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Colégio São Paulo da Cruz

Estudo de Obra Dom Casmurro

Professora : Lígia A. Fonseca

Sumário

1.0-Introdução 3 2.0-Machado de Assis 4

2.1- Biografia

4

2.2- Estilo Literário

6

2.3- Academia Brasileira de letras

7

2.4- A descrença

9

2.5- Época

9

2.6- Paisagens

9

2.7- Obras

10

2.8- Adaptações

11

2.9- Curiosidades

12

15

3.0- Estudo de obra do livro “Dom Casmurro” 3.1- Caracterização do romantismo na obra

15

3.2- Metalinguagem

16

3.3- Resumo da obra

16

3.4- Inocente ou culpada?

20

3.5- Olhos de Capitu

20

3.6- Análise dos elementos constitutivos do romance

21

4.0- Conclusão

26

5.0- Bibliografia

27

6.0- Anexos

28

1.0- Introdução

Neste trabalho abordaremos como tema a biografia do famoso jornalista, romancista, poeta e teatrólogo Joaquim Maria Machado de Assis, que além de ter sido importante personalidade na ABL (Academia Brasileira de Letras), e ocupar por mais de 10 anos o cargo de presidente da mesma, foi também uma grande influência na literatura brasileira escrevendo várias obras entre elas o famoso livro "Dom Casmurro" da qual iremos fazer um estudo de obra detalhado a fim de aprimorarmos os conhecimentos sobre o modo e os principais assuntos abordados na literatura machadiana.

2.0- Machado de Assis

2.1- Biografia

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839 e morreu no mesmo local em 29 de setembro de 1908. Foi um escritor, poeta e dramaturgo, além de crítico literário brasileiro. É considerado um dos mais importantes nomes da literatura brasileira. Filho do mulato Francisco José de Assis, pintor de paredes e descendente de escravos alforriados, e de Maria Leopoldina Machado, uma portuguesa da Ilha de São Miguel, Machado de Assis passou a infância na chácara de D.Maria José Barroso Pereira, viúva do senador Bento Barroso Pereira, na Ladeira Nova do Livramento, (como identificou Michel Massa), onde sua família morava como agregada, no Rio de Janeiro. De saúde frágil, epilético, gago, sabe-se pouco de sua infância e início da juventude. Ficou órfão de mãe muito cedo e também perdeu a irmã mais nova. Não freqüentou escola regular, mas, em 1851, com a morte do pai, sua madrasta Maria Inês, à época morando no bairro em São Cristóvão, emprega-se como doceiro num colégio do bairro, e Machadinho, como era chamado, torna-se vendedor de doces. No colégio tem contato com professores e alunos e é provável que tenha assistido às aulas quando não estava trabalhando. Mesmo sem ter acesso a cursos regulares, empenhou-se em aprender e se tornou um dos maiores intelectuais do país, ainda muito jovem. Em São Cristóvão, conheceu a senhora francesa Madamme Gallot, proprietária de uma padaria, cujo forneiro lhe deu as primeiras lições de francês, que Machado acabou por falar fluentemente, tendo traduzido o romance Trabalhadores do Mar, de Victor Hugo, na juventude. Também aprendeu inglês, chegando a traduzir poemas deste idioma, como "O Corvo", de Edgar Allan Poe. Posteriormente, estudou alemão, sempre como autodidata. De origem humilde, Machado de Assis iniciou sua carreira trabalhando como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Oficial, cujo diretor era o romancista Manuel Antônio de Almeida. Em 1855, aos quinze anos, estreou na literatura, com a publicação do poema "Ela" na revista Marmota Fluminense. Continuou colaborando intensamente nos jornais, como cronista, contista, poeta e crítico literário, tornando-se

respeitado como intelectual antes mesmo de se firmar como grande romancista. Machado conquistou a admiração e a amizade do romancista José de Alencar, principal escritor da época. Em 1864 estréia em livro, com Crisálidas (poemas). Em 1869, casa-se com a portuguesa Carolina Augusta Xavier de Novais, irmã do poeta Faustino Xavier de Novais e quatro anos mais velha do que ele. Em 1873, ingressa no Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, como primeiro-oficial. Posteriormente, ascenderia na carreira de servidor público, aposentando-se no cargo de diretor do Ministério da Viação e Obras Públicas. Podendo dedicar-se com mais comodidade à carreira literária, escreveu uma série de livros de caráter romântico. É a chamada primeira fase de sua carreira, marcada pelas obras: Ressurreição (1872), A Mão e a Luva (1874), Helena (1876), e Iaiá Garcia (1878), além das coletâneas de contos Contos Fluminenses (1870), Histórias da Meia Noite(1873), das coletâneas de poesias Crisálidas (1864), Falenas (1870), Americanas (1875), e das peças Os Deuses de Casaca (1866), O Protocolo (1863), Queda que as Mulheres têm para os Tolos (1864) e Quase Ministro (1864). Em 1881, abandona, definitivamente, o romantismo da primeira fase de sua obra e publica Memórias Póstumas de Brás Cubas, que marca o início do realismo no Brasil. O livro, extremamente ousado, é escrito por um defunto e começa com uma dedicatória inusitada: "Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas Memórias Póstumas". Tanto Memórias Póstumas de Brás Cubas como as demais obras de sua segunda fase vão muito além dos limites do realismo, apesar de serem normalmente classificados nessa escola. Machado, como todos os autores de gênio, escapa aos limites de todas as escolas, criando uma obra única. Na segunda fase, as características principais de suas obras são: a introspecção, o humor e o pessimismo com relação à essência do homem e seu relacionamento com o mundo. Da segunda fase, são obras principais: Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1892), Dom Casmurro (1900), Esaú e Jacó (livro) (1904), Memorial de Aires (1908), além das coletâneas de contos Papéis Avulsos (1882), Várias Histórias (1896), Páginas Recolhidas (1906), Relíquias da Casa Velha (1906), e da coletânea de poesias Ocidentais. Em 1904, morre Carolina Xavier de Novaes, e Machado de Assis escreve um de seus melhores poemas, Carolina, em homenagem à falecida esposa. Muito doente, solitário e triste depois da

