Você está na página 1de 41

ltra

Centro Universitário SENAC


BACHAREL EM SISTEMAS DE INFORMAÇÃO

ECONOMIA
CONTEMPORÂNEA

Profª Andrea Itiro


andrea.itiro@gmail.com

VASCONCELLOS, M.A.S. e GARCIA, M.E. 2ª edição.


Fundamentos de Economia. São Paulo, Saraiva, 2004.

(é essencial a leitura dos capítulos do livro)


2

2º Semestre de 2007
CENTRO UNIVERSITÁRIO SENAC
DIRETORIA DE GRADUAÇÃO

Economia Contemporânea

PLANO DE ENSINO

ANO 2007 – 2º SEMESTRE

DISCIPLINA: Economia Contemporânea


CARGA HORÁRIA: 36 horas aula
PERÍODO: BSI/2NA

Docente responsável: Andrea Itiro


Formação acadêmica: Mestre em Economia – PUC/SP

Ementa
Propicia ao aluno ferramentas para a análise dos fenômenos macroeconômicos da atualidade e os
seus reflexos nas organizações empresariais. Capacita o aluno a mapear as variáveis que configuram
a conjuntura econômica, discernir os possíveis desdobramentos para a sua realidade e o impacto na
dimensão tecnológica, abordando a economia brasileira e a conjuntura econômica internacional.
Objetivos
Esta disciplina possui como objetivo principal oferecer, ao aluno de Sistemas de Informação, noções
e conceitos gerais necessários à compreensão dos aspectos micro e macroeconômicos e sua
implicação no contexto empresarial e tecnológico.

Bibliografia Básica (títulos, periódicos, etc.)


Título/Periódico Autor Edição Local Editora Ano LT1
VASCONCELLOS, M.A. e GARCIA, M.E. 2ª ed. Fundamentos de economia, São Paulo:
Saraiva, 2004.
MANKIW, N.G., 2ª ed., Introdução à economia, Rio de Janeiro: Campus, 2002.
TROSTER, R.L. e MOCHON, F. Introdução à economia, São Paulo: Makron Books, 2002.

Bibliografia Complementar (títulos, periódicos, etc.)


Título/Periódico Autor Edição Local Editora Ano

1
LT - Livro Texto? Sim/Não
3
EQUIPE DE PROFESSORES DA USP, 5ª ed., Manual de economia, São Paulo: Saraiva, 2004.
ROSSETTI, J.P. 20ª ed., Introdução à economia, São Paulo: Atlas, 2003.
PASSOS, C.R.M. e NOGAMI, O. 4ª ed., Princípios de economia, São Paulo: Pioneira, 2003.
VASCONCELLOS, M.A., TONETO JÚNIOR, R. e GREMAUD, A.P. 5ª ed., Economia
brasileira contemporânea, São Paulo: Atlas, 2004.
Dia da semana: 2ª( ) 3ª( ) 4ª( X) 5ª( ) 6ª( )
Aulas previstas: 36 horas aula
Horário das aulas: 19:15 - 20:55
Processo de avaliação
Instrumento de avaliação Data da aplicação Devolutiva
Prova 1 05/09 12/09
Prova 2 10/10 17/10
Prova 3 31/10 07/11
Prova 4 21/11 28/11
Prova Substitutiva 28/11 05/12

Composição da nota semestral


Prova (P)
Prova Substitutiva (PS)
Média Final 1 (MF1) – sem substitutiva
Média Final 2 (MF2) – com substitutiva

Média Final 1 = P1* 0,2 + P2* 0,2 + P3* 0,2 + P4* 0,4

Média Final 2 = (MF 1 + PS)/2


DATA
Observação importante: quemCONTEÚDO
perder qualquer uma das provas faráMETODOLOGIA/
a substitutiva onde
será cobrada a matéria de todo semestre. RECURSOS PREVISTOS
01/08
Programas Apresentação
das aulas do programa e dos critérios de Aula expositiva
avaliação. Conceito de economia. Diferenças
entre a análise microeconômica e a análise
macroeconômica.
08/08 Demanda. Aula expositiva
15/08 Feriado.
22/08 Oferta e equilíbrio de mercado Aula expositiva
29/08 Estruturas de mercado. Aula expositiva
05/09 Prova 1.
12/09 Conceito, objetivos e instrumentos de política Aula expositiva
macroeconômica. PIB, PIB real e PIB nominal,
PIB per capita.
19/09 Conceito, cálculo e tipos de inflação. Distorções Aula expositiva
causadas pelas altas taxas de inflação na
economia.
26/09 Conceito, tipos e instrumentos de política Aula expositiva
monetária.
03/10 Funções do Banco Central. Taxa SELIC. Aula expositiva

10/10 Prova 2.

17/10 Conceito de taxa de câmbio, mercado cambial, Aula expositiva


regimes cambiais.
24/10 Valorização e desvalorização cambial. Balanço Aula expositiva
de pagamentos.
4
31/10 Prova 3.

07/11 Bolsa de valores. Risco-país. Aula expositiva

14/11 Conceito, tipos e instrumentos de política fiscal. Aula expositiva


Contas públicas e carga tributária.
21/11 Prova 4.

28/11 Prova Substitutiva.

05/12 Divulgação da média final.


Este plano está sujeito a alterações no decorrer do semestre em função do resultado da turma e
outras necessidades que forem percebidas. Caso ocorram alterações a coordenação será
comunicada.

TÓPICO 1
INTRODUÇÃO À ECONOMIA
5

- ETIMOLOGIA DA PALAVRA ECONOMIA:


Deriva da palavra grega oikosnomos

Óikos = Casa
⇒ Oikosnomos = administração de uma casa
Nómos = Norma, Lei ou de um Estado

- CONCEITO DE ECONOMIA:
É a ciência social que estuda como o indivíduo e a sociedade decidem (escolhem) empregar
os recursos produtivos escassos na produção de bens e serviços, de modo a distribuí-los entre
as várias pessoas e grupos da sociedade, a fim de satisfazer as necessidades humanas.

Ciência da Escassez

- A QUESTÃO DA ESCASSEZ E OS 3 PROBLEMAS ECONÔMICOS FUNDAMENTAIS :

Necessidades Humanas Ilimitadas


x
Recursos Produtivos Escassos
(terra, trabalho, capital, tecnologia e função empresarial)

Escassez

Escolhas

O Que e Quanto Produzir
3 Problemas Econômicos Fundamentais → Como Produzir
Para Quem Produzir

- DIVISAO DA TEORIA ECONÔMICA:


A teoria econômica é dividida em duas partes principais: microeconomia e macroeconomia.

MICROECONOMIA
Microeconomia deriva da palavra grega mikros, que significa “pequeno”. Analisa o
comportamento da economia em detalhes, ou seja, o comportamento dos agentes
econômicos individuais (famílias, empresas e governos) e mercados específicos.

EXEMPLOS: “O emprego na indústria de fast food”


“Por que os cartões de crédito cobram juros mais altos do que os de financiamento
da casa própria?
“A produção automobilística no Brasil”

MACROECONOMIA:
Macroeconomia deriva da palavra grega makros, que significa “grande”. Analisa
o comportamento geral da economia, ou seja, se concentra no panorama geral e
desconsidera os pequenos detalhes.
6

EXEMPLOS: “O emprego total na economia”


“Por que os juros no país são tão elevados?”
”A produção total do país”

TÓPICO 2
DEMANDA DE
MERCADO
7

- CONCEITO
A demanda ou procura pode ser definida como a quantidade de certo bem ou serviço que os
consumidores desejam adquirir em determinado período de tempo.

- VARIÁVEIS QUE INFLUENCIAM A DEMANDA


- Preço do bem;
- Preço dos outros bens;
- Renda do consumidor;
- Gostos e Preferências do consumidor.

Para estudar a influência isolada de cada uma dessas variáveis utiliza-se a hipótese do coeteris
paribus (tudo o mais permanece constante), ou seja, considera-se cada uma dessas variáveis
afetando separadamente as decisões do consumidor.

- LEI GERAL DA DEMANDA


Há uma relação inversamente proporcional entre a quantidade demandada e o preço do bem, coeteris
paribus.

