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RESUMÃO DE DIREITO CONSTITUCIONAL DA PROF.

NELMA
Estratégia Carreira Jurídica

Olá, pessoal! Tudo bem?

Aqui é Ricardo Torques, coordenador do Estratégia Carreira Jurídica e


do Estratégia OAB. Além disso, sou professor de Direito Processual
Civil, Direito Eleitoral e Direitos Humanos.

Instagram: www.instagram.com/proftorques

E-mail da coordenação: ecj@estrategiaconcursos.com.br

Aguardo seu contato. ;) Dúvidas, críticas e sugestões são sempre bem-vindas!

Em nome da Prof. Nelma Fontana, gostaria de lhes apresentar o "Resumão de Direito


Constitucional". Elaborado com muito carinho e cuidado pela Professora, você terá uma visão
daquilo que é essencial de Direito Constitucional para Carreiras Jurídicas. Imprima este material,
tenha-o em mãos em véspera de prova. Tenho certeza de que irá ajudá-lo acertar questões
importantes.

Aproveito, ainda, para informá-los de que, nas próximas semanas haverá uma surpresa para quem
estuda para Carreiras Jurídicas. Um grande projeto se forma na Coruja Jurídica. Caso deseje saber
em primeira mão, ingresse neste canal de Telegram:

https://t.me/estrategiacarreirasjuridicas

Vamos mantê-los informados em primeira mão!

Grande abraço,

Ricardo Torques

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Sumário
Teoria da Constituição......................................................................................................................... 4

Constitucionalismo ......................................................................................................................................... 4

Conceitos e classificações de Constituição ..................................................................................................... 5

Histórico das Constituições brasileiras ........................................................................................................... 7

Poder Constituinte .......................................................................................................................................... 9

Classificação das normas constitucionais .................................................................................................... 11

Hermenêutica Constitucional ....................................................................................................................... 12

Princípios Fundamentais ................................................................................................................... 14

Direitos e Garantias Fundamentais ..................................................................................................... 16

Direitos e Deveres Individuais e Coletivos .................................................................................................... 18

Remédios Constitucionais ............................................................................................................................ 22

Direitos Sociais ............................................................................................................................................. 24

Direitos de Nacionalidade ............................................................................................................................ 25

Direitos Políticos ........................................................................................................................................... 26

Direitos Políticos ........................................................................................................................................... 29

Organização do Estado ...................................................................................................................... 30

Vedações Constitucionais ............................................................................................................................. 30

Da União ....................................................................................................................................................... 31

Dos Estados .................................................................................................................................................. 33

Dos Municípios ............................................................................................................................................. 35

Do Distrito Federal ....................................................................................................................................... 38

Dos Territórios .............................................................................................................................................. 38

Poder Legislativo .............................................................................................................................. 39

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Processo Legislativo ..................................................................................................................................... 43

Poder Executivo................................................................................................................................ 44

Poder Judiciário ................................................................................................................................ 46

Estatuto da Magistratura............................................................................................................................. 47

Quinto Constitucional ................................................................................................................................... 48

Garantias dos Magistrados .......................................................................................................................... 48

Vedações ...................................................................................................................................................... 49

Controle de Constitucionalidade ........................................................................................................ 49

Tributação e Orçamento.................................................................................................................... 54

Ordem Econômica e Financeira .......................................................................................................... 63

Ordem Social .................................................................................................................................... 65

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DIREITO CONSTITUCIONAL
TEORIA DA CONSTITUIÇÃO
Direito Constitucional é o ramo do direito público destinado a estudar as normas supremas e
estruturantes do Estado. Dedica-se à interpretação das normas constitucionais e tem por função
regulamentar e delimitar o poder estatal, além de garantir os direitos considerados fundamentais.

Classificação do Direito Constitucional:

1) Direito Constitucional Positivo: é aquele que tem por objeto de estudo uma determinada
constituição.

2) Direito Constitucional Comparado: é aquele que compara duas ou mais Constituições.

3) Direito Constitucional Geral: é aquele que estuda elementos e conceitos que devem estar
presentes em todas as Constituições.

Fontes do Direito Constitucional:

Lei suprema do Estado, da qual resultam todas as outras espécies


Constituição
normativas.
Costume Dizem respeito aos direitos fundamentais, à estrutura do Estado e à
constitucional organização do poder.
Em muitas situações, para solução do caso concreto, os magistrados
Jurisprudência precisam construir normas de decisão, pois as leis reiteradamente
apresentam conteúdo impreciso.
Na doutrina, tem-se a descrição do direito vigente, sua análise
Doutrina conceitual e a apresentação de propostas para a solução de problemas
jurídicos.

CONSTITUCIONALISMO

O Constitucionalismo pode ser classificado, conforme a doutrina, em quatro fases:


Constitucionalismo Antigo, Constitucionalismo Moderno, Constitucionalismo Contemporâneo e
Constitucionalismo do Futuro. As primeiras características de cada fase são:

CONSTITUCIONALISMO ANTIGO
(DA ANTIGUIDADE AO FINAL DO SÉCULO XVIII)
Estado hebreu: Costumes, dogmas religiosos e leis não escritas eram a principal fonte do direito
do povo hebreu.

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Grécia: adotou a democracia constitucional, mas não adotou Constituição escrita.


Roma: editadas normas jurídicas: constitutio.
Inglaterra: o poder político passou a ser limitado por lei. Respeitados os direitos e garantias
individuais. Instituída a Magna Carta.

CONSTITUCIONALISMO MODERNO
(FINAL DO SÉCULO XVIII A MEADOS DO SÉCULO XX)
Constituição escrita, rígida e solene.
Proteção aos direitos fundamentais.
Garantia da Separação de Poderes.
Constituições Liberais pautadas na liberdade: Estados Unidos e França.
Constituições Sociais pautadas na igualdade: México e Alemanha

CONSTITUCIONALISMO CONTEMPORÂNEO
(APÓS A 2ª GUERRA MUNDIAL)
Dignidade da pessoa humana passou a ter força normativa.
Surgiram direitos fundamentais de 3ª, 4ª e 5ª dimensões.
Início do Estado Democrático de Direito.

CONSTITUCIONALISMO DO FUTURO
Verdade, solidariedade, consenso, continuidade, participação, integração e continuidade.

CONCEITOS E CLASSIFICAÇÕES DE CONSTITUIÇÃO

Vários são os conceitos de Constituição, dentre os quais se destacam os seguintes:

Ferdinand Lassalle. Constituição é a soma dos fatores reais de poder.


Sentido Sociológico Existe no Estado uma Constituição real e efetiva e uma escrita (folha
de papel).
Carl Schmitt. Constituição é uma decisão política. Há diferença entre
Sentido Político Constituição e leis constitucionais. As últimas se sujeitam às primeiras,
pois apenas têm forma de Constituição.
A Constituição apenas trata de assuntos essenciais, fundamentais
Sentido Material
para a existência do Estado. Pode ter a forma escrita ou não escrita.
A Constituição é um documento solene dedicado à organização do
Sentido Formal
Estado. Pode conter qualquer assunto.

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Hans Kelsen. A Constituição é a lei suprema do Estado, o fundamento


de validade do ordenamento jurídico. É concebida no campo lógico-
Sentido Jurídico jurídico e no jurídico-positivo. No primeiro, busca alicerce na norma
fundamental. No segundo, a própria Constituição sustenta o
ordenamento jurídico.
A Constituição é a lei suprema do Estado, mas não pode ser apenas
Sentido Pós-positivista “norma pura”, porque deve apresentar correspondência com a
realidade, deve equilibrar direito e justiça; norma jurídica e ética.
Konrad Hesse. A Constituição tem valor normativo, validade jurídica
Força normativa da
e, por isso é capaz de fixar ordem e conformação à realidade política
Constituição
e social.
Trata-se uma Constituição Total, influenciada por questões
Sentido Culturalista
sociológicas, políticas, filosóficas e jurídicas.

Conforme o parâmetro estabelecido, uma Constituição poderá ter diferentes classificações.


Destacamos abaixo as mais abordadas nas questões de prova:

Material: só trata de matérias tipicamente constitucionais.


Quanto ao conteúdo Formal: trata de assuntos variados, mas todos constam do mesmo
documento solene.
Escrita: organizada em um documento solene de organização do
Quanto à forma Estado.
Não-escrita: encontrada em leis esparsas, costumes, jurisprudências.
Dogmática: feita por um órgão constituinte que reuniu os dogmas de
Quanto ao modo de estruturação do Estado em um único documento.
elaboração Histórica: fruto da lenta evolução histórica de um povo, por isso
encontrada em variados documentos.
Analítica: trata de assuntos diversos, por isso o texto é extenso.
Quanto à extensão Sintética: só trata de assuntos fundamentais para a existência do
Estado, por isso seu texto é conciso.
Garantia: tem o propósito de apenas limitar poderes e organizar a
estrutura mínima do Estado.
Quanto à finalidade
Dirigente: tem a finalidade de dirigir o Estado acerca de variados
assuntos. Cria programas para o legislador ordinário.
Outorgada: imposta ao povo.
Promulgada: feita por representantes do povo.
Quanto à origem
Cesarista: submetida à consulta popular.
Pactuada: fruto do acordo entre duas ou mais forças políticas.
Imutável: não admite atualizações.
Rígida: é atualizada por meio de processo legislativo mais rigoroso
Quanto à estabilidade
que o da lei.
Flexível: é atualizada da mesma forma que a lei comum.

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Semirrígida: tem dois procedimentos de modificação: uma mais


rígido que a lei e outro igual.
Semântica: não tem valor jurídico, é apenas instrumento de
legitimação de poder.
Quanto à
Nominal: embora tenha valor jurídico, ainda não apresenta completa
correspondência com a
correspondência com a realidade.
realidade
Normativa: legitimamente criada e guarda correspondência com a
realidade.
Ortodoxa: admite apenas uma ideologia.
Quanto à ideologia
Eclética: admite ideologias opostas.
Autoconstituição: criada por órgão constituinte do próprio Estado.
Quanto à origem da
Heteroconstituição: Criada por órgão constituinte de outro Estado ou
decretação
por órgão internacional.
Liberal: pautada na liberdade individual e na proibição de agir para o
Estado.
Quanto ao objeto
Social: pautada na igualdade e na obrigatoriedade de que o Estado
desenvolva políticas públicas em defesa dos hipossuficientes.
Principiológica: contém normas de alta abstração, enumera valores
Quanto ao sistema que precisam ser perqueridos pelo Estado.
Preceitual: prima por regras jurídicas e não por princípios jurídicos.

HISTÓRICO DAS CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS

O Brasil já adotou sete diferentes Constituições. Abaixo, constam as principais características de


cada uma delas. Vejamos:

CONSTITUIÇÃO DE 1824 (BRASIL IMPÉRIO)


➢ Constituição outorgada.
➢ Forma de Estado: Unitário.
➢ Forma de Governo: Monarquia Constitucional hereditária.
➢ Regime de Governo: autocrático.
➢ Organização de Poderes: quatro Poderes, pois foi instituído o Moderador.
➢ Direitos políticos: voto censitário, capacitário e proibido para mulheres.
➢ Religião oficial: Católica.
➢ Não havia liberdade de crença.
➢ Constituição semirrígida.

CONSTITUIÇÃO DE 1891 (BRASIL REPÚBLICA)


➢ Constituição promulgada, inspirada na Constituição dos Estados Unidos. Liberal.
➢ Forma de Estado: Federativa.

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➢ Forma de Governo: República.


➢ Regime de Governo: democrático.
➢ Sistema de Governo: Presidencialista
➢ Organização de Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.
➢ Direitos políticos: fim do voto censitário. Voto proibido para analfabetos, mulheres,
mendigos, soldados e religiosos sujeitos à obediência eclesiástica. Voto aberto.
➢ Primeira a assegurar o habeas corpus.
➢ Controle de constitucionalidade: admitido o controle difuso com efeito inter partes.
➢ Elenca direitos fundamentais de 1ª geração.

CONSTITUIÇÃO DE 1934 (BRASIL REPÚBLICA)


➢ Constituição promulgada, inspirada na Constituição Alemã de Weimar. Estado Social.
➢ Poder Legislativo bicameral, mas com mitigação das atividades do Senado. Havia
deputados eleitos pelo sistema proporcional e deputados classistas.
➢ O voto passou a ser secreto. As mulheres conquistaram o direito de votar.
➢ Elencou direitos fundamentais de 2ª geração. Direitos trabalhistas foram
constitucionalizados.
➢ Foram criados o mandado de segurança e a ação popular.
➢ Controle de constitucionalidade: o Senado recebeu a prerrogativa de, no controle difuso,
suspender a aplicação de lei declarada inconstitucional pelo Judiciário. Criada a
representação interventiva e o recurso extraordinário.

CONSTITUIÇÃO DE 1937 (CONSTITUIÇÃO POLACA – ESTADO NOVO)


➢ Constituição outorgada, inspirada na Constituição da Polônia. Inspiração nazifascista.
➢ O Poder Executivo, exercido pelo Presidente, se sobrepôs a todos os outros. O
Presidente agia por decreto-lei.
➢ Regime político autoritário e centralista.
➢ Não havia garantia de direitos fundamentais. Criadas a pena de morte e a censura prévia.
O mandado de segurança deixou de ter garantia constitucional.
➢ A autonomia dos estados-membros foi mitigada.
➢ Controle de Constitucionalidade: o Senado perdeu a prerrogativa de suspender a
aplicação de lei inconstitucional.

CONSTITUIÇÃO DE 1946 (QUARTA REPÚBLICA)


➢ Constituição promulgada. Retomou o modelo de Estado da Constituição de 1934.
Liberal. Democrática.
➢ Os direitos fundamentais foram ampliados. O direito de greve foi constitucionalizado.

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➢ O sufrágio passou a ser universal. Voto direto e secreto. Partidos políticos autônomos e
com caráter nacional.
➢ O mandato do Presidente passou a ser de cinco anos, vedada a reeleição.
➢ Câmara e Senado voltaram a ter atuação equilibrada. Os deputados classistas instituídos
pela Constituição de 1934 deixaram de existir.

CONSTITUIÇÃO DE 1967/EMENDA 1 DE 1969 (DITADURA MILITAR)


➢ Constituição outorgada.
➢ Mitigação das atividades do Poder Legislativo e do Poder Judiciário. Excesso de Poder
para o Presidente da República.
➢ Normas constitucionais podiam ser modificadas por atos institucionais.
➢ Voto indireto e nominal para escolha do Presidente da República.
➢ Restrição de direitos individuais, especialmente aqueles ligados à liberdade.
➢ Criadas as penas de confisco, morte e de prisão perpétua.

CONSTITUIÇÃO DE 1988 (CONSTITUIÇÃO CIDADÃ)


➢ Constituição promulgada. Retomou o modelo de Estado estabelecido pela Constituição
de 1946.
➢ Fundada em direitos e garantias fundamentais. Instituídos os remédios constitucionais
habeas data e mandado de injunção.
➢ O concurso público passou a ser a principal forma de acesso a cargos e empregos
públicos.
➢ Voto direto, secreto e universal.
➢ O meio ambiente equilibrado passou a ser direito.
➢ Criadas a ação declaratória de constitucionalidade, ação direta de inconstitucionalidade
por omissão e a arguição de descumprimento de preceito fundamental.

PODER CONSTITUINTE

Poder Constituinte é o poder utilizado para criar uma Constituição e para atualizar os seus
dispositivos.

A titularidade do poder constituinte é do povo, mas seu exercício é dos representantes do povo,
escolhidos democraticamente ou não.

Para a doutrina clássica, há duas espécies de poder constituinte: originário e derivado.

O Poder Constituinte Originário é o cria a Constituição. Suas principais características são:


ilimitado, incondicionado, insubordinado, inicial, autônomo, permanente, político.

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Em decorrências das características de ilimitado e incondicionado, a entrada em vigor de uma


nova Constituição no ordenamento jurídico brasileiro provoca a ruptura com a ordem jurídica
anterior, de maneira que, tacitamente, a Constituição pretérita fica revogada. As leis
infraconstitucionais podem ser recepcionadas ou revogadas pelo novo texto, a depender de terem
ou não compatibilidade material com a nova Constituição.

A Constituição Nova revoga Os fatos futuros de negócios


ou recepciona tacitamente as jurídicos anteriores à entrada
A ConstituiçãoNova revoga
leis infraconstitucionais em vigor do novo texto
tacitamente a Constituição
pretéritas, confome sejam ou constitucional são alcançados
anterior
não compatíveis com o novo pelas novas regras
texto constitucional, constitucionais.

O Poder Constituinte Derivado atualiza a Constituição Federal ou cria a Constituição Estadual.


Divide-se em Reformador, Revisor e Decorrente.
Poder Derivado

Reformador

Revisor

Decorrente

O Poder Derivado Reformador atualiza a Constituição Federal por meio de emendas.

