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Impressionismo

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 Nota: Para pela expressão artística que ocorreu no final do impressionismo, veja Pós-impressionismo.

História da arte

Por período
Arte pré-histórica[Expandir]
Arte antiga[Expandir]
Arte medieval[Expandir]
A. na Idade Moderna[Expandir]
Arte moderna[Expandir]
Arte contemporânea[Expandir]
Por expressão artística[Esconder]

Arquitectura - Pintura

Escultura - Design

Literatura - Música

Teatro - Cinema

Impressionismo foi um movimento artístico que surgiu na pintura européia do século XIX. O nome do movimento é
derivado da obra Impressão, nascer do sol (1872), de Claude Monet,um dos maiores pintores que já usou o
impressionismo.

Os autores impressionistas não mais se preocupavam com os preceitos do Realismo ou da academia. A busca pelos
elementos fundamentais de cada arte levou os pintores impressionistas a pesquisar a produção pictórica não mais
interessados em temáticas nobres ou no retrato fiel da realidade, mas em ver o quadro como obra em si mesma.
A luz e o movimento utilizando pinceladas soltas tornam-se o principal elemento da pintura, sendo que geralmente as
telas eram pintadas ao ar livre para que o pintor pudesse capturar melhor as variações de cores da natureza.
A emergente arte visual do impressionismo foi logo seguida por movimentos análogos em outros meios quais ficaram
conhecidos como, música impressionista e literatura impressionista.

Índice
 [esconder]

1 Características

2 Origens

3 Impressionismo no

Brasil

4 Música e literatura

o 4.1 Literatura

5 Referências

6 Ver também

7 Ligações externas

[editar]Características
Orientações Gerais que caracterizam a pintura impressionista:

 A pintura deve mostrar as tonalidades que os objetos adquirem ao refletir a luz do sol num determinado momento,
pois as cores da natureza mudam constantemente, dependendo da incidência da luz do sol.

 É também com isto uma pintura instantânea(captar o momento), recorrendo, inclusivamente à fotografia.

 As figuras não devem ter contornos nítidos pois o desenho deixa de ser o principal meio estrutural do quadro
passando a ser a mancha/cor.
 As sombras devem ser luminosas e coloridas, tal como é a impressão visual que nos causam. O preto jamais é
usado em uma obra impressionista plena.

 Os contrastes de luz e sombra devem ser obtidos de acordo com a lei das cores complementares. Assim um
amarelo próximo a um violeta produz um efeito mais real do que um claro-escuro muito utilizado pelos
academicistas no passado. Essa orientação viria dar mais tarde origem ao pontilhismo

 As cores e tonalidades não devem ser obtidas pela mistura das tintas na paleta do pintor. Pelo contrário,devem ser
puras e dissociadas no quadro em pequenas pinceladas. É o observador que, ao admirar a pintura, combina as
várias cores, obtendo o resultado final. A mistura deixa, portanto, de ser técnica para se tornar óptica.

 Preferência pelos pintores em representar uma natureza morta do que um objeto

Entre os principais expoentes do Impressionismo estão Claude Monet, Edouard Manet,  Edgar Degas  e Auguste
Renoir . Poderemos dizer ainda que Claude Monet foi um dos maiores artistas da pintura impressionista da época.
Orientações Gerais que caracterizam o impressionista:

 Rompe completamente com o passado.

 Inicia pesquisas sobre a óptica / efeitos (ilusões) ópticas.

 É contra a cultura tradicional.

 Pertence a um grupo individualizado.

 Falam de arte, sociedade, etc: não concordam com as mesmas coisas porém discordam do mesmo.

 Vão pintar para o exterior, algo bastante mais fácil com a evolução da indústria, nomeadamente, telas com mais
formatos, tubos com as tintas, entre outras coisas.
Os efeitos ópticos descobertos pela pesquisa fotográfica, sobre a composição de cores e a formação de imagens na
retina do observador, influenciaram profundamente as técnicas de pintura dos impressionistas.

Eles não mais misturavam as tintas na tela, a fim de obter diferentes cores, mas utilizavam pinceladas de cores puras
que colocadas uma ao lado da outra, são misturadas pelos olhos do observador, durante o processo de formação da
imagem.

[editar]Origens

Édouard Manet não se considerava um impressionista, mas foi em torno dele que se reuniram grande parte dos
artistas que viriam a ser chamados de Impressionistas. O Impressionismo possui a característica de quebrar os laços
com o passado e diversas obras de Manet são inspiradas na tradição. Suas obras no entanto serviram de inspiração
para os novos pintores.

O termo impressionismo surgiu devido a um dos primeiros quadros de Claude Monet (1840-1926) Impressão - Nascer
do Sol, por causa de uma crítica feita ao quadro pelo pintor e escritor Louis Leroy "Impressão, Nascer do Sol -eu bem
o sabia! Pensava eu, se estou impressionado é porque lá há uma impressão. E que liberdade, que suavidade de
pincel! Um papel de parede é mais elaborado que esta cena marinha". A expressão foi usada originalmente de forma
pejorativa, mas Monet e seus colegas adotaram o título, sabendo da revolução que estavam iniciando.

[editar]Impressionismo no Brasil

No início do século XX, Eliseu Visconti foi sem dúvida o artista que melhor representou os postulados impressionistas
no Brasil. Sobre o impressionismo de Visconti, diz Flávio de Aquino: "Visconti é, para nós, o precursor da arte dos
nossos dias, o nosso mais legítimo representante de uma das mais importantes etapas da pintura contemporânea: o
impressionismo. Trouxe-o da França ainda quente das discussões, vivo; transformou-o, ante o motivo brasileiro,
perante a cor e a atmosfera luminosa do nosso País".

Principais pintores impressionistas brasileiros: Eliseu Visconti, Almeida Júnior, Timótheo da Costa, Henrique


Cavaleiro e Vicente do Rego Monteiro.

[editar]Música e literatura

Ver artigo principal:  Impressionismo na música

Música impressionista é o nome dado ao movimento da música clássica européia que surgiu no fim do Século
XIX e continuou até o meio do Século XX. Originando-se na França, música impressionista é caracterizada por
sugestão e atmosfera. Compositores impressionistas preferiam composições com formas mais curtas, tais como
o nocturne, arabesque, e oprelúdio; além disto, freqüentemente exploravam escalas, como a escala
hexafônica ou também chamada de tons inteiros.

A influência de impressionismo visual na sua contraparte musical é bem discutida. Claude Debussy e Maurice


Ravel são considerados, em geral, os maiores compositores impressionistas. Mas, Debussy não concordou com
o termo, chamando-o de invenção dos críticos. [1] Entre outros músicos impressionistas fora da França incluem-
se obras de Ralph Vaughan Williams e Ottorino Respighi.[2]

Com Clair de Lune de Debussy e Bolero de Ravel, vemos que há ainda vestígios do Romantismo na Música
Impressionista.

[editar]Literatura
Ver artigo principal:  Impressionismo na literatura

O termo Impressionismo também é usado para descrever obras de literatura, entre quais bastam


acrescentar poucos detalhes para estabelecer as impressões sensoriais de um incidente ou cena.
Literatura impressionista é bem relacionada a simbolismo, entre os seus melhores exemplares podemos
encontrar: Baudelaire, Mallarmé, Rimbaud e Verlaine. Autores tais como Virginia Woolf e Joseph
Conrad escreveram trabalhos impressionistas de modo que, em vez de interpretar, eles descrevem as
impressões, sensações e emoções que constituem uma vida mental de um caráter.

Referências

1. ↑ Tsai, Shengdar. Impressionistic Influences in the Music of Claude Debussy. Accessed 22 July 2006.
2. ↑ "Impressionism, in music". The Columbia Encyclopedia (6th ed.). New York: Columbia University
Press. Visitado em 2006-07-22. 

[editar]Ver também

 História da arte

 História da arte europeia

 Música impressionista
[editar]Ligações externas

O Commons possui multimídias sobre Impressionismo

 Eliseu Visconti

IMPRESSIONISMO
O Impressionismo foi um movimento artístico que revolucionou profundamente a pintura e deu início às grandes
tendências da arte do século XX. Havia algumas considerações gerais, muito mais práticas do que teóricas, que os
artistas seguiam em seus procedimentos técnicos para obter os resultados que caracterizaram a pintura
impressionista. 

Principais características da pintura:

 * A pintura deve registrar as tonalidades que os objetos adquirem ao refletir a luz solar num determinado momento,
pois as cores da natureza se modificam constantemente, dependendo da incidência da luz do sol.

 * As figuras não devem ter contornos nítidos, pois a linha é uma abstração do ser humano para representar imagens.

 * As sombras devem ser luminosas e coloridas, tal como é a impressão visual que nos causam, e não escuras ou
pretas, como os pintores costumavam representá-las no passado.

 * Os contrastes de luz e sombra devem ser obtidos de acordo com a lei das cores complementares. Assim, um
amarelo próximo a um violeta produz uma impressão de luz e de sombra muito mais real do que o claro-escuro tão
valorizado pelos pintores barrocos.
 * As cores e tonalidades não devem ser obtidas pela mistura das tintas na paleta do pintor. Pelo contrário, devem ser
puras e dissociadas nos quadros em pequenas pinceladas. É o observador que, ao admirar a pintura, combina as
várias cores, obtendo o resultado final. A mistura deixa, portanto, de ser técnica para se óptica. 

A primeira vez que o público teve contato com a obra dos impressionistas foi numa exposição coletiva realizada em
Paris, em abril de 1874. Mas o público e a crítica reagiram muito mal ao novo movimento, pois ainda se mantinham
fiéis aos princípios acadêmicos da pintura. 
 

Principais artistas:

Claude Monet  - incessante pesquisador da luz e seus efeitos, pintou vários motivos em diversas horas do dia, afim
de estudar as mutações coloridas do ambiente com sua luminosidade.  
Obras Destacadas: Mulheres no Jardim e a Catedral de Rouen em Pleno Sol.

Auguste Renoir - foi o pintor impressionista que ganhou maior popularidade e chegou mesmo a ter o
reconhecimento da crítica, ainda em vida. Seus quadros manifestam otimismo, alegria e a intensa movimentação da
vida parisiense do fim do século XIX. Pintou o corpo feminino com formas puras e isentas de erotismo e
sensualidade, preferia os nus ao ar livre, as composições com personagens do cotidiano, os retratos e as naturezas
mortas.  
Obras Destacadas: Baile do Moulin de la Galette e La Grenouillière.

Edgar Degas  - sua formação acadêmica e sua admiração por Ingres fizeram com que valorizasse o desenho e não
apenas a cor, que era a grande paixão do Impressionismo. Além disso, foi pintor de poucas paisagens e cenas ao ar
livre. Os ambientes de seus quadros são interiores e a luz é artificial. Sua grande preocupação era flagrar um instante
da vida das pessoas, aprender um momento do movimento de um corpo ou da expressão de um rosto. Adorava o
teatro de bailados. 
Obra Destacada: O Ensaio.

Seurat  - Mestre no pontilhismo. Obra Destacada: Tarde de Domingo na Ilha Grande Jatte.
No Brasil, destaca-se o pintor Eliseu Visconti, ele já não se preocupa mais em imitar modelos clássicos; procura,
decididamente, registrar os efeitos da luz solar nos objetivos e seres humanos que retrata em suas telas. Ganhou
uma viagem à Europa, onde teve contato com a obra dos impressionistas. A influência que recebeu desses artistas
foi tão grande que ele é considerado o maior representante dessa tendência na pintura brasileira. 
Obra destacadas são: Trigal e Maternidade.

Para seu conhecimento

- O quadro Mulheres no Jardim, de Monet, foi pintado totalmente ao ar livre e sempre com a luz do sol. São cenas do
jardim da casa do artista.

- O movimento impressionista foi idealizado nas reuniões com seus principais pintores e elas aconteciam no estúdio
fotográfico de Nadar, na Rue de Capucines, Paris.
Expressionismo
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Por período
Arte pré-histórica
Arte antiga
Arte medieval
A. na Idade Moderna
Arte moderna
Arte contemporânea
Por expressão artística

Arquitectura - Pintura

Escultura - Design

Literatura - Música

Teatro - Cinema

Fränzi perante uma cadeira talhada (1910), deErnst Ludwig Kirchner, Museu Thyssen-Bornemisza, Madrid.

O expressionismo foi um movimento cultural de vanguarda surgido na Alemanha nos primórdios do século XX, de


indivíduos que estavam mais interessados na interiorização da criação artística do que na sua exteriorização, projetando na
obra de arte uma reflexão individual e subjetiva. Ou seja, a obra de arte é reflexo direto do mundo interior do artista
expressionista.

O expressionismo plasmou-se num grande número de campos: arquitetura, artes


plásticas, literatura, música, cinema, teatro, dança, fotografia, etc. A sua primeira manifestação foi no terreno da pintura, ao
mesmo tempo que o fauvismo francês, fato que tornaria ambos movimentos artísticosnos primeiros expoentes das
chamadas "vanguardas históricas". Mais que um estilo com características próprias comuns foi um movimento
heterogêneo, uma atitude e uma forma de entender a arte que aglutinou diversos artistas de tendências variadas e
diferente formação e nível intelectual. Surgido como reação ao impressionismo, frente ao naturalismo e o
caráter positivista deste movimento de finais do século XIX os expressionistas defendiam uma arte mais pessoal e intuitiva,
onde predominasse a visão interior do artista –a "expressão"– frente à plasmação da realidade –a "impressão"–.

O expressionismo costuma ser entendido como a deformação da realidade para expressar mais subjetivamente a natureza


e o ser humano, dando primazia à expressão dos sentimentos mais que à descrição objetiva da realidade. Entendido desta
forma, o expressionismo é extrapolável a qualquer época e espaço geográfico. Assim, com frequência qualificou-se de
expressionista a obra de diversos autores como Matthias Grünewald,Pieter Brueghel, o Velho, El Greco ou Francisco de
Goya. Alguns historiadores, para o distinguir, escrevem "expressionismo" –em minúsculas– como termo genérico e
"Expressionismo" –em maiúsculas– para o movimento alemão.[1]
O Expressionismo distingue-se do Realismo por não estar interessado na idealização da realidade, mas na sua apreensão
pelo sujeito. Guarda, porém, com o movimento realista, semelhanças, como uma certa visão anti-"Romantismo" do mundo.

Com as suas cores violentas e a sua temática de solidão e de miséria, o expressionismo refletiu a amargura que invadia os
círculos artísticos e intelectuais da Alemanha pré-bélica, bem como da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e do período
entre-guerras (1918-1939). Essa amargura provocou um desejo veemente de transformar a vida, de buscar novas
dimensões à imaginação e de renovar as linguagens artísticas. O expressionismo defendia a liberdade individual, a
primazia da expressão subjetiva, o irracionalismo, o arrebatamento e os temas proibidos –o excitante, demoníaco, sexual,
fantástico ou pervertido. Pretendeu refletir uma visão subjetiva, uma deformação emocional da realidade, através do caráter
expressivo dos meios plásticos, que tomaram uma significação metafísica, abrindo os sentidos ao mundo interior.
Entendido como uma genuína expressão da alma alemã, o seu caráter existencialista, o seu anseio metafísico e a visão
trágica do ser humano no mundo fizeram reflexo de uma concepção existencial liberta ao mundo do espírito e à
preocupação pela vida e pela morte, concepção que costuma qualificar-se de "nórdica" por se associar ao temperamento
que é identificado com o estereótipo dos países donorte da Europa. Fiel reflexo das circunstâncias históricas em que se
desenvolveu, o expressionismo revelou o lado pessimista da vida, a angustia existencial do indivíduo, que na sociedade
moderna, industrializada, se vê alienado, isolado. Assim, mediante a distorção da realidade visavam impactar o espectador
e chegar ao seu lado mais emotivo.

O expressionismo não foi um movimento homogêneo, mas de uma grande diversidade estilística: houve um
expressionismo modernista(Munch), fauvista (Rouault), cubista e futurista (Die
Brücke), surrealista (Klee), abstrato (Kandinsky), etc. Embora o seu maior centro de difusão fosse na Alemanha, também foi
percebido em outros artistas europeus (Modigliani, Chagall, Soutine, Permeke)
e americanos(Orozco, Rivera, Siqueiros, Portinari). Na Alemanha organizou-se nomeadamente em torno de dois
grupos: Die Brücke (fundado em1905), e Der Blaue Reiter (fundado em 1911), embora houvesse artistas não adestritos a
nenhum grupo. Depois da Primeira Guerra Mundial apareceu a chamada Nova Objetividade que, se bem que surgiu como
recusa do individualismo expressionista defendendo um caráter mais social da arte, a sua distorção formal e o seu colorido
intenso tornam-nos herdeiros diretos da primeira geração expressionista.

Em uma acepção mais ampla, a palavra “expressionismo” refere-se a qualquer manifestação subjetiva e psicológica da
criação humana.

Índice

1 Definição

2 Origens e influências

3 Arquitetura

o 3.1 Deutscher

Werkbund

o 3.2 Escola de

Amsterdam

o 3.3 Arbeitsrat

für Kunst

o 3.4 Der Ring

o 3.5 Neues

Bauen
4 Escultura

5 Pintura

o 5.1 Die Brücke

o 5.2 Der Blaue

Reiter

o 5.3 Neu

Sachlichkeit

o 5.4 Outros

artistas

o 5.5 O grupo de

Viena

o 5.6 Escola de

Paris

o 5.7 Outros

países

6 Literatura

o 6.1 Narrativa

o 6.2 Poesia

o 6.3 Teatro

7 Música

8 Ópera

9 Dança

10 Cinema

11 Fotografia

12 Ver também

13 Referências

14 Bibliografia

15 Ligações externas

[editar]Definição
Ecce homo (1925), de Lovis Corinth, Pinacoteca de Basileia.

A transição do século XIX ao XX comportou numerosas transformações políticas, sociais e culturais. Por um lado, o auge
político e econômico da burguesia, que viveu nas últimas décadas do século XIX (a Belle Époque) um momento de grande
esplendor, refletido nomodernismo, movimento artístico posto ao serviço do luxo e da ostentação despregados pela nova
classe dirigente. Contudo, os processos revolucionários ocorridos desde a Revolução Francesa (o último, em 1871,
aquando a fracassada Comuna de Paris) e o temor a que se repetissem levaram as classes políticas a fazer uma série de
concessões, como as reformas laborais, os seguros sociais e o ensinamento básico obrigatório. Assim, a descida
do analfabetismo comportou um aumento dos mídia e uma maior difusão dos fenômenos culturais, que adquiriram maior
alcance e maior rapidez de difusão, surgindo a "cultura de massas".[2]

Por outro lado, os avanços técnicos, no terreno da arte especialmente a aparição da fotografia e o cinema, levaram o artista
a expor a função do seu trabalho, que já não consistia em imitar a realidade, pois as novas técnicas tornavam-no mais
objetivamente, fácil e reproduzível. Igualmente, as novas teorias científicas levaram os artistas a questionar a objetividade
do mundo que percebemos: a teoria da relatividade de Einstein, a psicanálise de Freud e a subjetividade do tempo
de Bergson provocaram que o artista se afastasse cada vez mais da realidade. Assim, a procura de novas linguagens
artísticas e novas formas de expressão comportou a aparição dos movimentos de vanguarda, que implicaram uma nova
relação do artista com o espectador: os artistas vanguardistas visavam integrar a arte com a vida, com a sociedade, fazer
da sua obra uma expressão do inconsciente coletivo da sociedade que representava. À vez, a interação com o espectador
provoca que este se envolva na percepção e compreensão da obra, bem como na sua difusão e mercantilização, fator que
levará a um maior auge das galerias de arte e dos museus.[3]

O expressionismo faz parte das chamadas "vanguardas históricas", ou seja, as acontecidas desde os primórdios do século
XX, no ambiente anterior à Primeira Guerra Mundial, até o final da Segunda Guerra Mundial (1945). Esta denominação
inclui, além disso, ofauvismo, o cubismo, o futurismo, o construtivismo, o neoplasticismo, o dadaísmo, o surrealismo, etc. A
vanguarda é intimamente ligada ao conceito de modernidade, caracterizado pelo fim do determinismo e da supremacia da
religião, substituídos pela razão e a ciência, oobjetivismo e o individualismo, a confiança na tecnologia e o progresso, nas
próprias capacidades do ser humano. Assim, os artistas visam pôr-se à frente do progresso social, expressar mediante a
sua obra a evolução do ser humano contemporâneo.[4]
O termo "expressionismo" foi utilizado pela primeira vez pelo pintor francês Julien-Auguste Hervé, que usou a
palavra "expressionisme" para designar uma série de quadros apresentados no Salão dos
Independentes de Paris em 1901, em contraste com o impressionismo. O termo alemão "expressionismus" foi adaptado
diretamente do francês – pois a expressão em alemão é ausdruck–, sendo empregada pela primeira vez no catálogo da
XXII Exposição da Secessão de Berlim em 1911, que incluía tanto obras de artistas alemães quanto de franceses. Na
literatura foi aplicado pela primeira vez em 1911 pelo crítico Kurt Hiller.[5] Posteriormente, o termo "expressionismo" foi
difundido pelo escritor Herwarth Walden, editor da revista Der Sturm (A tormenta), que se tornou no principal centro difusor
do expressionismo alemão. Walden aplicou inicialmente o termo a todas as vanguardas surgidas entre 1910 e1920. Por
outro lado, a aplicação do termo expressionismo ligado exclusivamente à arte alemã da vanguarda foi ideia de Paul
Fechter no seu livro Der Expressionismus (1914), que seguindo as teorias de Worringer relacionou as novas manifestações
artísticas como uma expressão da alma coletiva alemã. [6]

Tirol (1914), de Franz Marc, Staatsgalerie Moderner Kunst, Munique.