morte da esposa, Machado de Assis morreu em 29 de setembro de 1908, em sua velha casa no bairro carioca do Cosme Velho. Nem nos últimos dias, aceitou a presença de um padre que lhe tomasse a confissão. Bem conhecido pela quantidade de pessoas que visitaram o escritor carioca em seus últimos dias, como Mário de Alencar, Euclides da Cunha e Astrogildo Pereira (ainda rapaz e por isso desconhecido dos demais escritores), ficcionalmente o tema da morte de Machado de Assis revisto por Haroldo Maranhão.

2.2- Estilo Literário

É considerados por muitos o maior escritor brasileiro de todos os tempos e um

dos maiores escritores do mundo, enquanto romancista e contista. Suas crônicas não tem o mesmo brilho e seus poemas têm uma diferença curiosa com o restante de sua produção: ao passo que na prosa Machado é contido e elegante, seus poemas são algumas vezes chocantes na crueza dos termos -- similar talvez à de Augusto dos Anjos.

O crítico norte-americano Harold Bloom considera Machado de Assis um dos

100 maiores gênios da literatura de todos os tempos (chegando ao ponto de considerá- lo o melhor escritor negro da literatura ocidental), ao lado de clássicos como Dante, Shakespeare e Cervantes.

O estilo literário de Machado de Assis tem inspirado muitos escritores brasileiros ao longo do tempo e sua obra tem sido adaptada para a televisão, o teatro e

o cinema. Em 1975, a Comissão Machado de Assis, instituída pelo Ministério da

Educação e Cultura, organizou e publicou as edições críticas de obras de Machado de

Assis, em 15 volumes. Suas principais obras foram traduzidas para diversos idiomas e grandes escritores contemporâneos como Salman Rushdie, Cabrera Infante e Carlos Fuentes confessam serem fãs de sua ficção, como também o confessou Woody Allen.

A Academia Brasileira de Letras criou o Espaço Machado de Assis, com informações

sobre a vida e a obra do escritor.

2.3- Academia Brasileira de Letras

Era Machado o maior nome vivo da Literatura no Brasil, quando um grupo de jovens, capitaneados por Lúcio de Mendonça resolve finalmente pôr em prática a idéia da fundação da Academia Brasileira de Letras nos moldes da Academia francesa. Machado foi seu primeiro presidente e seu discurso de fundação em 1897 revela sua intenção em participar da Academia :

“Senhores, Investindo-me no cargo de presidente, quisestes começar a Academia Brasileira de Letras pela consagração da idade. Se não sou o mais velho dos nossos colegas, estou entre os mais velhos. É simbólico da parte de uma instituição que conta viver,

confiar da idade funções que mais de um espírito eminente exerceria melhor. Agora que vos agradeço a escolha, digo-vos que buscarei na medida do possível corresponder à vossa confiança. Não é preciso definir esta instituição. Iniciada por um moço, aceita e completada por moços, a Academia nasce com a alma nova e naturalmente ambiciosa.

O vosso desejo é conservar, no meio da federação política, a unidade literária. Tal obra

exige não só a compreensão pública, mas ainda e principalmente a vossa constância. A Academia Francesa, pela qual esta se modelou, sobrevive aos acontecimentos de toda

a casta, às escolas literárias e às transformações civis. A vossa há de querer ter as

mesmas feições de estabilidade e progresso. Já o batismo das suas cadeiras com os nomes preclaros e saudosos da ficção, da lírica, da crítica e da eloqüência nacionais é indício de que a tradição é o seu primeiro voto. Cabe-vos fazer com que ele perdure. Passai aos vossos sucessores o pensamento e a vontade iniciais, para que eles os transmitam também aos seus, e a vossa obra seja contada entre as sólidas e brilhantes páginas da nossa vida brasileira. Está aberta a sessão. Machado de Assis, 1897”

2.4- Descrença

Intoxicado pelo pessimismo. Leu e hauriu pessimistas ingleses e franceses. Pascal, sobretudo, "e não foi por distração" (carta a Joaquim Nabuco), deixou-lhe o travo do amargor. Mas o crítico Afrânio Coutinho considera o pessimismo machadiano "mais radical, porquanto, a despeito de apontar a contradição essencial da natureza humana, concepção barroca para a qual o homem é atraído pelos dois infinitos do nada e do absoluto, Pascal ainda alimentava uma grande esperança otimista na vida futura. Pascal não acreditava no homem e odiava a vida, porém tinha confiança em Deus. Ao passo que Machado não confia no homem, não ama a vida, nem espera nenhuma bem- aventurança futura". No leito de morte, lúcido, recusa o conforto da religião. Desde os seus primeiros escritos ficcionais ele demonstra seu desencanto: "O que distingue o homem do cão é a faculdade de fazer com que uma noite não se pareça com outra".

