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Cadeia produtiva

da indústria naval
Cenários econômicos e estudos setoriais

Recife | 2008
Conselho Deliberativo - Pernambuco
Banco do Brasil - BB
Banco do Nordeste do Brasil - BNB
Caixa Econômica Federal - CEF
Federação da Agricultura do Estado de Pernambuco - Faepe
Federação das Associações Comerciais e Empresariais de Pernambuco - Facep
Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Pernambuco - Fecomércio
Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco - Fiepe
Instituto Euvaldo Lodi - IEL
Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - Sebrae
Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco - SDE
Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial do Estado de Pernambuco - Senac/PE
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - Senai/PE
Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - Senar/PE
Sociedade Auxiliadora da Agricultura do Estado de Pernambuco
Universidade de Pernambuco - UPE
Presidente do Conselho Deliberativo
Josias Silva de Albuquerque
Diretor-superintendente
Murilo Guerra
Diretora técnica
Cecília Wanderley
Diretor administrativo-financeiro
Gilson Monteiro

Cadeia produtiva da indústria naval:


cenários econômicos e estudos setoriais
Coordenação geral
Sérgio Buarque
Equipe técnica - Sebrae
João Alexandre Cavalcanti (coordenador da Unidade Observatório Empresarial)
Ana Cláudia Arruda
Equipe técnica - Multivisão
Enéas Aguiar
Ester Maria Aguiar de Sousa
Gérson Aguiar de Sousa
Izabel Favero
José Thomaz Coelho
Valdi Dantas
Coordenação da Unidade de Comunicação e Imprensa - Sebrae
Janete Lopes
Revisão
Betânia Jerônimo
Projeto gráfico e diagramação
Z.diZain Comunicação | www.zdizain.com.br
Tiragem
100 exemplares
Impressão
Reprocenter

Sebrae
Rua Tabaiares, 360 - Ilha do Retiro - CEP 50.750-230 - Recife - PE
Telefone 81 2101.8400 | www.pe.sebrae.com.br
Sumário

Lista de tabelas e figuras....................................................................................................... 5

Palavra do Sebrae....................................................................................................................7

Apresentação ..........................................................................................................................9

Capítulo 1 - Caracterização da cadeia produtiva.................................................................11

Capítulo 2 - Desempenho recente da cadeia produtiva no Brasil....................................... 14

Capítulo 3 - Desempenho recente da cadeia produtiva em Pernambuco........................... 18

Capítulo 4 - Dinamismo futuro da cadeia produtiva em Pernambuco.................................21


4.1 Dinamismo futuro da atividade........................................................................................21
4.2 Perspectiva de encadeamento e adensamento................................................................22
4.3 Oportunidades de negócios futuros................................................................................ 22

Capítulo 5 - Espaços das MPEs na cadeia produtiva.......................................................... 28

Referências.............................................................................................................................31

Apêndices.............................................................................................................................. 33

3
Lista de tabelas e figuras

Tabelas
Tabela 1 - Idade média da frota mundial de embarcações (em milhões de TPBs)............. 13
Tabela 2 - Mundo e países selecionados: participação na entrega de navios em
1975-2005 (%).........................................................................................................15
Tabela 3 - Análise da cadeia de suprimento: o caso de navios de apoio.............................. 25

Diagramas
Diagrama 1 - Cadeia produtiva da indústria naval................................................................ 12

Gráficos
Gráfico 1 - Frota mundial de embarcações em 2005 (% de TPBs)......................................... 13
Gráfico 2 - Número de reparos da frota do Brasil ..................................................................17
Gráfico 3 - Índice de evolução da indústria de equipamentos de transporte de
Pernambuco (%)......................................................................................................19
Gráfico 4 - Taxas médias de crescimento (nas cenas) das atividades industriais
de Pernambuco...................................................................................................... 23
Gráfico 5 - Evolução do volume de negócios futuros da indústria de equipamentos
de transporte (R$ milhões)....................................................................................23
Gráfico 6 - Outros equipamentos de transporte - evolução das receitas de vendas
e do número de empresas....................................................................................29

5
Palavra do Sebrae

Os Cadernos Setoriais resultam do projeto Observatório Empresarial,


que se destina a levar tendências e cenários macroeconômicos, com vistas a
subsidiar o empresariado com informações sobre o ambiente de negócios.
Trazem assim, esses cadernos, a estrutura produtiva do setor, analisan-
do as suas características e desempenho, capacidade de competir, dificulda-
des, ameaças e oportunidades.
Cabe ressaltar, ainda, a importância deste documento como indutor
de políticas públicas capazes de criar um ambiente favorável à solução de
eventuais dificuldades no pleno desenvolvimento de cada um dos setores
estudados.
Murilo Guerra
Superintendente do Sebrae em Pernambuco

7
8
Apresentação

Este documento apresenta uma análise da cadeia produtiva da indús-


tria naval em Pernambuco, procurando identificar as futuras oportunida-
des de negócios e os espaços para micro e pequenas empresas. Faz parte do
projeto “Cenários e estudos de tendências setoriais” do Sebrae Pernambu-
co. Além desta cadeia, o estudo analisou 12 outras cadeias produtivas: avi-
cultura, construção civil, têxtil e de confecções, produtos reciclados, indús-
tria de material plástico, refino de petróleo, indústria de poliéster, indústria
sucroalcooleira, indústria metalúrgica e produtos de metal, indústria madei-
ro-moveleira, logística e turismo. Para cada uma foi produzido um relatório
semelhante de análise da dinâmica futura, das oportunidades de negócios e
dos espaços para as pequenas e microempresas de Pernambuco.
Cadeia produtiva é entendida, neste trabalho, como a malha de inte-
rações seqüenciada de atividades e segmentos produtivos que convergem
para a produção de bens e serviços (articulação para frente e para trás), arti-
culando o fornecimento dos insumos, o processamento, a distribuição e a
comercialização, e mediando a relação do sistema produtivo com o mercado
consumidor. A competitividade de cada uma das fases da cadeia e, princi-
palmente, do produto final, depende do conjunto dos seus elos e, portanto,
da capacidade e eficiência produtiva de cada um deles.

