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Centro de Ensino Unificado de Teresina – CEUT

Faculdade de Ciência Humanas, Saúde, Exatas e Jurídicas de Teresina

Curso: Bacharelado em Direito – 1º Período Turma: ETurno: Noite

Disciplina: Filosofia Jurídica

Ministrante: Jardel

Acadêmico: Pedro Uchôa Pereira de Carvalho

ARISTÓTELES: JUSTIÇA COMO VIRTUDE

Teresina

Março - 2011
Fala de justiça, é comprometer-se com outras questões afins, quais sejam, as
questões sociais, politicas, retóricas, por isso, Aristóteles também se lança na análise
pontual do problema da justiça, dedicando algumas páginas de seus principais textos, seu
tratamento, sem se falar no diálogo de autenticidade duvidosa intitulado Acerca da justiça.
Não somente o conhecimento do que seja justo ou injusto faz do indivíduo um ser mais ou
menos virtuoso, praticamente. Ciência preocupa-se com os desdobramentos individuais e
sociais dos comportamentos humanos. Pode-se dizer, os conceitos éticos e políticos
aparecem condicionados um pelo outro.

A justiça compreendida em sua categorização genérica, é uma virtude e, como toda


virtude, qual a coragem, a temperança, a liberalidade, a magnificência. Aristóteles está
sobretudo preocupado em demonstrar, por suas investigações, que a noção de felicidade é
uma noção humana, e, portanto humanamente realizável. A prática ética. A ciência prática,
que cuida da conduta humana, tem esta tarefa de elucidar e tornar realizável, factível, a
harmonia do comportamento humano individual e social.

A teoria de Aristóteles analisa a diversidade de acepções em que normalmente se


usa o termo justiça, e é desta análise dos usos do termo que surge uma classificação própria
da justiça de acordo com suas acepções. A imensidão que se abre ao se reconhecer este
pressuposto como válido é que permitiu a Aristóteles forjar sua classificação e sua
terminologia acerca da justiça. O legislador virtuoso em sua arte, a arte de bem conduzir a
comunidade nas coisas comuns, age de acordo com a nomothesía. O legislador age tendo
em vista o melhor para o comunidade, o fim das leis deve necessariamente ser o Bem
Comum. As leis valem para o Bem de todos, para o Bem Comum. Pode-se mesmo afirma
que toda virtude, naquilo que concerne ao outro, pode ser entendida como justiça, e é nesse
sentido que se denomina justiça total ou universal.

Aquele que contraria as leis contraria a todos que são por elas protegidos e
beneficiados; aquele que as acata, serve a todos que por elas são protegidos ou,
beneficiados. O justo total é a observância do que é regra social de caráter vinculativo. O
hábito humano de conformar as ações ao conteúdo da lei é a própria realização da justiça
nesta acepção, justiça e legalidade são uma e a mesma coisa, nesta acepção do termo. O
justo particular corresponde a uma parte da virtude, e não à virtude total, como ocorre com
o justo universal ou total. A justiça particular refere-se ao outro singularmente no
relacionamento direto entre as partes diferenças fundamental que permite encontrem-se as
fronteiras de aplicação terminológica entre a justiça em sua acepção particular e em sua
acepção universal.

O justo particular admite divisões; de um lado, é espécie do justo particular o justo


distributivo; de outro lado, é espécie do justo particular o justo corretivo.

A primeira acepção do justo particular, ou seja, o justo distributivo, relaciona-se


com todo tipo de distribuição levada a efeito no Estado, seja de dinheiro, seja de honras, de
cargos, ou quaisquer outros bens passíveis de serem participados aos governados.
O justo particular corretivo consiste no estabelecimento e aplicações de um juízo
corretivo nas transações entre os indivíduos.

O justo particular distributivo realiza-se no momento em que se faz mister uma


atribuição a membros da comunidade de bens pecuniários, de honras, de cargos, assim
como de deveres, responsabilidades, impostos, perfaz-se, portanto, numa relação do tipo
público-privado, sendo que a justiça e a injustiça do ato radicam-se na própria ação do
governante dirigida aos governados.

A justiça distributiva é a igualdade de caráter proporcional, pois é estabelecida e


fixada de acordo com um critério de estimação dos sujeitos analisados. Esse critério é o
mérito de cada qual que os diferencia, tornando-os mais ou menos merecedores de tais ou
quais benefícios ou ônus sociais.

Justiça particular é chama corretiva. Destina-se a ser aplicada em todo tipo de


relação a ser estabelecida entre indivíduos que se encontrem em uma situação de
coordenação e não de subordinação como ocorrecom o justo distributivo, ou seja, de iguais
entre iguais, como particulares e entre particulares, agindo como indivíduos em paridade
de direitos e obrigações em face da legislação. Vincula-se à ideia de igualdade ou absoluta:
aqui não se está a observar o mérito dos indivíduos, a condição dos mesmo, de modo que
aqui não serve pensar em fatores mais subjetivos para a averiguação do que é justo ou
injusto.

Aristóteles ressalta-se a importância de uma análise etimológica do justo tomado


neste sentido, para que se apreenda com propriedade seu conteúdo.

