultor e investidor depositem R$ 20 mil cada. Essa
quantia é chamada de margem de garantia. Ela permanecerá em uma conta na instituição. Se
uma das partes descumprir o contrato, perde a margem depositada, que será repassada à outra
ponta. Se ambos cumprirem o contrato, cada um recebe de volta o valor depositado.

A margem exigida pela bolsa pode ser dinheiro em espécie, ações, títulos do Tesouro, CDB e
outros títulos bancários, dentre outros ativos. Nos casos em que a margem depositada não é
em espécie, o valor exigido pode ser maior. No caso do exemplo, supondo que o investidor não
dispusesse de dinheiro em espécie, mas tivesse ações da Petrobras, poderia deixar, digamos, R$
30 mil em ações como garantia.

Mesmo com a chamada de margem por parte da Bolsa, ainda a maior parte do valor em nego-
ciação permanece descoberta. É necessário minimizar ainda mais o risco das duas partes. Para
isso, será usado o mecanismo de ajuste diário da operação.

As negociações de contratos futuros têm soma zero, ou seja, o ganho de uma das partes é nu-
mericamente igual à perda da contraparte. Se o preço da saca de arroz sobe de R$ 100 para R$

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102, por exemplo, o investidor aufere lucro de R$ 2 mil. O agricultor que vende o produto ao preço
de R$ 100 por saca deixa de ganhar os mesmos R$ 2 mil.

Para diminuir o risco que ambos correm ao longo da operação, em vez de pagamento e recebi-
mento serem feitos apenas no vencimento, é feito o ajuste diário. Para entender o mecanismo de
ajuste, considere o exemplo a seguir:

Investidor - aposta na alta do preço do arroz, para lucrar vendendo por um preço as sacas com-
pradas por R$ 100 cada.

Agricultor - aposta na queda do preço do arroz e fecha a operação para garantir um preço de R$
100 por saca.

Dia 1: O contrato é fechado ao preço de R$ 100 por saca, para 1.000 sacas, com vencimento em
4 dias.

Dia 2: preço da saca sobe para R$ 101.

Investidor: ganha R$ 1,00 por saca, tendo lucro total de R$ 1.000.

Ajuste: agricultor transfere R$ 1.000 para a conta do investidor

Dia 3: preço da saca sobe para R$ 103.

Investidor: ganha mais R$ 2,00 por saca, tendo lucro total de R$ 2.000

Ajuste: agricultor transfere R$ 2.000 para a conta do investidor.

Dia 4: preço da saca cai para R$ 102.

Investidor: tem prejuízo de R$ 1,00 por saca, totalizando R$ 1.000.

Ajuste: investidor transfere R$ 1.000 para a conta do agricultor.

No quarto dia, com o vencimento do contrato, temos as seguintes posições líquidas:

Investidor:

Dia 1 - Lucro de R$ 1.000

Dia 2 - Lucro de R$ 2.000

Dia 3 - Prejuízo de R$ 1.000

Resultado líquido: 1.000 + 2.000 -1.000 = 2.000

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Agricultor:

Dia 1 - Prejuízo de R$ 1.000

Dia 2 - Prejuízo de R$ 2.000

Dia 3 - Lucro de R$ 1.000

Resultado Líquido: -1.000 -2.000 + 1.000 = -2.000

Vale destacar que as duas partes envolvidas no contrato devem depositar na Bolsa, além da
margem de garantia, uma quantia adicional, em espécie, que será destinada à realização desses
ajustes diários. Portanto, se uma das partes deposita ações como garantia, ainda terá que apre-
sentar dinheiro em espécie para a cobertura dos ajustes.

3. PRINCIPAIS CONTRATOS FUTUROS

Conheceremos, a seguir, os principais contratos futuros negociados na B3, a Bolsa de Valores


Brasileira, e o funcionamento de cada um deles. Esses contratos são negociados no chamado
mercado futuro.

Todos os contratos negociados nesse mercado são padronizados, tendo a B3 como definidora
das margens, dos ajustes diários, das datas de vencimento, dos lotes-padrão, do multiplicador,
dentre outros fatores. Essa padronização dá maior liquidez aos contratos, já que isso facilita as
operações e também é fonte de segurança para a realização das operações.

Uma característica importante do mercado futuro é que a contraparte não é conhecida. Ou seja,
os contratos não são firmados entre um agricultor e um investidor, como no exemplo que consi-
deramos. O investidor simplesmente compra ou vende um contrato, apostando na alta ou na que-
da do preço do ativo, respectivamente. Para desfazer a posição antes do vencimento do contrato,
ele realiza a operação inversa, também sem uma contraparte definida.

3.1. Contratos Futuros do Ibovespa

Um dos principais contratos negociados é o Contrato Futuro de Índice Bovespa (Ibovespa). O


Ibovespa é uma carteira teórica de ações que reflete o desempenho dos principais papéis do
mercado brasileiro. Se em um determinado pregão o Ibovespa tem alta de 1%, isso significa que,
em média, as ações do mercado brasileiro subiram 1%.

Atualmente, a carteira do Ibovespa é composta por cerca de 70 ativos. Se um investidor acredita


que o mercado de ações brasileiro passa por um bom momento e deseja replicar o desempenho
do Ibovespa, uma das opções seria comprar cada uma das ações que compõem o índice, nas
respectivas proporções. Considerando que o patrimônio desse investidor seja de R$ 100 mil e
assumindo que o peso das ações do Itaú Unibanco no índice seja de 9%, ele teria de comprar R$
9 mil em papéis do banco.

