Você está na página 1de 1

Do texto dramático ao teatro

Em primeiro lugar, há que relevar a grande diferença entre teatro e texto dramático. Por vezes, estes
dois conceitos são tomados como se fossem sinónimos, quando na realidade não o são.
Teatro não é o mesmo que texto dramático, pois refere-se ao último momento de um longo e
complexo processo. O texto dramático corresponde à primeira fase desse processo, que é o da criação, da
escrita da obra pelo dramaturgo (nome que se dá ao autor de textos dramáticos). Geralmente, o dramaturgo
divide a acção em actos e cenas. Há mudança de acto quando o cenário onde a acção decorre tem que ser
alterado. Muitas peças teatrais decorrem num só acto, pois a acção é representada sempre com o mesmo
cenário. Há mudança de cena quando surge uma nova personagem em palco, ou então quando uma das
personagens sai do palco. A divisão em actos e cenas diz respeito à estrutura externa do texto dramático.
Na sua estrutura interna, a acção pode ser dividida em três partes: a exposição, que corresponde à
apresentação das personagens e da própria acção; o conflito, que diz respeito ao desenvolvimento da acção
até ser atingido o ponto culminante; e o desenlace, que é a conclusão da acção.
Quando o dramaturgo conclui o texto dramático, apresenta-o a um encenador. Juntamente com os
actores, o encenador vai preparar a peça de teatro, ensaiando os papéis, escolhendo as roupas, os cenários,
entre outros. Esta fase exige a colaboração de muitas pessoas, desde cenógrafos, sonoplastas, figurinistas,
caracterizadores, entre outros, até que tudo esteja pronto para ser levado à cena perante um público. Esta é a
última fase, a fase da representação, em que verdadeiramente se pode utilizar a palavra teatro. Esta palavra
vem do grego théatron e está relacionada com o verbo ver. Para ver teatro é necessário que haja
representação. E nessa representação, para além das falas das personagens, os gestos, o vestuário, o cenário,
entre outros elementos, contribuem também para o espectáculo. Conclui-se, por isso, que o discurso dramático
é complexo e variado pela fusão que se verifica entre a linguagem verbal, constituída pelas falas das
personagens, e a linguagem não-verbal, o conjunto do cenário, gestos, luzes, música, entre outros.
Este breve esclarecimento é suficiente para que te apercebas de um vocabulário muito próprio do
teatro.
No texto dramático não há lugar para o narrador. O narrador é uma categoria da narrativa. No texto
dramático, o narrador é substituído pelas personagens (protagonistas, secundárias ou figurantes), que falam
directamente umas com as outras, contando elas próprias a história.
O discurso dramático tem um texto principal, apresentado através do diálogo, quando as
personagens falam entre si, do monólogo, quando uma personagem sozinha em cena fala consigo própria, e
dos apartes, que são frases ou expressões que as personagens proferem, mas que se destinam a ser ouvidas
simplesmente pelo público e não pelas outras personagens.
No texto dramático há também as didascálias, que são indicações cénicas do dramaturgo relacionadas
com a representação: o nome das personagens; a forma de estarem e de se movimentarem em palco; os
gestos e a entoação que devem utilizar; indicações sobre o próprio cenário, entre outros. Estas informações
constituem o texto secundário que surge intercalado nas falas das personagens, ou seja, no texto principal.

Você também pode gostar