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À Gl do Gr Arq do Un .

Grande Oriente do Brasil


Grande Oriente do Distrito Federal
Loja Maçônica Acácia do Planalto nº 1.635 - Estrela da Distinção Maçônica
Apr Francisco Celso de Melo Murta

A SIMBOLOGIA DO

SALMO 133.

“1No princípio era a Palavra, e a Palavra estava


com Deus, e a Palavra era Deus.2Ele, a Palavra,
estava no princípio com Deus.3Todas as coisas
foram feitas através dele, e, sem Ele, nada do
que existe teria sido feito.4Nele estava a vida e a
vida era a luz dos homens;5e a luz resplandece
nas trevas, mas as trevas não a venceram”.
(King James Atualizada - João 1:1-4)

BRASÍLIA, 2, AGOSTO/2017 (Calendário Gregoriano). BRASÍLIA,10 Av, 5777 (Calendário Judaico)


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A forma geralmente usada na poesia dos salmos se chama “paralelismo”,
que é a repetição de uma ideia, com outras palavras na linha ou nas linhas seguintes. É a
repetição de ideias de estrofe a estrofe. Este paralelismo, nas suas várias formas, e a riqueza
de comparações ao longo dos tempos conforme cada inspiração vinda do coração, é que dão
graça e beleza à poesia hebraica. É dentro desta ótica que se apresentam alguns apontamentos
sobre o Salmo 133, denominado o Salmo da Concórdia ou da Fraternidade:
“A simbologia é o estudo dos símbolos ou o conjunto destes”. “Um
símbolo, por outro lado, é a representação sensorial de uma ideia que guarda um vínculo
convencional e arbitrário com o seu objeto.”
“A noção de simbologia é utilizada para fazer referência ao sistema dos
símbolos que identificam os diferentes elementos de algum âmbito”. “Neste sentido, pode-se
falar, por exemplo, que a simbologia maçónica analisa os símbolos dos maçons e revela as
mensagens fechadas em cada um deles”. “O símbolo é a própria essência, a razão de ser da
maçonaria. O visível é o reflexo do invisível.”
A leitura do Salmo 133 na Abertura do Trabalho Maçônicos1 não original
de Aprendiz no REAA, que adotava “João 1:1~5” e, geralmente, apenas em iniciações.
Passou-se a adotar o Salmo 133 no Brasil após 1927, e de forma mais
predominante entre as décadas de 40 e 50, por influência da Maçonaria Americana (GLs) e
Inglesa (GOB). A passagem de João tinha mais relação com o Grau de Aprendiz do que tem o
Salmo 133, pois trata de trevas e luz.
“A abertura do Livro Sagrado marca o início real dos trabalhos numa loja maçônica,
pois o ato, embora simples, porém solene, é de grande importância, pois que
simboliza a presença efetiva da palavra do Grande Arquiteto do Universo. Num
artigo publicado pela revista Trolha, de agosto de 1997, lê-se que esta prática de se
usar o Livro da Lei foi estabelecida em 1717, a partir da G L da Inglaterra, embora
haja referência ao seu uso a partir de 1670. Segundo Castelani, a leitura do salmo foi
usada pela primeira vez, perto da metade do século XVIII, por algumas Lojas do
YorkShire, na Inglaterra, quando ainda nem havia um rito plenamente organizado.
Em pouco tempo, esse hábito foi abandonado e, já a partir da adoção do rito Inglês
de Emulation,(que indevidamente fala se em “de York”) abria-se a Bíblia em
qualquer lugar, sem leitura de versículos. Todavia, esse hábito foi retomado por
algumas Grandes Lojas norte-americanas, principalmente a de Nova York. Nos
EUA, no simbolismo, só se pratica o rito de York, pois o REAA só é praticado nos
Altos Graus. Da Grande Loja de Nova York, por cópia, o salmo foi introduzido no
Brasil e em algumas outras Obediências da América do Sul, no REAA. Neste, na
verdade, tradicionalmente se abre o Livro em João e são lidos os versículos 1 a 5 do
capítulo 1”
É importante registrar que a leitura deste salmo já era adotada pelos antigos
cavaleiros templários, nas suas iniciações, no ano de 1128, conforme nos demonstra
Gomes (1999), o qual, no seu livro “A Regra Primitiva dos Cavaleiros do Templo”,
às páginas 81 e 149, traduzindo os “Cânones do Ritual da Recepção na Ordem do
Templo”, número 678 nos diz: “… Et lê frere chapelain dait lê saume dire que
l’on dit, Ecce quam bonumet quam incubum, /habitare frates in unum…” (E o
irmão capelão deve recitar o salmo que diz. Eis ,como é bom, como é bom, como é
delicioso, /viverem os irmãos em boa união) 2
Dá-se o nome de Salmos (do hebraico = psalmus) aos cânticos religiosos e
patrióticos dos israelitas.
A abertura do Livro Sagrado, com o salmo 133, marca o início real dos
trabalhos numa loja maçônica, pois o ato, embora simples, é solene, é de grande importância,
pois que simboliza a presença efetiva da palavra do Grande Arquiteto do Universo.
David, autor do salmo da concórdia, era instrumentalista por natureza
divina, tocava a “vitara” para expressar junto ao Criador as realizações e sentimentos
1
Simbolismo do Primeiro Grau. Rizzardo do Camino.2001. Livraria Maçônica. Exemplar 0175.Página 91
2
http://www.maconaria.net/salmo-133-analise-interpretacao
3
humanos através da música. Nos Salmos Bíblicos estão expressos a inteligência, a sabedoria e
o sentimento do Rei David, através deles, ele se comunicava com o Senhor. A pronúncia dos
Salmos, em hebraico, abre um poderoso canal de comunicação com Deus, através da
sonorização, envolvendo os trabalhos maçônicos de Vontade Pura, Amor e Luz que liga o
Homem de Desejo ao Grande Arquiteto do Universo propiciando realizar, com sucesso, de
forma justa e perfeita, o Ato Mágico. ”3
Davi era apenas o segundo rei de Israel, uma nação recente, ainda
desestruturada, com muitas dificuldades, dividida em muitas tribos e sujeita a muitas ameaças.
Ele precisava manter um discurso de unidade e esperança. Mas pelo jeito, os ritualistas
ingleses, e em seguida os americanos, desconsideraram esse contexto histórico e adotaram o
Salmo 133 por conta das palavras “irmãos” e “união”.
Os Salmos estão inseridos na Bíblia e classificados no contexto dos Livros
Didáticos e de Fraternidade (concórdia) do Antigo Testamento.
Assim, também se propicia, no momento da abertura do Livro da Lei, com a
leitura do Salmo 133 a visão de que...
“Deus é luz, e não há nele nenhuma escuridão”
1º Livro de João versículos 1:5 –

