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Elida Juliane Twerdochlib


TERAPIA OCUPACIONAL NAS DIFICULDADES Terapeuta Ocupacional, Certificada em
ISA pela USC, Formação Avançada em
ALIMENTARES NA INFÂNCIA: DA AVALIAÇÃO ISA pela Therapy West INC (L.A),
formação no conceito neuroevolutivo
Bobath, Pós graduada em neurologia
AO TRATAMENTO com ênfase em neuropediatria.
INTEGRAÇÃO SENSORIAL DE AYRES
“Processo neurológico que organiza as sensações provenientes do
corpo e do ambiente, que torna possível o uso eficiente do corpo no
ambiente”

(AYRES, 1972 in BUNDY; LANE, 2020)

A teoria de Integração Sensorial de Ayres (ISA) nos ajuda a:

- Explicar o PORQUÊ pessoas se comportam de determinada maneira;

- Desenvolver INTERVENÇÃO para melhorar dificuldades relacionadas ao


processamento sensorial;

- Predizer COMO o comportamento irá mudar devido à intervenção.

(BUNDY; LANE, 2020)


POSTULADOS DA ISA

1) Aprendizagem, no conceito amplo, é dependente da habilidade de processar e


integrar sensações e utilizá-las para planejar e organizar o comportamento.

2) A diminuição na habilidade de processar e integrar sensações pode resultar em


dificuldades de produzir ações apropriadas, as quais, por sua vez, podem interferir na
aprendizagem e no comportamento.

3) Sensações geradas e integradas no contexto do desafio na medida certa contribuem


para melhorar o processamento do sistema nervoso central, estimulando assim a
aprendizagem e o comportamento.
(BUNDY; LANE, 2020)
PROCESSAMENTO SENSORIAL E ALIMENTAÇÃO

“A alimentação, a mais precoce e mais difundida


atividade de vida diária, parece estar relacionada
às habilidades integrativas sensoriais desde o
nascimento até a idade adulta e pode afetar a
ingestão nutricional, bem como a capacidade de
participar de refeições compartilhadas com outras
pessoas.”

(BUNDY; LANE, 2020)


PROCESSAMENTO SENSORIAL E ALIMENTAÇÃO

• A alimentação é a AVD sobre a qual há mais pesquisas


relatando o impacto dos déficits do processamento sensorial;

• Crianças com dificuldades no processamento sensorial tendem a


ter excessiva dificuldade em aceitar alimentos novos e participar
da rotina alimentar da família;

• Comer e beber requer todos os sistemas sensoriais e outras


funções corporais trabalhando bem e de forma coordenada.

(BUNDY; LANE, 2020)


NASCIMENTO AOS 6 MESES
Desenvolvimento Integração Sensorial

• Direciona (reflexivamente) a cabeça em direção ao seio ou a • O toque que a criança recebe enquanto se alimenta provoca
mamadeira quando a boca ou a bochecha são tocados; reflexos precoces e contribui para a coordenação de sucção,
deglutição e respiração;
• Molda o corpo ao cuidador durante a amamentação;
• Os estímulos táteis, gustativos, olfativos e visuais vão contribuir
• Imita de forma espontânea movimentos e expressões faciais
para o desenvolvimento da coordenação olho-mão, na confiança
simples;
do cuidador e no associar sentimentos positivos com as mamadas;
• Progressivamente aumenta o controle de cabeça e começa a
• Os estímulos vestibulares e proprioceptivos permitem que a
virar a cabeça separadamente do corpo;
criança se levante contra a gravidade e se prepare para comer na

• Une as mãos na linha média; vertical.

• Agarra objetos no ambiente, leva as mãos e brinquedos à


boca para explorar;

• Pode começar a comer pequenas quantidades de alimentos.


(BODISON et al, 2010)
7 AOS 12 MESES
Desenvolvimento Integração Sensorial
• Senta-se sozinho; • Conforme o senso de movimento se desenvolve (sistema
vestibular+proprioceptivo), a criança é capaz de manter-se em
• Começa a engatinhar e rastejar, ganhando força posições eretas contra a gravidade e mudar de posição
necessária para o controle postural;
independentemente. Isso apoia a atenção e permite a interação
• Move objetos de um a mão a outra e desenvolve a com outras pessoas durante as refeições;
liberação controlada de objetos;
• Os sentidos do tato, paladar, olfato e propriocepção trabalham
• Começa a explorar utensílios; juntos para fornecer à criança uma compreensão de como mover o
alimento ao redor da boca. Esses sentidos contribuem para o
• Aumenta o envolvimento e a interação com o cuidador desenvolvimento das habilidades de língua, lábios e mandíbula
durante as refeições, inicia brincadeiras como derrubar
necessárias para o sucesso na ingestão de alimentos à mesa.
objetos para que o cuidador alcance e antecipa
movimentos antes do alimento chegar a boca;
• Demonstra consciência de textura, tamanho, temperatura e sabor.
• Continua a explorar com a boca. Aumenta a atividade de língua e lábios enquanto tira o alimento da
colher;

(BODISON et al, 2010)


12 AOS 24 MESES
Desenvolvimento Integração Sensorial

• É capaz de andar, correr e escalar; • O desenvolvimento continuo do sistema vestibular e do


sistema proprioceptivo proporcionam à criança um melhor
• Aumenta a atenção nas refeições, por até 20 minutos;
controle do corpo, permitindo uma vivência mais ampla

• Aumenta a exploração do ambiente; na alimentação;

• Planeja movimentos para comer e explorar simultaneamente; • O refinamento do tato, da visão e da propriocepção ajuda
a criança a desenvolver as habilidades manuais e a
• Cada vez mais independente no uso de ferramentas; graduação dos movimentos das mãos para auxiliar no uso
de utensílios;
• Começa a beber com canudo e em uma variedade de
recipientes; • A medida que o paladar, tato e olfato das crianças se
aprimoram, desenvolvem preferências alimentares com
• Passa a comer uma variedade de alimentos, incluindo sabores
base em sabores e texturas.
mais intensos e texturas misturadas. Ao mesmo tempo
começa a demonstrar preferências alimentares;

• Usa gestos, sons e algumas palavras para comunicar.