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Para montar a carteira, o investidor teria elevados custos operacionais, e teria de dispor grande
quantidade de tempo realizando as operações. Além disso, a composição do Ibovespa é rebalan-
ceada periodicamente, de acordo com critérios de volume negociado e liquidez. Portanto, a cada
rebalanceamento, esse investidor teria de adequar sua carteira.

Outra opção seria investir em contratos futuros de Ibovespa. Em uma das pontas do contrato
está o investidor que aposta na alta do índice, o qual montará uma posição comprada. Na outra
ponta, haverá outro investidor que aposta na queda do Ibovespa.

O contrato do nosso exemplo, celebrado entre o investidor e o agricultor, com parâmetros estabe-
lecidos para aquela situação específica, é mais raro na B3. Em geral, os contratos futuros nego-
ciados na bolsa são padronizados e negociados por um grande número de investidores.

O Futuro de Ibovespa é o principal contrato futuro de índice da B3. Ele é negociado com o código
IND, e o ativo de origem é o Índice Bovespa. O valor monetário do contrato será uma função do
valor cotado do índice e do multiplicador do contrato. Para o IND, o multiplicador é igual a 1 (1x).

Exemplo: Considere que a cotação do Ibovespa atual é de 100 mil pontos. Cada contrato de IND
será negociado, portanto, a:

Valor do contrato = cotação do índice x multiplicador

Valor do contrato = 100.000 x 1 = R$ 100.000

Os contratos de IND são negociados apenas em lotes de 5. Portanto, o investidor que desejar
operar esse derivativo terá uma exposição de:

100.000 x 1 x 5 = R$ 500.000

Caso ele deseje aumentar sua posição em IND, terá de negociar outro lote de 5 contratos, aumen-
tando sua exposição para R$ 1 milhão.

O vencimento dos contratos ocorre sempre na quarta-feira mais próxima do dia 15 dos meses
pares (fevereiro, abril, junho, agosto, outubro e dezembro).

A liquidação dos contratos é financeira. Isso significa que, se o Ibovespa subir de 100 mil para
150 mil pontos, o investidor em IND que estiver apostando na alta receberá R$ 50 mil em espécie,
e não o equivalente em ações do índice.

Dados os valores elevados envolvidos, a negociação de contratos futuros de Ibovespa é feita por
grandes investidores, mas é inacessível ao pequeno investidor. Para atender a esse público, a
Bolsa criou os minicontratos de Ibovespa.

O Futuro de Ibovespa MINI é negociado com o código WIN, e também tem como ativo de refe-
rência o Ibovespa. O multiplicador desse contrato é de 0,2 vezes, e os contratos são operados
em unidades.

Exemplo: Futuro de Ibovespa MINI

Cotação do Ibovespa: 100 mil pontos

Exposição mínima do investidor = número de contratos x cotação do Ibovespa x multiplicador

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Exposição mínima do investidor = 1 x 100.000 x 0,2 = R$ 20.000

Nesse caso, os valores envolvidos são mais acessíveis a investidores com menos recursos. Se
um trader desejar aumentar sua posição em WIN, ele poderá negociar outro contato, aumentan-
do em mais R$ 20 mil sua exposição.

3.2. Futuro de Dólar

Outro contrato importante negociado na Bolsa é o Futuro de Dólar, cujo código é DOL. O ativo de
referência é o dólar ptax. A ptax é a taxa de câmbio oficial no Brasil. Ela é calculada diretamente
pelo Banco Central, como uma média das taxas praticadas pelas instituições que servem como
seus intermediários no mercado aberto, os dealers.

O Bacen solicita aos dealers quatro boletins diários com as ofertas de compra e venda da moeda
americana. Nesses boletins, os próprios dealers calculam a taxa média das operações. O Bacen,
então, calcula a média aritmética das taxas de compra e de venda dos boletins do dia.

A Ptax definida no último pregão de cada mês é usada como referência para a maior parte dos
contratos cambiais do mês seguinte. Por isso, os investidores tendem a “brigar” para conseguir
cotações que favoreçam suas posições, aumentando assim a volatilidade do câmbio no fim do
mês.

Assim como ocorre com o Futuro de Ibovespa, o Futuro de Dólar expõe o investidor a valores ele-
vados. Cada contrato equivale a US$ 1.000, portanto, se a cotação da PTAX for de R$ 4,00 por dó-
lar, a cotação do futuro será de aproximadamente 4.000 pontos. Além disso, cada contrato expõe
o investidor a US$ 50 mil. Com estes dados, pode-se então calcular o multiplicador dos contratos
futuros de dólar, que será igual a 50 vezes. A negociação é feita em lotes-padrão de 5 contratos.

Portanto, se a PTAX do momento da negociação for de R$ 4,00 por dólar, a exposição mínima do
investidor será de:

Exposição mínima do investidor = número de contratos x cotação do Dólar x multiplicador

Exposição mínima do investidor = 5 x 4.000 x 50 = R$ 1.000.000

Se esse investidor desejar aumentar sua posição, só poderá fazê-lo de um em um milhão de reais.

O vencimento dos contratos DOL ocorrem todos os meses, no primeiro dia útil do mês de ven-
cimento. A liquidação é financeira. Portanto, se um investidor negocia Futuro de Dólar, ele não
receberá a moeda americana em espécie, e sim, a diferença entre o preço de compra e o de ven-
cimento em reais, de acordo com a ptax do dia.

O contrato mais acessível ao pequeno investidor é o Futuro de Dólar Mini, cujo código é WDO. O
ativo de referência também é o dólar ptax e o multiplicador é de 10 vezes. O lote padrão nego-
ciado é de 1 contrato.

Cotação do futuro de dólar: 4.000

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Quantidade: 1 contrato

Exposição mínima = cotação x multiplicador x número de contratos

Exposição mínima = 4.000 x 10 x 1 = R$ 40.000

Caso o investidor deseje aumentar sua posição, poderá negociar outro contrato de R$ 40.000.