“OH! QUAO BOM E SUAVE É QUE OS IRMAOS VIVAM EM UNIÃO


Para permitir que haja o convívio em união dos irmãos e
que a força divina possa se manifestar nos obreiros reais é
necessário afastar de seus corações todos os desejos supérfluos,
a crença na inteligência e a impulsão de dominar (vontade de
poder) que internamente se opõem à Natureza: a ambição, o
orgulho e a vaidade.4

É COMO O ÓLEO PRECIOSO SOBRE A CABEÇA.


Essa alusão do “óleo precioso sobre a cabeça” refere-se ao
questionamento de quem queira, com seu próprio esforço,
explorar a profundeza da manifestação divina sobre si. Deve
preliminarmente refletir muito a respeito de qual a finalidade
de suas obras e se está também resolvido a praticar o que se
deseja aprender.
O QUAL DESCE SOBRE A BARBA, A BARBA DE AARÃO.
E se é seu desejo se valer disso para a glória de Deus e para o
bem da humanidade
E QUE DESCE À ORLA DE SUAS VESTES
Se deseja morrer para o mundo e para os próprios desejos, e
viver aquilo que busca de forma verdadeira e final.
É COMO O ORVALHO DE HERMON QUE DESCE SOBRE SIÃO
Deseja-se unir-se em espírito com Deus. Uma coisa que o ser
humano deve ter sempre em mente: viver como se nunca fosse
morrer e morrer como se nunca tivesse vivido, por outro lado a
morte está proibida. Como o Sol que nunca se põe. Permanece
sempre em seu meridiano em eterno renascer.
PORQUE ALI O SENHOR ORDENA A BENÇAO E A VIDA PARA SEMPRE
Assim, Deus se manifesta por si mesmo, como um espírito e
uma vontade e a submissão inteira do Obreiro Real ao
Criador. Permitindo que o espírito de Deus possa fazer por
eles e com eles o que quiser. Conforme a vontade divina.
Sendo Deus seu saber, sua vontade, sua força. São condições
para receber ensinamentos semelhantes, conhecimentos e
Inteligência (compreensão). Muitos procuram os segredos
para serem admirados pelos olhos do mundo e para vantagem
pessoal. Jamais chegarão lá, ainda que esteja escrito que o

