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A plenitude da unidade planejada por Deus

Por: Valdivino Batista dos Santos


Bel. em Teologia

Nos primeiros capítulos de Gêneses, Deus revela a


plenitude da unidade entre duas pessoas, “...e já não
são mais que uma só carne.”(Gêneses 2,24b). Adão foi
feito à imagem de Deus, “Deus criou o homem à sua
imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a
mulher.”(Gêneses 1,27) ou seja, Adão era completo,
não lhe faltava nada. O mais interessante que, para o
homem ser completo, Deus removeu uma costela
(“câmara”: no hebraico, é o mesmo que capacidade) e
formou a mulher, “Então o Senhor Deus mandou ao
homem um profundo sono; e enquanto ele dormia,
tomou-lhe uma costela e fechou com carne o seu lugar.
E da costela que tinha tomado do homem, o Senhor
Deus fez uma mulher, e levou-a para junto do homem.”(Gêneses 2,21-22) e Adão deu lhe
o nome de Eva (Gêneses 3,20a). Observemos que, Deus remove uma costela do mesmo
corpo que havia feito, o que quer dizer que não os fez de matérias distintas, os dois
procedem do mesmo corpo “Eis agora aqui, disse o homem, o osso de meus ossos e a
carne de minha carne; ela se chamará mulher, porque foi tomada do homem.”(Gêneses
2,23), portanto, após o sacramento do matrimônio os dois tornam-se uma só pessoa,
completa, compartilhando o mesmo nome, porque Deus chamou de Adão os dois que se
tornaram um, “Criou-os homem e mulher, e os abençoou, e deu-lhes o nome de Adão no
dia em que os criou”(Gêneses 5,2), o que não significa um anular o outro, mas, cada um
foi feito para completar o outro. A esposa é a auxiliadora ou ajudadora idônea para o seu
marido, “Não é bom que o homem esteja só; vou dar-lhe uma ajuda que lhe seja
adequada.” (Gêneses 2,18) – a palavra hebraica ajudadora significa “circundar” estar em
volta, pronta para apoiar e ser apoiada, o marido por sua vez deve protege-la, amando-a
com respeito e cuidado, já que ela é parte do homem, tudo que ocorrer com a esposa
afetará os dois, o mesmo acontece se o marido for afetado. Já o resultado de duas
pessoas que se dão um ao outro, é o fortalecimento capaz de superar tudo que por
ventura os atinjam, porque os dois tem em si a natureza de Deus, "Façamos o homem à
nossa imagem e semelhança..." (Gêneses 1,26). Ao unir-se, os dois tem o
posicionamento ativo e intencional de aderir, juntar-se, o que significa caçar e capturar as
característica um do outro e absorve-las, tornando-as parte de si mesmo, acontecendo
um sinergismo estabelecido por Deus no relacionamento de uma-só-carne. Sinergismo
significa: o total é maior que a soma das partes. Tanto o homem quanto a mulher,
possuem qualidades e atributos singulares que deve realçar a unidade do casal. Juntos
possuem as mesmas qualidades que possuíam sozinhos, mas no plano de Deus, há uma
combinação das forças entre o poder e a habilidade que os torna maior e mais fortes,
“Cinco dentre vós perseguirão um cento, e cem dos vossos perseguirão dez mil, e os
vossos inimigos cairão sob vossa espada.”(Levítico 26,8). Exemplo: Adão quando estava
sozinho, Deus ordenou apenas que Adão cultivasse e cuidasse do jardim (cf. Gêneses
2,15). Já para Adão e Eva juntos, a ordem de Deus foi maior: deveriam encher a terra,
subjugá-la e dominar sobre os animais e todos os seres vivos (cf. Gêneses 1,28).
Para entender o significado de uma-só-carne, temos que perceber que ela é um beneficio