Apenas o Presidente da República; um terço da Câmara ou do Senado; mais da metade das


Assembleias Legislativas, cada uma representada por sua maioria relativa, podem iniciar o
processo legislativo das emendas.

A PEC deve ser votada em dois turnos em cada Casa do Congresso Nacional. O Quórum exigido
para aprovação é o de 3/5. Uma vez aprovada, segue para promulgação feita pela Mesa da Câmara
e pela Mesa do Senado.

A Constituição não poderá ser emendada na vigência de estado de defesa, estado de sítio ou de
intervenção federal.

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Matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser
objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.

Emenda não pode abolir a forma federativa de Estado; o voto direto, secreto, universal e
periódico; a separação de Poderes; os direitos e garantias individuais. Esses assuntos são
denominados cláusulas pétreas.

Poder Constituinte Derivado Decorrente é o que cria a Constituição Estadual.

Poder Constituinte Derivado Revisor teve o propósito de atualizar a Constituição Federal por meio
de processo legislativo simplificado (sessão unicameral do Congresso Nacional; quórum de maioria
absoluta).

Vamos sistematizar e comparar as diferenças entre reforma e revisão:

REFORMA (ART. 60) EMENDAS REVISÃO (ART. 3º DO ADCT) EMENDAS DE REVISÃO


Procedimento único. Nova revisão simplificada da
Procedimento permanente.
Constituição é inconstitucional.
A revisão só pode ser feita após cinco anos da
Não sofre limite temporal.
promulgação da Constituição Federal.
O Congresso se reúne em sessão bicameral O Congresso se reuniu em sessão unicameral
(Câmara e Senado atuam separadamente). (Câmara e Senado juntos e votando juntos).
Procedimento mais rigoroso (duas votações
Procedimento mais simples que o da reforma.
em cada Casa do Congresso Nacional, em
Votação em sessão unicameral, com o quórum de
dois turnos, com o quórum de três quintos,
maioria absoluta.
em cada turno, em cada Casa).
Promulgação feita pela Mesa da Câmara e Promulgação feita pela Mesa do Congresso
pela Mesa do Senado. Nacional.
Sofreu limitação material, circunstancial e
Sofreu limitação material, circunstancial e formal.
formal.

CLASSIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS

Na lição de José Afonso da Silva, as normas constitucionais classificam-se, conforme a eficácia,


em:

1) Normas de Eficácia Plena: é aquela que produz desde logo todos os seus efeitos jurídicos e não
comporta a possibilidade de restrição em nível legal.

2) Normas de Eficácia Contida: é aquela que produz desde logo todos os seus efeitos jurídicos,
mas admite algum condicionamento no âmbito legal.

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3) Normas de Eficácia Limitada: é aquela que não produz desde logo todos os seus efeitos e
precisa ser completada pelo legislador ordinário.

As normas constitucionais de eficácia limitada são subdivididas em normas de princípio institutivo


e normas de princípio programático.

São normas constitucionais de princípio institutivo aquelas por meio das quais o legislador
constituinte traça esquemas gerais de estruturação e atribuições de órgãos, entidades ou
institutos, para que o legislador ordinário os estruture em definitivo, mediante lei.

São normas de princípio programático aquelas que implementam política de governo a ser
seguida pelo legislador ordinário, ou seja, traçam diretrizes e fins colimados pelo Estado na
consecução dos fins sociais.

Norma Plena imediata direta integral

possivelmente,
Norma Contida imediata direta
não integral.

dependente de
Norma Limitada mediata indireta regulamentaçã
o.

HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL

A interpretação da Constituição é o processo que busca compreender, investigar e revelar o


conteúdo, o significado e o alcance dos dispositivos que integram a Lei Maior. É uma atividade de
mediação que torna possível concretizar, realizar e aplicar as normas constitucionais.

A hermenêutica constitucional é um processo aberto e admite a participação de todos quantos


estão sujeitos à jurisdição constitucional.

A interpretação das normas constitucionais deve ser feita de acordo com as seguintes premissas:

➢ a interpretação constitucional deve ser realizada de maneira a evitar contradições entre suas
normas (Princípio da Unidade da Constituição);

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➢ na resolução dos problemas jurídicos-constitucionais, deverá ser dada maior primazia aos
critérios favorecedores da integração política e social, bem como ao reforço da unidade
política (Princípio do efeito integrador);
➢ a uma norma constitucional deve ser atribuído o sentido que maior eficácia lhe conceda
(Princípio da máxima efetividade);
➢ os órgãos encarregados da interpretação da norma constitucional não poderão chegar a
uma posição que subverta, altere ou perturbe o esquema organizacional
constitucionalmente estabelecido pelo legislador constituinte originário (Princípio da
conformidade funcional);
➢ exige-se a coordenação e a combinação dos bens jurídicos em conflito de forma a evitar o
sacrifício total de uns em relação aos outros (Princípio da harmonização);
➢ entre as interpretações possíveis, deve ser adotada aquela que garanta maior eficácia,
aplicabilidade e permanência das normas constitucionais (Interpretação conforme a
Constituição);
➢ O intérprete deve dar à Constituição máxima aplicabilidade (Princípio da força normativa
da Constituição);
➢ Na interpretação de direitos fundamentais, quando houver colisão de valores, o intérprete
deverá analisar o caso concreto, para selecionar o direito aplicado e relativizar o outro, a
partir da ponderação de bens jurídicos (Princípio da razoabilidade);
➢ A validade de qualquer norma jurídica é extraída da Constituição (Princípio da Supremacia
da Constituição);
➢ As leis são presumidas constitucionais, de forma que a declaração de inconstitucionalidade
deve ser evitada (Presunção de Constitucionalidade das leis).

Métodos de interpretação da Constituição:

O método jurídico (hermenêutico clássico) define os cânones tradicionais de hermenêutica, os


mesmos utilizados para a interpretação das demais leis, porque a Constituição é uma espécie do
gênero “lei”. O texto constitucional é o ponto de partida e o limite do trabalho do intérprete, de
modo que o hermeneuta não poderá ultrapassar o teor literal da Constituição.

Por outro lado, enquanto o método jurídico busca a valorização do texto constitucional, o método
tópico-problemático dá maior relevo ao problema, isto é, a interpretação das normas
constitucionais é feita a partir de um processo aberto de argumentação entre os vários intérpretes,
de maneira a adequar a Constituição ao problema e este à Constituição.

O método hermenêutico-concretizador impulsiona a interpretação da Constituição a partir de um


movimento de “ir e vir”, do subjetivo para o objetivo e deste para o subjetivo. O intérprete tem
uma pré-compreensão da Constituição, mas quando analisa o caso concreto, é possível que seu
pensamento seja reformulado.

No método tópico-problemático, a norma se adequa ao problema. Por outro lado, no método


hermenêutico-concretizador, parte-se da norma para o problema.

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No método científico-espiritual, a realidade da comunidade e os valores de um povo norteiam a


atividade de interpretação da Constituição, de forma que as normas constitucionais se integram à
realidade espiritual da comunidade.

Por último, o método normativo-estruturante diferencia a norma jurídica do texto normativo. A


norma jurídica ultrapassa o texto normativo e é formada também pela atividade jurisdicional e
pela administrativa. Assim, deve o intérprete buscar não apenas compreender o texto literal da
Constituição, mas buscar a sua concretização na realidade social.

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
Princípios e regras compõem as normas jurídicas. Os princípios são abstratos e mais abrangentes
que as regras jurídicas, que são mandamentos absolutos.

Os conflitos entre regras jurídicas são resolvidos a partir da fixação de uma cláusula de exceção.
Quando não possível, por meio da aplicação do critério hierárquico ou do critério da
especialidade.

O conflito entre princípios deve ser resolvido, no caso concreto, conforme as circunstâncias fáticas
e jurídicas, por meio da ponderação dos bens jurídicos envolvidos.

Quando há conflito entre regras e princípios que estão no mesmo plano, prevalece a regra. Se
estiverem em planos diferentes, a regra será afastada quando inconstitucional.

Princípios Fundamentais

Princípios fundamentais, de acordo com Canotilho, são “princípios definidores da Estrutura do


Estado, dos princípios estruturantes do regime político e dos princípios caracterizadores da forma
de governo e da organização política em geral.”

Os princípios são mandamentos essenciais, o núcleo do ordenamento jurídico brasileiro.


Fundamentam todos os demais artigos do texto da Constituição brasileira e dão norte à
construção de atos administrativos e políticos.

Na Constituição Federal de 1988, os Princípios Fundamentais da República Federativa do Brasil


constam do primeiro título, entre os artigos 1º e 4º, e compreendem:

O Brasil adota a forma republicana de governo.


Formas de Governo
As principais características republicanas são: eletividade,
➢ República
temporalidade, representatividade popular e
➢ Monarquia
responsabilidade.

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A República, embora não tenha sido consagrada


expressamente como cláusula pétrea, é princípio
constitucional sensível.
O Brasil adota o modelo federativo de Estado.
As principais características federativas são: autonomia dos
Formas de Estado
entes federativos; soberania do Estado Federal; vedação à
➢ Unitário
secessão; Constituição rígida; órgão representantes dos
➢ Federal
Estados-membros; órgão guardião da Constituição.
A forma federativa de Estado é cláusula pétrea.
O regime político adotado no Brasil é o democrático.
Regimes Políticos A democracia é semidireta (participativa), de maneira que o
➢ Autocracia povo elege representantes, mas preserva mecanismos de
➢ Democracia participação direta, tais como o plebiscito, o referendo e a
iniciativa popular.
➢ Soberania;
➢ Cidadania;
Fundamentos da República
➢ Dignidade da pessoa humana;
Federativa do Brasil
➢ Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
➢ Pluralismo político.
Não há no Estado brasileiro uma rigorosa separação de
Poderes, o que se divide são as funções do Estado:
administrar, legislar e julgar.
Separação de Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário atuam de modo
independente, mas também harmônico, de modo que
atipicamente um Poder pode exercer a função que é típica do
outro.
São objetivos da República Federativa do Brasil:
➢ construir uma sociedade livre, justa e solidária;
➢ garantir o desenvolvimento nacional;
➢ erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as
Objetivos
desigualdades sociais e regionais;
➢ promover o bem de todos, sem preconceitos de
origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras
formas de discriminação.
➢ independência nacional;
➢ prevalência dos direitos humanos;
➢ autodeterminação dos povos;
Princípios que regem as
➢ não-intervenção;
relações internacionais do
➢ igualdade entre os Estados;
Brasil
➢ defesa da paz;
➢ solução pacífica dos conflitos;
➢ repúdio ao terrorismo e ao racismo;

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➢ cooperação entre os povos para o progresso da


humanidade;
➢ concessão de asilo político.

DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS


Há diferença entre direitos humanos e direitos fundamentais:

Direitos Previstos em tratados


Inerentes de seres humanos
Humanos internacionais

Previstos na
Direitos Destinados a pessoas naturais
Constituição e nas leis
Fundamentais e jurídicas
de um dado País.

Os direitos fundamentais surgiram de liberdades negativas (século XVIII) e de liberdades positivas


(séculos XIX e XX).

Segundo o professor alemão George Jellinek, os direitos fundamentais podem ser classificados
em quatro status: status passivo; status negativo; status positivo e status ativo:

OS QUATRO STATUS DE GEORG JELLINEK


O indivíduo é titular de deveres individuais. Está subordinado ao
Status passivo
Estado.
O indivíduo tem autodeterminação. É titular de direitos individuais,
Status negativo
direitos de resistência, que impedem um fazer do Estado.
O indivíduo exige do Estado um agir que lhe proporcione bens e
Status positivo
serviços.
O indivíduo exerce direitos políticos. Participa da formação do Estado
Status ativo
por meio do voto.

A partir da teoria de Jellinek, surgiu a classificação trialista dos direitos fundamentais: direitos de
defesa (status negativo), direitos de prestação (status positivo) e direitos de participação (status
ativo).

Os direitos fundamentais também são classificados em gerações (dimensões):

1ª GERAÇÃO 2ª GERAÇÃO 3ª GERAÇÃO 4ª GERAÇÃO 5ª GERAÇÃO


Igualdade Fraternidade
Liberdade (XVIII) (XX/XXI) (XXI)
(XIX/XX) (XX)
Negativos Positivos Difusos --- ---

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Bonavides:
direito ao meio
democracia,
ambiente; direito
informação e Bonavides: paz.
direitos ao progresso;
direitos sociais, pluralismo.
individuais, civis direito de
culturais e Outros autores:
e direitos comunicação;
econômicos. Bobbio: realidade virtual
políticos. direito ao
manipulação do e internet.
patrimônio da
patrimônio
humanidade.
genético.

A aplicabilidade dos direitos fundamentais pode ser percebida em duas dimensões: subjetiva e
objetiva.

A dimensão subjetiva é concebida sob a perspectiva do indivíduo e compreende os direitos de


defesa (os direitos negativos) e os direitos de prestação (os direitos positivos).

A dimensão objetiva (eficácia irradiante) é concebida do ponto de vista da comunidade e nela


constam os direitos que regulam a atuação dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e
norteiam a relação entre particulares.

Os direitos fundamentais têm incidência na relação entre os Estado e os indivíduos (eficácia


vertical) e na relação entre particulares (eficácia horizontal).

Os conflitos entre direitos fundamentais (colisão ou concorrência) devem ser resolvidos sempre
por meio da interpretação do caso, a partir de um juízo de ponderação dos bens jurídicos
envolvidos, a fim de que um seja selecionado e outro seja relativizado, evitando-se o sacrifício total
de um deles.

As principais características dos direitos fundamentais são:

Limitabilidade

Universalidade Imprescritibilidade

Irrenunciabilidade Inalienabilidade

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No Brasil, os direitos e garantias fundamentais estão organizados em cinco categorias. São elas:

➢ Capítulo I: Direitos e Deveres Individuais e Coletivos (artigo 5º da CF);


➢ Capítulo II: Direitos Sociais (do artigo 6º ao 11 da CF);
➢ Capítulo III: Direitos de Nacionalidade (do artigo 12 ao 13 da CF);
➢ Capítulo IV: Direitos Políticos (do artigo 14 ao 16 da CF);
➢ Capítulo V: Partidos Políticos (artigo 17 da CF).

São titulares de direitos e garantias fundamentais os brasileiros, os estrangeiros e as pessoas


jurídicas.

Os direitos fundamentais listados no título II da Constituição Federal são apenas exemplificativos.


Há outros nas leis infraconstitucionais, em outros artigos da Constituição e nos tratados
internacionais.

As normas definidoras de direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.

DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS

O artigo 5º da Constituição Federal reúne a maior parte dos direitos e garantias individuais, dentre
os quais destacaremos os mais abordados nas provas dos concursos:

1) Direito à vida

É o mais básico dentre os direitos fundamentais, uma vez que dá origem a todos os outros. Trata-
se de direito fundamental autônomo que tem duas acepções: negativa e positiva.

Em sua acepção negativa, garante o direito de estar vivo, de permanecer vivo, de forma que nem
o Estado e nem o particular poderão intervir na existência física de alguém. Em sua acepção
positiva garante a vida digna, de modo que não basta estar vivo, mas viver com a dignidade
própria de um ser da espécie humana.

O direito à vida, embora seja o mais fundamental dos direitos, não é absoluto, de modo que, no
caso concreto, em hipótese de colisão com outros bens, poderá sofrer a relativização. As restrições
ao direito à vida ora resultam de lei, ora de decisão judicial, ora da própria Constituição.

2) Princípio da igualdade

A Constituição Federal declara que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza”. Essa igualdade deve ser concebida na perspectiva material, segundo a qual deve o
Estado buscar proporcionar tratamento igualitário aos que estão em condição de igualdade e
tratamento desigual aos que estão em condição de desigualdade, à medida de suas próprias
desigualdades.

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O princípio da igualdade está consubstanciado em duas dimensões: uma objetiva e outra


subjetiva.

Em sua dimensão objetiva, a igualdade impõe ao Poder Público a adoção de medidas que
reduzam as desigualdades sociais e regionais e de medidas que amparem a todos quantos
estiverem em situação de desigualdade.

Por outro lado, em sua dimensão subjetiva, o princípio da igualdade assegura prestações negativas
(o indivíduo tem o direito de defesa perante o Estado, de modo que este não aja arbitrariamente
por meio de igualizações) e prestações positivas (grupos têm o direito de exigir políticas públicas
que minimizem a desigualdade de fato, como por exemplo, quotas para negros nas universidades
e quotas para deficientes na Administração Pública).

É na perspectiva dessas dimensões que surgem as chamadas “ações afirmativas do Estado”, que
consistem em políticas públicas ou programas de ação que buscam a redução das desigualdades
decorrentes de discriminação étnica, de gênero, de classe social, ou por deficiência física ou
mental, por meio da concessão de uma vantagem compensatória. É o caso da “Lei Maria da
Penha”, por exemplo, que reconhece a desigualdade histórica e física entre homens e mulheres e
trata as mulheres de modo desigual.

