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Fundamentos em Epidemiologia

Clínica

Medidas de Freqüência de Doenças

Regina Paiva Daumas

Sinopse
Epidemiologia: definição, objetivos, estratégias e aplicações
Relação entre população e indivíduos
Conceitos: Incidência e Prevalência
Conceitos: Razões, taxas e proporções
Medidas de incidência: Incidência acumulada e taxa de
incidência. Definições e aplicações.
Prevalência: Definição e aplicações.
Relação entre Incidência e Prevalência
O numerador: contando os casos de um agravo
O denominador: definindo a população sob risco
Taxas, razões e proporções mais utilizadas em epidemiologia

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Epidemiologia: definição, objetivos,
estratégias e aplicações
Definição: O estudo da distribuição e dos determinantes de
estados ou eventos relacionados à saúde em populações
especificadas e a aplicação deste estudo no controle dos
problemas de Saúde (Last, 2001).

Paradigma central: Os padrões de ocorrência de doença nas


populações podem ser analisados sistematicamente para
permitir o entendimento das causas e o controle das doenças.

Estratégia básica

Procurar diferenças e similaridades

Comparar e contrastar

Epidemiologia: definição, objetivos,


estratégias e aplicações
Requisito fundamental: Medidas válidas da freqüência das
doenças e dos fatores que podem influenciar as doenças.

Relação com a saúde pública, a clínica e a patologia.

Questões:
Como a doença varia no tempo
Como o lugar em que a população vive afeta o padrão de
ocorrência da doença
Como as características das pessoas na população afetam
este padrão

Ciência populacional

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Relação entre população e indivíduos

Estudo epidemiológicos agregam dados de experiências de


saúde individuais com intenção de generalizar os achados para
a população da qual os indivíduos provêm

Achados de estudos epidemiológicos aplicáveis diretamente a


populações. Apenas indiretamente a indivíduos – probabilidades

Políticas de saúde geralmente dirigidas a toda a população ou a


alguns subgrupos. Neste contexto, os efeitos das intervenções
podem ser medidos também diretamente.

Conceitos: Incidência e Prevalência

Incidência (de um agravo)

No casos novos em determinado período numa população

Prevalência

No casos (novos e antigos) em determinado momento numa


população

Geralmente, empregados como sinônimo das respectivas taxas

Números absolutos planejamento

Números relativos estudos analíticos

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Conceitos: Razões, taxas e proporções
Razão
Um número em relação a outro. Geralmente reservada em
epidemiologia para sumarizar a divisão de uma razão por outra.
Ex.: Razão de chances (odds), Razão de hazards
Taxa
É um tipo de razão. Em epidemiologia, geralmente com numerador
e denominador de qualidades diferentes
Ex.: Taxa de mortalidade infantil= No óbitos <1 ano
No nascidos vivos
Proporção
É uma razão em que a o numerador está contido no denominador.
Varia apenas de 0 a 1 (ou 0 a 100%)
Ex.: Mortalidade proporcional= No óbitos por DCV
No óbitos por todas as causas

Medidas de incidência:
Incidência acumulada e taxa de incidência

Numerador:
No casos novos de um agravo em determinado período numa
população
Denominador:
No invidíduos no início do período de observação (população
inicial)
ou
Somatório do tempo em que os indivíduos estiveram sob risco
de desenvolver a doença (tempos de observação)

A escolha do denominador a ser utilizado depende do tipo de estudo


e dos dados disponíveis

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Medidas de incidência:
Incidência acumulada e taxa de incidência

Incidência acumulada ou proporção de incidência


No casos novos em determinado período
População no início do período
É uma medida direta do risco. Varia de 0 a 1.

Taxa de incidência ou densidade de incidência ou incidência


pessoa-tempo
No casos novos em determinado período
Tempo em que a população esteve sob risco de desenvolver a
doença,
Onde o tempo da população = soma dos tempos de
observação de cada indivíduo.

Imagine: Uma população fechada. Todos recrutados no mesmo


momento. Ausência de perdas.

Calcule a incidência acumulada de doença no período de 2 anos.


Qual é o risco de adoecer nesta população, nesse período?
Exemplo: Prediction of lifetime risk for CV disease by riskfactor
burden at 50 years of age.

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Imagine agora: Uma coorte com recrutamento por 1 ano e
algumas perdas.

Calcule a incidência acumulada de doença no período de 2 anos.


Qual é o risco de adoecer no período?
Exemplo: Incidence of hepatitis C virus and HIV among new
injecting drug users in London: prospective cohort study

A mesma coorte. Na segunda figura, o tempo zero é o início do


acompanhamento (follow-up)

Calcule a incidência acumulada de doença no período de 2 anos.


Qual é o risco de adoecer no período?

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Ainda a mesma população: Uma coorte com recrutamento por 1
ano e algumas perdas.

Calcule a taxa de incidência da doença no período (pessoa-ano)

5 = 5 = 0,43 ou 43
137 pessoas-mês 11,4 pessoas-ano 100 pessoas-ano

Medidas de incidência: Aplicações


Imagine agora: A população de uma cidade.
Numa população dinâmica, estável ou com taxa de crescimento
constante, a população no meio do período estima o número de
pessoas sob risco ao longo do período.

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Medidas de incidência: Aplicações

Exemplo
Nos anos de 2001 a 2003, foram notificados 500 casos de dengue
no município X. Qual é a taxa de incidência, considerando que a
população estimada em 1º julho de 2002 (meio do período) era de
150.000 habitantes?