9
Embora na literatura contemporânea o conceito de competitividade
sistêmica (apoiado na concepção de cluster de Michael Porter) destaque
que a eficiência produtiva da cadeia depende de um conjunto de fatores
e condições externas à mesma (externalidades) - oferta de infra-estrutu-
ra adequada, regulação da produção e comercialização, disponibilidade de
tecnologia e de mão-de-obra qualificada, sistema financeiro, entre outras, a
análise da cadeia está concentrada no processo de produção para identifi-
cação dos elos de maior oportunidade de negócios no futuro da economia de
Pernambuco. Como o objetivo do estudo não é promover o desenvolvimento
da cadeia produtiva, mas identificar na cadeia as oportunidades de negócios,
especialmente para as MPEs, partindo da hipótese sobre a sua evolução futu-
ra, não será relevante analisar os fatores sistêmicos.
A análise da cadeia produtiva foi feita com base em dados secundários
e informações bibliográficas sobre o tema, incluindo uma análise de experi-
ências de outros Estados com estaleiros (ver referências). É importante con-
siderar que, nos dados estatísticos do IBGE, a indústria naval está contida
na atividade “Outros equipamentos de transporte”, incluindo “Construção e
reparação de navios, barcos, plataformas e embarcações diversas” e “Cons-
trução e reparação de veículos ferroviários” - no documento, sempre que
forem apresentados indicadores de desempenho da cadeia, estará sendo
considerada a atividade “Equipamento de transporte”.
O documento está estruturado em cinco capítulos: o Capítulo 1 apre-
senta uma caracterização descritiva da cadeia produtiva e dos seus elos
mais importantes (cadeia principal, cadeia a montante e cadeia a jusante),
numa abordagem teórica geral, ainda não identificando os elos presen-
tes e importantes em Pernambuco; no Capítulo 2, uma análise do desem-
penho recente das principais atividades da cadeia produtiva no Brasil,
detalhada para o Estado de Pernambuco no Capítulo 3; o Capítulo 4 pro-
cura explorar as perspectivas futuras da cadeia produtiva nos próximos
13 anos (com base na trajetória mais provável) e avança na identifica-
ção das grandes oportunidades de negócios que se abrem; no Capítulo
5, uma focalização dos espaços que as MPEs podem ocupar dentro da
evolução futura da cadeia produtiva da indústria naval.

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Capítulo 1
Caracterização da cadeia
produtiva

A cadeia produtiva da indústria naval está organizada em três blocos.


A cadeia principal, no centro, apresenta o processo de produção de navios
e plataformas de petróleo, contemplando os insumos básicos e as peças, o
estaleiro onde ocorre a montagem dos produtos e os serviços de manuten-
ção e recuperação/reparação de navios (Diagrama 1). Como uma indústria
que trabalha por encomenda, o sistema de comercialização concentra-se nas
negociações e concorrências, e a distribuição contempla a entrega e assis-
tência técnica do cliente.
Na cadeia a montante, destacam-se as atividades metalúrgicas e de
produtos de metal, máquinas e equipamentos para a montagem e recupera-
ção do estaleiro, bem como a indústria de peças para navios e plataformas
e a indústria madeiro-moveleira para a complementação dos navios. Além
delas, merecem referência os serviços educacionais e de capacitação e os
serviços metrológicos.
Pelas características da indústria naval, a jusante da cadeia produti-
va, os compradores de navios e de plataformas, as empresas de navegação
e transporte naval, e as empresas petroleiras.
Existem dois mercados principais para os produtos da indústria naval:
o transporte marítimo (carga e passageiros) e a extração de petróleo offsho-
re (costa marítima); o de transporte de cargas é composto por dois seg-

Capítulo 1 - Caracterização da cadeia produtiva 11


mentos - granéis (petróleo e grãos) e carga geral (transporte de contêineres),
com crescimento, nas últimas décadas, acima das taxas mundiais, o que
provocou, nos anos 90, um surto da construção naval. O mercado de plata-
formas para exploração de petróleo offshore está em fase de encomendas,
com a demanda superando a capacidade de oferta, uma vez que a extra-
ção de petróleo está migrando para águas profundas, tornando o estoque
obsoleto e, consequentemente, aumentando a demanda por novos equipa-
mentos (COUTINHO, 2006). Na frota mundial atual, os navios-tanques
e os graneleiros representam 70% do total de embarcações em operação
(Gráfico 1).
A vida útil de um navio é de até 20 anos e a idade média da frota
mundial é superior a 15 anos, gerando uma forte pressão por reposição,
que cria um grande mercado internacional para os estaleiros; os esta-
leiros asiáticos são os mais bem preparados para suprir esta deman-
da, mas já operam com capacidade máxima, existindo uma longa
lista de espera para atendimento da demanda (Unicamp/IE/Neit ,
2004). Como mostra a Tabela 1, a grande maioria da frota mundial
de navios já tem mais de 20 anos, o que confirma a formação de
uma demanda potencial de reposição e reparação. Com efeito,
226 milhões de TPBs da capacidade total dos navios foram cons-
truídos antes de 1980 e 211,1 milhões na década de 80, ou seja,

12 Cadeia produtiva da indústria naval


há nada menos que 437 milhões de TPBs a serem substituídos,
porque já estão além da idade limite de operação eficiente - os
mais antigos são os graneleiros e os tanques, embora tenham
sido os que mais cresceram, em termos de produção, na década
de 90 (BNDES, 2003).