O expressionismo surgiu como reação ao impressionismo: bem como os impressionistas plasmavam na tela uma
"impressão" do mundo circundante, um simples reflexo dos sentidos, os expressionistas visavam a refletir o seu mundo
interior, uma "expressão" dos seus próprios sentimentos. Assim, os expressionistas empregaram a linha e a cor
temperamental e emotivamente, com forte conteúdo simbólico. Esta reação frente ao impressionismo implicou uma forte
ruptura com a arte elaborada pela geração precedente, tornando o expressionismo num sinônimo da arte moderna durante
os primeiros anos do século XX.[7] O expressionismo implicou um novo conceito da arte, entendida como uma forma de
captar a existência, de transluzir em imagens o substrato que subjace sob a realidade aparente, de refletir o imutável e
eterno do ser humano e a natureza. Assim, o expressionismo foi o ponto de partida de um processo de transmutação da
realidade que cristalizou no expressionismo abstrato e o informalismo. Os expressionistas utilizavam a arte como uma
forma de refletir os seus sentimentos, o seu estado anímico, propenso pelo general à melancolia, à evocação, a um
decadentismo de corte neorromântico. Assim, a arte era uma experiência catárquica, onde se purificavam os desafogos
espirituais, a angústia vital do artista.[8]

Na gênese do expressionismo, um fator fundamental foi a recusa do positivismo, do progresso cientificista, da crença nas
possibilidades ilimitadas do ser humano baseadas na ciência e a técnica. Por outro lado, começou um novo clima de
pessimismo, de cepticismo, de descontente, de crítica, de perda de valores. Vislumbrava-se uma crise no desenvolvimento
humano, que efetivamente foi confirmada com o estouro da Primeira Guerra Mundial. [9] Também cabe destacar-se na
Alemanha a recusa do regime imperialista de Guilherme II por parte de uma minoria intelectual, afogada pelo militarismo
pangermanista do cáiser. Estes fatores propiciaram um caldo de cultura no que o expressionismo se foi gestando
progressivamente, com umas primeiras manifestações no terreno da literatura: Frank Wedekind denunciou nas suas obras
a moral burguesa, frente à qual opunha a liberdade passional dos instintos; Georg Trakl evadiu-se da realidade refugiando-
se num mundo espiritual criado pelo artista; Heinrich Mann foi quem mais diretamente denunciou a sociedade guilhermina.
[10]

A aparição do expressionismo num país como a Alemanha não foi um fato aleatório, mas é explicado pelo profundo estudo
da arte durante o século XIX pelos filósofos, artistas e teóricos alemães, do romantismo e as múltiplas contribuições para o
campo da estética de personagens como Wagner e Nietzsche, para a estética cultural e para a obra de autores
como Konrad Fiedler ("Para julgar obras de arte visual", 1876), Theodor Lipps ("Estética", 1903-1906) e Wilhelm
Worringer ("Abstração e empatia", 1908). Esta corrente teórica deixou uma profunda marca nos artistas alemães de finais
do século XIX e princípios do XX, centrada sobretudo na necessidade de se expressar do artista (a "innerer Drang" ou
necessidade interior, princípio que assumiu posteriormente Kandinsky), bem como a constatação de uma ruptura entre o
artista e o mundo exterior, o ambiente que o envolve, fato que o torna num ser introvertido e alienado da sociedade.
Também influiu a mudança acontecida no ambiente cultural da época, que se afastou do gosto clássico greco-romano para
admirar a arte popular, primitiva e exótica –sobretudo da África, Oceania e Extremo Oriente–, bem como a arte medieval e
a obra de artistas como Grünewald, Brueghel e El Greco. [11]

"O ginete circense" (1913), de Ernst Ludwig Kirchner, Pinakothek der Moderne, Munique.

Na Alemanha, o expressionismo foi mais um conceito teórico, uma proposta ideológica, do que um programa artístico
coletivo, se bem que se aprecia um selo estilístico comum a todos os seus membros. Frente ao academicismo imperante
nos centros artísticos oficiais, os expressionistas agruparam-se em torno de diversos centros de difusão da nova arte,
especialmente em cidades como Berlim,Colônia, Munique, Hannover e Dresde. Assim mesmo, o seu trabalho difusor
através de publicações, galerias e exposições ajudaram a estender o novo estilo por toda Alemanha e, mais tarde, toda
Europa.[7] Foi um movimento heterogêneo que, à parte da diversidade das suas manifestações, realizadas em diversas
linguagens e meios artísticos, apresentou numerosas diferenças e até mesmo contradições no seu seio, com grande
divergência estilística e temática entre os diversos grupos que surgiram ao longo do tempo, e até mesmo entre os próprios
artistas que os integravam. Até mesmo os limites cronológicos e geográficos desta corrente são imprecisos: se bem que a
primeira geração expressionista (Die Brücke, Der Blaue Reiter) foi a mais emblemática, a Nova Objetividade e a exportação
do movimento a outros países implicou a sua continuidade no tempo ao menos até a Segunda Guerra Mundial;
geograficamente, se bem que o centro neurálgico deste estilo se situou na Alemanha, pronto se estendeu por outros países
europeus e inclusive do continente americano. [12]

Depois da Primeira Guerra Mundial o expressionismo passou na Alemanha da pintura ao cinema e ao teatro, que utilizavam
o estilo expressionista nos seus decors, mas de modo puramente estético, desprovido do seu significado original, da
subjetividade e do pungimento próprios dos pintores expressionistas, que se tornaram paradoxalmente em artistas
malditos.[13] Com o advento do nazismo, o expressionismo foi considerado como "arte degenerada" (Entartete Kunst),
relacionando-o com o comunismo e tachando-o de imoral e subversivo, ao tempo que consideraram que a sua fealdade e
inferioridade artística eram um signo da decadência da arte moderna (odecadentismo, pela sua vez, fora um movimento
artístico que teve certo desenvolvimento). Em 1937 uma exposição foi organizada noHofgarten de Munique com o título
precisamente de Arte degenerada, visando injuriá-lo e mostrar ao público a baixa qualidade da arte produzida na República
de Weimar. Para tal fim foram confiscadas cerca de 16 500 obras de diversos museus, não apenas de artistas alemães,
mas de estrangeiros como Gauguin,Van Gogh, Munch, Matisse, Picasso, Braque, Chagall, etc. A maioria dessas obras
foram vendidas posteriormente a galeristas e marchans, sobretudo num grande leilão celebrado emLucerna em 1939,
embora cerca de 5000 dessas obras foram diretamente destruídas em março de 1939, supondo um notável prejuízo para a
arte alemã.[14]

Após a Segunda Guerra Mundial o expressionismo desapareceu como estilo, se bem que exercesse uma poderosa
influência em muitas correntes artísticas da segunda metade de século, como o expressionismo abstrato norte-
americano (Jackson Pollock, Mark Rothko, Willem de Kooning), o informalismo (Jean Fautrier, Jean Dubuffet), o
grupo CoBrA (Karel Appel, Asger Jorn, Corneille, Pierre Alechinsky) e o neoexpressionismo alemão –diretamente herdeiro
dos artistas de Die Brücke e Der Blaue Reiter, o qual é patente no seu nome, e artistas individuais como Francis
Bacon, Antonio Saura, Bernard Buffet, Nicolas de Staël, Horst Antes, etc.[15]

[editar]Origens e influências

A Crucificação, tábua central do Retábulo de Issenheim (1512-1516), de Matthias Grünewald,Museu de Unterlinden, Colmar.

Embora por expressionismo fosse conhecido nomeadamente o movimento artístico desenvolvido na Alemanha em
princípios do século XX, muitos historiadores e críticos da arte também empregam este termo mais genericamente para
descrever o estilo de grande variedade de artistas ao longo de toda a História. Entendida como a deformação da realidade
para buscar uma expressão mais emocional e subjetiva da natureza e do ser humano, o expressionismo é pois extrapolável
a qualquer época e espaço geográfico. Assim, com frequência qualificou-se de expressionista a obra de diversos autores
como Hieronymus Bosch, Matthias Grünewald, Quentin Matsys, Pieter Brueghel, o Velho, El Greco, Francisco de
Goya, Honoré Daumier, etc.[1]
As raízes do expressionismo encontram-se em estilos como o simbolismo e o pós-impressionismo, bem como nos Nabis e
em artistas como Paul Cézanne, Paul Gauguin e Vincent Van Gogh. Assim mesmo, têm pontos de contato com
o neoimpressionismo e o fauvismopela sua experimentação com a cor.[7] Os expressionistas receberam numerosas
influências: em primeiro lugar a da arte medieval, especialmente a gótica alemã. De signo religioso e caráter transcendente,
a arte medieval punha ênfase na expressão, não nas formas: as figuras tinham pouca corporeidade, perdendo interesse
pela realidade, as proporções, a perspectiva. Por outro lado, acentuava a expressão, sobretudo na olhada: as personagens
eram simbolizas mais que representadas. Assim, os expressionistas inspiraram-se nos principais artistas do gótico alemão,
desenvolvido através de duas escolas fundamentais: o estilo internacional (finais do século XIV-primeira metade do XV),
representado por Conrad Soest e Stefan Lochner; e o estilo flamengo (segunda metade do século XV), desenvolvido
por Konrad Witz, Martin Schongauer e Hans Holbein, o Velho. Também se inspiraram na escultura gótica alemã, que
salientou pela sua grande expressividade, com nomes como Veit Stoss e Tilman Riemenschneider. Outro ponto de
referência foiMatthias Grünewald, pintor tardo-medieval que, embora conhecesse as inovações do Renascimento, seguiu
numa linha pessoal, caracterizada pela intensidade emocional, uma expressiva distorção formal e um intenso colorido
incandescente, como na sua obra mestra, o Retábulo de Isenheim.[16]

Outro dos referentes da arte expressionista foi a arte primitiva, especialmente a da África e Oceania, difundida desde finais
do século XIX pelos museus etnográficos. As vanguardas artísticas encontraram na arte primitiva uma maior liberdade de
expressão, originalidade, novas formas e materiais, uma nova concepção do volume e da cor, bem como uma maior
transcendência do objeto, pois nestas culturas não eram simples obras de arte, mas tinham uma finalidade religiosa,
mágica, totêmica, votiva, suntuária, etc. São objetos que expressam uma comunicação direta com a natureza e com as
forças espirituais, com cultos e rituais, sem nenhum de tipo de mediação ou interpretação. [17]

A igreja de Auvers-sur-Oise (1890), de Vincent Van Gogh, Musée d'Orsay,Paris.

Mas a maior inspiração veio do pós-impressionismo, especialmente da obra de três artistas: Paul Cézanne, que começou
um processo de desfragmentação da realidade em formas geométricas que terminou no cubismo, reduzindo as formas
a cilindros, cones e esferas, e dissolvendo o volume a partir dos pontos mais essenciais da composição. Colocava a cor por
camadas, imbricando umas cores com outras, sem necessidade de linhas, trabalhando com manchas. Não utilizava a
perspectiva, mas a superposição de tons cálidos e frios davam sensação de profundeza. Em segundo lugar Paul Gauguin,
que contribuiu uma nova concepção entre o plano pictórico e a profundeza do quadro, através de cores planas e arbitrárias,
que têm um valor simbólico e decorativo, com cenas de difícil classificação, situadas entre a realidade e um mundo onírico
e mágico. A sua estadia em Tahiti provocou que a sua obra derivasse em um certo primitivismo, com influência da arte da
Oceania, refletindo o mundo interior do artista em vez de imitar a realidade. Finalmente, Vincent Van Gogh elaborava a sua
obra segundo critérios de exaltação anímica, caracterizando-se pela falta de perspectiva, a instabilidade dos objetos e
cores, roçando a arbitrariedade, sem imitar a realidade, mas provêm do interior do artista. Devido à sua frágil saúde mental,
as suas obras são reflexo do seu estado de ânimo, depressivo e torturado, refletindo-se em obras de pinceladas sinuosas e
cores violentas.[18]

Cabe sublinhar a influência de dois artistas que os expressionistas consideraram como precedentes imediatos:
o norueguês Edvard Munch, influenciado nos seus começos pelo impressionismo e o simbolismo, pronto derivou para um
estilo pessoal que seria fiel reflexo do seu interior obsessivo e torturado, com cenas de ambiente opressivo e enigmático –
centradas no sexo, a doença e a morte–, caracterizadas pela sinuosidade da composição e um colorido forte e arbitrário.
As imagens angustiosas e desesperadas de Munch –como em O Grito (1893), paradigma da solidão e da incomunicação–
foram um dos principais pontos de arranque do expressionismo. [19] Igual de influente foi a obra dobelga James Ensor, que
recolheu a grande tradição artística do seu país –em especial Brueghel–, com preferência por temas populares, traduzindo-
o em cenas enigmáticas e irreverentes, de caráter absurdo e burlesco, com um senso do humor ácido e corrosivo, centrado
em figuras de vagabundos, borrachos, esqueletos, máscaras e cenas de carnaval. Assim, "A entrada de Cristo em
Bruxelas" (1888) representa a Paixão de Jesus no meio de um desfile de carnaval, obra que causou um grande escândalo
no seu momento.[20]

[editar]Arquitetura

Ver artigo principal:  Arquitetura expressionista

Goetheanum (1923), de Rudolf Steiner,Dornach.

A arquitetura expressionista desenvolveu-se nomeadamente na Alemanha, Países


Baixos, Áustria, Checoslováquia e Dinamarca. Caracterizou-se pelo uso de novos materiais, suscitado
ocasionalmente pelo uso de formas biomórficas ou pela ampliação de possibilidades oferecida pela fabricação
massiva de materiais de construção como o tijolo, o aço ou o vidro. Muitos arquitetos expressionistas combateram na
Primeira Guerra Mundial, e a sua experiência, combinada com os câmbios políticos e sociais produto daRevolução
Alemã de 1918-1919, terminaram em perspectivas utópicas e um programa socialista romântico. A arquitetura
expressionista recebeu a influência do modernismo, sobretudo da obra de arquitetos como Henry van de
Velde, Joseph Maria Olbrich e Antoni Gaudí. De caráter fortemente experimental e utópico, as realizações dos
expressionistas destacam-se pela sua monumentalidade, o emprego do tijolo e da composição subjetiva, que outorga
às suas obras certo ar de excentricidade. [21]

Um contribuinte teórico à arquitetura expressionista foi o ensaio Arquitetura de cristal (1914) de Paul Scheerbart, nb


que ataca ofuncionalismo pela sua falta de artisticidade e defende a substituição do tijolo pelo cristal. Assim, por
exemplo, o Pavilhão de Cristal da Exposição de Colônia de 1914, de Bruno Taut, autor que também plasmou o seu
ideário por escrito (Arquitetura alpina, 1919).[22] A arquitetura expressionista desenvolveu-se em diversos grupos,
como a Deutscher Werkbund, Arbeitsrat für Kunst, Der Ring e Neus Bauen, vinculado este último à Nova
Objetividade; também cabe destacar-se a Escola de Amsterdam. Os principais arquitetos expressionistas
foram: Bruno Taut, Walter Gropius, Erich Mendelsohn, Hans Poelzig, Hermann Finsterlin, Fritz Höger, Hans
Scharoun e Rudolf Steiner.

[editar]Deutscher Werkbund

Pavilhão de Cristal para a Exposição de Colôniade 1914, de Bruno Taut.

A Deutscher Werkbund (Federação alemã do trabalho) foi o primeiro movimento arquitetônico relacionado ao


expressionismo na Alemanha. Fundada em Munique a 9 de outubro de 1907 por Hermann Muthesius, Friedrich
Naumann e Karl Schmidt, incorporou posteriormente figuras como Walter Gropius, Bruno Taut, Hans Poelzig, Peter
Behrens, Theodor Fischer, Josef Hoffmann, Wilhelm Kreis,Adelbert Niemeyer e Richard Riemerschmidt. Herdeira
do Jugendstil e da Sezession vienesa, e inspirada no movimento Arts & Crafts, o seu objetivo era a integração de
arquitetura, indústria e artesanato através do trabalho profissional, a educação e a publicidade, bem como introduzir o
desenho arquitetônico na modernidade e conferir-lhe um caráter industrial. As principais características do movimento
foram o uso de novos materiais como o vidro e o aço, a importância do desenho industrial e o funcionalismo
decorativo.[23]

A Deutscher Werkbund organizou diversas conferências publicadas posteriormente em forma de anuários, como A


arte na indústria e no comércio (1913) e O transporte (1914). Assim mesmo, em 1914 celebraram uma exposição em
Colônia que obteve um grande sucesso e difusão internacional, destacando-se o pavilhão de vidro e aço desenhado
por Bruno Taut. O sucesso da exposição provocou um grande auge do movimento, que passou de ter 491 membros
em 1908 a 3000 em 1929.[24] Durante a Primeira Guerra Mundial esteve prestes a desaparecer, mas ressurgiu
em 1919 após uma convenção em Stuttgart, onde Hans Poelzig foi eleito presidente –substituído em 1921por
Riemerschmidt–. Durante esses anos decorreram várias controvérsias sobre se devia primar o desenho industrial ou
o artístico, produzindo-se diversas dissensões no grupo.

Nos anos 1920 o movimento derivou do expressionismo e do artesanato ao funcionalismo e à indústria, incorporando


novos membros como Ludwig Mies van der Rohe. Uma nova revista foi editada, Die Form (1922-1934), que difundiu
as novas ideias do grupo, centradas no aspecto social da arquitetura e no desenvolvimento urbanístico.
Em 1927 celebraram uma nova exposição em Stuttgart, construindo uma grande colônia de moradias,
a Weissenhofsiedlung, com desenho de Mies van der Rohe e edifícios construídos por Gropius, Behrens, Poelzig,
Taut, etc., junto a arquitetos de fora da Alemanha como Jacobus Johannes Pieter Oude, Le Corbusier e Victor
Bourgeois. Esta amostra foi um dos pontos de partida do novo estilo arquitetônico que começava a surgir, conhecido
como estilo internacional ou racionalismo. A Deutscher Werkbund dissolveu-se em 1934 devido nomeadamente à
crise econômica e ao nazismo. O seu espírito influiu enormemente na Bauhaus, e inspirou a fundação de organismos
parecidos em outros países, como Suíça, Áustria, Suécia e Grã-Bretanha.[25]

[editar]Escola de Amsterdam
Paralelamente à Deutscher Werkbund alemã, entre 1915 e 1930 uma notável escola arquitetônica de caráter
expressionista desenvolveu-se em Amsterdam (Países Baixos). Influenciados pelo modernismo (nomeadamente
Henry van de Velde e Antoni Gaudi) e por Hendrik Petrus Berlage, inspiraram-se nas formas naturais, com edifícios
de desenho imaginativo onde predomina o uso do tijolo e do concreto. Os seus principais membros foram Michel de
Klerk, Piet Kramer e Johan van der Mey, que trabalharam conjuntamente múltiplas vezes, contribuindo em grande
maneira ao desenvolvimento urbanístico de Amsterdam, com um estilo orgânico inspirado na arquitetura tradicional
holandesa, destacando-se as superfícies onduladas. As suas principais obras foram o Scheepvaarthuis (Van der Mei ,
1911-1916) e o Eigen Haard Estate (De Klerk, 1913-1920).[26]

[editar]Arbeitsrat für Kunst

Torre Einstein (1919-22), de Erich Mendelsohn, Potsdam.