↓P → ↑Qd ↑P → ↓Qd

- ESCALA DE DEMANDA

Alternativas de preço - (P) em reais Quantidade demandada (Qd)


1,00 11.000
3,00 9.000
6,00 6.000
8,00 4.000
10,00 2.000

- CURVA DE DEMANDA

Eixo vertical: P (preços)


Eixo horizontal Q (quantidades demandadas)

- CAUSAS DA INCLINACAO NEGATIVA DA CURVA DE DEMANDA

Conjugação de dois efeitos:


efeito substituição e efeito renda
8

Exemplo: Se o preço da caixa de fósforos aumenta, a queda na quantidade demandada será provocada
por esses dois efeitos somados:

- Efeito substituição: Se o preço da caixa de fósforos subir demasiadamente, os


consumidores passarão a demandar isqueiros, reduzindo assim sua demanda por
fósforo;

- Efeito renda: Se aumenta o preço do fósforo, tudo o mais constante (renda do


consumidor e preço de outros bens estando constantes), o consumidor perde
poder aquisitivo, e a demanda por esse produto diminui, embora seu salário
monetário não tenha sofrido nenhuma alteração.

- VARIAÇÕES NA QUANTIDADE DEMANDADA

Variações na quantidade demandada de um determinado bem decorrem de variações no preço desse


bem

Representam movimentos ao longo da curva

↓P → ↑Qd ↑P → ↓Qd

- VARIAÇÕES NA DEMANDA
Variações na demanda de um determinado bem decorrem de variações em quaisquer uma das
variáveis que afetam a demanda desse bem (preço dos outros bens, na renda do consumidor, nos
gostos e preferências do consumidor etc), com exceção do preço do próprio bem.
9

Representam deslocamentos de toda a curva de demanda

Antes do aumento da renda (D0) Após o aumento da renda (D1)


Ao preço P0, o consumidor pode comprar Q0. Ao mesmo preço P0, o consumidor pode comprar Q2.
Ao preço P1, o consumidor pode comprar Q1. Ao mesmo preço P1, o consumidor pode comprar Q3.

- BEM SUBSTITUTOS E BENS COMPLEMENTARES

• Bens Substitutos
(relação direta entre o preço de um bem e a demanda de outro)
Ex: um aumento no preço da carne deve elevar a demanda de peixe, coeteris paribus.

• Bens Complementares
(relação inversa entre o preço de um bem e a demanda de outro)
Ex: uma redução no preço dos automóveis deve aumentar a demanda por gasolina, coeteris paribus.

TÓPICO 3
OFERTA DE MERCADO
10

- CONCEITO
A oferta pode ser definida como as várias quantidades que os produtores desejam
oferecer ao mercado em determinado período de tempo.

- VARIÁVEIS QUE INFLUENCIAM A OFERTA


- Preço do bem;
- Preço dos outros bens;
- Preço (custo) dos fatores de produção;
- Mudanças na tecnologia;
- Mudanças climáticas.

Para estudar a influência isolada de cada uma dessas variáveis utiliza-se a hipótese do coeteris
paribus (tudo o mais permanece constante), ou seja, considera-se cada uma dessas variáveis
afetando separadamente as decisões dos produtores.

- LEI GERAL DA OFERTA


Há uma relação diretamente proporcional entre a quantidade ofertada e o preço do bem, coeteris
paribus.

↓P → ↓Qo ↑P → ↑Qo

- ESCALA DE OFERTA

Alternativas de preço - (P) em reais Quantidade ofertada (Qo)


1,00 1.000
3,00 3.000
6,00 6.000
8,00 8.000
10,00 10.000

- CURVA DE OFERTA

Eixo vertical: P (preços)


Eixo horizontal Q (quantidades ofertadas)

- VARIAÇÕES NA QUANTIDADE OFERTADA


11
Variações na quantidade ofertada de um determinado bem decorrem de variações no preço
desse bem. Representam movimentos ao longo da curva (gráfico a).

↓P → ↓Qo ↑P → ↑Qo

- VARIAÇÕES NA OFERTA
Variações na oferta de um determinado bem decorrem de variações em quaisquer uma das
variáveis que afetam a oferta desse bem (preço dos outros bens, preço (custo) dos fatores de
produção, mudanças na tecnologia, mudanças climáticas etc), com exceção do preço do
próprio bem. Representam deslocamentos de toda a curva de oferta (gráficos b e c).

TÓPICO 4
12

EQUILÍBRIO DE
MERCADO
- A LEI DA OFERTA E DA DEMANDA: TENDÊNCIA AO EQUILÍBRIO

Preço ($) Quantidade Situação de mercado


Demandada Ofertada
1,00 11.000 1.000 Excesso de demanda (escassez de
oferta)
3,00 9.000 3.000 Excesso de demanda (escassez de
oferta)
6,00 6.000 6.000 Equilíbrio entre oferta e demanda
8,00 4.000 8.000 Excesso de oferta (escassez de
demanda)
10,00 2.000 10.000 Excesso de oferta (escassez de
demanda)

Equilíbrio de Mercado (ponto E):


É o ponto de intersecção das curvas de demanda e oferta no qual se encontram
o preço e a quantidade de equilíbrio, ou seja, o preço e a quantidade que atendem às aspirações dos
consumidores e produtores simultaneamente.

Se a quantidade demandada for maior do que a do equilíbrio, teremos uma escassez da


mercadoria. Ocorrerá uma competição entre consumidores, dado que as quantidades demandadas
serão maiores do que as ofertadas. Nessa situação, muitos consumidores estarão dispostos a pagar um
preço mais elevado pelo produto e os preços de fato se elevarão. Com o aumento do preço, a
quantidade demandada diminuirá, pois alguns consumidores desistirão de adquirir o produto. Por outro
lado, em resposta ao aumento dos preços, os produtores elevam a produção, aumentando a quantidade
ofertada.Portanto, a tendência é a diferença entre as quantidades demandadas e ofertadas irem se
reduzindo cada vez mais a cada elevação do preço da mercadoria, chegando finalmente ao ponto de
equilíbrio.

Se a quantidade ofertada for maior do que a do equilíbrio, teremos um excesso de produção


da mercadoria. Esse acúmulo de estoque de mercadorias provocará um aumento na concorrência entre
os produtores que reduzirão o preço buscando eliminar o estoque. Com a redução do preço, a
quantidade demandada aumentará e a quantidade ofertada diminuirá. Assim sendo, a tendência é a
diferença entre as quantidades demandadas e ofertadas irem se reduzindo cada vez mais a cada
redução do preço da mercadoria, chegando finalmente ao ponto de equilíbrio.
13

TÓPICO 5
ESTRUTURAS DE
MERCADO

- ESTRUTURAS DE MERCADO DE BENS E SERVIÇOS


- Concorrência Perfeita - Monopólio
- Concorrência Monopolista - Oligopólio

- AS VÁRIAS ESTRUTURAS DE MERCADO DEPENDEM FUNDAMENTALMENTE


DE TRÊS CARACTERÍSTICAS:
1) número de empresas que compõe o mercado;
2) tipo do produto fabricado (produtos homogêneos/idênticos ou diferenciados);
3) se existem ou não barreiras ao acesso de novas empresas nesse mercado.

- CONCORRÊNCIA PURA OU PERFEITA


• Número muito grande de empresas;
• Produtos homogêneos;
• Não existem barreiras à entrada de novas empresas no mercado;
• Transparência de mercado;
• No longo prazo os lucros extraordinários desaparecem.

Não há um mercado de concorrência perfeita no mundo real, sendo talvez


o mercado de hortifrutigranjeiros o exemplo mais próximo.

- MONOPÓLIO
• Uma única empresa domina todo o mercado;
• Produto sem substitutos próximos;
• Existem barreiras à entrada de novas firmas (proteção de patentes, controle sobre o
fornecimento de matérias-primas básicas, exige elevado nível de capital, existência de
monopólio puro ou natural);
• No longo prazo permanecem os lucros extraordinários.

- OLIGOPÓLIO
• Pequeno número de empresas que dominam o setor
ou
Grande número de empresas mas com poucas dominando o setor
• Produto homogêneo ou diferenciado
• Existem barreiras à entrada de novas firmas
• No longo prazo permanecem os lucros extraordinários.

Formas de atuação das empresas oligopolistas:


 Concorrem entre si, via guerra de preços ou de promoções.
 Formam cartéis (conluios, trustes) fixando preços e repartição do mercado
entre empresas.
- Todas as empresas têm a mesma participação de mercado
ou
- Existem “empresas líderes”

- CONCORRÊNCIA MONOPOLISTA (ou Concorrência Imperfeita)


• Grande número de empresas;
• Cada empresa fabrica um produto diferenciado, mas com substitutos próximos;
A diferenciação do produto se dá via qualidade, marca, embalagem, atendimento, garantia extra etc.
14
• Cada empresa tem certo poder sobre preços;
• Não existem barreiras à entrada de novas firmas;
• No longo prazo os lucros extraordinários desaparecem.

A concorrência monopolista é um tipo de mercado mais realista que o de


concorrência perfeita que supõe produtos completamente homogêneos, sem diferenciação.

- GRAU DE CONCENTRAÇÃO ECONÔMICA


Proporção do valor do faturamento das quatro maiores empresas de cada ramo de atividade sobre o
total faturado no ramo respectivo.