Capítulo 1 - Caracterização da cadeia produtiva 13


Capítulo 2
Desempenho recente da
cadeia produtiva no Brasil

A participação do Brasil na produção mundial de embarcações é insig-


nificante num mercado dominado, atualmente, por Japão e Coréia, além da
presença emergente da China (Tabela 2).
Em 1980, o Brasil tinha assumido 4,6% das entregas mundiais de
navios, participação que declina, em 2005, para apenas 0,1% do total, con-
trastando com a Coréia do Sul, liderando a produção mundial com 37,8%
das entregas. A implantação da indústria de construção naval no Brasil
ocorre na década de 70, como parte de uma estratégia de governo que, a
exemplo do que ocorreu em todo o mundo, utilizou diversos mecanismos
de indução e incentivo como o poder de compra, a reserva de mercado, o
protecionismo direto, os incentivos fiscais e financeiros (crédito subsidia-
do), e a regulação do transporte e da navegação. “Nos anos 80, a indús-
tria da construção naval brasileira chegou a representar cerca de 5% da
produção mundial de embarcações. A participação do Estado foi fun-
damental para o surgimento e a consolidação desta indústria no país.
Seja como planificadora, sobretudo nos anos 70, ou como financiado-
ra/gestora de financiamento de longo prazo subsidiado - por exem-
plo, através do Fundo da Marinha Mercante, seja atuando como
produtora de aço - através do sistema Siderbrás, ou agindo como
importante demandante. Estaleiros de grande porte, quase todos

14 Cadeia produtiva da indústria naval


Ano de Construção

de capital nacional, muitos localizados no Rio de Janeiro, eram responsáveis


diretos pela produção de mais de 700 mil DWTs por ano. Eram a ponta de lan-
ça privada numa cadeia fortemente influenciada pela presença do Estado. Os
determinantes competitivos daquele período residiam na abundância e no bai-
xo custo de mão-de-obra, oferta barata de aço e capacidade de financiamento”
(COUTINHO, 2006).
Depois do auge da indústria naval nas décadas de 70 e 80, o segmento
entra num ciclo de declínio no Brasil, na medida em que vão sendo esgotados
e suprimidos os incentivos fiscais e financeiros, a reserva de mercado e a regu-
lação do transporte de navegação. Os estaleiros brasileiros, principalmente os
que constroem navios acima de mil TPBs (Toneladas de Porte Bruto), entram em
recessão e são sucateados, perdendo competitividade.
Nos anos subseqüentes, parece iniciar-se um período de recuperação par-
cial da indústria naval brasileira, mais uma vez por conta de iniciativas e políti-
cas governamentais, mas, principalmente, como resposta às grandes encomen-
das da Petrobras. As encomendas desta estatal1, para exploração e produção
de petróleo, sobretudo nas recentes descobertas na Bacia de Santos (campo
de Tupi), já estão exigindo reparos, conversões e, mais recentemente, novas
1 O já aprovado plano de compra de 42
construções de embarcações e plataformas. Configura-se, portanto, um qua- embarcações, numa carteira total de quase
dro semelhante ao ocorrido no Mar do Norte, onde o Reino Unido e a Norue- US$ 2 bilhões, que determina índices
elevados de conteúdo local de produção,
ga criaram e desenvolveram, em pouco tempo, uma indústria de excelência representa uma oportunidade ímpar para a
retomada da construção naval no país.
mundial, fornecendo mais de 60% dos equipamentos.

Capítulo 2 - Desempenho recente da cadeia produtiva no Brasil 15


No entanto, como afirma Luciano Coutinho (2006), essa oportunidade
pode esbarrar nos seguintes obstáculos:
• a pequena escala produtiva dos estaleiros existentes, seja ao nível da
planta, seja ao nível da empresa, dado o fracionamento patrimonial das
corporações nacionais;
• a defasagem tecnológica e de gestão em relação aos principais produ-
tores implicará uma séria dificuldade competitiva, explicitada por me-
nor qualidade de produtos e maiores prazos de entrega, ao menos nos
primeiros anos;
• a desarticulação de uma rede de fornecedores locais de navipeças e de-
mais equipamentos implica uma fragilidade competitiva ao nível da
cadeia (seria a demanda da Transpetro suficiente para fortalecer essa
rede local de fornecedores, atraindo empresas transnacionais e/ou ca-
pacitando fornecedores locais não engajados totalmente no forneci-
mento para a indústria naval?);
• a indefinição de uma estratégia de desenvolvimento da indústria na-
cional de transporte aquaviário, seja de longo curso, seja de cabotagem,
o que poderia ampliar as oportunidades de demanda para além das
encomendas da Transpetro;
• o elevado custo de financiamento de longo prazo no país - a incerteza
financeira dificulta os investimentos em expansão, a modernização
e a instalação de novos estaleiros.
Em resumo, a indústria brasileira não é competitiva no âmbito interna-
cional, uma vez que depende, em grande medida, da importação de equi-
pamentos e serviços de alto conteúdo tecnológico de outros países e players
internacionais. Ressalta-se, ademais, que um dos principais fatores de com-
petitividade da indústria naval é a presença de um pool de fornecedores
locais, impulsionando o encadeamento da cadeia produtiva.
Nos investimentos planejados pela Petrobras já mencionados, a
indústria fornecedora de bens e serviços encontra amplas oportunidades,
mas também ameaças. O volume de investimentos, por si só, poderia
induzir a recuperação da indústria fornecedora associada ao segmento
naval e também promover a consolidação de um segmento de mercado
capaz de atender esta empresa e outros investidores no país, e de bus-
car oportunidades nos mercados externos. As ameaças estão associa-
das à incapacidade de agências públicas e, principalmente, do setor
empresarial em realizarem os investimentos necessários para cons-
truir a competência necessária para disputar encomendas em um
contexto de economia aberta (Unicamp/IE/Neit , 2004).