2.5-Época

A trajetória machadiana vai do Império (grandeza e declínio do Segundo Reinado) até os primeiros passos claudicantes da República. Literariamente, impregna-se dos modelos importados do Romantismo, mas sabe manter-se à distância do Realismo naturalista de Zola, transcrito em Portugal por Eça de Queiroz, a quem censura (crítica a O Primo Basílio). Além do esforço intelectual, notável em vista da sua origem humilde e da cor, em país de convivência racial, porém de preconceito, distingue-o a concentração na análise das paixões humanas, que dele faz um prosador conceptual. Há de ter aprendido as sutilezas, entre outros, com Stendhal. Para ele, ficcionista e historiador andam de mãos dadas. "Um contador de histórias" escreve numa crônica, "é justamente o contrário de um historiador, não sendo o historiador, afinal de contas, mais que um contador de histórias. Por que essa diferença? Simples, leitor, nada mais simples. O historiador foi inventado por ti, homem culto, letrado, humanista; o contador de histórias foi inventado pelo povo, que nunca leu Tio Lívido, e entende que contar o que se passou é só fantasiar". Machado alia o fato social ao fato artístico. Lúcia Miguel - Pereira mostra-o preso ao painel social da sua época: "Suas criaturas, largamente humanas, evidenciado em suas

reações a irremediável solidão dos seres perdidos num mundo cognoscível, são ao mesmo tempo tipicamente brasileiras, cariocas, traindo em todos os seus gestos o

ambiente em que viviam". E, mais adiante, apresenta-o como o romancista representativo do Segundo Reinado: "Representou, sob certos aspectos e em menor escala, para o Brasil de sua época, algo de semelhante ao papel de Balzac para a França da primeira metade do século passado: mostrou como as condições especiais da sociedade que aqui se formou no Império repercutiram sobre os elementos constitutivos da personalidade".

No ensaio Machado de Assis: A Pirâmide e o Trapézio, Raimundo Faoro analisa a pirâmide, ou seja, a organização da sociedade de classes, o jogo de ambições e de

influências e a estruturação do poder à sombra do poder pessoal, tornado mito, do Imperador. O trapézio é aquela idéia buliçosa que cabriolava na inteligência de Brás Cubas, ensejando-lhe visão crítica.

O ficcionismo machadiano reflete tão de perto aquela ambiência que o romancista

pode ser considerado historiador, sociólogo. Onde termina a realidade, onde começa a ficção? Machado, na transposição do que vê, ouve e sente, vai além do cronista dos fait- divers; é o pesquisador, o intérprete, o crítico do meio. Em seus romances e contos, e

também nas crônicas políticas, é possível acompanhar-se a história dos últimos 50 anos do século 19 no Rio de Janeiro.

O que um historiador teria feito de forma ordenada e metódica, a partir de um

modelo adequado à exposição, Machado, criador, dilui no universo ficcional. E tanto isso

é verdade que Faoro levanta, com base em textos machadianos, aspectos do poder e das

funções institucionais, a emergência dos militares como camada social representativa, o

poder do clero, os limitados meios de ascensão social favoráveis apenas aos comerciantes

e financistas especuladores — uma vez que até os homens de letras eram marginalizados

em sociedade governada pelo dinheiro oriundo, em grande parte, das heranças, do título nobiliárquico.

2.6- Paisagens

Na opinião de Anton Tchekhov (Machado o teria lido?), descrições de paisagens não podem pesar na prosa; devem constituir leves pincelados, necessários à composição da cena ou do estado de ânimo. "Se é mencionada uma espingarda na parede, ela tem de disparar", observou. Na prosa machadiana, apesar de referências ao meio e à vida do Rio de então, predominam as paisagens interiores, quase sempre áridas, desfiladeiros ou descampados. E os abismos em que as personagens se debruçam. Ou os espelhos, alguns embaçados e rachados, em que se olham.

2.7- Obras

A seguir estão sendo apresentadas as obras de Machado de Assis, porém não foram incluídos os diversos textos de crítica e as crônicas publicados em jornais e revistas ao longo dos anos.

Romances

Ressurreição, 1872

A mão e a luva, 1874

Helena, 1876

Iaiá Garcia, 1878

Memórias Póstumas de Brás Cubas, 1881

Quincas Borba, 1891

Dom Casmurro, 1899

Esaú e Jacó, 1904

Memorial de Aires, 1908

Poesias

Crisálidas, 1864

Falenas, 1870

Americanas, 1875

Ocidentais, 1880

Poesias completas, 1901

Contos

Contos fluminenses, 1870

Histórias da meia-noite, 1873

Papéis avulsos, 1882

Histórias sem data, 1884

Várias histórias, 1896

Páginas recolhidas, 1899

Relíquias da casa velha, 1906

A Carteira

Teatro

Hoje avental, amanhã luva, 1860

Queda que as mulheres têm para os tolos, 1861

Desencantos, 1861

O caminho da porta, 1863

O protocolo, 1863

Quase ministro, 1864

Os deuses de casaca, 1866

Tu, só tu, puro amor, 1880

Não consultes médico, 1896

Lição de botânica, 1906

2.8- Adaptações

Cinema

Um apólogo – filme

O

rio de Machado de Assis – filme

Alma curiosa de Perfeição – documentário

Esse rio que eu amo – filme

Capitu – filme

Viagem ao fim do mundo – filme

Azillo muito louco – filme

A causa secreta – filme

A cartomante – filme

Um homem célebre – filme

Confissões de uma viúva moça – filme

Que estranha forma de amar – filme

Missa do galo – filme

Brás cubas – filme

Quincas Borba – filme

Memórias póstumas – filme

Dom – filme

Música

Hino Patriótico Letra de Machado de Assis e música de Júlio José Nunes. Com este título figura a poesia, na Semana Ilustrada ( Rio, n. 110, 18 de janeiro de 1863). No anúncio, porém, no Teatro Ginásio, onde foi cantada e recitada pela atriz Emília Adelaide, aparece com o título de Hino dos Voluntários. Foi impresso, ornado com desenhos de Henrique Fleiuss. O produto da venda de certos números de exemplares era destinado, pelos autores, a subscrição nacional em favor do armamento.

