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Animação de Grupos

Neste artigo procuramos explicitar alguns dos fundamentos que devem ser considerados na utilização de jogos e dinâmicas no processo de animação de grupos, designadamente na facilitação do adequado desenvolvimento e funcionamento dos grupos.

O CONCEITO DE GRUPO

Um grupo é constituído por um conjunto de indivíduos. No entanto, nem todos os conjuntos de indivíduos se podem considerar um grupo. Para que tal aconteça é necessário que um conjunto de indivíduos esteja em interacção durante um período de tempo considerável e que consiga desenvolver uma actuação colectiva com vista à prossecução de objectivos partilhados. Um grupo coeso possui, além do mais, uma identidade própria que origina entre os membros um sentimento de pertença e que externamente é igualmente reconhecida.

Os grupos distinguem-se uns dos outros pelos mais variados critérios. Em função da natureza dos objectivos que prosseguem que podem ter uma natureza mais marcadamente emocional ou, pelo contrário, mais funcional. Pela organização mais informal ou mais formal. E, também e entre muitos outros critérios, pela dimensão, que inevitavelmente se traduz numa maior ou menor intensidade e reciprocidade das interacções pessoais.

O grupo desempenha papéis decisivos na vida humana já que é nele que se processa a socialização do indivíduo imprescindível à sua formação enquanto pessoa. Assim, ao longo da vida do indivíduo, uma adequada integração em grupos é indispensável para a formação de um ser humano completo e equilibrado emocional e socialmente. É amplamente reconhecido que o grupo pode exercer uma forte influência no comportamento individual dos seus membros. Este efeito pode revestir aspectos positivos, mas também negativos. Um grupo pode facilitar mudanças comportamentais desejáveis nos seus membros, mas pode, também, facilitar a manifestação pelos seus membros de comportamentos socialmente indesejáveis e/ou desadequados.

Importa, também, não esquecer o importante papel social desempenhado pelos grupos, de que o associativismo é um notável exemplo, em processos de transformação da sociedade e na construção solidária e colectiva de respostas inovadoras a problemas e aspirações de grupos e comunidades.

A DINÂMICA DE UM GRUPO

A partir do momento em que se constituem, os grupos passam por um processo de natureza evolutiva, marcado por fases de desenvolvimento com características que se podem identificar. Diversos autores distinguem diversas fases. Por uma questão de simplificação de conceitos

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optamos por distinguir três momentos na evolução de um grupo.

A fase de formação, ou inicial, corresponde aos primeiros tempos que decorrem após a

reunião do um conjunto de indivíduos que constituirão o grupo. Esta fase é marcada pela necessidade de os membros estabelecerem contactos entre si com vista a conhecerem-se e relacionarem-se uns com os outros. As relações que então se estabelecem no grupo são marcadamente de natureza afectiva e emocional. Importa ter presente que a qualidade e intensidade das relações interpessoais entre os membros de um grupo são um factor decisivo para a sua coesão e bom funcionamento, pelo que ignorar ou procurar acelerar este tempo e espaço de formação inicial do grupo poderá ter consequências muito negativas no seu desenvolvimento futuro.

A fase seguinte, intermédia, de estruturação ou organização, corresponde ao período em que

o grupo se organiza e se estrutura para conseguir actuar de um modo colectivo. É o momento de o grupo identificar os objectivos que deve prosseguir e de decidir sobre as estratégias de acção e de organização que deve seguir para concretizar os seus propósitos. É também o momento de o grupo adquirir a informação e a formação necessárias para que possa agir. As relações que predominam agora no grupo são de natureza mais funcional do que afectiva. O clima no grupo tende a ser menos agradável e satisfatório do que na fase inicial na medida em que os membros do grupo aprofundam o conhecimento interpessoal que tende a tornar mais evidente as diferenças, revelando objectivos e modos de ser e de estar individuais nem sempre compatíveis. O conflito e a dificuldade em tomar decisões surgem habitualmente nesta fase evolutiva de um grupo, na decorrer da qual o grupo pode mesmo desagregar-se total ou parcialmente.

A terceira fase na vida de um grupo corresponde à de acção ou produção. É o momento em

que o grupo actua de um modo colectivo implementando estratégias e acções que lhe permitam a consecução dos objectivos que pretende atingir. Uma parte considerável da melhor, ou pior, actuação que um grupo consegue desenvolver e dos resultados que atinge nesta fase explicam-se pelo que aconteceu, ou não, mas fases anteriores.