16 Cadeia produtiva da indústria naval


De qualquer forma, as próximas décadas parecem indicar
um grande crescimento da demanda nacional e, principalmen-
te, mundial de embarcações de diversos tipos e de plataformas
offshore, bem como de reparação e manutenção naval, resultado da
combinação do envelhecimento e obsolescência da frota e do cresci-
mento do comércio mundial. Três fatores adicionais devem promover
uma reanimação da demanda mundial de embarcações e plataformas
novas: a busca por petróleo offshore, o excesso de ocupação dos esta-
leiros asiáticos, e a obrigatoriedade de substituição do casco simples
pelo casco duplo (Protocolo de Kyoto). Projeções realizadas pelo Centro
de Estudos da Gestão Naval, em 2006, mostram o movimento de aumen-
to da demanda de novas embarcações, a médio e longo prazos, e o gran-
de volume de reparos, declinando na medida em que se torna necessária
a substituição por novos navios.

Capítulo 2 - Desempenho recente da cadeia produtiva no Brasil 17


Capítulo 3
Desempenho recente
da cadeia produtiva em
Pernambuco

A indústria de equipamentos de transporte em Pernambuco, conceitua-


da pelo IBGE como “Outros equipamentos de transporte”, tem pouca impor-
tância na economia pernambucana. Entretanto, com a implantação do Esta-
leiro Atlântico Sul, introduzindo a indústria naval no Estado, a atividade
deve receber um impulso significativo no futuro. No período de 1996 a 2004,
a atividade apresenta uma grande flutuação no volume de produção, embo-
ra com uma tendência de expansão; nos dois extremos (1996 e 2004), a
indústria cresceu cerca de 240%, mesmo com um forte declínio em 1999 e
2000 (Gráfico 3). Depois de uma queda drástica nestes dois anos - refle-
tindo, provavelmente, o fechamento de alguma grande empresa, o seg-
mento volta a crescer e dá um salto significativo nos primeiros quatro
anos desta década.
Em adição ao que foi dito antes sobre a indústria naval brasilei-
ra, cabe ainda mencionar que no Brasil existe aproximadamente uma
centena de estaleiros, em vários Estados, de variados portes e graus
de sofisticação tecnológica, embora os maiores e melhor equipados
situem-se no Rio de Janeiro. A decadência da indústria, que che-
gou a ser a segunda do mundo, reduziu drasticamente a capaci-
dade de produção nacional, a partir dos anos 80. A retomada da
indústria naval brasileira, na esteira do estratégico programa de

18 Cadeia produtiva da indústria naval


modernização da frota mercante, iniciada no final dos anos 90 e impulsio-
nada pela demanda da Petrobras por plataformas offshore, desloca-se ago-
ra para a construção de navios para transporte de petróleo e seus derivados.
A renovação da frota nacional é a grande janela de oportunidade que surge
para a continuidade do atual momento de recuperação da indústria naval.
Segundo a Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), há
encomendas nacionais de navios, anunciadas e previstas para a Transpetro
(subsidiária da Petrobras), em torno de US$ 2 bilhões na construção de 42
navios, divididas em duas etapas: na primeira, serão contratadas 22 embarca-
ções, representando aproximadamente US$ 1,1 bilhão; na segunda, os demais 2 O consórcio liderado pela Camargo

Corrêa está entre aqueles classificados


20 navios, no valor de US$ 900 milhões2. para a construção de qualquer tipo
A implantação do estaleiro naval no Complexo Industrial-Portuário de de embarcação, mas ao contrário dos
estaleiros fluminenses, ainda não estava
Suape insere-se nesse esforço de recuperação da indústria naval do Brasil, ten- construído quando a Transpetro abriu a
licitação.
do a demanda da Transpetro como âncora. Neste sentido, o consórcio formado
3 As diferentes denominações Panamax,
por Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Aker Promar e Sam- Suezmax e Capesize, por exemplo,
dizem respeito ao tamanho dos navios. O
sung deve investir US$ 170 milhões para implantar um moderno estaleiro para Panamax tem entre 60 mil e 80 mil TPBs
atender, inicialmente, parte da demanda da Petrobras, com capacidade para e é o maior navio, capaz de atravessar o
Canal do Panamá; o Suezmax tem
fabricar simultaneamente dois navios Suezmax3 ou dois FPSOs4.O estaleiro 275 m de comprimento e capacidade de
170 mil TBPs; o Capesize é transportador
prevê um faturamento anual de R$1 bilhão de reais, que deve ser viabilizado
de granéis, com capacidade entre 100 mil
lentamente, acompanhando a consolidação da empresa e a ampliação do mer- e 200 mil TPBs.
4 Floating Plataforms, Storage and
cado. O empreendimento será o único no Hemisfério Sul com condições de
Offloading (FPSOs) são plataformas
construir qualquer plataforma (semi-submersível, FPSO ou TLP) ou embar- flutuantes para a exploração de petróleo
offshore.
cação comercial (Suezmax, Panamax ou embarcações de contêineres).