3.3. Futuro de S&P 500

O Futuro de S&P 500 é um contrato feito pela B3 em parceria com o CME Group, conglomerado
que é dono da Bolsa de Chicago, nos Estados Unidos. Esse derivativo permite que um investidor
negocie hoje a expectativa de preço futuro para o portfólio de ações representado pelo Índice S&P
500, um dos índices de maior representatividade no mercado financeiro mundial.

Calculado e divulgado pela Standard & Poor’s, o Índice S&P 500 busca refletir um portfólio diversi-
ficado de ações de 500 companhias norte-americanas líderes nos principais setores econômicos
(tecnologia, financeiro, saúde, consumo, indústria, materiais e serviços públicos). Consequente-
mente, o índice acaba por ser também um indicador geral do mercado de ações norte-americano,
dado que o valor de mercado das ações cobertas pelo índice equivale a aproximadamente 80%
da capitalização de mercado das companhias negociadas na bolsa de ações de Nova Iorque
(NYSE).

O código de negociação do Futuro de S&P é ISP. O multiplicador do ISP é de 50 vezes, e o lote


padrão negociado é de 1 contrato.

Se o S&P 500 estiver cotado a 3.000 pontos, a exposição mínima do investidor será de:

Exposição mínima = cotação do índice x quantidade de contratos x multiplicador

Exposição mínima = 3.000 x 1 x 50 = US$ 150.000

Para saber sua exposição em reais, o investidor deverá multiplicar esse valor pela ptax do fim do
dia.

Os vencimentos dos contratos ocorrem nos meses de março, junho, setembro e dezembro,
sempre na terceira sexta-feira do mês. A liquidação dos contratos é financeira.

Assim como no caso dos contratos anteriores, existe também um contrato “mini” de Futuro de
S&P 500, dando acesso a investidores com menos recursos disponíveis para operar. O Futuro de
S&P Mini é negociado com o código WSP, e também tem como ativo de referência o índice S&P
500. O multiplicador desse contrato é de 2,5 vezes. As datas de vencimento ocorrem em março,
junho, setembro e dezembro, sempre na terceira sexta-feira do mês.

Exemplo: S&P a 3.000 pontos

Quantidade: 1 contrato

Exposição mínima = quantidade de contratos x cotação do índice x multiplicador

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Exposição mínima = 1 x 3.000 x 2,5 = US$ 7.500

3.4. Outros contratos futuros

Os contratos futuros de Ibovespa, dólar e S&P estão entre os mais líquidos da Bolsa brasileira.
Existem ainda outros contratos negociados na B3, mas com liquidez menor em comparação com
os contratos futuros de dólar e índices. Esses contratos são, em sua maioria, de commodities
agrícolas e outras moedas, como o euro.

3.4.1. Futuro de Boi Gordo

O Boi Gordo, atualmente, é uma das principais commodities do Brasil, já que o país é um dos
maiores exportadores de carne bovina do mundo. Para evitar as oscilações dos preços, o produ-
tor pode recorrer ao Futuro de Boi Gordo, para determinar o preço do boi antecipadamente.

O contrato foi desenvolvido com o objetivo de ser uma ferramenta para a gestão do risco de os-
cilação de preço, sendo utilizado pelos participantes do mercado, como o produtor, empresas de
corte, tradings, dentre outros.

O ativo objeto do contrato tem características bem definidas: bovinos machos, com 16 arrobas
líquidas ou mais de carcaça e idade máxima de 42 meses. O código do contrato é BGI, e o multi-
plicador é de 330 vezes. O lote padrão negociado é de 1 contrato. Os vencimentos de contratos
ocorrem no último dia útil de cada mês.

A liquidação dos contratos é financeira. Portanto, no vencimento, o investidor não recebe os ani-
mais de fato, mas a diferença entre o preço inicial e o de vencimento.

Se um contrato está sendo negociado a R$ 160, a exposição mínima do investidor é:

Exposição mínima = número de contratos x cotação x multiplicador

Exposição mínima = 1 x 160 x 330 = R$ 52.800

3.4.2. Futuro de Milho

O milho é usado pela indústria para produzir diversos produtos como o óleo vegetal, o farelo, a
farinha, o fubá e o creme para o setor alimentício. Como a produção de milho no Brasil é realizada
em vários locais, há oferta suficiente em boa parte do ano. No entanto, a grande parte das nego-
ciações acontece nos períodos de safra e entressafra.

O contrato foi desenvolvido com o objetivo de ser uma ferramenta para a gestão do risco de os-
cilação de preço, sendo utilizado pelos participantes do mercado, como o produtor, a indústria,

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tradings, dentre outros.

O ativo objeto é o milho em grão a granel, com odor e aspectos normais, duro ou semiduro e
amarelo.

O código do contrato é CCM, e o multiplicador é de 450 vezes. O lote padrão negociado é de 1


contrato. Os vencimentos de contratos ocorrem no dia 15 do mês de vencimento (janeiro, mar-
ço, maio, julho, agosto, setembro e novembro). A liquidação dos contratos é financeira.

Se um contrato está sendo negociado a R$ 40, a exposição mínima do investidor é:

Exposição mínima = número de contratos x cotação x multiplicador

Exposição mínima = 1 x 40 x 450 = R$ 18.800

3.4.3. Café Arábica

O café é uma commodity mundialmente consumida e a produção brasileira tem grande relevân-
cia no mercado nacional e internacional, em especial do grão arábica. O Brasil está entre os prin-
cipais exportadores da commodity.