(BODISON et al, 2010)
2 A 3 ANOS
Desenvolvimento Integração Sensorial

• Imita sequencias motoras, como fazer um sanduíche ou • Os sentidos de movimento e gravidade são refinados para
tirar comida de uma tigela; que a criança tenha melhor equilíbrio e capacidade de
coordenar a cabeça, pescoço e olhos durante a
• Usa frases para se comunicar; alimentação;

• Responde e busca por elogios; • Os sentidos de tato, paladar, olfato e da propriocepção


têm uma base sólida para movimentos complexos dos
• Alimenta-se independentemente e começa a aprender a
lábios, da língua e mandíbula para morder com controle
cortar alimentos moles;
gradativo, usar padrões mastigatórios complexos e moer
• Limpa a boca; alimentos até a consistência desejada;

• Demonstra habilidades alimentares refinadas ao mastigar. • O refinamento do tato, da propriocepção e do sistema


visual proporciona à criança as habilidades motoras
complexas e de planejamento motor necessárias para o
momento das refeições.

(BODISON et al, 2010)


3 ANOS OU MAIS
Desenvolvimento Integração Sensorial

• Senta-se por longos períodos para participar de encontros • Sente-se mais confortável com a maioria das visões,
sociais em torno da comida; cheiros, sabores e texturas dos alimentos com os quais
normalmente interage;
• Torna-se cada vez mais independente no auxilio da
preparação de alimentos e organização da mesa; • Respostas adaptativas mais complexas;

• Fica mais propenso a provar alimentos novos; • A forte base sensorial permite à criança desenvolver
habilidades necessárias para mover com sucesso todos os
• Melhora a capacidade de mastigar carnes mais duras.
alimentos dentro e ao redor da boca, classificar a
quantidade certa de força de mandíbula para morder,
perceber quando a boca está cheia ou se há pedaços de
comida no rosto que precisam sem limpos;

• Experiências sensoriais pregressas permitem o


desenvolvimento da segurança para novos “testes”.

(BODISON et al, 2010)


DISFUNÇÃO DE INTEGRAÇÃO SENSORIAL

“Se o cérebro fizer um mau trabalho de integração de


sensações, isso vai interferir com muitas coisas na
vida. Haverá mais esforço e dificuldade, e menos
sucesso e satisfação”
(AYRES, 1979, p. 7 in BUNDY; LANE, 2020)
DISFUNÇÕES DE INTEGRAÇÃO SENSORIAL

Pobre
Dispraxia modulação
sensorial

(BUNDY; LANE, 2020)


DISFUNÇÃO DE INTEGRAÇÃO SENSORIAL
CLASSIFICAÇÃO BUNDY E LANE (2020)

Indicadores de Processamento e Indicadores de pobre integração Consequências


Consequências
pobre modulação integração centrais e práxis comportamentais
comportamentais
sensorial inadequados

Baixa autoconfiança

Desafios de engajamento ocupacional


Desafios de engajamento ocupacional

Relacionado e autoestima
Visual
sensorialmente à Pobre controle
desafios com a postural-ocular Palhaçadas
Vestibular
atenção, regulação,

Reatividade sensorial
afeto e atividade. Pobre Evita o engajamento

Percepção sensorial
Hiperresponsivo: Propriocepção
discriminação: em atividades
reações aversivas VBIS
Esquiva e evitação Tátil motoras
e defensivas Tátil
de experiências Proprioceptiva
(Interocepção) Somatodis-
sensoriais Vestibular Pobre coordenação
Hiporresponsivo: praxia
Visual motora grossa, fina e
Baixo registro Auditivo
Busca sensorial Auditiva visomotora
Olfatório
Baixa Pobre esquema Má organização
autoconfiança e corporal
Gustativo
autoestima Busca sensorial

Bundy e Lane (2020) traduzido e adaptado por Sensory


DIS E ALIMENTAÇÃO

• Evidências crescentes de que as propriedades sensoriais dos alimentos podem influenciar as


respostas neofobias alimentares e a eficácia das técnicas de alimentação;
(COULTHARD; THAKKER, 2015)

• A decisão de tentar um novo alimento deve envolver a avaliação de suas características sensoriais,
pois os humanos são programados para evitar o consumo de substâncias que podem,
potencialmente, causar-lhes danos;
(COULTHARD; SAHOTA, 2016)

• Estudos relacionam a DIS o TARE, PICA e Anorexia Nervosa.


(GALIANA-SIMAL et al, 2017)
• Os problemas de processamento sensorial nas seções sensoriais tátil, vestibular e
oral eram mais comuns em crianças com NOFT e problemas de alimentação do que
no grupo de controle. Além disso, foi observado que as dificuldades de
processamento sensorial estavam relacionadas ao atraso no desenvolvimento
cognitivo, motor e de linguagem expressiva;

• Acredita-se que a defensividade sensorial, frequentemente observada em crianças


com NOFT e problemas de alimentação, limita a exploração de seu ambiente e
impede o aprendizado e o desenvolvimento.
DISFUNÇÃO DE INTEGRAÇÃO SENSORIAL
CLASSIFICAÇÃO BUNDY E LANE (2020)

Indicadores de Processamento e Indicadores de pobre integração Consequências


Consequências
pobre modulação integração centrais e práxis comportamentais
comportamentais
sensorial inadequados

Baixa autoconfiança

Desafios de engajamento ocupacional


Desafios de engajamento ocupacional

Relacionado e autoestima
Visual
sensorialmente à Pobre controle
desafios com a postural-ocular Palhaçadas
Vestibular
atenção, regulação,

Reatividade sensorial
afeto e atividade. Pobre Evita o engajamento

Percepção sensorial
Hiperresponsivo: Propriocepção
discriminação: VBIS em atividades
reações aversivas
Esquiva e evitação Tátil motoras
e defensivas Tátil
de experiências Proprioceptiva Somatodis-
(Interocepção)
sensoriais Vestibular praxia Pobre coordenação
Hiporresponsivo:
Visual motora grossa, fina e
Baixo registro Auditivo
Busca sensorial Auditiva visomotora
Olfatório
Baixa Pobre esquema Má organização
autoconfiança e corporal
Gustativo
autoestima Busca sensorial

Bundy e Lane (2020) traduzido e adaptado por Sensory


MODULAÇÃO SENSORIAL

• Habilidade do sistema nervoso central de gerar


respostas frente a intensidade, frequência,
duração, complexidade e novidade da
informação sensorial.

• O nível de atividade mental, físico e emocional


são dependentes do processo de modulação.