Capítulo 3 - Desempenho recente da cadeia produtiva em Pernambuco 19


A Transpetro já homologou a participação do estaleiro de Pernambu-
co na produção de 10 navios Suezmax, com capacidade de carga de 165 mil
TPBs, comprimento de 275m, boca em torno de 48m e calado máximo de
17m. Os navios serão fabricados em Suape, ao custo unitário médio de U$
121 milhões, atingindo a encomenda total o montante de U$ 1,21 bilhão. Para
este volume de produção (esperado para 2008), quando em operação, o esta-
leiro necessitará do processamento mínimo de 8 mil t/mês de aço (podendo
alcançar 10 mil t/mês), criando uma demanda potencial para uma siderúrgica
local5 (KERHLE, 2006).

5 De fato, já está em fase de projeto a

instalação de uma siderúrgica no Porto de


Suape, com capital originado da Rússia.

20 Cadeia produtiva da indústria naval


Capítulo 4
Dinamismo futuro da
cadeia produtiva em
Pernambuco

A dinâmica futura da economia pernambucana, segundo a trajetória


mais provável6,está condicionada, de um lado, pela recuperação econômica
do Brasil, principalmente a partir de 2011, e, por outro, pela manutenção da
estabilidade da economia internacional com ampliação e abertura do comér-
cio. Estas duas variáveis, combinadas com fatores endógenos de desenvolvi-
mento, devem ser capazes de ampliar e dinamizar o conjunto das atividades
produtivas do Estado. Como parte das mudanças estruturais na matriz produ-
tiva do Estado, a implantação do estaleiro deverá provocar um grande cresci-
mento da indústria naval de Pernambuco, refletindo na expansão da ativida-
de “Outros equipamentos de transporte” em ritmo superior ao do crescimento
estimado para o PIB agregado (6,27% ao ano) e industrial do Estado (8,53% ao
ano), ampliando a sua participação relativa na economia e no setor industrial.

4.1 Dinamismo futuro da atividade

De acordo com as hipóteses consideradas na trajetória mais provável,


nos próximos 13 anos a indústria naval (âncora da atividade “Outros equipa-
mentos de transporte”) de Pernambuco deverá crescer em torno de 10,8%, no
período de 2006 a 2020; o movimento de expansão econômica da atividade 6 Sebrae/Multivisão. “Cenários alternativos

de Pernambuco”. Recife, 2007.


se acelerará a partir de 2011, quando o estaleiro estiver com plena capaci-

Capítulo 4 - Dinamismo futuro da cadeia produtiva em Pernambuco 21


dade. Como mostra o Gráfico 4, em 2007 a atividade cresceu pouco abaixo
da média da indústria, vale dizer, apenas 3,6%, na medida em que o estalei-
ro ainda não está em operação; na média dos três anos seguintes, a ativida-
de registra um crescimento alto, em torno de 7,6%, incorporando parte inci-
piente da produção da indústria naval, mas na segunda década deste século
a indústria naval mostra um grande dinamismo, com crescimento médio anu-
al de 12,5%7.
Como resultado do crescimento diferenciado da atividade na econo-
mia pernambucana, tende a ocorrer um aumento significativo da participação
relativa da indústria naval (enquanto principal indústria da atividade “Outros
equipamentos de transporte”). Em todo caso, como se trata de uma atividade
de baixa participação, eleva-se, em 2007, de 1,49% para 1,75%, em 2020.

4.2 Perspectivas de encadeamento e adensamento

A produção de navios e plataformas offshore gera uma demanda mui-


to diversificada de bens e serviços para o funcionamento do equipamento e
para o abrigo dos trabalhadores e navegadores. Por outro lado, como destaca
o Centro de Estudos e Gestão Naval, em 2006, um dos critérios de sucesso
dos estaleiros, particularmente no reparo e manutenção de navios e plata-
formas, é a capacidade da cadeia local de suprimentos de peças e serviços.
Como a indústria automobilística, o estaleiro é uma montadora que requer
uma grande malha de suprimento com qualidade, preço e proximidade. A
proximidade dos fornecedores a jusante da cadeia é um fator de competiti-
vidade e, portanto, uma contribuição para a irradiação do empreendimen-
to. O potencial de encadeamento e adensamento da cadeia da indústria
naval em Pernambuco é muito grande, mesmo porque constitui um fator
de competitividade, embora exija um grande esforço de preparação de
mão-de-obra qualificada e qualificação tecnológica das empresas locais,
para se adaptarem às elevadas exigências das especificações técnicas
dos estaleiros.

4.3 Oportunidades de negócios futuros

De acordo com a trajetória mais provável da economia de Per-


nambuco e, particularmente, das atividades principais da cadeia
da indústria naval, o volume de produção das mesmas deverá se
5 Para maiores detalhes sobre a metodologia expandir bastante nos próximos 13 anos. Como mostra o Gráfico
de simulação, ver Apêndice A.
5, o produto da indústria (“Equipamentos de transporte” no con-

22 Cadeia produtiva da indústria naval


13 CAD - Computer Aided Design / CAM -

Computer Aided Manufacturing (sistema


computadorizado de desenho e corte da
madeira).