da aliança feita entre duas pessoas na presença de Deus e, que essa união não se dá
apenas na carne ou no corpo se preferirmos assim. Porque somos seres tricotômicos, ou
seja, somos formados por três partes: Espírito, Alma e Corpo “O Deus da paz vos
conceda santidade perfeita. Que todo o vosso ser, espírito, alma e corpo, seja conservado
irrepreensível para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo!”(1Tessalonicenses 5,23) o
que significa dizer que a unidade é total somente quando ocorre nessas três partes, do
contrario não há plena união.
No Corpo, a unidade física de uma-só-carne é fácil de entender, por se tratar da união
sexual, que tem por finalidade, responder ao pedido de Deus, após a aliança feita entre o
casal, "Frutificai, disse Ele, e multiplicai-vos” (Gêneses 1,28).
Na Alma, por se tratar do intelecto, das emoções e vontades, a unidade torna-se um
pouco mais difícil, principalmente porque trata de duas pessoas, cada uma com suas
particularidades, diferentes formas de percepção do mundo a sua volta, o que leva a uma
diversidade de sentimentos que influencia a vontade de cada um. Aqui o casal deve
valorizar os pontos em comum, respeitando as diferenças um do outro. “O homem e a
mulher estavam nus, e não se envergonhavam.” (Gêneses 2,25) A palavra “envergonhar”
no hebraico é o mesmo que “confundir”, (sendo citada dessa forma em outras partes do
Antigo Testamento) nos fazendo entender que não deve haver confusão entre os dois,
pois precisam estar em completo acordo na região da Alma.
No Espírito, tanto o homem quanto a mulher foram criados a imagem e semelhança de
Deus; o que quer dizer que possuem a unidade do Espírito de Deus. Por isso quando não
há respeito entre os dois, estão desrespeitando o Espírito de Deus presente em ambos
“Porventura não fez ele um só ser com carne e sopro de vida? E para que pende este ser
único, senão para uma posteridade concedida por Deus? Tende, pois, cuidado de vós
mesmos, e que ninguém seja infiel à esposa de sua juventude. Quando alguém, por
aversão, repudia (a mulher) - diz o Senhor, Deus de Israel -, cobre de injustiça as suas
vestes - diz o Senhor dos exércitos. Tende, pois, cuidado de vós mesmos e não sejais
infiéis!”(Malaquias 2,15-16). Se somos membros do corpo de Cristo, somos um no
Espírito Santo de Deus, por isso quando inicia-se uma vida de uma-só-carne no Espírito,
deve-se alimentar e nutrir o amor e o respeito, para que haja amadurecimento do
relacionamento. É preciso honrar o parceiro de aliança considerando suas necessidades
acima das nossas. “Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os
dos outros.”(Filipenses 2,4). Ao colocarmos as necessidades de nosso cônjuge acima
das nossas, nutrimos o nosso relacionamento e somos abençoados, o que indica
igualdade diante de Deus, pois o que acontece com um, reflete no outro.
O plano de Deus para o casamento é unir um ao outro em Cristo “...nem homem nem
mulher, pois todos vós sois um em Cristo Jesus.”(Gálatas 3,28c), para que não haja
nenhuma vergonha (confusão), trevas (pecado) entre os dois. É um despir-se totalmente
em todos os sentidos: físico, emocional e espiritual, ou seja transparentes em espirito,
alma e corpo; livres para serem eles mesmos, com abertura e sinceridade total, porque
não há o que esconder. Assim era a vida de Adão e Eva antes da queda, um casamento
segundo o plano de Deus.