O Índice varia de 0% a 100%


quanto mais próximo de 100% → mercado tem alto grau de concentração
quanto mais próximo de 0% → mercado tem baixo grau de concentração

Grau de Concentração na Indústria e Comércio por Setores – Brasil


(1988 – quatro maiores grupos econômicos)

INDÚSTRIA
Faturamento Faturamento Número de Grau de Grau de
total do setor das 4 maiores grupos concentração concentração
(R$ bilhões) empresas (R$ considerados (%) média do setor
bilhões) (%)
Alimentos 54
Açúcar e álcool 1.511 771 4 51
Moinhos 385 227 4 59
Frigoríficos 945 501 4 53
Conservas 121 90 4 74
Bebidas e fumo 85
Sucos e 259 202 4 78
concentrados 282 243 2* 86
Cerveja 226 206 3* 91
Cigarros e fumo
Eletroeletrônico 66
Eletrodomésticos 1.116 670 4 60
Eq. p/ construção 490 353 4 72
Condutores elétric. 310 251 4 81
Computadores 664 426 2* 64
Têxtil 29
Fiação e tecelagem 1.484 297 2* 20
Confecções 737 339 2* 46
COMÉRCIO
Varejo 55
Supermercados 1.867 1.027 4 55
Distrib. de gás 239 158 4 66 66
Distrib. de deriv de 3.908 3.087 4 79 79
petróleo
* O grupo que segue é inexpressivo

- CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico)


• Objetivo: evitar abusos econômicos por parte das empresas.
(analisando, por exemplo, fusões de empresas)
• Ligado ao Ministério da Justiça.
15

TÓPICO 6
INTRODUÇÃO À
MACROECONOMIA
- POLÍTICA MACROECONÔMICA

A política macroeconômica é formada por um conjunto de medidas tomadas pelo governo de um país
com o objetivo de atuar e influir nos rumos da economia no seu conjunto.

- METAS/OBJETIVOS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA

• Alto nível de emprego

• Estabilidade de preços (inflação)

• Distribuição socialmente justa da renda (eqüitativa)

• Crescimento econômico (diz respeito à elevação da renda ou produto per capita


do país)
(observação: desenvolvimento econômico = melhoria do padrão de vida da população)

* A renda ou produto per capita do país é obtido a partir da divisão da produção total do país (PIB)
pelo seu número de habitantes. Lembre-se que, apesar da renda ou produto per capita ser um melhor
indicador de crescimento econômico, o PIB costuma ser mais utilizado.

- SITUAÇÃO DO BRASIL

• EMPREGO
TAXA DE DESEMPREGO TOTAL (em %)
ANO PED PME
na Região Metropolitana de SP (IBGE**)
(SEADE/DIEESE)*
ABERTO OCULTO TOTAL
Trabalho Desalento
Precário
1990 7,4 2,0 0,9 10,3 4,3
1995 9,0 3,3 0,9 13,2 4,5
2000 11,0 4,6 2,0 17,7 7,1
2001 11,3 4,6 1,7 17,6 6,2
2002 12,1 4,9 2,0 19,0 7,1
2003 12,8 5,1 2,1 19,9 12,32
2004 11,6 5,1 1,9 18,7 11,5
16
2005 10,5 4,8 1,5 16,9 9,8
2006 15,8 10,0
Jun/2007 14,9 9,7
Fonte: SEADE, DIEESE, IBGE. (alguns valores foram arredondados por essas instituições)
* PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego); SEADE (Sistema Estadual de Análise de Dados)
DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos)
** PME (Pesquisa Mensal de Emprego); IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)

Diferenças básicas de metodologia entre o PED e PME

Local de Pesquisa Quem é Considerado Desempregado?


PM SP, RJ, Recife, Salvador, Desemprego Aberto: quem procurou emprego nos 30 dias
E BH, Porto Alegre anteriores à pesquisa e não exerceu nenhum tipo de trabalho-
remunerado ou não-nos últimos sete dias.
PE Região Metropolitana de Desemprego Aberto +
D SP (atualmente também nas Desemprego Oculto pelo Trabalho Precário: pessoas que
Regiões Metropolitanas de realizaram algum tipo de atividade nos 30 dias anteriores à
Porto Alegre, Recife, pesquisa e buscaram emprego nos últimos 12 meses. +
Salvador e BH) Desemprego Oculto pelo Desalento: quem não trabalhou nem
procurou trabalho nos últimos 30 dias, mas tentou nos últimos 12
meses.

• ESTABILIDADE DE PREÇOS

INFLAÇÃO (IPCA/IBGE)3
ANO INFLAÇÃO
em % (no ano)
2005 5,69
2006 3,14
Fonte: IBGE.

• DISTRIBUIÇÃO DE RENDA

o PARTICIPAÇÃO DOS 10% MAIS POBRES E DOS 10% MAIS RICOS NO


TOTAL DA RENDA NACIONAL NO BRASIL (em %) - 2003

10% MAIS 10% MAIS


POBRES RICOS
0,7 46,9
Fonte: Banco Mundial.

o ÍNDICE DE GINI
A distribuição de renda de um país pode ser avaliada a partir de um índice denominado Índice de Gini
O Índice de Gini varia de 0 a 1:
- quanto mais próximo de 1: pior a distribuição de renda

1 significaria que apenas um indivíduo teria toda a renda de uma sociedade.

2
Até 2002, eram computadas as pessoas que haviam procurado trabalho na semana anterior à entrevista. A partir
de 2003, as pessoas que procuraram trabalho nos últimos 30 dias antes da entrevista.
3
O IPCA é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo medido pelo IBGE. Esse é o índice oficial de inflação
utilizado pelo governo brasileiro.
17
- quanto mais próximo de 0: melhor a distribuição de renda

Zero significaria que todos os indivíduos teriam a mesma renda.

RANKING –ÍNDICE DE GINI - 2004


POSIÇÃO PAÍS ÍNDICE DE GINI
1º Namíbia 0,71
2º Haiti 0,68
3º Botswana 0,63
4º Lesoto 0,61
5º Rep. Centro-Africana 0,58
6º África do Sul 0,58
7º Bolívia 0,58
8º Guatemala 0,58
9º Zimbábue 0,57
10º BRASIL 0,56
Fonte: Banco Mundial.

- Serra Leoa que já liderou esse ranking não foi incluído no relatório do BIRD.
- Nos casos de países com mesmo Índice de Gini, foi seguida a ordem alfabética.

* Segundo o Índice de Gini, o país saiu do 2º lugar (1989) para o 10º (2004)

EVOLUÇÃO DO ÍNDICE DE GINI - BRASIL


ANO GOVERNO ÍNDICE DE GINI
1981 Regime Militar 0,574
1985 0,589
1986 Sarney 0,578
1989 0,625 PIOR
MARCA
1990 Collor 0,604
1992 0,573
1995 FHC 0,591
1998 0,591
2002 0,580
2004 Lula 0,564
Fonte: Banco Mundial.

 LINHA DE POBREZA

PAÍS ANO % DA POPULAÇÃO ABAIXO % DA POPULAÇÃO ABAIXO


DA LINHA DE POBREZA DE DA LINHA DE POBREZA DE
US$ 1,00 POR DIA, POR US$ 2,00 POR DIA, POR
PESSOA PESSOA
Índia 1992 52,5 (496 milhões) 88,8 (839 milhões)
Indonésia 1995 11,8 (25 milhões) 58,7 (116 milhões)
Brasil 1995 23,6 (38 milhões) 43,5 (70 milhões)
México 1992 14,9 (14 milhões) 40,0 (37 milhões)
Chile 1992 15,0 (2 milhões) 38,5 (5 milhões)
Ruanda 1985 45,7 (3 milhões) 88,7 (6 milhões)
18
Fonte: Banco Mundial.

o MAPA DA RIQUEZA E POBREZA NA CAPITAL DE SP

• CRESCIMENTO ECONÔMICO- (em % do PIB real)


19
ANO TAXA DE
CRESCIMENTO
DO PIB REAL
2000 4,3
2001 1,3
2002 2,7
2003 1,1
2004 5,7
2005 2,9
2006 3,7
Fonte: OCDE, FMI.

INTER-RELAÇÕES E CONFLITOS ENTRE AS METAS

• Elevado nível de emprego


X
Estabilidade de preços

• Distribuição socialmente justa da renda


X
Crescimento econômico
INSTRUMENTOS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA

• Política Fiscal
Instrumentos que o governo dispõe para a arrecadação de tributos (política tributária) e o controle de
suas despesas (política de gastos).

• Política Monetária
Atuação do governo (Banco Central) sobre a quantidade de moeda em circulação.