O Arbeitsrat für Kunst (Conselho de trabalhadores da arte) foi fundado em 1918 em Berlim pelo arquiteto Bruno Taut e
o críticoAdolf Behne. Surgido após o fim da Primeira Guerra Mundial, o seu objetivo era a criação de um grupo de
artistas que pudesse influir no novo governo alemão, com vistas à regeneração da arquitetura nacional, com um claro
componente utópico. As suas obras destacam-se pelo uso do vidro e do aço, bem como pelas formas imaginativas e
carregadas de um intenso misticismo. De seguida captaram membros provenientes da Deutscher Werkbund, como
Walter Gropius, Erich Mendelsohn, Otto Bartning eLudwig Hilberseimer, e contaram com a colaboração de outros
artistas, como os pintores Lyonel Feininger, Erich Heckel, Karl Schmidt-Rottluff, Emil Nolde e Max Pechstein, e os
escultores Georg Kolbe, Rudolf Belling e Gerhard Marcks. Esta variedade é explicada porque as aspirações do grupo
eram mais políticas que artísticas, visando a influir nas decisões do novo governo em torno à arte e à arquitetura.
Contudo, após os acontecimentos de janeiro de 1919 relacionados à Liga Espartaquista, o grupo renunciou aos seus
fins políticos, dedicando-se a organizar exposições. Taut demitiu como presidente, sendo substituído por Gropius,
embora finalmente se dissolvessem a 30 de maio de 1921.[27]

[editar]Der Ring
Chilehaus (1923), de Fritz Höger,Hamburgo.

O grupo Der Ring (O círculo) foi fundado em Berlim em 1923 por Bruno Taut, Ludwig Mies van der Rohe, Peter
Behrens, Erich Mendelsohn, Otto Bartning, Hugo Häring e vários arquitetos mais, aos que se acrescentaram Walter
Gropius, Ludwig Hilberseimer, Hans Scharoun, Ernst May, Hans e Wassili Luckhardt, Adolf Meyer, Martin Wagner,
etc. O seu objetivo era, assim como nos movimentos precedentes, renovar a arquitetura da sua época, pondo
especial ênfase nos aspectos sociais e urbanísticos, bem como no estudo de novos materiais e técnicas de
construção. Entre 1926 e 1930 desenvolveram um notável trabalho de construção de moradias sociais em Berlim,
com casas que se destacam pelo aproveitamento da luz natural e a sua situação em zonas verdes, destacando-se
aHufeisensiedlung (Colônia da Ferradura, 1925-1930), de Taut e Wagner. Der Ring desapareceu em 1933 após o
advento do nazismo.[28]

[editar]Neues Bauen
Neues Bauen (Novo edifício) foi o nome que se deu em arquitetura à Nova Objetividade, reação directa aos excessos
estilísticos da arquitetura expressionista e o câmbio no estado de ânimo nacional, no que predominava o componente
social sobre o individual. Arquitetos como Bruno Taut, Erich Mendelsohn e Hans Poelzig voltaram-se para o enfoque
simples, funcional e prático da Nova Objetividade. A Neues Bauen floreceu no breve período entre a adoção do plano
Dawes e o auge do nazismo, abrangendo exposições públicas como o Weissenhof Estate, o amplo planejamento
urbano e projetos de promoções públicas de Taut e Ernst May, e os influentes experimentos da Bauhaus.

[editar]Escultura
O espírito guerreiro (1928), de Ernst Barlach, Gethsemanekirche, Berlim.

A escultura expressionista não teve um selo estilístico comum, sendo o produto individual de vários artistas que
refletiram na sua obra quer a temática quer a distorção formal próprias do expressionismo. Destacam-se
especialmente três nomes:

 Ernst Barlach: inspirado na arte popular russo –após uma viagem ao país eslavo em 1906– e a escultura medieval
alemã, bem como em Brueghel e Hieronymus Bosch, as suas obras têm certo ar caricaturesco, trabalhando muito
o volume, a profundeza e a articulação do movimento. Desenvolveu duas temáticas principais: o popular
(costumes quotidianos, cenas campesinas) e –sobretudo depois da guerra– o medo, a angustia, o terror. Não
imitava a realidade, mas criava uma realidade nova, jogando com as linhas quebradas e os ângulos, com
anatomias distanciadas do naturalismo, tendendo à geometrização. Trabalhou preferentemente com a madeira e
o gesso, que ocasionalmente passava posteriormente ao bronze. Entre as suas obras destacam-se:

"O fugitivo" (1920-1925), "O vingador" (1922), "A morte na vida" (1926), "O flautista" (1928), "O bebedor" (1933),
"Velha friorenta" (1939), etc.[29]

 Wilhelm Lehmbruck: educado em Paris, a sua obra tem um marcado caráter classicista, se bem que deformado e
estilizado, e com uma forte carga introspetiva e emocional. Durante a sua formação em Düsseldorf evoluiu dum
naturalismo de corte sentimental, passando por um dramatismo barroco com influência de Rodin, até
um realismo influenciado por Meunier. Em 1910 instalou-se em Paris, onde acusou a influência de Maillol.
Finalmente, após uma viagem a Itália em 1912 começou uma maior geometrização e estilização da anatomia,
com certa influência medieval no alargamento das suas figuras (Mulher ajoelhada, 1911; Jovem de pé, 1913).[30]

 Käthe Kollwitz: esposa de um médico de um bairro pobre de Berlim, conheceu de perto a miséria humana, fato que
a marcou profundamente. Socialista e feminista, a sua obra tem um marcado componente de reivindicação social,
com esculturas, litografias eaquafortes que se destacam pela sua crueza: A revolta dos tecedores (1907-1908), A
guerra dos camponeses (1902-1908), Homenagem a Karl Liebknecht (1919-1920).[31]
Madre com gêmeos (1927), de Käthe Kollwitz, Käthe-Kollwitz-Museum, Berlim.

Os membros de Die Brücke (Kirchner, Heckel, Schmidt-Rottluff) também praticaram a escultura, pois a sua
experimentação com a xilografia permitiu facilmente passar à talha da madeira, material que resultava muito
conveniente para a sua expressão intimista da realidade, pois a grosseria e o aspecto irregular desse material, o seu
aspecto bruto e inacabado, até mesmo primitivo, traziam a perfeita expressão do seu conceito do ser humano e a
natureza. Percebe-se nestas obras a influência da arte africana e oceânica, da qual gabavam a sua simplicidade e o
seu aspecto totêmico, que transcende a arte para ser objeto de comunicação transcendental. [32]

Na década de 1920, a escultura derivou para a abstração, seguindo o rumo das últimas obras de Lehmbruck, de
marcada estilização geométrica tendente à abstração. Assim, a obra de escultores como Rudolf Belling, Oskar
Schlemmer e Otto Freundlich caracterizou-se pelo abandono da figuração para uma libertação formal e temática da
escultura. Contudo, perdurou um certo classicismo, influenciado por Maillol, na obra de Georg Kolbe, dedicado
especialmente ao despido, com figuras dinâmicas, em movimentos rítmicos próximos dobalé, com uma atitude
vitalista, alegre e saudável que foi bem recebida pelos nazis. A sua obra mais famosa foi A Manhã, exposta
noPavilhão da Alemanha construído por Ludwig Mies van der Rohe para a Exposição
Internacional de Barcelona de 1929. Gerhard Marcksrealizou uma obra igualmente figurativa, mas mais estática e de
temática mais expressiva e complexa, com figuras de aspecto arcaico, inspiradas nas talhas medievais. Ewald
Mataré dedicou-se nomeadamente aos animais, de formas quase abstratas, seguindo o caminho iniciado
por Marc em Der Blaue Reiter.[33] Outros escultores expressionistas foram Bernhard Hoetger, Ernst
Oldenburg e Renée Sintenis, enquanto fora da Alemanha caberia citar o francês Antoine Bourdelle, o britânico Jacob
Epstein, o croata Ivan Meštrović, o espanhol Victorio Macho, o holandês Lambertus Zijl, o polacoAugust Zamoyski e
o finlandês Wäinö Aaltonen.

[editar]Pintura

Ver artigo principal:  Pintura expressionista


Caliban, personagem de "A Tempestade" de Shakespeare (1914), de Franz Marc,Kunstmuseum, Basileia.

A pintura desenvolveu-se nomeadamente em torno de dois grupos artísticos: Die Brücke, fundado em Dresde


em 1905, e Der Blaue Reiter, fundado em Munique em 1911. No pós-guerra, o movimento Nova
Objetividade surgiu como contrapeso ao individualismo expressionista defendendo uma atitude mais
comprometida socialmente, embora técnica e formalmente fosse um movimento herdeiro do expressionismo. Os
elementos mais característicos das obras de arte expressionistas são a cor, o dinamismo e o sentimento. O
fundamental para os pintores de princípios de século não era refletir o mundo de maneira realista e fiel –justo ao
contrário dos impressionistas– mas, sobretudo, expressar o seu mundo interior. O objetivo primordial dos
expressionistas era transmitir as suas emoções e sentimentos mais profundos.

Na Alemanha, o primeiro expressionismo foi herdeiro do idealismo pós-romântico de Arnold Böcklin e Hans von
Marées, incidindo nomeadamente no significado da obra, e dando maior relevância o desenha frente à
pincelada, bem como à composição e à estrutura do quadro. Assim mesmo, foi primordial a influência de artistas
estrangeiros como Munch, Gauguin, Cézanne e Van Gogh, plasmada em diversas exposições organizadas em
Berlim (1903), Munique (1904) e Dresde (1905).[34]

O expressionismo destacou-se pela grande quantidade de agrupamentos artísticos que surgiram no seu seio,
bem como pelas múltiplas exposições celebradas em todo o território alemão entre 1910 e 1920: em 1911 a
Nova Secessão foi fundada em Berlim, cisão da Secessão berlinesa fundada em 1898 e que presidia Max
Liebermann. O seu primeiro presidente foi Max Pechstein, e incluía a Emil Nolde e Christian Rohlfs. Mais tarde,
em 1913, surgiu a Livre Secessão, movimento efêmero que foi eclipsado pelo Herbstsalon (salão de Outono) de
1913, promovido por Herwarth Walden, onde junto aos principais expressionistas alemães expuseram diversos
artistas cubistas e futuristas, destacando-se Chagall, Léger, Delaunai, Mondrian, Archipenko, Hans Arp, Max
Ernst, etc. Contudo, em que pese à sua qualidade artística, a exposição foi um insucesso econômico, pelo qual
a iniciativa não foi repetida.[35]

O expressionismo teve uma notável presença, além de em Berlim, Munique e Dresde, na região da Renânia,
donde procediam Macke,Campendonk e Morgner, bem como outros artistas como Heinrich Nauen, Franz
Henseler, Paul Adolf Seehaus, etc. Em 1902, o filántropo Karl Ernst Osthaus criou o Folkwang (Sala do povo)
de Hagen, com o objetivo de promover a arte moderna, adquirindo numerosas obras de artistas expressionistas
bem como de Gauguin, Van Gogh, Cézanne, Matisse, Munch, etc. Assim mesmo, em Düsseldorf um grupo de
novos artistas fundaram a Sonderbund Westdeutscher Kunstfreunde und Künstler (Liga especial de
afeicionados à arte e artistas da Alemanha ocidental), que celebrou diversas exposições de 1909 a 1911,
mudando-se em 1912 para Colônia, onde, a pesar do sucesso desta última exposição, a liga foi dissolvida. [36]

No pós-guerra surgiu o Novembergruppe (Grupo de Novembro, pela revolta alemã de novembro de 1918),


fundado em Berlim a 3 de dezembro de 1918 por Max Pechstein e César Klein, visando reorganizar a arte
alemã após a guerra. Entre os seus membros figuraram pintores e escultores como Wassily Kandinsky, Paul
Klee, Lyonel Feininger, Heinrich Campendonk, Otto Freundlich e Käthe Kollwitz; arquitetos como Walter
Gropius, Erich Mendelsohn e Ludwig Mies van der Rohe; compositores como Alban Berg e Kurt Weill; e o
dramaturgo Bertolt Brecht. Mais que um grupo com um selo estilístico comum, foi uma associação de artistas
com o objetivo de expor conjuntamente, coisa que fizeram até a sua dissolução com a chegada do nazismo. [37]

[editar]Die Brücke
Ver artigo principal:  Die Brücke

Cartaz de apresentação para uma exposição de Die Brücke na Galeria Arnold de Dresde(1910), de Ernst Ludwig
Kirchner.

Die Brücke (A ponte) foi fundada a 7 de junho de 1905 em Dresde, formado por quatro estudantes de
arquitetura da Escola Técnica Superior de Dresde: Ernst Ludwig Kirchner, Fritz Bleyl, Erich Heckel e Karl
Schmidt-Rottluff. O nome foi ideado por Schmidt-Rottluff, simbolizando através de uma ponte a sua
pretensão de estabelecer as bases de uma arte de futuro. Possivelmente a inspiração veio de uma frase
de Assim falou Zaratustra de Nietzsche: "A grandeza do homem é que é uma ponte e não um fim".
[38]
 Em 1906 uniram-se ao grupo Emil Nolde e Max Pechstein, bem como o suíço Cuno Amiet e o
holandês Lambertus Zijl; em 1907, o finlandês Akseli Gallen-Kallela; em 1908, Franz Nölken e o
holandês Kees Van Dongen; e, em 1910, Otto Muelher e o tcheco Bohumil Kubišta. Bleyl separou-se do
grupo em 1907, mudando-se para a Silésia, onde foi professor na Escola de Engenharia Civil,
abandonando a pintura. Nos seus começos, os membros de Die Brücke trabalharam numa pequena
oficina situada na rua Berliner Straße nº 65 de Dresde, adquirido por Heckel em 1906, que eles mesmos
decoraram e mobiliaram seguindo as diretrizes do grupo.[39]
O grupo Die Brücke buscou ligar com o público em geral, fazendo-o partícipe das atividades do grupo. Concebiram a figura
do "membro passivo" que, mediante uma assinatura anual de doze quadros, recebiam periodicamente um boletim com as
atividades do grupo, bem como diversas gravuras (as "Brücke-Mappen"). Com o tempo, o número de membros passivos
ascendeu a sessenta e oito.[40] Em 1906 publicaram um manifesto, Programm, no que Kirchner expressou a sua vontade de
convocar a juventude para um projeto de arte social que transformasse o futuro. Visavam influir na sociedade através da
arte, considerando-se uns profetas revolucionários que conseguiriam mudar a sociedade do seu tempo. A intenção do
grupo era atrair qualquer elemento revolucionário que quisesse unir-se; assim o expressaram numa carta dirigida a Nolde.
O seu maior interesse era destruir as velhas convenções, assim como se estava fazendo na França. Segundo Kirchner,
não podiam pôr-se regras e a inspiração devia fluir livre e dar expressão imediata às pressões emocionais do artista. A
carga de crítica social que imprimiram à sua obra valiou os ataques da crítica conservadora que os tachou de serem um
perigo para a juventude alemã.[41]

Os artistas de Die Brücke eram influenciados pelo movimento Arts & Crafts, bem como pelo Jugendstil e os Nabis, e
artistas como Van Gogh, Gauguin e Munch. Também se inspiraram no gótico alemão e na arte africana, sobretudo após os
estudos realizados por Kirchner das xilografias de Durero e da arte africana do Museo Etnológico de Dresde.[42] Também
estavam interessados pela literatura russa, especialmente Dostoievski. Em 1908, após uma exposição de Matisse em
Berlim, expressaram igualmente a sua admiração pelos fauvistas, com os que compartiam a simplicidade da composição,
o maneirismo das formas e o intenso contraste de cores. Ambos partiam do pós-impressionismo, recusando a imitação e
destacando-se a autonomia da cor. Contudo, variam os conteúdos temáticos: os expressionistas eram mais angustiosos,
marginais, desagradáveis, e destacavam mais o sexo que os fauvistas. Rejeitavam o academicismo e aludiam à "liberdade
máxima de expressão". Mais que um programa estilístico próprio, o seu nexo era a recusa do realismo e do
impressionismo, e a sua procura de um projeto artístico que envolvesse a arte com a vida, para o que experimentaram com
diversas técnicas artísticas como o mural, a xilografia e a ebanesteria, à parte da pintura e da escultura.[43]

Duas garotas na erva (1926), de Otto Muelher, Staatsgalerie Moderner Kunst, Munique.

Die Brücke outorgou especial importância às obras gráficas: o seu principal meio de expressão foi a xilografia, técnica que
permitia plasmar a sua concepção da arte diretamente, deixando um aspecto inacabado, bruto, selvagem, próximo do
primitivismo que tanto admiravam. Estes gravados em madeira apresentam superfícies irregulares, que não dissimulam e
aproveitam expressivamente, aplicando manchas de cor e destacando-se a sinuosidade das formas. Também utilizaram
a litografia, a água-tinta e a aquaforte, que costumam ser de um reduzido cromatismo e simplificação estilística. [44] Die
Brücke defendia a expressão direta e instintiva do impulso criador do artista, sem normas nem regras, recusando
totalmente qualquer tipo de regulamentação acadêmica. Como disse Kirchner: "o pintor transforma em obra de arte a
concepção da sua experiência".[45]

Aos membros de Die Brücke interessava-lhes um tipo de temática centrada na vida e a natureza, refletida de jeito
espontânea e instintiva, pelo qual os seus principais temas são o despido –seja em interior ou exterior–, bem como cenas
de circo e music-hall, onde encontram a máxima intensidade que podem extrair à vida. [46] Esta temática foi sintetizada em
obras sobre banhistas que os seus membros realizaram preferentemente entre 1909 e 1911 nas suas estadias nos lagos
próximos a Dresde: Alsen, Dangast, Nidden, Fehmarn, Hiddensee, Moritzburg, etc. São obras onde expressam
um naturismo sem rodeios, um sentimento quase panteísta de comunhão com a natureza, al mesmo tempo que
tecnicamente vão depurando a sua paleta, num processo de deformação subjetiva da forma e da cor, que adquire um
significado simbólico.[38]

Em 1911 a maioria de artistas do grupo instalaram-se em Berlim, iniciando a sua carreira em solitário. Na capital alemã
receberam a influência do cubismo e do futurismo, patente na esquematização das formas e na utilização de tons mais frios
a partir de então. A sua paleta tornou-se mais obscura e a sua temática mais desolada, melancólica, pessimista, perdendo
o selo estilístico comum que tinham em Dresde para correr caminhos cada vez mais divergentes, iniciando cada um o seu
andamento pessoal.[47] Uma das maiores exposições na que participaram os membros de Die Brücke foi a Sonderbund de
Colônia de 1912, onde Kirchner e Heckel receberam ademais a encomenda de decorarem uma capela, que teve um grande
sucesso.[48] Ainda assim, em 1913 aconteceu a dissolução formal do grupo, devido à recusa que provocou nos seus
companheiros a publicação da história do grupo (Crônica da sociedade artística de Die Brücke) por parte de Kirchner, na
qual se outorgava uma especial relevância que não foi admitida pelo restante de membros. [49]

Os principais membros do grupo foram:

Três banhistas (1913), de Ernst Ludwig Kirchner, Galeria de Arte de Nova Gales do Sul.