Cantata da Arcádia Poesia de Machado de Assis e música de José Amat. Foi escrita especialmente para o sarau literário e artístico, realizado pela Arcádia Fluminense, nos salões do clube Fluminense, em 25 de novembro de 1865. Com este hino foi aberta a sessão.

A seção Gazetilha do Jornal do Comércio ( Rio, 28 de novembro de 1865) sob

o título Arcádia Fluminense, além da notícia do sarau, transcreve 5 versos

esparsos da cantata. Perdida.

Lua da Estiva Noite Poesia de Machado de Assis e música de Artur Napoleão. Trata-se de uma serenata, para canto, piano e flauta. Foi publicada em Ecos do Passado. Primeiro álbum de Romances para canto com acompanhamento de piano por Artur Napoleão. Rio, s.d. (1880).

Teatro

O Baú do seu Machado

O Alienista

Criador e criatura - o encontro de Machado e Capitu

Madame

Machado de Assis em cena - um sarau carioca

Um galho ilustre dos Cubas

Capitu

Viver (Baseado em contos e crônicas de Machado de Assis).

Céu de Lona

Visões siamesas (Peça teatral inspirada no conto de Machado de Assis "As Academias de Sião".)

Memória (Baseado em Memórias Póstumas de Brás Cubas.)

A Agulha e a linha

Televisão

Helena - novela

O alienista - mini-série

Trio em lá menor – mini-série

2.9- Curiosidades

1. A princípio utilizou os padrões do Romantismo na composição poética,

porém deles não se utiliza em seus contos e romances. Confessa não participar

do Realismo, é um crítico do estilo de Eça de Queiroz e acreditava existir uma

Verdade necessária à obra literária, porém em seus romances busca desvendar

os conflitos reais e os mecanismos sociais.

2. Machado de Assis foi um exímio jogador de xadrez, tendo formulado

problemas enxadrísticos para diversos periódicos e mesmo participado do

primeiro campeonato disputado no Brasil. Em muitas de suas obras, faz

menções ao jogo, como por exemplo em Iaiá Garcia.

3. Machado de Assis já foi retratado como personagem no cinema, interpretado

por Jaime Santos no filme "Vendaval Maravilhoso" (1949) e Ludy Montes

Claros no filme "Brasília 18%" (2006). Também teve sua efígie impressa nas

notas de NCz$ 1,00 (um cruzado novo; até 1989, com valor de mil cruzados)

de 1987. Importantes concursos são realizados em todo mundo levando seu

nome , a exemplo de Brasília que tem um significativo concurso com seu nome. Concurso este que é realizado pelo SESC DF.

4. As obras de Machado de Assis tiveram várias adaptações entre elas um poema chamado “Idéias do Canário” que foi transformado em história em quadrinho. Além dos quadrinhos houve adaptação em músicas, como por exemplo na música de Júlio José Nunes, e na televisão, presente nas mini-séries “O Alienista” e “Trio em lá maior” e na novela “Helena”.

5. Machado de Assis , o maior nome vivo da Literatura Brasileira foi o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras fundada por um grupo de jovens liderados por Lúcio de Mendonça.

3.0-Estudo de obra do livro “Dom Casmurro”

Dom Casmurro é um romance do escritor brasileiro Machado de Assis. Foi publicado em 1900, e é um dos livros da literatura brasileira mais traduzidos para outros idiomas. É uma obra do Realismo brasileiro.

Contexto brasileiro:

Crises sucessivas no regime monárquico.

Revoltas generalizadas em todo o território nacional.

Guerra do Paraguai

Trocas sucessivas de Gabinetes.

Agitações militares.

Campanhas pela Abolição da escravatura. Luta de classes divididas por interesses antagônicos.

Campanha pela queda da monarquia e advento da República.

Depois da publicação de sucessivas leis, o projeto definitivo da abolição é convertido em lei - Lei Áurea, 13 de maio de 1888.

Depois da publicação de sucessivas leis, o projeto definitivo da abolição é convertido em lei - Lei Áurea, 13 de maio de 1888.

A crise da monarquia atinge seu ponto crítico. Um governo militar provisório exige a retirada da família real do Brasil - 15 de novembro de 1889.

3.1-Caracterização do romantismo na obra:

Realidade e contemporaneidade - a vida como realmente é: feia ou bela, boa ou má, moral ou imoral. Cabe ressaltar a diferença entre a obra realista e a naturalista. A ficção realista apresenta um painel sem ilusões de sociedade decadente, analisando ou denunciando suas principais causas como decorrência de falsos padrões morais ou ausência de educação e de valores. Permanece certo pudor, respeito, preocupação em não chocar demasiadamente, em manter a beleza estética.

Já a ficção naturalista despe-se desses pudores. O escritor assume uma postura de cientista que vai desnudar e expor aos olhos de seus leitores as perversões sociais, as aberrações humanas, as taras genéticas ou sexuais, limitando geralmente esse estudo a grupos sociais marginalizados (prostitutas, negros, homossexuais, estrangeiros ambiciosos e burgueses arrivistas).

3.2-Metalinguagem

Em Dom Casmurro, Machado de Assis enquanto narra, discute o ato e o modo de narrar. Ele põe em prática a metalinguagem, em que a própria narrativa trata de se auto-explicar. Logo no início, a metalinguagem ganha corpo, quando o personagem- narrador explica o título do livro e os motivos que o impulsionaram a escrevê-lo:

“Também não achei melhor título para a minha narração; se não tiver outro daqui até ao fim do livro, vai este mesmo. O meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há livros que apenas terão isso dos seus autores, alguns nem tanto”. E mais adiante: “Agora que expliquei o título, passo a escrever o livro. Antes disso, porém, digamos os motivos que me põem a pena na mão”. Durante toda a narrativa de Dom Casmurro, a metalinguagem tem um papel fundamental, dando um tom muitas vezes jocoso, ou criando cumplicidade com o leitor, que ao invés de apenas ler passivamente, participa do próprio ato de narrar, ao servir de confidente do escritor, transcendendo o próprio texto. Exemplo: Ao narrar tentações vividas na juventude dirige-se a uma possível leitora: “Tudo isso é obscuro, dona leitora, mas a culpa é do vosso sexo, que perturba assim a adolescência de um pobre seminarista”.