• Políticas Cambial e Comercial


Atuação do governo sobre as variáveis relacionadas ao setor externo da economia.

- Política Cambial:
Atuação do governo sobre a taxa de câmbio.

- Política Comercial: Instrumentos governamentais de incentivos às exportações


e/ou estímulo e desestímulo às importações

• Política de Rendas
Intervenção direta do governo na formação de renda (salários e aluguéis), através do controle e
congelamentos de preços.
20

TÓPICO 7
PIB, INVESTIMENTO E
POUPANÇA
- PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB)

O Produto Interno Bruto é o valor de todos os bens e serviços finais, medidos a preços de mercado,
produzidos em dado período de tempo
PIB = ∑ pi .qi

p = preço unitário dos bens e serviços finais;


q = quantidades produzidas dos bens e serviços

PIB = ∑ pi .qi = psacas de café .qsacas + pfogões .qfogões+ ... + pbilhetes


de metrô .qbilhetes + pconsultas médicas .q consultas
Exemplo:
Bens e Serviços Preço (p) Quantidade (q) Preço x Quantidade
Sacas de café 200,00 15 3.000,00
Fogões 400,00 20 8.000,00
Bilhetes de metrô 2,10 50 105,00
Consultas médicas 100,00 5 500,00
PIB ( ∑ ) R$ 11.605,00

- VALOR ADICIONADO
21
É o valor que se adiciona ao produto em cada estágio de produção.
Valor Adicionado = Faturamento - Custos dos bens intermediários

-
EXEMPLO DE VALOR ADICIONADO

Estágio de Produção Vendas no Período Custo dos Bens Valor


Intermediários Adicionado
Produção de Trigo 140 0 140
Produção de Farinha 245 140 105
Produção de Pão 390 245 145
Total 390
Esses R$ 390,00, que é o valor do bem final (pão), é o que o IBGE conta para o cálculo do PIB.

- PIB NOMINAL e PIB REAL

PIB nominal: é o PIB medido a preços correntes, do próprio ano


(sem descontar a inflação no período)
PIB 2000 = ∑ p2000 .q2000
PIB 2001 = ∑ p2001 .q2001

• PIB real: é o PIB medido a preços constantes de um dado ano qualquer, chamado
ano-base.
Os preços ficam fixados nesse ano, como se a inflação a partir de então fosse zero. Dessa
maneira, podemos medir o crescimento real, da produção física (quantidade produzida),
livre do efeito da inflação.

PIB 2000 = ∑ p2000 .q2000 (ano 2000 é o ano-base no exemplo)


PIB 2001 = ∑ p2000 .q2001

Exemplo: Suponha um pequeno país que produza apenas bananas. Nesse caso, para calcularmos o PIB
desse país, basta multiplicar o preço de cada dúzia da banana pela quantidade produzida,
respectivamente, em cada ano.

ANO Preço (p) Quantidade PIB =


(q) em dúzias Preço x Quantidade
2000 2,00 200 400,00
2001 4,00 200 800,00

O valor do PIB em 2001 é maior que em 2000. Podemos afirmar realmente que o país cresceu, ou
seja, aumentou sua produção de bananas de um ano para outro? Não, porque a tabela acima mostra o
PIB nominal, no qual não é descontada a inflação. Analisando a tabela, verificamos que o país não
cresceu nada, pois, apesar do valor do PIB ter aumentado, isso ocorreu em função da inflação (preço
da banana ter dobrado de R$ 2,00 para R$ 4,00) já que a quantidade produzida se manteve em 200
dúzias. Assim, se calcularmos o PIB real, descontando a inflação, veremos que o PIB não se alterou.

- CÁLCULO DO PIB REAL


Para transformar o PIB nominal em real é necessário deflacioná-lo, ou seja, extrair o crescimento da
inflação no período. Para isso, utilizamos um índice geral de preços que represente esse crescimento
da inflação. Podemos fazer isso também com salários, faturamentos das empresas entre outros.
22

PIB real = PIB nominal x 100


Índice geral de preços

Exemplo:

Ano PIB Nominal Índice de Preços PIB Real


em bilhões de R$ (ano-base 2000)
em bilhões de R$
2000 800 100 800
2001 880 110 800

PIB real 2001 = PIB nominal 2001 x 100


Índice geral de preços 2001

PIB real 2001 = 880 x 100


110

PIB real 2001 = 800 bilhões

Apesar do PIB nominal ter aumentando entre os dois anos, quando calculamos o PIB real (livrando-o
do efeito da inflação), verificamos que o crescimento real (quantidade produzida) foi zero.

- EXEMPLO: SALÁRIO REAL E NOMINAL

Meses (1) (2) (3)


Salário Nominal Índice de Preços Salário Real
(R$) (R$)
Janeiro 2005 500 100 500,0
Janeiro 2006 508 102 498,0
Enquanto o salário nominal mostra a quantidade de dinheiro recebida, o salário real
mede o poder aquisitivo, ou seja, a quantidade de bens e serviços que se pode adquirir.
Salário real 2006 = Salário nominal 2006 x 100
Índice geral de preços 2006

Salário real 2006 = 508 x 100


102

Salário real 2006 = 498,00

No exemplo acima, a quantidade de dinheiro recebida aumentou em 1,6% passando de R$


500,00 para R$ 508,00 (salário nominal). No entanto a taxa de inflação no período foi de 2%
(índice de preços passou de 100 para 102). Portanto, o salário real passou de R$ 500,00 para
R$ 498,00, o que significa que, apesar de estar recebendo maior quantidade de dinheiro,
houve uma redução do poder de compra do salário.

- RANKING – PIB nominal - EM 2006

RANKING – PIB anual a preços correntes - EM 2006


RANKING PAÍS PIB (em US$)
1º EUA 13,262 tri
2º JAPÃO 4,463 tri
3º ALEMANHA 2,890 tri
4º CHINA 2,554 tri
23
5º REINO UNIDO 2,357 tri
6º FRANÇA 2,227 tri
7º ITÁLIA 1,841 tri
8º CANADÁ 1,273 tri
9º ESPANHA 1,216 tri
10º BRASIL 1,066 tri
Fonte: Folha de São Paulo

- RANKING – PIB per capita a preços correntes – em 2005


PIB per capita = PIB total/nº de habitantes

RANKING PAÍS
PIB per
capita
(em mil
US$)
1º LUXEMBURGO 75,14
2º NORUEGA 64,27
3º ISLÂNDIA 53,47
4º SUIÇA 50,52
5º IRLANDA 48,35
6º DINAMARCA 48,00
7º QATAR 47,52
8º EUA 42,10
74º BRASIL 4,32
110º CHINA 1,70
134º ÍNDIA 0,714
Fonte: Folha de São Paulo.

- PIB COMO MEDIDA DE BEM ESTAR

O PIB não leva em consideração:


- A economia informal
- Os custos sociais do crescimento econômico (poluição, congestionamentos, degradação do meio
ambiente)
- As diferenças na distribuição de renda

- POUPANÇA AGREGADA (S)

- É a parcela da Renda Nacional (RN) que não é consumida (C) no período:

S = RN - C

- INVESTIMENTO AGREGADO (I)

É o gasto em bens que representam um aumento na capacidade produtiva da economia (bens de


capital)
É o gasto em bens para uso futuro (estoques)
I = Ibk + ∆E
Ibk = investimentos em bens de capital (máquinas, equipamentos e imóveis)
∆E = variação de estoques (produtos acabados e intermediários)

* O investimento agregado é o investimento no sentido econômico. Esse conceito é diferente do


investimento financeiro/pessoal que não representa aumento da capacidade de produção.
24

TÓPICO 8
INFLAÇÃO
- CONCEITO DE INFLAÇÃO
É o aumento persistente e generalizado no nível geral de preços.
Deflação é o processo inverso, ou seja, é a redução persistente e generalizada
no nível geral de preços.

- INFLAÇÃO (exemplo para fins didáticos)


EXEMPLOS
Itens Variação Participação no orçamento das Participação no orçamento das
de preços famílias com renda mensal de 1 famílias com renda mensal de 1
no período a 3 salários mínimos a 40 salários mínimos
(de 30 dias)
Alimentação 40% 34% 15%
Habitação 30% 32% 15%
Transporte 50% 16% 8%
25
Despesas -40% 7% 12%
Pessoais
Vestuário -30% 3% 10%
Saúde 25% 5% 20%
Educação 20% 3% 20%
Média Ponderada 0,4x0,34+0,3x0,32+0,5x0,16 – 0,4x0,15+0,3x0,15+0,5x0,08 –
(variação de preços 0,4x0,07 -0,3x0,03+0,25x0,05 0,4x0,12-0,3x0,10+0,25x0,20
multiplicada pela participação +0,2x0,03 = 0,136++0,096+0,08- +0,2x0,20 = 0,06+0,045+0,04-
no orçamento de cada item) 0,028- 0,009+0,0125+0,006= 0,048-0,03+0,05+0,04=
0,2935 0,1570

29,35% 15,70%

- DISTORÇÕES PROVOCADAS POR ALTAS TAXAS DE INFLAÇÃO

• Efeito sobre a distribuição de renda: com inflação, os assalariados ficam com seus orçamentos
reduzidos. Dentro dessa categoria, os que mais sofrem são aquelas famílias com baixo nível de
renda que não têm como se defender da inflação. Na verdade, são elas, principalmente, que pagam
o chamado imposto inflacionário.