3) Sigilo de dados

Em garantia do direito de intimidade, a Constituição Federal assegura a inviolabilidade do sigilo


de dados. O conteúdo de extratos bancários (dados bancários), registro de ligações telefônicas
(dados telefônicos), de arquivos de computadores (dados informáticos) e de declarações de
imposto de renda (dados fiscais) deve ser mantido sob sigilo. É garantido ao indivíduo o direito
de ver resguardado o conteúdo das informações a seu respeito, contidas em diversos tipos de
documentos.

Havendo fundadas razões (elemento material), é possível que as autoridades estatais legitimadas,
conforme a situação concreta (elemento formal), intervenham no campo privado, para obter dados
bancários, fiscais, telefônicos ou informáticos de pessoa investigada.

São legitimados a promoverem a quebra de sigilo de dados as autoridades judiciais e a Comissão


Parlamentar de Inquérito (CPI). Note que autoridades fiscais, autoridades policiais, Tribunais de
Contas e o Ministério Público não poderão diretamente fazer a quebra de sigilo de dados. Apenas
por ordem judicial ou por determinação de CPI, informações particulares poderão ser por terceiros
acessadas.

O Tribunal de Contas da União não tem legitimidade para quebrar sigilo bancário, dada a
inexistência de autorização legal para tal (MS 22.801; MS 22.934). Por outro lado, o sigilo de
informações necessárias para a preservação da intimidade é relativizado quando se está diante do
interesse da sociedade de se conhecer o destino dos recursos públicos. “Operações financeiras
que envolvam recursos públicos não estão abrangidas pelo sigilo bancário a que alude a LC

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105/2001, visto que as operações dessa espécie estão submetidas aos princípios da administração
pública insculpidos no art. 37 da CF.” (MS 33.340/2015).

Na mesma linha, podemos concluir que não cabe ao Ministério Público fazer quebra de sigilo de
dados, inclusive bancários; antes, cabe ao Parquet fazer ao Judiciário a solicitação. Todavia, o
Supremo Tribunal Federal entendeu que se a investigação envolver receitas públicas, poderá o
Ministério Público requisitar diretamente tais informações, afastando-se, pois, a cláusula de sigilo
bancário e aplicando-se a publicidade, princípio que rege a Administração Pública (MS 21.729/DF).

O STF, no RE 1.055.941, colocou fim à discussão a respeito da Lei 9.613/1998 (Lei de Lavagem de
Dinheiro) segundo a qual o COAF deve comunicar ao Ministério Público a existência de crimes em
razão da movimentação suspeita de dinheiro. O ponto discutido foi: pode o Parquet obter
diretamente, sem ordem judicial, do COAF dados bancários de contribuinte? O Tribunal entendeu
que sim e aprovou a seguinte tese (na data da tese, COAF era UIF):

“É constitucional o compartilhamento dos relatórios de inteligência financeira da UIF e


da íntegra do procedimento de fiscalização da Receita Federal com as polícias e o
Ministério Público, sem a obrigatoriedade de prévia autorização judicial. Deve ser
resguardado o sigilo das informações e as investigações estão sujeitas a controle
posterior da Justiça O compartilhamento de relatórios financeiros pela UIF e pela
Receita deve ser feito por um sistema oficial de comunicação, com garantia de sigilo e
instrumentos que permitam apurar desvios.”

Por último, na mesma toada, as autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios, nos termos do artigo 6º da Lei Complementar 105/2001,
poderão ter acesso direto, sem a necessidade de ordem judicial, a dados de instituições
financeiras, quando indispensáveis para a apuração de ilícitos. Os dados obtidos deverão ser
mantidos sob sigilo (não poderão ser revelados a terceiros).

4) Do sigilo da comunicação telefônica

O sigilo de comunicação telefônica tem uma proteção mais abrangente que o sigilo de dados, de
maneira que só poderá ser quebrado se preenchidas três exigências: 1) existência de lei que
regulamente as hipóteses e na forma da interceptação (reserva legal), pois a norma é de eficácia
limitada; 2) ordem judicial específica; 3) investigação criminal ou instrução processual penal.

5) Liberdade profissional

No Brasil, não existe predestinação profissional, de maneira que a qualquer indivíduo, a qualquer
tempo, é dado o direito de livremente escolher ofício, trabalho ou profissão.

O exercício da liberdade profissional não está vinculado à existência de lei que regulamente o
ofício, pois a norma constitucional é de eficácia contida, isto é, tem aplicabilidade direta e
imediata, embora possa sofrer redução de alcance por lei.

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Nota-se, então, que a lei, quando regulamenta a profissão, exige qualificações profissionais que
deverão ser atendidas pelos indivíduos. Porém, a inexistência de lei não impede o exercício de
profissão; antes, possibilidade uma ampla liberdade.

6) Liberdade de reunião

A reunião de duas ou mais pessoas, num determinado local franqueado ao público, para uma
finalidade compartilhada, caracteriza o direito de reunião.

A existência do direito de reunião está condicionada aos seguintes elementos: 1) elemento


teleológico; 2) finalidade pacífica; 3) ausência de armas; 4) prévio aviso às autoridades
competentes.

7) Liberdade de associação

O direito de associação, assim como o direito de reunião, constitui direito individual de expressão
coletiva, já que a sua materialização depende da atuação de duas ou mais pessoas. Enquanto o
direito de reunião pressupõe eventualidade, o direito de associação indica continuidade, porque
a coligação de pessoas tem um propósito comum sem prazo determinado.

O texto constitucional assevera que é plena a liberdade de associação para fins lícitos. Como o
direito é fruto de liberdade, a criação de associações é livre e não depende da autorização do
Estado. Tal liberdade possibilita a coexistência de mais de uma associação, representante de uma
mesma classe ou categoria profissional, ou com mesma finalidade, dentro da mesma base
territorial.

A liberdade de associação possui duas dimensões, uma dimensão positiva, que assegura a
qualquer pessoa (física ou jurídica) o direito de associar-se e de formar associações, e uma
dimensão negativa, pois garante a qualquer pessoa o direito de não se associar, nem de ser
compelida a filiar-se ou a desfiliar-se de determinada entidade.

A interferência do Estado no funcionamento de uma associação só poderá ocorrer em duas


hipóteses: 1) prática de atos ilícitos; 2) caráter paramilitar. No mais, é plena a liberdade de
associação. Agora, mesmo nos casos em que poderá o Poder Público interferir, é preciso cuidar
para que o procedimento seja judicial e não administrativo. Destarte, uma associação só poderá
ser compulsoriamente dissolvida ou ter as suas atividades suspensas compulsoriamente mediante
sentença judicial, exigindo-se no primeiro caso o trânsito em julgado.

A associação tem legitimidade para representar os filiados em âmbito judicial e extrajudicial, tanto
interesses individuais, quanto coletivos. Em todos os casos, é necessária a autorização expressa
do (s) associado(s).

A associação poderá atuar também em substituição processual. Nesse caso, não dependerá de
autorização expressa dos associados.

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REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS

Os “remédios constitucionais” são garantias dos direitos e liberdades apregoados na Constituição


Federal. São meios colocados à disposição dos indivíduos para salvaguarda de seus direitos.
Objetivam, precipuamente, atacar atos ilegais ou abusivos praticados pelo Poder Público.

Legitimados
Finalidade Legitimados ativos Modalidade
passivos
Preventiva;
Combater ato Brasileiros e
ilegal ou abusivo estrangeiros;
Liberatória;
Autoridade
capaz de causar
Pessoa jurídica pública;
Habeas Corpus violência ou Individual;
(em defesa de
coação à
pessoa física); Particulares. Coletivo (de
liberdade de
locomoção. acordo com o
Ministério Público
STF).
Assegurar o
conhecimento, a Brasileiros e
estrangeiros; Órgão ou
retificação ou a
entidade
Habeas Data complementação Individual
Pessoas jurídicas; detentora da
de informações
informação.
relativas à pessoa Ministério Público.
do impetrante.
Autoridade
Proteger direito pública e pessoa Preventiva;
Brasileiros e
líquido e certo, jurídica a ela
estrangeiros;
vinculada. Liberatória;
Mandado de não amparado
Segurança por habeas Pessoas jurídicas,
Ministério Individual;
corpus ou habeas formais e entes
Público;
data. despersonalizados. Coletivo.
Partido Político
Tornar viável o
exercício dos
Autoridades ou
direitos e
órgãos
liberdades Brasileiros e
responsáveis Individual;
Mandado de constitucionais e estrangeiros;
pela elaboração
Injunção das prerrogativas
da norma Coletivo.
inerentes à Pessoas jurídicas.
regulamentadora
nacionalidade, à
da Constituição.
soberania e à
cidadania,

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prejudicados pela
falta de norma
regulamentadora.
Anular ato lesivo
ao patrimônio
público ou de Autoridade
entidade de que pública e pessoa
o Estado Somente o jurídica de
Preventiva;
participe, à cidadão. direito público a
Ação Popular
moralidade que pertencer a
Represiva.
administrativa, ao autoridade que
meio ambiente e praticou o ato
ao patrimônio combatido.
histórico e
cultural.
Natureza Procedimento Gratuidade Liminar
Especial (CPP).

Tem total
Habeas Corpus Penal Sim Sim
preferência de
distribuição e
julgamento.
Especial (Lei
9.507/1997).

Preferência de
Habeas Data Cível distribuição e Sim. Sim.
julgamento após
habeas corpus e
mandado de
segurança.
Especial (Lei
12.016/2009).
Mandado de
Cível Preferência de Sim.
Segurança
distribuição e
julgamento após
habeas corpus.
Mandado de Especial (Lei
Cível Não.
Injunção 13.300/2016.
Sim, salvo
Ação Popular Cível Comum (CPC) comprovada má- Sim.
fé do didadão.

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Legitimados ativos
a) partido político com representação no Congresso Nacional;
Mandado de Segurança
Coletivo b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente
constituída e em funcionamento há pelo menos um ano.
I - pelo Ministério Públicos;

II - por partido político com representação no Congresso Nacional,


Mandado de Injunção
III - por organização sindical, entidade de classe ou associação
Coletivo
legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos 1 (um)
ano.

IV - pela Defensoria Pública.

DIREITOS SOCIAIS

A Constituição Federal elencou expressamente onze direitos sociais. São eles: a educação, a
saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência
social, a proteção à maternidade e à infância, e a assistência aos desamparados. Essa enumeração
é apenas exemplificativa, pois há outros direitos sociais espalhados ao longo do texto
constitucional.

Vários direitos trabalhistas foram constitucionalizados, mas nem todos foram estendidos aos
trabalhadores domésticos. São eles:

✓ Piso salarial proporcional;


✓ participação nos lucros;
✓ jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento;
✓ proteção do mercado de trabalho da mulher;
✓ adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas;
✓ proteção em face da automação;
✓ ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional até
o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho;
✓ proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os profissionais
respectivos;
✓ igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o
trabalhador avulso.

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A sindicalização é um dos direitos trabalhistas coletivos. A lei não poderá exigir autorização do
Estado para a fundação de sindicato.

É vedada a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau, representativa de


categoria profissional ou econômica, na mesma base territorial, que não poderá ser inferior à área
de um Município.

É obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho.

Cuidado para não confundir associação com sindicato!

DIREITO DE ASSOCIAÇÃO (ART. 5º, XVII E OUTROS) DIREITO DE SINDICALIZAÇÃO (ARTIGO 8º)
Direito individual de expressão coletiva Direito social coletivo
Direito de 1ª geração Direito de 2ª geração
Não há restrição numérica na mesma base Um sindicato, por categoria, por base territorial,
territorial sendo a menor base a área de um município.
Depende de autorização do associado para
fazer a representação. Quando atua em Nunca depende da autorização dos associados,
substituição processual, não depende de pois sempre atua em substituição processual.
autorização do associado.

Trabalhadores têm direito de greve, mas os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas
da lei.

DIREITOS DE NACIONALIDADE

São brasileiros natos:

1. os nascidos no Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de
seu país.

2. os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que :

a) qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil;

b) sejam registrados em repartição brasileira competente ou venham a residir na República


Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela
nacionalidade brasileira.

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São brasileiros naturalizados:

1) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira;

2. desde que requeiram a nacionalidade brasileira:

a) os originários de países de língua portuguesa que residem no Brasil por um ano


ininterrupto e têm idoneidade moral;

b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade que residem no Brasil há mais de quinze anos


ininterruptos e não possuem condenação penal.

São cargos privativos de brasileiro nato:

✓ de Presidente e Vice-Presidente da República;


✓ de Presidente da Câmara dos Deputados;
✓ de Presidente do Senado Federal;
✓ de Ministro do Supremo Tribunal Federal;
✓ da carreira diplomática;
✓ de oficial das Forças Armadas.
✓ de Ministro de Estado da Defesa

O brasileiro que adquirir outra nacionalidade perderá a nacionalidade brasileira, salvo se houver
reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira ou se houver imposição de
naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente em estado estrangeiro, como
condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis.

O brasileiro naturalizado poderá sofrer o cancelamento de naturalização, por sentença judicial, em


virtude de atividade nociva ao interesse nacional.

São símbolos nacionais: a bandeira, o hino, as armas e o selo nacionais. Os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios poderão instituir os seus próprios símbolos.

DIREITOS POLÍTICOS

Os Direitos Políticos são espécies de direitos fundamentais que constituem direitos públicos
subjetivos conferidos aos cidadãos, para que participem da vida política do Estado.

Diferentes de outros direitos fundamentais, os direitos políticos são destinados apenas aos
brasileiros que preencham os requisitos contidos na constituição Federal. Estrangeiros não podem
exercer direitos políticos no Brasil.

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O artigo 14 da Constituição Federal estabelece que a soberania popular será exercida por meio
do sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da
lei, mediante plebiscito, referendo e iniciativa popular.

Para que se entenda bem o assunto, é imperioso conceituar bem todas essas expressões.

Sufrágio é a capacidade de votar, de ser votado e de participar da vida política do Estado.


Corresponde ao exercício da capacidade eleitoral ativa, da capacidade eleitoral passiva e dos
demais direitos de cidadão. Note: sufrágio não é apenas votar e ser votado.

O voto é a materialização do sufrágio. O escrutínio, por sua vez, é o modo como o direito se realiza
(voto aberto, voto secreto).

Plebiscito e referendo são formas de consulta popular sobre assuntos de relevância legislativa,
constitucional e administrativa.

No plebiscito, o povo é consultado antes da materialização do ato administrativo ou legislativo,


podendo aprovar ou rejeitar o que lhe foi submetido à apreciação.

Iniciativa popular é a condição que o cidadão tem para dar início ao processo legislativo das leis.
Essa forma de participação direta pode ser exercida em âmbito federal, estadual e municipal:

ÂMBITO FEDERAL ÂMBITO ESTADUAL ÂMBITO MUNICIPAL


(CF, ARTIGO 62, § 2º) (CF, ARTIGO 27, § 4º) (CF, ARTIGO 29, XIII)
O projeto de lei deve ser
A iniciativa popular será
subscrito por, no mínimo, 1%
definida por lei. A iniciativa popular requer a
do eleitorado nacional,
Convencionou-se interpretar manifestação de, no mínimo,
dividido por, pelo menos,
que essa lei é estadual. Em 5% do eleitorado local.
cinco Estados da federação,
cada estado, a iniciativa
tendo cada um, no mínimo,
popular tem um regramento
três décimos por cento dos
diferente.
seus eleitores.

Para que o cidadão exerça a sua capacidade eleitoral ativa (direito de votar) é necessário possuir
as seguintes características: a) ter a nacionalidade brasileira (ou ser português equipado); b)
possuir idade mínima de 16 anos; c) ter o alistamento eleitoral (título de eleitor); não ser conscrito
(militar em serviço obrigatório).

Dentre as várias pessoas que possuem as características acima, há aquelas para quem o
alistamento eleitoral e o voto são obrigatórios e aquelas para quem são facultativos. Vejamos:

ALISTAMENTO E VOTO OBRIGATÓRIOS ALISTAMENTO E VOTO FACULTATIVOS

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✓ os analfabetos;
✓ Brasileiros maiores de 18 anos (e menores ✓ os maiores de 70 anos;
de 70, evidentemente). ✓ os maiores de 16 e menores de 18 anos.

Para ser candidato, primeiro é necessário ser eleitor, de forma que a pessoa deve estar no pleno
exercício dos direitos políticos (ter alistamento eleitoral e ter votado regularmente nas últimas
eleições). Todavia, para exercer a capacidade eleitoral passiva, não basta possuir a capacidade
eleitoral ativa, é preciso ainda cumprir outros três requisitos: filiação partidária; domicílio eleitoral
na circunscrição; idade mínima para o cargo.