O contrato foi desenvolvido com o objetivo de ser uma ferramenta para a gestão do risco de os-
cilação de preço, sendo utilizado pelos participantes do mercado, como o produtor, a indústria,
tradings, dentre outros.

Além disso, esse contrato pode ser liquidado financeiramente antes do vencimento ou com
liquidação em espécie no vencimento. Nesse caso, ocorre a entrega física da mercadoria nos
armazéns cadastrados junto à B3.

O ativo objeto é o café cru, em grão, de produção brasileira, coffea arabica, tipo 4-25 (4/5) ou me-
lhor, bebida dura ou melhor, para entrega no Município de São Paulo.

O código do contrato é ICF, e o multiplicador é de 100 vezes. O lote padrão negociado é de 1


contrato. Os vencimentos de contratos ocorrem no sexto dia útil anterior ao último dia útil do
mês do vencimento (março, maio, julho, setembro e dezembro).

Se um contrato está sendo negociado a R$ 120, a exposição mínima do investidor é:

Exposição mínima = número de contratos x cotação x multiplicador

Exposição mínima = 1 x 120 x 100 = R$ 12.000

3.4.4. Futuro de Euro

O Contrato Futuro de Euro pode servir para proteção ou especulação sobre o preço da moeda em
data futura, assim como para investidores que, por exemplo, tenham recebíveis em euros, ou ex-

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posição para pagamentos de passivos na moeda em datas futuras ou até mesmo negociar sobre
a tendência da moeda no futuro e assim auferir lucro.

Esse contrato possui alguma liquidez na B3, mas ela é bem menor do que a dos contratos de
Futuro de Dólar.

O contrato principal de euro é negociado com o código EUR, e tem multiplicador de 50 vezes. O
lote padrão é de 5 contratos. O vencimento ocorre no primeiro dia útil de todos os meses e a
liquidação é financeira.

Cada contrato equivale a € 1.000, mas o valor monetário ainda depende do multiplicador.

Se a cotação do contrato futuro de euro estiver em 4.500 pontos, a exposição mínima do investi-
dor que negociar um lote padrão será:

Exposição mínima = cotação x número de contratos x multiplicador

Exposição mínima = 4.500 x 5 x 50 = R$ 1.125.000

Para os investidores com menos recursos, há a possibilidade de operar o contrato Futuro de Euro
Mini, cujo código é WEU. Esse contrato tem as mesmas características do Futuro de Euro “cheio”,
exceto pelo multiplicador, que é de 10 vezes, e o lote padrão, que é de um contrato.

Se a cotação do futuro de euro estiver em 4.500 pontos, a exposição mínima do investidor que
negociar um lote padrão de WEU será:

Exposição mínima = cotação x número de contratos x multiplicador

Exposição mínima = 4.500 x 1 x 10 = R$ 45.000

Há ainda o contrato futuro de euro em relação ao dólar, negociado com o código EUP. Esse con-
trato tem características idênticas ao WEU. A exceção é o câmbio, que, em vez de real-euro será
dólar-euro. Nesse caso, o valor da exposição será calculado usando a ptax do dia para fazer a
conversão entre as duas moedas.

A tabela a seguir traz um resumo dos contratos futuros de euro:

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3.5. Contratos sem liquidez - Mercado de Balcão

Existem outros contratos futuros de commodities na B3 que os investidores terão dificuldades


para operar. A maioria deles praticamente não tem ordens de negociação enviadas. Dentre eles,
estão os futuros de açúcar cristal, soja, etanol anidro, petróleo, ouro, etc.

Tais contratos podem ser negociados pelos investidores no mercado de balcão. Nesse mercado,
contratos bilaterais são negociados fora da Bolsa. Suponha, por exemplo, que um investidor de-
seja negociar contratos futuros de petróleo, mas não há ofertas no ambiente de Bolsa. Ele pode
entrar em contato com sua corretora e informar que deseja adquirir 100 contratos de petróleo ao
preço de US$ 80 por barril.

A corretora entrará em contato com diversos investidores, em busca de um que deseje fechar
negócio nas condições apresentadas. No modelo de mercado de balcão, a negociação do preço
é feita fora do padrão da bolsa, sendo necessária a intermediação de um corretor.

No mercado de balcão não-organizado, o contrato é feito diretamente com a contraparte, sem


um padrão. O corretor terá de revelar quem é a contraparte para que o negócio seja fechado. Há
maiores riscos envolvidos, portanto. As partes definem as margens que deverão ser depositadas,
se e como será feito o ajuste diário, dentre outras características.

Existe ainda a possibilidade de registrar operações como essas na Bolsa, no chamado mercado
de balcão organizado. Nesse caso, a B3 é responsável por definir a margem que chamará dos
investidores, e vai calcular o ajuste diário. Portanto, o corretor não irá revelar quem é a contra-
parte da operação.

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4. ALAVANCAGEM

Uma das características mais interessantes dos derivativos em geral, incluindo os contratos futu-
ros, é a possibilidade de alavancagem. De modo genérico, podemos definir alavancagem como o
ato de operar volumes financeiros maiores do que o próprio patrimônio, ou ainda, operar grandes
volumes com apenas uma fração dos recursos. Os derivativos são usados pelos investidores
para multiplicar os resultados. A partir de um pequeno esforço financeiro, torna-se possível am-
pliar os ganhos (e também as perdas).

No caso dos contratos futuros, os investidores podem operar grandes quantias desembolsando
valores bem menores como margem de garantia. Veja nos exemplos a seguir como é possível
alavancar os resultados operando contratos futuros em operações de swing trade e day trade. As
operações de swing trade são aquelas realizadas em um dia para encerramento da posição no
dia seguinte, ou alguns dias depois. Já as operações de day trade são abertas e encerradas no
mesmo dia.