3.3- Resumo da Obra

O autor conta a vida de um garoto no final do Século Passado, brilhantemente narrado em 1ª pessoa, deixando a dúvida se estes acontecimentos aconteceram ou não na vida do autor. No começo ele diz por que foi apelidado de Dom Casmurro, o “Casmurro” porque o povo o achava um homem calado e metido consigo. E “Dom” veio por ironia para atribuir-lhe o brilho da nobreza.

O pai dele estava numa antiga fazenda em Itaguaí e o Bentinho (Dom Casmurro) onde acabava de nascer, quando o seu pai estava mal de saúde e na obra do acaso apareceu um médico homeopata chamado José Dias e o curou e não quis receber remuneração e então o pai de Bentinho propôs que José Dias ficasse ali vivendo com eles, com um pequeno ordenado. Ele foi embora mais dizendo que voltava dali a alguns meses, voltou em duas semanas e aceitou viver na casa tendo a serventia de médico da casa. O pai dele foi eleito deputado e foram para o Rio de Janeiro com a família, José Dias veio também tendo o seu quarto no fundo da chácara. Seu pai voltou a ficar doente com uma febre alta, nisso José Dias confessou-se que não era médico, mais a medicina homeopata o agradava e era uma ciência em crescimento. Seu pai logo depois acabou morrendo. Mesmo assim a mãe de Bentinho pediu para José Dias que ficasse. Sua mãe, Dona Glória conta a história que depois de perder seu primeiro filho, fez uma promessa que se o nascesse um filho, ela faria um padre em agradecimento à Deus. Capitu, que era sua vizinha, e Bentinho, ainda novos brincavam de fazer missa dividindo a hóstia, etc. Ele começou a gostar de Capitu sem ela saber. Bentinho por varias razões prometia que ia rezar mil Padre-Nossos e mil Ave-Marias como promessa. Bentinho começou a se encontrar nas escondidas com Capitu correndo até o perigo de serem vistos juntos se beijando. Sua mãe já estava decidia que Bentinho iria entrar no seminário com o padre Cabral e que ele iria ver a família aos sábados e aos feriados. Então estava decidido que iria para o seminário no primeiro ou no segundo mês do ano que vem, que só faltava 3 meses para ir. Bentinho tentou junto com Capitu várias idéias mirabolantes para fugir do seminário até pedir ao Imperador para falar para a mãe dele esquecer da idéia. Falou com José Dias para convencer sua mãe, de pouco em pouco. Isso alegrou José Dias que viajaria com Bentinho para a Europa para estudar nas melhores escolas do mundo. Meses depois foi para o seminário de S. José. Todo mundo que estava de acordo com que ele fosse para o seminário agradeceu ao padre em ter convencido Bentinho, e que qualquer problema estava à disposição. Bentinho foi para o seminário, mas com ressentimento de arrependimento. Ele só estava pensando em sair de lá. Mais se passou alguns meses e ele queria escapar de

lá antes de completar o prazo do Padre Cabral. Estava louco para ir para casa até que arranjou um sábado que desse para ele ir. Capitu estava mesmo apaixonada por Bentinho e seus planos era esperar ele sair do seminário para se casar. Bentinho estava preocupado porque foram buscar ele no seminário e ele logo pensou que seria alguma coisa de ruim e não deu outra, sua mãe ficou doente e estava por um fio entre a vida e a morte, e para Bentinho isso era péssimo porque era sua mãe, mas por outro lado era bom que com a morte da mãe ele sairia do seminário, mais iria ficar cheio de remorso. Mas até ai correu tudo bem sua mãe acabou melhorando. Bentinho conheceu Escobar, um amigo que encontrou no seminário e era o único que ele podia contar seus segredos, fora Capitu que estava apaixonada por ele mais estava longe. Bentinho não agüentava mais ficar no seminário ele teria que sair dali de qualquer jeito e estava lhe tornando impossível ficar só pensando em Capitu e as coisas que pudera fazer lá fora. Bentinho foi para casa e perguntou onde que estava Capitu e sua mãe falou que ela tinha ido dormir na casa de Sinházinha Sancha Gurgel que é sua amiga e mora na Rua dos Inválidos. A Prima Justina insinuou que ela foi para lá namorar, deixando Bentinho louco de ciúme. Viu que ela estava demorando então esperou dar onze horas e correu para a Rua dos Inválidos. Entrando, viu Capitu cuidando da febre de Sancha. O velho Gurgel até comentou como Capitu parecia com sua falecida mulher e como ela ainda seria uma boa mãe. Vendo que Capitu não estava flertando com outros garotos, Bentinho ficou mais sossegado. Assim foi passando o tempo, com intermináveis semanas no seminário e com fins-de-semana de descanso em casa. Escobar foi até a casa de Bentinho algumas vezes.

Teve uma hora que Bentinho não agüentou e conversou com Capitu sobre fugir do seminário. Com idéias de mandar José Dias até o papa para cancelar a promessa. Mas Capitu acabou com essa idéia que Escobar teve, de levar a promessa ao pé da letra "Se Tiver um filho, farei um padre", na promessa diz que "fará um padre", não especificando que seria seu filho. Esse argumento serviu para Dona Glória, que pegou um órfão para ordená-lo padre. Assim depois de um tempo ambos saíram do seminário

O livro pula a época que não houve nada de importante e vai para logo depois

quando houve o casamento de Bentinho + Capitu e Escobar + Sancha Gurgel.