Nos termo do artigo 14, parágrafos 2º e 4º da Constituição Federal, são absolutamente inelegíveis
os inalistáveis (estrangeiros e conscritos) e os analfabetos.

Há, ainda, no texto constitucional, as imunidades relativas. São elas:

1. Inelegibilidade para terceiro mandato consecutivo (motivo funcional): o Presidente da


República, os Governadores (de Estado ou do Distrito Federal), os Prefeitos e quem os houver
sucedido, ou substituído no curso dos mandatos, poderão ser reeleitos para um único período
subsequente.

2. Inelegibilidade dos Chefes de Executivo para concorrer a outros cargos (motivo funcional): para
concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito
Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito
(CRFB/88, artigo 14, § 6º).

3. Inelegibilidade reflexa (motivo de parentesco): são inelegíveis, na área de atuação do titular, o


cônjuge e os parentes consanguíneos, afins, ou por adoção, até o segundo grau, do Presidente
da República, de Governador (de Estado, Território, ou do Distrito Federal) e de Prefeito, ou de
quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato
eletivo e candidato à reeleição.

4. Militares: o militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições:

➢ se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade;

➢ se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e, se eleito,
passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade.

O artigo 15 da Constituição Federal veda a cassação de direitos políticos, mas admite hipóteses
de perda ou de suspensão:

PERDA DOS DIREITOS POLÍTICOS (RESTRIÇÃO DA CAPACIDADE ATIVA E DA CAPACIDADE PASSIVA)

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1. cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado


2. recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do artigo
5º, VIII.
Suspensão dos direitos políticos (restrição da capacidade ativa e da capacidade passiva)
1. incapacidade civil absoluta.
2. condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos.
3. improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º.

O artigo 16 da Constituição Federal, com vistas a garantir segurança jurídica, estabeleceu que a
lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, mas não será
aplicada à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência. Essa proteção constitucional foi
denominada pela doutrina como Principio da Anualidade ou Principio da Anterioridade Eleitoral.

DIREITOS POLÍTICOS

O caput do artigo 17 da Constituição Federal assegura a liberdade para criação, fusão,


incorporação e extinção de partidos políticos, desde que resguardados a soberania nacional, o
regime democrático, o pluripartidarismo e os direitos fundamentais da pessoa humana.

A Constituição Federal não limitou a quantidade de partidos políticos, mas fixou limitação
qualitativa e financeira.

A limitação qualitativa diz respeito à conformidade ideológica das pretensões do partido com os
ditames do Estado Democrático de Direito.

A limitação financeira, nos termos do artigo 17 da CF/88, exige a prestação de contas à Justiça
Eleitoral (III) e proíbe o recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros
ou de subordinação a estes (II).

A personalidade jurídica dos partidos políticos (direito privado) é adquirida quando do registro no
cartório de Registro Civil. Após adquirirem personalidade jurídica, registrarão seus estatutos no
Tribunal Superior Eleitoral.

O Partido Político é livre para fazer coligação nas eleições majoritárias (Presidente, governador,
prefeito e senador). Entretanto, é vedada a coligação nas eleições proporcionais (deputados e
vereadores).

Nos termos do artigo 17, § 3º, da Constituição Federal, somente terão direito a recursos do fundo
partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão, na forma da lei, os partidos políticos que
alternativamente preencherem um dos requisitos abaixo:

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a) obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 3% (três por cento) dos
votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com um
mínimo de 2% (dois por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou

b) tiverem elegido pelo menos quinze Deputados Federais distribuídos em pelo menos um
terço das unidades da Federação.

Ao eleito por partido que não preencheu os requisitos previstos acima (desempenho mínimo), é
assegurado o mandato e facultada a filiação, sem perda do mandato, a outro partido que os tenha
atingido.

ORGANIZAÇÃO DO ESTADO
O artigo 18 da Constituição Federal de 1988 estabelece que a organização político-administrativa
da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios, todos autônomos. Essa junção de coletividades regionais dá norte ao federalismo.

A capacidade de auto-organização político-administrativa dos Estados-membros por meio de


constituições próprias é pressuposto federativo. Some-se a isso a capacidade de criação de leis
próprias, de autogestão da Administração Pública e de autogoverno. Tudo isso, evidentemente,
seguindo os parâmetros estabelecidos pela Constituição Federal. Municípios e Distrito Federal
também têm autonomia e se organizam por meio de lei orgânica.

Não há entre os entes federativos nenhuma relação de hierarquia ou de subordinação. Todos são
autônomos. Vale fazer alguns apontamentos: 1. a União é autônoma (e não soberana), embora
exerça a soberania da República Federativa do Brasil; 2. o Distrito Federal, desde a promulgação
da Constituição de 1988, foi transformado em ente federativo, de forma que, em sentido literal
das expressões, não é distrito (subdivisão administrativa) e nem federal. Trata-se de ente
federativo híbrido, que reúne características estaduais e municipais; 3. os Territórios não são mais
entes federativos (a Constituição de 1969 classificou Território como ente federativo, assim como
os Estados e a União), mas apenas descentralizações administrativas da União.

É característica das Federações a inadmissibilidade do direito de secessão. Os entes federativos


não podem se desligar do território nacional para constituírem Estados soberanos e nem para
integrarem outros Países.

VEDAÇÕES CONSTITUCIONAIS

O artigo 19 da Constituição Federal elenca três vedações para a União, os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios. São elas:

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1. estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraça-lhes o funcionamento ou


manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma
da lei, a colaboração de interesse público;

2. recusar fé aos documentos públicos;

3. criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.

DA UNIÃO

O Poder Legislativo da União é exercido pelo Congresso Nacional, órgão bicameral constituído
da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

Câmara Senado
Representatividade dos
Finalidade Representatividade do povo.
Estados e do Distrito Federal.
81, atualmente. Tal definição
não está expressa em lei e
513, definido por lei nem na Constituição. Resulta
Número de membros
complementar. da multiplicação da
quantidade de Estados (+ DF)
por três.
Os Estado e o Distrito
Mínimo 8, máximo de 70,
Quantidade de parlamentares Federal, independentemente
proporcionalmente à
por Estado e pelo DF. da população, elegem três
população de cada um.
Senadores cada um.
O Deputado é eleito para um O Senador é eleito para um
Mandato do Parlamentar
mandato de 4 anos. mandato de 8 anos.
Tipo da eleição Proporcional Majoritária
A cada 4 anos, são renovadas A cada 4 anos, são renovadas
Renovação das vagas as 513 vagas, 100% das um terço e dois terços,
vagas. alternadamente, das vagas.
Próximo mais votado do Cada Senador é eleito com
Suplente
partido. dois Suplentes.

O Poder Executivo da União é exercido pelo Presidente da República, auxiliado pelos Ministros
de Estado (artigo 76 da CRFB/88).

O Presidente e o Vice-Presidente da República são eleitos para mandato de quatro anos, vedada
a reeleição para terceiro mandato consecutivo.

A eleição deve ocorrer, em primeiro turno, no primeiro domingo de outubro. Caso nenhum dos
candidatos obtenha a maioria absoluta dos votos válidos (excluídos brancos e nulos), ocorrerá o

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segundo turno, no último domingo de outubro, do ano anterior ao do término do mandato


presidencial vigente, no qual concorrerão os dois candidatos mais votados (artigo 77 da
CRFB/88).

O Presidente e o Vice-Presidente da República devem tomar posse em primeiro de janeiro do ano


seguinte ao da sua eleição, em sessão do Congresso Nacional (artigo 78 da CRFB/88).

Os subsídios do Presidente, do Vice-Presidente da República e dos Ministros de Estado são fixados


pelo Congresso Nacional, por decreto legislativo, e têm como limite o subsídio pago aos Ministros
do Supremo Tribunal Federal (artigo 49, VIII, da CRFB/88).

Dos Bens da União

A Constituição Federal elencou no artigo 20 um rol exemplificativo de bens da União. Dentre os


bens da União, destacam-se:

1. “as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções
militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei;”

2. “as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; as ilhas
oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede de Municípios, exceto
aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental federal, e as referidas no art. 26,
II;”

3. “os recursos minerais, inclusive os do subsolo;”

4. “as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios.”

Competências

A União possui competências administrativas (materiais) e competências legislativas. As primeiras


(materiais) definem o campo de atuação da União no âmbito da organização político-
administrativa do Estado. As competências legislativas, como o próprio nome sugere, definem os
assuntos sobre os quais as normas jurídicas regulamentadoras serão criadas pela União.

As competências administrativas são classificadas em exclusiva (assuntos sobre os quais a


atuação/execução de tarefas somente a União realiza) e comum (assuntos cuja realização de
atividades é feita pela União, pelos Estados, Distrito Federal e Municípios).

As competências legislativas também são duas: privativa (matérias acerca das quais a legislação é
feita pela União) e concorrente (matérias em relação as quais a União, os Estados e o Distrito
Federal legislam).

A competência exclusiva da União é indelegável aos Estados. Por outro lado, a competência
privativa é delegável, desde que mediante lei complementar e acerca de partes específicas.

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Na competência concorrente, a União fixa as normas gerais sobre um determinado assunto.


Estados e Distrito Federal cumprem as normas gerais e acrescentam as normas específicas. Se a
União se omitir, os Estados e o Distrito Federal exercerão a competência legislativa plena (criação
de normas gerais e de normas específicas). Entretanto, posteriormente, a União poderá legislar
sobre as normas gerais e a superveniência de dessas normas provocará a suspensão da eficácia da
legislação estadual no que lhe for contrário.

COMPETÊNCIA ADMINISTRATIVA COMPETÊNCIA LEGISLATIVA


Exclusiva (art.21) Comum (art.23) Privativa (art.22) Concorrente (art.24)
Exercida somente Exercida somente
Exercida por União, Exercida por União,
pela União; pela União;
Estados, DF e Estados e Distrito
Municípios. Federal.
Indelegável. Delegável.

DOS ESTADOS

Do Poder Legislativo

O Poder Legislativo Estadual é unicameral e exercido pela Assembleia Legislativa, composta de


representantes do povo.

Os Deputados Estaduais são eleitos pelo sistema proporcional, para mandato de quatro anos.

O número de Deputados Estaduais é calculado a partir da quantidade de deputados federais


eleitos por cada Estado, a fim de que se mantenha uma proporcionalidade em todo o território
nacional. A quantidade mínima de deputados federais, como já abordado no capítulo anterior, é
a de oito. A quantidade máxima, 70 deputados. Conforme o que a lei complementar fixar como
quantidade de deputados federais, a partir dos parâmetros constitucionais, será encontrada a
quantidade de deputados estaduais.

O texto constitucional dispõe em seu artigo 27 que o número de Deputados à Assembleia


Legislativa corresponderá ao triplo da representação do Estado na Câmara dos Deputados e,
atingido o número de trinta e seis, será acrescido de tantos quantos forem os Deputados Federais
acima de doze.

Dito de outra forma, a quantidade de Deputados Estaduais (DE) corresponderá ao triplo da


quantidade de Deputados Federais (DF). Caso o Estado possua mais de 12 Deputados Federais,
o cálculo será outro: DE = 36 + DF – 12. Atingido o número 36, acréscimo de tantos quantos forem
os Deputados Federais acima de 12, isto é, 24 Deputados.

O subsídio dos Deputados Estaduais é fixado por iniciativa da Assembleia Legislativa, mediante
lei, cujo valor não pode ultrapassar 75% do valor estabelecido, em espécie, para os Deputados
Federais (artigo 27, parágrafo II, da CF).

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A data da posse dos Parlamentares e a definição do período da Sessão Legislativa são da


competência de cada Estado, conforme disposto na Constituição estadual.

Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, o regime de imunidades previsto no artigo


53 da Constituição Federal (imunidade material e imunidade formal) aplica-se integralmente aos
Deputados Estaduais, independentemente de constar na Constituição Estadual, que não poderá
criar regime diverso (ADI 2.461).

A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial do Estados e das


entidades da administração direta e indireta, será exercida pela Assembleia Legislativa, mediante
controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder.

O controle externo, da responsabilidade da Assembleia Legislativa, será exercido com o auxílio


do Tribunal de Contas do Estado.

Do Poder Executivo

O Poder Executivo Estadual é exercido pelo Governador, auxiliado pelos Secretários de Estado.

Os subsídios do Governador, do Vice-Governador e dos Secretários de Estado serão fixados por


lei de iniciativa da Assembleia Legislativa e têm como limite o subsídio pago aos Ministros do
Supremo Tribunal Federal (artigo 28, parágrafo 2º, CRFB/88).

Dos bens dos Estados

Nos termos do artigo 26 da Constituição Federal, são bens dos Estados:

1. “as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, ressalvadas, neste


caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União;”

2. “as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio, excluídas aquelas sob
domínio da União, Municípios ou terceiros;”

3. “as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União;”

4. “as terras devolutas não compreendidas entre as da União.”

Formação de novos Estados

A alteração da divisão geopolítica interna brasileira é permitida pela Constituição Federal, desde
que não ocorra a secessão. Os seguintes passos devem ser observados:

1º. Convocação de plebiscito feita pelo Congresso Nacional por meio de decreto legislativo.

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2º. A consulta popular direta (plebiscito), para que a população diretamente interessada se
manifeste.

3º. Oitiva da(s) Assembleia(s) Legislativa(s) envolvida(s), nos termos do artigo 48, II, da Constituição
Federal.

4º. Aprovação, promulgação e publicação de lei complementar federal.

Competência

A competência dos Estados-membros não está enumerada na Constituição Federal. Reza o artigo
25, § 1º, da CRFB/88, que são reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas
pela Constituição (competência residual). Entretanto, o mesmo artigo listou expressamente as
seguintes competências estaduais:

1. A exploração, diretamente ou mediante concessão, dos serviços locais de gás canalizado, na


forma da lei, vedada a edição de medida provisória para a sua regulamentação (artigo 25,
parágrafo 2º).

2. Instituição, por meio de lei complementar, de regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e


microrregiões, constituídas por agrupamentos de municípios limítrofes, para integrar a
organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum.

3. Criação de novos municípios por meio de incorporação, fusão ou desmembramento (artigo 18,
parágrafo 4º, CRFB/88).

4. Organização da Justiça Estadual (artigo 125 da CRFB/88).

5. Instituição de segurança viária e da polícia penal (artigo 144 da CRFB/88).

DOS MUNICÍPIOS

Do Poder Legislativo municipal

O Poder Legislativo Municipal é unicameral, exercido pela Câmara Municipal, composta de


representantes do povo.

Os Vereadores são eleitos pelo sistema proporcional, para um mandato de quatro anos.

A Constituição Federal não definiu data da posse de Vereadores, nem o regramento a respeito
dos suplentes. Esses assuntos serão disciplinados por cada Município, na Lei Orgânica.

O subsídio dos Vereadores será fixado pelas respectivas Câmaras Municipais em cada legislatura
para a subsequente, observados os critérios estabelecidos na respectiva Lei Orgânica e na

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Constituição Federal, mormente quanto aos limites máximos estabelecidos pela Lei Maior no
artigo 29, inciso VI, como se vê abaixo:

SUBSÍDIO MÁXIMO, CALCULADO EM % DO


NÚMERO DE HABITANTES DO MUNICÍPIO
SUBSÍDIO DOS DEPUTADOS ESTADUAIS.
20% Até 10.000
30% De 10.001 a 50.000
40% De 50.001 a 100.000
50% De 100.001 a 300.000
60% De 300.001 a 500.000
75% Acima de 500.000

O total da despesa com a remuneração dos Vereadores não poderá ultrapassar o montante de
cinco por cento da receita do Município (artigo 29, inciso VII, da CRFB/88).

Os Vereadores têm a garantia constitucional de imunidade material, uma vez que são invioláveis
civil e penalmente por suas opiniões, palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição
do Município.

A fiscalização do Município será exercida pelo Poder Legislativo Municipal, mediante controle
externo, e pelos sistemas de controle interno do Poder Executivo Municipal, na forma da lei.

A Constituição Federal veda a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos de Contas Municipais


(artigo 31, § 4º). Entretanto, por ocasião da proibição constitucional, dois municípios já tinham
Tribunal de Contas: Rio de Janeiro e São Paulo. Esses órgãos foram reconhecidos e mantidos pela
Constituição Federal, mas outros Municípios não poderão, sob a égide da atual Constituição, criar
Tribunais, Conselhos ou Órgãos de Contas.

Do Poder Executivo

O Poder Executivo Municipal é exercido pelo Prefeito, com o auxílio dos Secretários Municipais.

As regras de segundo turno para eleição do chefe do Executivo só serão aplicadas aos municípios
que tiverem mais do que duzentos mil eleitores. Assim, se o município tiver até duzentos mil
eleitores, haverá turno único para eleição do Prefeito, considerando-se eleito o candidato mais
votado, independentemente da quantidade de votos. Entretanto, caso tenha número superior a
duzentos mil eleitores, só será considerado eleito em primeiro turno o candidato que obtiver a
maioria absoluta dos votos válidos.