4.1. Operações do tipo swing trade:

Exemplo 1 - Swing trade - Futuro de Ibovespa Mini

- Lote padrão: 1 contrato

- Cotação: 100.000 pontos

- Multiplicador: 0,2

- Margem: R$ 2.000 por contrato

A exposição mínima do investidor será:

Exposição mínima = quantidade de contratos x cotação x multiplicador

Exposição mínima = 1 x 100.000 x 0,2 = R$ 20.000

Com R$ 2.000 depositados como margem de garantia, o investidor consegue montar uma ope-
ração de R$ 20.000 reais. Isso equivale a uma alavancagem de 10 vezes. Caso esse investidor
tivesse R$ 10.000 para investir, poderia operar um volume de R$ 100.000.

Exemplo 2 - Swing trade - Futuro de Dólar Mini

- Lote padrão: 1 contrato

- Cotação: R$ 4,00 x 1.000

- Multiplicador: 10

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DERIVATIVOS

- Margem: R$ 3.000 por contrato

A exposição mínima do investidor será:

Exposição mínima = quantidade de contratos x cotação x multiplicador

Exposição mínima = 1 x 4.000 x 10 = R$ 40.000

Com R$ 3.000 depositados como margem de garantia, o investidor consegue montar uma ope-
ração de R$ 40.000 reais. Isso equivale a uma alavancagem de 13,3 vezes. Caso esse investidor
tivesse R$ 10.000 para investir, poderia operar um volume de R$ 133.333,33.

4.2. Operações do tipo day trade

Nas operações de day trade, as margens de garantia exigidas pela Bolsa são bem menores do
que nas de swing trade. Isso acontece porque os riscos envolvidos em uma operação aberta e
encerrada no mesmo dia são menores do que os de operações com duração de vários dias.

Em um período mais longo, uma série de fatores como instabilidades políticas, divulgação de
indicadores econômicos, declarações de políticos importantes no cenário global podem mexer
com os mercados e afetar o comportamento dos ativos de referência, mexendo também com os
derivativos.

Em negociações de apenas um dia há menor probabilidade de ocorrerem eventos inesperados.


Há ainda um maior controle da carteira do cliente por parte da Bolsa e da corretora. Se a volati-
lidade aumentar durante o dia em decorrência de alguma notícia importante, capaz de deixar o
mercado tenso, pode ser que as margens dos contratos também aumentem.

Se o investidor não tiver como cobrir esse aumento da margem, a corretora vai diminuir ou até
mesmo zerar a posição desse investidor, como forma de mitigar os riscos.

Por ter margens menores, em operações de day trade os investidores conseguem alavancagens
muito maiores, conforme os exemplos a seguir:

Exemplo 3 - Day trade - Futuro de Ibovespa Mini

- Lote padrão: 1 contrato

- Cotação: 100.000 pontos

- Multiplicador: 0,2

- Margem: R$ 25 por contrato

Exposição mínima = quantidade de contratos x cotação x multiplicador

Exposição mínima = 1 x 100.000 x 0,2 = R$ 20.000

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DERIVATIVOS

Com R$ 25 depositados como margem de garantia, o investidor consegue montar uma operação
de R$ 20.000 reais. Isso equivale a uma alavancagem de 800 vezes. Caso esse investidor tivesse
R$ 10.000 para investir, poderia operar um volume de R$ 8.000.000.

Exemplo 4 - Day trade - Futuro de Dólar Mini

- Lote padrão: 1 contrato

- Cotação: R$ 4,00 x 1.000

- Multiplicador: 10

- Margem: R$ 25 por contrato

Exposição mínima = quantidade de contratos x cotação x multiplicador

Exposição mínima = 1 x 4.000 x 10 = R$ 40.000

Com R$ 25 depositados como margem de garantia, o investidor consegue montar uma operação
de R$ 40.000 reais. Isso equivale a uma alavancagem de 1.600 vezes. Caso esse investidor tives-
se R$ 10.000 para investir, poderia operar um volume de R$ 16.000.000.

5. MERCADO A TERMO

No mercado a termo, um investidor se compromete a comprar ou vender determinado ativo por


um preço combinado. Essa compra ou venda se dará na data de vencimento, quando a operação
for liquidada.

O mercado a termo pode ser acessado, por exemplo, por um investidor que deseja aplicar em
ações, mas não tem recursos disponíveis no momento. Imagine que esse investidor tem R$
50.000 aplicados em títulos do Tesouro. Em determinado momento, ele enxerga uma oportuni-
dade de lucro com ações da Petrobras, mas não dispõe de recursos suficientes para aproveitar.
Se resolver resgatar sua aplicação em títulos públicos, pode ser que, no momento em que os
recursos ficarem disponíveis, a oportunidade de investimento já tenha passado.

Ele pode recorrer a um contrato a termo de ações. A operação funciona da seguinte maneira:
o investidor entra em contato com a corretora por meio da qual opera e diz que deseja adquirir
1.000 ações da Petrobras, que, naquele momento, estão sendo negociadas a R$ 25,00 cada. O
investidor cota um empréstimo com a corretora pelo período de 30 dias, para adquirir as ações.
A corretora informa a ele que os juros são de 0,56% ao período, aproximadamente equivalente ao
CDI de um mês.

Considerando essa taxa de juro, na prática, para o investidor, o preço da ação da Petrobras será
de R$ 25,00 mais 0,56% sobre esse valor (R$ 0,14). Portanto, o preço será equivalente a R$ 25,14.

Ao fechar a operação, a corretora adquire 1.000 ações da Petrobras, desembolsando R$ 25.000.

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DERIVATIVOS

As ações passam a ser do investidor, que assume o compromisso de devolver à corretora R$


25.140 no vencimento do contrato.