Ernst Ludwig Kirchner: grande desenhista –o seu pai era professor de desenho–, desde a sua visita a uma exposição de
xilografia deDürer em 1898 começou a fazer gravados em madeira, material no que também realizou talhas de influência
africana, com um acabamento irregular, sem polir, destacando-se os componentes sexuais. Utilizava cores primárias, como
os fauvistas, com certa influência de Matisse, mas com linhas quebradas, violentas –ao contrário das arredondadas de
Matisse–, em ângulos fechados, agudos. As figuras são estilizadas, com um alargamento de influência gótica. Desde a sua
mudança para Berlim em 1910 realizou composições mais esquemáticas, com linhas cortantes e zonas inacabadas, e certa
distorção formal. Progressivamente a sua pincelada tornou-se mais nervosa, agressiva, com linhas superpostas,
composição mais geométrica, com formas angulosas inspiradas na decomposição cubista. Desde 1914 começou a padecer
transtornos mentais e, durante a guerra, sofreu uma doença respiratória, fatores que influíram na sua obra. Em 1937 os
seus trabalhos foram confiscados pelos nazis, suicidando-se no ano seguinte. [50]

Erich Heckel: a sua obra nutriu-se da influência direta de Van Gogh, ao que conheceu em 1905 na Galeria Arnold de
Dresde. Entre 1906 e 1907 realizou uma série de quadros de composição vangoghiana, de pinceladas curtas e cores
intensas –predominantemente o amarelo–, com pasta densa. Mais tarde evoluiu para temáticas mais expressionistas, como
o sexo, a solidão, a incomunicação, etc. Também trabalhou com a madeira, em obras lineais, sem perspectiva, com
influência gótica e cubista. Foi um dos expressionistas mais vinculados à corrente romântica alemã, o que se reflete na sua
visão utópica das classes marginais, pelas quais expressa um sentimento de solidariedade e reivindicação. Desde 1909
realizou uma série de viagens por toda Europa que o puseram em contato tanto com a arte antiga quanto com as novas
vanguardas, especialmente o fauvismo e o cubismo, dos quais adotou a organização espacial e o colorido intenso e
subjetivo. Nas suas obras tende a descuidar o aspecto figurativo e descritivo das suas composições para ressaltar o
conteúdo emotivo e simbólico, com pinceladas densas que fazem que a cor ocupe todo o espaço, sem outorgar importância
ao desenho ou a composição.[51]

Karl Schmidt-Rottluff: nos seus começos praticou o macropontilhismo, para passar a um expressionismo de figuras
esquemáticas e rostos cortantes, de pincelada solta e cores intensas. Recebeu certa influência de Picasso na sua etapa
azul, bem como de Munch e a arte africana e, desde 1911, do cubismo, palpável na simplificação das formas que aplicou
às suas obras desde então. Dotado de uma grande mestria para a aquarela, sabia dosificar bem as cores e distribuir
oschiaroscuros, enquanto na pintura aplicava pinceladas densas e espessas com claro precedente em Van Gogh. Também
realizou talhas em madeira, às vezes policromada, com influência africana –rostos alongados, olhos amendoados–. [52]

Emil Nolde: ligado a Die Brücke durante 1906-1907, trabalhou em solitário, desligado de tendências –não se considerava
um expressionista, mas um "artista alemão"–. Dedicado em princípio à pintura de paisagens, temas florais e animais, sentia
predileção por Rembrandt e Goya. Em princípios de século empregava a técnica divisionista, com empaste muito grosso e
pinceladas curtas, e com forte descarrega cromática, de influência pós-impressionista. Durante a sua estadia em Die
Brücke abandonou o processo de imitação da realidade, denotando na sua obra uma inquietude interior, uma tensão vital,
uma crispação que se reflete no pulso interno da obra. Começou então os temas religiosos, centrando-se na Paixão de
Jesus Cristo, com influência de Grünewald, Brueghel e Hieronymus Bosch, com rostos desfigurados, um profundo
sentimento de angústia e uma grande exaltação da cor (A última ceia, 1909; Pentecostes, 1909; Santa Maria Egipcíaca,
1912).[53]

Otto Mueller: grande admirador da arte egípcia, realizou obras sobre paisagens e nus com formas esquemáticas e
angulosas onde se percebe a influência de Cézanne e Picasso. Os seus nus costumam situar-se em paisagens naturais,
evidenciando a influência da natureza exótica de Gauguin. O seu desenho é limpo e fluido, afastado do estilo áspero e
gestual dos outros expressionistas, com uma composição de superfícies planas e suaves linhas curvas, criando uma
atmosfera de fantasia idílica. As suas figuras delgadas e esbeltas estão inspiradas em Cranach, de cuja Vênus tinha uma
reprodução no seu estudo. São nus de grande simplicidade e naturalidade, sem traços de provocação ou sensualidade,
expressando uma perfeição ideal, a nostálgia de um paraíso perdido, em que o ser humano vivia em comunhão com a
natureza.[54]Max Pechstein: de formação acadêmica, estudou Belas Artes em Dresde. Em uma viagem para Itália em 1907
entusiasmou-se com a arte etrusca e os mosaicos de Ravenna, enquanto na sua seguinte estadia em Paris entrou em
contato com o fauvismo. Em 1910 foi fundador com Nolde e Georg Tappert da Nova Secessão berlinesa, da qual foi o seu
primeiro presidente. Em 1914 realizou uma viagem por Oceania, recebendo como tantos outros artistas da época a
influência da arte primitiva e exótico. As suas obras costumam ser paisagens solitárias e agrestes, geralmente de Nidden,
uma população da costa báltica que era o seu lugar de veraneio.[55]
[editar]Der Blaue Reiter
Ver artigo principal:  Der Blaue Reiter
Os grandes cavalos azuis (1911), de Franz Marc, Walker Art Center, Minneapolis.

Der Blaue Reiter (O Ginete Azul) surgiu em Munique em 1911, agrupando Wassily Kandinsky, Franz Marc, August
Macke, Paul Klee, Gabriele Münter, Alfred Kubin, Alexej von Jawlensky, Lyonel Feininger, Heinrich
Campendonk e Marianne von Werefkin. O nome do grupo foi escolhido por Marc e Kandinsky tomando café num terraço,
após uma conversação onde coincidiram no seu gosto pelos cavalos e pela cor azul, embora seja de sublinhar que
Kandinsky já pintara um quadro com o título O Ginete Azulem 1903 (Coleção E.G. Bührlle, Zúrich).[56] De novo, mais que um
selo estilístico comum compartiam uma determinada visão da arte, na que imperava a liberdade criadora do artista e a
expressão pessoal e subjetiva das suas obras. Der Blaue Reiter não foi uma escola nem um movimento, mas um
agrupamento de artistas com inquietudes similares, centradas num conceito da arte não como imitação, mas como
expressão do interior do artista.[57]

Der Blaue Reiter foi uma cisão do grupo Neue Künstlervereinigung München (Nova Asociación de Artistas de Munique),
fundada em 1909, da qual era presidente Kandinsky, e que incluía ademais Marc, Jawlensky, Werefkin, Kubin, Klee,
Münter, os irmãosDavide e Vladimir Burliuk, Alexander Kanoldt, Adolf Erbslöh, Karl Hofer, etc. Contudo, divergências
estéticas originaram o abandono de Kandinsky, Marc, Kubin e Münter, fundando o novo grupo. [58] Der Blaue Reiter tinha
poucos pontos em comum com Die Brücke, coincidindo basicamente na sua oposição ao impressionismo e ao positivismo;
porém, frente à atitude temperamental de Die Brücke, frente à sua plasmação quase fisiológica da emotividade, Der Blaue
Reiter tinha uma atitude mais refinada e espiritual, visando a captar a essência da realidade através da purificação dos
instintos. Assim, em vez de utilizar a deformação física, optam pela sua total depuração, chegando assim à abstração. A
sua poética foi definida como um expressionismo lírico, no qual a evasão não se encaminhava para o mundo selvagem
mas para o espiritual da natureza e do mundo interior.[59]

Os membros do grupo mostraram o seu interesse pelo misticismo, o simbolismo e as formas da arte que consideravam
mais genuínas: o primitivo, o popular, o infantil e o de doentes mentais. Der Blaue Reiter destacou-se pelo uso da aquarela,
frente à gravura utilizada nomeadamente por Die Brücke. Também cabe destacar-se a importância outorgada à música,
que acostuma assimilar-se à cor, o que facilitou a transição de uma arte figurativa para uma mais abstrata. [60] De igual
forma, nos seus ensaios teóricos mostraram a sua predileção pela forma abstrata, na que viam um grande conteúdo
simbólico e psicológico, teoria que ampliou Kandinsky na sua obra Do espiritual na arte (1912), na que procura uma síntese
entre a inteligência e a emotividade, defendendo que a arte se comunica com o nosso espírito interior, e que as obras
artísticas podem ser tão expressivas quanto a música.[56] Kandinsky expressa um conceito místico da arte, com influência
da teosofia e a filosofia oriental: a arte é expressão do espírito, sendo as formas artísticas reflexo dele. Como no mundo
das ideias de Platão, as formas e sons ligam com o mundo espiritual através da sensibilidade, da percepção. Para
Kandinsky, a arte é uma linguagem universal, acessível a qualquer ser humano. O caminho da pintura devia ser desde a
pesada realidade material até a abstração da visão pura, com a cor como meio, por isso desenvolveu toda uma complexa
teoria da cor: em A Pintura como arte pura (1913) sustém que a pintura é já um ente separado, um mundo em si mesmo,
uma nova forma do ser, que age sobre o espectador através da vista e que provoca nele profundas experiências espirituais.
[61]

São Jorge (1912), de August Macke, Kolumba Museum, Colônia.

Der Blaue Reiter organizou diversas exposições: a primeira foi na Galeria Thannhäuser de Munique, inaugurada a 18 de
dezembro de 1911com o nome I Ausstellung der Redaktion des Blauen Reiter (I Exposição dos Diretores do Ginete Azul).
[62]
 Foi a mais homogênea, pois havia uma clara influência mútua entre todos os componentes do grupo, dissipada mais
adiante por uma maior individualidade de todos os seus membros. Expuseram obras Macke, Kandinsky, Marc,
Campendonk e Münter e, como convidados, Arnold Schönberg –compositor mas autor também de obras pictóricas–, Albert
Bloch, David e Vladimir Burliuk, Robert Delaunay e o Aduaneiro Rousseau. A segunda exposição decorreu na Galeria Hans
Goltz em março de 1912, dedicada a aquarelas e obras gráficas, confrontando o expressionismo alemão com o cubismo
francês e o suprematismo russo. A última grande exposição aconteceu em 1913 na sede de Der Sturm em Berlim, em
paralelo ao primeiro "Salão de Outono" celebrado na Alemanha. [63]

Um dos maiores quadros do grupo foi a publicação do Almanaque (maio de 1912), por ocasião da exposição organizada
em Colônia pelo Sonderbund. Foi realizado em colaboração com o galerista Heinrich von Tannhäuser e com Hugo von
Tschudi, diretor dos museus deBaviera. Junto a numerosas ilustrações, recolhia diversos textos dos membros do grupo,
dedicados à arte moderna e com numerosas referências à arte primitiva e exótica. A teoria pictórica do grupo era mostrada,
centrada na importância da cor e na perda da composição realista e o caráter imitativo da arte, frente a uma maior
liberdade criativa e uma expressão mais subjetiva da realidade. Falava-se igualmente dos pioneiros do movimento (Van
Gogh, Gauguin, Cézanne, Rousseau), no que se incluía tanto aos membros de Die Brücke e Der Blaue Reiter como a
Matisse, Picasso e Delaunay. Também se incluiu a música, com referências a Schönberg, Webern e Berg. [64]

Der Blaue Reiter teve o seu final com a Primeira Guerra Mundial, na que faleceram Marc e Macke, enquanto Kandinsky
teve de voltar para Rússia. Em 1924 Kandinsky e Klee, junto a Lyonel Feininger e Alexej von Jawlensky, fundaram Die
Blaue Vier (Os Quatro Azuis) no seio daBauhaus, expondo conjuntamente a sua obra por dez anos. [65]

Os principais representantes de Der Blaue Reiter foram:


O moinho encantado (1913), de Franz Marc,Art Institute of Chicago, Chicago.

Wassily Kandinsky: de vocação tardia, estudou direito, economia e política antes de se passar à pintura, após visitar uma
exposição impressionista em 1895. Estabelecido em Munique, começou no Jugendstil,conjugando-o com elementos da
tradição russa. Em1901 fundou o grupo Phalanx, e abriu a sua própria escola. Durante 1906—1909 teve um período
fauvista, para passar posteriormente ao expressionismo. Desde 1908 a sua obra foi perdendo o aspecto temático e
figurativo para ganhar em expressividade e colorido, iniciando progressivamente o caminho para a abstração, e
desde 1910 criou quadros nos quais a importância da obra residia na forma e na cor, criando planos pictóricos por
confrontação de cores.[66] A sua abstração era aberta, com um foco no centro, empurrando com uma força centrífuga,
derivando as linhas e manchas para fora, com grande riqueza formal e cromática. O próprio Kandinsky distinguia a sua
obra entre "impressões", reflexo direto da natureza exterior (que seria a sua obra até 1910); "improvisações", expressão de
signo interno, de caráter espontâneo e de natureza espiritual (abstração expressionista, 1910-1921); e "composições",
expressão igualmente interna mais elaborada e formada devagar (abstração construtiva, desde 1921). [67]

Franz Marc: estudante de teologia, durante uma viagem pela Europa entre 1902 e 1906 decidiu tornar-se pintor. Imbuído de
um grandemisticismo, considerava-se um pintor "expressivo", visando a expressar o seu "eu interior". A sua obra foi
bastante monotemática, dedicando-se nomeadamente aos animais, especialmente os cavalos. Em que pese a isso, os
seus tratamentos eram variados, com contrastes muito violentos de cor, sem perspectiva linear. Recebeu a influência
de Degas –que também fez uma série sobre cavalos–, bem como do cubismo órfico de Delaunay e das atmosferas
boiantes de Chagall. Para Marc, a arte era uma forma de captar a essência das coisas, o que traduziu numa visão mística e
panteísta da natureza, que plasmou sobretudo nos animais, que para ele tinham um significado simbólico, representando
conceitos como o amor ou a morte. Nas suas representações de animais a cor era igualmente simbólico, destacando-se o
azul, a cor mais espiritual. As figuras eram simples, esquemáticas, tendendo à geometrização após o seu contato com o
cubismo. Contudo, desenganado também dos animais, começou como Kandinsky o caminho para a abstração, carreira que
truncada com a sua morte na contenda mundial.[68]

August Macke: em 1906 visitou Bélgica e Holanda, onde recebeu a influência de Rembrandt –empaste grosso, contrastes
acusados–; em 1907, em Londres, entusiasmou-se com os pré-rafaelitas; igualmente, em 1908 em Paris contatou com o
fauvismo. Desde então abandonou a tradição e renovou temáticas e coloridos, trabalhando com cores claras e cálidas.
Depois receberia a influência do cubismo: restrição cromática, linhas geométricas, figuras esquematizadas, contrastes
sombra-luz. Por último chegou à arte abstrata, influenciado por Kandinsky e Delaunay: fazia uma abstração racional,
geométrica, com manchas lineais de cor e composições baseadas em planos geométricos coloreados. Nas suas últimas
obras –após uma viagem pelo norte da África– voltou ao colorido forte e os contrastes exagerados, com um certo ar
surrealista. Inspirava-se em temas cotidianos, em ambientes geralmente urbanos, com um ar lírico, alegre, sereno, com
cores de expressão simbólica como em Marc.[69]

Paul Klee: de formação musical, em 1898 passou à pintura, denotando como Kandinsky um senso pictórico de
evanescência musical, tendente à abstração, e com um ar onírico que o levaria para o surrealismo. [70] Iniciado
no Jugendstil, e com influência de Böcklin, Redon, Van Gogh, Ensor e Kubin, visava como este último atingir um estado
intermédio entre a realidade e a fantasia ideal. Mais tarde, após uma viagem para Paris em 1912 onde conheceu a Picasso
e Delaunay, interessou-se mais pela cor e as suas possibilidades compositivas. Em uma viagem para África em 1914 com
Macke reafirmou a sua visão da cor como elemento dinamizador do quadro, que seria a base das suas composições, onde
perdura a forma figurativa combinada com uma certa atmosfera abstrata, em curiosas combinações que seriam um dos
seus selos estilísticos mais reconhecíveis. Klee recriou na sua obra um mundo fantástico e irônico, próximo do das crianças
ou os loucos, que acercará o universo dos surrealistas –com numerosos pontos de contato entre a sua obra e a deJoan
Miró–.[71]

Alexej von Jawlensky: militar russo, abandonou a sua carreira para se dedicar à arte, instalando-se em Munique
em 1896 com Marianne von Werefkin. Em 1902 viajou para Paris, travando amizade com Matisse, com quem trabalhou um
tempo e com quem se iniciou no colorido fauve. Dedicou-se nomeadamente ao retrato, inspirado nos ícones da arte
tradicional russa, com figuras em atitude hierática, de grande tamanho e esquematismo compositivo. Trabalhava com
grandes superfícies de cor, com um colorido violento, delimitado por fortes traços pretos. [72] Durante a guerra refugiou-se na
Suíça, onde realizou retratos próximos do cubismo, com rostos ovais, de nariz alongado e olhos assimétricos. Mais tarde,
por influência de Kandinsky, aproximou-se à abstração, com retratos reduzidos a formas geométricas, de cores intensas e
cálidas.[73]

Autorretrato (1910), de Marianne von Werefkin, Städtische Galérie im Lenbachhaus, Munique.


Lyonel Feininger: norte-americano de origem alemão, em 1888 viajou para Alemanha para estudar música, passando
posteriormente à pintura. Nos seus começos trabalhou como caricaturista para vários jornais. Recebeu a influência do
cubismo órfico de Delaunay, patente no geometrismo das suas paisagens urbanas, de formas angulosas e inquietantes,
parecidas às de O gabinete do doutor Caligari –em cujos decoradores provavelmente influiu–. As suas personagens são
caricaturescas, de grande tamanho –às vezes chegando à mesma altura dos edifícios–, construídas por superposição de
planos de cor. Professor da Bauhaus de 1919 a 1933, em 1938, por causa do nazismo, retornou para o seu Nova
York natal.[74]

Gabriele Münter: estudou em Düsseldorf e Munique, ingressando no grupo Phalanx, no que conheceu a Kandinsky, com o
que iniciou uma relação e passou longas temporadas na localidade de Murnau. Ali pintou numerosas paisagens nas quais
desvelava uma grande emotividade e um grande domínio da cor, com influência da arte popular bávara, o que se denota
nas linhas simples, cores claras e luminosas e uma cuidada distribuição das massas. Recebeu de Jawlensky a justaposição
de manchas brilhantes de cor com nítidos contornos, que se tornariam no seu principal selo artístico.
Entre 1915 e 1927 deixou de pintar, após a sua ruptura com Kandinsky. [75]

Heinrich Campendonk: influenciado pelo cubismo órfico e a arte popular e primitiva, criou um tipo de obras de signo
primitivista, com desenho de grande rigidez, figuras hieráticas e composições deshierarquizadas. Nas suas obras tem um
papel determinante o contraste de cores, com uma pincelada herdeira do impressionismo. Mais tarde, por influência de
Marc, a cor ganhou independência a respeito do objeto, cobrando um maior valor expressivo, e decompondo o espaço à
maneira cubista. Superpunha as cores em camadas transparentes, realizando composições livres nas quais os objetos
parecem boiar sobre a superfície do quadro. Assim como em Marc, a sua temática focou-se num conceito idealizado da
comunhão entre o homem e a natureza.[76]

Alfred Kubin: escritor, desenhista e ilustrador, a sua obra baseou-se num mundo fantasmagórico de monstros, de aspecto
excitante e alucinante, refletindo a sua obsessão pela morte. Influenciado por Max Klinger, trabalhou nomeadamente como
ilustrador, em desenhos em branco e preto de ar decadentista com reminiscências de Goya, Blake e Félicien Rops. As suas
cenas enquadravam-se em ambientes crepusculares, fantasmagóricos, que recordam igualmente a Odilon Redon, com um
estilo caligráfico, às vezes roçando a abstração. Os seus imagens fantásticas, mórbidas, com referências ao sexo e a
morte, foram precursoras do surrealismo. Também foi escritor, cuja principal obra, O outro lado (1909), pôde ter
influenciado sobre Kafka.[77]

Marianne von Werefkin: pertencente a uma família aristocrata russa, recebeu classes de Ilya Repin em São Petersburgo.
Em 1896 mudou-se para Munique com Jawlensky, com o que iniciara uma relação, dedicando-se mais à difusão da obra
deste que à sua própria. Nesta cidade criou um salão de notável fama como tertúlia artística, chegando a influir em Franz
Marc a nível teórico. Em 1905, após algumas divergências com Jawlensky, voltou a pintar. Esse ano viajou para França,
recebendo a influência dos nabis e os futuristas. As suas obras são de um colorido brilhante, cheio de contrastes, com
preponderância da linha na composição, à qual a cor fica subordinada. A temática é fortemente simbólica, destacando-se
as suas enigmáticas paisagens com procissões de mortos.[78]
]Neu Sachlichkeit
Ver artigo principal:  Nova Objetividade
Martha (1925), de Georg Schrimpf, Pinakothek der Moderne, Munique.