Capítulo 4 - Dinamismo futuro da cadeia produtiva em Pernambuco 23


ceito do IBGE) cresce de R$ 192,1 milhões de reais, em 2007, para R$ 675,9
milhões, em 2020, chegando a cerca de R$ 239,2 milhões em 2010.
Os números mostram a ordem de grandeza da ampliação dos negócios
na cadeia produtiva e, portanto, das oportunidades que se abrem para os for-
necedores e os segmentos que utilizam os seus produtos, mais do que tripli-
cando em 13 anos. Considerando que a expectativa de faturamento do estalei-
ro a se implantar em Suape é de um bilhão por ano, parece bastante razoável
que, mesmo com a maturação ainda lenta dos negócios, ele possa contribuir
para, efetivamente, triplicar o volume de produção da atividade nos próximos
anos (2007-2020).
Analisando o conjunto da cadeia produtiva e considerando a tendência de
adensamento a montante, podem ser identificadas as oportunidades de negó-
cios em Pernambuco no rastro da implantação do estaleiro. Nos elos da cadeia
principal, as oportunidades de produção direta de navios e plataformas e de
manutenção e reparação dos equipamentos navais:
• produção de barcos e navios para atender à demanda de ampliação
e recuperação das frotas de transporte mundial e nacional;
• construção de plataformas de petróleo;
• manutenção e recuperação de barcos e navios das frotas mundiais
e nacionais de transporte.
A montante da cadeia, as oportunidades são bastante amplas, mas a
capacidade da economia pernambucana no sentido de aproveitar os espa-
ços depende de fatores tecnológicos e de escala. Estudo de caso realizado na
indústria naval do Rio de Janeiro, mostrando a distribuição da cadeia prin-
cipal de suprimentos, permite refinar a definição das oportunidades a mon-
tante da cadeia da indústria naval de Pernambuco (Tabela 3). Mesmo con-
siderando as dificuldades, a médio e longo prazos, abrem-se as seguintes
oportunidades de negócios a montante da cadeia:
• indústrias de bens de capital e caldeiraria (vasos de pressão, tanques,
permutadores de calor, estruturas metálicas, acessórios e tubu-
lações);
• indústria de corte de blanks (peças com recortes finais);
• fornecimento de máquinas e equipamentos;
• produção de produtos metalúrgicos e de metal;
• indústria de madeira e móveis para navios e plataformas (beli-
ches em madeira e armários);
• reparação de máquinas e equipamentos;
• fornecimento de sistema de tratamento de efluentes;
• fornecimento de sistema de combate a incêndio;

24 Cadeia produtiva da indústria naval


Tabela 3 • Análise da cadeia de suprimento: o caso de navios de apoio

Sistema Origem Situação Futuro


Sem escala para fabricar
Propulsão No passado os hélices motores
100% importado
Motores; eixo; hélices eram fabricados no país Eixos: possível, tem
tecnologia
Sem tecnologia para os
Governo Chances reduzidas de
100% importado controles e sem escalas
Lemes; comando produção local
para os lemes
Manobras Chances reduzidas de
100% importado Sem tecnologia ou escala
Thrusters; posic. dinâmico produção local
Existe tecnologia e
Energia Poderia ser 100%
95% importado indústrias que exportam
Gerador eixo; gerador fornecido localmente. Os
5% local Não existe produção para
diesel; quadros, painéis quadros são locais
mercado local
Automação Existem indústrias
Nível de tanque; remoto Poderia em parte ser que exportam e que
100% importado
válvula; pressão/ fornecido localmente poderiam produzir para
temperatura mercado naval
Acomodação
O mobiliário é 100% O fornecedor de
Cozinha;
20% importado nacional divisórias não possui
ar-condicionado;
80% local As divisórias são tecnologia atualizada
frigorífico; mobiliário,
importadas para o padrão naval
divisórias
Estrutura Segmento mais fácil de Condições de avanço e
100% importado
Casco; acessórios desenvolver fornecedores aperfeiçoamento
Os demais equipamentos
Carga Os tanques foram
90% importado não são produzidos para
Bombas 7; guindaste 1; desenvolvidos no Rio, na
10% local as exigências navais
compressor 2; tanques Apollo Mecânia
Há tecnologia
Os cabos “halogen free”
Elétrico 97% importado Foram importados da
não são fabricados no
Cabos; conectores 3% local Pirelli na Itália
país
Foram encontrados Conexões ainda são
Hidráulico 5% importado
e desenvolvidos importadas e podem ser
Tubos; conexões 95% local
fornecedores locais locais
No passado as
Navegação Há tecnologia, falta
encomendas da Marinha
Radar; GPS; agulha 100% importado escala industrial para
haviam criado tecnologia
magn.; piloto autom. interessar as indústrias
local
No passado havia
Comunicação Há tecnologia, falta
fornecimento local
Rádios UHF; comunic. via 100% importado escala industrial para
Tecnologia obtida com a
satélite interessar as indústrias
Marinha

Fonte: Unicamp/IE/Neit, 2006.

Capítulo 4 - Dinamismo futuro da cadeia produtiva em Pernambuco 25


• fornecimento de serviços de software;
• logística;
• projetos de engenharia;
• serviços de transporte;
• serviços de iluminação e hidráulica;
• serviços de segurança e vigilância;
• indústria de equipamentos e cutelaria (cozinhas e equipamentos);
• indústria de materiais sanitários (bacia sanitária, pias);
•indústria de marmoraria (peças para banheiros);
• gases industriais, consumíveis de soldagem, abrasivos;
• serviços de usinagem leve e pesada;
• isolamento térmico e pintura;
• inspeções de controle de qualidade;
• serviços educacionais;
• serviços metrológicos.
Na cadeia a jusante estão os grandes clientes de embarcações de diversos
tipos e plataformas, com poucas oportunidades de negócios em Pernambuco.