Se as ações da Petrobras subirem para R$ 26,00, ao liquidar o contrato, o investidor receberá R$


26.000. Ele pagará R$ 25.140 à corretora e embolsará um lucro de R$ 880,00 (sem considerar
impostos e custos operacionais).

Por outro lado, se as ações caírem para R$ 24,00, ao liquidar o contrato, o investidor receberá R$
24.000, e terá de pagar R$ 25.140 para a corretora, sofrendo um prejuízo de R$ 1.140, que deverá
ser depositado na conta da corretora, ou poderá ser pago com os títulos públicos que ele tem em
carteira.

No mercado a termo, os juros são definidos no início da operação. Portanto, quer o investidor
liquide o contrato em apenas dois dias, quer espere até o vencimento, em 30 dias, ele pagará
0,56% de juros sobre o valor do empréstimo.

Além disso, as operações a termo exigem que o investidor deposite uma margem de garantia, já
que está operando alavancado, com recursos que superam seu patrimônio. No mercado a termo
não há ajuste diário, portanto, não é preciso fazer depósitos adicionais para cobertura. O ajuste
ocorre apenas na liquidação do contrato.

6. MERCADO DE OPÇÕES

Outro tipo de derivativos muito usado no mercado brasileiro são as opções. Uma opção é, basi-
camente, um direito que pode ser exercido por seu detentor. O exemplo clássico de uma opção é
o do seguro de automóvel. Contratar um seguro para o carro equivale a comprar uma opção de
venda do carro. O segurado paga um prêmio à seguradora e passa a ter o direito de vender seu
carro para ela por determinado preço, digamos, o valor de mercado.

Geralmente, os contratos de seguro de automóvel têm duração de um ano. Se durante esse pe-
ríodo não ocorrer nenhum sinistro, o dono do carro terá um prejuízo equivalente ao prêmio que
pagou à seguradora. Porém, caso ocorra um sinistro, como um acidente que resulte em perda
total do veículo, ele terá o direito de receber da seguradora o valor do carro. Na prática, é como se
o proprietário vendesse seu carro, que após o acidente praticamente não terá valor, pelo valor de
mercado. Nesse caso, o lucro do proprietário será o valor do veículo subtraído do prêmio pago à
seguradora na contratação do seguro.

Quem compra uma opção adquire um direito contra uma contraparte. Por outro lado, quem vende
uma opção, passa a ter uma obrigação para com a contraparte.

Assim como os demais derivativos, as opções possuem vencimento definido, são negociadas
com um código específico e têm como referência um ativo. Mas, diferente dos contratos futuros,
o titular de uma opção não precisa depositar margem, porque seu risco é a perda do prêmio pago
para adquirir a opção.

Já o vendedor de opções precisa depositar margem, já que, se for exercido, terá de apresentar
recursos para cobrir os exercícios.

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DERIVATIVOS

O mercado de opções não tem ajustes diários. A liquidação e os pagamentos ocorrem apenas
no dia do vencimento. Veremos em detalhes o mercado de opções na próxima disciplina deste
módulo.

7. CONTRATOS DE SWAP

O swap consiste em um acordo entre duas partes para troca de risco de uma posição ativa
(credora) ou passiva (devedora), em data futura, conforme critérios preestabelecidos. As trocas
(swaps) mais comuns são as de taxas de juro, moedas e commodities. No mercado de swap, o
investidor negocia a troca de rentabilidade entre dois bens (mercadorias ou ativos financeiros), a
partir da aplicação da rentabilidade de ambos a um valor em reais.

Para entendermos melhor como funciona o swap, vamos considerar um exemplo de troca de
indexador de uma dívida.

Considere que um empreendedor tem uma dívida de R$ 100.000, corrigida pelo CDI, e que vence
em três anos. O valor final a ser pago por ele será conhecido somente no vencimento, já que de-
penderá do CDI acumulado em três anos. Para evitar a imprevisibilidade da dívida pós-fixada, o
empreendedor decide realizar uma operação de swap de taxa pós fixada contra taxa prefixada.

Na prática, a operação se dá como se o empreendedor tivesse realizado duas operações:

- Uma aplicação em CDB no valor de R$ 100.000, por três anos, indexada ao CDI.

- Um empréstimo de R$ 100.000, com taxa prefixada de 8% ao ano, por três anos.

Essas duas operações serão as duas pontas do swap. Uma ponta apostando na alta do CDI (a
ponta pós fixada), e outra apostando na queda (a ponta prefixada).

Cenário 1 - CDI acumulado superior à taxa prefixada acumulada

Ao fim dos três anos, imagine que o CDI acumulado tenha sido de 33%. Nesse mesmo período, a
taxa pré acumulada é de 26%.

Na ponta pós fixada, que simula uma aplicação em CDB, o empreendedor ganharia 33% sobre os
R$ 100.000 aplicados, ou seja, R$ 33.000. Na ponta prefixada, que simula o empréstimo, o em-
preendedor teria de pagar 26% de juros sobre os R$ 100.000 emprestados, ou seja, R$ 26.000. O
resultado líquido desse swap é um ganho de R$ 7.000 para o empreendedor.

A dívida original era de R$ 100.000, indexada ao CDI, por três anos. Com um CDI acumulado de
33%, o empreendedor teria de pagar R$ 133.000 ao banco. Porém, tendo realizado o swap para
troca de indexador, o valor a ser pago será de R$ 126.000 (R$ 133.000 - R$ 7.000).

O quadro a seguir resume as operações do swap:

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Cenário 2 - CDI acumulado inferior à taxa prefixada acumulada

Em um cenário em que o CDI acumulado fosse inferior à taxa prefixada acumulada, o resultado
seria o mesmo. Imagine que o CDI em três anos tenha sido de 20%, enquanto a taxa pré foi de
26%.