• Hipótese que disfunções de modulação


podem ter suas raízes nas regiões límbicas e no
hipotálamo.
(BUNDY; LANE, 2020)
Bundy e Lane (2020) Traduzido e adaptado por Sensory
MODULAÇÃO SENSORIAL

• A hiporresponsividade sensorial pode ser difícil de ser diferenciada de uma pobre


discriminação.

• A criança controlada cronicamente pela hiperresposta pode ter uma menor


oportunidade de explorar apropriadamente o ambiente, o que pode acarretar em déficits
no desenvolvimento percepto motor.
(BUNDY; LANE, 2020)

• Déficits motores orais podem ser observados em crianças com aversão oral porque
essas crianças muitas vezes recusam os alimentos necessários para construir
habilidades.
(EDWARDS et al, 2015)
MODULAÇÃO SENSORIAL

Um estudo demonstrou que a associação entre a neofobia alimentar e a sensibilidade


tátil observada na criança também está presente na amostra de adultos. Isso sugere
que a relação entre essas duas variáveis ​podem permanecer estáveis ​ao longo da
vida, e que o processamento sensorial tem impacto contínuo na aceitação de
alimentos. Isso é apoiado por pesquisas recentes que descobriram que adultos com
comportamento alimentar exigente apresentaram níveis mais elevados de
sensibilidade sensorial.

(COULTHARD; SAHOTA, 2016)


SINAIS DE RISCO EM RELAÇÃO À
MODULAÇÃO SENSORIAL
SINAIS DE HIPERRESPOSTA TÁTIL RELAÇÃO COM ALIMENTAÇÃO
• Resposta exagerada • Reações emocionais exageradas enquanto come
• Irritabilidade, cautela, ansiedade • Fazer ânsia
• Alteração do estado de alerta/ nível de • Dificuldade em manter-se sentado
atividade • Limitação no repertório de comidas (visual, sabor,
• Alterações na participação social textura, temperatura, novidades, etc)
• Tendência a preferir comidas crocantes
• Pobre exploração oral
• Preferência em utilizar ferramentas
• Pobre sucção na infância
• Comportamento controlador na hora da
alimentação
• Evita sujar-se
• Evitam texturas mistas

(SURFUS, 2018)
SINAIS DE RISCO EM RELAÇÃO À
MODULAÇÃO SENSORIAL

SINAIS DE RESPOSTAS ATÍPICAS ÀS SENSAÇÕES RELAÇÃO COM A ALIMENTAÇÃO


• Respostas desproporcionais ao gosto, cheiro e • Recusa em estar no mesmo ambiente que o
aparência dos alimentos alimento
• Alteração no nível de alerta/ nível de • Recusa em provar novos alimentos
atividade • Respostas autonômicas ao apresentar alimentos
que não são preferidos, alimentos novos ou
aqueles provaram anteriormente, mas que
geraram experiências negativas

(SURFUS, 2018)
DISCRIMINAÇÃO SENSORIAL

Discriminação envolve a habilidade de identificar as qualidades espaciais e temporais das


sensações. A inadequada discriminação sensorial comumente está relacionada com déficits
no planejamento motor.

• É uma função neurológica complexa que pode ser alterada pela experiência, estado
psicológico e pelo ambiente.

• Precisão e eficiência na discriminação em todos os sistemas sensoriais contribuem para a


capacidade de um individuo realizar ocupações básicas como ler, comer, se vestir, etc...

(BUNDY; LANE, 2020)


SINAIS DE RISCO EM RELAÇÃO À
DISCRIMINAÇÃO TÁTIL

FUNÇÃO RELAÇÃO COM A ALIMENTAÇÃO


• Consciência corporal (mapa) • Pobre consciência oral
• Coordenação dos • Enchem a boca de comida
movimentos • Impacta na práxis oral
• Características têmporo- • Cuidado extremo com as comidas que
espaciais do estímulo ou aceitam, tendem a comer apenas
objeto papinhas ou purês
• Tendem a babar
• Tendem a manter a comida na boca e
não percebem
• Engolem antes de mastigar bem a
comida, alto risco de engasgo.
(SURFUS, 2018)

*IMAGEM DE USO EXCLUSIVO PARA O CURSO.


PROIBIDA DIVULGAÇÃO E REPRODUÇÃO EM REDES SOCIAIS.
SINAIS DE RISCO EM RELAÇÃO À
DISCRIMINAÇÃO PROPRIOCEPTIVA

FUNÇÃO RELAÇÃO COM ALIMENTAÇÃO


• Calibração do • Dificuldade na calibração e
movimento coordenação dos movimentos da
• Consciência corporal mandíbula
• Tônus muscular • Altera os movimentos da língua e dos
lábios
• Problemas relacionados à práxis oral
• Atraso motor oral
• Impacta na coordenação mão-boca e
no uso de ferramentas
• Criança “desengonçada”
(SURFUS, 2018)

*IMAGEM DE USO EXCLUSIVO PARA O CURSO.


PROIBIDA DIVULGAÇÃO E REPRODUÇÃO EM REDES SOCIAIS.
SINAIS DE RISCO EM RELAÇÃO À
DISCRIMINAÇÃO VESTIBULAR

FUNÇÃO RELAÇÃO COM ALIMENTAÇÃO


• Posicionamento contra a • Dificuldade em manter-se sentado
gravidade • Impacta na estabilidade das estruturas
• Estabilidade escapular e orais
de pescoço • Limita a dissociação de movimentos
• Estabilidade do campo orais
visual • Esforço e fadiga durante a mastigação
(comumente evita comer alimentos
sólidos)
• Move-se muito/ dorme
(SURFUS, 2018)

*IMAGEM DE USO EXCLUSIVO PARA O CURSO.


PROIBIDA DIVULGAÇÃO E REPRODUÇÃO EM REDES SOCIAIS.
PRÁXIS ORAL
• Dificuldade em planejar e realizar os movimentos dos alimentos dentro da
boca;

• Apresentam limitação em mover os alimentos na linha média e lateralmente;

• Podem ter dificuldades em entender como colocar um pedaço de comida na


boca;

• Provavelmente terão problemas em utilizar ferramentas para a alimentação ou


para preparação de refeições simples;

• Pode apresentar comportamento rígido em relação ao que aceita (marcas,


formatos, cores, etc) o que pode ser confundido como uma resposta
unicamente comportamental.