O tempo passou e todos estavam relativamente felizes, Bentinho se formou em

Direito e Escobar estava no ramo do comércio. Tempo depois Escobar teve uma filha

que chamou de Capitu. Depois de muitas tentativas falhadas, Capitu e Bentinho, não conseguiram ter

um filho. Capitu até chamou Escobar para acertar as contas para que se logo tivessem

o filho.

Meses depois conseguiram finalmente ter um filho que respectivamente o chamaram de Ezequiel que era o primeiro nome de Escobar, como se fosse uma homenagem trocada. Mais no dia seguinte, em uma trágica manhã, Bentinho sentou-se na sua sala para estudar os processos que usaria no seu trabalho, notou a fotografia de Escobar que tinha em casa e uma estranha semelhança entre Escobar e seu filho, mais foi interrompido quando um escravo bateu na porta e deu a notícia que Escobar teria morrido afogado na praia. Assim Bentinho esqueceu sua desconfiança e foi ver o corpo.

Logo ocorreu o enterro, Bentinho fez até um discurso sobre o morto tão bom que queriam publicá-lo. O tempo passou e sua desconfiança foi aumentando.

O sentimento de traição era horrível e Bentinho até tentou se suicidar, mais

notou que apesar de Ezequiel poderia se um filho bastardo lembrou que havia ainda o sentimento amoroso entre pai e filho. Isso fez Bentinho esquecer da tentativa de suicídio e partir para uma separação amigável com Capitu. Viajou com sua família para a Suíça, voltando depois, deixando os lá para que o filho tivesse boa educação. Assim depois de um bom tempo Capitu lá morreu e Ezequiel voltou para contar as novidades para o pai. Assim Ezequiel voltou já grande e formado em arqueologia, agora idêntico a Escobar. Algum tempo depois recebeu a notícia que Ezequiel morrera lá de febre tifóide

e fora enterrado em terreno sagrado. Acabando aí, o autor enfatiza a idéia que seu conto não passou de uma História de Subúrbio. Coisas que acontecem todo dia, que faz parte do cotidiano da humanidade.

3.4-Inocente ou culpada?

Pela narração não há como afirmar se houve ou não adultério. Os fatos deixam dúvidas, pois a semelhança de Ezequiel com Escobar, o fato de Escobar ser muito amigo de Capitu e sempre rondar a família levam o leitor a pensar que houve a traição. Por outro lado, a amizade de Capitu por Escobar não seria amor carnal, mas um amor fraterno, o seu amor por Bentinho desde a infância e a sua luta por ele, além do fato dele não ter visto a traição, levam o leitor a acreditar em sua fidelidade. O leitor pode supor que Bentinho fosse ciumento e imaginasse os fatos. Não há comprovação de nada, afinal a visão dos fatos é parcial, já que Bentinho que narra a história como a vê. Há divergências sobre a traição de Capitu. Várias teses acadêmicas já abordaram o assunto e nenhuma chegou a uma análise conclusiva. Em páginas mais avançadas deste clássico da literatura brasileira, o autor deixa claro que o filho de Bentinho com Capitu era quase idêntico ao seu amigo Escobar, só que um pouco mais baixo e nas páginas iniciais da obra, o autor descreve Capitu como tendo muita facilidade em disfarçar as situações, inclusive enganando seus pais que tanto amava muitas vezes, o que fortalece a hipótese de adultério. Ai resta-nos a dúvida: Teria Capitu traído Bentinho com Escobar?

3.5- Os olhos de Capitu

Machado nos ensinou a vê-lo e o equacionou. Esse olhar é a nossa miscigenação, a nossa aparente submissão, são as nossas olheiras amorosamente gulosas, quentes e erotizadas. É o olhar que denuncia a marginal vitória desse ser- mulher colonizada. Olhar de quem dissimuladamente aceita o jogo surdo, silencioso, de carrasco e vítima, jogo fascinante e cruel na aparente aceitação das diversas manifestações do relacionamento humano. Essa luta dolorosa fascina Dom Casmurro porque ela é jogada no campo da dúvida. Ao descrever Capitu, Machado esclarece: "Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca?" Nessas circunstâncias, o autor lança mão da imagem da cigana (presença marginal), do olhar de ressaca (visão de uma carne indomável) e do olhar oblíquo (não definido, não confiável, dissimulado).

Dom Casmurro é um tratado sobre o olhar. Capitu é emblemática. Bentinho descreve seu próprio olhar, olhando Capitu. Ouso falar sobre Capitu como atriz. Como se estivesse analisando um texto de dramaturgia, juntamente com um elenco, ao redor de uma mesa. Não estou aqui me arvorando em crítica literária.

3.6-Análise dos elementos constitutivos do romance

1. Enredo:

Constrói-se a partir de uma pseudo-autobiografia de D. Casmurro - Bento Santiago, evocada através das impressões que lhe ficaram gravadas na memória. A

trama começa pelo fim. D. Casmurro, 55 anos, tenta atar as duas pontas da vida e reconstituir na velhice a adolescência - e desenvolve-se em flash-back, com idas e vindas no tempo, desde os 14 anos de idade.

A reconstrução da casa constitui-se em uma metáfora de reconstituição da

própria vida, assim como a escritura do livro manifesta a necessidade de auto-analisar- se, de tentar conhecer a verdadeira Capitu, de justificar a atitude do marido que repudia a mulher por acreditá-la adúltera e rejeita o próprio filho. Trata-se de um mergulho profundo no eu, de uma viagem interiorizada, em busca do tempo perdido, da vida desperdiçada. Nesse processo, avulta a importância da função metalingüística do texto, assim como o emprego sistemático da antítese e da ironia. Tais procedimentos advêm da escolha do foco narrativo.