Nesse caso, a ponta pós fixada ganharia 20% sobre os R$ 100.000, resultando em um lucro de
R$ 20.000. A ponta prefixada perderia 26% sobre os R$ 100.000, ou seja, R$ 26.000. O resultado
líquido desse swap é um prejuízo de R$ 6.000 para o empreendedor (-R$ 26.000 + R$ 20.000).

A dívida original era de R$ 100.000, indexada ao CDI, por três anos. Com um CDI acumulado de
20%, o empreendedor teria de pagar R$ 120.000 ao banco. Porém, tendo realizado o swap para
troca de indexador, o valor a ser pago será de R$ 126.000 (-R$ 120.000 - R$ 6.000).

O quadro a seguir resume as operações do swap:

Os resultados mostram que, de fato, houve a troca do indexador. Em ambos os cenários, o em-
preendedor passa a dever R$ 126.000, que é exatamente a correção de 8% ao ano sobre a dívida
inicial de R$ 100.000.

7.1. Futuro de DI

Os contratos futuros de DI negociados na B3 realizam exatamente esse tipo de operação, a tro-


ca de taxa do CDI (pós fixada) por uma taxa prefixada. Esses contratos são negociados com o

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código DI1, e têm como ativo subjacente a taxa média diária dos Depósitos Interfinanceiros (DI),
calculada e divulgada pela B3, compreendida entre a data de negociação, inclusive, e a data de
vencimento, exclusive. Eles são usados para proteção e gerenciamento de risco de taxa de juro
de ativos/passivos referenciados em DI.

O contrato futuro de DI é um contrato de swap padronizado. Tecnicamente, é um contrato futuro.


Em essência, um swap. O futuro de DI é considerado um contrato futuro por sua padronização
referente ao ativo-objeto, datas de vencimento, tamanho do contrato, etc. No entanto, ao se nego-
ciar este contrato, o comprador/vendedor está trocando a rentabilidade da taxa pré pelo CDI, ou
seja, fazendo um swap.

O contrato tem valor de R$100.000 na data de vencimento, e o valor na data de negociação (PU)
é igual ao valor de R$100.000 descontado pela taxa negociada. Como a posição é atualizada dia-
riamente pela Taxa DI, o investidor que carrega a posição até o vencimento recebe ajustes diários
que, somados, serão equivalentes à diferença entre a taxa de juro contratada e a realizada, sobre
o montante financeiro da operação.

O código de negociação DI1 dos contratos futuros de DI tem complementos que indicam o mês
e o ano de vencimento. Por exemplo, há um contrato negociado com o código DI1F23:

DI1 - indica o tipo de contrato; nesse caso, um contrato futuro de DI

F - indica o mês de vencimento; nesse caso, F equivale a Janeiro (veja na tabela a seguir os ven-
cimentos e as letras que os representam)

23 - ano de vencimento - 2023

Letra Mês de Vencimento


F Janeiro
G Fevereiro
H Março
J Abril
K Maio
M Junho
N Julho
Q Agosto
U Setembro
V Outubro
X Novembro
Z Dezembro

Quem compra o contrato futuro de DI aposta na alta do CDI. O investidor que estiver comprado
no contrato recebe a rentabilidade do CDI e paga taxa prefixada.

A contraparte opera vendida, apostando na queda do CDI. Portanto, ela receberá taxa pré e terá
de pagar se o CDI subir.

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DERIVATIVOS

7.2. Swap Cambial

Outro contrato de swap muito comum negociado na Bolsa é o contrato de swap cambial. O Banco
Central faz uso frequente desses contratos como instrumento de condução da política cambial
no país.

O principal instrumento usado pela autoridade monetária é o swap cambial tradicional, usado
para conter a alta do dólar. Ele equivale a uma posição vendida em dólar. Quando a intenção do
Bacen é fazer com que a taxa de câmbio diminua, valorizando o real (e desvalorizando o dólar,
consequentemente), é necessário aumentar a oferta dólar em circulação. Nesse caso, o Banco
Central utiliza o swap cambial tradicional operando vendido na ponta dólar do swap.

Essa operação tem um efeito equivalente ao da venda de dólares no mercado futuro. O Banco
Central paga a valorização do câmbio e recebe a rentabilidade indexada à taxa básica de juro
Selic. Ao leiloar os contratos de swap cambial tradicional, o Banco Central não precisa usar suas
reservas de dólar para conter a alta da moeda americana. Basta ter recursos suficientes para
bancar os ajustes periódicos.

7.3. Swap Cambial Reverso

Já quando a intenção do BC é aumentar a taxa de câmbio, desvalorizando o real (e valorizando


o dólar, consequentemente), é necessário diminuir a oferta de dólar de circulação. Para isso, o
BC usa o swap cambial reverso, que equivale a uma posição comprada na ponta dólar do swap.

Essa operação é o oposto do swap cambial tradicional, e tem efeito equivalente ao da compra de
dólares no mercado futuro. O Banco Central recebe dólar no caso da alta e paga taxa Selic.

7.4. Swap de Cupom de IPCA

Nesse contrato de swap, uma das pontas recebe taxa básica de juros Selic e paga IPCA, que é o
índice de inflação oficial do Brasil. Essa ponta, portanto, está apostando na queda da inflação. A
contraparte recebe IPCA e paga taxa Selic, apostando na alta da inflação.

8. TRIBUTAÇÃO DE DERIVATIVOS

Podemos dividir a tributação de derivativos entre operações de day trade (iniciadas e encerradas
no mesmo dia) e de swing trade (duração superior a um dia).