O justo politico é apresentado por Aristóteles como algo diverso do justo


doméstico. O justo político consiste na aplicação da justiça na cidade, trata-se de algo que
parte ao corpo cívico. É a justiça que organizava um modo de vida que tende à
autossuficiência da vida comunitária, vigente entre homens que partilham de um espaço
comum, dividindo atividades segundo multiplicidade de aptidões e necessidades de cada
qual, tornando uma comunidade. Cidadão é aquele que governa e que é governado. O filho
do cidadão, assim como o escravo, estão de tal maneira próximos ao pai-senhor que são
concebidos como se partes do mesmo fossem, diferenciando-se entre si no que tange as
relações de poder que os vinculam ao pai-senhor, pelo fato de que o poder que se exerce
sobre uma assemelha-se ao que é aplicado ao regime monárquico e, o outro, assemelha-se
ao regime tirânico.

O objeto próprio do justo politico é a criação de uma situação de convivência


estável e organizada, além de pacificar e racional, quando se tem a plena atualização do
ideal nele inscrito, movimento lento e gradativo para o perfazimento de um objetivo que
lhe é próprio dentro da ordem natural.

Esclarecido a noção de justo politico e seu alcance, deve-se dizer que se trata de um
conceito abrangente de outras duas formas de justo, a saber, o justo legal, que corresponde
à parte das prescrições vigentes entre os cidadãos, e o justo natural, parte que encontra sua
fundamentação não na vontade humana preceituada, mas na própria natureza.

O justo natural é aquele que por si próprio por todas as partes possui a mesma
potência e que não depende, para sua existência, de qualquer decisão, de qualquer ato de
positividade, de qualquer opinião ou conceito. O justo legal constitui o conjunto de
disposições vigentes na cidade que têm sua existência definida pela vontade do legislador.
Tem por objeto tudo aquilo que poderia ser feito das maneiras asmais variadas possíveis,
mas uma vez que foi convencionada legislativamente, é esta que se deve obedecer.

A noção de justo natural na teoria aristotélica está a reclamar atenção, no sentido de


se advertir que a natureza, estando submetida à contingência temporal inerente a tudo
aquilo que participa da realidade sublunar, também é mutável e relativa.

Justo e do injusto, deve-se buscar definir as relações existentes entre a equidade e a


justiça, se são diferentes, em que são diferentes, em que medida são diferentes, quais os
seus aspectos, como atuam, em que momento podem e devem ser invocadas, assim como
as existentes entre o équo e o justo, se equivalem, se são idênticos, mutuamente fungíveis,
se possuem o mesmo campo de aplicação. Todos reconhecem que os termos não se
equivalem perfeitamente, e, nesse caso, o uso de um pleno outro conduz a equívocos
notórios, de modo que, sendo semelhantes, porém não idênticos, devem ser distinguidos
naquilo que lhes peculiariza.

Para Aristóteles, amizade estão estreitamente ligadas, podendo-se mesmo dizer que
a primeira é que se mostra como sendo o verdadeiro liame que mantém a coesão de todas
as cidades-estado. Se comparadas, uma e outras, aquela há de ser colocada como o
verdadeiro assento da paz nas relações entre as diversas cidades-estado, motivo pelo qual
se deve dizer que a amizade concorre preventivamente para o bem do convívio social. A
sociabilidade e a politicidade são da natureza humana, é a amizade a realização de todo
contato que une os membros de um único corpo social.

As formas degeneradas de governo conduzem a uma supressão da amizade, pois,


efetivamente, onde o patriarca reina de modo a verter toda a parte de benefícios
exclusivamente para si e para os seus, não pode haver a mínima confiança de seus súditos,
o que inviabiliza a sustentação da ideia de amizade nesta formas de governo.

O juiz, na teoria aristotélica, é o mediador de todo o processo de aplicação da


justiça corretiva. Se o injusto corresponde a um estado entre as partes em que uma
permanece com mais e outra cm menos daquilo que é prejudicial, e vice-versa com relação
àquilo que é um beneficio, então incumbe ao juiz colocar os indivíduos desiguais em uma
situação de paridade, de igualdade absoluta, de acordo com o estado inicial em que se
encontravam antes de se desigualarem reciprocamente.

A justiça é entendida como sendo uma virtude, e, portanto, trata-se de uma aptidão
ética humana de eleger comportamentos para a realização de fins. Tudo parte da reflexão
que faz do homem um ser gregário, e isto por natureza. É certo que a cidade, na acepção
que Aristóteles confere ao termo, não é qualquer comunidade de homens; é, sim, uma
comunidade humana soberana e autossuficiente, autárquica, com vistas ao melhor e não
simplesmente à satisfação das necessidades básicas de subsistência. Justiça e injustiça são
questões atenentes ao campo da razão prática. Aristotelicamente, virtude ética, e nada
mais. Seu campo é o da ponderação entre dois extremos, o da injustiça por carência e o da
injustiça por excesso. Pode-se dizer ainda que a justiça também não é única; Aristóteles
distingue suas espécies para melhor compreender o fenômeno em sua integralidade, e de
modo a recobrir todas as aparições conceituais possíveis da justiça.