2. Foco Narrativo:

O que dá sabor especial ao livro e constitui-se em fonte inesgotável de debates

é o fato de Machado ter criado um narrador-personagem em 1ª pessoa, que recria o mundo, a vida e as pessoas com quem conviveu ao sabor das suas emoções e impressões gravadas na memória - um filho obediente, submisso, 1 adolescente inseguro e fantasista, um adulto ciumento e magoado, enfim, um marido revoltado que se considera traído e tenta justificar-se filtrando esse mundo através do pessimismo e da ironia. É através dessa visão amargurada pelo ressentimento que conhecemos as pessoas que compartilharam de seus dramas.

3.

Personagens:

Bento e Capitolina:

São os protagonistas da obra, e sua profundidade psicológica é delineada com grande carga dramática. Crescem juntas, apaixonam-se, fazem planos, casam-se e separam-se, mas trata-se de personalidades contrastantes e complementares: são personagens esféricas (ou redondas):

Capitu (Capitolina):

Seu perfil é pincelado paulatinamente no transcorrer do livro, pois como em um romance de tese, o narrador pretende provar ao leitor que a Capitu adulta já se encontrava na menina, como a fruta dentro da casca. Aos 14 anos ele a vê como uma adolescente atraente, mãos bem cuidadas, e,

apesar de pertencer à classe social inferior, detentora de vários encantos: possui olhos claros, cabelos grossos e escuros, penteados em tranças, à maneira do tempo. Mas é a dimensão moral de Capitu (seu comportamento) que demanda pintura e análise minuciosas. Caracterizam-na alguns aspectos importantes:

Olhos de cigana oblíqua e dissimulada (visão de José Dias, e se pensarmos que os olhos são os espelhos da alma ); Olhos de ressaca (sensação de Bentinho, apaixonado e atraído pela força irresistível desses olhos); Fria e calculista (acusações de prima Justina, que inveja Capitu); Inteligência viva, sagaz; extrema capacidade de reflexão e ascendência sobre o

menino (

Capacidade de simular e/ou dissimular sentimentos e emoções, autocontrole diante de situações comprometedoras ou conflituosas; Traços físicos e morais semelhantes aos da mãe de Sancha; O nome: Capitolina tanto lembra Capitólio. Trata-se, pois, de personagem densa e rica, pela maneira ambígua, parcial e freqüentemente contraditória com que D. Casmurro a retrata (através de impressões de pessoas que a invejavam ou não gostavam dela, e de seu ressentimento de marido traído; por outro lado, mulher fascinante e encantadora de cuja presença e amor nunca

era muito mais mulher que eu homem);

conseguiram

ódio/desprezo).

esquecer-se,

Bento Santiago:

num

sentimento

ambíguo

nos

limites

do

amor

e

do

Pseudo-autor, narrador e personagem principal. Seu nome já sugere alguns traços de personalidade (Bento + Santiago) - abençoado e predestinado pela mãe ao sacrifício religioso. O menino cresce acreditando que vai ser padre, ingênuo e submisso, é preciso que outras pessoas revelem a ele seu amor pela companheira de brincadeiras. Principais traços de seu comportamento:

Excesso de subjetividade, emocionalismo e temperamento sonhador; Submissão total à vontade da mãe; Demora no amadurecimento psicológico devido à superproteção familiar; Encantamento e dependência total em relação à Capitu; Insegurança e incapacidade de autodomínio em situações de tensão; O relacionamento estranho com Escobar desde o seminário: a sociabilidade, a cabeça aritmética do amigo fascina Bento e norteiam seus negócios e problemas; Ciúme doentio e descontrolado, mola-mestra do enredo e motivo principal de seus sofrimentos: somado à imaginação e falta de objetividade, tal sentimento faz com que se acredite traído pela mulher e pelo amigo e destrói-lhe a vida e a felicidade, transformando-o num velho pessimista, amargo, cético em relação a tudo e a todos.

Casmurro adota a filosofia do maestro Marcolini, e transforma sua vida em uma ópera, em que cantou um duo terníssimo, depois um trio, depois um quatuor Identificando Bento com Otelo e Capitu com Desdêmona. No entanto, nas suas evocações, para cada prova de culpabilidade de Capitu o próprio narrador sugere sucessivas contraprovas, deixando o leitor desnorteado e, às vezes, perplexo.

Escobar:

Em seus primeiros contatos no seminário, Escobar aparece a Bentinho como um garoto de modos fugitivos que cessavam quando ele queria e que, com o tempo, foi

conquistando-lhe a confiança e a alma (relações meio feminóides, que provocaram admoestação de um dos padres). Bem mais decidido que Bentinho, Escobar apresentava rara habilidade intelectual, raciocínio rápido e gostava de comércio - via o seminário apenas como etapa da vida. Longe da família, que morava no Paraná, tomava as decisões por sua conta e risco. Sua aproximação com a família do amigo apresenta traços de ambigüidade (evidências de maus presságios). Conquista logo a confiança e a amizade de quase todos, apesar da ressalva sobre seus olhos fugidios e das insinuações de prima Justina - de que lhe interessava o dinheiro de D. Glória. Usando de um artifício, consegue saber de Bentinho sobre o montante da fortuna dos Santiago. O narrador apresenta-o como um protótipo de pessoa esperta e calculista (personagem plana) que se aproveita das relações de amizade para subir na vida e, inescrupulosa, capaz de trair friamente seu melhor amigo. Mesmo depois de morto, influi decisivamente na dissolução da vida do casal Bento-Capitu.