Os subsídios do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Secretários Municipais são fixados por lei de
iniciativa da Câmara Municipal, e têm como limite o subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal
Federal.

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O Prefeito deve ser julgado perante o Tribunal de Justiça. Todavia, essa competência restringe-
se aos crimes de competência da Justiça comum estadual; nos demais casos, a competência
originária caberá ao respectivo tribunal de segundo grau (STF. Súmula 702). Assim, se o Prefeito
praticar crime da competência da Justiça Federal, será julgado pelo Tribunal Regional Federal; se
praticar crime da competência da Justiça Eleitoral, será julgado pelo Tribunal Regional Eleitoral.

Por crime de responsabilidade impróprio (apenados com privação da liberdade), a competência


para julgar o Prefeito também será do Tribunal de Justiça (DL 201/1967, artigo 1º). Todavia, por
crime de responsabilidade próprio (infração político-administrativa), a competência será da
Câmara Municipal (DL 201/1967, artigo 4º).

Formação de novos municípios

A formação de novos municípios exige a observância dos seguintes passos:

1. A União, por lei complementar, define o período em que os Estados que quiserem poderão
promover a reestruturação territorial, para criar, incorporar, desmembrar ou fundir Municípios.
Atualmente, não existe a lei complementar.

2. Ampla divulgação de estudo de viabilidade municipal. A forma de apresentação e de publicação


desse estudo será definida por lei federal.

3. Consulta às populações dos Municípios envolvidos, mediante plebiscito. Essa consulta popular
prévia deve ser convocada pela Assembleia Legislativa e deve contemplar toda a população
diretamente interessada, isto é, tanto a da área que se pretende desmembrar quanto a da área
que sofrerá o desmembramento; ou as população das áreas que se quer anexar e a que receberá
o acréscimo. Se o resultado for negativo, o projeto deverá ser arquivado. Se for positivo, a
Assembleia estará autorizada a votar o projeto.

4. Aprovação, pela Assembleia Legislativa, de lei ordinária.

Competência

As competências dos Municípios estão enumeradas no artigo 30 da Constituição Federal.


Merecem destaque as seguintes:

➢ legislar sobre assuntos de interesse local;


➢ suplementar a legislação federal e a estadual no que couber;
➢ organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços
públicos de interesse local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter essencial;
➢ promover, no que couber, adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e
controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano.

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DO DISTRITO FEDERAL

O Distrito Federal é pessoa política sui generis, que adota características estaduais e municipais,
mas não pode ser classificado nem como Estado e nem como Município. Na qualidade de ente
federativo híbrido, acumula competências legislativas reservadas aos Estados e Municípios.

O Distrito Federal não pode legislar sobre:

1. Organização Judiciária;

2. Ministério Público;

3. Polícia Civil;

4. Polícia Militar;

5. Corpo de Bombeiros Militares;

6. Polícia Penal.

O Distrito Federal rege-se por Lei Orgânica, votada em dois turnos, com interstício mínimo de dez
dias, e aprovada por dois terços da Câmara Legislativa.

O Distrito Federal não pode ser dividido em Municípios.

DOS TERRITÓRIOS

Os Territórios são pessoas jurídicas de direito público, dotadas de capacidade administrativa, que
integram a estrutura da União. Os Territórios são autarquias da União.

1. Personalidade jurídica Pessoa jurídica de direito público integrante da União.


2. Classificação Autarquia da União.
Lei complementar aprovada pelo Congresso Nacional.
Se criado a partir de desmembramento de Estado, será
3. Criação
preciso fazer plebiscito com a população diretamente
interessada.
Nomeado pelo Presidente da República, após aprovação do
4. Governador
Senado Federal.
Não elege Senador.
5. Legislativo
Elege 4 deputados federais.
Feito pelo Congresso, com o auxílio do TCU.
6. Controle externo As contas do Governador são julgadas pelo Congresso
Nacional.

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Justiça do Distrito Federal e Territórios.


7. Poder Judiciário Se tiver mais de cem mil habitantes, terá judiciário próprio,
organizado em duas instâncias.
Ministério Público do Distrito Federal e Territórios.
8. Ministério Público
Se tiver mais de cem mil habitantes, terá MP próprio.
A União acumula impostos estaduais e municipais (neste caso,
9. Tributação
se não for dividido em Municípios).

PODER LEGISLATIVO
O Poder Legislativo da União é exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe da Câmara dos
Deputados e do Senado Federal.

Veja as principais diferenças entre a Câmara dos Deputados e o Senado Federal:

Câmara Senado

1. Representa o povo;
1. Representa os Estados e o DF;
2. Tem 513 membros, número fixado por
2. Tem 81 senadores, mas o número não
lei complementar;
fixo, depende da quantidade de Estados;
3. Mínimo 8 e máximo 70 deputados por
3. Cada Estado/DF elege 3 Senadores,
Estado/DF. Território elege 4 deputados;
independenteente da população;
4. A eleição é proporcional;
4. A eleição é majoritária;
5. A renovação das vagas ocorre a cada 4
5. A renovação das vagas ocorre a cada 4
anos, 100%;
anos, por 1/3 e 2/3, alternadamente;
6. Suplente de deputado é o próximo
6. Cada Senador é eleito com 2 suplentes;
mais votado do partido;
7. O mandato da pessoa.
7. O mandato é do partido.

LEGISLATURA 4 ANOS

SESSÃO LEGISLATIVA 02/02 a 17/07 ------ 1º/08 A a 22/12

Dentre outras competências, cabe ao Congresso Nacional, nos termos do artigo 48 da


Constituição, com a sanção do Presidente da República, isto é, mediante lei:

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➢ Fazer a transferência temporária da sede do Governo Federal;


➢ Conceder anistia;
➢ Fixar o subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal Federal.

Compete exclusivamente ao Congresso Nacional, sem a sanção do Presidente da República (por


decreto legislativo), nos termos do artigo 49, dentre outras hipóteses:

➢ resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem


encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional;
➢ autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, decretar o estado
de sítio, a permitir que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele
permaneçam temporariamente;
➢ aprovar o estado de defesa e a intervenção federal
➢ autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República a se ausentarem do País, quando a
ausência exceder a quinze dias;
➢ sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou
dos limites de delegação legislativa;
➢ mudar temporariamente sua sede;
➢ fixar subsídio para os Deputados Federais, Senadores, Presidente, Vice-Presidente da
República e Ministros de Estado.
➢ julgar anualmente as contas do Presidente da República.

Compete privativamente à Câmara dos Deputados, nos termos do artigo 51 da Constituição


Federal, por resolução, dentre outras atribuições:

➢ autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o Presidente
e o Vice-Presidente da República e os Ministros de Estado;
➢ proceder à tomada de contas do Presidente da República, quando não apresentadas ao
Congresso Nacional dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa.

Compete privativamente ao Senado Federal, nos termos do artigo 52 da Constituição Federal,


por resolução, dentre outras atribuições:

➢ processar e julgar nos crimes de responsabilidade: o Presidente e o Vice-Presidente da


República; os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da
Aeronáutica nos crimes de responsabilidade conexos com os praticados pelo Presidente e
pelo Vice-presidente da República; o Procurador-Geral da República; o Advogado-Geral da
União; os Ministros do Supremo Tribunal Federal; os membros do Conselho Nacional de
Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público.
➢ autorizar operações externas de natureza financeira;
➢ fixar, por proposta do Presidente da República, limites globais para o montante da dívida
consolidada dos entes federativos;
➢ avaliar periodicamente a funcionalidade do Sistema Tributário Nacional.

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A competência do Senado contida no artigo 52, X, da Constituição Federal (suspender a execução,


no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal
Federal) sofreu mutação constitucional, de forma que a resolução do Senado tem apenas o
propósito de dar publicidade à decisão do STF, que já tem efeito erga omnes.

Os Deputados e Senadores têm imunidade material e formal. Diz-se imunidade material a


inviolabilidade civil e penal por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos. Essa proteção é
valida em todo o território nacional. A imunidade formal, por sua vez, está relacionada a prisão e
processo.

Desde a expedição do diploma, deputados e senadores só poderão ser presos em flagrante de


crime inafiançável (além da prisão para cumprimento de pena). Caso presos, os autos serão
remetidos dentro de 24 horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros,
resolva sobre a prisão.

A respeito do processo, se o crime tiver sido praticado após a expedição do diploma, a Casa
Legislativa poderá, por maioria de seus membros, por iniciativa de partido político nela
representado, sustar o andamento da ação. Se houver sustação do processo, ficará suspensa a
prescrição do crime.

Por crime comum, deputados e senadores são julgados pelo Supremo Tribunal Federal.
Entretanto, o STF restringiu a prerrogativa de foro dos parlamentares a crimes vinculados ao
mandato, isto é, praticados em razão do cargo.

O parlamentar que sofrer condenação criminal transitada em julgado só perderá o mandato por
decisão da Casa, por maioria absoluta, em votação aberta. Entretanto, segundo o STF, se a pena
aplicada for em regime fechado e superior a 120 dias, caberá à Mesa apenas declarar a perda do
mandato.

A criação de Comissão Parlamentar de Inquérito depende de requerimento de um terço da Casa


Legislativa. Deve ser criada para apurar fato determinado e deve ter prazo certo para finalizar os
seus trabalhos.

As comissões parlamentares de inquérito têm poderes de investigação próprios das autoridades


judiciais, mas não são todos. Assim, pode a CPI quebrar o sigilo de dados (bancário, fiscal e
telefônico) dos investigados; fazer condução coercitiva de testemunhas; requisitar a presença de
Ministros de Estado e de autoridades federais; ter acesso a inquéritos policiais; requisitar
documentos e relatórios. Não pode a CPI: quebrar o sigilo da comunicação telefônica
(interceptação telefônica); aplicar pena e cautelares processuais; fazer busca e apreensão
domiciliar; prender, salvo em flagrante; quebrar o segredo de justiça.

O controle externo é da responsabilidade do Congresso Nacional, exercido com o auxílio do


Tribunal de Contas da União. O controle interno deve ser exercido por cada Poder. Deve prestar

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contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que tenha acesso a dinheiros, bens
e valores públicos ou pelos quais a União responda.

O Tribunal de Contas da União tem sede no Distrito Federal, quadro próprio de pessoal e
jurisdição em todo o território nacional.

O TCU é composto de 9 Ministros, nomeados dentre brasileiros que satisfaçam os seguintes


requisitos:

➢ mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade;


➢ idoneidade moral e reputação ilibada;
➢ notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de administração
pública;
➢ mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija os
conhecimentos mencionados no tópico anterior.

Do total de membros, 3 Ministros (um terço) são escolhidos pelo Presidente da República, com
aprovação do Senado, sendo um de sua livre indicação, obedecidos os requisitos já enumerados,
e dois alternadamente dentre auditores e membros do Ministério Público junto ao Tribunal,
indicados em lista tríplice pelo Tribunal, segundo os critérios de antiguidade e merecimento. Seis
Ministros (dois terços) são escolhidos pelo Congresso Nacional.

Os Ministros do Tribunal de Contas da União têm as mesmas garantias, prerrogativas,


impedimentos, vencimentos e vantagens dos Ministros do Superior Tribunal de Justiça.

Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima para, na forma da lei,
denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União.

Compete ao TCU apreciar (e não julgar!) as contas prestadas anualmente pelo Presidente da
República, mediante parecer prévio que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu
recebimento. Quem julga as contas do Presidente da República é o Congresso Nacional.

Cabe ao TCU sustar, se não atendidas as exigências feitas, a execução do ato impugnado,
comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal. No caso de contrato, o
ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional, no prazo de noventa dias.
Se o Congresso não agir dentro do prazo, o Tribunal decidirá a respeito.

As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia de título
executivo.

O Tribunal encaminhará ao Congresso Nacional, trimestral e anualmente, relatório de suas


atividades.

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PROCESSO LEGISLATIVO

O processo legislativo compreende a elaboração de:

TURNOS, QUÓRUM E
ESPÉCIE INICIATIVA PARTICULARIDADES
PROMULGAÇÃO
➢ Presidente da
República; Não tem fase
➢ 1/3 da Câmara; deliberativa executiva
➢ 1/3 do Senado; 2 turnos em cada (sanção e veto).
➢ Mais da metade Casa. Entram em vigor, em
das Assembleias Quórum: 3/5 regra, na data da
Emendas
Legislativas, cada A promulgação é feita publicação.
(produzem normas
uma representada pela Mesa da Câmara Estão submetidas a
constitucionais)
pela maioria e pela Mesa do limitações materiais,
relativa. Senado. circunstanciais e
Não há assunto de formais.
iniciativa exclusiva de A irrepetibilidade é
nenhum dos absoluta.
legitimados.
➢ Deputados e
senadores, Estados não podem
individualmente ou criar assuntos
1 turno em cada
em comissões; próprios de lei
Leis Complementares Casa.
➢ Presidente da complementar.
(complementam, em Quórum: maioria
República; Há fase executiva
nível absoluta.
➢ STF e cada (sanção e veto).
infraconstitucional, A promulgação é
Tribunal Superior; Entram vigor, em
normas da feita,
➢ PGR; regra, 45 dias após a
Constituição). preferencialmente,
➢ Iniciativa publicação.
pelo PR.
popular; A irrepetibilidade é
➢ TCU; relativa.
➢ DPU.
➢ Deputados e
1 turno em cada
senadores, Há fase executiva
Casa.
individualmente ou (sanção e veto).
Quórum: maioria
em comissões; Entram vigor, em
Leis Ordinárias simples.
➢ Presidente da regra, 45 dias após a
(leis comuns) A promulgação é
República; publicação.
feita,
➢ STF e cada A irrepetibilidade é
preferencialmente,
Tribunal Superior; relativa.
pelo PR.
➢ PGR;

43
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RESUMÃO DE DIREITO CONSTITUCIONAL DA PROF. NELMA
Estratégia Carreira Jurídica

➢ Iniciativa
popular;
➢ TCU;
➢ DPU.
1 turno em cada
Leis Delegadas Casa.
(lei criada pelo PR, Quórum: maioria Delegação feita por
PR
mediante autorização simples. Resolução do CN.
do CN) A promulgação é feita
pelo PR.
1 turno em cada
Casa. Tem prazo de
Quórum: maioria validade de 60 dias
simples. prorrogável por mais
Medidas Provisórias A Promulgação é feita 60 dias.
(feita em caso de PR pelo Presidente do A irrepetibilidade é
relevância e urgência) Senado, quando não absoluta.
sofre modificação, e Há muitos assuntos
pelo PR, quando é que não podem ser
aprovada com tratados por MP.
alteração.
1 turno em cada
Casa.
Decretos Legislativos Quórum: maioria
Deputados ou
(tratam de matéria da simples.
senadores.
competência do CN) A Promulgação é feita
pelo Presidente do
Senado.
1 turno na Casa,
exceto a do CN, que
Resoluções A Constituição trata
é bicameral.
(tratam de matéria da de um caso de
Quórum: maioria
competência da Parlamentar da Casa resolução do CN:
simples.
Câmara, do Senado autorizar a lei
A Promulgação é feita
ou do CN) delegada (art. 68).
pelo Presidente da
Casa.

PODER EXECUTIVO
O Poder Executivo é órgão unipessoal exercido pelo Presidente da República, auxiliado pelos
Ministros de Estado.

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O Presidente da República, em decorrência do sistema presidencialista de governo, acumula as


funções de Chefe de Estado, Chefe de Governo, Chefe da Administração Pública.

Sobre a eleição do Presidente e do Vice-Presidente da República:

Mandato 4 anos, vedada a reeleição para terceiro mandato consecutivo.


Data da eleição em 1º turno Primeiro domingo de outubro
Ocorrerá no último domingo de outubro, se nenhum candidato
2º turno
obtiver, no primeiro turno, a maioria absoluta dos votos válidos.
Posse No dia 1º de janeiro, em sessão conjunta do Congresso Nacional.

Fazem parte da linha de substituição do Presidente da República: o Vice-Presidente, Presidente


da Câmara dos Deputados, o do Senado Federal e o do Supremo Tribunal Federal, nessa ordem.
Qualquer deles que se tornar réu em processo criminal não poderá substituir o Presidente da
República, embora não percam os seus cargos.

Em caso de dupla vacância (Presidente e Vice), ocorrerá nova eleição:

Nos dois 90 dias após a


primeiros anos Eleição direta vacância do
do mandato último cargo.

30 dias após a
Nos dois últimos Eleição
vacância do
anos do mandato Indireta
último cargo

Algumas atribuições do Presidente da República poderão ser delegadas aos Ministros de Estado,
Procurador-Geral da República e Advogado-Geral da União. São elas:

1) dispor, mediante decreto, sobre:

a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de


despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos;

b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos;

2) conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei;

3) prover os cargos públicos federais, na forma da lei;

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O Presidente da República, por crime comum, é julgado pelo Supremo Tribunal Federal, por crime
de responsabilidade, pelo Senado Federal. Nos dois casos, há a dependência de autorização da
Câmara dos Deputados, por decisão de 2/3 de seus membros.