• Efeito sobre as exportações: a inflação encarece o produto nacional, reduzindo as


exportações. Exemplo:
Taxa Preço do bem em reais Preço do bem em dólares
de
Câm
bio
US$ 1,00 = R$ 3,00 R$ 300 mil US$ 100 mil
US$ 1,00 = R$ 3,00 R$ 360 mil US$ 120 mil

• formação de expectativas: o setor empresarial é bastante sensível à influência da inflação no que


diz respeito às expectativas sobre o futuro, dada a instabilidade e a imprevisibilidade de seus
lucros. O empresário permanecerá em compasso de espera, dificilmente tomará iniciativas para
aumentar os investimentos.
Ou seja:
Inflação → incerteza → redução dos investimentos → redução do crescimento econômico

- PRINCIPAIS ÍNDICES DE PREÇOS NO BRASIL


ÍNDICE/ENTIDADE PERÍODO DE LOCAL DE ORÇAMENTO UTILIZAÇÃO
COLETA DE PESQUISA FAMILIAR
PREÇOS EM
SALÁRIOS
MÍNIMOS
(s.m.)
IPCA/IBGE Mês Completo 11 Regiões 1 a 40 s.m. Genérico
INPC/IBGE Mês Completo 11 Regiões 1 a 8 s.m. Genérico
IGP/FGV Mês Completo RJ/SP e 10 Regiões 1 a 33 s.m.(inclui Contratos
preços por atacado e
construção civil)
IGP-M/FGV* Dias 21 a 20 RJ/SP e 10 Regiões 1 a 33 s.m.(inclui Contratos
preços por atacado e
construção civil)
IGP-10/FGV Dias 11 a 10 RJ/SP e 10 Regiões 1 a 33 s.m.(inclui Tendência do IGP
preços por atacado e
construção civil)
IPC/FIPE** Mês Completo Município de SP 1 a 20 s.m. Impostos
Estaduais e
26
Municipais (SP)
ICV/DIEESE*** Mês Completo Região 1 a 30 s.m. Referência para
Metropolitana de Acordos Salariais
SP
ÍNDICES: INSTITUIÇÕES: NOTAS:
IPCA: Índice de Preços ao Consumidor IBGE: Instituto Brasileiro de * Divulga prévias de 10 em 10 dias
Amplo Geografia e Estatística ** Divulga taxas quadrissemanais
INPC: Índice Nacional de Preços ao FGV: Fundação Getúlio Vargas *** Pesquisa também para famílias
Consumidor FIPE: Fundação Instituto de Pesquisas com renda de 1 a 3 s.m. e de 1 a 5
IGP: Índice Geral de Preços Econômicas s.m.
IGP-M: Índice Geral de Preços de DIEESE: Departamento Intersindical
Mercado de Estatística e Estudos
IPC:Índice de Preços ao Consumidor Socioeconômicos
ICV:Índice de Custo de Vida

- TIPOS DE INFLAÇÃO

• Inflação de Demanda: refere-se ao excesso de demanda agregada em relação à produção


disponível de bens e serviços. A probabilidade de ocorrer inflação de demanda aumenta quando a
economia está produzindo próximo do pleno emprego de recursos.
Ou seja:
Pouca demanda → Pouca produção (capacidade ociosa de 10%)
Aumento da demanda → Aumento da produção (capacidade ociosa de5 %)
Aumento de demanda → Aumento da produção (capacidade ociosa de 2%)
Aumento de demanda → Pleno emprego (capacidade ociosa = 0%)
Aumento de demanda → Inflação

A inflação de demanda está geralmente associada ao desequilíbrio das contas públicas, exemplo:

déficit fiscal (G > T ) → emissões → aumento de demanda → inflação

G= gastos do governo; T= arrecadação de tributos

Para combater um processo de inflação de demanda, a política econômica deve basear-se


em instrumentos que provoquem uma redução da demanda agregada.

• Inflação de custos

A inflação de custos pode ser associada a uma inflação tipicamente de oferta. O nível de demanda
permanece o mesmo, mas os custos de certos fatores de produção aumentam.

As causas mais comuns dos aumentos dos custos de produção são:


a) aumentos salariais (superiores aos aumentos de produtividade);
b) aumento do custo de matérias-primas (também chamado de “choque de oferta”,
exemplo: crises do petróleo, quebra de safra agrícola);
c) presença de oligopólios e monopólios.

- METAS DE INFLAÇÃO
Desde 1999, o Banco Central trabalha com uma meta de inflação (IPCA) a ser alcançada no ano, com
uma margem de tolerância de 2% acima ou abaixo do centro da meta. Nesse caso, o Copom (Comitê
de Política Monetária) do Banco Central, a cada 45 dias, se reúne e, de acordo com os níveis de
inflação, altera ou não a taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) buscando atingir a
meta.
27

TÓPICO 9
MOEDA E SISTEMA
FINANCEIRO
- CONCEITO DE MOEDA

Moeda é um instrumento ou objeto que é aceito pela coletividade para intermediar as transações
econômicas.

A moeda tem “curso forçado”


(sua aceitação é garantida por lei)

- OFERTA DE MOEDA

A moeda pode ser ofertada pelas autoridades monetárias (Banco Central) e pelos bancos
comerciais (têm correntistas)..
28

- OFERTA DE MOEDA PELOS BANCOS COMERCIAIS


Os bancos comerciais podem aumentar a oferta monetária através da multiplicação dos depósitos à
vista.

- EXEMPLO DE MULTIPLICADOR MONETÁRIO4

•Suponhamos que:
a) a emissão primária de moeda pelo Banco Central seja de $ 100.000, sendo essa quantia entregue ao
público;
b) as pessoas depositarão todo o dinheiro nos bancos comerciais (por simplificação, estamos supondo
que não há moeda em poder do público);
c) os bancos precisam manter em reservas, 40% dos depósitos;
d) os bancos irão reter apenas o necessário para cobrir as reservas e emprestarão os recursos
remanescentes.

Banco Depósitos à vista Reserva dos bancos comerciais Empréstimos


(40% dos depósitos à vista)
A 100.000 40.000 60.000
B 60.000 24.000 36.000
C 36.000 14.400 21.600
D 21.000 8.640 12.960
E 12.960 5.184 7.776
Demais bancos 19.440 7.776 11.664
Total 250.000 100.000 150.000

oferta inicial oferta total


(moeda manual) (depósitos à vista)
$ 100.000 $ 250.000

De um total inicial de $ 100.000,00, os bancos multiplicaram a quantidade de moeda em 2,5 vezes

- OFERTA DE MOEDA PELO BANCO CENTRAL

O Banco Central oferta moeda através dos instrumentos de política monetária (emissões, depósitos
compulsórios, open market, redesconto, determinação da taxa básica de juros - taxa Selic – e
regulamentação da moeda e do crédito)

- POLÍTICA MONETÁRIA
Decisões de governo que referem ao controle da quantidade de dinheiro em circulação. A política
monetária pode ser restritiva ou expansiva.

- política monetária restritiva: conjunto de medidas que tende a reduzir o crescimento


da quantidade de dinheiro e a encarecer os empréstimos.
4
Esse multiplicador monetário não leva em consideração o efeito da retenção da moeda em poder do público.
Quanto mais o público (pessoas físicas e empresas não-financeiras) retém moeda, menos deposita nos bancos,
menor a multiplicação monetária. Nesse sentido, o que se utiliza é o multiplicador da base monetária, que é a
soma da moeda em poder do público e das reservas bancárias (compulsórias, técnicas e voluntárias) – excluindo
apenas a moeda que permaneceu no Bacen.
29
É utilizada com o objetivo de controlar a inflação.

- política monetária expansiva: conjunto de medidas que tende a acelerar o


crescimento da quantidade de dinheiro e a baratear os empréstimos.
É utilizada com o objetivo de aumentar a produção e o emprego.