3
Manual Mágico de Kabbala Prática. Alia’Lkhan. 2ªedição.A Gazeta Maçônica.2007.São Paulo Página 185
4
Templo Maçônico. Hélvécio de Resende Urbano.Madras.2012.São Paulo. Página 62 e 393
4
espírito pode explorar e investigar todas as coisas, até mesmo
a profundeza Divina.
Simbolicamente, na leitura do Salmo 133 o Verbo se faz
presente e que cada um recebe conforme a medida de seu
vaso; pois, como está escrito nas Escrituras, há vasos e vasos.
Somente o trabalho revela a Luz através de um entendimento
menos superficial e buscar entender menos a razão e mais a
intuição levando à compreensão do que somos, de onde viemos
e para onde vamos.
Com a harmonização perfeita do salmo 133, os trabalhos da oficina são
iniciados. A partir do primeiro grau no aprendizado desta verdadeira e constante iniciação, ao
Obreiro Real, num ambiente repleto de graça divina, é dada a tarefa de matar em si os três
assassinos do Mestre, os três elementos que se opõem (nele) à lei da Natureza: o desejo do
supérfluo, a crença na inteligência, a impulsão de dominar (a “vontade de poder”). Em
uma linguagem mais simples: a ambição, o orgulho e a vaidade. Isso de resto já lhe é
indicado obscuramente no começo da vida iniciática, quando é despojado dos metais.
Tecnicamente é despojado do ferro, da prata (moeda que compra) e do ouro (moeda que
encanta). Metais regidos respectivamente por Marte, Lua e Sol, que são o significado da
ambição, da vaidade e do orgulho². Quando os três assassinos são mortos na alma do
aspirante, ele fica pronto para avançar ao segundo grau dessa ascensão para Deus.³ Isso é
propiciado pela ação dos Servidores do Salmo 133. Mas é apenas uma simbologia.

À Glória do Grande Arquiteto do Universo, Deus.

REFERÊNCIAS CONSULTADAS:
 http://conceito.de/simbologia
 King James Atualizada.
 Bíblia Sagrada. Sociedade Bíblica do Brasil.2005
 A Bíblia da Mulher. Sociedade Bíblica do Brasil.2007
 Simbolismo do Primeiro Grau. Rizzardo da Caminno. Outubro 2001. São
Paulo. Livraria Maçônica Paulo Fuchs. Exemplar 0175.página 89
 Manual do Ritual 1º Grau – Aprendiz Maçom – R.E.A. A – Grande Oriente
do Brasil, de 2009.
 Templo Maçônico. Dentro da Tradição Kabbalística. São Paulo. 2012.
Helvécio de Resende Urbano Junior. Editora Madras.
 SALMO 131 - O justo não se torna arrogante por causa de suas realizações,
nem com ciúmes dos maiores que ele, porque sabe que todo êxito é
concedido por Deus a cada pessoa segundo sua necessidade e sua missão.
 SALMO 132 - Às vezes, a tarefa de uma pessoa é preparar as bases de um
edifício, e não administrar a sua construção. Embora pareça menos
glorioso aos olhos humanos, quem desempenha tal missão será
devidamente recompensado, e por seu mérito a meta será atingida.
 SALMO 133 - Como tratou do Templo no Salmo anterior, David continua
louvando o idílio que existirá quando os seres humanos viverem juntos
como irmãos. E também quando estiverem unidos em seus corações.
 SALMO 134 - O Salmo anterior descreveu o idílio de uma humanidade
cujos membros vivem juntos como irmãos. Aqui, somos provocados a
manter nossa pureza espiritual mesmo na melancolia do exílio e dispersão,
construindo “casas para Deus” – cumprindo nossa missão como seres
humanos – onde e como pudermos.

Deve-se rezar o Salmo 133 com profunda reverência. Por outro lado, se acontece uma briga entre irmãos, e
disso haja dificuldade em reconciliação, escreva este Salmo num pedaço de pano, proveniente da pessoa em
atrito, e peça aos Servidores do Salmo a sua reconciliação. E o Eterno proverá o êxito.(pagina 211)³

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