O grupo Neu Sachlichkeit (Nova Objetividade) surgiu após a Primeira Guerra Mundial como um movimento de reação frente
ao expressionismo, retornando à figuração realista e à plasmação objetiva da realidade circundante, com uma marcada
componente social e reivindicativa. Desenvolvido entre 1918 e 1933, desapareceu com o advento do nazismo.[79] O
ambiente de pessimismo que trouxe o pós-guerra propiciou o abandono por parte de alguns artistas do expressionismo
mais espiritual e subjetivo, de procura de novas linguagens artísticas, por uma arte mais comprometida, mais realista e
objetiva, dura, direta, útil para o desenvolvimento da sociedade, uma arte revolucionária na sua temática, se bem que não
na forma.[80] Os artistas separaram-se da abstração, refletindo sobre a arte figurativa e recusando toda atividade que não
atendesse os problemas da diligente realidade do pós-guerra. Encarnaram este grupo Otto Dix, George Grosz, Max
Beckmann, Conrad Felixmüller, Chrístian Schad, Rudolf Schlichter, Ludwig Meidner, Karl Hofer e John Heartfield.

Frente à introspeção psicológica do expressionismo, o individualismo de Die Brücke ou o espiritualismo de Der Blaue
Reiter, a Nova Objetividade propôs o retorno ao realismo e à plasmação objetiva do mundo circundante, com uma temática
mais social e comprometida politicamente. Contudo, não renunciaram aos sucessos técnicos e estéticos da arte de
vanguarda, como o colorido fauvista e expressionista, a "visão simultânea" futurista ou a aplicação da fotomontagem à
pintura e à gravura do verismo. A recuperação da figuração foi uma consequência comum no espaço no final da guerra:
para além da Nova Objetividade, surgiu na França o purismo e na Itália a pintura metafísica, precursora do surrealismo.
Mas, na Nova Objetividade, este realismo é mais comprometido que em outros países, com obras de denúncia social que
visam desmascarar a sociedade burguesa do seu tempo, denunciar o estamento político e militar que os levou ao desastre
da guerra. Se bem que a Nova Objetividade opôs-se ao expressionismo por ser um estilo espiritual e individualista,
manteve por outro lado a sua essência formal, pois o seu caráter grotesco, de deformação da realidade, de caricaturamento
da vida, transladou-se à temática social abordada pelos novos artistas do pós-guerra. [81]

A "Nova Objetividade" surgiu como recusa do Novembergruppe, cuja falta de compromisso social rejeitavam. Assim,
em 1921, um grupo de artistas dadaístas –entre os quais se encontravam George Grosz, Otto Dix, Rudolf Schlichter, Hanna
Höch, etc.– apresentaram-se como "Oposição ao Grupo de Novembro", redigindo uma Carta aberta a este. O termo "Nova
Objetividade" foi concebido pelo crítico Gustav Friedrich Hartlaub para a exposição Nova Objetividade. Pintura alemã desde
o expressionismo, celebrada em 1925 na Kunsthallede Mannheim. Segundo palavras de Hartlaub: "o objetivo é superar as
mesquindades estéticas da forma através de uma nova objetividade nascida do desgosto para a sociedade burguesa da
exploração".[82]
Em paralelo à Nova Objetividade surgiu o denominado "realismo mágico", nome proposto igualmente por Hartlaub
em 1922 mais difundido sobretudo por Franz Roh no seu livro Pós-expressionismo. Realismo mágico (1925). O realismo
mágico situou-se mais à direita da Nova Objetividade –embora fosse igualmente eliminado pelos nazis–, e representava
uma linha mais pessoal e subjetiva que o grupo de Grosz e Dix. Frente à violência e dramatismo dos seus coetâneos
objetivos, os realistas mágicos elaboraram uma obra mais acalmada e intemporal, mais sereia e evocadora, transmissora
de uma quietude que visava a pacificar os ânimos após a guerra. O seu estilo era próximo do da pintura metafísica italiana,
visando a captar a transcendência dos objetos para além do mundo visível. Entre as suas figuras destacaram-se Georg
Schrimpf, Alexander Kanoldt, Anton Räderscheidt, Carl Grossberg e Georg Scholz.[83]

Os principais expoentes da Nova Objetividade foram:

George Grosz: procedente do dadaísmo, interessado pela arte popular. Mostrou desde novo na sua obra um intenso
desgosto pela vida, que se tornou após a guerra em indignação. Na sua obra analisou fria e metodicamente a sociedade do
seu tempo, desmistificando as classes dirigentes para mostrar o seu lado mais cruel e despótico. Carregou especialmente
contra o exército, a burguesia e o clero, em séries como O rosto da classe dominante (1921) ou Ecce Homo (1927), em
cenas onde predomina a violência e o sexo. As suas personagens costumam ser mutilados de guerra, assassinos, suicidas,
burgueses ricos e rechonchudos, prostitutas, vagabundos, etc., em figuras sucintas, silhuetadas em poucos traços, como
bonecos. Tecnicamente, empregou recursos de outros estilos, como o espaço geometrizante do cubismo ou a captação do
movimento do futurismo.[84]

Otto Dix: iniciado no realismo tradicional, com influência de Hodler, Cranach e Durero, em Dix a temática social, patética,
direta e macabra da Nova Objetividade ficava enfatizada pela representação realista e minuciosa, quase diáfana, das suas
cenas urbanas, povoadas pelo mesmo tipo de personagens que retratava Grosz: assassinos, aleijados, prostitutas,
burgueses e mendigos. Expôs fria e metodicamente os horrores da guerra, as carniçarias e matanças que presenciou como
soldado: assim, na série A Guerra (1924), inspirou-se na obra de Goya e de Callot.[85]

Max Beckmann: de formação acadêmica e começos próximos do impressionismo, o horror da guerra levou-o, como aos
seus companheiros, a plasmar cruamente a realidade que o envolvia. Acusou então a influência de antigos mestres como
Grünewald, Brueghel e Hieronymus Bosch, junto a novas contribuições como o cubismo, do qual tomou o seu conceito de
espaço, que se torna na sua obra em um espaço agoniante, quase claustrofóbico, no qual as figuras têm um aspecto de
solidez escultórica, com contornos muito delimitados. Na sua série O inferno (1919) fez um retrato dramático do Berlim do
pós-guerra, com cenas de grande violência, com personagens torturados, que berram e se retorcem de dor. [85]

Conrad Felixmüller: fervente opositor da guerra, durante a contenda assumiu a arte como compromisso político. Ligado ao
círculo de Pfemfert, editor da revista Die Aktion, moveu-se no ambiente antimilitarista de Berlim, que recusava o esteticismo
na arte, defendendo uma arte comprometida e de finalidade social. Influenciado pelo colorido de Die Brücke e pela
decomposição cubista, simplificou o espaço como formas angulares e quadriláteros, que ele denominava "cubismo
sintético". A sua temática focou-se em operários e nas classes sociais mais desfavorecidas, com um forte componente de
denúncia.[86]

Chrístian Schad: membro do grupo dadaísta de Zurique (1915-1920), onde trabalhou com papel fotográfico –as suas
"schadografías"–, dedicou-se posteriormente ao retrato, em retratos frios e desapassionados, estritamente objetivos, quase
desumanizados, estudando com olhada sóbria e científica as personagens que retrata, reduzidas a simples objetos, sós e
isoladas, sem capacidade de se comunicarem.[83]
Ludwig Meidner: membro do grupo Die Pathetiker (Os Patéticos) junto a Jakob Steinhardt e Richard Janthur, o seu principal
tema foi a cidade, a paisagem urbana, que mostrou em cenas abigarradas, sem espaço, com grandes multidões e edifícios
angulosos de precário equilíbrio, num ambiente opressivo, angustioso. Na sua série Paisagens apocalípticas(1912-1920)
retratou cidades destruídas, que ardem ou estouram, em vistas panorâmicas que mostram mais friamente o horror da
guerra.[87]

Karl Hofer: iniciado num certo classicismo próximo a Hans von Marées, estudou em Roma e Paris, onde o surpreendeu a
guerra e foi feito prisioneiro durante três anos, fato que marcou profundamente o desenvolvimento da sua obra, com figuras
atormentadas, de gestos vacilantes, em atitude estática, enquadradas em desenhos claros, de cores frias e pincelada
pulcra e impessoal. As suas figuras são solitárias, de aspecto pensativo, melancólico, denunciando a hipocrisia e a loucura
da vida moderna (O casal, 1925; Homens com tochas, 1925; O quarto preto, 1930).[88]
]Outros artistas

Mãe ajoelhada com criança (1907), de Paula Modersohn-Becker, Alte Nationalgalerie, Staatliche


Museem zu Berlin, Berlim.

Alguns artistas não se adscreveram a nenhum grupo, desenvolvendo de jeito pessoal um


expressionismo fortemente intuitivo, de diversas tendências e estilos:

Paula Modersohn-Becker: estudou em Bremen e Hamburgo, instalando-se posteriormente na colônia de artistas


de Worpswede(1897), enquadrada então num paisagismo próximo da Escola de Barbizon. Contudo, o seu interesse por
Rembrandt e pelos pintores alemães medievais levaram para a procura de uma arte mais expressiva. Influenciada pelo
pós-impressionismo, bem como por Nietzsche e Rilke, começou a empregar nas suas obras cores e formas aplicados
simbolicamente. Numas visitas a Paris entre 1900 e 1906 recebeu a influência de Cézanne, Gauguin e Maillol, combinando
de um modo pessoal as formas tridimensionais de Cézanne e os desenhos lineais de Gauguin, nomeadamente em retratos
e cenas maternas, bem como nus, evocadores de uma nova concepção na relação do corpo com a natureza. [89]
Lovis Corinth: formado no impressionismo –do qual foi uma das principais figuras na Alemanha, junto a Max
Liebermann e Max Slevogt–, derivou na sua maturação para o expressionismo com uma série de obras de introspeção
psicológica, com uma temática centrada no erótico e macabro. Após um ataque cerebral que padeceu em 1911 e que
paralisou a sua mão direita, aprendeu a pintar com a esquerda. Se bem que seguiu ancorado na impressão óptica como
método de criação das suas obras, cobrou um crescente protagonismo a expressividade, culminando em O Cristo
vermelho (1922), cena religiosa de notável angústia próxima às visões de Nolde. [90]

Christian Rohlfs: de formação acadêmica, dedicou-se nomeadamente à paisagem em estilo realista, até terminar no
expressionismo quase em cinquenta anos de idade. O fato determinante para a mudança pôde ser a sua contratação em
1901 como professor da escola-museu Folkwang de Hagen, na qual pôde contatar com as melhores obras da arte moderna
internacional. Assim, a partir de 1902 começou a aplicar a cor mais sistematicamente, à maneira pontilhista, com um
colorido luminoso. Recebeu mais tarde a influência de Van Gogh, com paisagens de pincelada rítmica e pastosa, em faixas
onduladas, sem profundeza. Finalmente, após uma exposição de Die Brücke no Folkwang em 1907, provou novas técnicas,
como a xilografia e o linóleo, com acentuados contornos pretos. A sua temática era variada, embora focada em
temas bíblicos e da mitologia nórdica.[91]

Wilhelm Morgner: aluno de Georg Tappert, pintor vinculado à colônia de Worpswede, cujo paisagismo lírico influiu-no em
primeiro lugar, evoluiu mais tarde a um estilo mais pessoal e expressivo, influenciado pelo cubismo órfico, onde ganham
importância as linhas de cor, com pinceladas pontilhistas que se justapõem formando algo parecido com um tapiz. Ao
acentuar a cor e a linha, abandonou a profundeza, em composições planas nas que os objetos se situam em paralelo, e as
figuras costumam serem representadas de perfil. Desde 1912 ganhou importância na sua obra a temática religiosa, em
composições quase abstratas, com linhas simples traçadas com a cor. [92]
editar]O grupo de Viena

Casal de mulheres (1915), de Egon Schiele, Magyar Szépmüvészeti Múzeum, Budapeste.

Em Áustria, os expressionistas receberam a influência do modernismo alemão (Jugendstil) e austríaco (Sezession), bem
como dos simbolistasGustav Klimt e Ferdinand Hodler. O expressionismo austríaco destacou-se pela tensão da
composição gráfica, deformando a realidade subjetivamente, com uma temática nomeadamente erótica –representada por
Schiele– ou psicológica –representada por Kokoschka–. [93] Em contraste com o impressionismo e a arte acadêmica do
século JIX preponderante na Áustria do novo século, os novos artistas austríacos seguiram a estela de Klimt à procura de
uma maior expressividade, refletindo nas suas obras uma temática existencial de grande fundo filosófico e psicológico,
focado na vida e a morte, a doença e o dor, o sexo e o amor. [94]

Os seus principais representantes foram Egon Schiele, Oskar Kokoschka, Richard Gerstle, Max Oppenheimer, Albert Paris


von Gütersloh eHerbert Boeckl, além de Alfred Kubin, membro de Der Blaue Reiter. Caberia destacar-se a obra de dois
artistas:

Egon Schiele: discípulo de Klimt, a sua obra girou em uma temática baseada na sexualidade, a solidão e a incomunicação,
com certo ar devoyeurismo, com obras explícitas pelas quais até mesmo esteve preso, acusado de pornografia. Dedicado
nomeadamente ao desenho, outorgou um papel essencial à linha, com a que baseou as suas composições, com figuras
estilizadas imersas num espaço opressivo, tenso. Recriou uma tipologia humana reiterativa, com um cânone alongado,
esquemático, afastado do naturalismo, com cores vivas, exaltadas, destacando-se o caráter linear, o contorno. [95]

Oskar Kokoschka: recebeu a influência de Van Gogh e do passado clássico, nomeadamente o barroco (Rembrandt) e
a escola veneziana(Tintoretto, Veronese). Também esteve ligado à figura de Klimt, bem como do arquiteto Adolf Loos.
Contudo, criou o seu próprio estilo pessoal, visionário e atormentado, em composições nas quais o espaço cobra grande
protagonismo, um espaço denso, sinuoso, no qual se vem submergidas as figuras, que aboiam nele imersas numa corrente
centrífuga que produz um movimento espiral. A sua temática costumava ser o amor, a sexualidade e a morte, dedicando-se
também por vezes ao retrato e à paisagem.[96] As suas primeiras obras tinham um estilo medieval e simbolista próximo
dos Nabis ou da época azul de Picasso. Desde 1906, em que conheceu a obra de Van Gogh, começou num tipo de retrato
de corte psicológico, que visava a refletir o desequilíbrio emocional do retratado, com supremacia da linha sobre a cor. As
suas obras mais puramente expressionistas destacam-se pelas figuras retorcidas, de expressão torturada e apaixonamento
romântico, como A esposa do vento (1914). Desde os anos 1920 dedicou-se mais à paisagem, com um certo aspecto
barroco, de pincelada mais leve e cores mais brilhantes.[97]
editarEscola de Paris
Ver artigo principal:  Escola de Paris

Nu deitado (1919), de Amedeo Modigliani, Museum of Modern Art,Nova York.

Denomina-se Escola de Paris a um grupo heterodoxo de artistas que trabalharam em Paris no período entre-guerras(1905


—1940), ligados a diversos estilos artísticos como o pós-impressionismo, o expressionismo, o cubismo e o surrealismo. O
termo abrange uma grande variedade de artistas, tanto franceses quanto estrangeiros que residiam na capital francesa no
intervalo entre as duas guerras mundiais. Naquela época, a cidade do Sena era um fértil centro de criação e difusão
artística, tanto pelo seu ambiente político, cultural e econômico, quanto por ser a origem de diversos movimentos de
vanguarda como o fauvismo e o cubismo, e lugar de residência de grandes mestres como Picasso, Braque, Matisse, Léger,
etc. Também era um remarcável centro de colecionismo e de galerias de arte. A maioria de artistas residia nos bairros
de Montmartre e Montparnasse, e caracterizava-se pela sua vida mísera e boêmia.[98]

Na Escola de Paris houve uma grande diversidade estilística, se bem que a maioria
estiveram ligados com maior ou menor intensidade ao expressionismo, embora
interpretado de jeito pessoal e heterodoxo: artistas como Amedeo Modigliani, Chaïm
Soutine, Jules Pascin e Maurice Utrillo foram conhecidos como Les maudits (os malditos),
pela sua arte boêmia e torturada, reflexo de um ambiente notâmbulo, miserável e
desesperado. Por outro lado, Marc Chagallrepresenta um expressionismo mais vitalista,
mais dinâmico e colorista, sintetizando a sua iconografia russa natal com o colorido
fauvista e o espaço cubista.[99]

Os membros mais destacados da escola foram:

Amedeo Modigliani: instalou-se em Montmartre em 1906, onde se reunia em "O coelho ágil" com Picasso, Max
Jacob, Apollinaire, Soutine, etc. Influenciado pelo simbolismo e omaneirismo (Pontormo, Parmigianino), dedicou-se
nomeadamente à paisagem, o retrato e o nu, com figuras alongadas inspiradas nos mestres italianos
do Cinquecento. Hedonista, procurava a felicidade, o agradável, pelo qual não lhe interessava a corrente destrutiva
nietzscheana do expressionismo alemão. Nas suas obras sublinhava com força o contorno, de linhas fluidas, herdeiras
do arabesco modernista, enquanto o espaço se formava por justaposição de planos de cor. Os seus retratos eram de
grande introspeção psicológica, ao que contribuía uma certa deformação e a transmissão desse ar melancólico e desolado
próprio da sua visão boêmia e angustiada da vida. Dedicou-se também à escultura, com influência de Brâncuşi, bem como
maneirista e africana, com obras simétricas, alongadas, frontais, próximas à escultura arcaica grega. [100]

Marc Chagall: instalado em Paris em 1909, realizou obras de caráter onírico, próximas a um certo surrealismo, distorcendo
a realidade ao seu capricho. Empregava uma gama de cor exaltada, principal nexo de união com o expressionismo alemão
–embora ele não se considerasse expressionista–, em temas populares e religiosos, com desproporção e falta de interesse
pela hierarquização na narração dos fatos. Influenciado pelo fauvismo, o cubismo e o futurismo, as suas cenas encontram-
se num espaço irreal, alheio a regras de perspectiva ou escala, num mundo no que evoca as suas lembranças infantis e os
temas populares russos e judeus, misturados com o mundo dos sonhos, a música e a poesia. Tomou de Delaunay a
transparência de planos e cores, bem como a criação de espaço através da cor e da simultaneidade temporária mediante a
justaposição de imagens. Entre 1914 e 1922 voltou para Rússia, onde foi comissário cultural na Escola de Belas Artes
de Vitebsk. De volta a Paris, evoluiu para o surrealismo. [101]

Georges Rouault: vinculado em princípio ao simbolismo –foi discípulo de Gustave Moreau– e ao fauvismo, a sua temática
de índole moral –centrada no religioso– e o seu colorido obscuro acercaram-no ao expressionismo. As suas obras mais
emblemáticas foram as de nus femininos, com um ar amargo e desagradável, com figuras lânguidas e esbranquiçadas
(Odaliscas, 1907); cenas circenses, nomeadamente de palhaços, com ar caricaturesco, sublinhando notavelmente os
contornos (Cabeça de um palhaço trágico, 1904); e cenas religiosas, com desenho mais abstrato e colorido mais intenso (A
Paixão, 1943). A obra de Rouault –especialmente as obras religiosas– tinha uma forte carga de denúncia social, de
increpação para os vícios e defeitos da sociedade burguesa; até mesmo numa temática como a circense enfatizava o seu
lado mais negativo e deprimente, sem concessões cômicas ou sentimentais, com um aspecto sórdido e cruel. Sentia
predileção pelo gouache e pela aquarela, com tons obscuros e superfícies salpicadas, em camadas superpostas de
pigmentos translúcidos, com um grafismo de linhas quebradas que enfatizava a expressividade da composição. [102]
Cena de café, de Jules Pascin, Museum of Fine Arts,Boston.