- INSTRUMENTOS DE POLÍTICA MONETÁRIA

• Emissões (criação de dinheiro);


• Reservas compulsórias5 (percentual sobre os depósitos à vista e a prazo que os bancos
comerciais são obrigados a depositar no Bacen);
• Open market (compra e venda de títulos6 públicos)
• Redescontos (empréstimos do Banco Central aos bancos comerciais);
• Determinação da taxa básica de juros (taxa Selic7).
• Regulamentação da moeda e do crédito

- FUNÇÕES DO BANCO CENTRAL

• Banco emissor;
• Banco dos bancos;
• Controle e regulamentação da oferta de moeda;
• Controle dos capitais estrangeiros e das operações com moeda estrangeira;
• Fiscalização das instituições financeiras.

- O PAPEL DA TAXA DE JUROS


o PARA AS EMPRESAS:
Afeta as decisões quanto à compra de máquinas, equipamentos, aumentos ou diminuições de
estoques, de matérias-primas ou de bens finais e de montantes de capital de giro.
São afetados não só pelos níveis atuais de juros, quanto pelas expectativas dos níveis futuros de taxas
de juros. Se, por exemplo, as expectativas quanto à trajetória da taxa de juros for pessimista:
• Deverão manter níveis baixos de estoques e mesmo de capital de giro, uma vez que o
custo de manutenção desses ativos poderá ser extremamente oneroso no futuro.
• Inviabilizará muitos projetos de investimentos em bens de capitais e os empresários
optarão por aplicar seus recursos no mercado financeiro.

o PARA OS CONSUMIDORES:
Afeta as decisões de compra dos consumidores.
Se, por exemplo, as taxas de juros aumentam:
• Inibe o consumo, particularmente de bens de consumo duráveis, pois aumentam os
custos do financiamento e estimulam a preferência por aplicações financeiras em
detrimento do consumo, com o objetivo de obter receitas financeiras.

o PARA OS MERCADOS FINANCEIROS INTERNACIONAIS:


Se, por exemplo, tudo o mais constante, a taxa de juros no Brasil se tornar relativamente
mais elevada do que a taxa praticada nos EUA, haverá maior demanda por crédito externo
comparativamente à situação anterior.

- TAXA SELIC

Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) foi criado, em 1979, pelo Banco Central e pela
Andima (Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto) com o objetivo de tornar mais
transparente e segura a negociação de títulos públicos.
O Selic é um sistema eletrônico que permite a atualização diária das posições das instituições
financeiras, assegurando maior controle sobre as reservas bancárias.
5
Além dessas reservas compulsórias, os bancos mantém as reservas técnicas e as reservas voluntárias.
6
Título é um certificado de endividamento que especifica as obrigações do tomador do empréstimo para com o
detentor do título (tem uma data de vencimento e a taxa de juros a ser paga).
7
SELIC (Sistema Especial de Liquidação e Custódia).
30
Hoje, Selic identifica também a taxa de juros que reflete a média de remuneração dos títulos federais
negociados com os bancos.

Juro básico
A Selic é considerada a taxa básica porque é usada em operações entre bancos e, por isso, tem
influencia sobre os juros de toda a economia.
No dia 4 de março de 1999, o Banco Central extinguiu o sistema de bandas de juros, criado em 1996.
O governo passou a usar apenas uma taxa para sinalizar os juros de toda a economia. Criou então a
chamada taxa referencial Selic.
A Selic é uma espécie de teto para os juros pagos pelos bancos nos depósitos a prazo. A partir dela, os
bancos também definem quanto cobram em empréstimos a empresas e pessoas físicas.
A meta da taxa Selic é definida em reuniões, a cada 45 dias, do Copom (Comitê de Política
Monetária), um colegiado formado por diretores do BC (com direito a voto), assessores e chefes de
departamento da instituição.
Na década de 70, a custódia dos títulos públicos no Brasil ainda era feita por processo manual, o que
incluía desde o arquivamento por instituição até a movimentação física nos cofres dos bancos, com
grande risco de fraude e de extravio dos papéis.
Com o Selic, títulos e cheques foram substituídos por simples registros eletrônicos, gerando ganhos
em eficiência e agilidade, já que as operações são fechadas no mesmo dia em que se realizam.
Além disso, o sistema passou a garantir que, em caso de inadimplência de qualquer das partes, a
operação não se concretiza. Hoje, esse sistema movimenta diariamente mais de R$ 100 bilhões.

• Viés de baixa – Bacen pode reduzir a taxa Selic antes mesmo de ocorrer a próxima
reunião do Copom (Comitê de Política Monetária)
• Viés de alta – Bacen pode aumentar a taxa Selic antes mesmo de ocorrer a próxima
reunião do Copom (Comitê de Política Monetária)
• Sem Viés – Bacen não alterará a taxa Selic antes da próxima reunião do Copom (Comitê
de Política Monetária)

- SPREAD BANCÁRIO
É a diferença entre a taxa de juros cobrada pelos bancos nos empréstimos/financiamentos e o custo de
captação desses recursos.

Exemplo: O Bradesco cobra 5% a.m. de juros nos empréstimos pessoais e para conseguir esse dinheiro
para emprestar utiliza o dinheiro de uma determinada aplicação financeira de seus clientes no qual
paga 1,2% de juros a.m. (portanto, o custo de captação é 1,2%). Assim sendo, o spread bancário é de
3,8%.

Composição do spread bancário


Com quem ficam os juros? Para cada R$ 1,00 de juro ...
R$ 0,40 lucro do banco
R$ 0,17 inadimplência
R$ 0,29 cunha fiscal (impostos)
R$ 0,14 despesas administrativas
Taxa média cobrada nas operações de crédito pessoal: 62,3% ao ano
Spread: 47,3% (maio/2006)

- SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL


Conjunto de intermediários financeiros (instituições financeiras) que são responsáveis por transferir
recursos de poupadores (agentes superavitários) para tomadores de empréstimos (agentes deficitários).

Subsistema Normativo:

- Conselho Monetário Nacional (CMN)


- É formado pelo Presidente da República, Ministros e presidentes de estatais
- Formula a política monetária e cambial
- Banco Central (Bacen)
- Executa a política monetária e cambial
31
- Fiscaliza as instituições financeiras
- Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
- Fiscaliza o mercado de capitais

• Subsistema Operativo (principais intermediários financeiros)

- Bancos Comerciais: concentra-se em operações de curto e médio prazo (empréstimos para


capital de giro e desconto de duplicata) e recebem depósitos à vista.
- Bancos de Investimentos: concentra-se em operações de médio e longo prazo. Faz também o
lançamento de ações8 no mercado (underwriting)
- Sociedades Corretoras: operam com exclusividade na bolsa de valores
- Bolsa de Valores: local onde são negociadas as ações
- Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimento (Financeiras): financiam a
aquisição de bens duráveis
- Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES): tem por finalidade
prover a economia com recursos de longo prazo.

- CRISES FINANCEIRAS

- Crise bancária: como os bancos são ilíquidos por natureza, ocorrerá problema se os agentes
econômicos resolverem sacar suas reservas ao mesmo tempo. Quebrando uma instituição, o
problema pode tornar-se sistêmico (efeito dominó).

- Crise no mercado de capitais: bolha especulativa, exemplo: quebra da bolsa de valores de


Nova York, em 1929.

FUNCIONAMENTO DE UMA BOLHA ESPECULATIVA


Prosperidade → otimismo no mercado → aumento no preço das ações → efeito riqueza, aumento
do otimismo, efeito manada → crise de desconfiança, efeito manada → estouro da bolha →
efeito pobreza

REGRA DE OURO DA ESPECULAÇÃO FINANCEIRA, SEGUNDO KEYNES

“adivinhar para onde caminha a maioria dos agentes financeiros e, se possível, chegar lá antes”

“adivinhar o que a maioria fará e tratar de fazê-lo antes.”

- BOLSA DE VALORES

 É o local onde se compram e se vendem as ações de companhias.


(associação civil sem fins lucrativos, com autonomia administrativa, financeira e patrimonial)

 Algumas Bolsas no Mundo


BOVESPA (Brasil)
(Bolsa de Valores de São Paulo – criada em 1890 –até meados de 1960 era vincula ao governo)
NYSE- New York Stock Exchange (EUA)
(Bolsa de Valores de Nova Iorque – criada em 1792)
NASDAQ - North American Securities Dealers Automated Quotation System (EUA)
(empresas de alta tecnologia em eletrônica, biotecnologia, informática, telecomunicações - criada
em 1971)

 O que são ações?

8
Ação é um documento que indica ser seu possuidor o proprietário de certa fração de determinada empresa.
32
São títulos nominativos negociáveis que representam, para quem as possui, uma fração do capital
social de uma empresa.

É um pedacinho de uma empresa.