CRIME DE RESPONSABILIDADE CRIME COMUM


Qualquer cidadão é parte legítima para acusarA denúncia é apresentada pelo PGR e a
o Presidente. queixa-crime, pelo ofendido.
Autorização da Câmara por 2/3 de seus Autorização da Câmara por 2/3 de seus
membros. membros.
O Senado não está vinculado à autorização da O STF não está vinculado à autorização da
Câmara e pode não formalizar o processo. Câmara e pode não formalizar o processo.
O Presidente fica afastado do cargo, por até
O Presidente fica afastado do cargo, por até
180 dias, quando o STF recebe a
180 dias, quando o Senado admite a acusação.
denúncia/queixa.
Se condenado, as penas são: perda do cargo Se condenado, poderá ser preso e perderá o
com inabilitação por 8 anos. mandato.

O Presidente da República tem imunidade formal dividida em três aspectos:

1. Necessidade de autorização da Câmara para ser processado e julgado;

2. Não poderá, durante o mandato, ser preso em flagrante ou sofrer qualquer outra prisão
cautelar. Só poderá ser preso após a sentença penal condenatória.

3. Durante o mandato, não poderá ser responsabilizado por atos estranhos às suas funções.

PODER JUDICIÁRIO
São órgãos do Poder Judiciário, nos termos do artigo 92 da Constituição Federal:

➢ o Supremo Tribunal Federal;


➢ o Conselho Nacional de Justiça
➢ o Superior Tribunal de Justiça;
➢ o Tribunal Superior do Trabalho;
➢ os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais;
➢ os Tribunais e Juízes do Trabalho;
➢ os Tribunais e Juízes Eleitorais;
➢ os Tribunais e Juízes Militares;
➢ os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios.

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STF CNJ

STJ TST TSE STM

TJDFT TJ TRFs TRTs TREs -

Juiz de Juiz de Juiz do


Juiz Federal Juiz Eleitoral Juiz Militar
Direito Direito Trabalho

O Conselho Nacional de Justiça tem sede na capital federal, mas não tem jurisdição, porque é
órgão meramente administrativo destinado a promover o controle interno do Poder Judiciário,
isto é, fiscalizar a estrutura administrativa e financeira dos órgãos do poder Judiciário.

ESTATUTO DA MAGISTRATURA

Ingresso na carreira

O ingresso na carreira da magistratura se dá no cargo de juiz substituto, mediante concurso


público de provas e títulos.

Os requisitos para o ingresso na carreira, obedecendo-se, nas nomeações, à ordem de


classificação, são:

➢ bacharelado em Direito;
➢ três anos de atividade jurídica, no mínimo.

Promoção

A Constituição Federal dispõe, no artigo 93, inciso II, os critérios para promoção do magistrado
de entrância para entrância. São eles: antiguidade e merecimento, alternadamente.

Na apuração de antiguidade, o tribunal somente poderá recusar o juiz mais antigo pelo voto
fundamentado de dois terços de seus membros, conforme procedimento próprio, e assegurada
ampla defesa, repetindo-se a votação até fixar-se a indicação (artigo 93, II, d, da CF).

O merecimento é apurado em lista tríplice e requer a observância dos seguintes requisitos:

✓ dois anos de exercício na respectiva entrância;

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✓ integrar o juiz a primeira quinta parte da lista de antiguidade da entrância, salvo se não
houver com tais requisitos quem aceite o lugar vago.

O magistrado que figurar por três vezes consecutivas ou cinco alternadas em lista de merecimento
deverá ser promovido necessariamente, terá o direito líquido e certo à promoção, de modo que
o Tribunal não poderá escolher outro Juiz.

Órgão Especial

O inciso XI do artigo 93 da Constituição Federal autoriza os tribunais com número superior a vinte
e cinco julgadores, a instituírem órgão especial, para o exercício das atribuições administrativas e
jurisdicionais delegadas da competência do tribunal pleno.

O órgão especial deverá ter, no mínimo, onze membros e, no máximo, vinte e cinco magistrados.
Metade das vagas deve provida por antiguidade e a outra metade por eleição pelo tribunal pleno.

QUINTO CONSTITUCIONAL

Um quinto dos lugares dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais de Justiça dos Estados, do
Tribunal de Justiça Distrito Federal e Territórios e dos Tribunais do Trabalho de será composto
por advogados e por membros do Ministério Público.

Os advogados devem possuir notório saber jurídico, reputação ilibada e contar com mais de dez
anos de efetiva atividade profissional. Os membros do Ministério Público devem ter mais de dez
anos de carreira. Deles não se exige expressamente o saber jurídico e a reputação ilibada, porque
são requisitos presumidos de quem integra o Parquet.

Os respectivos órgãos de representação de classes indicarão ao Tribunal em lista sêxtupla os seus


membros. Uma vez recebida a lista, o Tribunal, por critérios próprios, a reduzirá para tríplice e a
enviará ao Poder Executivo para que, no prazo de vinte dias, escolha um de seus integrantes para
nomeação.

GARANTIAS DOS MAGISTRADOS

A Constituição Federal criou para os magistrados as seguintes garantias:

1) vitaliciedade: assegura ao magistrado que a perda do cargo não poderá ocorrer por mera
decisão administrativa, mas apenas por sentença judicial transitada em julgado.

2) inamovibilidade: assegura que o magistrado não poderá ser removido compulsoriamente, salvo
por motivo de interesse público.

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3) irredutibilidade de subsídio: assegura a preservação do valor nominal do subsídio.

VEDAÇÕES

A Constituição Federal, no parágrafo único do artigo 95, vedou aos Juízes uma série de condutas
e atividades incompatíveis com o exercício da magistratura, porque podem prejudicar a
imparcialidade de suas decisões, bem como a prestação jurisdicional. São elas:

1. exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou função, salvo uma de magistério;

2. receber, a qualquer título ou pretexto, custas ou participação em processo;

3. dedicar-se à atividade político-partidária.

4. receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades


públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei;

5. exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes de decorridos três anos do
afastamento do cargo por aposentadoria ou exoneração.

CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
Controle de constitucionalidade é atributo de Constituições rígidas, em razão da supremacia
formal da Constituição.

Inconstitucionalidade é a incongruência entre um ato do Poder Público e a Constituição em vigor


quando de sua criação. Não há, no Brasil, inconstitucionalidade em face de futura Constituição. A
inconstitucionalidade é sempre presente (originária).

O Brasil adota um modelo jurisdicional misto de controle de constitucionalidade: controle difuso


e controle concentrado de constitucionalidade. Entretanto, embora o controle de
constitucionalidade seja essencialmente jurisdicional, Executivo e Legislativo também dispõem da
prerrogativa de promover o controle de constitucionalidade de normas, nos casos permitidos pela
Constituição Federal.

Controle Difuso de Constitucionalidade

✓ Qualquer das partes do processo;


✓ Terceiros interessados;
Legitimação ativa
✓ Ministério Público;
✓ Juízes e Tribunais, de ofício.

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Normas formalmente constitucionais e os tratados sobre direitos


Norma parâmetro
humanos aprovados por processo especial.
✓ Qualquer ato emanado do poder público,
independentemente de ser primário ou secundário;
Objeto da ação normativo ou não normativo; da União, dos Estados, do
Distrito Federal ou dos Municípios.
✓ O direito pré-constitucional.
Espécies de ações Qualquer ação judicial.
Competência Qualquer juiz ou Tribunal, no âmbito de sua competência.
✓ inter partes
Efeitos da decisão
✓ ex tunc
✓ erga omnes
Efeitos da decisão do STF
✓ ex tunc

Controle Abstrato de Constitucionalidade


O controle abstrato de constitucionalidade que tem como parâmetro a Constituição Federal
(normas originárias, derivadas e tratados internacionais aprovados com força de emenda) é
exercido pelo Supremo Tribunal Federal.

As ações do controle concentrado são cinco: 1) ação direta de inconstitucionalidade (ADI); 2) ação
declaratória de constitucionalidade (ADC); 3) ação direta de inconstitucionalidade por omissão
(ADO); 4) arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) e 5) ação direta de
inconstitucionalidade interventiva (ADII).

Analisemos os principais aspectos de cada uma delas.

1) Objeto

ADI lei ou ato normativo federal, estadual ou distrital de natureza estadual.


ADC lei ou ato normativo federal.
✓ ato do Poder Público que possa causar lesão a preceito fundamental;
ADPF ✓ leis ou atos normativos federal, estadual ou municipal que causam
controvérsia constitucional, inclusive os anteriores à Constituição.
ADO falta de regulamentação de norma constitucional.
lei ou ato normativo, omissão ou ato governamental estaduais ou distritais que
ADII
ferem princípios constitucionais sensíveis.

A ADPF só será cabível se não houver nenhuma outra ação capaz de sanar a lesividade. Sua
natureza é residual, subsidiária.

2) Legitimados ativos

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I - o Presidente da República; II - a Mesa do Senado Federal; III - a Mesa da


Câmara dos Deputados; IV a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara
Legislativa do Distrito Federal; V o Governador de Estado ou do Distrito
ADI Federal; VI - o Procurador-Geral da República; VII - o Conselho Federal da
Ordem dos Advogados do Brasil; VIII - partido político com representação no
Congresso Nacional; IX - confederação sindical ou entidade de classe de
âmbito nacional.
ADC Idem ADI.
ADPF Idem ADI.
ADO Idem ADI.
ADII Apenas o Procurador-Geral da República.

No caso da ADI, da ADC, da ADO e da ADPF, os legitimados especiais deverão demonstrar a


pertinência temática para a propositura da ação. São eles: Mesa de Assembleia Legislativa ou da
Câmara Legislativa do Distrito Federal; Governador de Estado ou Distrito Federal; confederação
sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. Os demais são legitimados universais e não
estão condicionados à comprovação da pertinência temática.

Partidos políticos com representação no Congresso Nacional e as confederações sindicais ou


entidades de classe de âmbito nacional deverão constituir advogado com procuração nos autos.

3) Da petição inicial

A petição inicial de todas as ações deverá ser apresentada em duas vias.

A petição deverá, necessariamente, indicar:

a) o dispositivo da lei ou do ato normativo impugnado e os fundamentos


ADI jurídicos do pedido em relação a cada uma das impugnações;
b) o pedido, com suas especificações.
a) o dispositivo da lei ou do ato normativo questionado e os fundamentos
jurídicos do pedido;
ADC b) o pedido, com suas especificações
c) a existência de controvérsia judicial relevante sobre a aplicação da
disposição objeto da ação declaratória.
a) a indicação do preceito fundamental que se considera violado;
b) a indicação do ato questionado;
c) a prova da violação do preceito fundamental;
ADPF d) o pedido, com suas especificações;
e) no caso da arguição incidental, a comprovação da existência de
controvérsia judicial relevante sobre a aplicação do preceito fundamental que
se considera violado.

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a) a omissão inconstitucional total ou parcial quanto ao cumprimento de dever


constitucional de legislar ou quanto à adoção de providência de índole
ADO
administrativa;
b) o pedido, com suas especificações.
a) a indicação do princípio constitucional que se considera violado ou, se for
o caso de recusa à aplicação de lei federal, das disposições questionadas;
b) a indicação do ato normativo, do ato administrativo, do ato concreto ou da
ADII omissão questionados;
c) a prova da violação do princípio constitucional ou da recusa de execução
de lei federal e
d) o pedido, com suas especificações.

Apenas a ADC e a ADPF incidental exigirão a comprovação de controvérsia judicial relevante.

A petição incompleta, inepta ou incabível não será conhecida. Da decisão, caberá agravo.

4) Medida cautelar

As ações do controle objetivo admitem medida cautelar, que será deferida, em regra, pela maioria
absoluta do STF (seis votos), salvo nos casos de recesso e de urgência, hipótese em que o Relator
poderá decidir monocraticamente, ad referendum do Pleno.

A medida cautelar em ADC, nos termos da Lei 9.868/1999, tem prazo de validade de 180 dias.
Não prazo para as demais ações.

Quanto aos efeitos da medida cautelar, temos:

Sustação da vigência da norma impugnada, com efeitos para todos,


ADI vinculante, ex nunc e repristinatório.
Suspensão dos processos que envolvem a aplicação da lei impugnada.
ADC Suspensão dos processos que envolvem a aplicação da lei.
Sustação do ato impugnado;
ADPF
Suspensão de processos, salvo se decorrentes de coisa julgada.
ADO Suspensão dos processos que envolvem a matéria.
ADII Suspensão dos processos que envolvem a matéria.

5) PGR, AGU e amicus curiae

PGR AGU Amicus curie


Participação Participação
ADI Admite-se.
obrigatória. obrigatória.
Participação
ADC O AGU não participa. Admite-se.
obrigatória.

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Participará das ações de Participação


ADPF Admite-se.
que não for autor. obrigatória.
O Relator poderá
Participará das ações de
ADO solicitar a participação Admite-se.
que não for autor.
do AGU.
Participação Participação
ADII Admite-se.
obrigatória. obrigatória.

6) Julgamento e mérito

A decisão nas ações do controle objetivo somente será tomada se presentes na sessão pelo menos
oito Ministros. Realizado o julgamento, proclamar-se-á a procedência ou improcedência do
pedido formulado se num ou noutro sentido se tiverem manifestado pelo menos seis Ministros.

A decisão de mérito na ADI, na ADC e na ADPF têm eficácia contra todos (efeito erga omnes),
efeito vinculante e efeito ex tunc. Admite-se a modulação de efeitos, desde que a decisão seja
tomada por oito Ministros do Supremo Tribunal Federal.

Na ADO, declarada a inconstitucionalidade por omissão, será dada ciência ao Poder competente
para a adoção das providências necessárias. Em caso de omissão imputável a órgão administrativo,
as providências deverão ser adotadas no prazo de trinta dias, ou em prazo razoável a ser
estipulado excepcionalmente pelo Tribunal, tendo em vista as circunstâncias específicas do caso
e o interesse público envolvido.

Na ADII, julgada a ação procedente do pedido formulado na representação interventiva, o


Presidente do Supremo Tribunal Federal, publicado o acórdão, levá-lo-á ao conhecimento do
Presidente da República para, no prazo improrrogável de até quinze dias, promover a intervenção
federal.

7) Aspectos comuns da ADI, ADC, ADPF e ADO

✓ Não se admite desistência da ação e nem do pedido de medida cautelar.


✓ A decisão é irrecorrível, salvo embargos de declaração.
✓ Não se admite ação rescisória da decisão transitada em julgado.
✓ Não se admite intervenção de terceiros, salvo na condição especial de amicus curiae.
✓ Não cabe arguição de suspeição de Ministro do STF, mas cabe a arguição de impedimento.
✓ Não há prazo prescricional e nem decadencial para o ajuizamento da ação.
✓ As ações estão submetidas ao princípio da fungibilidade.
✓ As ações admitem a cumulação de pedidos (constitucionalidade e inconstitucionalidade).

Controle abstrato nos Estados


Os Tribunais de Justiça promovem o controle abstrato de constitucionalidade apenas em face da
Constituição estadual.

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Os Estados podem instituir ação direta de inconstitucionalidade, ação direta de


inconstitucionalidade por omissão estadual, ação declaratória de constitucionalidade, arguição de
descumprimento de preceito fundamental e ação direta de inconstitucionalidade interventiva
estadual. Todas essas ações terão por parâmetro as normas da Constituição estadual, tanto as
autônomas quanto as de reprodução ou imitação da Constituição Federal.

A representação de inconstitucionalidade estadual tem como objeto leis e atos normativos


municipais e estaduais contrários à Constituição estadual. Leis federais não se submetem a
controle abstrato de constitucionalidade no âmbito estadual.

Leis ou atos normativos estaduais tanto poderão ser objeto do controle abstrato perante o STF
quanto perante o Tribunal de Justiça, a depender do parâmetro adotado.

Na representação interventiva, os Estados não poderão dar legitimação ativa apenas a um único
órgão, mas poderia ampliar o rol de legitimados em comparação com a Constituição Federal.

As decisões proferidas pelo Tribunal de Justiça nas ações de inconstitucionalidade são, em regra,
irrecorríveis, salvo se o parâmetro for dispositivo da Constituição estadual que é norma de
reprodução obrigatória da Constituição Federal (expressa ou implícita), pois na hipótese, caberá
recurso extraordinário. Se o parâmetro de controle de constitucionalidade for norma de imitação,
não caberá recurso extraordinário.

A decisão proferida no RE produzirá eficácia contra todos (efeito erga omnes), efeito vinculante e
efeito ex tunc. Esse fenômeno é chamado por parte da doutrina de “controle abstrato no modelo
difuso”.