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DERIVATIVOS

As operações de day trade são tributadas pelo Imposto de Renda à alíquota de 20% sobre lucro
apurado no mês. Já as operações de swing trade têm alíquota de 15% sobre o lucro mensal.

O investidor soma todas as operações realizadas no mês, calcula o resultado líquido e aplica
sobre ele a alíquota adequada, dependendo do tipo de operação. O pagamento do Imposto de
Renda é feito pelo próprio investidor, via emissão de DARF (Documento de Arrecadação da Re-
ceita Federal). O investidor deve emitir apenas uma DARF que reunirá tanto o imposto devido em
operações de day trade quanto de swing trade.

Existe ainda o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), um marcador que coloca a operação no
“radar” da Receita Federal. Quem recolhe esse imposto é a própria corretora, que repassa o valor
à Receita Federal. No caso das operações de day trade, o IRRF é de 1% sobre o lucro apurado no
dia. Para as operações de swing trade, o IRRF é de 0,005% do lucro obtido na venda do ativo ou
derivativo.

Os ajustes diários realizados em operações com contratos derivativos são considerados opera-
ções de swing trade e, portanto, sobre os ajustes incidirá alíquota de 15%.

8.1. Compensação de prejuízos

Se o investidor tiver prejuízos em operações de day trade em um mês, mas lucar no mês seguinte,
ele pode compensar o prejuízo anterior com o lucro atual, para diminuir a base de cálculo do Im-
posto de Renda a ser pago. O mesmo vale para operações de swing trade. É importante destacar,
contudo, que a compensação só pode ser feita com operações de mesmo tipo (day trade com
day trade; e swing trade com swing trade).

Exemplo de tributação:

Março
Operação realizada: swing trade

Resultado líquido: prejuízo de R$ 8.000

Imposto de Renda sobre o lucro: não há

Imposto de Renda Retido na Fonte (apurado pela corretora e debitado da conta do cliente):
R$ 3,00
Operação realizada: day trade

Resultado líquido: lucro de R$ 4.000

Imposto de Renda sobre o lucro: 20% de 4.000 = R$ 800

Imposto de Renda Retido na Fonte (apurado pela corretora e debitado da conta do cliente):
R$ 12,00
Valor total da DARF emitida em março = R$ 800 - R$ 12 = R$ 788

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Abril
Operação realizada: swing trade

Resultado líquido: lucro de R$ 10.000

Imposto de Renda Retido na Fonte (apurado pela corretora e debitado da conta do clien-
te): R$ 4,00

Ao apurar o Imposto de Renda, o investidor pode descontar da base de cálculo o prejuízo


que teve em operações de swing trade no mês anterior.

Base de cálculo IR = lucro do mês - prejuízo passado

Base de cálculo IR = 10.000 - 8.000 = R$ 2.000

Imposto de Renda sobre o lucro: 15% de R$ 2.000 = R$ 300

O Imposto de Renda devido no mês terá o desconto do IRRF tanto no mês atual quanto no
mês em que houve prejuízo.

Imposto a Pagar (via DARF) = R$ 300 - R$ 3 - R$ 4 = R$ 293


Operação realizada: day trade

Resultado líquido: lucro de R$ 1.000

Imposto de Renda sobre o lucro: 20% de 1.000 = R$ 200

Imposto de Renda Retido na Fonte (apurado pela corretora e debitado da conta do clien-
te): R$ 6,00

Imposto a Pagar (via DARF) = R$ 200 - R$ 6 = R$ 194


Valor total da DARF emitida em abril = R$ 293 + R$ 194 = R$ 487

9. GERENCIAMENTO DE RISCO

Qualquer tipo de aplicação financeira requer do investidor medidas de gerenciamento de risco.


Como visto em disciplinas anteriores, até mesmo títulos públicos de renda fixa, se resgatados
antes do vencimento, podem fazer com que o investidor tenha prejuízos. Quando falamos em de-
rivativos, esse tema se torna ainda mais importante, dado o potencial de alavancagem que esses
instrumentos têm. Embora os ganhos em operações alavancadas possam ser significativos, as
perdas também podem ser ilimitadas, fazendo com que o investidor quebre.

Uma das formas de mitigar os riscos operando derivativos é usar esses instrumentos como hed-
ge, ou seja, para proteção da carteira. Assim, o investidor evita a alavancagem excessiva, limitan-
do o uso dos derivativos. Alguns exemplos comuns de uso de derivativos para proteção é a venda
de contratos futuros de Ibovespa para proteger uma carteira de ações. Caso o preço das ações
caia, o investidor ganhará ao operar na ponta vendida do contrato futuro de Ibovespa.

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No caso de traders que operam derivativos, outra forma de reduzir riscos, sobretudo relacionados
a fatores psicológicos, é realizar os negócios usando robôs. Um robô é um software pré-progra-
mado, que envia ordens automaticamente para a Bolsa. Usando esses softwares, o investidor
pode programar estratégias de compra e venda de derivativos, indicando gatilhos que, se atingi-
dos, farão com que a operação seja executada. Isso evita que o investidor tenha perdas exces-
sivas por causa da alavancagem. É possível, inclusive, programar o máximo de alavancagem
tolerada.

Normalmente, as corretoras oferecem aos clientes a contratação de sistemas de robôs que exe-
cutam ordens e controlam o nível de alavancagem automaticamente. É possível inserir estraté-
gias já prontas, validadas por traders experientes, ou então criar as próprias estratégias e progra-
mar o software de acordo com a necessidade.

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BIBLIOGRAFIA

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TOP. Mercado de Derivativos no Brasil: Conceitos, Produtos e Operações. 1ª Edição. B3; CVM,
2015.

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