Com um ou mais pedacinhos da empresa, você se torna sócio dela.
(Lotes de 1, 10, 100 ações)
 Quais são os tipos de ações?
- Ordinárias (ON): concedem o direito de voto nas assembléias da empresa.
- Preferenciais (PN): oferecem preferência no recebimento de resultados ou no reembolso do capital
em caso de liquidação da companhia. Entretanto, as ações preferenciais não concedem o direito de
voto, ou o restringem.

 O que são dividendos?


Correspondem à parcela de lucro distribuída aos acionistas, na proporção da quantidade de ações
detida, apurado ao fim de cada exercício social.

A companhia deve distribuir, no mínimo, 25% de seu


lucro líquido ajustado.

 Mercado primário e mercado secundário


Mercado Primário compreende o lançamento de novas ações no mercado
(uma forma de captação de recursos para a empresa)
IPOS (Initial Public Offering=Oferta pública Inicial)
Mercado Secundário é onde ocorre a troca de propriedade de título.
o vendedor é você (investidor) que se desfaz das ações para reaver o seu dinheiro. Por isso, os
negócios que você realiza em Bolsa de Valores correspondem ao mercado secundário.

 Como é formado o preço de uma ação?


O preço da ação é formado pelos investidores do mercado que, dando ordens de compra ou venda de
ações às Corretoras das quais são clientes, estabelecem o fluxo de oferta e procura de cada papel,
fazendo com que se estabeleça o preço justo da ação.

 O que determina a maior/menor oferta/demanda por ações?

•Comportamento histórico dos preços


•Perspectivas futuras de desempenho da empresa emissora da ação (principalmente)
Tais perspectivas podem ser influenciadas por notícias sobre o mercado no qual a empresa atua,
divulgação do balanço da empresa (com dados favoráveis ou desfavoráveis), notícias sobre fusão de
companhias, mudanças tecnológicas e muitas outras que possam afetar o desempenho da empresa
emissora da ação.

 Pòs e contras a abertura de capital

Vantagens
•Funciona como uma opção de financiamento da companhia, mais barata que empréstimos
•Torna públicos os resultados da empresa, o que leva seus executivos a ficar constantemente
atentos a seu desempenho
•A troca de informações com o mercado ajuda os executivos a refletir sobre as decisões
estratégicas tomadas na companhia

Desvantagens
•Os custos para manter uma empresa aberta podem ultrapassar 1 milhão de dólares por ano
• Os concorrentes têm acesso a muito mais informações sobre a companhia, o que pode acirrar
a competição
•A pressão dos investidores por resultados trimestrais pode atrapalhar os planos de longo
prazo
33
 Como comprar ações?
•Corretoras;
•Clubes de investimentos;
•Aplicando em fundos de ações administrados por bancos ou corretoras

 O que é um índice de ações?


É um indicador do desempenho de uma carteira teórica de ações.

 Exemplos de índices de ações


•Ibovespa (composta pelas ações que representam 80% do número de negócios e do volume financeiro
negociado)
•IBrx-50 (composta pelas 50 ações mais negociadas)
• Índice Dow Jones (Bolsa de NY); Índice Nasdaq (Nasdaq); Índice Nikkey

 O quanto a bolsa pode cair?


“interruptor de circuito” (circuit breaker)
-Queda de 10% (interrupção de meia hora)
-Queda adicional de 5% (interrupção de uma hora)

TÓPICO 10
SETOR EXTERNO
34

- CONCEITO DE TAXA DE CÂMBIO

- relação de troca entre duas moedas

- preço da moeda estrangeira em termos da moeda nacional

- medida de conversão da moeda nacional em moeda de outros países (divisas)

- EXEMPLO: COTAÇÕES DAS TAXAS DE CÂMBIO - ( 11/08/2006)

- (Dólar norte-americanos/USD) – (Real- Brasil/R$)


US$ 1,00 = R$ 2,1670

- (Iene-Japão/JPY) - (Real-Brasil/R$)

JPY 1,00 = R$ 0,018575

- (Euro-Com. Européia/EUR) - (Real-Brasil/R$)


EUR 1,00 = R$ 2,7560

- MERCADO CAMBIAL

- Oferta de Divisas (exemplo, os ofertantes de dólares no Brasil):


exportações; entrada de investimentos estrangeiros; turistas estrangeiros que visitam o país; empresas
que tomam empréstimos no exterior; envio de recursos obtidos no exterior para familiares no país
(transferências unilaterais)

- Demanda de Divisas (exemplo, os demandantes de dólares no Brasil):

importações; saída de investimentos estrangeiros; turistas em visitas ao exterior; empresas


estrangeiras instaladas no país que remetem os lucros para a matriz; pagamento de dívidas das
empresas no exterior.

- REGIMES CAMBIAIS

- Taxas Fixas de Câmbio:


determinada institucionalmente pelas autoridades monetárias

- Taxas Flexíveis ou Flutuantes de Câmbio:

determinada através do mercado (demanda e oferta de divisas)

(flutuação suja “dirty floating”= taxa de câmbio é determinada pelo mercado, mas
com eventuais intervenções do Governo)

- EXEMPLOS: TAXAS FIXAS DE CÂMBIO


35
(Bacen fixa: US$ 1,00 = R$ 3,00)

• Situação 1
Demanda de dólares > Oferta de dólares

Escassez de dólares
(Bacen entra vendendo dólares até US$ 1,00 = R$ 3,00)

• Situação 2
Oferta de dólares > Demanda de dólares
Excesso de dólares
(Bacen entra comprando dólares até US$ 1,00 = R$ 3,00)

- EXEMPLOS: TAXAS FLEXÍVEIS OU FLUTUANTES DE CÂMBIO

• Situação 1: US$ 1,00 = R$ 3,00 (cotação do dia anterior)


Demanda de dólares > Oferta de dólares

Escassez de dólares
US$ 1,00 > R$ 3,00 (cotação no fim do dia)

• Situação 2: US$ 1,00 = R$ 3,00 (cotação do dia anterior)

Oferta de dólares > Demanda de dólares


Excesso de dólares
US$ 1,00 < R$ 3,00 (cotação no fim do dia)

- VANTAGENS E DESVANTAGENS DO CÂMBIO FIXO E FLUTUANTE

Câmbio Fixo Câmbio Flutuante


Característica - Bacen fixa a taxa de - O mercado (demanda e
s câmbio. oferta de divisas) determina a
- Bacen é obrigado a taxa de câmbio.
manter reservas cambiais. - Bacen não é obrigado a
manter reservas cambiais.
Vantagens - Maior controle da - Política monetária mais
inflação (custo das independente do câmbio.
importações estáveis) - Reservas cambiais mais
protegidas de ataques
especulativos.
Desvantagens - Reservas cambiais - A taxa de câmbio fica muito
vulneráveis a ataques dependente da volatilidade do
especulativos. mercado financeiro nacional e
- A política monetária internacional.
(taxa de juros) fica - Maior dificuldade de
dependente do volume de controle das pressões
reservas cambiais. inflacionárias, devido às
desvalorizações cambiais.

-
VALORIZAÇÃO CAMBIAL (ou queda na taxa de câmbio)

Ex: US$ 1,00 = R$ 4,00 Þ US$ 1,00 = R$ 3,00

- a moeda nacional passa a valer mais em relação à moeda estrangeira


36
- são necessários menos reais por moeda estrangeira

- UMA VALORIZAÇÃO CAMBIAL ESTIMULA AS IMPORTAÇÕES

Taxa de câmbio Preço de um carro importado Preço do mesmo carro


em dólares (US$) em reais (R$)
US$ 1,00 = R$ 4,00 10.000,00 40.000,00
US$ 1,00 = R$ 3,00 10.000,00 30.000,00

- UMA VALORIZAÇÃO CAMBIAL DESESTIMULA AS EXPORTAÇÕES

Taxa de câmbio Produção em toneladas Receita em dólares Receita em reais


(US$) (R$)
US$ 1,00 = R$ 4,00 100 5.000,00 20.000,00
US$ 1,00 = R$ 3,00 100 5.000,00 15.000,00

- DESVALORIZAÇÃO CAMBIAL (ou aumento na taxa de câmbio)


Ex: US$ 1,00 = R$ 3,00 Þ US$ 1,00 = R$ 4,00

- a moeda nacional passa a valer menos em relação à moeda estrangeira


- são necessários mais reais por moeda estrangeira

- AO CONTRÁRIO DE UMA VALORIZAÇÃO, UMA DESVALORIZAÇÃO CAMBIAL


ESTIMULA AS EXPORTAÇÕES E DESESTÍMULA AS IMPORTAÇÕES.

5.10) BALANÇO DE PAGAMENTOS (BP)


Balanço de Pagamentos (BP): é o é o registro contábil de todas as transações econômicas realizadas
entre os residentes do país com os residentes dos demais países, ou seja, entre um país e o resto do
mundo em determinado período de tempo.