A crise ocasionada pelo pecado

O casamento de Adão e Eva tinha como


característica a unidade do casal, sabendo disso
satanás arquitetou um plano, colocando um contra o
outro, ao mesmo tempo que os dois se colocavam
contra Deus. Convencendo Eva à satisfazer-se a si
mesma, “A mulher, vendo que o fruto da árvore era
bom para comer, de agradável aspecto e mui
apropriado para abrir a inteligência, tomou dele,
comeu, e o apresentou também ao seu marido, que
comeu igualmente.”(Gêneses 3,6) e levando Adão a
acompanhar-la, na satisfação da carne, sem respeitar a vontade de Deus, “...mas não
comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal; porque no dia em que dele
comeres, morrerás indubitavelmente.”(Gêneses 2,17). O casal rompe com Deus,
perdendo assim o ponto em comum entre os dois, ou seja, a natureza de Deus que os
unia. O que provocou um esvaziamento interior em cada um, que precisava ser
preenchido. Aqui os dois toma consciência do “eu” de cada um, buscando satisfazer-se a
si mesmo às custa do outro. Agora surge a necessidade de se esconderem um do outro,
já que ouve a percepção das diferenças físicas o que ocasionou diferentes interesses.
Não havia mais transparência entre os dois ”Então os seus olhos abriram-se; e, vendo
que estavam nus, tomaram folhas de figueira, ligaram-nas e fizeram cinturas para
si.”(Gêneses 3,7). Isso ainda hoje continua acontecendo, se protegendo, se escondendo
um do outro. Sozinho no individualismo, o cônjuge não tem força para enfrentar as
limitações, percebe-se fraco e impotente diante do pecado, já não tem mais coragem de
colocar-se diante de Deus, e se esconde, “E eis que ouviram o barulho (dos passos) do
Senhor Deus que passeava no jardim, à hora da brisa da tarde. O homem e sua mulher
esconderam-se da face do Senhor Deus, no meio das árvores do jardim.”(Gêneses 3,8).
Com medo já não considera Deus como parte integral do casamento. É o que acontece
com os casais de hoje, que não se dão conta de que Deus tem que ser o centro e o
fundamento de seu casamento.
Adão e Eva ficaram confusos quanto a identidade do verdadeiro inimigo do casal, “O
homem respondeu: 'A mulher que pusestes ao meu lado apresentou-me deste fruto, e eu
comi.'”(Gêneses 3,12), ao invés de reconhecer que o inimigo era satanás, Adão culpou a
Eva que por sua vez culpou a serpente, não assumindo sua própria culpa, afim de serem
perdoados por Deus, para receberem a restituição da graça.
Na atualidade os casais são enganados pelo inimigo e levados a pensar que a culpa é do
seu cônjuge, por não se conhecerem, por falta de transparência acabam por não ter uma
relação de confiança entre os dois, por essa razão, acusam um ao outro nos momentos
de crise. Ao justificarem o seu pecado, Adão e Eva perpetuou o problema dos dois “O
homem respondeu: 'A mulher que pusestes ao meu lado apresentou-me deste fruto, e eu
comi.'”(Gêneses 3,12). É o que ocorre com os casais, que justificam o pecado, ao invés
de arrependerem inventam desculpas e justificativas do porque pecaram, e o problema
continua, afinal de contas nenhum dos dois se mostram culpados, enganam-se por medo
de se humilhar diante de Deus. E o casamento vai se deteriorando cada vez mais com o
passar do tempo. Da unidade do espírito, alma e corpo, resta somente a união física
“Adão conheceu Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz Caim, e disse: 'Possuí um
homem com a ajuda do Senhor.'”(Gêneses 4,1). A partir da queda de Adão e Eva, surge a
Poligamia, múltiplas concubinas, divisão, que exigiu de Moisés um decreto de divórcio por
escrito, afim de corrigir os problemas causados pela separação no casamento,
contrariando a vontade de Deus “Foi também dito: Todo aquele que rejeitar sua mulher,
dê-lhe carta de divórcio.”(Mateus 5,31). No entanto há uma esperança. Deus envia seu
Filho Jesus para redimir e restaurar o relacionamento original com Deus.