(SURFUS, 2018)
RACIOCÍNIO CLÍNICO PARA AVALIAÇÃO
DA ALIMENTAÇÃO BASEADA NA TEORIA
DA INTEGRAÇÃO SENSORIAL
PROCESSO DE AVALIAÇÃO

• Descrição abrangente do problema, incluindo a preocupação do cuidador e o impacto na hora das refeições;

• História pregressa;

• Registro da alimentação de vários dias (no mínimo 03); Módulo 01

• Descrição da dieta atual, incluindo preferencias e evitações;

• Observação da criança durante uma refeição típica (presencial ou gravada);

• Avaliações formais;

• Avaliações informais: observação do planejamento motor e respostas a uma variedade de estímulos sensoriais;
AVALIAÇÕES FORMAIS DE IS

PERFIL SENSORIAL 02
• Validado e traduzido para o português;

• Largamente utilizado em pesquisas científicas sobre


processamento sensorial e alimentação;

• Baseado no modelo conceitual da modulação sensorial,


compreendendo dois contínuos: (1) limiares neurológicos e
(2) mecanismos de autorregulação;

• Contras: é pontuado segundo a percepção do observador.


AVALIAÇÕES FORMAIS DE IS

SIPT – SENSORY INTEGRATION AND PRAXIS TEST

• Avalia a percepção tátil, visual, vestibular e


proprioceptive;

• Não avalia aspectos da modulação.


AVALIAÇÕES FORMAIS DE IS

SOSI – M: STRUCTURED OBSERVATIONS


OF SENSORY INTEGRATION-MOTOR

• Avalia o processamento sensorial vestibular e


proprioceptivo, controle postural e planejamento
motor.

• Não avalia aspectos da modulação.


AVALIAÇÕES INFORMAIS

Conhecimentos
sobre a Interpretação
Comportamento Base teórica alimentação da razão da
sólida sobre IS típica e dificuldade
desenvolvimento alimentar
infantil
AVALIAÇÃO – RESPOSTAS ATÍPICAS ÀS SENSAÇÕES / DEFENSIVIDADE SENSORIAL
o Extremamente sensível ao som do ambiente na hora das refeições;
o Extremamente sensível à luz e os movimentos do ambiente;
o Distrai-se com facilidade, não finalizando as refeições;
o Necessita constantemente de distratores para aceitar os alimentos;
QUEIXAS COMUNS NO MOMENTO DA
o Sente cheiros que as outras pessoas não notam;
ALIMENTAÇÃO
o Rigidez com a apresentação, sabores, cheiros, temperatura, cores, etc;
o É difícil de ser convencido a provar um novo alimento;
o Enjoa com facilidade.

o Verificar a reação da criança frente a estímulos diversos (usar espuma com cheiro,
sons diversos no ambiente, etc;
o Analisar sinais de alterações no nível de alerta ou sobreuso proprioceptivo;
AVALIAÇÃO NÃO ESTRUTURADA o Considerar a presença de sinais de ativação de SNA: fuga, luta, congelamento,
GINÁSIO DE IS sudorese, esvaziamento de bexiga, dilatação de pupila, alterações na frequência
respiratória, lacrimejamento ou espasmos nos olhos, mudança na coloração da pele,
etc...

o Como a criança reage a estímulos dos alimentos não familiares?


AVALIAÇÃO NÃO ESTRUTURADA o Há presença de ânsia?
ALIMENTAÇÃO o Há sinais de ativação de SNA?

o Questionário para pais: SPM, Perfil Sensorial.


TESTES PADRONIZADOS
ATENÇÃO

• As vezes é difícil determinar se a criança reage excessivamente ao gosto


exclusivamente, pois muitas vezes a sensibilidade à textura está associada.

• Quando as crianças reagem negativamente ao ver determinado alimento, é


mais provável que isso ocorra por experiências prévias negativas com o
alimento específico, ou algo semelhante a ele.

(SURFUS, 2018)
AVALIAÇÃO DO SISTEMA TÁTIL – HIPERREATIVIDADE/ DEFENSIVIDADE TÁTIL

o Não aceita alimentos com texturas variadas;


o Grande irritabilidade no momento das refeições;
QUEIXAS COMUNS NO MOMENTO DA
o Percebe mínimas variações nos alimentos;
ALIMENTAÇÃO
o Grande rigidez em relação à marcas e tendência a preferir industrializados;
o Incomoda-se em sujar o rosto ou as mãos na hora das refeições.
o Verificar a reação da criança frente aos estímulos táteis;
o Como a criança reage frente ao toque inesperado;
AVALIAÇÃO NÃO ESTRUTURADA GINÁSIO o Analisar sinais de alterações no nível de alerta ou sobreuso proprioceptivo;
DE IS o Considerar a presença de sinais de ativação de SNA: fuga, luta ou congelamento
(sudorese, esvaziamento de bexiga, dilatação de pupila, alterações na frequência
respiratória, lacrimejamento ou espasmos nos olhos, mudança na coloração da pele, etc...)
o Pega alimentos com os dedos ou fica incomodado em estar sujo? Solicita ser alimentado?
o Resiste a ficar a mesa junto de um alimento?
o Percebe e incomoda-se com o alimento que sai da boca?
AVALIAÇÃO NÃO ESTRUTURADA
o Engole o alimento rapidamente?
ALIMENTAÇÃO
o Apresenta rigidez em relação a apresentação?
o Atentar-se a respostas de SNA ao apresentar o alimento.
o Apresenta alterações de comportamento?
o Questionário para pais: SPM, Perfil Sensorial.
TESTES PADRONIZADOS
Família com queixa de
diminuição substancial na
variedade dos alimentos aceitos
pela criança. Presença de
comportamentos inadequados
como só aceitar ser alimentado
em frente a televisão, restrição
quanto a marca, fugas durante
a refeição, etc...

*IMAGEM DE USO EXCLUSIVO PARA O CURSO.


PROIBIDA DIVULGAÇÃO E REPRODUÇÃO EM REDES SOCIAIS.
AVALIAÇÃO – SISTEMA TÁTIL

Face

• Via trigemino talâmica.

Restante do corpo

• Via Coluna Dorsal Lemnisco


Medial

• Sistema Anterolateral

(BUNDY; LANE, 2020)


AVALIAÇÃO DO SISTEMA TÁTIL

• Não utilizer apenas alimentos como recursos


avaliativos (pode ser um viés);

• Oferta de estímulos táteis variados: areia, grama, grãos,


amoeba/slime, adesivos, espulma, sopro, etc…

• Importante lembrar de avaliar a resposta SEM a criança


visualizar o estímulo;
DEFENSIVIDADE TÁTIL

• A identificação da defensividade tátil é possível através de um padrão consistente (ou


seja, número suficiente de reações adversas ou negativas ao toque). Isso é
particularmente importante quando consideramos a camada afetiva ou emocional que
pode ocorrer na hiperresposta tátil.