D) Transações Correntes (TC): são aquelas que produzem fluxos de bens reais, ou seja, movimentação
de bens de serviços. São subdivididas em balança comercial, balanço de serviços e transferências
unilaterais.

TC = BC + BS + TU

A) BC = Balança Comercial: registra o saldo das exportações e importações de


mercadorias
B) BS = Balanço de Serviços: registra o saldo de todas as operações de transportes,
seguros, rendas de capitais (juros e lucros), turismo, etc.
C) TU = Transferências Unilaterais: registram o saldo de todas as transações que
não envolvem obrigações em contrapartida. São contabilizadas nesse grupo
os donativos internacionais, transferências de imigrantes a seus familiares etc

E) Balanço de Capitais (BK): correspondem ao saldo de entradas e saídas voluntárias de capitais sob
forma de empréstimos, investimentos diretos, amortizações, financiamentos, capitais de curto prazo
etc

F) Erros e Omissões (EO)

G) Saldo do Balanço de Pagamentos (BP) = D + E + F


37

H) Financiamento do Resultado (Capitais Compensatórios = KC): englobam as reservas


internacionais, os empréstimos de regularização do FMI e os atrasados, que são contas vencidas e não
pagas pelo país.

Estrutura do Balanço de Pagamentos


A) BALANÇA COMERCIAL (BC)
Exportações
Importações
B) BALANÇO DE SERVIÇOS (BS)
Viagens internacionais
Transportes
Seguros
Rendas de capitais (lucros e juros)
C) TRANSFERÊNCIAS UNILATERAIS (TU)
D) SALDO EM TRANSAÇÕES CORRENTE (TC = BC +BS +TU)
E) BALANÇO DE CAPITAIS (BK)
Investimentos diretos
Empréstimos
Financiamentos
Capitais de curto prazo
F) ERROS E OMISSÕES (EO)
G) SALDO DO BALANÇO DE PAGAMENTOS (BP = TC + KA + EO)
H) FINANCIAMENTO DO RESULTADO (CAPITAIS COMPENSATÓRIOS- KC) (KC = - BP)
Variação de reservas
Empréstimos de regularização
Atrasados
BP > 0 superávit : as reservas aumentam
BP < 0 déficit: as reservas diminuem ou o país faz um empréstimo de regularização junto ao FMI. Se
isso não for possível, as obrigações vencidas são contabilizadas como atrasados.

- ESTRUTURA DO BALANÇO DE PAGAMENTOS NO BRASIL (JAN/2004) US$ milhões

A- Balança Comercial – BC (mercadorias)


• Exportações 5.800
• Importações - 4.212
1.588 (superávit
da BC)
B- Balanço de Serviços – BS
• Rendas de capitais (lucros e juros) -104
• Demais serviços (seguros, fretes, viagens etc.) -1.056
-1.160 (déficit da BS)
C- Transferências Unilaterais (donativos em divisas ou em mercadorias) 241
D- Saldo em Transações Correntes – TC (A + B + C) 669 (superávit em
TC)
E- Balanço de Capitais – BK- (transações monetárias)
• Investimentos diretos 992
• Investimentos de portfólio 2.639
• Empréstimos e financiamentos -231
3.845 (superávit do BK)
F- Erros e Omissões 312
G- Saldo do Balanço de Pagamentos – BP- (D + E + F) 4.202 (superávit do BP)
Financiamento do Resultado
38
• Variação de reservas
• Empréstimos de regularização (FMI)
• Atrasos comerciais
Um superávit do BP de US$ 4.202 significa que entrou mais divisas do que saiu do país e
suas reservas aumentaram nesse valor.

- Superávit da balança comercial = exportações são maiores do que as importações.

- Déficit da balança comercial = importações são maiores do que as exportações.

- AJUSTES NO BALANÇO DE PAGAMENTOS

No curto prazo, os déficits podem ser financiados pelas reservas internacionais ou empréstimos. No
longo prazo, é necessário promover um ajuste recorrendo a uma das seguintes medidas:

• Restrição às importações (tarifárias ou quantitativas)


• Subsídios às exportações
• Controle da saída de capitais
• Aumento da taxa interna de juros (reduz o consumo e atrai capitais de curto prazo)
• Redução do nível de atividade econômica (aumento de impostos e redução dos gastos
governamentais)
• Desvalorização da taxa de câmbio
39

TÓPICO 11
SETOR PÚBLICO 9

-
CARGA TRIBUTÁRIA
• Carga Tributária refere-se ao total de arrecadação do governo (impostos diretos e
indiretos).

Países Carga Tributária (1999 - % do PIB)


Brasil 31,0
Suécia 50,3
Estados Unidos 29,7
França 45,3
Japão 21,0
Alemanha 44,2
Argentina 14,4
Chile 20,0
México 18,3
Fonte: Conjuntura Econômica

- EVOLUÇÃO DA CARGA TRIBUTÁRIA NO BRASIL - % (Receita tributária/PIB)


1947 1995 2000 2001 2002 2003 2004 2005
Carga 14,00 28,47 32,48 33,84 35,86 36,00 36,00 38,00
tributária
Fonte: Conjuntura Econômiica.

• Em 2004, a carga tributária foi de R$ 648 bilhões


• Carga Tributária (valores arrecadados pelo governo)
A cada dia do ano = R$ 1,776 bilhões
A cada hora = R$ 74 milhões
A cada minuto = R$ 1,23 milhões
A cada segundo = R$ 20,5 mil

- PERCENTUAL DE IMPOSTOS NO BRASIL SOBRE O PREÇO FINAL (em %)-2005


Bens e Serviços Percentual de impostos Bens e Serviços Percentual de impostos
Gasolina 53 Automóveis 44
Conta de Luz 46 Aparelhos de celular 41
Água mineral 45 Fruta 23
Fonte: Exame.

- POLÍTICA FISCAL EXPANSIVA E RECESSIVA

• Política fiscal: decisões de governo que se referem aos seus gastos e receitas.

- Política fiscal expansiva:


↓Impostos → ↑consumo
⇒ Produção e
emprego↑
↑Gasto Público → ↑ Demanda agregada

9
O conteúdo do capítulo 15 já foi anteriormente desenvolvido (juntamente com outros capítulos).
40

- Política fiscal recessiva:


↑Impostos → ↓consumo
⇒ Produção e
emprego↓
↓Gasto Público → ↓Demanda agregada

- DÉFICIT/SUPERÁVIT PÚBLICO

Orçamento do = Receitas - Gastos


Setor Público Públicas Públicos

Receitas > Gastos ⇒ Superávit Público


Gastos > Receitas ⇒ Déficit Público
Receitas = Gastos ⇒ Equilíbrio das Contas Públicas

G= gastos do governo (excluindo-se os gastos com pagamento dos juros da dívida)


T = arrecadação de tributos

• Déficit Primário: G > T


• Superávit Primário: T > G

• Déficit Operacional: G + juros > T

• Déficit Nominal: G + juros + correção monetária > T

- FORMAS DE FINANCIAMENTO

• emissão de moeda (gera inflação)


• venda de títulos da dívida pública (aumenta a divida pública)

- A SITUAÇÃO DO BRASIL (junho/2006)

O governo economizou R$ 10,444 bilhões (resultado primário)


Mas gastou R$ 17,435 bilhões (juros nominais)
E que gerou um rombo nas contas R$ 6,991 bilhões (resultado nominal)

EXERCÍCIO EXTRA
Imagine que Antonio, João e Pedro herdaram US$ 200 mil e cada um deles comprou imediatamente
uma casa Imagine ainda que eles venderam suas casas um ano após a compra. Contudo as condições
econômicas foram diferentes em cada caso:
• No período em que Antonio foi dono da casa, registrou-se uma deflação de 25% -os
preços de todos os bens e serviços se reduziram em aproximadamente 25%. Um ano
após a compra, Antonio a vendeu por US$ 154 mil (23% abaixo do preço de compra).
• No período em que João foi dono da casa, não houve inflação nem deflação - os preços
de todos os bens e serviços não variaram significativamente naquele ano. Um ano após
a compra, João a vendeu por US$ 198 mil (1% abaixo do preço de compra).
• No período em que Pedro foi dono da casa, houve uma inflação de 25% -os preços de
todos os bens e serviços aumentaram aproximadamente 25%. Um ano depois de
comprar a casa, Pedro a vendeu por US$ 246 mil (23% a mais do que o preço de
compra). (BLANCHARD, 2004, p. 556).
41
Quem fez o melhor negócio ? (aponte classificando o primeiro, o segundo e o terceiro lugar).
Justifique sua resposta apresentando os cálculos.