Recociliação em Cristo Jesus

Na sua infinita bondade Deus enviou seu Filho Jesus Cristo, para
redimir a humanidade e restaurar o relacionamento original que
Adão havia perdido “Portanto, como pelo pecado de um só a
condenação se estendeu a todos os homens, assim por um único
ato de justiça recebem todos os homens a justificação que dá a vida.”(Romanos 5,18);
“Sim, ele morreu por todos, a fim de que os que vivem já não vivam para si, mas para
aquele que por eles morreu e ressurgiu.” (2Coríntios 5,15). Jesus redimiu também, tudo
que foi perdido na queda do primeiro casal no que diz respeito ao casamento, em Gálatas
3,13a, diz que Jesus nos redimiu da maldição da lei. Maldição voltada para o casamento e
a família dos que por desobediência se afastaram da presença de Deus “Receberás uma
mulher, mas outro a possuirá; construirás uma casa, mas não a habitarás; plantarás uma
vinha e não comerás os seus frutos. O teu boi será imolado sob os teus olhos, mas tu não
comerás dele; teu jumento será arrebatado em tua presença, e não te será jamais
restituído; tuas ovelhas serão dadas aos teus inimigos, sem que ninguém te venha em
socorro. Teus filhos e tuas filhas serão dados a um povo estrangeiro; os teus olhos o
verão e se consumirão de dor, esperando-os, mas a tua mão ficará impotente.”
(Deuteronômio 28,30-32). Jesus renova os padrões originais para o casamento, não
aceita o divorcio ou a separação como resposta, esclarecendo que a lei Mosaica foi aceita
apenas no período da pré-redenção, por causa da dureza de coração do homem (cf.
Mateus 19,3-9; Marcos 10,2-12; Lucas 16,18), Jesus vem mudar essa realidade,
transformando os corações separados, em um só coração (cf. Jeremias 32,39; Ezequiel
11,19-20), conforme o plano original de Deus, que não incluía o divorcio “...mas no
começo não foi assim.”(Mateus 19,8c). Ao orientar em particular os discípulos, Jesus não
deu margem alguma para o divórcio, deixando claro que quem repudia o seu cônjuge e se
casa com outro, esta vivendo em adultério. Aqui é importante esclarecer que estamos
falando do sacramento do matrimônio, realizado sem qualquer impedimento ou mentira,
do contrario, o casamento é falso e passivo de nulidade “Ora, eu vos declaro que todo
aquele que rejeita sua mulher, exceto no caso de matrimônio falso, e desposa uma outra,
comete adultério. E aquele que desposa uma mulher rejeitada, comete também
adultério.”(Mateus 19,9). Em havendo uma separação, os cônjuge devem se reconciliar
ou permanecer sem casar, vivendo castamente. Um novo casamento ou relacionamento
sexual ilícito enquanto o cônjuge estiver vivo, é um ato de adultério, “E, se ela estiver
separada, que fique sem se casar, ou que se reconcilie com seu marido. Igualmente, o
marido não repudie sua mulher.”(1Coríntios 7,11); “Por isso, enquanto viver o marido, se
se tornar mulher de outro homem, será chamada adúltera. Porém, morrendo o marido,
fica desligada da lei, de maneira que, sem se tornar adúltera, poderá casar-se com outro
homem.”(Romanos 7,3).
Aos que experimentaram o divórcio e um novo casamento, independente de como tomou
essa decisão, é importante buscar nas escrituras e na igreja, orientação para viver a sua
escolha conforme o plano de Deus. Não há aqui o desejo de condena-los, “De agora em
diante, pois, já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo. A
lei do Espírito de Vida me libertou, em Jesus Cristo, da lei do pecado e da
morte.”(Romanos 8,1-2), quando descobrimos que agimos contra a vontade de Deus em
qualquer área de nossa vida, precisamos nos arrependermos, para recebermos o perdão
de Deus e continuar a caminhada com Ele “Se reconhecemos os nossos pecados, (Deus
aí está) fiel e justo para nos perdoar os pecados e para nos purificar de toda
iniqüidade.”(1João 1,9). Reconhecer o pecado, arrepender-se e buscar a reconciliação
com Deus é melhor do que defender nossas ações.
Não é somente a união sexual contínua com outra pessoa, alheia ao casamento, que
constitui adultério, mas, o casar-se novamente também. Um novo casamento adúltero
acontece sobre um fundamentos pecaminoso, o que impossibilita a participação de Cristo
Jesus na união do casal. Mas se houver um arrependimento sincero desse fundamento
pecaminoso, e orientado pela igreja, houver a comprovação, de que o casamento anterior
foi estabelecido sob pressão e/ou contra a vontade de um dos cônjuge, ou ainda, apartir
de um ato mentiroso, pode não ter havido casamento anterior, o que abre a possibilidade
da igreja declarar a nulidade do falso casamento. apartir daí, o arrependimento do
fundamento pecaminoso, leva ao perdão de Deus, estabelecendo a Cristo como o novo
fundamento que faz dEle mesmo, parte vital do novo e verdadeiro casamento. Uma vez
que você tenha se arrependido e recebido o perdão de Deus, através do sacramento da
reconciliação, não permita que o inimigo o atormente e o condene, pois você esta livre
das amarras que o prendia “De agora em diante, pois, já não há nenhuma condenação
para aqueles que estão em Jesus Cristo. A lei do Espírito de Vida me libertou, em Jesus
Cristo, da lei do pecado e da morte.”(Romanos 8,1-2). À medida que seu testemunho de
vida entra em harmonia com a palavra de Deus, é o momento que você pode e deve
ajudar outras pessoas a evitar as mesma dificuldades, dor, conflitos experimentados por
você no passado.
O casamento em Cristo, dá ao casal o direito de receber tudo o que Deus tem para o
matrimônio, porque Ele comprou de volta com o seu sangue derramado na cruz, tudo o
que foi perdido por Adão e Eva no paraíso. Jesus nos faz nascer de novo, muda o nosso
coração, sem Cristo o casamento é apenas uma imitação do que Deus deseja. Já quando
o casamento é remido por Jesus, não há mais necessidade de preocupar-se com os
padrões mundanos, nem com as forças que estão destruindo os casamentos ao nosso
redor, porque Deus providencia ferramentas que nos capacitam a construir um casamento
conforme o seu projeto. Passamos a ter a visão de Deus e seguimos os princípios de sua
palavra, nos tornamos verdadeiros oásis de paz e poder de Deus para ajudar na
libertação dos casais em crise. Aprendemos através da orientação de Deus na palavra,
qual é o papel do homem e da mulher no sacramento do matrimônio.