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TUTORIAL 1:
Conceitos Fundamentais de
GIS
LABFSR/UFBA

Sumário
Onde o GIS é utilizado 2

Formas de captura e tipos de dados 3

Uma abstração da Realidade... 3

Tipos de Dados 4

Por que o QGIS? 6

Salvador, 2021

Rua Aristides Novís, 2 sexto andar/Campus Escola Politécnica - Salvador/BA


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O que é GIS ?
O GIS é mais do que apenas um software. As pessoas e os métodos são combinados com softwares,
ferramentas geoespaciais e métodos de coleta de dados, para permitir análises espaciais, gerenciar
grandes bases de dados e a exibição de informações em um mapa.
O sistema permite solucionar diversos problemas, como o que está acontecendo dentro de uma área
de interesse, como ela mudou ao longo do tempo, além da localização e densidade de recursos. Ao
relacionar dados aparentemente não relacionados, o GIS pode ajudar indivíduos e organizações a
entenderem melhor padrões e relacionamentos espaciais.
O SIG, Sistema de Informações Geográficas, ou GIS, Geographic Information System, então, é um
sistema projetado para capturar, armazenar, manipular e apresentar todos os tipos de dados
geográficos.
O GIS nos permite visualizar, questionar e interpretar dados de uma determinada localidade,
buscando entender padrões e tendências, servindo como informação de caráter estratégico para
organizações dos mais diferentes portes e ramos.
Por meio deste sistema, é possível fazer o mapeamento de onde os elementos estão, mostrando a
localização dos mais diversos recursos e quais as relações entre eles. Normalmente, as principais
fontes de dados para fazer esse mapeamento são a partir de sensoriamento remoto, GPS e
geoprocessamento.
A localização pode ser expressa em um mapa de diversas formas, como latitude e longitude,
endereço ou código postal. Muitos tipos de informações podem ser comparados e contrastados
utilizando o sistema.
Empresas, governos, ONGs, pesquisadores e produtores rurais são alguns exemplos de beneficiados
por esse trabalho de mapeamento.

Onde o GIS é utilizado


Qualquer tipo de dado pode ser plotado em um mapa e ser analisado e processado com um GIS. Ele
pode ser utilizado para escolher as melhores regiões para a agricultura, traçar posições de linhas de
energia, planejar rotas para uma empresa de logística, entre outras soluções.
O sistema pode incluir dados sobre pessoas, como população, renda ou nível educacional. Pode,
ainda, incluir informações sobre a paisagem, como a localização de córregos, diferentes tipos de
vegetação e de solo.
Utilizando o GIS com um único mapa é possível incluir informações sobre indústrias, fazendas e até
mesmo cidades inteiras, integrando diversos tipos de dados, como de locais sensíveis à poluição,
zonas úmidas e rios. Esse mapa ajudaria, por exemplo, a determinar onde o abastecimento de água
poderia estar em maior risco.

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Formas de captura e tipos de dados


Os aplicativos GIS incluem sistemas de hardware e software. Essas aplicações podem integrar dados
cartográficos, fotográficos, digitais ou mesmo dados em planilhas.
Os dados cartográficos já estão em formato de mapa e podem incluir informações como a localização
de rios, estradas, colinas e vales. Com o GIS, informações adicionais de mapeamento podem ser
inseridas, atualizando esses mapas. Para isso, são utilizados receptores de Mapeamento e GIS, que
coletam informações em campo com precisão e versatilidade. Na interpretação de dados
fotográficos, envolve a análise de fotografias aéreas feitas a partir de aviões, balões e, mais
recentemente, por meio de RPAs e Drones especializados em mapeamento.
Os dados digitais também podem ser inseridos no GIS. Um exemplo desse tipo de informação são os
dados coletados por satélites que mostram a localização de fazendas, cidades e florestas.
Finalmente, também é possível incluir dados em forma de tabela ou planilha eletrônica, como as
informações demográficas de uma população.
A tecnologia GIS permite que todos esses diferentes tipos de informações, independentemente da
fonte ou do formato original, sejam sobrepostos um ao outro em um único mapa, que pode ser
utilizado para as mais diversas aplicações.

Uma abstração da Realidade...


Todo projeto de GIS passa por uma fase em que temos que abstrair a realidade para modelar
objetivamente ou subjetivamente nosso problema central. Nesta fase realizamos de forma explícita
ou implícita conceituações e definições de fenômenos e outros elementos que serão chave para a
execução de uma análise correta do problema estudado. Quando examinamos essa etapa de forma
mais detalhada e registramos objetivamente suas definições damos o nome de modelagem
conceitual.
A modelagem conceitual é sempre feita com base em algum formalismo conceitual (ex.:
Entidade-Relacionamento, Orientação a Objetos), independentemente do nível de abstração
empregado (CEN, 1996). O resultado do processo de modelagem, denominado esquema conceitual, é
apresentado através de uma linguagem formal de descrição que possui uma sintaxe e uma notação
gráfica. Para cada formalismo conceitual, existem diversas linguagens de descrição de esquema que
são compatíveis com o formalismo. O formalismo fornece um conjunto de conceitos, elementos e
regras que são usados no processo de modelagem da realidade, enquanto que a linguagem de
descrição fornece uma gramática para a apresentação do esquema conceitual resultante da
modelagem. A linguagem léxica possibilita o processamento computacional do esquema, enquanto a
notação gráfica é mais adequada para facilitar o entendimento e a comunicação entre seres humanos
(ex.:usuários e projetistas).
Durante anos foram realizadas pesquisas de forma a se compreender as relações entre as abstrações
de realidade dos cartógrafos e dos usuários de mapas. Kolacny criou uma importante proposta em
1977 que propõe um modelo de comunicação cartográfica mostrado na figura 1. É esse modelo que
demonstra a existência da sobreposição de realidades entre a mente do cartógrafo e a dos usuários
dos mapas de forma que seja possível a compreensão da transmissão da realidade da informação
entre quem cria e quem lê as informações mapeadas.