(BUNDY; LANE, 2020)

• As pontuações de neofobia alimentar diminuíram conforme a pontuação do jogo tátil


aumentou. Os resultados reforçam a ideia de que o processamento tátil pode estar
associado à aceitação da variedade de alimentos;
(COULTHARD; THAKKER, 2015)
SUGESTÃO DE LEITURA:
AVALIAÇÃO – INSEGURANÇA GRAVITACIONAL

o Aceita beber apenas com canudo para não ter que virar a cabeça para trás;
o Não senta no cadeirão;
QUEIXAS COMUNS NO MOMENTO DA
o Fica extremamente ansioso no momento das refeições;
ALIMENTAÇÃO
o Aparenta estar sempre ansioso ou com medo;
o Necessita constantemente de distratores.
o Observar como a criança explora o setting terapêutico (apresenta mais cautela do que
as crianças da mesma faixa etária, demonstra interesse em ir nos equipamentos suspensos,
etc...);
o Avaliar como reage ao ser movida no espaço;
AVALIAÇÃO NÃO ESTRUTURADA GINÁSIO
o Ofertar equipamentos suspensos e avaliar como a criança reage;
DE IS
o Solicitar que salte de uma superfície elevada e avaliar a resposta;
o Observar sinais de SNA: fuga, luta ou congelamento (sudorese, esvaziamento de bexiga,
dilatação de pupila, alterações na frequência respiratória, lacrimejamento ou espasmos
nos olhos, mudança na coloração da pele, etc...)
o A criança aceita sentar em uma cadeira sem apoio dos pés?
o Como é o nível de alerta nessa atividade?
AVALIAÇÃO NÃO ESTRUTURADA
o Há a presença de sinais de ativação de SNA?
ALIMENTAÇÃO
o A criança solicita estar no colo dos pais durante a refeição?
o Como é o nível de atividade durante essa tarefa?
o Questionário para pais: SPM, Perfil Sensorial.
TESTES PADRONIZADOS
Criança com queixa de
que não comer em
restaurantes ou outros
ambientes. Família
restringia os passeios e
acreditava que a criança
só “gostava” da comida
preparada pelos pais.

*IMAGEM DE USO EXCLUSIVO PARA O CURSO.


PROIBIDA DIVULGAÇÃO E REPRODUÇÃO EM REDES SOCIAIS.
ATENÇÃO

• Ansiedade e stress podem ampliar as respostas defensivas;

• O sistema de estresse serve como um sistema de monitoramento ativo que trabalha


constantemente para comparar eventos no agora com eventos no passado;

• A relevância do evento atual para a sobrevivência do organismo dita a importância


do evento, que determina quais mecanismos de enfretamento serão acionados para
lidar com a situação.

(BUNDY; LANE; MURRAY, 2002)


AVALIAÇÃO CONTROLE POSTURAL-OCULAR
o Escorrega da cadeira;
o Come enquanto mantém-se apoiado nos cotovelos;
QUEIXAS COMUNS NO MOMENTO DA
o Aparenta desinteresse pelo momento da refeição;
ALIMENTAÇÃO
o Evita alimentos sólidos;
o Faz muita “bagunça” enquanto come.
o Como a criança mantém a postura enquanto balança em prono?
o Como estão as estruturas de tronco superior? (parte superior das costas enrugada e
redução da escápula podem estar relacionadas à diminuição de uma extensão
antigravitacional);
AVALIAÇÃO NÃO ESTRUTURADA
o Brincar de transpor superficies de diferentes caracteristicas (mais firmes e mais
GINÁSIO DE IS
instáveis) e comparar com o desempenho esperado de crianças na mesma faixa
etária;
o Engaja em brincadeiras de movimento desde com sustentação?
o Como a criança senta? Necessita estar constantemente apoiada? Senta em W?
o Como a criança permanece sentada a mesa;
o Há sinas de pobre estabilidade de mandíbula?
AVALIAÇÃO NÃO ESTRUTURADA o A criança tem dificuldades de manejar e manter o alimento dentro da boca;
ALIMENTAÇÃO o A criança tem dificuldades em manter a postura e parece escorregar da cadeira;
o Demonstra desinteresse pela atividade?
o SOSI – M (extensão em prono, Schilder Modificado e controle postural em
TESTES PADRONIZADOS
pé)
AVALIAÇÃO SISTEMA SOMATOSSENSORIAL – DISCRIMINAÇÃO
o Prefere alimentos com sabores e texturas intensas;
o Faz muita bagunça no momento das refeições;
o Come sempre as mesmas coisas;
QUEIXAS COMUNS NO MOMENTO DA o Engasga-se com frequência ou enche demasiadamente a boca;
ALIMENTAÇÃO o Rigidez em relação à marcas e tendência a preferir industrializados;
o Não consegue mastigar determinados alimentos;
o “Esquece” a comida dentro da boca;
o Não nota se suja o rosto ou as mãos na hora das refeições.
o É capaz de identificar objetos sem a visão?
o Como é a imitação ampla e oral?
o Como é a manipulação de objetos;
AVALIAÇÃO NÃO ESTRUTURADA
o Consegue realizar correções das ações (feedback)
GINÁSIO DE IS
o Tende a esbarrar-se nos objetos e pessoas?
o Como organiza-se para ir nos equipamentos;
o É capaz de planejar-se motoramente apenas com comandos verbais?
o Avaliar como maneja comidas e alimentos na boca: excesso de saliva, reflexo de
gag, morder a bochecha, engolir o alimento antes de estar completamente
AVALIAÇÃO NÃO ESTRUTURADA mastigado;
ALIMENTAÇÃO o Percebe o alimento ao entorno da boca ou o líquido extravasando?
o Quantidade de alimento que leva a boca é exagerada?
o Demonstra preferencias por temperaturas, sabores ou texturas mais extremas?
o Questionário para pais: SPM, Perfil Sensorial.
TESTES PADRONIZADOS o Alguns testes do SIPT
o SOSI - M
Família com
queixa de a
criança aceitar
variedade
pequena de
alimentos.

*IMAGEM DE USO EXCLUSIVO PARA O CURSO.