Identificadas estas três fases no desenvolvimento de um grupo convém ter em consideração que este processo é de natureza dinâmica. Antes de mais temos de ter consciência que nem todos os grupos atingem a terceira fase; muitos ficam pela primeira e outros tantos pela segunda fase. Outros atingem a terceira fase, muitas vezes pressionados por elementos exteriores ao grupo, sem terem tido oportunidade de resolver de um modo adequado e aprofundado as fases anteriores o que, frequentemente, se traduz em grupos desorganizados, pouco motivados e improdutivos. Finalmente, é importante referir que ao longo da vida de um grupo podem ocorrer fenómenos de regressão. Um grupo que se encontre num estádio mais avançado de desenvolvimento pode regredir se lhe incorporarmos novos elementos e/ou novos desafios e objectivos.

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ANIMAR UM GRUPO

Animar um grupo consiste fundamentalmente em exercer uma acção facilitadora da sua evolução. Isto implica que a actuação do animador se vá adequando à medida que o grupo se desenvolve.

Na fase de formação do grupo a atenção do animador deve centrar-se em facilitar os processos que permitam criar um bom conhecimento e relacionamento interpessoal entre os membros do grupo.

O trabalho do animador na fase de organização de estruturação do grupo consiste em trabalhar com o grupo de modo a que este consiga organizar-se para desenvolver a sua acção. O animador pode, nesta fase, ajudar o grupo a definir objectivos e a escolher as estratégias de acção e de organização. Paralelamente a esta acção de facilitação da organização do grupo o animador deve, também nesta fase, actuar nos processos de favorecimento de um adequado relacionamento interpessoal e da máxima participação dos membros do grupo. A progressiva autonomia do grupo deve constituir-se como desafio fundamental do animador à medida que o grupo se estrutura e organiza para a acção, o que também implica que o animador consiga actuar de modo a que o grupo se aproprie de informação, formação e ferramentas necessárias ao prosseguimento da sua acção.

Superadas as fases de formação e de organização, o grupo deverá estar em condições de actuar, de agir, de produzir de um modo relativamente autónomo face ao animador que nesta fase deverá assumir um papel progressivamente mais discreto intervindo fundamentalmente como um recurso a que o grupo poderá recorrer se necessário.

Ao longo de toda a existência do grupo o animador terá, ainda, de ter presente a dinâmica dos processos que nele ocorrem e que, frequentemente se traduzem em regressões provocadas por alterações na composição e/ou na acção do grupo que frequentemente obrigarão à intervenção do animador no sentido de facilitar a reorganização do grupo para a superação de novos desafios e para a resolução de problemas que surjam.

RECURSOS PARA ANIMAR UM GRUPO

Os jogos, dinâmicas e outras actividades que colocamos ao vosso dispor nesta página são recursos que podem utilizar no vosso trabalho com grupos.

Porém, convêm ter presente que estas actividades não devem constituir um fim em si mesmas, mas antes um meio, um recurso que podemos utilizar quando pretendemos alcançar objectivos específicos no nosso trabalho com grupos. Ou seja não servem, não devem servir,

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como simples brincadeiras para entreter um grupo ou para preencher um um buraco numa qualquer actividade que estamos a fazer com um grupo.

A primeira regra na utilização destas actividades, como em outras áreas da animação de

grupos, é que não devemos fazer por fazer. Mas sim, utilizá-las como recursos no nosso trabalho de facilitação do desenvolvimento dos grupos com que trabalhamos.

A escolha de uma dinâmica deve assim adequar-se aos objectivos que pretendemos atingir,

às características individuais dos membros do grupo e, naturalmente, às características e fase evolutiva do grupo com que estamos a trabalhar. Temos, também, de atender na selecção de actividades de animação de um grupo às condições físicas e materiais e ao tempo de que dispomos.

Na dinamização destas actividades o animador deve começar por apresentar da forma mais clara que lhe for possível o funcionamento e conteúdo da dinâmica motivando o grupo para a sua realização. No desenrolar de uma dinâmica, e se esta tiver sido adequadamente apresentada, a intervenção do animador pode e deve ser reduzida. O animador assumirá um papel mais observante, ainda que presente para que as regras da actividade sejam seguidas e que a motivação se mantenha elevada.

A maioria das actividades que podemos desenvolver implica, para uma verdadeira

consecução dos respectivos objectivos, que se proceda a um momento de exploração após a sua realização com o grupo. Este pode ser centrado na partilha de emoções, sentimentos e dificuldades sentidas pelo grupo durante a sua realização e/ou na discussão em torno dos objectivos que se pretendiam atingir