Em se tratando de lei ou ato normativo estadual, poderá haver simultaneidade de ações, sendo
uma da competência do STF, quando a norma parâmetro é da Constituição Federal, e outra, da
competência do TJ, quando a norma parâmetro é da Constituição estadual. A simultaneidade de
ações fará com que o TJ suspenda o andamento da representação interventiva.

Se a lei ou o ato normativo estadual contrariar norma autônoma da Constituição estadual e, ao


mesmo tempo, norma da Constituição Federal, havendo simultaneidade de ações, o TJ
suspenderá o andamento da representação de inconstitucionalidade até o julgamento definitivo
da ADI. Se o STF declarar a lei inconstitucional, a representação de inconstitucionalidade perderá
o seu objeto. Se o STF declarar a lei constitucional, ainda assim o TJ poderá julgar a representação
de inconstitucionalidade, porque o parâmetro analisado será outro.

TRIBUTAÇÃO E ORÇAMENTO
Nos termos estabelecidos pela Constituição Federal, TRIBUTO compreende os impostos, as taxas,
as contribuições de melhoria, os empréstimos compulsórios e as contribuições especiais.

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TRIBUTO NATUREZA COMPETÊNCIA MEIO DE CRIAÇÃO


Tributo desvinculado, União, Estados,
Lei ordinária ou
Imposto de caráter Distrito Federal e
medida provisória.
contributivo. Municípios.
Tributo vinculado, União, Estados,
Lei ordinária ou
Taxa com natureza de Distrito Federal e
medida provisória.
contraprestação. Municípios.
Tributo restituível,
criado para atender a Lei Complementar.
Empréstimo despesas
União.
Compulsório extraordinárias ou Não se admite a
investimento público medida provisória.
urgente.
Tributo vinculado,
cobrado quando a
União, Estados,
Contribuição de realização de obra Lei ordinária ou
Distrito Federal e
melhoria pública causa medida provisória.
Municípios.
acréscimos ao valor
do imóvel.
As contribuições
sociais, de
intervenção no
domínio econômico,
de interesse das
categorias
profissionais e Lei ordinária ou
econômicas são da medida provisória,
competência da exceto as
União. contribuições
Tributo finalístico
destinadas a criarem
Contribuição especial qualificado pela sua As contribuições para
novas fontes de
destinação. custeio de regime
custeio da seguridade
previdenciário
social, porque estas
próprio são da
são disciplinadas por
competência da
lei complementar.
União, dos Estados,
do DF e dos
Municípios.

A contribuição para
iluminação pública é
da competência dos

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Municípios e do
Distrito Federal.

Em matéria tributária, exige-se lei complementar para dispor sobre:

✓ conflitos de competência, em matéria tributária, entre os entes federativos;


✓ limitações constitucionais ao poder de tributar;
✓ normas gerais em matéria de legislação tributária
✓ critérios especiais de tributação, com o objetivo de prevenir desequilíbrios da
concorrência, sem prejuízo da competência de a União, por lei, estabelecer normas de igual
objetivo.

Limitações do Poder de Tributar

Na qualidade de garantias individuais, os princípios constitucionais em matéria tributária


elencados no artigo 150 da Constituição Federal e as imunidades tributárias são cláusulas pétreas
e não podem ser abolidos nem mesmo por emenda à Constituição.

São princípios constitucionais em matéria tributária:

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA


É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios exigir ou aumentar tributo
sem lei que o estabeleça.

Há tributos disciplinados por lei complementar: 1) empréstimos compulsórios; 2) imposto sobre


grandes fortunas; 3) impostos residuais e 4) novas fontes de custeio da seguridade social.

Alguns impostos poderão sofrer alteração de alíquota por ato do Executivo: Imposto de
Importação; Imposto de Exportação; Imposto sobre Operações Financeiras; Imposto sobre
Produtos Industrializados; ICMS/combustíveis; CIDE/combustíveis.

PRINCÍPIO DA ISONOMIA
É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir tratamento desigual
entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em
razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da
denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos.

As alíquotas progressivas de Imposto de Renda, Imposto Territorial Rural e Imposto Predial


Territorial Urbano não ferem a isonomia.

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PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE
É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios cobrar tributos no mesmo
exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou (anterioridade
anual) e antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os
instituiu ou aumentou (anterioridade nonagesimal).

Imposto de Importação, Imposto de Exportação, Imposto sobre Operações Financeiras, Imposto


Extraordinário de Guerra e Empréstimos compulsórios não se sujeitam à anterioridade (nem
anual e nem nonagesimal).

Contribuições sociais, Cide/combustíveis e ICMS/combustíveis estão sujeitos apenas à


anterioridade nonagesimal.

Imposto de Renda, base de cálculo de IPTU e base de cálculo de IPVA estão sujeitos apenas à
anterioridade anual.

PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE
É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios cobrar tributos em relação
a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou
aumentado.

PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO


A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios não podem utilizar tributo com efeito de
confisco.

PRINCÍPIO DA NÃO LIMITAÇÃO


É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer limitações ao
tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada
a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público.

PRINCÍPIO DA NÃO DISCRIMINAÇÃO QUANTO À PROCEDÊNCIA


É vedado aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer diferença tributária entre
bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou destino.

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PRINCÍPIO DA UNIFORMIDADE GEOGRÁFICA


A União não pode instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que
implique distinção ou preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em
detrimento de outro, admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o
equilíbrio do desenvolvimento socioeconômico entre as diferentes regiões do País.

Imunidade Tributária

É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir impostos sobre:

a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros (imunidade recíproca);

b) templos de qualquer culto (imunidade religiosa);

c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades
sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins
lucrativos, atendidos os requisitos da lei (imunidade de partido político, entidades sindicais,
instituição de educação e de assistência social);

d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão (imunidade de imprensa ou


cultural).

e) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou


literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros bem
como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação
industrial de mídias ópticas de leitura a laser (imunidade sobre CDs e DVDs).

Impostos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios

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Imposto sobre

Municípios/DF
Estados/DF
União

importação de produtos Imposto sobre Imposto sobre


estrangeiros (II); transmissão causa mortis propriedade predial e
Imposto sobre e doação, de quaisquer territorial urbana (IPTU);
exportação, para o bens ou direitos Imposto sobre
exterior, de produtos (ITCMD); transmissão "inter
nacionais ou Imposto sobre vivos", a qualquer título,
nacionalizados (IE); operações relativas à por ato oneroso, de
Imposto sobre renda e circulação de bens imóveis, por
proventos de qualquer mercadorias e sobre natureza ou acessão
natureza (IR); prestações de serviços física, e de direitos reais
Imposto sobre produtos de transporte sobre imóveis, exceto os
industrializados (IPI); interestadual e de garantia, bem como
intermunicipal e de cessão de direitos a sua
Imposto sobre comunicação, ainda que aquisição (ITBI);
operações de crédito, as operações e as
câmbio e seguro, ou Imposto sobre serviços
prestações se iniciem no de qualquer natureza
relativas a títulos ou exterior (ICMS);
valores mobiliários (IOF); (ISS).
Imposto sobre
Imposto sobre propriedade de veículos
propriedade territorial automotores
rural (ITR); (IPVA).
Imposto
Repartição sobre grandes
de Receitas Tributárias

TRIBUTO PERCENTUAL BENEFICIÁRIO


IR (imposto sobre rendimentos
e renda, retidos na fonte, de
100% Estados e DF
agentes públicos estaduais e
distritais).
IR (imposto sobre rendimentos
e renda, retidos na fonte, de 100% Municípios
agentes públicos municipais).
Impostos residuais (novos
impostos instituídos pela 20% Estados e Municípios
União)
50%
ITR (relativo a imóveis rurais
situados no Município Municípios
100% se o Município optar por
beneficiário)
cobrar e fiscalizar o ITR.
IPVA (relativo a veículos
automotores licenciados no
50% Municípios
território do Município
beneficiário).

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Estratégia Carreira Jurídica

ICMS (relativo às operações


realizadas no território dos 25% Municípios
Municípios beneficiários)
49% do total, sendo:

21,5% ao FPE;

22,5% ao FPM;

3% para aplicação em
programas de financiamento
ao setor produtivo das
IR/IPI (do produto da
Regiões Norte, Nordeste e Estados, DF e Municípios
arrecadação de IR e IPI)
Centro-Oeste;

1% ao FPM, entregue no
primeiro decêndio do mês de
dezembro de cada ano;

1% ao FPM, entregue no
primeiro decêndio do mês de
julho de cada ano.
IPI (do produto da
arrecadação do IPI,
proporcionalmente às 10% Estados e DF
respectivas exportações de
produtos industrializados)
CIDE (do produto da
arrecadação da 29% Estados e DF
CIDE/combustíveis)

Finanças Públicas

Em matéria de finanças públicas, cabe à lei complementar dispor sobre:

1) finanças públicas;
2) dívida pública externa e interna, incluída a das autarquias, fundações e demais entidades
controladas pelo Poder Público;
3) concessão de garantias pelas entidades públicas;
4) emissão e resgate de títulos da dívida pública;
5) fiscalização financeira da administração pública direta e indireta;
6) operações de câmbio realizadas por órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios;

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Estratégia Carreira Jurídica

7) o exercício financeiro, a vigência, os prazos, a elaboração e a organização do plano


plurianual, da lei de diretrizes orçamentárias e da lei orçamentária anual;
8) normas de gestão financeira e patrimonial da administração direta e indireta bem como
condições para a instituição e funcionamento de fundos.
9) critérios para a execução equitativa, além de procedimentos que serão adotados quando
houver impedimentos legais e técnicos, cumprimento de restos a pagar e limitação das
programações de caráter obrigatório.
10) compatibilização das funções das instituições oficiais de crédito da União, resguardadas as
características e condições operacionais plenas das voltadas ao desenvolvimento regional.

Banco Central

A competência da União para emitir moeda será exercida exclusivamente pelo banco central.

É vedado ao banco central conceder, direta ou indiretamente, empréstimos ao Tesouro Nacional


e a qualquer órgão ou entidade que não seja instituição financeira.

As disponibilidades de caixa da União serão depositadas no banco central. As disponibilidades de


caixa dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e dos órgãos ou entidades do Poder Público
e das empresas por ele controladas, em instituições financeiras oficiais, ressalvados os casos
previstos em lei.

Orçamento

São três espécies de leis orçamentárias:

LEI DE DIRETRIZES LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL


PLANO PLURIANUAL (PPA)
ORÇAMENTÁRIAS (LDO) (LOA)
Validade de 4 anos Validade de 1 ano Validade de 1 ano
Projeto encaminhado ao Projeto encaminhado ao
Projeto encaminhado ao
Congresso nacional até quatro Congresso nacional até oito
Congresso nacional até quatro
meses antes do encerramento meses e meio antes do
meses antes do encerramento
do primeiro exercício encerramento do exercício
do exercício financeiro.
financeiro. financeiro.
Projeto devolvido para à
Projeto devolvido à sanção até Projeto devolvido à sanção até
sanção até o encerramento do
o encerramento da sessão o encerramento da sessão
primeiro período da sessão
legislativa. legislativa.
legislativa.
Tem a finalidade de orientar a
elaboração da Lei Compreenderá três
Contém um planejamento de orçamentos
Orçamentária Anual (LOA).
governo para os quatro anos
Deve conter as metas e as
subsequentes I - o orçamento fiscal
prioridades da Administração
Pública Federal, as alterações

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na legislação tributária e a II - o orçamento de


política de aplicação das investimento
agências financeiras oficiais de
fomento. III - o orçamento da
seguridade social

Processo Legislativo das leis

A iniciativa das leis orçamentárias é privativa do Presidente da República. Os projetos de lei serão
apreciados pelas duas Casas do Congresso Nacional, em sessão conjunta, após análise da
Comissão Mista de Orçamento e Finanças.

As emendas aos projetos de leis orçamentárias serão apresentadas na Comissão Mista e


apreciadas pelo Plenário das duas Casas do Congresso Nacional (sessão conjunta).

O Presidente da República, enquanto não iniciada a votação, na Comissão mista, da parte cuja
alteração é proposta, poderá propor modificação ao projeto.

As emendas ao projeto de LOA ou aos projetos de créditos adicionais somente poderão ser
aprovadas se compatíveis com o PPA e com a LDO.

O projeto poderá ser vetado pelo Presidente da República.

Emendas Impositivas

Há duas espécies de emendas impositivas: individuais e de bancada.

EMENDAS INDIVIDUAIS EMENDAS DE BANCADA


Programações incluídas por todas as emendas
Programações advindas das emendas
de iniciativa de bancada de parlamentares de
parlamentares individuais, em montante
Estado ou do Distrito Federal, no montante de
correspondente a 1,2% da receita corrente
até 1% da receita corrente líquida realizada no
líquida realizada no exercício anterior.
exercício anterior.

O regime impositivo de execução das emendas parlamentares individuais e de bancada poderá


ser excepcionalmente afastado em duas situações: 1) Impedimento de ordem técnica e 2)
Contingenciamento.

Vedações Constitucionais

✓ O artigo 167 da Constituição Federal estabeleceu uma série de vedações em matéria


orçamentária, dentre as quais destacam-se as seguintes proibições:
✓ o início de programas ou projetos não incluídos na lei orçamentária anual;

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✓ a realização de despesas ou a assunção de obrigações diretas que excedam os créditos


orçamentários ou adicionais;
✓ a realização de operações de créditos que excedam o montante das despesas de capital,
ressalvadas as autorizadas mediante créditos suplementares ou especiais com finalidade
precisa, aprovados pelo Poder Legislativo por maioria absoluta;
✓ a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a repartição do
produto da arrecadação dos impostos; a destinação de recursos para as ações e serviços
públicos de saúde, para manutenção e desenvolvimento do ensino e para realização de
atividades da administração tributária;
✓ a instituição de fundos de qualquer natureza, sem prévia autorização legislativa;
✓ a utilização de recursos de regime próprio de previdência social para a realização de
despesas distintas do pagamento dos benefícios previdenciários do respectivo fundo
vinculado àquele regime e das despesas necessárias à sua organização e ao seu
funcionamento.

Limites para despesa com pessoal

A despesa com pessoal ativo e inativo da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios
não poderá exceder os limites estabelecidos em lei complementar.

Os entes federativos que estiverem fora do limite estabelecido deverão adotar as seguintes
providências: 1) reduzir em pelo menos 20% as despesas com cargos em comissão e funções de
confiança e 2) exonerar servidores não estáveis. Se as duas medidas adotadas não forem
suficientes, o servidor estável poderá perder o cargo.

O servidor que perder o cargo fará jus a indenização correspondente a um mês de remuneração
por ano de serviço.

O cargo objeto da redução será considerado extinto e novo cargo, emprego ou função com
atribuições iguais ou assemelhadas não poderá ser criado pelo prazo de quatro anos.

ORDEM ECONÔMICA E FINANCEIRA


A Constituição Federal a todos assegura o livre exercício de qualquer atividade econômica,
independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei.

ORDEM ECONÔMICA
Fundamentos valorização do trabalho humano e livre iniciativa
assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça
Finalidade
social
I - soberania nacional; II - propriedade privada; III - função social
Princípios da propriedade; IV - livre concorrência; V - defesa do consumidor;
VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento

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diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e


serviços e de seus processos de elaboração e prestação; VII -
redução das desigualdades regionais e sociais; VIII - busca do
pleno emprego; IX - tratamento favorecido para as empresas de
pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham
sua sede e administração no País.

Exploração de atividade econômica pelo Estado

A exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos
imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, nos termos da lei.

A empresa pública, a sociedade de economia mista e suas subsidiárias que explorem atividade
econômica estarão sujeitas ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos
direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários.

As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais
não extensivos às do setor privado (173, § 2º)

O Estado atua também como agente normativo e regulador da atividade econômica e as funções
de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e
indicativo para o setor privado.

Prestação de serviço público

Cabe ao Estado, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre
através de licitação, a prestação de serviços públicos.

Jazidas, recursos minerais e potenciais de energia hidráulica

As jazidas, em lavra ou não, e demais recursos minerais e os potenciais de energia hidráulica


constituem propriedade distinta da do solo, para efeito de exploração ou aproveitamento, e
pertencem à União, garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra.

Monopólio da União

Constituem monopólio da União: I - a pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural e
outros hidrocarbonetos fluidos; II - a refinação do petróleo nacional ou estrangeiro; III - a
importação e exportação dos produtos e derivados básicos resultantes das atividades previstas
nos incisos anteriores; IV - o transporte marítimo do petróleo bruto de origem nacional ou de
derivados básicos de petróleo produzidos no País, bem assim o transporte, por meio de conduto,
de petróleo bruto, seus derivados e gás natural de qualquer origem.