PROIBIDA DIVULGAÇÃO E REPRODUÇÃO EM REDES SOCIAIS.
AVALIAÇÃO PRÁXIS ORAL
o Comportamento rígido em relação à variedade de alimentos aceitos;
o Presença de GAG anteriorizado;
o Cospe a comida;
QUEIXAS COMUNS NO MOMENTO DA o Aparenta dificuldades em manipular alimentos dentro da boca;
ALIMENTAÇÃO o Usa os dedos para ajudar a mover o alimento dentro da boca;
o Mantém o alimento na boca sem mastigá-lo;
o Parece não saber como comer determinados alimentos;
o Necessita que o cuidador leve a comida a boca;
o É capaz de realizar imitações?
o Avaliar habilidades de feedback e feedforward;
AVALIAÇÃO NÃO ESTRUTURADA o É capaz de realizar imitações de expressões faciais?
GINÁSIO DE IS o É capaz de utilizer brinquedos de sopro?
o Como é o esquema corporal?
o Cruza a linha média e realiza atividades de integração bilateral?
o Necessita de dicas verbais para manejar o alimento na boca?
o O tempo para alimentar-se é maior que a maioria das crianças da mesma faixa
etária?
AVALIAÇÃO NÃO ESTRUTURADA o Necessita de assistência para pegar o alimento?
ALIMENTAÇÃO o Lateraliza os alimentos?
o Abre a boca com o tamanho adequado para o tipo de alimento?
o Parece realizar esforço maior que o necessário para se alimentar?
o SIPT – Teste de Práxis oral (Imitar, planejar e executar movimentos de lábios, lingua
TESTES PADRONIZADOS e mandíbula)
Família com queixa de que
a criança comia apenas
uma mistura de alimentos
cozidos na panela de
pressão. Ficava o dia todo
sem comer nada na escola
e havia uma grande
limitação na participação
social da família. Quando
viajam a mãe tinha que
levar a panela de pressão
na mala para não correr o
risco da criança ficar sem
se alimentar.

*IMAGEM DE USO EXCLUSIVO PARA O CURSO.


PROIBIDA DIVULGAÇÃO E REPRODUÇÃO EM REDES SOCIAIS.
INTERVENÇÃO

• Trabalho direto com a criança e com a família;

• Intervenção focada na DIS;

• Aproximações progressivas e baseadas na abordagem responsiva;

• Indicação de modificações ambientais;

• Orientações de acomodações sensoriais.


“A essência da terapia de ISA é a sensação aprimorada do movimento ativo,
cuidadosamente combinada com as necessidades e estado de uma criança a fim de (a)
ajudar na regulação da excitação para apoiar o engajamento e (b) melhorar o esquema
corporal e o controle postural para um melhor planejamento motor”

(BUNDY; LANE, 2020)


DEFENSIVIDADE SENSORIAL

Você aceitaria comer algo que nem aceita tocar?


DEFENSIVIDADE SENSORIAL

• A defensividade sensorial pode ocorrer em qualquer sistema sensorial: tátil, auditivo e assim por
diante;

• A intervenção para a melhora da defensividade sensorial em qualquer sistema envolve o


movimento ATIVO que produz input vestibular, proprioceptivo e tátil.

• Ayres (1972) também sugeriu que certas sensações têm efeito central, por isso fornecer
informações a algumas áreas deveria ser suficiente, não sendo necessário promover inputs em
todo o corpo. Exceto a boca e a face.

(BUNDY, LANE, 2020)


ATENÇÃO!

• Se a criança tem dificuldades com o olfato,


provavelmente você necessitará utilizar
estratégias compensatórias e/ou algumas
estratégias cognitivas-comportamentais
para ajudá-la a entender como lidar com o
cheiro, ou entender que alguns cheiros
podem ser inicialmente fortes, mas depois
tornam-se menos incômodos.
(SURFUS, 2018)
Em geral, o TATO PROFUNDO, a PROPRIOCEPÇÃO e o
input VESTIBULAR LINEAR e LENTO são mais facilmente
tolerados. Então quando a criança é particularmente
defensiva iniciamos com esses.

(BUNDY; LANE, 2020)


“A sensação aprimorada que promove
a modulação deve ser SEMPRE
construída em uma atividade
significativa com a participação
ATIVA, e não administrada de forma
passiva”

(BUNDY; LANE, 2020)


À medida que as crianças se tornam mais capazes de modular as sensações,
elas são capazes de se envolver em atividades que produzem sensações
relativamente intensas ou imprevisíveis.
Atenção, o tratamento que promove modulação NÃO DEVE ser confundido
com abordagens de dessensibilização. A dessensibilização envolve repetidas
estimulações para que o indivíduo habitue-se ao estímulo.
(BUNDY; LANE, 2020)
DEFENSIVIDADE TÁTIL ORAL

Crianças que são particularmente defensivas ao redor da face e da


boca podem necessitar de experiências com inputs diretos nessas
áreas.

(BUNDY; LANE, 2020)

• Consulta prévia com dentista;

• Apresente e aproxime os recursos orais antes de solicitar que a criança os leve a


boca;

• Uso combinado de estímulos regulatórios (vestibular lento e linear, propriocepção e


tato profundo).

(LOWSKY, 2015)
DEFENSIVIDADE TÁTIL ORAL

• Uso de vibração: Permita que a criança escolha qual


recurso quer usar (desde que eles atendam o
objetivo). Às vezes a antecipação do desconhecido
pode elicitar o comportamento não cooperativo;

• Realize tato profundo e propriocepção antes de


inserir os alimentos;

• Orientar fonoaudióloga sobre estímulos modulatórios.


(LOWSKY, 2015)
INSEGURANÇA GRAVITACIONAL

• A intervenção na insegurança gravitacional (IG) envolve atividades que promovam


propriocepção e movimentos lineares (vestibular), somados com demandas visuais simples;

• O controle da criança é importantíssimo para crianças com IG;

• Manter os pés da criança no chão durante atividades que envolvam o estímulo vestibular
pode gerar a segurança necessária para o desempenho. Portanto, para crianças com IG a
orientação quanto às cadeiras de alimentação e o posicionamento são particularmente
importantes.

(BUNDY; LANE, 2020)


• Atividades que permitam que a criança toque
os pés nos chão ou perto dele fornecem
informações táteis e proprioceptivas promovem
o “aterramento”;

• Crianças com insegurança gravitacional


necessitam de maior suporte e encorajamento
do terapeuta;

• Ser puxado pelas mãos do terapeuta para


iniciar o movimento proporciona input tátil e
proprioceptivo, além de garantir um ponto visual
fixo. Portanto, pode ser uma ótima maneira do
terapeuta se posicionar.