Jules Pascin: de origem búlgara e ascendência judaica, instalou-se em Paris após breves estadias em Berlim, Viena
ePraga; em 1914 transladou-se aos Estados Unidos, voltando para Paris em 1928 até o seu suicídio dois anos depois. A
sua obra expressava o desarraigo e a alienação do desterrado, bem como as obsessões sexuais que marcaram desde a
sua adolescência. Nos seus começos mostrou a influência do fauvismo e do cubismo, bem como de Toulouse-Lautrec e
Degas nos nus. Tinha uma delicada técnica, com uma linha finamente sugestionada e uma cor de tons iridescentes,
mostrando nos seus despidos um ar lânguido e evanescente. [103]

Chaïm Soutine: russo de família judaica, instalou-se em Paris em 1911. A sua personalidade violenta e autodestrutiva
provocava uma relação apaixonada com a sua obra, levando-o muitas vezes a romper os seus quadros, e refletindo-se
numa pincelada forte e incontrolada e uma temática angustiosa e desolada, como no seu Boi em canal (1925), inspirado
no Boi esfolado de Rembrandt. Pintor impulsivo e espontâneo, tinha uma necessidade irrefreável de plasmar
imediatamente na tela a sua emotividade interior, motivo pelo qual as suas obras carecem de qualquer preparação prévia.
Influenciado por Rembrandt, El Greco e Tintoretto, o seu colorido é intenso, expressando com a direção das pinceladas os
sentimentos do artista. Assim mesmo, é evidente o rasto de Van Gogh na impulsividade do gesto pictórico, sobretudo nas
suas paisagens.[104]

Maurice Utrillo: artista boêmio e torturado, a sua atividade artística foi paralela à sua adição ao álcool. De obra autodidata e
com certo aspecto naïf, dedicou-se nomeadamente à paisagem urbana, retratando magistralmente o ambiente popular do
bairro de Montmartre, enfatizando o seu aspecto de solidão e opressão, refletido com uma técnica depurada e linear, de
certa herança impressionista.[105]

Outros artistas que desenvolveram a sua obra no seio da Escola de Paris foram Lasar Segall, Emmanuel Mané-
Katz, Pinchus Krémègne, Moïse Kisling, Michel Kikoïne e o japonêsTsuguharu Foujita.

editarOutros países
Fertilidade, de Frits Van den Berghe, Kunstmuseum aan Zee,Oostende.

Bélgica: o expressionismo belga foi herdeiro do simbolismo primitivista, acusando igualmente uma forte influência do pintor
renascentistaflamengo Pieter Brueghel, o Velho, bem como a de James Ensor, mestre dos expressionistas belgas. O
primeiro grupo surgiu em 1914 na colônia de artistas de Sint-Martens-Latem, integrado por Albert Servaes, Gustave Van de
Woestijne, Gustave De Smet, Frits Van den Berghe e Constant Permeke. Contudo, a guerra dispersou o grupo: Permeke
refugiou-se na Grã-Bretanha, e De Smet e Van den Berghe em Holanda. Fora do seu ambiente receberam numerosas
influências, nomeadamente do cubismo e da arte africana. Passada a guerra, o expressionismo belga reviveu com notável
força, sobretudo em torno à revista Selection e à galeria do mesmo nome, em Bruxelas. As influências do momento foram a
do cubismo e da Escola de Paris, plasmadas num certo ar monumental e um enfoque social tendente ao ruralismo, com
cenas costumbristas inspiradas nos clássicos flamengos. O movimento perdurou praticamente até o começo da Segunda
Guerra Mundial, se bem que com um contínuo declínio desde 1930. [106]

Brasil: neste país temos a presença de Cândido Portinari, pintor de renome universal. De família pobre, estudou na Escola
Nacional de Belas Artes de Rio de Janeiro. Em 1929 viajou para Europa, estabelecendo-se em Paris após percorrer
Espanha, a Itália e Inglaterra, para voltar em1931. Com influência de Picasso, na sua obra expressou o mundo dos pobres
e desfavorecidos, dos operários e os agricultores. Outro nome a destacar-se seria o de Anita Malfatti, considerada a
introdutora das vanguardas europeias e norte-americanas no Brasil. Em 1910 viajou para Berlim, onde estudou com Lovis
Corinth. A sua obra caracterizou-se pelas cores violentas, em retratos, nus, paisagens e cenas populares.
Desde1925 abandonou o expressionismo e começou uma carreira mais convencional. [107]

Hipnotizador (1912), de Bohumil Kubišta, Galerie výtvarných uměni, Ostrava.


Checoslováquia: país surgido após a Primeira Guerra Mundial com a desmembração do Império Austro-Húngaro, as
vanguardas chegaram com atraso, o que se traduziu numa certa mistura de estilos, decorrendo um expressionismo
fortemente misturado com o cubismo. Os seus principais representantes foram Bohumil Kubišta, Emil Filla e Antonin
Procházka. A obra de Filla é uma profunda reflexão sobre a guerra –ficou fortemente pontuado pela sua experiência
no campo de concentração de Buchenwald–, com uma grande influência da pintura holandesa do século XVII. Procházka
expressou a beleza e a poesia dos objetos mundanos, que visava transcender extraindo de eles uma visão idealizada mas
muito descritiva, empregando com frequência a técnica da encáustica. Kubišta, influenciado por Van Gogh e Cézanne, foi
membro temporariamente de Die Brücke. De formação autodidata e interessado pela filosofia e a óptica, estudou as cores e
a construção geométrica da pintura. A sua obra evoluiu desde 1911 a um estilo mais influenciado pelo cubismo. [108]

Equador: cabe sublinhar a obra de Oswaldo Guayasamín. Estudou na Escola de Belas Artes de Quito.
Entre 1942 e 1943 viajou pelos Estados Unidos e México, onde foi ajudante de Orozco. Um ano depois viajou por diversos
países da América Latina, entre eles Peru,Brasil, Chile, Argentina e Uruguai, encontrando em todos eles uma sociedade
indígena oprimida, temática que, desde então, apareceu sempre nas suas obras. Nas suas pinturas posteriores figurativas
tratou temas sociais, simplificando as formas. A sua obra refletiu o dor e a miséria que suporta a maior parte da
humanidade, denunciando a violência que lhe tocou viver ao ser humano no século XX, pontuado pelas guerras mundiais,
os genocídios, os campos de concentração, as ditaduras, as torturas, etc. Tem murais em Quito, Madrid(Aeroporto de
Barajas), Paris (Sede da UNESCO), etc.

Espanha: neste país, como na maioria de países mediterrâneos, o expressionismo teve relativo sucesso. Contudo, foi
praticado por diversos artistas isolados, destacando-se a figura de José Gutiérrez Solana: a sua pintura refletiu uma visão
subjetiva, pessimista e degradada da Espanha, similar à da Geração de 98. À parte da influência que em ele exerceram os
pintores do tenebrismo barroco, em especial Juan de Valdés Leal, tanto pela sua temática lúgubre e desenganada quanto
pelas composições de acusado claro-obscuro é patente a influência das "Pinturas negras" de Francisco de Goya ou do
romântico Eugenio Lucas. Na sua pintura destacou a miséria de uma Espanha sórdida e grotesca, mediante o uso de uma
pincelada densa e de traço grosso na formação das suas figuras. Outros artistas enquadrados com certa intensidade no
expressionismo foram Ignacio Zuloaga, Rafael Zabaleta, Eugenio Hermoso, Benjamín Palencia e José María López
Mesquita, bem como a obra tardia do pintor modernista catalão Isidre Nonell. Alguns expertos também observam certo
expressionismo no Guernica dePicasso.[109]

Estados Unidos: destacou-se Edward Hopper, membro da Escola Ashcan, caracterizada pelas suas representações de
temática social nas grandes cidades, especialmente Nova York. A sua pintura caracterizou-se por um peculiar e rebuscado
jogo entre luzes e sombras, pela descrição dos interiores e pela representação da solidão, que implica um aspecto de
incomunicação. Outro nome a sublinhar seria o de Max Weber, pintor de origem russa, que estudou no Pratt Institute
de Brooklyn e em Paris (1905-1908), onde recebeu a influência de Cézanne. As suas primeiras obras foram de signo
cubista e expressionista (Restaurante chinês, 1915, Museu Whitney de Arte Americana, Nova York), evoluindo
desde1917 para a abstração, destacando-se pelo colorido brilhante, as distorções violentas e um forte tom emocional. Além
disso, os Estados Unidos acolheram numerosos artistas expressionistas que emigraram por causa do nazismo, pelo qual
este movimento cobrou aí um grande auge, exercendo uma poderosa influência entre os novos artistas, o qual se viu
refletido no surgimento do expressionismo abstrato norte-americano.

Finlândia: destaca-se a obra de Akseli Gallen-Kallela, pintor adscrito por um tempo ao grupo Die Brücke. As suas primeiras
pinturas estiveram impregnadas de romantismo, mas após a morte da sua filha realizou trabalhos mais agressivos, tais
como a Defesa do Sampo, A vingança de Joujahainen ou A mãe de Lemminkainen. A sua obra focou-se
no folclorefinlandês, com um senso reivindicativo da sua cultura frente à ingerência russa. Outro importante expoente
foi Tyko Sallinen: estudou arte em Helsínquia, residindo em Paris entre 1909 e 1914, onde recebeu a influência do
fauvismo. A sua temática focou-se na paisagem carélia e na vida rural, com cores brilhantes de traço forte. Foi membro do
Novembergruppe.[110]

França: posteriormente à Escola de Paris, desenvolveu-se na França entre 1920 e 1930 um "expressionismo francês"
focado na obra de três artistas: Marcel Gromaire, Édouard Goerg e Amédée de La Patellière. Este grupo viu-se influenciado
pelo cubismo, desenvolvendo um estilo mais sóbrio e conteúdo que o expressionismo alemão, com múltiplos pontos de
contato com a escola flamenga. Também cabe salientar a figura individual de Gene Paul, pintor autodidata influenciado por
Van Gogh e Cézanne, bem como por Velázquez, Goya e El Greco. As suas obras caracterizaram-se pelas pinceladas
gestuais, composições atrevidas, perspectivas forçadas, uso de diagonais e zigue-zagues, e áreas planas de cor. Ao
contrário de outros expressionistas da época, como Soutine e Rouault, as suas obras estão cheias de optimismo,
impulsionado pela sua paixão pela vida e o seu desejo de superar a sua deficiência –foi ferido durante a guerra–. Devido ao
dinamismo e o movimento inerente nas suas pinturas, alguns críticos consideram Gene Paul um precursor do
expressionismo abstrato.[111]

Cedro solitário (1907), de Tivadar Kosztka Csontváry, Csontváry Museum, Pécs.

Hungria: país igualmente surgido após a Primeira Guerra Mundial, destaca-se a figura de Tivadar Kosztka
Csontváry. Farmacêutico de profissão, aos vinte e sete anos começou na pintura após uma visão mística que lhe revelou
que seria um grande pintor. Desde 1890realizou uma longa viagem pelo Mediterrâneo (Dalmácia, Itália e Grécia), o norte
da África e o Oriente Médio (Líbano, Palestina, Egitoe Síria). Embora a sua arte começasse a ser reconhecida, o seu
caráter solitário, a sua progressiva esquizofrenia e os seus delírios religiosos levaram-no a afastar-se da sociedade. Pintou
mais de um centenar de imagens, destacando-se o seu emblemático Cedro solitário (1907). A sua arte ligou com o pós-
impressionismo e o expressionismo, embora fosse um autodidata e o seu estilo seja dificilmente classificável. Contudo,
passou à História como um dos mais importantes pintores húngaros.

Itália: país igualmente mediterrâneo, o expressionismo não teve excessiva implantação, apenas na obra de determinados
artistas individuais, geralmente influenciado pelo futurismo, estilo predominante na Itália de princípios de século. Lorenzo
Viani, de filiaçãoanarquista, retratou na sua obra a vida das pessoas humildes, os pobres, os deserdados, com uma
linguagem antiacadêmica, tosca, violenta, refletindo um mundo de rebelião e sofrimento. Otone Rosai passou por uma
etapa futurista para terminar no expressionismo, refletindo na sua obra motivos populares florentinos, com personagens
tristes, melancólicos, encerrados em si mesmos. Mario Sironitambém evoluiu desde o futurismo para refletir desde 1920 um
expressionismo focado na paisagem urbano, em cenas de cidades industriais que absorvem o indivíduo, refletido por
figuras solitárias de operários imersos nos palcos de grandes fábricas e bairros industriais cruzados por trens, camiões e
tranvias. Scipione (pseudônimo de Gino Bronchi) criou cenas fantásticas, de corte romântico, com influência de Van Gogh e
El Greco, com uma pincelada nervosa, fluidos arabescos e perspectivas abruptas. [112]

México: neste país o expressionismo esteve estreitamente ligado à revolução, destacando-se o aspecto social da obra,
geralmente em formatos de grande tamanho como o mural. Assim mesmo, teve grande importância a temática folclórica e
indigenista. O muralismo foi um estilo de vocação sócio-política que enfatizava o conteúdo reivindicativo da sua temática,
centrada nas classes pobres e desfavorecidas, com formatos monumentais de grande expressividade, trabalhando sobre
uma superfície de concreto ou sobre a fachada de um edifício. Os seus máximos expoentes foram: José Clemente
Orozco, Diego Rivera, David Alfaro Siqueiros e Rufino Tamayo. O expressionismo também influiu na obra pessoal e
inclassificável de Frida Kahlo.[107]

Países Baixos: neste país a pintura expressionista não se desenvolveu tanto como a arquitetura, representada pela
notável Escola de Amsterdam, e foi um movimento heterogêneo que acusou diversas influências, se bem que a principal
fosse a de Van Gogh. Em Bergen surgiu uma escola formada por Jan Sluyters, Leu Gestel e Charley Toorop, que de
seguida se orientou para a Nova Objetividade alemã. Em 1918 o grupo De Ploeg (A Carreta) foi criado em Groninga,
formado por Jan Wiegers e Hendrik Nicolaas Werkman, próximos a Die Brücke mas com tendência à abstração. Outros
artistas a destacar-se foram Hermam Kruyder, próximo a Der Blaue Reiter e os artistas flamengos, e Hendrik Chabot, com
um estilo similar a Permeke. Finalmente, cabe destacar-se a Kees Van Dongen, membro ocasional de Die Brücke, pintor
proveniente do fauvismo especializado em despidos e retratos femininos. [113]

Kiki de Montparnasse (1920), de Gustaw Gwozdecki.

Polônia: destaca-se a figura de Henryk Gotlib, pintor profundamente influenciado por Rembrandt. Viveu em Paris
de 1923 a 1929, participando nas exposições do salão de Outono e o salão dos Independentes. Entre 1933 e 1938 realizou
estadias na Itália, Grécia e Espanha, estabelecendo-se definitivamente em Londres no começo da Segunda Guerra
Mundial. Pertenceu ao grupo vanguardista polaco Formiści, que se opunha à arte acadêmica e naturalista, com um estilo
onde destacava a deformação da natureza, a subordinação das formas, a abolição de um único ponto de vista e um
colorido crudo. Outro membro de Formiści foi Gustaw Gwozdecki, que também morou em Paris (1903-1916) e Nova York,
excelente retratista que praticou a pintura a óleo, bem como o desenho, o guache e a gravura. [114]
Suécia: o seu principal representante foi a pintora Sigrid Hjertén. Estudou artesanato e desenho em Estocolmo, graduando-
se como professora de desenho. Passou um tempo em Paris, recebendo a influência de Matisse e Cézanne, o que se
demonstra na utilização da cor em contraste com uns contornos muito simplificados, esforçando-se por encontrar as formas
e as cores que possam transmitir as suas emoções. Em 1912 realizou a sua primeira exposição em Estocolmo,
participando desde então em numerosas exposições tanto na Suécia quanto no estrangeiro. Na sua obra descreveu o
papel que desempenhava como artista, mulher e mãe, diferentes identidades em mundos diferentes. Entre 1920 e 1932
residiu em Paris, começando a manifestar-se a sua dolência esquizofrênica, o que se denotou na sua obra, com cores mais
obscuras e composições retesas, refletindo o seu sentimento de angústia e abandono. De volta ao seu país, desde 1938
viveu hospitalizada.

Suíça: neste país o expressionismo acusou a influência de Hodler e Böcklin, dois destacados artistas da geração anterior.
O expressionismo chegou à Suíça com um pouco de atraso frente à sua vizinha Alemanha: em 1912 realizou-se uma
exposição emZurique com obras de Paul Klee, Der Blaue Reiter, Matisse e o grupo Der Moderne Bund, fundado em 1910
em Lucerna por Hans Arp,Walter Helbig e Oskar Lüthy. Durante a Primeira Guerra Mundial muitos artistas estabeleceram-
se em Suíça, ajudando a difusão do expressionismo. Diversos grupos de artistas foram assim criados, como Röt-
Blau (Vermelho-Azul), fundado em 1925 por Hermann Scherer, Albert Müller, Paul Camenisch e Werner Neuhaus; Der
Schritt Weiter (A passagem falsa), fundado em Berna em 1931; Gruppe 33, surgido em Basileia em 1933;
eDreigestirn (Tríada), formado por Fritz Eduard Pauli, Ignaz Epper e Johann Robert Schürch.[115] O principal representante
do expressionismo suíço foi Paul Klee, membro destacado de Der Blaue Reiter, junto a Cuno Amiet, que foi membro de Die
Brücke. Amiet provinha do simbolismo –cujo espírito manteve até mesmo durante a sua etapa expressionista–; na sua obra
é palpável um sentimento vitalista de ar bucólico, com um cromatismo reduzido propenso às vezes à monocromia. [116]
[editar]Literatura

Número de Die Aktion de 1914 com uma ilustração de Egon Schiele.

A literatura expressionista desenvolveu-se em três fases principais: de 1910 a 1914, de 1914 a 1918 –coincidindo com a
guerra– e de 1918 a 1925. Aparecem como temas destacados –assim como na pintura– a guerra, a urbe, o medo, a
loucura, o amor, o delírio, a natureza, a perda da identidade individual, etc. Nenhum outro movimento até a data apostara
de igual maneira pela deformidade, a doença e a loucura como o motivo das suas obras. Os escritores expressionistas
criticaram a sociedade burguesa da sua época, o militarismo do governo do cáiser, a alienação do indivíduo na era
industrial e a repressão familiar, moral e religiosa, pelo qual se sentiam vazios, sós, entediados, numa profunda crise
existencial. O escritor apresenta a realidade do seu ponto de vista interior, expressando sentimentos e emoções mais do
que impressões sensitivas. Já não se imita a realidade, não se analisam causas nem fatos, mas o autor busca a essência
das coisas, mostrando a sua particular visão. Assim, deformam a realidade mostrando o seu aspecto mais terrível e
descarnado, adentrando-se em temáticas até então proibidas, como a sexualidade, a doença e a morte, ou enfatizando
aspectos como o sinistro, o macabro, o grotesco. Formalmente, recorrem a um tom épico, exaltado, patético, renunciando
à gramática e às relações sintáticas lógicas, com uma linguagem preciso, cru, concentrado. Procuram a significação interna
do mundo, abstraindo-o numa espécie de romantismo trágico que vai do misticismo socializante de Werfel ao absurdo
existencial de Kafka. O mundo visível é uma prisão que impede atingir a essência das coisas; se tem de superar as
barreiras do tempo e do espaço, à procura da realidade mais "expressiva". [117]

Os principais precursores da literatura expressionista foram Georg Büchner, Frank Wedekind e o sueco August Strindberg.