Total pessoa-tempo no período de 2001 a 2003


150.000x3= 450.000 pessoas-ano

Taxa de incidência de dengue= 500 = 0,00111 =


450.000

111 casos/100.000 habitantes-ano

Medidas de incidência: Aplicações

Exemplo real: A população do Município do Rio de Janeiro.


Numerador: Casos novos de tuberculose no ano de 2004
Denominador: População no meio do período

Taxa de incidência de tuberculose no Município do Rio de Janeiro – 2004


(Fonte: DATASUS/MS)

Sexo Casos_novos População Taxa_de_incidência*


Masculino 3917 2.832.303 138,3
Feminino 2054 3.219.217 63,8
Total 5971 6.051.520 98,67
* Por 100.000 habitantes

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INTERVALO

Medidas de incidência: Considerações

O uso de pessoa-tempo como denominador permite lidar com


situações em que há perdas ou em que você não tem como
seguir toda a coorte sob risco para observar o evento
investigado.

Usando pessoa-tempo, o período de seguimento não tem que


ser o mesmo para todos os indivíduos estudados. O total de
pessoa-tempo de um grupo é igual à soma do tempo de
observação de cada indivíduo do grupo.

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Medidas de incidência: Considerações

Quando se calcula a taxa de incidência, assume-se que:


Taxa de incidência das pessoas que entram no estudo em
diferentes momentos é a mesma dos que entraram no início
Taxa de incidência entre aqueles que saem do estudo (perdas)
é a mesma dos que estão em observação
A doença ocorre igualmente ao longo do tempo (taxa
constante)
Uma pessoa por 50 anos = 50 pessoas por um ano
Para interpretar os resultados é importante saber o tempo médio
de observação da população. A distribuição desse tempo também
é importante.

Medidas de incidência: Considerações

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Medidas de incidência: Considerações

Medidas de incidência: Considerações


Características necessárias à análise de sobrevida e pessoa-
tempo (assunções)

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Prevalência

Taxa de Prevalência instantânea (proporção)

No casos (novos e antigos) do agravo no instante t


População sob risco no instante t

Taxa de Prevalência de período (proporção)

No casos (novos e antigos) do agravo no período


População sob risco no período

Prevalência - Aplicações
A taxa de prevalência de um agravo avalia a proporção da
população que apresenta o agravo num determinado momento. O
número de casos prevalentes de uma determinada condição dá a
dimensão do problema a ser enfrentado.
É uma medida importante para o planejamento de intervenções,
especialmente em doenças crônicas ou incuráveis, como
hanseníase, diabetes, hipertensão, em que o número de
portadores da doença define uma população-alvo para ações de
saúde. Ex.: Prevalência de diabetes na população adulta no Brasil
Em doenças infecciosas é comum determinar a proporção de
indivíduos que já tiveram contato com um determinado agente.
Ex.: Prevalência de Ac para hepatite B entre doadores de sangue;
prevalência de Ac para dengue numa cidade (soroprevalência)
É uma medida muito utilizada em estudos descritivos. Tem
limitações para o estudo de causas das doenças.

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Relação entre Incidência e Prevalência

Relação entre Incidência e Prevalência

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Numerador: Quem são os casos?

As medidas de freqüência são muito influenciadas por


Critérios de definição de caso
Fontes de informação utilizada
Métodos diagnósticos utilizados
Todo estudo precisa de definição operacional do evento
estudado
Critérios diagnósticos
Explicitação da fonte dos casos: registros de doenças, dados
de prontuários, formulários de pesquisa
As informações sobre freqüência das doenças nas populações
em geral também são vinculadas a definições operacionais.

Numerador: Quem são os casos?

Exemplos
Definição de caso suspeito de sarampo
Todo paciente que, independente da idade e situação
vacinal, apresentar febre e exantema maculopapular,
acompanhados de um ou mais dos seguintes sinais e
sintomas: tosse e/ou coriza e/ou conjuntivite.
Definição de doença cardiovascular na coorte de
Framingham
Eventos cardiovasculares ateroscleróticos foram
definidos por ocorrência de IAM, insuficiência
coronariana, morte por doença coronariana, angina do
peito, AVE aterotrombótico, claudicação intermitente ou
óbito por d. cardiovascular. Dados obtidos dos registros
médicos do estudo.

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Denominador: Quem é a população ?

É importante conhecer bem a população de onde derivam os


casos para calcular corretamente as taxas
Em estudos com grandes populações, a existência de dados
demográficos confiáveis é fundamental
Todos os indicadores de saúde do país são profundamente
dependentes de dados sobre a população
O denominador de uma taxa de incidência deve conter apenas
os indivíduos sob risco para o evento em questão.
Exemplo: Incidência de câncer de colo do útero
Denominador: população do sexo feminino

Algumas taxas, razões e proporções


mais utilizadas em Epidemiologia
Taxas de Mortalidade Geral e Específicas
No óbitos (/10.000 ou 100.000)
População
Mortalidade Proporcional (%)
No óbitos por determinada causa
No óbitos por todas as causas
Taxa de Letalidade (%)
No óbitos por uma doença
No indivíduos portadores da doença
Taxa de Ataque (caso especial da incidência acumulada, utilizado em
surtos delimitados)
No casos novos da doença
População sob risco
Taxa de Mortalidade Infantil (/1000)
No óbitos em menores de 1 ano
No nascidos vivos
Taxa de Mortalidade Materna (/100.000)
No óbitos por causas relacionadas à gravidez, parto e puerpério
No nascidos vivos

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