(BUNDY; LANE, 2020)


NÃO ADIANTA FALAR PARA A CRIANÇA QUE
AQUELE ESTÍMULO NÃO É AMEAÇADOR,
PARA O CÉREBRO DELA O PERIGO É REAL!

A MODULAÇÃO NÃO CHEGA ÀS ÁREAS DE


COGNIÇÃO!

SE UMA CRIANÇA É HIPERRESPONSIVA,


EXPÔ-LA DELIBERADAMENTE AO ESTÍMULO
SÓ AUMENTA SUA REATIVIDADE.
CONTROLE POSTURAL OCULAR

• Engolir é um dos padrões de movimentos mais complexos que precisamos realizar durante o dia. O
alinhamento postural afeta o padrão de respiração e influencia o alinhamento das estruturas orais,
faríngeas e os músculos abdominais, afetando dessa forma o transporte do alimento através do
trato digestivo;

• Crianças com dificuldades posturais podem ficar inquietas nas cadeiras, tender a uma posição
reclinada ou ficar em pé e se mover ao redor da mesa na tentativa de prevenir ou minimizar
desconfortos;

• O tratamento bem-sucedido de problemas de alimentação deve incluir avaliação da postura, tônus


e padrões de movimento que fornecem a base de suporte para a atividade.

(DONATO et al, 2008)


CONTROLE POSTURAL OCULAR
• Postura hiper cifótica sentado:

- Torna a respiração mais difícil;

- Altera a linha de tração muscular da língua,


mandíbula e estruturas de deglutição;

- Aumenta a pressão do abdômen (o que pode


aumentar o refluxo e tornar a digestão mais
difícil).
(DONATO et al, 2008)
CONTROLE POSTURAL OCULAR
• A pobre discriminação vestibular e proprioceptiva pode ser manifestada de várias maneiras,
mas mais comum é a dificuldade em relação ao controle postural;

• O controle postural tônico é dependente do equilíbrio entre flexão e extensão.

PROMOVENDO A EXTENSÃO TÔNICA PROMOVENDO A FLEXÃO TÔNICA


• Deitar de barriga para baixo no • Criança deitada em supino deve
balanço e derrubar objetos a frente; assoprar bolas de sabão, posicionadas
• Pintar uma superfície horizontal estrategicamente pelo terapeuta;
enquanto permanece deitado de • Chutar uma bola enquanto esta
barriga sobre uma bola ou rolo; deitado em supino;
• Balançar-se no frog swing; • Permanecer agarrado no pneu ou
• Alcançar ou lançar objetos enquanto bolster, enquanto prepara-se para cair
permanece na rede de pescador; nos almofadões;
• Descer de barriga para baixo no • Agarrar objetos no chão enquanto
skate sobre a rampa; permanece no frog swing;
• Etc.. • Etc…
(BUNDY, LANE, 2020)
INTERVENÇÃO – DISCRIMINAÇÃO
SOMATOSSENSORIAL
• As dificuldades de discriminação sensorial podem ocorrer
independentemente, mas são mais comuns em criança com dispraxia;

• Promover o aumento da discriminação tátil envolve sensações táteis e


proprioceptivas aprimoradas, bem como atividades que requerem que a
criança distinga as qualidades espaciais do toque;

• Utilizar uma variedade de diferentes formas, tamanhos e texturas pode


fornecer entrada tátil aprimorada.
(BUNDY; LANE, 2020)
SUGESTÕES DE ATIVIDADES

• Puxar uma substância resistente através de um


canudo (por exemplo: iogurte grego);
• Morder objetos ou brinquedos;
• Mastigar balas ou chicletes;
• Alternar alimentos crocantes com alimentos
macios;
• Utilizar colheres e objetos texturizados;
• Incrementar com sabores mais intensos como
picante, salgado, ácido, etc...;
• Massagens e batidas no rosto (você pode colocar
isso dentro de brincadeiras de imitação ou com
músicas, por exemplo);
• Utilizar talheres ou copos pesados;
• Brincar de morder e puxar;

(SURFUS, 2018)
INTERVENÇÃO – PRÁXIS ORAL
SUGESTÕES DE ATIVIDADES

• Incorporar atividades de discriminação somatossensorial;


• Quando estiver trabalhando com os alimentos, posicione-os nas
laterais para que a criança necessite deslocá-lo até a linha
média;
• Brinque de levar os alimentos de um lado ao outro da boca;
• Inicialmente permita que a criança utilize os dedos para mover os
alimentos dentro da boca;
• Usar uma variedade de canudos com espessuras diferentes;
• Brincar de imitar expressões faciais e mordidas de diferentes
animais;
• Brincar de pegar os alimentos sem utilizar as mãos;
• Permita que a criança observe o adulto comendo, faça
movimentos marcados da mastigação.
(SURFUS, 2018)
INTERVENÇÃO –
PRÁXIS ORAL

• Dica de atividade: Você pode


brincar de “pega-pega” e solicitar
que a criança leve um alimento
depositado na borda externa da
boca, nos lábios, etc até dentro da
boca... Para facilitar você pode
permitir que a criança observe os
movimentos no espelho ou
câmera do celular. Trata-se de
uma brincadeira que as crianças
tendem a gostar e estimula
significativamente os movimentos
de língua, mandíbula e lábios.
IMPORTANTE
• Devemos sempre estar atentos ao formato dos alimentos apresentados para
as crianças com dificuldades na práxis oral a fim de evitar sufocamento,
principalmente alimentos redondos (ex: tomates, uvas, ovos de codorna,
cerejas, etc...)
IMPORTANTE
SUGESTÃO DE ESTRUTURA DE SESSÃO

PREPARAÇÃO HORA DO LANCHE DEVOLUTIVA


• Duração de aproximadamente 15
• Duração de aproximadamente • Exposição do que foi realizado
minutos;
30 minutos; com a criança e quais objetivos
• Trabalho diretamente com o
foram atingidos;
• Regulação do nível de alerta; alimento;

• Finalização da tarefa e organização • Orientações para casa;


• Atividades preparatórias
do ambiente segundo as habilidades
segundo a demanda da criança; da criança; • As vezes essa etapa é realizada
através de ligações/mensagens
• Abordagem responsiva.
após a sessão.
RECURSOS TERAPÊUTICOS

• Z-vibe:
• O Z-Vibe® da ARK é uma ferramenta vibratória;

• Utilizada para casos de déficits na modulação, a vibração pode


ser um estímulo calmante (vibração ativa proprioceptores). Nos
casos de déficits na discriminação sensorial, a vibração suave e
favorece o aumento do foco oral;

• Pode ser utilizado com diversas ponteiras que complementam a


funcionalidade.