Büchner foi um dos principais renovadores do drama moderno, com obras como A morte de Danton (Dantons Tod, 1835)
e Woyzeck (1836), que se destacam pela introspeção psicológica das personagens, a reivindicação social das classes
desfavorecidas e uma linguagem entre culta e coloquial, misturando aspectos cômicos, trágicos e satíricos. Wedekind
evoluiu do naturalismo para um tipo de obra de tom expressionista, pela sua crítica à burguesia, a rapidez da ação, os
reduzidos diálogos e os efeitos cênicos, em obras como O despertar da Primavera (Frühlings Erwachen, 1891), O espírito
da terra (Erdgeist, 1895) e A caixa de Pandora (Die Büchse der Pandora, 1902). Strindberg inaugurou comCamino de
Damasco (Till Damaskus, 1898) a técnica estacional seguida pelo drama expressionista, consistente em mostrar a ação por
estações, períodos que determinam a vida das personagens, num senso circular, pois as suas personagens intentam
resolver as suas problemas sem o lograr.[118]

O expressionismo foi difundido por revistas como Der Sturm e Die Aktion, bem como o círculo literário Der Neue Club,
fundado em 1909 por Kurt Hilher e Erwin Loewenson, reunindo-se no Neopathetisches Cabaret de Berlim, no qual
realizavam leituras de poesia e davam conferências. Mais tarde Hiller, por desavenças com Loewenson, fundou o cabaré
literário GNU (1911), que desempenhou o papel de plataforma para difundir a obra de novos escritores. Der
Sturm apareceu em Berlim em 1910, editada por Herwarth Walden, sendo centro difusor da arte, a literatura e a música
expressionistas, contando também com uma editorial, uma livraria e uma galeria artística. Die Aktion foi fundada em 1911
em Berlim por Franz Pfemfert, com uma linha mais comprometida politicamente, sendo um órgão da esquerda alemã.
Outras revistas expressionistas foram Der Brenner (1910-1954), Die weißen Blätter (1913-1920) eDas junge
Deutschland (1918-1920).[119]

A Primeira Guerra Mundial implicou uma forte comoção para a literatura expressionista: enquanto alguns autores
consideraram a guerra como uma força arrasadora e renovadora que acabaria com a sociedade burguesa, para outros o
conflito cobrou tintes negativos, plasmando na sua obra os horrores da guerra. No pós-guerra, e em paralelo ao movimento
da Nova Objetividade, a literatura adquiriu maior compromisso social e de denúncia da sociedade burguesa e militarista que
levou a Alemanha ao desastre da guerra. As obras literárias desta época adquiriram um ar documental, de reportagem
social, perceptível em obras como A montanha mágica (1924) de Thomas Mann e Berlim Alexanderplatz (1929) de Alfred
Döblin.[120]

[editar]Narrativa
Franz Kafka.

A narrativa expressionista implicou uma profunda renovação a respeito da prosa tradicional, tanto temática como
estilisticamente, supondo uma contribuição imprescindível ao desenvolvimento do romance moderna tanto alemã como
europeia. Os autores expressionistas procuravam uma nova forma de captar a realidade, a evolução social e cultural da era
industrial. Portanto, rejeitaram o encadeamento argumental, a sucessão espaço-tempo e a relação causa-efeito próprios da
literatura realista de raiz positivista. Por outro lado, introduziram a simultaneidade, quebrando a sucessão cronológica e
rejeitando a lógica discursiva, com um estilo que amostra mas não explica, no que o próprio autor é apenas um observador
da ação, na qual as personagens evoluem autonomamente. Na prosa expressionista a realidade interior é destacada sobre
a exterior, a visão do protagonista, a sua análise psicológica e existencial, onde as personagens expõem a sua situação no
mundo, a sua identidade, com um sentimento de alienação que provoca condutas desordenadas, psicóticas, violentas,
irreflexivas, sem lógica nem coerência. Esta visão plasmou-se em uma linguagem dinâmica, concisa, elíptica, simultânea,
concentrada, sintaticamente deformada.[121]

Existiram duas correntes fundamentais na prosa expressionista: uma reflexiva e experimental, abstrata e subjetivizadora,
representada porCarl Einstein, Gottfried Benn e Albert Ehrenstein; e outra naturalista e objetivadora, desenvolvida
por Alfred Döblin, Georg Heym e Kasimir Edschmid. Figura à parte a obra pessoal e dificilmente classificável de Franz
Kafka, que expressou na sua obra o absurdo da existência, em romances como A metamorfose (Die Verwandlung,
1915), O processo (Der Prozeß, 1925), O Castelo (Das Schloß, 1926) e Amerika (Der Verschollene, 1927). Kafka mostrou
mediante parábolas a solidão e alienação do ser humano moderno, a sua desorientação na sociedade urbana e industrial, a
sua insegurança e desesperação, a sua impotência frente de poderes desconhecidos que rege o seu destino. O seu estilo é
ilógico, descontínuo, labiríntico, com vazios que o leitor deve rechear. [122]

[editar]Poesia
Retrato de Rilke (1906), de Paula Modersohn-Becker, Sammlung Ludwig Roselius, Bremem.

A lírica expressionista desenvolveu-se notavelmente nos anos prévios à contenda mundial, com uma temática ampla e
variada, centrada sobretudo na realidade urbana, mas renovadora a respeito da poesia tradicional, assumindo uma estética
do feio, o perverso, o deforme, o grotesco, o apocalíptico, o desolado, como nova forma de expressão da linguagem
expressionista. Os novos temas tratados pelos poetas alemães são a vida na grande cidade, a solidão e a incomunicação,
a loucura, a alienação, a angústia, o vazio existencial, a doença e a morte, o sexo e a premonição da guerra. Vários destes
autores, conscientes da decadência da sociedade e da sua necessidade de renovação, utilizaram uma linguagem profético,
idealista, utópico, um certo messianismo que propugnava outorgar um novo senso à vida, uma regeneração do ser
humano, uma maior fraternidade universal.

Estilisticamente, a linguagem expressionista é concisa, penetrante, despida, com um tom patético e desolado, antepondo a
expressividade à comunicação, sem regras linguísticas nem sintáticas. Buscam o essencial da linguagem, libertar a
palavra, acentuando a força rítmica da linguagem mediante a deformação linguística, a substantivação de verbos e
adjetivos e a introdução de neologismos. Contudo muitos expressionistas tenham mantido a métrica e a rima tradicionais,
sendo o soneto um dos seus principais meios de composição, também recorreram ao ritmo livre e a estrofe polimétrica. Por
outro lado, alguns poetas como August Stramm produziram uma escrita realmente inovadora, abolindo as regras
de sintaxe e a pontuação. Outro efeito da dinâmica linguagem expressionista foi o simultaneísmo, a percepção do espaço e
do tempo como algo subjetivo, heterogêneo, atomizado, inconexo, uma apresentação simultânea de imagens e
acontecimentos. São considerados alguns dos principais poetas expressionistas foram Franz Werfel, Georg Trakl, Gottfried
Benn, Georg Heym, Johannes R. Beiter, Else Lasker-Schüler, Ernst Stadler, August Stramm e Jakob van Hoddis. A lírica
expressionista confluiu ou teve influência sobre poetas notáveis como Augusto dos Anjos e Rainer Maria Rilke.[123]

[editar]Teatro
Bertolt Brecht.

O drama expressionista opôs-se à representação fidedigna da realidade própria do naturalismo, renunciando à imitação do


mundo exterior e visando a refletir a essência das coisas, através de uma visão subjetiva e idealizada do ser humano.
Os dramaturgos expressionistas visavam a fazer do teatro um mediador entre a filosofia e a vida, transmitirem novos ideais,
renovar a sociedade moral e ideologicamente. Para isso realizaram uma profunda renovação dos recursos dramáticos e
cênicos, seguindo o modelo estacional de Strindberg e perdendo o conceito de espaço e tempo, enfatizando por outro lado
a evolução psicológica da personagem, que mais que indivíduo é um símbolo, a encarnação dos ideais de libertação e
superação do novo homem que transformará a sociedade. São personagens tipificados, sem personalidade própria, que
encarnam determinados roles sociais, nomeados pela sua função: pais, mães, operários, soldados, mendigos, jardineiros,
comerciantes, etc. O teatro expressionista pôs ênfase na liberdade individual, na expressão subjetiva, o irracionalismo e a
temática proibida. A sua posta em cena buscava uma atmosfera de introspeção, de pesquisa psicológica da realidade.
Utilizavam uma linguagem concisa, sóbria, exaltada, patética, dinâmica, com tendência ao monólogo, forma idônea de
mostrar o interior do personagem. Também ganhou importância a gesticulação, amímica, os silêncios, os balbucios, as
exclamações, que cumpriam igualmente uma função simbólica. Igual simbolismo adquiriu a cenografia, outorgando especial
relevância a luz e a cor, e recorrendo à música e até mesmo a projeções cinematográficas para potenciar a obra. [124]

O teatro foi um meio idôneo para a plasmação emocional do expressionismo, pois o seu caráter multiartístico, que
combinava a palavra com a imagem e a ação, era ideal para os artistas expressionistas, fosse qual for a sua especialidade.
Assim, além do teatro, naquela época proliferaram os cabarés, que uniam representação teatral e música, como em Die
Fledermaus (O Morcego), em Viena; Die Brille (Os Óculos), em Berlim; e Die elf Scharfrichter (Os Onze Verdugos), em
Munique. No teatro expressionista predominou a temática sexual e psicanalítica, talvez por influência de Freud, cuja obra A
interpretação dos sonhos apareceu em 1900. Assim mesmo, os protagonistas costumavam serem seres angustiados,
solitários, torturados, isolados do mundo e despojados de todo tipo de convencionalismo e aparência social. O sexo
representava violência e frustração, a vida sofrimento e angustia. [125]

Os principais dramaturgos expressionistas foram Georg Kaiser, Fritz von Unruh, Reinhard Sorge, Ernst Tolher, Walter


Hasenclever, Carl Sternheim, Ernst Barlach, Hugo von Hofmannsthal e Ferdinand Bruckner. Cabe sublinhar também a
figura do produtor e diretor teatral Max Reinhardt, diretor do Deutsches Theater, que se destacou pelas inovações técnicas
e estéticas que aplicou à cenografia expressionista: experimentou com a iluminação, criando jogos de luzes e sombras,
concentrando a iluminação num sítio ou personagem para captar a atenção do espectador, ou fazendo variar a intensidade
das luzes, que se entrecruzam ou opunham. A sua estética teatral foi adaptada posteriormente ao cinema, sendo um dos
traços distintivos do cinema expressionista alemão. Finalmente, caberia assinalar que no expressionismo se formaram duas
figuras de grande relevância no teatro moderno internacional: o diretor Erwin Piscator, criador de uma nova forma de fazer
teatro que denominou "teatro político", experimentando uma forma de espetáculo didático que aplicou mais tarde Brecht
no Berliner Ensemble. Em 1927 criou o seu próprio teatro (Piscatorbühne), no que aplicou os princípios ideológicos e
cênicos do teatro político. Bertolt Brecht foi o criador do "teatro épico", assim designado em contraste com o teatro
dramático. Quebrou com a tradição do naturalismo e do neorromantismo, transformando radicalmente tanto o senso do
texto literário quanto a forma de o espetáculo ser apresentado, e tentando que o público deixasse de ser um simples
espectador-receptor para desenvolver um papel ativo.

[editar]Música

Ver artigo principal:  Música expressionista

Três peças para piano op. 11 No. 1, de Arnold Schönberg.

O expressionismo outorgou muita importância à música, ligada estreitamente à arte sobretudo no grupo Der Blaue Reiter:
para estes artistas, a arte é comunicação entre indivíduos, por meio da alma, sem necessidade de um elemento externo. O
artista tem de ser criador de signos, sem a mediação de uma linguagem. A música expressionista, seguindo o espírito das
vanguardas, visava a desligar a música dos fenômenos objetivos externos, sendo instrumento unicamente da atividade
criadora do compositor e refletindo nomeadamente o seu estado anímico, fora de toda regra e toda convenção, tendendo à
esquematização e às construções lineais, em paralelo à geometrização das vanguardas pictóricas do momento. [126]

A música expressionista procurou a criação de uma nova linguagem musical, liberando a música, sem tonalidade, deixando
que as notas fluíssem livremente, sem intervenção do compositor. Na música clássica, a harmonia era baseada na
cadência tônica-subdominante-dominante-tônica, sem dentro de uma tonalidade suceder notas estranhas à escala.
Contudo, desde Wagner, a sonoridade cobrou maior relevância a respeito da harmonia, ganhando importância as doze
notas da escala. Assim, Arnold Schönberg criou o dodecafonismo, sistema baseado nos doze tons da escala cromática –as
sete notas da escala tradicional mais os cinco semítonos–,utilizados em qualquer ordem, mas em séries, sem repetir uma
nota antes de as outras sonarem. Assim é evitada a polarização, a atração a centros tonais. A série dodecafônica é uma
estrutura imaginária, sem tema nem ritmo. Cada série tem 48 combinações, por inversão, retrogradação ou inversão da
retrogradação, e começando por cada nota, o que produz uma série quase infinita de combinações. Poderia-se dizer que a
destruição da hierarquia na escala musical é equivalente, na pintura, à eliminação da perspectiva espacial renascentista
efetuada igualmente pelas vanguardas pictóricas. O dodecafonismo foi seguido pelo ultracromatismo, que ampliou a escala
musical a graus inferiores ao semitono –quartos ou sextos de tom–, como na obra de Alois Hába e Ferrúcio Busoni.[127]

Entre os músicos expressionistas destacaram-se especialmente Arnold Schönberg, Alban Berg e Anton Webern, trio que
formou a chamada Segunda Escola de Viena:
Arnold Schönberg.

Arnold Schönberg: formou-se quando em Viena havia um caloroso debate entre wagnerianos e brahmsianos, decantando-
se depressa por novas formas de expressão renovadoras da linguagem musical. Com a Kammersymphonie (1906) e
os Lieder (1909), sobre textos de Stefan George, começou a acercar-se ao que seria a sua linguagem definitivo, pontuado
pela atonalidade, a assimetria rítmica e a dissolução tímbrea, que terminarão no dodecafonismo. Conseguiu os seus
primeiros sucessos com os Gurrelieder (1911) e Pierrot Lunaire (1912), aos que seguiu uma pausa devida à guerra. Mais
adiante a sua obra ressurgiu com uma composição já totalmente dodecafônica: Quinteto para instrumentos de
vento (1924), Terceiro quarteto para corda (1927), Variações (1926-1928), etc.[128]

Anton Webern: circunscrito a obras quando pequeno calibre, não teve muito reconhecimento em vida, se bem que a sua
obra fosse profundamente vanguardista e inovadora. Mais místico e decadente que Schönberg, Webern foi um músico
dodecafônico profundo: bem como Schönberg não serializava os ritmos, apenas a altura dos sons, por outro lado Webern
sim, destacando-se as áreas estruturais, com uma música despida, etérea, atemporal; bem como Schönberg tinha uma
estrutura clássica sob o sistema dodecafônico, Webern criou uma música totalmente nova, sem referências ao passado.
Webern rompeu a melodia, cada nota a fazia um instrumento diferente, numa espécie de pontilhismo musical, numa
tentativa de serialização tímbrea, destacando-se o espaço antes de o tempo. Entre as suas obras destacam-
seBagatelas (1913), Trio para cordas (1927), A luz dos olhos (1935) e Variações para piano (1936).[129]

Alban Berg: aluno de Schönberg entre 1904 e 1910, tinha porém um conceito mais amplo, complexo e articulado da forma
e do timbre que o seu mestre. Nos seus começos foi influenciado por Schumann, Wagner e Brahms, conservando sempre
a sua obra um marcado tom romântico e dramático. Berg usou o dodecafonismo livremente, alterando as ortodoxas regras
que pôs inicialmente Schönberg, dando-lhe uma particular cor tonal. Entre as suas obras destacam-se as
óperas Wozzeck (1925) e Lulu (1935), além de Suite lírica para quarteto de corda (1926) e Concerto para violino e
orquestra (À memória de um anjo) (1935).[130]

Com a Nova Objetividade e a sua visão mais realista e social da arte surgiu o conceito de Gebrauschmusik (música
utilitária), baseada no conceito de consumo de massas para elaborar obras de simples construção e acessíveis a todo o
mundo. Eram obras de marcado caráter popular, influenciadas pelo cabaret e o jazz, como o Balé triádico (Triadisches
Ballet, 1922) de Oskar Schlemmer, que conjugava teatro, música, cenografia e coreografia. Um dos seus máximos
expoentes foi Paul Hindemith, um dos primeiros compositores em criar faixas sonoras para cinema, bem como pequenas
peças para afeicionados e colegiais e obras cômicas como Novidades do dia (Neues vom Tage, 1929). Outro expoente
foi Kurt Weill, colaborador de Brecht em diversas obras como A ópera de três centavos (Die Dreigroschenoper, 1928), onde
a música popular, de ar cabareteiro e ritmos bailáveis, contribui para distanciar a música do drama e quebrar a ilusão
cênica, acentuando o seu caráter de ficção.[131]

[editar]Ópera

Representação de Lulu, de Alban Berg, no Festival deSalzburgo de 1995.

A ópera expressionista desenvolveu-se em paralelo às novas vias de estudo pela música atonal ideada por Schönberg. O
espírito renovador da mudança de século, que levou todas as artes a uma ruptura com o passado e a buscarem um novo
impulso criador, conduziu este compositor austríaco a criar um sistema onde todas as notas tivessem o mesmo valor e a
harmonia fosse substituída pela progressão de tons. Schönberg compôs duas óperas nesse contexto: Moses und
Aron (composta desde 1926 e inacabada) e De hoje a manhã (Von Heute auf Morgen, 1930). Mas sem dúvida a grande
ópera do atonalismo foi Wozzeck(1925), de Alban Berg, baseada na obra teatral de Georg Büchner, ópera romântica
enquanto a temática mais de complexa estrutura musical, experimentando com todos os recursos musicais disponíveis
desde o classicismo até a vanguarda, do tonal ao atonal, do recitativo a música, da música popular à música sofisticada de
contraponto dissonante. Obra de forte expressão psicológica, ao tratar de um demente angustiado por imagens paranoicas
a música torna-se também demencial, expressando simbolicamente o interior de uma pessoa desquiciada, os mais
profundos resquícios do inconsciente. Na sua segunda ópera,Lulu, baseada em duas dramas de Wedekind, Berg
abandonou o expressionismo atonal e mudou para o dodecafonismo. [132]

Um dos principais antecedentes da ópera expressionista foi Os Marcados (Die Gezeichneten, 1918), de Franz Schreker,
ópera de grande complexidade que requeria uma orquestra de 120 músicos. Baseada num drama renascentista italiano,
era uma obra de temática sombria e torturada, plenamente imersa no espírito deprimente do pós-guerra. A música era
inovadora, radical, de sonoridade enigmática, com uma coloratura instrumental audaz e brilhante. Em 1927 Ernst
Krenek estreou a sua ópera Jonny ataca (Jonny spielt auf), que conseguiu um notável sucesso e foi a ópera mais
representada do momento. Com grande influência do jazz, Krenek experimentou com as principais tendências musicais da
época: neorromantismo, neoclassicismo, atonalidade, dodecafonismo, etc. Considerado como "músico degenerado", em
1938 refugiou-se nos Estados Unidos, ao tempo que os nazis inauguravam a exposição Entartete Musik (Música
degenerada) em Düsseldorf –em paralelo à amostra de arte degenerada, Entartete Kunst–, onde atacavam a música
atonal, o jazz e as obras de músicos judeus. Outro grande sucesso foi a ópera O Mistério de Heliane (Das Wunder der
Heliane, 1927), de Erich Wolfgang Korngold, obra de certo erotismo com uma esquisita partitura concebida em escala épica
que creia uma grande dificuldade para os intérpretes. Outras óperas deste autor foram Die Tote Stadt, Der Ring des
Polykrates e Violanta. Com a instauração do Anschluss em 1938, Korngold emigrou para os Estados Unidos.
Erwin Schulhoff compôs em 1928 a sua ópera Flammen, versão do clássico Don Juan, com cenografia de Zdeněk
Pesánek, pioneiro da arte cinética. Obra de corte fantástico, percebe-se certa influência do teatro chinês, no que cabe todo
o inimaginável, decorrendo todo tipo de situações paradoxais e absurdas. Schulhoff abandonou assim as regras
teatraisaristotélicas vigentes até então no teatro e a ópera para um novo conceito de posta em cena, que entende o teatro
como um jogo, um espetáculo, uma fantasia que transborda a realidade e leva a um mundo de sonhos. Combinando
diferentes estilos, Schulhoff afastou-se da tradicional ópera alemã iniciada com Wagner e culminada no Wozzeck de Berg,
acercando-se por outro lado à ópera francesa, em obras como o Pélleas et Mélisande de Debussy ou o Cristóvão
Colombo de Milhaud.

