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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPIRITO SANTO


CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO MESTRADO EM SAÚDE COLETIVA
DISCIPLINA: EPIDEMIOLOGIA
PROFESSOR: MARIA HELENA MIOTTO
ALUNO: DAIANE CAMPOS JUVÊNCIO DE ARRUDA
DATA: 07/04/2011
ASSUNTO: RESENHA DA AULA CONCEITOS DE VIGILÂNCIA

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Campos G W S, ET AL. Tratado de Saúde Coletiva. 2ª Ed. Hucitec, São Paulo: 2009.
Medronho R A ET al. Epidemiologia. 2ªed. Atheneu, São Paulo: 2009.
Rouquayrol M Z, Filho N A. Epidemiologia e Saúde. 6ªed. Medsi, Rio de Janeiro, 2003.

A mudança no comportamento das doenças e agravos de saúde, a trnasição


demográfica e epidemiológica, e relação do homem e o meio ambiente e a mobilidade
das populações faz-se necessário a criação de estratégias como meio de verificar e
analisar tais ocorrências. De acordo com Campos, 2009, vigilância epidemiológica ou
vigilância em saúde publica é definida como a contínua e sistemática coleta, análise,
interpretação e divulgação de dados de saúde com o objetivo de planejar, implementar
e avaliar as práticas de saúde pública.

A questão de vigilância decorre desde o século XIV com a utilização da quarentena


para as doenças desconhecidas ou sabidamente infecciosas e evoluiu ao longo dos
séculos e décadas retratando estatísticas, legislações, censos, mapeamentos e ações
de acompanhamento sistemática e controle para os diversos eventos de saúde
necessários à vigilância e investigação na comunidade.

Campos, 2009 retrata que no Brasil a inserção da vigilância epidemiológica ocorreu


após a década de 60 em 1970 com a Campanha de Erradicação da Varíola e evoluiu
com a modernização do Ministério da Saúde com a criação das Secretarias Nacionais
de Ações básicas de Saúde, Vigilância sanitária, Vigilância epidemiológica, Instituto
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Nacional de controle de qualidade em Saúde e promulgação da lei da criação do


Sistema Nacional de Saúde que estabelece as premissas do Sistema Único de Saúde.
Em 1975 com a criação Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica é padronizado a
lista e ficha de notificação e investigação de doenças compulsórias e o formulário de
Declaração de óbitos de todo o país; são criados Sistemas de laboratórios de saúde
pública de referencia e de controle de qualidade de vacinas; é implantado o sistema de
informação de mortalidade, marco no aprimoramento das estatísticas vitais no país; e
fortalece-se as medidas do programa nacional de imunização. A partir dos anos 90
consolida-se a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e promulga-se a Lei 8080 da
saúde.

Os sistemas de vigilância são importantes instrumentos para identificar doenças


emergentes, comportamentos alterados de doenças conhecidas e doenças de
ocorrência inusitada através de desenvolvimento de tecnologias médicas e vigilância
ambiental, de traumas e lesões, de doenças crônicas e emergentes. (Campos, 2009)

Segundo Medronho, 2009, a Vigilância Epidemiológica tem como objetivo: identificar e


descrever o comportamento epidemiológico de doenças (monitorar tendências,
identificar grupo e fatores de risco);detectar epidemias e descrever o processo de
disseminação; avaliar a magnitude da morbidade e mortalidade decorrentes de agravos
de saúde; recomendar a adoção oportuna de medidas para prevenir ou controlar
agravos à saúde; avaliar o impacto de medidas de intervenção; avaliar a adequação
das estratégias utilizadas para aplicação de medidas de prevenção e controle.

Conforme o referido autor, as principais atividades, finalidades ou funções da vigilância


são: coletar, processar, analisar e interpretar dados; realizar investigação
epidemiológica; recomendar, implementar e avaliar ações de controle; retroalimentar e
divulgar informações.

Os dados utilizados em Vigilância epidemiológica provem de dados demográficos,


ambientais, socioeconômicos, de morbidade e de mortalidade por meio de fontes de
notificação, sistema de informação e ainda através de investigações epidemiológicas,
imprensa e população, sistema sentinela, busca ativa de casos em campo, estudos
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epidemiológicos transversais, de prevalência, série histórica e de coorte e caso controle


quando necessita-se avaliar risco.

Para avaliação da eficiência do sistema de vigilância utiliza-se de medidas quantitativas


como sensibilidade, especificidade e valor preditivo e medidas qualitativas como
utilidade, oportunidade aceitabilidade, cumplicidade, flexibilidade e representatividade
dos dados.

Mesmo com a evolução do sistema nos últimos 50 anos existem pontos crítics que
necessitam ser tratados, trabalhados e aprimorados na vigilância epidemiologica, como
a subnotificação de casos pelos profissionais por desconhecimento da importância de
tal prática, a baixa representatividade de certas doenças como rubéola e coqueluche e
o baixo grau de oportunidade no processamento, análise e divulgação da informação de
certas doenças (Medronho 2009). Campos, 2009, retrata ainda que a inconsistência da
definição de casos que podem variar de local para local pois dependem do diagnóstico
clínico do profissional médico, podem trazer limitações para o sistema de notificação de
doenças.

Rouquayrol, 2003, refere que através da investigação epidemiológica manuais, ordens


de serviços, materiais instrucionais são produzidos para a normatização e definição de
técnicas imprescindíveis no manejo da determinada situação de saúde estudada. É de
fundamental importância a retroalimentação do sistema de vigilância em todos os
níveis, retornando as informações às fontes produtoras como profissionais de saúde e
comunidade.

As novas propostas e os desafios do sistema de vigilância tratam-se da vigilância ativa,


a sentinela e a capacitação dos recursos humanos em qualidade, quantidade e
envolvimento, a melhoria das redes laboratoriais de diagnósticos, o sistema de
informação em saúde e a qualidade dos dados de notificação, desenvolvendo a
consciência sanitária, nos profissionais de saúde e na população em geral e nos
gestores para a priorização das ações de saúde pública e desenvolvimento da
VIGILÂNCIA EM SAÚDE dos problemas prioritários, em cada espaço geográfico
(Rouquayrol, 2003; Campos, 2009)
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EXEMPLO DE GRÁFICO DE EPIDEMIA

No período de 1990 a 2003, a incidência de meningite meningocócica no estado de São


Paulo apresenta tendência decrescente a partir do final da década de 90 e uma maior
redução após 2000, entretanto a letalidade mantém-se em níveis altos, com pouca
alteração no período retrado.

ftp://ftp.cve.saude.sp.gov.br/doc_tec/outros/bol_bepa504.pdf. Acessado em 06/04 /


2011.