O caso do navio de apoio

A análise do caso concreto de uma série de três navios de apoio, cons-


truídos em estaleiro do Rio de Janeiro, sintetizada no Quadro 1, permite visu-
alizar a situação da cadeia de suprimentos para a construção naval. Estima-
se que a parte nacional representa cerca de 60% do custo do navio, cobrindo
a mão-de-obra, a estrutura do casco e os acessórios. Neste caso, o armador
optou por gerenciar, através de terceiros, diversas atividades antes realiza-
das integralmente pelo estaleiro, superando, desta forma, práticas de supri-
mento defasadas. A indústria de navipeças estava desarticulada e diversas
empresas precisaram ser convencidas a fornecer para a área naval, asse-
gurando-se pagamento em dia e encomendas continuadas para os três
navios. Cabe destacar que todas as vezes que o estaleiro foi solicitado
para participar do processo de identificação de fornecedores, preferiu
apresentar uma empresa estrangeira a identificar alternativas locais,
as quais, em muitos casos, existiam. Um dos exemplos são os tanques
de aço que, nos primeiros navios, foram importados e que, a partir
do terceiro navio, foram produzidos pela Apollo Mecânica, de São
Paulo, que passou a ser o fornecedor indicado pela projetista (Uls-
tein/Rolls-Royce) aos demais armadores. Na cadeia de suprimen-
tos, merece destaque a Projemar, empresa de projetos e detalha-
mento de navios em computador (CADCAM), criada pelo Emaq,

26 Cadeia produtiva da indústria naval


vendida aos seus diretores e, atualmente, operando no segmen-
to offshore, com dificuldades de atender à indústria da constru-
ção naval, por excesso de serviço. O armador optou por terceiri-
zar o fornecimento de peças de aço cortadas, jateadas e pintadas (a
partir de programa de corte fornecido pela Projemar). Foram usados
diversos fornecedores: Usimec, do grupo da siderúrgica Usiminas;
Eisa - Estaleiro da Ilha S/A; e White Martins. No total, foram mobili-
zados 250 fornecedores de sete mil itens (Unicamp/IE/Neit , 2004).

Capítulo 4 - Dinamismo futuro da cadeia produtiva em Pernambuco 27


Capítulo 5
Espaços das MPEs na
cadeia produtiva

Considerando a participação das MPEs no número de empresas da


indústria e estimando o volume de negócios dos pequenos empreendimen-
tos, com base nos dados do IBGE, para a indústria do Nordeste em 2004, é
possível calcular uma ordem de grandeza das oportunidades que se abrem
no futuro da indústria naval. Acompanhando o dinamismo geral da cadeia
produtiva (particularmente da cadeia principal), deve ter espaço futuro a
criação, até 2020, de 63 novas MPEs em Pernambuco, todas trabalhando
na cadeia da atividade “Outros equipamentos de transporte”. O Gráfi-
co 6 mostra o resultado das estimativas que levam a uma ampliação do
número de pequenos empreendimentos: 49 em 2007 (em 2004 seriam
apenas 34), chegando em 2010 com 63 e evoluindo para 112 em 2020
- na média, haveria oportunidade para o surgimento de cinco novas
micro e pequenas empresas por ano, na atividade-âncora da cadeia
produtiva em Pernambuco.
Considerando a média da participação das MPEs no fatura-
mento da indústria do Nordeste e supondo que a mesma se aplica-
ria, aproximadamente, à atividade-âncora em Pernambuco (fabri-
cação de equipamentos de transporte naval), estima-se que os
8 Para maiores detalhes sobre a metodologia pequenos negócios poderão alcançar, em 2020, uma receita total
de simulação, ver Apêndice B.
de R$ 186,5 milhões de reais. Em 13 anos, a receita das MPEs

28 Cadeia produtiva da indústria naval


se elevaria em mais de cinco vezes, partindo de uma estimativa de R$ 34,5
milhões de reais em 20078.
Dentro das oportunidades que surgem na indústria naval e segundo a
trajetória de expansão dos negócios, as MPEs têm maiores chances de ocu-
par espaços nas seguintes atividades com menor barreira à entrada e escala
econômica mais baixa9:
• fornecimento de empilhadeiras;
• fornecimento de máquinas e equipamentos em geral (máquinas de
solda, tornos mecânicos);
• serviços de manutenção e reparação de máquinas e equipamentos;
• fornecimento de peças para navios e plataformas (vasos sanitários,
portas, escadas, equipamentos contra incêndio, salva-vidas, botes,
ferramentas);
• fornecimento de equipamentos de segurança para funcionários
(capacetes, proteção para soldadores, vestimentas especiais);
• fornecimento de uniformes;
• serviços de tratamento de efluentes;
• serviços de informática; 9 A principal fonte é o estudo do NDI dos
• logística de produção; impactos dos grandes empreendimentos
previstos para Pernambuco.
• projetos de engenharia;

Capítulo 5 - Espaços das MPEs na cadeia produtiva 29


• fornecimento de tinta e serviços de pintura;
• fornecimento de alimentação;
• indústria madeiro-moveleira;
• serviços de iluminação e hidráulica;
• serviços de segurança e vigilância.

30 Cadeia produtiva da indústria naval


Referências

CENTRO DE ESTUDOS EM GESTÃO NAVAL. Nicho de mercado. São


Paulo, 2006.