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Figura 1-Comunicação da informação cartográfica. Kolácny, 1967 (Cf: Kolácny, 1977)

Tipos de Dados
Os modelos de dados existentes para SIG estão relacionados com as diferentes formas de percepção
da realidade que podem ser empregadas. Para Goodchild, estes modelos de dados podem ser
divididos segundo duas visões: visão de campo e visão de objetos. Na visão de campo, a realidade é
modelada por variáveis que possuem uma distribuição contínua no espaço, como por exemplo,
temperatura, tipo de solo ou relevo. Todas as posições no espaço geográfico estão associadas a
algum valor correspondente à variável representada. Os objetos definidos com uso do modelo são,
na verdade, abstrações que representam fenômenos que acontecem na realidade (ex.: temperatura,
pressão, umidade).
Por outro lado, na visão de objetos, entidades reais são observadas como estando distribuídas sobre
um grande espaço vazio, onde nem todas as posições estão preenchidas e, além disso, mais de uma
entidade pode estar situada sobre uma mesma posição geográfica. Goodchild, identifica seis tipos
diferentes de modelos de dados baseados na visão de campo, que são usados em SIG (Figura 3.2),
são eles:
a) Amostragem Irregular de Pontos - o banco de dados contém um conjunto de tuplas <x,y,z>
representando valores coletados em um conjunto finito de localizações irregularmente
espaçadas. (ex.: estações de medição de temperatura)
b) Linhas de Contorno - o banco de dados contém um conjunto de linhas,cada uma com um
valor z associado. (ex.: curvas de nível)
c) Polígonos - A área é particionada em um conjunto de regiões, onde a cada região está
associado um valor que é único em todas as suas posições. (ex.:tipos de solos).
d) Amostragem Regular de Pontos - Como no item a, porém, com pontos distribuídos
regularmente. (ex.: Modelos Numéricos de Terreno)
e) Grade Regular de Células - A área é dividida em uma grade regular de células, onde o valor da
cada célula corresponde ao valor da variável para todas as posições dentro da célula. (ex.:
imagens de satélites)
f) Grade Triangular - a área é particionada em triângulos irregulares. O valor da variável é
definido em cada vértice do triângulo e varia linearmente sobre o triângulo. (ex.: TIN -
Triangulated Irregular Network)

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Amostragem Irregular de Pontos Linhas de Contorno

Polígonos (Formas Irregulares) Amostragem Regular de Pontos

Grade Regular de Células Grade Triangular (Irregular)

Cada um desses modelos pode ser representado em um BD Geográfico como um conjunto de


pontos, linhas, áreas ou células. Esses modelos, geralmente são confundidos, equivocadamente, com
os modelos de representação de dados espaciais, matricial e vetorial . Cada um deles pode ser
mapeado em qualquer uma daquelas representações. Sendo que alguns modelos se adequam
melhor a uma ou outra forma. Por exemplo, os modelos de Amostragem Regular de Pontos e Grade
Regular de Células, são mapeados naturalmente para a representação matricial, enquanto que os
demais modelos são melhor representados numa estrutura vetorial.
No Modelo de Objetos, os mesmos são representados como pontos, linhas ou áreas (a que
chamamos de primitivas gráficas). Dois objetos podem estar localizados na mesma posição
geográfica, ou seja, podem possuir coordenadas idênticas. Muitas implementações não fazem
distinção no banco de dados, entre modelos de objetos e de campos. Por exemplo, um conjunto de
linhas pode representar contornos (modelo de campos) ou estradas (modelo de objetos), as
implicações das interseções sejam muito diferentes nos dois casos. O modelo de objetos é mais
adequado para aplicações sócio-econômicas, que tratam com entidades criadas pelo homem (ex.

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rede de transporte, cadastro municipal, escolas, etc), enquanto que os modelos de campo são mais
adequados para aplicações ambientais

Por que o QGIS?


Com a informação se tornando cada vez mais preocupada com a a espacialidade, não há falta de
ferramentas capazes de cumprir algumas ou todas as funções de SIG mais utilizadas. Por que alguém
deveria estar usando QGIS ao invés de algum outro pacote de software SIG?
Aqui estão apenas algumas das razões:

● É gratuito. A instalação e utilização do programa QGIS custa-lhe um total de zero dinheiro.


Nenhuma taxa inicial, nenhuma taxa recorrente, nada.
● É livre. Se você precisar de funcionalidades extras no QGIS, você pode fazer mais do que
apenas esperar que elas sejam incluídas na próxima versão. Você pode patrocinar o
desenvolvimento de uma funcionalidade, ou adicioná-la você mesmo se estiver familiarizado
com programação.
● Está em constante desenvolvimento. Porque qualquer um pode adicionar novos recursos e
melhorar os já existentes, o QGIS não estagna. O desenvolvimento de uma nova ferramenta
pode acontecer tão rapidamente quanto você precisar dela.
● Ajuda extensiva e documentação disponível. Se você empacou com alguma coisa, você pode
ver a extensa documentação, seus companheiros usuários de qgis ou até mesmo os
desenvolvedores.
● Multiplataforma. O QGIS pode ser instalado em MacOS, Windows e Linux.
Agora que você sabe porque quer usar o QGIS, podemos mostrar-lhe como...

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