Da Política Urbana

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A política de desenvolvimento urbano deve ser executada pelo Poder Público municipal, mas em
conformidade com as diretrizes gerais fixadas em lei, de competência da União.

O instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana é o plano diretor,


aprovado pela Câmara Municipal. Nas cidades com mais de vinte mil habitantes, é obrigatória a
elaboração do plano diretor (§ 1º).

O Poder Público municipal, mediante lei específica para área incluída no plano diretor, poderá
exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou
não utilizado, que promova seu adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de: 1)
parcelamento ou edificação compulsórios; 2) imposto sobre a propriedade predial e territorial
urbana progressivo no tempo (IPTU); . 3) desapropriação com pagamento mediante títulos da
dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de
até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os
juros legais.

Aquele que possuir como sua área urbana de até 250 metros quadrados, por cinco anos,
ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, desde que não
seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural, adquire o domínio dessa área.

Da Política Agrícola e Fundiária e da Reforma Agrária

A destinação de terras públicas e devolutas será compatibilizada com a política agrícola e com o
plano nacional de reforma agrária.

A alienação ou a concessão, a qualquer título, de terras públicas com área superior a 2.500
hectares a pessoa física ou jurídica dependerá de prévia aprovação do Congresso Nacional, exceto
aquelas destinadas a reforma agrária.

Aqueles que forem beneficiários da distribuição de imóveis rurais pela reforma agrária receberão
títulos de domínio ou de concessão de uso, inegociáveis pelo prazo de dez anos.

A União, por interesse social, para fins de reforma agrária, poderá desapropriar o imóvel rural que
não estiver cumprindo a sua função social.

A desapropriação se dará mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com
cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo
ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei. Entretanto, as benfeitorias úteis e
necessárias serão indenizadas em dinheiro.

ORDEM SOCIAL

Seguridade Social

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Estratégia Carreira Jurídica

A ordem social tem como base o primado do trabalho e como objetivo o bem-estar e a justiça
sociais.

A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes


Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos 1) à saúde; 2) à previdência e
3) à assistência social.

São objetivos da seguridade social:

I - universalidade da cobertura e do atendimento;

II - uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais;

III - seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços;

IV - irredutibilidade do valor dos benefícios;

V - equidade na forma de participação no custeio;

VI - diversidade da base de financiamento, identificando-se, em rubricas contábeis


específicas para cada área, as receitas e as despesas vinculadas a ações de saúde,
previdência e assistência social, preservado o caráter contributivo da previdência social;

VII - caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão


quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos
aposentados e do Governo nos órgãos colegiados.

A seguridade social será financiada:

1. por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos provenientes dos
orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;

2. contribuição do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei;

3. contribuição do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, podendo ser


adotadas alíquotas progressivas de acordo com o valor do salário de contribuição, não incidindo
contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo Regime Geral de Previdência Social;

4. contribuição sobre a receita de concursos de prognósticos.

5. contribuição do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar

A lei complementar poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão
da seguridade social.

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Estratégia Carreira Jurídica

A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em


lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou
incentivos fiscais ou creditícios.

Saúde

A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas
que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às
ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.

As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e


constituem um sistema único, organizado de acordo com as seguintes diretrizes:

I - descentralização, com direção única em cada esfera de governo;

II - atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo


dos serviços assistenciais;

III - participação da comunidade.

Os gestores locais do sistema único de saúde poderão admitir agentes comunitários de saúde e
agentes de combate às endemias por meio de processo seletivo público, de acordo com a
natureza e complexidade de suas atribuições e requisitos específicos para sua atuação.

A assistência à saúde é livre à iniciativa privada.

As instituições privadas poderão participar de forma complementar do SUS, mediante contrato de


direito público ou convênio, tendo preferência as entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos.

É vedada a destinação de recursos públicos para auxílios ou subvenções às instituições privadas


com fins lucrativos.

Previdência social

A previdência social será organizada sob a forma do Regime Geral de Previdência Social (RGPS),
de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio
financeiro e atuarial.

É vedada a adoção de requisitos ou critérios diferenciados para concessão de benefícios,


ressalvada, nos termos de lei complementar, a possibilidade de previsão de idade e tempo de
contribuição distintos da regra geral para concessão de aposentadoria exclusivamente em favor
dos segurados: 1) com deficiência, previamente submetidos a avaliação biopsicossocial realizada
por equipe multiprofissional e interdisciplinar e 2) cujas atividades sejam exercidas com efetiva

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Estratégia Carreira Jurídica

exposição a agentes químicos, físicos e biológicos prejudiciais à saúde, ou associação desses


agentes, vedada a caracterização por categoria profissional ou ocupação.

Nenhum benefício que substitua o salário de contribuição ou o rendimento do trabalho


do segurado terá valor mensal inferior ao salário mínimo.

É vedada a filiação ao regime geral de previdência social, na qualidade de segurado


facultativo, de pessoa participante de regime próprio de previdência.

É assegurada aposentadoria no regime geral de previdência social, nos termos da lei, obedecidas
as seguintes condições:

I - 65 anos de idade, se homem, e 62 anos de idade, se mulher, observado tempo mínimo de


contribuição. Se professor de educação básica, o requisito idade será reduzido em cinco
anos.

II - 60 anos de idade, se homem, e 55 anos de idade, se mulher, para os trabalhadores rurais e


para os que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, nestes incluídos o produtor
rural, o garimpeiro e o pescador artesanal

Lei instituirá sistema especial de inclusão previdenciária, com alíquotas diferenciadas,


para atender aos trabalhadores de baixa renda, inclusive os que se encontram em
situação de informalidade, e àqueles sem renda própria que se dediquem
exclusivamente ao trabalho doméstico no âmbito de sua residência, desde que
pertencentes a famílias de baixa renda.

Assistência social

A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à


seguridade social.

As ações governamentais na área da assistência social serão organizadas com base nas seguintes
diretrizes:

I - descentralização político-administrativa, cabendo a coordenação e as normas gerais à esfera


federal e a coordenação e a execução dos respectivos programas às esferas estadual e municipal,
bem como a entidades beneficentes e de assistência social;

II - participação da população, por meio de organizações representativas, na formulação das


políticas e no controle das ações em todos os níveis.

É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular a programa de apoio à inclusão e promoção
social até cinco décimos por cento de sua receita tributária líquida, vedada a aplicação desses
recursos no pagamento de: a) despesas com pessoal e encargos sociais; b) serviço da dívida; c)

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qualquer outra despesa corrente não vinculada diretamente aos investimentos ou ações
apoiados.

Educação, Cultura e Desporto


Educação

A educação é direito de todos e dever do Estado e da família. O direito social à educação tem
três objetivos: 1) o pleno desenvolvimento da pessoa; 2) o preparo para o exercício da cidadania
e 3) a sua qualificação para o trabalho.

O ensino deve ser ministrado, dentre outros, com base nos seguintes princípios: 1) gratuidade do
ensino público; 2) pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; 3) valorização dos
profissionais da educação escolar.

As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e


patrimonial e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.

As universidades podem admitir professores, técnicos e cientistas estrangeiros, na forma da lei

É dever do Estado garantir:

1. educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade,
assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade
própria, sob pena de responsabilização da autoridade competente;

2. progressiva universalização do ensino médio gratuito;

3. educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade;

4. atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na


rede regular de ensino.

O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas
públicas de ensino fundamental. O ensino religioso poderá ser confessional.

A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em regime de colaboração


seus sistemas de ensino, da seguinte maneira:

▪ A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, financiará as instituições


de ensino públicas federais e exercerá, em matéria educacional, função redistributiva e
supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo
de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito
Federal e aos Municípios;

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▪ Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil.

▪ Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no ensino fundamental e médio

A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os


Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida
a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino.

A educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do
salário-educação, recolhida pelas empresas na forma da lei.

A lei estabelecerá o plano nacional de educação, de duração decenal, com o objetivo de articular
o sistema nacional de educação em regime de colaboração e definir diretrizes, objetivos, metas e
estratégias de implementação para assegurar a manutenção e desenvolvimento do ensino em seus
diversos níveis, etapas e modalidades por meio de ações integradas dos poderes públicos das
diferentes esferas federativas.

Cultura

O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura
nacional e protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das
de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional.

A lei estabelecerá o Plano Nacional de Cultura, de duração plurianual, visando ao


desenvolvimento cultural do País e à integração das ações do poder público.

Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados


individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos
diferentes grupos formadores da sociedade brasileira.

É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular a fundo estadual de fomento à cultura até
cinco décimos por cento de sua receita tributária líquida, para o financiamento de programas e
projetos culturais, vedada a aplicação desses recursos no pagamento de: 1) despesas com pessoal
e encargos sociais; 2) serviço da dívida; 3) qualquer outra despesa corrente não vinculada
diretamente aos investimentos ou ações apoiados.

O Sistema Nacional de Cultura fundamenta-se na política nacional de cultura e nas suas diretrizes,
estabelecidas no Plano Nacional de Cultura, organizado em regime de colaboração, de forma
descentralizada e participativa, institui um processo de gestão e promoção conjunta de políticas
públicas de cultura, democráticas e permanentes, pactuadas entre os entes da Federação e a
sociedade,

Desporto

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É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não-formais, observada a autonomia


das entidades desportivas dirigentes e associações, quanto a sua organização e funcionamento.

A destinação de recursos públicos deve priorizar o desporto educacional e, em casos específicos,


para a do desporto de alto rendimento.

O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às competições desportivas após


esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva, que terá prazo máximo de sessenta dias,
contados da instauração do processo, para proferir decisão final.

Ciência, Tecnologia e Inovação


O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa, a capacitação
científica e tecnológica e a inovação, por meio de estímulo à articulação entre os entes públicos e
privados, devendo ser observado que:

✓ a pesquisa científica básica e tecnológica receberá tratamento prioritário do Estado;

✓ a pesquisa tecnológica deve ser voltada prioritariamente para a solução dos problemas
brasileiros e para o desenvolvimento do sistema produtivo nacional e regional.

Estados e Distrito Federal podem vincular parcela de sua receita orçamentária a entidades
públicas de fomento ao ensino e à pesquisa científica e tecnológica.

A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão firmar instrumentos de


cooperação com órgãos e entidades públicos e com entidades privadas, para a execução de
projetos de pesquisa, de desenvolvimento científico e tecnológico e de inovação, mediante
contrapartida financeira ou não financeira assumida pelo ente beneficiário, na forma da lei.

O Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (SNCTI) será organizado em regime de


colaboração entre entes públicos e privados. Sobre o SNCTI, cabe à lei federal dispor sobre as
normas gerais, mas cabe aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios legislar
concorrentemente sobre suas peculiaridades.

Comunicação Social
1. É livre a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer
forma, processo ou veículo.

2. É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.

3. A publicação de veículo impresso de comunicação independe de licença de autoridade.

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4. Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio
ou oligopólio.

5. A propaganda comercial de tabaco, bebidas alcoólicas, agrotóxicos, medicamentos e terapias


estará sujeita a restrições legais e conterá, sempre que necessário, advertência sobre os malefícios
decorrentes de seu uso.

A respeito de empresa jornalística e de radiodifusão sonora e de sons e imagens, a Constituição


Federal estabelece que:

GESTÃO E RESPONSABILIDADE CONCESSÃO, PERMISSÃO E


PROPRIEDADE
EDITORIAL AUTORIZAÇÃO
Compete ao Poder Executivo
1. brasileiros natos;
outorgar e renovar concessão,
permissão e autorização para
2. brasileiros naturalizados há Brasileiros natos ou
o serviço de radiodifusão
mais de dez anos; naturalizados há mais de dez
sonora (10 anos) e de sons e
anos exercerão
3. pessoas jurídicas obrigatoriamente imagens (15 anos).
constituídas sob as leis
A não renovação da concessão
brasileiras e que tenham sede 1. a gestão das atividades e
ou permissão dependerá de
no País. estabelecerão o conteúdo da
aprovação de, no mínimo, 2/5
programação;
Em qualquer caso, pelo menos do Congresso Nacional, em
70% do capital total e do 2. a responsabilidade editorial votação nominal.
capital votante deverá e as atividades de seleção e
O ato de outorga ou
pertencer, direta ou direção da programação
renovação somente produzirá
indiretamente, a brasileiros veiculada.
efeitos legais após
natos ou naturalizados há mais
deliberação do Congresso
de dez anos.
Nacional.

Meio Ambiente
O meio ambiente ecologicamente equilibrado é direito difuso, de terceira dimensão, decorrente
do princípio da solidadriedade: bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida.

A Constituição Federal impõe ao Poder Público e à coletividade o dever de defender o meio


ambiente equilibrado.

Dentre as obrigações do Poder Público, destacam-se:

1) Definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem


especialmente protegidos. A alteração e a supressão desses espaços só serão permitidas por meio
de lei e desde que não comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção;

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2) Exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de


significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará
publicidade;

3) controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que


comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente (o STF declarou a
inconstitucionalidade de leis que permitiam a utilização de amianto crisotila, por conter substância
cancerígena, e de lei que regulamenta a utilização de mecanismo de dispersão de substâncias
químicas por aeronaves para combate ao mosquito transmissor do vírus da dengue, do vírus
chikungunya e do vírus da zika, sem que o Estado pudesse garantir a não degradação ambiental
e prejuízo à saúde).

4) proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua
função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade (a
vaquejada, desde regulamentada, é constitucional. As rinhas, brigas de galo e a farra do boi foram
consideradas pelo STF condutas que provocam maus tratos aos animais, e portanto, são vedadas.
O sacrifício de animais em ritual religioso não caracteriza crueldade contra animais).

Quanto à coletividade, é preciso observar que:

1) Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado;

2) As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores,


pessoas físicas ou jurídicas, a sanções civis, penais e administrativas.

São patrimônio nacional:

✓ Floresta Amazônica brasileira;


✓ Mata Atlântica;
✓ Serra do Mar;
✓ Pantanal Mato-Grossense;
✓ Zona Costeira.

Da família, da criança, do adolescente, do jovem e do idoso


1. A família é a base da sociedade e merece especial proteção do Estado.

2. A família pode ser constituída pelo casamento, por união estável ou por adoção, admitindo-se
a estrutura biparental e a monoparental, independentemente de o relacionamento ser
homoafetivo ou heteroafetivo.

3. O casamento é civil e gratuita a celebração. O casamento religioso tem efeito civil. A dissolução
do casamento pode ser feita pelo divórcio.

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4. O planejamento familiar é livre decisão do casal, vedada a interferência ou qualquer forma


coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas.

5. O Estado deve criar mecanismos para coibir a violência no âmbito das relações familiares, razão
pela qual a Lei Maria da Penha é constitucional.

6. A criança, o adolescente e o jovem, com absoluta prioridade, fazem jus ao direito à vida, à
saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito,
à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de
negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

7. Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e
qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação.

8. Quanto ao jovem, a lei deverá estabelecer o estatuto da juventude e o plano nacional de


juventude, de duração decenal.

9. Os menores de 18 anos são penalmente inimputáveis e estão sujeitos às normas da legislação


especial.

10. Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos maiores têm o
dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade.

11. Os programas de amparo aos idosos serão executados preferencialmente em seus lares.

12. Os maiores de 65 anos têm a garantida constitucional de gratuidade dos transportes coletivos
urbanos.

Índios
Compete à União demarcar as terras indígenas.

As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios pertencem à União.

Os direitos constitucionais dos povos indígenas podem ser classificados em três categorias:

1) Direito à diferença: reconhecimento de sua organização social, costumes, línguas, crenças e


tradições.

2) Capacidade processual: os índios são partes legítimas para ingressar em juízo em defesa de
seus direitos e interesses. O Ministério Público deve intervir em todos os atos do processo.

3) Direito à terra: direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam.

São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios:

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TERRAS TRADICIONALMENTE OCUPADAS PELOS ÍNDIOS


REGRA EXCEÇÃO OCUPAÇÃO PASSADA
Ainda que à data de Se os índios um dia habitaram
São “terras tradicionalmente
promulgação da CF/88 não a terra, mas dela optaram por
ocupadas pelos índios”
houvesse mais ocupação da sair ou se dela foram expulsos
aquelas que cumulativamente
terra, ainda será considerada sem que tenha havido
apresentam dois marcos: 1)
indígena se os índios dela resistência, luta,
marco temporal: os índios
tiverem sido expulsos inconformismo, não se
habitavam a terra à data da
(esbulhados) e mesmo assim configurará o “renitente
promulgação da CF/88 e 2)
continuaram lutando por esbulho”, de modo que não
marco da tradicionalidade da
aquela área, de forma que a será considerada terra
ocupação: relação dos índios
situação de esbulho foi indígena.
com a terra.
insistente (renitente).

Os direitos decorrentes da posse permanente das terras tradicionalmente ocupadas pelos índios
são:

✓ inalienabilidade, indisponibilidade e imprescritibilidade


✓ usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes.

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