Preço médio: (caneta vibratória, 1 bateria e uma ponteira): R$


500,00

(LOWSKY, 2015)
• Ponteiras (Z-Vibe ®)
• Existem diversas ponteiras disponíveis, cada uma possui
sua especificidade. Há ponteiras em formato de escova
que favorecem maior input sensorial, ponteiras mais
rígidas que permitem que a criança morda e obtenha
maior resistência, ponteiras em formato de colher para
que a criança consiga comer utilizando o z-vibe, etc. A
escolha deve ser baseada na necessidade da criança no
momento.

Preço médio: R$120,00 a R$220,00

(LOWSKY, 2015)
ARK’S GRABBER®

• Os mordedores da ARK vêm em três níveis de resistência, os quais são


codificados por cores. O nível padrão/macio é recomendado para
aqueles com força de mandíbula limitada ou mastigadores suaves. O
nível médio (XT) é mais firme, mas ainda de borracha, para mastigação
moderada. O XXT é o mais rígido (a opção mais duradoura para
mastigação mais ávida);
médio
• Eles podem ser comprados em duas diferentes versões: a original e a
macio firme
texturizada (que possui maior número e tipo de inputs sensoriais);

• Devido à presença da alça são fáceis da criança segurar e favorecem o


alcance nas áreas posteriores da boca. São higienizáveis facilmente.

Preço médio: R$92,00 a R$180,00

(LOWSKY, 2011)
Alimentador de silicone:

• Esse alimentador permite que a criança


prove o sabor sem tanta interferência em
relação às propriedades táteis, auxiliando,
por exemplo, a reduzir a apreensão em
relação à textura. É um recurso com o
qual a criança pode levar o alimento a
boca de forma independente;

•Esse alimentador é facilmente


higienizável, diferentemente das redes
alimentadoras.

Preço médio: R$30,00


Copos com tampas e/ou canudos.

• As tampas e canudos evitam que o


cheiro chegue de forma intensa e
abrupta às narinas.
• Os canudos podem ser uma forma de
proporcionar maior entrada
proprioceptiva, sendo possível graduar de
acordo com a espessura do líquido.

Preço médio: variável de acordo com o


modelo e fabricante.
Chicletes

• Chicletes podem ser utilizados para melhorar a coordenação dos movimentos mastigatórios, diminuir
hábitos orais não desejados e aumentar a entrada proprioceptiva.

• Muitas crianças consideram divertido mascar vários chicletes ao mesmo tempo.


• Devemos estar totalmente atentos às habilidades da criança a fim de evitar engasgos.
(VUKELICH, 2021)
Colher texturizada:

• As colheres texturizadas fornecem maior entrada


sensorial durante o momento da alimentação, o que
pode ser um recurso valioso para crianças com déficits
na discriminação tátil.

• Existem colheres de diferentes formatos e tamanhos,


dessa forma a escolha deve ser individualizada,
considerando as habilidades e limitações. Por exemplo,
existem colheres planas que são indicadas para
crianças com controle labial ineficiente ou dificuldades
para remover os alimentos de colheres tradicionais.

Preço médio: variável.


REFERÊNCIAS
BODISON, S; HSU, V.; HURTUBISE, C.; SURFUS, J. Sensory Integration: Answers For Mealtime Success: PTN, 2010.

BUNDY, A; SHELLY, J. L. MURRAY, E. A. Sensory Integration: Theory and Practice. 2 ed. Philadelphia, PA: F. A. Davis Company, 2002

BUNDY, A; SHELLY, J. L. Sensory Integration: Theory and Practice. 3 ed. Philadelphia, PA: F. A. Davis Company, 2020.

DONATO, J; FOX, C; MORMON, J; MORMON, M. Feeding & Motor Functioning: Start at the Hips to Get to the lips. Exceptional Parent , v38 n6 p64-66 Jun
2008

COULTHARD, H; THAKKER, D. Enjoyment of Tactile Play Is Associated with Lower Food Neophobia in Preschool Children. JOURNAL OF THE ACADEMY OF
NUTRITION AND DIETETICS. v. 115, n. 7, Jul, 2015

COULTHARD, H; SAHOTA, S. Food neophobia and enjoyment of tactile play: Associations between preschool children and their parents. Appetite. V. 97, 2016

EDWARDS, S. et al. Interdisciplinary Strategies for Treating Oral Aversions in Children. Journal of Parenteral and Enteral Nutrition. V. 39. n. 8.
nov. 2015.

GALIANA-SIMAL, A.; MARTINEZ, V. M.; FERNANDEZ, L. B. Connecting Eating Disorders and Sensory Processing Disorder: A Sensory Eating Disorder
Hypothesis. Glob J Intellect Dev Disabil. V. 3, n. 3. 2017
REFERÊNCIAS

LOWSKY, D. C. Tips & Techniques for the Grabber Family. Ark Therapeutic Services, 2011.

LOWSKY, D. C. Tips & Techniques for the Z-vibe & Z-Grabber. Ark Therapeutic Services, 2015.

SURFUS, J. USC Sensory Integration Continuing Education Certificate Program Special Topics in Sensory Integration: Sensory-
Based Feeding and Eating Challenges, 2018

VUKELICH, H. Como mejorar la posicion y el movimiento de la mandibula. 2021

TWACHTMAN-REILLY, J.; AMARAL, S. C.; ZEBROWSKI, P. P. Addressing Feeding Disorders in Children on the Autism
Spectrum in School-Based Settings: Physiological and Behavioral Issues. Language, speech, and hearing services in
schools. Vol. 39. p. 261–272. Abril, 2008.

YI, Sook-Hee; JOUNG, Yoo-Sook; CHOE, Yon Ho; KIM, Eun-Hye; KWON, Jeong-Yi. Sensory Processing Difficulties in
Toddlers With Nonorganic Failure-to-Thrive and Feeding Problems. Journal of Pediatric Gastroenterology and
Nutrition: June 2015 – V. 60, n. 6.
Contato
Sensory.contato@gmail.com
elidajuliane@gmail.com

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