José Dias:

Tipo humano com traços caricaturais de personagem de costumes, agregado à família desde os tempos em que o pai de Bentinho vivia e a quem se apresentara como médico homeopata. Caracterizam-se pela submissão, atitudes de bajulação para conseguir ou manter privilégios e um traço lingüístico - o uso de superlativos.

Dna. Glória:

Viúva abastada de Pedro de Albuquerque Santiago, ao perder o 1º filho faz uma promessa de oferecer o segundo o Deus, caso vingasse. Fiel à memória do marido, disfarça a juventude e a beleza com roupas e costumes austeros. Mima o filho, cumulando-o de cuidados: prefere pagar um professor particular para mantê-lo sempre junto a si. Arrepende-se do sacrifício a que submeteria o filho, e é com alívio e gratidão que estimula o interesse de Capitu e aceita a sugestão de Escobar para livrar o filho do seminário. Matriarca poderosa aglutina a família ao seu redor e administra seus bens com eficiência (e medo, segundo Escobar). Pode ser identificada como retrato da mulher brasileira do século XIX.

Há quem veja uma relação edipiana, um complexo freudiano mal resolvido entre ela e Bentinho, que sempre se apresenta dividido entre o amor à mãe e a Capitu e opta finalmente por ver a mãe como uma santa e a esposa como infiel e desprezível. As demais personagens - Tio Cosme, Prima Justina, Pádua e a mulher, Manducam Sancha - constituem parte do universo particular que gravita em torno de

Bentinho. Ezequiel Albuquerque de Santiago, o filho tão desejado e depois rejeitado, é visto por D. Casmurro como o bode expiatório do seu fracasso conjugal. Devido à fantástica semelhança com Escobar, constitui-se, ironicamente, na prova científica e definitiva do adultério de Capitu (o homem é condicionado por sua herança genética,

Inteligente e imitador desagregam a família: primeiro é

meio e momento histórico

afastado de casa indo para o internato; depois para Europa; finalmente, morre. Idolatra o pai e nunca conseguiu entender a rejeição e o porquê da separação do casal - vítima inocente que purifica pelo sacrifício os pecados dos adultos.

).

Tempo e espaço em Dom Casmurro:

A ação do romance localiza-se no século XIX, durante o segundo Reinado, na cidade do Rio de Janeiro. Restringe-se à Rua de Matacavalos, Engenho Novo, Bairro da Glória, Flamengo, casa de Bentinho, casa e quintal de Capitu, seminário, residências dos dois casais. Cronologicamente, estende-se de 1857 (descoberta do amor adolescente) a 1871 (ano da morte de Escobar). D. Casmurro registra suas memórias no final da década de 1890, aos 55 anos de idade. Como acontece nos romances denominados de segunda fase machadiana, predomina neste livro de poucas ações e detalhes excessivos de introspecção e análise o tempo psicológico ou de duração interior. O discurso evocativo-memorialista de D. Casmurro unifica os diversos elementos da narrativa de uma forma tão intrincada e coesa, que tudo no livro não passa de projeções do seu universo interior - os fatos, as pessoas, as sugestões confundem-se com as memórias do narrador, aproximam seu discurso do monólogo interior ou fluxo de consciência, superpõem o passado e o presente, configurando um caráter impressionista à obra. Tal sensação se reforça no estilo em ziguezague, que alterna as seqüências narrativas (história de Bento-Capitu) e as seqüências digressivas (idéias do viúvo ressentido), inter-relacionando-as. Costuma-se atribuir alguns rótulos a este livro de Machado de Assis: romance psicológico, romance de introspecção, romance poético, obra aberta. Na verdade, D.

Casmurro é tudo isso e muito mais: trata-se de um clássico da literatura, e talvez o mais bem acabado romance brasileiro. Ao empreender sua jornada interior na dissecação da alma humana, convidando e seduzindo seu leitor a emprestar-lhe cumplicidade e anuência, somos arrastados pela força de seu estilo e pelo seu inequívoco poder de persuasão. Desavisados, quase sem perceber, envolvido pela sua neurose obsessiva, acabamos por partilhar com seu ceticismo, sua descrença, seu negativismo existencial. Somos convertidos e tornamo-nos adeptos da filosofia do maestro Marcolini, achando também que o homem é uma invenção de Deus, convertida à perversão por influência das tentações do demônio. Ao rascunhar a história de sua vida parodiando a ópera de Shakespeare, D. Casmurro sugere-nos um Machado bruxo e mistificador que plagiou o plágio e acabou reescrevendo, à sua maneira, a ópera original escrita por Deus e encenada por Satanás: A vida é uma ópera, é uma grande ópera.

4.0- Conclusão

Concluímos que Machado de Assis é considerado por muitos o maior escritor brasileiro de todos os tempos e um dos maiores do mundo literário, enquanto romancista e contista. Suas crônicas não tem o mesmo brilho e seus poemas têm uma diferença curiosa com o restante de sua produção: ao passo que na prosa Machado é contido e elegante, seus poemas são algumas vezes chocantes na crueza dos termos. Destacando-se com suas principais obras: Dom Casmurro, Quincas Borbas, Memórias Póstumas, entre outras.

Apesar das dificuldades enfrentadas por ele desde a infância, foi um homem muito dedicado, tanto que se tornou o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, estreou como crítico teatral na revista O Espelho, foi convidado para se tornar redator do Diário do Rio de Janeiro, esses são alguns exemplos da competência desse escritor brasileiro, que nos permite ter uma pequena noção da sua importância no estudo e na historia da literatura.

Dom Casmurro é uma das principais obras de Machado de Assis, lançada na época do realismo brasileiro e é considerada como a obra - prima desse escritor

5.0- Bibliografia

www.wikipedia.com.br

www.google.com.br

www.machadodeassis.org.br

6.0- Anexos

6.0- Anexos
6.0- Anexos

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