COUTINHO, Luciano; SABBATINI, Rodrigo; RUAS, José Augusto. Forças


atuantes na indústria naval. Unicamp/IE/Neit , 2006.

MAGALHÃES, Sander. Oportunidades e desafios da construção naval.


2003.

______. Transporte marítimo de longo curso no Brasil e no mundo. 2003.

NÚCLEO DE DESENVOLVIMENTO E INTEGRAÇÃO INDUSTRIAL.


Impactos nos setores produtivos da economia do Estado de Pernambuco.
(coleção de slides) [s.d.]

______. Investimentos estruturadores: avaliação dos impactos na economia


de Pernambuco”. Convênio CNI/Fiepe/SDETE. (coleção de slides) [s.d.]

ROLIM DE FREITAS, Paulo de Tarso R. Indústria de construção naval bra-


sileira. 2003.

31
SÁ DA CUNHA, Marcus. A indústria da construção naval: uma aborda-
gem estratégica. Dissertação de mestrado. USP, 2006.

SEBRAE/MULTIVISÃO. Cenários alternativos de Pernambuco. Recife,


2007.

______. Evolução da estrutura produtiva futura de Pernambuco. Recife,


2007.

Unicamp/IE/Neit /MDIC/MCT/FINEP. Estudo da competitividade de cadeias


integradas no Brasil: impactos das zonas de livre comércio. Campinas,
200310.

10 A principal fonte é o estudo do NDI dos

impactos dos grandes empreendimentos


previstos para Pernambuco.

32
Apêndices

A - Metodologia de simulação macroeconômica

Para mais detalhes sobre a metodologia de simulação da evolução futu-


ra da participação dos setores produtivos no PIB agregado, sugerimos a leitu-
ra do texto “Desempenho econômico e desempenho industrial no Brasil”, de
Regis Bonelli e Armando Castelar (IPEA, 2003), no qual os autores destacam
que a distribuição setorial de longo prazo do PIB segue um padrão de mudan-
ça onde, num primeiro momento, as atividades agropecuárias perdem peso
em relação à indústria que, mais à frente, perde espaço para o setor de servi-
ços. Ademais, a intensidade e o ritmo da transformação estrutural da econo-
mia pernambucana foram condicionados pelo resultado combinado de cinco
processos referidos na trajetória futura mais provável: a distribuição setorial
dos investimentos produtivos; os impactos previsíveis dos grandes investi-
mentos na estrutura produtiva; os investimentos em infra-estrutura previstos
influenciando a competitividade de atividades e potencialidades de Pernam-
buco; os fatores externos (mundiais e nacionais) com impacto na estrutura
produtiva do Estado; e a distribuição da demanda de bens e serviços de con-
sumo final, que resulta da renda gerada na economia (efeito renda).

33
B - Metodologia de simulação do market share das MPEs

A metodologia de simulação da expansão do número de empresas e do


volume de vendas em cada segmento foi construída a partir dos dados dispo-
níveis nas seguintes fontes: Rais/MTE, ano-base 200411; PAS/IBGE, ano-base
2004 e PIA/IBGE, ano-base 2004. Estes relatórios forneceram os dados relati-
vos ao número de empresas (com ou sem empregados), ao volume de vendas
e ao valor da produção no ano-base 2004. A estimativa do volume de vendas
futuras de um dado segmento produtivo ‘i’, em um ano ‘j’, foi obtida multipli-
cando-se o PIB do segmento ‘i’ (importado das simulações macroeconômicas),
no ano ‘j’, pela relação entre o volume de vendas e o PIB do segmento ‘i’, no
ano-base 2004 (obtido das fontes citadas). Tal relação, para simplificação, foi
considerada constante ao longo do horizonte. A simulação da evolução futura
do número de empresa do segmento ‘i’, no ano ‘j’, foi, por sua vez, obtida divi-
dindo-se o valor do volume de vendas do segmento ‘i’, no ano ‘j’, pelo valor
médio das vendas do segmento no ano ‘j’, o qual foi estimado como uma pro-
porção da receita média do setor, no ano ‘j’. Esta proporção (dada pela relação
entre as vendas do segmento ‘i’ e as vendas do setor em 2004) foi mantida
constante ao longo do horizonte. A simulação da evolução do contingente de
MPEs e dos respectivos volumes de negócios para o segmento ‘i’, no ano ‘j’,
foi feita multiplicando-se os valores alcançados para o segmento ‘i’, no ano
‘j’, pelas relações de participação das MPEs no número de empresas e no
volume de negócios, verificadas em 2004. Vale mencionar que a participa-
ção no número total de empresas foi mantida constante ao longo da proje-
ção, mas a participação nas vendas evoluiu linearmente ao longo do hori-
zonte, partindo, em 2004, de 14,9% para 20%, em 2020.

11 De acordo com o manual de instrução

de preenchimento da Rais, devem


declarar anualmente, entre outros
estabelecimentos e entidades do setor
formal, todos os estabelecimentos
inscritos no CNPJ, com ou sem
empregados. Assim, os estabelecimentos
que não mantiveram vínculos
empregatícios ou mantiveram suas
atividades paralisadas, durante o
ano-base, estão obrigados a entregar
a Rais denominada “negativa”. A base
estatística Estabelecimento (ESTB),
utilizada neste estudo e distribuída no
âmbito do Programa de Disseminação de
Estatísticas do MTE, considera todos os
estabelecimentos declarantes com ou sem
empregados.

34