Berthold Goldschmidt, professor de direção de orquestra da Berlin Hochschule für Musik, adaptou em 1930 "O Magnífico
Cornudo" (Der gewaltige Hanrei) de Crommelynck, estreada em 1932, se bem que a sua condição de judeu provocou que
fosse imediatamente retirada, emigrando então para a Grã-Bretanha. Finalmente, Viktor Ullmann desenvolveu a sua obra
nocampo de concentração de Theresienstadt (Terezín), onde os nazis provaram um sistema de "ghetto modelo" para
desviar a atenção do extermínio de judeus que estavam realizando. Com uma grande dose de autogoverno, os reclusos
podiam exercer atividades artísticas, podendo assim compor a sua ópera Der Kaiser Von Atlantis (1944). Admirador de
Schönberg e da "atonalidade romântica" de Berg, Ullmann criou uma obra de grande riqueza musical inspirada tanto na
tradição como nas principais inovações da música de vanguarda, com uma temática relativa à morte de grande tradição na
literatura musical alemã. Contudo, antes do seu estreio foi proibida pelas SS, que encontrou certa similaridade entre o
protagonista e a figura de Hitler, e o autor foi enviado ao campo de Auschwitz para o seu extermínio.[133]

[editar]Dança

Ballet russo (1912), de August Macke,Kunsthalle, Bremen.

A dança expressionista surgiu no contexto de inovação que o novo espírito vanguardista contribuiu à arte, sendo reflexo
como o restante de manifestações artísticas de uma nova forma de entender a expressão artística. Como no restante de
disciplinas artísticas, a dança expressionista implicou uma ruptura com o passado –neste caso o ballet clássico–, buscando
novas formas de expressão baseadas na liberdade do gesto corporal, liberto das ataduras da métrica e do ritmo, onde
cobra maior relevância a auto-expressão corporal e a relação com o espaço. Em paralelo à reivindicação naturista que se
produziu na arte expressionista –sobretudo em Die Brücke–, a dança expressionista reivindicou a liberdade corporal, ao
mesmo tempo que as novas teorias psicológicas de Freud influíram numa maior introspeção na mente do artista, o que se
traduziu numa tentativa da dança de expressar o interior, de libertar ao ser humano das suas repressões.

A dança expressionista coincidiu com Der Blaue Reiter no seu conceito espiritualista do mundo, visando a captar a
essência da realidade e transcendê-la. Rejeitavam o conceito clássico de beleza, o que se expressa num dinamismo mais
abrupto e áspero que o da dança clássica. Ao mesmo tempo, aceitavam o aspecto mais negativo do ser humano, o que
subjaz no seu inconsciente mas que é parte indissolúvel do mesmo. A dança expressionista não evitou mostrar o lado mais
obscuro do indivíduo, a sua fragilidade, o seu sofrimento, o seu desamparo. Isto traduz-se numa corporalidade mais
contraída, numa expressividade que inclui todo o corpo, ou até mesmo na preferência por bailar descalços, o que implica
um maior contato com a realidade, com a natureza.

À dança expressionista denominou-lha também "dança abstrata", pois implicou uma libertação do movimento, afastado da
métrica e do ritmo, paralelo ao abandono da figuração por parte da pintura, al mesmo tempo que a sua pretensão de
expressar mediante o movimento ideias ou estados de ânimo coincidiu com a expressão espiritual da obra abstrata de
Kandinsky. Contudo, a presença ineludível do corpo humano provocou uma certa contradição na denominação de uma
corrente "abstrata" dentro da dança.[134]

Um dos máximos teóricos da dança expressionista foi o coreógrafo Rudolf von Laban, quem criou um sistema que visava a
integrar corpo e alma, pondo ênfase na energia que emanam os corpos, e analisando o movimento e a sua relação com o
espaço. Os contribuições de Laban permitiram aos bailarins uma nova multidirecionalidade em relação ao espaço
circundante, al mesmo tempo que o movimento se liberou do ritmo, outorgando igual relevância ao silêncio que à música.
Laban visava igualmente escapar da gravidade buscando deliberadamente a perda de equilíbrio. Assim mesmo, tentou
afastar-se do aspecto rígido do ballet clássico promovendo o movimento natural e dinâmico do bailarino.

A principal musa da dança expressionista foi a bailarina Mary Wigman, quem estudou com Laban e teve estreitos contatos
com o grupo Die Brücke, enquanto, durante a Primeira Guerra Mundial, relacionou-se ao grupo dadaísta de Zurique. Para
ela, a dança era uma expressão do interior do indivíduo, fazendo especial insistência na expressividade frente à forma.
Assim outorgava especial importância à gestualidade, ligada com frequência à improvisação, bem como ao uso de
máscaras para acentuar a expressividade do rosto. Os seus movimentos eram livres, espontâneos, provando novas formas
de se movimentar pelo palco, arrastando-se ou deslizando-se, ou movimentando partes do corpo em atitude estática, como
na dança oriental. Baseava-se a princípio de tensão-relaxação, o que procurava maior dinamismo ao movimento. Criou
coreografias realizadas inteiramente sem música, ao mesmo tempo que se liberava das ataduras do espaço, que em vez
de envolver e pegar ao bailarino se converteu numa projeção do seu movimento, perseguindo aquele velho anseio
romântico de se fundir com o universo.[135]

Depois da guerra, a dança teve uma época de grande auge, pois o aumento de um público visando esquecer os desastres
da guerra comportou uma grande proliferação de teatros e cabarés. Coreógrafos e bailarins expressionistas começaram a
viajar por todo o mundo, difundindo os seus sucessos e ideais e ajudando o crescimento e consolidação da dança
moderna. Mas a crise econômica e o advento do nazismo levaram ao declínio da dança expressionista. Contudo, as suas
contribuições seguiram vigentes na obra de coreógrafos comoKurt Jooss e bailarinas como Pina Bausch, chegando a sua
influência até hoje em dia e evidenciando a contribuição essencial da dança expressionista à dança contemporânea.

[editar]Cinema

Ficheiro:CABINET DES DR CALIGARI 01.jpg


O gabinete do doutor Caligari(1919), de Robert Wiene.
O expressionismo não chegou ao cinema até passada a Primeira Guerra Mundial, quando já praticamente desaparecera
como corrente artística, sendo substituída pela Nova Objetividade. Contudo, a expressividade emocional e a distorção
formal do expressionismo tiveram uma perfeita tradução à linguagem cinematográfico, sobretudo graças à contribuição do
teatro expressionista, cujas inovações cênicas foram adaptadas com grande sucesso no cinema. O cinema expressionista
passou por diversas etapas: do expressionismo puro –chamado as vezes "caligarismo"– passou a um certo
neorromantismo (Murnau), e deste ao realismo crítico (Pabst, Siodmak, Lúpu Pick), para terminar no sincretismo de Lang e
no naturalismo idealista do Kammerspielfilm. Entre os principais cineastas expressionistas caberia destacar-se Robert
Wiene, Paul Wegener, Friedrich Wilhelm Murnau, Fritz Lang, Georg Wilhelm Pabst, Paul Leni, Josef von Sternberg, Ernst
Lubitsch, Lupu Pick, Robert Siodmak, Arthur Robison e Ewald André Dupont.

O cinema expressionista alemão impôs na pantalha um estilo subjetivista que oferecia em imagens uma deformação
expressiva da realidade, traduzida em termos dramáticos mediante a distorção de decorados, maquilhagens, etc, e a
conseguinte recriação de atmosferas terroríficas ou, pelo menos, inquietantes. O cinema expressionista caracterizou-se
pela sua recorrência ao simbolismo das formas, deliberadamente distorcidas com o apoio dos diferentes elementos
plásticos. A estética expressionista tomou as suas temas de gêneros como a fantasia e o terror, reflexo moral do
angustioso desequilíbrio social e político que agitou a República de Weimar aqueles anos. Com forte influência do
romantismo, o cinema expressionista refletiu uma visão do homem característica da alma "fáustica" alemã: amostra a
natureza dual do homem, a sua fascinação pelo mal, a fatalidade da vida sujeita na marra do destino. Podemos assinalar
como finalidade do cinema expressionista o traduzir simbolicamente, mediante linhas, formas ou volumes, a mentalidade
das personagens, o seu estado de ânimo, as suas intenções, de modo que a decoração apareça como a tradução plástica
do seu drama. Este simbolismo suscitava reações psíquicas aproximadamente conscientes que orientavam o espírito do
espectador.[136]

O cinema alemão contava com uma importante indústria desde finais do século XIX, sendo Hamburgo a sede da primeira
Exposição Internacional da Indústria Cinematográfica em 1908. Contudo, antes da guerra o nível artístico das suas
produções era mais bem baixo, com produções genéricas orientadas ao consumo familiar, adscritas ao ambiente burguês e
conservador da sociedade guilhermina. Tão somente a partir de 1913 começaram a ser realizadas produções de maior
relevo artístico, com maior uso de exteriores e melhores decorados, desenvolvendo a iluminação e a montagem. Durante a
guerra a produção nacional foi potenciada, com obras tanto de gênero quanto de autor, destacando-se a obra de Paul
Wegener, iniciador do cinema fantástico, gênero habitualmente considerado o mais tipicamente expressionista. Em 1917 foi
criado por ordem de Hindenburg –seguindo uma ideia do general Ludendorff– a UFA (Universum Film Aktien Gesellschaft),
apoiada pelo Deutsche Bank e a indústria alemã, para promover o cinema alemão fora das suas fronteiras. [137] O selo UFA
caracterizou-se por uma série de inovações técnicas, como a iluminação focal, os efeitos especiais –como a
sobreimpressão–, os movimentos de câmara –como a "câmara desencadeada"–, o desenho de decorados, etc. Era um
cinema de estudo, com um marcado componente de pré-produção, que assegurava um claro controle do diretor sobretudo
os elementos que incorriam no filme. Por outro lado, a sua montagem lenta e pausada, as suas elipses temporárias,
criavam uma sensação de subjetividade, de introspeção psicológica e emocional. [138]

As primeiras obras do cinema expressionista nutriram-se de lendas e antigas narrações de corte fantástico e misterioso,
quando não terrorífico e alucinante: O estudante de Praga (Paul Wegener e Stellan Rye, 1913), sobre um novo que vende a
sua imagem refletida nos espelhos, baseada no Peter Schlemihl de Chamisso; O Golem (Paul Wegener e Henrik Galeem,
1914), sobre um homem de barro criado por um rabino judeu; Homunculus (Otto Rippert, 1916), precursora nos contrastes
em branco e preto, os choques de luz e sombra. O gabinete do doutor Caligari (Robert Wiene, 1919), sobre uma série de
assassinatos cometidos por um sonâmbulo, converteu-se na obra mestra do cinema expressionista, pela recriação de um
ambiente opressivo e angustioso, com decorados de aspecto estranhamente anguloso e geométrico –paredes inclinadas,
janelas em forma de flecha, portas cuneiformes, chaminés oblíquas–, iluminação de efeitos dramáticos –inspirada no teatro
de Max Reinhardt–, e maquilhagem e vestuário que salientam o ar misterioso que envolve todo o filme. [136]

Ficheiro:CABINETOFDRCALIGARI-08.jpg
Outro fotograma de O gabinete do doutor Caligari (1919), de Robert Wiene.

Paradoxalmente, Caligari foi mais o final de um processo que o começo de um cinema expressionista, pois o seu caráter
experimental era dificilmente assimilável por uma indústria que buscava produtos mais comerciais. As produções
posteriores continuaram com maior ou menor intensidade a base argumental de Caligari, com histórias geralmente
baseadas em conflitos familiares e uma narração efetuada com flashbacks, e uma montagem oblíqua e anacrônica,
especulativa, fazendo que o espectador interprete a história; por outro lado, perderam o espírito artístico deCaligari, a sua
revolucionária cenografia, a sua expressividade visual, em favor de um maior naturalismo e plasmação mais objetiva da
realidade.[139]

Ao primeiro expressionismo, de caráter teatral –o chamado "caligarismo"–, seguiu um novo cinema –o de Lang, Murnau,
Wegener, etc– que se inspirava mais no romantismo fantástico, deixando o expressionismo literário ou pictórico. Estes
autores buscavam uma aplicação direta do expressionismo ao filme, deixando os decorados artificiais e inspirando-se mais
na natureza. Assim surgiu o Kammerspielfilm, orientado para um estudo naturalista e psicológico da realidade cotidiana,
com personagens normais, mas tomando do expressionismo a simbologia dos objetos e a estilização dramática.
O Kammerspielfim era baseado num realismo poético, aplicando a uma realidade imaginária um simbolismo que permite
atingir o senso dessa realidade. A sua estética baseava-se num respeito, embora não total, das unidades de tempo, local e
ação, numa grande linearidade e simplicidade argumental, que fazia desnecessária a inserção de rótulos explicativos, e na
sobriedade interpretativa. A simplicidade dramática e o respeito pelas unidades permitiam criar umas atmosferas fechadas
e opressivas, nas quais se movimentariam os protagonistas.

Na década de 1920 aconteceram os principais sucessos do cinema expressionista alemão: Ana Bolena (Lubitsch,


1920), As três luzes (Lang, 1921), Nosferatu (Murnau, 1922), O doutor Mabuse (Lang, 1922), Sombras (Robison,
1923), Sylvester (Pick, 1923), Os Nibelungos (Lang, 1923-1924), O homem das figuras de cera (Leni, 1924), As mãos de
Orlac (Wiene, 1924), O último (Murnau, 1924), Bajo a máscara do prazer (Pabst, 1925), Tartufo (Murnau,
1925), Varieté (Dupont, 1925), Fausto (Murnau, 1926), O amor de Jeanne Nei (Pabst, 1927),Metropolis (Lang, 1927), A
caixa de Pandora (Pabst, 1929), O anjo azul (Sternberg, 1930), M, o vampiro de Düsseldorf (Lang, 1931), etc.

Desde 1927, coincidindo com a introdução do cinema sonoro, uma câmbio de direção na UFA comportou um novo rumo
para o cinema alemão, de corte mais comercial, visando a imitar o sucesso conseguido pelo cinema americano produzido
por Hollywood. Para então a maioria de diretores estabeleceram-se em Hollywood ou Londres, o que comportou o fim do
cinema expressionista como tal, substituído por um cinema cada vez mais germanista que pronto foi instrumento de
propaganda do regime nazi. Contudo, a estética expressionista incorporou-se ao cinema moderno através da obra de
diretores como Carl Theodor Dreyer, Carol Reed, Orson Welles e Andrzej Wajda.[140]

[editar]Fotografia
"Feto", de Karl Blossfeldt.

A fotografia expressionista desenvolveu-se nomeadamente durante a República de Weimar, constituindo um dos principais


focos da fotografia europeia de vanguarda. A nova sociedade alemã do pós-guerra, no seu afã quase utópico de regenerar
o país após os desastres da guerra, recorreu a uma técnica relativamente nova como a fotografia para romper com a
tradição burguesa e construir um novo modelo social baseado na colaboração entre classes sociais. A fotografia dos anos
1920 seria herdeira das fotomontagens antibelicistas criados pelos dadaístas durante a contenda, bem como aproveitaria a
experiência de fotógrafos procedentes do este que pararam na Alemanha após a guerra, o que levaria a elaboração de um
tipo de fotografia de grande qualidade tanto técnica como artística.

Assim mesmo, em paralelo à Nova Objetividade surgida após a guerra, a fotografia converteu-se num meio privilegiado de
captar a realidade sem rodeios, sem manipulação, conjugando a estética com a precisão documental. Os fotógrafos
alemães criaram um tipo de fotografia baseada na nitidez da imagem e da utilização da luz como meio expressivo,
modelando as formas e destacando-se as texturas. Este tipo de fotografia teve uma importante ressonância internacional,
gerando movimentos paralelos como a photographie pure francesa e a straight photography norte-americano. Cabe
sublinhar o grande auge durante esta época da imprensa gráfica e as publicações, tanto de revistas como de livros
ilustrados. A conjunção de fotografia e tipografia levou a criação do chamado "foto-tipo", com um desenho racionalista
inspirado naBauhaus. Também tomou importância a publicação de livros e revistas especializados em fotografia e desenho
gráfico, como Der Querschnitt,Gebrauchsgraphik e Das Deutsche Lichtbild, bem como as exposições, como a grande
amostra Film und Foto, celebrada em 1929 em Stuttgart por iniciativa do Deutscher Werkbund, da qual surgiu o ensaio
de Franz Roh Foto-Auge.[141]

O mais destacado fotógrafo expressionista foi August Sander: estudante de pintura, mudou para a fotografia, abrindo um
estudo de retrato em Colônia. Dedicou-se nomeadamente ao retrato, criando um projeto quase enciclopédico que visava a
catalogar objetivamente o alemão da República de Weimar, retratando personagens de qualquer estamento social, partindo
da premissa de que o indivíduo é fruto das circunstâncias históricas. Em 1929 apareceu o primeiro tomo de O rosto do
nosso tempo (Antlitz der Zeit), do qual não surgiram mais ao ser vetado pelos nazis, que não gostavam da imagem da
Alemanha captada por Sander, ao que destruíram 40 000 negativos. Os retratos de Sander eram frios, objetivos, científicos,
desapaixonados, mas por esse motivo resultavam de uma grande eloquência pessoal, sublinhando a sua individualidade.
[142]
Outros destacados fotógrafos foram: Karl Blossfeldt, professor de forja numa escola de artes aplicadas, em 1890 começou
na fotografia nomeadamente para obter modelos para os seus trabalhos em metal, especializando-se em fotografia de
vegetais, recopilando o seu trabalho em 1928 com o título Formas originais da arte (Urformem der Kunst). Albert Renger-
Patzschestudou química em Dresde, começando na fotografia, da qual deu classes na Folkwangschule de Essen.
Especializou-se na fotografia publicitária, publicando vários livros sobre o mundo técnico e industrial: em 1927 publicou Die
Halligen, sobre paisagens e gentes da ilha da Frísia oriental, e em 1928 O mundo é formoso (Die Welt ist schön). Hans
Finsler, especializado em naturezas-mortas; estudou arquitetura e história da arte, sendo professor em Halle de 1922 a
1932. Criou em Zurique o departamento fotográfico da Kunst Gewerbeschule, onde se formaram numerosos fotógrafos,
como Werner Bischof e René Burri. Werner Mantz estudou na Bayerische Staatslehranstalt für Photographie de Munique,
especializando-se na fotografia da arquitetura, ilustrando as principais construções do racionalismo. Entre 1937 e 1938
retratou magistralmente o mundo dos mineiros em Maastricht.Willy Zielke, de origem polonesa, estudou fotografia em
Munique. Dedicou-se nomeadamente à evolução social e industrial da Alemanha, rodando um documentário sobre o
desemprego operário (Arbeitlos, 1932), que foi proibido pelos nazis.

[editar]Ver também

Vanguardismo

 Arte abstrata

 Arquitetura expressionista

 História do cinema

 História da fotografia

 Pós-impressionismo

 Modernismo

 Arte moderna

 Vanguarda

 Música expressionista
Referências

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 Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em  espanhol  cujo
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[editar]Ligações externas

O Commons possui uma categoriacom multimídias sobre Pintura


expressionista

O Commons possui multimídias sobre Escultura expressionista

 HistoriaDaArte.com.br

 ArtesBR

em espanhol

 Expressionismo. Arte(em espanhol)

em inglês

 ArtCyclopedia (com imagens)

 WebMuseum

 ArtLex (com imagens)

 ArtMovements
 Expressionism (com imagens)

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